EDIÇÃO ESPECIAL COMEMORATIVA Outubro 2011       ESPAÇO       EM       AÇÃO         Assim se passaramdez anos              ...
Foto: Adriano CostaEm seus 30 anos de carreira o artista plástico   Marcelus Bob homenageia os 10 anos de            exist...
Índice02 - EDITORIAL03 - APRESENTAÇÃO                                                   0304 - CAPA: Espaço Solidário    0...
EDITORIAL                                                                                     Casa de taipa, o marco das  ...
APRESENTAÇÃO                                                                   Celebrar a vida                            ...
CAPA: Espaço Solidário                   Assim se passaram  dez anos   Não me pergunte pela minha idade, porque tenho toda...
O encontro com                                                                 idosos e famílias                          ...
CAPA: Espaço Solidário    Espaço Solidário                                                                         O      ...
Os conceitos de velhice        que permeiam o Espaço Solidário| Idosos e equipeO          Espaço Solidário está           ...
CAPA: Espaço SolidárioA       o pensar os 10       anos do Espaço       Solidário, casaque ampara a velhice,imaginamos res...
CAPA: Espaço Solidário            As casas que habitam nossas lembranças e coraçõesde vara ou madeira com um col-         ...
Foto: Adriano CostaESPAÇO EM AÇÃO - 2011   11
CAPA: Espaço Solidário| relato da equipeN         ós, da equipe do Espaço         sos. Todos nós colocamos que         Sol...
ESPAÇO EM AÇÃO - 2011   13
VELHICE EM VERSOSPoemasUm lugar bom de viver                   Um lindo cantinho                             O Dia do Idos...
CordelAlice de nossas vidas        A comadre não sabia                             Um detalhe importante:                 ...
FATOS E FOTOS                       RASTROS DE        Conhecendo o Parque da Cidade                                       ...
CONVIVÊNCIA                  Iate Clube Natal                                        Reunião semanal no Espaço Solidário A...
FATOS E FOTOS                         RASTROS DE               Vista do Iate Clube                                        ...
CONVIVÊNCIA            Mirante da Redinha                                 Pôr-do-sol na Pedra do Rosário  Entardecer no Po...
GENTE DO ESPAÇOParafraseando o quadro de entrevistas Gente do Morro, presente no jornal Fala Mãe Luiza,periódico de respon...
Jovelina Severiano da Silva, 77,            Cacimba do Pinto na praia para buscar     Melhoriasconhe-cida na comunidade co...
VISÕES SOBRE O ESPAÇO  Descortinando a Convivência   | Luiz Marinho Júnior   “Deixa de manha de noite e de dia, toda crian...
ESPAÇO & CIAAmigos & Parceiros                                  Como falar do Espaço Solidário sem lembrar da equipe,     ...
DESPEDIDA           A casa que abriga| Loyse de Andrade                                                                   ...
Foto: Adriano Costa                   Mural grafitado por       Carlos Augusto da Silva Dantaspara a área verde do Espaço ...
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  1. 1. EDIÇÃO ESPECIAL COMEMORATIVA Outubro 2011 ESPAÇO EM AÇÃO Assim se passaramdez anos 2001 - 2011
  2. 2. Foto: Adriano CostaEm seus 30 anos de carreira o artista plástico Marcelus Bob homenageia os 10 anos de existência do Espaço Solidário.
  3. 3. Índice02 - EDITORIAL03 - APRESENTAÇÃO 0304 - CAPA: Espaço Solidário 04 - Dez por mil 04 O Projeto Amigos da Comunidade, reduziu o nível de mortalidade infantil, que era na ordem de 60 por mil. 06 - 10 anos de muita história 14 Desde 2001, o centro acolhe, idosos moradores, alguns que passam o dia, de segunda a sexta-feira, e outros que frequentam a casa para participar de atividades específicas. 07 - Os conceitos de velhice Compreender melhor essa etapa da vida e refletir a nossa relação com ela. 08 - As casas que habitam A relação intrínseca entre os idosos, suas moradas e as marcas deixadas ao longo do tempo. 12 - Ensinamentos O legado dos idosos para a nossa formação humana.14 - VELHICE EM VERSOS 1616 - FATOS E FOTOS20 - GENTE DO ESPAÇO 2022 - VISÕES SOBRE O ESPAÇO23 - ESPAÇO & CIA24 - DESPEDIDA A casa que abriga a nossa velhice. 22 24
  4. 4. EDITORIAL Casa de taipa, o marco das lembranças dos nossos idosos. Cheiro de barro molhado, fumaça do candeeiro, retrato de santos Comecei a fazer parte da história do na parede, criançada sentada noESPAÇO SOLIDÁRIO no dia 09 de outubro chão batido esperando a Foto: Adriano Costa comida...de 2008, quando fui nomeado pároco da Um passado vivo nos olhares dosParóquia Nossa Senhora de Lourdes pelo idosos!Arcebispo D. Matias Patrício de Macedo. Obrigado pelo presente!Comigo chegou também o Pe. MarceloCezarino, que havia sido ordenado dois diasantes, ou seja, no dia 07. Passamos a morarem Mãe Luiza, na casa do Padre Sabino. No meu primeiro contato com o EXPEDIENTEambiente do Espaço Solidário, logo me Diretoria do Centro Sócio Pastoralchamou a atenção a alegria dos moradores, Presidenteo carinho dos funcionários e a arrumação do Pe. Robério Camilo da Silvaambiente. Aos poucos fui compreendendo o Vice presidente Idosos Diaristas Ion de Andrade Abílio Soares da Silvanível de humanização alcançado pelo Equipe Alice Bezerra da Silva Rodriguesconjunto todo. Chamou a atenção a grande Josélia Silva dos Santos Ana Maria de Araújo Caetanovontade de viver de todos os moradores, Edilsa Gadelha do Nascimento Carmelita Alves de Lima Loyse M. R. M. de Andrade Damião Francisco dos S.expressa na filosofia de vida da dona Francisca Etelvina de Araújo Elino Galvão do NascimentoNenen, que dizia que matava a morte todos Francisca da Silva Diretor de Redação Francisco Alves Sobrinhoos dias. Ela tem razão. Cada dia vivido é Luiz Marinho Júnior Hilda C. da Silvauma vitória. Aprendi a olhar para o Espaço Idalina Leite da SilvaSolidário como sendo um oásis, um espaço Diretor de Arte e Diagramação João Felix da Silva Adriano Costa da Silva José Ribamar Simplícioda esperança, da vida. O tempo foi Josefa Leonardo de Mourapassando e, na convivência com o bairro, fui Projeto Gráfico Josefa Matias da Silvame surpreendendo com o aumento da Adriano Costa da Silva Maria Emilia do Nascimento Maria Dias Santos da Silvaviolência, principalmente entre a juventude. Revisão Maria da Paz AssunçãoFui refletindo sobre o contraste visível: Aparecida Fernandes Maria do Carmo da Silvaenquanto o idoso quer viver, parte da Maria da Cruz Euflazino Revisão Final Maria Dias Santos da Silvajuventude está se matando, seja com o Luiz Marinho Júnior Maria Juraci Rodriguesalarmante índice de assassinatos entre os Maria Julia de Mourajovens com menos de 25 anos ou pelo Entrevistas Maria Olivia Santos Gomes Luiz Marinho Júnior Maria das Dores Ciriacogrande envolvimento com as drogas. Outro Rosimere Vasconcelos (DRT/RN 590) Maria de Lourdes Aparecidadia, depois do assassinato de dois jovens, Maria de Lourdes Costa da Silva Fotografias