SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 3
Baixar para ler offline
“A humanidade não pode libertar-se da violência senão por meio da não-
       violência.”

                                                             Mahatma Gandhi

    Nos recreios das nossas escolas, apercebemo-nos de crianças isoladas, caladas, sem
vontade para brincar. Pensamos que tenha a ver com tudo, excepto com alguma atitude
menos boa, por parte de um colega que se diz mais forte. Atitudes agressivas,
intencionais e repetidas, que acontecem sem causa aparente, são praticadas pelo
agressor ou mais indivíduos contra outro (s), causando dor e angústia, e executadas
dentro de uma relação desigual de poder.
    O bullying não é um problema novo, mas a sua extensão só começou a ser
pesquisada e divulgada nos últimos anos. Introduzido nos países escandinavos, no início
da década de 80, este acto mais conhecido por bullying assegura a agressão moral,
verbal e até corporal sofrida pelos alunos, provocando sofrimento na vítima, tomando
em certas situações, consequências fatais. O cientista sueco, Dan Olweus, define
bullying em três termos essenciais: o comportamento é agressivo e negativo; o
comportamento é executado repetidamente; o comportamento ocorre num
relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.1
    Por outras palavras, o agressor assume a posição de “chefe”, na qual adopta atitudes
repetidas, ofensivas e negativas para com a vítima, mostrando deste modo, uma
instabilidade de poder. "O bullying é praticado em 100% das escolas de todo o mundo.
Na maioria das vezes, ele é visto como brincadeira própria do amadurecimento da
criança. Mas é devido a essa interpretação equivocada que a prática vem se alastrando
cada vez mais”, diz Rafael Argemon.
“E o que está na base desta violência gratuita?”2 Quais são os motivos para uma criança
“apoderar-se” de outra mais fraca e faze-la sofrer? Os agressores são normalmente
crianças inseguras e que para demonstrarem, que não o são, mostram-se e deixam a sua
marca através da agressão contra as outras crianças. Por momentos, este acto serve para
o agressor afastar os seus medos.
     No contexto escolar, todos as razões são válidas para colocar a vítima numa
situação de inferioridade. Segundo a psicóloga Sónia Seixas, "O agressor exerce a sua
supremacia através da força física, pelo facto de ser mais velho, de ter mais
popularidade na escola e de ter um grupo de pares mais alargado. Contrariamente à
vítima, que, regra geral, é um aluno mais negligenciado, mais rejeitado e com menos
amigos que o defendam."3

1
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying#cite_note-nces-1

2
    http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/action/2/cnt_id/2231/


3
    http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/action/2/cnt_id/2231/~
Estatisticamente, os agressores são indivíduos carentes de compreensão. Mostram
na escola, o lado mau que vivem todos os dias dentro do seio familiar desestruturado, no
qual não há relacionamentos afectivos entre os seus membros. Os pais não
desempenham o papel de pais atenciosos, presentes na vida da criança, aceitam e
praticam soluções erradas para os problemas do dia-a-dia. Regra geral, crianças que
praticam o bullying têm grande probabilidade de se tornarem adultos com
comportamentos anti-sociais e/ou violentos, e se não forem travados a tempo, levar-lhos
posteriormente a uma entrada na vida criminal.
     Os agressores têm um carácter autoritário que em conjunto com a forte necessidade
de controlar ou dominar, magoam os mais fracos. Segundo alguns estudos o défice de
habilidades, a inveja e o ressentimento são mais que razões para que haja bullying. Para
alguns, este factor de risco tem origem na infância e deve ser combatido nesta idade:
        "Se o comportamento agressivo não é desafiado na infância, há o risco de que
ele se torne habitual. Realmente, há evidência documental que indica que a prática do
bullying durante a infância põe a criança em risco de comportamento criminoso e
violência doméstica na idade adulta." 4
        As acções do bullying representam actos ilícitos, ora por desrespeitarem os
princípios constitucionais (ex: dignidade da pessoa humana) ora por desprezarem as
normas do Código Civil, e consequentemente os actos de bullying também podem
enquadrar-se no Código de Defesa do Consumidor, pois as escolas prestam serviço aos
consumidores e são responsáveis por actos de bullying que ocorram nesse contexto.
        Nas escolas, o bullying geralmente ocorre em áreas com supervisão adulta
mínima ou inexistente. Ela pode acontecer em praticamente qualquer parte, dentro ou
fora do prédio da escola.
        Em Abril de 2009, Ed Balls, Ministro da Educação no Reino Unido, apelou a
todos os directores das escolas de Sua Majestade, à expulsão de alunos repetidamente
suspensos. Pesquisas recentes (2002) divulgadas na Inglaterra demonstraram que o
bullying na escola é a maior preocupação dos pais, à frente da qualidade e, dos métodos
de ensino. Mas nem as multas aos pais, no valor de 50 libras, por cada vez que os filhos
pratiquem actos de indisciplina, parecem ter o efeito dissuasor necessário para o
combate à indisciplina e à violência escolar, visto que são os pais que a pagam. Se não
pagarem a multa no prazo de 28 dias, a multa sobre para o dobro. Os alunos
repetidamente suspensos passaram, nos últimos quatro anos, de 310 para 800. E,
durante o mesmo período, as expulsões do sistema diminuíram de 13% para 8,6%. Em
proporção com Portugal, o número de suspensões é pequeno. O Reino Unido tem seis
vezes a população de Portugal. E, como é óbvio, no nosso país não há expulsões do
sistema. O Governo do Reino Unido está a preparar legislação, que permita a separação
dos alunos indisciplinados que sistematicamente prejudicam os restantes alunos da
turma. Esses alunos devem ser integrados em turmas especiais onde lhes será facultado



