Operariado

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Operariado

  1. 1. A CONDIÇÃO OPERÁRIA
  2. 3. <ul><li>Caracterizar a condição operária </li></ul><ul><li>Relacionar a condição operária com as doutrinas socialistas . </li></ul><ul><li>Caracterizar o movimento operário do século XIX </li></ul>
  3. 4. A Revolução Industrial modificou completamente ou mais , precisamente, destruiu os vínculos que uniam o trabalhador ao seu empregador . Antigamente , quando floresciam os ofícios manuais , a indústria era governada por uma hierarquia legítima , aceite e respeitada tanto por operários como por mestres. Hoje, a família industrial dissolveu-se. Nas grandes manufacturas, que absorvem a maioria dos trabalhadores , não existem aprendizes, nem colegas de ofício, nem mestres; não existem senão assalariados e administradores de capitais. Do ponto de vista do capital , o operário é um mero agente de produção , que nada distingue dos agentes mecânicos: o objectivo é a produção abundante e a custo mais baixo… O operário converteu-se em tão pouca coisa na grande indústria . A sua habilidade manual e a sua inteligência assumem tão pouca importância em presença das maravilhas mecânicas, que dirige sem as compreender , que não lhe é nunca atribuída a menor parcela na prosperidade da indústria. Eugène Buret; Da miséria das classes laboriosas
  4. 5. Explica o significado de Proletariado. O Proletariado é aquele que não domina os meios de produ ç ão, tal como fazia o artesão. A f á brica e as m á quinas pertencem a quem det é m o capital(a alta burguesia). O oper á rio situado no patamar inferior desta sociedade apenas tem como seu, a sua for ç a de trabalho que vende ao empres á rio em troca de um sal á rio.
  5. 7. Ele, Vicente Maheu , que lograra sair pouco mais ou menos vivo da mina , só com as pernas um pouco desaprumadas, passava por um felizão! Mas que se havia de fazer? Não havia remédio senão trabalhar. Assim se fazia de pais para filhos , como se podia fazer qualquer outra coisa. O seu filho lá andava agora a labutar e mais os seus netos e mais toda a familória que morava defronte do cortiço. Cento e seis anos de trabalheira para o patrão, desde os grandes até aos fedelhos. -Ainda quando se come!- murmurou Estêvão de novo. -É o mesmo que eu digo, enquanto há pão para comer , vai-se vivendo! Émile Zola, O Germina l
  6. 8. Analisa os seguintes gráficos:
  7. 9. Orçamentos operários em finais do século XIX
  8. 10. <ul><li>os salários dos operários eram baixos, o que os manteve no limiar do mínimo de sobrevivência e estavam sujeitos à arbitrariedade e à exploração do empresário, resultado do liberalismo económico e da política de livre concorrência </li></ul>
  9. 11. Betty Harris, 37 anos . Casei-me aos 23 anos e só depois desta altura, desci à mina. Não sei ler nem escrever. Puxo as vagonetas de carvão e trabalho das 6 horas da manhã às 6h da tarde . Há uma pausa de cerca de meia hora para almoçar: para isso dão-me pão com manteiga, mas nada para beber. Tenho dois filhos , mas são muito novos para trabalhar. Puxei as vagonetas quando estava grávida. Conheço uma mulher que entrou em casa , depois do trabalho, lavou-se, deitou-se, pariu e voltou ao trabalho menos de uma semana depois. Uso uma correia em torno da cintura , uma cadeia que me passa entre as pernas e avanço com as mãos e os pés. O caminho é muito íngreme e somos obrigadas a agarrarmo-nos a tudo o que podemos . No poço em que trabalho há 6 mulheres. No sítio em que trabalho a fossa é muito húmida e água cobre-nos sempre os sapatos. Um dia estive com água até às coxas. Os meus fatos estão ensopados, quase todos os dias. Nunca estive doente na minha vida, a não ser na altura dos partos. Relatório Parlamentar inglês de 1842
  10. 12. Pergunta-A que horas é que as rapariguinhas vão para a fábrica? Resposta- Durante 6 semanas, elas foram às 3 h da manhã e terminaram às 10h da noite. P.-Que pausas tinham durante essas 19 horas para repouso e almoço? R-Um quarto de hora para o pequeno almoço, meia hora para o almoço e um quarto de hora para beber. P.-Quanto tempo dormiam? R.-Nunca conseguíamos deitá-las antes das 11h P.-Quanto tempo durou esta situação? R.- Cerca de seis semanas. P-As vossas filhas sofreram acidentes? R. – Sim , a mais velha perdeu um dedo.Ficou no hospital durante 5 semanas. P- Pagaram-lhe o salário durante esse tempo? R.- Não , ficou suspenso. P-Bateram nas vossas filhas? R- Sim em todas elas. Testemunho de um operário fabril
  11. 13. <ul><li>A necessidade de sobreviver generalizou o emprego às mulheres e às crianças, cuja força de trabalho, passou a ser preferida pelos patrões pois: </li></ul><ul><li> usavam-na para diminuir os custos de produção, visto que estas recebiam salários inferiores aos masculinos. </li></ul>
  12. 14. Existência de trabalho infantil (4 a 6 anos)- As crianças eram severamente castigadas quando faziam algum erro.
