Setembro 2014

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Banco Central do Brasil - Relatório de Estabilidade setembro 2014

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Setembro 2014

  1. 1. Setembro 2014 Volume 13 | Número 2
  2. 2. Relatório de Estabilidade Financeira Setembro 2014 Volume 13 | Número 2 ISSN 2176-8102 CNPJ 00.038.166/0001-05 Relatório de Estabilidade Financeira Brasília v. 13 nº 2 set. 2014 p. 1-56
  3. 3. Relatório de Estabilidade Financeira Publicação semestral do Banco Central do Brasil (BCB) É permitida a reprodução das matérias, desde que mencionada a fonte: Relatório de Estabilidade Financeira, volume 13, nº 2. Eventuais divergências entre dados e totais ou variações percentuais são provenientes de arredondamentos. Não são citadas as fontes das tabelas e dos gráfi cos de autoria exclusiva do Banco Central do Brasil. Divisão de Atendimento ao Cidadão Banco Central do Brasil Deati/Diate SBS – Quadra 3 – Bloco B – Edifício-Sede – 2º subsolo 70074-900 Brasília – DF DDG: 0800 9792345 Fax: (61) 3414-2553 Internet: <http://www.bcb.gov.br/?FALECONOSCO>
  4. 4. Sumário Prefácio 5 Sumário executivo 6 1 Ambiente macroeconômico e financeiro 7 1.1 Introdução ___________________________________________________________________ 7 1.2 Mercados fi nanceiros internacionais _______________________________________________ 7 1.3 Mercado fi nanceiro nacional ____________________________________________________ 11 2 Sistema bancário 15 2.1 Introdução __________________________________________________________________ 15 2.2 Liquidez ____________________________________________________________________ 15 2.3 Crédito _____________________________________________________________________ 17 2.4 Rentabilidade ________________________________________________________________ 21 2.5 Solvência ___________________________________________________________________ 22 2.6 Testes de estresse de capital _____________________________________________________ 24 2.6.1 Análise de cenário – Testes de estresse nas condições macroeconômicas ____________ 25 2.6.2 Análise de sensibilidade __________________________________________________ 26 3 Sistema de Pagamentos Brasileiro 31 3.1 Desempenho dos sistemas de transferência de fundos ________________________________ 31 3.2 Desempenho dos sistemas de compensação e de liquidação de títulos, valores mobiliários, derivativos e câmbio __________________________________________ 32 4 Organização do Sistema Financeiro Nacional 36 4.1 Introdução __________________________________________________________________ 36 4.2 Instituições bancárias __________________________________________________________ 36 4.3 Níveis de concentração no Sistema Financeiro Nacional ______________________________ 37 4.4 Instituições não bancárias ______________________________________________________ 39 4.5 Participação estrangeira no Sistema Financeiro Nacional ______________________________ 39 4.6 Participação de instituições fi nanceiras brasileiras no exterior __________________________ 40
  5. 5. 5 Regulação do Sistema Financeiro Nacional 41 5.1 Introdução ________________________________________________________________ 41 5.2 Demonstrações consolidadas do conglomerado prudencial ____________________________ 41 5.3 Responsabilidade socioambiental das instituições do sistema fi nanceiro __________________ 42 5.4 Comitê de auditoria ___________________________________________________________ 43 5.5 Letras Financeiras como instrumento de capital _____________________________________ 43 5.6 Movimentações em contas de depósito em moeda nacional tituladas por organismos internacionais acreditados pelo Governo brasileiro para operações de captação e fi nanciamento em reais; aperfeiçoamentos na classifi cação estatística ____________________ 44 Boxes Evolução do Endividamento das Empresas não Financeiras após a Crise Internacional de 2008 ___ 27 Trabalho para discussão que versa sobre estabilidade fi nanceira ____________________________ 45 Apêndice 46 Anexo 51
  6. 6. Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 5 Prefácio O Relatório de Estabilidade Financeira (REF) é uma publicação semestral do Banco Central do Brasil (BCB) destinada a apresentar, com foco no risco sistêmico, os principais resultados das análises sobre o Sistema Financeiro Nacional (SFN), especialmente com respeito a sua dinâmica recente, às perspectivas e ao grau de resiliência a eventuais choques na economia brasileira ou no próprio sistema. Esta edição concentra-se nos eventos ocorridos no primeiro semestre de 2014. O relatório é constituído por cinco capítulos. No primeiro – Ambiente macroeconômico e financeiro –, é realizada a análise dos principais mercados internacionais e seu reflexo no mercado financeiro nacional. O segundo capítulo – Sistema bancário – apresenta um panorama da exposição a riscos, da rentabilidade e da solvência das instituições e dos conglomerados que compõem o sistema bancário brasileiro. Os testes de estresse de risco de mercado e de crédito e seus reflexos sobre a situação de solvência das instituições estão incluídos nesse capítulo. No terceiro capítulo – Sistema de Pagamentos Brasileiro –, são descritos os resultados da avaliação acerca do funcionamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e do desempenho dos sistemas de liquidação, as principais atividades e os avanços ocorridos no período, o comportamento da liquidez intradia e o resultado dos testes de estresse dos sistemas de compensação e de liquidação de títulos e valores mobiliários, de derivativos e de câmbio interbancário. O quarto capítulo – Organização do Sistema Financeiro Nacional – analisa as principais alterações ocorridas no controle acionário de instituições financeiras. O quinto capítulo – Regulação do Sistema Financeiro Nacional – trata das principais normas aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo BCB para regular o funcionamento do SFN. Esta edição apresenta, também, boxes tratando da evolução do endividamento das empresas não financeiras após a crise internacional de 2008 e uma seleção de trabalhos para discussão que versam sobre estabilidade financeira. O relatório em PDF está disponível no endereço eletrônico <www.bcb.gov.br/?relestab>. Também está disponível nesse mesmo endereço a base de dados utilizada para a elaboração dos gráficos e tabelas do relatório, além de outros dados de interesse, como a matriz de migração de classificação de crédito e comparativos internacionais dos principais Financial Soundness Indicators (FSIs). Adicionalmente, as séries temporais relacionadas à estabilidade financeira podem ser encontradas em <http:// www4.bcb.gov.br/pec/series/port/aviso.asp>.
  7. 7. Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 6 Sumário executivo A despeito do crescimento econômico moderado nas principais áreas econômicas, os mercados financeiros se caracterizaram pela diminuição da volatilidade, em especial na segunda metade do primeiro semestre de 2014. Verificou-se abrandamento nas condições de financiamento para as economias emergentes e periféricas da Área do Euro e a melhora generalizada na precificação de seus ativos financeiros, ainda que tenham ocorrido períodos de aumento da volatilidade nos mercados cambiais ao longo do semestre. No Brasil, em maio de 2014, o BCB interrompeu o ciclo de aumento da taxa de juros iniciado em abril de 2013 e, em junho, anunciou a manutenção, com modificações, do programa de leilões de swap cambial e de venda de dólares com compromisso de recompra, com o objetivo de prover proteção cambial aos agentes econômicos e proporcionar liquidez ao mercado de câmbio. Ao final do semestre, os juros domésticos futuros apresentaram trajetória de queda, o mercado bursátil exibiu tendência de alta e, no mercado de câmbio, houve redução da volatilidade da cotação do real frente à moeda norte-americana. Nesse cenário, o sistema bancário brasileiro manteve-se apresentando baixo risco de liquidez e elevada solvência. O risco de liquidez continua baixo, apesar do aumento no período em razão do movimento de alocação de recursos para crédito, principalmente em financiamentos habitacionais, que provoca redução da participação dos ativos líquidos no balanço das instituições e alongamento de prazo nas carteiras de crédito. As provisões para o risco de crédito apresentam-se adequadas a um novo cenário que aponta para leve aumento do risco de crédito, decorrente da elevação das taxas de juros, do provável fim do ciclo de redução da inadimplência e da redução no índice de cobertura. Compõem também esse ambiente o menor ritmo de crescimento do crédito e a manutenção de práticas e de critérios saudáveis na concessão de novas operações de crédito. O retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL) do sistema avançou no semestre, impulsionado por ganhos com tesouraria, os quais compensaram a queda na margem líquida de crédito. A solvência do sistema bancário apresentou estabilidade e mantém-se em patamar elevado. Os índices de capitalização permanecem em níveis superiores aos requerimentos regulatórios, o que, associado aos resultados da simulação da plena implementação do arcabouço de Basileia III e da introdução do futuro requerimento de razão de alavancagem, confirma a confortável solvência do sistema bancário. Nas simulações de situações de estresse, o sistema bancário brasileiro apresentou adequada capacidade de suportar efeitos de choques decorrentes de cenários macroeconômicos adversos ou de mudanças abruptas nas taxas de juros, de câmbio ou de inadimplência. O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) funcionou de forma eficiente e segura no primeiro semestre de 2014. As análises de backtesting, periodicamente realizadas para os sistemas de compensação e de liquidação de transações com títulos, valores mobiliários, derivativos e moeda estrangeira, nos quais há uma entidade atuando como contraparte central (CPC), apresentaram resultados satisfatórios ao longo do semestre. Nos sistemas de transferência de fundos, a liquidez intradia agregada disponível continuou acima das necessidades das instituições financeiras participantes, o que garante que as liquidações ocorram com tranquilidade, sobretudo no que diz respeito ao Sistema de Transferência de Reservas (STR).
  8. 8. Ambiente macroeconômico e financeiro 1 1.1 Introdução No ambiente internacional, prevalecem perspectivas de atividade global mais intensa no médio prazo, não obstante o dinamismo aquém do esperado em importantes economias maduras e emergentes no primeiro semestre de 2014. Em contexto de ritmo oscilante de crescimento e de inflação moderada nos Estados Unidos da América (EUA) e de recuperação lenta no Japão e na Europa (com risco de deflação na Área do Euro), fortaleceram-se expectativas de manutenção do ambiente de alta liquidez global. Para tal percepção, contribuíram o gradualismo sinalizado pelo banco central dos EUA (Fed) na execução do tapering1 e a disposição do Banco Central Europeu (BCE)2, do Banco do Japão (BoJ) e de autoridades chinesas em manter e/ou aprofundar suas políticas expansionistas, caso necessário. Nesse cenário, a demanda por ativos financeiros de risco foi impulsionada ao longo do semestre, enquanto indicadores de volatilidade declinaram para patamares historicamente reduzidos. Em consonância com esse quadro, verificaram-se alívio das condições de financiamento para as economias emergentes e periféricas da Área do Euro e a melhora generalizada na precificação de seus ativos financeiros3, ainda que tenham ocorrido períodos de aumento da volatilidade nos mercados cambiais ao longo do semestre. Os índices de mercados acionários de economias Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 7 1/ Tapering: redução do volume de compras mensais de ativos pelo Fed iniciada em janeiro de 2014. Trata-se do estágio inicial do processo de normalização da política monetária dos EUA, importante fator para a consolidação da estabilidade financeira global. O Fed sinalizou que pretende encerrar as compras mensais de títulos em outubro de 2014, mantendo, porém, a política monetária acomodatícia por tempo considerável. 2/ Em junho, o Banco Central Europeu (BCE) divulgou conjunto amplo de medidas de política monetária não convencional para impulsionar a concessão de crédito no bloco europeu, com o objetivo de alavancar o crescimento econômico e mitigar os riscos de deflação. 3/ Destaque-se a melhora na classificação de risco soberano da Espanha (Standard & Poor’s), da Grécia (Fitch) e de Portugal (Moody’s), que concluiu o seu programa de assistência financeira internacional. maduras (com recordes históricos de alta) e de economias emergentes também foram beneficiados pela redução das taxas de juros de longo prazo em nível global. 1.2 Mercados financeiros internacionais A despeito do crescimento econômico moderado nas principais áreas econômicas, os mercados financeiros se caracterizaram pela diminuição da volatilidade, em especial na segunda metade do semestre. Entre os fatores que contribuíram para essa redução, estão a maior previsibilidade sobre a gradual retirada dos estímulos monetários nos EUA; a decisão do comitê de política monetária do BCE, que reduziu as taxas anuais das principais operações de refinanciamento, depósito e empréstimo, além de tomar medidas adicionais de aumento da liquidez; e a percepção de diminuição do risco sistêmico e da ocorrência de eventos extremos no sistema financeiro, com o setor bancário de economias maduras reduzindo seu grau de alavancagem e melhorando os níveis e a qualidade de seu capital próprio. Essa conjunção de fatores permitiu a elevação nos preços dos ativos financeiros de maior risco nos mercados acionários e de dívidas, tanto soberanas quanto de empresas de classificação de risco menos favorável. Desde março de 2014, as emissões de títulos soberanos e corporativos de economias emergentes e em desenvolvimento atingiram recordes históricos de alta, evidenciando condições internacionais de financiamento mais favoráveis4. O Institute of International Finance (IIF), no relatório Global Economic Monitor de junho de 2014, avaliou que há tendência de aumento dos fluxos de 4/ Global Economic Prospects – Financial Markets Outlook, Banco Mundial, junho de 2014.