4

http://www.apespan.com/index.php?option=com_content&view=article&id=85:bullying&catid=1:destaq
ues
apoio psicológico e programas especiais, afirmou o Ministro da Educação do Reino
Unido.5
       Mas o que fazer para combater ou pelos menos reduzir o bullying nas escolas?
Numa primeira visão, a melhor forma de tratar o bullying é evitar que ocorra. Não existe
uma só solução para todas as escolas do mundo. Uma vez que cada escola localiza-se
em diferentes contextos sociais e estes por sua vez diferem entre si, as respostas aos
problemas encontrados não podem ser empregues da mesma forma dai, que cada escola
deva promover o seu próprio plano para o combate ao bullying.
       Uma outra proposta é fazer mensalmente, por exemplo, questionários a todos os
alunos, com o objectivo que avaliar a situação. Quanto mais cedo o bullying cessar,
melhor será o resultado para todos os alunos. Intervir imediatamente, logo que haja
suspeita da existência de bullying na escola mantendo atenção permanente sobre o
assunto para que estejamos todos alerta num sistema de cooperação entre todos os
intervenientes no meio escolar.6




5
    http://www.profblog.org/2009/04/ministro-da-educacao-do-reino-unido.html

6
    http://www.bullying.com.br/BEstrategias22.htm#QuaisEstrat

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Violência na escola entre alunos
Violência na escola entre alunosViolência na escola entre alunos
Violência na escola entre alunosmisscat
 
Violencia Na Escola. Carol E Patti
Violencia Na Escola. Carol E PattiViolencia Na Escola. Carol E Patti
Violencia Na Escola. Carol E Pattigatocachorro
 
Questão Social - Causas da Violência na Escola
Questão Social - Causas da Violência na EscolaQuestão Social - Causas da Violência na Escola
Questão Social - Causas da Violência na EscolaCarol Alves
 
Indisciplina e violência na escola
Indisciplina e violência na escolaIndisciplina e violência na escola
Indisciplina e violência na escolalucia_nunes
 
Violência Escolar
Violência EscolarViolência Escolar
Violência Escolarannokax
 
Palestra violencia na escola
Palestra violencia na escolaPalestra violencia na escola
Palestra violencia na escolaFábio Yamano
 
TCC 2011-PEDAGOGIA Sobre VIOLÊNCIA NA ESCOLA
TCC 2011-PEDAGOGIA Sobre VIOLÊNCIA NA ESCOLATCC 2011-PEDAGOGIA Sobre VIOLÊNCIA NA ESCOLA
TCC 2011-PEDAGOGIA Sobre VIOLÊNCIA NA ESCOLAregina luzia barros
 
