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PSICOLOGIA
U M A ( N O V A )
I N T R O D U Ç Ã O
APRESENTAÇÃO
Esta apresentação foi elaborada com base no conteúdo do livro
“Psicologia: uma (nova) introdução”, de Figueiredo e Santi, que
traça um panorama sobre o desenvolvimento da psicologia
como ciência, relacionando com as principais condições
históricas e subjetivas que possibilitaram seu desenvolvimento.
A leitura deste material não substitui o livro citado, porém pode
servir como uma introdução ou síntese do conteúdo do livro.
ex-isto
INTRODUÇÃO
O estudo da psicologia ocorre desde a Antiguidade. Na Grécia
Antiga muitos filósofos tratavam sobre temas e conceitos
relacionados ao que hoje faz parte do que entendemos por
Psicologia, temas como a psique, o comportamento, o
“espírito” ou a “alma” do homem.
Porém, a concepção da Psicologia como ciência, tal como hoje
conhecemos, é uma invenção muito recente, e foi ainda mais
recentemente que começaram a ser elaboradas as primeiras
teorias de psicologia como uma ciência “independente”.
ex-isto
A SUBJETIVIDADE
PRIVATIZADA
SUBJETIVIDADE PRIVATIZADA
A experiência da subjetividade privatizada refere-se ao fato de
termos experiências íntimas e que ninguém tem acesso a elas.
Podemos ficar um longo tempo pensando se vamos ou não fazer uma
coisa, quase decidir pela primeira e, no final, acabar fazendo a outra,
sem que ninguém fique sabendo de nada.
Muitas vezes sentimos alegrias e tristezas intensas e nem sempre
comunicamos esses sentimentos, mantemos a nossa subjetividade de
modo privado. Essa subjetividade privada é uma experiência muito
recente no decorrer da história da humanidade.
ex-isto
SUBJETIVIDADE PRIVATIZADA
As formas de pensarmos e sentirmos a nossa própria existência não
são universais. A experiência de sermos sujeitos capazes de decisões,
de perceber nossos sentimentos e emoções só se desenvolve, se
aprofunda e se difunde amplamente numa sociedade com
determinadas características.
Em momentos de crise social, quando uma tradição cultural, valores,
normas ou costumes é contestada, surgem novas formas possíveis de
vida. Em situações como estas, as pessoas precisam tomar decisões
para as quais não conseguem apoio na sociedade, buscam então
novas referências ou o encontro de seus próprios seus valores.
ex-isto
SUBJETIVIDADE PRIVATIZADA
Quando há uma desagregação das velhas tradições e proliferação de
novas alternativas, cada pessoa recorre com maior constância ao seu
íntimo e aos seus sentimentos, que nem sempre condizem com o
sentimento geral, buscando em si mesma os critérios do que é certo e
do que é errado, bom ou ruim.
Com isso, surge uma nova experiência da subjetividade privatizada, o
questionamento de si mesmo, sobre: quem sou eu, como me sinto, o
que desejo, o que considero justo e adequado? As pessoas percebem
que podem tomar suas decisões e que são responsáveis por elas.
ex-isto
ROMANTISMO
ROMANTISMO
O Romantismo foi um movimento artístico que teve início no final do
século XVIII, encarando o ser humano como um ser emotivo e
sensível. Trata-se de uma crítica ao Iluminismo e o exacerbado
racionalismo, que acreditava o homem era essencialmente racional,
ou um ser meramente pensante.
Deste modo, o Romantismo passou a evidenciar a potência dos
impulsos e forças naturais. A razão passa a ser questionada, o “eu”
racional e metódico é visto como uma superfície mais ou menos
ilusória que encobre algo muito mais profundo e obscuro.
ex-isto
As pinturas de Turner
trazem tempestades
no mar, onde mal se
definem os limites
entre céu, mar, chuva
e neblina. Em alguns
casos aparece um
barco totalmente à
mercê das forças
naturais. O barco
representa a tentativa
humana impotente
do controle racional e
metódico do mundo.
The Shipwreck,
William Turner
(1805)
ROMANTISMO
O Romantismo é um momento essencial na crise do sujeito moderno
pela destituição do “eu”, de seu lugar privilegiado de senhor, de
soberano e racional, que controla tudo e a si mesmo.
