Polígrafo:   Reflexões sobre    as palavras dainstituição da Ceia do        Senhor
Organizadora: Mara Cristina Weber Kehl                          Maio de 2011                     ApresentaçãoNos tempos de...
lutar para que novamente as pessoas tivessem acesso livre eespontâneo ao Sacramento do Altar e assim pudessem usufruir des...
2º texto:      Reflexão sobre a frase do Evangelho:      “tomou o pão, e tendo dado graças o partiu”.       Autora: Mara C...
b. verba explicationis [applicationis] = as palavras que explicam e imputam a        Ceia do Senhor às pessoas comungantes...
b)      Sua expressão teológica, aliás: cristológica, sim, “kyriológica” (Chr.        Dietzfelbinger). “O Senhor Jesus” em...
●    pelas autoridades judaicas – Mc 15.1 par.                 ●    pelos discípulos: Judas Iscariotes – Mc 14.10s. par; t...
A mencionada correspondência se articula        a)    em honesto levantamento da referida tripla conjuntura (pessoal,     ...
recolhidas caso fossem maiores do que uma azeitona.Os pães asmos eram produzidos para visitas inesperadas (Gn 19.13) e par...
Altar é alimento para quando se tem fome (e sede). Para quem            precisa se alimentar para a luta diária da fé.    ...
c. Na IECLBNo Livro de Culto (p.I 15) consta que a Oração Eucarística (OE) derivada frase ‘tendo dado graças’, justificand...
mais experimenta existencialmente a partilha na sua vida, com seus/as   irmãos/ãs.   As primeiras comunidades cristãs tinh...
A palavra invariável que introduz a assertiva em estudo é: καὶ. Ela servepara ligar (relacionar, unir) duas orações ou doi...
Na Ceia do SENHOR Jesus Cristo, o ‘garçom’, aquEle que prepara a Ceia,dá algo [a Si próprio] a Seus discípulos! Magnífico....
Também, nós, hoje, os que atualmente queremos ir e vamos à Ceiado SENHOR, precisamos nos examinar, conscientizados pela pr...
Nos tempos do Novo Testamento, a palavra significava, em geral, aquelesque aceitavam os ensinamentos de outro – exemplo, d...
a. Mt 5.3-12. As pessoas concretas integradas nos conceito: πτωχοὶ (v.3);πενθοῦντες (4); πραεῖς (5); πεινῶντες καὶ διψῶντε...
iminente ou a pleno vento em popa, na fé, por graça, segundo a Palavra   proferida durante e antes da recepção do Corpo e ...
uma vez por ano, ou, duas, caso não dê na sexta-feira da Paixão. É. Sempregação concreta, as próprias elocubrações e palpi...
nossos pecados que cometemos contra Ele, nosso próximo, a sua criação. Porconseguinte, Jesus Cristo é quem se interpõe ent...
lealmente, gostem de emprestar, dar, ajudar onde podem; que não            mintam, enganem, caluniem, mas que sejam bondos...
comunidade é completa. A vida em comunhão dos cristãos sob a           Palavra atinge seu alvo no Sacramento”.15    Em ter...
mas as famintas e sedentas, que por Ele urgem e lutam, como diz em Mateus 5.6:Bem-aventurados os que têm fome e sede de ju...
oculto o pecado alojado em si ‘piedosamente’19. Os pontos acima elencadossão úteis enquanto extratos de pregações acolhida...
suscita discípulos, mendigos da Graça, Misericórdia, Compaixão, Clemência,Bondade, Amor de Deus, que, então, concretamente...
MÜLLER, D. Discípulo. In: BROWN, Colin. O Novo Dicionário Internacionalde Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nov...
Explicação sobre a frase do Evangelho:                           “tomai e comei, isto é o meu corpo”1. Vejamos primeiramen...
a que mais se diferencias das demais. Na versão de Mateus estão presentesas palavras “tomai e comei”, as mesmas não consta...
25.27-30), a proteção (Js 19.15ss) e a paz (Gn 31.36,54; 43.25ss). Quebrara comunhão da mesa era o mais detestável dos cri...
refere aquilo que foi descrito em João 6.João está muito preocupado com a presença pessoal de Cristo. Numaconfrontação ant...
O SIGNIFICADO DE “EM MEMÓRIA DE MIM”                                         (1 Co 11.24s. / Lc 22.19)                    ...
derivados çaekaer = memória (memorial?) / çikaron = o lembrarde algo / de alguém. O lembrar de Javé é eficaz: salva / resg...
aqui e agora, a certeza de serem factíveis as promessas de Javé,como: “Não vos lembreis das cousas passadas, nem considere...
Ceia (1 Co 11.24b.25b > 11. 26) como ao Batismo em seu nome(Rm 6.3-6.8-11), mais: está sendo aplicada / imputada aos/àscom...
vigorosa que Jesus Cristo mantém a seu respeito (cf. Rm 8.32-9,14.7-9; M. Lutero, OSel v. 7, 523.37-524.4, 535.31-40); b) ...
ele, “em memória de mim”, traduzido para o alemão e/ou usado nolinguajar igrejeiro corriqueiro, leva quase forçosamente a ...
referida formulação, Lutero insiste: Jesus Cristo “não fala de umamemória oculta [e cultivada carinhosamente] no coração, ...
nos- sa obra – e em absoluto não é – ele a constituiu, concedendoo espírito e a graça para tal [a prédica de Deus] e, mesm...
pessoalmente os absurdos cometidos pelos papistas – em talconjuntura, Lutero constata com preocupação crescente que aspess...
Notaspara apoio, aprofundamento – e discernimento pastorais-teológicos1         O. Michel, mimnaeskomai. In: G. Kittel, Th...
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  1. 1. Polígrafo: Reflexões sobre as palavras dainstituição da Ceia do Senhor
  2. 2. Organizadora: Mara Cristina Weber Kehl Maio de 2011 ApresentaçãoNos tempos de Lutero nenhum tema foi tão relevante e caro parasua luta quanto à Ceia do Senhor. Ele constatou que o centro doEvangelho em palavra e sacramentos estava “na lama”, encobertoao povo. Como ministro da palavra percebeu que precisava
  3. 3. lutar para que novamente as pessoas tivessem acesso livre eespontâneo ao Sacramento do Altar e assim pudessem usufruir deseus benefícios.Também em nossos dias, grande parte das pessoas despreza osacramento. Mostra-se alheia e indiferente com o mandamento deCristo. Isto se deve, principalmente, ao fato de que pregadores/aspouco, ou quase nada, pregam sobre a dádiva da Ceia do Senhor,seus benefícios e malefícios, sua centralidade no Evangelho, seusignificado e conseqüências para a vida terrena e eterna. Alémdisso, muitas vezes o pouco que ainda se fala sobre a Ceia servepara encobri-la ao invés de revelá-la.Frente ao silêncio e a compreensão errônea a respeito da Ceiado Senhor, há alguns anos, pastores e pastoras da IECLB, vemse reunindo para que, através da comunhão na Mesa do Senhore da prática confortante da Confissão e Absolvição dos pecados,sejam mutuamente fortalecidos na vivência cristã e na tarefa doministério, de zelar pela palavra e sacramentos. Com este afã, noúltimo encontro foram apresentadas reflexões sobre as assertivasdas Palavras da Instituição da Ceia do Senhor.Colocamos tal material à disposição com a intenção de contagiar epuxar para a comunhão e reflexão outros/as colegas, que tambémse preocupam com a correta ministração e recepção da Ceia doSenhor.Esperamos ajudar na caminhada que não nos pertence, mas quepertence tão somente àquele que nos inclui em tão maravilhosa eséria tarefa. Sumário1º texto: A importância da formulação inicial das Palavras da Instituição: “O Senhor Jesus, na noite em que foi traído / entregue” (apenas em 1 Co 11.23b). Autor: Albérico Baeske
  4. 4. 2º texto: Reflexão sobre a frase do Evangelho: “tomou o pão, e tendo dado graças o partiu”. Autora: Mara Cristina Weber Kehl3º texto: E o deu aos seus discípulos. Autor: Airton H. Loeve4º texto: Tomai e comei, isto é o meu corpo. Autor: Hércules O. Kehl5º texto: O significado de “em memória de mim” (1 CO 11.24s. / LC 22.19): Autor: Albérico Baeske6º texto: O significado das palavras a respeito do cálice no contexto das Palavras da Instituição. Autor: Michael Kleine7º texto: Compreensão das Palavras da Instituição: na IECLB, em Lutero e nos Escritos Confessionais. Autor: Michael Kleine   A importância da formulação inicial das Palavras da Instituição:                  “O Senhor Jesus, na noite em que foi traído / entregue” (apenas em 1 Co 11.23b).     1. O relato neotestamentário referente à Ceia do Senhor – em versão harmonizada dos quatro textos existentes (cf. M. Lutero, Catecismo Menor [CMe], VI.1) – tem caráter tríplice. Ele constitui: a. verba testamenti = o testamento que Jesus Cristo deixou, ou seja, fornece a ba-se cristológica do Sacramento, a quintessência do Segundo Artigo do Credo; a. verba institutionis [consecrationis] = as palavras que instituem a ministração da Ceia do Senhor em determinada comunidade, aqui e agora, ou seja, fornecem a base criacional no Sacramento conforme o Primeiro Artigo do Credo;
  5. 5. b. verba explicationis [applicationis] = as palavras que explicam e imputam a Ceia do Senhor às pessoas comungantes, aqui e agora, ou seja, fornecem a base regeneradora / santificadora do Sacramento conforme o Terceiro Artigo do Credo. Baseado neste relato, a comunidade comungante, hoje, confessa a presença audível e degustável do próprio Jesus Cristo, “o cozinheiro e garçom” de sua Ceia, e, concomitantemente, recebe o próprio Jesus Cristo – “o qual foi entregue por causa de nossas transgressões, e ressuscitado por causa de nossa justificação [diante de Deus]” (Rm 4.25) – “a comida e bebida” (Lutero), que se dá pessoal e fisicamente em sua Ceia, gerando nossa vida e nossa salvação. (Cf., p.ex., A. B., A conseqüência de Deus tomar corpo em Jesus Cristo é a presença real e corporal de Jesus Cristo na sua Ceia, ponto 7. In: ID, Na sua Ceia, o próprio Jesus Cristo “é a comida e a bebida, o cozinheiro e o garçom” [Lutero] / Na sua Ceia)2. A parte inicial das Palavras da Instituição fundamenta a ministração comunitária da Ceia do Senhor e define sua compreensão. Ressaltam-se os seguintes aspectos: a. Seu peso histórico. Paulo – em termos técnicos da transmissão de bem cunhada tradição original: “parelabon / recebi” e “paredooka / transmiti” (1 Co 11.23a) – comunicou à comunidade em Corinto (fundada cerca 49/ 50-51 d. C.; cf. At 18.1-22) o relato do ocorrido com a indicação exata do tempo (“na noite em que [o Senhor Jesus] foi traído / entregue”), intrínseca à sua mensagem, à qual se reporta nesta passagem de sua Primeira Carta aos Coríntios (escrita no início de 54 d.C.?). O mais tardar, o apóstolo deve ter recebido a referida tradição no começo de seu serviço em Antioquia (cerca 40 d. C.; cf. At 11.25s.). Ao que tudo indica, a formulação da mesma surgiu em Jerusalém entre pessoas que se lembravam vivamente dos acontecimentos (abril de 30 d. C.) dos quais ela dá testemunho; a partir de Jerusalém, então, a fórmula ganhou o mundo. Assim, “noite” aqui alude a um fato situado num determinado momento histórico, enquanto em Jo caracteriza teologicamente determinada existência humana (salvo, talvez, 3.1s.; 7.50): “os homens amaram mais as trevas do que a luz” (3.19b; cf. 1.5). Para o quarto evangelista, Judas Iscariotes é o protótipo desta existência (13.30b), que “não sabe para onde vai” (12.35d). Quem crê na “luz do mundo”, que é Jesus Cristo (8.12, 12.46; cf. 1.4s.9, 3.19-21), “não permanece nas trevas” (12.46b), “não andará nas trevas, pelo contrário, terá a luz da vida” (8.12b), jamais é apanhado pelas trevas (cf. 12.35). Àquele/a, contudo, que se separa de Jesus Cristo – “a luz do mundo” / “a luz da vida” – determina “a noite” (9.4, 11.10, 12.35s.), engolem “as trevas”, o que vale dizer, a pessoa está sendo ocupada por Satanás, tal qual Judas (13.27a). (Cf., p.ex., G. Bornkamm, Paulo – sua vida e obra. Petrópolis: Vozes, 1992. p. 11s. 96-105. 135-46. 182-8. 201-21. 253-64. Chr. Dietzfelbinger, Das Evangelium nach Johannes. 2 Vols. 2. ed. Zürich: Theologischer Verlag, 2004. Vol 1, p. 87-90. 237-41. 255-61. 341-3. 348-50. 399-404. Vol 2, p. 18-23 [Zürcher Bibelkommentare hrgb. v. H. H. Schmid u. H. Weder]. A. B., Noite da Ceia do Senhor e noite de Judas. In: ID, Na sua Ceia)
