Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade

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Curso Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, ministrado em Lisboa-Portugal. Relicário de sona, em 2011. Facilitadora Fga. Carla M. Faedda, RJ.

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Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade

  1. 1. PERTURBAÇÃO DODÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERACTIVIDADE : Fga. Carla M. Faedda 2011
  2. 2. O que é TDAH ?? O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), em Portugal(Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA), é um transtornoneurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentementeacompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas dedesatenção, inquietude e impulsividade. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio doDéficit de Atenção). Em inglês, também é chamado de ADD, ADHD ou de AD/HD.Existe mesmo o TDAH?Ele é reconhecido oficialmente por vários países e pela Organização Mundial da Saúde(OMS). Em alguns países, como nos Estados Unidos, portadores de TDAH sãoprotegidos pela lei quanto a receberem tratamento diferenciado na escola.Não existe controvérsia sobre a existência do PDAH?Não, nenhuma. Existe inclusive um Consenso Internacional publicado pelos maisrenomados médicos e psicólogos de todo o mundo a este respeito. Consenso é umapublicação científica realizada após extensos debates entre pesquisadores de todo omundo, incluindo aqueles que não pertencem a um mesmo grupo ou instituição e nãocompartilham necessariamente as mesmas idéias sobre todos os aspectos de umtranstorno.
  3. 3. Nomes anteriores desde o séc. XIX Disrritmia; Disfunção cerebral mínima; Lesão cerebral mínima; Hiperatividade.
  4. 4. Dificuldade em manter a atenção concentrada é a principal característica daperturbação do Déficit de Atenção. Este problema tem sua origem em umacondição orgânica, relacionada a uma estrutura cerebral chamada lobo pré-frontal. Quando esta estrutura cortical tem seu funcionamento comprometido,pessoa passa a ter vários problemas, entre eles dificuldade de focar a atenção. Os principais elementos comportamentais que acompanham o Déficit deAtenção são a hiperactividade e a impulsividade e desatenção.Ele é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhadospara serviços especializados. Ele ocorre em 3 a 5% das crianças do mundo. Em mais da metade dos casos o transtorno acompanha o indivíduo na vidaadulta, embora os sintomas de inquietude sejam mais brandos( fonte:ABDA).Conclusão: A hiperatividade não é uma doença. É um transtornocomportamental. Ela pode ou não estar presente no déficit de atenção!
  5. 5. Epidemiologia do TDAH•As primeiras descrições aparecem no início do séc.XX, porém, apartir dos anos 70 ganha maior repercussão.•Os dados estatísticos preconizados pelo discurso médicocontemporâneo apontam uma incidência significativa destetranstorno: a estimativa feita é a de que de 3% a 6% das crianças eadolescentes em idade escolar seriam “portadoras” do TDA/H(ROHDE; MIGUEL FILHO; BENETTI; GALLOIS; KIELING,2004).•Segundo Rohde e Halpern (2004), a proporção entre meninos emeninas afetados varia de aproximadamente 2:1 em estudospopulacionais, mas esta proporção, nos estudos clínicos, podeaumentar significativamente e chegar a até 9:1.•Segundo a APPdae afecta 3% a 7% das crianças em idade escolar,pelo que se estima que existam cerca de 35 a 50 mil crianças comesta perturbação, sendo os rapazes 4 a 9 vezes mais atingidos do queas raparigas e adultos.
  6. 6. TDAH e Regiões Cerebrais Afetadas A primeira região alterada é o Sistema Atencional Anterior (composto por áreas na região frontal- atrás da sua testa, que incluem o córtex pré-frontal , o córtex cingulado anterior e estruturas mais na base cerebral- os gânglios da base e o corpo estriado), dependentes de um neurotransmissor chamado dopamina. A segunda região alterada é o Sistema Atencional Posterior( composto pelo tálamo e lobo Parietal) , cujo neurotransmissor relevante é a norepinefrina.
