GambareTrabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo - Centro  de Ciências da Comunicação e Artes - Universidade    Católic...
Força!                                                      Hora da foto     Gambare é uma palavra japonesa paraincentivar...
Índice                                                                      O carnaval                  Cada      Crença a...
Crença ao pé da letraAs superstições variam de cultura para cultura. Só que no Japão, elassão, realmente, levadas a sério....
100 anos de históriaAntes do embarque                                                    O embarqueA    base econômica do ...
Nos primeiros anos, a maior preocupação era manter as        Os primeiros tempos                                          ...
brasileiros zelassem pelos bens deixados para trás pelos nipônicos.     Quando a guerra acabou, com vitória dos Aliados, a...
o carnaval das cerejeirasTODO PRIMEIRO DE MAIO, A COLÔNIA JAPONESA SE REÚNE PARAPRATICAR ESPORTES E DIVERSAS ATIVIDADES RE...
click 1               undokai         1. Famíla aproveita a tarde de sol         no domingo, 1º de maio, no Clube         ...
Cada som, uma história                                                N     a mitologia japonesa, Amaterasu Omikami é a de...
Cada som, uma históriaEQUILÍBRIO DO MOVIMENTOA     palavra odori quer dizer dança. Uma dança tradicional      japonesa, cu...
A colônia no poderELEGER ALGUÉM QUE OS REPRESENTE E LUTE A FAVOR DE SUAS CAUSAS.ESSE MOTIVO LEVOU MUITOS JAPONESES E DESCE...
cias ruins para todos os japoneses. Eu não     “Nós sempre nos respeitamos muito. Éra-         sa e Associação Japonesa de...
o caminho do guerreiroNÃO SÃO APENAS LUTAS, O BU-SHI-DO, MAIS CONHECIDO COMOARTES MARCIAIS, É UM CAMINHO EDUCACIONAL E FIL...
A história do Kobudo está intima-          montou sua academia de karatê, passou a        bastão que possui um tamanho de ...
que um lutador, mesmo sendo menor que           consideradas perigosas. Kano eliminou oso oponente, consiga vencer. No chã...
dores de Kendô podem ser chamados de                    O sensei a rma que o propósito de                 A arte começou a...
Fotos: Márcio Pinheiro   A terra    do Sol   caiçaraPORTAL da praça Kotoku Iha, no início da rua JapãoL   ocalizada no Par...
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Gambare
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Gambare

2.897 visualizações

Publicada em

O trabalho é composto por diversas reportagens sobre as influências culturais da colônia japonesa em Santos e São Vicente. Foi escolhida a colônia japonesa por ser uma das maiores da região e pela sua importante influência em diversas áreas da cidade como artes, esportes, culinária, religião e política. Muitas das manifestações culturais e tradições permanecem vivas no nosso cotidiano. Algumas estão registradas em 18 matérias no encarte especial. A intenção é criar uma publicação, em volume único, para registrar a experiência dos nipônicos aqui e mostrar a troca cultural.

Publicada em: Notícias e política
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Gambare

  1. 1. GambareTrabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo - Centro de Ciências da Comunicação e Artes - Universidade Católica de Santos (UniSantos) - ANO I - nº 01A vida através dos olhos rasgadosCOMO ELES CONSEGUIRAM SE ADAPTAR EFINCAR RAIZES TÃO PROFUNDAS EM UMA CULTURA COMPLETAMENTE DIFERENTE
  2. 2. Força! Hora da foto Gambare é uma palavra japonesa paraincentivar alguém a conseguir seus objetivos.Gambare nos foi desejado no início do projeto epassamos cada minuto lembrando dela. Nenhuma outra palavra poderia nomear me-lhor este projeto. Força, coragem, garra. É o que foinecessário ao longo deste nosso ano de trabalho. O projeto experimental que você ira ler éresultado de diversas vivências ao longo desteano. É resultado de um esforço em conjunto comapenas um foco: entender o desenvolvimento daregião de outra forma. O Brasil é um país conhecido por ser multicultural.Aqui, os imigrantes formaram uma cultura única. ESantos foi peça chave nessa formação cultural e socialdo país. Foi por meio do maior porto da AméricaLatina que os imigrantes adentraram no país. E foipor aqui que muitos se xaram. A paciência, sabedoria e respeito pelopróximo nos aproximaram cada vez mais dosseus descendentes e tornaram o trabalho algode relevância não só acadêmica, mas também deenriquecimento pessoal. Para entendermos melhor suas raízes e certascaracterísticas, vivemos lado a lado. Fomos afestas típicas, adentramos seus lares, trabalhose comemorações. Entramos em suas vidas e nosforçamos a pensar como eles. Ao longo destas 40 páginas, está registradacada uma das mais de 60 entrevistas. Escolhemoselaborar a Gambare com textos mais leves paraque o entendimento da cultura nipônica seja algosimples e de acesso a todos. Esperamos que a leitura seja prazerosa a vocês,tanto quanto foi prazeroso para nós escrevermos.Não podemos encerrar sem agradecer as nossasfontes, por nos deixarem entrar e bisbilhotarsuas vidas; nosso orientador, por seus conselhose por sempre nos encaminhar para o local certo.E claro, as nossas famílias e amigos, por todo oapoio de sempre. Boa leitura! Gambare Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo Centro de Ciências da Comunicação e Artes Universidade Católica de Santos (UniSantos) Categoria: Projeto Experimental. Modalidade: Impresso. Orientador: Prof° Me. Marcus Vinicius Batista. Diagramação, reportagens e fotos: Barbara Bueno, Carolina Gutierrez Prado e Robertha Infante. Ilustrações: Jorge A. R. Gutierrez
  3. 3. Índice O carnaval Cada Crença ao 100 anos de das cerejeiras som, uma pé da letra história história 09 11 05 06 A colônia no poder 13 A terra do sol caiçara 19 O caminho do guerreiro Pelos olhos puxados 15 O sushi fala português 29 20 Juntos e bem A missão de manter as acompanhados Religião tradições 25 27 30 De hospedaria a casa de repouso 24 Trabalhando Banzai longe de casa Caldeirão Pop Japão! 32 36 Oamor pelamatemática 33 37 como funciona este índice: 1.) Cada círculo representa uma matéria. A orquestra 2.) O tamanho do círculo é proporcional ao tamanho da reportagem. vazia Ou seja, quanto maior o círculo, mais páginas tem a matéria. 38 3.) As cores representam a quantidade de assuntos abordados na maté- ria. Azul = 1 assunto. Roxo = 2 assuntos. Verde = 3 assuntos. Vermelho = 4 assuntos ou mais.