  9. 9. 650 520 390 260 130 Gráfico 1.2.2 – CDS soberanos (5 anos) 350 290 230 170 110 Gráfico 1.2.3 – CDS soberanos (5 anos) Gráfico 1.2.4 – Taxas de câmbio de economias avançadas 135 125 115 105 95 Euro/Dólar Libra/Dólar Iene/Dólar Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 8 capital para as economias emergentes, principalmente a partir do segundo trimestre do ano. Esse cenário propiciou redução nos rendimentos anuais dos títulos soberanos de economias maduras. No primeiro semestre, os rendimentos anuais dos títulos de 10 anos dos EUA recuaram de 3,03% para 2,53%, e os da Alemanha, de 1,93% para 1,25% (gráfi co 1.2.1). Gráfico 1.2.1 – Rendimento de títulos soberanos (10 anos) 8,0 6,4 4,8 3,2 1,6 Com a redução da aversão ao risco, verifi cou-se o declínio dos prêmios dos Credit Default Swaps (CDS) de cinco anos (expressos em pontos-base [p.b]) das principais economias da Europa: Itália, de 168 para 95; Espanha, de 157 para 66; França, de 54 para 40; e Alemanha, de 25 para 20 (gráfi co 1.2.2). Na mesma base de comparação, os prêmios dos CDS de cinco anos de economias emergentes também declinaram, com destaque para a Turquia, de 245 para 177, e para o Brasil, de 194 para 145 (gráfi co 1.2.3). Os prêmios respectivos da África do Sul, do México e do Chile reduziram-se para 177, 67 e 64, de 204, 92 e 80, na ordem. Destaque-se a exceção da Rússia, cujo prêmio de CDS elevou-se para 184, de 167, no início do período, repercutindo a crise na Ucrânia. Adicionalmente, o risco de moratória soberana na Argentina5 provocou elevação dos CDS do país, com contágio limitado sobre a precifi cação de ativos de renda fi xa de outras economias emergentes. No primeiro semestre de 2014, o dólar dos EUA desvalorizou-se 3,8% frente ao iene e 3,2% frente à libra esterlina, mas apreciou-se 0,4% em relação ao euro, haja vista a perspectiva de aprofundamento da acomodação monetária no bloco europeu (gráfi co 1.2.4). Evidenciando o ambiente de menor aversão ao risco, na mesma base 5/ Em consequência da decisão da Corte Suprema dos EUA em favor do pagamento integral a grupo de investidores (holdouts) que permanecem em disputa judicial sobre a restruturação da dívida soberana argentina. de comparação, o dólar depreciou-se frente às moedas do Brasil (6,3%), da Índia (2,6%), da Indonésia (2,4%) e da Turquia (1,4%) (gráfi co 1.2.5). 0,0 Jul 2012 Set Nov Fev 2013 Abr Jul Set Nov Fev 2014 Abr Jun EUA Alemanha Itália Espanha Fonte: Bloomberg % a.a. 0 Jul 2012 Set Nov Fev 2013 Abr Jul Set Nov Fev 2014 Abr Jun Alemanha França Espanha Itália Fonte: Bloomberg p.b. 50 Jul 2012 Set Nov Fev 2013 Abr Jul Set Nov Fev 2014 Abr Jun África do Sul Rússia Turquia Brasil México Chile Fonte: Bloomberg p.b. 85 Jul 2012 Set Nov Fev 2013 Abr Jul Set Nov Fev 2014 Abr Jun Fonte: Bloomberg 2.7.2012 = 100
  10. 10. 2.7.2012 = 100 165 147 129 111 93 O índice Chicago Board Options Volatility Index (VIX), que afere o sentimento dos investidores a partir da volatilidade implícita de curto prazo dos preços das opções do índice S&P 500, que no final de 2013 situou-se em 13,7 pontos, alcançou 23 pontos, nível mais alto no semestre, em 3 de fevereiro, refletindo as incertezas associadas à desaceleração da economia chinesa e à instabilidade político-econômica na Argentina, na Tailândia, na Turquia e na Ucrânia. No fechamento do semestre, o VIX recuou para 11,6 pontos (gráfico 1.2.8), acumulando redução de 31,4% em doze meses. 25 22 19 16 13 Os índices Morgan Stanley Capital International (MSCI)7 para bancos dos EUA e de economias emergentes elevaram-se, respectivamente, 4,4% e 4,7% no primeiro semestre de 2014, comparativamente às variações de 10,7% e 2%, no semestre anterior. O índice MSCI para bancos europeus mostrou relativa estabilidade 7/ Os índices refletem médias ponderadas dos preços das ações das respectivas indústrias bancárias. Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 9 140 128 116 104 92 Rúpia indonésia Rande Real Lira Baht Com o aumento do apetite por ativos de risco a partir do fim de fevereiro, as cotações das bolsas de valores de várias economias maduras elevaram-se, atingindo recordes ao longo do primeiro semestre (gráfico 1.2.6). Os índices S&P 500 (EUA) e DAX (Alemanha) valorizaram-se 6,5% e 2,9%, na ordem. O FTSE 100 (Reino Unido) apresentou relativa estabilidade, avançando 0,2% no período. O índice Nikkei (Japão), após valorizar-se 51% em 2013, declinou 6,9%, refletindo os efeitos da valorização do iene frente ao dólar no período. Mercados acionários de importantes economias emergentes também apresentaram ganhos expressivos, favorecidos, especialmente, pelo realinhamento das expectativas referentes às taxas de juros futuras nas economias centrais: Índia (20,2%), África do Sul (10,4%), Tailândia (14,4%), Indonésia (14,1%) e Brasil (3,2%)6 (gráfico 1.2.7). Na China, o mercado acionário recuou 2,3%, no mesmo período. 200 176 152 128 104 6/ Em contraste com os índices acionários nos EUA e na Área do Euro, ressalte-se que os índices acionários de mercados emergentes relevantes ainda se situam em patamares inferiores aos observados no início de 2013, refletindo o menor dinamismo da atividade econômica e dos lucros corporativos. Título em 7,8 pontos para caber no Gráfico. 80 Jul 2012 Set Nov Fev 2013 Abr Jul Set Nov Fev 2014 Abr Jun Fonte: Bloomberg 2.7.2012 = 100 Gráfico 1.2.5 – Taxas de câmbio de economias emergentes versus dólar dos EUA 80 Jul 2012 Set Nov Fev 2013 Abr Jul Set Nov Fev 2014 Abr Jun Gráfico 1.2.6 – Bolsas de valores Economias desenvolvidas EUA – S&P 500 Reino Unido – FTSE 100 Alemanha – DAX Japão – NIKKEI 225 Fonte: Bloomberg 2.7.2012 = 100 75 Jul 2012 Set Nov Fev 2013 Abr Jul Set Nov Fev 2014 Abr Jun Gráfico 1.2.7 – Bolsas de valores Economias emergentes África do Sul Brasil Índia Indonésia Tailândia Turquia Fonte: Bloomberg 10 Jul 2012 Set Nov Fev 2013 Abr Jul Set Nov Fev 2014 Abr Jun Fonte: Bloomberg pontos Gráfico 1.2.8 – CBOE Volatility Index – VIX Índice de volatilidade
  11. 11. 600 480 360 240 120 Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 10 no primeiro semestre, após elevar-se 22,9% no segundo semestre de 2013 (gráfico 1.2.9). 165 149 133 117 101 Os custos médios de proteção contra default (CDS) de bancos relevantes dos EUA e da Europa declinaram significativamente ao longo do primeiro semestre de 2014, refletindo a percepção de maior resiliência dos sistemas bancários em nível global, o ambiente de recuperação do crescimento, a redução da fragmentação financeira na Área do Euro e a atuação expansionista do BCE8. Nesse sentido, os prêmios médios dos CDS de cinco anos de bancos declinaram na Itália (33%), na Espanha (27,8%), no Reino Unido (24,9%), na Alemanha (17,2%)%, na França (11,5%) e nos EUA (13%) (gráfico 1.2.10)9. Destaque-se que na Área do Euro a avaliação da qualidade dos ativos do sistema bancário e a realização de testes de estresse têm encorajado a recapitalização voluntária dos bancos, favorecendo a elevação da confiança no sistema financeiro do bloco. De forma prospectiva, não obstante o cenário macrofinanceiro relativamente benigno vigente ao longo do primeiro semestre de 2014, importa destacar que os riscos para a estabilidade financeira global permanecem elevados, uma vez que as condições prevalecentes nos mercados financeiros nos últimos meses têm encorajado eventual subprecificação do risco e aumento da alavancagem financeira, enquanto fragilidades estruturais relevantes persistem em economias avançadas e emergentes. Uma eventual reversão na percepção de 8/ A fragmentação financeira se manifesta pela migração de fluxos de não residentes dos países mais vulneráveis da Área do Euro (Espanha, Grécia, Irlanda, Itália e Portugal) para seus mercados domésticos, assim como a transferência de depósitos de residentes dessas economias para outras consideradas mais seguras. 9/ Média aritmética dos dois maiores bancos de cada país pelo critério de capitalização de mercado. risco ou no ritmo de normalização da política monetária em economias maduras pode dificultar as condições de financiamento de empresas e de mercados emergentes, com riscos à estabilidade financeira. Na Área do Euro, a despeito do compromisso das autoridades com o aprofundamento da união bancária, importantes avanços ainda são necessários para a desvinculação entre os riscos do sistema bancário e o risco soberano10 e para a contenção da fragmentação financeira. Em relação às economias emergentes, as perspectivas de redução da liquidez internacional no médio prazo e de moderação de seu ritmo de crescimento econômico permanecem demandando, de forma geral, esforços de reequilíbrio macrofinanceiro, ainda que considerada a elevada diversidade nos fundamentos dessas economias. Notadamente, os investidores permanecem atentos ao ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do endividamento público e privado, embora a maioria dos sistemas bancários de economias emergentes mantenha reservas de capital sólidas, significativamente acima das recomendadas pelo Acordo de Basileia III. Ajustes mais abruptos das expectativas sobre a trajetória das taxas de juros globais, contudo, podem provocar desequilíbrios financeiros associados ao descasamento entre ativos e passivos em moedas diferentes e à sensibilidade de portfólios a mudanças nas taxas de juros, comprometendo a solidez dos balanços de bancos e famílias, em particular em economias com alto grau de alavancagem. 10/ Nesse sentido, o BCE assumirá efetivamente responsabilidades de supervisão bancária no último trimestre de 2014. Em março deste ano, o Parlamento, a Comissão e o Conselho Europeus decidiram que o próximo passo para o aprofundamento da união bancária deve ser a implementação de mecanismo único de resolução bancária. 85 Jul 2012 Set Nov Fev 2013 Abr Jul Set Nov Fev 2014 Abr Jun Gráfico 1.2.9 – MSCI bancos EUA Europa Economias emergentes Fonte: Bloomberg 2.7.2012 = 100 0 Jul 2012 Set Nov Fev 2013 Abr Jul Set Nov Fev 2014 Abr Jun p.b. Gráfico 1.2.10 – CDS de 5 anos – Bancos Prêmios médios de países selecionados1/ Espanha França Alemanha Reino Unido EUA Itália Fonte: Bloomberg 1/ Calculados pela média aritmética dos prêmios de CDS dos dois maiores bancos pelo critério de capitalização de mercado de cada país. Exceção EUA: JPM Chase e Bank of America.
