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  1. 1. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová O Nome de Deus "Nosso Pai nos céus, santificado seja o teu nome." Mateus 6: 9 (TNM) Nota 1: As fontes bibliográficas deste artigo acham-se em - http://www.tetragrammaton.org Nota 2: Recomendamos a leitura complementar em - http://www.geocities.com/torredevigia /tnm.htm Índice 1. Introdução 2. Nasce o Tetragrama 3. Como transformou-se em Jeová 4. Nasce a Septuaginta 5. A Teoria da Conspiração 6. Que Falem as Descobertas Arqueológicas 7. Critérios Duvidosos 8. O Testemunho da História Secular 9. Comentário ao Evangelho de Mateus 10. Examinando os Números 11. A Sociedade Torre de Vigia e o Tetragrama 12. "Restauradores" de quê? 13. Os Significados da Palavra Nome 14. Conclusão Introdução1 de 37 18-09-2012 22:44
  2. 2. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová "Portanto, o mais destacado aspecto desta tradução é o restabelecimento do nome divino no seu lugar legítimo... Fez-se isso pelo uso da forma há muito aceita Jeová, 6973 vezes nas Escrituras Hebraicas e 237 vezes nas Escrituras Gregas Cristãs." Assim diz a introdução da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com referências (TNM, daqui para a frente), obra publicada pelas Testemunhas de Jeová em 1986, na verdade, sua versão revisada da Bíblia Sagrada. Sem a restrição da modéstia, essas palavras parecem expressar uma forte convicção dos editores no sentido de que sua tradução é superior a todas as demais. Tal dedução é corroborada, ainda, pelo que diz a publicação Toda a Escritura é Inspirada...,1966, p. 314, também publicada pelas Testemunhas. Vejamos: "As Testemunhas de Jeová reconhecem-se endividadas para com todas as muitas versões da Bíblia que usaram em chegar à verdade da Palavra de Deus. Entretanto, todas essas traduções têm os seus defeitos. Há incoerências ou traduções insatisfatórias, infestadas de tradições sectárias ou filosofias mundanas, e, por conseguinte, não estão em plena harmonia com as sagradas verdades que Jeová registrou em sua palavra." (Grifo acrescentado) São razoáveis estas afirmações? Mais que isso, poderia a TNM, mediante um estudo elucidativo, ser isoladamente aprovada em um teste quanto a estar completamente livre - como dizem seus editores - de defeitos, tradições sectárias e filosofias mundanas? Cumpriu ela algum requisito firmemente apoiado na arqueologia e erudição textual que as muitas outras traduções ou versões da Bíblia falharam em observar? Tais questões merecem um exame sério e imparcial. Voltemos nossa atenção para o aspecto aparentemente distintivo da TNM - a alegada "restauração" do nome de Deus. Neste respeito, os editores dizem: "... seria uma grande indignidade, sim, uma afronta à majestade e autoridade [de Deus], omitir ou ocultar seu ímpar nome divino, que ocorre de modo bem claro no texto hebraico..." - TNM, 1986, p. 6 Certamente, qualquer cristão concordaria que é uma grande responsabilidade aquela de transmitir para as diversas línguas as palavras dos escritores bíblicos inspirados, ainda mais se tratando do nome do Todo-Poderoso. Tomar liberdades indevidas com o texto - além de eticamente inaceitável - poderia distorcer seu sentido e dar margem a toda forma de sectarismo religioso. A propósito, a Sociedade Torre de Vigia - a editora da TNM - afirma, com respeito a sua obra: "Evitou-se tomar liberdades com os textos... ou substituí-los por algum paralelo moderno quando a tradução literal tem sentido claro. Manteve-se a uniformidade de tradução por por atribuir um só sentido a cada palavra principal e por reter este sentido tanto quanto o contexto o permitiu." - TNM, p. 7 (Grifo acrescentado) Todavia, a organização acrescenta: "Tem havido desvios ocasionais do texto literal, com o fim de transmitir as expressões idiomáticas hebraicas e gregas..." (Grifo acrescentado) Toda a Escritura é inspirada e Proveitosa..., 1966, p. 318 Contraditórias como pareçam, as duas afirmações acima revelam uma inevitável dificuldade com a qual qualquer tradutor bíblico, mais cedo ou mais tarde, se depara, a saber, a forma mais adequada pela qual verter - em termos que levem em conta o idioma e a cultura do público-alvo - as idéias de autores cuja língua, alfabeto e cultura acham-se a milênios de distância. Evidentemente, certa medida de liberdade com o texto - ainda que seja um recurso gramatical aceitável sob certas circunstâncias -,2 de 37 18-09-2012 22:44
  3. 3. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová apresenta, amiúde, uma armadilha sutil: o tradutor poderá selecionar a palavra ou expressão que ele próprio julga mais conveniente, aquela que melhor se ajusta à suas preferências pessoais ou teológicas. Neste caso, os assim chamados desvios ocasionais dão margem a criação de paráfrases, ou seja, a substituição de parte do texto por uma interpretação particular de seu sentido. É um risco ao qual nenhuma equipe tradutora do mundo está imune - isto certamente inclui os autores da TNM. O objetivo deste artigo é familiarizar o leitor com os certos aspectos históricos, bem como princípios elementares de arqueologia, gramática de línguas arcaicas e teologia, que o habilitem a compreender o tema em questão, ao ponto de avaliar se os autores da versão bíblica amplamente usada pelas Testemunhas de Jeová foram, de fato, coerentes ao inserir 237 vezes, no Novo Testamento, uma forma peculiar de tradução para o nome divino. Ao mesmo tempo, será possível verificar se eles próprios alguma vez tornaram-se ou não culpados das práticas nada ortodoxas que atribuem a outros tradutores - tradições ou filosofias sectárias. Nasce o Tetragrama Início "Suponhamos que eu vá ter com os filhos de Israel e deveras lhes diga: O Deus de vossos antepassados enviou-me a vós, e eles deveras me digam: Qual é o seu nome? O que hei de dizer-lhes?" - Êxodo 3:13 Com estas palavras, Moisés criou o ensejo para a revelação de um nome ímpar, do qual seus antepassados não tinham conhecimento pleno. A resposta divina a essa pergunta foi: "EU SOU AQUELE QUE SOU... Eis como responderás aos israelitas: EU SOU envia-me junto de vós. Deus disse ainda a Moisés: JAVÉ, o Deus de vossos pais,... envia-me junto de vós." - Êxodo 3: 14, 15 (Centro Bíblico Católico) O nome divino, vertido acima como Javé, consiste, na verdade, de uma palavra de quatro letras hebraicas - - o tetragrama (palavra grega que significa "quatro letras"). Indubitavelmente, o tetragrama constava dos escritos originais do Antigo Testamento. Não há razões para contestar este fato específico. Segundo o relato de Êxodo, Moisés teria sido o primeiro servo de Deus ao qual se apresentou formalmente o nome divino. É intrigante que, passadas várias gerações de servos fiéis de Deus, somente a Moisés Ele tenha se revelado por meio do tetragrama. Abraão fora chamado pelo Todo-Poderoso da terra de Ur dos caldeus, centro irradiador de uma infinidade de deidades, sem que o tetragrama lhe fosse formalmente revelado como forma de distinguir o Deus verdadeiro dos deuses falsos. Se este havia de ser um memorial eterno e obrigatório, único e imprescritível para todos os adoradores de Deus - e não apenas ao povo israelita sob lei mosaica -, por que não fora revelado já aos primeiros servos leais, como Abel, Enoque, Noé ou o próprio Abraão, com quem Deus estabelecera um pacto de longa duração? Por que, durante o período patriarcal, prevaleceu a expressão El Shadday (Gênesis 17: 1)? Estas são indagações pertinentes ao objeto de nosso estudo. Moisés foi incumbido de apresentar o recém-revelado nome como pertencente ao Deus de Israel (Êxodo 3: 18). A partir dessa revelação e da libertação da escravidão no Egito, o nome divino passou a ser, sem dúvida, a palavra mais freqüentemente proferida pelo povo israelita pactuado. Também passou a ser seu estandarte diante das muitas3 de 37 18-09-2012 22:44