Maria de Lourdes Ferreirauma idosa me disse: “Padre, eu acho que Adriano Costa da Silva Maria de Lourdes Silvestredaqui a pouco só vai ter gente velha no Frank Swatman Maria Madalena de Jesusnosso bairro, pois os jovens estão se Loyse M. R. M. de Andrade Maria Nazaré da Silva Luiz Marinho Júnior Maria Mercedes da Silvamatando”. Tenho refletido muito sobre isso. Nicole Miesher Marina Vital da SilvaNossa luta continua para que todos tenham Neuza Ferreira da Silvavida em abundância como pede Jesus. Capa Odete Silva de Farias Adriano Costa da Silva Pascoal Barracho de Medeiros Pedro Matias do Nascimento Pe Robério Camilo da Silva Impressão Regina Felipe de Santana Pároco Edú Gráfica Renato Batista de Oliveira Severina Dantas da Silva Colaboradores Severina Luiza Márcio Ribeiro da Silva Tereza Rodrigues da Costa Silvania Maria da Conceição Funcionários do Espaço Solidário Tiragem Adriana de Queiroz Xavier 1.000 exemplares Aildo Saraiva Peixoto Anísio Roberto de Assis Idosos Moradores Célia Maria Oliveira da Silva Ana Maria da Silva, 64 Dayana do Nascimento Vieira de Assis Ana Hilda Pereira da Silva, 77 Deygreson Rodrigo Soares da Silva Alaíde Maria da Silva, 87 Francisca Darc Bezerra Cornélia Otacília da Silva, 82 Gilson da Cruz Damião Domingos da Silva, 71 Ieda Maria de Souza Edite Dantas Correia, 80 Iraneide de França Borges Francisca Maria da Silva, 77 José Carlos Euflausino Jorge Moreira, 75 Joseane Costa da Silva João da Cruz de Souza, 76 Joseane Domingos da Silva Gomes Jovelina Severiano da Silva, 80 Luana Cibely Leandro dos SantosPadre Robério é pároco da Paróquia Josefa Cardoso da Silva, 98 Luciene Santos da Rocha José Alves de Farias, 77 Lucileide Barbosa da SilvaNossa Senhora de Lourdes, José Carvalho, 82 Luiza Belarmino de Oliveirapresidente do Centro Sócio Pastoral Luiz Silvestre, 72 Maria de Fátima da Silva Luiz dos Santos, 62 Maria Elizabeth de SousaNossa Senhora da Conceição e Maria Auxiliadora Saraiva de Brito, 87 Marly do Nascimentocoordenador do setor das Pastorais Maria Francisca Quirino da Costa, 64 Nágma Lima de Oliveira Maria de Lourdes Rodrigues, 74 Nailda Soares FerreiraSociais da Arquidiocese de Natal/RN. Maria Gasparina da Costa, 72 Patrícia Rodrigues da Silva Paulo Germano, 89 Quitéria Maria de Jesus Rita Felipe Dantas, 81 Rosileide Maria de Jesus Costa Sebastiana de Pontes, 89 Simone Kelly Gomes Vicência Maria do Nascimento, 85 02 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  5. 5. APRESENTAÇÃO Celebrar a vida Dez anos de solidariedade contínua. Cada minuto preenchido do mesmo conteúdo: solidariedade. É verdade. No Espaço que o Padre Sabino idealizou e viabilizou em Mãe Luiza, para responder às necessidades dos idosos, existe algo diferente. Não se trata apenas de mais uma casa de longa permanência, nem tão pouco um abrigo para idosos. É um espaço para a vivência da Solidariedade. É um verdadeiro espaço de Centro Sócio convivência. Lá, o cuidador também é cuidado. Tudo é celebração, porque a vida é vivida com muita intensidade. Seguindo a metodologia da participação, os moradores Centro Sócio Pastoral Nossa Senhora da Conceição, são parte ativa, grandes colaboradores; tudosituado em Mãe Luiza, existe desde 1983 e foi fundado pelo é resolvido na famosa roda de conversa,Pe. Sabino Gentili. Iniciou suas atividades com cursos quando a vida é partilhada e respeitada. Dignidade acima de tudo, gerando qualidade,profissionalizantes e uma escolinha de alfabetização para e tudo isso alimentado pela forçacrianças, a Escola Espaço Livre, e com cursos de transformadora do Evangelho, que é o amor.alfabetização para adultos. Seguiu seu caminho com ações Por isso, nestes dez anos de existência,na área da saúde da criança, com o Projeto Amigos da celebramos a vida, na sua maturidadeComunidade, com a construção da Casa Crescer, de segundo carregada de experiências enriquecidas na partilha, descarregadas nas lembranças;turno para jovens, com a urbanização da favela do Sopapo e, celebramos a vida não como um peso, masfinalmente, com o Espaço Solidário com muita intensidade, alimentada pela Ao longo destes vinte e oito anos, o Centro esteve à alegria da vitória cotidiana. Parabéns, Padrefrente da organização de diversos seminários comunitários Sabino, pela bonita atitude de amar o próximo; esta festa chega ao céu e daqui escutamosem Mãe Luiza. Os vários seminários discutiram a infância, a sua gargalhada de satisfação; escutamossaúde, a adolescência, a mobilização política e o você dizer não mais: “tá compreendendo?”desenvolvimento do bairro. Cada vez que um seminário era mas, vocês compreenderam. Parabéns aorganizado, uma nova atividade do Centro surgia. todos os que fazem O ESPAÇO; à Dizia o Pe. Sabino que o Centro deveria cumprir a administração, aos funcionários, voluntários, moradores e diaristas por mostrarem a belezamissão e ser a instituição meio, através da qual a credibilidade da convivência na diversidade. Não bastada Igreja Católica poderia ser oferecida à comunidade para deixar a vida me levar. Tenho que viver e nãolevantar os caídos e ser fermento para a organização do povo; ter a vergonha de ser feliz.um espaço instituído para ajudar a resolver os problemas dacomunidade. A história do Centro continua e, atualmente, na gestão Dedicatóriado Pe. Robério, temos novos desafios. O espírito de ação etrabalho, entretanto, continua o mesmo. Hoje comemoramos Ao padre Sabino (In Memorian),os 10 anos do Espaço Solidário e, logo, logo, pela eterna presença.comemoraremos a concretização do Ginásio Poliesportivo da Aos idosos, pela vivênciaEscola Dinarte Mariz, que trará mais espaços de esporte, compartilhada.lazer e cultura para a comunidade. O Centro Sócio-Pastoral continua presente nacomunidade e vai onde há maiores necessidades. Foto: Nicole Miesher ESPAÇO EM AÇÃO - 2011 03
  6. 6. CAPA: Espaço Solidário Assim se passaram dez anos Não me pergunte pela minha idade, porque tenho todas as idades. Eu tenho a idade da infância, da adolescência, da maturidade e da velhice”. Cora Coralina.Projeto Amigos da Comunidade| Ion de AndradeA s ações na área da saúde do Centro Sócio pensar em saídas possíveis. A partir do projeto, a Pastoral se iniciaram de maneira mais mortalidade no bairro passou a cair, alcançando sistematizada com o Projeto Amigos da números que passaram a girar entre 10 e 14 por mil.Comunidade, no início dos anos 90. Este montado O principal grupo de causas reduzido foi o dasprojeto foi montado para en- diarréias, que correspondiam àfrentar os níveis muito elevados época a praticamente metade dosde mortalidade infantil no bairro, óbitos, seguidos das pneumonias.da ordem de 60 por mil. “O Projeto Amigos Ao longo dos dez anos de No projeto, um grupo de 10 da Comunidade, funcionamento do projeto,visitadoras de saúde visitava reduziu o nível de assistimos a uma reduçãotodas as gestantes e crianças progressiva dos problemascom menos de um ano, com mortalidade infantil, relacionados à saúde materno-visitas temáticas mensais. Elas que era na ordem de infantil e, simultaneamente,discutiam com as mães sobre 60 por mil para 10 fomos acompanhando oaleitamento materno, diarreias e por mil” crescimento dos problemas nareidratação, pneumonias, área da saúde dos idosos. Porvacinas, alimentação no primeiro esta época, o programa deano de vida, dentre outras e se agentes comunitários de saúde foidentre outras e se tornavam referência para as agentes comunitários de saúde foi implantado nomães no que toca às questões de orientação à bairro, o que representou, embora não com ossaúde. mesmos métodos, uma responsabilização do poder No grupo, tínhamos reuniões semanais para público pela atenção à saúde neste nível.discutir cada caso mais preocupante e pensar em A análise dos fatos e o diálogo com a 04 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  7. 