  12. 12. Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 11 Nesse sentido, as condições de financiamento de economias emergentes, apuradas pelo IIF, pioraram no primeiro trimestre de 2014, principalmente na Europa emergente e na América Latina, refletindo o desempenho econômico mais fraco que o esperado, com impacto negativo sobre a demanda por crédito e elevação das taxas de inadimplência. Pelo lado da oferta, as restrições para a concessão de crédito mantiveram-se estáveis11. Riscos adicionais advêm de eventual deterioração da estabilidade financeira e do ritmo de atividade econômica na China, como possível efeito colateral das ações governamentais destinadas a disciplinar o mercado de crédito. Nesse sentido, a transição ordenada no mercado de crédito chinês demanda a conjugação de várias iniciativas, tais como a elevação da capacidade de o banco central lidar com alterações repentinas na demanda por liquidez, a implantação de sistema de seguro de depósitos, a liberalização das taxas de juros e a consolidação de arcabouço de resolução bancária12. Eventos recentes nos mercados financeiros da Argentina e da Turquia mostraram, até o momento, limitado efeito de contágio nos principais mercados emergentes, que mantêm bons fundamentos macroeconômicos, com níveis confortáveis de reservas internacionais e políticas fiscais sustentáveis. Adicionalmente, o aumento da volatilidade nesses países entre maio e dezembro de 2013 desencadeou diversas ações, tais como ajustes das taxas básicas de juros, acordos bilaterais de swaps de moedas e medidas de caráter prudencial destinadas a limitar a exposição a moedas estrangeiras, o que contribuiu para elevar o grau de confiança dos mercados relativamente a essas economias. Ressalte-se, por fim, que os principais fatores de risco para a estabilidade financeira internacional têm sido os ajustes abruptos na inclinação da curva de juros em economias maduras, em especial nos EUA; a deterioração do contexto geopolítico, com os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, cujos efeitos podem impactar o preço de importantes commodities, em especial as energéticas; e desdobramentos políticos e financeiros adversos em economias maduras e emergentes, com potenciais impactos em economias consideradas de maior vulnerabilidade. Tais condições seguem demandando 11/ IIF, Emerging Markets Bank Lending Conditions Survey (Apr/14) <http:// www.iif.com/emr/resources+3470.php>. 12/ Conforme <http://www.imf.org/External/Pubs/FT/GFSR/2014/01/pdf/ text.pdf>. monitoramento contínuo e coordenado por parte das autoridades reguladoras em nível mundial. 1.3 Mercado financeiro nacional No início do primeiro semestre de 2014, a perspectiva de recuperação da economia norte-americana e a consequente expectativa de que o Fed retirasse os estímulos monetários mais cedo que o esperado contribuíram para a elevação da volatilidade nos mercados financeiros internacionais, com efeitos sobre o mercado financeiro nacional. Posteriormente, com a reversão dessa expectativa, as taxas de juros domésticas futuras exibiram trajetória de queda, e o mercado bursátil passou a operar em alta, encerrando o semestre no mesmo patamar de outubro de 2013. No âmbito interno, as sucessivas revisões para baixo das estimativas de crescimento econômico13 também contribuíram para a redução das taxas de juros domésticas. Além disso, a depreciação do real frente ao dólar norte-americano no início do ano foi revertida, e o risco-país voltou a exibir trajetória declinante14. O BCB interrompeu em maio de 2014 o ciclo de aumento da taxa de juros iniciado em abril de 2013, totalizando elevação de 3,75 pontos percentuais (p.p.) ao longo do período. Em janeiro, diante de uma inflação cuja resistência se mostrava ligeiramente acima da antecipada15, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve o ritmo de elevação da meta para a taxa básica de juros em 0,5 p.p., reduzindo-o para 0,25 p.p. em fevereiro e em abril. A partir de então, a estabilidade da meta para a taxa Selic em 11,0% foi acompanhada, no mercado futuro de taxas de juros, de redução das taxas referentes aos demais prazos. Isso ocorreu em razão da desaceleração do nível de atividade econômica e redução das taxas mensais de inflação16 (gráfico 1.3.1). 13/ A taxa estimada para o crescimento do PIB em 2014, nos relatórios de inflação do BCB de março e de junho era de 2,0% e 1,6% respectivamente. 14/ O Embi+Brasil subiu de 221 para 279 pontos, em 3 de março. Depois apresentou tendência de queda até atingir 205 pontos no final do primeiro semestre, retornando ao patamar do primeiro semestre de 2013. 15/ A mediana das expectativas de inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo [IPCA]) acumulada para os próximos doze meses (suavizada) ao final de dezembro de 2013 foi de 6,01% e oscilou em torno desse patamar ao longo do semestre seguinte, encerrando-o em 5,90%. A meta de inflação foi fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 4,5% para 2014, 2015 e 2016 e os intervalos de tolerância em 2,0 p.p. abaixo e acima da meta. 16/ O IPCA referente ao mês de dezembro foi de 0,92%. Após recuo para 0,55% em janeiro, voltou a subir, retornando a 0,92% em março. No segundo trimestre, o IPCA apresentou declínio e, em junho, já estava em 0,4%. O acumulado em doze meses, entretanto, manteve-se em elevação desde março e registrou 6,34% em junho de 2014.
  13. 13. 4,0 3,2 2,4 1,6 0,8 Gráfico 1.3.2 – Volatilidade das taxas de juros Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 12 % a.a. 13,5 12,3 11,1 9,9 8,7 Gráfico 1.3.1 – Evolução das taxas de juros Taxa Selic e swap de 3 e 6 meses, 1 ano e 2 e 5 anos No início de 2014, as taxas no mercado futuro de juros no Brasil acompanharam o comportamento ascendente da taxa básica, oscilando, em seguida, em torno do novo patamar alcançado, particularmente as de prazos mais longos. A partir de março, entretanto, em razão da expectativa do fim do ciclo de aperto monetário, as taxas de prazos mais longos assumiram uma trajetória de queda. Os agentes de mercado esperavam que a meta para a taxa básica se mantivesse constante por algum tempo ao término desse ciclo, o que levou as taxas de curto prazo a convergirem para a taxa básica. Embora tenha ocorrido acentuada perda de inclinação da curva de juros, o processo não foi contínuo ao longo do semestre. Em janeiro, a intensidade do aumento da meta para a taxa Selic e o sell-off dos mercados emergentes, com a crise cambial na Argentina e na Turquia, contribuíram para o ganho de inclinação da curva de juros. Ao final do mês, o Tesouro Nacional anunciou um leilão extraordinário de recompra de títulos, realizado no início de fevereiro, o que favoreceu o processo de flattening da curva de juros. Entretanto, para a maioria dos participantes de mercado, as incertezas quanto à condução da política fiscal17 contribuíram para que as expectativas inflacionárias se mantivessem em patamares elevados e as taxas de juros, em alta. No âmbito externo, a continuidade da redução dos estímulos monetários nos EUA e a possibilidade de que o aumento das taxas de juros pudesse ocorrer antes do esperado adicionaram pressão às taxas de juros no mercado doméstico. No entanto, a partir do final 17/ As soluções para os problemas do setor elétrico e a defasagem acumulada dos preços administrados adicionam incertezas à condução da política fiscal. No ano, até junho, o superavit acumulado do setor público alcançou R$29,4 bilhões, ante R$52,2 bilhões no mesmo período do ano anterior. Considerando-se os fluxos acumulados em doze meses, o superavit primário atingiu R$68,5 bilhões, totalizando 1,36% do PIB, 0,52 p.p. abaixo do registrado no ano de 2013. de março18, registrou-se forte queda nas taxas longas até meados de junho, impulsionadas pela redução dos yields dos Treasuries, que ampliou a entrada de recursos estrangeiros em operações de carry trade e levou à valorização do real e à redução das taxas de juros futuros. Além disso, a perspectiva de manutenção da política monetária acomodatícia nas principais economias desenvolvidas19 contribuiu para o recuo das curvas de juros nessas economias e em países emergentes. Internamente, a queda nas taxas foi impulsionada pelo arrefecimento da atividade econômica20 e pela desaceleração dos índices de inflação. Em junho, o BCB anunciou que estenderia, até o final do ano, o programa de leilões de câmbio que se encerraria no final daquele mês e, embora a taxa de câmbio tenha se mantido relativamente estável, as taxas de juros subiram na segunda quinzena, acompanhando o aumento dos Treasuries. As taxas de juros domésticas apresentaram baixa volatilidade no primeiro semestre de 2014. As volatilidades das taxas de médio e de longo prazo mantiveram-se no patamar registrado no último trimestre de 2013. Ao final de março, o recrudescimento da inflação doméstica, as oscilações dos Treasuries e as incertezas sobre o prazo para o fim dos estímulos do Fed resultaram em aumento pontual da volatilidade na parte longa. A partir do final de maio, a volatilidade voltou a subir ligeiramente, inicialmente em função da incerteza quanto à manutenção 18/ Deve-se observar que não se verificou impacto expressivo do rebaixamento do rating soberano do Brasil pela S&P em 24 de março, que mantém, entretanto, a classificação de grau de investimento. 19/ No início de junho, o BCE cortou em 0,10 p.p. a taxa de refinanciamento, para 0,15%; reduziu a taxa para depósitos bancários para -0,10% e diminuiu a taxa de juros de empréstimo marginal para 0,40%. 20/ Na série dessazonalizada, após aumento de 1,1% em janeiro, o IBC-Br manteve-se praticamente estável até abril, recuando 2,3% no acumulado de maio e junho. 7,5 Jul 2013 Ago Set Out Nov Dez Jan 2014 Fev Mar Abr Mai Jun Taxa Selic 3 meses 6 meses 1 ano 2 anos 5 anos Fontes: BM&FBovespa e BCB 0,0 Jul 2013 Ago Set Out Nov Dez Jan 2014 Fev Mar Abr Mai Jun Curto Médio Longo Fontes: BM&FBovespa e BCB % a.a.