  4. 4. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová nações que desalojariam em busca de sua terra prometida. Contudo, com o passar dos séculos, ocorreu uma coisa surpreendente: a pronúncia original do nome foi perdida. É deveras notável que uma das palavras mais pronunciadas de todos os tempos tenha, paradoxalmente, tornado-se a mais obscura. Como se deu isso? Uma série de fatores contribuíram para este processo, entre eles: a) O nome era restrito a uma sociedade fechada - o povo israelita, sob a lei mosaica; b) Seu alfabeto não possuía sons vocálicos, ou seja, o leitor dependia de informação de sua própria cultura para saber como suprir os sons vocálicos ao ler os símbolos consonantais que compunham as palavras; c) Temendo tomar o nome de Deus em vão (Êxodo 20: 7), gradativamente, o povo adquiriu o costume de não pronunciar o tetragrama em seu cotidiano, reservando seu uso para ocasiões especiais, como em orações no seu templo, sob a supervisão de um sacerdote. Há evidências de que proferir o nome sagrado converteu-se, com o tempo, em uma prerrogativa exclusiva do sacerdócio Aarônico. Neste respeito, a autora Karen Armstrong - especialista em religiões - comenta: "Os judeus eram mesmo proibidos de pronunciar o seu nome, um poderoso lembrete de que qualquer tentativa de expressá-lo seria considerada inadequada: o nome divino, escrito YHVH, não era pronunciado em nenhuma leitura da escritura." - Uma História de Deus (1994), p. 84 De fato, muito embora outros nomes, como o já mencionado El Shadday, pudessem ser aplicados a Deus, aquele fornecido a Moisés no fumegante monte Horebe passou a ser objeto de temor especial entre os israelitas. Obviamente, isto teria conseqüências inexoráveis sobre o uso futuro do tetragrama. A combinação dos fatores acima teve força decisiva no obscurecimento da pronúncia do nome divino, levando-o à condição de um segredo perdido. O conhecimento da pronúncia de uma palavra, em hebraico antigo, depende de seu uso. Sem o uso e transmissão da palavra - de uma geração a outra - e sem símbolos vocálicos, sua pronúncia está irremediavelmente perdida. Uma solução teria sido verter o nome para outro idioma - um que possuísse símbolos vocálicos. Lamentavelmente, porém, isso jamais aconteceu. Os judeus, sendo extremamente tradicionalistas e xenófobos para com as nações à sua volta, certamente teriam escrúpulos quanto a verter sua palavra sagrada para algum idioma gentio. Se eles próprios tinham receio quanto ao uso cotidiano dela em sua comunidade, quão menos dispostos estariam a introduzi-la no vocabulário daqueles a quem consideravam pagãos. O tetragrama tornou-se uma espécie de fetiche para eles - um sinal secreto distintivo, que os punha acima de todos os outros povos. Tal ênfase desmedida a um símbolo acabou por sepultar sua pronúncia sob o manto de um passado remoto. A partir desses fatos, podemos reconstituir o cenário histórico que determinaria como o tetragrama chegaria às gerações futuras. Como transformou-se em Jeová? Início Conforme já explicamos, o alfabeto hebraico não dispunha de símbolos vocálicos. Porém, por volta do 4o. século DC, um grupo de peritos judeus chamados massoretas, acrescentaram - não letras - mas pontos vocálicos aos caracteres hebraicos, de modo a padronizar a pronúncia. Para facilitar o entendimento do leitor, faremos uma analogia4 de 37 18-09-2012 22:44
  5. 5. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová com a frase ontem fez sol. Se lermos a sentença sem as vogais, temos: ntm fz sl Repare o leitor que a expressão, grafada dessa maneira, lança incerteza quanto à correta pronúncia das palavras. O termo sl, por exemplo, dá margem a múltiplas interpretações - alguém poderia tomá-lo como significando sal, sol ou sul. A menos que a pessoa estivesse previamente familiarizada com o contexto ou com a pronúncia original, não teria como reconstituir a sentença com precisão. Por outro lado, se tivéssemos de deduzir aleatoriamente que vogais estariam faltando em sentenças como a acima, nossa tentativa de reconstrução do texto original - com grande probabilidade - resultaria em uma deturpação de seu sentido. A mesma dificuldade haveria com relação à pronúncia do nome divino para as pessoas que não pertencessem à comunidade judaica dos tempos pré-cristãos. Esta condição permaneceu durante séculos - enquanto cópias do Antigo Testamento eram feitas - e estendeu-se até a primitiva era cristã. Ilustrando agora o que os massoretas fizeram nos séculos seguintes, apliquemos, na nossa frase de exemplo, as vogais na forma de pontos: ontem f ez s o l Agora a pronúncia está clara. Todavia, a analogia que propusemos é limitada, visto que informamos de antemão ao leitor qual era a expressão original. Bem diferente era a situação dos massoretas do 4o. século - no caso deles, somos levados a perguntar: tendo eles introduzido seus sinais vocálicos em uma época em que a pronúncia do nome já era obscura, como escolheram os pontos vocálicos? Se eles próprios não conheciam o som original - e, mesmo que o conhecessem, teriam escrúpulos quanto a representá-lo graficamente -, quais vogais introduziriam, afinal? A obra Theological Wordbook of the Old Testament [Dicionário Teológico do Velho Testamento], 1980, Vol. 1, p. 13, elucida o mistério: "Para evitar o risco de tomar o nome de Deus... em vão, judeus devotos começaram a substituir o nome próprio pela palavra [adonay]. Embora os massoretas deixassem as quatro consoantes originais no texto, acrescentaram as vogais e... e a para lembrar o leitor de pronunciar adonay, sem considerar as consoantes." (negrito acrescentado) Vemos, assim, que os massoretas tinham de tomar uma decisão: reproduzir o tetragrama hebraico em forma pura ou simplesmente transcrever, em seu lugar, o vocábulo adonay (kyrios em grego) - consagrado há séculos e bem conhecido do público ao qual o texto se destinava. Na primeira hipótese, teriam um sentimento de fidelidade ao texto hebraico primitivo, porém a inteligibilidade da cópia sofreria; na segunda hipótese, priorizava-se a compreensão da palavra, aceitando-se como preço o desvio do texto original. Os massoretas preferiram adotar, para este impasse, uma solução intermediária, a saber, a criação de uma palavra híbrida - resultado da intercalação das consoantes de um nome, cuja pronúncia havia se perdido séculos antes, com as vogais de um substitutivo amplamente consagrado pela tradição judaica. As consoantes eram oriundas do tetragrama hebraico e os sinais vocálicos, da expressão ED - ON - AY (correspondente a adonay ou Senhor) e Elohim (Deus), as quais, diferentemente do nome divino, foram traduzidas para o grego. O resultado final foi:5 de 37 18-09-2012 22:44
  6. 6. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová Como o leitor daqueles tempos lia a palavra acima? Segundo a obra há pouco mencionada, ao deparar-se com a expressão criada pelos massoretas, ele pronunciava, em sua língua, Senhor, já que a pronúncia literal não faria sentido algum. Em outros palavras, estamos diante de um circunlóquio, ou seja, uma expressão pronunciável que substitui uma outra impronunciável. É importante que guardemos este conceito, pois voltaremos a tratar dele mais adiante. O livro ajuda ao Entendimento da Bíblia - publicado pelas Testemunhas de Jeová -, pp. 884,885 (em inglês), diz: "Por combinar os sinais vocálicos de Adonay e Elohim com as quatro consoantes do tetragrama, as pronúncias Yehowah e Yehowih foram formadas. A primeira destas proveu a base para a forma latinizada Jeova(h). O primeiro registro de uso dessa forma data do século 13 DC. Raimundus Martini, um monge espanhol da Ordem Dominicana, a usou..." (negrito acrescentado) Perceba o leitor que o primeiro uso do nome hoje adotado pelas Testemunhas de Jeová não começou com a igreja cristã primitiva. Formou-se mais de um milênio após o surgimento dela, por intermédio de um monge católico. Como trata-se de uma palavra híbrida - a aglutinação das consoantes Y-H-V-H (oriundas do tetragrama) com as vogais e-o-a (retiradas do termo Senhor em hebraico) -, concluímos que apenas a porção consonantal da tradução do nome original poderia estar sendo pronunciada hoje pelas Testemunhas de Jeová, pois a porção vocálica pertence a um substitutivo. Querendo ou não, isto significa que, pelo menos em parte, aquele substitutivo - Senhor - ainda é usado por elas. Em outras palavras, o vocábulo Jeová, em si mesmo, é um circunlóquio, oriundo da combinação de duas palavras de sentidos e pronúncias diferentes. Equivaleria a combinar as consoantes do nome B-a-a-l (deidade dos antigos caldeus) com as vogais da palavra S-e-n-h-o-r. O resultado seria Belo, uma palavra com pronúncia e sentido totalmente distintos das anteriores. Com efeito, a intenção dos massoretas do 4o. século não era a de remeter o leitor à pronúncia original - até porque isso seria impossível àquela altura -, mas tão-somente o de induzi-lo a pronunciar "Senhor" diante do tetragrama, como já era o costume secular. A preservação das consoantes hebraicas visava, basicamente, a manter a fidelidade ao Antigo Testamento. Diante do exposto, não podemos concluir senão que os editores da TNM insistem hoje - em nome da reverência a Deus - no uso do amálgama YHVH/adonay, um código cuja pronúncia literal não fazia qualquer sentido para os judeus do 1o. século, tendo sido introduzida por um monge da Ordem Dominicana, no século 13. Em confirmação a esta conclusão, vejamos como algumas respeitadas obras seculares definem o nome Jeová: "Leitura falsa do hebraico, Jahweh." - Dicionário Colegial Webster "Forma errônea do nome do Deus de Israel" - Enciclopédia Americana "A pronúncia Jehovah é um erro resultante entre cristãos por combinar as consoantes de IHVH com as vogais de Adonay." - Enciclopédia Britânica "Palavra mal pronunciada do hebreu IHVH, nome de Deus. Esta forma é gramaticalmente impossível. A forma Jehovah é uma impossibilidade filológica." - Enciclopédia Judaica "Erro de pronúncia do tetragrama, ou palavra de quatro letras do nome de Deus... a palavra Jehovah, portanto, é erroneamente lida; para esta não há garantia e não faz sentido em hebraico." - A Enciclopédia Judaica Universal6 de 37 18-09-2012 22:44