7. O encontro com idosos e famílias em dificuldade | VISITADORAS: Elizabeth Sousa, Francisca Darc de Assis, Joseane Gomes, Nailda Ferreira, Marli do Nascimento e Simone Kelly Gomes R efletindo sobre a situação dos idosos em nossa comunidade, nós visitadoras que trabalha-mos hoje no Espaço Solidário, con-cluimos: a maioria dos idosos morava em casa e eram bem cuidados, mas tínhamos que ter um olhar para os que estavam em dificuldades. Passamos a visitar os idosos em situação de risco. Começamos a escutá- los e prestar atenção a cada situação. Alguns idosos se queixavam de que, quando se ficava velho, não se tinha mais nem ouvidos nem voz. Outros moravam sozinhos. Muitos tinham que cuidar de netos sem a menor condição de fazê-lo. Nós começamos a nos tornar confidentes, ouvindo queixas e lamentos. Muitos idosos reclamavam que ninguém conversava com eles. Um senhor chegou a perguntar: “será que idoso é contagioso?” Observamos que alguns idosos passavam a dormir na sala ou no corredorcomunidade foi demonstrando à equipe a necessidade de para deixar o espaço para filhos ou netos.mudarmos o foco e de termos uma ação focada na atenção ao Passamos também a escutar asidoso. O envelhecimento da população em Mãe Luiza foi famílias. Muitas com preocupações porrevelando problemas diversos como solidão, ausência de não poder dar toda atenção ao idoso.famílias ou de relações sociais e afetivas e até mesmo caos de Outras com mágoas de um passado deexploração e violência contra idosos. relações difíceis. Uma visitadora lembra que a filha de uma idosa perguntou: “Só Este conjunto porque mãe tem cabelos brancos quede coisas foi o motor tenho que esquecer o que me fezda criação do Espa- passar?!”ço Solidário, e a Nessa convivência de partilha emaioria das visitado- aconselhamento, foi preciso, em algunsras de saúde do pro- momentos, tomar medidas, colocarjeto Amigos da alguns idosos em Instituição fora de MãeComunidade foi Luiza, sabendo que isso representavaincorporada à nova uma ruptura e um distanciamento da terrainiciativa do Centro, que eles tinham conquistado a duras penas.que antecipou, na Foi por essas problemáticas que,leitura sobre os aos poucos, o sonho foi nascendo! Mãe Dr. Ion Andrade é pediatra eproblemas de Mãe Luiza precisava de um espaço que sanitarista por vocação, geriatraLuiza, a necessida- pudesse acolher o seu idoso, um espaço por destino. Acompanha asde de cuidados para que pudesse ajudar a fortalecer relações. atividades do Centro há mais deos nossos idosos. vinte anos. ESPAÇO EM AÇÃO - 2011 05
  8. 8. CAPA: Espaço Solidário Espaço Solidário O Espaço Solidário foi se 10 anos construindo na urgência de dar uma resposta aos idosos da comunidade. Ele pretende proporcionar qualidade de vida, assegurando direitos, quer ser um espaço de de muita história! de muita história! aprendizagem permanente de 2001 - 2011 reflexão sobre questões do | Loyse de Andrade envelhecimento e aspira a ser um elo entre idosos, familiares,N o Brasil, como no mundo, a população idosa vem comunidade e sociedade. crescendo. Nos anos 70, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro Desde 2001, o centro fun- de Geografia e Estatística ela correspondia a ciona nas modalidades de3,1% da população. Em 1995, o número Instituição de Longa Per-subiu para 4,9% e hoje chega a 10,4 %. manência, Centro Dia eOs cálculos indicam que até 2050, 30 % Centro de Convivência. Eledas pessoas no país terão 60 anos ou “Os cuidados e acolhe, hoje, 24 idososmais. Proporção quase 3 vezes maior carinhos inspiram moradores, 15 a 20 idososque a dos dias de hoje. segurança; a inserção que passam o dia, de se- Em Mãe Luiza, a realidade não é gunda a sexta, e mais umadiferente. Em 2000, as pessoas a cima nas tarefas média de 30 idosos quede 60 anos representava 6,9% da popu- domésticas favorece a frequentam a casa paralação (1117 idosos). A média na época, sensação de participar de atividades es-era bem inferior a média nacional, pro- pecíficas. Entre eles, 12%vavelmente devido à situação de exclu- pertencimento” têm menos de 60 anos,são social sofrida pelos moradores do 30% têm entre 60 e 70bairro. Hoje a situação mudou. Os da- anos, 32% entre 71 e 80dos do IBGE 2010 apontam para uma anos e 26% têm acima dedos do IBGE 2010 apontam para uma média acima da média 80 anos.nacional. Os idosos do bairro representam 10,8% da população Hoje contamos com uma(1622 idosos). Esses novos dados revelam a permanência dos equipe de trabalho de 27 pessoas,idosos na comunidade e aponta para um exílio dos mais jovens. cuja maioria consta de moradores A expectativa de vida no país aumentou e passou de 70 anos do bairro.em 1999 a uma média de 73,1de vida no país aumentou e passou de O idoso que freqüenta diária70 anos em 1999 a uma média de 73,1 anos em 2009. As mulheres ou ocasionalmente o Espaçotêm quase 10 anos a mais de mulheres têm quase 10 anos a mais de Solidário busca ampliar os seusesperança de vida que os homens (elas vivem em media até 77 espaços de convivência. Osanos, enquanto eles, até 69,4 anos). cuidados e carinhos inspiram O Brasil avançou muito nas políticas públicas voltadas para as segurança; a inserção nas tarefasquestões da velhice, porém ainda há muito a fazer. O Estatuto do domésticas favorece a sensaçãoIdoso, Título I, Artigo 3, afirma: É obrigação da família, da de pertencimento; as reuniões ecomunidade, da sociedade e do poder publico assegurar ao idoso passeios semanais incentivam acom absoluta prioridade, a efetivação do direito a vida, à saúde, àalimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, participação e a cidadania; a fisio-à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência terapia, terapia ocupacional, pis-familiar e comunitária. cina, massagem e cuidados Sabemos também quantas famílias são vulneráveis e individuais fortalecem a auto esti-privadas de direitos. Compartilhamos com as famílias e os idosos as ma; o acompanhamento à saúdealegrias da convivência e as angústias que o envelhecimento pode previne e ajuda a viver com digni-provocar numa estrutura familiar já fragilizada. dade; as festas e encontros inte- Sabemos que, hoje, menos de 1% da população de idosos gram; as missas e celebraçõesmora em Instituição de Longa Permanência. confortam. 