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A TEORIA DA FIRMA
NOTA INTRODUTORIA

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SUCESSOS E MALOGROS NA INOVAÇÃO INDUSTRIAL

8.1 As INOVAÇÕES COMO ACOPLAMENTO DE NOVAS
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QUADRO 8.1 - Lista dos pares da pesquisa SAPPI-IO

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8.4 VARIAÇÕES NÃO RELACIONADAS A SUCESSOS
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O autor mostra como que o sucesso técnico se relaciona com o desenvolvimento técnico e com o mercado, tentando identificar se a força impulsionadora é o avanço da ciência (inventor + inovador) ou se é o a concorrência do mercado (empreendedor), tentando resolver as teorias explicativas. Conclui-se que há evidências suficientes para dizer que os padrões de inovação do século XIX e XX estão perdendo lugar para os sistemas de inovação do século XXI, ou seja, se tornaram colaborativos em redes, para isso faz análise das pesquisas do projeto SAPPHO que busca evidenciar ou refutar generalização das inovações técnicas. O autor acaba mostrando como os dois fatores impulsionam os avanços; a mudança técnica e uma constante sistematização das inovações tecnológicas nas áreas de informação e comunicação.

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  1. 1. 552. @ee v ; M855 m» V çlássicosga › Inovação Chris Freeman Luc Soete A EcpNoIx/ IIA DA INOVAÇAO INDUSTRIAL DEDALUS - ACERVO - FEA
  2. 2. Leia os outros lançamentos da coleção: TRAJETÓIKIAS DA INOVAÇÃO TECNOLOGIA, APRENDIZADO E INOVAÇÃO O QUAIIILANTE DE PASTEUR DA IMITAÇíÀO A INOVAÇÃO UMA TEORIA EVOLUCIONÁRIA DA MUDANÇA ECONÔMICA As FONTES DO CRESCIMENTO ECONÔMICO MUDANÇA TECNICA E TILANsEOuMAÇAo INDUSTRIAL POR DENTRO I)A CAIXA-PRETA A TEORIA DO CILESCIMENTO I)A FIRMA FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNICAMP DIRETORIA DE TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO F877e Freeman, Christopher. A economia da inovação industrial / Chris Freeman e Luc Soete; tradutores: André Luiz Sica de Campos e janaina Oliveira Pamplona da Costa ~ Campinas, SP: Editora da Uni- camp, 2008. (Clássicos da Inovação) Tradução detThe economics of industrial innovation. 1. Inovações tecnológicas - Aspectos econômicos. 2. Organização industrial (Teoria econômica). I. Soete, Luc. II. TítuIo. CDU 338.064 ISBN 978-85-268-0825-6 338.7 Índices para catálogo sistemático: 1. Inovações tecnológicas - Aspectos econômicos 338.064 2. Organização industrial (Teoria econômica) 338.7 Í" edição, 1974 ~ Penguin Books 2“ edição, 1982 - Pintor (an Imprint of Cassell) 3* edição, 1997 A Routlcdge (an iInpríIit ofTaylor 8( Francis Group) Copyright © 3° edição 1997 by Chris Freeman 81 Luc Soete “All Rights Reserved" Copyright da tradução © 2008 by Editora da UNICAMP Tradução autorizada a partir da edição cm língua inglesa publicada por Routledge, uIn IIIembro do 'Taylor 8( Francis Group 2 Park Saquer Milton Park, AbiIIgdoII, Oxon, OXI4 4RN, UK_ Direitos desta edição reservados ã Editora da UNICAMP. Nenhuma parte desta publicação pode ser gravada, arInazeIIada em sistema eletrônico, fotocopiada, reproduzida por meios mecânicos ou outros quaisquer sem autorização prévia do editor.
  3. 3. PARTE 2 A MICROECONOMIA DA INOVAÇÃO: A TEORIA DA FIRMA
  4. 4. NOTA INTRODUTORIA A Parte 1 mostrou muitos exemplos de aumentos dramáticos na p1TO~ dutividade conquistados por uma combinação de inovações técnicas e organizacionais, como na fiação do algodão, no craqueamento ca- talítico do petróleo, no aumento de escala dos estabelecimentos quí- micos e siderúrgicos, nas linhas de montagem da produção de auto- móveis ou na miniaturização de circuitos eletrônicos integrados. Também se ilustraram a ampliação e o barateamento do rol de produ- tos de consumo disponíveis por meio de inovações de produtos em muitos ramos »- como, por exemplo, na cerâmica, nos bens de consu- mo duráveis, em novos materiais, no rádio e na televisão. Este livro tentará agora examinar de forma mais sistemática as condições que promoveram essas inovações bem~sucedidas, primeiro no âmbito das firmas e dos projetos inovativos individuais (Parte 2) e, em seguida, dos países ou regiões (Parte 3). O Capítulo 8 discute inicialmente aqueles projetos de pesquisa empíricos que procuraram identificar o padrão de inovações bem-sucedidas em firmas. Como muitas tentativas inovativas acabaram malogrando, uma comparação sistemática entre os êxitos e os malogros propicia alguns resultados
  5. 5. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE interessantes, conforme é mostrado no caso do Projeto SAPPHO, des- crito com algum nível de detalhe. Isto nos conduz a uma discussão das características daquelas firmas que tiveram reiterados sucessos com inovações. A discussão do Capítulo 9 mostra que o tamanho das firmas certamente influencia que tipos de projeto podem ser tentados em termos de tecnologia, complexidade e custos, embora não determi- nem por si sós o resultado final. Em algumas áreas e em alguns ramos, as firmas pequenas desempenham um papel muito importante na inovação, como de fato os relatos históricos também têm mostrado. Elas têm vantagens de velocidade e flexibilidade na tomada de deci- sões, e com freqüência custos mais baixos nos trabalhos de desenvol- vimento. A dimensão histórica revela-se novamente crucial, na medi- da em que o estágio de desenvolvimento de uma tecnologia e/ ou de um ramo constitui um dos principais determinantes da contribuição relativa de firmas pequenas e grandes à inovação, e dos tipos de ino- vações que elas são capazes de fazer. Embora, conforme se mostrou na Parte 1, as tecnologias certa- mente tenham mudado em rápida seqüência e as firmas tenham cres- cido muito e introduzido técnicas de administração inteiramente no- vas em numerosos ramos - por exemplo, com a PescD industrial -, ainda existem algumas coisas que mudaram pouco em seus funda- mentos, se é que chegaram a mudar. Uma delas é a prevalência da in- certeza tanto com respeito ao futuro da mudança tecnológica como no que se refere às futuras mudanças de mercado. O Capítulo 10 mos- tra que, a despeito da introdução de numerosas técnicas matemáticas sofisticadas na avaliação de projetos e na tomada de decisões, geral- mente não se provou ser possível às firmas fazerem previsões precisas dos futuros custos de desenvolvimento ou do tempo que esse desen- volvimento irá exigir. Erros ainda maiores são comuns nas previsões do tamanho do mercado futuro e das taxas de retorno do investimen- to. De um modo geral, as firmas subestimam os custos e superesti- mam a velocidade do desenvolvimento, algumas vezes por margens 336
  6. 6. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL muito grandes, tais como nos casos bem conhecidos do avião Con- corde ou dos reatores nucleares para a geração de eletricidade. Erros de estimativas com relação aos futuros mercados podem se dar em qualquer direção e são, com freqüência, muito acentuados. Confor- me mostrou a Parte 1, os futuros mercados para computadores, po- lietileno e borracha sintética foram grosseiramente subestimados. No caso dos reatores nucleares, ele foi amplamente superestimado. Os erros de previsão são maiores nos casos das inovações mais radicais. Com respeito às pequenas melhorias incrementais e às novas aplicações de produtos existentes, torna-se possível uma precisão muito maior e as técnicas de avaliação de projeto podem ser úteis co- mo ferramentas administrativas. O uso de tais técnicas tem, de qual- quer forma, algum valor como meio de mobilização dos esforços combinados necessários dentro da firma, e para apontar potenciais di- ficuldades nos vários estágios de desenvolvimento e de lançamento do produto. A verdadeira incerteza, na qual o futuro simplesmente não pode ser conhecido, ocorre naturalmente com maior freqüência na pesquisa fundamental e nos inventos mais radicais. Isto, contudo, não deve n_ecessariamente levar à conclusão de que os projetos mais arriscados e mais incertos nunca deveriam ser implementados. Pelo contrário, e novamente conforme se mostrou no relato histórico da Parte 1, os beneficios de uma P&D desse tipo podem vir a ser muito grandes a longo prazo. Muitas das mais úteis tecnologias atuais devem a sua própria existência a programas de pes- quisa fundamental em fisica, química e biologia, desenvolvidos du- rante longos períodos, principalmente em laboratórios de universida- des. Muitos dos produtos mais valiosos da atualidade não existiriam se determinados empreendedores e inventores não estivessem prepa- rados para devotar suas fortunas, carreiras e até suas vidas ao seu de- senvolvimento. Contudo, a incerteza e os riscos são de tal tipo que a maioria das firmas não serão capazes de cogitar fazer pesquisas básicas ou as modalidades de inovação mais radicais. Isto significa que, normalmen- 337 I Ê i
  7. 7. CHRIS FREEMAN l LUC SOETE te, as despesas públicas têm sido, de longe, em todos os países, a prin- cipal fonte de recursos da pesquisa básica, dando uma contribuição substancial para o desenvolvimento de tecnologias genéricas como a biotecnologia, as tecnologias da informação e várias outras inovações radicais. Esse tipo de despesas públicas é discutido na Parte 4, relativa às políticas públicas para a ciência e a tecnologia. Nesta Parte 2, o ca- pítulo final discute as estratégias das ñrmas ã medida que elas vão sen- do confrontadas com todas as incertezas e perigos inerentes ã inova- ção técnica, seja em si mesmas, seja com relação ã dos concorrentes. Assim, o Capítulo 11 tenta classificar as estratégias que as firmas adotam como ofensivas, defensivas, imitativas, dependentes, tradicionais ou oportunistas. As empresas que adotam estratégias ofensivas fazem parte daquela minoria muito pequena que tenta fazer inovações ra- dicais, algumas vezes, mas nem sempre, baseadas na realização de pes- quisas fundamentais. Um número maior de firmas adota estratégias defensivas, respondendo com bastante rapidez aos esforços inovativos das outras com seus próprios novos produtos e processos. Este tipo de reação é algumas vezes descrito como uma estratégia de "rápidos se- guidores”. Um número muito maior de firmas adota estratégias sim- plesmente imitativas, às vezes com base em licenciamento, franquia ou subcontratação das tecnologias de empresas mais inovativas. Os imita- dores podem tornar-se completamente dependentes, ou começam a ser dependentes, como é com freqüência o caso de firmas de paises em desenvolvimento que importam tecnologias. Existem alguns ramos em que há pouco progresso técnico ou nos quais predomina uma vantagem competitiva em fabricar produ- tos tradicionais com técnicas há muito tempo estabelecidas. As inova- ções de estilo e de projeto podem, contudo, ser importantes em tais casos, mas não constituem necessariamente inovações técnicas. Final- mente, a variedade de circunstâncias mutáveis costuma ser tão grande, tanto nos mercados como na tecnologia, que sempre haverá possibili- dades de identificação de nichos para determinados produtos e para a ocupação destes em bases puramente empresariais e oportunistas. 338
  8. 8. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTWLIAI, Qualquer tentativa de se classificar estratégias de firmas dessa forma constitui necessariamente uma grande simplificação. Por exem- plo, as firmas multiprodutos podem adotar diversas estratégias em di- ferentes setores de seus negócios, as quais poderão, e de fato certamen- te serão, mudadas ao longo do tempo. Os esforços de classificação são, contudo, valiosos por evidenciarem a variedade de formas pelas quais as firmas fazem uso da PôzD ou de STCs (Serviços Técnicos e Cientí- ñcos) ou como, naturalmente em muitos casos, elas não o fazem. Eles são particularmente valiosos para conceituar os esforços das firmas nos paises que procuram emparelhar-se aos demais, por meio de tentativas de melhorias de suas estratégias, ã medida que vão aprendendo a mo- dificar as tecnologias importadas, fazendo crescente uso de sua própria PôzD e de seus STCs internos. Esta discussão no final da Parte 2 nos conduzirá assim diretamente ã subseqüente discussão dos sistemas na- cionais de inovações e de emparelhamento da Parte 3. 339
  9. 9. 8 SUCESSOS E MALOGROS NA INOVAÇÃO INDUSTRIAL 8.1 As INOVAÇÕES COMO ACOPLAMENTO DE NOVAS TECNOLOGIAS A UM MERCADO Vamos considerar neste capítulo algumas generalizações sobre os pro- cessos de inovação técnica das firmas e dos ramos descritos; discutir até que ponto é possível testar a validade de tais generalizações; e re- lacioná-las a outros ramos e à economia como um todo. _Ievvkes e seus colegas (1958) argumentaram que no século XIX os vínculos entre as ciências e as invenções foram muito maiores do que geralmente se supõe. Certamente, os economistas clássicos estavam bastante conscientes da relação entre os avanços das ciências e o pro- gresso técnico no setor produtivo, durante o século XVIII e no início do século XIX. A citação de Adam Smith (1776) feita no início deste livro ilustra bem este ponto. Contudo, as evidências dos sete capítulos anteriores sugerem que houve profundas mudanças nos níveis de pro- ximidade e na natureza das relações entre a ciência e a produção. Conforme já explicamos no Capítulo 1, isto não supõe que aceitemos o modelo linear de P&D como um simples fluxo unidire- 341
