ASPECTOS DE UMA CAMPANHA POLÍTICA                                   Carla Maria Martellote Viola1RESUMOAs transformações s...
1 Introdução          As mudanças ocorridas nos setores das tecnologias de informação e de comunicação eas interferências ...
O orçamento de uma campanha deve possuir previsão de despesas levando emconsideração os recursos humanos, técnicos e mater...
Ao longo dos tempos modificações foram acontecendo, “o discurso político passa por umaprofunda transformação na enunciação...
para a população.           Elemento indispensável é a pesquisa que fornece dados sobre as flutuações deopiniões e sobre n...
A competição política se intensifica a cada eleição, a disputa é acirrada, os políticosdesejosos de conquistar votos, aume...
Grande repercussão se alcança utilizando programas de rádio ou de televisão jáconsagrados pelo público, em que se debatem ...
“Não haveria, portanto, decisão nem ação possível no campo político sem aconsideração da opinião, para cuja fabricação as ...
4 Referências Bibliográficas BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. Hucitec, 1979. CHARAUDEAU, Patrick. Di...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Aspectos de uma campanha política

1.198 visualizações

Publicada em

As transformações sócio-culturais, econômicas e tecnológicas e o crescimento exponencial das mídias exigem que a Campanha Política não leve apenas em consideração as Normas da Teoria da Comunicação no Discurso Político, mas sim possua estratégias discursivas bem elaboradas para alcançar o interesse do eleitorado, saiba utilizar ferramentas como pesquisa, internet e que seja pautada em ações realizadas em prol do desenvolvimento, da saúde e da melhoria na qualidade de vida da população do país.

Publicada em: Negócios
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.198
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
23
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Aspectos de uma campanha política

  1. 1. ASPECTOS DE UMA CAMPANHA POLÍTICA Carla Maria Martellote Viola1RESUMOAs transformações sócio-culturais, econômicas e tecnológicas e o crescimento exponencialdas mídias exigem que a Campanha Política não leve apenas em consideração as Normas daTeoria da Comunicação no Discurso Político, mas sim possua estratégias discursivas bemelaboradas para alcançar o interesse do eleitorado, saiba utilizar ferramentas como pesquisa,internet e que seja pautada em ações realizadas em prol do desenvolvimento, da saúde e damelhoria na qualidade de vida da população do país.Palavras chaves: campanha, candidato, discurso político, pesquisa, internet, estratégia,eleitorado.ABSTRACTThe socio-cultural, economic and technological transformations and the exponential growthof media require from the Political Campaign of a candidate for reelection, do not take intoaccount only the Standards of Communication Theory in Political Discourse, but has well-developed discursive strategies to achieve interest of the electorate, know how to use tools asresearch, internet and be based on actions taken to promote development, health andimproved quality of life of the population.Keywords: campaign, candidate, political discourse, research, internet, strategy, electorate.1 Graduada em Publicidade e Propaganda pela Faculdade Hélio Alonso e Direito pela Universidade Santa Úrsula. Cursando Pós-Graduação Instituto de Gestão em Comunicação (conclusão dezembro/2011). viola.carla@gmail.com
  2. 2. 1 Introdução As mudanças ocorridas nos setores das tecnologias de informação e de comunicação eas interferências da mídia sobre o modo de produção e de transmissão das informaçõesexigem a reformulação do planejamento e desenvolvimento das ações gerenciais utilizadas naoperacionalização de uma campanha política. O ciclo de uma Campanha começa necessariamente com o planejamento dos objetivosa serem atingidos, e envolve as atividades básicas de levantamento de dados sobre oeleitorado; estabelecimento da plataforma, o enfoque das principais mídias a serem utilizadas;métodos de pesquisa, abordagem, acompanhamento e avaliação do eleitorado potencial;determinação da estrutura organizacional e das atribuições e responsabilidades de cadaunidade na execução de planos e metas; acompanhamento, controle e avaliação do processode obtenção de votos e por fim os ajustes necessários dos recursos e processos