  14. 14. Gráfico 1.3.3 – Taxa de câmbio R$/US$ EUR/US$ 0,79 0,77 0,76 0,74 0,73 0,71 Jul 2013 Ago Set Out Nov Dez Jan 2014 Fev Mar Abr Mai Jun R$/US$ EUR/US$ Pontos (mil) 59 56 53 49 46 43 Gráfico 1.3.4 – Índice Bovespa Ago Set Out Nov Dez Jan 2014 Fev Mar Abr Mai Jun Fonte: BM&FBovespa Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 13 do programa de leilões de câmbio, que expiraria no final de junho, e, em seguida, com a inversão do movimento de flattening da curva de juros, acompanhando o movimento dos Treasuries. A volatilidade das taxas de curto prazo, por seu turno, apresentou um pequeno repique apenas em meados de janeiro, em razão de o aumento na taxa Selic ter superado as expectativas do mercado. A partir daí, ancorada na maior homogeneidade das expectativas quanto à evolução da taxa básica de juros, a volatilidade declinou e, ao final do semestre, já se encontrava próximo às mínimas históricas (gráfico 1.3.2). Até o final de janeiro, a taxa de câmbio continuou a trajetória de alta iniciada no semestre anterior, mas reverteu o movimento a partir de fevereiro. Desde então, a volatilidade das taxas retomou a trajetória de queda. A expectativa com a redução dos estímulos monetários pelo Fed havia gerado realocação de portfólio nos mercados internacionais num movimento de flight to quality, afetando, nesse caso, os países emergentes. A partir de fevereiro, o Fed sinalizou que essa redução seria mais suave, desencadeando demanda por maior rentabilidade por parte dos investidores e, consequentemente, a queda da divisa norte-americana ante o real, em razão do decorrente aumento do fluxo de recursos para o país. Em 8 de abril, a cotação21 atingiu R$2,20/USD e, até o final do semestre, passou a oscilar entre esse valor e R$2,25/USD, na maior parte do período. No início de junho, a expectativa de descontinuidade do programa de leilões de swap cambial gerou pressão nas cotações, que apresentaram tendência de alta. Entretanto, a autoridade monetária, ao comunicar a extensão do programa, realinhou as expectativas dos agentes, o que contribuiu para amenizar a volatilidade no mercado de câmbio22. No semestre, o BCB efetuou leilões de swap cambial tradicional23 no valor nocional de US$70,2 bilhões (incluídas as rolagens de vencimentos), terminando o período com posição líquida em swap passiva em 21/ Cotação da taxa de câmbio real/dólar divulgada pelo BCB (PTAX) calculada segundo metodologia divulgada pela Circular BCB nº 3.506, de 23 de setembro de 2010, e atualizada conforme Circular BCB nº 3.537, de 25 de maio de 2011. 22/ De fato, em 24 de junho, o BCB estendeu o programa de leilões de swap cambial e de venda de dólares com compromisso de recompra para o segundo semestre de 2014, com o intuito de prover hedge cambial e liquidez ao mercado de câmbio com as seguintes condições: realização de leilões de swap de segunda a sexta-feira, com oferta de US$200 milhões por dia; realização de leilões de venda de dólares com compromisso de recompra em função das condições de liquidez do mercado de câmbio; e, sempre que necessário, realização de operações adicionais de venda de dólares por meio dos instrumentos ao alcance do BCB. 23/ Leilões de swap cambial realizados pelo Banco Central referenciados à taxa Selic nos quais o BCB assume a parte passiva em câmbio mais cupom cambial e a parte ativa em taxa de juros. câmbio de US$89,9 bilhões. O real encerrou o mês de junho cotado a R$2,20/USD, com valorização de 6,0% no semestre. Em relação ao euro, no mesmo período, a valorização do real foi de 6,3% (gráfico 1.3.3). 2,50 2,42 2,34 2,26 2,18 2,10 O saldo de câmbio contratado registrou fluxo positivo de US$4,1 bilhões no primeiro semestre de 2014, composto por US$2,9 bilhões no comercial e por US$1,3 bilhão no financeiro. O volume líquido de investimento estrangeiro direto (IED) totalizou US$29,3 bilhões no mesmo período. Já as reservas internacionais, no conceito de caixa, encerraram o semestre em US$373,5 bilhões, acréscimo de 4,1% em relação ao final de dezembro de 2013. Jul 2013 No mercado acionário, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) continuou o movimento de queda iniciado em outubro do ano anterior até meados de março, quando reverteu e iniciou trajetória de alta, encerrando o primeiro semestre de 2014 com alta de 3,2% (gráfico 1.3.4). Externamente, a dispersão das expectativas com relação à intensidade na redução dos estímulos à economia norte-americana pelo Fed influenciou o mercado. No âmbito interno, a divulgação do PIB de 2013 acima do esperado ajudou a impulsionar
  15. 15. Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 14 a BM&FBovespa no final de março e contribuiu para melhorar a percepção em relação ao Brasil. A partir de abril, as cotações oscilaram com maior volatilidade e foram influenciadas, positivamente, pelo forte fluxo financeiro dos investidores estrangeiros e, negativamente, pela desaceleração do nível de atividade. No semestre, o ingresso líquido dos investimentos estrangeiros somou R$12,2 bilhões, com destaque para o mês de maio, que registrou entrada de R$5,5 bilhões.
  16. 16. Sistema bancário 2 2.1 Introdução No primeiro semestre de 2014, manteve-se a avaliação de baixo risco de liquidez e de elevada resiliência do sistema bancário brasileiro. O risco de liquidez continua baixo, apesar do aumento no período decorrente do movimento de alocação de recursos para crédito, principalmente em financiamentos habitacionais, o que provoca redução da participação dos ativos líquidos no balanço das instituições e alongamento de prazo nas carteiras de crédito. No que se refere ao risco de crédito, num cenário de menor ritmo de crescimento das carteiras e de manutenção de práticas e critérios saudáveis na concessão, as provisões apresentam-se adequadas para um novo ambiente, que aponta para leve aumento do risco. Esse aumento decorre da elevação das taxas de juros, do provável fim do ciclo de redução da inadimplência e da redução no índice de cobertura (IC), ainda que este último apresente-se em níveis elevados para os padrões internacionais. O retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL) do sistema avançou no semestre, impulsionado por ganhos com tesouraria, os quais compensaram a queda na margem liquida de crédito. A solvência do sistema bancário apresentou estabilidade e permanece em patamar elevado. Os índices de capitalização permanecem em níveis superiores aos requerimentos regulatórios, o que, associado aos resultados da simulação da plena implementação antecipada do arcabouço de Basileia III e da introdução do futuro requerimento de razão de alavancagem, confirma a confortável solvência do sistema bancário. Nas simulações de situações de estresse, o sistema bancário brasileiro apresentou adequada capacidade de suportar efeitos de choques decorrentes de cenários macroeconômicos adversos, ou de mudanças abruptas nas taxas de juros, de câmbio ou de inadimplência. Destaque-se que, para efeito deste capítulo, o sistema bancário é constituído pelas instituições banco comercial, banco múltiplo, caixa econômica, banco de câmbio e banco de investimento, e pelos conglomerados financeiros compostos ao menos por uma dessas modalidades de instituições. Os bancos de desenvolvimento não estão incluídos nas análises, exceto na seção 2.3 – Crédito, na qual as análises envolvem todo o SFN. 2.2 Liquidez O risco de liquidez de curto prazo do sistema bancário brasileiro continua baixo, não obstante o pequeno aumento no período, reflexo da pressão por rentabilidade que motivou as instituições financeiras (IF) a alocar mais recursos do estoque de captações em carteira de crédito e menos em ativos líquidos24. O risco de liquidez estrutural25 também continua baixo, pois o estoque de recursos estáveis26 tem sido suficiente para suportar o crescimento do crédito, ainda que pressionado pelo alongamento no prazo médio dessa carteira. 24/ Para definição de ativos líquidos e de fluxo de caixa estressado, vide “Conceitos e Metodologias”, itens a e e. 25/ Liquidez estrutural de uma IF refere-se à relação entre operações ativas de prazos mais longos e as fontes de recursos suficientemente estáveis para suportá-las. Quanto maior a estabilidade dos recursos, menor o risco futuro de insuficiência de recursos. 26/ Recursos estáveis são aqueles com risco reduzido de corrida bancária em situação de estresse: a) primeiramente, pela perspectiva do aplicador (principal), são estáveis as captações de varejo (detentores não institucionais); e b) de forma complementar, pela perspectiva do prazo efetivo do instrumento de captação, sendo estável quando maior que um ano. Indicador modificado e adaptado do conceito do Financial Soundness Indicator FSI I22, preconizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Detalhes da definição, ver “Conceitos e Metodologias”, letra b (sob “captações estáveis”). Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 15
  17. 17. ativos mais rentáveis em contrapartida à menor liquidez (gráfico 2.2.3). R$ bilhões un. 3.200 2.560 1.920 1.280 640 0,40 0,35 0,30 0,25 0,20 Esse crescimento do crédito foi acompanhado no período pelo aumento do estoque de recursos estáveis, mantendo o risco de liquidez estrutural baixo (gráfico 2.2.4). Por sua vez, o prazo médio da carteira de crédito elevou-se de 24,6 para 34,9 meses, desde 2010, influenciado principalmente pelo aumento da participação de financiamentos habitacionais (gráfico 2.2.5). 140 112 84 56 28 Meses 35 29 23 17 11 Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 16 0 0,15 Jan 2012 Jul Jan 2013 Jul Jan 2014 Jun Gráfico 2.2.3 – Ativos líquidos sobre crédito Ativos líquidos Carteira de crédito doméstica Ativos líquidos/crédito Estoque de captações líquido de compulsório O aumento de ativos líquidos em menor proporção que o de fluxo de caixa estressado (FCE) reduziu levemente o índice de liquidez (IL)27 do sistema de 1,58 para 1,51 no semestre (gráfico 2.2.1). Em que pese a redução do IL do sistema, merece destaque a melhora na distribuição da liquidez entre as instituições, com redução da representatividade para o sistema das IF com IL abaixo de 1 (gráfico 2.2.2). R$ bilhões un. 2,4 1,9 1,4 1,0 0,5 % dos ativos do sistema 50 40 30 20 10 800 640 480 320 160 0 Gráfico 2.2.2 – Distribuição de frequência para o índice de liquidez1/ Índice de liquidez A pressão por rentabilidade tem levado as IF a alterar suas políticas de alocação de recursos. O quociente entre ativos líquidos e crédito segue em tendência de queda nos últimos anos, evidenciando a escolha por 27/ O IL relaciona o volume de ativos líquidos disponíveis para a instituição com o fluxo de caixa estressado (desembolso dos 30 dias/21 dias úteis subsequentes em cenário de estresse). O fluxo de caixa estressado simula desembolsos em padrões bem acima dos esperados, tendo por parâmetro o histórico de crises passadas. Instituições com IL superior a 1,0 (100%) possuem ativos líquidos suficientes para suportar esse cenário de estresse. Como a metodologia simula um cenário de trinta dias em que os ativos líquidos teriam de ser convertidos em dinheiro, eles são marcados a mercado e/ou sofrem ponderação que simula redução de preço no caso de venda forçada. Essa métrica de liquidez tem por base os mesmos conceitos subjacentes ao Liquidity Coverage Ratio (LCR), índice introduzido por Basileia III. O LCR tem sua implementação prevista a partir de janeiro de 2015. 0 Jun 2009 Dez Jun 2010 Dez Jun 2011 Dez Jun 2012 Dez Jun 2013 Dez Jun 2014 % Gráfico 2.2.4 – Captações de recursos estáveis sobre crédito 5 Dez 2010 Jun 2011 Dez Jun 2012 Dez Jun 2013 Dez Jun 2014 Gráfico 2.2.5 – Prazo médio dos estoques de crédito e de captações Prazo médio do estoque de captações Prazo médio da carteira de crédito 18 6 11 6 7 11 7 64 22 5 9 11 5 8 9 62 0 <0,8 0,8-1,0 1,0-1,2 1,2-1,4 1,4-1,6 1,6-1,8 1,8-2,0 ≥2,0 Dezembro 2013 Junho 2014 1/ Os valores sobre as barras referem-se ao número de instituições financeiras com índice de liquidez pertencente ao intervalo correspondente. 0,0 Jan 2012 Jul Jan 2013 Jul Jan 2014 Jun Gráfico 2.2.1 – Índice de liquidez Ativos líquidos Fluxo de caixa estressado Índice de liquidez
  18. 18. % 50 40 30 20 10 % 15 12 9 6 3 Gráfico 2.2.7 – Perfil das captações externas como percentual da captação total Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 17 O aumento de recursos estáveis foi possível com oferta de instrumentos de longo prazo e sem possibilidade de resgate antecipado, tais como Letras Financeiras (LF) e Letras Financeiras Subordinadas (LFS), ampliando a estabilidade do funding (gráfico 2.2.6). 100% 80% 60% 40% 20% Por fim, manteve-se inalterada a tendência, iniciada no segundo semestre de 2012, de queda da exposição do SFN a captações externas diretas que ingressam no país28. Nessas, a pequena redução da participação de recursos externos livres29 confere maior estabilidade ao funding. Por sua vez, os recursos externos captados por empresas ou aqueles aplicados diretamente em carteiras de ações e títulos no país têm crescido quando comparados com o porte do sistema bancário. Já o peso dos recursos captados e mantidos no exterior, que era crescente desde 2011, e que evidencia o processo de internacionalização dos bancos brasileiros, estabilizou-se no semestre (gráfico 2.2.7). Em suma, o risco de liquidez de curto prazo permanece baixo e o aumento do volume de recursos estáveis continua suficiente para suportar o crescimento da carteira de crédito. O risco de liquidez estrutural, por sua vez, também não é elevado, embora esteja pressionado pelo movimento de alocação de recursos para crédito e alongamento dessa carteira. 28/ Captações realizadas no exterior diretamente pelos bancos sediados no Brasil ou redirecionados para esses quando captados por agências e subsidiárias no exterior. 29/ São considerados recursos externos livres aqueles que ingressam no país e não estão necessariamente vinculados a operações de comércio exterior (importações, exportações e repasses). 2.3 Crédito As provisões para o risco de crédito apresentam-se adequadas para um novo cenário que aponta para leve aumento do risco de crédito, decorrente da elevação das taxas de juros, do provável fim do ciclo de redução da inadimplência iniciado no segundo semestre de 2012 e da redução no índice de cobertura (IC)30. Completam esse cenário o menor ritmo de crescimento do crédito e a manutenção de práticas e critérios saudáveis na concessão de novas operações. A queda no ritmo do crescimento do crédito doméstico acentuou-se no período, principalmente por causa da redução da taxa de crescimento da carteira dos bancos públicos (gráfico 2.3.1). Não obstante, esses bancos mantiveram expansão maior do que a dos bancos privados, aumentando sua participação no crédito doméstico total para 52,7% em junho de 2014. 30/ O índice de cobertura mede a razão entre a provisão contabilizada e o saldo total das operações vencidas há mais de noventa dias. 0% Jun 2008 Dez Jun 2009 Dez Jun 2010 Dez Jun 2011 Dez Jun 2012 Dez Jun 2013 Dez Jun 2014 Gráfico 2.2.6 – Perfil das captações Depósitos a vista Depósitos a prazo Depósitos de poupança Empréstimos e repasses Compromissadas (títulos privados) LCA + LCI IHCD + LFS + LF Outros 0 Dez 2008 Jun 2009 Dez Jun 2010 Dez Jun 2011 Dez Jun 2012 Dez Jun 2013 Dez Jun 2014 Gráfico 2.3.1 – Crescimento anual do crédito por controle Público Privado Total 0 Dez 2010 Jun 2011 Dez Jun 2012 Dez Jun 2013 Dez Jun 2014 Captações externas mantidas no exterior Captações externas que ingressam (vinculadas a comércio exterior) Captações externas que ingressam (recursos livres)