  10. 10. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE cional de idéias, indo da ciência básica através da pesquisa aplicada para o desenvolvimento e, finalmente, para a inovação comercial. Pelo contrário, sempre houve, e continua existindo, nos modernos ramos industriais de base científica, Lima forte interação recíproca entre to- das essas atividades (Soete 8( Arundel, 1993) e, particularmente, uma poderosa influência da tecnologia nas ciências. Gazis (1979) apresen- tou alguns exemplos desta interação no caso dos laboratórios de pes- quisas da IBM. Contudo, a efetividade desse movimento bidirecional de idéias depende da capacidade de ambas as comunidades se comu- nicarem entre si. O novo estilo de inovações nos ramos industriais, que exami- namos, tem sido caracterizado pela presença de departamentos pro- fissionais de PscD dentro da firma; pelo emprego de cientistas qualifi- cados, assim como de engenheiros com formação científica, tanto nas pesquisas como em outras funções técnicas da firma; pelos contatos com universidades e outros centros de pequisa fundamental; e pela aceitação da mudança técnica baseada nas ciências como modo de vi- da das empresas. Algumas das firmas mencionadas tiveram recursos científicos e técnicos muito fortes, tais como: ICI; BASF; Du Pont; IBM; NEC; GM; Toyota; Siemens; GE; Hoechst; RCA; Marconi; Telefunken; e Bell. Um caso extremo foi o desenvolvimento das armas nucleares e da energia atômica. Durante o século XX, o principal locus da atividade inventiva transferiu-se dos inventores individuais para os laboratórios profissio- nais de pesquisa e desenvolvimento (PôcD), quer na indústria, quer no governo ou na universidade. O século XIX foi o periodo heróico tan- to das invenções como dos empresários individuais. Nomes como o de Eli Whitney, o “ferreiro, produtor de pregos, inventor e inovador de máquinas têxteis e Operatrizes” (“o homem que sabia fazer qual- quer coisa”), logo vêm ã mente. Henry Thoreau, atualmente lembra- do como um filósofo solitário, quando instado a descrever sua profis- são dez anos depois de formado, respondeu que era um capinteiro, pedreiro, fabricante de tubos de vidro, pintor de paredes, agricultor,
  11. 11. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL agrimensor e, naturalmente, um escritor e fabricante de lápis. Ele foi de fato responsável por numerosas invenções na fabricação de lápis, e houve um tempo em que ele só podia pensar em poucas coisas além de melhorias dos processos na sua pequena fábrica (Petroski, 1989). Estes homens não eram atípicos em relação aos inventores norte- americanos e europeus do século XIX. A revolução industrial britânica do século XIX deveu boa parte de seu sucesso a homens como esses. Com uma carreira inventiva que se prolongou até o século XX, Thomas Edison personiñcou a transição entre os “grandes individua- listas”, dos quais ele certamente foi um, e os laboratórios de P&D em grande escala, que ele ajudou a instituir. Ele fez um grande número de inventos e obteve mais patentes (1.093) que qualquer outro indi- víduo, mas isto só foi possível em parte porque ele estabeleceu gran- des laboratórios de pesquisa sob contrato, primeiro em Nevvark e 'mais tarde em Menlo Park. Entre os funcionários de Edison nestes la- boratórios encontravam-se alguns dos notáveis engenheiros e cientis- tas que mais tarde ajudaram a formar a PõcD corporativa interna às empresas, tanto na Alemanha e na Grã-Bretanha como nos EUA. Na primeira década do século XX, apesar de Edison ainda estar fazendo inventos, o foco do esforço inovativo estava mudando dos la- boratórios sob contrato tipiñcado por Menlo Park, pelo de Tesla ou de Edward Weston, para os laboratórios industriais internos às empresas, estabelecidos por algumas firmas como a Kodak (1895), a General Elec- tric (1900) ou a Du Pont (1902). Conforme Thomas Hughes (1989) mostrou em seu clássico estudo sobre a “torrente de inovações” norte- americanas entre 1870 e 1940, na época da Primeira Guerra Mundial, a PõzD empresarial já tinha substituído os laboratórios sob contrato como centro das atividades inventivas nos EUA. E até um complexo militar- industrial embrionário passou a existir através do patrocinio das pesqui- sas industriais pela Marinha de Guerra dos EUA, particularmente por meio dos fortes elos estabelecidos com o giroscópio de Sperry. A maior parte das importantes inovações que examinamos re- sultou dessas atividades profissionais de P8cD, muitas vezes realizadas 343 '. ., :e: , 5:33:63( v: r-: xem-sm-nwmwxwnm-manwmunv: e«nu-amnzn-: wm-nu-m_m_
  12. 12. CHRIS FREEMAN l LUC SOETE por longos períodos (como nos casos do PVC, do rzylon, do polietile- no, da hidrogenação, do craqueamento catalítico, da energia nuclear, dos computadores, da televisão, do radar e dos semicondutores). In- clusive nos casos em que inventores-empresários desempenharam um papel-chave no processo inovativo (pelo menos nos estágios iniciais), esses indivíduos foram normalmente cientistas ou engenheiros que dispunham de infra-estrutLira e recursos para realizar trabalhos sus~ tentados de pesquisa e desenvolvimento (casos de Baekeland, Fessen- den, Eckert, I-Ioudry, Dubbs, Marconi, Armstrong, Zuse). Alguns de- les usaram laboratórios universitários ou governamentais para fazer os seus trabalhos, enquanto outros tinham recursos privados. Freqüentemente, cientistas universitários ou inventores indivi- duais trabalharam muito próximos às empresas, como consultores dos departamentos de PascD de firmas inovativas (como nos casos de Zie- gler, Natta, Haber, Fleming, Michels, Staudinger e von Neumann). Em outros casos, programas especiais elaborados em tempos de guer- ra levaram ao recrutamento de notáveis cientistas universitários para trabalharem em inovações patrocinadas pelos governos (como nos casos da bomba atômica e do radar). Estreitas ligações com a pesqui- sa básica, por um caminho ou outro, eram normais para a P&D nessas indústrias, e as tecnologias delas eram baseadas na ciência, uma vez que não poderiam ter sido desenvolvidas de forma alguma sem uma fundamentação em princípios teóricos. Este corpo de conhecimentos (quimica macromolecular, fisico-química, fisica nuclear e eletrônica) nunca poderia ter emergido de observações casuais, de habilidades artesanais ou de tentativas e erros dos sistemas de produção existentes, como fora o caso de muitas outras tecnologias anteriores. O mesmo se aplica à biotecnologia de nossos dias. O surgimento destas novas tecnologias de base cientifica teve grandes repercussões econômicas e sociais, além da expansão da PõcD industrial profissional. Ele mudou não somente os procedimentos de desenvolvimento, como também a engenharia de produção, os méto- dos de vendas, o treinamento industrial e as técnicas administrativas. 344
  13. 13. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL Com bastante freqüência, a maioria dos empregados nas firmas dos no- vos ramos industriais não estava empregada na produção ou no manu- seio de bens, mas na geração, no processamento e na distribuição de in- formações e conhecimentos. Nos casos extremos, o estabelecimento produtor de scyfttuare para computadores ou a firma de projetos e de consultoria de processos podem empregar centenas de pessoas, geran- do, em termos ñsicos, apenas relatórios ou listagens de computador. Mas, inclusive em firmas "normais" das indústrias eletrônica ou quí- mica, o emprego conjunto em pesquisas, desenvolvimento, projetos, treinamento, serviços técnicos, patentearnento, marketing, pesquisas de mercado e administração pode ser maior que o da produção. A com- plexidade das informações técnicas envolvidas e do processamento de seus dados signiñca que os sistemas especializados de armazenamento de informações, de manuseio e de recuperação destes tornaram-se cres- centemente necessários. Uma das firmas de maior sucesso na indústria de telecomunicações globais, a Ericsson, empregava menos de 10% de sua força de trabalho na produção em meados da década de 1990. Essa proliferação de ocupações “não-produtivas” tem sido freqüentemente tratada como uma espécie de Lei de Parkinson ou de desperdício evi- dente. Até um cientista-inventor como Gabor (1964) tratou isto como algo desnecessário em termos econômicos (embora talvez desejável em termos sociais). Não há dúvida de que a Lei de Parkinson tem atuado de fato, e que ganhos de produtividade podem ser obtidos em algumas dessas ocupações (da mesma forma que elas podem ser obtidas na pro- dução). Mas o aspecto essencial para a presente análise é o fato de a par- te principal deste crescimento ser devida a mudanças na tecnologia, e ãs novas formas de concorrência a que estas induziram. Até o momento, temos discutido os novos ra industriais, principalmente em termos da base científica de seus novos produtos e das tecnologias de fabricação, mas é impossível deixar de perceber a influência indutora do mercado como uma força complementar es- sencial de suas origens e do seu crescimento. Em muitos casos, a de- manda vinda dos mercados foi urgente e especÍñCaQ 345
  14. 14. CHRIS FREEMAN E LUC SOETE A força da demanda alemã de materiais “sucedâneos" capazes de substituir produtos naturais em duas guerras mundiais estimulou os intensos esforços de P&D da IG Farben e de outras firmas quími- cas. A força da demanda militar-espacial na economia norte-ameri- cana, durante o pós-Guerra, estimulou o fluxo de inovações baseadas no avanço cientifico da Bell em semicondutores e nas primeiras ge- rações de computadores. A urgência da necessidade de tempo de guerra dos britânicos estimulou o desenvolvimento bem-sucedido de radares de todos os tipos, enquanto o governo alemão patrocinou o desenvolvimento das redes de FM, bem como o do radar. O governo japonês persuadiu a Toyota a entrar na indústria de caminhões com objetivos militares. Em contrapartida, a ausência de uma forte demanda do merca- do retardou por certo período o desenvolvimento da borracha sinté- tica nos EUA; o crescimento da indústria européia de semicondutores; o desenvolvimento do radar nos EUA antes de 1940; ou da televisão em cores na Europa depois da Guerra. Isso não quer dizer que apenas as necessidades de tempos de guerra e os mercados governamentais podem proporcionar estímulos suficientes para inovações, apesar de terem sido obviamente importan- tes em termos históricos. Uma forte demanda de firmas por inovações redutoras de custos, tanto na indústria química como em outros ra- mos industriais baseados em processos está virtualmente assegurada, devido ao forte interesse delas em custos mais baixos advindos da produção de produtos padronizados e de sua competência técnica. A demanda por inovações de processos está relacionada ao tamanho do ramo relevante; e aqui, novamente, a indústria norte-americana de petróleo propiciou um elemento-chave de indução pelo mercado para os esforços inovativos das organizações de projetos de processo. A demanda de mercado pode originar-se de firmas privadas, do go- verno ou de consumidores domésticos, mas, na sua ausência, por maior que seja o fluxo de invenções, elas não poderão ser converti- das em inovações. VÊ, 346
  15. 15. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL A inovação é essencialmente uma atividade interativa oLi bila- teral. Ela foi comparada por Schmookler (1966) às lâminas de uma te- soura, embora ele próprio tenha se concentrado quase inteiramente numa única lâmina. De um lado, ela envolve o reconhecimento de uma necessidade ou, mais precisamente, em termos econômicos, de um mercado potencial para um novo produto ou processo. Por ou- tro, ela envolve um conhecimento técnico, o qual geralmente pode estar disponível, mas que também inclui com freqüência os conheci- mentos científicos e tecnológicos resultantes de atividades de pesqui- sa original. O desenvolvimento experimental, os projetos e a produ- ção experimental, bem como o marketing, envolvem um processo de acoplamento de possibilidades técnicas com o mercado. A profissio- nalização da PacD industrial representa Lima resposta institucional ao complexo problema da organização desse acoplamento, mas continua sendo um processo incerto, tateante e de busca. Na literatura sobre inovações foram feitas tentativas de se cons- truírem teorias com predomínio de Lim ou outro desses dois aspec- tos. AlgLins cientistas têm ressaltado muito fortemente o elemento da pesquisa e da invenção originais, tendendo a negligenciar ou depre- ciar o mercado. Os economistas, por sua vez, têm com freqüência res- saltado mais fortemente o lado da demanda: “a necessidade é a mãe da invenção”. Estas abordagens Linilaterais podem ser definidas suma- riamente como teorias da inovação impulsionadas pela ciência (scien- ce-pnsh) ou induzidas pela demanda (demand-pull) (Langrish et al. , 1972). Tal como as análogas teorias da inflação, elas podem ser com- plementares e não mutuamente exclusivas. Numa crítica convincente às teoria s inovações induzidas pela demanda, Movverv e Rosenberg (1979) apontaram uso inconsis- tente do conceito de demanda nessa literatura e assinalaram que os resultados obtidos por levantamentos empíricos não podem ser usa- dos, legitimamente (embora freqüentemente tenham sido), para apoiar teorias unilaterais de indução pelo mercado (market pull). O caso dos computadores eletrônicos citado no Capítulo 7 constitui um 347