Esse movimento promove a reflexão de que o ser humano possui
níveis de profundidade que ele mesmo desconhece, passando a
valorizar a sua individualidade, a intimidade e liberdade de ser.
Segundo o Romantismo, cada ser é diferente, e os grandes e intensos
sentimentos podem reunir os homens, apesar de suas diferenças.
ex-isto
FRIEDRICH
NIETZSCHE
Friedrich Nietzsche
(1844-1900) foi filósofo,
filólogo, crítico cultural,
poeta e compositor alemão
do século XIX.
NIETZSCHE
FRIEDRICH NIETZSCHE
Durante o século XIX, o “eu” foi questionado de seu lugar privilegiado
e soberano, por diversos autores. Passa-se a ter uma ideia de que os
modos de se comportar de cada pessoa são determinados por
condições que não nem sempre percebe ou pode controlar.
Porém, o ponto mais profundo dessa crise foi a filosofia de Nietzsche.
Para Nietzsche, as ideias de “eu” ou “sujeito” são tidas como meras
ficções. Seu procedimento, chamado de “genealogia”, procura
questionar e desconstruir os fundamentos de todas as bases da
filosofia ocidental, desde Platão.
ex-isto
FRIEDRICH NIETZSCHE
Nietzsche tratou de apresentar como cada elemento, tomado como
fundamento absoluto ou causa primeira de tudo o que existe, foi
criado num determinado momento com uma determinada finalidade.
Se foi criado por pessoas num certo tempo e com uma certa intenção,
então não é eterno nem causa primeira. Com isso, a “ideia” platônica
de Deus e o sujeito moderno são tidos como criações humanas.
Não só o homem é retirado da posição de centro do mundo, como a
própria ideia de que o mundo tenha um centro ou uma unidade é
destruída.
ex-isto
”
“É preciso ter um caos
dentro de si para dar à luz
uma estrela cintilante.”
(Friedrich Nietzsche)
PSICOLOGIA
CIENTÍFICA
CIÊNCIA MODERNA
As ciências naturais, tal como as conhecemos hoje, são modos muito
recentes de produção de conhecimento. Foi apenas a partir do século
XVI que foram criados os atuais modelos de ciência da natureza.
A ciência moderna está baseada na suposição de que o homem é o
senhor superior, que tem o poder e o direito de colocar a natureza a
seu serviço, controlando ela e a si mesmo.
Os procedimentos científicos exigem que os cientistas sejam capazes
de “objetividade”, que deixem de lado seus pontos de vista e seus
sentimentos para obterem um conhecimento “verdadeiro”.
ex-isto
CIÊNCIA MODERNA
Os estudos psicológicos científicos começaram e se desenvolveram
marcados por essa busca de conhecer e dominar a subjetividade,
reduzir ou mesmo eliminar as diferenças individuais, de forma a
garantir a “objetividade” científica, ou seja, a validade dos achados e
das descobertas, além de sua possível generalização.
Muitos psicólogos repudiam essa meta de conhecer para dominar a
subjetividade e os indivíduos e afirmam, ao contrário, que o que
interessa é conhecer esses aspectos profundos e poderosos do “eu”
para dar voz e expandir cada pessoa, para nos tornar mais fortes e
livres, ao invés de racionados e controlados.
ex-isto
Wilhelm Wündt (1832-1920)
foi médico, filósofo e
psicólogo alemão.
É considerado um dos
fundadores da psicologia
experimental junto com
Ernst Heinrich Weber e
Gustav Theodor Fechner.
WÜNDT
WILHELM WÜNDT
Para Wündt, o objeto de estudo da psicologia é a experiência imediata
dos sujeitos. Experiência imediata é a experiência tal como o sujeito a
vivência antes de pensar sobre ela, antes de comunicá-la, antes de
“conhecê-la”. É, em outras palavras, a experiência tal como se dá.
Contudo, Wündt não reduz a tarefa da psicologia apenas à descrição
dessa experiência subjetiva. Ele passa a pesquisar os processos
elementares da experiência mental, aqueles que são mais fortemente
determinados pelas condições físicas do ambiente e pelas condições
fisiológicas dos organismos.
ex-isto
O método
experimental é um
procedimento
realizado em
situações controladas
de laboratório, onde
Wündt procurava
analisar os elementos
da experiência
imediata e as formas
mais simples de
combinação desses
elementos.