  6. 6. b) Sua expressão teológica, aliás: cristológica, sim, “kyriológica” (Chr. Dietzfelbinger). “O Senhor Jesus” em absoluto é ´meu / nosso Jesus Cristinho` (da novela), o quebra-galho infalível, sempre solícito, nas enrascadas em que a gente se mete. Ele é ho kyrios, a quem as comunidades pós-pascais proclamam como vindo já para assumir, aos olhos de todo o mundo, seu poderio sempiterno (1 Ts 4.15, 5.2; 1 Co 1,7; Fp 4,5). Elas o aclamam sendo aquele em cuja libertação foram acolhidas, desmistificando, assim, os demais senhores, ávidos para as subjugarem (Fp 2.11; Rm 10.9a). Em suas reuniões, que ele mesmo promove, o exultam com “Kyrios Iaesous” (1 Co 12.3c). Sobretudo durante a Ceia do Senhor, experimentam, confessam e esperam Jesus, ho kyrios, o presente vindouro (1 Co 10.21s., 11.20-32, 16.22). (Cf. A. B., Creio em Jesus Cristo, nosso Senhor ou “Ele serve pra sê Sinhô” (P. do Assaré). In: W. Altmann [org.], Nossa fé e suas razões / O Credo Apostólico – história, mensagem, atualidade. São Leopoldo: Sinodal, 2004. p. 64-75. ID, Festa da Ascensão de Jesus Cristo – Cl 3.1-11. In: V.Hoefelmann e J. A. M. da Silva [coord.], Proclamar Libertação – Auxílios Homiléticos, Vol. 30. São Leopoldo: Sinodal, 2004. p. 309-17) O apóstolo Paulo reflete tal “kyriologia”, comum às primeiras comunidades cristãs, e a puxa para a vida cristã concreta, localizada em comunidade (eclesial e social): diante de ho kyrios, cada um tem de se responsabilizar e assumir certas tarefas no convívio (1 Ts 3.12; 1 Co 3.5, 7.17); na vida e na morte, “somos do Senhor” (Rm 14.7s.), logo, o irmão / a irmã é independente de meu julgar e a mim não compete, sob hipótese alguma, qualificá-lo/la ou desqualificá-lo/la (v.10-3); ho kyrios avalia, de vez, decidindo sobre a existência da comunidade inteira bem como sobre a de cada membro individualmente, seja na interinidade “no corpo, distantes [ainda] do Senhor” – 2 Co 5.6) seja na eternidade / ´definitividade` (no “habitar [futuramente, em breve] com o Senhor” – v. 8). (Cf. W. Kramer, Christos Kyrios Gottessohn – Untersuchungen zu Gebrauch und Bedeutung der christologischen Bezeichnungen bei Paulus und den vorpaulinischen Gemeinden. Zürich/Stutt- gart: Zwingli-Verlag, 1963. p. 61-103. 149-81, em especial: 167-72. [Abhandlungen zur Theolo- gie des Alten und Neuen Testaments hrgb. v. W. Eichrodt u. O. Cullmann]) c) Sua importância pastoral, que, de momento, mais interessa, vem à luz quando se observa que ca) a ceia na qual “o Senhor Jesus” age não tem nada a ver com um passah (cf. Êx 12.1-14: ameaça de fora < > Mc 14.12-72 par: ameaça de fora, mas, em especial, de dentro); cb) “o Senhor Jesus” está sendo entregue ● pelo próprio Deus: paredideto = passivum divinum (cf. Mc 9.31; Rm 4.25, 8.32; Jo 3.16), respectivamente, se entrega a este, aceitando sua decisão: Mc 14.32-42 par [15.34 par]; sim, se entrega a si próprio, de livre e espontânea vontade, a seus caçadores (cf. 10.45; Jo 18.4-8 <> Gl 1.4, 2.20)
  7. 7. ● pelas autoridades judaicas – Mc 15.1 par. ● pelos discípulos: Judas Iscariotes – Mc 14.10s. par; três deles dormem no Getsêmani – Mc 14.26.32-42 par; Simão Pedro – Mc 14.30s.53s.66-72 par; “todos [os discípulos] fugiram” – Mc 14.50 [51s.] par. (Cf., p.ex., Johnson Gnanabaranam, Uma Nova Dança. São Leopoldo: Sinodal, 1970. p. 41s. A. B., Mt 22.10-4; Os comensais de Jesus Cristo correm alto risco; Noite da Ceia do Senhor e noite de Judas. In: ID, Na sua Ceia) Chama atenção que conhecedor da vasta literatura relativa à Ceia do Senhor, no âmbito ecumênico, constata que “a noite da traição / entrega [de Jesus] está sendo notoriamente omitida [na reflexão]” (cf. M. Welker, Was geht vor beim Abendmahl? 2. ed. [completamente revisada e aumentada]. Gütersloh: Gütersloher, 2004. p. 49). Tão-só em justaposição com o início das Palavras da Instituição, se entende seu centro e sua estrela: “Dado e derramado em favor de vós para remissão dos pecados” (M. Lutero, CMe, VI. 4). O início descreve o que nós fazemos: traindo / entregando, renegando e dando no pé – e o que segue é o que Jesus Cristo faz: ultrapassando e vencendo nossos malfeitos. Neste conjunto, resplandece / se manifesta, recém, aquilo que o Novo Testamento chama de “amor de Deus“ (Rm 5.8, 8.32, 1 Jo 4.18 [4.7-21]), de “graça de Deus” (Jo 3.16). Eis gratia praeveniens, a manifestação degustável da “paterna e divina bondade e misericórdia”, que nos envolve “sem nenhum mérito ou dignidade de nossa parte”, sim, em franca e onipotente oposição a esses. A graça de Deus “supre” as pessoas que vivem junto à e a partir da Mesa do Senhor “abundante e diariamente de todo o necessário”, as “protege contra todos os perigos e” as “guarda de todo o mal”. Logo, surte nelas gratidão e louvor, bem como as ajeita para o serviço alegre ao Senhor da Ceia, no dia-a-dia (cf. ID, ibd., II.1).3. A formulação “na noite em que [o Senhor Jesus] foi traído / entregue” capta nitidamente a vicissitude em que os discípulos se encontram na véspera da morte de Jesus. As pessoas, que cunharam e transmitiram a frase, confessam através dela a quantas elas mesmas andaram. Aliás, é difícil que haja épocas e lugares em que os/ as comungantes se achem em circunstâncias diferentes. Correspondem, pois, àquela confissão, os/as comungantes de hoje, quando localizam / descrevem / caracterizam / abrem sua situação bem peculiar na qual sucede a Ceia do Senhor. Tal ocorre sob enfoque ● pessoal-individual (´pecados prediletos`), ● comunitário-eclesial: falta de testemunho vivencial / alternativo em sua própria hoste e fora dela, falta de clareza no que “cremos, ensinamos e confessamos [perante Igreja e Sociedade]” e, por conseguinte, não “rejeitamos e condenamos [perante Igreja e Sociedade]” (LC – Fórmula de Concórdia, passim) o que seria preciso e urgente, ● social mais amplo: falta de engajamento político-social em público.
  8. 8. A mencionada correspondência se articula a) em honesto levantamento da referida tripla conjuntura (pessoal, eclesial, sociopolítica); b) em confissão comunitária, concreta e pública, de nossa culpa e corresponsabilidade quanto ao estado geral das coisas em Igreja e Sociedade; c) em confissão sigilosa, junto a um/a familiar da fé, de nossa culpa particular e de nossa omissão pessoal em relação à opção eclesial e à opção em favor do bem-comum; (Cf., p.ex., Dietrich Bonhoeffer, Vida em Comunhão. São Leopoldo: Sinodal, diversas edições em diferentes anos. A. B., Na sua Ceia, passim) d) em reparação, tanto quanto ainda possível, do estrago provocado, de forma individual e comunitária. A. Baeske Reflexão sobre a frase do Evangelho:“tomou o pão, e tendo dado graças o partiu” 1. O pão na Ceia do Senhora) Contexto BíblicoO pão era o alimento mais importante. Consumido unicamente (Gn 31.54),ou ao lado de outros alimentos (Lv 8.32). Era feito de trigo ou cevada.Geralmente as pessoas mais pobres só podiam se alimentar do pão decevada. Cabia às mulheres e escravos/as a tarefa de fazer pão. Masexistiam também padeiros de profissão (Jr 37.21). (Cf. McKenzie, John L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Paulinas, 1984 , p.689)Além do sentido literal, o pão também aparece como sinônimo de todaalimentação (1 Sm 20.34; Gn 47.17; Dt 8.3; Jó 3.24; Ez 18.16). Eraconsiderado alimento sagrado, e por isso, não se permitia colocar um pedaçode carne sobre um pedaço de pão. Se caíssem migalhas ao chão deveriam ser
  9. 9. recolhidas caso fossem maiores do que uma azeitona.Os pães asmos eram produzidos para visitas inesperadas (Gn 19.13) e paraquando as pessoas estavam muito ocupadas (Rt 2.14). A partir do êxododo povo de Deus começa a “Festa dos pães asmos”, com sua observânciaanual como representação cúltica da libertação (Ex 12.14-20). O pão asmorelembrava a aflição que o povo havia passado (Dt 16.3).No NT, além do sentido literal, o pão aparece muitas vezes como sinônimode comida e/ou sustentação física integral (Mt 4.4; Mt 6.11; Lc 15.17). Há odesenvolvimento do pão da vida (Jo 6.35) e do pão no reino (Lc 14.15).Na última refeição de Jesus com seus discípulos, o pão está presente, aolado de ervas amargas e vinho. (Cf.MERKEL, F. Pão. In: BROWN, Colin. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 1ª. Edição, 1981, pgs. 444- 445.)b) Instituição da CeiaSobre o pão na instituição da Ceia podemos crer, ensinar e confessar que: ● O pão passa por longo processo de transformação. Primeiro a semente é enterrada para germinar, crescer e produzir. Quando, no devido tempo, a planta produz os grãos, estes são triturados e moídos resultando na farinha que, após misturada, se torna massa até chegar ao pão. Cada uma destas etapas pode ser comparada com a vida e obra redentora de Jesus Cristo. No fazer o pão, assim como na vida e obra de Cristo, há espera, sofrimento e transformação. ● O pão é feito de uma porção de sementes que perderam sua forma, ‘sua identidade’, e se fundem tornando-se um só pão. Assim também acontece com cada pessoa que participa verdadeiramente da comunhão em Cristo (da Ceia). Morre para si mesma, tornando-se co-participante da vida de Cristo. A pessoa passa a ser parte do único pão. ● O pão é capaz de sustentar uma pessoa durante muito tempo. Ele é fonte de energia que nutre, sustenta e vitaliza o organismo. Por isto, quem come pão em excesso e não trabalha, pode adoecer. Também neste aspecto o pão ilustra aquilo que Cristo faz aos seus comungantes. Seus benefícios e malefícios. Tomar a Ceia do Senhor é receber alimento que trás vida ou morte. ● O pão foi e continua sendo alimento básico. Não é apenas para domingos, feriados e festas, como um bolo ou torta. Mas para o dia-a-dia. Quem hoje aqui não se alimentou de pão? O pão é alimento para a luta diária, para quando se tem fome e não apenas gula. Neste sentido, o pão ilustra que o Sacramento do
  10. 10. Altar é alimento para quando se tem fome (e sede). Para quem precisa se alimentar para a luta diária da fé. ● Por último, não por fim, Jesus Cristo toma o alimento que mais pode caracterizar o seu corpo. Ao “tomar” ele se apropria, decide e faz. O tomar é apenas um gesto, que não encobre e não deve encobrir o que vem depois.c) Na IECLB (nós)-A IECLB ainda usa pão? Quando se ministra o Sacramento do Altar paramultidão, é possível usar o pão? A IECLB prega sobre o pão? O Sacramentodo Altar é acessível como o pão diário?Na liturgia que consta no Livro de Culto justifica-se o ofertório com ogesto: “tomou...”. Que vem a ser isso? Será também sobrevalorizaçãodaquilo que não é central? 2. e; tendo dado graças,- a. Contexto Bíblico Havia o reconhecimento de que tudo pertence ao Criador, principalmente a comida (Sl 24:1). Por isso, a gratidão, em forma de ação de graças estava presente na vida cotidiana e no culto. Quando acontecia uma refeição, havia o costume de agradecer, antes e no final. Muitas vezes se proferia uma benção ao alimento. O chefe da família e /ou hospedeiro abençoava o alimento e depois servia todos/ as. Por ocasião da última refeição de Jesus com os discípulos, além da benção aos alimentos era feita uma explicação sobre a história da libertação. Jesus segue o costume da sua época. Na multiplicação dos pães e peixes ele abençoa os alimentos (Mt 14:19) e dá graças (Jo 6.11; Mt 15.36). (Cf. Cf. id., ibid., p. 445) b. Instituição da Ceia Conforme relato de Lucas e Paulo, Jesus pronuncia uma oração de gratidão ao tomar o pão. Mateus e Marcos narram que Jesus abençoa o pão. Tanto agradecer quanto abençoar, revelam um gesto de gratidão de Jesus pelo alimento que toma em suas mãos. Porém, se este agradecimento ou benção tivesse um longo conteúdo e fosse central na instituição, é provável que teria sido escrito detalhadamente. O fato de aparecer na instituição somente a frase ‘e tendo dado graças’/ ‘o abençou’, pode revelar que as primeiras comunidades cristãs (por ex. Damasco), pronunciavam também uma pequena oração de gratidão antes da Ceia.