  13. 15. Jornada de trabalho de 12 a 16 Horas; Despedimento sem subsídio; não tinham férias, subsídios de férias, nem reformas
  14. 16. Charlie Chaplin Tempos Modernos . O trabalho era rotineiro e monótono
  15. 17. <ul><li>hor á rios de refei ç ões e de pausa praticamente inexistentes </li></ul><ul><li>Existindo contratos de trabalho, aos trabalhadores competiam os deveres e aos empregadores os direitos. </li></ul>
  16. 18. Nas fábricas faltava ilumina ç ão, arejamento e higiene, o barulho era ensurdecedor
  17. 19. <ul><li>As f á bricas não dispunham de estruturas de apoio social </li></ul><ul><li>(primeiros socorros, cantinas , vesti á rios ou instala ç ões sanit á rias); </li></ul>
  18. 20. <ul><li>A falta de seguran ç a destacava-se principalmente nas minas, nos acidentes, em vez </li></ul><ul><li>de assistência m é dica, o acidentado “ recebia ” o despedimento sem compensa ç ão ou </li></ul><ul><li>apoio social; </li></ul><ul><li>Ambientes glaciais, no inverno, e tórridos no Verão: Comparando a mina com a fábrica, esta é muito mais aliciante, pois não é gelada no Inverno, nem tórrida no Verão, não se corre o risco de morrer num desabamento de terra ou num incêndio. </li></ul>
  19. 22. <ul><li>Viver para ele , é não morrer. Para além do pedaço de pão que o deve alimentar e à sua família; para além da garrafa de vinho que por um instante lhe deve tirar a consciência das suas dores, não quer nada , não espera nada. </li></ul><ul><li>O proletário entra no seu quarto miserável onde o vento assobia através das fendas e depois de ter suado no trabalho após uma jornada de 14 horas, não muda de roupa ao regressar , porque não a tem. </li></ul><ul><li>A. Guèpin, Nantes, no Século XIX </li></ul>
  20. 23. <ul><li>Os compartimentos eram escuros e muitos sem ventilação directa para o exterior; </li></ul><ul><li>Não permitiam a privacidade do casal em relação aos filhos; dos irmão em relação às irmãs, dos vizinhos entre si; </li></ul>
  21. 24. <ul><li>Raramente possuíam fornecimento directo de água ou de gás, de iluminação e de aquecimento; </li></ul><ul><li>As instalações sanitárias, quando existiam, eram comuns a várias famílias e colocadas no exterior dos apartamentos; </li></ul>
  22. 25. Passavam fome: o peixe e a carne eram um luxo <ul><li>Estas condições de vida favoreceram: </li></ul><ul><li>- o aparecimento e a propagação </li></ul><ul><li>de graves doenças ( tuberculose, </li></ul><ul><li>sarampo, varíola, ;) </li></ul>
  23. 26. Esta situação provocava a degradação de vida e a miséria moral: - criminalidade -alcoolismo -prostituição - descontentamento; - revoltas e agitação social.
  24. 27. <ul><li>As más condições de vida e de trabalho alteraram os hábitos e costumes dos operários e determinaram a destruição das relações familiares: </li></ul><ul><li>-os esposos a maltratavam-se; </li></ul><ul><li>-as ligações conjugais desfaziam-se com facilidade; </li></ul><ul><li>-a taxa do abandono infantil era elevada (infanticídio); </li></ul><ul><li>-o desrespeito dos filhos pelos pais acentuou-se. </li></ul>Filme: O Germinal
  25. 28. Foi neste ambiente que nasceu e se desenvolveu o movimento operário e sindical e se desenvolveram as ideias do socialismo. Vídeo Luta operária
  26. 30. O agravamento das condições de vida do proletariado e a pobreza generalizada originaram um ambiente social de agitação e conflito, levando os operários a lutarem pelos seus direitos e a exigirem justiça social.
  27. 31. 1859 - 1914 Neste ambiente de degradação , quer das condições humanas , quer de trabalho desta classe , começam a surgir na 1ª metade do século XIX as doutrinas socialistas que denunciaram dos excessos da exploração capitalista, -Defenderam a erradicação da miséria operária -procura de uma sociedade mais justa e igualitária.