utilizados. Nenhuma campanha política se consagra pela eficiência se não se observar certosfatores em sua estrutura organizacional: “Forma pela qual as atividades de uma organizaçãosão divididas, organizadas e coordenadas.” (STONER, 1992, p.230)2 O organograma de uma campanha bem estruturado é vital para o sucesso docandidato. Nele se mapeia as atribuições de toda a equipe envolvida, se determina o grau dehierarquia, a coordenação e subcoordenações. Assim é possível estabelecer prazos para arealização dos processos pertinentes, bem como responsabilizar os diversos elos que compõeseu fluxo organizacional. Cada qual deve obedecer e cumprir suas responsabilidades comempenho e dedicação. O estudo do eleitorado não deve se basear em conjunturas e nem pode ser ocasional. Asituação constatada tem que ser fundamentada, ter prioridades definidas, no que tange aobtenção, processamento e análise de dados, para se planejar as ações a serem executadas pelaequipe.2 STONER, James / FREMAN, Edward. Administração. Rio de Janeiro: Prentice Hall, 1992. 2
  3. 3. O orçamento de uma campanha deve possuir previsão de despesas levando emconsideração os recursos humanos, técnicos e materiais para assegurar, em tempo ocumprimento dos objetivos. O candidato deve visitar as localidades, Estados, Municípios ou Bairros mais de umavez. As classes menos favorecidas, a maioria dos eleitores vota em quem se conhece, emquem é acessível.2 O Candidato e o Eleitorado O candidato que deseja alcançar a vitória deve exercitar o discurso político simples,sistemático, didático, humilde e esclarecedor. Nunca falamos descomprometidamente, sempre assumimos papéis, bem como, aavaliação que fazemos do discurso do outro também depende desse posicionamento sócio-histórico-ideológico-discursivo. Bakhtin3 afirma que todo signo é ideológico e que a ideologia é um reflexo dasestruturas sociais. Ele considera que toda modificação de ideologia encadeia uma modificaçãoda língua e a variação é inerente à língua e reflete variações sociais. Para ele, o interlocutor não é um elemento passivo, ao contrário, desempenha umpapel imprescindível ao diálogo. “Os signos só podem aparecer em um terrenointerindividual. Ainda assim, trata-se um terreno que não pode ser chamado de ‘natural’ nosentido usual da palavra.” (BAKHTIN, 1979, p.21)4 A própria consciência individual é um fato sócio-ideológico. Inclusive, a etapa em queo indivíduo se conscientiza de sua individualidade e dos direitos que tem é ideológica,histórica e condicionada por fatores sociológicos. O pensamento é, ao mesmo tempo,pertencente e subordinado aos sistemas ideológico e do psiquismo.3 BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. Hucitec, 1979.4 Ibid. 3
  4. 4. Ao longo dos tempos modificações foram acontecendo, “o discurso político passa por umaprofunda transformação na enunciação, tornando-se um discurso curto, descontínuo e ininterrupto,ao mesmo tempo que o sujeito falante re-emerge enquanto a máquina política é apagada.”(COURTINE, 1981, p.84)5 O candidato que deseja se sobressair deve seguir três princípios fundamentais dodiscurso público. O primeiro princípio é praticar a oratória, e refere-se a uma antiga arte dodiscurso. Oratória era utilizada na Grécia e em Roma, durante suas civilizações e estudadacomo um componente da retórica. Esse princípio tem regras definidas e modelos enfatizadospelas artes liberais desde o Renascimento e a Idade Média. Oratória tem significado falar empúblico, pois constitui a composição e o planejamento do discurso. O segundo princípio é o de usar recursos extralingüísticos, chamado deacompanhamento por gestos. O que uma pessoa diz, é tão importante quanto o que ela faz.Isso implica no uso consciente das expressões faciais, movimentos das mãos e posturas comoseguimento da mensagem falada. O último, porém não menos importante, é o controle da voz através de inflexão, deforo muito íntimo, o que torna o candidato entediante ou interessante para quem ouve. É acombinação das baixas e das elevações na qualidade da voz, do suave e profundo, dosrecursos e comandos, esse princípio determina o efeito que o discurso vai produzir na platéia.Técnicas de utilização da voz são trabalhadas como dicção, impostação e modulação. A longa experiência de promessas não cumpridas faz com que os eleitores desconfiemde colocações pouco palpáveis. “O discurso político realmente