  7. 7. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová "É uma forma artificial" - Dicionário dos Intérpretes da Bíblia "Jeová, nome do Deus do povo hebreu, conforme erroneamente transliterado do texto massorético hebraico... Os tradutores do hebraico, não percebendo o que os escribas tinham feito, leram a palavra do modo como foi escrita, considerando os sinais vocálicos como intrínsecos ao nome de seu Deus, ao invés de um mero lembrete para não pronunciá-lo." - Enciclopédia Encarta (1999) Existem, até hoje, controvérsias quanto à correta pronúncia de , havendo algumas alternativas como Javé, Iavé etc., todas elas gramaticalmente possíveis. Todavia, a forma correta - qualquer que seja ela - não pode ser aquela eleita pela Sociedade Torre de Vigia, já que, como vimos, tal termo provém de um erro grosseiro de leitura, o qual tornou-se tradicional. Segundo alguns peritos em línguas mortas, há evidências fortes em favor da forma Iahweh - amplamente utilizada, por exemplo, na Bíblia de Jerusalém (1973). No entanto, a Sociedade Torre de Vigia justifica a adoção da forma Jeová por ser ela "há muito aceita" (TNM, p. 6). De fato, no apêndice 1A da TNM, a comissão tradutora reconhece que sua tradução "continua a usar a forma Jeová, por causa da familiaridade das pessoas com ela já por séculos" (p. 1501). Dito de outra forma, o emprego da palavra, bem como sua introdução na TNM, foram alicerçados na tradição - uma prática já qualificada pela Sociedade como uma das contaminações que infestam outras traduções da Bíblia. Deveras, as tradições têm muita força. Para ilustrar, seria bem pouco provável, após todos estes anos, que o movimento religioso "Testemunhas de Jeová" subitamente alterasse seu nome para "Testemunhas de Iavé", caso estudos mais recentes apontassem com boa margem de confiança para esta forma, ao invés daquela preferida e consagrada entre seus membros desde os anos 30. A tradição continua a ter um relevante papel na cultura cristã atual, assim como tinha para os cristãos do primeiro século. Confrontados com estes fatos, os editores da TNM enfatizam o aspecto da intenção, colocando a questão técnica da pronúncia em um plano secundário ("O Nome Divino que Durará para Sempre", 1984, p.7). Neste caso, vêm à tona algumas indagações: não é o uso do tetragrama pelos cristãos na atualidade, em si mesmo, uma questão técnica? Por outro lado, manifesta aquele que usa a forma Jeová sentimentos melhores ou mais nobres do que aquele que usa as formas El-Shadday, Senhor ou simplesmente Deus? Não têm ambos a mesma intenção? Não têm em mente o mesmo ser, ou seja, o Deus Todo-Poderoso? Um segundo argumento de que a Sociedade Torre de Vigia lança mão é o de que Senhor e Deus não passam de títulos - há muitos senhores ou deuses (livro "Ajuda ao Entendimento da Bíblia" , p. 847). Todavia, esta é uma sutileza idiomática, pois, segundo o perito alemão Gesenius, na língua hebraica, a palavra adonay - vertida em português como Senhor - é aplicada exclusivamente a Deus. Em outras palavras, os judeus haviam criado uma forma alternativa, porém não comum, para o tetragrama. Ainda hoje, eles manifestam enorme reverência para com ela, reservando-a para ocasiões especiais - no cotidiano, preferem referir-se a Deus pela expressão "O Nome" ("haShem"). Os termos para senhor no sentido comum são adhoni ou adhon. Na própria Bíblia há exemplos do uso destes termos em sentido geral (o relato em I Samuel 1: 15, 26 é um deles), contrastando nitidamente com as passagens dirigidas a Deus. Eis aí a chave do problema - três palavras diferentes, mas uma só tradução. Para contornar o obstáculo lingüístico, muitos tradutores vertem o nome em versalete - SENHOR -, indicando um termo específico na língua original. Quanto à forma hebraica plural Elohim, traduzida Deus (embora, ao pé da letra, signifique deuses), há um problema semelhante, pois ela não ocorre em qualquer outra língua semítica, nem mesmo no aramaico. Ademais, no primeiro capítulo de Gênesis, Deus é identificado7 de 37 18-09-2012 22:44
  8. 8. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová apenas por este termo. Embora Elohim raramente seja aplicado a deidades pagãs no Antigo Testamento, a forma como isso é feito difere significativamente - o vocábulo é seguido de verbo no plural, ao passo que, quando aplicado a Deus, o verbo ocorre no singular. Trata-se, pois, de uma construção bem peculiar, imperceptível em outras línguas. Diante destes aspectos, não é de estranhar que os tradutores modernos não se sentissem perturbados pelo uso dos termos correspondentes, Senhor e Deus - ambos consagrados pelos primitivos cristãos. No entanto, a comissão tradutora da TNM condena, de forma veemente, esta prática: "A maior indignidade que tradutores modernos causam a Autor divino das Escrituras Sagradas é a ocultação desse seu peculiar nome pessoal... Por usarmos o nome Jeová, apegamo-nos de perto aos textos da língua original e não seguimos a prática de substituir o nome divino... por títulos tais como Senhor, o Senhor, Adonai ou Deus. (TNM, p. 1501) São razoáveis as palavras acima? Foram os tradutores realmente indignos ao traduzirem o nome divino por Deus ou Senhor? Apegou-se, de fato, aos textos da língua original a comissão tradutora da TNM por traduzir uma forma híbrida do tetragrama para uma forma popularmente aceita em uma língua gentia? Agiu ela de modo mais louvável do que os antigos copistas das Escrituras Sagradas, bem como outras comissões tradutoras de inúmeras versões da Bíblia? Um exame minucioso das evidências arqueológicas poderá lançar uma luz sobre o assunto. Antes de prosseguirmos, é importante enfatizarmos nosso objetivo: aferir o uso ou não do tetragrama pelos escritores do Novo Testamento. Onde procuraremos a resposta? Em nossas preferências teológicas? Em nossas convicções pessoais? Em nossa própria interpretação da Bíblia? Não, mas no inteiro conjunto de evidências arqueológicas de que dispomos. Cremos que, se o tetragrama estava presente no texto cristão, não é correto retirá-lo, mas, se não estava, não é correto inseri-lo. Nasce a Septuaginta Início Com a expansão do idioma grego pelo mundo, o Antigo Testamento - originalmente escrito em hebraico e aramaico - teve de ser traduzido para aquela língua. Muitos judeus haviam sido expatriados para Alexandria - centro da cultura grega desde 350 AC até sua sua conquista por Roma. Esses movimentos migratórios criaram uma nova situação - as gerações posteriores de judeus já não eram capazes de ler ou compreender o hebraico. Contudo, a influência helênica em sua cultura não se restringia à língua. A Dra. Karen Armstrong ajuda-nos a reconstituir o cenário da época: "Os judeus da Palestina e da diáspora foram envolvidos por uma cultura helênica que alguns achavam perturbadora, mas outros ficaram excitados com o teatro, filosofia, esporte e poesia gregos. Aprenderam grego, exercitaram-se no ginásio e adotaram nomes gregos. Alguns combateram como mercenários nos exércitos gregos. Até traduziram suas escrituras para o grego, produzindo a versão conhecida como a Septuaginta." - "Uma História de Deus" (1994), p. 76 Esta influência cultural também se estenderia, séculos mais tarde, à comunidade cristã, pois Clemente de Alexandria, Justino Mártir e Orígenes - considerados Pais da Igreja - foram grandemente influenciados pela filosofia grega. Assim sendo, por volta do 3o. século antes de Cristo, teve início a Septuaginta ou Versão dos Setenta Grega - representada, daqui por diante, pelo símbolo romano LXX. A tradução do Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento) foi concluída por volta de 180 AC. No entanto, o trabalho completo de tradução das escrituras hebraicas só seria levado a8 de 37 18-09-2012 22:44