  7. 7. REALIDADE PORTUGUESA• O Transtorno de Hiperactividade com Défice de Atenção(THDA) é, não só um dos mais estudados, como um dos maiscontroversos problemas de desenvolvimento da criança.•A THDA encontra-se directamente relacionada com o baixorendimento escolar, conduzindo a repetências e problemas sériosde aprendizagem.•Nos últimos anos a sua importância tem sido reconhecidaessencialmente no campo educacional e clínico.•Na actualidade, este transtorno atinge cerca de 3% a 6% decrianças em todo mundo (Fabrício, 2004), estimando-se que 3 a5% das crianças portuguesas em idade escolar sejam portadoras deTHDA (Lima, 2004, disponível em www.educare.pt).
  8. 8. Déficit de Atenção, Hiperatividade e Impulsividade andam sempre juntos? É importante notar que a hiperactividade e a impulsividade podem acompanhar o déficit de atenção, mas isto não é obrigatório. Há pelo menos três tipos amplamente aceitos de déficit de atenção, em função da presença ou não da hiperatividade e da impulsividade. Três fatores principais ajudam a distinguir o hiperativo da criança que tem apenas um distúrbio de atenção mais leve e daquela que busca apenas chamar a atenção: A contínua agitação motora; A impulsividade ; A impossibilidade de se concentrar, seja em brincadeiras ou em atividades pedagógicas.Obs:Essas atitudes devem ser constantes durante pelo menos seis meses seguidos.
  9. 9. CAUSAS DO TDAH O transtorno não é secundário a fatores culturais (as práticas de determinada sociedade, etc.), o modo como os pais educam os filhos ou resultado de conflitos psicológicos; Pesquisas científicas demonstram que os portadores apresentam alterações na região frontal do cérebro. Essa alteração está relacionada a uma alteração nos neurotransmissores (sistema de substâncias químicas), principalmente, noradrenalina e dopamina que são responsáveis por transmitir informações entre os neurônios. Essa região é responsável pela capacidade de atenção, memória, organização, planejamento, auto-controle e inibição do comportamento., as chamadas funções executivas (FE).
  10. 10. Pré-frontal e funções executivas elaboração do raciocínio abstrato; alternância de tarefas; planejamento e organização das atividades; elaboração de objetivos; geração de hipóteses; fluência e memória operacional;resolução de problemas; formação de conceitos; inibição de comportamentos; auto-monitoramento; iniciativa; auto-controle;flexibilidade mental; controle da atenção; manutenção de esforço sustentado; antecipação; regulação de comportamentos; e criatividade.
  11. 11. Sub-domínios das FEFunção Executiva Possíveis déficits associadosControle da atenção Impulsividade, falta de auto-controle, dificuldades para completar tarefas, cometimento de erros de procedimento que não consegue corrigir, responder inapropriadamente ao ambienteProcessamento de Respostas lentificadas (leva mais tempoinformação para compreender o que é pedido e para realizar tarefas), hesitação nas respostas, tempo de reação lento.Flexibilidade cognitiva Rigidez no raciocínio e nos procedimentos (faz as coisas sempre da mesma forma, repetindo erros cometidos anteriormente), dificuldade com mudanças de regras, de tarefas e de ambientes.
  12. 12. Estabelecimento Poucas habilidades de resolução dede objetivos problemas, planejamento inadequado, desorganização, dificuldades para estabelecer e seguir estratégias eficientes, déficit no raciocínio abstratoMemória operacional Dificuldade tanto no processo de codificação, armazenamento e evocação, dificultando o aprendizado de novas informações e de lembrar das ações a serem realizadas no dia-a-dia.Controle inibitório Dificuldade para inibir comportamentos inadequados e que possam interferir na realização das atividades.