  19. 19. 6,0 4,8 3,6 2,4 1,2 Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 18 Quanto às taxas de juros, houve elevação no semestre, tanto para o crédito livre, quanto para o crédito direcionado (gráfico 2.3.2), influenciada, em parte, pela continuidade dos aumentos da taxa Selic31/. Aumentos foram observados em todas as modalidades de crédito, mas em maior intensidade naquelas que apresentam maior nível de inadimplência, como os créditos rotativos e o crédito pessoal não consignado. Gráfico 2.3.2 – Evolução das taxas de juros Recursos livres e direcionados, PF e PJ % a.a. 50 40 30 20 10 A inadimplência na carteira de crédito doméstico fechou em 3,0% em junho de 2014, índice estável em relação a dezembro de 2013, depois de três semestres consecutivos de redução, indicando o provável fim do ciclo de redução da inadimplência. Esse comportamento é explicado por um ritmo menos acentuado de queda da inadimplência nos bancos privados, cuja diminuição no semestre foi de apenas 0,1 p.p., e pelo aumento de 0,2 p.p. nos bancos públicos (gráfico 2.3.3). Constatam-se também comportamentos diferentes na análise por pessoa jurídica e pessoa física. No primeiro caso, houve aumento de 0,2 p.p.; no segundo, redução de 0,1 p.p. 6,0 4,8 3,6 2,4 1,2 31/ No segundo semestre de 2013, a meta para a taxa Selic variou de 8,00% para 10,00%; no primeiro semestre de 2014, variou de 10,00% para 11,00%. Embora tenha ficado estável como proporção da carteira de crédito, a inadimplência elevou-se em termos absolutos, movimento não acompanhado na mesma magnitude pelas provisões. Como consequência, houve diminuição da folga do índice de cobertura (IC), que passou de 1,75 em dezembro de 2013 para 1,65 em junho de 2014. Esse nível continua a ser adequado para fazer frente a potenciais perdas, mesmo em um cenário conservador, sendo superior ao mantido pelas instituições da maioria dos países.32 A avaliação de suficiência da cobertura de provisões também é corroborada por outras métricas, como a relação entre as provisões constituídas e os créditos baixados para prejuízo nos doze meses seguintes, ou as provisões constituídas e o total da carteira de maior risco (operações de crédito classificadas nos níveis de E a H) (gráfico 2.3.4). Uma análise da dispersão do IC por banco33 (gráfico 2.3.5) em dezembro de 2013 e junho de 2014 evidencia que o movimento mais expressivo no período foi sua redução no grupo de bancos com maior folga, ou seja, naqueles em que o IC era igual ou superior a 1,9. Assim, a redução desse índice para o total do SFN foi influenciada por esse fator, e não pelo aumento da relevância de bancos com IC menor do que 1,0. Ainda que índices inferiores a 1,0 sejam relativamente comuns na comparação 32/ Global Financial Stability Report publicado em abril de 2014, página 31, disponível no sítio do FMI: <http://www.imf.org/external/pubs/ft/GFSR/ index.htm>. 33/ O termo “banco” utilizado aqui engloba tanto as instituições financeiras pertencentes a conglomerados, quanto instituições financeiras independentes. Nesse teste, as cooperativas de crédito e as instituições financeiras não bancárias não foram consideradas, pois, apesar de serem em grande número, respondiam somente por 2,9% do crédito doméstico total em junho de 2014. 0 Mar 2011 Jun Set Dez Mar 2012 Jun Set Dez Mar 2013 Jun Set Dez Mar 2014 Jun Livre PJ Livre PF Direcionado PJ Direcionado PF 0,0 Mar 2011 Jun Set Dez Mar 2012 Jun Set Dez Mar 2013 Jun Set Dez Mar 2014 Jun Público Privado Total % Gráfico 2.3.3 – Inadimplência por controle 0,0 Mar 2011 Jun Set Dez Mar 2012 Jun Set Dez Mar 2013 Jun Set Dez Mar 2014 Jun % Gráfico 2.3.4 – Inadimplência, provisões e baixas para prejuízo Carteira de crédito classificada nos níveis de E até H Provisões Inadimplência Créditos baixados nos doze meses seguintes
  20. 20. 40 30 20 10 0 Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 19 internacional34, cabe salientar que, em junho de 2014, 93% da carteira de crédito no SFN encontrava-se no ativo de instituições com IC superior a 1,3. Gráfico 2.3.5 – Distribuição de frequência para o índice de cobertura1/ 25 8 11 23 12 12 8 11 57 4 12 60% 48% 36% 24% 12% Passando a focalizar especificamente no crédito à pessoa física, cabe destacar que a expansão do mercado de crédito, embora em menor ritmo, não foi acompanhada de alterações significativas no comprometimento de renda dos tomadores de crédito no SFN35. Apesar do aumento registrado no primeiro semestre de 2014 em todas as faixas de renda, os valores ainda se encontram em patamares inferiores aos observados em junho de 2013 (gráfico 2.3.6). Gráfico 2.3.6 – CR dos tomadores de crédito no SFN Pessoa física % 25 20 15 10 5 34/ Financial Soundness Indicators – FSI Tables, de abril de 2014, tabela 4, disponível no sítio do FMI: <http://fsi.imf.org/fsitables.aspx>. 35/ O comprometimento de renda dos tomadores de crédito considera apenas a renda das pessoas físicas que possuem endividamento no SFN. Não se confunde com o comprometimento de renda das famílias, divulgado no Sistema Gerenciador de Séries Temporais – Série 19.881, que computa a renda de toda a população conforme metodologia utilizada internacionalmente. Para mais detalhes sobre o comprometimento de renda dos tomadores de crédito no SFN, ver seção “Conceitos e metodologias”, item d. Vale notar que o financiamento imobiliário e o crédito pessoal consignado correspondem às modalidades com maiores participações (29,5% e 18,1% em junho de 2014), explicitando a estratégia das instituições financeiras de dar maior ênfase em modalidades de baixo risco no crédito à pessoa física. Em relação à velocidade de crescimento desses saldos no semestre (gráfico 2.3.7), à exceção do financiamento para aquisição de veículos, todas as carteiras continuaram apresentando índice de crescimento superior à variação do PIB. Mesmo com a desaceleração no período recente, as carteiras de financiamento imobiliário e de financiamento rural mantiveram o crescimento expressivo, com variações de 28,9% e 27,2%, respectivamente, na comparação anual. A retração no montante da carteira de veículos prosseguiu no período, com redução de 4,5% no semestre ou 6,9% na comparação anual36. No entanto, há na margem uma pequena aceleração nas concessões, as quais cresceram 3,6% no primeiro semestre de 2014 em relação ao mesmo período do ano anterior. O cartão de crédito apresentou crescimento da ordem de 14%, mas, quando avaliada sua composição, nota-se forte crescimento do crédito a vista em detrimento do crédito rotativo, o que sugere a utilização dessa modalidade principalmente como meio de pagamento diferido, e não como empréstimo propriamente dito. A inadimplência de algumas modalidades de crédito a pessoas físicas voltadas ao consumo sem destinação 36/ O saldo da carteira de veículos foi mensurado a partir das séries temporais número 20581 e 20581, divulgadas no SGS, as quais se referem ao financiamento e ao arrendamento mercantil de veículos, respectivamente, adotando metodologia distinta para apuração do saldo daquela apresentada na Nota para a Imprensa sobre Política Monetária e Operações de Crédito do SFN. 0 Até 3 s.m. 3 a 5 s.m. 5 a 10 s.m. > 10 s.m. SFN Junho 2013 Dezembro 2013 Junho 2014 55 0% <0,7 0,7≤IC<1 1≤IC<1,3 1,3≤IC<1,6 1,6≤IC<1,9 ≥1,9 Dezembro 2013 Junho 2014 1/ As colunas indicam a representatividade da carteira, e os valores sobre elas referem-se ao número de instituições financeiras com índice de cobertura no intervalo correspondente. -10 Dez 2012 Mar 2013 Jun Set Dez Mar 2014 Jun Gráfico 2.3.7 – Crescimento anual do crédito Principais modalidades – PF Imobiliário Financiamento rural Consignado Cartão de crédito Sem consignação Veículos %
  21. 21. tanto públicas quanto privadas, preservando critérios prudentes de concessão, uma vez que as PME apresentam inadimplência mais elevada41. 30 24 18 12 6 0 A inadimplência das pessoas jurídicas aumentou em 0,2 p.p. no semestre, para 2,0% em junho de 2014. O acréscimo ocorreu em ambas as classificações de portes, sendo que o incremento dos atrasos das PME ficou concentrado nos bancos públicos e o das grandes empresas, nas instituições privadas. Apesar dessa elevação, a inadimplência encontra-se abaixo das máximas observadas em períodos anteriores recentes (gráfico 2.3.10). A redução da oferta de crédito para as PME poderia ocasionar limitações na rolagem de suas necessidades de financiamento, causando eventuais impactos na inadimplência do segmento. Visando evitar a materialização desses riscos, no mês de agosto o Banco Central atuou preventivamente por meio de medidas macroprudenciais com o objetivo de reduzir restrições à oferta de crédito às PMEs42. Nas grandes empresas, avalia-se que eventual aumento de créditos inadimplentes apresentaria impactos apenas pontuais, determinados mais em função da dinâmica adversa de setores localizados do que de fatores generalizáveis. 41/ A Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito no Brasil de junho de 2014, realizada pelo BCB, indica uma oferta menor de crédito para as pessoas jurídicas no próximo trimestre, embora menos restritiva que a observada no trimestre anterior. Os principais fatores, no caso das PME, são os níveis de tolerância ao risco e da inadimplência, e no caso das grandes empresas, as condições gerais da economia e específicas da indústria/setor da empresa, bem como a percepção do risco do tomador de crédito. 42/ A Circular BCB 3.714, de 20 de agosto de 2014, entre outras medidas visando à convergência da regulação da exigência de capital aos padrões internacionais e considerando a fase atual do ciclo de crédito, elevou os critérios de exposição e receita máximas que definem operações contratadas com empresas como elegíveis para a carteira de varejo, ampliando o rol de operações classificáveis no fator de ponderação de risco (Fpr) de 75%. Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 20 Jun 2011 Jun 2012 Jun 2013 Jun 2014 PME Grande Total % Gráfico 2.3.9 – Crescimento anual do crédito Pessoa jurídica específica37 apresentou sinais de elevação no semestre, revertendo o ciclo de redução que vinha ocorrendo desde o segundo semestre de 2012 (gráfico 2.3.8). Os empréstimos sem consignação e as operações com cartão de crédito38 – modalidades mais arriscadas, per se – apresentaram, entre fevereiro e junho, aumento na inadimplência de 6,7% para 7,0% e de 6,4% para 6,7%, respectivamente. A carteira de financiamento de veículos, por sua vez, manteve a trajetória de redução na inadimplência observada nos últimos três semestres, fato esse explicado tanto pelo expressivo fluxo de baixa para prejuízo das operações inadimplidas39, quanto pela manutenção de critérios mais conservadores nas concessões. 10 8 6 4 2 0 Mar 2011 Jun Set Dez Mar 2012 Jun Set Dez Mar 2013 Jun Set Dez Mar 2014 Jun Imobiliário Financiamento rural Consignado Sem consignação Veículos Cartão de crédito % Gráfico 2.3.8 – Inadimplência de PF por modalidade No que tange ao crédito à pessoa jurídica, a análise por porte aponta que pequenas e médias empresas (PME)40 continuaram perdendo participação no estoque total de crédito, de 46,6% em dezembro de 2013 para 45,0% em junho de 2014, consequência de um crescimento cada vez menor da carteira de crédito com essas empresas, em comparação com as grandes empresas (gráfico 2.3.9). Esse fato reflete a manutenção de uma postura mais conservadora das instituições financeiras, 37/ Entenda-se crédito ao consumo sem destinação específica como todo crédito voltado a pessoa física, exceto o financiamento imobiliário, o financiamento rural e o financiamento de veículos. 38/ A inadimplência em cartões de crédito refere-se à soma ponderada das operações em atraso superior a noventa dias nas modalidades cartão a vista, rotativo e parcelado. Trata-se de metodologia distinta de apuração da inadimplência do produto cartão de crédito daquela apresentada na Nota para a Imprensa sobre Política Monetária e Operações de Crédito do SFN e publicada no SGS. 39/ O fluxo de baixas para prejuízo se concentrou especialmente nas operações concedidas durante o período de maior apetite ao risco das instituições financeiras. 40/ A segregação por porte utilizou como proxy o valor devido das operações de crédito doméstico. As PME são aquelas cujas dívidas são inferiores a R$100 milhões, e as grandes, iguais ou superiores a R$100 milhões.