sofre de um certo descréditoque leva à rejeição de certas formas do discurso público.” (COURTINE, 1981, p.83)6 Grande parte desconhece ou tem uma idéia muito vaga de qual seja a funçãolegislativa de um parlamentar. O interesse de votar é maior na medida da clareza da finalidadee objetivos a serem alcançados com participação do político. Nas eleições presidenciais o vototem valor, aos olhos dos eleitores pode trazer modificações para país. Para governador é umpouco menos valioso, e assim sucessivamente, já que as atribuições dos cargos não são claras5 COURTINE, Jean-Jaques. Metamorfoses do Discurso Político - Derivas da Fala Pública. Clara Luz, 1981.6 IBID. 4
  5. 5. para a população. Elemento indispensável é a pesquisa que fornece dados sobre as flutuações deopiniões e sobre novas oportunidades ou estratégias para uma campanha, possibilitando umaredução nos riscos das ações implantadas. A pesquisa de opinião é o contínuo processo de aprender fatos e dados, e de adquirirconhecimentos que permitam a uma pessoa sobreviver em um meio que pode mudarconstantemente. É uma forma de embasamento para que o candidato alcance suas metas,mediante o ajustamento de suas políticas e plataformas às cambiantes condições do eleitorado.Alicerça a campanha como um sistema de inteligência, prevenindo contra os perigos dacompetição, novos riscos, além de indicar para o político novas estratégias. Bil Trancer7, em seu livro “Click”, constata que se as pesquisas realmente funcionamcomo profecias autorrealisáveis (se meu candidato tem tão pouco apoio nas pesquisas, por quedesperdiçar meu voto com ele?), resultados imprecisos podem alterar o comportamento doseleitores e, em última análise, os da eleição. Outra visão interessante é de Freud8, em que descreve a dualidade entre açãoindividual do indivíduo e a atitude totalmente modificada quando o indivíduo age em grupo.Dessa forma, mudar e/ou fortalecer a imagem do candidato em relação à massa é a grandesacada do marketing político. O planejamento da pesquisa consiste em arrolar os fatores que possam favorecer ouprejudicar a campanha ou a imagem do candidato. A reunião de alguns dados é indispensávelpara se alcançar o panorama efetivo da realidade, como mensurar o tamanho da populaçãoque se deseja atingir, verificar o poder aquisitivo e necessidades do eleitorado. As Relações Públicas também se fundamentam na realidade, isto é, em fatos sobre oeleitor e o seu lugar na comunidade. Situações sobre o que o público pensa a respeito de umcandidato, e nas próprias mudanças da opinião pública.7 TANCER, Bill. Click: What Millions of People Are Doing Online and Why it Matters [Hardcover], 20088 FREUD, Sigmund Freud: Psicologia das Massas e Análise do eu 5
  6. 6. A competição política se intensifica a cada eleição, a disputa é acirrada, os políticosdesejosos de conquistar votos, aumentam constantemente à multiplicidade de suas ofertas. Oeleitor já não limita sua procura às mesmas promessas e aos mesmos jargões que faziam nopassado, exige melhores condições de vida. Portanto, somente os candidatos que tiveremconhecimento adequado desta situação e estiverem melhores estruturados, poderão satisfazertal procura. Para ter sucesso em uma campanha devem-se fazer as perguntas certas às pessoascertas e assim buscar no candidato as características esperadas pelo público. Não adiantainventar. Tal como um produto, o eleitor não vai julgar apenas pela capa, é necessárioconteúdo, empatia e capacidade de persuasão. Encontrar a maneira certa de perguntar algo a alguém é o que dá qualidade a umapesquisa. A análise sobre os pontos que realmente inferem em determinado tema devem serexplanados no questionário de forma clara e objetiva, evitando a fuga da resposta ou a suadistorção. O interessante é descobrir quem é, e o que querem os eleitores. Principalmente os quenão decidiram ainda ou os que tendem a mudar de voto. Para elaboração, aprimoramento e conclusão das pesquisas utilizadas em umacampanha política é necessário consultar fontes de dados como jornais, publicações deinstituições que trazem informações comerciais e dados econômicos, a fim de auxiliar ocomércio e a indústria; associações profissionais, comerciais e trabalhistas também fornecemdados valiosos; algumas organizações internacionais, especialmente as afiliadas às NaçõesUnidas, produzem literatura de consulta obrigatória e serviços informativos de instituiçõesgovernamentais, públicas e privadas, universidades, escolas técnicas, institutos de pesquisa,bibliotecas e associações de negócios oferecem amiúde, soluções para problemas dasempresas e pessoas. Uma campanha exige toda atenção e cuidado por parte da equipe de marketing na horade montagem do plano estratégico. 6