  16. 16. CHRIS FREEMAN f. LUC SOETE bom exemplo do argumento deles, de que o mercado não é capaz de avaliar um novo produto revolucionário que ele desconhece. Não é difícil citar casos que parecem dar suporte para as duas teorias. Existem muitos exemplos de inovações técnicas, tal como o espectrômetro de absorção atômica, em relação ao qual foram os cien- tistas que imaginaram as aplicações sem qualquer demanda nítida por parte de clientes nos estágios iniciais. Indo ainda mais longe, os advogados da inovação impulsionada pela ciência tendem a citar exemplos como os do raio laser ou da energia nuclear, em relação aos quais nem os usuários potenciais nem mesmo os cientistas que fizeram o trabalho original jamais imaginaram as aplicações finais ou até nega~ ram essa possibilidade, tal como no caso de Rutherford. Os advogados das inovações induzidas pela demanda tendem, por outro lado, a citar exemplos como o. s da borracha sintética, do processo de craqueaw mento ou do descaroçador de algodão de Whitney, em que necessi~ dades claramente reconhecidas teriam supostamente levado às inven- ções e às inovações necessárias. Embora existam casos em que uma ou outra pode parecer pre- dominar, a evidência das inovações, aqui consideradas, aponta para a conclusão de que qualquer teoria satisfatória deve, simultaneamente, considerar ambos os elementos. Uma vez que as inovações técnicas são definidas pelos economistas como a primeira aplicação ou pro- dução comercial de um novo processo ou produto, segue-se que a contribuição crucial dos empresários consiste em vincular as novas idéias ao mercado. Num dos extremos, pode haver casos em que a única inovação reside na idéia de um novo mercado para um produ- to já existente No outro extremo, pode haver casos em que uma nova descoberta científica automaticamente gera um mercado sem qualquer adaptação ou desenvolvimento adicional. A vasta maioria 1 Embora esta possa ser descrita como uma inovação, ela não pode ser legitimamente considerada uma inovação técnicaAs inovações organizacionais não~técnicas são extremamente importantes e muitas ve~ zes estão associadas a inovações técnicas, como nos casos da produção em massa e da produção enxuta, ou nas inovações de mercado de Wedgwood. 348
  17. 17. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL das inovações situa-se em algum lugar entre estes dois extremos e em volve alguma combinação imaginativa de novasçpossiblidades técni- cas e de mercado. A necessidade pode ser a mãe da invenção, mas a sua procriação ainda requer um parceiro. Quase todas as inovações aqui discutidas poderiam ser citadas em apoio a esta proposição. Marconi foi bem-sucedido como inova- dor nas comunicações por meio do rádio, porque reunia os conheci- mentos técnicos necessários com estimativas de alguma aplicação co- mercial potencial do rádio. O processo I-Iaber-Bosch para a amônia sintética envolveu tanto dificuldades e trabalhos experimentais peri- gosos, em um processo de alta pressão, como o desenvolvimento de um grande mercado para fertilizantes sintéticos estimulado pelo temor da guerra e da escassez de produtos naturais. Apesar de sua completa subestimação inicial do mercado, a IBM foi durante certo tempo a fir- ma mais bem-sucedida da indústria mundial de computadores, por- que combinou a capacidade de projetar e de desenvolver novos mo- delos de computadores com um profundo conhecimento do mercado e uma organização de vendas muito forte. Firmas como a General Electric e a RCA, que tinham uma força científica e técnica semelhante ou melhor, mas menores conhecimentos e força de mer- cado neste campo, tiveram de abandona-lo ñnalmente. Podemos até apresentar a proposição de que inovações "unila- terais” têm muito menos chance de ser bem-sucedidas. Os entusias- mados cíentistas-inventores ou engenheiros que negligenciam os re- quisitos específicos do mercado potencial ou os custos de seus produtos em relação ao mercado têm grande probabilidade de fracas- sarem como inovadores. Isto ocorreu com a EMI e a ABI em compu- tadores e com diversas firmas de radar britânicas, apesar de suas rea- lizações técnicas e fortes organizações de P&D. A profissionalização da P&D industrial signiñca que agora existe, freqüentemente, um grupo de pressão interna capaz de apresentar idéias "tecnologicamente atraen- tes”, mas sem suficiente cuidado com o mercado potencial, com a or- ganização das vendas ou com os custos.
  18. 18. CHRIS FREEMAN [ LUC SOETE Por outro lado, os empresários ou inventores-empresários, que carecem da competência científica necessária para desenvolver um produto ou processo satisfatório, estão fadados ao fracasso como ino- vadores, por melhores que sejam suas estimativas do mercado poten- cial ou de suas vendas. Este foi o destino de Parkes com o seu pente de plástico e de Baird com a televisão. Os malogros podem, não obs- tante, contribuir para o derradeiro sucesso de uma inovação, mesmo que esforços individuais tenham anteriormente fracassado. Os meca- nismos sociais das inovações envolvem a sobrevivência no mercado. As possibilidades de malogro das firmas individuais que tentam ino- var decorrem tanto de uma incerteza técnica inerente à inovação co- mo da possibilidade de uma defeituosa avaliação do mercado futuro e da concorrênciaA noção de conhecimento perfeito da tecnologia ou do mercado é muito distante da realidade das inovações. O fascínio destas reside no fato de que tanto o mercado como a tecnologia estão continuamente mudando. Há, assim, uma sucessão caleidoscópica de novas combinações possíveis constantemente emer- gindo. O que é tecnicamente impossível hoje pode vir a ser possível no próximo ano, pelos avanços científicos em campos aparentemente não relacíonados. Apesar de Usher ter desenvolvido esse conceito em relação às invenções e não com respeito às inovações técnicas, sua teoria “gestáltica” provavelmente' aproxima-se da representação do processo imaginativo da combinação de idéias. O que não pode ser vendido agora poderá vir a ser urgentemente necessário para gerações futuras. Uma inesperada mudança de eventos pode dar vida nova a es- peculações longamente esquecidas ou tornar obsoletos bem-sucedi- dos processos químicos atuais. Patentes para um processo de vidro me- tálico* e para o radar foram obtidas já antes de 1914.A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular da arcadaA produ- ção de polietileno quase foi suspensa depois da Segunda Guerra Mun- dial porque seus mercados do tempo de paz haviam sido considerados * Float glass, no original. (NT. ) 350
  19. 19. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL muito pequenosA IG Farben tentou vender suas paten. tes de borra- cha sintética ao cartel de borracha natural, porque pensou que o pro- duto sintético não seria capaz de competir em tempos de paz em re- lação a preços e qualidade. Os primeiros fabricantes de computadores esperavam que seu mercado fosse limitar-se ao governo e a usuários científicos. Um século depois dos primeiros experimentos, os veícu~ los elétricos voltaram a ser investigados seriamente pelas principais empresas montadoras de automóveis. O caráter aparentemente alea- tório, acidental e arbitrãrio do processo inovativo advém da extrema complexidade das interfaces entre o progresso científico, a tecnologia e as mudanças dos mercadosAs firmas que tentam atuar nestas inter» faces são tão vítimas do processo quanto seus deliberados manipula- doresA inovação funciona como um processo social, mas freqüente- mente às custas dos inovadores. As implicações desse alto nível de incerteza são discutidas mais adiante no Capitulo 10. Estas considerações conduzem a três conclusões de fundamen- tal importância. Primeiro, como os avanços da pesquisa científica constantemente dão origem a novas descobertas e se abrem a novas possibilidades técnicas, uma firma capaz de monitorar os avanços des- ta fronteira por um meio ou outro pode ser uma das primeiras a per- ceber as novas possibilidades. Uma forte PõcD interna pode permitir que a ñrma converta este conhecimento em vantagem competitiva. Segundo, a firma que tem contatos próximos com as exigências de seus consumidores pode identificar mercados potenciais para essas idéias originais, ou constatar as fontes de insatisfação dos consumido~ res, que levam-na a projetar produtos ou processos novos ou aper- feíçoados. Em qualquer destes casos elas podem, obviamente, ser ulw trapassadas por concorrentes mais rápidos ou mais eñcíentes, ou ainda por uma inesperada mudança de eventos, quer na tecnologia, quer nos mercadosTerceíro, o teste de um empreendimento bem-sucedi- do ou de uma boa administração é representado pela capacidade de interligar estas possibilidades técnicas e de mercado, por meio dos dois fluxos de informação e de novas idéias. 351 . ... ._. .__, , A. ..~41H'. ... ¡. ._. .- . ..WM
  20. 20. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE A inovação é um processo de acoplamento, e este ocorre pri- meiro na mente de pessoas imaginativas. Uma idéia se materializa ou fica mais compreenssível em algum lugar das constantemente muta- veis interfaces da ciência e da tecnologia com o mercado. Isto suge~ re, de pronto, a questão da criatividade na geração da idéia inventiva, devendo-se notar, porém, que quase todas as teorias da descoberta e da criatividade enfatizam o conceito de associação imaginativa ou da combinação de idéias previamente consideradas em separado. Mas, depois que a idéia estalou na mente de um inventor ou de um em- presário, ainda existe um longo caminho antes que ela se torne uma inovação bem-sucedida, no sentido exato do termo. O rayorz foi “in- ventado” duzentos anos antes de tornar-se uma inovação, o compu- tador, pelo menos um século antes e as aeronaves, ainda mais cedo. O processo de acoplamento não constitui meramente uma questão de junção ou de associação de idéias conforme o primeiro lampejo original; trata-se muito mais de um contínuo diálogo criativ durante o conjunto dos trabalhos de desenvolvimento experimental da introdução de um novo produto ou processo. Inventores-empresá- rios individuais, como Marconi ou Baekeland, podem simplificar bas- tante este processo nos estágios iniciais de uma nova firma inovativa, mas, nos estágios posteriores e em qualquer firma estabelecida, o pro- cesso de acoplamento envolve a ligação e a coordenação de diferentes seções, departamentos e indivíduosAs comunicações dentro da firma e entre esta e seus potenciais consumidores são um elemento crítico em seu sucesso ou malogro. Como vimos, em muitos casos a idéia original pode levar anos, ou até décadas, para se desenvolver e, duran~ te este período, ela continuamente assume novas formas à medida que a tecnologia se desenvolve, que o mercado muda, ou que os concor~ rentes reagem. Conseqüentemente, a qualidade empresarial e as boas comunicações são fundamentais para o sucesso das inovações técnicas. Resumindo esta discussão e as evidências da Parte 1, podemos concluir que, entre as características das firmas inovativas bem-suce~ 4 didas do século XX, nos ramos considerados, figuraram: 352
  21. 21. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL 1. Uma forte P&D profissional interna; 2. Execução de pesquisas básicas ou vínculos próximos com os que faziam tais pesquisas; 3. O uso de patentes para obter proteção e para negociar com con- correntes; 4. Um tamanho suficientemente grande para poder financiar gastos relativamente pesados de P&D por um longo período de tempo; Menores períodos de experimentação que os dos concorrentes; Disposição para correr altos riscos; A identiñcação precoce e imaginativa de um mercado potencial; 90H95” Uma atenção cuidadosa com o mercado potencial e esforços subs- tanciais para envolver, educar e proporcionar assistência aos usuá- rios e consumidores; 9. Um empreendedorismo suficientemente forte para coordenar a PôcD, a produção e o marketing; 10. Boas comunicações com o mundo cientifico externo, assim como com os consumidores. Podemos supor que estas são as condições essenciais para ino- vações técnicas bem-sucedidas. Até certo ponto, essas tentativas de generalização das caracterís- ticas das inovações podem ser testadas por meio da análise e compa- ração dos estudos de caso de um grande número de inovações. Uma dificuldade relativa a esses estudos de caso (muitos dos quais foram citados na Parte 1) é a de não sabermos o quanto eles são represen- tativos do processo inovativo. Com efeito, boa parte da literatura so- bre inovações industriais se divide em duas categorias: casos históri- cos dispersos, deficientes quanto à comparabilidade de abrangências, e análises teóricas deficientes, carentes de bases empíricas sistemáticas. Em vista disso, na teoria da inovação existem muitas hipóteses plausiveis, mas parcialmente testadas, e muitas conj ecturas interessan- tes, mas com insuficientes evidências ao nivel de firmas para refutá- las ou sustenta-las. O relato histórico da Parte 1 sugere conclusões in- Í I x Í l l i