  11. 11. c. Na IECLBNo Livro de Culto (p.I 15) consta que a Oração Eucarística (OE) derivada frase ‘tendo dado graças’, justificando que desde a primeira geraçãocristã a OE estava presente na liturgia da Ceia. No entanto, ao olharpara o conteúdo e para a extensão da mesma veremos que não podehaver relação. A OE coloca as palavras da instituição dentro de seuconteúdo, deixando-as sem centralidade. Muitos membros que participamdo culto eucarístico não conseguem, nem sequer, perceber que dentroda OE foram ditas as palavras do Evangelho. Um exemplo é o que dissecerta vez um membro da IECLB, que na ocasião, era presidente sinodal: “o que vocês querem dizer com palavras da instituição?”A oração de gratidão pode existir antes da instituição. De forma breveos participantes do Sacramento do Altar agradecem por aquilo que irãoreceber. A pregação, por sua vez, precisa clarear e sempre insistir naação de graças que sucede a Mesa do Senhor (veja para ex. Lc 24.32-35).3. “o partiu”a) Contexto Bíblico:O pão era partido ou rasgado, nunca cortado com faca. Muitas vezesse fazia com um furo no meio para facilitar a rasgadura. Na refeiçãojudaica era costume que o chefe do lar e/ou hospedeiro partia o pão paraa família ou hóspedes. (Cf. id., ibid. 444)No NT, além do sentido literal, aparece o desenvolvimento do partir dopão como sinônimo para a Ceia do Senhor (Lc 24.30; 1Co 10.16; 1Co 11.24;At 2.42 e 46; At 20.7 e 11; At 27.35). Os discípulos, após a Páscoareconhecem Jesus, o crucificado, entre eles no partir do pão. Seus olhossão abertos e não cessam mais de testemunhar (Lc 24.32-35).b) Instituição da CeiaO partir do pão é o gesto que mais revela o que é a Ceia do Senhor emsignificado e conseqüências. Nenhum outro gesto como ‘cortar’, ‘dartodo’ teria a mesma profundidade que o partir. A Ceia é a partilha deCristo que é dado para homens e mulheres, escravos e livres, pretos ebrancos. Ao receber Cristo, o/a comungante recebe a comida (e bebida)que o leva a partilhar fé, vida e bens. Quanto mais o/a comungante éconscientizado da sua participação real no ‘verdadeiro pão partido’, tanto
  12. 12. mais experimenta existencialmente a partilha na sua vida, com seus/as irmãos/ãs. As primeiras comunidades cristãs tinham olhos sensíveis voltados aos necessitados, ao ponto de partilharem seus bens (At 2.45). Será que a expressão ‘partir do pão’, deriva da clareza que tinham sobre o Sacramento do Altar? d. Na IECLB Uma indagação: Como fica o uso da hóstia, principalmente na questão do ‘partir’? Um ex. para refletir: -Um membro escandaliza-se com a pregação, quando é dito que aquela pessoa que tem medo ou nojo do/a irmão/ã, não deveria ir à Ceia, já que ninguém tem medo de tomar chimarrão ou caipirinha juntos ( o que era próprio no contexto). Leva o assunto ao presbitério e pressiona pela continuidade dos copinhos na Ceia. Na seqüência da reunião, outro membro sugere um jantar para casais afastados da comunidade, com a intenção de reaproximá-los. O mesmo membro polemiza a questão e diz que deveria fazer jantares para aqueles que sempre trabalharam na comunidade e não para aqueles que nunca aparecem. Será que, entre nós, há sono (1Co 11.30) na fé e na partilha, pois não discernimos ( v. 29) devidamente o ‘partir do pão’ e o repassamos? Mara C. W Kehl E O DEU AOS SEUS DISCÍPULOS O estudo relacionado à assertiva tem por objetivo lançar luz sobre osignificado da mesma na perspectiva das palavras da instituição Ceia doSENHOR, na qual ela está escrita. 1. O significa, em detalhes: “E O deu aos seus discípulos” Quem dá a Ceia do SENHOR é o próprio SENHOR Jesus Cristo aos Seusdiscípulos. Ele não dá a Si Próprio às pessoas seguidoras de outros sereshumanos ou autoridades constituídas: Fariseus e escribas, por exemplo. Alémdesse fato concreto: A ação do verbo ‘dar’, como veremos, parte daquEle queanuncia, prepara, aplica e faz desfrutar dos benefícios e promessas da Ceia, JesusCristo, no caso. Ah é? Sim! De fato! Sem participação dos discípulos no preparoda Ceia, porque eles, tão somente, se apropriam da Promessa do SENHOR, tantona fé quanto no concreto, segundo as Palavras o indicam e professam, aí e agora. 2. A conjunção coordenativa: καὶ - e.
  13. 13. A palavra invariável que introduz a assertiva em estudo é: καὶ. Ela servepara ligar (relacionar, unir) duas orações ou dois termos semelhantes da mesmaoração. Nela ela é coordenativa, visto que ela não se altera com a mudança deconstrução da frase. Na assertiva, a função gramatical do καὶ é de ligação, ou seja, ela estabeleceuma relação de adição entre os elementos da oração, sem que, isoladamente,perde-se o sentido que cada um dos elementos da oração possui. Ademais,observando os textos, notamos que a conjunção, tão somente, liga elementos daoração toda que tem pensamento equivalente.Mt 26.26: A conjunção antecede diretamente o verbo: δοὺς.Mt 26.27: A conjunção não antecede diretamente o verbo: ἔδωκεν, masela aparece no início da oração, conforme vemos: καὶ λαβὼν ποτήριον καὶεὐχαριστήσας ἔδωκεν αὐτοῖς λέγων· (...).Mc 14.22: A conjunção antecede diretamente o verbo: ἔδωκεν.Mc 14.23: A conjução não antecede diretamente o verbo: ἔδωκεν, masela aparece no início da oração, conforme vemos: καὶ λαβὼν ποτήριονεὐχαριστήσας ἔδωκεν αὐτοῖς (...).Lc 22.19: A conjunção antecede diretamente o verbo: ἔδωκεν.1Co 11.24: Nesta passagem a conjunção aparece duas vezes, conforme vemos:καὶ εὐχαριστήσας ἔκλασεν καὶ εἶπεν· (...). 3. O verbo ‘dar’, no original:Mt 26.26: δοὺς – particípio aoristo ativo de δίδωμι (dar). Tradução: DandoMt 26.27: ἔδωκεν – aoristo ativo de δίδωμι (dar). Tradução: Pretérito Perfeito:Deu.Mc 14.22: ἔδωκεν – aoristo ativo de δίδωμι (dar). Tradução: Pretérito Perfeito:Deu.Mc 14.23: ἔδωκεν – aoristo ativo de δίδωμι (dar). Tradução: Pretérito Perfeito:Deu.Lc 22.19: ἔδωκεν – aoristo ativo de δίδωμι (dar). Tradução: Pretérito Perfeito:Deu.1Co 11.24: τὸ ὑπὲρ ὑμῶν – Que foi (dado) a favor de vós. A palavra a sersuprimida aqui é: Dado. Não é especificado, em nenhuma das passagens bíblicas alusivas à Ceiado SENHOR se, Jesus Cristo, o Unigênito de Deus, também comeu e bebeu aCeia dEle. Uh é? Sim. Jesus Cristo é exclusivamente aquEle que dá a Si próprio aSeus discípulos. [Pausa para reflexão.]Os termos, λάβετε (comei), φάγετε (bebei), somente, aparecem em Mateus. Oevangelista de Jesus Cristo Marcos, tão somente, tem o verbete: φάγετε. Já emLucas e em 1 Coríntios, nenhuma dessas duas palavras aparece. 4. Quem é quem na Ceia do SENHOR? Quem faz o quê?
  14. 14. Na Ceia do SENHOR Jesus Cristo, o ‘garçom’, aquEle que prepara a Ceia,dá algo [a Si próprio] a Seus discípulos! Magnífico. Na Ceia do SENHOR,imerecidamente, única, exclusiva e tão somente, a participação concreta dosdiscípulos é que eles recebem algo [os elementos da Ceia unidos às Suas Palavrasque Ele próprio lhes dirige] de Jesus Cristo, O próprio, pela fé e no real. Isto éclaríssimo nas palavras da instituição da Ceia. Vejamos:Mt 26.26: τοῖς (dativo plural masculino) μαθηταῖς (dativo plural masculino): Aosdiscípulos.Mt 26.27: αὐτοῖς (dativo plural masculino): Lhes.Mc 14.22: αὐτοῖς (dativo plural masculino): Lhes.Mc 14.23: αὐτοῖς (dativo plural masculino): Lhes.Lc 22.19: αὐτοῖς (dativo plural masculino): Lhes. 5. Qual o significado e alcance do verbete: Discípulo? Pessoas impuras não podiam participar da Ceia da Páscoa judaica. Haviaum exame prévio, preparação segundo a Palavra do SENHOR – Êx 12.43ss.Jesus Cristo, antes da instituição, ministração e recepção da Ceia dEle, notifica1que aquele que O havia traído se dê a conhecer e faz com que os discípulostodos se examinem o mais seriamente possível2. Pois é. Precisamos refletircom profundidade que: Na comunidade da Ceia, na comunhão com o próprioJesus, pessoas puras não têm lugar, mas sim, e tão somente gente contrita earrependida, que à Luz da Palavra de Deus e Cristo, se confessa, reconhece edeclara culpada ante Deus; enfim, pecadores que crendo nos benefícios de Cristo,correm para Ele. É. A Ceia do SENHOR é justamente para gente pecadora quediz, na e pela fé no Cristo Crucificado, assim: Se me examino à Luz da EscrituraSagrada, chego à conclusão, pela fé, de que eu deveria dar um fim à vida queme foi confiada, exatamente como Judas o fez, mas, isto não faço pois Deus meo proibiu, pelo contrário, como mendigo da Graça, Misericórdia, Compaixão,Complacência, Bondade, Amor de Cristo, me entrego, mediante a fé, aosCuidados de Deus. Ademais, como é horrível e terrível perceber que Jesus Cristo só pode sertraído por uma pessoa que é discípula dEle, como no caso de Judas cuja índole écontrolada e guiada, regida e determinada pelo ser interior de alguém que não étotalmente crente na pessoa e pregação de Cristo, como o notamos na sua posturaconcreta!3 De mais a mais é preciso refletir que não somente Judas trai a Cristo,mas sim, todos.1 Nötigt. KÜBEL, Robert. Exegetisch-homiletisches Handbuch zum Evangelium de Matthäus, I.1889, pg. 489.2 Aufs ernsteste sich zu prüfen. KÜBEL, Robert. Exegetisch-homiletisches  Handbuch  zum Evangelium de Matthäus, I. 1889, pg. 489.3 Wie ist es wohl zu bedenken, daβ in Jesu Kreis, besonders in die Abendmahlgemeide,Unheilige nicht passen; wie entetzlich das Los eines Judas-artig stehenden Menschen!Assim escreve Kübel no seu livro. KÜBEL, Robert. Exegetisch-homiletisches  Handbuch  zum Evangelium de Matthäus, I. 1889, pg. 489.
  15. 15. Também, nós, hoje, os que atualmente queremos ir e vamos à Ceiado SENHOR, precisamos nos examinar, conscientizados pela pregaçãocristocêntrica, antes de participar e receber a Ceia do SENHOR, com a mesmapergunta: Porventura, sou eu, SENHOR, quem Te está traindo? E, isto precisase dar, não como uma lei, mas como resposta à Obra da Salvação na cruz doCalvário, onde Jesus Cristo pagou com Seu próprio Sangue o preço da nossadívida ante Deus. Ademais, o que eu sou capaz/apto4 a fazer ou mesmo estouconcretizando em termos de traição e profanação, tanto com o ensino quantocom a vida, do Nome de Deus na atualidade? Será que nós não temos tambémsegredos de traição de Cristo a revelar? Tentaremos ser ousados crendo queno dia final isto não virá á tona?5 Ou ainda, será cremos que, mesmo semarrependimento e fé em Jesus Cristo, igual se irá, com algum ‘jeitinho’, serpartícipe de Ceia Derradeira? Auto-Ilusão!4 Fähig.5 Quanto à esse assunto consultar: BONHOEFFER, Dietrich. Prédicas e Alocuções. Pg. 23-27.
