O Conhecimento Comum:introdução à sociologia compreensiva                     Michel Maffesoli                          Em...
Michel MaffesoliÉ sociólogo, professor na Sorbonne – Paris Ve diretor do Centro de Estudos do Atual e do Cotidiano (CEAQ)....
O Fascínio positivista
O Positivismo em seu ambiente:Crítica ao positivismo sociológico (Durkheim, Marx, Comte,Freud) - “[...] tudo é submetido à...
Elogio ao pluralismo:  “[...] o processo de redução é sempre utilitarista.” “[...] É  efetivamente mais fácil servir-se de...
Equilíbrio conflitual/Descontinuidadessociais/Heterogeneidade/Alteridade. “[...] as relações e os papéissociais […] só adq...
O instante obscuro:       Sociologia qualitativa deve preservar a singularidade dos  atos e das situações. “[...] é urgent...
A obsessão pelo rigor, a paranóia, o vazio do pensamento.Adorno: “todo pensamento, que não se venha a tornar umpensamento ...
A experiência do relativismo
A pluralidade das razões:  “[...] o imperialismo da teoria tropeça diante da incoerência ou,  pelo menos, do aspecto acide...
A “douta ignorância” :  Termo de Nicolau de Cusa. Defesa do aspecto popular,  diferenciado, plural, das representações rel...
Ser/estar-junto-com X Deveria ser;Espírito da douta ignorância: traduz o espírito do politeísmo quese recusa a tudo determ...
A função ideológica
O mundo representado:• Socialidade.• A ideologia como conservatório do querer-viver social.  “[...] É curioso notar que, q...
A função social da ideologia. “[...] Para a sociologia, aideologia serve para indicar que uma compreensão social deveutili...
Ideologia e socialidade:   “[...] a ação humana, enquanto viver e enquanto fazer, acha-se   embasada em histórias, em disc...
Cenestesia social faz com que os conjuntos sociais perdurem.“[...] a ideologia participa do ato fundador de uma sociedade ...
Caminhando para um “formismo” sociológico
A preeminência do todo:      O termo formalismo é mal interpretado ao sugerir ambigüidade como designação de atitude abstr...
A consistência individual é produto de conjunto, e não ocontrário: “É a forma do todo que determina a das partes”(DURKEIN,...
A invariância “formista”:     A      invariância “formista” é obtida por meio da multiplicidade das modulações;      O arq...
A ciência, elimina e amputa o que julga não essencial, o“formismo”, propõe uma cientificidade generosa, que podeintegrar à...
A acentuação da “forma” = politeísmo dos valores;    Privilegia o movimento de cada elemento levando em contaa multiplicid...
A sociologia como fenomenologia = noção de “imaginar”, (H. Corbin &e G. Durand), deverá ser observada no atual e nocotidia...
A experiência = empatia, onde o paradigma pode sercompreendido como uma modulação da “forma”;    “Esse vaivém constante da...
O procedimento analógico
Proposições compreensivas:       Valorização das representações ( ou ideologia) mostrando  o “formismo” da vida social pos...
“Mais do que querer promulgar ao todo custo, leis, explicarfinalidades ou elucidar “porquês” é necessário descrever osfenô...
“ É propriamente “científico” elaborar hipóteses, linhas deinvestigação, propor comparações partindo da polifonia societal...
Analogia = compreensão do presente;     “Semelhante a uma tela de fundo, ela dá relevo àquilo quede outra forma passaria d...
Ressonância:  A importância da analogia para a compreensão da “socialidade”;       O pensamento analógico impõe-se de uma ...
Colagem e aglutinação:       Analogia = método comparativo que serve como ligação  entre múltiplas facetas de uma represen...
“G. Durand, ao tratar desse assunto, refere-se a uma“estrutura gliscromorfa” [...] que poderia opor-se à separaçãoesquizof...
A “correspondência” física e social
A apropriação específica da existência que merece atenção:a pesquisa compreensiva recoloca em seu devido lugar eintuição; ...
A “correspondência” evidencia o entrecruzamento dosafetos e das ações, que constitui o essencial destas atitudesminúsculas...
