ESTUDO DIRIGIDO - PSICOSSOMÁTICA

3.341 visualizações

Publicada em

Aula ministrada por Bruno Augusto das Chagas no Instituto Ários Clínica e Pesquisa em Psicanálise e Psicologia que aborda:
Estudo sobre os fenomenos psicossomáticos, origem e desdobramentos

ESTUDO DIRIGIDO - PSICOSSOMÁTICA

  1. 1. Psicossomática Tema: “Corpo: envelope psíquico da dor” Coordenação Bruno Chagas
  2. 2. Denominações: •somatose (um fenômeno clínico que se expressa no corpo), • psicossomática, • doença psicossomática, • conversão somática, • manifestação somática, • manifestação somatoforme, • transtorno somatoforme, • distúrbio psicossomático, • psicopatologia somática.
  3. 3. DSM-IV TR Transtornos Somatoformes : Sugerem uma condição médica geral, porém não são completamente explicados por uma condição médica, pelos efeitos diretos de uma substância ou por um transtorno mental. Transtorno de Somatização -Transtorno Somatoforme indiferenciado -Transtorno Conversivo -Transtorno Doloroso -Hipocondria -Transtorno Dismórfico -Transtorno de Somatição sem outra especificação
  4. 4. DIRETRIZES DIAGNÓSTICA: A) Pelo menos dois anos de sintomas físicos múltiplos e variáveis para os quais nenhuma explicação adequada foi encontrada; B)Recusa persistente de aceitar a Informação ou o reasseguramento de diversos médicos de que não há explicação física para os sintomas; C) Certo grau de comprometimento do funcionamento social e familiar atribuíveis à natureza dos sintomas e ao comportamento resultante.
  5. 5. Na somatização o sujeito se encontra no que surge “somatizado”. J.-D. Nasio: Um sintoma é sempre, apesar do fato de se repetir, algo novo, é sempre metáfora.
  6. 6. O individuo é uma câmara negra furada por uma buraquinho que corresponde aos olhos. O interior é totalmente oposto e diferente do exterior. Há, portanto, entre o interno e o externo, a superfície da pele. SÓ POSSO CONHECER O QUE ESTÁ FORA DE MIM ATRAVÉS DE REPRESENTAÇÕES, E ESSAS REPRESENTAÇÕES EXISTEM NO PSIQUISMO DO SUJEITO, SENDO ESTAS REPRESENTAÇÕES POSSIBILIDADES DE CONHECIMENTO.
  7. 7. O movimento pulsional e seus três momentos (movimento de 2 voltas)
  8. 8. A pulsão é um trabalho em espiral, uma perfuração, o movimento pulsional é um movimento em voltas
  9. 9. Lacan propõe que, em vez de se dizer: olhar, ser olhado e olhar-se (alias olhar-se é olhar seu corpo) isto quer dizer que “olhar-se” é equivalente a “ser olhar”, assim ele propõe a seguinte formula: “fazer-se”... Fazer-se o quê? Fazer-se olhar, fazer-se voz, fazer-se cocô, fazer-se seio... Pois são deste viés que se formam as formações do objeto a.
  10. 10. Quando estudamos as doenças psicossomáticas, ocorre imediatamente a ideia que há um déficit, há uma falta, há uma dissociação, devemos portanto pensar o inverso, pois esta manifestação deve ser observada como algo criativo, como algo novo que toma consistência. Uma lesão não é um déficit ou um defeito, é um engendramento. Lacan aborda sobre a palavra separare, engendrar; separar é engendrar, mesmo se às vezes este engendramento (formar/produzir) é monstruoso, mesmo se se trata de um delírio, de uma alucinação, é positivo, produtivo porque é algo que sai, algo que avança, algo que deixa rastro.
  11. 11. Somatizações e as formas de Gozo: Sobre a hipótese de formações do objeto a é uma maneira de opor meios diferentes que temos para gozar. Temos os seguintes meios de gozar: 1. Com palavras, com significantes, com símbolos e isso são sintomas – um dizer; 2. Com partes do corpo e isso se chama fantasia – um fazer; 3. A passagem ao ato – é uma ação
  12. 12. • Gozo - é um lugar condensador de grande carga libidinal, que tem o poder de atrair, de concentrar em torno de si, sendo potencia de perseverança e de persistência da pulsão. • Neste contexto podemos compreender também como a interação (de múltiplas vias) entre prazer e sofrimento mas, sobretudo, o modo de divisão do sujeito.
  13. 13. O Gozo e sua relação com o Minetismo Segundo o conceito de Minetismo – animais/plantas que adotam a aparência do ambiente que os cerca (os das demandas do meio) – daremos o exemplo de uma borboleta fêmea que toma a forma, a mesma cor e adota o mesmo comportamento que uma borboleta de outro gênero, mas dentro da mesma espécie, enganando assim as borboletas machos e até os cientistas que tentavam estudá-la.
  14. 14. Os três tipos de minetismo: o disfarce, a camuflagem e a intimidação. A respeito do Minetismo ele tem utilidade na luta pela vida, na seleção natural ou ainda para espantar predadores , ou seja transformar-se para gerar maior atração do que o aspecto habitual. A primeira descrição analítica de uma doença psicossomática seria que é uma lesão que não remete a nada, que se fecha sobre si mesma, a interpretação é exatamente o oposto: ela pode nomear, ela pode interpretar a fantasia, podemos dizer muito a seu respeito.
  15. 15. As ordens significantes Existem sempre nas afecções somáticas 4 ordens particulares: 1. Significantes datais; 2. O sobrenome e o nome vão fazer eco ao significante que desencadeiam fenômenos psicossomáticos; 3. Quanto ao sexo biológico; 4. As holofrases e a produção de significantes.
  16. 16. As ordens e a função do analista Ao observar estas ordens cabe enquanto função do analista uma necessidade de nomear essas formações, dar uma nome a lesão é fazer com que o paciente possa retomar uma palavra de algo compacto, isso não é para que o paciente ache uma nova teoria sobre seu sintoma, e sim para que encontre um sintoma novo, no lugar da lesão. Pois o analista sabe a palavra que falta, ele representa as palavras que faltam e sua simples presença dá as condições para que o paciente nomeie sua lesão.
  17. 17. Assim cabe ao analista decifrar as formações do inconsciente o que não quer dizer desvelar o sentido oculto delas, mas sim, permutar um signo por outro, introduzir uma nova cifra e compor uma nova sequência de signos.
  18. 18. O louco é alguém livre, bem como aquele que esta doente de alguma coisa no corpo, mesmo se eles sofrem, há alguma coisa da ordem da liberdade que nós não temos, pois eles não tem que se alienar em um destino a advir eles não tem que seguir, que esperar, que se apagar em uma cadeia, em uma historia, em uma repetição. Eles não se apagam, eles não se afanisam (medo patologico de se tornar sexualmente impotentes), eles são: eu sou onde não penso, o sujeito da lesão do órgão é um “eu sou a lesão” e o outro “eu sou o gozo”.
  19. 19. “Um deseja e outro alucina, um deseja e o outro cai enfermo, um deseja e outro faz passagem ao ato”
  20. 20. Bruno Augusto – Psicanalista e Diretor do Instituto Ários Clínica e Pesquisa em Psicanálise e Psicologia. www.institutoarios.com bruno@institutoarios.com 37 3212- 7107 Rua Ceará 310, centro – Divinópolis - MG

×