  22. 22. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE teressantes, mas é difícil encontrar formas para substantivá-las ou pa- ra avaliar sua importância relativa. Ainda assim, esses testes sistemáti- cos de generalizações e hipóteses são essenciais para fazer avançar nosso entendimento. O restante deste capitulo será, portanto, dedicado à descrição de um projeto deliberadamente concebido para testar tais generaliza- ções sobre as inovações. O projeto chamado SAPPHO foi desenvolvi- do pela Science Policy Research Unit da Universidade de Sussex, durante a década de l970. O projeto original foi concebido em 1968 por R. C. Curnow, mas Os estágios posteriores do trabalho foram li- derados por R. Rothvvell. 8.2 O PROJETO SAPPHO A idéia básica deste projeto foi a de tentar evidenciar (ou refutar) ge- neralizações sobre as inovações técnicas, por meio da comparação sis- temática de pares de tentativas de inovações bem-suced. idas ou mal- sucedidas, em cada ramo industrial por vez. Este método baseia-se na observação de que a inovação técnica concorrencial constitui uma característica razoavelmente geral de muitos ramos industriais das so- ciedades capitalistas industrializadas. Uma vez que a introdução de um novo produto ou de um no- vo processo em qualquer ramo industrial pode tornar obsoletos ou não-econômicos os produtos e processos mais antigos, as firmas que desejam sobreviver e crescer precisam ser capazes de adaptar a essa concorrência as suas estratégias baseadas na tecnologia. Isto não sig- nifica necessariamente que cada firma tenha de estar voltada para a pesquisa ou fazer suas próprias inovações. Várias estratégias alternati- vas são possíveis para as firmas, inclusive em ramos industriais sujei- tos a rápidas mudanças técnicas. Algumas empresas podem até prefe- rir desaparecer a ter que inovar. Estas alternativas serão consideradas de forma mais sistemática no Capítulo 11. Por enquanto, estaremos 354
  23. 23. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL preocupados com aquelas firmas que tentam inovar, seja em produ- tos ou em processosAlgumas dessas firmas podem tentar ser as pri- meiras a introduzir um novo produto ou processo, esperando com isso alcançar uma liderança tecnológica e lucros temporariamente m0- nopñlistas. Esta estratégia é, algumas vezes, designada como inovação i ofensiva. Outras podem atuar apenas defensivamente em resposta a inovações lançadas pelas concorrentes. Em qualquer um destes casos, as firmas irão necessitar de alguma capacidade para desenvolver e lan- çar novos produtos ou processos (mesmo que seja por acordos de li- cenciamento ou por simples imitação). Freqüentemente, uma firma que tenta ser a primeira pode não ter sucesso, e as firmas multipro- dutos podem ser ofensivas em alguns campos e defensivas em outros. Mas, a longo prazo, o crescimento e a sobrevivência delas irão depen- der da possibilidade de obterem sucesso ou falharem em suas inova- ções, sejam elas defensivas ou ofensivas. A primeira fase do projeto SAPPHO, aqui resumida, foi um es- tudo de 58 tentativas de inovações em produtos químicos e instru- mentos científicos (listados no Quadro 8.1). As da indústria química 3 foram principalmente inovações de processos, enquanto as inovações de instrumentos foram todas inovações de produtos. Os instrumen- tos eram em sua maioria eletrônicos e os processos químicos relacio- navam-se principalmente a produtos intermediários derivados do petróleo (SPRU, 1972). Em trabalho posterior, pares adicionais de ino- vações foram estudados nestes mesmos ramos; e, a seguir, com o uso i de uma metodologia algo diferente, foram feitas comparações de pa- res em vários setores da indústria de equipamentos mecânicos (Roth- Well et al. , 1974; Rothvvell, 1976; 1992; 1994). ' 355 ã. 1 , , E i
  24. 24. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE QUADRO 8.1 - Lista dos pares da pesquisa SAPPI-IO instrumentos científicos (produtos) Químicos (inovações de processos) Detector de interrupções de correntes Congelamento a vácuo acelerado elétricas induzidas* de alimento (sólido) Espectrõmetro de absorção atômica Ácido acético Voltímetro digital Acetileno do gás natural Medidor de fluxo sanguíneo Acrilonitrila I eietromagnético Acrilonitrila ll Verificador de peso eletrônico I Síntese de amônia Verificador de peso eletrônico il Caprolactama | Detector de corpo estranho in vitro Caprolacta ma ii Analisador de leite Titâneo flexível Reconhecedor de caracteres óticos Extração de planta aromática Medidores de superfícies redondas Extração de parafinas n Microscópio eletrônico esca neador Hidrogenação do benzeno para Microanalisador de Raio-X o cicloexano Metanol Oxidação do cicioexano Fenol Reforma de vapor de nafta** Manufatura da uréia * Amlec eddy-current crack detector, no original. (N. T.) ** Steam naphtha reformíng, no original. (N. T.) Pelo exame de pares de tentativas de inovações, esperava-se po- der discriminar entre as respectivas características de malogro e suces- so. Essa técnica já tinha sido amplamente usada nas ciências naturais, especialmente em biologia (McKay 8( Bernal, 1966). Quando as duas metades de um par diferem com respeito a uma característica parti- cular, ou a uma série de características, isto indica uma possível ex- plicação para o sucesso ou o malogro da inovação. Onde houver uma variação significativa e repetida entre os padrões de sucesso e de ma- logro num grande número de pares, isto proporciona uma evidência sistemática para validar uma hipótese particular ou determinados grupos de hipótesesTais explicações parecem ter uma base estatísti- ca significativa e podem ser testadas novamente em outra amostra de inovações. Dessa forma, pode ser construída uma base estruturada e testada para o trabalho teórico. 356
  25. 25. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL Esperava-se que as metades de pares com sucesso e com malo- gro seriam muito parecidas entre si sob muitos aspectos, e este pro- vou ser o caso. Era possível supor, a partir de experiências anteriores, que firmas tentando desenvolver um novo produto ou um novo pro- cesso específico iriam com freqüência ter muitas características em comum. A análise da similaridade é complementar ã análise da diver- gência por duas razões. Primeiro, ela permite a identificação de algu- mas características compartilhadas por todas as firmas tentando ino- vações em ramos específicos. Estas podem ser condições necessárias para entrar na competição e podem ser consideradas como tais, a me- nos que possam ser encontrados outros casos de sucesso capazes de refutar essas tentativas de generalização. Mas, em segundo lugar, e mais importante, elas nos permitem concentrar a atenção naquelas características cujos padrões divergem entre o sucesso e o malogro. Em pesquisas futuras será possível concentrar-nos em maior profun- didade sobre essas significativas diferenças, por meio de um processo de eliminação de hipóteses desnecessárias. Os pares não eram “gêmeos idênticos”. A similaridade deles foi definida em termos de seus mercados e não necessariamente em fun- ção de suas tecnologias. Por exemplo, duas firmas poderiam tanto procurar uma nova, mais barata e melhor forma de produzir fenol ou uréia. Elas poderiam adotar soluções técnicas algo diferentes. Era um pressuposto deste projeto que essa mesma escolha constituía parte do sucesso, e que a escolha errada era parte do malogro. Em alguns pou- cos casos a semelhança foi muito próxima, como naqueles em que vá- rios licenciados compartilharam o acesso ao mesmo conhecimento técnico básico. Mas, mesmo nestes casos, os projetos variavam quan- do dois fabricantes tentavam satisfazer a mesma demanda. O sucesso dependia em parte do desenvolvimento do projeto “correto”, que le- vava em consideração os conhecimentos científicos e técnicos dispo- 4.. .-. -;. __-_. . . .._. ..iv. .i. _.. ,i. .D. .._. ._. ,._, ._. ._. _.. .,. ... ... _.. .._. ..__. ___, _,, _____ níveis e os usos potenciais da inovação. A concentração nas inovações em vez de invenções tem muitas conseqüências em termos de método. A mais importante delas é a de ; i 357
  26. 26. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE que os aspectos de marleetirgg do processo assumem uma importância muito maior, enquanto o papel do indivíduo, normalmente descritg como o inventor, desaparece dentro de um contexto social mais am- plo. Nossas comparações não incluíram aqueles numerosos experi- mentos por inventores e por supostos inovadores que acabaram sendo descartados ou colocados de lado muito antes de alcançarem o ponto da introdução comercialTaís estudos são sem dúvida de interesse pa- ra a administração da PôzD, mas o foco neste estudo era o problema mais amplo da administração das inovações. Os malogros eram produ- tos ou processos que foram guindados ao ponto da introdução comer- cial e, usualmente, permaneceram de fato nos mercados durante alguns anos. Por esses motivos, a atenção foi concentrada tanto nas várias fa- ses dos trabalhos de desenvolvimento quanto nas preparações para a produção e as vendas, e nas experiências de marketing das inovações. Como o projeto estava voltado para as inovações técnicas na indústria, o critério de sucesso era o comercial. Havia malogro quan- do uma tentativa de inovação tivesse falhado em estabelecer um mer- cado vantajoso e/ ou propiciar algum lucro, mesmo que tivesse fun- cionado em termos técnicos. Um sucesso, por sua vez, era uma inovação que tivesse obtido uma significativa penetração no merca- do e/ ou algum lucro. Este capítulo analisa 29 sucessos e 29 malogros. Freqüentemente um malogro era óbvio, por exemplo, se uma firma abrisse falência, se fechasse uma fábrica, retirasse um produto do mer- cado ou não conseguisse vendê-lo, enquanto o sucesso nem sempre era evidente. Um produto poderia alcançar um mercado mundial, mas levar longo tempo para propiciar algum lucro. Um caso (Cor- fam), do qual se esperava originalmente um sucesso, foi retirado do mercado com estes argumentos (ver o Capítulo 5). Mesmo no caso de malogros, nem sempre foi simples fazer uma avaliação. Havia uma graduação variada de casos intermediários entre os extremos de su- cesso e de malogro. O projeto tentou deliberadamente investigar os casos mais evidentes de malogro ou sucesso. Em dois casos da indús- tria química e em um da de instrumentos, foi possível completarem- 358
  27. 27. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL se dois pares, já que havia diversos sucessos comerciais e muitas ten- tativas menos bem-sucedidas em cada caso. Trabalhos anteriores de avaliação da literatura já haviam mostra- do a existência de muitas explicações possíveis para sucessos e malogros. O projeto foi, portanto, concebido para testar um grande número de hipóteses individuais e, simultaneamente, testar um grande número a combinações de possiveis fatoresA ñnalidade era identificar um padrão característico de sucesso ou de malogro. No total, cerca de duzentas mensurações de cada caso de sucesso ou malogro foram tentadasAlgu- mas dessas medidas eram relativas, outras absolutasAssim, por exemplo, foi possível testar a hipótese de que um tamanho grande de empresa é geralmente vantajoso para a inovação, seja pela verificação do núme- ro de pares em que a menor de duas firmas malogrou, como pela ve- i rificação da proporção em que firmas com menos de quinhentos em- pregados tiveram sucesso (ou as com cem, mil ou 10 mil empregados). Mas a maioria das mensurações foi de comparações entre as me- tades de sucesso e de malogro em cada par, possibilitando proposições do tipo "tentativas bem-sucedidas seriam caracterizadas por melhores 3 ou menos ou menores ou mais curtas ou mais . ..” que as ten- ' tativas que malograram, embora o objetivo fosse o de ligar todas essas s; comparações umas às outras para se deduzir um padrão de sucessoAs principais hipóteses que o projeto procurou testar relacionaram-se a várias medidas de tamanho (por número de empregados, pela existên- cia de um departamento de P&D e de equipes de projeto); a medidas «, de pesquisa de mercado, publicidade, educação e envolvimento dos 5 usuários; a modificações da inovação e testes de seu progresso em diversos estágios; ao papel dos engenheiros e cientistas e de vários in- divíduos-chave, suas experiências, educação e formação anteriores? ao 2 Quatro papéis-chave no comportamento da inovação foram definidos, conforme indicado a seguir: ° O inovador técnico: o indivíduo que fez as principais contribuições no lado técnico para o desenvol- vimento e/ ou projeto da inovação. Ele iria normalmente, mas não necessariamente, ser um membro da organização inovativa. Ele iria algumas vezes, mas não sempre, ser o inventor do novo produto ou processo. (Todos eles eram homens. ) - O inovador comercial: o indivíduo de fato responsável, dentro da estrutura administrativa, do progresso geral desse projeto. Ele poderia ser a mesma pessoa que o inovador técnico. Mas poderia também ser 359