Laboratório
Experimental
(1880)
”
“As características distintivas da
mente são meramente subjetivas,
que conhecemos somente por meio
dos conteúdos de nossa própria
consciência.”
(Wilhelm Wundt)
Edward Titchener
(1867-1927) foi um
psicólogo estruturalista
britânico.
Estudou em Leipzig, na
Alemanha, com o mestre
Wündt.
TITCHENER
EDWARD TITCHENER
Titchener concebe o sujeito como um puro organismo, um sistema
nervoso. Ele não nega a existência da mente, mas esta perde sua
autonomia.
Segundo ele, o fisiológico explica o mental, entendendo que tudo o
que vier a acontecer na mente pode ser explicado por meio do estudo
do sistema nervoso.
ex-isto
PSICOLOGIA FUNCIONALISTA
Os psicólogos funcionalistas definem a psicologia como uma ciência
biológica interessada em estudar os processos, operações e atos
mentais como formas de interação adaptativa.
Partem do pressuposto da biologia evolutiva. Para eles, os seres vivos
e os animais sobrevivem se possuem as características orgânicas e
comportamentais adequadas a sua adaptação ao ambiente.
As operações e processos mentais, segundo eles, seriam instrumentos
de adaptação e se expressariam nos comportamentos adaptados.
ex-isto
COMPORTAMENTALISMO
John B. Watson (1878-1958)
foi um psicólogo
estadunidense, considerado
o fundador do
comportamentalismo
WATSON
COMPORTAMENTALISMO
Iniciado pelo psicólogo americano J. B. Watson (1878-1958), o
comportamentalismo tem como objeto de estudo o próprio
comportamento e suas interações com o ambiente.
Seu método de estudo é a observação e experimentação metódica de
comportamentos observáveis e evitando a auto-observação.
Com o comportamentalismo os estudos psicológicos deixaram de
lado a experiência imediata. Tudo aquilo que fazia parte da
experiência subjetiva individualizada deixa de ter lugar na ciência,
pois não era acessível para os métodos objetivos da ciência.
ex-isto
O “sujeito” do comportamento, não é mais um sujeito que sente,
pensa, decide, deseja e é responsável por seus atos, mas apenas um
organismo fisiológico que se assemelha a qualquer outro animal.
Por entender o ser humano como um animal, essa forma estudar a
psicologia dedica sua maior atenção aos estudos com seres não
humanos, como ratos, pombos e macacos, entre outros.
Watson não tinha o menor interesse na “vivência” do sujeito, em sua
experiência interna, seu foco era exclusivamente o comportamento
observável, com o objetivo de prevê-lo e controlá-lo de modo eficaz.
COMPORTAMENTALISMO
ex-isto
”
Com o comportamentalismo, toda a rica experiência
subjetiva dos indivíduos é deixada de lado na ciência, a ideia
de sermos seres livres, autoconscientes, responsáveis e
únicos são ridicularizadas; os seres humanos passaram a ser
tidos como meros organismos sujeitos às leis gerais do
comportamento na sua interação com o ambiente.
Burrhus Frederic Skinner
(1904-1990) foi um autor e
psicólogo norte-americano,
criador do behaviorismo
radical.
SKINNER
COMPORTAMENTALISMO RADICAL
O psicólogo B. E. Skinner (1904-1990) buscou compreender a gênese e
a natureza da subjetividade, das sensações e dos pensamentos.
Ele investigou as condições que a vida subjetiva se desenvolvia, e
encontrou como resposta as relações sociais. Segundo ele, é na
convivência social que se aprende a falar e se relacionar, essas
capacidades são aprendidas na convivência com os outros.
Deste modo, o mundo privado de cada um é uma construção social.
Tudo o que uma pessoa sente, entende, pensa ou deseja depende da
maneira como a sociedade a ensinou a fazer.
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PSICOLOGIA DA
GESTALT
PSICOLOGIA DA GESTALT
Os psicólogos gestaltistas Wertheimer (1880-1943); Koffka (1886-1941)
e Kohler (1887-1967) partiam da experiência imediata e adotavam,
como procedimento para captação da experiência tal como se dava
ao sujeito, o método fenomenológico.