  7. 7. Grande repercussão se alcança utilizando programas de rádio ou de televisão jáconsagrados pelo público, em que se debatem principalmente problemas do dia-a-dia dapopulação. Gabriel Rossi9 nas Eleições de 2010 em uma entrevista sobre seu artigo chamado “AInternet e as Eleições” disse que as mídias sociais são amplificadores de princípios cardinaisque tornam uma marca política forte. E que antes de qualquer coisa, por exemplo, marcaspolíticas são alicerçadas em cima de carisma e narrativa e uma idéia única e diferenciada.Assim as mídias sociais fizeram este preceito mais verdadeiro do que nunca. Por causa disso,a metodologia de trabalho na internet considera diversas variáveis como: Proposta decampanha, tamanho do partido, as lideranças fortes agregadas, capilaridade, reputação,expectativa de votos, vulnerabilidade de relacionamento com diversos stakeholders, interessegeral do público-alvo pela eleição, orçamento da campanha, avaliação de carisma docandidato, votos de legenda, entre diversas outras coisas. O número de usuários de Internet passou de pouco mais de 5 milhões, em 2000, para75 milhões, em 2010. Os governos terão que lidar com a interferência direta de redesorganizadas, redes que, por sua vez, irão facilitar a ação coletiva em busca de soluções paraproblemas comuns. A inclusão de uma campanha política nas redes sociais, Orkut, Facebook, Twiter éindispensável, chamado atualmente de marketing viral dentro da internet, além da utilizaçãodos SMS dos telefones celulares, considerados eficientíssimo em razão da leitura irresistível.3 Conclusão Dessa forma, mudar e/ou fortalecer a imagem do candidato em relação à massa é agrande sacada do marketing político. No Brasil, em que a corrupção e a quantidade deimpostos superam-se a cada dia, o bom candidato é aquele, que na opinião da massa podemudar o país ou não deixá-lo perder as conquistas que alcançou até agora.9 ROSSI, Gabriel / FORNAZIERI, Aldo. A Internet e as Eleições. O Estado de S.Paulo, 24/07/2010. 7
  8. 8. “Não haveria, portanto, decisão nem ação possível no campo político sem aconsideração da opinião, para cuja fabricação as mídias intervêm. Encontramo-nos, assim, emum jogo em que todos mudam sob a influência dos outros.” (CHARAUDEAU, 2006, p. 25)10 As redes atuais de comunicação fazem com que a participação esteja ao alcance decada cidadão e não apenas da chamada sociedade organizada, que muitas vezes se forma emtorno de grupos de interesse na defesa corporativa de posições de segmentos, em detrimentodo coletivo. Possibilidade concreta de aumentar o papel da sociedade na formulação,monitoramento e avaliação de políticas públicas. É importante ressaltar que o eleitorado como um todo que decide uma eleição e nãouma classe específica da população. Se a grande maioria estiver insatisfeita com umdeterminado candidato, desista, é necessário um novo foco de campanha, novas alianças euma nova estratégia, antes que seja tarde demais.10 CHARAUDEAU, Patrick. Discurso Político. São Paulo: Contexto, 2006. 8
  9. 9. 4 Referências Bibliográficas BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. Hucitec, 1979. CHARAUDEAU, Patrick. Discurso Político. São Paulo: Contexto, 2006. COURTINE, Jean-Jaques. Metamorfoses do Discurso Político - Derivas da Fala Pública. Clara Luz, 1981. FREUD, Sigmund Freud: Psicologia das Massas e Análise do eu, 1921. ROSSI, Gabriel / FORNAZIERI, Aldo. A Internet e as Eleições. O Estado de S.Paulo, 24/07/2010. STONER, James / FREMAN, Edward. Administração. Rio de Janeiro: Prentice Hall, 1992. TANCER, Bill. Click: What Millions of People Are Doing Online and Why it Matters, Hardcove, 2008.5 Agradecimentos Agradeço ao meu professor Wedencley Alves por ter me incentivado e orientado narealização de meu primeiro artigo científico e também ao Deputado Federal Coronel Garcia,Deputado Federal Alexandre Santos e sua esposa Soraya Santos, Presidente do Instituto dePesos e Medidas que me ensinaram como atuar em uma campanha política. Entregue por email em 01 de fevereiro de 2011. 9

×