  4. 4. Crença ao pé da letraAs superstições variam de cultura para cultura. Só que no Japão, elassão, realmente, levadas a sério. D aruma - É um boneco que representa Bodhidharma, um monge da Índia. Ele atingiu a iluminação após meditar durante 9 anos sem fechar os olhos ou se mover. Há a crença de que o daruma realiza desejos. O boneco vem com os olhos em branco. O costume é pintar uma das pupilas quando zer um desejo e a outra, quando ele se realizar.M aneki - Neko - Quem frequenta comércios e restaurantes japoneses já deve ter visto um desses gatos em cima de alguma prateleira. O gato com a pata esquerda levantada atrai dinheiro e bens materiais, o da direita, atrai a pessoa amada. K aeru - A palavra Kaeru signi ca sapo em japonês e possui a mesma sonoridade do verbo voltar. É costume guardar um sapinho de cerâmica na carteira para que o dinheiro “volte”. Os orientais também acreditam que sapos dão sorte e trazem felicidade, fazendo com que coisas boas “voltem” para as pessoas.T suru - É um pássaro feito em origami que passou a ser símbolo de paz e prosperidade depois da bomba de Hiroshima, quando uma das sobreviventes fez mil Tsurus e sobreviveu à leucemia que a radiação havia provocado. I shi-gan-tuu - As pedras com essa inscrição são colocadas no nal das estradas da provincia de Okinawa que terminam em T, para afastar os maus espiritos.S hii-Saa - A gura do leão “Shii-Saa” situa-se na entrada das casas, templos shintoístas ou nos telhados das construções. Isso signi ca proteção para as pessoas da casa contra maus espíritos. Números do azar 4 - A pronúncia do “4” (kanji à direita) é shi, a mesma pronúncia para a palavra morte. 9 - É pronunciado como ku, mesma pronúncia da palavra dor. Também pode signi car agonia ou tortura. 42 - Signi ca morrer se for pronunciado separadamente (shi-ni). Portanto, hospitais e hotéis geralmente não têm o quarto e o nono andar, esse encarte não possui o número nas páginas 4 e 9. Não se deve presentear nada ligado a esses números ou composto por 4 ou 9 itens. 5
  5. 5. 100 anos de históriaAntes do embarque O embarqueA base econômica do Brasil estava em crise. Os produtores de café estavam enfrentando grande instabilidade dos imigrantes F oram esses os fatores mais importantes que fizeram com que, no dia 18 de junho de 1908, 165 famílias japonesas chegassem ao Porto de Santos. A bordo do Kasato Maru, aoeuropeus, que se recusavam a trabalhar pelo pouco que recebiam todo, eram 781 imigrantes.aliado as péssimas condições de trabalho. Mas já na hora do embarque no Japão ocorreram problemas. Isso fez com que o país fosse procurar novos mercados e mão- As agências brasileiras tinham interesse em japoneses quede-obra. Mesmo com estilos de vida nada parecidos, os japones eram trabalhavam. Não em seus lhos pequenos ou parentes idosos.perfeitos para a função. E assim, assinaram um acordo em 1895. Para emigrar, os nipônicos tiveram que organizar outro tipo Na época, o Japão atravessava um período de grande de família. Casais sem lhos ou com bebês se associavam a jovenscrescimento populacional. A economia japonesa não conseguia para poder embarcar. E quando chegaram aqui, conseguiram aosatender às necessidades da população e gerar os empregos poucos se reorganizar.necessários para todos. A instabilidade nanceira de um lado e a necessidade de Imagem de dominio públicomão-de-obra do outro zeram com que os japoneses tomassem adecisão de deixar sua terra natal. Os dois países faziam propagandas. Propagandas falsasque prometiam uma vida mais promissora e terras, tudo oque os japoneses desejavam no momento. A grande explosãodemográ ca japonesa fez com que o governo incentivasse aspropagandas enganosas. Eles precisavam de mais espaço e oBrasil, de mais trabalho. Museu Histórico da Imigração Japonesa KASSATO MARU - Primeiro navio de imigrantes japone- ses a chegar no Brasil. A chegada D epois de um longo mês de viagem, desembarcam no porto, sujos e doentes. O choque cultural foi quase que imediato. Assim que provaram a primeira refeição típica brasileira, muitos tiveram diarréias e não conseguiram engolir mais que duas colheres. Imagem de dominio público Cartaz de uma companhia japonesa de imi- gração. Entre os dizeres, a seguinte frase: Agora vamos, levando a família, para a América do Sul”. KASSATO Maru atrracado nas Docas, em Santos.6
  6. 6. Nos primeiros anos, a maior preocupação era manter as Os primeiros tempos tradições japonesas. As escolas eram longe das colônias, o que motivou a construção de diversos colégios que tinham como base O feijão era salgado, e não mais adocicado. As refeições a base de saladas e peixes defumados deram lugar a comidas fritas e gordurosas. a língua e cultura japonesa para os menores. Isso tudo foi uma tentativa de reatar, continuar com a cultura de origem e representar a sociedade japonesa no território estrangeiro. Justamente em 1908, a safra de café foi péssima, o que causou grande desânimo aos colonos japoneses. Por mais que trabalhassem, não conseguiam juntar dinheiro para retornar ao Livro “Banzai Brasil! Banzai Japão!” país. Mas isso não foi motivo para que aqueles que continuavam no Japão não viessem em busca de vantagens. Apesar de todos os problemas, os navios japoneses continuaram desembarcando imigrantes no porto de Santos. Nos primeiros sete anos do acordo entre os dois países, o Japão despachou para o Brasil mais 3.434 famílias ou 14.983 pessoas. Em 28 de dezembro de 1917, foi a vez do navio Wasaka Maru ancorar no porto. Os novos habitantes, sem terem para onde ir, cavam na 1ª Hospedaria dos Imigrantes, em Santos. Outros saíam do porto no trem Maria Fumaça e iam parar na Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo, e de lá, decidiam seu destino. Museu Histórico da Imigração Japonesa Monumento em homenagem aos Imigrantes Japone- ses. Hoje, o monumento fica no Emissário Submarino. Segunda Guerra A tentativa de preservação cultural foi freada quando, em 20 de agosto de 1938, surgiu o decreto que proibia a circulação de qualquer publicação estrangeira dos súditos do Eixo, ou seja, as nações que apoiavam a Alemanha. Na época, existiam aproximadamente 20 publicações apenas em língua japonesa. Todas foram proibidas de circular assim que o Japão entrou na guerra ao lado dos alemães e italianos. Em 15 de janeiro de 1942, o Brasil entrou na guerra ao lado dosChegada à Hospedaria dos Imigrantes, na Mooca Aliados (grupo formado por Inglaterra, França, Estados Unidos, entre outras). Japão e Brasil tornavam-se inimigos declarados. E quem sofria as consequências eram os colonos. Foi proibido falar japonês em público ou ensinar a língua para Primeira Guerra qualquer pessoa, inclusive crianças. O então presidente da época, Getúlio Vargas, também proibiu de cantarem ou tocarem os hinos C om a explosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, o uxo migratório atingiu seu ápice. Entre 1917 a 1940, mais de 164 mil japoneses mudaram para o Brasil. Sendo que apenas 25% das potências inimigas, as concentrações de “súditos do eixo” em lugares públicos, a exibição de retratos de membros do governo dessas potências, a mudança de residência sem comunicação foram para o Paraná, Mato Grosso e outros estados. prévia, entre outras restrições. O resto se dirigiu rumo à São Paulo, principalmente no interior. De todas as medidas tomadas, a que mais revoltou os Cidades como Tupã e Bastos tinham sua população quase que absoluta imigrantes japoneses foi a ordem de fechamento das escolas de composta por colonos japoneses. Mas boa parte dos imigrantes dessa seus lhos. A nal, isso proibia a disseminação da cultura. Então, época acabou cando no litoral, em Santos e São Vicente. indignados com a decisão do governo, passaram a dar aulas Quando chegaram ao Brasil, a ideia inicial não era xar- clandestinas nas colônias. se aqui, e sim retornar ao Japão assim que conseguissem se A decisão que afetou diretamente Santos foi o decreto do estabelecer economicamente. governo de internar, a pelo menos 100 km da costa, os súditos Apesar de deixarem sua terra natal, os japoneses buscavam do eixo. A proximidade com o mar fazia com que todo o litoral trazer seus valores para o Brasil. Porém, tiveram de agregar do país fosse considerado área de segurança. costumes para conseguirem uma melhor adaptação. Dos 10 mil imigrantes que vivam na Baixada Santista, 9 mil A colônia nipônica construiu um campo de relação e co- eram japoneses. Eles não tiveram tempo de se despedir, arrumar as municação muito forte. Essa era uma referência, que orientava e malas, deixar alguém cuidando dos negócios. Nada. incentivava os imigrantes japoneses e seus descendentes a preser- Para que a população não atacasse as propriedades “aban- varem sua cultura. donadas”, foi feito um comunicado pela polícia pedindo para que os 7