  28. 28. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE sistema de administração, controle e planejamento da firma; à rede de comunicações com o mundo exterior; a seu nivel de dependência em relação a tecnologias externas e à familiaridade da firma com a inova- ção; à efetividade e aos métodos de organização do trabalho de P8cD, às políticas de patenteamento, às pressões competitivas, ã velocidade do trabalho de desenvolvimento e ã data do lançamento comercial. Os resultados da análise podem ser classificados em três blocos: 1. Os fatores que foram comuns a quase todas as tentativas de ino- var, sendo a ñrma bem-sucedida ou não; 2. Os fatores que variaram entre as tentativas de inovar, mas nos quais a variação não esteve sistematicamente relacionada ao sucesso ou ao malogro; 3. Mensurações que discriminaram sucessos e malogros. 8.3 SEMELHANÇAS ENTRE PARES DA PESQUISA SAPPHO Tomando-se os primeiros 29 pares que envolveram 58 tentativas de inovar, apareceram muitas semelhanças entre ambas as metades dos pares (Tabela 8.2). Quase todas as tentativas desses dois ramos indus- triais ocorreram dentro de uma estrutura formal de P&D usada para desenvolver a inovação. Isto confirma a profissionalização da P8cD descrita na Parte 1. Somente na indústria de instrumentos houve ca- o diretor de vendas ou o engenheiro-chefe. Ocasionalmente, em particular nas firmas menores, ele poderia ser o dirigente da organização como um todo. (Todos eles eram honrens. ) ° Dirigente principal: o indivíduo que formalmente é o chefe da estrutura executiva da organização inovativa, freqüentemente, mas não necessariamente, com uma posição de diretor-gerente. Em todos os casos havia um chefe executivo identificâvel e, quase sempre, um inovador comercial identificável, mas quase nunca havia um inovador técnico identificável. Nenhuma tentativa foi feita para forçar os indivíduos a assumir seus papéis se eles não fossem prontamente identificâveis, que um dos objeti- vos da pesquisa era avaliar a contribuição de indivíduos excepcionais. ' O campeão do produto: qualquer indivíduo que fez uma contribuição decisiva para a inovação por meio da promoção ativa e entusiástica do seu progresso através dos estágios críticos. Ele poderia, al- gumas vezes, ser o mesmo indivíduo que o inovador técnico, ou o dirigente principal. Apesar destes papéis terem sido reconhecidos muito antes pela literatura da inovação, eles nem sempre foram iden- tificáveis a partir dos títulos formais usados nas firmas. O título do emprego poderia mudar de forma significativa, mas o mais importante era o papel de fato exercido. (Todos eles eram homens) 360
  29. 29. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL sos de tentativas de inovação sem essa estrutura. A maioria destes foi de projetos para um novo produto trazido de um ambiente externo. Como quase todas as firmas envolvidas nas tentativas para ino- var tinham essa estrutura formal de PéscD, poder-se-ia esperar que di- ferenças críticas existiriam na forma como tais departamentos eram organizados, como as P8cD eram planejadas, como eram avaliados os projetos e estabelecidos os incentivos para engenheiros e cientistas. Uma boa parte da literatura administrativa e sociológica tem se con- centrado nestes aspectos da eficiência da pesquisa industrial. A investigação não descobriu diferenças sistemáticas deste tipo com respeito a organização ou incentivos da P&D. Como em estudos empíricos, constatou-se que muitas das técnicas, supostamente de melhor prática em planejamento e avaliação de projetos de longo prazo, eram mais reverenciadas em termos de suas rupturas que de su- as práticas. Mas os inovadores bem-sucedidos diferenciavam-se ape- nas um pouco dos malogrados a este respeito. Na indústria química, embora não na de instrumentos, havia algumas evidências de que melhores técnicas de administração e planejamento estavam associa- das com maior freqüência a sucessos. Algumas das dificuldades ine- rentes às previsões na P&D e à avaliação de projeto serão discutidas no Capítulo 10. Não houve qualquer evidência de que inovadores bem- sucedidos esperassem recompensas ou punições diferentes dos menos bem-sucedidos; tampouco houve qualquer evidência de esquemas de incentivos extraordinários para funcionários de P8cD, ou de maior li- berdade em casos bem-sucedidos. Uma explicação possível para as tentativas de inovações mais bem-sucedidas poderia assentar-se na prioridade às patentes, mas no- vamente não foi possível identificar diferenças aqui. Quase todos os inovadores, tanto os bem-sucedidos quanto os que malograram, ob- tiveram patentes e as consideraram importantes. Mas os malogrados não atribuíram sua ausência de sucesso a posição patentária de seus rivais, com exceção de um caso. Os resultados confirmam as evidên- cias dos relatos históricos de que as firmas inovativas usualmente se 361 i l I
  30. 30. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE preocupam com patentes por causa da sua importância como um re- curso para negociações, e a fim de assegurar direitos de entrar num campo, mas que as patentes não evitam necessariamente a ocorrên- cia de qualquer desenvolvimento competitivo. Tampouco foi constatado que os inovadores bem-sucedidos di- feriani dos mal-sucedidos na forma pela qual eles organizavam suas equipes de projeto. Uma hipótese havia sugerido que as tentativas de menor sucesso poderiam ser caracterizadas por uma organização de- partamental em termos de disciplinas. Mas este não foi o caso. Nos casos em que as firmas possuíam uma grande organização de P&D, elas tiveram algumas vezes laboratórios trabalhando em linhas con- vencionais de subdisciplinas, mas isto não chegou realmente a afetar a equipe de desenvolvimento do projeto, constituída de forma simi- lar tanto nos sucessos como nos malogros. Outra hipótese para a qual não se encontrou o suporte de evi- dências foi o ponto de vista de que os inovadores comerciais ou téc- nicos poderiam ser menos qualificados academicamente (ou mais qualificados) em tentativas mal sucedidas. Existíram importantes di- ferenças entre os inovadores comerciais que distinguiam os sucessos dos malogros, mas essa não foi uma delas. A maior parte dos inova- dores comerciais, e quase todos os inovadores técnicos, eram cientis- tas ou engenheiros qualificados em ambas as metades dos pares. No- tou-se uma pequena tendência para os doutores serem mais bem- sucedidos na indústria química. Obviamente, nesses dois ramos ama- dores raramente são escolhidos , para administrar as inovações. Nos dois casos, quando contadores foram os inovadores comerciais, ambos falharam, mas este foi um número muito pequeno para se construir qualquer teoria geral. Provavelmente, não seria possível encontrar nessas indíistrías um número suficiente de casos em que os inovado- res não fossem tecnicamente qualificados, para testar quaisquer hipó- teses relacionadas aos supostos méritos ou deméritos do amadorismo. A dificuldade de se encontrar tais casos constitui, todavia, mais uma evidência da profissionalização do processo inovativo. 362
  31. 31. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL 8.4 VARIAÇÕES NÃO RELACIONADAS A SUCESSOS OU MALOGROS Muitas outras mensurações mostraram Lima variação considerável en- tre as tentativas para inovar, mas essa diversidade não esteve vincula- da de perto ao sucessoTais mensurações relacionaram-se ao tamanho das firmas, ao tamanho do departamento de PâcD e ao número de en- genheiros e cientistas qualificados em P&D. E seus resultados reque- rem um considerável cuidado em suas interpretações. Não houve uma forte evidência sistemática de que maiores ou menores firmas ou departamentos de P&D fossem mais oLi menos bem-sucedidos. Por exemplo, nos casos que envolviam firmas que empregavam mais de 10 mil pessoas, seis foram de sucesso e sete malograram. Nos casos em que firmas grandes estavam concorrendo com firmas pequenas, hou- ve uma tendência das primeiras serem mais bem-sucedidas, mas isto de forma alguma chegou a ser algo definitivo. primeira vista, este resultado talvez esteja em desacordo com algumas das evidências do relato histórico apresentado na Parte 1, o qual sugeriu que os pesa- dos custos e o longo prazo requerido por muitas inovações confe- ririam uma vantagem para as firmas grandes. Mas, esse resultado não deve ser interpretado como inferindo que o tamanho da firma tenha sido completamente irrelevante em re- lação às inovações nesses dois ramos. Os tamanhos comparados em ca- da par não apresentam claras diferenças entre as firmas bem-sucedidas e as que malograram, mas, na indústria química, apenas quatro tentati- vas de Lim total de 34 foram realizadas por firmas que empregavam me- nos de mil pessoas. Claramente, o tamanho tem relevância para os tipog de inovações que chegam a ser tentadas, e' as diferenças entre ramos sã muito importantes. O próximo capítulo será inteiramente dedicado a l l uma discussão crítica do problema de tamanho em relação às inovações. j Nenhuma relação foi constatada entre o sucesso e o número de 1 I 5 cientistas e engenheiros no conselho administrativo da companhia inovativa, embora essa proporção tenha variado consideravelmente. 363
  32. 32. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE Contudo, em quase todos os casos havia alguns engenheiros ou cien- tistas no conselho administrativo, e isto pode ter sido um crítico fa- tor limitativo, já que o processo de inovação requer uma combinação de habilidades técnicas, financeiras, de marketing e administrativas. Talvez de forma surpreendente para os que acreditam na subor- dinação das inovações às técnicas de planejamento, nenhuma relação foi encontrada entre os sucessos e a capacidade de se estabelecerem e de se cumprirem prazos de determinadas fases da programação dos projetos, ou na abordagem geral de planejamento dos inovadoresTambém este resultado precisa ser cuidadosamente considerado nas interpretações, um tema que será discutido mais plenamente no Capítulo 10. Ao contrário de algumas teorias, não houve associação alguma entre os malogros e as tentativas de inovar em áreas não familiares pa- ra a firma. Nos casos em que firmas diferiram significativamente em sua familiaridade com a área, os resultados se distribuíram igualmen- te entre sucessos e malogros. Outro conjunto de mensurações que não diferenciou os suces- sos dos malogros esteve relacionado às taxas de crescimento das firmas e seus respectivos âmbitos competitivos. Houve, naturalmente, varia- ções entre as firmas no crescimento que elas tiveram antes da inovação, e nas pressões competitivas às quais estiveram sujeitas. Mas estas dife- renças aparentemente não afetaram seus níveis de sucesso nas tentati- vas para inovar. Mais uma vez, é importante não exagerar essa consta- tação. Isto não significa que pressões da concorrência ou uma queda do crescimento possam não ser importantes para estimular as tentativas pa- ra inovar, mas apenas que elas, por si sós, não garantem o sucesso. Uma descoberta um tanto surpreendente foi a do tempo de es- pera do desenvolvimento não estar fortemente correlacionado ao su- cesso. Esperava-se que os inovadores bem-sucedidos seriam aqueles que encontraram caminhos para encurtar a fase do desenvolvimento e para abreviar os estágios entre o protótipo, a planta-piloto e o lança- mento comercial. Mas as evidências favoráveis a esta hipótese somen- te se verificaram nos estágios iniciais da pesquisa aplicada. Na indústria 364
  33. 33. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL química, as ñrmas bem-sucedidas foram mais rápidas em completar es- te estágio inicialA ausência de qualquer evidência de um estágio de desenvolvimento inicial mais curto associado ao sucesso dá suporte pa- ra os que têm argumentado que o desenvolvimento de equipamentos é um processo de gestação semelhante à reprodução animal, e que não pode ser 'artificialmente encurtado de forma fãcil (Burke, 1970). Isto pode, também, indicar que firmas bem-sucedidas no estágio de de- senvolvimento procuraram livrar-se de todos os defeitos para se ve- rem livres de problemas em fases posteriores. Houve consideráveis evidências indiretas em apoio a esta interpretação, com base nessas mensurações que não discriminaram entre Sucessos e malogros. Mais recentemente, têm ocorrido algumas evidências de dife- renças sistemáticas no tempo de espera do desenvolvimento entre firmas japonesas, de um lado, e firmas norte-americanas, de outro (Mansfield, 1988;Womack et al. , 1990; Graves, 1991). Os tempos de espera japoneses mais curtos parecem ter estado relacionados a técni- cas organizacionais japonesas específicas na administração das inova- ções, pelo menos no que se refere a alguns ramos industriais (Baba, 1985; Nonaka eTakeuchi, 1986). Algumas destas técnicas Serão descri- tas na Parte 4, mas o projeto SAPPHO não examinou qualquer firma japonesa e deixou de revelar diferenças sistemáticas entre inovações norte-americanas e européias. 8.5 OS PADRÕES DE SUCESSO Dentre as duzentas mensurações efetuadas, apenas em um pequeno número foram constatadas claras diferenças entre o sucesso e o ma- logro, e elas variaram pouco entre os dois ramos industriais. As prin- cipais mensurações constam da Tabela 8.1. Os casos que apresentaram resultados esperados de forma mais evidente estiveram diretamente relacionadas ao marketing. Em alguns casos eles podem ser considerados óbvios, mas os estudos de caso 365 l1<> L. .. .._. . --. N *Mygar . ;.«. _.. _,«, ._. ___. Ê.v. ,,, ,.. ..