  13. 13. Hereditariedade: Os genes parecem ser responsáveis não pelo transtorno em si, mas por uma predisposição ao TDAH; Os estudos com gêmeos comparam gêmeos univitelinos e gêmeos fraternos (bivitelinos), quanto a diferentes aspectos do TDAH (presença ou não, tipo, gravidade etc...); Existe maior incidência de depressão, transtorno bipolar (antigamente denominado Psicose Maníaco- Depressiva) e abuso de álcool e drogas nos familiares de portadores de TDAH segundo estudos Norte Americanos;
  14. 14. GENÉTICA As pesquisas revelam que o aparecimento dos sintomas do TDAH está ligado à genética. Estudos mostram diferenças significativas na estrutura e no funcionamento do cérebro dos portadores de TDAH, principalmente no hemisfério direito do cérebro, no córtex pré-frontal. Embora se fale em grande incidência em crianças com mães que abusaram de fumo e álcool na gravidez, está claro que o fator mais importante é a hereditariedade. Se olharmos a família de uma pessoa com TDAH, vamos verificar que existem outros membros com o mesmo problema.
  15. 15. NEUROTRANSMISSORES O QUE SÃO?> BIOMOLÉCULAS DOPAMINA>> PRODUZIDA No SN;>EXCESSO CAUSA SÍNDROME DE TOURETT (tics);>A INSUFICIÊNCIA CAUSA THDA. Tratado com estimulantes de dopamina>>>cuidado<<<< SEROTONINA>> Produto do triptofano (alimentos ricos em proteínas)>>TOC e depressão.
  16. 16.  No aspecto neuroquímico, o TDAH é conceitualizado como um transtorno no qual os neurotransmissores catecolaminérgicos funcionam em baixa atividade. A ênfase está na desregulação central dos sistemas dopaminérgicos e noradrenérgicos que controlam a atenção, organização, planejamento, motivação, cognição, atividade motora, funções executivas e também o sistema emocional de recompensa.
  17. 17. Comparação de níveis de ativação neuronal - Cérebro normal (controle) e cérebro TDAH Cérebro Cérebro TDAH normal em tentando descanso concentrar-se Cérebro com TDAH em descanso• Na imagem, as áreas de menor ativação ("buracos") indicam menor consumo de energia(menor metabolismo de glicose). Em descanso, há maior similaridade entre o cérebro TDAHe normal - em descanso, as diferenças são poucas. O problema aparece mais claramentequando é exigido concentração.
  18. 18. Neurofeedback CÉREBRO COM TDAH - CÉREBRO NORMAL - BAIXA ALTA ATIVIDADE DE ATIVIDADE DE ONDAS TETA NO ONDAS TETA NO CÓRTEX CÓRTEX PRÉ- FRONTAL PRÉ- FRONTAL
  19. 19.  O Neurofeedback pode beneficiar crianças com dificuldade de atenção e hiperatividade. Estudos funcionais de imagem cerebral (RMF – Ressonância Magnética Funcional e PET –Tomografia por Emissão de Pósitron) e de Eletroencefalografia sobre a atividade do cérebro, em portadores de TDAH, têm apresentado uma atividade diminuída com grande quantidade de ondas teta (ondas lentas), no córtex pré-frontal. Estas ondas são predominantes, quando estas crianças estão envolvidas em tarefas que exigem atenção, dificultando muito seu desempenho em provas cognitivas relacionadas com o controle das funções executivas (memória de trabalho, planejamento,monitoração e execução de atividades complexas ou novas para o indivíduo).
  20. 20. Neurofeedback no tratamento para TDAH Neurofeedback é um tratamento sem medicação, que pode ser usado como alternativa uso de medicação para TDAH, como a Ritalina. É completamente natural e não-invasivo; o cliente não recebe nenhum tipo de irradiação elétrica ou magnética do equipamento. Também não há risco de choque; Eletrodos são colocados sobre o couro cabeludo, para a captação das emissões elétricas dos neurônios; O computador decodifica estes sinais e os utiliza para produzir imagens semelhantes a um video-game.; Este "video-game" mostra ao cliente, em tempo real, como está o funcionamento de seu cérebro - normalmente comparando a quantidade das ondas mais lentas em relação às ondas mais rápidas. >>O neurofeedback é um treinamento que permite normalizar as alterações cerebrais típicas do TDAH - a hipofunção das áreas pré-frontais do córtex cerebral.
