O H perdeu uma perna

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Um livro de Ana Vicente com ilustrações de Madalena Matoso. Excelente para o 1º ano de escolaridade.

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  • Hoje, às 10h, o H, nosso herói, habitante do abecedário, humilde, honrado e honesto, perdeu uma perna enquanto praticava natação. A perna desapareceu no horizonte. O que há-de fazer o h?
  • Um dia a letra H estava a tomar banho no mar e eis que perdeu um dos seus lados e ficou assim.
  • Lá foi muito a custo, a pensar para consigo: "Eu vou mas é perguntar às outras letras do alfabeto se me podem ajudar. Talvez me possam dar um bocado de si próprias para eu ficar outra vez um H como deve ser."
  • Assim, foi bater à porta do A. O A abriu o abrigo, mas quando ouviu o que queria o H afastou-se logo, apressadamente, dizendo: - Não queiras que eu te dê um bocadinho sequer de mim próprio...
  • Eu não quero ser um V ao contrário ou assim todo anguloso... ou assim. E agora, adeus!
  • O pobre H foi andando até à casa do B, que tinha este aspecto:
  • O B balbuciou e disse que se sentia baralhado... Não queria ficar feito de curvas [como um 3], ou assim [como um i], sem as suas barrigas.
  • O H foi procurar o C em sua casa. Não é que o H contasse com as curvas do C, mas ao menos o C confortou-o.
  • O D deu uma desculpa, dizendo que seria difícil ajudar o H, por razões parecidas com as do B: ou era curvo, ou desfazia-se.
  • O H continuou o seu caminho, bastante desesperado, e foi bater à porta do E. O E esforçou-se por entender a estranha história do H. Só com muito esforço é que o E imaginou o que seria dele se desse um pouco de si ao H: Eh lá, que esquisito!
  • O F falou-lhe com facilidade mas ficou a pensar na sua forma: - Olha, julgas que eu quero ter o teu feitio? Não fantasies isso! [Francamente!, pensou o F]
  • Seguidamente, apareceu o G, que era bastante gordo. Com pouca generosidade, explicou que não lhe era possível dar uma gota que fosse ao H. [Ficaria um grande gatafunho...]
  • Ao passar pela casa onde habitava, o H deixou cair uma lágrima pela cara abaixo. Mas avançou, pois ainda lhe faltava bater a muitas portas. O I não teve ideias interessantes para ajudar o H, pois imaginou que poderia ficar invisível. [Isso é impossível, disse o I]
  • O J disse ao H, através da janela, que jamais o ajudaria por razões que já vamos passar a julgar: Acham que o J fica bem sem a sua haste central?
  • O L não era muito largo. Pelo contrário, até era bastante leve; e mais leve ficaria sem um dos seus lados.
  • O M é uma mulher que também é mãe. Até é uma das maiores letras, pois tem muitas pernas e braços... Foi preciso um papel para imaginar como ficaria. [Mas que maçada! - disse o M]
  • Com o N ninguém podia contar; nem para coisas necessárias, quanto mais para ninharias. Além disso, costumava andar com nódoas na camisola. Dele não havia nada a esperar. O O observou e olhou o H com objectividade. Mas vocês acham que ele consegue ajudar o H?
  • O P perguntou ao H se ele não podia ir à pediatra e disse: - Olha, pequeno, pouco te posso ajudar. Cabe aqui dizer que o P tinha plantas preciosas no jardim.
  • O Q quase que quebrou a janela do seu quarto para dizer ao H que este não deveria querer ser como o D. Quixote.
  • O R estava a rabiscar uns riscos num papel de rascunho e ficou radiante com os respectivos resultados. Mas disse para o H: - Achas razoável pedir-me isso?
  • O S estava a saborear umas salsichas. Como era parecido com uma serpente, não lhe era possível ajudar o seu irmão H.
  • Quanto ao T, tal teimosia do H parecia-lhe bastante tonta. Já tentaram imaginar como seria ele sem um dos seus bocados?
  • Foi com urgência que o H bateu à porta do U. Mas, tal como as outras letras, o U não lhe quis ser útil.
  • Em vão o H bateu à porta do V, mas na verdade não estava contar com a vontade do V. O X tocava xilofone e não deu ouvidos ao H.
  • Finalmente, o H desesperado mas sempre heróico, bateu à porta do Z. Devo dizer que pelo menos nesta história, o Z não era nada parecido com uma zebra. Ora o Z resolveu ajudar o H, mas a sério, sem zangas nem zombarias. Sentou-se num canto, pôs-se a pensar e achou uma solução para que o H ficasse outra vez inteiro. Talvez.
  • Cada uma das letras que tinha uma parte recta ofereceu um ponto de si própria, tão poucochinho que rapidamente cresceria outra vez. E assim foi: as letras que eram só curvas resolveram fazer cavacas, ovos moles e sorvetes para festejar a cura do H. O H ficou tão contente que fez um discurso a agradecer. No final de tudo, cantaram o hino alfabético.
  • O H perdeu uma perna