  22. 22. Gráfico 2.4.1 – Retorno sobre o patrimônio líquido anual Acumulado nos últimos doze meses Unidades % 18 15 12 9 6 150 120 90 60 30 Gráfico 2.4.2 – Composição do resultado, antes de tributos sobre faturamento e lucro R$ bilhões Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 21 Gráfico 2.3.10 – Inadimplência Pessoa jurídica % 5 4 3 2 1 Por fim, os principais fatores que marcaram o comportamento do crédito doméstico no primeiro semestre de 2014, como a desaceleração do crescimento e a relativa estabilidade da inadimplência, tendem a continuar presentes no segundo semestre. Mesmo em cenário que apresente algum grau de elevação da inadimplência, ainda assim o SFN apresenta adequados fundamentos para fazer frente a esse ambiente, notadamente, a manutenção tanto do nível adequado de provisões para perdas quanto de políticas saudáveis na concessão de crédito. 2.4 Rentabilidade O RSPL do sistema bancário atingiu 13,7% ao ano (a.a.) em junho de 2014. Desconsiderando os efeitos de uma operação não recorrente43, houve avanço de 0,8 p.p. em relação a dezembro de 2013, alargando a distância entre o RSPL bancário e a Selic, utilizada como proxy para taxa livre de risco44 (gráfico 2.4.1). O resultado líquido de intermediação financeira avançou cerca de R$8 bilhões em relação a dezembro de 2013, em razão da melhora significativa do resultado com tesouraria. A elevação da taxa Selic contribuiu para o aumento das receitas com títulos de renda fixa, ao passo que, com a redução das taxas de juros de longo prazo, o ajuste a valor de mercado de títulos, que vinha gerando perdas desde o início de 2013, voltou a ser positivo no 43/ Em abril de 2013, o Banco do Brasil (BB) alienou parte de sua participação no BB Seguridade, gerando um acréscimo de aproximadamente R$4,7 bilhões no lucro líquido (LL) do sistema bancário. No acumulado de doze meses, esse valor afetou o LL até março de 2014. 44/ Para efeito de comparação com o RSPL, utilizou-se como proxy para taxa livre de risco a média anual da Selic acumulada nos últimos 36 meses, multiplicada por 0,85 para minimizar efeitos tributários. O prazo de 36 meses foi definido com base no prazo médio da carteira de crédito, principal fonte de receita do sistema bancário. primeiro semestre de 2014. O resultado de crédito, por outro lado, recuou pelo segundo semestre seguido, em decorrência da redução da margem, a qual não vem sendo compensada pelo crescimento da carteira (gráfico 2.4.2). 2,2 2,0 1,8 1,6 1,4 200 160 120 80 40 A margem de crédito ainda estará pressionada no curto prazo. O aumento nas taxas de concessão em algumas modalidades colaborou, até junho de 2014, apenas para estabilizar a rentabilidade bruta das operações. O custo de captação, por sua vez, deve permanecer em elevação até o final de 2014, porém em ritmo mais moderado. Ademais, como não se espera redução na inadimplência média do sistema bancário, o recuo nas despesas de provisão45 observado nos últimos semestres não deverá se repetir (gráfico 2.4.3). 45/ Considera-se o resultado de despesas de provisão, líquido de reversões e de recuperação de crédito. 0 Jun 2011 Jun 2012 Jun 2013 Jun 2014 PME Grande Total 1,2 Dez 2009 Jun 2010 Dez Jun 2011 Dez Jun 2012 Dez Jun 2013 Dez Jun 2014 3 RSPL anual do sistema bancário (SB) RSPL anual do SB ajustado (sem efeito da venda do BB Seguridade) Proxy para taxa livre de risco RSPL anual do SB / (0,85 * Selic) (eixo da esquerda) RSPL anual do SB ajustado / (0,85 * Selic) (eixo da esquerda) 0 0 Dez 2012 Jun 2013 Dez Jun 2014 R$ bilhões Resultado com crédito Resultado com tesouraria Receitas com serviços Outros resultados operacionais e não operacionais Despesas administrativas (eixo da esquerda)
  23. 23. Gráfico 2.4.5 – Distribuição de frequência do RSPL anual1/ % dos ativos do sistema 100 80 60 40 20 Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 22 Gráfico 2.4.3 – Margem de crédito Acumulado nos últimos doze meses % 20 16 12 8 4 0 As receitas de serviços continuam aumentando, sustentadas pelo mercado de cartões de crédito. Contudo, com a redução do avanço de fontes importantes, como tarifas bancárias, o ritmo de crescimento das receitas de serviços tem se reduzido gradativamente e está no menor nível desde meados de 2010. A taxa de crescimento das despesas administrativas, por sua vez, que apresentava declínio desde abril de 2012, estabilizou-se a partir do final de 2013 (gráfico 2.4.4). 20 16 12 8 4 Gráfico 2.4.4 – Taxa anual de crescimento Considerando as IF individualmente, a melhora do RSPL levou a um aumento de 51 para 58 no número de IF com RSPL anual acima da proxy para a taxa livre de risco. Contudo, 35 IF, ou 26,5% das instituições, que representam 4,0% dos ativos do sistema, ainda permanecem com prejuízo no acumulado dos últimos doze meses (gráfico 2.4.5). Para o próximo semestre, não há expectativa de retomada expressiva do crédito, tampouco de redução de despesas de provisão e, sem movimentos relevantes na Selic e nas taxas de longo prazo, os ganhos adicionais com tesouraria tendem a ser menores. Ademais, o ritmo de crescimento das receitas de serviços tem desacelerado. Assim, desconsiderando fontes não recorrentes de resultado, o ganho de rentabilidade dependerá, em grande parte, da capacidade de os bancos ganharem eficiência por meio de contenção de despesas. 2.5 Solvência A solvência do sistema bancário apresentou estabilidade e permanece em patamar elevado, apesar da redução absoluta registrada no Índice de Basileia quando se compara o mês de novembro46 de 2013 com junho de 2014. Os índices de capitalização permanecem em níveis superiores aos requerimentos regulatórios, o que, associado aos resultados da simulação da plena implementação do arcabouço de Basileia III e da introdução do futuro requerimento de razão de alavancagem, confirma a situação confortável da solvência do sistema. Em junho de 2014, o IB atingiu 15,5% (gráfico 2.5.1), queda absoluta de 1,1 p.p. em relação a novembro de 2013, influenciada por mudanças regulatórias advindas dos ajustes prudenciais progressivos de Basileia III e alteração no cálculo47 dos ativos ponderados por risco (RWA). Mesmo com a redução do IB, o capital principal (CP), isoladamente, seria suficiente para atender aos três 46/ Em decorrência da introdução do arcabouço regulatório de Basileia III e do calendário para envio de informações ao Banco Central, definido pela Circular BCB nº 3.686, de 29 de novembro de 2013, a edição anterior da seção de solvência do REF analisou o período de junho a novembro de 2013, razão pela qual se analisa nesta edição o período compreendido entre novembro de 2013 e junho de 2014. 47/ Em dezembro de 2013, passaram a produzir efeito as circulares BCB nº 3.679, de 31 de outubro de 2013, e nº 3.696, de 3 de janeiro de 2014, que alteram procedimentos para o cálculo do RWA referente às exposições ao risco de crédito sujeitas ao cálculo do requerimento de capital mediante abordagem padronizada. 0 Jun 2010 Dez Jun 2011 Dez Jun 2012 Dez Jun 2013 Dez Jun 2014 Receita de serviços Despesas administrativas % Dez 2009 Jun 2010 Dez Jun 2011 Dez Jun 2012 Dez Jun 2013 Dez Jun 2014 Rentabilidade bruta das operações Despesa de provisões/operações de crédito Custo de captação Margem líquida de crédito 44 36 51 35 39 58 0 RSPL < 0 0 < RSPL < 0,85 * Selic RSPL > 0,85 * Selic Dezembro 2013 Junho 2014 1/ Os valores dentro das colunas referem-se ao número de IFs com RSPL anual pertencente ao intervalo correspondente.
  24. 24. Gráfico 2.5.2 – Distribuição de frequência para o capital principal/RWA ponderado por ativos1/ 0 0 0 % dos ativos do sistema 14 117 1 0 3 10 118 60 48 36 24 12 0 0 - 4,5 4,5-5,125 5,125-7 7-10,5 >10,5 Novembro 2013 Junho 2014 1/ Os valores dentro das barras referem-se ao número de IFs com índice de capital principal pertencente ao intervalo correspondente. Gráfico 2.5.3 – Evolução da necessidade de capital com regras de 2019 0,4 0,3 - 0,6 1,4 0,1 0,3 0,9 0,8 0,8 R$ bilhões 4,0 3,2 2,4 1,6 0,8 0,0 Nov 2013 Jun 2014 Nov 2013 Jun 2014 Público comercial Privado Capital principal Capital complementar PR_II Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 23 requerimentos regulatórios. O índice de capitalização teria apresentado estabilidade, caso não houvesse alterações regulatórias. Gráfico 2.5.1 – Índices de capitalização e exigência regulatória1/ 16,6 15,5 12,9 12,2 5,5 18 15 12 8 5 O Patrimônio de Referência (PR) atingiu R$619,5 bilhões em junho de 2014, aumento de R$0,5 bilhão em relação a novembro de 2013, influenciado pela progressividade dos ajustes prudenciais de Basileia III, os quais passaram de R$8,7 bilhões em novembro para R$29,5 bilhões em junho de 2014. Contribuíram positivamente para o PR o lucro líquido retido de R$17,0 bilhões e o ganho de R$8,4 bilhões em marcação a mercado de títulos disponíveis para venda e em obrigações referentes a planos de previdência de benefício definido de funcionários. O RWA, influenciado principalmente pela elevação do fator de ponderação de risco das exposições, avançou 7,2%, para R$4.001,1 bilhões, em junho de 2014, montante do qual 89,4% correspondem ao risco de crédito. Em linha com os dados agregados do sistema, verifica-se pouca alteração na capitalização de instituições financeiras entre novembro de 2013 e junho de 2014 (gráfico 2.5.2), ficando apenas uma instituição, responsável por menos de 0,01% dos ativos do sistema, com nível de capital principal inferior ao mínimo exigido, que atualmente é de 4,5% do RWA. A estabilidade no nível de capitalização também é evidenciada quando se simula a aplicação dos ajustes regulatórios de Basileia III em sua totalidade aos dados de novembro de 2013 e de junho de 2014. O IB projetado, caso as regras que entrarão em vigor até 2019 estivessem válidas, ficaria estável em 13,2%, tomando por base o mesmo conjunto de regras48 e os dados de novembro de 2013 e de junho de 201449. Ainda dentro do exercício de projeção, a necessidade total de capital do sistema (gráfico 2.5.3) para atender os requerimentos futuros50 se reduziu de R$3,4 bilhões em novembro de 2013 para R$2,1 bilhões em junho de 2014, equivalente a 0,3% do PR do SFN. Os bancos privados reduziram a necessidade projetada de R$2,7 bilhões para R$1,2 bilhão, ao passo que a necessidade dos bancos públicos comerciais elevou-se de R$0,7 para R$0,9 bilhão. 48/ Nesse exercício, as alterações normativas promovidas pelas circulares BCB nº 3.696, nº 3.711 e nº 3.714, de 3 de janeiro de 2014, 24 de julho de 2014 e 20 agosto de 2014, respectivamente, são consideradas. Elas afetam os índices de capitalização e realinham o requerimento de capital para algumas modalidades de exposição. 49/ O presente exercício, por se tratar de uma simulação, já considera como capital principal os instrumentos híbridos de capital e dívida adquiridos pela União e emitidos pelos bancos públicos comerciais, em função de readequação das cláusulas e nova autorização do BCB, nos termos da Resolução CMN nº 4.192, de 1º de março de 2013. 50/ Em 2019, considera-se requerimento de 7% do RWA constituído sob a forma de capital principal, 8,5% do RWA sob a forma de capital nível I e 10,5% do RWA sob a forma de PR, contemplando o limite inferior do adicional de capital principal, conforme a Resolução CMN nº 4.193, de 1º de março de 2013. 11,8 11,0 4,5 2 Nov 2013 Jan 2014 Mar Jun % Índice de capital principal Índice de patrimônio de referência nível I Índice de Basileia 1/ As linhas pontilhadas representam os requerimentos regulatórios para os diferentes níveis de capital.