06 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  9. 9. Os conceitos de velhice que permeiam o Espaço Solidário| Idosos e equipeO Espaço Solidário está Observou-se que por ser otimista do seu passado, sempre buscando com- uma fase perto do fim da vida, a relatando, aos poucos, também preender melhor essa velhice nos remete à morte e as alegrias dos bons momentosetapa da vida que é a velhice. Em constatamos o medo que certos lembrados.reunião, tentamos refletir sobre a idosos sentem, principalmente ao Ao refletir sobre esse fato,nossa relação com a velhice. anoitecer. Percebemos também pensamos que quando pessoas como nós, cuidadores, têm um espaço de carinho,Breve relato: precisamos lidar com esse acolhida e participação, quando se tornam confiantes e seguras Lembramos do Padre por se sentirem amparadas, elasSabino que nos dizia que têm maiores condições detrabalhávamos antes de tudo, “ A velhice é repensar (reconstruir) o seu pas-com pessoas, com gente cuja somente a sado de forma mais leve.trajetória de vida os fez chegar à Pensando a própria velhice,velhice. Trabalhamos com continuação de os idosos acreditam que é umcidadãos de direitos. uma vida que privilégio ter se chegado a essa O nosso trabalho visa ao idade, mesmo se, às vezes,bem estar do idoso, queremos durou, ela é a vida queriam poder voltar no tempo.que ele possa continuar no que toda” Comentam sobre os aspectosgosta e no que quer na medida do difíceis da velhice, como aspossível. limitações e perdas de toda A equipe se coloca como ordem que chegam com maiorsensível às necessidades do intensidade nessa fase.idoso, tentando atender suas precisamos lidar com esse Os idosos lembram odemandas numa troca de sentimento. quanto as alegrias e o sofri-mentorelações (pensar o idoso como Sentimos às vezes o desejo da vida fizeram deles o que sãosujeito). O nosso trabalho está de ver uma vida se terminar por hoje. Relatam a impor-tância dastodo voltado para que o idoso ter se tornada difícil e sofrida. Um relações de afeto e carinhopossa ter uma vida digna e plena. desejo que nos remete ao colocadas como indis-pensáveis As dificuldades que en- sentimento de compaixão, de para se viver bem.contramos ao lidar com a velhice querer saber o outro em paz. Segundo toda equipe doé, às vezes, o descompasso que 10 anos de história permite Espaço Solidário: A velhice éexiste entre os desejos de inde- fazer algumas consta-tações: somente a continuação de umapendência e as possibilidades Moradores do Espaço vida que durou, ela é a vida toda.reais que têm certos idosos. Fa-to Solidário que vieram amargos, É a vida inteira! Feita de expe-que faz com que os cuidados contando histórias de vida duras riências positivas e negativas quesejam interpretados como e sofridas, passaram ao longo do muito ensinaram.imposição ou autoritarismo. tempo de convivência, a fazer Observou-se que por ser uma leitura mais positiva, maisuma fase perto do fim da vida, a otimista do seu passado,velhice nos remete à morte e relatando, aos poucos, também ESPAÇO EM AÇÃO - 2011 07
  10. 10. CAPA: Espaço SolidárioA o pensar os 10 anos do Espaço Solidário, casaque ampara a velhice,imaginamos resgatar ascasas que abrigaramtoda a trajetória de vidados idosos. Acabamos nosencantando com osrelatos dos idosos sobreas casas de suainfância. E foi ao longodas conversas quesurgiu a ideia de cons-truir um marco quepudesse fazer a ponteentre passado e pre-sente. “(Re) construímosjuntos em mutirão a casada nossa infân-cia!” Ela devia ser detaipa, com um teto depalha, porta e janela. Muitos idosos vi-giaram a construção,alguns pisaram o barro!Discutimos o que nãopodia faltar na casa! Aqui está ela! “Acasa da nossa infânciadentro da casa da nos-sa velhice! Símbolo denossa raiz e identida-de.” Foto: Luiz Marinho Fecha –se o ciclo! 08 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  11. 11. CAPA: Espaço Solidário As casas que habitam nossas lembranças e coraçõesde vara ou madeira com um col- saco bem limpo. cer ou num buraco a céu aberto,chão (feito de junco) e um penico de Atrás das casas, tinha sem-pre feito no fundo do quintal, prote-gidobarro ou de ágata, debaixo da cama. uma latada (puxado coberto com apenas por alguns pedaços deHavia também um cabide de parede palhas de coqueiro, sobre duas madeira para a acomodação depara pendurar as rou-pas em uso e forquilhas e três linhas) feita para quem precisasse usar.uma mala grande ou um baú de proteger o jirau de varas onde se Na maioria das casas, cos-madeira, para as roupas limpas e lavava toda a louça, numa bacia de tumavam criar um cachorro vira-reservadas para as ocasiões alumínio ou aguidá² de barro. Um lata, que era como da família. Estedistintas (feira, missa ou festa). E torno (uma espécie de suporte de ajudava nas caçadas e tomavaem algumas casas, quando suas madeira enfiado na parede) para conta da casa, dando conta dedonas eram mais vaidosas, o baú pendurar todo tipo de tralha (corda, quem chegava ou saía. Geralmen-servia para guar-dar os enfeites e arreios, cangalha...). A jarra com te, tinham nomes de peixescuidados femini-nos, tais como água para lavar a louça da casa e os (Tubarão, Tainha, Baleia), salvobrincos, trancelim¹, pulseira pés de todos, antes de dormir. apenas Duke para os machos e(folheados a ouro, vindos do O banheiro – quando tinha – Tuninha para as fêmeas.Juazeiro e Canindé), colar e era de palhas de coqueiro no meio do “Na casa de nossa infância”diadema. E também vaselina Zezé, quintal. Em algumas casas, era uma pouco se brincava. Nestas aságua de cheiro, baton, ruge e pó de brincadeiras aconteciam junto comarroz (tudo comprado na feira) para as obrigações. No roçado, ajudandoo embelezamento das patroas o pai no cuidado da la-voura, na(como os homens se refe-riam as mata, juntando a lenha para fazer ossuas mulheres respei-tosamente) e “ Cheirava a barro feixes, no rio ou ca-cimba,das mocinhas. buscando água para abas-tecer os O último vão da casa era a molhado no inverno, potes e jarras da casa. Dormia-se ecozinha e um reservado, uma es- quando chovia; a flor acordava-se cedo, daí não se tinhapécie de despensa, munida de um tempo para brin-cadeiras. Salvojirau pendurado no teto para guar- de Benedita, quando se ia a alguma quermessedar a mistura (todo e qualquer tipo maracujá e jasmim ou para um grupo escolar da cidadede carnes). Nesta se achava o fo- em que se morava (o que só algunsgão, que quando não era no chão, na primavera ” puderam frequentar).feito com três pedras e uma trem-peem cima para por as panelas de O cheiro da nossa infânciabarro, era feito em cima de um jirau Ponde podia se colocar até três bocas ara finalizar, lembraram-secom trempes. Embaixo destes era uma peça única (um retângulo ou do cheiro “da casa de nossaguardava-se a lenha para o uso um quadrado também de chão de infância”. Cheirava a barrodiário. A lenha para abastecer o fogo areia onde se colocava madeira