  34. 34. CHRIS FREEMAN I LUC SOETE mostraram que até as necessidades mais corriqueiras foram algumas vezes ignoradas. As tentativas bem-sucedidas, com freqüência, se dis- tinguiram dos malogros pela maior atenção com a educação dos usuários, a publicidade, as previsões de mercado e de vendas (particu- larmente no caso de instrumentos, para os quais isto era mais relevan- te), e a compreensão das necessidades dos usuários. A única mensuração que estabeleceu diferenças mais evidentes entre o Sucesso e o malogro foi a da “compreensão das necessidades dos usuários”. Isto não deveria ser interpretado simplesmente, ou até principalmente, como um indicador de eficiente pesquisa de merca- do, pois reflete tanto a PôcD e o projeto como a administração da ino- vação. O produto oLi processo teve de ser projetado, desenvolvido e liberado de defeitos para satisfazer as necessidades específicas dos fu- turos usuários, de forma que o entendimento do mercado teve de es- tar presente em estágios bastante iniciais. Tanto os trabalhos de von Hippel (1976; 1978) sobre os paradigmas “ativados pelo consumidor” no desenvolvimento de novos produtos, como o de Teubal et al. (1976) sobre a "determinação pelo mercado” na indústria eletrônica médica de Israel apontam para a mesma conclusão. Isso foi explora- do mais a fundo no interessante trabalho de Mansfield et al. (1977) sobre a integração entre o marketing e a P&D nos sistemas de seleção de projetos e nos modos como isto influencia a probabilidade de su- cesso, bem como nos trabalhos de Lundvall (1985, 1988b, 1993). Essa interpretação foi confirmada pelas fortes evidências sobre a ocorrência de ajustes e defeitos inesperados depois do desenvolvimen- to, nos casos de malogro, e da necessidade de adaptações pelos Lisuá- rios, em quase metade dos malogros. Cerca de três quartos dos casos de malogro tiveram maiores problemas posteriores às vendas. Assim, a “compreensão das necessidades dos usuários” constitui uma medida de eficiência tanto no desempenho da P&D quanto no de marketing e de administração como um todo. 366
  35. 35. ?à . msgs o: mma x . O32 . . ommo E: Em _mzcoamzm om: oumn_ g . ommmozm Em ow: mm: : EwQmE Em 30 . .Em o: wo_mE mov : oa . oñâmE mac : o:mE ommmozm u_ v m . o:mo_mE m ommmosm mEEm _m>. mãm: mE mmcmomto mo mücwmâ u_ u m . oowâmE Em ow: mmE ommmosm Em : o . .Em o: mo_mE mov : OEmE . ouwowmE o mac . .ENE ommmozm F_ A m m mo F NN . F oF . . n_ D . ÊmcmFmE m0>o: Emmmm: :o Emombcoocm mm mu mnmnammom: omaEmav mão: vmNo v mF N F oF F m m o Noàmbs_ 03:8 E: oom. mo_. m:om mam com: mn oucmãmtmamo o L mFmo oF NF N m m N m N m : mÊmEoo 5.0905 0 mão. ooztm mo . ..ocm mopcmsd A 20H90:: mu mccímoê om mmoocmêm m0:m m oocm mo: oNEmEmSFmtF ou : mãm oEmEUmmb o_ma OÉUMC. : meters: : T mmmo m D m v v v m mF F mu ouotma o mmm ommmNEmmõ mo oÉmEUmmb mo mmmomm m _ouF _mad S mo N vN m N m N - O. . F momumucmmõ m: nã: mu _mEmomF oEmEmtmamn Eswm m_. >m: 1 : mÊmEoo mo: m> @Mococa m m N mo FF o NF v m - m m m oFo__a-mF: m_a m :0 oaropea 0 m: .:m : mtoomo oaEmF omcmad I mmmo m mF o F oF _. m m m N. ._m>o: _ mu ommõmn m otbmm : oa momNzmEoouF 5+ oocmav . ommo momu Em O F. ommm>o: _ mo mooam m: ovmmmmF 038: mmmmzy mm . omumzmã . Q mho _. »N F F O_. F - D , mu moÊmFUENJU moF: mEmF: m>m_ ENE oomãmm: mEEoF m mtm» . _m_mm Em mmEmwxm mmgmoõcomm m A F - V m0 m oN v N m N m NF N mmmrñcmü mmomuEaEoo E8 0o. :mEm_a0om mo : em o _otF _mao 7 O Nmmó m D N F m N v m m Nmzbmctoê mo _Emw mmzzoa mEs mn mtma NmuF owum>0E < um. N mommmozm mv ommo Em 03.35 ou mqãwm M mo m NN v - FF F m FF m mn moñEmE mou mmzmtmu mm: oFmFoã ou oommmamm oomzzmm: 0 mam _mad m0mmm>0E mo 088mm o D mNd - NN N - NF - - mF N : mmmmoocm ea mozmcmoc_ mn mEmscmm : magmzc mão: m mNoo m mF o - FF F m m m mmfcmaEoo mu ommmmãzo mo mmoàoa m mmm _mad M mFmo o D o N oF . v N o Noomomoñcoom_ mmcmEmaoocma m 0u_FmEm_Fm_m ea: mu mEmomoa EF: mão: O Nmbao mau ou oucmEmmcsa 0 N mo m vF w m N N v N o Ema mcmm &mE Emwmuooom mE: m>mm omumucmwõ 252v É mmbao mac oo moüomm: msmm Em H NFv. o m m FF m F o v m m _mmâmc oo: mm 0E0o owumãc_ m : oEmE : otmom omumNEmmEo 25m: A mFmÓ F mN m F m m - D - momumucmmuo m_ma 9.3565 müm mmmn_ mmÉmFmn mmunno EEON_ m o v oN m m m F F NF v moaEmF mn mtE: E: mão: momó m FN m F oF F v FF N Nowumãc_ m : momooã Ema ommbmo m mumEB _ou_ _m>_: mac Em_ mo O_. oF o m m v m m m mowpmmsc Em mmctc mm: _muzmm_ mocmE :0 mwmE _ouF0wum>0:_ < _m_Eo: _n_ &vm _Tum : a muvm : um : Am muv m : um : a . mwmm. .. mmtügos mm mmgE< moÉmEEFmE mooÊSU m8.: no: : . mmotmad momwâmã wow mommmoam mo Emmmücmmmmww own mam mmwmwmã I : w <qmm~<h
  36. 36. CHRIS FREEMAN l LUC SOETE Pmooo Fooooooo mmFo mvooo @m@oo. o vNoooo M900 Nmoooo DNd mvoooó moooooo @Doo mFooooo moFo mmFoo mmoo NFFo. o »mood m@oo. o @F mF NF N N »mg-kor- IIILILI @ F m @ N mF N F OONxDN P'r- #CNF m @ mF l O_. mohao o: mac ommo Ea Em mm: m>_o 2mE m:0:m_: m:xm mEa m: :_: . _m_0:mEo0 : oom>o: _ o N. o:: .ao 0: mac ommo Ea Em mm:00m>o: _ mo_mn_ mmEocmm5 E00 Em: 2mE mocmama mon mmomoümmom: mm Em:0: NmmEmÊxm 830005 mom a0 om0auo5 m0 mm: :__ mm omumã: : m : m:0_ _om mm m0 0w20mo m: mo_>_o>: m ^mmocm> a8 mccmüo: : mo omcmEmtmamu on m0_F. mEmF2m 0m2>m: a mEam_m mão: momuaoo: : mn : m_0_: _ Qmmtm o: ..0F_m+mn. _ Eam_m E00 : mo: 020m5 _o: Nmoumõamm: : ommaoo: : mu mmtamm mão: mmotmam: msm: momãmom : mm mu m>mF 0990:_ < _moücgcm m0 m momn_0__: ao m Em: momm _oFF ommcmmm mEmad m0u_>_0>: m oomNzmümamm oaEmo 0: mEmFxm m0_. mo_0:0mm m m0_u: :.: m_0 m0mu_: aE00 m E00 oFcmEmaoom m_0 : m2: 0 _ouF _mad 2300. m_m0mm Em owuavoã mEa : mucm_ : :como mm m0 mmEm m0:mE00:m : maEmac m>ao: ._m_0:mE00 omoaoo: : m Em. : momcmEmnzaom ao mmFcmEmtmuF mmã: mmcmmmmom: Emo» mm mmocmama m0 : _a: Fm: _ Em: mmÉUUC. : mmumEom Em: o: mmmocgmoa mEm_:0:0 : maEmaU mão: mmotmam: mou m_0:m_: m:xm mo oomtamm: Ea 0E00 2m_0:mEo0 mm0:m> mmo 205m0 mmoum0cñoE mmoñaooic_ Em:0: N0wum>0:_ mo o: m0_mE 0: ao ommm0am o: mmcmtoaE_ : oFmmF Ea _O. ._. mmucm> mo 089mm O M0500 Em mac ommo Ea: :ocmE ao :0_mE 233m Ea m: ::. nã: m0 m. Fm:0 O FmÉmEmEmFxm mbao m mac m_: oFmFF2Fmm 2mE 0m0m0_: aE00 m0 mom: mEa m>mm owumNímmõ mE: Nobao Em ao ommo Ea: omoaoo: : m Em: o_mFma0 m oF: mEm. Fm: m_o 0: 0m: mE_>_0>: mmm0 m0 mo: _m: :mm: m monmma Em:0: m2m_0:mEo0 moEmF Em 000:. Ea 0E00 omumucmmõ m0 obcmo Bmmo: : 0m 083050 mEam_m mão: _ommmãc_ m momoma: _ow mF: mEmum: m:__m_0 omad F. _m_o: aE m_mo_0:0mF m 082m: Em _m0_om: m0:mE ao 2mE _ouF omumãc_ < _m_E0:_: 38:. &Vm oF @F m vN NF FF FF N vF N D . D oF mF mF D oF vF vF @ F vF m mF @F mF FF D 0F D m @F N vF mF mF NF : um : Am mNIHmDUC_ mm mmgE< m: vm : um moÉmEabmc_ : a m: v m mo0_E_a0 moFaoo: : : um : a mmwmmmad owwmNFFFFmFFoU I Fm <Amm<H 368
  37. 37. :B: t: : : Emmmm: :Ozo: m0:m_0m : mão: . o_az . .0mmm0am Em ow: mm: : 0:w0_m: : Em a0 . .Bm 0:m0_mE mao :05 io: wo_mE mao :0:mE ommmuam : 0 m .0:m0_mE m ommmoam m: F:m _m>. m:am: mE m0:m: muF_0 m0 m_0:mma< : u m .0:m0_mE Em ow: mmE ommmuam : :m a0 . .Bm o: w0_mE mao :0:_mE .0:m0_mE mao :0_mE ommmoam : A m m 369 Nobao 0: mao ommm Ea Em m>_0.m:0.2:_E_0m A ECONOMIA DA INOVAÇAO INDUSTRIAL @m@oo.0 m NF vF m m v - N oF m0m0___: mm:0:mm: m0 :0_mE : m2: Ea m>mF _m_0:mE00 :00m>0:_ o Nmmoo F oN w F @ m - vF m tocmFxm 0: m_0:m_: m:xm mEam_m m>m0. _m_0:mE00 :0om>0:_ o mFFo @ FF NF m v m F m m : mEmaoE oEm: 0: _m_0:mE00 :00m>0:_ 0 aommm: m0:m moEmad F0FmF05 00 mwam 0: mmFoo m w @F F v m v v m 0w0m>0:_ m: :mâmomb m mobo: 358 m m: m 0:: mEm0. mao mo M0333_ 0_0 0_0_: _. o: mmvoo m @ @F v v v m N NF 0wom>0:_ m: :mfmomb m Emo: mEaom m m: m 0:: mEm0. mao mn_ Fowuaoo: : m: 0.38.50 Ea a0 FNNooo m oF @F N v @ F @ oF moamm mEa _OuF m:0uF m0 m_m0_0:0mm m0 m_0:m0:m: m0 m 3:05 mao mea Fobao 0: mao 0mm0 Ea @m@0oo.0 m FF mF N v @ F m m Em emooov momotomam mocmE a0 2mE m: :_F _m_0:mE00 :00m>0:_ o _chao 0: mao mvNoo v NF mF m v m F w w 0mm0 Ea Em oF_m 2mE mamona Ea m: :z mooowm: m0 :00m>0:_ o 809000000 I Fm Êmmvrm
  38. 38. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE O tamanho das equipes de projeto apareceu como uma dife- rença clara, enquanto outras medidas de tamanho não se diferen- ciaram. Como em certo número de casos as firmas menores emprew garam equipes maiores, isto significa que houve uma concentração maior em projetos específicos. Esta consideração é importante para o exame de vantagem relativa de pequenas firmas na inovação tratada no Capítulo 9. Outra mensuração que sugere fortemente as vanta- gens da especialização em PôcD é a que se refere ao acoplamento com a comunidade científica externa. Carter &Williams (1959a) já haviam enfatizado as boas comuni~ cações com o mundo exterior como uma das características mais impor~ tantes das firmas tecnicamente progressistas. As firmas mais retrógra- das não seriam, obviamente, encontradas entre as que tentam inovar. Mas, entre aquelas que estavam fazendo tais tentativas, havia diferenças significativas em seus padrões gerais de comunicações. Comunicações externas melhores estavam associadas a sucessos, mas as diferenças mais fortes surgiram com respeito às comunicações com a parte especializa da comunidade científica externa, que tinha conhecimento dos trab lhos intimamente relacionados à inovação. Os contatos gerais com a co- munidade científica externa não diferenciaram os sucessos dos malogros. Todas essas diferenças podem naturalmente estar relacionadas à qualidade e ao tipo de administração, de forma que as mensurações relacionadas ao inovador comercial, talvez, sejam as mais interessan- tes. Primeiramente, deve ser notado que o inovador comercial dlÍlCÍl- mente era a mesma pessoa que o dirigente principal nas indústrias químicas, mas freqüentemente o era na indústria de instrumentosA diferença mais interessante entre inovadores comerciais bem-sucedidos e mal sucedidos, e uma que era inesperada, foi a associação da seniori- dade com os sucessos. Os homens bem-sucedidos (todos eles eram h - mens) tinham mais poder, status formal mais alto e mais responsab lidade que os mal sucedidos. Eles eram também mais velhos e tinham uma experiência mais diversaAlgumas destas diferenças não eram tão claras na indústria de instrumentos, o que pode refletir a maior mo- 370