  25. 25. Gráfico 2.5.6 – Capital/ativos e IB Últimos dados disponíveis1/ KO 15 12 9 6 3 Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 24 Ainda com base nas simulações de Basileia III, verificam-se alterações pontuais no nível de capitalização das instituições financeiras (gráfico 2.5.4), em linha com o dado agregado do sistema. Gráfico 2.5.4 – Distribuição de frequência para o capital principal/RWA projetado para 2019 ponderado por ativos1/ 2 0 1 16 % dos ativos do sistema 75 60 45 30 15 A sólida situação de solvência do SFN é também constatada quando se analisa a situação brasileira em relação ao futuro requerimento regulatório, a Razão de Alavancagem (gráfico 2.5.5), que entrará em vigor em janeiro de 2018, segundo o Comitê da Basileia de Supervisão Bancária. A propósito, em 25 de julho de 2014, o BCB disponibilizou para consulta pública a minuta de normativo referente à razão de alavancagem51. Os cálculos preliminares reforçam a percepção de solidez do sistema, obtendo-se o valor de 7,3% para o SFN em junho de 2014, frente ao requerimento inicial de 3%. Gráfico 2.5.5 – Distribuição de frequência para a razão de alavancagem ponderado por ativos1/ % dos ativos do sistema 80 64 48 32 16 51/ Para mais informações, ver <https://www3.bcb.gov.br/audpub/Anexos/ Download?caminho=/editais/edt_60/EditalConsultaPublica44.pdf> e <http://www.bis.org/publ/bcbs270.htm>. Outros indicadores de solidez como o IB e a relação Capital/Ativos, uma medida mais simples de alavancagem, também corroboram a percepção da robustez do SFN, quando comparado a outras jurisdições. (gráfico 2.5.6). Concluindo, a solvência do sistema bancário continua elevada, com níveis de capitalização adequados para suportar os riscos assumidos. Grande parte da variação nominal dos referidos índices é resultado do cronograma progressivo de implementação de Basileia III e de alteração no método de cálculo do RWA. Simulações desconsiderando alterações na metodologia de cálculo reforçam a conclusão acerca da estabilidade da solvência em patamar elevado. 2.6 Testes de estresse de capital52 Com a finalidade de mensurar a resistência, bem como a capacidade de absorção de perdas do sistema bancário à materialização dos principais riscos a que se encontra exposto, foram simuladas alterações extremas e adversas nas principais variáveis econômicas e financeiras. Apesar de a necessidade de capitalização na análise de cenário ter aumentado em relação ao teste realizado em dezembro de 2013, os resultados obtidos permitem concluir que o sistema bancário brasileiro apresenta adequada capacidade de suportar tanto os efeitos de choques decorrentes de cenários adversos por seis trimestres consecutivos, quanto de mudanças abruptas nas taxas de juros e de câmbio ou na inadimplência. 52/ Para detalhes sobre o conceito de “testes de estresse” e a metodologia relacionada aos testes e cenários, refira-se ao anexo “Conceitos e Metodologias – Estresse de capital”. 2 5 13 16 96 0 0-3 3-5 5-7 7-9 >9 Junho 2014 1/ Os valores dentro das barras referem-se ao número de IFs com índice % de alavancagem pertencente ao intervalo correspondente. 111 3 0 1 12 116 0 0 - 4,5 4,5-5,125 5,125-7 7-10,5 >10,5 Novembro 2013 – Proj. 2019 Junho 2014 – Proj. 2019 1/ Os valores dentro das barras referem-se ao número de IFs com índice de capital principal pertencente ao intervalo correspondente. AU FR IN CH IT RU JP USA UK SA CA AR MX BR/2 ID TU GE 0 10 12 14 16 18 20 Fonte: FMI. 1/ As siglas acima correspondem a: Capital/ativos (%) IB (%) AR = Argentina; AU = Austrália; BR = Brasil; CA = Canadá; CH = China; FR = França; GE = Alemanha; ID = Indonésia; IN = Índia; IT = Itália; JP = Japão; KO = Coreia do Sul; MX = México; RU = Rússia; SA = África do Sul; TU = Turquia; UK = Reino Unido; e USA = Estados Unidos da América. 2/ As informações divergem dos dados encontrados em <http://fsi.imf.org>, em razão de serem utilizados dados de junho de 2014 do BCB, ainda não disponíveis no referido sítio.
  26. 26. base, VAR estressado, quebra estrutural e pior histórico. As inadimplências projetadas podem ser vistas no gráfico 2.6.1. Os resultados do VAR Estressado revelam que a inadimplência projetada atingiria o pico de 5,4%, superando as provisões constituídas em junho de 2014 em 0,9 p.p. Para o cenário de quebra estrutural, o pico seria de 5,5%. Ambos seriam atingidos em dezembro de 2015. Apesar de a necessidade de capital apresentar um leve aumento em relação aos testes efetuados em dezembro de 2013 (gráfico 2.6.2), em todos os cenários o sistema bancário permaneceria com seus índices de capitalização acima dos mínimos regulamentares. Gráfico 2.6.2 – Necessidades de capital VAR estressado – Evolução % do PR 3,0 2,4 1,8 1,2 0,6 Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 25 2.6.1 Análise de cenário – Testes de estresse nas condições macroeconômicas A análise de cenário baseia-se em modelo estatístico que relaciona cenários macroeconômicos ao risco de crédito da carteira de empréstimos e financiamentos dos bancos. Essa análise contempla quatro cenários para um horizonte de tempo de seis trimestres consecutivos e projeta a inadimplência e o crescimento da carteira de crédito a partir desses cenários. Todos eles são baseados na projeção do produto e das taxas de juros, de câmbio e de inflação, além de choques externos medidos pelo prêmio de risco Brasil e pelos juros americanos. Na tabela 2.6.1, podem ser observados os valores das variáveis que compõem cada um dos cenários: cenário Tabela 2.6.1 – Cenários de estresse macroeconômico (dezembro de 2015) Cenários Jun/14 Cenário base1/ VAR estressado (α = 5%) Quebra estrutural Pior histórico Produto (IBC-Br) 1,4% 1,2% -1,7% -1,7% -0,2% Juros (Selic) 10,9% 12,0% 8,8% 19,7% 12,1% Câmbio (R$/US$) 2,23 2,49 3,57 3,75 2,89 Inflação (IPCA) 6,3% 6,0% 4,7% 16,5% 10,8% Desemprego (PME-IBGE) 4,4% 4,4% 8,9% 8,9% 5,0% Prêmio de risco (EMBI Brasil+)2/ 209 209 209 209 302 Juros americanos (Treasury 10 anos) 2,6% 2,6% 5,1% 5,1% 2,4% constantes por todo o período de projeção. dez./2015. Adversos 1/ As variáveis obtidas da pesquisa Focus são a previsão para o PIB, a Selic, o câmbio e a inflação. As demais variáveis são mantidas 2/ Para o VAR estressado e quebra estrutural, o prêmio máximo, igual a 401, é atingido em dez./2014, retornando gradativamente ao valor inicial em 0,0 0 1 2 3 4 5 6 Trimestres Dezembro 2013 Junho 2014 Gráfico 2.6.1 – Estresse macroeconômico Inadimplência projetada % 6,0 4,8 3,6 2,4 1,2 0,0 Jun 2014 Set Dez Mar 2015 Jun Set Dez Cenário base VAR estressado (α = 5%) Quebra estrutural Pior histórico Provisões constituídas (jun./2014)
  27. 27. Gráfico 2.6.4 – Análise de sensibilidade Risco de taxa de juros 4,2 2,1 44 0,0 0,0 15,4 14,3 Máx. variação em 21 dias desde jan./1999 Negativa Positiva USADO ESTE 2.6.3 NO REF201406 13,0 4,6 0,9 0,6 0,1 40 36 32 28 24 Nível II Complementar Bancos desenquadrados (% do ativo total) 2,3 160 156 152 148 144 140 136 132 128 124 120 116 112 108 104 Gráfico 2.6.5 – Análise de sensibilidade Risco de crédito 15,4 11,7 4,1 0,2 Bancos desenquadrados (% do ativo total) Nível II Complementar Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 26 Após seis trimestres de deterioração macroeconômica, a necessidade estimada de capitalização do sistema para que nenhum banco ficasse desenquadrado53 seria de 2,5% do patrimônio de referência atual do sistema, quase toda ela formada por capital de nível 2 (gráfico 2.6.3). Gráfico 2.6.3 – Necessidades de capital VAR estressado Índice de Basileia (%) % do PR 18,0 14,4 10,8 7,2 3,6 6 5 4 2 1 2.6.2 Análise de sensibilidade A análise de sensibilidade consiste na aplicação de variações incrementais nas taxas de juros e de câmbio e na inadimplência, bem como na mensuração do efeito isolado das variações de cada uma dessas variáveis sobre o capital e os índices de capitalização dos bancos, mantendo-se os demais fatores de risco inalterados. No pior caso, se a taxa de juros fosse reduzida para algo próximo a 1,0% a.a., dezesseis instituições bancárias, detentoras de 4,2% do total de ativos do sistema, ficariam desenquadradas. Essas instituições necessitariam de um aporte equivalente a 6,0% do capital do sistema para evitar um desenquadramento (gráfico 2.6.4). Nos choques simulados, nenhuma instituição bancária ficaria insolvente. Os testes de sensibilidade às taxas de câmbio revelam que os impactos seriam irrelevantes para o sistema. O resultado relativo aos testes de sensibilidade à materialização do risco de crédito, sumarizados no gráfico 2.6.5, indica que, caso se repita a maior inadimplência já observada no sistema bancário brasileiro desde dezembro de 2000, próxima a 7%, a representatividade dos ativos 53/ Uma instituição é considerada desenquadrada se não atender a qualquer um dos três índices de exigência de capital: Índice de Basileia (IB), Índice de Capital Nível 1 (IPR1) e Índice de Capital Principal (ICP). das instituições bancárias desenquadradas seria de 0,7% do total de ativos do sistema bancário. 10 8 6 4 2 Em uma situação de inadimplência extrema, próxima de 14,5%, as instituições desenquadradas necessitariam de um aporte de capital de 6,6% do patrimônio de referência do sistema para evitar o desenquadramento. Os resultados das análises de sensibilidade confirmam que o sistema bancário brasileiro apresenta elevada capacidade de suportar situações adversas, uma vez que os índices de capitalização do conjunto de instituições bancárias se mantêm sempre acima dos mínimos regulamentares. 0,0 0 Jun 2014 Set Dez Mar 2015 Jun Set Dez Capital principal (dir.) Complementar (dir.) Nível 2 (dir.) Índice de Basileia 0,8 0,2 0 20 1% 4% 7% 10% 13% 16% 19% 22% Taxa de juros de 6 meses Necessidade de capital (% do capital total): Principal Bancos em insolvência (% do ativo total) IB estressado (%) 2,3 0,0 48,1 16 14 12 10 8 6 4 2 0 100 96 92 88 84 80 76 72 68 64 60 56 52 48 44 40 36 32 28 24 20 16 12 8 4 0 3 6 9 12 Inadimplência média do sistema (%) Provisão constituída atual Bancos em insolvência (% do ativo total) IB estressado (%) Necessidade de capital (% do capital total): Principal