ou molhado no inverno, quando chovia;era pega no mato. Os pais iam para então algumas pedras que resolviam a flor de Benedita, maracu-já eas matas, cortavam a lenha com o problema); em outras, era dividido jasmim na primavera; a chá defoice e transportavam-na em feixe em duas partes. Uma para o banho, alecrim, capim santo, louro e ci-sobre a cabeça, em carroça ou no onde eram coloca-dos uma jarra e dreira no outono; a mangaba,lombo dos burros (jegue), arrumado um caneco e, na outra, uma latrina maçaranduba, canjarana, araçá,nos cambitos. Os mantimentos (espécie de bojo sanitário feito de manga, goiti, jaca e cambuí no ve-menos perecíveis eram guardados barro). Esta era a realidade das rão; a mingau de araruta, ave denum caixote amarrado com corda ou casas mais urbanas. Nas casas do arribação, nambu e piaba assada nacom peia de couro, e o cadeado era i n t e r i o r, p r i n c i p a l - m e n t e a s brasa, galinha caipira torrada naum nó. A louça de barro ou de ágata ribeirinhas, o banho acon-tecia no rio panela de barro, feijão verde comera acomodada numa tábua grande ou lagoa, onde também era lavada maxixe e coentro cozido na água edo lado oposto, um pouco acima do toda a roupa da casa. E quando não no sal, café torrado no caco, cocadafogão, ao alcance da mão. E um existia latrina, as necessidades eram e bala de coco em todas aspote com água limpa para beber e feitas no mato, durante o dia, e, à estações...cozinhar, coberto com um pano de noite, num pinico de barro ou ágatasaco bem limpo. cujos dejetos se atiravam no mato, Atrás das casas, tinha logo ao amanhe-cer ou num buraco asempre uma latada (puxado coberto¹Trancinha. Fio ou cordão delgado de ouro.²Alguidar: vasilha de barro ou metal, rasa, em forma de tronco ou cone invertido, muito usada em cerimônias religiosas de origem africana. 10 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  12. 12. Foto: Adriano CostaESPAÇO EM AÇÃO - 2011 11
  13. 13. CAPA: Espaço Solidário| relato da equipeN ós, da equipe do Espaço sos. Todos nós colocamos que Solidário, refletimos, em aprendemos a enfrentar e lutar reuniões, sobre o legado pela vida com toda sua dificulda-dos idosos para a nossa forma-ção de. Que não devemos nos abater ehumana. que, mesmo com toda a adver- Alguns falam da admiração sidade, temos que compartilhar oque sentem por certos idosos que temos de bom com as outrasquando observam a vontade que pessoas. Aprendemos a ter maiseles têm de viver. Às vezes, mes- paciência com as debilidades dosmo muito debilitados, curtem mo- outros, a ter mais paciênciamentos como um banho, um conosco também.simples pentear de cabelo, um A nossa convivência com oscheiro de comida, uma demons- idosos alargou nossa percepçãotração de carinho, superando as- da vida, aprendemos a nos alegrarsim limitações. mais. Outros falam da agressi- Somos muito gratos a cadavidade de certos idosos, forma de um dos idosos pela contribuição aexpressão que motivou a equipe a nossa formação humana.aprender a interagir sem medo ecom respeito. Temos certa satisfação ao Nossos desafiosver idosos que não aceitam tudo e Orevidam quando se sentem agre-didos. Gostamos de ver idosos s desafios são muitos, poisbuscando ao máximo sua inde- manter a Casa na direçãopendência, mesmo com importan- que pretendemos, exigetes dificuldades visuais. dedicação permanente. Gostamos de ver idosas que O Espaço Solidário, comdividem com outros o que têm de seus inúmeros atores (equipe,melhor (poesia, cordel, canto, idosos, colaboradores variados,receita, mas também carinho, comunidade, etc.), vive em relaçãopreocupação, cuidado...) permanente com a diversidade A relação com os idosos da humana em todos os seuscasa é tão intensa que há momen- espaços. Nós não queremostos em que não sabemos se so- somente aprender a tolerância emos nós que cuidamos deles ou se respeitar as diferenças, queremos:são eles que cuidam de nós. Incorporar as diferenças, Quando temos dificuldades fazer delas novas possibilidadesem lidar com um idoso, tentamos para que possamos crescer natransformar a experiência negati- diversidade, pois segundova em aprendizagem. Taramarca (2005), é somente na Muito se poderia dizer so-bre diversidade que se constrói ao que aprendemos com os ido-sos. nossa humanidade!To d o s n ó s c o l o c a m o s q u e 12 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  14. 14. ESPAÇO EM AÇÃO - 2011 13
  15. 15. VELHICE EM VERSOSPoemasUm lugar bom de viver Um lindo cantinho O Dia do Idoso Uma mãe macho| ALUNOS DA CASA CRESCER | ALUNOS DA CASA CRESCER | Mª de Lourdes C. da Silva | Mª de Lourdes C. da Silva Giovanna Michele Santos, 13 anos Francisco Bartolomeu Lopes, 14 anos Jonathan Cardoso Ferreira, 13 anos Leandro José do Nascimento, 14 anos Peço ao Espírito Santo Sayonara Gomes da Silva, 14 anos Marcel Mendes, 14 anos Thiago Alexandre, 15 anos Como é boa a nossa velhice Ele me dá guia e luz Na nossa terceira idade Com a força de Jesus Ajudar no meu trabalho Depois de coroa achadaO Espaço Solidário O bem eu procuro e acho Com essa vida avançada Os filhos pra mãe é tudoSe encontra em Mãe Luiza Nos dias de hoje Para nós elas fazem festa Só penso no seu futuroFundado em 2001 Os idosos têm que merecer Foi embora todo estresse Porque sou uma mãe machoPara abrigar nossa bisa Um lindo cantinho Nós sentimos mais segurança Para se fortalecer Pra chegar lá não tem pressa Onze filhos pra criarLá vivem muitos idosos Pelo o pai abandonadosPorém alguns não moram lá Esse cantinho tem coisas A mãe estava presente Vivendo sempre ao seu ladoAlguns passam o dia Para se admirar As vezes eu falava altoE sua família vão lhes buscar Piscina e um jardim Como foi bom este estatuto Era o meu desabafo E amigos a encantar O idoso vive melhor Exausta e com sofrimentoO ambiente é muito rico Francisca já fez 80 Sempre sendo uma mãe machoFresco e arejado Os idosos à espera É uma tataravó Gosta de viajar só Eu faço o que estou dizendoPois de natureza De amigos, familiar E digo o que estou fazendoEle está rodeado No pátio do Espaço É lúcida que admira Dá inveja pra família Filho tu siga meus passos A conversar e descansar Sempre o que prometo eu faço Como é forte a minha avóSua comida é variada Digo a Deus muito abrigadoPeixe, frango ou carne Essa imagem Nós nunca passamos fomeassada Também nunca fomos errado Nos chamou muita atenção Porque sou uma mãe machoFeita com carinho Ao irmos visitar Viva nós da terceira idadePelas pessoas da casa Essa instituição Viva quem criou esse dia Ô meu Deus muito obrigado Viva a nós de Mãe Luiza Por tudo que tens nos dadoUm lugar bom de viver Chama-se Espaço Solidário Vivendo com alegria Por Jesus fomos criadoE também de se morar Esse grande coração Os filhos podem entender Viva nossa superiora E toda hora agradecerOs idosos passam boa parte Um cantinho especial Muita paz pra elas todas A Lourdes que estava ao ladodo tempo Na nossa memória e na do Deus anda em nossa guia O melhor que eles merecemNo pátio a descansar ancião. Será que somos vencedoras? Porque tem uma mãe machoCom a Altura da Idade a Casa se Acrescenta| Fernando Echevarría, in “Figuras” Foto: Adriano CostaCom a altura da idade a casa se acrescenta.Não é que aumente a quantidade ao espaço.Mas, sendo mais longínquos, o desapego pensamaior distância quando se fica a olhá-lo.Ou, se quiserem, uma realezase instala à volta dessa altura de anos,de forma a que os objectos apareçamna luz de quase já nem os amarmos.Então a casa distende-se na intensainteligência de estarmosa ver as coisas amarem-se a si mesmas.Ou com a forma a difundir seu espaço. FOTO: http://www.babelmatrix.org/works/hu/Echevarr%C3%ADa,_Fernando 14 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  16. 