  16. 16. Nos tempos do Novo Testamento, a palavra significava, em geral, aquelesque aceitavam os ensinamentos de outro – exemplo, de João Batista (Mt 9.14;Jo 1.35), dos fariseus (Mc 2.18; Lc 5.33) e de Moisés (Jo 9.28). Seu uso maiscomum era para denotar as pessoas aderentes de Jesus: Quer no sentido geral(como em Mt 10.42; Lc 6.17; Jo 6.66), quer referindo-se especialmente aos doze(Mt 10.1; 11.1), que tudo abandonaram a fim de seguí-Lo.7 Igualmente, não sepode deixar de mencionar testemunhas específicas (Jo 9.28). Atendo-nos ao assunto em questão na presente exposição da assertiva,observamos que: Jesus Cristo, na noite em que foi traído, institui, ministra e sedá aos Seus discípulos (μαθηταὶ). Mas quem são esses discípulos? Só os dozeque Ele escolhera? Havia outros discípulos/as com Jesus Cristo naquela hora?Não podemos afirmar com exatidão. Certo, contudo, é que os doze que Ele haviaescolhido estavam aí presente. Considerando que não nos é possível, ao exato, declarar quem estava, e sehavia mais pessoas presentes na hora da Ceia, nos atemos com mais afinco,agora, ao significado do termo: Discípulo. Há uma clara diferença entre οἱ μαθηταὶ (Mt 5.1), os discípulos (um círculomais restrito de pessoas), de τοὺς ὄχλους (Mt 5.1), as multidões (um grandecírculo de ouvintes), de ὄχλος μαθητῶν (Lc 6.17), de multidão de discípulos,isto é, todas as pessoas que até aqui tinham recebido o Ensino Doutrinal de Jesuspropriamente8, e que o tinham aderido seguindo-o.9 6. Aproximando-nos ao conceito ‘discípulos’ à luz de falas diretas de Jesus  Cristo. 6 MÜLLER, D. Discípulo. In: BROWN, Colin. O  Novo  Dicionário  Internacional  de  Teologia  do Novo  Testamento. 1ª. Edição, 1981, pgs. 662-663. Além, do texto, em português, pode serconsultado, em língua alemã: COENEN, Lothar; BEYREUTHER, Erich und BIETENHARD, Hans.Theologisches Begriffslexikon zum Neuen Testament. Band II/1, pgs. 947-953.7 Para maiores informações consultar: MÜLLER, D. Discípulo. In: BROWN, Colin. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 1ª. Edição, 1981, pgs. 662-663.8 “(...) d. h. allen, die bis jetzt in den eigentlichen Lehruntericht Jesu, in seine Nachfolgeeingetreten waren.“ Mais acerca do assunto em: COENEN, Lothar; BEYREUTHER, Erich undBIETENHARD, Hans. Theologisches Begriffslexikon zum Neuen Testament. Band II/1, pg. 95.9 Nachfolge.
  17. 17. a. Mt 5.3-12. As pessoas concretas integradas nos conceito: πτωχοὶ (v.3);πενθοῦντες (4); πραεῖς (5); πεινῶντες καὶ διψῶντες τὴν δικαιοσύνην (6);ἐλεήμονες (7); καθαροὶ τῇ καρδίᾳ (8); εἰρηνοποιοί (9); δεδιωγμένοι ἕνεκενδικαιοσύνης (10); ἐστε ὅταν ὀνειδίσωσιν ὑμᾶς καὶ διώξωσιν καὶ εἴπωσινπᾶν πονηρὸν καθ᾽ ὑμῶν [ψευδόμενοι] ἕνεκεν ἐμοῦ (11). Exato. Sem sobrade dúvida, para estas pessoas a Ceia do SENHOR é existencial, de valore significado ímpar, determinante na fé que se apega à Viva Voz de Deusproclamada pelo ministério da pregação, instituído por Deus. Com certeza, àessas pessoas μαθηταῖς a explicação, conscientização, ministração e recepçãocorreta da Ceia do SENHOR é substancial à fé e vida com e pelo Evangelhode Jesus Cristo. Com certeza. Saber e ouvir acerca da presença real e concretade Cristo na Ceia aí sendo ministrada e sendo dada unida ao que ela é, pelafé, revigora a pessoa serva do Crucificado-Ressurreto Ressurreto-Crucificado.Sim, os discípulos de Jesus Cristo são, aí e agora, na Palavra e no Sacramento,também, graciosamente alcançados, de fora. Sem sombra de dúvida é preciso dar atenção, tanto na perspectiva do versículo 11 quanto nos antecedentes, três a dez, às pessoas μακάριοι incluídas e referidas concretamente à Luz da Palavra de Deus, nos conceitos e ordens, mandamentos e promessas, que exigem fé e decisão obediente do ouvinte, do Próprio Jesus Cristo, presente de modo real, na Palavra e na Ceia dEle. Pela Palavra e Sacramento as pessoas podem crer que são lembradas individualmente pelo SENHOR que ordena: χαίρετε καὶ ἀγαλλιᾶσθε (regozijai-vos e exultai). A Ceia do SENHOR, de verdade, é momento de tomar alento concreto sob regozijo e exultação, não forçada por pessoas; cerimonialismo; psicologização; liturgização que endurece e dificulta o chegar ao puro Evangelho a ser acolhido na fé; o meio e espaço no qual se institui, ministra e se recebe a Ceia; louvores emotivos. Uh é? Isto é verdade? Certissimamente. Por isso mesmo, ainda que nas catacumbas, em circunstânscias diversamente adversas, de perseguição clara e concreta,10 BONHOEFFER, Dietrich. Vida em Comunhão. Pg. 20.
  18. 18. iminente ou a pleno vento em popa, na fé, por graça, segundo a Palavra proferida durante e antes da recepção do Corpo e Sangue de Cristo, de modo real e concreto, há e se vivencia o χαίρετε καὶ ἀγαλλιᾶσθε. Pois é. Eis aí, existencialmente, vivido e vivenciado, o que a fé crê e busca. Quem poderá criar uma lei ou norma para proibir ou recriminar o χαίρετε καὶ ἀγαλλιᾶσθε? Se Jesus o disse e declarou, então, se pode crer: O que Ele diz, cumpre. Se Cristo declara que se pode sair do barco, no qual se está, e vir à Ele por sobre as águas, então, é possível caminhar sobre as águas, sem afundar, pela fé naquilo que Seus lábios proclamaram!b. Mt 10.16-33. Às pessoas μαθητὴς que vivem as admoestações e os estímulos,por causa do serviço junto ao Evangelho de Jesus Cristo, a Ceia do SENHOR,na qual Jesus Cristo está presente real e concretamente, segundo lhes é ensinadopelo mistério da pregação, a ‘sua’ vida e existir em função da Boa Nova, hoje,sustentam e alimentam, a esperança, fruto da fé no Unigênito de Deus e Seudoutrinamento. Inegavelmente o Sacramento, ministrado em memória de Cristo,lembra e faz vivenciar o χαίρετε (Imperativo de χαίρω – regozijar-se, estarfeliz) καὶ (conjução: e) ἀγαλλιᾶσθε (Imperativo de ἀγαλλιάoμαι – regozijar-segrandemente). Realmente, enquanto, se recebe, aí e agora, durante e enquantoele, o Evangelho de Jesus Cristo é proclamado e a Ceia do SENHOR está sendoministrada e recebida, Deus mesmo vai chamando e reconciliando conSigo, asque já são μαθητες e as que Ele próprio vai acrescentado e fazendo com que sereconciliem com o semelhante que está ao seu lado e que também foi inserido eunido ao Corpo de Cristo, que tem muitos membros.c. Mc 9.49. Discípulos de Jesus Cristo, μαθητες δοῦλος Χριστοῦ Ἰησοῦ,separados para o Evangelho de Deus, κλητὸς εἰς εὐαγγέλιον θεοῦ, crêem nosalgar com fogo, no dia derradeiro. De fato. Ninguém será salvo pelas obras (Rm3.24s.,28; Gl 2.16s.), mas isto não significa de modo algum que não haja umjulgamento final (Mt 10.32s.; Rm 14.12; 2Co 5.10). Por outra, é confortantesaber que não haverá salvação eterna automática e compulsória, mas que cadaum, individualmente, terá de dar contas da vida e do modo como a viveu aoDoador e Mantenedor da mesma. Uau! Sim, diante de Deus é preciso reconhecer,conhecer e confessar que há diferença clara entre o ser humano e o Seu Criador,Resgatador, Santificador. Por conseguinte, de verdade, é confortante econsolador saber, como fruto da fé na proclamação externa da Palavra de Cristo,que Deus vai tirar dos/as Seus/Suas servos/as todas as impurezas, como Açãoexclusiva do SENHOR em favor deles/as, como já está fazendo e faz aí na SuaCeia através de Cristo, o operador e consumador da ‚Troca Alegre‘.Concomitantemente, a pregação nos anuncia o que é a Ceia do SENHOR e domodo como se deve vir à ela: Crente, ἐκ πίστεως εἰς πίστιν, de fé em fé. Ah, é?Sim. À Ceia, como Gottesdient, Sacramento da fé, é preciso ir devidamenteconscientizado acerca da necessidade da fé e do arrependimento. Do contrário, sepassará a crer: Se eu não for também não fará mal; e, se for, ninguém tem nadahaver como o modo como vou. Basta que eu vá de vez em quando, pelo menos
  19. 19. uma vez por ano, ou, duas, caso não dê na sexta-feira da Paixão. É. Sempregação concreta, as próprias elocubrações e palpites pessoais podem sercontrolado pelo diabo, sim, basta justificar os seus pecados com a Bíblia e tudoestará aí presente, no concreto.d. Lc 17.10. A Ceia do SENHOR é consolo às pessoas μαθητες δοῦλος ΧριστοῦἸησοῦ, que são servas junto ao Evangelho, por Graça e fé, na Viva Voz doEvangelho de Jesus Cristo, crida.e. Jo 15.18s.; 16.2. Os discípulos de Jesus Cristo são pessoas que, por causado Nome, Reino e Vontade de Deus, são odiados, excluídos, perseguidos,caluniados, difamados, identificados como inimigos do „gênero humano“11, mas,ainda assim, amados, cuidados, guardados, acompanhados pelo próprio Cristo,que age neles pelo Espírito. Que Graça! Que Bendição! O próprio Crucificado-Ressurreto Ressurreto-Crucificado, pelo Espírito Santo, cuida das pessoas queEle identifica como Seus (Lc 12.11s.). Pois é, como os expulsos e mortos comoculto tributado a Deus (Jo 16.2) haveriam de ter certeza que são de Cristo Jesuse que não serão deixados sós por Jesus, senão, através do Serviço de Deus,que age pela Palavra e pelo Sacramento, neles, sim, naqueles que recebem oGottesdienst dignamente, pela fé? Louvai a Deus em alta voz, porque Ele age naPalavra e Sacramento de modo concreto nos seus embaixadores da reconciliação,πρεσβεύομεν τῆς καταλλαγῆς! Vinde cansados e amedrontados: O Salvador aíestá: Na Palavra e Sacramento a servir aos que crêem na loucura da pregação(1Co 1.18), na diaconia da reconciliação (διακονίαν τῆς καταλλαγῆς) emandamento! Quem haverá de desprezar tal oferta da Graça? Que seja longe denós todo o minimíssimo desperzo ao chamado de Cristo. Ouçamos, pra valer, oque o SENHOR diz. 7. A fé que alcança os benefícios da Promessa de Deus A pessoa discípula de Jesus Cristo crê naquEle que servirá na Ceia Derradeira(Lc 12.37b.), com vocação e convocação pessoal escatológica. Sim, ela nãofica neutra frente ao Unigênito de Deus, Suas Promessas e Ordens. Ela éalguém que segue a Fala de Cristo, identificando-se com Ele, os ἀκολουθέω. Aspessoas que são chamadas por Jesus Cristo, O seguem (ἐξακολουθέω - seguir;παρακολουθέω – acompanhar, entender; συνακολουθέω - seguir) por fé, demodo decisivo e existencial, alimentados e saciados por Ele próprio, visto quesão dirigidas e governadas pelo Nome, Vontade e Reino de Deus, em obediênciaa Jesus Cristo, com propósitos novos, renovados e fixados na Boa Nova deGrande Alegria: A dívida do pecado está paga ante Deus através e por meio deJesus Cristo que derramou o Seu Sangue na Cruz do Calvário em seu lugar, porgraça, arrependido e crente. Se o crês, usufruis do conteúdo da fé. Deus não é um bocó nem um coió e nem tão pouco um arrigó que pura esimplesmente deixa que pequemos sem nos responsabilizar. Aliás, bem pelocontrário, Deus é justo, correto, verdadeiro, juiz e, nos responsabiliza pelos11 Para quem quiser saber mais acerca do modo como os cristãos eram acusados, sob o prisma pagão,ler: FELDMEIER, Reinhardt. A Primeira Carta de Pedro. Um comentário exegético-teológico. Pgs. 15-25.
  20. 20. nossos pecados que cometemos contra Ele, nosso próximo, a sua criação. Porconseguinte, Jesus Cristo é quem se interpõe entre os discípulos do Unigênitode Deus e o próprio Deus, dizendo, como Advogado: Deixa eles serem salvosporque crêem em Mim. Como discípulo de Jesus Cristo é preciso ser fiel a Ele (At 14.22). Contudo,sem justificar rasamente o pecado, a realidade de vida e viver ante Deus e nossopróximo, como servo de Jesus Cristo, se percebe que não há como não pecar.Logo, como subsistir diante de Deus, fora e longe de Cristo? Impossível. Tãosomente em e através de Cristo, pela fé, há paz com Deus! 8. A pessoa discípula de Jesus Cristo hoje A pessoa discípula (μαθητὴς) da atualidade precisa da presença do Mestre/Professor (διδάσκαλος) Espírito Santo que age, gerando arrependimento e fé, navida e viver das pessoas, pela Palavra da Cruz (λόγος τοῦ σταυροῦ), apontandoe promovendo a Jesus Cristo, o Crucificado-Ressurreto Ressurreto-Crucificado.Tal pessoa, na totalidade de ‘sua’ existência, passa, pela Ação do EspíritoSanto, mediante a fé em Cristo, a viver e crer, compreender e conhecer o Amorde Cristo, ἀγάπην τοῦ Χριστοῦ, segundo e conforme a Vontade de Deus, nãoprofanando o Nome de Deus, nem com a vida e nem muito menos com ensinoque não é cristocêntrico (1Co 3.11). A assertiva em estudo e reflexão, no todo, esboçada, nos faz pensarindubitavelmente na possibilidade do ‘baratear’12 a Graça de Deus, daautoministração do perdão sem contrição, arrependimento, confissão eproclamação externa do perdão dos pecados, do colocar ‘rosas na cruz’ e noexercício arbitrário e irresponsável do ministério da pregação de Cristo e daministração incorreta do Sacramento. Isto, sem sombra de dúvida, significariajustificação dos pecados e condenação do pecador. Por isso mesmo, incluímos,aqui e já, reflexões concretas, que nos ajudam a ter um norte firme, de verdade,visto que não dá pra minorar que:a. Na Confissão de Augsburgo, documento normativo na IECLB, artigo vintee cinco, está escrito: “A confissão não está abolida em nossas igrejas. Pois nãose costuma dar o Corpo do SENHOR a não ser àqueles que previamente foramexaminados e absolvidos.”13b. Lutero, na terceira parte dos concílios e da Igreja, escreveu: “[O Espírito Santo] santifica os cristãos segundo o corpo, e dá que eles obedeçam de boa vontade aos pais e superiores, que sejam pacíficos, humildes, não sejam irados nem vingativos ou maldosos, mas pacientes, amáveis, serviçais, fraternos, amorosos; que não sejam incastos, adúlteros, indisciplinados, mas castos, disciplinados com a mulher, filhos e empregados, ou também sem mulher e filhos, e doravante não roubem, pratiquem a usura, sejam avarentos, exploradores, etc., mas que trabalhem honestamente, ganhem o pão12 BONHOEFFER, Dietrich. Vida em Comunhão. Pg. 9.13 Confissão de Augsburgo. Pg. 37.