Esse método consiste na descrição ingênua dos fenômenos tais como
aparecem na consciência, antes de qualquer reflexão, racionalização,
ou de qualquer tentativa de análise.
ex-isto
PSICOLOGIA DA GESTALT
Os gestaltistas descobriram que todos os fenômenos da percepção,
da memória, da solução de problemas e da afetividade eram vividos
pelo sujeito sob a forma de estruturas, isto é, sob a forma de relações
entre partes que faziam com que a forma resultante fosse mais que a
mera soma das suas partes.
Para eles o conceito de “gestalt” permite unificar todas as ciências
físicas, biológicas e da cultura, de forma que a psicologia não precisa
repartir-se entre elas para existir, olhando para o todos, e não
somente para as partes.
ex-isto
PSICANÁLISE
Sigmund Freud (1856-1939)
foi um médico neurologista
criador da psicanálise.
Ele foi e ainda é um dos
maiores e mais conhecidos
autores da psicologia.
FREUD
PSICANÁLISE
Freud, enquanto médico neurologista, recebia pacientes histéricos,
com sintomas de paralisia e anestesia que não correspondiam ao
mapeamento nervoso ou muscular do corpo. Ele não encontrou
instrumental médico-científico para lidar com o sofrimento deles.
Tendo que lidar com o sofrimento desses pacientes, Freud chegou à
compreensão de que a “lesão” de que se tratava na histeria não
incidia sobre um nervo, mas sobre a ideia relativa à determinada
parte do corpo. Ele relacionou um evento corporal, a histeria, ao
universo representativo da pessoa.
ex-isto
PSICANÁLISE
Os sintomas histéricos passaram a ser entendidos como resultado de
uma dinâmica psíquica composta por conflito, repressão e retorno do
conteúdo reprimido. O sintoma expressa a ideia de que o sentido
daquilo que está oculto: dizer que algo é sintoma é dizer que seu
sentido não reside em si, mas ele representa outra coisa invisível
diretamente.
Freud define o inconsciente como o objeto da psicanálise. Entrando
em contato com as experiências subjetivas individualizadas de
inúmeros pacientes que se queixam de diversos tipos de sofrimento.
ex-isto
PSICANÁLISE
Na tentativa de compreender o que dizem, Freud constata que as
palavras e os sintomas de seus pacientes contêm significados que
eles mesmos não conhecem. Ele passa então a desenvolver um
método para interpretar esse sentido oculto e pede aos pacientes que
lhe contem tudo sem censura alguma, de modo a despontar os
sentidos ocultos.
Freud começa a desenvolver uma teoria sobre a psique e o
desenvolvimento psicológico que vai além do “psicológico” e do
“vivido”, pois corresponde ao que é experimentado em nível
inconsciente.
ex-isto
DIFERENTES ABORDAGENS
Enfim, a psicologia segue hoje, como desde o início, dividida entre
diferentes linhas de pensamento e abordagens terapêuticas.
Enquanto o psicólogo do trabalho ou das organizações serve à
indústria ou a qualquer outra instituição, procurando torná-la mais
eficiente, e, enquanto o psicólogo escolar serve ao sistema
educacional, procurando torná-lo, também, mais eficaz, o psicólogo
clínico costuma estar a serviço do indivíduo ou de pequenos grupos
de indivíduos, para seu melhoramento emocional, seu
autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.
ex-isto
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Psicologia, Uma (nova) Introdução
Autores: Luís Cláudio Mendonça Figueiredo
Pedro Luiz Ribeiro de Santi.
Editora: Educ.
Ano: 2008.
REFERÊNCIA
Psicoterapeuta existencial e professor. Graduado em Psicologia,
licenciado em Filosofia e Pedagogia, pós-graduado em Ensino de
Filosofia e Psicologia Existencial Humanista e Fenomenológica, possui
especialização em Psicoterapia Fenomenológico-Existencial.
Em seu trabalho busca valorizar cada pessoa em seu modo de ser
singular, colaborando para lidar com suas dificuldades e ampliar suas
possibilidades de escolha perante a vida. Acredita na liberdade de
fazer escolhas saudáveis e refazer os rumos de nossa vida,
potencializando nossa existência.
www.brunopsiexistencial.tk
Por Bruno Carrasco
Ex-isto é um projeto dedicado ao estudo e pesquisa sobre o
existencialismo e suas relações com a psicologia, filosofia,
psicoterapia, fenomenologia, literatura e artes.