  7. 7. brasileiros zelassem pelos bens deixados para trás pelos nipônicos. Quando a guerra acabou, com vitória dos Aliados, alguns dosmais de 200 mil imigrantes japoneses não aceitavam a derrota do As influênciasJapão. Eles eram chamados de kachigumi. A história de alguns desteshomens foi relatada no livro Corações Sujos, de Fernado Morais. Essa decisão afetou diretamente a colônia local. A Associação N ão foram somente benefícios econômicos que a colônia trouxe para a região. Culinária, esportes, lutas, música, religião, política e em diversas outras atividades culturais é possível verJaponesa de Santos foi tomada pelos militares. O prédio que características orientais nas cidades.pertencia a colônia e ao governo japonês foi retirado a força de seus Outro marco são os monumentos espalhados pelas duasdonos e toda a documentação e registros acabaram se perdendo. O cidades. Em Santos, no Emissário Submarino, há vários deles emque não foi levado pelos japoneses foi completamente destruído. homenagem a comunidade nipônica. O prédio só voltou às mãos dos imigrantes em 2007. Após No centenário da imigração, em 21 de junho de 2008, oanos de brigas na justiça, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, príncipe japonês Naruhito veio ao Brasil para participar deefetuou a devolução aos seus donos. diversas comemorações, inclusive da inauguração do monumento Divulgação da artista japonesa Tommie Ohtake, de 94 anos. Foi a própria artista que escolheu o local de instalação, na extremidade da plataforma do Emissário Submarino. Ela também orientou que a obra deveria apontar para o mar, para permitir a visibilidade de todas as pessoas situadas na orla de Santos e de São Vicente. O trabalho não tem nome. A artista prefere que cada pessoa busque a sua interpretação. Outro monumento em Santos é o que retrata uma família japonesa vestindo roupas do início do século passado. Antes do centenário, cava na praia do Boqueirão. Agora, o monumento ca também no Emissário Submarino. A estátua ca ao lado de uma cerejeira e comemora os 90 anos da imigração japonesa no Brasil. No Cais 14 do porto, há mais um deles, o monumento ‘18 de Junho’. Nele, estão inscritos os nomes das pessoas que vieram para o Brasil a bordo do Kasato Maru. Em São Vicente, na entrada da Rua Japão, há o Shurei-mon, Capa do livro Corações Sujos, de Fernando Morais o “portal da cortesia”, que é uma réplica do portal erguido do lado de fora do castelo de Shuzi em 1550, no Japão. O grande arco vermelho foi inaugurado em agosto de 1998, junto com a Praça Os Okinawanos Kotoku Iha, em homenagem aos 90 anos da imigração japonesa. Dos 250 mil japoneses que chegaram aqui, restaram por volta de 80 mil e, ao incluir os descendentes, o número sobe paraO clima e as atividades da província lembravam muito o da região. Okinawa também é uma cidade portuária comatividades pesqueiras. 1,4 milhão. Os imigrantes japoneses são os responsáveis por grandeparte do crescimento das cidades de Santos e São Vicente. Elestambém foram os pioneiros das gerações de agricultores quedesenvolveram diversas técnicas modernas. As atividades em quemais se destacaram eram pesca e bananicultura. Muitas dessas atividades deram características a certoslugares. Como na Ponta da Praia, em Santos, conhecida pela fortepresença da colônia nipônica. E também na Rua Japão, em SãoVicente, que mudou de nome após o grande número de japonesese descendentes no local. Cerejeira plantada em comemo- ração aos 90 anos da imigração Monumento da artista Tommie Ohtake8
  8. 8. o carnaval das cerejeirasTODO PRIMEIRO DE MAIO, A COLÔNIA JAPONESA SE REÚNE PARAPRATICAR ESPORTES E DIVERSAS ATIVIDADES RECREATIVAS, COMO OBJETIVO DE PRESERVAR A CULTURA MILENAR DO PAÍS.S emelhante ao carnaval. Uma edição termina e, no dia seguinte, começa apreparação para a próxima. O Undokai, um lanches, bebidas e bentôs - marmitas japonesas que, normalmente, possuem arroz, peixe e legumes. data é o feriado do Dia do Trabalho. “Assim não é necessário combinar uma data nova a cada ano, o feriado do Dia do Trabalho,dos eventos mais tradicionais do Japão, é Na data do evento, chegam cedo e garante que seja um dia xo”.realizado durante a primavera. ajudam na arrumação. Independente de A média de público costuma ser de duas O m do frio, da neve, o surgimento idade, todos são incorporados ao grande mil famílias ao longo do dia, fato que deixadas cores e, principalmente, o tão time que ergue barracas, separa prendas, os membros mais atuantes da comunidadeesperado orescimento das sakuras – monta pequenos bazares e prepara as japonesa otimistas. Pois, manter a tradição écerejeiras – é o pretexto para que milhares gincanas e atividades esportivas. uma tarefa difícil, nos dias de hoje.de famílias reúnam-se em escolas para Para que a tradição não fosse esque- A última edição do Undokai foiessa festividade esportiva que costuma cida pelos imigrantes que vieram para o realizada na Associação Atlética Portuá-durar um domingo inteiro. Brasil, os japoneses realizaram o primeiro rios de Santos. Além das tradicionais O termo Undokai é a junção de duas Undokai brasileiro ainda a bordo do Kasato atividades esportivas, compostas porpalavras da língua japonesa: undô, que Maru, em 1908. diversos tipos de corridas e algumas ca-signi ca esporte, e kai, que tem o sentido A festa, que em 2011 teve sua ças ao tesouro, havia tendas com váriosde reunião, associação. 59° edição no Brasil, busca divulgar a produtos a venda, churrascos, bentôs e Levando ao pé da letra, undokai seria cultura nipônica e reunir integrantes da papéis com texto escrito em shodô – tipoapenas uma reunião de esportes. Mas, o colônia japonesa na Baixada Santista, de caligrafia japonesa.objetivo é bem maior que isso. como a rma o presidente da Associação Além disso, há alguns anos, todas O evento busca preservar a cultura, Japonesa de Santos, Sergio Norifumi Dói. as atividades são narradas em japonês epromover a união familiar e utilizar com- A reunião só foi suspensa no país durante português. Durante o horário de almoço sãopetições esportivas como suporte para ensinar o período da Segunda Guerra. feitas apresentações relacionadas à culturavalores sociais e éticos aos mais jovens. O Undokai é realizado em Santos, todo nipônica. Neste ano, durante a pausa para No dia anterior a festa, cada família 1° de maio. Sérgio acredita que, além do degustar os bentos, todos assistiram a mostrassepara muda de roupas, cadeiras dobráveis, clima estar agradável, outro motivo para a de taikô, odori, aiki dô, karate dô e kendô.
  9. 9. click 1 undokai 1. Famíla aproveita a tarde de sol no domingo, 1º de maio, no Clube dos Portuários 2 3 2. Meninas participam de uma das atividades recreativas realizadas no Undokai 3. O som do tambor guia as crianças na “Corrida de Cegos”, uma das atividades do dia10
  10. 10. Cada som, uma história N a mitologia japonesa, Amaterasu Omikami é a deusa da ordem, dignidade e bondade. Representada pelo Sol, Amaterasu era invejada pelo seu irmão Susanowo, deus do Tufão. Ele tinha o objetivo de destruir tudo que ela havia construído. Susanowo foi o responsável pela destruição de vilarejos, lavouras de arroz, templos e pela morte de muitas mulheres. Amaterasu cou tão inconsolável com os desastres, que se trancou em uma caverna, recusando-se a sair dali. De repente, os vilarejos e vales começaram a sofrer com a falta de comida, com o frio e a escuridão que permaneciam na Terra. Então, os deuses tentaram encontrar uma forma para trazer Amaterasu de volta. Eles se reuniram em frente à caverna e começaram a fazer muito barulho, com seus tambores, o taikô e iniciaram uma dança, seguida de palmas e muita música, o Odori. Curiosa com o motivo de tanta folia, a Deusa saiu para ver o que estava acontecendo. Ao se deparar com todas as pessoas e pedidos para que ela voltasse, Amaterasu retornou ao seu palácio e de lá continuou protegendo e atendendo aos pedidos de seus seguidores.Grande tambor P resente no mito da religião xintoísta, existem registros que indicam que o taikô está na cultura “Sempre gostei muito da cultura e me envolvi mais ainda quando comecei a praticar o taikô”. Como tudo na cultura japonesa, o taikô é mais do que nipônica há cerca de 1.500 anos. simples música. A arte de tocar o grande tambor representa uma Antigamente, no Japão, o tambor loso a de vida a ser seguida. Por isso, assim como nas artes era ligado à comunidade feudal e marciais, existem exames de graduação, roupas especiais e todas às guerras. Nessa época, os taikôs as músicas precisam de motivos para serem tocadas. eram utilizados para motivar as O lema é a importância da criação. As músicas tocadas tropas, para marcar o passo na são tradicionais e cada batida deve passar uma mensagem para marcha e para anunciar comandos, quem escuta. Para iago, fazer batidas legais e bonitas é apenas geralmente com o grito “Ei! Ei! consequência. A música for- O! Ei! Ei! O!”