  9. 9. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová termo no segundo século DC. Visto que diversas cópias da LXX provavelmente estavam disponíveis a Jesus Cristo e seus seguidores e que ela passou a ser, virtualmente, a bíblia dos cristãos (mais do que os originais hebraicos) - sendo citada inúmeras vezes pelos escritores do Novo Testamento -, é mister conhecer o desenvolvimento desta relevante obra, produzida por peritos judeus, a fim de estabelecer qual o grau de uso do tetragrama nos tempos cristãos. Uma grande quantidade de cópias da LXX circulou entre judeus e gentios e algumas destas cópias existem até hoje. Que revelam estes documentos? Antes de prosseguirmos, é preciso que se esclareça um ponto de alta relevância - o Antigo Testamento, a LXX (sua tradução grega) e o Novo Testamento são obras distintas, produzidas em épocas diferentes e por culturas diferentes. O que é válido para uma, não necessariamente o é para as outras duas. Igualmente, o que é válido para duas pode não o ser para a terceira. Em razão disso, o grau de aceitação de cada uma não era o mesmo entre os povos antigos - como ainda não é para as diversas comunidades religiosas da atualidade. Alguns grupos têm sérias reservas para com a LXX, preferindo o texto massorético; outros rejeitam o Novo Testamento e ainda outros aceitam os três. Deste modo, estes escritos antigos têm de ser examinados individualmente. Se uma frase ou um termo são expressos de certa maneira no Antigo Testamento, esta frase ou este termo podem não estar expressos exatamente da mesma maneira na LXX (mesmo se tratando de uma tradução). Isto ocorre naturalmente na transposição entre quaisquer barreiras idiomáticas ou culturais. Ademais, se uma palavra é dita de certa forma no Antigo Testamento, não necessariamente a encontraremos assim no Novo Testamento, até porque os escritores cristãos não apenas davam, freqüentemente, preferência à cópia grega, quer dizer, a LXX, como também tomavam liberdades com os textos antigos, aplicando-os a contextos distintos ou tomando emprestado apenas o estilo de escrita. Deveras, este modo livre de redigir dos cristãos foi duramente criticado por judeus conservadores da época. Eles já encaravam a tradução grega do Antigo Testamento com reserva e chegaram a acusar o cristianismo de distorcer passagens antigas das escrituras hebraicas, de modo a encaixá-las em suas doutrinas. Com efeito, incorre em equívoco grosseiro quem concebe o cristianismo como um movimento submisso aos costumes e tradições judaicas. Embora nascida do judaísmo, a igreja cristã - à exceção da corrente Ebionita -, jamais foi subserviente a ele. Por exemplo, na introdução da carta aos Hebreus, classifica-se o objeto de maior devoção dos judeus, a saber, a lei de Moisés, como mera sombra das coisas futuras e aquém da realidade. O apóstolo Paulo reiteradamente enfatizou o livramento dos cristãos do jugo de tal lei (Gál. 3: 24, 25) Tais comentários do maior evangelista daquele tempo sintetizam bem a independência cristã da liturgia judaica. O tribalismo de um contrastava nitidamente com o universalismo do outro. A doutrina de Cristo, sem dúvida, parecia herética aos olhos dos doutores da lei. Conseqüência direta - houve um cisma ideológico e social entre judeus e cristãos, o qual persiste até hoje. Concluímos, deste modo, que extrapolar conclusões acerca do conteúdo original de um antigo documento cristão a partir de uma fonte judaica anterior, na qual aquele supostamente se baseia, é um proceder tecnicamente desaconselhável e teologicamente arriscado. O procedimento mais seguro a ser adotado pelo investigador imparcial, neste caso, é examinar todo conjunto de achados arqueológicos, deixando que eles falem por si mesmos. Tendo em mente estes pontos, passemos a examinar o que as antigas cópias da LXX, hoje disponíveis, revelam sobre como os escribas vertiam o nome divino: I) Encontraram-se sete formas distintas pelas quais os copistas da LXX expressavam o nome sagrado. São elas: (1) simples transcrição do tetragrama em caracteres hebraicos ; neste caso, o texto inteiro era traduzido para o grego, mas o nome divino9 de 37 18-09-2012 22:44
  10. 10. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová permanecia em hebraico, ; (2) tradução pela palavra grega knrioV - Kyrios, Senhor, em português - ou (3) sua abreviatura, ks ; (4) uma aproximação visual em grego, PIPI ; (5) uma aproximação fonética em grego, IAW ou (6) sua abreviatura, iw ; (7) transcrição do tetragrama em caracteres hebraicos arcaicos, . Embora as diversas formas acima não tenham a mesma idade, pois os caracteres hebraicos são os mais antigos, nenhuma delas esteve confinada a apenas uma era e diversas podiam ser encontradas simultaneamente, no mesmo manuscrito. Por exemplo, uma obra muito citada pelas Testemunhas de Jeová, um antigo e exaustivo trabalho de revisão bibliográfica, a Hexapla de Orígenes, inclui cinco das diferentes formas acima. Além disso, os rolos do Mar Morto - guardados pelos essênios - contêm a forma fonética grega IAW no livro de Ezequiel. Convém lembrar que os essênios constituíam um seita judaica que reverenciava o nome divino. II) Há fortes evidências de que os fatores determinantes da forma escolhida para representar o nome divino eram a origem do autor e o público-alvo. Cópias feitas por judeus e para judeus apresentariam o tetragrama em caracteres hebraicos, ao passo que aquelas feitas por gentios ou para gentios conteriam as formas correspondentes em grego. As evidências históricas indicam que as primeiras cópias da LXX - sendo destinadas, primariamente, ao povo judeu disperso - muito provavelmente seguiam a primeira opção, isto é, transliteravam o tetragrama hebraico. Todavia, isto não significa que seus usuários conhecessem a pronúncia do nome. Os judeus de língua hebraica há tempos referiam-se a Deus por adonay [Senhor]. O mesmo faziam os de língua grega, usando o termo correspondente, Kyrios. Neste respeito, o livro Ajuda ao Entendimento da Bíblia (p. 886, em inglês) - publicado pelas Testemunhas de Jeová - menciona as palavras de um erudito, o Dr. Paul Kahle, em sua obra The Cairo Geniza: "Nós sabemos que... [a Septuaginta] quando escrita por Judeus para Judeus, não traduzia o nome Divino por Kyrios, mas o tetragrama escrito em letras hebraicas ou gregas era retido em tais manuscritos. Foram os cristãos que substituíram o tetragrama por Kyrios, quando o nome divino escrito em letras hebraicas não mais era compreendido." (Grifo acrescentado) Com efeito, esta explicação leva-nos a um paradoxo, pois, se há - como sustentam as Testemunhas de Jeová - algo de herético ou imoral em verter o nome divino por Senhor, então, os cristãos primitivos teriam sido, eles mesmos, os primeiros culpados deste pecado. III) A ampla maioria das cópias da LXX que chegaram a nós apresenta a forma grega Kyrios. Há evidências de que isso se deveu a uma súbita mudança de atitude da comunidade judaica para com os cristãos. Após o devastador ataque romano de 70 DC, o antigo descontentamento judaico contra Roma aumentou vertiginosamente, culminando com com um levante fracassado, em 132 DC. O ressentimento dos judeus diante das conquistas do inimigo converteu-se em nacionalismo exacerbado e xenofobia. Além disso, quando, no quarto século, o imperador Constantino declarou-se convertido ao cristianismo, proclamando-o religião oficial do Império Romano, a reação judaica recrudesceu. Seus sentimentos adversos para com os romanos estenderam-se também aos cristãos, especialmente os judeus convertidos - considerados apóstatas. A LXX passou a ser vista, pejorativamente, como um compêndio cristão - em outras palavras, uma tradução dos pagãos. Na verdade, certos segmentos do judaísmo, desde longas datas, não a consideravam um documento fidedigno. Com o tempo, os judeus não só pararam de reproduzi-la, como buscaram destruir a literatura grega cristã. Entretanto, os cristãos gentios, não compreendendo símbolos hebraicos, continuaram a produzir cópias da LXX contendo a forma grega Kyrios. Isto aparentemente explica porque versões dela contendo o tetragrama tornaram-se tão raras.10 de 37 18-09-2012 22:44
