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AGRADECIMENTOS       A todos os que contribuíram, direta ou indiretamente, para que este trabalho fosseconcluído. Em espec...
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SUMÁRIO1- INTRODUÇÃO ........................................................................................................
5- O RESGATE DA INTERAÇÃO FACE A FACE INTERMEDIADO PELA REDESOCIAL COUCHSURFING..............................................
I. INTRODUÇÃO       Toda sociedade, independente do seu tempo histórico particular e da sua localizaçãogeográfica específi...
participar de um evento ou debate e assistir a um seminário, de modo que a sociedadecontemporânea de compartilhamento da i...
instrumentos utilizados para acelerar e difundir o conteúdo. A intenção é de que um grandenúmero de pessoas seja alcançado...
agrupamentos de pessoas dispostas a propor uma quebra dos padrões sociais, culturais oueconômicos impostos, ao estabelecer...
moeda de troca é o intercâmbio cultural, o compartilhamento de vivências e o aprendizado dealgo novo. No estado de Sergipe...
II. INTERAÇÃO2.1.   Interação face a face       O homem é naturalmente um ser comunicativo. Para que o padrão de interação...
Segundo Orecchioni (2006), o emissor pode indicar que está falando com alguém deforma direcionada normalmente por meio da ...
que uma identidade temporal seja executada; e) que o envolvimento se dê numa “interaçãocentrada”.          Estas caracterí...
Dialógica/ Monológica                       Dialógica                           Dialógica             (Tabela 1: caracterí...
esta que, enquanto desde os primórdios era responsável pela perpetuação de rituais culturais,passa, a partir da chegada da...
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uma troca de informações” (LIPPMAN, apud PRIMO, 2011, p.31). Granulidade: refere-se aomenor elemento após o qual se pode i...
complementam o diálogo, por outro, o diálogo mediado pelo computador reinventou algunsdestes gestos através de caracteres ...
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indivíduos, que, quando expostos a uma situação presencial inesperada que exija maiorsensibilidade ou inteligência emocion...
III. A SOCIEDADE EM REDE3.1. O que é uma Rede?       De acordo com Tanenbaum (apud SCARANO, p. 25, 2011), um conjunto deco...
reforçar sua segurança e a prolongar a sua sobrevivência, por conta das facilidadesproporcionadas por um grupo organizado ...
E foi, enfim, com a internet, que cada indivíduo pôde dar vazão a seus interessesindependentemente da sua localização geog...
comunicacional e ser considerado um produtor de conteúdo, portanto, não era mais necessárioser um conhecedor da linguagem ...
A Web 2.0 passa a ser considerada uma nova concepção, pois passa agora a ser              descentralizada e na qual o suje...
É tudo construído pela mediação do computador. O segundo fator relevante é a              influência das possibilidades de...
PRIMO, 2007) afirma que uma pessoa não comunica, mas, sim, se engaja em um processo decomunicação.               As ações ...
A Internet pode ser um terreno fértil para a conexão de atores com ideias afins econstrução de projetos ricos em diversida...
3.3.3. Sites de Redes Sociais       Segundo Recuero (2009), Sites de Redes Sociais são os espaços utilizados para aexpress...
É fácil perceber o potencial das redes sociais na Internet quando se observa a difusãode uma informação nas mídias off-lin...
IV. COUCHSURFING4.1. Couchsurfing, um breve histórico e panorama        A rede Couchsurfing9 (CS) é uma organização sem fi...
oferecendo-se para ajudar na reconstrução do projeto. Por conta deste apoio, portanto, o sitefoi reformulado, e sua versão...
termo couch (‘sofá’) para um couchsurfer significa hospedagem, local oferecido pelo host(‘anfitrião’) onde o guest (‘visit...
Em termos gerais, recomenda-se que o viajante leia todo o perfil do usuário quepossivelmente poderá hospedá-lo de modo a t...
(Figura 2: ícones de identificação e qualificação dos usuários 15)           Em termos gerais, há diversas formas de parti...
alojamento com outras pessoas, tudo isso para evitar frustrações e fazer com que a experiênciaseja o mais positiva possíve...
(Figura 4: referências trocadas entre usuários16)4.2. CS no Mundo        De acordo com informações do próprio site, em um ...
‘abrigar’ mais países do que na própria ONU17, que conta com 193 nações membros. Emtermos geográficos, os Estados Unidos c...
(Figura 6: Línguas faladas no CS19)           No que se refere ao gênero dos participantes, 53% são homens e 47% são mulhe...
que estão acima dos 60 anos não passam de 0,9%. Apesar de se tratar de um número poucoexpressivo, em junho 2010 foram cont...
(Tabela 2: Idiomas mais frequentes falados pelos CSers brasileiros 21)           Seguindo esses mesmos dados, à época, 32,...
Dentre os residentes no Brasil ativos no projeto, 55,9% são homens e 40,1% sãomulheres; além disso, 3,9% dos perfis são fo...
(Tabela 5: Média de idade entre os CSers brasileiros)       Naturalmente, a maior atividade dos couchsurfers está nas capi...
4.4. Couchsurfing Sergipe e Aracaju           No sistema de busca disponibilizado atualmente22 pelo site foram encontrados...
(Tabela 8: Média da idade dos Couchsurfers de Sergipe)       O Grupo Aracaju-SE foi criado em 07 de Agosto de 2008, e é o ...
5- O RESGATE DA INTERAÇÃO FACE A FACE INTERMEDIADO PELA REDESOCIAL COUCHSURFING       Serão apresentados neste capítulo os...
uma organização ativa que programa encontros semanais e eventos integrando outros Estados,por exemplo. A escolha da aplica...
(Tabela 9: Sexo dos Couchsurfers que responderam ao questionário.)       Dos pesquisados, 43% têm de 25 a 30 anos, 37% têm...
(Tabela 11: tempo de participação no CS pelos respondentes ao questionário.)       A forma como os usuários participam do ...
Sobre o valor percebido, ou seja, a sensação provocada pela experiência doCouchsurfing, 93% dos entrevistados consideram p...
Já as relações estabelecidas dentro do CS são avaliadas da seguinte forma: 53%afirmam que fizeram bons amigos, considerado...
aracajuano (a partir da amostragem) refere-se muito mais ao hábito de receber viajantes doque de viajar ou de utilizar os ...
O resgate da interação face-a-face intermediada pela rede social Couchsurfing
O resgate da interação face-a-face intermediada pela rede social Couchsurfing
O resgate da interação face-a-face intermediada pela rede social Couchsurfing
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Este trabalho têm como objetivo analisar o uso da rede social Couchsurfing no incentivo ao resgate da interação face-a-face. Monografia apresentada à Universidade Tiradentes em Janeiro de 2013 para obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social - Hab. Publicidade e Propaganda.

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O resgate da interação face-a-face intermediada pela rede social Couchsurfing

  1. 1. UNIVERSIDADE TIRADENTES ANA CAROLINA VIEIRA OLIVEIRA O RESGATE DA INTERAÇÃO FACE-A-FACEINTERMEDIADA PELA REDE SOCIAL COUCHSURFING Aracaju 2012
  2. 2. ANA CAROLINA VIEIRA OLIVEIRA O RESGATE DA INTERAÇÃO FACE-A-FACEINTERMEDIADA PELA REDE SOCIAL COUCHSURFING Monografia apresentada à Universidade Tiradentes como um dos pré-requisitos para a obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social – Hab. Publicidade e Propaganda. ao Professor Esp. Arthur Leonardo Roeder Neto para a disciplina Projetos Experimentais em Publicidade e Propaganda. Prof. Esp. Arthur Leonardo Roeder Neto Aracaju 2012
  3. 3. ANA CAROLINA VIEIRA OLIVEIRAO RESGATE DA INTERAÇÃO FACE-A-FACEINTERMEDIADA PELA REDE SOCIAL COUCHSURFING Monografia apresentada à Universidade Tiradentes como um dos pré-requisitos para a obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social – Hab. Publicidade e Propaganda. ao Professor Esp. Arthur Leonardo Roeder Neto para a disciplina Projetos Experimentais em Publicidade e Propaganda. Aprovada em: _____/_____/_____. Banca Examinadora ________________________________________________________ Prof. Esp. Arthur Leonardo Roeder Neto Universidade Tiradentes – SE ________________________________________________________ Prof. Esp. Cristiano Leal de Barros Lima Universidade Tiradentes – SE ________________________________________________________ Prof. Me. Polyana Bittencourt Andrade Universidade Tiradentes – SE
  4. 4. DEDICATÓRIAÀ Dona Lourdinha, por acreditar sempre.
  5. 5. AGRADECIMENTOS A todos os que contribuíram, direta ou indiretamente, para que este trabalho fosseconcluído. Em especial: À família, pelo apoio nas madrugadas e aos amigos pela torcida constante. Ao meuorientador Leo Roeder, pelos incentivos, por apostar no projeto e descobrir este universo juntocomigo. À minha co-orientadora “buena onda” Mônica T. Deda, pelo apoio eacompanhamento constante, mesmo a 4.323 km de distância.
  6. 6. RESUMOO presente trabalho tem como objetivo analisar o uso da rede social virtual Couchsurfing noincentivo ao resgate da interação face a face. O site, popularmente conhecido e difundido porpromover o intercâmbio da hospitalidade, propõe a conexão entre viajantes e moradoreslocais. A pesquisa foi realizada por meio de um levantamento bibliográfico para a construçãodo referencial teórico capaz de auxiliar na compreensão do objeto seguida de uma pesquisaquali-quantitativa com aplicação de questionário online no grupo Aracaju-SE, foco específicodeste projeto. Espera-se que esta análise incentive o diálogo sobre comunicação digital econtribua para estudos futuros.PALAVRAS-CHAVE: Interação mediada; Interação face a face; Redes Sociais;Couchsurfing.
  7. 7. ABSTRACTThis academic research aims at analyzing the use of the virtual social network Couchsurfingfor the purpose of bringing back the face to face interactions. The website, popularly knownand spread for promoting the exchange of hospitality, makes it possible that travelers andlocals connect to each other. The study was conducted based on a bibliographic research inorder to build a theoretical reference capable of helping us understand our object followed bya quali-quantitative research with the application of an online survey published on thecommunity Aracaju-SE, this study’s specific object. Hopefully, this project will be able tostimulate the debate about digital communication and to contribute to future studies.KEYWORDS: Mediated interaction; Face to face interaction; Social Networks;Couchsurfing.