. Mais tarde, o taikô mada conta uma história e passou a ser usado também em nela, é possível viajar no tempo. festividades religiosas xintoístas. Durante os ensaios, a A palavra taikô signi ca “grande tambor”. O Japão tradição é seguida rigorosa-desenvolveu uma técnica para ser aplicada à partir da arte tocada e mente. Antes do longo aqueci-coreografada. Nas últimas décadas, o som do taikô ganhou espaço mento de vinte minutos, todosem muitos países ocidentais, tornando-se responsável pela criação os intergrantes sentam no chãode diversos grupos e também começou a ser utilizado como meio em volta do sensei e agradecemde composição para algumas pessoas. O taikô exige do músico mais um encontro. Só depois dadisciplina, concentração e excelente preparo físico. ordem do líder é que começam O único grupo de taikô da Baixada Santista é o São Vicente a se preparar.Kyowa Daiko. O grupo possui 11 integrantes e existe há 6 Os tocadores não usamanos. Todos tem idades entre 15 e 24 anos e muitos praticam o Hapi, seus trajes típicos, nos ensaios. A roupa tradicionaldesde pequenos. No início, um grupo de pais reunia seus lhos é guardada apenas para as apresentações. O Hapi antigo separa realizarem atividades infantis, e isso era conhecido como assemelhava às roupas usadas na prática do sumô. hoje em dia,Kodomokai. O Kyowa Daiko foi fundado em São Paulo pela são parecidos com kimonos japoneses.Associação Nipo Brasileira de São Vicente. O integrante que está há mais tempo no grupo se chamaTarcísio Akira Tamashiro e tem 19 anos. Já Cristiane AkemiXavier de Castro é a mais recente. Ela entrou em 2010. O motivoprincipal dela ter começado a praticar o taikô foi para conhecernovas pessoas. “Além de preservar a cultura, queria fazer novosamigos e isso me favoreceu muito”. O mais velho do grupo tem 24 anos. iago Rolim RosaLopes é o coordenador do Kyowa Daiko e vice-presidenteda Federação Paulista de Taikô. iago não é descendentede japoneses, mas tem um envolvimento muito grande coma cultura nipônica desde pequeno. Foi in uenciado porum vizinho que era japonês e que fazia questão de passarexperiências e hitórias sobre a cultura oriental para iago. 11
  11. 11. Cada som, uma históriaEQUILÍBRIO DO MOVIMENTOA palavra odori quer dizer dança. Uma dança tradicional japonesa, cujas origens são relacionadas ao teatro Kabuki, quecomeçou há mais de 400 anos. É uma combinação de movimentos e esquecer todos os problemas, ela se diverte só de se reunir com as amigas do grupo para bater umdelicados que, junto com a respiração equilibrada, visam canalizar papo, sempre no nal dos ensaios.energia durante a prática. “Aqui é um lugar muito agradável, z Cada música é uma história e para dar vida às mensagens muitas amigas. Uma acaba ajudandoque desejam passar, os integrantes dos grupos utilizam diversos a outra, tem muita cooperação”.objetos para compor o gurino. Leques, bastões, sombrinhas, Ryutomo é a sensei do grupotenuguis e narukos são alguns dos muitos utensílios usados. e tem 75 anos. Recebeu esse nomeDurante os ensaios, utilizam os kimonos para dar mais de bastismo no odori quando foimobilidade e veracidade ao conjunto. Em apresentações, é a nomeada, pela sua superiora, comovez do kimono de gala entrar em ação, mas a arrumação não professora pro ssional. Ryutomopara por aí. Maquiagens, cabelos penteados e os sapatos típicos signi ca dragão da sabedoria. Seutambém estão presentes na composição. No caso dos homens, nome verdadeiro é Miy Waragai. Elapodem optar pelo kimono ou o Hakama. está à frente do grupo há 12 anos e O odori é composto de diversos estilos. Cada região tem a sua explica que durante as danças, todasdança típica e cada uma é praticada de um jeito. Atualmente, em as regras ditadas pelos responsáveisSantos, a apresentação da dança ca por conta do Hanayagui-ryu têm de ser respeitadas. “Você nãoSantos Odori No Kai. O Hanayagui-ryu começou há 200 anos e pode dançar em qualquer lugarfoi feito para ser dançado pelas gueixas em lugares pequenos. As sem a permissão do sensei, é algo coreogra as são pensadas de tal forma muito sagrado”. para que todos os integrantes quem O único homem do grupo, o perto um do outro o tempo todo. samurai Jorge Ajifu, dança há 12 anos. Ele tem 69 anos e possui Usam e abusam de rodas e leiras e uma habilidade incrível com as espadas. Participa de muitas têm a mobilidade de dançarem em coreogra as juntos com as outras mulheres, mas tem uma salas de todos os tamanhos, já que especial só pra ele. Usufrui da sabedoria da sensei para mostrar nunca ocupam um palco inteiro. seus dotes e possui um número sozinho com ela. O grupo Hanayagui-ryu Santos Odori No Kai existe em Santos há 25 anos. Hoje, é composto por dez pessoas, todos com idades entre 58 e 80 anos. Os ensaios acontecem na casa de reabilitação social Kosei Home. Tamiko Tani e Matilde Mitsuzak têm 74 anos e fazem parte do grupodesde que foi criado. Possuem uma agilidade que deixa qualquerum de queixo caído. Os pés acompanham todos os movimentosrealizados e os braços têm uma rmeza espantosa. Com uma certa di culdade para falar as palavras corretasem português, Dona Tamiko conta que pratica o odori porque sesente mais jovem. “É bom pra saúde, pro corpo e pra mente. Es-sa dança faz com que tudo seja desenvolvido ao mesmo tempo e,assim, me sinto mais nova”. Já Dona Matilde gosta é mesmo de uma prosa. Além de dançar glossário Curiosidades Tenugui - Em tradução literal signi ca “para Okinawa - Por sua localização estratégica, ao secar as mãos”. É um tipo de lenço ou toalha de longo dos séculos, Okinawa recebeu in uências mão japonês feito de algodão. Diferencia-se por não de diversas culturas, entre elas da China. Algo possuir bainhas. interessante é que Okinawa fazia parte de um reino independente, o reino Ryukyu. Por isso, Okinawa Naruko - É um chocalho japonês que tem desenvolveu uma cultura própria, e parte de sua várias hastes em 45 graus. Antigamente, era um história signi cativamente diferenciada do resto instrumento agrícola usado para espantar os do Japão. E até hoje há preconceito dos japoneses pássaros que vinham às plantações. okinawanos com os do continente.12
  12. 12. A colônia no poderELEGER ALGUÉM QUE OS REPRESENTE E LUTE A FAVOR DE SUAS CAUSAS.ESSE MOTIVO LEVOU MUITOS JAPONESES E DESCENDENTES A ENTRAREMNA POLÍTICA BRASILEIRA.matsutaro Uehara por 1 voto. Tarô obteve 5.836 votos. ocupou até 1974. Nascido em Santos, foi um dos Em 1970, Uehara tentou candidatura Sua carreira não parou por ai. Foi eleitoprimeiros nisseis na política na região. Seu a deputado estadual pelo ARENA, mas deputado estadual em 1975 cou no cargopai, Naomatsu Uehara, veio na primeira apenas conseguiu a suplência. Após isso, até 1977 na Assembléia Legislativa. Assim,imigração o cial para o Brasil, a bordo do permaneceu na Câmara de Santos até 1992, se tornou o primeiro deputado estadualKasato Maru, em 1908. Sua família se ins- quando encerrou suas atividades políticas. vicentino. Abandonou o mandato, paratalou na cidade, ao contrário de centenas Antes disso, o candidato a prefeito, Vicente se candidatar a prefeitura de São Vicente.de outros japoneses que se xaram nas Cascione, o convidou para sair como Vice. Em 1977 foi eleito. Em 1983, foi eleitofazendas de café no interior do estado. Seu Tarô aceitou, mas como não foi eleito, deputado estadual e em 1987, entrou napai veio a falecer quando tinha apenas 4 acabou se aposentando. esfera federal pelo PSDB. Na qual cou atémeses. Deixou desde cedo uma grande Nesses 29 anos de trabalho, atuou com 1999, ano que decidiu se aposentar da vidaresponsabilidade para ele. diversas categorias. “Ele não lutava apenas pública. Antes disso, atuou como diretor- Tarô, apelido pelo qual cou pelos direitos da colônia, também lutava pelos executivo da Agência Metropolitana daconhecido na comunidade nipônica, se direitos dos feirantes, pescadores e vários Baixada