  21. 21. RESULTADOS Conforme a quantidade de ondas lentas diminui e/ou as ondas mais rápidas aumentam, o cliente vai acumulando pontos, aparecendo música e/ou movimento na tela. Com isto, por meio de um processo comportamental denominado reforçamento condicionado, o paciente começa a identificar e a alterar voluntariamente a freqüência das ondas cerebrais nas áreas ligadas ao controle voluntário da atenção, planejamento e auto-controle.
  22. 22. NEUROPSICOLOGIA A proposta de terapia por Neurofeedback, com pessoas portadoras de TDAH, consiste em uma avaliação neuropsicológica (cognitiva, emocional, comportamental e social), uma avaliação eletro encefalográfica espectral e treinamentos da atenção, das funções executivas e do contole motor. O plano de trabalho consiste de 20 a 45 sessões, dependendo das necessidades do tratamento.
  23. 23. Algumas questões..... O Neurofeedback é incompatível com medicação? É possível fazer Neurofeedback e também usar medicação? Por quanto tempo é preciso fazer o tratamento?
  24. 24. A tecnologia do Neurofeedback A diferença está em que no jogo e em atividades lúdicas as frequências cerebrais estão predeterminadas pelo equipamento e se brinca com a "força do pensamento".BioPlay (http://www.mybioplay.com)
  25. 25. VÍDEO
  26. 26. FATORES AGRAVANTES do TDAH Substâncias ingeridas na gravidez; Sofrimento fetal; Exposição a chumbo; Problemas Familiares; (Problemas familiares podem agravar um quadro de TDAH, mas não causá-lo) Causas descartadas: Outros fatores já foram abandonados como causa do TDAH: 1. corante amarelo crepúsculo; 2. Aspartame; 3. luz artificial; 4. Deficiência hormonal (principalmente da tireóide); 5. Deficiências vitamínicas na dieta. Todas estas possíveis causas foram investigadas cientificamente e foram desacreditadas.
  27. 27. Sintomas do TDAH As perturbações de déficit de atenção são classificados em três grandes categorias. O elementos principais de diferenciação são a presença(ou não) dos sintomas de hiperatividade / impulsividade e da distração. A dificuldade de manter a atenção focada sob controle voluntário é encontrado em todos os tipos. Tipo Hiperativo-Impulsivo Tipo Desatento Tipo Combinado As características apresentadas a seguir devem estar presentes pelo período mínimo de seis meses, para que haja a suspeita do transtorno. Um diagnóstico completo só pode ser realizado por uma equipe multidisciplinar.
  28. 28. Hiperactivo-Impulsivo Características: Inquietação : mexer as mãos e/ou pés quando sentado, musculatura tensa, com dificuldade em ficar parado num lugar por muito tempo. Costuma ser o “dono” do controle remoto; Faz várias coisas ao mesmo tempo, está sempre a mil por hora, em busca de novidades, de estímulos fortes. Detesta o tédio; Consegue ler, assistir televisão e ouvir música ao mesmo tempo. Muitas vezes é visto como imaturo, insaciável; Pode falar, comer, comprar,... compulsivamente e/ou sobrecarregar-se no trabalho. Muitos acabam estressados, ansiosos e impacientes: são os workaholics; Tendência ao vício: álcool, drogas, jogos, Internet e salas de bate papo;
  29. 29. CARACTERÍSTICA MARCANTE “A impulsividade constitui uma das características psicológicas mais relevantes do período pré-escolar, sendo progressivamente substituída por um maior controle dos impulsos e por uma superior capacidade de reflexão sobre as situações” (Cruz, 1987, referido por Lopes, 2000).
