Reprodução Artificial de Peixes

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Em uma criação comercial de peixes, que seja desenvolvida nos padrões atuais de cultivo semi-intensivo ou intensivo, podemos utilizar técnicas valiosas e bastante práticas de reprodução dos peixes, através de da intervenção no processo reprodutivo natural desses animais. Estas técnicas visam atingir uma maior produção e produtividade na criação, melhorando os resultados finais e, consequentemente, os lucros dos piscicultores.

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Reprodução Artificial de Peixes

  1. 1. Reprodução Artificial de Peixes (Visita Técnica a Estação de Piscicultura da CODEVASF) Bruno Djvan Henrique Bernardino Norislania Lopes Rodrigo Moura
  2. 2. Peixes
  3. 3. • Todos os peixes são animais dependentes do meio aquático, locomovem-se batendo a cauda e respiram por meio de brânquia (órgão através do qual respira). • São classificados em três grandes grupos:
  4. 4. Peixes sem mandíbula (lampréias)
  5. 5. Peixes cartilaginosos (tubarões e raias)
  6. 6. Peixes ósseos (lambari, tilápia, dourado, salmão, enguia, pescada, peixe-palhaço, kingyo, etc).
  7. 7. Várias espécies são de interesse da: • Aquacultura (que visa a produção de carne) • Aquariofilia (criação ornamental).
  8. 8. Reprodução de Peixes
  9. 9. Do ponto de vista da reprodução, por causa da variação na forma de nascimento dos filhotes os peixes são classificados em: • Ovíparos • Vivíparos • ovovivíparos
  10. 10. • Ovíparos: os filhotes se desenvolvem fora do corpo da mãe, dentro do ovo que contem os nutrientes necessários. Mais de 90% dos peixes pertencem a essa categoria.
  11. 11. • Vivíparos: os filhotes se desenvolvem dentro do corpo da mãe recebendo diretamente dela os nutrientes necessários. por exemplo, os Platis, Lebistes, molinésias entre outros.
  12. 12. • Ovovivíparos: ocorre uma combinação das duas formas, isto é, os filhotes se desenvolvem dentro do ovo e dentro do corpo da mãe. Na hora do nascimento, os filhotes saem do ovo já aptos para comer pequenos alimentos, peixes desta categoria: Caracídeos, alguns Ciclideos, Acarás, etc.
  13. 13. A fertilização do óvulo pode ser externa ou interna • A maioria dos peixes ósseos apresenta fecundação externa: a fêmea e o macho liberam seus gametas na água. Após a fecundação do óvulo por um espermatozóide, forma-se o zigoto. Em muitas espécies de peixes ósseos, o desenvolvimento é indireto, com larvas chamadas alevinos.
  14. 14. • Nos peixes cartilaginosos, a fecundação é geralmente interna: o macho introduz seus espermatozóides no corpo da fêmea, onde os óvulos são fecundados. • O desenvolvimento é direto: os ovos dão origem a filhotes que já nascem com o aspecto geral de um adulto, apenas menores.
  15. 15. Como ocorre a transformação de ovo em outro peixe?
  16. 16. • Com a fertilização, temos uma nova célula chamada ovo ou zigoto possuindo a metade das informações vindas do pai e outra metade, da mãe.
  17. 17. • O zigoto começa, então a se dividir e dividir até formar o embrião que continuará o seu desenvolvimento até o nascimento. O desenvolvimento embrionário requer muita energia o que é providenciado pelo vitelo, alimento previamente armazenado dentro do óvulo.
  18. 18. • Nos peixes, o embrião transforma-se em larva e, finalmente, nasce. • A fase de desenvolvimento do ovo até a forma de larva (peixe jovem que nada e procura de comida) chama-se incubação. Esse período é muito delicado e arriscado para a sobrevivência das larvas.
  19. 19. As fotos mostram a seqüencia de desenvolvimento embrionário de uma tainha (Mugil cephalus). A) Um ovo, 4 horas após a fertilização; B) 24 horas depois; C) Antes do nascimento; D) larva recém-nascida com o saco vitelínico
  20. 20. Afinal, quem são os machos e fêmeas de uma espécie? • Os cientistas chamam de fêmeas os indivíduos que possuem ovários (produtores de óvulos) e de machos os que possuem testículos (produtores de espermatozóides).
  21. 21. • Quando o espermatozóide encontra o óvulo, ambos se juntam ocorrendo a fertilização, momento muito especial da atividade reprodutiva. • Numa espécie em que machos e fêmeas são indivíduos distintos, ambos precisam se encontrar para que a fertilização ocorra.
  22. 22. O peixe que muda de sexo. Hã?
  23. 23. • É isso mesmo! • Entre os peixes há várias espécies que mudam de sexo. Entre eles está o peixe- palhaço(Amphiprion ocellaris) que se tornou uma celebridade por causa do desenho animado "A procura de Nemo".