Tem como intuito oferecer conteúdos que facilitem a compreensão
sobre os temas pesquisados, por meio de textos, vídeos, cursos ou
livros, optando por utilizar uma linguagem acessível, de modo a
promover reflexões sobre a subjetividade, a condição humana e suas
possibilidades.
www.ex-isto.com
EX-ISTO
www.ex-isto.com
www.fb.com/existocom
www.youtube.com/existo
www.instagram.com/existocom
2017
ex-istoexistencialismo | psicologia | filosofia

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Psicologia, uma (nova) introdução

  • 1. PSICOLOGIA U M A ( N O V A ) I N T R O D U Ç Ã O
  • 2. APRESENTAÇÃO Esta apresentação foi elaborada com base no conteúdo do livro “Psicologia: uma (nova) introdução”, de Figueiredo e Santi, que traça um panorama sobre o desenvolvimento da psicologia como ciência, relacionando com as principais condições históricas e subjetivas que possibilitaram seu desenvolvimento. A leitura deste material não substitui o livro citado, porém pode servir como uma introdução ou síntese do conteúdo do livro. ex-isto
  • 3. INTRODUÇÃO O estudo da psicologia ocorre desde a Antiguidade. Na Grécia Antiga muitos filósofos tratavam sobre temas e conceitos relacionados ao que hoje faz parte do que entendemos por Psicologia, temas como a psique, o comportamento, o “espírito” ou a “alma” do homem. Porém, a concepção da Psicologia como ciência, tal como hoje conhecemos, é uma invenção muito recente, e foi ainda mais recentemente que começaram a ser elaboradas as primeiras teorias de psicologia como uma ciência “independente”. ex-isto
  • 5. SUBJETIVIDADE PRIVATIZADA A experiência da subjetividade privatizada refere-se ao fato de termos experiências íntimas e que ninguém tem acesso a elas. Podemos ficar um longo tempo pensando se vamos ou não fazer uma coisa, quase decidir pela primeira e, no final, acabar fazendo a outra, sem que ninguém fique sabendo de nada. Muitas vezes sentimos alegrias e tristezas intensas e nem sempre comunicamos esses sentimentos, mantemos a nossa subjetividade de modo privado. Essa subjetividade privada é uma experiência muito recente no decorrer da história da humanidade. ex-isto
  • 6. SUBJETIVIDADE PRIVATIZADA As formas de pensarmos e sentirmos a nossa própria existência não são universais. A experiência de sermos sujeitos capazes de decisões, de perceber nossos sentimentos e emoções só se desenvolve, se aprofunda e se difunde amplamente numa sociedade com determinadas características. Em momentos de crise social, quando uma tradição cultural, valores, normas ou costumes é contestada, surgem novas formas possíveis de vida. Em situações como estas, as pessoas precisam tomar decisões para as quais não conseguem apoio na sociedade, buscam então novas referências ou o encontro de seus próprios seus valores. ex-isto
  • 7. SUBJETIVIDADE PRIVATIZADA Quando há uma desagregação das velhas tradições e proliferação de novas alternativas, cada pessoa recorre com maior constância ao seu íntimo e aos seus sentimentos, que nem sempre condizem com o sentimento geral, buscando em si mesma os critérios do que é certo e do que é errado, bom ou ruim. Com isso, surge uma nova experiência da subjetividade privatizada, o questionamento de si mesmo, sobre: quem sou eu, como me sinto, o que desejo, o que considero justo e adequado? As pessoas percebem que podem tomar suas decisões e que são responsáveis por elas. ex-isto
  • 9. ROMANTISMO O Romantismo foi um movimento artístico que teve início no final do século XVIII, encarando o ser humano como um ser emotivo e sensível. Trata-se de uma crítica ao Iluminismo e o exacerbado racionalismo, que acreditava o homem era essencialmente racional, ou um ser meramente pensante. Deste modo, o Romantismo passou a evidenciar a potência dos impulsos e forças naturais. A razão passa a ser questionada, o “eu” racional e metódico é visto como uma superfície mais ou menos ilusória que encobre algo muito mais profundo e obscuro. ex-isto
  • 10. As pinturas de Turner trazem tempestades no mar, onde mal se definem os limites entre céu, mar, chuva e neblina. Em alguns casos aparece um barco totalmente à mercê das forças naturais. O barco representa a tentativa humana impotente do controle racional e metódico do mundo. The Shipwreck, William Turner (1805)