ESCOLA CORNÉLIA. PROJETO FORPAZ. PROF. AUGUSTO CARVALHO.
ESCOLA CORNÉLIA. PROJETO FORPAZ. PROF. AUGUSTO CARVALHO.ESCOLA CORNÉLIA. PROJETO FORPAZ. PROF. AUGUSTO CARVALHO.
ESCOLA CORNÉLIA. PROJETO FORPAZ. PROF. AUGUSTO CARVALHO.Antônio Fernandes
 
Violência na Escola Elci_Elciene
Violência na Escola   Elci_ElcieneViolência na Escola   Elci_Elciene
Violência na Escola Elci_ElcieneElciene Oliveira
 
Apresentação1 bullying
Apresentação1 bullyingApresentação1 bullying
Apresentação1 bullyingmemosisa
 

Mais procurados (19)

Violência na escola entre alunos
Violência na escola entre alunosViolência na escola entre alunos
Violência na escola entre alunos
 
Violencia Na Escola. Carol E Patti
Violencia Na Escola. Carol E PattiViolencia Na Escola. Carol E Patti
Violencia Na Escola. Carol E Patti
 
A violência escolar ao longo da história
A violência escolar ao longo da históriaA violência escolar ao longo da história
A violência escolar ao longo da história
 
Violência na escola
Violência na escolaViolência na escola
Violência na escola
 
Questão Social - Causas da Violência na Escola
Questão Social - Causas da Violência na EscolaQuestão Social - Causas da Violência na Escola
Questão Social - Causas da Violência na Escola
 
Indisciplina e violência na escola
Indisciplina e violência na escolaIndisciplina e violência na escola
Indisciplina e violência na escola
 
Violência nas escolas palestra para crianças
Violência nas escolas palestra para criançasViolência nas escolas palestra para crianças
Violência nas escolas palestra para crianças
 
Violência Escolar
Violência EscolarViolência Escolar
Violência Escolar
 
Palestra violencia na escola
Palestra violencia na escolaPalestra violencia na escola
Palestra violencia na escola
 
Bullying na Escola
Bullying na EscolaBullying na Escola
Bullying na Escola
 
TCC 2011-PEDAGOGIA Sobre VIOLÊNCIA NA ESCOLA
TCC 2011-PEDAGOGIA Sobre VIOLÊNCIA NA ESCOLATCC 2011-PEDAGOGIA Sobre VIOLÊNCIA NA ESCOLA
TCC 2011-PEDAGOGIA Sobre VIOLÊNCIA NA ESCOLA
 
Bullying 5ºano
Bullying 5ºanoBullying 5ºano
Bullying 5ºano
 
ESCOLA CORNÉLIA. PROJETO FORPAZ. PROF. AUGUSTO CARVALHO.
ESCOLA CORNÉLIA. PROJETO FORPAZ. PROF. AUGUSTO CARVALHO.ESCOLA CORNÉLIA. PROJETO FORPAZ. PROF. AUGUSTO CARVALHO.
ESCOLA CORNÉLIA. PROJETO FORPAZ. PROF. AUGUSTO CARVALHO.
 
Violência na Escola Elci_Elciene
Violência na Escola   Elci_ElcieneViolência na Escola   Elci_Elciene
Violência na Escola Elci_Elciene
 
Violência Escolar
Violência EscolarViolência Escolar
Violência Escolar
 
Como podemos diminuir a violência física e verbal
Como podemos diminuir a violência física e verbalComo podemos diminuir a violência física e verbal
Como podemos diminuir a violência física e verbal
 
Apresentação1 bullying
Apresentação1 bullyingApresentação1 bullying
Apresentação1 bullying
 
Bullying, isso não é brincadeira!
Bullying, isso não é brincadeira!Bullying, isso não é brincadeira!
Bullying, isso não é brincadeira!
 