  39. 39. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL bilidade e o menor tamanho das firmas, contrastando com estruturas mais hierãrquicas na administração das indústrias químicas. Normal- mente, o inovador químico bem-sucedido havia estado por mais tempo na firma inovativa e no ramo, enquanto isto não era verdade para seus pares nas indíistrias de instrumentos. O status mais alto e o maior poder dos inovadores bem-sucedi- dos podem estar associados à sua disposição em correr maiores riscos e recrutar equipes maiores para seus projetos. Na indústria quimica, houve uma forte associação entre o sucesso e uma solução técnica mais radical. Mas, tomando-se uma variedade de mensurações relacionadas à aceitação de riscos, somente houve pequenas evidências de que ino- vadores bem-sucedidos assumiram riscos maiores. Nas inovações quí- micas, os casos de sucesso foram, normalmente, os primeiros a entrar no mercado, mas entre os pares de projetos de instrumentos, os que vieram mais tarde foram, normalmente, mais bem-sucedidos. O fato de se incluírem, entre as mensurações que discrimina- ram entre sucessos e malogros, algumas que refletiram especialmente a competência da PõcD, outras que refletiram principalmente a efi- ciência do marketing, e algumas que mediram as caracteristicas dos inovadores comerciais em relação a boas comunicações confirma ag visão da inovação industrial como sendo essencialmente um proces so de acoplamento, conforme fora sugerido no início deste capítulo. Ênfases unilaterais, seja na PôcD, seja nas vendas, realmente subestimam a verdadeira complexidade do processo. Isto foi fortemente confir- mado pela análise estatística de variância múltipla ilustrada na Figura 8.1.Variáveis de índices compostos foram formadas a partir de diver» sas mensurações relativas a um fator. A percentagem de pontos cor- retamente classificados foi maior pela combinação das seguintes me- didas compostas: intensidade de PSCD, de marketing e de necessidade dos usuários. No caso das indústrias químicas, variáveis compostas re- lativas às técnicas administrativas e ao poder da administração tam- bém foram importantes. A força administrativa relaciona-se princi- palmente ao status e às responsabilidades dos inovadores comerciais. 371
  40. 40. CHRIS FREEMAN f LUC SOETE FIGURA 8.1 -Valores de variáveis de índices por pontos de sucesso (Fonte: Science Policy Research Unit, 1972) no00 N 012 O papel critico dos empresários (quaisquer que sejam os indiví- duos ou a combinação de indivíduos que preencham este papel) reside no acoplamento da tecnologia ao mercado, i. e., num entendimento das necessidades dos usuários melhor que as tentativas dos concorrentes, e em assegurar que recursos adequados estejam disponíveis para o de- senvolvimento e o lançamento. Esta interpretação do papel-chave da qualidade empresarial está de acordo com as constatações de Barna (1962), Penrose (1959) e com os trabalhos anteriores de Schumpeter (1912; 1942) sobre a teoria da firma. Nas grandes firmas, os inovadores comerciais devem estar sufi- cientemente no alto da hierarquia para poderem controlar os recur- sos e fazer com que as coisas aconteçam. Eles devem ter suficientes conhecimentos sobre a forma como as firmas funcionam para saber como agir para que as coisas aconteçam. Nas pequenas firmas, isto fre- qüentemente significa que será o dirigente principal, ou uma pessoa suficientemente próxima a ele, que irá assegurar a necessária concen- tração de esforços. Em qualquer dos casos, eles devem ser suficiente- mente poderosos e claros sobre os objetivos de marketing, para asse- gurar que os vários procedimentos de triagens e testes durante o curso do desenvolvimento e dos testes de produção impeçam que um 372
  41. 41. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL processo ou produto insatisfatório entre no mercado. Um lançamento prematuro pode ser mais perigoso que a lentidão em fazê-lo. Estas conclusões não serão necessariamente válidas para as ino- vações de bens de consumo, para os quais existem alguns mecanismos diferentes em ação. No setor de bens de capital, é essencial satisfazer certos critérios [de desempenho] [técnicos] mínimos. O grau em que estas generalizações podem ser aplicadas a outros ramos industriais é discutido no Capítulo 16.Aqui, torna-se necessário considerar algumas outras limitações da análise antes de se passar a considerar em maior profundidade a questão do tamanho das firmas no Capítulo 9 e os pro- blemas da incerteza, do risco e do planejamento no Capítulo 10. Assim, os resultados do projeto SAPPHO confirmaram os pon- tos 1, 3, 8, e 10 entre as tentativas de generalizações antecipadas na pá- gina 353. O Ponto 2 será discutido de forma mais completa no Ca- pítulo 11. O Ponto 4 requer um grande cuidado na sua interpretação e todo o Capítulo 9 será dedicado a isso. Os Pontos 5 e 7 não foram sustentados pelas evidências do projeto SAPPHO. A abordagem do inovador aos riscos requer mais uma vez uma consideração muito mais detalhada, e isto será tentado no Capítulo 10, seguido por uma discussão das implicações para a teoria da firma no Capítulo 11. As generalizações feitas, até agora, sobre as inovações com base no material histórico-descritivo da Parte 1 obtiveram alguma valida- ção por meio desse teste. Ainda que elas possam proporcionar uma interpretação razoavelmente plausível para alguns aspectos das inova- ções industriais a partir do surgimento da PõcD profissionalizada, cer- tamente não se reivindica que elas estejam seguramente ancoradas em termos estatísticos ou empíricos. A amostra não foi aleatória e o “universo" não era conhecido. Contudo, uma outra amostra de cator- ze pares conñrmou os resultados originais no que se refere a todos os principios básicosAlérn disso, a interpretação da inovação como um processo de acoplamento é fortemente apoiada por muitas evidências empíricas adicionais, assim como pela lógica e pelo senso comum. Estudos anteriores de Carter &Williams (1957; 1959a; 1959b) nos le- 373
  42. 42. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE varam a formular o conceitoida “firma tecnicamente progressista”, incorporando mLiitas das características combinadas dos casos de su- cesso do projeto SAPPHO. Outra importante série de estudos de casos de inovações industriais na Grã-Bretanha foi desenvolvida em Man- chester, de forma independente do projeto SAPPHO, aproximadamen- t6 na H1CSII13 época, C SCUS &UÊOICS COHClUÍIElITI qLlCI Talvez o mais alto nível de generalização que se possa fazer com se- gurança sobre a inovação tecnológica é a de que ela tem de envol- ver uma síntese de algum tipo de necessidade com algum tipo de possibilidade técnica. Os modos pelos quais esta síntese é realizada e explorada assumem formas extraordinariamente diversas e depen- dem não somente do planejamento sistemático e do “estado das ar- tes”, mas também de motiva ões individuais ressões or anizacio- 7 nais e influências externas de 'tipo político, social e econômico. Devido ao fato de o processo de inovação estender-se através do tempo, é importante manter uma contínua sensibilidade para mu- danças nestes fatores e a flexibilidade necessária para perceber e res- ponder às novas oportunidades. (Langrish et al. , 1972, p.200) 8.6 OUTROS ESTUDOS SOBRE INOVAÇÕES Importantes evidências empíricas adicionais para algumas das princi- pais conclusões . do projeto SAPPHO vieram de um levantamento de dados canadense sobre 47 e uenas firmas novas iniciadas or em- 3 resários tecnolo icamente orientados. Como o roeto SAPPHO, es- J se levantamento incluiu o estudo tanto de malogros como de suces- sos. Litvak 8( Maule (1972) concluíram de seu levantamento que: O desempenho comercial dos empresários foi fraco, tendo sido um fator importante para a alta taxa de mortalidade aparente dos proje- tos. A maioria dos empresários foi incapaz de perceber o vínculo en- 374
  43. 43. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL tre a inovação de produto e a inovação comercial. .. , A maior parte do desenvolvimento dos novos produtos foi efetuada e implementa- da antes de qualquer tentativa de avaliação do mercado potencial e dos custos de ingresso no mercado. .. O aspecto a ser realçado é o amor que o empreendedor tem por sua inovação de' produto, que, muitas vezes, o impede de perceber suas reais oportunidades e o ní- vel de competição do mercado. (Litvak 8( Maule, 1972, p.47) A questão da subestimação das necessidades dos usuários e do entendimento do mercado deve ser fortemente realçada, já que a pes- quisa do projeto SAPPHO constantemente encontrou, em discussões com gerentes de PôzD e empresários, que eles tendem a descartar esse ponto como óbvio, mas apesar disso continuam a ignorá-lo na prática. Novas confirmações de algumas das conclusões do projeto SAP- PI-IO vieram inesperadamente da indústria de produtos eletrônicos da Hungria (Szakasits, 1974) e dos estudos internacionais da OCDE sobre a inovação industrial, particularmente as comparações entre países, de Pavitt (1971), sobre o relativo sucesso inovativo das firmas de vários países-membros, bem como de alguns estudos sobre inovações patro- cinados pela National Science Foundation nos Estados Unidos. Um exemplo interessante sobre a forma como algumas firmas industriais aceitaram e usaram as descobertas do projeto SAPPHO em suas pró- prias administrações da inovação foi apresentado por Leonard-Barton (1995, p.132-3) em seu relato sobre a altamente bem-sucedida PszD da companhia norte-americana Hewlett-Packard. Contudo, mesmo nos casos em que há estatísticas relativamen- te boas, como no que se refere ao tamanho das firmas (Capitulo 9), as generalizações ainda precisam ser severamente qualificadas. Uma razão para isto é que o “universo” das inovações ou das invenções não é conhecido e, por esse motivo, nenhuma amostra estritamente alea- tória pode ser obtida? Devido a isso, embora possam ser feitas tenta- 3 O segundo estudo de inovações de Manchester (Gibbons &johnstom 1972) foi baseado numa enge- nhosa tentativa de se obter esse tipo de amostra (Ver p.258 do referido traballio). _ 375