  8. 8. LISTA DE FIGURASFIGURA 1: Tela inicial do Couchsurfing.............................................................. 38FIGURA 2: Ícones de identificação e qualificação dos usuários............................40FIGURA 3: Disponibilidade do couch....................................................................40FIGURA 4: Referências trocadas entre usuários.....................................................42FIGURA 5: Ranking contendo número do de usuários do CS por país..................43FIGURA 6: Línguas faladas no CS.........................................................................44
  9. 9. LISTA DE TABELASTABELA 1: Características das interações – Thompson, 2011, p. 123.................................19TABELA 2: Idiomas mais frequentes falados pelos couchsurfers brasileiros.......................46TABELA 3: Disponibilidade dos usuários no CS Brasil.......................................................46TABELA 4: Perfil do gênero dos couchsurfers brasileiros...................................................47TABELA 5: Média de idade entre os couchsurfers brasileiros.............................................47TABELA 6: Cidades brasileiras presentes no Couchsurfing...............................................48TABELA 7: Gênero dos usuários encontrados no Couchsurfing em Sergipe.....................49TABELA8: Média da idade dos couchsurfers em Sergipe..................................................49TABELA 9: Sexo dos couchsurfers que responderam ao questionário...........................................53TABELA 10: Faixa etária dos usurários que responderam ao questionário....................................53TABELA 11: Tempo de participação no CS pelos respondentes ao questionário...........................54TABELA 12: Forma como os usuários declaram na pesquisa sua participação no CS...................54TABELA 13: Como os entrevistados qualificam a experiência no Couchsurfing...........................55TABELA 14: Referente aos contatos do CS....................................................................................55TABELA 15: Análise dos laços dos entrevistados criados dentro do CS........................................56TABELA 16: Referente ao número de pessoas hospedadas pela amostragem................................56TABELA 17: Referente ao número de vezes que os usuários entrevistados usaram‘couchs’.................................................................................................................................57TABELA 18: A experiência proporcionada pelo CS é mais percebida pelos usuários noambiente off-line que no ambiente digital............................................................................58
  10. 10. SUMÁRIO1- INTRODUÇÃO ..................................................................................................................112- INTERAÇÃO......................................................................................................................162.1- Interação face a face..........................................................................................................162.2- Interação mediada..............................................................................................................182.3- Interação mediada por computador...................................................................................203- A SOCIEDADE EM REDE3.1- O que é rede?.....................................................................................................................263.2- Rede Social (face a face)...................................................................................................263.3- Rede Social mediada..........................................................................................................263.3.1- Web 2.0...........................................................................................................................283.3.2- Rede Social na Internet...................................................................................................283.3.3- Sites de Redes Sociais.....................................................................................................344- COUCHSURFING..............................................................................................................364.1. Couchsurfing, um breve histórico e panorama..................................................................364.2- Couchsurfing no mundo....................................................................................................424.3- Couchsurfing no Brasil......................................................................................................454.4- Couchsurfing em Aracaju..................................................................................................48
  11. 11. 5- O RESGATE DA INTERAÇÃO FACE A FACE INTERMEDIADO PELA REDESOCIAL COUCHSURFING..................................................................................................515.1- Procedimentos metodológicos...........................................................................................515.2- Caracterização geral dos dados..........................................................................................526- CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................607- REFERÊNCIAS..................................................................................................................63APÊNDICE A (questionário em anexo)................................................................................65APÊNDICE B (pré-projeto)...................................................................................................68
  12. 12. I. INTRODUÇÃO Toda sociedade, independente do seu tempo histórico particular e da sua localizaçãogeográfica específica é necessariamente dinâmica, cada uma com suas característicasespecíficas. Porém, a sociedade (global) contemporânea, com todas as suas interconexões queextrapolam os mais variados limites espaço-temporais de uma forma talvez nunca imaginadaantes, passa pelas transformações mais diversas de uma maneira e numa velocidadeestonteantes em todos os campos das relações e do conhecimento humanos. Neste processo de transformação, a tecnologia, em todas as suas facetas epossibilidades de aplicação possuem um papel fundamental como força motriz destasmudanças. É assim que a incorporação cada vez mais constante de equipamentos como TVs,computadores, celulares, além do próprio ambiente virtual proporcionado pela Internet, nocotidiano da população acaba provocando mudanças consideráveis em seus hábitos sociais,culturais e econômicos. A revolução tecnológica deu origem ao informacionalismo, tornando-se assim a base material desta nova sociedade, em que os valores da liberdade individual e da comunicação aberta tornaram-se supremos. No informacionalismo, as tecnologias assumem um papel de destaque em todos os segmentos sociais, permitindo o entendimento da nova estrutura social – sociedade em rede – e consequentemente, de uma nova economia, na qual a tecnologia da informação é considerada uma ferramenta indispensável na manipulação da informação e construção do conhecimento pelos indivíduos, pois ‘a geração, processamento e transmissão de informação torna-se a principal fonte de produtividade e poder’ (CASTELLS, 1999, p. 21). Desta maneira, o avanço da tecnologia e o desenvolvimento de novas ferramentaspossibilitaram uma reflexão do contexto social e das suas limitações. Dentro desta realidade, oconhecimento individual e centralizado já não é suficiente, e se caracteriza como defasado.Assim, é possível observar o quanto o compartilhamento do conhecimento desterritorializa asociedade por meio dos aparatos tecnológicos que transpõem as barreiras geográficas etemporais. Ou seja, não é mais preciso estar presente fisicamente para construir um diálogo, 11
  13. 13. participar de um evento ou debate e assistir a um seminário, de modo que a sociedadecontemporânea de compartilhamento da informação acaba redefinindo os métodos e espaçosanteriormente destinados ao aprendizado, como escolas e instituições, deixando, por exemplo,de ser os únicos espaços de formação intelectual dos cidadãos. A finalidade dos sistemas educacionais em pleno século XXI será pois tentar garantir a primazia da construção do conhecimento, numa sociedade onde o fluxo de informação é vasto e abundante, e em que o papel do professor não deve ser mais o de um mero transmissor de conhecimento, mas o de um mediador da aprendizagem. Uma aprendizagem que não acontece necessariamente nas instituições escolares, mas, pelo contrário, ultrapassa os muros da escola, podendo efectuar-se nos mais diversos contextos informais por meio de conexões na rede global. Não queremos apregoar a extinção da escola, pois ela será sempre uma instituição de ponta na produção e institucionalização do conhecimento, mas, alertar para que precisa estar aberta por forma a entender os novos contextos em que pode ser estimulada a construção colaborativa do saber (ILLICH, 1985; SIEMENS, 2003) (COUTINHO e LISBÔA, 2011, p.6). Desta forma, o aprendizado ganha um caráter horizontal, criativo, que não obedece aum prazo estipulado, por exemplo, e que segue constante por toda a vida. Segundo Crawford(1983, apud Coutinho e Lisbôa, 2011, p.6), um dos primeiros autores a referir o conceito deSociedade da Informação (SI) foi o economista Fritz Machlup, na obra publicada em 1962,The Production and Distribution of Knowledge in the United States 1. No entanto, odesenvolvimento do conceito deve-se a Peter Drucker, que, em 1966, no bestseller The Age ofDiscontinuity2, fala pela primeira vez numa sociedade pós-industrial em que o poder daeconomia – que, segundo o autor, teria evoluído da agricultura para a indústria e desta para osserviços – estava agora assente num novo bem precioso: a informação. A Sociedade de Informação, portanto, se caracteriza pelo uso da tecnologia como fatorque impulsiona o compartilhamento da informação e assegura a comunicação entreindivíduos. Neste contexto, os meios de comunicação eletrônicos, como televisão, rádio,telefone, computador, além das inúmeras possibilidades trazidas pela Internet, são1 ‘A produção e distribuição do conhecimento nos Estados Unidos’.2 ‘Uma Era de Descontinuidade’. 12
  14. 14. instrumentos utilizados para acelerar e difundir o conteúdo. A intenção é de que um grandenúmero de pessoas seja alcançado, e, uma vez recebida a informação, que ela tenha o poder decapacitar a população a construir uma opinião crítica acerca dos temas sugeridos e possa, apartir daí, transformar a sociedade em que vive. A democratização da informação na sociedade contemporânea foi sensivelmentepercebida com a acessibilidade da Web 2.0, quando a difusão do conteúdo passou a dar-seatravés de grupos hospedados em Redes Sociais e comunidades digitais, oferecendo, assim,uma espécie de ‘segunda opinião’, uma alternativa à versão das mídias de massa tradicionais,como rádio, jornais e TV. Segundo Primo (2007), a Web 2.0 é a segunda geração de serviçosonline, e caracteriza-se por potencializar as formas de publicação, compartilhamento eorganização de informações, além de ampliar os espaços para a interação entre osparticipantes do processo. É neste cenário favorável ao questionamento e à formação da opinião crítica que asRedes Sociais se tornaram canais de debate e planejamento de verdadeiros levantes políticoscontemporâneos, mobilizados por grupos da sociedade civil e organizados a partir deferramentas hospedadas na Internet. Exemplos desses movimentos são a Primavera Árabe,iniciada na Tunísia, o Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, e os Indignados da Espanha. Manifestações de insatisfação social que marcaram o ano de 2011 como Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, Indignados, na Espanha, os protestos de estudantes no Chile, o motim de jovens na Inglaterra e o Movimento 15 de Outubro – organizado pelas redes sociais e que suscitou mobilizações em mais de mil cidades de 85 países na referida data – apresentam características típicas dos movimentos sociais contemporâneos. A utilização de redes de diálogos e troca de informações contínuas cria sinergia para que essas manifestações não sejam atos isolados, mas trabalhos conjuntos que encontram apoio mútuo pela utilização da Internet. (DI FÁTIMA, 2012, p.1). Assim como os movimentos citados, o objeto de estudo específico deste projeto (arede social Couchsurfing) também pode de alguma forma ser inserido no contexto de 13