A violência escolar ao longo da história
A violência escolar ao longo da históriaA violência escolar ao longo da história
A violência escolar ao longo da história
 

Destaque

Símbolos Da 1ª República
Símbolos Da 1ª RepúblicaSímbolos Da 1ª República
Símbolos Da 1ª RepúblicaBibJoseRegio
 
Концепция дизайн-оформления программы "7дней"
Концепция дизайн-оформления программы "7дней"Концепция дизайн-оформления программы "7дней"
Концепция дизайн-оформления программы "7дней"Usanov Aleksey
 
Bildschirmfoto 2015-12-18 um 14.13.16
Bildschirmfoto 2015-12-18 um 14.13.16Bildschirmfoto 2015-12-18 um 14.13.16
Bildschirmfoto 2015-12-18 um 14.13.16Jörg Fessler
 
Documento de providencias aud copa do mundo
Documento de providencias aud copa do mundoDocumento de providencias aud copa do mundo
Documento de providencias aud copa do mundoProfessora Josete
 
2. Carta referencia profesional Pablo Ozaeta Angela Lazaro-signed
2. Carta referencia profesional Pablo Ozaeta Angela Lazaro-signed2. Carta referencia profesional Pablo Ozaeta Angela Lazaro-signed
2. Carta referencia profesional Pablo Ozaeta Angela Lazaro-signedPablo Ozaeta
 
Seminário gestão democratica 2011 formatado
Seminário gestão democratica 2011 formatadoSeminário gestão democratica 2011 formatado
Seminário gestão democratica 2011 formatadoProfessora Josete
 
Workshop Formativo Formacao
Workshop Formativo FormacaoWorkshop Formativo Formacao
Workshop Formativo FormacaoCelia Ganhao
 
Overview of ciat vision on wue & nue
Overview of ciat vision on wue & nueOverview of ciat vision on wue & nue
Overview of ciat vision on wue & nueCIAT
 
Ciencoval 2011
Ciencoval 2011Ciencoval 2011
Ciencoval 2011Fadri
 
Commission to prevent violence against women 2009 annual report
  Commission to prevent violence against women    2009 annual report   Commission to prevent violence against women    2009 annual report
Commission to prevent violence against women 2009 annual report Winnie Singh
 
Diário de um cão de rua
Diário de um cão de ruaDiário de um cão de rua
Diário de um cão de ruaDG1 Divulgue
 
Ludmil Hadjiivanov - Symmetries in Quantum Field Theory (1)
Ludmil Hadjiivanov - Symmetries in Quantum Field Theory (1)Ludmil Hadjiivanov - Symmetries in Quantum Field Theory (1)
Ludmil Hadjiivanov - Symmetries in Quantum Field Theory (1)SEENET-MTP
 
60 Second Home Show
60 Second Home Show60 Second Home Show
60 Second Home ShowHunter Tate
 
Modelo PortuguêS De Auto AvaliaçãO Das Bibliotecas Escolares
Modelo PortuguêS De Auto AvaliaçãO Das Bibliotecas EscolaresModelo PortuguêS De Auto AvaliaçãO Das Bibliotecas Escolares
Modelo PortuguêS De Auto AvaliaçãO Das Bibliotecas EscolaresBE/CRE
 

Destaque (20)

Símbolos Da 1ª República
Símbolos Da 1ª RepúblicaSímbolos Da 1ª República
Símbolos Da 1ª República
 
Концепция дизайн-оформления программы "7дней"
Концепция дизайн-оформления программы "7дней"Концепция дизайн-оформления программы "7дней"
Концепция дизайн-оформления программы "7дней"
 
Bildschirmfoto 2015-12-18 um 14.13.16
Bildschirmfoto 2015-12-18 um 14.13.16Bildschirmfoto 2015-12-18 um 14.13.16
Bildschirmfoto 2015-12-18 um 14.13.16
 
Documento de providencias aud copa do mundo
Documento de providencias aud copa do mundoDocumento de providencias aud copa do mundo
Documento de providencias aud copa do mundo
 
2. Carta referencia profesional Pablo Ozaeta Angela Lazaro-signed
2. Carta referencia profesional Pablo Ozaeta Angela Lazaro-signed2. Carta referencia profesional Pablo Ozaeta Angela Lazaro-signed
2. Carta referencia profesional Pablo Ozaeta Angela Lazaro-signed
 
Trading StocksSemanal22/02/2013
Trading StocksSemanal22/02/2013Trading StocksSemanal22/02/2013
Trading StocksSemanal22/02/2013
 
