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CENTRO DE
TRABALHOS ESPÍRITA
ANA LUZ
ALLAN KARDEC: O Professor e o Codificador
1804-1869
ALLAN KARDEC :
O Professor e o Codificador
Objetivo Específico
Identificar os aspectos mais importantes da vida de
Allan Kardec e os traços marcantes da sua
personalidade;
Destacar a missão de Allan Kardec
“Quando uma
criatura humana
desperta para um
grande sonho e
sobre ele lança toda
a força de sua alma,
todo o universo
conspira a seu
favor”.
SubsídiosSubsídios
Nome:
Data Nascimento:
Cidade onde nasceu:
Pai:
Mãe:
Educação: Aluno de Pestalozzi - 1808 -1817
Hippolyte Léon Denizard Rivail
03 de outubro de 1804
Lião (França)
Jean-Baptiste Antoine Rivail
Jeanne Louise Duhamel
Atuação da família:
Magistratura e Advocacia
Seu interesse:
Estudo das ciências e filosofia
ESDE - Duas são as fases em que
se pode dividir a vida de Allan Kardec:
A primeira, como o consagrado
professor Rivail;
A segunda, como o Codificador do
Espiritismo.
Destacaremos, a seguir, os
aspectos mais importantes de sua
luminosa trajetória pela Terra.
Rua Sala (Lyon, França)
- Aproximadamente
nesse local ficava a casa
ode nasceu Hippolyte-
Léon Denizard Rivail, o
futuro Allan Kardec, em 3
de outubro de 1804, no
seio de antiga família
lionesa, de nobres e
dignas tradições.
☞ Foram seus pais Jean-Baptiste Antoine
Rivail, magistrado íntegro, e Jeanne Louise
Duhamel [...]. O futuro codificador do Espiritismo
recebeu um nome querido e respeitado e todo um
passado de virtudes, de honra e probidade.
Grande número de seus antepassados se
tinham distinguido na advocacia, na magistratura e
até mesmo no trato dos problemas educacionais.
Bem cedo, o menino se revelou altamente
inteligente e agudo observador, denotando franca
inclinação para as ciências e para os assuntos
filosóficos, compenetrado de seus deveres e
responsabilidades, como se fora um adulto. (12).
É de se presumir que a influência
paterna e materna tenham sido da mais
benéficas na sua infância, constituindo-se
em fonte de nobres sentimentos.
 Rivail realizou
seus primeiros estudos
em Lião, sua cidade
natal, sendo educado
dentro de severos
princípios de honradez e
retidão moral.
☞ Com a idade de dez anos, seus pais
o enviaram a Yverdon, cidade suíça do
cantão de Vaud, situada na extremidade S.
O. do lago Neuchâtel e na foz do Thiele, a
fim de completar e enriquecer sua bagagem
escolar no célebre Instituto de Educação ali
instalado em 1805, pelo professor-filantropo
Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827);
[...] Frequentado todos os anos por
grande número de estrangeiros, citado,
descrito, imitado, era, numa palavra, a
escola modelo da Europa. (15)
 Altas personalidades políticas,
científicas, literárias e filantrópicas voltavam
maravilhadas de suas visitas ao famoso Instituto.
Louvaram o criador dessa obra
revolucionária, e por ela também se interessaram
Göethe;
O rei da Prússia, Frederico Guilherme III, e
sua esposa Luísa;
O czar da Rússia, Alexandre I;
O rei Carlos IV da Espanha;
Os reis da Baviera e de Wurtemberg;
O imperador da Áustria;
A futura imperatriz do Brasil, D. Leopoldina
de Áustria, e muitos expoentes da nobreza
europeia e do mundo cultural. (16).
O menino Rivail, ao qual os destinos
reservariam sublime missão, logo se revelou um
dos discípulos mais fervorosos do insigne
(notável) pedagogista suíço [...]
Possuidor de inteligência penetrante e alto
espírito de observação, e, ainda mais inclinado
naturalmente para a solução dos importantes
problemas do ensino, e para o estudo das ciências
e da filosofia , - Rivail cativou a simpatia e a
admiração do velho professor, deste se tornando,
pouco depois, eficiente colaborador.
Os exemplos de amor
ao próximo fornecidos
por Johann Heinrich
Pestalozzi (1746-1827)
[para quem o amor é o
eterno fundamento da
educação] norteariam
para sempre a vida do
futuro Codificador do
Espiritismo.
Aliás, até mesmo aquele
bom-senso, que Camille
Flammarion (1842-1925) com
felicidade aplicou a Rivail, foi
cultivado e avigorado com as
lições e os exemplos
recebidos no Instituto
Yverdon, onde também lhe
desabrocharam as ideias que
mais tarde o colocariam na
classe dos homens
progressistas e dos livres-
pensadores.(13)
INSTITUTO DE YVERDON
2. O Professor Rivail2. O Professor Rivail
2.1 – As Obras2.1 – As Obras
DidáticasDidáticas
☞ Sem dúvida, chegando à capital francesa,
Denizard Rivail logo se pôs a exercer o magistério,
aproveitando as horas vagas para traduzir obras
inglesas e alemãs, e para preparar seu primeiro livro
didático (17).
Assim é que em dezembro de 1823, lançou o
Curso Prático e Teórico de Aritmética, segundo o
método de Pestalozzi.
O Cours d’Arithmétique (Curso de Aritmética)
constitui a primeira obra de cunho pedagógico e a
primeira entre todas as demais dadas a público por
Rivail.
O Futuro codificador do Espiritismo,
com apenas dezoito anos de idade,
empregava esforços e talento na
preparação do utilíssimo livro, assentando-o
em bases pestalozzianas, mas com muitas
ideias originais e práticas do próprio autor.
A obra em questão era recomendada
aos instrutores e às mães de família que
desejassem dar aos seus filhos as primeiras
noções de aritmética, e primava pela
simplicidade e clareza, qualidades estas que
são, aliás, principal mérito de todas as
publicações de Rivail - Kardec.
O Método por ele empregado
desenvolve gradualmente as faculdades
intelectuais do aluno.
Este não se limitava a reter as formulas
pela memória: penetra-lhes a essência, por
assim dizer. (18).
Além dessa obra, Rivail publicou numerosos
livros didáticos, bem como planos e projetos dirigidos
à reforma do ensino francês, numa verdadeira
fertilização pedagógica, no dizer de Wantuil e
Thiesen. (22).
☞ Destacaremos, dentre outras, as seguintes
obras:
 Curso Completo Teórico e Prático de Aritmética (1845);
 Plano Proposto para a Melhoria da Educação Pública;
(1828);
 Gramática Francesa Clássica (1831);
 Qual o sistema de Estudos Mais em Harmonia com as
Necessidades da Época? (1831);
 Memória sobre a Instrução Pública (1831);
 Manual dos Exames para os Títulos de Capacidade
(1846);
 Curso de Cálculo Mental (1845);
 Soluções dos Exercícios e Problemas do Tratado
Completo de Aritmética (1847);
 Projeto de Reforma no tocante aos Exames
aos Educandários para meninas (1847);
 Catecismo Gramatical da Língua Francesa
(1848);
 Ditados normais dos Exames (1849);
 Ditados a Primeira e da Segunda Idade
(1850);
 Gramática Normal dos Exames (com Lévi-
Alvares – 1849);
 Curso de Cálculo Mental (1845, ou antes);
 Programa dos Cursos Usuais de Física,
Química, Astronomia e Fisiologia (1849,
provavelmente). (14).
INSTITUTO DE YVERDON
2. O Professor Rivail2. O Professor Rivail
2.2 – O Ensino Intuitivo2.2 – O Ensino Intuitivo
☞ Como não podia deixar e ser, Rivail
utilizou-se do ensino intuitivo, processo didático
preconizado por Pestalozzi e, segundo o qual, se
transmite ao educando a realização, a
atualização da ideia, recorrendo-se aos
exercícios de intuição sensível (educação dos
sentidos), com passagem natural a atividades
mantais que preludiam (prenunciam) a intuição
intelectual.
A ideia existe originalmente na criança, e a
intuição sensível é somente a sua realização
concreta, único meio de a ideia se tornar
compreensível, porque se encontra como força
modeladora que vive e atua na criança.
O ensino intuitivo se funda na substituição do
verbalismo¹ e do ensino livresco² pela observação,
pelas experiências, pelas representações gráficas,
etc., operando sobre todas as faculdades da
criança.
A base da intuição elementar de Pestalozzi –
afirma Jullien de Paris – é a INTUIÇÃO, que ele
considera como fundamento geral de nossos
conhecimentos e o meio mais adequado para
desenvolver as forças do espírito humano, da
maneira mais natural. (19).