“Ao recusar os esquemas “psicologistas” e economicistas,que são causas e efeitos do individualismo – a correspondênciacent...
“Os observadores judiciosos, seja qual for a função quedesempenhem (sociólogos, jornalistas, viajantes), são capazesde reg...
“O sistemismo é um modo aceitável de o sociólogo abordarde frente a solidariedade orgânica – a qual não se assenta nasepar...
A vida sempre recomeçada
Visão cíclica das coisas:     Esta perspectiva cíclica constitui-se como o elo entre doisconjuntos, o “conjunto que tem a ...
E este ciclo, através de sua repetição, mostra-nos umacaracterística do homem em sociedade: de retornar a simesmo. Maffeso...
Maffesoli (2010, p. 179-180) salienta que este saber “do povo”, éregido mais pela emoção do que pela razão.O atual papel d...
O povo sabe que as coisas não tendem a mudar, que“nada há de novo sob o Sol”, e que “os Príncipes podem mudar[...], mas su...
Maffesoli (2010, p. 183) nota que para compreendermosnosso presente, é preciso praticarmos a “einsteinização”, quenada mai...
Somos uma sociedade que não possui um discurso linear,somos controversos, cheios de mistério, e sendo assim, o papelda soc...
Em suma, não devemos decretar, mas sim, compreendereste aspecto vagabundo do cotidiano, dedicando atenção aos“elementos qu...
Epistemologia do cotidiano
Maquiavel     separava   os   diálogos/pensamentos         ditosoficiais, que circulavam nos palácios, dos diálogos/pensam...
É vivendo, é experimentando que adquirimos umconhecimento cada vez mais valorizado.    Maffesoli (2010, p. 216) cita então...
Nas palavras de Maffesoli (2010, p. 205, grifo do autor), “aexistência cotidiana é fragmentada, polissêmica, feita desombr...
Maffesoli (2010, p. 235-236) cita Durkheim ao explanarsobre os conceitos de “patrimônio coletivo” e “alma coletiva”,inform...
Saber social e saber sociológico
Maffesoli (2010, p. 241) afirma que a antropologia temdado atenção à relação entre o “pensamento selvagem” e a“cultura de ...
Em uma dura crítica aos “intelectuais de salão”, Maffesoli(2010, p. 244) cita o teórico Hengel (apud MAFFESOLI, 2010, p.24...
Maffesoli (2010, p. 246) não titubeia ao afirmar que talconcepção racionalista, poda, corta, esteriliza o conhecimentocomu...
Maffesoli    (2010,    p.   256)    fala-nos        do      “senso(comum)nologia”, que está ligado ao vitalismo.    Isto é...
“Somente a posteriore elabora-se, então, o conhecimentoerudito”. O que leva-nos a compreender nas palavras do autorque:“a ...
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  1. 1. O Conhecimento Comum:introdução à sociologia compreensiva Michel Maffesoli Emiliano Cunha Fernando Biffignandi Tauana Jeffman
  2. 2. Michel MaffesoliÉ sociólogo, professor na Sorbonne – Paris Ve diretor do Centro de Estudos do Atual e do Cotidiano (CEAQ).Para Silva (apud MAFFESOLI, 2010), Maffesoli é “o mais importante e originalteórico da pós-modernidade no mundo. O conhecimento comum é certamente oseu melhor livro”.Durand (2010, p. 57) argumenta que a "sociologia passará a ser a figurativa(Tacussel), fundamentando-se num conhecimento comum (Maffesoli) ondesujeito e objeto formam um só no ato de conhecer e no qual o estatuto simbólicoda imagem constituiu paradigma".