Seminário gestão democratica 2011 formatado
Seminário gestão democratica 2011 formatadoSeminário gestão democratica 2011 formatado
Seminário gestão democratica 2011 formatado
 
Workshop Formativo Formacao
Workshop Formativo FormacaoWorkshop Formativo Formacao
Workshop Formativo Formacao
 
Overview of ciat vision on wue & nue
Overview of ciat vision on wue & nueOverview of ciat vision on wue & nue
Overview of ciat vision on wue & nue
 
Ciencoval 2011
Ciencoval 2011Ciencoval 2011
Ciencoval 2011
 
Commission to prevent violence against women 2009 annual report
  Commission to prevent violence against women    2009 annual report   Commission to prevent violence against women    2009 annual report
Commission to prevent violence against women 2009 annual report
 
Bullying
BullyingBullying
Bullying
 
document-24
document-24document-24
document-24
 
Compair Compres
Compair CompresCompair Compres
Compair Compres
 
Diário de um cão de rua
Diário de um cão de ruaDiário de um cão de rua
Diário de um cão de rua
 
Ludmil Hadjiivanov - Symmetries in Quantum Field Theory (1)
Ludmil Hadjiivanov - Symmetries in Quantum Field Theory (1)Ludmil Hadjiivanov - Symmetries in Quantum Field Theory (1)
Ludmil Hadjiivanov - Symmetries in Quantum Field Theory (1)
 
De digitale boekenkast
De digitale boekenkastDe digitale boekenkast
De digitale boekenkast
 
60 Second Home Show
60 Second Home Show60 Second Home Show
60 Second Home Show
 
Modelo PortuguêS De Auto AvaliaçãO Das Bibliotecas Escolares
Modelo PortuguêS De Auto AvaliaçãO Das Bibliotecas EscolaresModelo PortuguêS De Auto AvaliaçãO Das Bibliotecas Escolares
Modelo PortuguêS De Auto AvaliaçãO Das Bibliotecas Escolares
 
Cianotipia
CianotipiaCianotipia
Cianotipia
 

Semelhante a Combatendo o bullying através da não-violência

Trabalho Edu Comparada 23 01 2010
Trabalho Edu Comparada 23 01 2010Trabalho Edu Comparada 23 01 2010
Trabalho Edu Comparada 23 01 2010catherineee
 
Trabalho Edu Comparada 23 01 2010
Trabalho Edu Comparada 23 01 2010Trabalho Edu Comparada 23 01 2010
Trabalho Edu Comparada 23 01 2010catherineee
 
Por que as pessoas fazem bullying?
Por que as pessoas fazem bullying? Por que as pessoas fazem bullying?
Por que as pessoas fazem bullying? MuriloMorotti
 
Tcc sobre o Bullygns nas escolas Art 2018 Adelvânia Souza de Oliveira
Tcc sobre o Bullygns nas escolas Art 2018 Adelvânia Souza de OliveiraTcc sobre o Bullygns nas escolas Art 2018 Adelvânia Souza de Oliveira
Tcc sobre o Bullygns nas escolas Art 2018 Adelvânia Souza de Oliveiraadelvaniasouza souza
 
Apresentação sequência mostra de videos sobre bullying.ppt
Apresentação sequência mostra de videos sobre bullying.pptApresentação sequência mostra de videos sobre bullying.ppt
Apresentação sequência mostra de videos sobre bullying.pptFabiano Rodrigues
 
Apresentacao sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying
Apresentacao sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullyingApresentacao sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying
Apresentacao sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullyingElkinRodrguez3
 
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.pptapresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.pptJANICEROSSATTO2
 
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.pptapresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.pptJohnSouza51
 
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.pptapresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.pptfcodacruz1919
 
Bullying e Cyberbullying.pdf
Bullying e Cyberbullying.pdfBullying e Cyberbullying.pdf
Bullying e Cyberbullying.pdfProfPaulOcampos
 

Semelhante a Combatendo o bullying através da não-violência (20)

Trabalho Edu Comparada 23 01 2010
Trabalho Edu Comparada 23 01 2010Trabalho Edu Comparada 23 01 2010
Trabalho Edu Comparada 23 01 2010
 