  44. 44. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE tivas para se estudar um grupo representativo de invenções e inova- ções, como no trabalho de Jevvkes (1958) ou no projeto de pesquisa descrito neste capítulo, não podemos ter certeza de que tal amostra seja verdadeiramente representativa. Esta limitação é particularmente importante quando passamos a considerar as assim chamadas inven- ções ou inovações secundárias ou de aperfeiçoamento. Há uma ten- dência nos estudos de caso e nos trabalhos históricos de se concen- trar o enfoque nas invenções e nas inovações mais espetaculares. Mas pode-se argumentar, como fizeram, por exemplo, Gilfillan (1935) e Hollander (1965), que a pletora de aperfeiçoamentos menores e de novos modelos são tão importantes para o progresso técnico quanto as grandes inovações mais radicaisAlém disso, também se pode acei- tar, de forma plausível, que não-especialistas e não-profissionais são capazes de fazer contribuições muito maiores para o tipo de inova- ções secundárias que para as radicais. Também é provável que o co- nhecimento do mercado desempenhe uma parte maior neste tipo de invenções e inovações secundárias que o contato com a pesquisa ci- entífica ou, no caso das inovações de processo, que experiências di- retas no funcionamento do processo. Schmookler (1966) mostrou que em diversos ramos industriais dos EUA, durante mais de um século, a invenção (medida por estatísti- cas de números de patentes relevantes) tendeu a acompanhar a deman- da (medida pelas estatísticas de investimento), com uma defasagem de tempo de alguns anos. Contudo, outro projeto sobre a indústria quí- mica da Science Policy Research Unit mostrou que, em alguns casos da indústria química, houve evidências de padrões de crescimento contrárias à tese de Schmookler nos estágios iniciais do surgimento de novas tecnologias radicais, tais como nos materiais sintéticos e nos me- dicamentos nas décadas de 1920 e 1930 (Walsh et al. , E1979). Nestas épocas, ondas de atividades inventivas e de descobertas científicas ten- deram a preceder os deslanches de vendas e de investimentos, como no caso análogo do computador eletrônico discutido no Capítulo 7. Essa aparente contradição pode ser explicada em parte se for feita al- 376
  45. 45. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL guma distinção entre invenções e inovações mais radicais, que ocor- rem com relativa raridade, e o grande número de invenções e inova- ções secundárias e de aperfeiçoamento que se multiplicam rapidamen- te à medida que a produção cresce e que respondem diretamente aos sinais do mercado e ao comportamento dos investimentos. Desse mo~ do, a teoria de Schumpeter, que dá ênfase às atividades inovativas au- tônomas dos empresários como mola mestra do desenvolvimento eco~ nômico em vez da demanda do mercado, pode ser reconciliada com as estatísticas de Schomookler, que medem fenômenos algo diferentes. Na medida em que as estatísticas de patentes captam tanto as inovações menores como as principais, Schmookler (1966) mostrou que a P&D empresarial profissionalizada na década de 1950 foi respon- sável por cerca de metade das invenções industriais nos Estados Uni- dos e, provavelmente, por uma proporção mais alta daquelas que foram de fato exploradas - isto é, traduzidas em inovações. Muitas das outras invenções também tiveram origem na P&D proñssional do governo e das universidades. O desenvolvimento e a exploração de invenções procedentes das universidades, do governo ou de inventores individua- is também envolveram, provavelmente, alguns trabalhos profissionais de P&D na indústria na grande maioria dos casos. Mas isto ainda deixaria um número significativo de invenções e inovações que não podem ser atribuídas à P&D profissional especializada. também provável que até uma maior proporção de avanços técnicos não-patenteáveis possa ser atribuída a pessoas alheias ao sistema profissional de PõcD. Contudo, o grau da nossa ignorância não deve ser exagerado. Existem sólidas evidências empíricas de que a maior parte da P&D in- dustrial profissional está concentrada na melhoria de produtos e pro- cessos e em novas gerações de produtos estabelecidos. O que não se sabe é qual a contribuição relativa dos trabalhos de P&D para o pro- gresso técnico, em comparação com as invenções e melhorias geradas inteiramente fora do sistema de PõcD formal. Uma hipótese plausível é a de que a contribuição proporcionada pelo sistema formal de PBcD é muito maior nos ramos industriais intensivos em pesquisa, mas tam- 377 M”lfzfsf^*^^"^*ârmnàxrvfv_-~r--- *A 2a- *“'j§*: ?r*-<“;3 -7«. .›-.1--w--. :.. «-. _, ^. <:- ~«-_. .,_. ,., ... _,. ,_. _ . .._. ... _,. .,. ,.___, .. . .. .. ... ._
  46. 46. CHRIS FREEMAN | LUC SOETE bém parece provável que o progresso técnico seja mais rápido nos ca- - sos em que existe uma interação muito intensa entre grupos profis- sionais de P&D e todo o resto do pessoal vinculado ao processo ou aos produtos em questão, os quais podem, eles mesmos, contribuir para a solução de muitos problemas, assim como para a sua identifi- cação. Isto foi confirmado num detalhado estudo sobre Lima impor- tante inovação técnica na indústria extrativa de carvão mineral - o cortador e carregador AndertonTovvnsend (1976) demonstrou que as altamente bem-sucedidas introdução e difusão dessa máquina foram baseadas numa interação entre uma série de invenções mais radicais e inovações, introduzidas pelos fabricantes das máquinas (em íntima cooperação com os estabelecimentos de pesquisa do National Coal Board), e numerosas invenções e melhorias efetuadas em função de experiências operacionais e encorajadas por um esquema de estímulos financeirosTanto fabricantes britânicos como alemães contribuíram para as importantes melhorias no projeto dessa máquina, em parte derivadas de suas próprias PôcDs, e em parte da incorporação de me- lhorias especificadas pelo National Coal Board na Grã-Bretanha. O trabalho de Hollander enfatizou especificamente a contribuição do departamento de engenharia e de grupos de assistência técnica para a mudança técnica, mas algumas vezes em associação com a P&D.4 Em seus últimos estágios, o projeto SAPPHO mudou sua ênfase dos casos individuais de sucesso ou malogro em inovações específicas para o estudo de sucessos ou malogros de , firmas num período bastan- te longo. Isto permitiu ao projeto levar em conta tanto importantes inovações individuais como inovações incrementais. O trabalho foi concentrado em ramos da indústria mecânica, como as de maquinaria têxtil (Rothwell, 1976), maquinaria para mineração (Townsend, 1976) e para agricultura (Rothwell, 1979). Embora algumas firmas pudessem ser e tivessem sido bem-sucedidas por curtos períodos de tempo ao se 4 Isto pode constituir algumas vezes apenas uma questão de nomenclatura. O que é chamado de "en- genharia”, “pesqiiisa operacional” ou "departamento técnico" em uma firma pode ser denominado "de- senvolvimento de processo” ou “P8cD" em outra. 378
  47. 47. A ECONOMIA DA INOVAÇÃO INDUSTRIAL concentrarein em melhorias incrementais, algumas vezes até sem qual- quer organização de P&D formal, a longo prazo elas freqüentemente acabaram entrando numa armadilha ao se mostrarem incapazes de en- frentar tipos mais radicais de concorrência tecnológica (como a máqui- na de tecelagem da Sulzer). Os resultados mostraram que o sucesso a longo prazo dependia de uma aptidão para combinar ocasionais inova- ções mais radicais com um fluxo de melhorias menores nos projetos, em resposta aos desejos e experiências dos clientes. Uma PôcD forte tor- nou-se crescentemente necessária para sustentar essa combinação de mudança técnica nas décadas de 1960 e 1970. Os estudos de caso ante- riores da projeto SAPPHO, apesar de orientados para experiências indi- viduais, também haviam apontado nessa direção. Especialmente na in- dústria de instrumentos científicos, uma das marcas registradas de casos bem-sucedidos esteve quase sempre numa capacidade de incorporar sucessivas melhorias de projeto em uma série de novos modelos, como, por exemplo, no caso do analisador de leite (Robertson 8( Frost, 1978). Um importante trabalho empírico deu apoio ao ponto de vis- ta aqui apresentado de que a P&D especializada e outros serviços téc- nicos têm sido crescentemente importantes, tanto para as principais invenções e inovações mais radicais como para as invenções e inova- ções de aperfeiçoamentos menoresTrata-se do estudo de Katz (1971) sobre a Argentina. Ele procurou medir a contribuição do progresso técnico para o crescimento de um grande número de empresas em diversas áreas da economia argentina. Ele foi capaz de obter séries cronológicas de dados muito abrangentes para um grande número de firmas (250) e de relacionar seus resultados a medidas de escala de P&D adaptativa e de outras atividades técnicas executadas pelas refe- ridas empresas. Por meio de suas entrevistas preliminares, averiguou que muitas firmas argentinas, embora não fizessem elas mesmas ino- vações radicais originais, conseguiram numerosas adaptações e me- lhorias de processos e de produtos que elas adquiriram tanto das em- presas matrizes no exterior como pela imitação ou o licenciamento. Segundo sua hipótese, essa P&D adaptativa iria propiciar importantes 379
  48. 48. CHRIS FREEMAN l LUC SOETE vantagens competitivas por capacitar as firmas a satisfazerem necessi- dades peculiares do mercado argentino de forma mais satisfatória, ou para adaptarem-se a condições operacionais especializadas. A conclu- são deste trabalho e de pesquisas de Martin Bell (1984; 1991) em ou- tros países em desenvolvimento foi a de que o “aprendizado”, em qualquer país, não é simplesmente uma função do tempo, mas depen- de de atividades deliberadamente organizadas, desenvolvidas num de- partamento de P&D ou em qualquer outro lugar da firma. Os resultados de Katz mostraram de modo conclusivo que: (1) o crescimento das empresas se relacionava de perto a seus progres sos técnicos; (2) os seus progressos técnicos estavam fortemente assou ciados ao desempenho da PôcD adaptativa e de serviços técnicos espe- cializados, embora o grupo profissional responsável por esse trabalho , pudesse ser chamado de departamento de desenvolvimento de pro- cessos ou departamento técnico, em vez de departamento de pesqui- sa. Seus resultados também sugeriram a importante conclusão de que a PéScD imitativa ou adaptativa tem resultados mais garantidos que a P&D ofensiva ou defesiva, já que os estudos sobre o crescimento de fir- mas e a intensidade da P&D nos EUA e na Grã-Bretanha não mostra- ram essa forte associação. E Hollander vai mais longe, assinalando que muitas melhorias técnicas menores são virtualmente isentas de riscos. A comparação feita pela Federação das Indústrias Britânicas entre as taxas de crescimento das firmas e a intensidade de P&D na Grã-Bretanha (1947, 1961) mostrou, de fato, correlações positivas, mas fracas, e uma associação bastante forte nos extremos. Estes resultados, em conjunto com aqueles do projeto SAPPHO, sugerem que: ° As firmas que realizam pouca ou nenhuma P&D em ramos de rá- pida mudança técnica têm maior probabilidade de estagnar ou de- saparecer; - As firmas que realizam um grande volume de PéscD podem algu- mas vezes apresentar taxas de crescimento excepcionalmente altas por meio de sucessos ofensivos; e 380

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