  28. 28. Evolução do Endividamento das Empresas não Financeiras após a Crise Internacional de 2008 1 Alavancagem das empresas no Brasil O endividamento das pessoas jurídicas triplicou entre junho de 2008 e junho de 2014 (gráfico 1), com aumento efetivo do total de recursos captados nos mercados de capitais e externo, mas com maior destaque ao crédito bancário com recursos direcionados. Observa-se, no período, que o crédito bancário doméstico com recursos livres continuou sendo a principal fonte de recursos, perdendo porém representatividade frente ao mercado externo e ao crédito bancário doméstico com recursos direcionados (gráfico 2). 400 340 280 220 160 Importante notar, entretanto, que o crédito à pessoa jurídica cresceu no período a uma taxa superior à do PIB. A alavancagem das empresas, representada pela razão crédito corporativo sobre PIB (gráfico 3), subiu para 49,2% em junho de 2014, o que significa um nível ainda confortável em comparação aos demais países. Segundo dados do Relatório de Estabilidade Financeira Global (GFSR, 2014), esta relação no Brasil estaria na mediana dos países emergentes e abaixo das economias desenvolvidas. Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 27 No cenário de baixas taxas de juros e abundante liquidez que predominou no mercado internacional após a crise financeira de 2008, diversas empresas do setor não financeiro de economias emergentes, como o Brasil, beneficiaram-se das condições mais favoráveis de financiamento para intensificar as captações no mercado externo. Em termos globais, os movimentos de emissões corporativas e o consequente aumento no endividamento trouxeram preocupações associadas à estabilidade financeira e têm sido objeto de discussão nos principais fóruns relacionados a esse tema (ver, por exemplo, GFSR1, 2014 e BIS2, 2014). De fato, em tese, o aumento do endividamento e a maior exposição ao mercado internacional implicam potencial sensibilidade a mudanças nos cenários interno e externo, especialmente com o processo de normalização gradual das políticas monetárias dos países desenvolvidos, principalmente dos Estados Unidos. Nesse contexto, esta nota apresenta sucintamente uma avaliação dos riscos relacionados à estrutura de financiamento das empresas no Brasil. Destaca-se que uma eventual transição de cenário apontaria para riscos em níveis controlados, em razão das características da estrutura de financiamento das empresas que operam no país, as quais apresentam alavancagem agregada confortável, comprometimento de renda estável e endividamento em moeda estrangeira proporcionalmente baixo. 1/ Fundo Monetário Internacional, “Chapter 1 – Making the transition from liquidity to growth-driven markets”, Global Financial Stability Report, 2014. 2/ Bank for International Settlements, “Chapter IV - Debt and the financial cycle: domestic and global”, 84th BIS Annual Report, 2013/2014. 100 Jun 2008 Jun 2009 Jun 2010 Jun 2011 Jun 2012 Jun 2013 Jun 2014 Crédito livre Crédito direcionado Merc. de capitais Merc. externo – R$ Merc. externo – US$ Total PJ % Gráfico 1 – Endividamento PJ Base jun./2008 = 100 Fontes: BCB e Cetip
  29. 29. 100 84 68 52 36 Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 28 Gráfico 2 – Participação no endividamento PJ Por fonte de recursos 24 29 100 80 60 40 20 % 50 40 30 20 10 Se, por um lado, a alavancagem em termos agregados é limitada, por outro, deve ser considerada a maior sensibilidade a mudanças nos cenários interno e externo em decorrência do aumento do endividamento e da exposição ao mercado externo. Notadamente, as duas principais questões a serem avaliadas em relação ao setor não financeiro em um hipotético cenário de reversão das condições de financiamento seriam os potenciais impactos na capacidade de pagamento das empresas e no montante do endividamento, decorrente da exposição cambial. Tais questões são avaliadas a seguir3. 2 Capacidade de pagamento Apesar do aumento do endividamento, não foram observadas variações significativas no 3/ Nas análises foram utilizadas informações detalhadas das bases de dados de monitoramento do SFN, entre elas as informações de dívida bancária doméstica do Sistema de Informações de Crédito (SCR), de dívida externa, de debêntures e das operações de derivativos cambiais das câmaras de registro. comprometimento de renda4. Tal comportamento é reflexo de uma melhora no perfil de endividamento do setor não financeiro, em termos de maturidade e custo, influenciada pelo aumento da participação do crédito com recursos direcionados, da dívida externa e do mercado de capitais, que têm prazos mais longos e taxas mais baixas. Após a estabilidade observada no semestre anterior, em 2014 o comprometimento de renda voltou a registrar leve elevação, porém encontrando-se atualmente em patamares relativamente semelhantes aos observados em períodos anteriores (gráfico 4). Além disso, eventuais variações nas taxas de juros tem efeito limitado na capacidade de pagamento, tendo em conta que aproximadamente 30% do crédito à pessoa jurídica origina-se com recursos direcionados, contratados com taxas e indexadores regulados, menos sensíveis a alterações nos juros. 3 Risco cambial Não obstante o aumento do endividamento no mercado externo, a representatividade da dívida corporativa referenciada em moeda estrangeira não sofreu alteração em relação ao período pré-crise, mantendo-se em aproximadamente um terço da dívida total. A participação da dívida em moeda estrangeira das empresas no Brasil é relativamente baixa, pois se encontra entre as menores em comparação aos demais países emergentes, conforme mostra o GFSR (2014). 4/ Para mais detalhes sobre o comprometimento de renda pessoa jurídica, ver seção “Conceitos e metodologias”, item c. 43 31 25 30 8 10 0 Jun 2008 Jun 2014 Crédito livre Crédito direcionado Merc. de capitais Merc. externo % Fontes: BCB e Cetip 0 Jun 2008 Jun 2009 Jun 2010 Jun 2011 Jun 2012 Jun 2013 Jun 2014 Gráfico 3 – Endividamento PJ sobre PIB 20 Jun 2011 Jun 2012 Jun 2013 Jun 2014 Gráfico 4 – Comprometimento de renda PJ %
  30. 30. Gráfico 5 – Dívida em moeda estrangeira Por tipo de devedor 16,8% 16,0% Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 29 Além disso, as exposições em moeda estrangeira concentram-se em um conjunto limitado de empresas de grande porte, dado que menos de 1% dos devedores possuem alguma dívida em moeda estrangeira, ainda que respondam por mais de 60% da dívida total5. Desse conjunto de empresas com exposição à moeda estrangeira, foram mapeadas aquelas que apresentariam maior vulnerabilidade a choques na taxa de câmbio, uma vez que parte estaria protegida por possuir algum tipo de hedge, de natureza operacional ou financeira. Nesse sentido, observa-se que as empresas exportadoras6, ou seja, aquelas que possuem hedge natural relativo à sua atividade operacional7, respondem por mais de um terço da dívida total em moeda estrangeira. Além disso, a participação das empresas não exportadoras que usam o mercado de derivativos local para proteger suas exposições à moeda estrangeira corresponde a quase 20% do total do endividamento em moeda estrangeira das empresas não financeiras. Após essa filtragem inicial, tem-se que as empresas não exportadoras sem hedge8 representam quase metade da dívida total em moeda estrangeira (gráfico 5). 5/ O padrão metodológico internacional para a compilação das estatísticas do setor externo, incluindo as de dívida externa, adota o conceito de residência e não o de nacionalidade. Dessa forma, as estatísticas do endividamento externo brasileiro, compiladas pelo Banco Central do Brasil, não incluem os títulos no exterior emitidos por subsidiárias não residentes (isto é, residentes no exterior) de empresas residentes. No entanto, a grande maioria dos recursos provenientes dessas emissões é, em seguida, internalizada no país, na forma de empréstimo intercompanhia, da subsidiária no exterior para a residente no Brasil. Nesse momento, a dívida externa brasileira é sensibilizada, havendo, portanto, perda pouco relevante de informação. 6/ Definiu-se como exportadora, para fins desta análise, a empresa que tenha exportado em 2013, segundo a Secretaria de Comércio Exterior, e que possua pelo menos 50% da dívida vinculada a alguma linha de crédito ao comércio exterior. 7/ Um aumento do custo da dívida em um hipotético cenário de depreciação do real seria compensado por um acréscimo das receitas advindas do exterior. 8/ Uma empresa foi considerada como sem hedge se não é exportadora e se o percentual da dívida em moeda estrangeira menos a dívida vinculada à exportação menos a posição comprada em derivativo cambial no mercado doméstico é maior que 20% da dívida total. Cabe ainda ressaltar que mesmo uma empresa aqui considerada como sem hedge pode estar totalmente protegida no mercado de derivativos no exterior. 35,6% 17,5% 14,1% Exportadora Não exportadora com hedge Não exportadora sem hedge – matriz no exterior Não exportadora sem hedge – com ativo no exterior Não exportadora sem hedge – outros Alguns outros fatores mitigadores de risco podem ser considerados na análise, como, por exemplo, se a empresa fizer parte de um grupo econômico com sede no exterior, o que aumentaria a possibilidade de suporte financeiro intra-grupo. Ou ainda, a empresa possuir ativos no exterior em montante relevante que possam compensar ou justificar economicamente a exposição em moeda estrangeira9. Ao excluir estes grupos, a participação das empresas não exportadoras sem hedge cai para 16,8% da dívida total em moeda estrangeira. Assim, sem considerar exposições de natureza especulativa, o grupo de empresas que não possui proteção cambial relevante e conhecida é bastante restrito em relação ao total das pessoas jurídicas com endividamento sujeito a riscos cambiais. A exposição em moeda estrangeira desse grupo de empresas representa 2,9% do PIB (gráfico 6) e corresponde a 5,8% da dívida total das empresas não financeiras. Considerando, ainda, instrumentos de proteção cambial10, esse percentual cai a 5,1% da dívida total das empresas não financeiras, o que sugere tratar-se de conjunto bastante limitado de empresas sujeito a impactos decorrentes do risco cambial. 9/ Para definir o critério de relevância, considerou-se que os ativos no exterior devem representar pelo menos 70% da dívida em moeda estrangeira sem hedge. Devido à limitação de dados, passivos no exterior de empresas brasileiras não residentes que não foram internalizados, mesmo através de empréstimos intercompanhia, não foram considerados. 10/ Mesmo empresas consideradas sem hedge para fins desta análise podem ter algum tipo de proteção à variação cambial, ainda que abaixo do ponto de corte de relevância definido na nota de rodapé número 8.
  31. 31. Setembro 2014 | Relatório de Estabilidade Financeira | 30 2,9 2,7 2,4 3,0 6,1 32,1 50 40 30 20 10 0 Dívida em ME (não exportadora sem hedge – outros) Dívida em ME (não exportadora sem hedge – com ativo no exterior) Dívida em ME (não exportadora sem hedge – matriz no exterior) Dívida em ME (não exportadora com hedge local) Dívida em ME (exportadora) Dívida em moeda local % PIB Gráfico 6 – Dívida corporativa total, por moeda Crédito bancário + mercado de capitais + dívida externa 4 Conclusão Tal como nos demais países emergentes, as empresas no Brasil, nos últimos anos, se beneficiaram de condições de financiamento mais favoráveis no mercado externo para captar com taxas de juros mais baixas e prazos mais longos. Entretanto, a normalização da política monetária nos países desenvolvidos implica a transição para um cenário de custo de financiamento mais alto e liquidez menor. Assim, apesar da limitação de dados e das premissas simplificadoras adotadas, é possível destacar que a transição de cenário aponta para riscos controlados, tendo em conta o nÀ

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