16. CordelAlice de nossas vidas A comadre não sabia Um detalhe importante: No exercito brasileiro Procurou o capitão A marinha brasileira Não gostou do visual| Wilson Palá O danado do peru Pedindo-lhe sem rodeio Remanejou as famílias Mancava a todo instante A ordem de permissão Do habitat natural E a sua perna torta Para poder se mudar Vindo pra Mãe LuizaEm mil novecentos e trinta Era a prova relevante. Usando o caminhão. Como destino final.Alice Palá nasceu.Eram 04 de agosto A perna do tal peru E no dia combinado Alice comprou uma casaQuanto o fato aconteceu. Já estava enterrada E como foi prometido Com a indenização.Nas terras de Goianinha Misturada com as penas A gurizada embarcou Da beira do mar saiuEssa menina cresceu. Num buraco na estrada. Pro destino decidido Não por sua decisão. Alice, porém provou Sabendo que em Natal E veio subir o morroUma criança sapeca, Que a comadre foi a ladra. Nada estava garantido. Pra completar a missão.Resolvida e animadaFalava com todo mundo, E da sua esperteza Na praia de areia preta A entrada em Mãe LuizaNão tinha medo de nada Zé Bernardo já sabia Chegou a família inteira Foi um tanto triunfalE quando moça, mostrava Pois vivia a visitá-la Construíram um casebre Parecia comitivaQue era determinada. No local de moradia Em uma vila praieira De um dia especial Sendo o Zé bonitinho Feito de vara e barro Treze filhos era o legadoDe exemplo, vou contar: Seu companheiro e guia. E pedaços de madeira. Daquele jovem casal.Quando sua mãe, Chiquinha,Sentiu falta de um peru Zé Bonitinho ficou E bem na praia do pinto No bairro de Mãe LuizaSó duvidou da vizinha Por Alice apaixonado. Ergueram o novo lar Wilton, porém chegouMas não podia provar Quando ia visitá-la Zé Bernardo já estava Fechando a procriaçãoA certeza ela não tinha. Levava José de lado No instituto a trabalhar Daquela mãe que gerou E o coração de Alice Ajudando o pedreiro Catorze filhos legítimosQuando que D. Alice Por José foi despertado. Erguer o museu do mar. Onde só um não vingou.Com a sua espertezaFoi procurar no lixo Casaram em quarenta e nove Alice dentro de casa Zé Bernardo e AlicePara provar com certeza Começando a nova vida. Cuidava dos seus rebentos: Com muita simplicidadeQue a comadre vizinha Com poucos bens e recursos Em primeiro a saúde; Ajudaram a construirEstava com safadeza. E só a certeza da ida Segundo o alimento Partes da sociedade Pra uma nova geração Em seguida ela insistia Com 82 parentes Ainda não concebida. Buscar o conhecimento. Com suas diversidades. Os primeiros nove filhos Nessa rotina diária Nasceram 14 filhos, Nasceram em Goianinha: Tentavam sobreviver. 33 netos geraram Severino, Lourdes e Neco, A família ia crescendo 28 os bisnetos Dorinha, Cacau e Sinha, Com vontade de viver. Logo se apresentaram Lindalva, Lúcia e Peta No bairro de Areia Preta E 07 tataranetos Formavam a primeira linha. 04 filhos iam crescer. As gerações completaram. No ano sessenta e cinco Veio Manoel Maria Alice determinou O destino era Natal. Chamado de Severino. Até as forças perder Foram quase retirantes Logo depois vem Antonio E a cada um que gerou Em busca da capital Fuçando o seu destino Nunca deixou de atender Para melhorar de vida E Betinha aparece Até o último dia Como meta principal. Com o lado feminino. Que veio a falecer. Zé Bernardo vem na frente Inda da praia do pinto Em 21 de agosto Pro trabalho garantir. Wilson vem encarnar Desse ano corrente A família ficou lá Foi o último a nascer D. Alice desencarna Sem como poder partir. Naquele belo lugar Frágil mas consciente Alice bem decidida De dunas altas e brancasAlice Palá de Souza A solução foi provir. Entre a mata e o mar. Dizendo no seu olhar Que sempre estará presente.04/08/1930 - 21/08/2011 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011 15
  17. 17. FATOS E FOTOS RASTROS DE Conhecendo o Parque da Cidade Na praia da Redinha “velha” Visita ao Parque das Dunas16 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  18. 18. CONVIVÊNCIA Iate Clube Natal Reunião semanal no Espaço Solidário Apreciando a vista no Norte Shopping ESPAÇO EM AÇÃO - 2011 17
  19. 19. FATOS E FOTOS RASTROS DE Vista do Iate Clube Passeio em Ponta Negra Aquário de Natal em Santa Rita18 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  20. 20. CONVIVÊNCIA Mirante da Redinha Pôr-do-sol na Pedra do Rosário Entardecer no Potengi ESPAÇO EM AÇÃO - 2011 19
  21. 21. GENTE DO ESPAÇOParafraseando o quadro de entrevistas Gente do Morro, presente no jornal Fala Mãe Luiza,periódico de responsabilidade do Centro Sócio que também compartilhou com a comunidadeesses 10 anos de Espaço Solidário, apresentamos o Gente do Espaço. Emprestamos do Faladuas entrevistas, uma de Maria da Conceição Varela, já falecida, e outra de Jovelina da Silva,80. Ambas moradoras do centro de convivência compartilharam conosco suas experiênciasde vida e vivência comunitária.“Eu nasci na era 18 no dia de Nossa lá bem mocinha... Sempre gostei muito de com menino nos braços logo cedo. Acho que aSenhora. Já sabe o dia, não é?” É a resposta criança. Quando morei no Rio de Janeiro bagunça nas ruas é maior, tem muita genteque dona Nenê tem pra quem deseja saber trabalhei numa creche uns nove meses e lá me fazendo besteira a noite na rua. Mas o povosuas origens. Maria da Conceição Varela, perguntaram. – Você prefere cuidar de nênia ou hoje é mais sabido.conhecida como Nenê desde criança, tem 82 menino? Aí eu respondi: – O que vier eu tomoanos. Ela nasceu em Pedro Velho-RN, mas conta! A freira chefe riu e disse: – Ah! Você é dasmorou em Várzea e Nova Cruz, também na terras de Lampião, por isso é tão valente! É... Futuroregião Agreste. quem chegava lá no sul, vindo do Norte eraApesar de muita lucidez, ela não tem certeza chamado assim. Perdi minha mãe cedo, eu não MVC: É ter confiança em Deus e trabalhar quede quando veio morar em Mãe Luíza, conta me lembro dela, sei que chamava-se Joana e a gente vence. Hoje é tudo mais fácil. Quandoque morou na Rua Oeste, no Alecrim e de morreu de parto no 25º filho. Eu sou uma das eu era criança a gente tinha que plantar eacordo com as contas, faz mais de 30 anos derradeiras e fui criada por 3 gênios, primeiro arrancar batata, milho, arroz e feijão na roça, eque está em Mãe Luiza, na casa que divide pelo irmão mais velho, Severino, bebia e batia