Trabalho Edu Comparada 23 01 2010
Trabalho Edu Comparada 23 01 2010Trabalho Edu Comparada 23 01 2010
Trabalho Edu Comparada 23 01 2010
 
Bullying na escola
Bullying na escolaBullying na escola
Bullying na escola
 
Paula indisciplina na_escola_de_onde_vem_para_onde_vai
Paula indisciplina na_escola_de_onde_vem_para_onde_vaiPaula indisciplina na_escola_de_onde_vem_para_onde_vai
Paula indisciplina na_escola_de_onde_vem_para_onde_vai
 
Por que as pessoas fazem bullying?
Por que as pessoas fazem bullying? Por que as pessoas fazem bullying?
Por que as pessoas fazem bullying?
 
CULMINÂNCIA.pptx
CULMINÂNCIA.pptxCULMINÂNCIA.pptx
CULMINÂNCIA.pptx
 
Doc 154
Doc 154Doc 154
Doc 154
 
Bullying liliana (1)
Bullying liliana (1)Bullying liliana (1)
Bullying liliana (1)
 
Bullingeg
BullingegBullingeg
Bullingeg
 
Tcc sobre o Bullygns nas escolas Art 2018 Adelvânia Souza de Oliveira
Tcc sobre o Bullygns nas escolas Art 2018 Adelvânia Souza de OliveiraTcc sobre o Bullygns nas escolas Art 2018 Adelvânia Souza de Oliveira
Tcc sobre o Bullygns nas escolas Art 2018 Adelvânia Souza de Oliveira
 
Projeto bullying
Projeto bullyingProjeto bullying
Projeto bullying
 
Bullying
BullyingBullying
Bullying
 
Apresentação sequência mostra de videos sobre bullying.ppt
Apresentação sequência mostra de videos sobre bullying.pptApresentação sequência mostra de videos sobre bullying.ppt
Apresentação sequência mostra de videos sobre bullying.ppt
 
Apresentacao sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying
Apresentacao sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullyingApresentacao sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying
Apresentacao sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying
 
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.pptapresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
 
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.pptapresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
 
bullyng.ppt
bullyng.pptbullyng.ppt
bullyng.ppt
 
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.pptapresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
apresentacao-sequencia-mostra-de-videos-sobre-bullying.ppt
 
Bullying e Cyberbullying.pdf
Bullying e Cyberbullying.pdfBullying e Cyberbullying.pdf
Bullying e Cyberbullying.pdf
 
Projeto Bullying
Projeto BullyingProjeto Bullying
Projeto Bullying
 

Mais de catherineee

Lista de Candidatos Excluídos - Recrutamento de Pessoal para o Lar de Idosos ...
Lista de Candidatos Excluídos - Recrutamento de Pessoal para o Lar de Idosos ...Lista de Candidatos Excluídos - Recrutamento de Pessoal para o Lar de Idosos ...
Lista de Candidatos Excluídos - Recrutamento de Pessoal para o Lar de Idosos ...catherineee
 
Os vários tipos de líder
Os vários tipos de líderOs vários tipos de líder
Os vários tipos de lídercatherineee
 
Os vários tipos de líder
Os vários tipos de líderOs vários tipos de líder
Os vários tipos de lídercatherineee
 
Autonomia de escola
Autonomia de escolaAutonomia de escola
Autonomia de escolacatherineee
 
Administração e gestão das escolas
Administração e gestão das escolasAdministração e gestão das escolas
Administração e gestão das escolascatherineee
 
Estatísticas do Bullying
Estatísticas do BullyingEstatísticas do Bullying
Estatísticas do Bullyingcatherineee
 
A Escola e a Abordagem Comparada. Novas realidades e novos olhares
A Escola e a Abordagem Comparada. Novas realidades e novos olharesA Escola e a Abordagem Comparada. Novas realidades e novos olhares
A Escola e a Abordagem Comparada. Novas realidades e novos olharescatherineee
 
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europa
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A EuropaPromover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europa
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europacatherineee
 
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europa
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A EuropaPromover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europa
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europacatherineee
 
Departamento De CiêNcias Da EducaçãO
Departamento De CiêNcias Da EducaçãODepartamento De CiêNcias Da EducaçãO
Departamento De CiêNcias Da EducaçãOcatherineee
 

Mais de catherineee (11)

Lista de Candidatos Excluídos - Recrutamento de Pessoal para o Lar de Idosos ...
Lista de Candidatos Excluídos - Recrutamento de Pessoal para o Lar de Idosos ...Lista de Candidatos Excluídos - Recrutamento de Pessoal para o Lar de Idosos ...
Lista de Candidatos Excluídos - Recrutamento de Pessoal para o Lar de Idosos ...
 