  24. 24. • O peixe-palhaço vive associado à anêmona- do-mar, um animal que é invertebrado mas lembra uma flor. • As anêmonas capturam as suas presas usando um potente veneno para atordoá-las mas os peixes-palhaços são imunes a ele. Quando chega a época de acasalamento, o casal de peixe-palhaço reproduz-se na lua cheia.
  25. 25. • A desova ocorre sobre uma rocha, bem pertinho de uma anêmona e, quem cuida dos ovos e dos peixinhos que nascerem, é o pai.
  26. 26. Acontece que toda prole é masculina! Hã? Não nascem fêmeas?
  27. 27. • Calma, os machos transformam-se em fêmeas mais tarde. • O peixe palhaço nasce macho e, se não houver fêmeas por perto, um deles transforma-se em numa fêmea para que a reprodução possa continuar!
  28. 28. • Os indivíduos que possuem os dois sexos são chamados de hermafroditas. Isso pode acontecer ao mesmo tempo (como nas minhocas) ou um depois do outro, como no peixe-palhaço.
  29. 29. Reprodução Artificial de Peixes “Piscicultura”
  30. 30. Piscicultura • A piscicultura trata do cultivo de peixes .O cultivo envolve instalações naturais ou artificiais, alimentação e manejo com vistas a aumentar a produção de peixes.
  31. 31. • As primeiras informações sobre criação de peixes ocorreram na China cerca de 2000 aC. • No final do século XX aumentaram muito as informações sobre a criação de peixes, particularmente no que se refere à reprodução e alimentação para se obter crescimento eficiente.
  32. 32. • Nos sistemas de cultivo atuais, em várias partes do mundo, tem-se o domínio em nível genético e controle total do ambiente de confinamento dos peixes.
  33. 33. • No Brasil ainda estar iniciando o processo de melhoramento genético para algumas espécies, mas ainda vai demorar um pouco para atingirmos o controle desejado
  34. 34. • Para que uma espécie possa ser utilizada em cultivo, elas devem apresentar algumas características básicas, como por exemplo:
  35. 35. • Adaptação ao clima dos locais de cultivo; • Crescimento rápido; • Hábitos alimentares de preferência onívoros (se alimentam de tudo); • Resistência a elevadas densidades de cultivo; • Aceitação pelo mercado consumidor.
  36. 36. FASES DA PISCICULTURA • As fases de vida dos peixes podem ser divididas basicamente assim: ovo, larva, pós- larva, alevino, juvenil, matriz ou reprodutor. • Como a diferença de tamanho e comportamento entre tais fases é bastante grande, torna-se necessário adequar o trato, bem como as unidades de produção, instrumentos e utensílios, naquilo que chamamos fases da piscicultura.
  37. 37. Por exemplo, podemos separar as fases da piscicultura em quatro: • 1 - Fase de reprodução: manejo de matrizes e reprodutores nos viveiros externos, em tanques-redes temporários no rio ou nos tanques de reprodução do laboratório; • 2 - Fase de incubação: manejo de ovos e larvas em incubadoras especiais;
  38. 38. • 3 - Fase de alevinagem: formação de alevinos (até cerca de 5 cm) em tanques internos, viveiros-berçários externos ou viveiros- barragens; • 4- Fase de engorda: produção de peixes juvenis para o abate (até cerca de 25 cm) em viveiros-barragens familiares.
  39. 39. Ciclo de produção de alimentos naturais
  40. 40. • Um viveiro de piscicultura é um ambiente que serve de habitat para vários organismos aquáticos. Dependendo da parte (superfície, meio, fundo) da massa líquida onde esses organismos habitam, são classificados como:
  41. 41. • Macrófitas: são os vegetais superiores, que vivem submersos ou flutuando na água, como por exemplo, os aguapés e as aeloidias; • Neustons: refere-se a organismos, como pequenos insetos, que se movimentam sobre a superfície da água; • Bentos: é a denominação dada aos vermes e a formas jovens de insetos que habitam o fundo dos viveiros e que se alimentam principalmente de matéria orgânica;
  42. 42. • Néctons: são aqueles organismos que nadam ativamente na massa d’água; • Plânctons: são organismos muito pequenos, que habitam a parte superior da massa d’água, vivendo à deriva.
  43. 43. Sistemas de produção
  44. 44. Sistema extensivo Consiste em colocar os peixes juvenis em lagos ou represas,onde permanecerão até o momento de serem capturados. Apresenta as principais características: • Não há fornecimento de ração aos peixes; • Não há adoção de um manejo adequado;
  45. 45. • Apresenta baixa produtividade, geralmente, em torno de dois a três mil quilos por hectare de área alagada por ano; • Utiliza a técnica do policultivo, geralmente, permitindo que várias espécies sejam cultivadas ao mesmo tempo, como por exemplo: • Tilápias; surubim; carpas; pacu ; tambaqui; tambacu; matrinchã; curimbatá; e piau.