Santista (Agem).formou no colégio Canadá e depois cursou outros”, a rma dona Tina Uehara, sua viúva. Koyu Iha nasceu em 1940, era lho decontabilidade. Sempre muito ligado ao Uehara também atuou no fortalecimento Kotoku Iha e Setsu Iha. Ambos de Okinawaesporte, participou de diversos times, da agricultura na região, especialmente, dos e vieram juntos no Kasato Maru. Quandocomo basquete, futebol de salão, futebol de bananicultores. Realizou vários projetos, tinha 3 anos, seus pais foram expulsos dacampo, tamboréu e tênis. um deles foi tornar utilidade pública a Casa cidade junto com mais de 9 mil imigrantes Quando sua carreira esportiva estava de Reabilitação para Idosos, o Kosei Home. japoneses. Perderam tudo o que tinham e sóchegando ao m, Tarô seguiu outros Apoiou a construção de escolas, creches, anos mais tarde, quando a Segunda Guerracaminhos. A colônia japonesa não tinha entre outras atividades sociais. chegava ao m, puderam voltar a Santos.local para se reunir, o que di cultava a Morreu após sua saída da política, em Sua infância não foi fácil, e sua juven-preservação de alguns costumes. Então, 1994, aos 69 anos, depois de complicações tude tampouco. Koyu entrou na política emem 1949, junto com alguns amigos, Uehara com a diabetes. Seu ótimo relacionamento um dos períodos mais críticos da históriafundava a Associação Atlética Atlanta. com a colônia e com a população santista do Brasil, a ditadura militar. Como sempreTarô se tornou o primeiro presidente e em geral, fazem Tarô ser lembrado até hoje foi contra, acabou preso inúmeras vezes.permaneceu no cargo por mais de 15 anos. com respeito e admiração. Para Koyu, entrar na política não era apenas “Foi o primeiro contato que ele teve “Ele era daquele tipo de pessoa que representar a colônia japonesa. “O motivocom a vida pública e ali nascia sua liderança”, não dava o peixe, mas ensinava a pescar. Foi principal que me levou a seguir carreira naexplica Mauricio Uehara, lho de Tarô. No assim que ele nos educou e era assim que política era o de todo jovem, mudar o mundo.ano seguinte, em 1950, Tarô casou-se com ele agia na política. Ele sempre foi muito Não creio que mudei o mundo, mas me sintoIsaltina Uehara, depois de três anos de respeitado pela sua seriedade”, a rma satisfeito com as mudanças que consegui”.namoro. Os dois caram mais de quarenta Mauricio Uehara, lho do ex-vereador. Antes de entrar na política, Koyu Ihaanos juntos, tiveram 7 lhos e 15 netos. Um ano depois da sua morte, em 1995, trabalhava na antiga Cosipa, e permaneceu Mas foi na presidência do clube Atlanta a Prefeitura de Santos homenageou Tarô com muitos anos lá. “Eu tinha que ter outroque o interesse pela política e pelos pro- uma praça, no Boqueirão. E em 2008, no emprego. Vereador não era remuneradoblemas enfrentados pela colônia começou centenário da imigração japonesa no Brasil, na época que entrei. A pessoa entrava naa surgir. Então, em 1963, Silvio Fernandes Uehara recebeu homenagem da “Ordem do política por vocação, não para car rico”.Lopes, prefeito da cidade, o convidou para mérito Kasato Maru”, do governo japonês. Koyu Iha sempre teve bom relacio-sair como candidato a vereador. Seus amigos Koyu iha namento com a colônia japonesa nana colônia o apoiaram, e Tarô foi eleito com Santista de nascimento, Koyu Iha rmou região. Quando jovem, frequentava osmais de mil votos pelo PSP (Partido Social sua carreira política em São Vicente. Lá foi clubes nipônicos, como o Atlanta e oProgressista). Aos 39 anos, Tarô assumia eleito vereador em 1969, e assim, se tornou Estrela de Ouro. Porém, nunca se consi-o mandato de vereador de Santos, posição o primeiro nissei na Câmara da cidade. Na derou candidato da colônia.que ocuparia pelos próximos 29 anos. faculdade, Koyu se mostrava interessado por “Eu tentava fazer o melhor para todos. Ali iniciava de fato sua carreira isso. Participava do movimento acadêmico Não apenas para a colônia. Mas semprepolítica. Em sua terceira eleição, em 1972, foi da Faculdade de Direito de Santos e por lá soube que a minha responsabilidade erao segundo vereador mais votado da Cidade. lançou sua candidatura. Conquistou o cargo maior quando você representa algo. Se euSó perdendo para o primeiro, José Gonçalves, na primeira eleição da qual participou e zesse algo errado, isso traria consequên- 13
  13. 13. cias ruins para todos os japoneses. Eu não “Nós sempre nos respeitamos muito. Éra- sa e Associação Japonesa de Santos passoulidava apenas com a minha imagem”. mos de partidos opostos, só que tínhamos a se fortalecer novamente. Ao longo de sua participação na os mesmos ideais”, conta o ex-deputado. Em 2008, se envolveu de perto compolítica, Koyu Iha integrou quase 30 Por todos seus trabalhos prestados, as comemorações do centenário e acreditacomissões e criou 68 projetos de lei, além Koyu Iha recebeu diversas condecorações, que esse também foi um dos motivos dede ter muitos deles aprovados, como o entre elas: Cidadão Emérito da Cidade ter sido eleito. “Não posso a rmar que fuitransporte público gratuito para idosos. de Naha, Câmara Municipal, Japão, 1979; eleito por descendentes, mas acredito queLutou pela diminuição do impacto Comenda Tesouro Sagrado do Governo a maioria dos meus votos tenha vindoambiental e fez projetos em prol dos Japonês, Segundo Grau, 1996; e o mais desse segmento, cerca de 50% a 60%, queportadores do vírus HIV na década de 80. recente, em 2008, de Cidadão Vicentino. acompanhavam de perto meu trabalho”. Quando prefeito em São Vicente, Sadao nakai Sadao acredita que a cultura deve ser rmou convênio com a cidade de Naha, Depois da saída de Uehara, em preservada, já que faz parte da estrutura-no Japão, tornando-as cidades irmãs. O 1992, não havia representação da colônia ção do país. “Sempre estive envolvido cominteresse por Naha, segundo Koyu, foi por japonesa em Santos. Foi então, que em a colônia, desde pequeno por in uênciacausa de seus pais. “Eles nasceram e se 2008, Sadao Nakai se candidatou. Neto de dos meus pais e acho importante repassarcriaram lá. A cidade não é muito grande, japoneses, sempre participou ativamente isso, sei que os tempos são outros, mas ca na província de Okinawa, foi uma ho- da colônia. Natural de Santos, viveu na precisamos nos adaptar”.menagem que trouxe benefícios locais”. Ponta da Praia com seus pais toda a vida. Sadao Nakai trabalhou como Seus pais tiveram 11 lhos, e 4 Estreante na vida pública, Sadao ingressou encarregado de pesca durante seis anosdeles entraram na política. Koyu, Koken, no PSDB em junho de 2007. E se elegeu no até ingressar, no início da década de 90,Kohen e Kosey representaram a colônia ano seguinte, como vereador mais votado no Clube Estrela de Ouro, onde come-aqui na região. Koyu Iha é casado com do partido, com mais de quatro mil votos. çou como auxiliar administrativo. Emdona Yoshico, professora aposentada, Além de ocupar o cargo de vereador, é 1997, aos 35 anos, assumiu a gerência domas não tiveram lhos. presidente do Estrela de Ouro Futebol Clube clube. E, desde 2001, é presidente. Sadao Uma das características que mais desde 2001 e vice-presidente da Associação também é professor de artes marciais.diferencia Koyu dos demais políticos é sem- Japonesa de Santos. Apesar de ser seu primei- Pratica Judô desde pequeno e já ganhoupre respeitar as tradições. Quando foi se ro cargo público, Sadao tem experiência no diversos campeonatos. E há alguns anos,candidatar a deputado, seus pais mandaram ramo da política. Desde 2005, lutava a frente se tornou também faixa preta de Jiu jitsu.que fosse pedir permissão à mãe de Uehara. da Associação para recuperar a antiga sede, Sadao é casado e tem dois lhos. “HojeComo era a pessoa mais idosa da colônia e localizada na Rua Paraná, em Santos. sei que tenho uma responsabilidade maior.seu lho já era candidato, por educação e Em 2007, pouco antes do centenário Não sou apenas pai de família, e represen-respeito a eles, Koyu foi até a casa e pediu da imigração japonesa veio a resposta tante do povo. Represento uma comuni-permissão para concorrer contra Uehara. positiva. Lula autorizou a devolução da ca- dade, sempre com respeito e dignidade”. Matsutaro Uehara Koyu iha Sadao nakai nissei nissei fartido: SANsei MDB/PMDB/PSDB fartido: ocupação: fartido: Arena Bacharel em Direito PSDB mandatos: ocupação: Vereador, São Vicente (MDB) de ocupação: Contador 1969 a 1975 (2 mandatos); Deputado Administrador Estadual, SP (MDB) de 1975 a 1977; mandatos: Prefeito, São Vicente (MDB) de 1977 a mandatos: Vereador da Câmara Municipal de 1981; Deputado Estadual, SP (PMDB) Vereador da Câmara Municipal de Santos de 1964 a 1992 (6 mandatos); de 1983 a 1987; Deputado Federal Santos de 2008 até a presente data. Vice-presidente da Câmara Municipal (Constituinte), SP (PMDB) de 1987 a de Santos de 1991 a 1992. 1991; Deputado Federal, SP (PSDB) de 1991 a 1999 (2 mandatos).14