  21. 21. lealmente, gostem de emprestar, dar, ajudar onde podem; que não mintam, enganem, caluniem, mas que sejam bondosos, verdadeiros, fiéis e constantes, e tudo o mais que é exigido nos Mandamentos de Deus. Isso faz o Espírito Santo que santifica e desperta também o corpo para esta nova vida, até que seja consumado na outra vida. A isto se chama a santidade cristã. E sempre haverá que ter tais pessoas sobre a terra, ainda que sejam apenas dois ou três, ou somente as crianças. Infelizmente há poucos entre os adultos, e os que o não são não deveriam considerar-se cristãos. Também não se deve consolá- los, como se fossem cristãos, por meio de muita conversa sobre o perdão dos pecados e a Graça de Cristo, como fazem os antinomianos. Pois esses, depois de haverem rejeitado os Dez Mandamentos e sem os entenderem, pregam em lugar deles muito a respeito da Graça de Cristo, mas fortalecem e consolam aqueles que continuam em pecados, dizendo que não precisam temer nem se apavorar por causa dos pecados, porque todos já estão tirados por Cristo. Não obstante, vêem isso e deixam as pessoas continuar em pecados públicos, sem qualquer renovação e melhora de sua vida. Disso se pode deduzir que na verdade não entendem bem a fé nem a Cristo, anulando-o justamente pelo fato de O pregarem. Pois como pode falar corretamente das Obras do Espírito Santo na primeira tábua, de consolo, graça, perdão dos pecados aquele que despreza as Obras do Espírito Santo na outra tábua nem pratica as que pode compreender e experimentar, mas jamais exercitou nem experimentou aquelas? Por isso é indubitável que eles não têm ou não entendem nem a Cristo nem ao Espírito Santo. Sua conversa é pura espuma na língua e eles são, como já foi dito, verdadeiros Nestórios e Eutiques, que confessam e ensinam a Cristo na premissa, na substância, mas, mesmo assim, O negam na conclusão ou nos atributos, isso é, eles ensinam a Cristo e O destroem ensinando-O”.14c. Dietrich escreveu em relação à vida em comunhão, assim: “[...] Àqueles que, apesar de toda busca e esforço, não conseguem achar a imensa alegria da comunhão, da cruz, da nova vida e da certeza, deve ser mostrada a oferta que nos é feita na confissão fraternal. A confissão situa-se dentro da liberdade do cristão. Quem, todavia, recusará uma ajuda que Deus considerou necessário oferecer sem levar prejuízo?” [...]“O dia da celebração da Santa Ceia é dia de festa para a comunidade cristã. Reconciliada no coração com Deus e com os irmãos, a comunidade recebe a dádiva do Corpo e Sangue de Cristo, e nela, perdão, nova vida e bem-aventurança. Ela é presenteada com nova comunhão com Deus e com as pessoas. A comunhão da Santa Ceia é por excelência o cumprimento da comunhão cristã. Do modo como os membros da comunidade estão unidos em corpo e sangue na Mesa do SENHOR, assim serão unidos em eternidade. Aqui a comunhão alcança a sua meta. A alegria em Cristo e sua14 LUTERO, Martinho.  Obras Selecionadas. V. 3. Pgs. 406s.
  22. 22. comunidade é completa. A vida em comunhão dos cristãos sob a Palavra atinge seu alvo no Sacramento”.15 Em termos, práticos, então, sem desmerecer, o ministério da pregação e a féna Palavra de Deus pregada e em andamento durante o Gottesdienst (Serviçode Deus) em comunidade, quem são as pessoas discípulas, de hoje, a quem sedá o Corpo e Sangue de Cristo, responsavelmente, sem é claro, lançar pérolaaos porcos, os que insistem em não se arrepender e crer em Cristo? Em sintoniacom a Palavra de Deus pregada e ensinada com clareza, não abandonado e nemtão pouco rejeitando a justificação por graça mediante a fé em Jesus Cristo,podemos, a partir do conteúdo do próprio Evangelho, quem a suscita, fazerreferência concreta, afirmando, que pessoas discípulas são: ● Aquelas que ouvem e respondem obedientemente na fé ao Evangelho de Jesus Cristo que notifica à fé e ao arrependimento, e, conscientizadas por ele, se integram às outras, também chamadas para junto de Cristo, as pessoas κλητοί (chamadas pela proclamação de Jesus Cristo, que na e pela fé acolhem a proclamação da reconciliação de Deus operada no e pelo Unigênito dEle), que também querem, em memória de Cristo, louvar, exaltar, glorificar, rejubilar, bendizer a Deus pela Sua Obra Misericordiosa, Benigna, Clemente, Graciosa, totalmente imerecida, em favor delas em Cristo, o Salvador, Remidor, Perdoador, SENHOR sobre pecado, morte, inferno e todo mal. Lutero sublinha a necessidade da pregação, do ensino, do estímulo aoSacramento. Eles, recebidos na fé fazem com que as pessoas acorram aoSacramento com vontade, disposição, buscando, sem ser obrigado por leishumanas, o proveito e salvação que aí se anuncia, oferece e aplica. Aliás, como,ele declara: “Quem não é cristão ou não vai ao sacramento por livre e espontâneavontade, que fique bem longe e vá aonde bem entenda.”16 ● Aquelas que reconhecem, confessam, professam que são pecadoras e que querem que seus pecados sejam encobertos pelo Sangue de Jesus Cristo, segundo ouviram e creram ser prometido nas Palavras da Instituição da Ceia do SENHOR.Lutero ensinou que Cristo: “(...) não quer as almas enfastiadas, enojadas, fartas,15 BONHOEFFER, Dietrich. Vida em Comunhão. Pgs. 92,95. Às pessoas que queiram estudar mais acercada relação entre Ceia do SENHOR e testemunho, corajoso e destemido, de Cristo com todo o ser,fazemos referência e indicamos outro aspecto e tema profundíssimo: “Das Abendmahl als Mahl derMündiger” em: KUSKE, Martin. Weltliches  Christsein.  Dietrich  Bonhoeffers  Vision  nimmt  Gestalt  an.Pgs. 19-47. Especialmente a página 88s.16LUTERO, Martinho. Pelo Evangelho de Cristo. Obras Selecionadas de Momentos Decisivos da Reforma. Pg. 258. O mesmo texto, em língua alemã, pode ser lido assim: “Und wer nichtbereitwillig und gerne ein Christ ist oder zum Sakrament geht, der bleibe nur weit davon undfahre, wohin er fahren will” em: LUTHER, Martin. Ermahnung  zum  Sakrament  des  Leibes und  Blutes  unseres  Herrn. In: BEINTKER, Horst; JUNGHANS, Helmar; KIRCHNER, Hubert. Sacramente,  Gottesdienst,  Gemeindeordnung. Berlin: Evangelische Verlagsanstalt GmbH,Band 3, 1981, pgs. 140s.
  23. 23. mas as famintas e sedentas, que por Ele urgem e lutam, como diz em Mateus 5.6:Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão satisfeitos.”17 ● Aquelas que querem ser integrantes da santa Igreja Cristã, a comunhão das pessoas santas pela fé em Cristo, segundo confessa a comunidade cristã; ● Aquelas que querem ser regidas, governadas, guiadas, controladas pelo Espírito Santo de Deus pela fé na Sua Palavra; ● Aquelas que querem que seus pecados reconhecidos e odiados, pela fé e no concreto, mediante a diaconia da Palavra (διακονίᾳ τοῦ λόγου), nele sejam perdoados por Jesus Cristo; ● Aquelas que querem ser ressuscitadas dos mortos para a vida eterna com Jesus Cristo, segundo crêem; ● Aquelas que respondem positivamente à Ordem de fazer discípulos de Cristo Jesus em todas as nações, batizando e ensinando essas pessoas a guardar tudo o que Cristo tem ordenado; ● Aquelas que querem viver como servas junto ao Evangelho de Jesus Cristo; ● As pessoas batizadas em Nome do Trino Deus que querem santificar o Nome de Deus, que Seu Reino Venha, que Sua Vontade se faça.18 Mas, em relacionando quem seriam, de modo concreto, os μαθητὴς, hoje, jáse têm solucionado e resolvido, de uma vez por todas, o mau uso do sacramento?Não. Em absoluto, não. E, em relacionando alguns pontos que caracterizamμαθητὴς, como fizemos, já teremos relacionado e lançado todas as bases para aministração correta do Sacramento, de uma vez por todas, segundo o ouvimosna assertiva em estudo, meditação e pregação? Talvez sim. Talvez não. Talvez,até o pioramos, quando pontos elencados forem tomados de modo normativoe legalista, ou quando, libertinamente e diabolicamente, se pretende manter17 LUTERO, Martinho. Pelo Evangelho de Cristo. Obras Selecionadas de Momentos Decisivos da  Reforma. Pg. 258. O mesmo texto, em língua alemã, pode ser lido assim: “Er will nichtdie überdrüssigen, gleichgültigen, selbstzufriedenen Seelen, sondern die hungrigen unddurstigen, die sich danach drängen und darum reiβen, wie Er Matth 5,6 sagt: Selig sind, dienach der Gerechtigkeit hungern und dürsten, denn sie sollen satt werden”, em: LUTHER,Martin. Ermahnung zum Sakrament des Leibes und Blutes unseres Herrn. In: BEINTKER, Horst;JUNGHANS, Helmar; KIRCHNER, Hubert. Sacramente, Gottesdienst, Gemeindeordnung. Berlin:Evangelische Verlagsanstalt GmbH, Band 3, 1981, pgs. 141.18 Propomos que se leia e estude os textos mencionados nas notas de rodapé acima. Os textosem questão, tanto o original quanto a tradução, nos trazem profundas bases em relaçãoao que foi relacionado; e, com certeza, muitos outros aspectos não referidos nos pontoselencados podem ser agregados, sem medo, resguardado, é claro, uma normatização legalistade quem seriam μαθητὴς aquém da pregação de Cristo. Ora, é pela pregação do CristoCrucificado que as pessoas discípulas são conhecidas e dadas a conhecer, pela fé, mediante oAgir do Espírito Santo.