  11. 11. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová Constantino (274-337 DC) A obra anteriormente mencionada - The Cairo Geniza - confirma isso ao dizer: "... após o Cristianismo ter se tornado a religião do Estado sob Constantino, os Judeus empenharam-se com sucesso em destruir sistematicamente toda a literatura [cristã], incluindo os textos gregos da Bíblia." (p. 246, em inglês) É importante ressaltar, em que pese a ampla popularidade da LXX, que ela não era a única tradução disponível. Precisamente em razão da mudança de atitude dos judeus em relação a ela foi que Áquila, Símaco e Teodócio publicaram suas traduções, por volta do segundo século depois de Cristo. Nessas obras eles reinseriram o tetragrama, tanto em hebraico comum como arcaico (opções 1 e 7 do item I). Um fato relevante a ressaltar é: tais tradutores não produziram essas obras por zelo cristão - ao contrário, eles eram judeus praticantes e opositores do cristianismo. Na verdade, pretendiam um retorno às raízes do judaísmo. Áquila (80-135 DC), por exemplo, converteu-se ao judaísmo, depois ao cristianismo e, então, de volta ao judaísmo. Enquanto membro da comunidade cristã, ele foi rejeitado por preservar práticas consideradas pagãs, como astrologia, magia e necromancia. Diz-se que ele chegou ao ponto de afirmar que Jesus era o "filho bastardo de Maria e um soldado romano loiro e de descendência germânica". Áquila tornou-se discípulo do rabino Akiva, enquanto Símaco era judeu convertido e Teodócio era prosélito. Além da reinserção do tetragrama, eles corrigiram, em algumas passagens, aquilo que consideravam falhas de tradução da LXX. Uma destas correções tem importantes conseqüências: a troca da palavra grega parthenos (virgem) - presente na LXX - por neanis (mulher jovem), em Isaías 7: 14. O vocábulo original na bíblia hebraica é haalmáh, significando a moça ou a donzela, não necessariamente virgem (betullah, em hebraico). Este detalhe acha-se registrado na nota de rodapé da TNM com referências (p. 844). Pode parecer uma diferença irrelevante, mas não é. Ela cria um sério problema, pois esta passagem sempre foi considerada, pelos cristãos, como uma alusão a Maria, mãe de Jesus, daí a natural preferência pelo termo virgem, empregado pela LXX e contestado de forma veemente por Áquila, Símaco e outros judeus daquele tempo. O livro de Mateus traduz a palavra hebraica da mesma forma que a LXX. Com efeito, as traduções de Áquila, Símaco e Teodócio atingem em cheio a idoneidade deste evangelho, pondo em xeque sua inspiração, pois sugerem que Mateus teria cometido um erro de tradução - intencionalmente ou por equívoco. Ainda assim, a Sociedade Torre de Vigia tem mencionado freqüentemente estas traduções - especialmente a de Áquila, considerada por alguns críticos como "literal demais", ao ponto de ser quase incompreensível - em apoio à teoria de que a LXX comumente usada nos tempos de Cristo, de fato, continha o tetragrama, e que ele e seus discípulos estariam, dessa forma, obrigados a usá-lo. Ademais, fragmentos de uma versão judaica da LXX, encontrados no Egito e datados como sendo do 1o. século antes de Cristo - os assim chamados papiros Fouad (ou LXXFouad) -, contêm o tetragrama e, por isso, têm sido enfaticamente apresentados pela organização como prova da mesma teoria. Tal atitude tem levado alguns estudiosos a considerarem as Testemunhas de Jeová como uma seita híbrida - misto de judaísmo e cristianismo.11 de 37 18-09-2012 22:44
  12. 12. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová Se tomarmos em conta que a ampla maioria das cópias da LXX - incluindo-se aí as mais antigas obras completas (ou quase completas), tais como o códice Sinaítico, o Alexandrino e o Manuscrito 1209 do Vaticano, do 4o e 5o. século DC - não contêm o tetragrama, o achado de raras cópias de origem judaica que o contêm, como a LXX Fouad , datando de antes de Cristo, aponta, no máximo, para uma possibilidade de as afirmações da Sociedade serem verídicas. Para que o leitor tenha uma noção numérica do problema, existem cerca de 1500 fragmentos da LXX que não dão suporte à tese da Sociedade Torre de Vigia e apenas uns 10 que lhe são parcialmente favoráveis (falaremos deles mais adiante). Todavia, essa disparidade numérica não parece exercer qualquer efeito sobre as convicções de seus dirigentes. Deveras, as Testemunhas de Jeová vão além, muito além disso: em razão da possibilidade aventada por sua teoria, elas não só sustentam que o tetragrama estava presente nas cópias da LXX disponíveis a Cristo e seus discípulos, mas afirmam categoricamente que ele também estava nos escritos originais do Novo Testamento. Para isso, propõem uma hipótese, no mínimo, policialesca para o desaparecimento do tetragrama nos manuscritos do Novo Testamento dos séculos seguintes a Cristo, especialmente a partir do 3o século. Examinemo-la... A Teoria da Conspiração Início Em 1977, um eminente professor de religião da Universidade da Geórgia, EUA, George Howard, formulou uma teoria - publicada no Journal of Biblical Literature (Vol. 96, p. 63) -, a qual provocou grande empolgação entre os membros da Sociedade Torre de Vigia. Um trecho das declarações dizia: "Já que o tetragrama era ainda escrito em cópias da Bíblia grega [LXX] que compunha as Escrituras da igreja primitiva, é razoável crer que os escritores do Novo Testamento, ao fazerem citações da Escritura, preservassem o tetragrama no texto bíblico. Pela analogia da prática judaica pré-cristã, podemos imaginar que o Novo Testamento incorporava o tetragrama em suas citações do Velho Testamento." A declaração acima diz respeito a um fato bastante incômodo para aqueles que defendem a inclusão do tetragrama no Novo Testamento - nem uma única dentre as cerca de 5 mil cópias do Novo Testamento hoje existentes faz isso. O autor estava ciente do fato e não fez referência a qualquer manuscrito do novo Testamento dos primeiros séculos DC que contivesse o tetragrama. Não poderia, pois, até esta data, jamais se encontrou algum. E até que porventura se encontre, sua existência não passa de mera especulação. O enorme peso de tais evidências acaba por impor aos estudiosos cautela quanto a emitir um parecer órfão de evidência histórica, cautela essa bem evidente pela forma como o professor Howard apresenta suas idéias. Chamamos a atenção do leitor para as sentenças grifadas no trecho acima - expressões de incerteza -, pois elas recheiam todo o artigo. Não poderia ser de outra forma, pois o autor, como um perito responsável, não se apressaria em tirar conclusões categóricas sobre uma matéria polêmica, apoiado em inferências e evidências meramente circunstanciais. Na verdade, ele conclui seu artigo prudentemente, na forma de cinco perguntas - nenhuma conclusão fechada. Todavia, a Sociedade Torre de Vigia parece não compartilhar da saudável cautela do autor. Na pág. 1504 da TNM, após transcrever parte da tese do prof. Howard - segundo a qual o tetragrama teria constado do Novo Testamento original, tendo sido posteriormente substituído por expressões como Kyrios (Senhor) ou Theos (Deus), ela declara:12 de 37 18-09-2012 22:44
  13. 13. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová "Concordamos com o acima, com esta exceção: Não consideramos este conceito como teoria, mas como apresentação dos fatos da história quanto à transmissão dos manuscritos bíblicos." Para os autores das palavras acima, o poder da convicção parece ser o instrumento mais efetivo na tarefa de recompor a história. De fato, nenhum estudioso respeitável emitiria uma declaração hermética como essa sem por em risco sua credibilidade. Temos agora a oportunidade de conhecer a opinião do próprio autor da teoria sobre as afirmações das Testemunhas de Jeová. Indagado sobre essa postura com relação ao seu trabalho, o prof. Howard - em correspondência com um pesquisador sueco - respondeu: "As Testemunhas de Jeová foram longe demais com meus artigos. Eu não apoio as teorias delas." (trecho grifado) Eis uma cópia da correspondência: Também nesta correspondência, o prof. Howard reconhece o enfraquecimento de sua teoria face à datação de um papiro do 1o. ou 2o. século DC, o qual não contém o tetragrama. Trataremos dessa questão posteriormente. A Sociedade Torre de Vigia acrescentou idéias conspiratórias à tese de George Howard, edificando sobre o arcabouço dela a sua própria teoria, descrita na TNM (p. 1505) da seguinte forma: "Em algum tempo durante o segundo ou terceiro século EC, os escribas eliminaram o tetragrama tanto da Septuaginta como das Escrituras Gregas Cristãs, e o substituíram por Kyrios, Senhor, ou Theos, Deus. (Grifo acrescentado) Mal nenhum existe em propor uma hipótese, pois trata-se de um dos passos do método científico, os quais são: observação do fato, indagação sobre sua natureza, proposição de hipóteses, experimentação e estabelecimento de teorias. Na arqueologia a experimentação consiste no exame das provas materiais coletadas - pergaminhos, inscrições, monumentos, literatura etc. Se nossas conclusões hão de ser aceitas como plausíveis, não podemos nos furtar a este processo. Trata-se de uma ciência interpretativa - uma espécie de quebra-cabeças. Mesmo assim, não deixa de ter13 de 37 18-09-2012 22:44