  14. 14. o caminho do guerreiroNÃO SÃO APENAS LUTAS, O BU-SHI-DO, MAIS CONHECIDO COMOARTES MARCIAIS, É UM CAMINHO EDUCACIONAL E FILOSÓFICO uando se fala do Oriente, mais precisamente o Japão, vários indiano que era especialista em Kalaripayattu. No oriente, existemQ temas vem a cabeça como tecnologia e gastronomia, masquase como unanimidade, a disciplina e as artes marciais são outros termos mais adequados para a de nição destas artes, como wu shu, na China e Bu-Shi-Do, no Japão, que também signi cam artes deas primeiras lembranças desse povo tão guerra ou “Caminho do Guerreiro”.organizado e sábio. Nas modalidades de cunho mais es- Não há como de nir onde e como portivo, (esporte de combate) o objetivosurgiram as artes marciais. O termo “arte principal são as competições.marcial” remete ao povo Greco-romano. Por outro lado, as modalidades que têmO deus da guerra Ares/Marte seria quem uma origem mais marcial têm como objetivoensinou aos homens como guerrear. Hoje, a defesa pessoal em uma situação de riscoo termo se refere a todos os sistemas de sem regras, muitas vezes com enfoque nacombates de origem orientais e ocidentais, formação do caráter do ser humano.com ou sem uso de armas. No Japão, estas artes são chamadas A origem das artes orientais é de Bu-Dô ou “Um caminho educacionalmilenar e, apesar de mais conhecido, não por meio das lutas” e ai começa a grandefoi invenção japonesa. diferença na hora de encarar o que parece Nos campos de batalhas da Índia, ser a mesma coisa. Hoje em dia, as artessurgiu o Kalaripayattu, algo como “pra- marciais são praticadas em todo o mundo. Eticando as artes do campo de batalha” na região, a situação não é diferente.no dialeto Malayalam, falado no estado Praticamente, todos os tipos de lu-indiano de Kerala. tas nipônicas podem ser praticados nas Esta arte ancestral é a mãe de todas as academias da Baixada Santista. Das famosasartes marciais – até mesmo a chinesa Shaolin chuan, do famoso tem- como Judô, Karate e Jiu-Jitsu, até as menos conhecidas comoplo Shaolin, tem sua origem no BodhiDharma, um monge budista Aikido, Kendô e Kobudô. Todas têm espaço garantido por aqui.A arte das mãos vazias já que havia um grande preconceito por daí o nome, arte das mãos vazias (tradução “O oponente mais poderoso está conta de sua origem chinesa. literal de karatê).dentro de nós mesmos”. Talvez a frase de Muitos alunos dos primeiros sen- A academia foi um sucesso e foramHidetaka Nishiyama, um dos fundadores seis zeram modi cações técnicas na montadas diversas liais. Ao todo, mais deda Japan Karate Association (JKA), seja modalidade na tentativa de torná-la mais 12 mil atletas já treinaram lá. Atualmente,a que melhor de ne o espírito desta arte aceitável e, por isso, existem mais de 15 conta com 250 alunos em Santos.marcial que virou esporte. estilos diferentes hoje em dia. No Brasil, está presente em 18 esta- Não há uma data especi ca para o Porém, a aceitação do karatê na terra dos. E também em mais de 15 países dosurgimento do Karatê. O que se sabe é que do sol nascente só ocorreu de fato após uma mundo. Pois o mestre difundiu a técnicaseu início foi em Okinawa e que o primeiro visita do imperador Hiroíto a Okinawa, em diversos lugares. Após a morte do pai,mestre a organizá-la dentro de um conjunto durante a qual foi feita uma demonstração Masahiro Shinzato, o lho mais velho,formal de técnicas foi o sensei Matsu Higa, das técnicas de karatê e kobudo. assumiu os negócios e diz que aindaalém de ser considerada como uma das Após essa apresentação, a modalidade mantém um alto nível de atletas.artes marciais mais antigas do mundo. foi inserida como disciplina física/es- “A procura é grande porque as Inicialmente, seguia um rígido sistema portiva no sistema público de ensino e pessoas quando vem aqui sabem que vãode ensino pautado na relação mestre/aluno, se difundiu pelo mundo com ar mais encontrar um treinamento excelente parao que só mudou graças à anexação de esportivo do que de luta. o corpo e a mente”.Okinawa ao território japonês. Baixada Santista - O karatê chegou O treino, que era baseado em katas aqui por meio do mestre Yoshide Shinzato.complexos repetidos até a exaustão, tomou Ele imigrou para o Brasil, em 1954, aban- o caminho das antigasares mais esportivos, por volta de 1870, donando o trabalho como funcionário artes marciaiscom o sensei Anko Itosu e começou a ser público que conseguiu após servir como O kobudo, em tradução literal,difundido entre a população do Japão. rádio-telegra sta durante a 2ª Guerra. caminho das antigas artes marciais, tem Ao sensei Itosu, se atribui a autoria do Quando o mestre Shinzato chegou origem nos campos. Não nos de batalha,nome Karate-do. Itosu deu mais ênfase ao no porto de Santos, sabia que sua missão mas nos de agricultura.ensino de técnicas de postura, exibilidade era difundir a arte. O kobudo é um conjunto de antigase respiração dentro das lições do karatê. E em 1962, fundou a Associação artes marciais, que agrega o uso de dife- Apesar de ter se tornado um esporte Okinawa Shorin-ryu Karate-Do do Brasil. rentes armas e técnicas. Foi desenvolvidoo cial em 1902, o karatê só passou a ser A primeira academia do país a ensinar a em Okinawa, no sul do Japão, E recebeuconhecido em todo o Japão 20 anos depois, técnica de combate que não utiliza armas, in uências da China e Índia. 15
  15. 15. A história do Kobudo está intima- montou sua academia de karatê, passou a bastão que possui um tamanho de 1,8 m mente ligada à história de Okinawa. A ministrar aulas de kobudo. de comprimento. Deriva da ferramenta província é o berço do karate dô e do kobu- A arte não se popularizou tanto quanto agrícola tenbin, usada para carregar baldes do como são conhecidos hoje. Até o século o karatê. Um dos motivos é que o karatê presos em cada ponta. É feito de madeira. XIX, Okinawa não fazia parte o cialmente adquiriu um cunho mais esportivo. Após Eku - é o remo que era utilizado em do território japonês. a morte do mestre, Masahiro Shinzato, Okinawa. Passou a ser usado como Ao longo dos séculos, o local sofreu di- seu lho mais velho, assumiu os negócios arma de defesa. versas proibições e sanções de vários gover- e continua ministrando aulas de kobudo, Kama - tem nítida origem agrícola. É nos. Com isso, os ensinamentos dessas artes aos sábados, na Avenida Senador Feijó, em uma foice com cabo comprido utilizada marciais eram passados clandestinamente Santos. São cerca de 50 alunos que partici- na ceifa de grãos e cereais. É utilizada aos entre seus praticantes. Ficando fora do al- pam de competições e também seguem a pares ou sozinha. cance público. Da mesma forma, há poucos loso a. São algumas das armas tradicionais: documentos que registram a história de sua Sai - é uma adaga de três pontas, parecido com um pequeno tridente. Era utilizada a arte suave A difusão do Mixed Martial Arts para fazer sulcos nas terras. É também, (MMA) no Ultimate Fighting Championship entre as armas de kobudo, a mais difícil (UFC), no Brasil e no mundo, é um dos de se manusear. O sai deve ter no máxi- motivos da procura por esta arte ter mo o tamanho do antebraço de quem crescido nos dias de hoje. A “arte suave” - o empunha, nunca ultrapassando esse tradução literal de jiu (suave) e jitsu (arte) - tamanho para não se perfurar. é uma das mais antigas do mundo. E, apesar Nunchaku - proveniente de um fer- de ter se desenvolvido e se difundido no ramenta que servia para o preparo de Japão, sua origem é indiana. Nos templos cereais. É a arma que mais se popularizou budistas, os monges desenvolveram no ocidente por causa dos lmes de ação. É uma técnica baseada nos princípios do formada por duas barras de madeira unidas equilíbrio, do sistema de articulação do por uma corda ou corrente. corpo e de alavancas. Evitando assim o uso karatê Tonfa – Era uma ferramenta usada para da força e de armas. Nascia o Jiu-Jitsu. tradução: Arte das mãos vazias separar arroz da casca. É feita com um cabo Porém, só quando a arte chegou ao Traje: Kimono branco de pedra que se encaixa em uma pedra Japão, em meados do século XVII é que Armas: Não há redonda móvel. Lembra um cacetete e é ganhou força. A arte tinha sido esquecida Data de criação: Século XVI utilizada aos pares. durante algum tempo, pois adquiriu uma Local origem: Okinawa Bo - o Bo ou kun é basicamente um má reputação por ter sido adotada por Graduação (shorin ryu): muitos malfeitores. No nal do século Faixa Branca XIX, ela ganhou nova cara. O japonês Faixa Vermelha (para os alunos meno- Jiguro Kano adaptou as técnicas do jiu- res de 12 anos) jítsu para formar uma das mais populares Faixa Amarela artes marciais do mundo: o judô. Nesse Faixa Laranja mesmo período, alguns mestres de jiu-jítsu Faixa Azul migraram do Japão para outros continentes, Faixa Verde vivendo do ensino da arte marcial e das Faixa Roxa lutas que realizavam. E Esai Maeda Koma, Faixa Marrom o Conde Koma, foi um deles. 