  24. 24. oculto o pecado alojado em si ‘piedosamente’19. Os pontos acima elencadossão úteis enquanto extratos de pregações acolhidas na fé por pessoas que foramfeitas discípulas pelo próprio Cristo Jesus que serve a Sua Ceia com pregaçãoantecedente! Jesus Cristo não serve a Sua Ceia sem pregação antecedente,reiteramos! A Ceia do SENHOR não é um momento social, nem tão pouco ummomento que preenche algum momento bonito na noite da Sua traição e prisão.Iríamos nós fazer de Sua Ceia apenas um algo a mais daquilo que chamamosde ‘nossa celebração’, a Deus, ainda por cima? Afinal, como, então, ministrar o sacramento corretamente, de tal modoque não se vá lançar pérolas aos porcos (Mt 7.6; 1Co 11.27,29)? De certeza,vale lembrar, que Cristo instituiu o ministério da pregação, a qual deve serexercitada ‘sem papas na língua’, sem rodeios e meneios, sem medo acuado dedizer as cousas como as cousas de fato são, tal qual Cristo a exerceu (Mt 5.1ss.).É fato! Jesus Cristo não é aletofóbico! Pode crer. Ademais, o perigo sempreexiste, o de transformar em libertinagem a graça de nosso Deus (μετατιθέντεςχάριτα τὴν ἡμῶν τοῦ θεοῦ) de se julgar a pessoa não a atitude pecaminosa, o quenão se deve esquecer jamais; e, justamente, na comunidade das pessoas κλητοίque exercem a νουθετοῦντες ἑαυτούς (Cl 3.16 – a confrontação/admoestaçãonoutética mútua, de acordo com as Escrituras Sagradas) e disciplina eclesiástica(Mt 18.15-20), é preciso lembrar que a Palavra final, não é nossa, em termos desalvação, eterna, mas do próprio Deus, que salgará as pessoas μαθητὴς, com fogo(Mc 9.49).Concluindo O chamado de Jesus Cristo: Comei/Bebei, é, sem sombra de dúvida,uma ordem e um chamado clemente e gracioso, complacente e assaz benigno,misericordioso e imerecido em relação às pessoas pecadoras mendigas da Graçade Deus. E mais, as pessoas arrependidas e crentes nEle, vão experimentar peloTrabalho/Serviço de Deus (Gottesdienst) nelas, pela Palavra e Sacramento, queo SENHOR está querendo ser seu Deus; e, que elas, por sua vez, tenham a Elecomo seu SENHOR, pessoal, seguindo-O na vida e viver, com fidelidade ao SeuNome, Sua Vontade, Seu Reino. Hmmm. Uh é? Mas, por que Ele age assim tãocompassivamente para com pessoas que não tem nada de bom para que JesusCristo as chame a Si e lhes dê de comer e beber a Si Próprio? Porque Ele querser bom para ti e para mim que aceitamos viver e morrer para aquEle que é bom,de todo. Sim, Jesus Cristo, em obediência ao Seu Pai, veio se compadecer daspessoas que deviam receber castigo mui tremendo. Mas, a questão é: Será queEle está sendo ouvido, crido, conhecido e reconhecido por nós como aquEle queconquistou o perdão dos pecados? Ademais, frisamos que o vir a ser pessoa discípula de Jesus Cristo,igualmente a fome e sede pela Ceia do SENHOR, como sacramento da fé, se dápelo e no Gottesdienst (Serviço de Deus), enquanto ouvintes da pregação pura.A Palavra de Deus ensinada puramente e a fé na proclamação, opera tudo, semparticipação externa. Claro. Sem sombra de dúvida, é a pregação de Cristo que19 BONHOEFFER, Dietrich. Vida em Comunhão. Pg. 29.
  25. 25. suscita discípulos, mendigos da Graça, Misericórdia, Compaixão, Clemência,Bondade, Amor de Deus, que, então, concretamente, a recebem, aí na Mesa doSENHOR. Aí, já, agora, as pessoas ouvintes, encontram e se deixam servir pelopróprio Unigênito de Deus, aquEle que prepara, oferece, dá, concede e aplica,corporalmente, o que a pregação anunciou e proclamou. Por conseguinte, concluindo, afirmamos, ainda que tenhamos feito algumasmenções concretas, que, é, sem sombra de dúvida, perigoso e até legalista, quererenumerar quem seriam as pessoas discípulas de Cristo, aquém do Gottesdienste da fé que é operada pelo Espírito Santo naqueles que crêem naquilo que aViva Voz de Deus indica, menciona e profere na pregação de preparação para aministração. Aliás, de fato, não é a experiência e nem o momento exato e externoque é o importante na Ceia do SENHOR mas a Palavra de Deus pregada, crida erecebida de modo concreto e real aí em torno da Mesa do SENHOR.BIBLIOGRAFIA Nós estudamos e fundamentamos o acima exposto na bibliografiaprimária, contudo, não deixamos de observar e mencionar outra bibliografia quetambém foi consultada. ● Bibliografia  de  Apoio  e  Fundamentação  Primária,  Usada  no  Corpo  do  Texto: BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA. Trad. de João Ferreira de Almeida. Ed. rev. eatualizada no Brasil. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.BLENDINGER, C. Discípulo. In: BROWN, Colin. O Novo DicionárioInternacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova. 1ª.Edição, 1981, pgs. 658-661.BONHOEFFER, Dietrich. Prédicas e Alocuções. São Leopoldo: Sinodal, 2007,pg. 23-27.BONHOEFFER, Dietrich. Vida em Comunhão. São Leopoldo: Sinodal. 3ª.Edição Revisada, 1997, pgs. 86-95.COENEN, Lothar. Igreja. In: BROWN, Colin. O Novo DicionárioInternacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova. 1ª.Edição, 1982, pgs. 393-407.COENEN, Lothar; BEYREUTHER, Erich und BIETENHARD, Hans.Theologisches Begriffslexikon zum Neuen Testament. Band II/1, Wuppertal:Theologischer Verlag Rolf Brockhaus, 1969, pgs. 947-953.Confissão de Augsburgo. São Leopoldo: Sinodal, 1980.KÜBEL, Robert. Exegetisch-homiletisches Handbuch zum Evangelium deMatthäus, I. Nördlingen: T. H. Beck’sche Verlagsbuchhandlung, 1889, 544 pg.LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas – Debates e Controvérsias, I. SãoLeopoldo: Sinodal/Porto Alegre:Concórdia, 1992, v.3, pgs. 404-432.LUTERO, Martinho. Pelo Evangelho de Cristo. Obras Selecionadas deMomentos Decisivos da Reforma. Porto Alegre:Concórdia/São Leopoldo:Sinodal, 1984, pgs. 253-285.
  26. 26. MÜLLER, D. Discípulo. In: BROWN, Colin. O Novo Dicionário Internacionalde Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova. 1ª. Edição, 1981, pgs.661-667.NESTLE, Eberhard. Novum Testamentum Graece. Stuttgart: PrivilegierteWürttemgergische Bibelanstalt. Editio vicesima prima, 1952. ● Bibliografia  que  pode  e  deve  ser  consultada,  também,  em  relação  ao  assunto: BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. São Leopoldo: Sinodal, 3ª. Edição,1989, pgs. 9-133.HALLER, Eduard. Vom verborgenen Glücklichsein. In: Zusammengestelt vonGIERUS, Friedrich; BAIER, Klaus Alois. Dem Wort gehorsam. EineDankesgabe na Prof. Christian Dietzfelbinger. Blumenau: Otto Kuhr, 2009, pgs.9-15.KUSKE, Martin. Weltliches Christsein. Dietrich Bonhoeffers Vision nimmtGestalt an. Berlin: Evangelische Verlagsanstalt GmbH, 1984. 152 pgs.LUTHER, Martin. Ermahnung zum Sakrament des Leibes und Blutesunseres Herrn. In: BEINTKER, Horst; JUNGHANS, Helmar; KIRCHNER,Hubert. Sacramente, Gottesdienst, Gemeindeordnung. Berlin: EvangelischeVerlagsanstalt GmbH, Band 3, 1981, pgs. 135-178.FELDMEIER, Reinhardt. A Primeira Carta de Pedro. Um cometárioexegético-teológico. São Leopoldo: Faculdade EST/Sinodal, 2009, pgs. 15-25.
  27. 27. Explicação sobre a frase do Evangelho: “tomai e comei, isto é o meu corpo”1. Vejamos primeiramente um comparativo entre as quatro versões daspalavras da instituição referentes ao pão:Mateus 26.26Λάβετε φάγετε, τοΰτό εστιν το σωμά μουlabete fagete touto estin to swma mouTomai, comei; isto é o meu corpo.   Marcos 14.22labete touto estin to swma mouTomai; isto é o meu corpo.Lucas 22.19touto estin to swma mou to uper umwnIsto é o meu corpo, que é dado por vós.1 Co 11.24touto mou estin to swma to uper umwnIsto é o meu corpo que é por vós.2. Qual versão é a mais antiga?Cada texto da Ceia representa uma tradição litúrgica diferente, confiado aoescritor pela sua própria comunidade. Há um consenso geral de que Marcose 1 Coríntios são as duas formas mais antigas das Palavras da Instituição.Deve-se pressupor uma forma original Aramaica (ou Hebraica), que nãofoi conservada, e que fica por detrás de ambas estas formas mais antigasdo texto. Contudo, Marcos é considerado o mais antigo. Pois, a formatransmitida por Paulo e Lucas, pressupõe a versão de Marcos das palavrasexplanatórias, e somente pode ser entendida como desenvolvimento dasmesmas. Já que a frase no relato de Paulo “no meu sangue” (1 Co 11.25) nãoaparece em Jr 31.31ss, a formula não deve ser entendida primariamente emtermos de Jeremias; recebe seu significado, que fala do “sangue da aliança”a partir de Ex 24.8.3. A versão de Mateus das palavras da instituição da ceia é a menos tardia e
  28. 28. a que mais se diferencias das demais. Na versão de Mateus estão presentesas palavras “tomai e comei”, as mesmas não constam nas versões de Lucas ePaulo, e, na versão de Marcos somente “tomai”.a) Quais as razões para esta diferença?Os aparecimentos de Jesus depois da Páscoa (At 10.41; Lucas 24.30-31,35,43; Jo 21.13) eram, conforme reconhece o próprio NT, ocorrênciassem iguais e, como tais, eram restritas aos testemunhos originais (1Co15.5ss). Quando Jesus ressuscitado comia e bebia com seus discípulos,estava fazendo uma coisa extraordinária, que não podia ser repetida damesma maneira, nem continuada de qualquer forma.A comunhão de mesa do Jesus terrestre e a do Cristo ressurreto com seusdiscípulos são fatores que se relacionam com os motivos básicos por detrásda última refeição de Jesus. A realização regular da Ceia do Senhor pelaigreja primitiva surgiu de todos estes fatores.O mais provável é que “tomai e comei” seja um acréscimo imperativo noemprego litúrgico das palavras da instituição. Assim como o mandamentoexplicito no sentido de repetir o ato (Lc 22.19 e 1 Co 11.24-25), bem comoa substituição da terceira pessoa “por muitos” (Mc 14.24) pela segundapessoa “por vós” (Lc 22.20 e 1 Co 11.24), que estreita a referência universaldas declarações acerca do cálice (a morte vicária de Jesus em prol demuitos). Os diferentes acréscimos litúrgicos foram surgindo, com opropósito de incluir as reflexões teológicas que foram surgindo na práticada Ceia do Senhor. As palavras “tomai e comei” em Mt 26.26, originalmentenão faziam parte das palavras originais da instituição da ceia.B) Por que Mateus acrescenta “tomai e comei”?Nas religiões antigas, comer e beber se realizava mormente nas refeiçõesformais, i. é. atos de comunhão pública ou particulares vinculadas comos atos sagrados. As famílias, clãs e comunidades religiosas recebiamuma participação no poder divino mediante a refeição em comum, querepresentava sua união com a divindade. A origem da natureza sagrada darefeição é vinculada com conceitos mágicos, mediante as quais o divino seconcretiza em coisas materiais. Nada havia que levava a mais união entre oshomens e entre o homem e Deus, do que o comer e beber.As festas e sacrifícios no AT frequentemente se vinculam com refeiçõesreligiosas, que podem se descrever como: “comendo diante do Senhor e sealegrando” (Dt 12.7) a comunhão à mesa liga o homem a Deus e diante deDeus (Ex 18.12; 24.11). Uma refeição frequentemente desempenha um papelao concluir-se uma aliança secular (Gn 26.30; Js 9.14-15) onde Javé estavapresente como hóspede invisível.A comunhão à mesa significava que era outorgado o perdão ( 2 Sm 9.7; 2 Rs
  29. 29. 25.27-30), a proteção (Js 19.15ss) e a paz (Gn 31.36,54; 43.25ss). Quebrara comunhão da mesa era o mais detestável dos crimes (Jr 41.1-2; Sl 41.9).Mateus ao incluir o φάγετε, estaria querendo ligar a Ceia do Senhor àsrefeições do Antigo Testamento?4. Em Marcos as palavras pronunciadas sobre o pão expressam a entregaque Jesus fez de Si mesmo. Isto porque as palavras da instituição naforma original em Marcos não ligava “corpo” e “sangue”, tinham sentidoem si mesmo, i.é, ligavam “meu corpo” e “meu morrer em prol de muitos”.Em Marcos “corpo e sangue” não são termos complementares, comofrequentemente são citados (Hb 2.14). Marcos com a declaração dopão aponta para “meu corpo”, com a declaração a cerca do cálice apontapara “meu morrer em prol de muitos”.5. Em 1 Coríntios, Paulo associa com as palavras pronunciadas sobre o pão,a declaração acerca da expiação (Isto é o meu corpo que é por vós), aqual em Marcos está associada ao sangue. O conceito do próprio Paulo seexpressa mais claramente em 1 Co 10: somos unicamente um pão (o quenos dá uma participação em Cristo, que foi entregue à morte como nossosubstituto), “nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo;porque todos participamos do único pão” (1 Co 10.17), i.é. o corpo de Cristocomo uma comunidade. Para Paulo, Cristo que foi entregue por nós, a Quemrecebemos no pão, automaticamente inclui a igreja como corpo de Cristo,a igreja na qual somos incluídos mediante a Ceia do Senhor. A preocupaçãoespecífica de Paulo, portanto, é o relacionamento entre Ceia do Senhor e aIgreja. Para Paulo, o conceito cristológico do corpo dá a entender também oconceito eclesiológico.6. Lucas, na linha de Paulo e Marcos, também faz seus acréscimos, contudo,com ênfases na escatologia, fazendo um paralelismo entre as expressõesescatológicas (Lc 22.16,18) e as palavras da instituição (Lc 22.19,20). Talponto de vista fica evidenciado por aqueles que sustentam que Lucas 22.15-20, espelha a liturgia de uma celebração judaico-cristã da páscoa, a qualtinha a expectativa escatológica no centro de sua celebração.(B. Lohse; J.Jeremias; F.Hahn; in: B. Klappert. A ceia do Senhor. p.411)7. João é o único Evangelista que não dá um relato da Ceia do Senhor nocontexto da última refeição de Jesus (13.1-30). Apesar disso, supõem-seque João 6 diz respeito a Ceia do Senhor, pelo menos por um argumento:se João 6 não diz respeito a Ceia do Senhor é porque a Ceia do Senhor se
  30. 30. refere aquilo que foi descrito em João 6.João está muito preocupado com a presença pessoal de Cristo. Numaconfrontação anti-gonóstica, ressaltou a conexão entre comer da carne deCristo e beber o Seu sangue, e a encarnação. Para João “comer a carne”e “beber o sangue” do Filho do Homem é um sinal perpétuo da participaçãoda Sua vida, mediante a fé, e compartilhar dela é continuar a reconhecer aplena realidade do Logos divino (6.35,47,54).João mesmo omitindo a narrativa da instituição, com o discurso do capítulo6 destaca que a totalidade da vida cristã deve ser caracterizada por estealimentar-se com Cristo e que é disto que trata a refeição sacramental daIgreja.8. A presença real e corporal de Jesus Cristo.As diferenças existentes nos textos da narrativa da instituição indicamque houve um processo de reinterpretação, contínua, do significado doevento de Jesus oferecer a Si mesmo. O oferecimento que Jesus fezde si mesmo é transmitido e atualizado na Ceia do Senhor. O crucificadoressurreto/ressurreto crucificado se oferece a si próprio no pão sob o qualsuas palavras são ditas: “isto é o meu corpo’. E, na medida em que o kyrios, oCrucificado Ressurreto/ o Ressurreto Crucificado se oferece na refeição, agraça transmitida pela Ceia do Senhor é Jesus Cristo. Ele mesmo torna reala Sua presença enquanto se realiza a Ceia, fazendo, portanto, com que sejaa Ceia do Senhor.A presença real e corporal de Jesus Cristo, o Crucificado Ressurreto / oRessurreto Crucificado na sua Ceia é o que nos indicam as palavras “tomai ecomei; isto é o meu corpo”. P. Hércules O. Kehl.