¹☺ Verbalismo: Transmissão de conhecimentos pela
fala, sem uso da escrita.
²☺ livresco: Que se adquiriu somente através de
leituras, sem a participação da experiência .
Tendo fundado em 1826, em Paris, a
Instituição Rivail (20), o jovem professor aí exerceu
funções diretivas e educativas, desenvolvendo
notável trabalho de aprimoramento da inteligência
de centenas de educandos, aos quais ele
carinhosamente chamava meus amigos. (21).
Deve-se ressaltar que tanto na Instituição,
como em muitos outros de seus
empreendimentos, Rivail pôde contar com o
apoio e a dedicação da Prof.ª Amélie-Gabrielle
Boudet, com quem se casara em 1832. (21)
☞ Foi no decorrer de sua carreira de
instrutor-filantropo que Rivail exercitou a
paciência, a abnegação, o trabalho, a observação,
a força de vontade e o amor às boas causas, a fim
de melhor poder desempenhar a gloriosa missão
que lhe estava reservada. (23).
☞ Assim, antes mesmo que o Espiritismo
lhe popularizasse e imortalizasse o pseudônimo
Allan Kardec, já havia Rivail firmado bem alto, no
conceito do povo francês e no respeito de
autoridades e professores, a sua reputação de
distinguido mestre da Pedagogia moderna, com o
seu nome inscrito em importantes obras
bibliográficas. (23).
☞ Conforme já foi comentado no item dois do
roteiro um deste Módulo, em meados do século
XIX as mesas girantes revolucionaram a Europa,
sobretudo a França, chamando a atenção de
toda a sociedade, inclusive da imprensa.
O professor Rivail, estudioso do
magnetismo, assim se expressa, a respeito dos
novos fatos:
Foi em 1854 que pela primeira vez ouvi
falar das mesas girantes.
Encontrei um dia o magnetizador, Senhor
Fortier, a quem eu conhecia desde muito tempo e
que me disse:
Já sabe da singular propriedade que se
acaba de descobrir no Magnetismo?
Parece que já não são somente as pessoas
que se podem magnetizar, mas também as
mesas, conseguindo-se que elas girem e
caminhem à vontade.
— É, com efeito, muito singular, respondi;
mas, a rigor, isso não me parece radicalmente
impossível.
O fluido magnético, que é uma espécie de
eletricidade, pode perfeitamente atuar sobre os
corpos inertes e fazer que eles se movam.
[...] Algum tempo depois, encontrei-me novamente
com o Sr. Fortier, que me disse:
Temos uma coisa muito mais extraordinária; não só
se consegue que uma mesa se mova, magnetizando-a,
como também que fale.
Interrogada, ela responde.
— Isto agora, repliquei-lhe, é outra questão.
Só acreditarei quando o vir e quando me provarem
que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para
sentir e que possa tornar-se sonâmbula.
Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que
um conto para fazer-nos dormir em pé. (2)
☞ Era lógico este raciocínio: eu concebia o
movimento por efeito de uma força mecânica,
mas, ignorando a causa e a lei do fenômeno, se
me afigurava absurdo atribuir-se inteligência a
uma coisa puramente material.
Achava-me na posição dos incrédulos
atuais, que negam porque apenas veem um fato
que não compreendem. (3).
☞ Eu estava, pois, diante de um fato
inexplicado, aparentemente contrário às leis da
Natureza e que a minha razão repelia.
Ainda nada vira, nem observara;
As experiências, realizadas em
presença de pessoas honradas e dignas de
fé, confirmavam a minha opinião, quanto à
possibilidade do efeito puramente material;
A ideia, porém, de uma mesa falante
ainda não me entrara na mente. (4).
☞ No ano seguinte, estávamos em
começo de 1855, encontrei-me com o Sr.
Carlotti, amigo de 25 anos, que me falou
daqueles fenômenos durante cerca de uma
hora, com o entusiasmo que consagrava a
todas as ideias novas [...].
Passado algum tempo, pelo mês de
maio de 1855, fui à casa da sonâmbula
Sra. Roger, em companhia do Sr. Fortier,
seu magnetizador.
Lá encontrei o Sr. Pâtier e a Sra.
Plainemaison, que daqueles fenômenos me
falaram no mesmo sentido em que o Sr.
Carlotti se pronunciara, mas em tom muito
diverso.
O Sr. Pâtier era [...] muito instruído, de
caráter grave, frio e calmo;
Sua linguagem pausada, isenta de
todo entusiasmo, produziu em mim viva
impressão e, quando me convidou a
assistir às experiências que se realizavam
em casa da Sra. Plainemaison, à
rua Grange-Batelière, 18, aceitei
imediatamente [...]. (5).
☞ Foi aí que, pela primeira vez, presenciei
o fenômeno das mesas que giravam,
saltavam e corriam, em condições tais que
não deixavam lugar para qualquer dúvida.
Assisti então a alguns
ensaios, muito imperfeitos, de
escrita mediúnica numa ardósia
(lousa), com o auxílio de uma
cesta.
Minhas ideias estavam longe de precisar-
se, mas havia ali um fato que necessariamente
decorria de uma causa.
Eu entrevia, naquelas aparentes
futilidades, no passatempo que faziam daqueles
fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a
revelação de uma nova lei, que tomei a mim
estudar a fundo.
Bem depressa, ocasião se me ofereceu
de observar mais atentamente os fatos,
como ainda o não fizera.
Numa das reuniões da Sra.
Plainemaison, travei conhecimento com a
família Baudin, que residia então à rua
Rechechouart.
O Sr. Baudin me convidou para assistir
às sessões hebdomadárias (semanais) que
se realizavam em sua casa e às quais me
tornei desde logo muito assíduo. [...]
[...] Os médiuns eram as duas senhoritas
Baudin, que escreviam numa ardósia (lousa) com o
auxílio de uma cesta, chamada carrapeta.
Esse processo, que exige o concurso de duas
pessoas, exclui toda possibilidade de intromissão das
ideias do médium.
Aí, tive ensejo de ver comunicações contínuas
e respostas a perguntas formuladas, algumas vezes,
até, a perguntas mentais, que acusavam, de modo
evidente, a intervenção de uma inteligência estranha.
(6).
1. Cesta-carrapeta 2. Cesta-pião
☞ Foi nessas reuniões [na casa da
família Baudin] que comecei os meus
estudos sérios de Espiritismo, menos, ainda,
por meio de revelações, do que de
observações.
[...] Compreendi, antes de tudo, a
gravidade da exploração que ia empreender;
percebi, naqueles fenômenos, a chave do
problema tão obscuro e tão controvertido do
passado e do futuro da Humanidade, a
solução que eu procurara em toda a minha
vida.
Era, em suma, toda uma revolução nas
ideias e nas crenças;
Fazia-se mister, portanto, andar com a
maior circunspeção e não levianamente;
Ser positivista e não idealista, para não
me deixar iludir. (7).
☞ Um dos primeiros resultados que
colhi das minhas observações foi que os
Espíritos, nada mais sendo do que almas
dos homens, não possuíam nem a plena
sabedoria, nem a ciência integral;
Que o saber de que dispunham se
circunscrevia ao grau, que haviam
alcançado, de adiantamento, e que a
opinião deles só tinha o valor de uma
opinião pessoal.
Reconhecida desde o princípio, esta
verdade me preservou do grave escolho
de crer na infalibilidade dos Espíritos e me
impediu de formular teorias prematuras,
tendo por base o que fora dito por um ou
alguns deles.
O simples fato da comunicação com os
Espíritos, dissessem eles o que dissessem,
provava a existência do mundo invisível
ambiente.
Já era um ponto essencial, um imenso
campo aberto às nossas explorações, a chave
de inúmeros fenômenos até então inexplicados.
O segundo ponto, não menos importante,
era que aquela comunicação permitia se
conhecessem o estado desse mundo, seus
costumes, se assim nos podemos exprimir.
Vi logo que cada Espírito, em virtude da
sua posição pessoal e de seus
conhecimentos, me desvendava uma face
daquele mundo, do mesmo modo que se
chega a conhecer o estado de um país,
interrogando habitantes seus de todas as
classes, não podendo um só, individualmente,
informar-nos de tudo.
Compete ao observador formar o
conjunto, por meio dos documentos colhidos
de diferentes lados, colecionados,
coordenados e comparados uns com outros.
Conduzi-me, pois, com os Espíritos, como
houvera feito com homens.
Para mim, eles foram, do menor ao maior,
meios de me informar e não reveladores
predestinados. (8).
3.3 NOTÍCIAS E DESEMPENHO DA MISSÃO
☞ Em 12 de junho de 1856, pela
mediunidade da senhorita Aline C..., o professor
Rivail dirige-se ao Espírito Verdade com a
intenção de obter mais informações acerca da
missão que alguns Espíritos já lhe haviam
apontado: Missionário-chefe da nova doutrina.