  3. 3. O Fascínio positivista
  4. 4. O Positivismo em seu ambiente:Crítica ao positivismo sociológico (Durkheim, Marx, Comte,Freud) - “[...] tudo é submetido à razão.”Argumentos reducionistas. “[...] a força dos conceitos supera acontradição.” A lógica do “dever-ser” que caracteriza a atitudeconceitual.“[...] a importância da contradição para a sociologia”. O Fascínio positivista
  5. 5. Elogio ao pluralismo: “[...] o processo de redução é sempre utilitarista.” “[...] É efetivamente mais fácil servir-se de um pensamento assentado num só valor do que um outro que jogue com múltiplos matizes...”. Funcionalismo monovalente X Pluralidade funcional (“...uma pluralidade que encontra seu sentido e seu fim em si mesma, que não se projeta em hipóteses porvires promissores, na realização de utópicas sociedades perfeitas ou outros paraísos, profanos ou religiosos.”) O Fascínio positivista
  6. 6. Equilíbrio conflitual/Descontinuidadessociais/Heterogeneidade/Alteridade. “[...] as relações e os papéissociais […] só adquirem sentido pelas relações que entre siestabelecem.”James Hillman: a dicotomia que, progressivamente, seestabeleceu entre a linguagem científica e o próprio objeto desua descrição. “[...] é importante que a sociologia saiba dar contado atual e do acontecimento; e saiba também mostrar como osgestos, a deambulação, o fato culinário, a errância sexual e apaixão amorosa, a indumentária, a cosmética etc. constituemseu campo específico.” O Fascínio positivista
  7. 7. O instante obscuro: Sociologia qualitativa deve preservar a singularidade dos atos e das situações. “[...] é urgente que o discurso sobre o social saiba escutar, com atenção redobrada, o discurso do social, ainda que este possa vir a chocar, por sua incoerência[...]” O Fascínio positivista
  8. 8. A obsessão pelo rigor, a paranóia, o vazio do pensamento.Adorno: “todo pensamento, que não se venha a tornar umpensamento vão, traz a marca de uma impossibilidade de vir alegitimar-se completamente.” Sociologia compreensiva - “Transcendência imanente”, quebrota do próprio corpo social. “[...] não possuímos a verdade,mas estamos por dentro de uma certa verdade.” O Fascínio positivista
  9. 9. A experiência do relativismo
  10. 10. A pluralidade das razões: “[...] o imperialismo da teoria tropeça diante da incoerência ou, pelo menos, do aspecto acidentado da experiência social.” “[...] o que realmente importa não é a elaboração de uma verdade acachapante – mas a articulação de verdades locais (em todos os sentidos do termo), permitindo que nos situemos no presente.” “As histórias humanas nos mostram à saciedade que não chegamos nunca a unificar, a uniformizar, a reduzir a diferença.” PLURIALIDADE (das razões). “[...] compreender nossas sociedades pela via de uma multiplicidade de razões.” A experiência do relativismo
  11. 11. A “douta ignorância” : Termo de Nicolau de Cusa. Defesa do aspecto popular, diferenciado, plural, das representações religiosas. “[...] O Universal é contradito pela existência de uma multiplicidade de singularidades[...]”. “[...] O sociólogo, que negligencie o jogo da diferença e da alteridade operantes na existência, será talvez diretamente na prática da gestão social – mas perderá, por isto, toda capacidade de compreender a organização complexa das pessoas e das coisas.” A experiência do relativismo
  12. 12. Ser/estar-junto-com X Deveria ser;Espírito da douta ignorância: traduz o espírito do politeísmo quese recusa a tudo determinar com rigidez na efervescência da vidasocial -, espírito do trágico que não se arroga o direito de reduziras aporias estruturais do dado mundano. A experiência do relativismo
  13. 13. A função ideológica
  14. 14. O mundo representado:• Socialidade.• A ideologia como conservatório do querer-viver social. “[...] É curioso notar que, querendo ater-se apenas ao desenvolvimento econômico, a sociologia, em seus componentes marxistas ou funcionalistas, minimizou ou memso esvaziou a ordem das representações.” A função ideológica