a gente via onça pintada bem pertinho...com o sobrinho Eduardo – 38 anos, o qual na gente, depois por Pedro (irmão) e por último naquele tempo não tinha nem energia elétrica.cuida desde os quatro meses de idade. por Chico que era Cabo da Polícia. Uma vez estava com meus irmãos assandoCom muito bom humor ela cativa todos que a Nunca fui à escola e as rimas que sei foi meu castanha e brincando no mato, aí o fogo tomouvisitam contando suas histórias da juventude irmão Pedro que lia pra mim e eu decorei. Ele conta de um canavial, saímos correndojunto aos irmãos e nas casas onde trabalhou. aprendeu a ler com mamãe. aperreados e um dos irmãos nem foi pra casa,Além dos serviços domésticos fazia mandado, fugiu com medo de apanhar. O dono das canas foi lá em casa reclamar a papai, que lhelevava encomendas. ”Eu gostava de sair, Deus respondeu: - Agora já queimou, o senhorandava ligeiro, num instante eu ia e voltava.”Há cerca de um ano, depois de sofrer uma manda cortar e levar pra o engenho e ta MVC: Deus é tudo, é meu pai, é tudo... Uma resolvido. Dessa vez a gente não apanhou.queda D. Nenê sente dificuldades para andar, ocasião estava numa casa de pessoas crentesporque uma perna ainda dói muito, mas Mas eu sempre fui muito medonha. fazendo aquela ladainha. Eles me cercaram pramovimenta-se dentro de casa com a ajuda de tentar me converter e aceitar Jesus, ai eu dissealguém. D. Nenê passa a maior parte do tempo bem atrevida, empurrando eles... – Chega pra sentada. Segundo ela sua maior distração lá, eu estou aqui porque Jesus consentiu que eu atualmente é contar histórias.As histórias viesse, se ele não quisesse eu não existia! MVC: “Me distraio assim, contando história,MCV: Ah! Tem tantas... mas vou contar passo mais o tempo. Sou aposentada, nãoumas... Eu trabalhei 16 anos na casa de uma Os dias atuais faço quase nada... mas já trabalhei muito emfamília muito conhecida aqui, os Farache. casa de gente grande, como os Alves, MarinhoCheguei lá pra ser babá, depois a cozinheira MVC: De uns tempos pra cá tudo mudou, as meninas hoje crescem mais rápido e é tudo com e Farache... mas hoje eles nem dão conta dafoi embora, ai eu fiquei cozinhando. Cheguei lá gente.”bem mocinha... Sempre gostei muito de menino nos braços logo cedo. Acho que acriança. Quando morei no Rio de Janeiro bagunça nas ruas é maior, tem muita gentetrabalhei numa creche uns nove meses e lá me fazendo besteira a noite na rua. Mas o povo hoje Conceição Varela 20 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  22. 22. Jovelina Severiano da Silva, 77, Cacimba do Pinto na praia para buscar Melhoriasconhe-cida na comunidade como “Maria água doce. Eu vinha com duas latas de água no lombo ou trazia nos barris em “Depois de muito tempo, quando jáBala-bá”, moradora do Espaço Solidário, cima de um burro, ficávamos lá até as havia chegado muita gente por aqui,fala sobre a sua caminhada no processo dez horas da noite. Quando chegava colocaram uma caixa dágua e maisde construção do bairro. em casa bebia, dava ao burrinho, tarde a luz elétrica. Então, começou a tomávamos banho e então, botava o melhorar por que foram botando animal para dormir”. escola, igreja e o posto. Não tem um péChegada “Eu vendia água para o povo que vivia de castanholas perto do posto da morrendo de sede. Uma carga de água Guanabara? Fui eu que plantei”.“Eu vim da minha terra (Picuí/PB) pra cá valia dois mirreis, e não era só eu que “Hoje apesar de ter muita gente queem 1942, só tinha mato e dois barracos vendia não, tinha outras pessoas que já não presta, Mãe Luiza é bom e melhorde palha. Na época não tinha posto de morreram como Galego, Geraldo e do que antes. Eu tenho um filho esaúde, escola, energia elétrica e nem Miguel. Vendia muita água, e foi com netos, quero que eles trabalhem e todoágua encanada. As casas eram muito dia encomendo eles a Deus”. esse dinheiro que eu fiz uma casinha.distantes, era só a mata virgem. A casa Também tinha seu Zé Verdureiro queque eu morei onde hoje é a Atalaia é a BATE-BOLA ainda está vivo, o povo chamava elecasa de “Galego” que foi amigo do meu assim porque ele vendia verdura”.marido”. AMOR:“Luiza era a moradora mais velha, ela “Quando alguém adoecia ia para o Casamentocriava cabra e morava perto da Cacimba Hospital dos Pescadores na Ribeira, lá ALEGRIA:do Pinto, fazia os partos das mulheres da também pegávamos o remédio, se não Trabalharépoca. Era uma pessoa muito boa, por tivesse a gente usava remédio caseiro. PASSADO: Eu sei fazer remédio caseiro. Durante a Viagem a Brasíliaisso aqui se chama Mãe Luiza”. CONQUISTA: noite era tudo escuro, não tinha luz Ser conhecida no bairroLuta e resistência elétrica. Na época não tinha segurança PRESENTE: nem soldado, mas tinha o juizado de É bom“A maior dificuldade sempre foi menores que vinha pegar as crianças TRISTEZA:conseguir água. Nós íamos até a que ficavam pela rua”. A morte de minha irmãCacimba do Pinto na praia para buscar CANTINHO BOM: Melhorias Espaço Solidárioágua doce. Eu vinha com duas latas de Jovelina Severiano ESPAÇO EM AÇÃO - 2011 21
  23. 23. VISÕES SOBRE O ESPAÇO Descortinando a Convivência | Luiz Marinho Júnior “Deixa de manha de noite e de dia, toda criança diz que tudo é seu Hei, menino! Hei, menina! Larga disso, lagartixa Que nessa ciranda o mundo inteiro é meu, é seu, é meu, é seu...” Palavra cantadaR efletir sobre a velhice junto com as crianças e adolescentes da Casa Crescer e da Escola Espaço Livre, está sendo um transpor de estereótipos, um quebrar de paradigmas construídos por nossa sociedade altamente focada na ilusão da juventude eterna.Promover esse debate e troca de experiências, contribuirá sem dúvidas para a construção de umnovo olhar e percepção por parte dessa geração que já percebemos mais aberta ao diferente. Ao longo desses dez anos de Espaço Solidário, vários foram os momentos em que asescolas se fizeram presentes no convívio dos idosos. Seja em saraus preparados especialmentepelas crianças com mamulengos, poesias e músicas, apresentados no pátio do Espaço Solidário,ou em visitas dos próprios idosos a Casa durante os festejos juninos, aberturas das olimpíadas emostras culturais, esse relacionamento se estreita e fortalece laços. Transformar conceitos, repensar, não é algo fácil. Em certa discussão, percebemos que aidéia de um abrigo de idosos ainda assusta muitos dos nossos jovens. Para alguns, esses locaisseriam espaços de abandono, lugar de morte e esquecimento. Contudo, após uma longa visita asdependências do Espaço Solidário e conhecimento de sua rotina, várias percepções mudaram. “Gostei de conhecer o Espaço Solidário.limpo, agradável e bem organizado. Quero morar láquando for idoso. É um lugar de paz e muito amor”.Carlos Eduardo Bezerra, 13, aluno da CasaCrescer. Para a Casa Crescer e Escola Espaço Livre,não basta discutir ou visualizar o idoso como algodistante da realidade jovem. É preciso oportunizaresse encontro. Promover as sensações visuais,táteis e auditivas. Descortinar uma convivência quese faz necessária. Afinal, os índices mostrados peloIBGE demonstram que a população idosa no Brasilsó aumenta, e em Mãe Luiza não é diferente.Aprender a encarar a velhice, na atualidade, comoparte constituinte de um ciclo de vida deve ser algonatural e dialético. Ter feito parte desses 10 anos de EspaçoSolidário nos deixa muito orgulhosos, pois sentimosfazer parte dessa grande construção humanadesenvolvida pelo Centro Sócio em busca de umacomunidade mais digna e igualitária em todos os Ilustração produzida por Ivo Gabriel, 6, alunosentidos. da Escola Espaço Livre. 