  14. 14. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová princípios básicos. O investigador, ao deparar-se com uma nova evidência, busca encaixá-la no contexto de todas as descobertas anteriores. Às vezes, conceitos antigos precisam ser revistos. A elucidação do passado é, pois, um processo gradativo e requer prudência. Antecipar ou extrapolar conclusões à base de achados isolados ou elevá-las à condição de fato, violando princípios estabelecidos, dificilmente pode ser classificado como investigação isenta e confiável. Um exame das evidências históricas disponíveis permitirá ao leitor avaliar se a Sociedade Torre de Vigia seguiu cada uma dessas etapas - de forma coerente e científica - ao emitir as palavras acima. Vejamos... Que Falem as Descobertas Arqueológicas Início Em 1947, um beduíno lançou uma pedra na abertura de uma caverna e ouviu um som semelhante a cerâmica quebrando-se. Após um exame, ele encontrou diversos recipientes contendo manuscritos muito antigos. Esta descoberta veio mais tarde a ser conhecida como os Rolos do Mar Morto. Hoje, existem cerca de 225 documentos originários deste sítio arqueológico, contendo as Escrituras Hebraicas, bem como comentários sobre os livros bíblicos. Algumas descobertas foram feitas assim - acidentalmente, por leigos. Outras foram procuradas por colecionadores de antiguidades e ainda outras por arqueólogos. As últimas décadas têm experimentado um acentuado crescimento no número de documentos históricos publicados e, conseqüentemente, um maior grau de conhecimento das civilizações antigas. Quais os principais documentos de que dispomos hoje e o que eles mostram quanto à presença do tetragrama nas Escrituras Sagradas? Com relação ao Antigo Testamento, temos o seguinte: a) Há 297 códices (cópias em formato de livro) e 1500 fragmentos de manuscritos antigos. A esmagadora maioria deles não contém o tetragrama. Além disso, quando o contêm, não apresentam um padrão uniforme de uso. No tocante a este último aspecto, os Rolos do Mar Morto, mencionados há pouco, são um exemplo contundente. Uma simples comparação entre algumas passagens deles e as de um outro manuscrito, séculos mais jovem - o Texto Hebraico dos Massoretas -, ilustrará o ponto em questão. Observemos a tabela abaixo: Rolos do Mar Morto Texto Massorético Referências Adonay Yahweh Isaías 3:17; 38:14 Yahweh Adonay Isaías 6:11;7:14;9:7;21:16 Elohim Yahweh Isaías 40:7; 42:5; 50:5 Yahweh Adonay Yahweh Isaías 26:22;49:22;52:4;61:1 Yahweh Elohim Adonay Yahweh Isaías 61:11 Yahweh Elohim Elohim Isaías 25:9 Vemos, então, que nem mesmo os textos hebraicos mostram uma tradução padronizada, pois - nas mesmas passagens - alternam o uso do tetragrama e seus substitutos (Adonay e Elohim) de forma aleatória, mostrando que estes termos eram perfeitamente intercambiáveis entre si. Tais achados são consistentes com a hipótese da existência de diversos nomes para Deus - não apenas um - ou diversas formas de se14 de 37 18-09-2012 22:44
  15. 15. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová dirigir a Ele - não apenas uma. b) A Sociedade Torre de Vigia localizou apenas 10 fragmentos de textos gregos do Velho Testamento contendo o tetragrama (TNM, p. 1503), vertido de cinco maneiras diferentes: caracteres hebraicos quadrados, hebraicos antigos, hebraicos arcaicos, duas letras hebraicas Iode e a forma grega fonética IAW (apresentada neste artigo como uma das 7 maneiras possíveis de verter o nome divino). São 6 fragmentos da LXX - indo do 1o. século AC ao 3o. século DC -, 1 códice do 9o. século e 3 fragmentos de Áquila e Símaco, os militantes do judaísmo anteriormente mencionados neste artigo. Note o leitor que, mesmo nos manuscritos citados pela Sociedade como prova de seu ponto, não há uniformidade na forma de verter o nome divino. Ela varia em função da época e local de origem. A Sociedade publicou uma figura na TNM (p. 1502), retratando três manuscritos, lado a lado, de modo a sugerir que eles têm uma origem comum. São eles: os papiros LXX Fouad (1o. século AC), o Códice Alexandrino (5o. século DC) e o Códice de Alepo (texto massorético do 10o. século DC). Eis a figura: Vistos assim, os manuscritos realmente parecem apoiar a tese das Testemunhas de Jeová. Mas, representa a figura acima uma analogia coerente? Corresponde a um fato estabelecido? Na verdade, a gravura acima pode facilmente induzir o leitor desinformado ao erro, pois apresenta como fato apenas uma dentre as inúmeras interpretações possíveis dos documentos arqueológicos disponíveis. E nem é a hipótese mais provável, por razões que analisaremos a seguir. De antemão, não percamos de vista o fato de que os três textos acima, além de provirem de culturas e períodos diferentes (envolvendo um espaço de onze séculos), referem-se a uma mesma passagem do Antigo Testamento. Logo, quaisquer conclusões elaboradas a partir destes manuscritos só serão válidas para as escrituras hebraicas, não fornecendo qualquer subsídio para a inclusão do tetragrama no Novo Testamento. Os fragmentos à esquerda (papiros Fouad) e à direita (Códice de Alepo) pertencem à cultura judaica - neles seria de esperar a inclusão do tetragrama. O manuscrito do centro (Códice Alexandrino) pertence à cultura cristã. Nele seria de esperar - como, de fato, ocorre - o termo "Kyrios" ("Senhor"). Apresentar tais documentos na disposição15 de 37 18-09-2012 22:44
  16. 16. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová acima, como se pertencessem a um mesmo estilo literário, dá margem a uma série de questionamentos: Onde está a linha de evidência vinculando diretamente o Códice Alexandrino, do 5o. século, aos papiros Fouad, de seiscentos anos antes, de modo a concluirmos que se trata de uma adulteração? Sabendo-se - de acordo com os achados arqueológicos - que existiam, simultaneamente, cópias judaicas contendo e cópias gentias contendo "Kyrios", como estabelecer, com certeza, qual delas serviu de base para a elaboração do referido códice? Não pode ser este trecho do Códice Alexandrino simplesmente uma cópia dos numerosos manuscritos contemporâneos ao papiro Fouad, os quais não apresentavam o tetragrama? Em contraste com os papiros Fouad, foram encontrados muitos outros fragmentos da LXX que não contêm o tetragrama. Seriam todos eles partes de cópias adulteradas? Em caso afirmativo, por que elas foram amplamente aceitas e divulgadas por entre os cristãos de diversas nacionalidades? Eram todos eles apóstatas? Os manuscritos da esquerda e do centro são em grego e o da direita, em hebraico. O da esquerda transplanta o nome divino, em letras hebraicas, diretamente para o texto grego - uma cópia endereçada a judeus de língua grega (no caso, os judeus helenizados). O documento do centro verte o nome para uma forma amplamente conhecida no grego ("Kyrios") - provavelmente uma cópia endereçada aos gentios de língua grega (cristãos). O da direita (códice de Alepo) é de autoria dos massoretas do 10o. século, os quais, como de costume, preservaram o tetragrama, juntamente com os sinais vocálicos oriundos da palavra adonay. Assim sendo, onde está a prova de que o Códice Alexandrino - um dos mais completos hoje disponíveis - é, como sugere a comissão tradutora da TNM, uma adulteração apóstata? Apresentar seletivamente uma pequena fração das evidências, a qual parece favorável a uma tese, suprimindo um considerável montante de evidência contrária a ela e expor esta fração de uma forma a levar a uma única conclusão, quando na realidade pode levar a diversas - e ainda afirmando que esta conclusão não é teoria, mas um fato -, dificilmente poderia ser classificado como uma atitude imparcial e intelectualmente honesta. Cremos que foi exatamente o que ocorreu aqui. Mais do que um produto de deliberação, trata-se de uma armadilha em que facilmente caem os adeptos do pensamento fundamentalista - a busca sôfrega por provas em favor daquilo em que se crê. A pressa em julgar as evidências em favor de um ideal pré-concebido. Em tais situações, não admira que a objetividade científica ceda lugar a conclusões parciais. Um ponto ainda precisa ser mencionado: a evidência precária fornecida pelas Testemunhas de Jeová proveria, no máximo, uma base para introduzir - nas traduções atuais do Velho Testamento - o tetragrama hebraico em si e não uma tradução de uma palavra híbrida (IHVH + adonay). Para seguir à risca o exemplo dos antigos copistas, como quer a Sociedade Torre de Vigia, as versões atuais da Bíblia deveriam conter e não Jehovah, Geova, Yahweh, Jeová ou qualquer vocábulo semelhante. Se a reverência devida ao nome divino representava, naquele tempo, não traduzi-lo para língua alguma - nem mesmo para o grego, a língua mundial da época -, não há base, mesmo em face dos poucos documentos arqueológicos encontrados para,16 de 37 18-09-2012 22:44