  30. 30.  Baixo nível de tolerância: não sabe lidar com frustrações, com erros (nem os seus, nem dos outros). Muitas vezes sente raiva e se recolhe; Impaciência: não suporta esperar ou aguardar por algo: filas, telefonemas, atendimento em lojas, restaurantes..., quer tudo para “ontem”; Interrompe a fala do(s) outro(s); sua impaciência faz com que responda perguntas antes mesmo de serem concluídas; Costuma ser prolixo ao falar, perde sua objetividade em mil detalhes, sem perceber como se comunica. No entanto, não tem a menor paciência em ouvir alguém como ele, sem dar-se conta que é igual;
  31. 31. DESATENTOCaracterísticas: Inquietação, mexer as mãos e/ou pés quando sentado, musculatura tensa, com dificuldade em ficar parado num lugar por muito tempo. Costuma ser o “dono” do controle remoto; Desvia facilmente a atenção do que está fazendo e comete erros por prestar pouca atenção a detalhes. Muitas vezes distrai-se com seus próprios devaneios ou então um simples estímulo externo tira a pessoa do que está fazendo; Dificuldade de concentração em palestras, aulas, leitura de livros... (dificilmente termina um livro, a não ser que o interesse muito); Durante uma conversa pode distrair-se e prestar atenção em outras coisas, principalmente quando está em grupos. Relutância em iniciar tarefas que exijam longo esforço mental;
  32. 32.  Dificuldade em seguir instruções, em iniciar e completar uma tarefa (muitas vezes é visto como irresponsável); Dificuldade em organizar-se com objetos (mesa, gavetas, arquivos, papéis...) e com o planejamento do tempo (costuma achar que é 10 e que o dia tem 48h); Problemas de memória a curto prazo: perde ou esquece objetos, nomes, prazos, datas... Durante uma fala, pode ocorrer um “branco” e a pessoa esquecer o que ia dizer; Tipo Combinado: Apresenta as características combinadas de distratibilidade, hiperactividade e impulsividade.
  33. 33. vídeo
  34. 34. FIM MÓDULO I Caminhos para o diagnóstico; Diagnóstico em adultos; Tratamentos; Medicamentos recomendados em consenso de especialistas; Diagnóstico diferencial; Profissionais envolvidos; Como ajudar os portadores de TDAH a ativar o córtex pré-frontal produtivamente.
  35. 35. Até Breve!! Carla M. FaeddaE-mail: carla.faedda@oi.com.brcarlafaeddafono@hotmail.comFacebook: https://www.facebook.com/carlafonoSite: www.carlafaeddafono.xpg.com.br
  36. 36. MÓDULO II
  37. 37. Diagnóstico Diagnóstico em Crianças : O diagnóstico do TDAH não deve ser baseado exclusivamente em listas de sintomas - apenas ter muitos dos sintomas não significa que, necessariamente, alguém é portador do TDAH. Há várias outras causas que podem mimetizar os sintomas do TDAH ou até mesmo ocorrerem simultaneamente a ele - o que é chamado de co-morbidade; Um questionário denominado SNAP-IV (O DSM IV, Manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais, é o guia de referência em termos de classificação das perturbações mentais) e foi construído a partir dos sintomas do Manual de Diagnóstico e Estatística - IV Edição (DSM-IV) da Associação Americana de Psiquiatria. <<abrir arquivo>> além do CID-10. O diagnóstico pode oferecer dificuldades quando se refere aos lactentes e pré- escolares. Os critérios operacionais do DSM-IV-TR não são confiáveis para crianças menores de 4 anos e 6 meses, e até certo ponto, níveis inadequados de atenção, hiperatividade e impulsividade podem ser comportamentos normais nestas idades. Impulsividade e distratibilidade (desatenção). Em Portugal usa-se o mesmo questionário.
