Becky  Bloom e ilustrações de Pascal Biet. 
Um Lobo Culto. 2ª edição. Ambar 
Depois de caminhar durante 
muitos dias, um Lobo 
chegou a uma pequena 
cidade. 
Estava cansado e com fome, 
doíam-lhe os ...
O lobo nunca tinha visto 
animais lendo. “Os meus 
olhos estão a pregar-me 
uma peça”, pensou. 
Mas, como tinha muita 
fom...
Aaa-OOOOO-ooo!
As galinhas e os coelhos fugiram a correr,
mas o Pato, o Porco e a Vaca não se
mexeram.
— Que chinfrim é este? — resmungou...
"Animais educados... animais
educados!", dizia ele com os seus
botões. "Nunca vi nada igual.
Muito bem! Vou também
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Muito satisfeito, o Lobo
voltou à quinta e saltou a
cerca. "Vão já ver”, pensou.
Abriu o livro e começou a ler:
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O lobo saltou outra vez a cerca e correu…
direto à biblioteca. Estudou muito, leu montes
de livros poeirentos e treinou at...
— Pára com a ladainha — interrompeu o
Pato.
— Já melhoraste — disse o Porco — mas
ainda tens de trabalhar a entoação.
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O seu Primeiro Livro!
Ia lê-lo dia e noite, letra
por letra e linha por
linha. Havia de conseguir
ler tão bem que os
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Lia cheio de confiança e
entusiasmo e o Porco, a
Vaca e o Pato escutavam
sem dizer uma palavra.
Assim que ele acabava
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— Isto é demais! — exclamou o Pato.
— É um mestre! — disse o Porco.
—por que é que não ficas a fazer um piquenique conosco...
— Podíamos tornar-nos
contadores de histórias —
lembrou a Vaca de repente.
— Podíamos viajar pelo mundo
a fora — acrescent...
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Um lobo culto

  1. 1. Becky  Bloom e ilustrações de Pascal Biet.  Um Lobo Culto. 2ª edição. Ambar 
  2. 2. Depois de caminhar durante  muitos dias, um Lobo  chegou a uma pequena  cidade.  Estava cansado e com fome,  doíam-lhe os pés e só lhe  restava algum dinheiro que  estava guardado para uma  emergência. Então, teve uma ideia: "Há  um sítio fora da cidade",  pensou. “Vou encontrar lá  alguma coisa para comer... Quando olhouou por cima  da cerca, viu um porco, um  pato e uma vaca. Estavam a  ler sentados ao sol.
  3. 3. O lobo nunca tinha visto  animais lendo. “Os meus  olhos estão a pregar-me  uma peça”, pensou.  Mas, como tinha muita  fome, não pensou mais no  assunto. Pôs-se muito direito,  respirou fundo... e  precipitou-se sobre os  animais soltando um  rugido:
  4. 4. Aaa-OOOOO-ooo!
  5. 5. As galinhas e os coelhos fugiram a correr, mas o Pato, o Porco e a Vaca não se mexeram. — Que chinfrim é este? — resmungou a Vaca. — Não consigo concentrar-me no livro. — Ignora-o — aconselhou o Pato. 0 Lobo não gostou de ser ignorado. — Qual é o seu problema? — perguntou o Lobo. — Não vêem que eu sou um grande lobo mau? — Não tenho dúvida nenhuma — respondeu o Porco. — Mas não poderias ir ser grande e mau em outro sítio? Nós estamos tentando ler. Este sítio é para animais educados. Sê um lobo bonzinho e vai-te embora — disse o Porco, empurrando-o. 0 Lobo nunca fora tratado daquela maneira.
  6. 6. "Animais educados... animais educados!", dizia ele com os seus botões. "Nunca vi nada igual. Muito bem! Vou também aprender a ler!" E lá foi ele para a escola. As crianças estranharam um pouco ter um lobo na sala de aula, mas, como não tentava comer ninguém, acabaram por se habituar à sua presença. 0 Lobo era estudioso e bem comportado e, depois de se esforçar muito, aprendeu a ler e a escrever. Daí a pouco era o melhor da turma.
  7. 7. Muito satisfeito, o Lobo voltou à quinta e saltou a cerca. "Vão já ver”, pensou. Abriu o livro e começou a ler: 0 Romeu deu a comida ao cão. — Ainda tens de comer muita batata — disse o Pato, sem mesmo se dar ao trabalho de levantar os olhos do livro. E o Porco, o Pato e a Vaca continuaram a ler os seus livros sem parecerem nada impressionados.
  8. 8. O lobo saltou outra vez a cerca e correu… direto à biblioteca. Estudou muito, leu montes de livros poeirentos e treinou até ser capaz de ler sem parar. “Agora já devo estar bom para eles”, disse para consigo. O Lobo caminhou até ao portão da quinta e bateu. “Isto vai impressioná-los, com toda a certeza”, pensou. O Lobo abriu o livro Os Três Porquinhos e começou a ler: Emtemposquejálávãohaviatrêsporquin hosUmdiaamãechamou-osedisse- lhes…
  9. 9. — Pára com a ladainha — interrompeu o Pato. — Já melhoraste — disse o Porco — mas ainda tens de trabalhar a entoação. O Lobo meteu o rabo entre as pernas e foi- se embora. Mas o Lobo não ia desistir. Contou o pouco dinheiro que lhe restava e foi à livraria onde comprou um belo livro de histórias.
  10. 10. O seu Primeiro Livro! Ia lê-lo dia e noite, letra por letra e linha por linha. Havia de conseguir ler tão bem que os animais da quinta não poderiam deixar de o admirar. — Ding-dong! — tocou a campainha do portão. Estendeu-se no chão, instalou-se confortavelmente, pegou no livro novo e começou a ler.
  11. 11. Lia cheio de confiança e entusiasmo e o Porco, a Vaca e o Pato escutavam sem dizer uma palavra. Assim que ele acabava uma história, o Porco, a Vaca e o Pato pediam ao Lobo que fizesse o favor de lhes ler mais uma. E o Lobo leu uma história atrás da outra. Tão depressa era um gênio a sair da lâmpada, como o Chapeuzinho Vermelho ou um pirata fanfarrão.
  12. 12. — Isto é demais! — exclamou o Pato. — É um mestre! — disse o Porco. —por que é que não ficas a fazer um piquenique conosco? — convidou a Vaca. E lá fizeram o piquenique, o Porco, a Vaca, o Pato e o Lobo. Estenderam-se na erva e passaram a tarde a contar histórias.
  13. 13. — Podíamos tornar-nos contadores de histórias — lembrou a Vaca de repente. — Podíamos viajar pelo mundo a fora — acrescentou o Pato. — Podemos começar já amanhã — disse o Porco. O Lobo esticou-se na erva. Estava feliz por ter aqueles amigos maravilhosos.

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