  15. 15. A função social da ideologia. “[...] Para a sociologia, aideologia serve para indicar que uma compreensão social deveutilizar simultaneamente todas as abordagens possíveis [...]”“Sociologia-camaleão”;O fôlego social varia de acordo com as ambiências de umaépoca. A função ideológica
  16. 16. Ideologia e socialidade: “[...] a ação humana, enquanto viver e enquanto fazer, acha-se embasada em histórias, em discursos que sempre (se) antecipam à justificação científica.”. Pulsão/paixão. As representações como responsáveis pela estruturação do desenvolvimento coletivo e individual. “[...] o conjunto das representações e suas combinações constituem motores sociais por excelência.” A função ideológica
  17. 17. Cenestesia social faz com que os conjuntos sociais perdurem.“[...] a ideologia participa do ato fundador de uma sociedade elogo segue sua marcha – mas é a vida, em seu desenvolvimento,que sempre toma e mantém a dianteira.”“[...] só há inteligência em conexão com seu emprego em âmbitocoletivo.” A função ideológica
  18. 18. Caminhando para um “formismo” sociológico
  19. 19. A preeminência do todo: O termo formalismo é mal interpretado ao sugerir ambigüidade como designação de atitude abstrata. O autor propõe o uso de “formismo”; Reflexão nietzscheana: a profundidade costuma ocultar-se na superfície das coisas e das pessoas: “ É a forma que permite que haja o ser em vez de nada. Sem dúvida, é o fenômeno um limite – mas é um limite que condiciona a existência” ( p. 108); Caminhando para um “formismo” sociológico
  20. 20. A consistência individual é produto de conjunto, e não ocontrário: “É a forma do todo que determina a das partes”(DURKEIN, p. 112); A tradição cultural é formada pelas implicações estéticas,éticas, econômicas, políticas e gnoseológicas = pedra de toqueda superação humana; “Intelectualidade orgânica” (p. 113). “A atitude “formista”respeita a existência, das representações populares e dasminúsculas criações que pontuam a vida de todos os dias,incorporando-se assim ao discurso polifônico que, a seu própriorespeito, uma sociedade produz”; Caminhando para um “formismo” sociológico
  21. 21. A invariância “formista”: A invariância “formista” é obtida por meio da multiplicidade das modulações; O arquétipo e estereótipo participam da mesma dinâmica. (Gilbert Durand); O formalismo conceitual da sentido a tudo o que observa e o “formismo” delineia as grandes configurações que englobam, sem reduzir seus valores plurais e as vezes antagônicos da vida corrente; Caminhando para um “formismo” sociológico
  22. 22. A ciência, elimina e amputa o que julga não essencial, o“formismo”, propõe uma cientificidade generosa, que podeintegrar à pesquisa parâmetros tradicionalmente posto de lado; Enquanto o conceito possui função de exclusão, a formaagrega; O “formismo” reconduz o eterno problema do Universal edo Particular. Toda “ideologia” de uma dada época deve fazerencarar esse problema; e, no que nos diz respeito, a sociologianão poderia fazer disto uma abstração (p.121); O “formismo” é, antes de qualquer coisa, um pensamentode globalidade; Caminhando para um “formismo” sociológico
  23. 23. A acentuação da “forma” = politeísmo dos valores; Privilegia o movimento de cada elemento levando em contaa multiplicidade de seus aspectos;“ Formismo” visa a investigação do objeto social; O procedimento transcendental é a condição depossibilidade de todo conhecimento real; O societal permite compreender e dar destaque às menoressituações da vida cotidiana: o trágico, a teatralização, o ritual e oimaginário configuram categorias societais; Caminhando para um “formismo” sociológico
  24. 24. A sociologia como fenomenologia = noção de “imaginar”, (H. Corbin &e G. Durand), deverá ser observada no atual e nocotidiano, no vínculo existente entre o inteligível e o sensível. É sempre bom lembrar as banalidades fundamentaiscomo esta: a vida começa pela limitação, sendo determinada[...]; do mesmo modo, a existência social somente o é quandose mostra como tal, quando toma forma. O theatrum mundinão é um termo inútil, pois sua expressão é multiforme [...]; éjustamente isto que legitima nossa reflexão sociológica sobre o“formismo” ( p.127); A necessidade de um princípio de conhecimento que nãosomente respeite, senão também revele o mistério das coisas”.(Edgar Morin); Caminhando para um “formismo” sociológico