  38. 38. Etapas do processo Entrevistas com os pais (levantamento de queixas e sintomas e relato sobre o comportamento da criança em casa e em atividades sociais); - Entrevistas com professores (relato sobre o comportamento da criança na escola, levantamento de queixas, sintomas, desempenho escolar, relacionamentos com adultos e crianças,); - Questionários e escalas de sintomas para ser preenchidos por pais e professores; - Avaliação/observação da criança no consultório; - Avaliação neuropsicológica; - Avaliação psicopedagógica; - Avaliação fonoaudiológica.
  39. 39.  O diagnóstico de TDAH é feito com base nos sintomas clínicos relatados pelo indivíduo ou pelos pais, e interpretado por um especialista. O Eletroencefalograma, o Mapeamento Cerebral, a Tomografia Computadorizada, a Ressonância Magnética e o Potencial Evocado não podem fornecer este diagnóstico sozinhos! Existe a necessidade de uma avaliação intelectual-cognitiva, neuropsicológica, emocional e comportamental completas ou sob medida para as necessidades de diagnóstico diferencial do caso, incluindo medidas objetivas de ansiedade, stress, depressão, vulnerabilidade emocional e transtornos psiquiátricos / transtornos de personalidade, entre outras. Medições específicas para avaliação de desempenho escolar, dislexia, disgrafia e dificuldades de aprendizagem.
  40. 40. o que os professores têm a ver com o processo diagnóstico e com o tratamento de TDAH? Têm TUDO a ver! Os professores têm uma condição privilegiada de observação do comportamento das crianças sob os seus cuidados; observam em uma grande variedade de situações, atividades individuais dirigidas, atividades de trabalho grupal, etc; Identificam precocemente comportamentos atípicos;
  41. 41.  Como não existe um marcador laboratorial, um teste de imagem (MRI ou PET scan) ou um teste neuropsicólogico específicos para o diagnóstico, e também pelo fato do TDAH causar um comprometimento generalizado do processamento de informações pelo Sistema Nervoso Central, é necessário que as crianças sejam submetidas a uma análise minuciosa do comportamento: quando e por quanto tempo vem demonstrando os sintomas? Se estão presentes em casa, na escola e na comunidade?, se causam prejuízos significativos?
  42. 42. Diagnóstico em adultos O questionário mais utilizado é denominado ASRS-18 e foi desenvolvido por pesquisadores em colaboração com a Organização Mundial de Saúde. Os adultos com TDAH costumam ter dificuldade de organizar e planejar suas atividades do dia a dia. Por exemplo, pode ser difícil para uma pessoa com TDAH determinar o que é mais importante dentre muitas coisas que tem para fazer, escolher o que vai fazer primeiro e o que pode deixar para depois. Em conseqüência disso, quem TDAH fica muito “estressado” quando se vê sobrecarregado (e é muito comum que se sobrecarregue com freqüência, uma vez que assume vários compromissos diferentes), pois não sabe por onde começar e tem medo de não conseguir dar conta de tudo. Os indivíduos com TDAH acabam deixando trabalhos pela metade, interrompem no meio o que estão fazendo e começam outra coisa, só voltando ao trabalho anterior bem mais tarde do que o pretendido ou então se esquecendo dele. O portador de TDAH fica com dificuldade para realizar sozinho suas tarefas, principalmente quando são muitas, e o tempo todo precisa ser lembrado pelos outros sobre o que tem para fazer. Isso tudo pode causar problemas na faculdade, no trabalho ou nos relacionamentos com outras pessoas. A persistência nas tarefas também pode ser difícil para o portador de TDAH, que freqüentemente “deixa as coisas pela metade”.
  43. 43. O TDAH em adultos.... Maior incidência de divórcios; Menor tempo de escolaridade completados; Maior índice de demissões; Maior incidência de uso de drogas e de álcool; Muito mais casos de depressão, ansiedade e outros transtornos; Vários outros impactos na vida social e familiar do indivíduo.