  31. 31. O SIGNIFICADO DE “EM MEMÓRIA DE MIM” (1 Co 11.24s. / Lc 22.19) I. 1. É comum a todas as épocas e regiões que as pessoasrecordem seus mortos, especialmente os que lhes eram queridosou tinham importância para suas vidas. Os respectivos hábitos sãomultiformes. Não raras vezes, permeiam a existência toda dos vivos(como entre povos do extremo oriente e em comunidades tribais aoredor do globo). Em nosso meio, confere-se os nomes das pessoasmortas às quais somos de uma ou outra forma ligadas e gratas, acrianças, a logradouros, a instituições, etc.; publica-se livros “inmemoriam” de determinados vultos; adota-se jeitos e práticas defalecidos inesquecíveis. Também o universo religioso está cheio ou se apodera de mile um costumes de lembrar, sim, celebrar mortos e mortas. Assimse realizaram, por exemplo, na antiguidade, ceias cultuais junto aostúmulos de pessoas veneradas, na data anual de seu falecimentoe/ou de seu aniversário. Em certos ambientes, faz-se, atualmente,oferendas a ancestrais mortos, repartindo as mesmas entre osfamiliares vivos e convidados para este fim. Entre nós, solicita-se “missas em memória”, respectivamente, “orações memoriais”para entes amados. 2. Na Bíblia, a expressão “em memória” não tem nada a vercom os mortos e as recordações, guardadas e celebradas, a seurespeito, por parte de vivos que lamentam seu passamento. Aformulação neotestamentária “em memória de mim” tem baseveterotestamentária. O termo-raiz hebraico é çkr = “lembrar” e seus
  32. 32. derivados çaekaer = memória (memorial?) / çikaron = o lembrarde algo / de alguém. O lembrar de Javé é eficaz: salva / resgataseu povo ou resiste a / destrói seus inimigos; ele é criador: abrepossibilidades / projetos impensáveis para seus fiéis. Javé “fezmemorizáveis suas maravilhas [suas ações libertárias]” (Sl 111.4;cf. 77.6s.12 s., 119.52, 143.5). Enquanto elas são lembradas, estãopresentes, orientam e enchem de novas esperanças o povo que aslembra (p.ex.: Gn 42.9; Nm 11.5; 2 Rs 9.25). O povo de Israel vive do fato de que Javé se lembra dele,quer dizer, é ciente de sua situação, vê seus aperreios, intervém emseu favor (p.ex.: Gn 9.15s.; Êx 2.24; Lv 26.42.45). Israel confessa:estamos sendo lembrados por nosso Deus; lembramo-nos daqueleque de nós se lembra. Existimos em sua memória e por causa dela,e, consequentemente, permanecemos na firme expectativa denovas manifestações de sua memória em relação a nós, as quaissuplicamos com fôlego e fervor (p.ex.: Sl 74.18.22 > Êx 32.13; Dt9.27; Jr 14.21; Hc 3.2). Parece que “lembra-te” caracteriza o grito de socorro emIsrael, dirigido a Javé (p.ex.: Jz 16.28; 2 Re 20.3; Jó 7.7; Sl 25.6,137.7). Especialmente, “o Deuteronômio desenvolve uma teologiado lembrar [em duplo sentido]”: Javé > povo (p.ex.: 7.18, 8.18,15.15, 16.3, 24.18-22) e povo > Javé (p.ex.: 5.15, 8.2, 9.7-29, 16.12,32.7) [1]. Tal reflexão assertiva do passado e do porvir sustenta opovo em fé e vida no presente [2]. II. 1. Na era inaugurada por Jesus Cristo, as primeirascomunidades pós-pascais entram neste testemunho de Israel,resultante de experiências de muitas gerações. Aquelas dãoprosseguimento a este, respectivamente, o reinterpretam eatualizam; o que vale dizer que o compreendem em sua imutávelabertura para o futuro, “em seu movimento irrequieto rumo aocumprimento [derradeiro]”, que Javé, “que se realiza em JesusCristo” (C. H. Ratschow), providencia [3]. As aludidas comunidadeso têm deste modo em conseqüência daquilo que lhes acontece [4]:estão sendo reunidas da dispersão em um só corpo (cf. Jo 11.52),iluminadas (cf. Ef 1.18s.) “com os dons do Espírito Santo” [5] eenviadas (cf. Lc 24.36-49 par., Jo 17.6-19). As cristofanias [6], que as reconstituem, lhes esmiúçam,
  33. 33. aqui e agora, a certeza de serem factíveis as promessas de Javé,como: “Não vos lembreis das cousas passadas, nem considereis asantigas. Eis que faço cousa nova, que está saindo à luz; porventuranão o percebeis?” (Is 43.18s.; cf. 46.9, 54.4, 65.17). Em verdade, “acousa nova [a novíssima]”, predita pelos profetas, iniciando comJeremias, principalmente, no entanto, por aqueles no exílio e logoapós, excede, de longe, tudo o que a fé e sua experiência em Israelconhecia até então (cf. Is 48.7s.); sim, o que vem vindo escandaliza,com efeito, todos os que fitam o passado – um passado tãodistinguido por fatos e atos que o próprio Javé desencadeou,contudo, não concluiu ainda [7]. Assim como as comunidades pós-pascais agem no tocanteao título de Javé-Adonai = o Senhor = ho kyrios (na comunidadede fala grega) [8], de semelhante modo, também, quanto ao çkr /çaekaer / çikaron = mnaemoneuoo / to mnaemosinon / anamnaesis(na comunidade de fala grega) [9]: sempre articulam umtestemunho cristocêntrico insofismável – fenômeno jamais superadoem sua abrangência e intensidade salvíficas [10]. Em Jesus, oCrucificado Ressurreto / o Ressurreto Crucificado, se manifestaa memória personificada de Deus, graciosa e potente (veja: Lc1.54.72). Daí surge a oração confessional loeçikroni (re-traduçãopara o hebraico por F. Delitzsch) = eis taen emaen anamnaesin =“em memória de mim”. O acento repousa no sufixo. O acréscimopós-pascal é, doravante, o central, “a cousa nova [novíssima]”, nalinha de Deutero-Isaías e seus sucessores. Portanto, não pode setraduzir a fórmula recriada com “em minha memória”. O testemunho de “em memória de mim” comunica:a) usando e tomando [11] a Ceia do Senhor, a comunidade,gerada e congregada por ela, confessa a presença real e corporal,audível e degustável de Jesus Cristo em seu meio, com a finalidadede ligar os/as comungantes a si próprio de maneira integral,indissolúvel, perpétua [12]. Destarte, o Crucificado Ressurreto / oRessurreto Crucificado edifica seu corpo presente (1 Co 10.16s.)– e futuro (Ap 7.9-17, 11.15-9, 12.7-17, 14. 1-5.12s., 19.1-10, 21.1-22.5);b) usando e tomando a Ceia do Senhor, a comunidade, geradae congregada por ela, se lembra concretamente de Jesus Cristo edo que ele fez por ela (cf. Is 53 > Rm 4.[16-24]25 e 1 Pe 2.21-5).Sua morte salvadora – como tal revelada e consolidada por Deusatravés de sua ressurreição – está intrinsecamente vinculada a sua
  34. 34. Ceia (1 Co 11.24b.25b > 11. 26) como ao Batismo em seu nome(Rm 6.3-6.8-11), mais: está sendo aplicada / imputada aos/àscomungantes batizados/as, que, assim, se transformam emagentes de reconciliação e irmandade, de igualdade e liberdade[13];c) usando e tomando a Ceia do Senhor, a comunidade, gerada econgregada por ela, proclama Jesus Cristo, ho kyrios de tudo e detodos, que está por vir abertamente (Fp 2.9-11; 1 Co 15.20-8);d) usando e tomando a Ceia do Senhor, a comunidade, geradae congregada por ela, grita a Deus que se lembre de ho kyrios,apressando sua parousia patente / visível e, desta feita, aconsumação definitiva de sua obra salvífica (1 Co 11.26c, 16.22; Ap22.20 // Lc 23.42; Didaché 10. 5). 2. A comunidade é chamada e congregada, santificada econservada na fé verdadeira e única [14] / o corpo de Cristoé formado e sustentado / o povo de Deus prossegue em suaperegrinação até o repouso que lhe é preparado (cf. Hb 4.1-13),rumo “aos novos céus e à nova terra nos quais habita justiça” (2 Pe2.13), em conseqüência do ato que Jesus Cristo se recorda dela /deles, sempiternamente. Na Ceia de Cristo, esta sua recordaçãose materializa. A Ceia do Senhor constitui a comprovação diretae corporal do Crucificado Ressurreto na presente existênciados “seus” (cf., p.ex., Jo 10.3.14, 13.1, 15.14-6, 17.9s.) [15]. Origem e fundamento de sua Ceia emergem da ressurreiçãode Jesus Cristo – “e este crucificado” (1 Co 2.2). Sua ressurreiçãoe sua Ceia são interligadas; Paulo o evidencia, empregando amesma terminologia ao introduzir a Ceia do Senhor e ao se referirà Ressurreição do Crucificado – “parelabon / recebi” e “paredooka/ transmiti”: 1 Co 11.23 e 15.3 [16]. Ressurreição de Jesus Cristoe Ceia de Jesus Cristo se imbricam essencialmente [17] e seinterpretam mutuamente [18]. Jamais a comunidade vive de suas recordações relativas aJesus Cristo, pelo contrário:a) comungando em sua Ceia, a comunidade é socorrida,guarnecida, blindada, sempre e em toda a parte, pela lembrança
  35. 35. vigorosa que Jesus Cristo mantém a seu respeito (cf. Rm 8.32-9,14.7-9; M. Lutero, OSel v. 7, 523.37-524.4, 535.31-40); b) comendo e bebendo na Mesa do Senhor, ela escuta delecom transbordante alegria: “Ó pobres, vinde! / Quero já comiserar-me. / Não precisa de doutor / quem não sente doença e dor” [19];imensamente grata, sabe que ele aplica nela: “Eu sou teu e tu ésmeu [minha]; / onde eu estou / terás o céu, / nada há de separar-nós” [20];c) comendo e bebendo na Mesa do Senhor, ela se percebe ● empregada no convívio eclesial (cf. 1 Ts 3.12s.; 1 Co 3.5-10, 7.17, 10.12, 11.17-22; Gl 6.1-10 // Gl 1.6-10, 2.11-21, 4.8-5.12; 1 Jo 4) e social (cf. 1 Ts 3.12, 4.12 / 1 Tm 3.7; Rm 12.17-21; Cl 4.5 // 1 Ts 5. 21; Fp 4.8; Rm 12.2; Ef 5.10.17; M. Lutero, Ibd., 513.24-7, 536.12- 22) ● exposta ao autoexame (cf. 1 Co 11.28; 2 Co 13.5), provocado pela dupla eficácia do sacramento (cf. 1 Co 10.1-13, 11.29-30 // 1 Co 1. 18; 2 Co 4.2s., 2.14-6; Lc 2.34; 1 Co 1.23 par.; M. Lutero, Ibd., 512.26-9) ● sujeita à avaliação do Senhor da Ceia (cf. 1 Co 11.27- 34, 16.22; 2 Co 5.6-10; Rm 14.10-3 [nota 21]; Ap 2.1- 3.22, 19.5-9; Mt 10.32s. par., 25.31-46; At 17.31; M. Lutero, Ibd., 513.4-7.14-7); d) na medida em que ela está sendo servida por Jesus Cristo,seu “cozinheiro e garção”, e está degustando Jesus Cristo,sua “comida e bebida”, ele injeta na comunidade comungante acerteza de que será semelhante a ele, porque o verá como ele é (cf.1 Jo 3.2; Fp 3.21; Rm 8.17; Cl 3.4) [22]. 3. M. Lutero se refere ao enunciado “em memória de mim”. Nãoé nada fácil comunicar o entendimento que dele tem [23]. Suacompreensão muda em decorrência dos embates com osoponentes teológicos. Acontece que omite em determinadasmanifestações a respeito da Ceia do Senhor aquela expressão oureproduz seu conteúdo com outras palavras [24]. Chama atençãoque Lutero, sendo biblista veterotestamentário [25], focaliza rarasvezes o intuito da raiz hebraica do termo (veja acima). Para
