Entrevista ao meu avô paterno jorge pinho alexandre-6ºa

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Entrevista ao meu avô paterno jorge pinho alexandre-6ºa

  1. 1. Entrevista ao meu avô paternosobre a escola no seu tempoJorge Pinho (72 anos), natural da freguesia de Cesar,concelho de Oliveira de AzeméisAlexandre: Avô como era a escola na sua época?Avô Jorge: A escola no meu tempo, antes de 1950, era muito diferente da tuaescola, o mundo era diferente, eram tempos muito mais pobres especialmentedevido à segunda guerra mundial.A minha escola só tinha duas salas de aula, uma para rapazes outra pararaparigas. As salas de aula tinham muitas carteiras (mesa com os respetivosbancos) porque em cada sala estavam muitos alunos (mais de 40) das 4classes com um só professor, um professor para os rapazes e uma professorapara as raparigas. Em cada carteira sentavam-se dois alunos. Não haviaesferográficas, escrevíamos em lousas com ponteiros (também de lousa). Oslivros eram iguais em todas as escolas e duravam muitos anos, serviam paratodos os irmãos, portanto era mais fácil os irmãos ajudarem-se. Havia poucoscadernos e neles escrevíamos com lápis e com penas com bicos para tinta enas carteiras havia um tinteiro para molharmos o bico da pena. Para secar atinta púnhamos em cima da escrita um papel cor-de-rosa chamado mata-borrão. Na sala de aula havia uma palmatória de madeira e uma cana debambu com que o professor batia nos alunos que se portavam mal ou nãoestudavam.Tínhamos aulas todo o dia, só vínhamos almoçar a casa. Íamos e vínhamos apé porque não havia carros.Alexandre: Quais eram as disciplinas que vocês aprendiam?Avô Jorge: Na disciplina de português aprendia-se a ler e a escrevercomeçando pelas letras A, E, I, O, U. Para aperfeiçoar a caligrafia dedicávamosmuito tempo a escrever com cadernos de duas linhas, primeiro linhas largas,depois mais estreitas e, por fim, ainda mais estreitas. Estudávamos agramática, liamos, fazíamos ditados, cópias e redações. Fazíamos muitosexercícios.Na disciplina de geografia aprendia-se sobre Portugal continental, sobre asilhas, Madeira e Açores e sobre as colónias em África, na India e em Timor.Aprendia-se os rios, as serras, os caminhos-de-ferro e produções agrícolas.Fazíamos muitos exercícios.
  2. 2. Na disciplina de aritmética aprendíamos muito bem a tabuada cantada (todosos alunos ao mesmo tempo diziam a tabuada em voz alta). Aprendíamos afazer contas, somar, subtrair, dividir e multiplicar. Aprendíamos a fazerproblemas e a calcular as áreas geométricas, o cone, o quadrado, o lusango,etc. Fazíamos muitos exercícios.Na disciplina de história aprendíamos a história de Portugal, sobre os reis erainhas desde D. Afonso Henriques.Também aprendíamos a fazer desenhos.Quando se chegava ao fim do ano fazíamos exames, se não soubéssemos osuficiente não passávamos de ano, portanto ficávamos a repetir o ano. Oobjetivo era fazer a 4ª classe ficando a saber muito bem, português, aritméticae geografia.Um dos principais objetivos de ensino era estimular nas crianças a formação docarácter, a cultura de espirito e a devoção ao espirito social no amor a Deus, àpátria e à família.Alexandre: Qual a primeira coisa que faziam quando entravam na sala deaula?Avô Jorge: No início das aulas cantávamos o hino de Portugal “ APORTUGUESA”, em cada sala havia um crucifixo e rezava-se.Alexandre: As crianças andavam na escola até que idade?Avô Jorge: Para os pais, a escola era um “fardo”. Estavam sempre à esperaque os filhos saíssem para irem trabalhar e ganhar dinheiro para ajudar afamília. Eram tempos de miséria e dificuldade e muitos não tinhamoportunidade de estudar, iam com sete anos trabalhar para ganhar dinheiro. Oensino só era obrigatório até à 4ª classe. Depois da 4ª classe poucoscontinuavam a estudar. Havia os liceus, onde se aperfeiçoava as matérias quese tinham aprendido até à 4ª classe e se aprendia matérias novas, línguas(francês e inglês), história universal, ciências, matemática, desenho, havia asescolas industriais, onde se aprendia profissões tais como serralheiro,eletricista, etc., e havia escolas comerciais onde se aprendia contabilidade eoutros trabalhos de escritório. Tinha-se de estudar muito e fazer muitosexercícios. No fim de cada ano letivo havia exames nacionais muito rigorosos,e quem reprovasse tinha de repetir.Na minha época ler e aprender era privilégio de poucos e o abandono escolarera muito. Eu fiz até à quarta classe, e só mais tarde, já adulto e a trabalhar, éque retomei os estudos (à noite) para completar o liceu.
  3. 3. Alexandre: Obrigado, avô, por este tempo que passou comigo, e que para mimfoi muito útil para eu perceber a diferença entre a escola no seu tempo e nomeu.Avô Jorge: Tive muito gosto em dar o meu testemunho.A Escola do meu avô. Os dois portões serviam para a entrada separadados rapazes e das raparigas.
  4. 4. Salas de aula na época do Estado Novo
  5. 5. Livros da Escola no tempo do meu avô
  6. 6. Livros da Escola no tempo do meu avô (continuação)
  7. 7. Livros da Escola no tempo do meu avô (continuação)Trabalho realizado por: Alexandre Ferreira Pinho, 6º A, Nº 1,com a colaboração do seu Avô paterno, Jorge Pinho

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