  15. 15. agrupamentos de pessoas dispostas a propor uma quebra dos padrões sociais, culturais oueconômicos impostos, ao estabelecer uma forma bastante distinta de relações sociais. Estetrabalho pretende, portanto, fazer uma análise de como o Couchsurfing, apesar de estarhospedada no ambiente digital, proporcionando em grande medida um resgate dacomunicação face a face. Durante a maior parte da história humana, a grande maioria das interações sociais foram face-a-face. Os indivíduos se relacionavam entre si principalmente na aproximação e no intercâmbio de formas simbólicas, ou se ocupavam de outros tipos de ação dentro de um ambiente físico compartilhado. As tradições orais dependiam para sobreviver de um contínuo processo de renovação, através de histórias contadas e atividades relatadas, em contextos de interação face-a-face. (THOMPSON, 2011, p.119). Já no universo digital, ou seja, mediado por computador, há a quebra de barreirasgeográficas e temporais; porém, esta sofre rupturas possibilitadas por questões próprias doambiente digital, como a dispersão provocada pelo bombardeio de informações e referências ea limitação da comunicação, por conta da ausência de possibilidades de linguagenscomplexas, como a gestual e a sonora, em prol de uma grande predominância da expressãoescrita. Interações mediadas também implicam um certo estreitamento na possibilidade de deixas simbólicas disponíveis aos participantes. A comunicação por meio de carta, por exemplo, priva os participantes de deixas associadas à presença física (gestos, expressões faciais, entonação, etc.), enquanto outras dicas simbólicas (associadas à escrita) são acentuadas [...] Ao estreitar o leque de deixas simbólicas, as interações mediadas fornecem aos participantes poucos dispositivos simbólicos para a redução da ambiguidade na comunicação. Por isso as interações mediadas têm um caráter mais aberto do que as interações face a face. Estreitando as possibilidades de deixas simbólicas, os indivíduos têm que se valer de seus próprios recursos para interpretar as mensagens transmitidas. (THOMPSON, 2011, p. 121). No que se refere ao Couchsurfing, apesar de se tratar de uma rede social digitalintermediada por computador, a sua grande proposta é a de conectar, no mundo off-line,viajantes de todo o mundo a moradores locais e à cultura que visitam. O processo de seracolhido por um anfitrião local de forma gratuita, por exemplo, qualifica uma experiência cuja 14
  16. 16. moeda de troca é o intercâmbio cultural, o compartilhamento de vivências e o aprendizado dealgo novo. No estado de Sergipe, o grupo mais expressivo é o Aracaju-SE – o foco específicoaqui –, que foi criado em 2008 e possui atualmente 685 membros 3. Além de várias características de usabilidade semelhantes a outras redes populares,como Orkut e Facebook, o Couchsurfing desenvolveu também mecanismos de validação paragarantir que o encontro entre desconhecidos de todo o mundo pudesse dar-se de maneirasegura para todos. Recomendações, avaliações positivas, negativas e neutras, e um sistema deverificação que confirma identidade e endereço do usuário, são algumas dessas medidas quecolaboram na escolha do hóspede/anfitrião e reforçam o capital social dos participantes.Segundo Putnam (2000, p.19, apud Recuero, 2009, p.45), o conceito de capital social “refere-se à conexão entre indivíduos – redes sociais e normas de reciprocidade e confiança queemergem dela”, e está intimamente ligado à ideia de virtude cívica, de moralidade e de seufortalecimento através de relações recíprocas. Mas antes de chegar no caso específico doCouchsurfing é preciso discutir alguns conceitos que ajudarão na compreensão dessefenômeno.3 Dados de novembro de 2012. 15
  17. 17. II. INTERAÇÃO2.1. Interação face a face O homem é naturalmente um ser comunicativo. Para que o padrão de interação face-a-face se aplique, é preciso que existam dois interlocutores dispostos a uma interação e focadosna conversação. De acordo com Orecchioni (2006, p. 7 apud Lins, p.26) a comunicação verbalsegue algumas características: a) alocução: um destinatário fisicamente distinto do falante; b)interlocução: troca de palavras com intencionalidade, em que se alternam os papeis doemissor e do receptor; c) interação: troca comunicativa entre os interactantes, criando redesde influências mútuas. Para que a atividade verbal seja considerada conversação, é preciso que existam dois interlocutores e que os participantes estejam voltados cognitiva e visualmente para esta atividade. Dentro do exercício de linguagem, o comum é que a fala circule e que os papeis de emissor e receptor se alternem, permitindo que os falantes se intercambiem constantemente, cada qual em seu turno. A interação participa do exercício de conversação à medida que os diálogos dos participantes exercem influência uns sobre os outros, mutuamente. O discurso é construído a partir do estímulo que a fala do interlocutor A provoca no interlocutor B, e vice-versa. “É importante observar que a Conversação é considerada, a partir da ótica da Análise da Conversação, como uma atividade linguística estruturalmente organizada e sempre ocorre em um contexto ou circunstância em que os interactantes estejam engajados” (cf. MARCUSCHI, 2001, p.17, apud ARTAXERXES, 2011, p.60). A conversação face-a-face se caracteriza por ocorrer em um eixo temporal simultâneo,de modo que necessariamente acaba compartilhando códigos sociais comuns, como olhares,movimentos, sorrisos e conjuntos gestuais. Para que haja um intercâmbio comunicativo, nãobasta somente que os interlocutores discursem alternadamente. É importante que existaengajamento entre eles. Há gestos e sinais que auxiliam na identificação deste engajamento: éo que se pode chamar de “validação interlocutória”. “Os cumprimentos, apresentações eoutros rituais “confirmativos” desempenham, nesse sentido, um papel evidente. Mas avalidação interlocutória se efetua, sobretudo, por outros meios mais discretos e, no entanto,fundamentais” ( ORECCHIONI, 2006, p. 8). 16
  18. 18. Segundo Orecchioni (2006), o emissor pode indicar que está falando com alguém deforma direcionada normalmente por meio da orientação do corpo ou pela direção do olhar,além de determinadas formas de tratamento e da presença de “captadores”, tais como o“hein”, “né”, “sabe”, “você vê”, “digamos”, “vou te dizer”, “nem te conto” etc. O falantepode ainda recorrer a procedimentos fáticos para se assegurar de que o seu destinatáriorecebeu a mensagem corretamente, como o aumento da intensidade vocal, ou então dasretomadas ou reformulações. O receptor também se utiliza de sinais que servem paraconfirmar ao falante que acompanha o seu discurso comunicativo. Um franzir desobrancelhas, sorriso, ligeira mudança de postura, recursos vocais (“humm”, “anram”), ouverbais (“sim”, “certo”), são denominados reguladores, e servem para nortear o falante de quea mensagem está sendo captada e compreendida. A conversação é uma atividade prioritariamente humana, pois envolve o intercâmbiode signos específicos que, acima de tudo, estão repletos de subjetividade. Os animais tambémse comunicam, mas, neste caso, de maneira estritamente objetiva, a partir de uma interação deestímulo-resposta que já está pré-determinada. Já no que se refere ao ser humano, se todacomunicação envolve signos com significados específicos previamente acordados, o sentidodepende, em última instância, da interpretação que o receptor fará destes signos (BAHKTIN,2003). Um discurso ou conversação é carregado de influências culturais e carrega nossímbolos e signos desde características gestuais e de entonação até aspectos linguísticos quecaracterizam esta influência. De acordo com Marcuschi (2005, apud ARTAXERXES, 2011),para que a interação possa ser caracterizada como face-a-face, basicamente é preciso quecontenha as seguintes características: a) que ocorra entre pelo menos dois falantes; b) que hajapelo menos uma troca de interlocutores; c) que exista uma sequência de ações coordenadas; d) 17
  19. 19. que uma identidade temporal seja executada; e) que o envolvimento se dê numa “interaçãocentrada”. Estas características nos permitem compreender que a interação face-a-face acontecequando os participantes estão presentes e compartilham da mesma referência espacial etemporal, o que geralmente implica um fluxo de informações em que receptor e produtorintercambiam papeis e que os símbolos e gestos são essenciais para orientar a compreensão damensagem.2.2. Interação mediada Segundo Thompson (2011, p.121), para ser considerada mediada, toda e qualquerinteração necessariamente implica o uso de um meio técnico (papel, fios elétricos, ondaseletromagnéticas etc.) que transmitam a informação e o conteúdo simbólico específico paraindivíduos situados remotamente no espaço, no tempo, ou em ambos. Neste caso, este tipo deinteração acaba estendendo-se de maneira muito flexível no espaço e no tempo, o que a fazdiferir bastante do caráter presencial e momentâneo da interação face-a-face e extrapolá-la. Características Interativas Interação Face a face Interação mediada Contexto de co-presença; sistema Separação dos contextos, Espaço-tempo referencial espaço-temporal disponibilidade estendida no comum tempo e espaço Limitação das possibilidades dePossibilidade de deixas simbólicas Muliplicidade de deixas simbólicas deixas simbólicas Orientação da atividade Orientada para outros específicos Orientada para outros específicos 18