Estabeleceu-se, então, o diálogo que segue:
Pergunta (à Verdade) – Bom Espírito, eu
desejara saber o que pensas da missão que
alguns Espíritos me assinalam.
Dize-me, peço-te, se é uma prova para o meu
amor-próprio.
Tenho, como sabes, o maior desejo de
contribuir para a propagação da verdade, mas, do
papel de simples trabalhador ao de missionário-
chefe, a distância é grande e não percebo o que
possa justificar em mim graça tal, de preferência a
tantos outros que possuem talento e qualidades de
que não disponho.
Resposta – Confirmo o que te foi dito, mas
recomendo-te muita discrição, se quiseres sair-
te bem.
Tomarás mais tarde conhecimento de
coisas que te explicarão o que ora te
surpreende.
Não esqueças que podes triunfar, como
podes falir.
Neste último caso, outro te substituiria,
porquanto os desígnios de Deus não assentam
na cabeça de um homem.
Nunca, pois, fales da tua missão;
Seria a maneira de a fazeres malograr-se.
Ela somente pode justificar-se pela
obra realizada e tu ainda nada fizeste.
Se a cumprires, os homens saberão
reconhecê-lo, cedo ou tarde, visto que pelos
frutos é que se verifica a qualidade da
árvore.
Pergunta — Nenhum desejo tenho
certamente de me vangloriar de uma missão
na qual dificilmente creio.
Se estou destinado a servir de
instrumento aos desígnios da Providência,
que ela disponha de mim.
Nesse caso, reclamo a tua assistência e a
dos bons Espíritos, no sentido de me ajudarem e
ampararem na minha tarefa.
Resposta — A nossa assistência não te
faltará, mas será inútil se, de teu lado, não
fizeres o que for necessário.
Tens o teu livre-arbítrio, do qual podes usar
como o entenderes.
Nenhum homem é constrangido a fazer
coisa alguma.
Pergunta — Que causas poderiam
determinar o meu malogro (fracasso,
insucesso)?
Seria a insuficiência das minhas capacidades?
Resposta — Não; mas, a missão dos
reformadores é prenhe de escolhos e perigos.
Previno-te de que é rude a tua, porquanto se
trata de abalar e transformar o mundo inteiro.
Não suponhas que te baste publicar um livro,
dois livros, dez livros, para em seguida ficares
tranquilamente em casa.
Tens que expor a tua pessoa.
Suscitarás (provocarás) contra ti ódios
terríveis, inimigos encarniçados se conjurarão
para tua perda;
Ver-te-ás a braços com a malevolência,
com a calúnia, com a traição mesma dos
que te parecerão os mais dedicados;
As tuas melhores instruções serão
desprezadas e falseadas;
Por mais de uma vez sucumbirás sob o
peso da fadiga;
Numa palavra: Terás de sustentar uma
luta quase contínua, com sacrifício de teu
repouso, da tua tranquilidade, da tua saúde
e até da tua vida, pois, sem isso, viverias
muito mais tempo.
Ora bem! não poucos recuam quando, em
vez de uma estrada florida, só veem sob os
passos urzes (terreno agreste), pedras agudas e
serpentes.
Para tais missões, não basta a inteligência.
Faz-se mister (necessário), primeiramente,
para agradar a Deus, humildade, modéstia e
desinteresse, visto que Ele abate os orgulhosos,
os presunçosos e os ambiciosos.
Para lutar contra os homens, são
indispensáveis coragem, perseverança e
inabalável firmeza.
Também são de necessidade prudência e
tato, a fim de conduzir as coisas de modo
conveniente e não lhes comprometer o êxito com
palavras ou medidas intempestivas.
Exigem-se, por fim, devotamento, abnegação e
disposição a todos os sacrifícios.
Vês, assim, que a tua missão está subordinada
a condições que dependem de ti. (9).
☞ Após o diálogo com o Espírito Verdade,
estando mais lúcido sobre o que lhe competiria
fazer daí para diante, Rivail elevou a Deus uma
prece, revelando humildade e total submissão aos
desígnios superiores.
Senhor! Pois que te dignaste lançar os
olhos sobre mim para cumprimento dos teus
desígnios, faça-se a tua vontade!
Está nas tuas mãos a minha vida; dispõe
do teu servo.
Reconheço a minha fraqueza diante de
tão grande tarefa;
A minha boa-vontade não desfalecerá, as
forças, porém, talvez me traiam.
Supre a minha deficiência;
Dá-me as forças físicas e morais que me
forem necessárias.
Ampara-me nos momentos difíceis e, com o
teu auxílio e dos teus celestes mensageiros, tudo
envidarei para corresponder aos teus desígnios.
(10).
☞ No que diz respeito ao teor do diálogo
travado com o Espírito Verdade, Kardec registra,
dez anos depois, as seguintes observações:
Escrevo esta nota a 1º de janeiro de 1867,
dez anos e meio depois que me foi dada a
comunicação acima e atesto que ela se realizou
em todos os pontos, pois experimentei todas as
vicissitudes que me foram preditas.
Andei em luta com o ódio de inimigos
encarniçados, com a injúria, a calúnia, a inveja e
o ciúme; libelos (Textos) infames se publicaram
contra mim; as minhas melhores instruções
foram falseadas; traíram-me aqueles em quem
eu mais confiança depositava, pagaram-me com
a ingratidão aqueles a quem prestei serviços.
A Sociedade de Paris se constituiu foco de
contínuas intrigas urdidas (conspiradas) contra
mim por aqueles mesmos que se declaravam a
meu favor e que, de boa fisionomia na minha
presença, pelas costas me golpeavam.
Disseram que os que se me conservavam fiéis
estavam à minha soldada (recompensa) e que eu lhes
pagava com o dinheiro que ganhava do Espiritismo.
Nunca mais me foi dado saber o que é o repouso;
mais de uma vez sucumbi ao excesso de trabalho, tive
abalada a saúde e comprometida a existência.
Graças, porém, à proteção e assistência dos bons
Espíritos que incessantemente me deram manifestas
provas de solicitude, tenho a ventura de reconhecer que
nunca senti o menor desfalecimento ou desânimo e que
prossegui, sempre com o mesmo ardor, no desempenho
da minha tarefa, sem me preocupar com a maldade de
que era objeto.
Segundo a comunicação do Espírito de
Verdade, eu tinha de contar com tudo isso e
tudo se verificou.
Mas, também, a par dessas vicissitudes,
que de satisfações experimentei, vendo a obra
crescer de maneira tão prodigiosa!
Com que compensações deliciosas foram
pagas as minhas tribulações!
Que de bênçãos e de provas de real
simpatia recebida parte de muitos aflitos a
quem a Doutrina consolou!
Este resultado não mo anunciou o
Espírito de Verdade que, sem dúvida
intencionalmente, apenas me mostrara as
dificuldades do caminho.
Qual não seria, pois, a minha
ingratidão, se me queixasse!
Se dissesse que há uma compensação
entre o bem e o mal, não estaria com a
verdade, porquanto o bem, refiro-me às
satisfações morais, sobrelevaram de muito o
mal.
Quando me sobrevinha uma decepção,
uma contrariedade qualquer, eu me elevava
pelo pensamento acima da Humanidade e
me colocava antecipadamente na região dos
Espíritos e desse ponto culminante, donde
divisava o da minha chegada, as misérias da
vida deslizavam por sobre mim sem me
atingirem.
Tão habitual se me tornara esse modo
de proceder, que os gritos dos maus jamais
me perturbaram. (11).
Se Allan Kardec tivesse escrito que
“fora do Espiritismo não há salvação”, eu
teria ido por outro caminho.
Graças a Deus ele escreveu “Fora da
Caridade”, ou seja fora do Amor não há
salvação.
3.4 O NOME ALLAN KARDEC
☞ Quando da publicação de O Livro dos
Espíritos, o autor se viu diante de um sério
problema: como assinar o trabalho?
E mais uma vez prevaleceu o bom senso
do professor Rivail, segundo se depreende das
palavras do biógrafo:
No momento de publicá-lo – diz H. Sausse
[na obra Biographie d´Allan Kardec 4ª edição, p.
32], o Autor ficou muito embaraçado em resolver
como o assinaria, se com seu nome – Hippolyte
Léon Denizard Rivail, ou com um pseudônimo.
Sendo o seu nome muito conhecido do
mundo científico, em virtude dos seus trabalhos
anteriores, e podendo originar confusão, talvez
mesmo prejudicar o êxito do empreendimento,
ele adotou o alvitre (conselho, sugestão) de o
assinar com o nome Allan Kardec, nome que,
segundo lhe revelara o guia [Zéfiro], ele tivera
ao tempo dos druidas* (24).