1° ao 6° Dan – Faixa Preta Conde Koma chegou ao Brasil 7° e 8° Dan – Faixa Coral (vermelha e no começo do século XX, no Pará. Lá, branca) conheceu Gastão Gracie. Gastão tornou-se 9° e 10° Dan – Faixa Vermelha kobudo um entusiasta do jiu-jítsu e levou seu lho tradução: Caminho das antigas ar- mais velho, Carlos Gracie, para aprender criação e desenvolvimento. tes marciais a luta. Carlos era um menino franzino Uma das sanções mais marcantes, Traje: Kimono branco de apenas 15 anos na época. E apesar da decisiva para a criação da arte, foi a Armas: Sai, nunchaku, tonfa, bo, eku, aparência física esguia, começou a ganhar proibição de portar espadas. Por isso, os kama notoriedade no mundo da luta. agricultores passaram a usar suas próprias Data de criação: Século XVI A família, então, se mudou para o ferramentas de trabalhos como armas de Local origem: Okinawa Rio de Janeiro, e lá fundaram a primeira defesa pessoal. Graduação (Feita por Maki- academia de jiu-jítsu do Brasil: a Gracie Foi somente no início do século monos - pergaminhos): Academia de Jiu-Jitsu. Além de difundir a XX que mestres como Shinko Matayoshi Shoden (quem domina o Tachi Seiho arte, a família Gracie também aprimorou a e Shinken Taira deram início a um ou katas com a espada longa) luta com as nalizações. trabalho de pesquisa sistemática, visando Chuden (quem domina o Kodachi Os preconceitos com essa luta foram à continuidade da prática do Kobudo, Seiho com a espada curta) rompidos. A partir daí, o jiu-jitsu tomava disponível a toda a sociedade. Okuden (quem domina o Nito Seiho nova forma e ganhava notoriedade ja-mais O mestre Shinzato, responsável pela com duas espadas) vista. Nascia o Jiu-Jitsu Brasileiro, sendo divulgação do Karatê na Baixada Santista e Menkyo (quem domina os katas de exportado para diversos países. em mais de 15 países, foi quem trouxe a arte Bojutsu) Basicamente, no Jiu-Jitsu, usa-se para o Brasil. No Japão, aprendeu o kobudo Menkyo Kaiden (Nível mais alto, dado a força (própria e, quando possível, do com o mestre Katsuya Miyahira. E, quando aos mestres) adversário) em alavancas. Isso possibilita16
  16. 16. que um lutador, mesmo sendo menor que consideradas perigosas. Kano eliminou oso oponente, consiga vencer. No chão, com movimentos mais rudes e enfatizou quedas,as técnicas de estrangulamento e pressão mobilização e postura rígida.sobre as articulações, é possível submeter Judô signi ca, literalmente, caminhoo adversário fazendo-o desistir da luta suave, e preza pela disciplina acima de tudo.(competitivamente), ou (em luta real) Por isso, a arte cou popular em poucofazendo-o desmaiar ou quebrando-lhe tempo no Japão e, na década de 20, tornou-uma articulação. se disciplina de ensino obrigatório dasBaixada Santista - o Jiu-Jitsu chegou escolas. Em 1889, Kano levou o Judô paraaqui há quase 15 anos. Anderson Xavier a Europa, e depois da Segunda Guerra, oSarruço, da Academia Allianz, foi o pioneiro. Judô estava popular em todo o mundo. NoSarruço ensinou vários professores que nal do século XIX, o Judô foi consideradopraticam a modalidade hoje em dia. o esporte o cial do Japão. judô Entre eles, o campeão mundial Rodrigo As técnicas se baseiam no uso da força tradução: Caminho SuaveCavaca. Cavaca começou na Academia e do equilíbrio do oponente contra ele pró- Traje: Kimono branco ou azulAllianz, mas hoje é atleta da Chekmatt. prio, além de ter o objetivo de fortalecer o Armas: Não há Só a Academia Chekmatt tem mais físico, a mente e o espírito de forma integrada. Data de criação: 1882de 200 alunos aqui. E a procura é cada vez As pessoas aprendem judô como exercício, Local origem: Japãomaior, inclusive por mulheres. relaxamento e auto-proteção. Graduação: “Hoje a procura é grande por causa do Com milhares de judocas e federações Faixa BrancaUFC. Todos querem praticar o esporte que espalhados pelo mundo, se tornou um dos Faixa Cinza (para menores de 18 anos)deu origem ao MMA”. esportes mais praticados. Sem restrição de Faixa Azul-Clara (para menores de 18 sexo ou idade. anos) Em 1964, o judô se tornava mais Faixa Amarelao Caminho suave popular, virou esporte olímpico, o que au- Faixa Laranja Com um pouco mais de cem anos mentou ainda mais o número de adeptos. Faixa Verdede criação, o Judô passou de arte marcial Apesar do caráter esportivo, o Faixa Roxajaponesa de combate para esporte olímpico judô mantem muitas tradições, como as Faixa Marrompraticado no mundo inteiro. saudações e seus fundamentos básicos. Ao 1 a 5° Dan – Faixa Preta Desenvolvido em 1882, pelo japonês entrar no dojô (local de treino) e quando 6° a 8 Dan – Faixa Coral (vermelha eJiguro Kano, o judô era a adaptação do sair, o atleta deve cumprimentar o professor branca)milenar Jiu-Jitsu, aliado à disciplina mental ou seu ajudante. E ao iniciar um treino com 9° e 10° Dan – Faixa Vermelhae educativa. O antigo jiu-jitsu era uma arte um companheiro, assim como ao terminá-lo.praticada por samurais e incluíam técnicas Os fundamentos do Judô também são não era favorito, e ninguém esperava que prezados, como a postura, movimentação, o judoca trouxesse o tão esperado ouro deslocamento de corpo, pegadas, amor- olímpico. Mas com disciplina e sempre tecimento de quedas e os rolamentos, que são sonhando, conseguiu atingir seu objetivo. fundamentais para a segurança do praticante. Outro exemplo mais recente é o No Brasil, o judô chegou com os judoca Leandro Marques Guilheiro. Ele primeiros imigrantes japoneses, no nasceu em Suzano, mas foi radicado em Kasato Maru, em 1908. Mas só passou a Santos, onde vive até hoje. Treinado por ser organizado e largamente difundido a Sampaio, conquistou duas medalhas de partir de agosto de 1933, com a fundação bronze nos Jogos Olímpicos, uma em da Hakkoku Jûkendô Renmei, a Federação Atenas, 2004 e outra em Pequim, em 2008. de Judô e Kendô do Brasil. E, em 1969, era Em 2010, Guilheiro ganhou a prata no fundada a Confederação Brasileira de Judô, Mundial de Tóquio. jiu-jitsu sendo reconhecida por decreto em 1972. tradução: Arte Suave Hoje em dia, o judô é ensinado Traje: Kimono branco, preto ou azul em academias, clubes e até escolas. E é o caminho da Armas: Não há reconhecido como um esporte saudável espada que educa Data da difusão: Século XVII que não está relacionado à violência. O kendo é uma arte marcial surgida Local origem: Templos budistas na Baixada Santista – a região sempre no século XVI e ao pé da letra, signi ca o Índia/ Difusão no Japão teve forte envolvimento com vários tipos de caminho da espada que educa. Sua história Graduação: esporte. E com o judô isso não é diferente. no Brasil, assim como a maioria das artes Faixa Branca (qualquer idade) Santos abriga uma das maiores academias marciais, teve início com a chegada dos Faixa Cinza (4 a 6 anos) do país, fundada pelo ex-atleta e campeão imigrantes japoneses em 1908. Por volta Faixa Amarela (7 a 15 anos) olímpico, Rogério Sampaio. de 1933, na comemoração dos 25 anos Faixa Laranja (10 a 15 anos) Rogério começou a treinar com apenas do início da imigração, alguns praticantes Faixa Verde (13 a 15 anos) quatro anos, in uenciado pelo irmão mais de judô e kendo fundaram a primeira Faixa Azul (a partir de 16 anos) velho. Com o tempo, foi se aprofundando associação brasileira de judô e kendo, a Faixa Roxa (a partir de 16 anos) e adotando aquilo como estilo de vida. “O “Hakoku Ju-Ken Do Ren-Mei”. Faixa Marrom (a partir de 18 anos) judô me ensinou a ter muita disciplina, A modalidade foi desenvolvida a partir Faixa Preta (A partir de 19 anos) perseverança e nunca desistir dos sonhos”, do Kenjutsu, que é composto por técnicas Faixa Coral (Vermelho e preto - Mestre) explica Rogério. Em 1992, o santista foi para tradicionais de combate com espadas dos Vermelha (Grande Mestre) Barcelona disputar as Olimpíadas. Rogério samurais da época do Japão feudal. Os luta- 17