  44. 44. Tratamentos para Transtorno de Déficit de Atenção - TDAH O Tratamento do TDAH deve ser multimodal, ou seja, uma combinação de medicamentos (em casos específicos), orientação aos pais e professores, além de técnicas específicas que são ensinadas ao portador e terapias coadjuvantes. Um tratamento integrado deve intervir simultaneamente sobre a base orgânica (com a medicação adequada, quando necessário), bem como sobre a estrutura ambiental na qual a pessoa vive e sobre seus padrões de comportamento (com terapia cognitivo-comportamental e neurofeedback). Medicamentos: Os estimulantes são a categoria de medicamentos mais usada para o tratamento dos transtornos de déficit de atenção é a Ritalina é o medicamento mais comum. Ainda há muito desconhecimento e preconceitos sobre o uso de estimulantes. Outras formas de tratamento medicamentoso, inclusive homeopáticos, vêm sendo empregados.
  45. 45. Medicamentos utilizados MEDICAMENTOS RECOMENDADOS EM CONSENSOS DE ESPECIALISTAS PRIMEIRA ESCOLHA: ESTIMULANTES (em ordem alfabética)NOME QUÍMICO NOME COMERCIAL DOSAGEM DURAÇÃO APROXIMADA DO EFEITO 30, 50 ou 70mg pela Lis-dexanfetamina Vevanse 12 horas manhã Metilfenidato (ação curta) 5 a 20mg de 2 a 3 vezes Ritalina 3 a 5 horas +50 anos de uso ao dia 18, 36 ou 54mg pela Concerta manhã 12 horasMetilfenidato (ação prolongada) Ritalina LA 20, 30 ou 40mg pela 8 horas manhã SEGUNDA ESCOLHA: caso o primeiro estimulante não tenha obtido o resultado esperado, deve-se tentar o segundo estimulante
  46. 46. TERCEIRA ESCOLHANOME QUÍMICO NOME DOSAGEM DURAÇÃO COMERCIAL APROXIMADA DO EFEITOAtomoxetina (Hepatotóxico) 10,18,25,40 e 60mg 1 nibidor da recaptura de Strattera 24 horas noradrenalina vez ao dia QUARTA ESCOLHA: antidepressivos 2,5 a 5mg por kg deImipramina (antidepressivo) Tofranil peso divididos em 2 doses 1 a 2,5mg por kg deNortriptilina (antidepressivo) Pamelor peso divididos em 2 dosesBupropiona (antidepressivo) Wellbutrin SR 150mg 2 vezes ao dia QUINTA ESCOLHA: caso o primeiro antidepressivo não tenha obtido o resultado esperado, deve-se tentar o segundo antidepressivo
  47. 47. SEXTA ESCOLHA: alfa-agonistas (agem no SNC)Clonidina (medicamento anti- 0,05mg ao deitar ou Atensina 12 a 24 horas hipertensivo) (2) 2 vezes ao dia OUTROS MEDICAMENTOSModafinila 100 a 200mg por dia, Stavigile(medicamento para distúrbio do sono) no caféOutros medicamentos:Focalin – um “derivado” do metilfenidato (na verdade, uma parte da própria molécula).Daytrana – um adesivo (para colocar na pele) de metilfenidato.Dexedrine – uma anfetamina (Dextroanfetamina); existe a formulação de ação curta e de açãoprolongada.Adderall – uma mistura de anfetaminas; existe a formulação de ação curta e de ação prolongada.
  48. 48. Diagnóstico diferencial É freqüente a associação do TDAH com outros distúrbios mentais como Transtorno Opositor-Desafiador, Transtorno de Conduta, Transtornos do Humor, Transtorno de Ansiedade ou com distúrbios do desenvolvimento como Deficiência Mental, Transtorno de Aprendizagem Escolar e Distúrbio do Desenvolvimento da Coordenação. Nessas situações, o uso de entrevistas semi-estruturadas de comportamento, com itens do DSM-IV e a aplicação de testes psicométricos e neuropsicológicos são de grande utilidade para concretizar o diagnóstico.