  25. 25. A experiência = empatia, onde o paradigma pode sercompreendido como uma modulação da “forma”; “Esse vaivém constante da experiência ao paradigma, ou daempatia ao formismo, é testemunho da existência de umaorganização – prefiro dizer uma organicidade das coisas e daspessoas, da natureza e da cultura”(p. 128); O testemunho da existência de uma organização =politeísmo= a organicidade (das coisas, pessoas, natureza ecultura) conduz ao pluralismo societal; A compreensão do enraizamento e a eficácia de talpoliteísmo na vida de todos os dias, resistindo ao totalitarismodas concepções normativas do mundo. Caminhando para um “formismo” sociológico
  26. 26. O procedimento analógico
  27. 27. Proposições compreensivas: Valorização das representações ( ou ideologia) mostrando o “formismo” da vida social posto de lado: “à analogia, à metáfora, ou à correspondência. [...] a poesia, a ficção ou a mística” (p.130); A integração desses procedimentos = habilidades e o aspecto polissêmico do vivido social; As pesquisas reforçam a necessidade de buscar um modo de contato analítico (com fenômenos) que sem constrangimento ou redução, escape a divagação absoluta; A valibilidade universal é uma interferência, sempre falsa, de si (próprio) em relação ao outro”( O. Spengler ); O procedimento analógico
  28. 28. “Mais do que querer promulgar ao todo custo, leis, explicarfinalidades ou elucidar “porquês” é necessário descrever osfenômenos presentes na existência cotidiana, como condiçõespossíveis de poliformismo” (p.131); “O meio de conhecer as formas mortas é a lei matemática.O meio de compreender as formas vivas é a analogia” (p.132); Dinâmica cognitiva (aceita pela ciência “dura” emcontraposição ao positivismo) = a fragilidade, o erro e a verdadelocal; “A sociedade não pode oportunizar uma únicadeterminação ; “talvez, o verdadeiro espírito científico venha aser aquele “que dá ensejo à refutação” (Edgar Morin); O procedimento analógico
  29. 29. “ É propriamente “científico” elaborar hipóteses, linhas deinvestigação, propor comparações partindo da polifonia societal,esboçar um mapa das analogias que justamente permita acompreensão dos fenômenos sociais”(p.133);Estrutura Oximônica = o “contraditorial” em cada ação social; “Na estruturação de sociedades, o unanimismo,preconizado, imposto ou desejado, costuma fracassar – e, nessecaso, o realismo político consiste em saber reconhecer eadministrar o conflito” (p. 134); Deve-se aceitar a existência do antagonismo e compreenderseu funcionamento: “o pensamento analógico desfaz o infinitopara não ter de agir” (E.Bloch); O procedimento analógico
  30. 30. Analogia = compreensão do presente; “Semelhante a uma tela de fundo, ela dá relevo àquilo quede outra forma passaria despercebido ou seria diminuído, ao serdeclarado insignificante” (p. 137); Apreciar o real em função das obras do irreal: “ éreconfortante ouvir um físico, especializado em filosofia dasciências, reconhecer que “é necessário um mundo onírico paradescobrirmos as características do mundo real”. (p.138) Impossível compreender um conjunto social unicamentepor sua positividade: apreender a dinâmica do acontecimentoouvindo o “discurso aí do lado”, o qual, sem duvida, ecoadiscurso mais distante; O procedimento analógico
  31. 31. Ressonância: A importância da analogia para a compreensão da “socialidade”; O pensamento analógico impõe-se de uma maneira “perversa”, fazendo com que a matriz a algo, se apresente como novo = Pseudomorfose: “somente julgamos os seres por analogia em relação a nos mesmos”(p.142); O pensamento analógico da maior destaque àquilo que constitui a essência da trama social ( p. 146); O procedimento analógico