  20. 20. Dialógica/ Monológica Dialógica Dialógica (Tabela 1: características das interações – THOMPSON, 2011, p. 123). Ou seja, na interação mediada é preciso, além da participação dos interlocutores, apresença de uma mídia que transportará a mensagem para os personagens que compartilhamdo diálogo. Uma das características inerentes à interação mediada é a possibilidade dedifundir a informação para indivíduos que não compartilham do mesmo referencial geográficoou temporal do emissor. Para que a mensagem seja claramente entendida, é imprescindívelque esta contenha informações, como localização e data, por exemplo. A interação face-a-facepermite uma interpretação subjetiva do discurso, já que existe todo um contexto cultural,simbólico e gestual dos participantes; já na comunicação mediada, a subjetividade podeimplicar uma lacuna ou má interpretação da informação. Interações mediadas também implicam um certo estreitamento na possibilidade de deixas simbólicas disponíveis aos participantes. A comunicação por meio de carta, por exemplo, priva os participantes de deixas associadas à presença física (gestos, expressões faciais, entonação, etc.), enquanto outras dicas simbólicas (associadas à escrita) são acentuadas. Similarmente, a comunicação por meio do telefone priva os participantes das deixas visuais associadas à interação face a face, preservando e acentuando as deixas orais. Ao estreitar o leque de deixas simbólicas, as interações mediadas fornecem aos participantes poucos dispositivos simbólicos para a redução da ambiguidade na comunicação. Por isso as interações mediadas têm um caráter mais aberto do que as interações face a face. Estreitando as possibilidades de deixas simbólicas, os indivíduos têm que se valer de seus próprios recursos para interpretas as mensagens transmitidas (THOMPSON, 2011, p. 121). A interação mediada através de mídias populares, como rádio, televisão e cinema 4, sãoidentificadas como unidimensionais, pois a informação segue somente uma direção, não háinteração entre quem emite e quem recebe o discurso. É nas décadas de 20 e 30, com otelefone, portanto, que se inicia uma nova discussão acerca de interatividade. Interatividade4 Estes aparatos tecnológicos são considerados ferramentas cuja capacidade midiática é de quase-interação, porterem perfil monológico e pelo fato de sua produção ser direcionada para um número indefinido de receptorespotenciais. Elas não possuem o grau de reciprocidade interpessoal de outras formas de interação, mas ligam osindivíduos num processo de comunicação e intercâmbio simbólicos (Thompson, 2011). 19
  21. 21. esta que, enquanto desde os primórdios era responsável pela perpetuação de rituais culturais,passa, a partir da chegada das novas mídias, mais simultâneas e dinâmicas, a contribuir comas transformações sociais e a influir diretamente na forma com que o homem se coloca e sepercebe nesse contexto.2.3. Interação mediada por computador A Internet representa, nos dias de hoje, o maior sistema de comunicação desenvolvidopelo homem. Ela integra o mundo em uma rede global de ferramentas de produção e difusãode informação. Para Thompson (2011), o desenvolvimento de vários tipos de meioseletrônicos nos séculos XIX e XX substituiu as interações face a face por formas de interaçãoe quase-interação mediadas. Na verdade, mesmo diante de um ambiente comum, ocompartilhamento de informações acontece em proporção crescente em contextos deinteração mediada mais do que em face a face. A interação mediada por computador através da internet se estende no espaço e tempo.Ela possibilita a desterritorialização da conversação, reforça o potencial intercultural dacomunicação e permite a formação e manutenção de comunidades globais. É preciso observarque, por receber o intermédio de uma máquina que depende de fatores tecnológicos e deinfraestrutura, este padrão de interação também está sujeito ao tempo de processamento evelocidade de resposta da máquina. No entanto, como a proposta deste trabalho é ir além dasespecificidades técnicas da máquina, ao focar especificamente no comportamento dosinterlocutores dentro deste cenário, desconsideraremos esses aspectos aqui. Quando se fala em “interatividade”, a referência imediata é sobre o potencial multimídia do computador e de suas capacidades de programação e automatização de processos. Mas ao estudar-se a interação mediada por computador em contextos que vão além da mera transmissão de informações (como educação a distância), tais discussões tecnicistas são insuficientes. Reduzir a interação a aspectos meramente tecnológicos, em qualquer situação interativa, é desprezar a complexidade do processo de interação mediada. É fechar os olhos para o que há além do computador. Seria 20
  22. 22. como tentar jogar futebol olhando apenas para a bola, ou seja, é preciso que se estude não apenas a interação com o computador, mas também a interação através da máquina. (PRIMO, 2007, p.30). Ainda sobre o mesmo tema, Lévy (1999) afirma que, enquanto anteriormente ainformática voltava suas atenções mais que nada para as máquinas – programas e hardwares –, atualmente os esforços contemporâneos giram em torno de desconstruir o computador embenefício de um espaço de comunicação navegável e transparente, centrado na informação. A evolução das máquinas para uma programação independente descomplicou o uso docomputador e possibilitou o foco no espaço virtual de trabalho e de comunicação,funcionando de forma independente de seus suportes. Isto possibilitou ao homem uma maiorliberdade para reproduzir ou recriar padrões de interação neste novo universo digital. O computador não é mais um centro, e sim um nó, um terminal, um componente da rede universal calculante. Suas funções pulverizadas infiltram cada elemento do tecno- cosmos. No limite, há apenas um único computador, mas é impossível traçar seus limites, definir seu contorno. É um computador cujo centro está em toda a parte e a circunferência em lugar algum, um computador hipertextual, disperso, vivo, fervilhante, inacabado: o ciberespaço em si (LÉVY, 1999, p.44). Depois de compreendidos os padrões básicos de funcionamento da máquina, oindivíduo está apto a operar o computador, e através dele buscar as informações que lheinteressam, partilhar conteúdos, e conectar-se a outras pessoas. Passa a ser, assim, participantede um processo de interação mediada por computador. Para Lippman (apud PRIMO, 2011,p.46), um sistema pode ser considerado interativo quando as seguintes propriedades estãopresentes: interruptabilidade, granulidade, degradação graciosa, previsão limitada e nãodefault. Interruptabilidade: é a capacidade de cada um dos participantes interromper oprocesso. “Cada participante deve ter a possibilidade de atuar quando bem entender [...]Porém, a interruptabilidade deve ser mais inteligente do que simplesmente trancar o fluxo de 21
  23. 23. uma troca de informações” (LIPPMAN, apud PRIMO, 2011, p.31). Granulidade: refere-se aomenor elemento após o qual se pode interromper. Em uma conversa, poderia ser uma frase,uma palavra (“um-hum”, “já respondo sua pergunta”); no cinema, poderia ser uma cena, umplano. É preciso levar em conta estas circunstâncias para que o “usuário” não creia que osistema interativo usado tenha “travado”. Degradação graciosa: ocorre quando o sistema nãotem a resposta para uma indagação. Nesta circunstância deve ser dada aos participantes apossibilidade de saber quando e como podem obter a resposta que não está disponível naquelemomento. Previsão limitada: não é preciso prever todas as instâncias possíveis de ocorrência,de modo que, se algum imprevisto ocorrer na interação, o sistema ainda tem condições deresponder. Não default: o sistema não deve forçar uma direção a ser seguida pelos seusparticipantes, e é a inexistência de um padrão pré-determinado que dá liberdade aosparticipantes. De acordo com Primo (2011), a proposição de Lippman pode ser considerada comouma busca pela sofisticação dos sistemas informáticos. Mas o que sugere é uma simulação decertas características da interação humana enquanto dissimula as deficiências da máquina.Para Thompson (2011), o desenvolvimento dos meios de comunicação não somente criounovas formas de interação, mas também fez surgir novos tipos de ação que têm qualidades econsequências bem distintas. A característica mais geral destes novos tipos de ação é que elessão responsivos e orientados a ações ou pessoas que se situam em contextos espaciais (etalvez temporais) remotos. Em outras palavras, o desenvolvimento dos meios de comunicaçãofez surgir novos tipos de “ação à distância” que se tornaram cada vez mais comuns no mundomoderno. Ou seja, a comunicação mediada por computador ofereceu novas possibilidades deinteração. Se, por um lado, perde-se um pouco da espontaneidade da resposta e dos gestos que 22
  24. 24. complementam o diálogo, por outro, o diálogo mediado pelo computador reinventou algunsdestes gestos através de caracteres e símbolos, como emoticons5, gifs 6 etc. O diálogo mediadopor computador também permitiu que os participantes ponderassem antes de se expressar, deconstruir os argumentos ou de mostrarem seus perfis verdadeiros. Muitos interlocutores,diante da flexibilidade e ludicidade do universo digital, recriaram seus perfis paraimpressionar os demais integrantes da rede, sempre numa tentativa de atender às própriasexpectativas. Segundo Graeml (2004), Castells (1999) também analisa o impacto que estasmudanças de comportamento trazem para a nossa cultura, como o fato de uma pessoa se sentirmais a vontade mandando um e-mail anônimo do que conversando sobre o mesmo assuntopessoalmente. Para aqueles que possuem baixa autoestima ou têm dificuldade em seexpressar, por exemplo, há um estímulo adicional para se desenvolver uma identidade onlinedistinta da que se possui no mundo real. Para Lévy (1999), os chats dão margem a umarelação de desvinculação com a verdade, ou mesmo de alienação social e cultural. A própriaPsicologia Corporal mostra que os indivíduos estão deixando de lado seus traços de caráteroral, que lhes permitiam manter o contato com colegas, familiares e se relacionar socialmente(LOWEN, 1987), para estarem cada vez mais esquizóides 7 ou núcleo psicóticas (NAVARRO,1995), buscando o afastamento social, dando margem à fantasia e preconizando a razão nolugar do afeto, o virtual no lugar do real, o computador no lugar da presença física. Embora a tecnologia também tenha permitido o agrupamento de diversos recursoscomunicacionais como sons, imagens, textos, numa tentativa de reproduzir característicaspresenciais e favorecer a interação e o retorno imediato de interlocutores que se encontram em5 Emoticon – emotion (“emoção”) + icon (“ícone”) – são caracteres tipográficos que traduzem o estado emotivode quem os aplica. Ex: =) ;) :(6 Gif:: formato de imagem que tanto pode ser usado de forma estática, ou de forma animada.7 Trata-se de um transtorno de personalidade em que o indivíduo apresenta pouco interesse nas relações sociais enormalmente tende à introspecção e ao isolamento. 23
  25. 25. territórios distintos, muitos creditam à tecnologia o enfraquecimento das relaçõesinterpessoais, o distanciamento e o isolamento dos indivíduos que a utilizam. Em uma palestra realizada no TED Talks 20128 “Connected, but alone?”(“Conectados, porém solitários?”), Sherry Turkle apresenta dados de sua pesquisa comcentenas de indivíduos que passam uma parte significativa de seus dias digitalmenteconectados, o que a leva a afirmar que esse tipo de conexão não só transforma o que o que éfeito, mas também transforma aquilo que se é, o indivíduo em sua essência. Momentoscompartilhados, seja em uma reunião de trabalho, em um jantar com amigos ou café da manhãcom a família podem ter que dividir atenções com ferramentas tecnológicas e com o acesso àinternet 24 horas por dia, esta sempre disponível seja através de aparelhos celulares,computadores portáteis e tablets. A pesquisadora conclui, portanto, em sua tese, que apesar dea interação mediada e os avanços tecnológicos poderem oferecer possibilidades de evoluçãona ciência e medicina, muitas vezes eles acabam sendo empregados na sociedade cotidiana deforma leviana, o que só agrava a superficialidade das relações e priva os indivíduos decompartilhar momentos relevantes para a sua formação como cidadãos. Deste modo, é perceptível o caráter restritivo da interação mediada por computador.Ou seja, se por um lado ela possibilita a formação de aldeias globais que se concatenam nãomais por padrões regionais ou culturais, mas por ideias e motivações afins, por outro, criaverdadeiras vilas virtuais, onde os indivíduos passam mais tempo construindo seuspersonagens, socializando virtualmente e vivenciando etapas essenciais da vida apenas atravésdo que é reproduzido na tela do computador. Este padrão condiciona e limita a capacidade dos8 TED – “Tecnologia, Entretenimento e Design” – é uma fundação privada sem fins lucrativos dos EstadosUnidos que tem como objetivo a disseminação de ideias relevantes à sociedade, abordando temas como ciência,cultura, sustentabilidade etc. Os TED Talks tratam-se de ciclos de palestras que ocorrem anualmente em váriaspartes do mundo, por onde já passaram milhares de palestrantes e líderes em diversas áreas. Os registros dessaspalestras em vídeos são amplamente divulgados na internet e podem ser encontradas no site da fundação:http://www.ted.com/. 24
