1 a organização do tempo pedagógico no trabalho docente

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1 a organização do tempo pedagógico no trabalho docente

  1. 1. A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO NO TRABALHO DOCENTE: ENTRE O PRESCRITO E O REALIZADO ERNALDINA SOUSA SILVA RODRIGUES ELIANE MAURA LITTIG MILHOMEM DE FREITAS
  2. 2. A ORDENAÇÃO DO TEMPO ESCOLAR O tempo escolar é institucional, é organizativo e é fato cultural, como tal resulta de uma construção histórica. O tempo escolar, tal como ocorre hoje nas escolas, ou seja, com a distribuição de conteúdos, matérias e atividades durante o ano letivo e o estabelecimento de horários, é fruto de mudanças das concepções de educação escolar e das reformas educacionais.
  3. 3. A ORDENAÇÃO DO TEMPO ESCOLAR Embora os tempos escolares tenham sido definidos pelo currículo nacional único e pela legislação, as discussões em torno dessa dimensão importante no trabalho educativo ganharam relevância no fim do século XX e continuam em relevância no início do século XXI. Essas discussões trazem elementos para a reflexão sobre a sequência temporal que orienta a organização do trabalho escolar, as diferentes formas pelas quais passou e tem passado, bem como suas múltiplas temporalidades, seus usos e significados
  4. 4. A ORDENAÇÃO DO TEMPO ESCOLAR A organização do tempo escolar caminha junto com a institucionalização da escola pública e ganha a legitimação de ritmos e tempos sob controle do Estado. A prescrição do tempo por meio de calendários, rotinas, programas e projetos na escola tem como foco as práticas escolares, atividade principal da organização do ensino.
  5. 5. CALENDÁRIO ESCOLAR
  6. 6. CALENDÁRIO ESCOLAR Teixeira (1999) em seu artigo sobre “cadências escolares e ritmos docentes” afirma que, após analisar os calendários escolares de algumas escolas, observou que eles especificam vários períodos e temporalidades, delimitando conjuntos de tempo/atividades, tais como: as jornadas de trabalho e dias de descanso (feriados, recessos, férias); as subunidades de temporalização como bimestres, trimestres, quinzenas, semanas e dias letivos; os períodos festivos e comemorativos (dia das mães, do índio, etc); as datas pedagógicas especiais, como os dias de planejamento, “as semanas de avaliação”, os períodos de recuperação; os períodos não letivos, como os de seleção e matrícula; as datas das reuniões e assembleias escolares; a programação extra escolar, como as excursões; os “dias de conveniência”, as feiras de cultura, as competições esportivas e etc. (p.98)
  7. 7. CALENDÁRIO ESCOLAR O calendário evidencia o caráter de organização, continuidade, uniformidade e linearidade do tempo vivido na escola. O ano escolar institui um tempo de trabalho permanente, que cessa quando autorizado.
  8. 8. A ordenação minuciosa do emprego do tempo revela o sentido estrutural que ele adquire na racionalização curricular. Ordenar os conteúdos por série, lições e aulas consistia em uma tarefa árdua. Na distribuição do tempo nas escolas, os horários surgiram como objetos catalisadores de uma determinada estrutura temporal, pondo em funcionamento um dispositivo que visava assegurar a marcha da classe, evitar interrupções desnecessárias, manter o tempo todo ocupado, impedir a dispersão e a desordem. Respeitar o tempo fazia parte da disciplina.
  9. 9. O tempo escolar próprio da escola é ritmado pelas cadências das atividades como início das aulas, conclusão da série, exames finais, horários de aulas, recreio e festas de encerramento do ano letivo.
  10. 10. Os horários de aulas, são ordenados em função das disciplinas escolares e de sua sequência ao longo dos dias, das semanas, das quinzenas, dos meses e anos, visando facilitar o controle do trabalho docente.
  11. 11. A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO ESCOLAR DE ACORDO COM A LDB Nº 9394/96 (art. 23) A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos e estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.
  12. 12. A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO ESCOLAR DE ACORDO COM A LDB Nº 9394/96 (art. 23) A LDB é flexível com relação à Educação Básica quando usa o verbo poder em vez de dever, porém essa flexibilidade de organização se faz seguir de uma obrigatoriedade na duração do ano letivo que, de acordo com a lei, terá 800 horas efetivas de aulas, em 200 dias letivos no tempo escolar.
  13. 13. TRABALHO DOCENTE E A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO A AULA: a aula normamente compreende entre 50 a 60 minutos.
  14. 14. TRABALHO DOCENTE E A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO A organização do tempo escolar pode ser dividido em administrativo e pedagógico. O tempo escolar administrativo visa precisamente ao controle das atividades de professores e alunos, por meio dos calendários, jornadas e horários.
  15. 15. TRABALHO DOCENTE E A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO O tempo escolar pedagógico diz respeito ao trabalho de ensino do professor em sala de aula, de certa forma sustentados pelo tempo administrativo. Esse tempo deve ser organizado de acordo com os horários estabelecidos pela escola, isto é, os horários de entrada, de recreio e de saída e os saberes acumulados no processo de ensino. Se o professor conhece os seus alunos, esse fator pode facilitar ainda mais esta organização que inclui no seu bojo momentos de continuidade e descontinuidades de atividades que fazem parte da cultura escolar nas instituições do Ensino Fundamental.