  28. 32. Doutrinas socialistas Socialismo Utópico -Saint-Simon propunha a acabar com a exploração do homem pelo homem entregando a direcção do Estado e a reorganização da economia a uma elite de sábios. -Proudhon defendia a abolição da propriedade privada, Socialismo Científico <ul><li>Marx e Engels defendiam que ao longo da História havia uma sucessão de modos de produção devido à luta de classes. </li></ul><ul><li>Essa luta, que nesse momento era entre operários e burgueses, conduziria à destruição do capitalismo e levaria à implantação da ditadura do proletariado que construiria uma sociedade comunista </li></ul><ul><li>sem classes. </li></ul>
  29. 33. Em certa época, as palavras socialismo e comunismo tinham o mesmo significado: uma sociedade em que os meios de produção fossem propriedade pública. Hoje, há uma grande distinção entre os dois termos. Desde a Revolução Russa , em 1917, socialismo e comunismo passaram a designar duas coisas bem diferentes . O socialismo constituiu-se numa doutrina menos radical do que o comunismo, propondo uma reforma gradual da sociedade capitalista, de modo a chegar a um modelo em que exista equilíbrio entre o valor do capital e o do trabalho, para diminuir a distância entre ricos e pobres. O comunismo, ao contrário, defende o fim da ordem capitalista, através de uma revolução armada que terá como objectivo o fim da burguesia. O socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo. Este, por sua vez, seria um sistema de organização da sociedade que substituiria o capitalismo, implicando o desaparecimento das classes sociais e do próprio Estado. &quot; No socialismo, a sociedade controlaria a produção e a distribuição dos bens em sistema de igualdade e cooperação. Esse processo culminaria no comunismo, no qual todos os trabalhadores seriam os proprietários de seu trabalho e dos bens de produção&quot;,
  30. 34. Karl Marx 1818-1883 Friedrich Engels 1820-1895 Manifesto do Partido Comunista 1848
  31. 35. <ul><li>  </li></ul>PROLETARIADO                         BURGUESIA
  32. 36. <ul><li>Classe social proprietária dos meios de produção, que veio a dominar a vida política, económica e intelectual. </li></ul>
  33. 37. <ul><li>Classe dos trabalhadores assalariados, que não tem meio de produção, estão reduzidas a vender a sua forças de trabalho, para sua sobrevivência. </li></ul>
  34. 38. <ul><li>“ A meta imediata dos comunistas é a mesma de todos os outros partidos proletários: a formação do proletariado numa classe, o derrube da supremacia burguesa, a conquista do poder político pelo proletariado”. </li></ul><ul><li>  . .. a teoria dos comunistas pode ser resumida numa sentença, abolição da propriedade privada. </li></ul><ul><li>...o primeiro passo para a revolução da classe trabalhadora é conduzir o proletariado à posição de classe governante. O proletariado usará a sua supremacia política para se apoderar, gradualmente de todo o capital da burguesia e centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado,...” </li></ul><ul><li>Marx. Manifesto Comunista </li></ul>
  35. 39. sustentam-se nas relações de propriedade manifestam-se em todas as esferas da vida social Determinam as classes sociais
  36. 40. FORÇAS PRODUTIVAS RELAÇÕES SOCIAIS DE PRODUÇÃO Quantidade de bens e riqueza que uma comunidade é capaz de produzir num dado momento São as que se estabelecem entre os homens na esfera económica, quando trabalham
  37. 41. <ul><li>Relações de exploração Relações de cooperação </li></ul>Baseadas na propriedade privada dos meios de produção Baseadas na propriedade social dos meios de produção <ul><li>Relações de escravidão </li></ul><ul><li>Relações de servidão </li></ul><ul><li>Relações capitalistas </li></ul><ul><li>Sociedades primitivas </li></ul><ul><li>Futura sociedade sem classes </li></ul>
  38. 42. <ul><li>defendeu uma luta de classes sem tréguas entre operários e capitalistas. Esta luta teria uma feição económica, na medida em que, organizados em sindicatos, os operários lutavam pelo justo salário. Mas assumiria também, um carácter político, na medida em que, só organizando-se em partido, o proletariado conquistaria o poder, recorrendo-se, se necessário, à revolução. </li></ul>
  39. 43. <ul><ul><ul><li>cujo objectivo era fundamentalmente o apoio e assistência a associadas em dificuldades, quer na doença, no desemprego e nos acidentes de trabalho. </li></ul></ul></ul><ul><li>procuravam dar resposta às necessidades de consumo dos operários, produzindo e comercializando bens a preços competitivos sem lucros, ou distribuindo-os por todos os cooperantes quando este existia. </li></ul>ASSOCIAÇÕES DE SOCORROS MÚTUOS OU CAIXAS MUTUÁRIAS COOPERATIVAS
  40. 44. 1859 - 1914
  41. 45. 1911: Operários, em Lisboa, agradecem semana de 6 dias. O movimento operário alcança importantes direitos para os trabalhadores, como a fixação de um horário de trabalho e a concessão de um dia semanal de descanso. Direito à higiene e salubridade nos locais de trabalho. Direito a um sistema de segurança social.
  42. 46. Direito à greve Aparecimento das primeiras leis de protecção ao trabalho feminino e infantil.
  43. 48. Com o tempo, o sindicalismo assume a faceta de uma luta de classes e para coordenar o movimento oper á rio surge em Londres a I Internacional que foi o resultado do apelo de Marx à união e à solidariedade internacional dos trabalhadores. Marx pretendia unir partidos socialistas e for ç as sindicalistas à escala do globo e lan ç ar o operariado na luta pol í tica. Os progressos do movimento oper á rio resultaram numa maior consciencializa ç ão dos problemas laborais e na extensão e intensifica ç ão da luta sindical. Toda esta luta deu depois origem a partidos pol í ticos sociais um pouco por toda a Europa.

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