Druidas: Sacerdotes dos
gauleses e dos celtas.
Não tinham templos, reuniam-
se nos bosques e veneravam certas
plantas, tais como o visco e o
carvalho.
Acreditavam na imortalidade
da alma e na metempsicose
(transmigração da alma em corpos
de animais).
Sua filosofia é quase desconhecida, porque
não a escreveram, confiando-a à memória de
seus discípulos.
3.5 AS OBRAS ESPÍRITAS
☞ Além de O Livro dos Espíritos, saído a
lume (publicado) em 18 de abril de 1857,
Kardec escreveu outras obras espíritas, das
quais se destacam:
1804-1869
18 abril 1857
Agosto 1865
Janeiro 1861
Janeiro 1868Abril 1864
Janeiro 1858 Julho 1859
Após a sua desmaterialização, foi
publicado em 1890, em Paris, por P.
G. Leymarie, o livro Obras Póstumas
– coletânea de escritos do
Codificador do Espiritismo.
Não menos importante é a correspondência,
mediante a qual Kardec estabeleceu contato com
escritores, políticos, eclesiásticos, sábios, pessoas de
todas as condições e de todos os lugares,
esforçando-se [...] por consolar, satisfazer e instruir,
abrindo às almas aflitas e torturadas as ridentes e
doces perspectivas da vida supraterrestre. (26)
3.6 A ATUAÇÃO DE KARDEC NA
CODIFICAÇÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA
☞ É voz geral entre os estudiosos da
Doutrina Espírita – no que diz respeito ao
trabalho da codificação – que Kardec não
foi simples compilador, tendo sua tarefa ido
muito além da coleta e seleção do material,
isto é, das mensagens recebidas do mundo
espiritual.
Sobre este assunto, Wantuil e Thiesen
fazem os seguintes comentários:
Conquanto Kardec sempre repetisse
que o mérito da obra cabia todo aos
Espíritos que a ditaram, não é menos
verdadeiro que a ele é que coube a ingente
tarefa de organizar e ordenar as perguntas
(e que perguntas!) sobre os assuntos mais
simples aos mais complexos, abrangendo
variados ramos do conhecimento humano.
A distribuição didática das matérias
encerradas no texto;
A redação dos comentários às respostas dos
Espíritos, os quais primam pela concisão e pela
clareza com que foram expostos;
A precisão com que intitula capítulos e
subcapítulos;
As elucidações complementares de sua
autoria; as observações e anotações, as
paráfrases e conclusões, sempre profundas e
incisivas;
E bem assim a sua notável «Introdução» –
tudo isto atesta a grande cultura de Kardec, o
carinho e a diligência com que ele se houve no
afanoso trabalho que se comprometera a publicar.
Kardec fez o que ninguém ainda havia feito:
Foi o primeiro a formar com os fatos
observados um corpo de doutrina metódico e
regular, claro e inteligível para todos, extraindo
do amontoado caótico de mensagens
mediúnicas os princípios fundamentais com que
elaborou uma nova doutrina filosófica, de caráter
científico e de consequências morais ou
religiosas.(25).
4. DESMATERIALIZAÇÃO
☞ Trabalhador infatigável, sempre o primeiro
a tomar da obra e o último a deixa-la...,
...Allan Kardec sucumbiu, a 31 de março de
1869, quando se preparava para uma mudança
de local, imposta pela extensão considerável de
suas múltiplas ocupações.
Diversas obras que ele estava quase a
terminar, ou que aguardavam oportunidade para
vir a lume (ser publicado), demonstrarão um dia,
ainda mais, a extensão e o poder das suas
concepções.
Morreu conforme viveu: trabalhando.
Sofria, desde longos anos, de uma
enfermidade do coração, que só podia ser
combatida por meio do repouso intelectual e
pequena atividade material.
Consagrado, porém, todo inteiro à sua
obra, recusava-se a tudo o que pudesse
absorver um só que fosse de seus instantes, à
custa das suas ocupações prediletas.
Deu-se com ele o que se dá com todas as
almas de forte têmpera (caráter, índole,
temperamento):
A lâmina gastou a bainha (1).
☞ Acerca da luminosa existência do
mestre lionês, escreve o Irmão X [Espírito
Humberto de Campos]:
[...] Allan Kardec, apagando a
própria grandeza, na humildade de um
mestre-escola, muita vez atormentado e
desiludido, como simples homem do
povo, deu integral cumprimento à divina
missão que trazia à Terra, inaugurando a
era espírita-cristã, que, gradativamente,
será considerada em todos os
quadrantes do orbe como a sublime
renascença da luz para o mundo inteiro.
(27).
☞ Logo em sua primeira obra, Denizard
Rivail relaciona em seis itens os princípios que lhe
parecem mais adequados ao ensino à criança,
fazendo-o em harmonia com o sistema
pestalozziano, como era de se esperar de um
discípulo do mestre suíço.
Eis os princípios que o nortearam na
elaboração do seu Cours d´Arithmétique [Curso de
Aritmética], alguns dos quais o guiariam, bem
mais tarde, nos estudos e nas pesquisas espíritas
e bem assim na Codificação da Doutrina:
1º – Cultivar o espírito natural de
observação das crianças, dirigindo-lhes a
atenção para os objetos que as cercam.
2º – Cultivar a inteligência, observando
um comportamento que habilite o aluno a
descobrir por si mesmo as regras.
3º – Proceder sempre do conhecido
para o desconhecido, do simples para o
composto.
4º - Evitar toda attitude mecânica, levando o
aluno a conhecer o fim e a razão de tudo o que
faz.
5º – Conduzi-lo a apalpar com os dedos de
com os olhos todas as verdades.
Este princípio forma, de algum modo, a
base material deste curso de aritmética.
6º – Só confiar à memória aquilo que já
tenha sido apreendido pela inteligência.
WANTUIL, Zêus & THIESEN, Francisco. Allan Kardec. 4ª Ed.
Rio de Janeiro: FEB, 2002, Vol. I. - Cap. 15, p. 98.
 Como planejaram os Espíritos, os
fenômenos de “Hydesville” repercutiria na
Europa, despertando as consciências e, ao
lado dos fenômenos das “Mesas Girantes”,
prepararia o advento do ESPIRITSMO.
 E eu rogarei ao Pai, e ele vos daráE eu rogarei ao Pai, e ele vos dará
outro Consolador, para que fique convoscooutro Consolador, para que fique convosco
para semprepara sempre (João 14:16);
 Mas aquele Consolador, o EspíritoMas aquele Consolador, o Espírito
Santo, que o Pai enviará em meu nome,Santo, que o Pai enviará em meu nome,
esse vos ensinará todas as coisas, e vosesse vos ensinará todas as coisas, e vos
fará lembrar de tudo quanto vos tenho ditofará lembrar de tudo quanto vos tenho dito
(João 14:26).
 Mas, quando vier o Consolador, queMas, quando vier o Consolador, que
eu da parte do Pai vos hei de enviar, aqueleeu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele
Espírito de Verdade, que procede do Pai, eleEspírito de Verdade, que procede do Pai, ele
testificará de mimtestificará de mim (João 15:26).
1. KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução
Guillon Ribeiro. 38ª ed. Rio de Janeiro: FEB 2005. –
Biografia de Allan Kardec - Pág. 17.
2.______. Segunda Parte – Item: A Minha
Primeira Iniciação no Espiritismo - Pág. 265.
3. ______. Págs. 265-266.
4. ______. Pág. 266.
5. ______. Págs. 266-267.
6. ______. Págs. 267-268.
7. ______. Pág. 268.
8. ______. Pág. 269.
ReferênciasReferências
BibliográficasBibliográficas
9. ______. Item: Minha Missão-Págs. 281-283.
10.______. Pág. 283.
11.______. Págs. 283-285.
12. WANTUIL, Zéus. Grandes Espíritas do
Brasil. 4ª ed. Rio de Janeiro: FEB 2002 – Allan
Kardec - Pág. 15
13. ______. Pág. 17.
14. ______. Págs. 26-29.
15. WANTUIL, Zéus e THIESEN, Francisco.
Allan Kardec - 5ª ed. Rio de Janeiro: FEB 1999 –
vol. 1 - Cap. 2 – (Formação Escolar de Rivail...)
Págs. 32-33.
16. WANTUIL, Zéus e THIESEN, Francisco.
Allan Kardec - 5ª ed. Rio de Janeiro: FEB 1999 –
vol. 1 - Cap. 2 – (Formação Escolar de Rivail...)
Pág. 33.
17. ___. Cap. 14 (Seu 1º Livro) Pág. 85.