  32. 32. Colagem e aglutinação: Analogia = método comparativo que serve como ligação entre múltiplas facetas de uma representação global; “O vínculo analógico faculta uma leitura transversal, que nos faz compreender nosso tempo com a ajuda de fatos e gestos das sociedades passadas” (p. 149); A estreita conexão existente entre a natureza e cultura, onde o “trajeto antropológico” conduz do “vital” ao cultural (G. Durand); O “trajeto antropológico” compõe e integra a “harmonia conflitual”; O procedimento analógico
  33. 33. “G. Durand, ao tratar desse assunto, refere-se a uma“estrutura gliscromorfa” [...] que poderia opor-se à separaçãoesquizofrênica – forma paroxística e patológica do mecanismode individualização e de apreensão – um corolário da idéia denatureza como objeto a ser explorado. É essa viscosidade,inerente à “cola do mundo”, que nos remete à analogia”(p. 152); Ao permitir uma atitude compreensiva, a analogia abrecaminho à integração de reflexão intelectual à organicidadesocietal: polifonia da vida social. “A metáfora e analogia, ao se enraizarem no substratomitológico, chamam à atenção para a grande quantidade dehistórias que estruturam toda socialidade. O procedimento analógico
  34. 34. A “correspondência” física e social
  35. 35. A apropriação específica da existência que merece atenção:a pesquisa compreensiva recoloca em seu devido lugar eintuição; a comparação; leva em conta toda a dimensão sensívelda existência social; reinveste, enfim, a carga mítica que move asocialidade de base; Fenômenos moventes que integram cada indivíduo a umaglobalidade cósmica ou “ecológica”; Valores de “progressismo” e de “individualismo” =mecanismo de correspondência e a solidariedade;A socialidade de base se assenta em espaço partilhado; O equilíbrio societal = o espaço e o tempo, a natureza e ahistória (p.160); A “correspondência” física e social
  36. 36. A “correspondência” evidencia o entrecruzamento dosafetos e das ações, que constitui o essencial destas atitudesminúsculas encontradas na própria base da vida de todos osdias. Embora haja a possibilidade de o espaço constituir-se emcampo fechado do jogo de forças econômicas e / ou políticas, a“correspondência” traduz-se na criação de investimentosmenores, que formarão um circuito dos mais expressivos (p.161); As sociedades por sua diversidade se encontram e seseparam sem que uma grande lógica dirija esta sua dança; A “correspondência” simbólica permite acomplementaridade e ao pluralismo serem meios eficazes deaproximação coletiva de determinado espaço (p. 164); A “correspondência” física e social
  37. 37. “Ao recusar os esquemas “psicologistas” e economicistas,que são causas e efeitos do individualismo – a correspondênciacentra todo o seu esforço de compreensão na globalidade emmovimentos, o “equilíbrio-móvel” de J. Piaget (p.165); Novos / antigos valores ambientalistas em três dimensõesestruturantes de todas as sociedades: a relação à alteridadenatural, a relação à alteridade social e o conhecimento que delasse pode ter; A simbiose presente na correspondência natural e socialque, sem que seja possível determinar prioridades, funda opróprio fato de “ser/estar com”(p.168); A “correspondência” física e social
  38. 38. “Os observadores judiciosos, seja qual for a função quedesempenhem (sociólogos, jornalistas, viajantes), são capazesde registrar a perduração dos mecanismos de identificaçõesmísticas a tal objeto ou qual elementos do bestiário. E essaidentificação, bem além daquilo sobre o que incide, nos remeteà comunidade que ela funda e/ou consolida” (p. 170); Reconhecer e executar combinações é aceitar apreponderância da idéia de interdependência, de conexão, logo,de unicidade a qual, à diferença da Unidade redutora, funcionana base da pluralidade dos elementos que reagem entre si (p.170); A correspondência = conjunto da dinâmica social = “caldode cultura”; A “correspondência” física e social