  17. 17. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová evocando a mesma reverência, substituirmos o tetragrama por um termo híbrido, incerto e estranho aos primitivos cristãos. Obviamente, isso criaria um problema de compreensão, o qual foi contornado pelos copistas cristãos por intermédio da introdução do vocábulo Kyrios - este, sim, traduzível para qualquer língua. Compreensivelmente, foi o caminho adotado pela maioria dos tradutores atuais - aqueles a quem a Sociedade Torre de Vigia classificou como indignos. Voltemos nossa atenção agora para o Novo Testamento: a) Existem atualmente 5309 manuscritos gregos do Novo Testamento - 267 Unciais, 2764 Cursivos, 2143 Lecionários, 88 papiros e mais 47 achados recentes. NENHUM DELES CONTÉM O TETRAGRAMA. A Sociedade Torre de Vigia reconhece este fato: "...nenhum antigo manuscrito grego dos livros de Mateus a Revelação hoje disponível contém o nome de Deus por extenso." - O Nome Divino que Durará para Sempre, p. 23 b) Não dispondo de alicerce arqueológico sólido sobre o qual apoiar suas inserções do tetragrama no Novo Testamento, a Sociedade recorre a dois artifícios: 1) insere o vocábulo Jeová 112 vezes, em trechos do Novo Testamento que são citações ou alusões ao Velho Testamento, deduzindo que deveria estar lá e 2) faz mais 125 inserções arbitrárias com base em traduções hebraicas que vão do século 14 ao século 20. Ainda falaremos delas neste artigo. c) A Sociedade não esclarece seus leitores quanto a um aspecto crucial: o nome divino em hebraico fora, de fato, vertido por Kyrios - as razões nós já analisamos neste artigo. Porém a palavra Kyrios, encontrada em todos os manuscritos do Novo Testamento antigos, também foi - e arbitrariamente - substituída por alguma expressão como Jehovah ou semelhante, segundo o entendimento pessoal do tradutor. Trata-se, pois, de uma via de "duas mãos", e não apenas uma, como a comissão tradutora da TNM busca fazer crer. Uma prova incontestável disso são as traduções hebraicas acima citadas, as quais, mesmo sendo obtidas de originais que não continham o tetragrama, permutaram a palavra original Kyrios por traduções híbridas do nome de Deus. Ainda assim, as Testemunhas de Jeová não tiveram escrúpulos quanto a lançar mão delas. No caso daquelas cópias e de suas derivadas, os supostos "restauradores" eram, eles mesmos, os adulteradores do texto original. d) A Sociedade também não esclarece que os cristãos primitivos adotaram uma nomenclatura própria para palavras sagradas, a qual veio a ser conhecida como Nomina Sacra. Tratava-se de um sistema peculiar, independente do vocabulário judaico. Como já mostramos, os editores da TNM, não hesitaram em acusar de indignidade aqueles que não seguiram a mesma linha de conduta que eles. Lançaram sobre uma questão acadêmica uma medida de julgamento moral. Ao invés do critério científico, estava em jogo o caráter do tradutor. Todavia, um exame no critério adotado por cada lado permitir-nos-á avaliar se esta colocação é apropriada. Um exame dos princípios arqueológicos e do conjunto das provas revelará quem se deixou guiar por eles antes que por suas preferências teológicas. Critérios Duvidosos Início A Sociedade Torre de Vigia parece estar bem ciente dos critérios de aferição do peso17 de 37 18-09-2012 22:44
  18. 18. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová de uma evidência arqueológica. Embora não sejam perfeitos, eles asseguram que as conclusões sigam a direção para a qual o conjunto das provas aponta. Uma vez, surjam novas evidências, elas são inseridas neste contexto e servirão para reforçar as conclusões anteriores ou para enfraquecê-las. Infelizmente, a preferência teológica do investigador pode impeli-lo a ir na contra-mão das evidências ou pior - pode levá-lo a distorcê-las ou até corrompê-las. Um caso clássico é o da inserção, no texto de 1 João 5: 7,8, da expressão ...o Pai, a Palavra e o espírito santo; e estes três são um. Encontra-se em dois manuscritos cursivos dos séculos 14 e 16 e em uma versão da Vulgata Latina. Aparentemente, foi uma alteração introduzida por trinitaristas convictos, os quais permitiram que a força da convicção sobrepujasse a honestidade intelectual. Como sabemos que se trata de uma adulteração? Em razão do enorme peso de milhares de outros documentos que não contêm essa expressão. Por meio desse exemplo, acabamos por tocar no primeiro critério - o numérico. "Quanto maior o número de evidências independentes em favor de uma hipótese tanto mais se considerará a hipótese como verdadeira" O princípio acima permite-nos hoje reconstituir, com grande margem de certeza, o conteúdo das Escrituras Sagradas. Eventuais discrepâncias podem ser dirimidas pela comparação com o inteiro conjunto dos documentos. A confiabilidade deste princípio é corroborada pelas palavras da própria Sociedade Torre de Vigia: "Qualquer que seja a versão das Escrituras Cristãs que você possua, não há qualquer razão para duvidar que o texto Grego na qual esta se baseia represente com considerável fidelidade o que os autores inspirados daqueles livros bíblicos originalmente escreveram. Embora estejam, agora, quase 2000 anos removidos do tempo de sua composição, o texto Grego das Escrituras Cristãs é uma maravilha de transmissão acurada." - A Sentinela de 1/4/1977, pág. 219 (em inglês) Não é senão o volumoso conjunto dos escritos antigos preservados que permite aos editores de A Sentinela fazerem esta declaração. Todavia, as Testemunhas de Jeová parecem não se dar conta de que violaram este mesmo princípio quando: - Insistiram em afirmar que as cópias da LXX contendo o tetragrama estavam disponíveis a Cristo e seus discípulos, dando maior peso a cerca de 10 fragmentos que pareciam apoiar essa tese e menosprezando os quase 300 códices e cerca de 1500 fragmentos contrários a ela. Neste caso, a preferência teológica sobrepôs-se às evidências concretas. Incidentalmente, a tese de que Cristo ao menos usasse a LXX ainda sofre severas críticas por parte de alguns pesquisadores. - Inseriram uma tradução para o tetragrama 237 vezes no Novo Testamento, desprezando completamente os mais de 5000 documentos arqueológicos antigos que não o contêm e dando mais peso a menos de 30 traduções hebraicas mil anos mais recentes do que os documentos mais antigos e completos de que dispomos. Por assim agirem, violaram também o segundo princípio. "...quanto mais velho o manuscrito bíblico é, tanto mais próximo dos originais é provável que esteja..." - A Sentinela de 15/3/1982, pág. 23 (em inglês) Perceba o leitor que é a própria Sociedade que está a definir este princípio. Dispomos hoje de um patrimônio arqueológico respeitável tanto quantitativa quanto qualitativamente. Existem milhares de documentos do Novo Testamento na forma de18 de 37 18-09-2012 22:44