  26. 26. indivíduos, que, quando expostos a uma situação presencial inesperada que exija maiorsensibilidade ou inteligência emocional, acabam sendo submetidos a um grande stressprovocado pela dificuldade de tomar decisões, justamente pelo fato de não terem tidoanteriormente uma experiência semelhante em seu histórico. 25
  27. 27. III. A SOCIEDADE EM REDE3.1. O que é uma Rede? De acordo com Tanenbaum (apud SCARANO, p. 25, 2011), um conjunto decomputadores interconectados por uma tecnologia única pode ser considerado uma rede.Anteriormente, todas as necessidades eram sanadas por um único computador, porém, hoje asatividades são realizadas por um grande número de computadores separados, embora ligadosentre si. Uma rede de computadores pode ser de diversos tamanhos e ter capacidades deprocessamento distintas, tudo vai depender das demandas que precisa atender. A rede existe prioritariamente para atender à necessidade da troca de informaçõesentre os computadores, que, por sua vez, são motivados pelos usuários. Ou seja, não há narede a expressão de uma vontade própria: ela necessariamente atende à vontade de quem autiliza. De acordo com Afonso (2009, apud SCARANO, 2011, p.27), As redes são responsáveis pelo compartilhamento de ideias entre pessoas que possuem interesses e objetivos em comum e também valores a serem compartilhados. Assim, um grupo de discussão é composto por indivíduos que possuem identidades semelhantes. Neste caso, a tecnologia vem transformar a forma com que os indivíduos serelacionam, criam seus vínculos. Porém, antes de compreender como se deu a conexão e aorganização dos indivíduos através dos computadores, é preciso compreender como eles seorganizam em ruas relações face-a-face, pois é esta disposição que será reproduzida eadaptada para a rede de computadores.3.2. Rede Social (face a face) Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que o homem é necessariamente um sergregário, social. Deste modo, ainda nos primeiros passos do seu desenvolvimento, elepercebeu que a vida em grupo era não apenas mais prazerosa, mas também lhe ajudava a 26
  28. 28. reforçar sua segurança e a prolongar a sua sobrevivência, por conta das facilidadesproporcionadas por um grupo organizado a partir da lógica da divisão de tarefas. É a partir daformação desses grupos, portanto, que surgem os mais variados códigos para facilitar acomunicação entre os indivíduos, desde gestos e desenhos, até a própria língua e, em seguida,a sua representação escrita. Por conta dos naturais limites geográficos, cada grupo acabou construindointuitivamente seus códigos comunicacionais, uma linguagem que se atinha necessariamente àexperiência compartilhada por aquele grupo específico, e, assim, era passada para seusdescendentes através de desenhos, sons, gestos e toda a infinidade de detalhes que a interaçãoface-a-face permite. É a expansão dos grupos e conquista de novos territórios, por fim, quepossibilita a interação entre estas comunidades e a percepção das diferenças e dassemelhanças da comunicação desenvolvida. Nos dias atuais, os indivíduos continuam se agrupando, porém, cada vez maismotivados por afinidades e interesses em comum, ao invés de simplesmente por questões denecessidade. E como é possível identificar-se com os mais diversos assuntos e temas, nestecaso, uma pessoa pode fazer parte de diversas comunidades que, por sua vez, formam diversasredes sociais distintas. Assim como os agrupamentos primitivos, as redes sociais contemporâneas carregamem si a identidade geral e as características específicas desenvolvidas por aquele grupo, sejamessas redes comunidades que se reúnem para torcer pelo time favorito, para a prática dealguma atividade esportiva, ou mesmo para compartilhar dicas e receitas culinárias: cada umacarrega em si, necessariamente, as particularidades compartilhadas por aquele grupo depessoas. 27
  29. 29. E foi, enfim, com a internet, que cada indivíduo pôde dar vazão a seus interessesindependentemente da sua localização geográfica, por exemplo, o que tornou possívelencontrar mais facilmente informações diversas, das mais variadas origens, assim comopessoas das mais diferentes procedências geográficas e culturais. É também na internet,portanto, que a sociedade, através dos indivíduos que a compõem, reproduz seus hábitos ereplica agrupamentos para a discussão de temas e troca de experiências específicas, o que dáorigem às mais distintas redes sociais virtuais.3.3. Rede Social mediada As novas mídias transformaram a forma como a sociedade se comunica e se organiza.A internet, através dos computadores, concentrou o fluxo de informações que veio a provocar,por exemplo, a migração e a organização de grupos e comunidades que necessariamentedependiam do contato face a face para o ciberespaço, desde os encontros semanais nos clubesou às rodas de conversa em casas de amigos. Entretanto, antes de compreender ofuncionamento das redes sociais virtuais, é importante traçar um panorama da evolução dainternet, e suas respectivas consequências, a partir da superação do seu modelo inicial – a Web1.0 – para o seu formato atual, mais sofisticado, a chamada Web 2.0. 3.3.1. Web 2.0 A Internet abandona o seu modelo primário 1.0 e migra para o formato 2.0 a partir domomento em que deixa de ser percebida como uma mera rede que conecta computadores epassa a representar uma possibilidade significativamente maior de interação, além da maiorfacilidade de uso por parte dos internautas, que neste momento já não precisava mais detantos conhecimentos técnicos requeridos anteriormente. Para estar no topo da pirâmide 28
  30. 30. comunicacional e ser considerado um produtor de conteúdo, portanto, não era mais necessárioser um conhecedor da linguagem HTML e dos demais padrões técnicos de programação. Ou seja, na Web 2.0, as plataformas são muito mais simplificadas, de modo que o focose desloca para a produção, a interação e o compartilhamento acessível por parte de qualquerindivíduo com o mínimo de conhecimento de usabilidade, por exemplo. Deste modo, asferramentas passam a ter uma arquitetura mais intuitiva e de acesso muito mais simplificado.Dentro deste novo formato, portanto, a cultura e a informação que antes se restringiam aosespaços geograficamente compartilhados passaram também a ser disponibilizadasdigitalmente. Museus e bibliotecas, por exemplo, demonstraram interesse em colocar suasobras na rede para que estudantes e curiosos pudessem também vivenciar esta experiência. Apesar dos avanços tecnológicos, é importante mencionar que uma das maioresdiferenças entre as fases 1.0 e 2.0 é precisamente a forma com que os usuários passaram autilizar as ferramentas disponíveis. Para Blattmann e Silva (2007, apud SILVA, 2011), estefenômeno coloca a Internet como um novo ambiente capaz de entender, compartilhar,produzir e disseminar conhecimentos através do acesso e da organização de dados. Segundoos autores, a rede trata-se de um canal onde flui grande quantidade de práticas sociais,culturais, políticas e econômicas. Neste caso, além do armazenamento de informações, elapossibilita uma grande interação, assim como uma enorme geração e troca de conhecimento. Se anteriormente a rede era gerida predominantemente por sites e grandes portais que,de modo semelhante à mídia tradicional, expunham o conteúdo de forma estática num cenárioem que poucos produziam e os demais apenas recebiam e absorviam aquele conteúdo, a Web2.0 permite que o fluxo de produção seja extremamente amplo e descentralizado. Neste novoformato, a informação pode vir de qualquer parte, ser construída de forma colaborativa e,ainda assim, manter a sua consistência. 29
  31. 31. A Web 2.0 passa a ser considerada uma nova concepção, pois passa agora a ser descentralizada e na qual o sujeito torna-se um ser ativo e participante sobre a criação, seleção e troca de conteúdo postando em um determinado site por meio de plataformas abertas. Nesses ambientes, os arquivos ficam disponíveis on-line e podem ser acessados em qualquer lugar e momento, ou seja, não existe a necessidade de gravar em um determinado computador os registros de uma produção ou alteração na estrutura de um texto. As alterações são realizadas automaticamente na própria web (BLATTMANN e SILVA, 2007, p. 198, apud SILVA, 2011, p.16). Bressan (2008, apud SILVA, 2011) defende que a Web 2.0 representa uma segundageração de serviços que buscam, através de aplicativos e de novas tecnologias, reformular osconceitos, permitindo uma maior interatividade e uma grande colaboração na utilização dainternet. Foi neste cenário de livre manifestação proporcionado pela Web 2.0, portanto, que asRedes Sociais virtuais se popularizaram cada vez mais, tornando-se, assim, verdadeirosespaços de expressão e de organização dos usuários. 3.3.2. Rede Social virtual Recuero (2009), afirma que uma rede social é definida basicamente por atores econexões, sendo esses atores indivíduos, instituições, grupos ou nós, ou seja, pessoasenvolvidas na rede que se analisa. As conexões, por outro lado, seriam os laços sociaisformados a partir da interação dos atores, que podem ser percebidas através dos rastrosdeixados pelos interlocutores na web. “De certo modo, são as conexões o principal foco doestudo das redes sociais, pois, é sua variação que altera as estruturas destes grupos”(RECUERO, 2009, p. 30). Para compreender como se dão estas conexões, é preciso antes entender comofunciona a interação social no ciberespaço e quais os efeitos da mediação do computadorneste tipo de interação. Recuero (2009) avalia que, como não há pistas imediatas dalinguagem não verbal, por exemplo, a interpretação do contexto da interação é negociadadurante o próprio processo de comunicação. 30