  39. 39. “O sistemismo é um modo aceitável de o sociólogo abordarde frente a solidariedade orgânica – a qual não se assenta naseparação, na discriminação ou na função mecânica, masintegra de maneira diferencial aportes de todos os elementos domundo físico e social numa interação ou numa correspondênciainfinita (p.171); Socialidade = aceitação e resolução dos problemas,individuais ou sociais, “(domesticar a natureza, asseptizar aexistência, restringir a alteridade) aceitando estes mesmosproblemas como destino” ( p.171). A “correspondência” física e social
  40. 40. A vida sempre recomeçada
  41. 41. Visão cíclica das coisas: Esta perspectiva cíclica constitui-se como o elo entre doisconjuntos, o “conjunto que tem a ver com a correspondência,como o meio circundante, com a natureza, o local” e o conjuntode “múltiplos elementos da vida cotidiana, do hedonismo, doceticismo”, sendo que tal visão, resumidamente, “promove avalorização do vivido” (MAFFESOLI, 2010, p. 176). A vida sempre recomeçada
  42. 42. E este ciclo, através de sua repetição, mostra-nos umacaracterística do homem em sociedade: de retornar a simesmo. Maffesoli (2010, p. 178) chama-nos a atenção de que,nesta repetição da vida cotidiana, seja por coisas ouexpressões ínfimas, por menores que sejam, “somente opresente, sempre e repetidamente semelhante a si mesmo,merece atenção”. A vida sempre recomeçada
  43. 43. Maffesoli (2010, p. 179-180) salienta que este saber “do povo”, éregido mais pela emoção do que pela razão.O atual papel do político (cada vez mais apela para a emoção,do que para a razão, para a convicção);É preciso “exibir um espetáculo que saiba atingir mais aossentimentos do que ao espírito”, o que consistiria assim, no“espetáculo político”, tal qual a massa os vê (MAFFESOLI, 2010,p. 180). A vida sempre recomeçada
  44. 44. O povo sabe que as coisas não tendem a mudar, que“nada há de novo sob o Sol”, e que “os Príncipes podem mudar[...], mas suas ações continuam sendo abstratas e, mesmoquando pretendem falar ou agir em nome dos menosfavorecidos, eles o fazem sempre para pedir submissão ouconformidade às normas vigentes” (MAFFESOLI, 2010, p. 181). A vida sempre recomeçada
  45. 45. Maffesoli (2010, p. 183) nota que para compreendermosnosso presente, é preciso praticarmos a “einsteinização”, quenada mais é do que uma metáfora elaborada por Proust paraexplicar-nos que compreendemos o presente comparando-ocom “grandes momentos do passado Mas para isso, segundo o autor, é necessário ser umpesquisador de botequim, um pesquisador do povo, no meiodo povo, através do que podemos caracterizar como o “métodológico-experimental” proposto por Pareto . A vida sempre recomeçada
  46. 46. Somos uma sociedade que não possui um discurso linear,somos controversos, cheios de mistério, e sendo assim, o papelda sociologia não é ditar regras e afirmar parâmetros de comoa sociedade “deve ser”, mas sim, deve extrair consequências“das críticas do positivismo, reconhecendo a importânciada ideologia, tomando conhecimento da eficácia da forma,da analogia, da metáfora, e observando o retorno de umavisão cíclica”, sendo que através desta perspectiva, é que“poderemos compreender a existência em seu aspecto plural”(MAFFESOLI, 2010, p. 186). A vida sempre recomeçada
  47. 47. Em suma, não devemos decretar, mas sim, compreendereste aspecto vagabundo do cotidiano, dedicando atenção aos“elementos que não se sintetizam e nos remetem a umadescrição contraditorial”, de acordo com Maffesoli (2010, p. 188). O autor propõe a noção de “estilo do cotidiano”(MAFFESOLI, 2010, p. 190), este estilo vagabundo, sempretensões de racionalidade, mas sendo, através de suamaleabilidade, “pau pra toda obra”. A vida sempre recomeçada
  48. 48. Epistemologia do cotidiano
  49. 49. Maquiavel separava os diálogos/pensamentos ditosoficiais, que circulavam nos palácios, dos diálogos/pensamentosque emanavam das praças públicas (MAFFESOLI, 2010, p. 196). Atualmente percebemos, como ressalta o referido autor,que nossos grandes conflitos não se referem às ideologias, ouaos pensamentos dos palácios, mas sim, ao problemas da vidacotidiana, aos pensamentos das praças públicas. Epistemologia do cotidiano