  49. 49. OUTROS PROFISSIONAIS Psicólogo:>> Avaliações psicológicas: estado emocional, testes psicométricos, cognitivos, entrevistas semi-estruturadas de comportamento, teste de Inteligência Weschsler - WISC III (Weschsler 2002) ; Fonoaudiólogo>>Avaliações das capacidades acadêmicas para detectar a presença de dificuldades específicas de aprendizagem (Dislexia, Discalculia, Disortografia, Disgrafia).
  50. 50.  Psicopedagogo>>abordar o processo da aprendizagem, como esse se desenvolve e de que forma o indivíduo se relaciona com o aprender; nos aspectos cognitivos, emocionais e sociais. Testes neuropsicológicos>>Também é essencial realizar testes das funções corticais superiores, como atenção, percepção, linguagem, coordenação e memória.
  51. 51.  A psicoterapia que é indicada para o tratamento do TDAH chama-se Terapia Cognitivo Comportamental. Não existe até o momento nenhuma evidência científica de que outras formas de psicoterapia auxiliem nos sintomas de TDAH. Obs: O tratamento com fonoaudiólogo está recomendado nos casos onde existe simultaneamente Transtorno de Leitura (Dislexia) ou Transtorno da Expressão Escrita (Disortografia) e baixo rendimento escolar ou transtorno de aprendizagem. O TDAH não é um problema de aprendizado, como a Dislexia e a Disortografia, mas as dificuldades em manter a atenção, a desorganização e a inquietude atrapalham bastante o rendimento dos estudos. É necessário que os professores conheçam técnicas que auxiliem os alunos com TDAH a ter melhor desempenho.
  52. 52. Equipe multidiciplinar Médico (neurologista/psiquiatra/neuropsiquiatra/neuro pediatra); Psicólogo (neuropsicólogo); Psicopedagogo (Psicologia educacional); Fonoaudiólogo(especialista em linguagem);
  53. 53. Como ajudar o portador de TDAH a ativar o córtex pré- frontal com atividades produtivas. Desenvolva um foco claro: isso se faz através do estabelecimento de metas diárias, semanais, a curto, médio e longo prazo; Concentrar-se no que gosta e não no que não gosta; Organize-se e procure ajuda de terceiros: Separe tempo extra, esvazie a agenda( isso deixa tempo extra) , dê prioridade a poucos projetos; Pratique Neurobiofeedback e Meditação; Pare de ser o estimulante de alguém: Fale calmamente, se começar a sair do controle, vá ao banheiro ou vá tomar um cafezinho; Alimente o seu córtex pré-frontal com os alimentos corretos(ricos em zinco, arginina Praticar exercícios pode ser um aliado.
  54. 54. OBRIGADA!!!
  55. 55. CONTATOS Carla M. FaeddaE-mail: carla.faedda@oi.com.brcarlafaeddafono@hotmail.comFacebook: https://www.facebook.com/carlafonoSite: www.carlafaeddafono.xpg.com.br
  56. 56. REFERÊNCIASABDA (Associação Brasileira de déficit de atenção. Site: http://www.tdah.org.br/;Em Portugal: Asociação Portuguesa da Criança hiperactiva. Site: www.apdch.net;Instituto Paulista de Déficit de atenção. Disponível em<http://www.dda- deficitdeatencao.com.br> Acesso em: 10 setembro 2010.MATTOS, j. No Mundo da Lua: Perguntas e respostas sobre Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade em crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Lemos Editorial,2001.TOPCZEWSKI, Abram. Hiperatividade, Como Lidar. São Paulo: ISBN, 2002.

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