18. ___. Págs. 88-89.
19. ___. Cap. 16 (Princípios enunciados...) -
Pág. 99.
20. ___. Cap. 19 (Instituições Pestalozzianas em
Paris) - Págs. 110-111.
21. ___. 112.
22. ___. Cap. 37 (Fertilidade Pedagógica) - Pág.
182.
23. WANTUIL, Zéus e THIESEN, Francisco.
Allan Kardec - 5ª ed. Rio de Janeiro: FEB 1999 –
vol. 1 - Cap. 38 – (Fim da Primeira Fase) Pág.
189.
24.___. Vol. 2 - Cap. 1 (A Fagulha da
renovação) – Item: 6 - Pág. 74.
25. ___. Item: 7 - Págs. 84-85.
26. ___. Cap. 3 Item: 5 - Pág. 201.
27. XAVIER, Francisco Cândido. Cartas e
Crônicas – Pelo Espírito Irmão X – 10ª ed. Rio de
Janeiro: FEB 2002 - Cap. 28 – (Na América) -
Pág. 127.
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Roteiro 2 allan kardec o professor e o codificador

  • 1. CENTRO DE TRABALHOS ESPÍRITA ANA LUZ ALLAN KARDEC: O Professor e o Codificador
  • 3.
  • 4. ALLAN KARDEC : O Professor e o Codificador Objetivo Específico Identificar os aspectos mais importantes da vida de Allan Kardec e os traços marcantes da sua personalidade; Destacar a missão de Allan Kardec
  • 5.
  • 6. “Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor”.
  • 8.
  • 9. Nome: Data Nascimento: Cidade onde nasceu: Pai: Mãe: Educação: Aluno de Pestalozzi - 1808 -1817 Hippolyte Léon Denizard Rivail 03 de outubro de 1804 Lião (França) Jean-Baptiste Antoine Rivail Jeanne Louise Duhamel Atuação da família: Magistratura e Advocacia Seu interesse: Estudo das ciências e filosofia
  • 10. ESDE - Duas são as fases em que se pode dividir a vida de Allan Kardec: A primeira, como o consagrado professor Rivail; A segunda, como o Codificador do Espiritismo. Destacaremos, a seguir, os aspectos mais importantes de sua luminosa trajetória pela Terra.
  • 11. Rua Sala (Lyon, França) - Aproximadamente nesse local ficava a casa ode nasceu Hippolyte- Léon Denizard Rivail, o futuro Allan Kardec, em 3 de outubro de 1804, no seio de antiga família lionesa, de nobres e dignas tradições.
  • 12. ☞ Foram seus pais Jean-Baptiste Antoine Rivail, magistrado íntegro, e Jeanne Louise Duhamel [...]. O futuro codificador do Espiritismo recebeu um nome querido e respeitado e todo um passado de virtudes, de honra e probidade. Grande número de seus antepassados se tinham distinguido na advocacia, na magistratura e até mesmo no trato dos problemas educacionais. Bem cedo, o menino se revelou altamente inteligente e agudo observador, denotando franca inclinação para as ciências e para os assuntos filosóficos, compenetrado de seus deveres e responsabilidades, como se fora um adulto. (12).
  • 13.
  • 14. É de se presumir que a influência paterna e materna tenham sido da mais benéficas na sua infância, constituindo-se em fonte de nobres sentimentos.  Rivail realizou seus primeiros estudos em Lião, sua cidade natal, sendo educado dentro de severos princípios de honradez e retidão moral.
  • 15. ☞ Com a idade de dez anos, seus pais o enviaram a Yverdon, cidade suíça do cantão de Vaud, situada na extremidade S. O. do lago Neuchâtel e na foz do Thiele, a fim de completar e enriquecer sua bagagem escolar no célebre Instituto de Educação ali instalado em 1805, pelo professor-filantropo Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827); [...] Frequentado todos os anos por grande número de estrangeiros, citado, descrito, imitado, era, numa palavra, a escola modelo da Europa. (15)
  • 16.  Altas personalidades políticas, científicas, literárias e filantrópicas voltavam maravilhadas de suas visitas ao famoso Instituto. Louvaram o criador dessa obra revolucionária, e por ela também se interessaram Göethe; O rei da Prússia, Frederico Guilherme III, e sua esposa Luísa; O czar da Rússia, Alexandre I; O rei Carlos IV da Espanha; Os reis da Baviera e de Wurtemberg; O imperador da Áustria;
  • 17. A futura imperatriz do Brasil, D. Leopoldina de Áustria, e muitos expoentes da nobreza europeia e do mundo cultural. (16). O menino Rivail, ao qual os destinos reservariam sublime missão, logo se revelou um dos discípulos mais fervorosos do insigne (notável) pedagogista suíço [...] Possuidor de inteligência penetrante e alto espírito de observação, e, ainda mais inclinado naturalmente para a solução dos importantes problemas do ensino, e para o estudo das ciências e da filosofia , - Rivail cativou a simpatia e a admiração do velho professor, deste se tornando, pouco depois, eficiente colaborador.
  • 18. Os exemplos de amor ao próximo fornecidos por Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) [para quem o amor é o eterno fundamento da educação] norteariam para sempre a vida do futuro Codificador do Espiritismo.
  • 19. Aliás, até mesmo aquele bom-senso, que Camille Flammarion (1842-1925) com felicidade aplicou a Rivail, foi cultivado e avigorado com as lições e os exemplos recebidos no Instituto Yverdon, onde também lhe desabrocharam as ideias que mais tarde o colocariam na classe dos homens progressistas e dos livres- pensadores.(13)
  • 20. INSTITUTO DE YVERDON 2. O Professor Rivail2. O Professor Rivail 2.1 – As Obras2.1 – As Obras DidáticasDidáticas
  • 21. ☞ Sem dúvida, chegando à capital francesa, Denizard Rivail logo se pôs a exercer o magistério, aproveitando as horas vagas para traduzir obras inglesas e alemãs, e para preparar seu primeiro livro didático (17). Assim é que em dezembro de 1823, lançou o Curso Prático e Teórico de Aritmética, segundo o método de Pestalozzi. O Cours d’Arithmétique (Curso de Aritmética) constitui a primeira obra de cunho pedagógico e a primeira entre todas as demais dadas a público por Rivail.
  • 22. O Futuro codificador do Espiritismo, com apenas dezoito anos de idade, empregava esforços e talento na preparação do utilíssimo livro, assentando-o em bases pestalozzianas, mas com muitas ideias originais e práticas do próprio autor. A obra em questão era recomendada aos instrutores e às mães de família que desejassem dar aos seus filhos as primeiras noções de aritmética, e primava pela simplicidade e clareza, qualidades estas que são, aliás, principal mérito de todas as publicações de Rivail - Kardec.
  • 23. O Método por ele empregado desenvolve gradualmente as faculdades intelectuais do aluno. Este não se limitava a reter as formulas pela memória: penetra-lhes a essência, por assim dizer. (18). Além dessa obra, Rivail publicou numerosos livros didáticos, bem como planos e projetos dirigidos à reforma do ensino francês, numa verdadeira fertilização pedagógica, no dizer de Wantuil e Thiesen. (22). ☞ Destacaremos, dentre outras, as seguintes obras:
  • 24.  Curso Completo Teórico e Prático de Aritmética (1845);  Plano Proposto para a Melhoria da Educação Pública; (1828);  Gramática Francesa Clássica (1831);  Qual o sistema de Estudos Mais em Harmonia com as Necessidades da Época? (1831);  Memória sobre a Instrução Pública (1831);  Manual dos Exames para os Títulos de Capacidade (1846);  Curso de Cálculo Mental (1845);  Soluções dos Exercícios e Problemas do Tratado Completo de Aritmética (1847);
  • 25.  Projeto de Reforma no tocante aos Exames aos Educandários para meninas (1847);  Catecismo Gramatical da Língua Francesa (1848);  Ditados normais dos Exames (1849);  Ditados a Primeira e da Segunda Idade (1850);  Gramática Normal dos Exames (com Lévi- Alvares – 1849);  Curso de Cálculo Mental (1845, ou antes);  Programa dos Cursos Usuais de Física, Química, Astronomia e Fisiologia (1849, provavelmente). (14).
  • 26. INSTITUTO DE YVERDON 2. O Professor Rivail2. O Professor Rivail 2.2 – O Ensino Intuitivo2.2 – O Ensino Intuitivo
  • 27. ☞ Como não podia deixar e ser, Rivail utilizou-se do ensino intuitivo, processo didático preconizado por Pestalozzi e, segundo o qual, se transmite ao educando a realização, a atualização da ideia, recorrendo-se aos exercícios de intuição sensível (educação dos sentidos), com passagem natural a atividades mantais que preludiam (prenunciam) a intuição intelectual. A ideia existe originalmente na criança, e a intuição sensível é somente a sua realização concreta, único meio de a ideia se tornar compreensível, porque se encontra como força modeladora que vive e atua na criança.