  36. 36. ele, “em memória de mim”, traduzido para o alemão e/ou usado nolinguajar igrejeiro corriqueiro, leva quase forçosamente a umentendimento contrário ao que sucede no sacramento, de fato e emverdade. Pois a salvação acontece no exato momento em que, emsua Ceia, o próprio Senhor – presente, real, corporal – se ministra anós. Não existe distância entre o objeto da memória e a atual minis-tração/distribuição do Sacramento do Altar. Esta última é um fatotão patente que, por dizer assim, engole o que se deu no passado[26]. Aqui não há lugar para desdobrar a problemáticaenredada. Independentemente disto, Lutero traz abordagensdo enunciado que podem ajudar na medida em que comungarmose subsidiar a conscientização sacramental da comunidade. Por ora,relaciono as seguintes:a) ante a compreensão romana / papista da formulação comoordem de Deus para realizar ou repetir / representar o sacrifício deCristo na missa, Lutero liga “em memória de mim” com 1 Co 11.26.Assevera que o Preparador e o Hospedeiro em sua Ceia dirige-se aseus / suas hóspedes, a comunidade ao redor de sua Mesa: “Todasas vezes que usam este sacramento e testamento precisam pregarde / sobre mim” [27]. O que ele é e faz não pode ser esquecido nodecorrer dos séculos [28]. Dito diferente: no Sacramento do Altar, Jesus Cristo é a dádivasalvadora de Deus. Jesus Cristo, ele mesmo, o CrucificadoRessurreto / o Ressurreto Crucificado se autocomemora, presente ecorporalmente, junto aos/às comungantes. O que acontece quandoos/as alcança e envolve, aqui e hoje, de moto próprio, via Palavrasda Instituição, “essas palavras vivas de Cristo” [29]. Com a única eexclusiva finalidade de que surta neles/as a fé e que se apropriemda dádiva divina, comendo e bebendo nesta refeição sem par, paraque não lhes reste a menor dúvida com relação ao seu resgatederradeiro [30]. Ao que tudo indica, Lutero sustenta tal asserçãodurante a vida inteira. O enunciado, deste modo captado, promoveJesus Cristo qua Resgatador definitivo; logo, é expressão autênticado / para o Evangelho pregado. Visto do lado do último, é seuresumo fidedigno, e visto do lado do povo crente, presenteado comaquela dádiva de amor sem limites de Deus, é esteio inabalável davida e da certeza de sua salvação, agora e depois. O que leva – atoestritamente posterior e derivado – a comunidade, assim agraciadae certificada, tanto a agradecer e louvar a Deus quanto a se sacri-ficar pelas pessoas que dela necessitam [31]; b) ante a compreensão entusiasta / sacramentária [32] da
  37. 37. referida formulação, Lutero insiste: Jesus Cristo “não fala de umamemória oculta [e cultivada carinhosamente] no coração, mas, sim,da lembrança pública e oral [veja II.1.], quando diz: ´Fazei isso emmemória de mim´, o que acontece através da prédica e palavra deDeus – isto é sua memória, a qual instituiu ... Ela permanece... atéo fim do mundo, e é no sacramento [Ceia do Senhor] não apenascomida, mas também palavra de Deus” [33]. Destarte, Lutero atacaa ideia de que a fé em Jesus Cristo, o Crucificado Ressurreto / oRessurreto Crucificado, surgisse de modo direto, perpendicular docéu, sem mediação exterior. Assim que fosse algo dito espiritual,escondido na esfera íntima-individual, uma convicção estritamenteguardada / cuidada no fundo do coração, que sobe / vem à luz,quem sabe, em momentos carregados de emoção. Dito diferente: Lutero confessa a presença real e corporal,comunicável e degustável de Jesus Cristo em sua Ceia – aí “eleestá presente com tudo que ele é e tem” [34]. Tal memória, agindona pregação, ligada à correspondente refeição, ocorre, de todojeito, independentemente dos sentimentos e das ânsias ocasionaisdos/das comungantes. Trata-se não de uma memória espiritual einterna, mas, isto sim, de uma memória externa e corporal. Querdizer: trata-se de “um presente”, no qual ele próprio, Jesus Cristo,conforme suas palavras em sua Ceia, se “me oferece, brinda epassa seu corpo e seu sangue, sendo dado e derramado pormim” [35]. É, pois, um presente que ganhei e que como e bebo.Blasfemam as pessoas que transformam em espiritual o que Deusconstitui e proporciona de modo corporal. Blasfemam não menosaquelas que negligenciam e deixam de confessar que o presenteé justamente para elas mesmas. Aqui vale de maneira específica oque Martim Lutero testemunha, em toda a parte: extra nos garantepro nobis; pro nobis se origina extra nos; nos extra nos sucede em,com e por intermédio da intervenção salvífica externa de Deus. Aoque tudo indica, Lutero sustenta, igualmente, esta asserção durantea vida inteira; c) em oposição a estas frentes – a papista e a entusiasta /sacramentária, que, para ele, em todos os pontos vitais de doutrinae fé são farinha do mesmo saco [diabólico] [36] – Lutero, baseando-se em textos escriturísticos, identifica “memória” com “pregação”.Por exemplo, expõe a partir de Sl 111.5s.: “Os cristãos têm depregar sempre a respeito destes grandes feitos de Deus [cf. Êx14-15.21; Nm 21.21-35; Hb 13.20s.], embora eles [próprios / de eem si] não pregam, mas, sim [conforme diz o salmista], o Senhor[mesmo] prega. Pois ele [Deus] não quer que [a pregação] seja
  38. 38. nos- sa obra – e em absoluto não é – ele a constituiu, concedendoo espírito e a graça para tal [a prédica de Deus] e, mesmo assim, arealiza através de nós” [37]. Lutero destaca “memória” como sendo ação direta e genuínade Deus. Em absoluto, uma falação a respeito dele e de suasações. Urge, pois, “que se divulgue amplamente tal memória emtoda a parte a fim de que aquelas pessoas que a desconhecem[ainda] também se aproximem. [Tal divulgação da memória] devesuceder em público, não num canto reservado, [deve ocorrer]perante a comunidade [reunida] e na missa [= durante a ministraçãoda Ceia do Senhor] sempre precisa-se pregar” [38]. Para Lutero,ministração / distribuição da Ceia do Senhor sem pregação [vejaacima] é contradictio in adiecto por excelência [39]. Mais agudo: aprédica existe e serve tão-só para desdobrar a Ceia do Senhor –como síntese do Evangelho – em todos os seus ângulos [40];d) com a insistência na justaposição “memória de mim” =pregação [do próprio Deus], Lutero resguarda a Ceia do Senhorde qualquer cooperação / atividade de nosso lado, seja litúrgico(cf. práticas igrejeiras na IECLB), seja afeto ao serviço ministerial(cf. Igreja de Roma, Igrejas confessionalistas), seja em forma deefusões da dita alma (cf. jeitos celebrativos dentro e fora da IECLB),seja em “preparação corporal ou boa disciplina externa” [41]. Lutero salienta: “Esta é nossa doutrina [/ pregação]: pão evinho [na Ceia do Senhor] não ajudam nada... Eu digo mais: Cristona cruz com todo seu sofrer e morrer em nada ajuda... Algo outroainda precisa se juntar aí e estar presente. O que? A palavra, apalavra, a palavra” [42]. Jesus Cristo é esta palavra em carne eosso. Ele a pronuncia, distribuindo seu corpo rasgado e seu sanguederramado “em favor de muitos [= todos]” (Mc 14.24 / Is 53. 4-12)entre os/as comungantes em sua Ceia. Consequentemente, Luteroconfessa: “A honra de nosso Deus... é esta: por causa de nós, elese humilha tanto, mas tanto, que se coloca na carne [encarnação deJesus Cristo], no pão [Ceia do Senhor],em nossa boca [distribuiçãona Ceia], coração [fé], colo [semelhante necessitado]. E, além disto,sofre por causa de nós” [43]. Lutero testemunha o Sacramento doAltar “como continuação do cocho e da cruz [de Jesus Cristo, quenos alcançam e envolvem, nos marcam e resgatam]” [44];e) quando a Reforma da Igreja toma vulto, articulando-sesob o ponto de vista da doutrina, da liturgia e da edificação dacomunidade localizada, e se espraiando territorialmente, e, aospoucos, começa a crescer uma geração que não conhece mais
  39. 39. pessoalmente os absurdos cometidos pelos papistas – em talconjuntura, Lutero constata com preocupação crescente que aspessoas não comungam mais ou apenas de vez em quando. Nestecontexto, interpreta o enunciado “em memória de mim” comochamada, sim, ordem do próprio Jesus Cristo para que o povo dascomunidades venha para sua Mesa. Pacífico, Lutero não pretende reintroduzir “a praxe papista”(como diz), mas sublinha com energia que o povo seja atraído àinefável dádiva da Ceia pela pregação convincente e convidativados ministros, razão pela qual formulou e publicou, por exemplo, aQuarta Parte do Catecismo Maior – Do Sacramento do Altar [45].Lutero entende e ressalta agora, que com, através e na participaçãono Sacramento do Altar, os/as comungantes honram, louvam,agradecem – e divulgam seu Constituinte que se doa aí a seu povo,corporalmente [46].
  40. 40. Notaspara apoio, aprofundamento – e discernimento pastorais-teológicos1 O. Michel, mimnaeskomai. In: G. Kittel, Theologisches Wörterbuch zum Neuen Testament. IV. Band. Stuttgart: Kohlhammer, 1942. p. 678.35-679.2.2 Cf. G. v. Rad, Teologia do Antigo Testamento. Vol. II. São Paulo: Aste 1974. p.356 61, 367-74.3 Tradução do original; veja G. v. Rad, p. 373s.4 Cf. G. v. Rad, p. 383-7.5 Cf. M. Lutero, Catecismo Menor – explicação ao Terceiro Artigo do Credo. In: Obras Selecionadas v. 7. São Leopoldo: Sinodal / Porto Alegre: Concórdia, 2000. p 456.17 / OSel [= Igreja Evangélica Luterana, Livro de Concórdia – As Confissões da Igreja Evangélica Luterana. São Leopoldo: Sinodal / Porto Alegre: Concórdia, diversas edições em diferentes anos. 371.6 / LC = M. Lutero, Catecismo Menor – II.3. São Leopoldo: Sinodal, diversas edições em diferentes anos].6 Cf. A. Baeske, Como ocorreu que a ceia de despedida de Jesus de Nazaré virou Ceia do Senhor, o Crucificado Ressurreto / o Ressurreto Crucificado. In: Na sua Ceia, o próprio Jesus Cristo “é a comida e a bebida, o cozinheiro e o garção” (Lutero). Polígrafo, 2000ss. / Na sua Ceia.7 Cf. G. v. Rad, p. 234-41, 258-68.8 Cf. A. Baeske, Creio em Jesus Cristo, nosso Senhor ou: “Ele serve pra sê Sinhô” (P. do Assaré). In: W. Altmann (org.), Nossa fé e suas razões / O Credo Apostólico – história, mensagem, atualidade. São Leopoldo: Sinodal, 2004. p. 63-79; em especial: p. 64-7 / Creio em Jesus Cristo.9 O. Michel, mnaemoneuoo. In: G. Kittel, p. 685.23-686.29.10 Cf. G. v. Rad, p. 378-82.11 M. Lutero, Missa Alemã e Ordem do Culto. In: OSel v. 7, p. 196.23 [= M.Lutero, Pelo Evangelho de Cristo – Obras Selecionadas de Momentos Decisivos da Reforma. Porto Alegre: Concórdia / São Leopoldo: Sinodal, 1984. p. 228 / PEC].12 Cf. A. Baeske, Mc 14.25 par. / 1 Co 11.26 e outros trechos. In: Na sua Ceia. ID, A Comunhão Escatológica. In: P. W. Buss (apres./org.), Comunhão e Separação no Altar do Senhor – 2º Simpósio Internacional de Lutero. Porto Alegre: Concórdia, 2009. p. 138-40,160-2 [= Estudos Teológicos Ano 45– Nº 1 – 2005. São Leopoldo. p. 131-3,152-4] / Comunhão.13 Cf. A. Baeske, Creio em Jesus Cristo, p. 67s., 75-8.14 Cf. M. Lutero, Catecismo Menor – explicação ao Terceiro Artigo do Credo: OSel v. 7, 456.16s. [= LC 371s.6 = M. Lutero, Catecismo Menor – II.3].15 Veja H. J. Iwand, Luthers Theologie [hgb. v. J. Haar]. München: Kaiser, 1974. p. 105-10,131-76.16 Cf. A. Baeske, A importância da formulação inicial das Palavras da Instituição.

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