Os vários tipos de líder
Os vários tipos de líderOs vários tipos de líder
Os vários tipos de líder
 
Os vários tipos de líder
Os vários tipos de líderOs vários tipos de líder
Os vários tipos de líder
 
Autonomia de escola
Autonomia de escolaAutonomia de escola
Autonomia de escola
 
Administração e gestão das escolas
Administração e gestão das escolasAdministração e gestão das escolas
Administração e gestão das escolas
 
Estatísticas do Bullying
Estatísticas do BullyingEstatísticas do Bullying
Estatísticas do Bullying
 
A Escola e a Abordagem Comparada. Novas realidades e novos olhares
A Escola e a Abordagem Comparada. Novas realidades e novos olharesA Escola e a Abordagem Comparada. Novas realidades e novos olhares
A Escola e a Abordagem Comparada. Novas realidades e novos olhares
 
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europa
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A EuropaPromover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europa
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europa
 
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europa
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A EuropaPromover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europa
Promover A CompreensãO Da EducaçãO Em Toda A Europa
 
ECO-França
ECO-FrançaECO-França
ECO-França
 
Departamento De CiêNcias Da EducaçãO
Departamento De CiêNcias Da EducaçãODepartamento De CiêNcias Da EducaçãO
Departamento De CiêNcias Da EducaçãO
 