  • 11. ROMANTISMO O Romantismo é um momento essencial na crise do sujeito moderno pela destituição do “eu”, de seu lugar privilegiado de senhor, de soberano e racional, que controla tudo e a si mesmo. Esse movimento promove a reflexão de que o ser humano possui níveis de profundidade que ele mesmo desconhece, passando a valorizar a sua individualidade, a intimidade e liberdade de ser. Segundo o Romantismo, cada ser é diferente, e os grandes e intensos sentimentos podem reunir os homens, apesar de suas diferenças. ex-isto
  • 13. Friedrich Nietzsche (1844-1900) foi filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor alemão do século XIX. NIETZSCHE
  • 14. FRIEDRICH NIETZSCHE Durante o século XIX, o “eu” foi questionado de seu lugar privilegiado e soberano, por diversos autores. Passa-se a ter uma ideia de que os modos de se comportar de cada pessoa são determinados por condições que não nem sempre percebe ou pode controlar. Porém, o ponto mais profundo dessa crise foi a filosofia de Nietzsche. Para Nietzsche, as ideias de “eu” ou “sujeito” são tidas como meras ficções. Seu procedimento, chamado de “genealogia”, procura questionar e desconstruir os fundamentos de todas as bases da filosofia ocidental, desde Platão. ex-isto
  • 15. FRIEDRICH NIETZSCHE Nietzsche tratou de apresentar como cada elemento, tomado como fundamento absoluto ou causa primeira de tudo o que existe, foi criado num determinado momento com uma determinada finalidade. Se foi criado por pessoas num certo tempo e com uma certa intenção, então não é eterno nem causa primeira. Com isso, a “ideia” platônica de Deus e o sujeito moderno são tidos como criações humanas. Não só o homem é retirado da posição de centro do mundo, como a própria ideia de que o mundo tenha um centro ou uma unidade é destruída. ex-isto
  • 16. ” “É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante.” (Friedrich Nietzsche)
  • 18. CIÊNCIA MODERNA As ciências naturais, tal como as conhecemos hoje, são modos muito recentes de produção de conhecimento. Foi apenas a partir do século XVI que foram criados os atuais modelos de ciência da natureza. A ciência moderna está baseada na suposição de que o homem é o senhor superior, que tem o poder e o direito de colocar a natureza a seu serviço, controlando ela e a si mesmo. Os procedimentos científicos exigem que os cientistas sejam capazes de “objetividade”, que deixem de lado seus pontos de vista e seus sentimentos para obterem um conhecimento “verdadeiro”. ex-isto
  • 19. CIÊNCIA MODERNA Os estudos psicológicos científicos começaram e se desenvolveram marcados por essa busca de conhecer e dominar a subjetividade, reduzir ou mesmo eliminar as diferenças individuais, de forma a garantir a “objetividade” científica, ou seja, a validade dos achados e das descobertas, além de sua possível generalização. Muitos psicólogos repudiam essa meta de conhecer para dominar a subjetividade e os indivíduos e afirmam, ao contrário, que o que interessa é conhecer esses aspectos profundos e poderosos do “eu” para dar voz e expandir cada pessoa, para nos tornar mais fortes e livres, ao invés de racionados e controlados. ex-isto
  • 20. Wilhelm Wündt (1832-1920) foi médico, filósofo e psicólogo alemão. É considerado um dos fundadores da psicologia experimental junto com Ernst Heinrich Weber e Gustav Theodor Fechner. WÜNDT
  • 21. WILHELM WÜNDT Para Wündt, o objeto de estudo da psicologia é a experiência imediata dos sujeitos. Experiência imediata é a experiência tal como o sujeito a vivência antes de pensar sobre ela, antes de comunicá-la, antes de “conhecê-la”. É, em outras palavras, a experiência tal como se dá. Contudo, Wündt não reduz a tarefa da psicologia apenas à descrição dessa experiência subjetiva. Ele passa a pesquisar os processos elementares da experiência mental, aqueles que são mais fortemente determinados pelas condições físicas do ambiente e pelas condições fisiológicas dos organismos. ex-isto
  • 22. O método experimental é um procedimento realizado em situações controladas de laboratório, onde Wündt procurava analisar os elementos da experiência imediata e as formas mais simples de combinação desses elementos. Laboratório Experimental (1880)