  46. 46. Sistema semi-intensivo • É um sistema praticado em lagos ou represas e apresenta as seguintes características: • Há fornecimento de alimento para os peixes, sendo parte desse alimento constituído por rações e parte por restos de alimentos ou dejetos de animais, como de suínos, desde a fase juvenil até alcançarem o ponto de comercialização;
  47. 47. • É um sistema utilizado como atividade secundária da fazenda; • Apresenta produtividade em torno de cinco mil quilos por hectare de área alagada por ano; • É um sistema adequado para o produtor que pretende fazer o policultivo, com o objetivo de fornecer peixes aos pesque-pagues ou para o comércio de peixes abatidos em menor escala.
  48. 48. Sistema intensivo • A finalidade desse sistema é obter alta produtividade e, por isso, deve ser feito em viveiros, podendo ser adotado como uma das principais atividades da propriedade. • Aqui, as fases de recria e de engorda são bem definidas, as quais poderão ser realizadas em conjunto na própria piscicultura.
  49. 49. • As pisciculturas que adotam esse sistema têm como principal objetivo atender a mercados consumidores de peixes abatidos. • Por essa razão, o sistema intensivo é recomendado para o monocultivo, ou seja, o cultivo de uma só espécie em cada viveiro. • Nesse sistema, utilizam-se espécies que permitem ser cultivadas com maiores densidades de peixes, sendo as tilápias, vermelhas ou tailandesas.
  50. 50. Sistema superintensivo • Trata-se de um sistema que possui as mesmas características do intensivo, porém permite que se utilize densidade de povoamento ainda maiores.
  51. 51. • Viveiros circulares; • Tanques-rede; • Raceway’s (se baseia no princípio da alta troca de água dos tanques); • Canais de concreto, construídos para conduzir água de irrigação.
  52. 52. • Comparado com os demais sistemas de produção, o superintensivo apresenta maior custo de implantação, porém permite obter produtividades bem maiores. • Aqui, a exemplo do que é feito no sistema intensivo, é muito importante fazer um acompanhamento adequado da alimentação dos peixes e da qualidade da água para evitar queda de produtividade.
  53. 53. Reprodução Induzida em Peixes - Hipofisação
  54. 54. • A técnica da reprodução induzida, conhecida como hipofisação, que consiste na injeção de extrato de hipófise para induzir a desova, foi elaborada em 1934, por Rodolpho Von Ihering. • Aplicando extrato de hipófise de outros peixes no curimatã (Prochilodus argenteus) (SALLUN, 2002), este zoólogo e biólogo brasileiro é considerado o pai da piscicultura no Brasil.
  55. 55. • É denominada uma técnica usada na reprodução artificial de peixes que visa a otimização da produção de peixes em escala comercial. • Além disso, a técnica garante uma maior taxa de sobrevivência, quando comparadas com as condições naturais na qual os peixes se reproduzem. • A técnica é baseada na desova por indução em peixes migradores, a partir da aplicação de hormônios naturais presentes na hipófise de peixes maduros.
  56. 56. • Fatores ambientais estimulam o hipotálamo a secretar hormônio liberador de gonadotrofina, o qual estimula a hipófise a secretar hormônios gonadotrópicos que atuarão nas gônadas, de modo a secretarem os hormônios sexuais e, assim, provocarem a maturação final e a liberação dos gametas.
  57. 57. • Na fase final da gametogênese masculina, o espermatozoide flagelado é liberado no ducto espermático e ocorre a hidratação dos testículos e consequente espermiação no período reprodutivo por ação dos hormônios sexuais.
  58. 58. • Quando esses animais estão em condições de cativeiro, não ocorre a migração e, muitas vezes, as condições ambientais não são favoráveis à reprodução. • Portanto, a ação da indução hormonal da reprodução ocorre na fase final da gametogênese nos machos e nas fêmeas, quando os animais já têm formado os gametas, sem, entretanto, haver estímulos naturais para a liberação.
  59. 59. Hormônios utilizados na reprodução artificial de peixes no Brasil
  60. 60. • Atualmente, na maioria dos laboratórios de reprodução de espécies migradoras, utiliza-se como protocolo padrão a aplicação de EBHC. • O EBHC atua diretamente nas gônadas por meio das gonadotropinas, induzindo a maturação final de ovócitos e a liberação dos espermatozoides, sem qualquer influência na produção inicial desses gametas.
  61. 61. • Nas fêmeas, o EBHC induz a maturação final dos ovócitos, fazendo com que a vesícula germinativa ou núcleo migre para a periferia do ovócito até a desintegração total (Vazzoler, 1996). • Nos machos, o EBHC aumenta o plasma seminal mediante a hidratação testicular, facilitando a extrusão dos espermatozoides.
  62. 62. • Tratar de um produto que atua diretamente e de forma eficiente nas gônadas, suprindo a quantidade de gonadotropina ausente pelas condições de cativeiro, é ainda o mais indicado para a reprodução de peixes migradores.
  63. 63. Vantagens • Fatores ambientais externos não influenciam na criação; • Possibilidade de padronização do estro • Aumenta a capacidade fertilização de um ejaculato; • Aumento da taxa de sobrevivência dos alevinos; • Possibilita a reprodução o ano inteiro.
  64. 64. Limitações • Necessita pessoas capacitadas; • Maior investimento, maior custo operacional e risco econômico.

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