Combatendo o bullying através da não-violência

  • 1. “A humanidade não pode libertar-se da violência senão por meio da não- violência.” Mahatma Gandhi Nos recreios das nossas escolas, apercebemo-nos de crianças isoladas, caladas, sem vontade para brincar. Pensamos que tenha a ver com tudo, excepto com alguma atitude menos boa, por parte de um colega que se diz mais forte. Atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que acontecem sem causa aparente, são praticadas pelo agressor ou mais indivíduos contra outro (s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. O bullying não é um problema novo, mas a sua extensão só começou a ser pesquisada e divulgada nos últimos anos. Introduzido nos países escandinavos, no início da década de 80, este acto mais conhecido por bullying assegura a agressão moral, verbal e até corporal sofrida pelos alunos, provocando sofrimento na vítima, tomando em certas situações, consequências fatais. O cientista sueco, Dan Olweus, define bullying em três termos essenciais: o comportamento é agressivo e negativo; o comportamento é executado repetidamente; o comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.1 Por outras palavras, o agressor assume a posição de “chefe”, na qual adopta atitudes repetidas, ofensivas e negativas para com a vítima, mostrando deste modo, uma instabilidade de poder. "O bullying é praticado em 100% das escolas de todo o mundo. Na maioria das vezes, ele é visto como brincadeira própria do amadurecimento da criança. Mas é devido a essa interpretação equivocada que a prática vem se alastrando cada vez mais”, diz Rafael Argemon. “E o que está na base desta violência gratuita?”2 Quais são os motivos para uma criança “apoderar-se” de outra mais fraca e faze-la sofrer? Os agressores são normalmente crianças inseguras e que para demonstrarem, que não o são, mostram-se e deixam a sua marca através da agressão contra as outras crianças. Por momentos, este acto serve para o agressor afastar os seus medos. No contexto escolar, todos as razões são válidas para colocar a vítima numa situação de inferioridade. Segundo a psicóloga Sónia Seixas, "O agressor exerce a sua supremacia através da força física, pelo facto de ser mais velho, de ter mais popularidade na escola e de ter um grupo de pares mais alargado. Contrariamente à vítima, que, regra geral, é um aluno mais negligenciado, mais rejeitado e com menos amigos que o defendam."3 1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying#cite_note-nces-1 2 http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/action/2/cnt_id/2231/ 3 http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/action/2/cnt_id/2231/~
  • 2. Estatisticamente, os agressores são indivíduos carentes de compreensão. Mostram na escola, o lado mau que vivem todos os dias dentro do seio familiar desestruturado, no qual não há relacionamentos afectivos entre os seus membros. Os pais não desempenham o papel de pais atenciosos, presentes na vida da criança, aceitam e praticam soluções erradas para os problemas do dia-a-dia. Regra geral, crianças que praticam o bullying têm grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais e/ou violentos, e se não forem travados a tempo, levar-lhos posteriormente a uma entrada na vida criminal. Os agressores têm um carácter autoritário que em conjunto com a forte necessidade de controlar ou dominar, magoam os mais fracos. Segundo alguns estudos o défice de habilidades, a inveja e o ressentimento são mais que razões para que haja bullying. Para alguns, este factor de risco tem origem na infância e deve ser combatido nesta idade: "Se o comportamento agressivo não é desafiado na infância, há o risco de que ele se torne habitual. Realmente, há evidência documental que indica que a prática do bullying durante a infância põe a criança em risco de comportamento criminoso e violência doméstica na idade adulta." 4 As acções do bullying representam actos ilícitos, ora por desrespeitarem os princípios constitucionais (ex: dignidade da pessoa humana) ora por desprezarem as normas do Código Civil, e consequentemente os actos de bullying também podem enquadrar-se no Código de Defesa do Consumidor, pois as escolas prestam serviço aos consumidores e são responsáveis por actos de bullying que ocorram nesse contexto. Nas escolas, o bullying geralmente ocorre em áreas com supervisão adulta mínima ou inexistente. Ela pode acontecer em praticamente qualquer parte, dentro ou fora do prédio da escola. Em Abril de 2009, Ed Balls, Ministro da Educação no Reino Unido, apelou a todos os directores das escolas de Sua Majestade, à expulsão de alunos repetidamente suspensos. Pesquisas recentes (2002) divulgadas na Inglaterra demonstraram que o bullying na escola é a maior preocupação dos pais, à frente da qualidade e, dos métodos de ensino. Mas nem as multas aos pais, no valor de 50 libras, por cada vez que os filhos pratiquem actos de indisciplina, parecem ter o efeito dissuasor necessário para o combate à indisciplina e à violência escolar, visto que são os pais que a pagam. Se não pagarem a multa no prazo de 28 dias, a multa sobre para o dobro. Os alunos repetidamente suspensos passaram, nos últimos quatro anos, de 310 para 800. E, durante o mesmo período, as expulsões do sistema diminuíram de 13% para 8,6%. Em proporção com Portugal, o número de suspensões é pequeno. O Reino Unido tem seis vezes a população de Portugal. E, como é óbvio, no nosso país não há expulsões do sistema. O Governo do Reino Unido está a preparar legislação, que permita a separação dos alunos indisciplinados que sistematicamente prejudicam os restantes alunos da turma. Esses alunos devem ser integrados em turmas especiais onde lhes será facultado 4 http://www.apespan.com/index.php?option=com_content&view=article&id=85:bullying&catid=1:destaq ues
  • 3. apoio psicológico e programas especiais, afirmou o Ministro da Educação do Reino Unido.5 Mas o que fazer para combater ou pelos menos reduzir o bullying nas escolas? Numa primeira visão, a melhor forma de tratar o bullying é evitar que ocorra. Não existe uma só solução para todas as escolas do mundo. Uma vez que cada escola localiza-se em diferentes contextos sociais e estes por sua vez diferem entre si, as respostas aos problemas encontrados não podem ser empregues da mesma forma dai, que cada escola deva promover o seu próprio plano para o combate ao bullying. Uma outra proposta é fazer mensalmente, por exemplo, questionários a todos os alunos, com o objectivo que avaliar a situação. Quanto mais cedo o bullying cessar, melhor será o resultado para todos os alunos. Intervir imediatamente, logo que haja suspeita da existência de bullying na escola mantendo atenção permanente sobre o assunto para que estejamos todos alerta num sistema de cooperação entre todos os intervenientes no meio escolar.6 5 http://www.profblog.org/2009/04/ministro-da-educacao-do-reino-unido.html 6 http://www.bullying.com.br/BEstrategias22.htm#QuaisEstrat