  • 28. O ensino intuitivo se funda na substituição do verbalismo¹ e do ensino livresco² pela observação, pelas experiências, pelas representações gráficas, etc., operando sobre todas as faculdades da criança. A base da intuição elementar de Pestalozzi – afirma Jullien de Paris – é a INTUIÇÃO, que ele considera como fundamento geral de nossos conhecimentos e o meio mais adequado para desenvolver as forças do espírito humano, da maneira mais natural. (19). ¹☺ Verbalismo: Transmissão de conhecimentos pela fala, sem uso da escrita. ²☺ livresco: Que se adquiriu somente através de leituras, sem a participação da experiência .
  • 29.
  • 30. Tendo fundado em 1826, em Paris, a Instituição Rivail (20), o jovem professor aí exerceu funções diretivas e educativas, desenvolvendo notável trabalho de aprimoramento da inteligência de centenas de educandos, aos quais ele carinhosamente chamava meus amigos. (21). Deve-se ressaltar que tanto na Instituição, como em muitos outros de seus empreendimentos, Rivail pôde contar com o apoio e a dedicação da Prof.ª Amélie-Gabrielle Boudet, com quem se casara em 1832. (21)
  • 31. ☞ Foi no decorrer de sua carreira de instrutor-filantropo que Rivail exercitou a paciência, a abnegação, o trabalho, a observação, a força de vontade e o amor às boas causas, a fim de melhor poder desempenhar a gloriosa missão que lhe estava reservada. (23). ☞ Assim, antes mesmo que o Espiritismo lhe popularizasse e imortalizasse o pseudônimo Allan Kardec, já havia Rivail firmado bem alto, no conceito do povo francês e no respeito de autoridades e professores, a sua reputação de distinguido mestre da Pedagogia moderna, com o seu nome inscrito em importantes obras bibliográficas. (23).
  • 32.
  • 33. ☞ Conforme já foi comentado no item dois do roteiro um deste Módulo, em meados do século XIX as mesas girantes revolucionaram a Europa, sobretudo a França, chamando a atenção de toda a sociedade, inclusive da imprensa. O professor Rivail, estudioso do magnetismo, assim se expressa, a respeito dos novos fatos: Foi em 1854 que pela primeira vez ouvi falar das mesas girantes. Encontrei um dia o magnetizador, Senhor Fortier, a quem eu conhecia desde muito tempo e que me disse:
  • 34. Já sabe da singular propriedade que se acaba de descobrir no Magnetismo? Parece que já não são somente as pessoas que se podem magnetizar, mas também as mesas, conseguindo-se que elas girem e caminhem à vontade. — É, com efeito, muito singular, respondi; mas, a rigor, isso não me parece radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de eletricidade, pode perfeitamente atuar sobre os corpos inertes e fazer que eles se movam.
  • 35. [...] Algum tempo depois, encontrei-me novamente com o Sr. Fortier, que me disse: Temos uma coisa muito mais extraordinária; não só se consegue que uma mesa se mova, magnetizando-a, como também que fale. Interrogada, ela responde. — Isto agora, repliquei-lhe, é outra questão. Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto para fazer-nos dormir em pé. (2)
  • 36. ☞ Era lógico este raciocínio: eu concebia o movimento por efeito de uma força mecânica, mas, ignorando a causa e a lei do fenômeno, se me afigurava absurdo atribuir-se inteligência a uma coisa puramente material. Achava-me na posição dos incrédulos atuais, que negam porque apenas veem um fato que não compreendem. (3). ☞ Eu estava, pois, diante de um fato inexplicado, aparentemente contrário às leis da Natureza e que a minha razão repelia. Ainda nada vira, nem observara;
  • 37. As experiências, realizadas em presença de pessoas honradas e dignas de fé, confirmavam a minha opinião, quanto à possibilidade do efeito puramente material; A ideia, porém, de uma mesa falante ainda não me entrara na mente. (4). ☞ No ano seguinte, estávamos em começo de 1855, encontrei-me com o Sr. Carlotti, amigo de 25 anos, que me falou daqueles fenômenos durante cerca de uma hora, com o entusiasmo que consagrava a todas as ideias novas [...].
  • 38. Passado algum tempo, pelo mês de maio de 1855, fui à casa da sonâmbula Sra. Roger, em companhia do Sr. Fortier, seu magnetizador. Lá encontrei o Sr. Pâtier e a Sra. Plainemaison, que daqueles fenômenos me falaram no mesmo sentido em que o Sr. Carlotti se pronunciara, mas em tom muito diverso. O Sr. Pâtier era [...] muito instruído, de caráter grave, frio e calmo;
  • 39. Sua linguagem pausada, isenta de todo entusiasmo, produziu em mim viva impressão e, quando me convidou a assistir às experiências que se realizavam em casa da Sra. Plainemaison, à rua Grange-Batelière, 18, aceitei imediatamente [...]. (5). ☞ Foi aí que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam, em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida.
  • 40. Assisti então a alguns ensaios, muito imperfeitos, de escrita mediúnica numa ardósia (lousa), com o auxílio de uma cesta. Minhas ideias estavam longe de precisar- se, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa. Eu entrevia, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo.
  • 41. Bem depressa, ocasião se me ofereceu de observar mais atentamente os fatos, como ainda o não fizera. Numa das reuniões da Sra. Plainemaison, travei conhecimento com a família Baudin, que residia então à rua Rechechouart. O Sr. Baudin me convidou para assistir às sessões hebdomadárias (semanais) que se realizavam em sua casa e às quais me tornei desde logo muito assíduo. [...]
  • 42. [...] Os médiuns eram as duas senhoritas Baudin, que escreviam numa ardósia (lousa) com o auxílio de uma cesta, chamada carrapeta. Esse processo, que exige o concurso de duas pessoas, exclui toda possibilidade de intromissão das ideias do médium. Aí, tive ensejo de ver comunicações contínuas e respostas a perguntas formuladas, algumas vezes, até, a perguntas mentais, que acusavam, de modo evidente, a intervenção de uma inteligência estranha. (6).
  • 43. 1. Cesta-carrapeta 2. Cesta-pião
  • 44.
  • 45. ☞ Foi nessas reuniões [na casa da família Baudin] que comecei os meus estudos sérios de Espiritismo, menos, ainda, por meio de revelações, do que de observações. [...] Compreendi, antes de tudo, a gravidade da exploração que ia empreender; percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da Humanidade, a solução que eu procurara em toda a minha vida.
  • 46. Era, em suma, toda uma revolução nas ideias e nas crenças; Fazia-se mister, portanto, andar com a maior circunspeção e não levianamente; Ser positivista e não idealista, para não me deixar iludir. (7). ☞ Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações foi que os Espíritos, nada mais sendo do que almas dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria, nem a ciência integral;
  • 47. Que o saber de que dispunham se circunscrevia ao grau, que haviam alcançado, de adiantamento, e que a opinião deles só tinha o valor de uma opinião pessoal. Reconhecida desde o princípio, esta verdade me preservou do grave escolho de crer na infalibilidade dos Espíritos e me impediu de formular teorias prematuras, tendo por base o que fora dito por um ou alguns deles.
  • 48. O simples fato da comunicação com os Espíritos, dissessem eles o que dissessem, provava a existência do mundo invisível ambiente. Já era um ponto essencial, um imenso campo aberto às nossas explorações, a chave de inúmeros fenômenos até então inexplicados. O segundo ponto, não menos importante, era que aquela comunicação permitia se conhecessem o estado desse mundo, seus costumes, se assim nos podemos exprimir.
  • 49. Vi logo que cada Espírito, em virtude da sua posição pessoal e de seus conhecimentos, me desvendava uma face daquele mundo, do mesmo modo que se chega a conhecer o estado de um país, interrogando habitantes seus de todas as classes, não podendo um só, individualmente, informar-nos de tudo. Compete ao observador formar o conjunto, por meio dos documentos colhidos de diferentes lados, colecionados, coordenados e comparados uns com outros.
  • 50. Conduzi-me, pois, com os Espíritos, como houvera feito com homens. Para mim, eles foram, do menor ao maior, meios de me informar e não reveladores predestinados. (8). 3.3 NOTÍCIAS E DESEMPENHO DA MISSÃO ☞ Em 12 de junho de 1856, pela mediunidade da senhorita Aline C..., o professor Rivail dirige-se ao Espírito Verdade com a intenção de obter mais informações acerca da missão que alguns Espíritos já lhe haviam apontado: Missionário-chefe da nova doutrina.