  50. 50. É vivendo, é experimentando que adquirimos umconhecimento cada vez mais valorizado. Maffesoli (2010, p. 216) cita então o teórico Gilbert Durand,onde este afirma que “caminhamos para uma ‘comunicaçãoexperimentada’”. Vivemos, aprendemos e nos conhecemosatravés da experiência, pois como nota Maffesoli (2010, p. 216)“o corpo individual e/ou coletivo faz a experiência do mundo,faz experiências com o mundo”. Epistemologia do cotidiano
  51. 51. Nas palavras de Maffesoli (2010, p. 205, grifo do autor), “aexistência cotidiana é fragmentada, polissêmica, feita desombras e luz ou, numa só palavra, o que é cada vez maisadmitido, obra de um homem, ao mesmo tempo sapiens edemens”. O autor cita uma expressão de K. Mannheim, onde esteafirma “que o pensamento ‘não se acha limitado aos livros, mastira a sua significação principal das experiências da vidacotidiana’” (MANNHEIM apud MAFFESOLI, 2010, p. 214). Epistemologia do cotidiano
  52. 52. Maffesoli (2010, p. 235-236) cita Durkheim ao explanarsobre os conceitos de “patrimônio coletivo” e “alma coletiva”,informando que a partir de tais conceitos, estabeleceu a noçãode “socialidade”. Durkheim (apud MAFFESOLI, 2010, p. 235) afirma que “aunidade da pessoa é ... constituída por partes, que ela é ...suscetível de divisão e de decomposição”, o que Maffesoli (2010,p. 235) concede como o “pluralismo”. Epistemologia do cotidiano
  53. 53. Saber social e saber sociológico
  54. 54. Maffesoli (2010, p. 241) afirma que a antropologia temdado atenção à relação entre o “pensamento selvagem” e a“cultura de empresa”. Estas duas “perspectivas do pensamento”compõem o “conhecimento comum”, que é preciso sercompreendido de maneira reflexiva, através de sua “socialidadede base”. O saber social e o saber sociológico
  55. 55. Em uma dura crítica aos “intelectuais de salão”, Maffesoli(2010, p. 244) cita o teórico Hengel (apud MAFFESOLI, 2010, p.244), onde este afirma “o povo ignora o que quer e só o Príncipesabe”. Maffesoli (2010, p. 244) argumenta que os novos príncipesda atualidade, são estes tais intelectuais, que se consideram“portadores do universal e fundadores da responsabilidadecoletiva”. Estes estariam prontos para o “espetáculo da mídia”,com suas teorias que defendem certas morais, e com sua posturade “responder por” alguém ou alguns. O saber social e o saber sociológico
  56. 56. Maffesoli (2010, p. 246) não titubeia ao afirmar que talconcepção racionalista, poda, corta, esteriliza o conhecimentocomum, sendo que, para ele, não se pode resumir, reduzir ouconduzir a “socioalidade a esta ou àquela determinação”, pois vivemos um momento dos mais interessantes, em que a notável expansão do vivido convida a um conhecimento plural; e em que a análise disjuntiva, as técnicas de segmentação e o apriorismo conceitual devem ceder lugar a uma fenomenologia complexa, que saiba integrar a participação, a descrição, as histórias de vida e as diversas manifestações dos imaginários coletivos (MAFFESOLI, 2010, p. 246, grifo nosso). O saber social e o saber sociológico
  57. 57. Maffesoli (2010, p. 256) fala-nos do “senso(comum)nologia”, que está ligado ao vitalismo. Isto é, essa noção de conhecimento da massa, do popular,possui vitalidade, é algo dinâmico, vivo, construído ecompreendido em um eterno vai-e-vem, valorizando-se o “aqui eagora”, ou seja, o “presenteísmo, cuja riqueza ainda nãoexploramos integralmente”, sendo que, na concepção deMaffesoli (2010, p. 259-260) “o que constitui cultura é a opinião,‘o pensamento das ruas e das praças’, que são ingredientesessenciais do cimento emocional da socialidade”. O saber social e o saber sociológico
  58. 58. “Somente a posteriore elabora-se, então, o conhecimentoerudito”. O que leva-nos a compreender nas palavras do autorque:“a complexidade cotidiana, a ‘cultura primeira’, merece umaatenção específica – e a isto propus que sedenominasse conhecimento comum” (MAFFESOLI, 2010, p. 260,grifo do autor). O saber social e o saber sociológico
  59. 59. OBRIGADO!

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