  • 23. ” “As características distintivas da mente são meramente subjetivas, que conhecemos somente por meio dos conteúdos de nossa própria consciência.” (Wilhelm Wundt)
  • 24. Edward Titchener (1867-1927) foi um psicólogo estruturalista britânico. Estudou em Leipzig, na Alemanha, com o mestre Wündt. TITCHENER
  • 25. EDWARD TITCHENER Titchener concebe o sujeito como um puro organismo, um sistema nervoso. Ele não nega a existência da mente, mas esta perde sua autonomia. Segundo ele, o fisiológico explica o mental, entendendo que tudo o que vier a acontecer na mente pode ser explicado por meio do estudo do sistema nervoso. ex-isto
  • 26. PSICOLOGIA FUNCIONALISTA Os psicólogos funcionalistas definem a psicologia como uma ciência biológica interessada em estudar os processos, operações e atos mentais como formas de interação adaptativa. Partem do pressuposto da biologia evolutiva. Para eles, os seres vivos e os animais sobrevivem se possuem as características orgânicas e comportamentais adequadas a sua adaptação ao ambiente. As operações e processos mentais, segundo eles, seriam instrumentos de adaptação e se expressariam nos comportamentos adaptados. ex-isto
  • 28. John B. Watson (1878-1958) foi um psicólogo estadunidense, considerado o fundador do comportamentalismo WATSON
  • 29. COMPORTAMENTALISMO Iniciado pelo psicólogo americano J. B. Watson (1878-1958), o comportamentalismo tem como objeto de estudo o próprio comportamento e suas interações com o ambiente. Seu método de estudo é a observação e experimentação metódica de comportamentos observáveis e evitando a auto-observação. Com o comportamentalismo os estudos psicológicos deixaram de lado a experiência imediata. Tudo aquilo que fazia parte da experiência subjetiva individualizada deixa de ter lugar na ciência, pois não era acessível para os métodos objetivos da ciência. ex-isto
  • 30. O “sujeito” do comportamento, não é mais um sujeito que sente, pensa, decide, deseja e é responsável por seus atos, mas apenas um organismo fisiológico que se assemelha a qualquer outro animal. Por entender o ser humano como um animal, essa forma estudar a psicologia dedica sua maior atenção aos estudos com seres não humanos, como ratos, pombos e macacos, entre outros. Watson não tinha o menor interesse na “vivência” do sujeito, em sua experiência interna, seu foco era exclusivamente o comportamento observável, com o objetivo de prevê-lo e controlá-lo de modo eficaz. COMPORTAMENTALISMO ex-isto
  • 31. ” Com o comportamentalismo, toda a rica experiência subjetiva dos indivíduos é deixada de lado na ciência, a ideia de sermos seres livres, autoconscientes, responsáveis e únicos são ridicularizadas; os seres humanos passaram a ser tidos como meros organismos sujeitos às leis gerais do comportamento na sua interação com o ambiente.
  • 32. Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) foi um autor e psicólogo norte-americano, criador do behaviorismo radical. SKINNER
  • 33. COMPORTAMENTALISMO RADICAL O psicólogo B. E. Skinner (1904-1990) buscou compreender a gênese e a natureza da subjetividade, das sensações e dos pensamentos. Ele investigou as condições que a vida subjetiva se desenvolvia, e encontrou como resposta as relações sociais. Segundo ele, é na convivência social que se aprende a falar e se relacionar, essas capacidades são aprendidas na convivência com os outros. Deste modo, o mundo privado de cada um é uma construção social. Tudo o que uma pessoa sente, entende, pensa ou deseja depende da maneira como a sociedade a ensinou a fazer. ex-isto
  • 35. PSICOLOGIA DA GESTALT Os psicólogos gestaltistas Wertheimer (1880-1943); Koffka (1886-1941) e Kohler (1887-1967) partiam da experiência imediata e adotavam, como procedimento para captação da experiência tal como se dava ao sujeito, o método fenomenológico. Esse método consiste na descrição ingênua dos fenômenos tais como aparecem na consciência, antes de qualquer reflexão, racionalização, ou de qualquer tentativa de análise. ex-isto