  32. 32. É tudo construído pela mediação do computador. O segundo fator relevante é a influência das possibilidades de comunicação das ferramentas utilizadas pelos atores. Há multiplicidade de ferramentas que suportam essa interação e o fato de permitirem que a interação permaneça mesmo depois do ator estar desconectado do ciberespaço. Esse fato permite, por exemplo, o aparecimento de interações assíncronas (RECUERO, 2009, p. 32). Ou seja, a interação mediada se submete a diversos processos que variam de acordocom a ferramenta utilizada, de modo que ela pode ser ‘síncrona’ ou ‘assíncrona’. SegundoRecuero (2009, p.32), a interação síncrona é aquela que simula uma interação em tempo real.Isto é, trata-se das situações em que os agentes envolvidos têm uma expectativa de respostaimediata ou quase imediata, pelo fato de ambos interlocutores estarem presentes (online,através da mediação do computador) no mesmo momento temporal. Um exemplo deste casosão os mais diversos tipos de chat, como o Messenger, que naturalmente priorizam acomunicação síncrona. Já a interação assíncrona, não carrega uma expectativa de resposta imediata, já queespera-se que o agente leve algum tempo para responder ao que lhe foi escrito, pelo fatomesmo de ele não necessariamente se encontrar presente no momento temporal da interação,como como acontece com a comunicação via e-mail ou fóruns de discussão. Porém, apesardessas características gerais, cada ator é extremamente independente, e, assim, pode muitobem determinar e modificar as características das ferramentas, tornando-a síncrona ouassíncrona, a depender do seu uso. Algo semelhante acontece com a intensidade das relações estabelecidas nas redes, algoque pode ser identificado, por exemplo, através dos rastros deixados na web pelos própriosusuários, o que acaba por revelar a força dos laços construídos durante suas interações online.É preciso também mencionar que normalmente o que provoca uma interação virtual sãofatores bem semelhantes aos que motivam uma interação face a face, como o caráterresponsivo que estimula, define e conduz um diálogo. É assim que Fischer (1987, apud 31
  33. 33. PRIMO, 2007) afirma que uma pessoa não comunica, mas, sim, se engaja em um processo decomunicação. As ações de ambos os membros de um relacionamento, a comunicação interpessoal ou as interações, criam o que viemos chamar de relacionamento. No mesmo sentido que o cliché ‘É preciso duas pessoas para dançar tango’, um relacionamento não é algo que você ‘faz’, mas algo em que você entra, torna-se uma parte. Você, como um participante individual, não define mais o relacionamento que um pingo individual define toda uma tempestade. Você é apenas uma parte do sistema de comunicação interpessoal. Suas ações, juntamente com as ações coordenadas do outro, se combinam para definir o relacionamento (FISCHER, 1987, p. 8, apud PRIMO, 2007, p. 83). É este caráter responsivo que gere as relações e a intensidade dos laços que sãocriados, isto é, se serão fortes ou fracos, se vão durar muito tempo ou, inversamente, ter umcaráter passageiro. Segundo Nicolis & Prigogine (1989, apud RECUERO, 2009, p.80), osprocessos dinâmicos das redes são consequência direta dos processos de interação entre osatores. É assim que elas se estabelecem como são sistemas dinâmicos que, como tais, estãosujeitos a processos de ordem, caos, agregação, desagregação e ruptura, processos estes – deconstrução, ruptura, conflito e cooperação – que nortearão o surgimento de novos projetos,processos, grupos e redes. Seguindo o pensamento de Recuero (2009, p.82), pode-se afirmar que as relaçõessociais são constituídas de interações de natureza diversa. Porém, ainda com ela, adiferenciação torna-se importante na medida em que auxilia a compreender os efeitos dessasinterações sobre a estrutura de determinadas redes sociais. Não se pode, por exemplo, deduzirque não exista conflito em uma comunidade virtual. Mas, por outro lado, é preciso que secompreenda que, para que a própria estrutura da comunidade exista de modo satisfatório, amaioria das interações precisa ser cooperativa. É claro que de alguma forma o conflito e acompetição podem gerar as mais variadas mudanças, estimular a busca do equilíbrio e obrigarque a comunidade se adapte à nova realidade. Entretanto, se o conflito suplantar a cooperação,pode acarretar um desgaste tão forte a ponto de provocar uma ruptura na estrutura social. 32
  34. 34. A Internet pode ser um terreno fértil para a conexão de atores com ideias afins econstrução de projetos ricos em diversidade cultural e propostas inovadoras. Porém, é essemesmo campo livre de uma autoridade central que possibilita, por exemplo, a manifestaçãoanônima por parte dos usuários, o que permite muitas vezes a expressão de diversas formas dehostilidade, de egoísmo, ou até de comentários que não façam o menor sentido. Afinal, comoafirma Kollock (1999, apud PRIMO, 2007, p. 198), o conflito é próprio do humano, de modoque faz-se necessário frisar que comunicação não é sinônimo de transmissão inquestionávelnem de intercâmbio consensual. Antes de adentrar nos pormenores sobre o caráter positivo ou destrutivo dasmanifestações através das Redes Sociais virtuais, é importante retomar Recuero (2009) pararessaltar que, embora hospede atores com códigos e motivações semelhantes às quenaturalmente expressariam em qualquer ambiente, as Redes Sociais virtuais não são,necessariamente, Redes Sociais reais, apesar de poderem auxiliar na sua construção. Embora os sites de redes sociais atuem como suporte para as interações que constituirão as redes sociais, eles não são, por si, redes sociais. Eles podem apresentá- las, auxiliar a percebê-las, mas é importante salientar que são, em si, apenas sistemas. São os atores sociais, que utilizam essas redes, que constituem essas redes (RECUERO, 2009, p. 103). Ou seja, ao dizer que “são os atores sociais, que utilizam essas redes, que constituemessas redes”, a autora claramente reforça a ideia de que, apesar dos sites de redes sociaisserem lembrados ou referidos a partir das características de seus grupos, são os próprios atoresque as definem como tais, de modo que essas redes acabam sendo apenas sistemas quepublicam, tal qual uma vitrine ou um canal, as conexões construídas pelos usuários. Paraentender este panorama, por fim, é importante compreender o que caracterizam esses Sites deRedes Sociais e qual o seu papel. 33
  35. 35. 3.3.3. Sites de Redes Sociais Segundo Recuero (2009), Sites de Redes Sociais são os espaços utilizados para aexpressão das redes sociais na Internet. Compreendendo suas características a partir dadefinição de Boyd & Ellison (2007, apud RECUERO, 2009, p.102), pode-se dizer que essessites, em termos gerais, são sistemas que permitem a construção de uma persona através deum perfil ou página pessoal, da mesma forma que possibilitam a interação através decomentários e a exposição pública da rede social de cada ator. Recuero (2009, p.104) identifica que existem dois tipos de Sites de Redes Sociais: os‘estruturados’ e os ‘apropriados’. Os estruturados são aqueles que têm, desde o seuplanejamento e processo de construção, a intenção de expor, publicizar as redes conectadasaos atores. É o caso do Orkut, Facebook, Linkedin etc., sistemas que possuem perfis e espaçosespecíficos para a publicização da conexão dos indivíduos. Em geral, estes sites estão focadosem ampliar e complexificar as redes. Já os sites apropriados, por outro lado, tratam-se dossistemas que, originalmente, não eram voltados para mostrar redes sociais, mas acabaram porser utilizados pelos atores com esta finalidade. É o caso, por exemplo, de fotologs, weblogs,Twitter etc. Nestes sistemas, portanto, não há espaço específico para perfil e para publicizaçãodas conexões, já que os perfis são criados a partir dos espaços pessoais, das fotos e dos textospublicados pelo ator. Apesar das semelhanças fundamentais, o que os sites apropriados e os estruturadostêm em comum e permite qualificar a ambos como redes sociais na Internet é a possibilidadede difusão e o alcance da informação através dos atores e de suas conexões. Segundo Recuero(2009, p.116), foi esta difusão rápida e interativa, por exemplo, que incentivou a criação denovos canais, de novas ferramentas de publicação pessoal de imagens, textos e até vídeos. 34
  36. 36. É fácil perceber o potencial das redes sociais na Internet quando se observa a difusãode uma informação nas mídias off-line em contraponto às mídias digitais, na medida em que apossibilidade de compartilhamento, de manifestações as mais diversas, sem falar do próprioalcance ilimitado, é claramente maior do que o proporcionado pelas mídias off-line. Alémdisso, é preciso compreender também que as informações expostas na Internet são oriundasdo cotidiano real dos indivíduos. ...é preciso compreender que estudar redes sociais na Internet é estudar uma possível rede social que exista na vida concreta de um indivíduo, que apenas utiliza a comunicação mediada por computador para manter ou criar novos laços. Não se pode reduzir a interação unicamente ao ciberespaço, ou ao meio de interação. A comunicação mediada por computador corresponde a uma forma prática e muito utilizada para estabelecer laços sociais, mas isso não quer dizer necessariamente que tais laços sejam unicamente mantidos no ciberespaço (RECUERO, 2009, p. 144). A Internet, através da comunicação mediada e dos Sites de Redes Sociais, possibilitouuma nova forma de organização social, de compartilhamento de informação e de produção deconteúdo descentralizada. Por isso, é primordial conhecer um pouco mais sobre asferramentas que desencadearam este processo. O caso do objeto de estudo deste trabalho, porexemplo, o site de rede social Couchsurfing, pode ser considerado como um de modeloestruturado, pois ele já nasce com a intenção de conectar usuários com interesses em comum edispostos a publicizar suas conexões através das referências e dos diálogos construídos nosfóruns. Só que, de modo um tanto distinto das outras redes sociais, esta plataforma específicaacaba tendo também um grande impacto da experiência off-line dos usuários, como serádetalhado logo em seguida. 35
  37. 37. IV. COUCHSURFING4.1. Couchsurfing, um breve histórico e panorama A rede Couchsurfing9 (CS) é uma organização sem fins lucrativos que se propõe aconectar viajantes de todo o mundo a moradores locais e à cultura que visitam. O processo deser acolhido por um anfitrião local de forma gratuita qualifica uma experiência cuja moeda detroca é o intercâmbio cultural, o compartilhamento de vivências e o aprendizado de algo novo. O site que conta hoje com mais de um milhão de membros – número ultrapassado em 18 de março de 2009 – foi idealizado pelo americano Casey Fenton, a partir de uma viagem feita por este a Islândia, quando sem hospedagem e em busca de uma experiência distinta do perfil de turista padrão, mandou e-mails para mais de 1500 estudantes locais, atingindo a hospitalidade de diversos grupos dispostos a apresentar a Reykjavik deles. (STERN, 2009, p. 15). Presente em mais de 230 países, o projeto teve sua versão beta lançada em 2003, e, umano depois, sua versão 1.0 foi divulgada. Hospedado no site www.couchsurfing.org, o projetofoi fundado pelos americanos Casey Fenton e Daniel Hoffer, além do francês Sebastien LeTuan e o brasileiro Leonardo Bassani da Silveira. Hoje, a rede conta com mais de 1,7 milhãode usuários, e embora possua um corpo de funcionários remunerados, é mantidaprincipalmente por meio da colaboração de voluntários. De acordo com Stern (2009), outro momento relevante na história do Couchsurfing, eque reforça a forma com que os usuários se envolvem com o projeto, deu-se no ano de 2006,quando devido a falhas no seu sistema operacional o site saiu do ar e teve uma perdadefinitiva de boa parte do seu banco de dados. Foi assim que Casey, um dos fundadores,comunicou que o projeto, da forma como era conhecido, havia terminado, o que gerou umaonda de apoio por parte de seus usuários, que enviaram mais de 2 mil e-mails em 24 horas9 O termo Couchsurfing representa a junção das palavras em inglês couch e surf, que significam,respectivamente, ‘sofá’ e ‘surfar’, o que remete à ideia geral ‘surfar no sofá’. Já a expressão específicacoucsurfing, por fim, refere-se ao ato de ‘surfar no sofá’ de alguém. 36