  16. 16. TRABALHO DOCENTE E A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO Os momentos de continuidade podem ser traduzidos como a apresentação e o desenvolvimento das atividades que envolvem os conteúdos das disciplinas ensinadas. Os momentos de descontinuidades são expressos nas paradas para reclamar a atenção dos alunos sobre a indisciplina, nas paradas para apontar o lápis ou mesmo na parada para o recreio.
  17. 17. TRABALHO DOCENTE E A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO A organização do tempo perpassa uma rotina de atividades no trabalho de ensino. A rotina é produto de uma construção histórica e cultural, produzida e reproduzida pela escola e pelo professor como processo de aprendizagem e de organização das atividades de ensino. A forma de organizar a rotina de trabalho pode facilitar e controlar o uso do tempo pedagógico na sala de aula, conforme a frequência de planejamento estabelecido no tempo coletivo pedagógico.
  18. 18. TRABALHO DOCENTE E A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO O trabalho docente engloba a estrutura educacional, as condições de trabalho, métodos, opções didáticas, prática pedagógica e a organização do tempo em suas múltiplas dimensões, ou seja, tempo escolar, tempo administrativo, disciplinar, tempo de aprendizagem, dentre outros.
  19. 19. TRABALHO DOCENTE E A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO A organização do tempo pedagógico pressupõe a distribuição dos conteúdos fixados no plano de curso, visando controlar a duração das atividades e promover a aprendizagem, uma temporalidade racional. Por exemplo, para conseguir atingir os objetivos de ensino e de aprendizagem, o professor pode implementar modalidades de organização por meio de “projetos, atividades permanentes, sequência de atividades e atividades independentes” (LERNER, 1996, p.10-11)
  20. 20. TRABALHO DOCENTE E A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO As atividades de ensino podem ser caracterizadas como sendo os conteúdos curriculares trabalhados no tempo dedicados em cada aula, requerendo do professor domínio do conteúdo a ser ensinado, estimulação dos alunos para a aprendizagem, preparação das condições materiais para essa aprendizagem, seja, exposição oral, escrita, uso de recursos didáticos e etc. O conjunto dessas atividades pode nos ajudar a fazer uma leitura do emprego do tempo pedagógico no trabalho de ensino do professor, totalmente circunscrito no tempo prescrito a escola.
  21. 21. TRABALHO DOCENTE E A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO Esses tempos são vivenciados pelos professores e seus alunos no fazer das atividade de ensino, requerendo, principalmente deles, em um dia de trabalho, de forma bem peculiar, o fazer do ensino para promover a aprendizagem dos alunos. Nesse tempo o professor precisa dar conta de cerda de, 25 a 30 alunos de uma só vez. Este “dar conta” pressupõem conta da aprendizagem, da indisciplina, das solicitações individuais e coletivas dos alunos, do ensino dos conteúdos, das interferências, das solicitações dos eventos pela escola e outras instituições, dentre outras.
  22. 22. TRABALHO DOCENTE E A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO A organização pedagógica do tempo na sala de aula requer do professor o desenvolvimento de planejamento, coordenação, controle, envolvendo a manipulação do espaço físico, de recursos didáticos pedagógicos, de coerções verbais e disciplinares visando a realização dos eu trabalho. Esses esforços convergem no sentido de atingir a aprendizagem do aluno, tendo para isso que desenvolver atividades dentro e fora da escola.
  23. 23. TRABALHO DOCENTE E A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO O espaço fora de sala de aula pode ser realizado com a presença do professor, para exploração dos conteúdos curriculares ou sem a presença dele, como por exemplo, a realização das lições de casa.
  24. 24. TEMPOS E RITMOS PRESENTES NA SALA -A organização da sala; - Escrever no quadro com o objetivo de ensinar a leitura e escrita; - Controle da disciplina; - Sequência de atividades; - Recuperação; - Acompanhamento individual de alunos;
  25. 25. TEMPOS E RITMOS PRESENTES NA SALA Em sala de aula, o professor precisa dar conta da turma (manejo), apresentar, desenvolver e avaliar o conteúdo, a cada momento, a cada nova situação. A cada pergunta, questionamento dos alunos, o/a professor/a precisa explicar o exercício proposto de outra forma e continuar com a assistência individual.
  26. 26. TEMPOS E RITMOS PRESENTES NA SALA A organização do tempo pedagógico no trabalho docente se dá no enfrentamento das situações de trabalho. Esta organização abrange o momento da situação e representa a “reordenação” da prescrição. É no uso que o professor faz do tempo em sala de aula que possibilita novas formas de organização. Essas formas caracterizam-se pela ressignificação das atividades frente aos acontecimentos gerados pela indisciplina dos alunos, pelas rupturas e continuidades, repetições, pelas interferências externas e pela imprevisibilidade e, de certa forma, requerem uma ação imediata do professor e, às vezes, uma reordenação das atividades desenvolvidas.
  27. 27. TEMPOS E RITMOS PRESENTES NA SALA A organização do tempo pedagógico no trabalho docente se dá no enfrentamento das situações de trabalho. Esta organização abrange o momento da situação e representa a “reordenação” da prescrição. É no uso que o professor faz do tempo em sala de aula que possibilita novas formas de organização. Essas formas caracterizam-se pela ressignificação das atividades frente aos acontecimentos gerados pela indisciplina dos alunos, pelas rupturas e continuidades, repetições, pelas interferências externas e pela imprevisibilidade e, de certa forma, requerem uma ação imediata do professor e, às vezes, uma reordenação das atividades desenvolvidas.

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