  • 51. Estabeleceu-se, então, o diálogo que segue: Pergunta (à Verdade) – Bom Espírito, eu desejara saber o que pensas da missão que alguns Espíritos me assinalam. Dize-me, peço-te, se é uma prova para o meu amor-próprio. Tenho, como sabes, o maior desejo de contribuir para a propagação da verdade, mas, do papel de simples trabalhador ao de missionário- chefe, a distância é grande e não percebo o que possa justificar em mim graça tal, de preferência a tantos outros que possuem talento e qualidades de que não disponho.
  • 52. Resposta – Confirmo o que te foi dito, mas recomendo-te muita discrição, se quiseres sair- te bem. Tomarás mais tarde conhecimento de coisas que te explicarão o que ora te surpreende. Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Neste último caso, outro te substituiria, porquanto os desígnios de Deus não assentam na cabeça de um homem. Nunca, pois, fales da tua missão; Seria a maneira de a fazeres malograr-se.
  • 53. Ela somente pode justificar-se pela obra realizada e tu ainda nada fizeste. Se a cumprires, os homens saberão reconhecê-lo, cedo ou tarde, visto que pelos frutos é que se verifica a qualidade da árvore. Pergunta — Nenhum desejo tenho certamente de me vangloriar de uma missão na qual dificilmente creio. Se estou destinado a servir de instrumento aos desígnios da Providência, que ela disponha de mim.
  • 54. Nesse caso, reclamo a tua assistência e a dos bons Espíritos, no sentido de me ajudarem e ampararem na minha tarefa. Resposta — A nossa assistência não te faltará, mas será inútil se, de teu lado, não fizeres o que for necessário. Tens o teu livre-arbítrio, do qual podes usar como o entenderes. Nenhum homem é constrangido a fazer coisa alguma. Pergunta — Que causas poderiam determinar o meu malogro (fracasso, insucesso)?
  • 55. Seria a insuficiência das minhas capacidades? Resposta — Não; mas, a missão dos reformadores é prenhe de escolhos e perigos. Previno-te de que é rude a tua, porquanto se trata de abalar e transformar o mundo inteiro. Não suponhas que te baste publicar um livro, dois livros, dez livros, para em seguida ficares tranquilamente em casa. Tens que expor a tua pessoa. Suscitarás (provocarás) contra ti ódios terríveis, inimigos encarniçados se conjurarão para tua perda;
  • 56. Ver-te-ás a braços com a malevolência, com a calúnia, com a traição mesma dos que te parecerão os mais dedicados; As tuas melhores instruções serão desprezadas e falseadas; Por mais de uma vez sucumbirás sob o peso da fadiga; Numa palavra: Terás de sustentar uma luta quase contínua, com sacrifício de teu repouso, da tua tranquilidade, da tua saúde e até da tua vida, pois, sem isso, viverias muito mais tempo.
  • 57. Ora bem! não poucos recuam quando, em vez de uma estrada florida, só veem sob os passos urzes (terreno agreste), pedras agudas e serpentes. Para tais missões, não basta a inteligência. Faz-se mister (necessário), primeiramente, para agradar a Deus, humildade, modéstia e desinteresse, visto que Ele abate os orgulhosos, os presunçosos e os ambiciosos. Para lutar contra os homens, são indispensáveis coragem, perseverança e inabalável firmeza.
  • 58. Também são de necessidade prudência e tato, a fim de conduzir as coisas de modo conveniente e não lhes comprometer o êxito com palavras ou medidas intempestivas. Exigem-se, por fim, devotamento, abnegação e disposição a todos os sacrifícios. Vês, assim, que a tua missão está subordinada a condições que dependem de ti. (9). ☞ Após o diálogo com o Espírito Verdade, estando mais lúcido sobre o que lhe competiria fazer daí para diante, Rivail elevou a Deus uma prece, revelando humildade e total submissão aos desígnios superiores.
  • 59. Senhor! Pois que te dignaste lançar os olhos sobre mim para cumprimento dos teus desígnios, faça-se a tua vontade! Está nas tuas mãos a minha vida; dispõe do teu servo. Reconheço a minha fraqueza diante de tão grande tarefa; A minha boa-vontade não desfalecerá, as forças, porém, talvez me traiam. Supre a minha deficiência; Dá-me as forças físicas e morais que me forem necessárias.
  • 60. Ampara-me nos momentos difíceis e, com o teu auxílio e dos teus celestes mensageiros, tudo envidarei para corresponder aos teus desígnios. (10). ☞ No que diz respeito ao teor do diálogo travado com o Espírito Verdade, Kardec registra, dez anos depois, as seguintes observações: Escrevo esta nota a 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio depois que me foi dada a comunicação acima e atesto que ela se realizou em todos os pontos, pois experimentei todas as vicissitudes que me foram preditas.
  • 61. Andei em luta com o ódio de inimigos encarniçados, com a injúria, a calúnia, a inveja e o ciúme; libelos (Textos) infames se publicaram contra mim; as minhas melhores instruções foram falseadas; traíram-me aqueles em quem eu mais confiança depositava, pagaram-me com a ingratidão aqueles a quem prestei serviços. A Sociedade de Paris se constituiu foco de contínuas intrigas urdidas (conspiradas) contra mim por aqueles mesmos que se declaravam a meu favor e que, de boa fisionomia na minha presença, pelas costas me golpeavam.
  • 62. Disseram que os que se me conservavam fiéis estavam à minha soldada (recompensa) e que eu lhes pagava com o dinheiro que ganhava do Espiritismo. Nunca mais me foi dado saber o que é o repouso; mais de uma vez sucumbi ao excesso de trabalho, tive abalada a saúde e comprometida a existência. Graças, porém, à proteção e assistência dos bons Espíritos que incessantemente me deram manifestas provas de solicitude, tenho a ventura de reconhecer que nunca senti o menor desfalecimento ou desânimo e que prossegui, sempre com o mesmo ardor, no desempenho da minha tarefa, sem me preocupar com a maldade de que era objeto.
  • 63. Segundo a comunicação do Espírito de Verdade, eu tinha de contar com tudo isso e tudo se verificou. Mas, também, a par dessas vicissitudes, que de satisfações experimentei, vendo a obra crescer de maneira tão prodigiosa! Com que compensações deliciosas foram pagas as minhas tribulações! Que de bênçãos e de provas de real simpatia recebida parte de muitos aflitos a quem a Doutrina consolou!
  • 64. Este resultado não mo anunciou o Espírito de Verdade que, sem dúvida intencionalmente, apenas me mostrara as dificuldades do caminho. Qual não seria, pois, a minha ingratidão, se me queixasse! Se dissesse que há uma compensação entre o bem e o mal, não estaria com a verdade, porquanto o bem, refiro-me às satisfações morais, sobrelevaram de muito o mal.
  • 65. Quando me sobrevinha uma decepção, uma contrariedade qualquer, eu me elevava pelo pensamento acima da Humanidade e me colocava antecipadamente na região dos Espíritos e desse ponto culminante, donde divisava o da minha chegada, as misérias da vida deslizavam por sobre mim sem me atingirem. Tão habitual se me tornara esse modo de proceder, que os gritos dos maus jamais me perturbaram. (11).
  • 66. Se Allan Kardec tivesse escrito que “fora do Espiritismo não há salvação”, eu teria ido por outro caminho. Graças a Deus ele escreveu “Fora da Caridade”, ou seja fora do Amor não há salvação. 3.4 O NOME ALLAN KARDEC ☞ Quando da publicação de O Livro dos Espíritos, o autor se viu diante de um sério problema: como assinar o trabalho? E mais uma vez prevaleceu o bom senso do professor Rivail, segundo se depreende das palavras do biógrafo:
  • 67. No momento de publicá-lo – diz H. Sausse [na obra Biographie d´Allan Kardec 4ª edição, p. 32], o Autor ficou muito embaraçado em resolver como o assinaria, se com seu nome – Hippolyte Léon Denizard Rivail, ou com um pseudônimo. Sendo o seu nome muito conhecido do mundo científico, em virtude dos seus trabalhos anteriores, e podendo originar confusão, talvez mesmo prejudicar o êxito do empreendimento, ele adotou o alvitre (conselho, sugestão) de o assinar com o nome Allan Kardec, nome que, segundo lhe revelara o guia [Zéfiro], ele tivera ao tempo dos druidas* (24).
  • 68. Druidas: Sacerdotes dos gauleses e dos celtas. Não tinham templos, reuniam- se nos bosques e veneravam certas plantas, tais como o visco e o carvalho. Acreditavam na imortalidade da alma e na metempsicose (transmigração da alma em corpos de animais). Sua filosofia é quase desconhecida, porque não a escreveram, confiando-a à memória de seus discípulos.