  38. 38. oferecendo-se para ajudar na reconstrução do projeto. Por conta deste apoio, portanto, o sitefoi reformulado, e sua versão 2.0, que é usada até hoje, foi lançada. Em 2011 o Couchsurfing viria se tornar uma corporação B10. Conforme informado no próprio site, ‘Nos tornamos uma Corporação B* porque isso nos fornece o apoio para nossa missão que esperávamos encontrar no terceiro setor, enquanto nos permite que tenhamos a liberdade para inovação que as empresas tradicionais que visam o lucro desfrutam (trad. TURBIANI, 2011, p.41). Atualmente, o alcance da rede Couchsurfing pode ser percebido através das estatísticasacessíveis no próprio site. Até o dia 31 de novembro de 2012, foram contabilizados 4,8milhões de couchsurfers (forma que os usuários desta rede se denominam), de modo aconectar 93.355 cidades e 207 países. Até esse momento, cerca de 15,3 milhões de laçosforam criados, e milhares de experiências, divididas. E, no geral, é essa própria troca de experiências que mais motiva veteranos e novosparticipantes a ingressarem no site. A verdade é que há diversas formas de participar doprojeto, seja surfando o sofá de alguém, hospedando, ou mesmo criando um evento, porém, acaracterística geral que as une é o fato de todas terem em comum o compartilhamento, desdeos espaços divididos, o tempo ou do conhecimento de cada um, o que, quando passadoadiante, conecta novas pessoas e alimenta os laços já criados. A questão da construção ou reconstrução do laço social é especialmente sensível ao momento em que grupos humanos implodem, cancerizam-se, perdem seus pontos de referência e veem suas identidades se desagregar. [...] Basear o laço social na relação com o saber consiste em encorajar a extensão de uma civilidade desterritorializada, que coincide com a fonte contemporânea da força, ao mesmo tempo em que passa pelo mais íntimo das subjetividades (LÉVY, 1994, p. 27). Por ser um projeto multicultural que abrange diversas nacionalidades, o inglês é alíngua padrão usada para conectar os couchsurfers. Como nas demais redes sociais, osusuários desta rede também possuem um vocabulário e códigos próprios. Por exemplo, o10 “Corporação B é um novo tipo de empresa que usa a força dos negócios para resolver problemas sociais eambientais.” Tradução de Turbiani (2011, p.41), retirado de www.bcorporation.net/about. 37
  39. 39. termo couch (‘sofá’) para um couchsurfer significa hospedagem, local oferecido pelo host(‘anfitrião’) onde o guest (‘visitante’) possa se acomodar, que, neste caso, não precisanecessariamente ser no próprio sofá. Depois de ingressar no CS, o que é feito de forma gratuita, o usuário deve preencher operfil com suas informações pessoais, como localização, formação/educação, além de umaimagem que o represente. Na sequência, seguem campos que requisitam uma descriçãopessoal, idade, sexo, nome, interesses pessoais – música, filmes e livros –, a forma comoparticipa ou colabora com o CS, com que tipo de pessoa costuma ter afinidade, locais que jáviajou e que lugares gostaria de conhecer. Essas informações permitem que os usuáriosconheçam mais uns aos outros, o que de certa forma reduz a insegurança diante odesconhecido e permite a identificação entre pessoas que nunca se viram, fortalecendo, assim,o próprio conceito da rede, de que todos podem ter sempre algo em comum e coisas apartilhar. (Figura 1: Tela inicial do Couchsurfing11)11 Acesso em 20 Nov. 2012. Disponível em www.couchsurfing.org. 38
  40. 40. Em termos gerais, recomenda-se que o viajante leia todo o perfil do usuário quepossivelmente poderá hospedá-lo de modo a tentar encontrar pessoas com interesses emcomum. Depois disto, deve enviar um request, ou seja, um pedido de hospedagem, onde deveconstar o motivo da sua viagem, o que o estimulou a escolher aquele host em particular, etambém quantos dias pretende permanecer hospedado. De maneira semelhante a outras redes, como Orkut e Mercado Livre, o CS tambémpossui métodos próprios de avaliação ou de qualificação dos usuários. O voucher12(representado pelas mãos dadas na figura 2), por exemplo, é uma dessas formas dequalificação, uma maneira de atestar que aquela pessoa é de confiança e por isto, mereceu seuvoto. O CS Team Member 13 (representado pelo ícone com o planeta ao centro) é alguém queparticipa e contribui diretamente com o funcionamento do CS, de modo que geralmente estáapto a tirar dúvidas e a solucionar problemas técnicos referentes ao desempenho do site. OAmbassor (‘embaixador’) é uma pessoa que se torna referência na comunidade e é convidadopela organização do site para executar diversas atividades específicas, como dar boas vindas anovos integrantes, organizar eventos, tirar dúvidas gerais etc. Pioneer14 (representado nafigura 2 por um sofá e uma estrela) é o título concedido aos membros que acreditaram noprojeto desde a sua fase inicial e que decidiram, voluntariamente, fazer doações financeiraspara ajudá-lo a funcionar.12 O termo significa literalmente ‘atestado’, ‘certificado’ (de confiança).13 Literalmente, ‘Membro da Equipe do Coucsurfing’.14 Literalmente, ‘pioneiro’. 39
  41. 41. (Figura 2: ícones de identificação e qualificação dos usuários 15) Em termos gerais, há diversas formas de participar da rede: hospedando, surfando, oucriando ou comparecendo a meetings (eventos), por exemplo. A maioria destas característicasestá expressa no perfil do usuário, sempre representadas por ícones específicos que sinalizamse uma determinada pessoa está disposta a hospedar, apenar surfar, ou se se disponibiliza paramostrar a cidade, acompanhar a um café etc. Os símbolos representados por sofás, porexemplo, informam a disponibilidade daquele usuário: ‘sim’, ‘talvez’, ‘estou viajando’, ‘nomomento não posso, mas aceito mostrar a cidade’. Outras características, como quantos equais idiomas fala e compreende, além da galeria de fotos, também colaboram no momentode selecionar um possível couch ou host. (Figura 3: disponibilidade do couch) Ademais, o usuário é incentivado também a disponibilizar imagens acompanhadas deum descritivo do local onde a pessoa será hospedada, como pontos de referência específicosda casa do host, se trata-se de um ambiente compartilhado, se o guest terá que dividir o15 Figura 2 e Figura 3 retiradas do site www.couchsurfing.org 40
  42. 42. alojamento com outras pessoas, tudo isso para evitar frustrações e fazer com que a experiênciaseja o mais positiva possível. Por se tratar de uma rede que motiva desconhecidos a se encontrarem e dividirem umespaço íntimo em suas próprias casas, a questão da segurança é comumente levantada, demodo que dentro do site há uma área dedicada somente a este tema. Desta forma, assim comoem outras comunidades que permitem que pessoas deixem depoimentos pessoais, a exemplodo Orkut, ou aquelas onde é possível deixar recomendações e avaliar o serviço entre negativo,positivo e neutro, como o Mercado Livre, o Couchsurfing também desenvolveu seu própriométodo de segurança. Além do já citado voucher, existe também a possibilidade deverificação do endereço fornecido pelo usuário, assim como as próprias referências, que, umavez postadas, não podem ser deletadas. De modo semelhante ao Mercado Livre, essesdepoimentos servem justamente para qualificar a experiência entre os usuários em positiva,negativa ou neutra, o que permite a divulgação de informações gerais sobre o que foicompartilhado em cada vivência. 41
  43. 43. (Figura 4: referências trocadas entre usuários16)4.2. CS no Mundo De acordo com informações do próprio site, em um dos grandes momentos de pico doprojeto, chegou-se a alcançar, nesse período determinado, um mínimo de 15,5 mil inscriçõessemanais e um máximo de 32.451. Assim, como já dito, o CS abrange atualmenteparticipantes de 207 países, engloba 366 línguas distintas, o que dá ao site a ‘honra’ de16 As referências costumam, independente da nacionalidade dos envolvidos, ser postadas em inglês para seracessível a maior número de usuários possível. Figura retirada do site www.couchsurfing.org 42
  44. 44. ‘abrigar’ mais países do que na própria ONU17, que conta com 193 nações membros. Emtermos geográficos, os Estados Unidos concentram o maior número de couchsurfers (21,1 %),e é seguido por Alemanha (9,5%), França (8,6%), Canadá (4,3%), Inglaterra (4,0%), Espanha(3,1%), Itália (3,1%), Brasil (2,7%), Austrália (2,6%) e China (2,2%). (Figura 5: Ranking contendo número do de usuários do CS por país18) Entre os 366 idiomas que circulam pelo site, o inglês, naturalmente, é a língua maisfalada, abrangendo quase 3 milhões de participantes, e seguida do francês (736.379) e oespanhol (688.271) – como é comum que os usuários desta rede falem mais de um idioma, asoma dos percentuais ultrapassa os 100%. Além disto, o site está disponível em 32 línguasdiferentes, possibilitando, assim, àqueles que não falam inglês, a participação na comunidadeatravés da sua língua materna ou qualquer outra de sua escolha.17 Dados retirados do site da ONU, em 31/10/2012 http://www.onu.org.br/conheca-a-onu/paises-membros/.18 Figura retirada do site: www.couchsurfing.org 43
  45. 45. (Figura 6: Línguas faladas no CS19) No que se refere ao gênero dos participantes, 53% são homens e 47% são mulheres.Destes, 46% disponibilizam seus couchs, 69% estão disponíveis para um café ou outraatividade, 21% registram estar viajando no momento, 14,1% talvez possam hospedar, e 11,9%não têm condições de fazê-lo. É interessante observar, como mostram bem esses dados, queatualmente a maior forma de participação dos usuários se dá através de encontros mais breves,como em um café, em algum evento específico, ou por meio da disponibilidade de sair paramostrar a cidade. Porém, como esses dados são atualizados constantemente, o panorama mudabastante o tempo inteiro, de modo que não é possível chegar a conclusões decisivas a esterespeito. Quanto à faixa etária dos participantes, a média de idade declarada pelos cadastrados éde 28 anos. E se antes a categoria que engloba os couchsurfers 18 a 24 anos liderava oranking de usuários, hoje a faixa de 25 a 29 anos já a superou – os números atuais são 32,9%e 36,7%, respectivamente. Os participantes de 30 a 34 anos somam 15%, os de 35 a 39 anoschegam a 6%, os de 40 a 49 anos correspondem a 5%, os de 50 a 59 anos somam 2%, e os19 Figura 6 retirada do site: www.couchsurfing.org 44
  46. 46. que estão acima dos 60 anos não passam de 0,9%. Apesar de se tratar de um número poucoexpressivo, em junho 2010 foram contabilizados 342 usuários entre 80 e 89 anos ao redor domundo (Dutra, 2010, p. 37). Destes, 58,6% possuíam foto, 6,9% tinham vouching e 6,5%eram verificados pelo site.4.3. Couchsurfing Brasil O brasileiro começou a se interessar pelo Couchsurfing no mesmo ano do seulançamento – 2003. Apesar de ter tido uma manifestação tímida no início, com o registro deapenas algumas dezenas de usuários, hoje esta rede tem um crescimento expressivo entre osbrasileiros. De acordo com Turbiani (2011), o total de pessoas cadastradas que residiam noBrasil chegava a 9 mil em 201120, o que, na verdade, não garante que sejam todos brasileiros,já que o registro é feito pelo país de residência, e não necessariamente por nacionalidade. Ainda de acordo com Turbiani (2011), foram encontrados couchsurfers no Brasil em28 Estados, 1.521 cidades e que falavam 239 idiomas diferentes. Depois do português, com92%, as línguas mais faladas são, respectivamente, o inglês (51,8%), o espanhol (25,7%), ofrancês (6,9%) e o italiano (3,7%).20 Anteriormente, era possível identificar dados atualizados dos usuários por região, idade, sexo, disponibilidadeetc., porém, o site suspendeu a disponibilização dos dados detalhados. Deste modo, foi preciso recorrer apesquisas anteriores, que, apesar de não trazerem dados recentes, servem, em termos gerais, para traçar umpanorama de como se comporta o couchsurfer do Brasil em relação aos demais integrantes do mundo. Pra estepropósito, além de Turbiani (2011), utilizamos também Stern (2009). 45