  17. 17. dores de Kendô podem ser chamados de O sensei a rma que o propósito de A arte começou a car famosa naskendoka ou kenshi. se praticar o kendo é para moldar a mente mãos do ator Steven Seagal. Seagal é mestre A faixa, no Kendo, diferentemente das e o corpo, cultivar um espírito vigoroso em diversas artes marciais e, atualmente, 7ºoutras artes marciais, é mais larga. Ela serve e obter respeito à cortesia e à honra. Dan de aikidô. Na década de 80, seus lmespara guardar a espada na hora da luta. “Não são apenas golpes, quando alcança de ação se popularizaram e as academias de Os alunos e praticantes em geral um patamar espiritual, você encontra o aikidô começaram a encher.utilizam a vestimenta preta. Apenas os caminho e aprende uma loso a”. O início do aikidô no Brasil foi nasenseis e as mulheres podem utilizar a Roberto Vinícius Ferreira treina há 9 década de 60, introduzido no país porcor branca. O sensei é por ter chegado ao anos e conta que seu lugar é praticando o Shihan Reishin Kawai, sob orientação do jápatamar máximo de graduação. A mulher é kendo. “Não me vejo longe disso. Aprendi falecido mestre Arimoto Murashige que, napor já nascer pronta para dar a vida. a focar nos meus objetivos, a ter mais época, era o representante no Ocidente. Em Santos, o Kendô é praticado pelo disciplina e quei mais centrado”. O termo aikidô, quando separado, Aigrupo Shintô Ryu Tsukimoto-ha-Tan Ren Os integrantes do grupo podem representa harmonia; Ki; energia vital eSui Nen Kan - Honbu Dojô. Esse estilo, o acompanhar de perto a confecção das Do; caminho. Em tradução livre, o nomeShintô Ryu, existe, no Japão, há mais de armas utlizadas nas aulas. Eles contam signi ca “caminho da harmonização das1.500 anos. No Brasil, está há 100. com a experiência e habilidade de Renato energias”. Este é um esporte que consiste O responsável por trazer o Kendo Figueiredo, que também é praticante. em um exercício espiritual aliado a técni-para a Baixada Santista foi o sensei Ele lixa, corta e enverga cada objeto cas de derrubar e agarrar com o intuito deAdriano Pereira Silva que, atualmente, é o no galpão da Associação. Dentre as ar- se proteger de ataques.responsável pelas aulas do grupo. mas feitas por ele estão o arco e a echa, A modalidade tem a característica Ele é o mestre, no Brasil, da 4ª geração e o bokuto, que é a espada de madeira, e o bem particular de não possuir técnicaspratica o kendo há 35 anos. Adriano explica boken, que é um pedaço de madeira. ofensivas. Não serve para competições, jáque esse estilo, atualmente, no Brasil é mais A prática do kendo não se limita que não há lutadores e nem o objetivo deoriginal do que no próprio Japão. apenas ao uso de armas. Os objetivos de sua vencer o oponente. Eles treinam três vezes por semana prática são, principalmente, não golpear A arte baseia-se, principalmente, emna Associação Japonesa. O grupo tem em pontos incorretos, assim não se desperdiça movimentos uidos e circulares. Alémtorno de 30 alunos e conta com homens e nenhum golpe, além de golpear atacando e das técnicas de mãos vazias, os treinosmulheres com idades variadas. quebrando a postura do adversário. podem incluir armas: boken ou bokutô Eles não levam a arte marcial pelo (espada de madeira), jô (bastão curto)cunho esportivo, tanto que não fazem o caminho da harmoni- e tantô (faca de madeira). Na sua teoriaparte de nenhuma federação e nem espiritual, parte fundamental da técnica,participam de nenhuma competição. zação das energias o aikidô busca harmonia dos seres com O aikidô, dentre todas as artes uma energia universal. marciais, é a mais recente. Em Santos, isso também não é diferente. Hoje, existem diversos grupos que oferecem a prática da modalidade. Entre eles, o Shugyô Dojo e o Tenshin Dojo. O responsável por trazer o aikidô para a baixada santista é o sensei Nelson Wagner dos Santos. Nelson é amigo do sensei Adriano Pereira Silva. Adriano e Nelson trouxeram juntos o kendô e o aikidô, respectivamente. Cada um cou responsável por cada arte marcial e por sua propagação. No caso do KENDO aikidô, o sensei Nelson, atualmente, divide AIKIDO tradução: Caminho da espada que as aulas com Carlos. tradução: Caminho da harmoni- educa Carlos treina há 15 anos e explica que o zaçã das energias Traje: Kimono/Dogi, Obi (faixa) e objetivo de ensinar o akidô é principalmen- Traje: Kimono branco, Obi (faixa) e Hakama branco ou preto te, ajudar, apoiar e compartilhar. Hakama. Para os mestres, doji na parte Armas: Bokuto, Boken, arco e echa, “A ideia que nós temos é fazer com que de cima. espada de aço mestres e praticantes desenvolvam a arte Armas: Bokutô, Boken, jô e tantô Data de criação: Século XVI da forma correta, a qual foi proposta pelo Data de criação: 1883 Local origem: Japão fundador. Permitindo assim, um vínculo Local origem: Wakayama, Japão Graduação: maior com a família Ueshiba”. Graduação: Ikkyu (14 anos no mínimo) Morihei Ueshiba foi o criador dessa Faixa Cinza 1º dan (seis meses depois) modalidade e, para muitos, ele é conhecido Faixa Azul clara 2º dan (um ano depois do 1º) como Osensei, que signi ca grande mestre. Faixa Azul escura 3º dan (dois anos depois e maior de 18) O aikidô surgiu em 1883 na cidade de Faixa Amarela 4º dan (três anos depois do 3º) Wakayama, no Japão. Faixa Laranja 5º dan (quatro anos depois do 4º) Essa arte marcial foi criada a partir Faixa Verde 6º dan (cinco anos depois do 5º) da experiência de Ueshiba e da mistura de Faixa Roxa 7º dan (seis anos depois do 6º) dezenas de outras modalidades, dentre elas Faixa Marrom 8º dan (10 anos depois e com mais de o kenjutsu (técnica da espada) e o jojutsu Faixa Preta 45 anos) (técnica do bastão curto).18
  18. 18. Fotos: Márcio Pinheiro A terra do Sol caiçaraPORTAL da praça Kotoku Iha, no início da rua JapãoL ocalizada no Parque Bitaru, em São Vicente, a cerca de 2 Km do Centro, caa Rua Japão. Como diz o nome, a rua foi famosa por seu portal e pedra da sorte. Mas nem tudo são flores. Não há mais tantos japoneses. Perto da de 70. O senhor Yukito Youmoto, dono de uma das marinas, diz que não aprovou a mudança. “Eles zeram isso sem nosum recanto de japoneses e pescadores anos da peixaria do seu Gilberto Martins de consultar”, reclama.atrás. Hoje, apenas algumas casas e famílias Almeida, no começo da rua, moram dona O local se desenvolveu por causanipônicas se encontram por lá. Neusa e dona Lia Domako, ambas Nisseis. das atividades da família. E agora abriga, O Shurei-mon (portal da cortesia), logo “São poucos japoneses que tem aqui, mui- além das seis marinas, um restaurante eno início da rua, tos já morreram”, duas peixarias.chama a atenção conta Dona Lia, Yukito lembra que, há 40 anos, nãode qualquer mo- hoje com 80 anos. havia nada, nem mesmo uma rua. “Nãorador ou visitante Filha de ja- tinha calçada, luz e nem água”. Tudoque passe por ali.É poneses, morava foi feito pelos moradores. “O pior é queuma réplica do em São Roque, muita coisa continua igual. Já pedi para osportal erguido do no interior do políticos da região fazerem alguma coisa,lado de fora do Estado e veio mas eles dizem que o número de eleitorescastelo de Shuzi viver ali depois daqui é pequeno e que não ganhariamem 1550, no Japão. que se casou em votos com os turistas que seriam atraídos O grande 1960. O local foi com as melhorias no local”.arco vermelho escolhido porfoi inaugura- conta da pro-do em agosto de 1998, junto com a ssão do marido. “Ele era pescador, então, CuriosidadesPraça Kotoku Iha. O nome da praça é era o lugar ideal para viver”. Hoje, moraem homenagem ao pai do ex-prefeito com uma de suas lhas e uma neta, bem Cidade-irmã - São Vicentevicentino Koyu Iha. em frente à praça. é a segunda cidade da Baixada A construção foi feita em celebração Mais à frente, depois do maior res- Santista que possui uma cidade-aos 30 anos do convênio de Cidades- taurante local, vivem outros japoneses. irmã japonesa. O convênio comIrmãs, assinado entre São Vicente e a Cinco das seis marinas da rua pertencem a cidade de Naha foi rmadocidade japonesa Naha, na Província de à família Yumoto, que ocupa o local desde em 1978, pelo ex-prefeito KoyuOkinawa. O convênio foi rmado em que o patriarca da família chegou a bor-1978, também por Koyu. do do Kasatu Maru. Na época, o local era Iha, cuja a descendência é de A área, antes ocupada por uma chamado de “Guamiú”. lá. Até hoje há intercâmbiogrande quantidade de pescadores de O nome Rua Japão veio mais tarde, cultural das cidades.origem ou descendência japonesa, é no governo de Koyu Iha, no nal da déca- 19

×