  • 69. 3.5 AS OBRAS ESPÍRITAS ☞ Além de O Livro dos Espíritos, saído a lume (publicado) em 18 de abril de 1857, Kardec escreveu outras obras espíritas, das quais se destacam: 1804-1869 18 abril 1857
  • 70. Agosto 1865 Janeiro 1861 Janeiro 1868Abril 1864 Janeiro 1858 Julho 1859
  • 71. Após a sua desmaterialização, foi publicado em 1890, em Paris, por P. G. Leymarie, o livro Obras Póstumas – coletânea de escritos do Codificador do Espiritismo. Não menos importante é a correspondência, mediante a qual Kardec estabeleceu contato com escritores, políticos, eclesiásticos, sábios, pessoas de todas as condições e de todos os lugares, esforçando-se [...] por consolar, satisfazer e instruir, abrindo às almas aflitas e torturadas as ridentes e doces perspectivas da vida supraterrestre. (26)
  • 72. 3.6 A ATUAÇÃO DE KARDEC NA CODIFICAÇÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA ☞ É voz geral entre os estudiosos da Doutrina Espírita – no que diz respeito ao trabalho da codificação – que Kardec não foi simples compilador, tendo sua tarefa ido muito além da coleta e seleção do material, isto é, das mensagens recebidas do mundo espiritual. Sobre este assunto, Wantuil e Thiesen fazem os seguintes comentários:
  • 73. Conquanto Kardec sempre repetisse que o mérito da obra cabia todo aos Espíritos que a ditaram, não é menos verdadeiro que a ele é que coube a ingente tarefa de organizar e ordenar as perguntas (e que perguntas!) sobre os assuntos mais simples aos mais complexos, abrangendo variados ramos do conhecimento humano. A distribuição didática das matérias encerradas no texto;
  • 74. A redação dos comentários às respostas dos Espíritos, os quais primam pela concisão e pela clareza com que foram expostos; A precisão com que intitula capítulos e subcapítulos; As elucidações complementares de sua autoria; as observações e anotações, as paráfrases e conclusões, sempre profundas e incisivas; E bem assim a sua notável «Introdução» – tudo isto atesta a grande cultura de Kardec, o carinho e a diligência com que ele se houve no afanoso trabalho que se comprometera a publicar.
  • 75. Kardec fez o que ninguém ainda havia feito: Foi o primeiro a formar com os fatos observados um corpo de doutrina metódico e regular, claro e inteligível para todos, extraindo do amontoado caótico de mensagens mediúnicas os princípios fundamentais com que elaborou uma nova doutrina filosófica, de caráter científico e de consequências morais ou religiosas.(25). 4. DESMATERIALIZAÇÃO ☞ Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a tomar da obra e o último a deixa-la...,
  • 76. ...Allan Kardec sucumbiu, a 31 de março de 1869, quando se preparava para uma mudança de local, imposta pela extensão considerável de suas múltiplas ocupações. Diversas obras que ele estava quase a terminar, ou que aguardavam oportunidade para vir a lume (ser publicado), demonstrarão um dia, ainda mais, a extensão e o poder das suas concepções. Morreu conforme viveu: trabalhando. Sofria, desde longos anos, de uma enfermidade do coração, que só podia ser combatida por meio do repouso intelectual e pequena atividade material.
  • 77. Consagrado, porém, todo inteiro à sua obra, recusava-se a tudo o que pudesse absorver um só que fosse de seus instantes, à custa das suas ocupações prediletas. Deu-se com ele o que se dá com todas as almas de forte têmpera (caráter, índole, temperamento): A lâmina gastou a bainha (1). ☞ Acerca da luminosa existência do mestre lionês, escreve o Irmão X [Espírito Humberto de Campos]:
  • 78. [...] Allan Kardec, apagando a própria grandeza, na humildade de um mestre-escola, muita vez atormentado e desiludido, como simples homem do povo, deu integral cumprimento à divina missão que trazia à Terra, inaugurando a era espírita-cristã, que, gradativamente, será considerada em todos os quadrantes do orbe como a sublime renascença da luz para o mundo inteiro. (27).
  • 79. ☞ Logo em sua primeira obra, Denizard Rivail relaciona em seis itens os princípios que lhe parecem mais adequados ao ensino à criança, fazendo-o em harmonia com o sistema pestalozziano, como era de se esperar de um discípulo do mestre suíço. Eis os princípios que o nortearam na elaboração do seu Cours d´Arithmétique [Curso de Aritmética], alguns dos quais o guiariam, bem mais tarde, nos estudos e nas pesquisas espíritas e bem assim na Codificação da Doutrina:
  • 80. 1º – Cultivar o espírito natural de observação das crianças, dirigindo-lhes a atenção para os objetos que as cercam. 2º – Cultivar a inteligência, observando um comportamento que habilite o aluno a descobrir por si mesmo as regras. 3º – Proceder sempre do conhecido para o desconhecido, do simples para o composto.
  • 81. 4º - Evitar toda attitude mecânica, levando o aluno a conhecer o fim e a razão de tudo o que faz. 5º – Conduzi-lo a apalpar com os dedos de com os olhos todas as verdades. Este princípio forma, de algum modo, a base material deste curso de aritmética. 6º – Só confiar à memória aquilo que já tenha sido apreendido pela inteligência. WANTUIL, Zêus & THIESEN, Francisco. Allan Kardec. 4ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002, Vol. I. - Cap. 15, p. 98.
  • 82.  Como planejaram os Espíritos, os fenômenos de “Hydesville” repercutiria na Europa, despertando as consciências e, ao lado dos fenômenos das “Mesas Girantes”, prepararia o advento do ESPIRITSMO.
  • 83.
  • 84.  E eu rogarei ao Pai, e ele vos daráE eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convoscooutro Consolador, para que fique convosco para semprepara sempre (João 14:16);  Mas aquele Consolador, o EspíritoMas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome,Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vosesse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho ditofará lembrar de tudo quanto vos tenho dito (João 14:26).  Mas, quando vier o Consolador, queMas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aqueleeu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de Verdade, que procede do Pai, eleEspírito de Verdade, que procede do Pai, ele testificará de mimtestificará de mim (João 15:26).
  • 85. 1. KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução Guillon Ribeiro. 38ª ed. Rio de Janeiro: FEB 2005. – Biografia de Allan Kardec - Pág. 17. 2.______. Segunda Parte – Item: A Minha Primeira Iniciação no Espiritismo - Pág. 265. 3. ______. Págs. 265-266. 4. ______. Pág. 266. 5. ______. Págs. 266-267. 6. ______. Págs. 267-268. 7. ______. Pág. 268. 8. ______. Pág. 269. ReferênciasReferências BibliográficasBibliográficas
  • 86. 9. ______. Item: Minha Missão-Págs. 281-283. 10.______. Pág. 283. 11.______. Págs. 283-285. 12. WANTUIL, Zéus. Grandes Espíritas do Brasil. 4ª ed. Rio de Janeiro: FEB 2002 – Allan Kardec - Pág. 15 13. ______. Pág. 17. 14. ______. Págs. 26-29. 15. WANTUIL, Zéus e THIESEN, Francisco. Allan Kardec - 5ª ed. Rio de Janeiro: FEB 1999 – vol. 1 - Cap. 2 – (Formação Escolar de Rivail...) Págs. 32-33.
  • 87. 16. WANTUIL, Zéus e THIESEN, Francisco. Allan Kardec - 5ª ed. Rio de Janeiro: FEB 1999 – vol. 1 - Cap. 2 – (Formação Escolar de Rivail...) Pág. 33. 17. ___. Cap. 14 (Seu 1º Livro) Pág. 85. 18. ___. Págs. 88-89. 19. ___. Cap. 16 (Princípios enunciados...) - Pág. 99. 20. ___. Cap. 19 (Instituições Pestalozzianas em Paris) - Págs. 110-111. 21. ___. 112. 22. ___. Cap. 37 (Fertilidade Pedagógica) - Pág. 182.
  • 88. 23. WANTUIL, Zéus e THIESEN, Francisco. Allan Kardec - 5ª ed. Rio de Janeiro: FEB 1999 – vol. 1 - Cap. 38 – (Fim da Primeira Fase) Pág. 189. 24.___. Vol. 2 - Cap. 1 (A Fagulha da renovação) – Item: 6 - Pág. 74. 25. ___. Item: 7 - Págs. 84-85. 26. ___. Cap. 3 Item: 5 - Pág. 201. 27. XAVIER, Francisco Cândido. Cartas e Crônicas – Pelo Espírito Irmão X – 10ª ed. Rio de Janeiro: FEB 2002 - Cap. 28 – (Na América) - Pág. 127.