  47. 47. (Tabela 2: Idiomas mais frequentes falados pelos CSers brasileiros 21) Seguindo esses mesmos dados, à época, 32,9% se declararam disponíveis a recebersurfers, 32,4% acompanhariam em um café ou bebida e 8% não se disponibilizavam ahospedar. (Tabela 3: Disponibilidade dos usuários no CS Brasil)21 Dados que compõem a Tabela 2 e 3 retirados de Turbiani (2011). 46
  48. 48. Dentre os residentes no Brasil ativos no projeto, 55,9% são homens e 40,1% sãomulheres; além disso, 3,9% dos perfis são formados por mais de uma pessoa (casais ougrupos específicos) e 0,2% não declararam seu gênero. (Tabela 4: Perfil do gênero dos Csers brasileiros) A média de idade dos surfers brasileiros coincide com a média mundial, que é de 28anos: 36% têm entre 18 a 24 anos, 34,7% têm entre 25 a 29 anos e 16% têm entre 30 a 34anos. Os que se encontram entre os 35 e os 39 anos correspondem a 6%, os de 40 a 49formam 4,7% do total e os que formam o grupo de 50 a 59 anos chegam a 1,7%. Por fim, osusuários de 60 a 69 anos não passam dos 0,4%, e menos de 1% está acima dos 70 anos. 47
  49. 49. (Tabela 5: Média de idade entre os CSers brasileiros) Naturalmente, a maior atividade dos couchsurfers está nas capitais, sendo São Paulo aprincipal delas, com quase 20% do total dos participantes brasileiros. Na sequência está o Riode Janeiro, com 13,2%, Belo Horizonte, com 5,1%, Curitiba, com 4,1%, Brasília, com 4,1%,Porto Alegre, com 4%, Salvador, com 3,6%, Florianópolis, com 3,2%, Recife, com 2,4% eCampinas, com 2,2%. (Tabela 6: Cidades brasileiras presentes no Couchsurfing) 48
  50. 50. 4.4. Couchsurfing Sergipe e Aracaju No sistema de busca disponibilizado atualmente22 pelo site foram encontrados 360integrantes residentes em Sergipe, sendo 321 (89,17%) de Aracaju. Destes, 225 (62,5%) sãohomens,132 (36,7%) são mulheres, e apenas 3 (0,8%) dividem o perfil com outras pessoas. (Tabela 7: Gênero dos usuários encontrados no Couchsurfing em Sergipe) Quanto à faixa etária, 73 (20,3%) couchsurfers sergipanos têm entre 18 A 24 anos,167 (46,3%) têm de 25 a 30 anos, e 64 (17,8%) têm de 30 a 36 anos – outros 56 inscritos(15,6%) não tiveram sua idade declarada.22 Dados obtidos em novembro de 2012 através de uma busca por cidade feita no próprio site. 49
  51. 51. (Tabela 8: Média da idade dos Couchsurfers de Sergipe) O Grupo Aracaju-SE foi criado em 07 de Agosto de 2008, e é o mais expressivo doEstado, contando com 700 membros, que, na verdade, não são necessariamente couchsurfersresidentes de Aracaju, podem ser residentes de outros estados que participem do grupoAracaju-Se. Em 04 anos de existência, o grupo possui 13.559.983 posts, e seu caráter públiconão demanda aprovação para que novas pessoas ingressem a comunidade. É aqui, portanto,que chega-se ao foco específico deste estudo: a experiência de alguns usuários pertencentes aogrupo Aracaju-SE. 50
  52. 52. 5- O RESGATE DA INTERAÇÃO FACE A FACE INTERMEDIADO PELA REDESOCIAL COUCHSURFING Serão apresentados neste capítulo os procedimentos metodológicos e os resultadosobtidos através da pesquisa realizada.5.1- Procedimentos metodológicos Para verificar como o site de rede social Couchsurfing influencia no resgate dospadrões de interação face a face, objetivo deste trabalho, foi preciso se aprofundar emdiversos conceitos. Também foram utilizados procedimentos metodológicos que permitiramobter as respostas para os questionamentos levantados pela discussão teórica. Inicialmente, foifeita uma pesquisa de caráter exploratório, onde foi realizada a revisão de literatura, quecompreende o levantamento e análise de dados bibliográficos, tais como livros, artigos emonografias disponíveis nas bibliotecas da Unit, além de artigos, sites, e-books, textos, vídeose documentários encontrados na Internet e também em livros de acervos particulares. Para a abordagem empírica, aplicou-se um questionário cuja formulação visa traduziros objetivos de pesquisa em questionamentos específicos. O resultado obtido deve oferecerdados suficientes para descrever as características do grupo pesquisado. Pode-se definir o questionário como a técnica de investigação composta por um conjunto de questões que são submetidas a pessoas com o propósito de obter informações sobre conhecimentos, crenças, sentimentos, valores, interesses, expectativas, aspirações, temores, comportamento presente ou passado, etc. (GIL, 2006). O questionário aplicado neste trabalho foi composto por 14 questões, entre abertas efechadas. O questionário foi aplicado utilizando a ferramenta Google Docs (agora nomeadoGoogle Disco) na opção ‘formulário’ e disponibilizado online através de um link postado nacomunidade Aracaju-SE do Couchsurfing. Como já foi dito anteriormente, esse é o grupomais ativo do Estado, e conta com 700 membros e cerca de 8 mil postagens. O Ggupo possui 51
  53. 53. uma organização ativa que programa encontros semanais e eventos integrando outros Estados,por exemplo. A escolha da aplicação online se deu pela possibilidade de utilizar um canal decomunicação direto com a amostragem que se deseja coletar, que são os usuários que estãopresentes nos fóruns de discussão do próprio Couchsurfing. O questionário completo pode serconferido no apêndice A, ao final deste trabalho. Os dados coletados foram extraídos e tabulados a partir do próprio Google Docs,sendo os gráficos mais simples gerados pelo próprio Docs, e os mais complexos, feitos comauxílio do Excel. Naturalmente, a aplicação através da Internet infere algumas dificuldades, aexemplo da ausência do entrevistador, o que impossibilita o esclarecimento de dúvidaseventuais que o entrevistado possa ter durante o processo. Porém, também levando isso emconsideração, evitou-se que o questionário fosse muito longo, para que, acima de tudo, oentrevistado não se sentisse desencorajado e abandonasse o processo.5.2- Caracterização geral dos dados Por ter sido disponibilizado dentro do fórum de discussão da comunidade Aracaju-SE,predispuseram-se a responder aqueles que têm postura mais ativa e participativa dentro dacomunidade. A pesquisa contou com a participação de 30 membros, e a escolha do grupoAracaju-SE se deu por uma busca da representação desta rede no Estado de Sergipe. Entre osque responderam à pesquisa, 63% são do sexo masculino e 37% são do sexo feminino. 52
  54. 54. (Tabela 9: Sexo dos Couchsurfers que responderam ao questionário.) Dos pesquisados, 43% têm de 25 a 30 anos, 37% têm de 18 a 25 anos, e 5% têm de 30a 35 anos; apenas 3% possuem acima de 40 anos, como pode ser visto no gráfico a seguir: (Tabela 10: Faixa etária dos usurários que responderam ao questionário) Quando questionados sobre há quanto eles participam da rede social Couchsurfing, oresultado adquirido foi bem equilibrado: 27% dos usuários é integrante há 1 ou 2 anos, 23%ingressaram há 2 ou 3 anos, e, para os que ingressaram há 6 meses, de 6 meses a 1 ano e há 3anos, a média foi de 17% cada. 53
  55. 55. (Tabela 11: tempo de participação no CS pelos respondentes ao questionário.) A forma como os usuários participam do CS ficou distribuída da seguinte maneira: amaioria, com 30%, acredita na reciprocidade de tanto surfar quanto hospedar; 23% dosparticipantes são engajados apenas em receber surfers em suas residências; 17% participaindo aos meetings semanais; 10% participou como guest, surfando alguns sofás; e 7%normalmente se limitam a disponibilizar-se para um café ou drink. (Tabela 12: a forma como os usuários declaram na pesquisa sua participação n CS) 54
  56. 56. Sobre o valor percebido, ou seja, a sensação provocada pela experiência doCouchsurfing, 93% dos entrevistados consideram positiva a experiência vivenciada por elesnesta rede social, e os 7% restantes julgam a experiência neutra. Nenhum dos entrevistadosqualificou a experiência como negativa. (Tabela 13: Como os entrevistados qualificam a experiência no Couchsurfing) Quando questionados se a maioria dos contatos que mantêm na rede Couchsurfingforam feitos lá mesmo ou se são provenientes do universo off-line, 77% deles afirmam que amaioria dos amigos presentes em seus perfis foram feitos no próprio site. Apenas 23%,portanto, afirmam que os contatos que possuem no CS são de pessoas que já conheciamanteriormente. (Tabela 14: referente aos contatos do CS) 55
  57. 57. Já as relações estabelecidas dentro do CS são avaliadas da seguinte forma: 53%afirmam que fizeram bons amigos, considerados laços fortes conquistados nesta rede. Outros43% afirmam que fizeram colegas, considerados laços fracos, cuja proximidade ou intimidadenão chegou a ser conquistada. (Tabela 15: análise dos laços dos entrevistados criados dentro do CS) No que se refere à quantidade de vezes que os couchsurfers chegaram a compartilharseu ambiente privado com outros membros, obtivemos como número mínimo 0, registradoentre aqueles que ainda não tiveram a experiência de hospedar nenhum viajante, e, comomáximo de hospedagens, o total de 25 vezes. A média geral entre todos os participantes emrelação à quantidade de hospedagens foi 8. (Tabela 16, referente ao número de pessoas hospedadas pela amostragem) O número de vezes que estes mesmos usuários foram hospedados por outroscouchsurfers é consideravelmente menor, o que leva a crer que o perfil geral do couchsurfer 56
  58. 58. aracajuano (a partir da amostragem) refere-se muito mais ao hábito de receber viajantes doque de viajar ou de utilizar os couchs em suas viagens a outras cidades. (Tabela 17, referente ao número de vezes que os usuários entrevistados usaram ‘couchs’) Em termos gerais, o que norteia a decisão dos couchsurfers da amostragem do grupoAracaju-SE sobre hospedar ou não alguém está intimamente relacionado às referências que oguest possui: o objetivo é averiguar se elas são no geral positivas, ou se, por exemplo, essesmembros já chegaram a se envolver em alguma situação adversa para merecer referênciasnegativas ou neutras. O segundo fator mais relevante avaliado pelos membros entrevistados ése o guest possui similaridades nos gostos, na filosofia de vida ou nas característicasapresentadas no perfil. Em terceiro lugar, está a prioridade por hospedar pessoas do mesmosexo, de idade semelhante e que falem uma língua acessível. No que se refere, inversamente, à busca de um couch, as referências positivascontinuam sendo imprescindíveis na hora de escolher um host. Outro fator muito relevantemencionado diversas vezes pelos membros é a localização de quem hospeda, se é próximo aterminais de ônibus e metrô, se é de fácil acesso e bem sinalizado. O terceiro ponto maisrelevante é o de identificação com o perfil do possível host. Ter hábitos e gostos em comumfacilita a convivência e torna a experiência mais leve, prazerosa, atestam os entrevistados. Quando questionados sobre o impacto do Couchsurfing nas interações e atividades ede que forma eles qualificariam suas experiências oriundas desta rede, se mais significativasna atmosfera online ou na off-line, mais de 80% afirmaram que o impacto do Couchsurfing 57

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