22 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  24. 24. ESPAÇO & CIAAmigos & Parceiros Como falar do Espaço Solidário sem lembrar da equipe, amigos e parceiros? N ossa equipe é uma turma dedicada e comprometida que ao longo dos anos vêm THE AMEROPA FOUNDATION crescendo e se aperfeiçoando. Participou ativamente da construção do Espaço Solidário, refletindo e repensando suas práticas, procurando se apropriar BASEL - SUIÇA melhor das questões do envelhecimento. Um grupo que busca superar suas limitações no cotidiano e sem o qual não seria possível uma comemoração tão bonita e significativa. Lembramos das famílias que apóiam, questionam e se fazem presente nos cuidados com os idosos. Pensamos com carinho em seu Martins (Marcos Antonio Martins) que há anos trabalha como voluntário consertando quase que semanalmente nossas “cansadas” máquinas de lavar, em dona Dadá (Idalina Leite da Silva) e dona Hilda (Hilda C. da Silva) costureiras da comunidade que ajustam, costuram e transformam as roupas dos idosos e em Neide (Edneide Batista de Lima) que confecciona os bolos (diet e ligth) deliciosos e lindos das nossas festas. Não podemos esquecer Iracy Garcia, que durante vários anos cuidou das idosas da comunidade com exercícios e alongamento, de Iara Lopes que alegrava as nossas reuniões semanais e da profª Maria do Socorro Nunes que promove até hoje ensaios para embelezar nossas festas Como seria o Espaço Solidário sem os nossos médicos que nos acompanham há tanto tempo: Dr. Ion Andrade, Dr. Francisco de Assis, Dra Fátima Jorge, Dr. Hilton Vilas Bôas, Dr. Iedson Marques do Nascimento, Dr. João Luiz Câmara da Silva, Dra Lígia Cerqueira, Dra Denise Dantas e, mais recentemente, Dra Lucia Milena Coelho, Dra Célia Maria de Souza, e Dra Regina Maria Oliveira de Miranda, nos dando segurança e tranquilidade para lidar com a saúde do nosso idoso. Association des Recordamos com carinho da família de dona Crinaura Cavalcanti, e da família Amis de Mãe Luiza Suisse do Dr. Álvaro Pires, sempre por perto, atentos às nossas necessidades, Grupo de Oração Peregrinas de Nossa Senhora na pessoa de Nina Rosa Câmara de Macedo com os bingos anuais que já ajudaram tanto o Espaço Solidário com portas novas, colchões, ventiladores, e recentemente, as calhas. Somos gratos a Rede Mais DaTerra na pessoa de Eugênio Pacelli de Medeiros que diariamente, há anos, vem deixar o nosso pão de cada dia e a Kitanda do Lucas na pessoa de Luiz Antonio Bentes que também vem deixar semanalmente frutas e verduras de qualidade! Agradecemos as inúmeras pessoas anônimas que vêm deixar pão, fraldas, cestas básicas, produtos de higiene pessoal, dentre outros, apoiando o trabalho e atendendo concretamente as necessidades da casa e a Margarida Maria Medeiros que presenteie sempre os idosos com colônias e perfumes. Que bom que nos fins de semana diversos grupos religiosos e outros vêm viver e compartilhar momentos com os idosos do Espaço Solidário! E os nossos convênios e parcerias com as Universidades FARN (Faculdade para Desenvolvimento do Rio Grande do Norte), UNP (Universidade Potiguar) e UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, além do IFRN (Instituto Federal do Rio Grande do Norte), que contribuem de muitas maneiras, inclusive com estudantes de fisioterapia e enfermagem, interagindo de maneira positiva com os idosos. Lembramos também da nossa parceria com a Prefeitura Municipal do Natal, pois o Espaço Solidário está prestando serviço de proteção social especial de alta complexidade, sendo reconhecido como política de assistência na modalidade de serviço de acolhimento institucional. E os nosso amigos da Suíça, Alemanha e Itália. Quantos jovens e adultos já passaram em Mãe Luiza se encantando e deixando suas marcas? Ao longo de toda trajetória do Centro Sócio Pastoral se juntaram a nós contribuindo ativamente na concretização dos nossos sonhos, colaborando na construção de um mundo mais justo, mais humano. ESPAÇO EM AÇÃO - 2011 23
  25. 25. DESPEDIDA A casa que abriga| Loyse de Andrade A NOSSA VELHICEE m várias reuniões, refletimos sobre o significado que o Espaço Solidário tem para todos nós, tanto os moradores quanto para os que aqui passam o dia. Vimos o quanto gostamos desta casa, dos idosospresentes e de todos que aqui trabalham. Alguns, de nós, falaram que não tinham mais comocontinuar morando sozinhos. Outros, que estavam doentes e quenão tinham ninguém que pudesse cuidar deles. Comentamos: “aqui é melhor que lá na minha casa!” Falamos da comida e do tratamento. “Quando mechamam para tomar banho, eu saio toda cheirosa, perfumada e apele toda encerada!” comentou Vivência. Seu José conta: “É o seguinte, ela (a casa) está na vida dagente. Eu vivia andando pra lá e pra cá, aqui eu descanso aspernas.” Para a maioria de nós, pensamos o Espaço Solidáriocomo sendo nossa casa. Foi aqui, que encontramos carinho e apoio. Outros, que passam o dia no ES, dizem ter duas casas, epara um Damião, o Espaço é melhor, porque ele não briga comninguém. Carmelita comenta que quando vê a Kombi chegarpassando para pegá-la, já fica feliz. Ao nos perguntarmos: Essa é a casa da nossa velhice?Rita respondeu: “aqui é muito bom, mas eu vou levando a vida,deixando a velhice pra lá ! Não penso na velhice.” Lurdes relata: “cheguei morrendo e estou viva!” Jorge, olhando para todos nós, disse: “a velhice está aqui!Um andando, outro caindo e a gente vai vivendo! A gente se senteno meio de uma família!” José Carvalho brinca: “não me sinto velho, sou um garotousado!” Claro que falamos de nossas desavenças, das brigasentre nós e com a equipe, do nosso sofrimento de, às vezes, nãopoder fazer as coisas sozinhos. Falamos também que a casa nem sempre corresponde àsnossas expectativas. Alguns queriam que se fizesse mais para sepoder voltar a andar, para se poder comer o que se quer, semsempre pensar em dieta! Ao passar esses anos todos compartilhando arealidade da casa, podemos dizer que aos poucos a casa foientrando “na vida da gente.” Hoje muitos entre nós apercebemos como nossa. Quando se fala que o Espaço Solidário é a casa aondeterminaremos os nossos dias, comentamos que preferimos ver acasa como sendo um espaço de celebração da vida. Peçamos a Deus para abençoar a todos nós. 24 ESPAÇO EM AÇÃO - 2011
  26. 26. Foto: Adriano Costa Mural grafitado por Carlos Augusto da Silva Dantaspara a área verde do Espaço Solidário.

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