    1. 3. Hoje, às 10h, o H, nosso herói, habitante do abecedário, humilde, honrado e honesto, perdeu uma perna enquanto praticava natação. A perna desapareceu no horizonte. O que há-de fazer o h?
    2. 4. Um dia a letra H estava a tomar banho no mar e eis que perdeu um dos seus lados e ficou assim.
    3. 5. Lá foi muito a custo, a pensar para consigo: "Eu vou mas é perguntar às outras letras do alfabeto se me podem ajudar. Talvez me possam dar um bocado de si próprias para eu ficar outra vez um H como deve ser."
    4. 6. Assim, foi bater à porta do A. O A abriu o abrigo, mas quando ouviu o que queria o H afastou-se logo, apressadamente, dizendo: - Não queiras que eu te dê um bocadinho sequer de mim próprio...
    5. 7. Eu não quero ser um V ao contrário ou assim todo anguloso... ou assim. E agora, adeus!
    6. 8. O pobre H foi andando até à casa do B, que tinha este aspecto:
    7. 9. O B balbuciou e disse que se sentia baralhado... Não queria ficar feito de curvas [como um 3], ou assim [como um i], sem as suas barrigas.
    8. 10. O H foi procurar o C em sua casa. Não é que o H contasse com as curvas do C, mas ao menos o C confortou-o.
    9. 11. O D deu uma desculpa, dizendo que seria difícil ajudar o H, por razões parecidas com as do B: ou era curvo, ou desfazia-se.
    10. 12. O H continuou o seu caminho, bastante desesperado, e foi bater à porta do E. O E esforçou-se por entender a estranha história do H. Só com muito esforço é que o E imaginou o que seria dele se desse um pouco de si ao H:
    11. 13. O F falou-lhe com facilidade mas ficou a pensar na sua forma: - Olha, julgas que eu quero ter o teu feitio? Não fantasies isso! [Francamente!, pensou o F]
    12. 14. Seguidamente, apareceu o G, que era bastante gordo. Com pouca generosidade, explicou que não lhe era possível dar uma gota que fosse ao H. [Ficaria um grande gatafunho...]
    13. 15. Ao passar pela casa onde habitava, o H deixou cair uma lágrima pela cara abaixo. Mas avançou, pois ainda lhe faltava bater a muitas portas. O I não teve ideias interessantes para ajudar o H, pois imaginou que poderia ficar invisível. [Isso é impossível, disse o I]
    14. 16. O J disse ao H, através da janela, que jamais o ajudaria por razões que já vamos passar a julgar: Acham que o J fica bem sem a sua haste central?
    15. 17. O L não era muito largo. Pelo contrário, até era bastante leve; e mais leve ficaria sem um dos seus lados.
    16. 18. O M é uma mulher que também é mãe. Até é uma das maiores letras, pois tem muitas pernas e braços... Foi preciso um papel para imaginar como ficaria. [Mas que maçada! - disse o M]
    17. 19. Com o N ninguém podia contar; nem para coisas necessárias, quanto mais para ninharias. Além disso, costumava andar com nódoas na camisola. Dele não havia nada a esperar. O O observou e olhou o H com objectividade. Mas vocês acham que ele consegue ajudar o H?
    18. 20. O P perguntou ao H se ele não podia ir à pediatra e disse: - Olha, pequeno, pouco te posso ajudar. Cabe aqui dizer que o P tinha plantas preciosas no jardim.
    19. 21. O Q quase que quebrou a janela do seu quarto para dizer ao H que este não deveria querer ser como o D. Quixote.
    20. 22. O R estava a rabiscar uns riscos num papel de rascunho e ficou radiante com os respectivos resultados. Mas disse para o H: - Achas razoável pedir-me isso?
    21. 23. O S estava a saborear umas salsichas. Como era parecido com uma serpente, não lhe era possível ajudar o seu irmão H.
    22. 24. Quanto ao T, tal teimosia do H parecia-lhe bastante tonta. Já tentaram imaginar como seria ele sem um dos seus bocados?
    23. 25. Foi com urgência que o H bateu à porta do U. Mas, tal como as outras letras, o U não lhe quis ser útil.
    24. 26. Em vão o H bateu à porta do V, mas na verdade não estava contar com a vontade do V. O X tocava xilofone e não deu ouvidos ao H.
    25. 27. Finalmente, o H desesperado mas sempre heróico, bateu à porta do Z. Devo dizer que pelo menos nesta história, o Z não era nada parecido com uma zebra. Ora o Z resolveu ajudar o H, mas a sério, sem zangas nem zombarias. Sentou-se num canto, pôs-se a pensar e achou uma solução para que o H ficasse outra vez inteiro.
    26. 28. Como é que vocês acham que se pode resolver o problema do H? O que o Z fez foi reunir todas as letras do alfabeto. Depois de grandes discussões, decidiram, por unanimidade, ajudar o H. Já adivinharam como? Cada uma das letras que tinha uma parte recta ofereceu um ponto de si própria, tão poucochinho que rapidamente cresceria outra vez. E assim foi: as letras que eram só curvas resolveram fazer cavacas, ovos moles e sorvetes para festejar a cura do H. O H ficou tão contente que fez um discurso a agradecer. No final de tudo, cantaram o hino alfabético.

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