  • 36. PSICOLOGIA DA GESTALT Os gestaltistas descobriram que todos os fenômenos da percepção, da memória, da solução de problemas e da afetividade eram vividos pelo sujeito sob a forma de estruturas, isto é, sob a forma de relações entre partes que faziam com que a forma resultante fosse mais que a mera soma das suas partes. Para eles o conceito de “gestalt” permite unificar todas as ciências físicas, biológicas e da cultura, de forma que a psicologia não precisa repartir-se entre elas para existir, olhando para o todos, e não somente para as partes. ex-isto
  • 38. Sigmund Freud (1856-1939) foi um médico neurologista criador da psicanálise. Ele foi e ainda é um dos maiores e mais conhecidos autores da psicologia. FREUD
  • 39. PSICANÁLISE Freud, enquanto médico neurologista, recebia pacientes histéricos, com sintomas de paralisia e anestesia que não correspondiam ao mapeamento nervoso ou muscular do corpo. Ele não encontrou instrumental médico-científico para lidar com o sofrimento deles. Tendo que lidar com o sofrimento desses pacientes, Freud chegou à compreensão de que a “lesão” de que se tratava na histeria não incidia sobre um nervo, mas sobre a ideia relativa à determinada parte do corpo. Ele relacionou um evento corporal, a histeria, ao universo representativo da pessoa. ex-isto
  • 40. PSICANÁLISE Os sintomas histéricos passaram a ser entendidos como resultado de uma dinâmica psíquica composta por conflito, repressão e retorno do conteúdo reprimido. O sintoma expressa a ideia de que o sentido daquilo que está oculto: dizer que algo é sintoma é dizer que seu sentido não reside em si, mas ele representa outra coisa invisível diretamente. Freud define o inconsciente como o objeto da psicanálise. Entrando em contato com as experiências subjetivas individualizadas de inúmeros pacientes que se queixam de diversos tipos de sofrimento. ex-isto
  • 41. PSICANÁLISE Na tentativa de compreender o que dizem, Freud constata que as palavras e os sintomas de seus pacientes contêm significados que eles mesmos não conhecem. Ele passa então a desenvolver um método para interpretar esse sentido oculto e pede aos pacientes que lhe contem tudo sem censura alguma, de modo a despontar os sentidos ocultos. Freud começa a desenvolver uma teoria sobre a psique e o desenvolvimento psicológico que vai além do “psicológico” e do “vivido”, pois corresponde ao que é experimentado em nível inconsciente. ex-isto
  • 42. DIFERENTES ABORDAGENS Enfim, a psicologia segue hoje, como desde o início, dividida entre diferentes linhas de pensamento e abordagens terapêuticas. Enquanto o psicólogo do trabalho ou das organizações serve à indústria ou a qualquer outra instituição, procurando torná-la mais eficiente, e, enquanto o psicólogo escolar serve ao sistema educacional, procurando torná-lo, também, mais eficaz, o psicólogo clínico costuma estar a serviço do indivíduo ou de pequenos grupos de indivíduos, para seu melhoramento emocional, seu autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. ex-isto
  • 43. Template por SlidesCarnival. Psicologia, Uma (nova) Introdução Autores: Luís Cláudio Mendonça Figueiredo Pedro Luiz Ribeiro de Santi. Editora: Educ. Ano: 2008. REFERÊNCIA
  • 44. Psicoterapeuta existencial e professor. Graduado em Psicologia, licenciado em Filosofia e Pedagogia, pós-graduado em Ensino de Filosofia e Psicologia Existencial Humanista e Fenomenológica, possui especialização em Psicoterapia Fenomenológico-Existencial. Em seu trabalho busca valorizar cada pessoa em seu modo de ser singular, colaborando para lidar com suas dificuldades e ampliar suas possibilidades de escolha perante a vida. Acredita na liberdade de fazer escolhas saudáveis e refazer os rumos de nossa vida, potencializando nossa existência. www.brunopsiexistencial.tk Por Bruno Carrasco
  • 45. Ex-isto é um projeto dedicado ao estudo e pesquisa sobre o existencialismo e suas relações com a psicologia, filosofia, psicoterapia, fenomenologia, literatura e artes. Tem como intuito oferecer conteúdos que facilitem a compreensão sobre os temas pesquisados, por meio de textos, vídeos, cursos ou livros, optando por utilizar uma linguagem acessível, de modo a promover reflexões sobre a subjetividade, a condição humana e suas possibilidades. www.ex-isto.com EX-ISTO