  19. 19. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová fragmentos de cerâmica, pergaminhos, papiros e códices, cobrindo períodos que vão desde 200 DC (ou, possivelmente, 81 DC) até poucas décadas atrás. Obviamente, os primeiros, estando mais próximos cronologicamente dos escritos originais, têm mais mais peso do que os mais recentes. É claro que há exceções a esta regra - uma delas é quando fica demonstrado que um documento, embora recente, deriva-se de uma fonte comprovadamente antiga e confiável. Os dados a seguir, mostram quão parciais foram os tradutores da TNM ao fazerem as 237 inserções do tetragrama no Novo Testamento. Idade dos manuscritos vertendo o nome divino por Kyrios nas 237 passagens em que a TNM introduziu Jeová: SÉCULO 2 DC AO SÉCULO 4 DC. São eles: Códice Sinaítico (Álefe), Códice Alexandrino (A), Manuscrito Vaticano 1209 (B), Códice Ephraemi (C), Códice Bezae (D) e diversos outros. Idade dos manuscritos usando o tetragrama nestas 237 passagens: SÉCULO 14 DC AO SÉCULO 20 DC. São as traduções hebraicas, anteriormente mencionadas neste trabalho. Costumeiramente representadas pela letra J, elas foram feitas a partir dos próprios documentos gregos acima citados. Além da imensa diferença de idade - chegando a mais de 1700 anos -, elas são meras cópias alteradas, nada tendo a acrescentar que seja mais confiável que os manuscritos originais que lhes serviram de base. Ao passo que os caracteres hebraicos lhes dão uma aparência de fidedignidade, trata-se apenas disso - aparência. Têm o mesmo valor que traduções contemporâneas para outras línguas, como espanhol, italiano, francês, alemão etc. Um aspecto adicional, omitido pelos tradutores da TNM, merece ser mencionado: estas traduções hebraicas foram feitas por comissões trinitaristas, com o objetivo precípuo de converter judeus ao cristianismo. Por esta razão, elas usam constantemente o tetragrama em sua obra, até mesmo em passagens do Novo Testamento que se referem claramente a Jesus Cristo. Utilizar seletivamente tais traduções hebraicas, como faz a comissão tradutora da TNM, com o intuito de distinguir as pessoas de Deus e Jesus Cristo, é um notável paradoxo, pois elas foram produzidas para fazer exatamente o oposto! Ademais, o próprio apêndice 1D contém um trecho, no qual a Sociedade confessa abertamente que os autores das traduções hebraicas em que a comissão da TNM se baseia para inserir Jeová no Novo Testamento, não inserem o tetragrama apenas nas citações diretas do Antigo Testamento, mas, segundo as palavras dela própria, "TAMBÉM EM OUTROS LUGARES EM QUE OS TEXTOS EXIGIRAM TAL RESTABELECIMENTO". Infelizmente, esta lacônica declaração deixa "no ar" quais são estes lugares e qual o critério adotado por aqueles autores para introduzir tais modificações. Com que autoridade tais tradutores tardios das escrituras cristãs inseriram nelas palavras que não se encontram em nenhum dos mais de cinco mil manuscritos antigos disponíveis? São tais traduções legítimas e confiáveis? O fato é que elas são tão tendenciosas quanto a própria TNM, pois abusaram da inserção do tetragrama com o propósito de fazer as escrituras cristãs apoiarem de forma generalizada uma doutrina pré-concebida - o trinitarismo. As Testemunhas de Jeová seguiram um caminho diferente - e não menos questionável - para negá-la. Nem mesmo diante de tais inconsistências colossais, a Sociedade Torre de Vigia modestamente reconheceu o caráter especulativo de suas teorias, mas apresentou-as como fato além de qualquer dúvida e, como vimos, indiretamente rotulou os peritos bíblicos que discordavam dela de indignos. A comissão tradutora da TNM - em sua firme determinação de inserir o nome Jeová19 de 37 18-09-2012 22:44
  20. 20. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová no Novo Testamento - acabou caindo em um terreno altamente pedregoso, o da exegese. É fato inegável que os escritores do Novo Testamento aplicaram à pessoa de Jesus Cristo palavras do Antigo Testamento, dirigidas exclusivamente a Deus. Se, de acordo com o que diz o apêndice 1D da TNM, ao encontrar uma citação do Antigo Testamento, o escritor "se veria obrigado a incluir fielmente o Tetragrama", então os tradutores da Sociedade criaram para si mesmos um sério dilema: se, nas passagens em que tais textos aplicam-se a Cristo, incluírem o tetragrama, estarão identificando a pessoa de Jesus com o Deus do Antigo Testamento, ou seja, endossando a doutrina da Trindade; se não o incluírem, estarão violando o alegado princípio da fidelidade ao Antigo Testamento. Naturalmente, em razão de sua total rejeição teológica à referida doutrina, preferiram a violação desse último. Analisemos alguns exemplos: Em 1 Pedro 3: 15, referindo-se a Cristo, o apóstolo faz uma alusão a Isaías 8: 13, onde o profeta convida todas as nações a "Santificar o Senhor dos Exércitos" (Versão Rei Jaime). Porém, a Sociedade Torre de Vigia não ratificou a existência do tetragrama neste texto do Novo Testamento. O motivo - se assim o fizesse, endossaria a doutrina da trindade. No entanto, as traduções hebraicas de que falamos há pouco, de fato, permutam, nestas e noutras passagens, a palavra Kyrios [Senhor] por Jeová, ao contrário dos editores da TNM, os quais mantiveram o termo Senhor - mesmo tratando-se de uma alusão ao Antigo Testamento. A própria nota de rodapé da TNM com referências (p. 1398, em português) confirma que tais fontes vertem o texto incluindo o nome divino: "Mas, santificai o Cristo como Jeová Deus em vossos corações..." (negrito acrescentado) A Sociedade Torre de Vigia preferiu traduzir o texto assim: "Mas, santificai o Cristo como Senhor em vossos corações..." (negrito acrescentado) É curioso ver uma entidade que combate tão ferrenhamente o uso do termo Senhor em referências ao Antigo Testamento, defender o uso de tal termo toda vez que tais referências se aplicam a Jesus Cristo. Incidentalmente, a forma acima está coerente com os manuscritos antigos do Novo Testamento. Ao que parece, a comissão tradutora da TNM dá crédito a eles quando confirmam suas doutrinas. No entanto, é inaceitável proclamar a aderência a uma política de tradução formulada para preservar uma posição teológica, apenas para alterar tal política quando ela parece contrariar o mesmíssimo princípio que supostamente deveria apoiar. Examinemos mais alguns exemplos desta tendenciosa metodologia: No capítulo 10 do livro de Romanos, o escritor faz diversos pronunciamentos claramente alusivos a Cristo. A certa altura, no versículo 13, ele diz: "todo aquele que invocar o nome do Senhor [Kyrios] será salvo". A comissão da TNM inseriu, nesta passagem, o nome Jeová em lugar da palavra Senhor. Justificou isso por afirmar que o escritor estava citando o Velho Testamento - Joel 2: 32 -, de modo que estaria "obrigado" a transcrever o tetragrama. Ora, pelo contexto, a quem se referia o apóstolo Paulo? Se examinarmos a passagem, veremos que os versículos circundantes - 11 e 14 -, em plena harmonia com o tema iniciado a partir do versículo 4, parecem continuar a falar de Cristo. Aqui, a Sociedade Torre de Vigia, aparentemente, desconsiderou três possibilidades: 1) O escritor poderia estar citando a versão da LXX amplamente usada pelos cristãos daquele tempo, na qual o termo empregado é, de fato, Senhor [Kyrios]. Admitindo a referência a Cristo, o uso deste termo, nesta passagem em particular, não ofenderia nem mesmo às convicções das Testemunhas de Jeová.20 de 37 18-09-2012 22:44
  21. 21. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová 2) O escritor, mesmo ciente da existência do tetragrama no antigo texto hebraico, poderia estar fazendo uma citação informal dele, adaptando-o livremente à pessoa de Cristo. 3) O apóstolo podia estar intencionalmente identificando Cristo com IHVH. Esta última hipótese é, a priori, descartada pelas Testemunhas de Jeová. Restam as outras duas, igualmente plausíveis. A segunda hipótese é fortalecida pelo comentário de um perito, publicado em uma nota de rodapé da TNM com referências, sobre outra passagem - a de 1 Pedro 2: 3. Lá, o apóstolo aplica Salmos 34: 8 a Jesus Cristo e nem por isso a comissão tradutora restaurou o tetragrama, presente no texto original do Antigo Testamento - na prática, isto corresponde a uma admissão tácita de que a citação era informal. Ora, que garantia temos, então, de que não fosse este o caso também na declaração de Paulo? O mesmo princípio usado para introduzir Jeová em Romanos 10: 13 poderia ser também aplicado à carta de Pedro. Ou o princípio que justificou o uso do termo Senhor em 1 Pedro 2: 3 poderia ser aplicado à carta de Paulo. Tudo é uma questão de preferência do tradutor. Sendo, pois, uma questão polêmica, não seria mais razoável ceder aos manuscritos antigos, ao invés de tentar retificá-los? Examinemos agora outra passagem, ainda no livro de Romanos. No capítulo catorze e versículo onze, o escritor menciona Isaías 45: 23: "... pois está escrito: "Por minha vida", diz Jeová, todo joelho se dobrará diante de mim e toda língua reconhecerá abertamente a Deus." - Romanos 14: 11, TNM Nenhuma cópia grega antiga do Novo Testamento contém o tetragrama nesta passagem. Da mesma forma, caso examinemos o texto do profeta Isaías, veremos que o versículo em questão também não o contém. No entanto, ele se encontra na TNM. A razão é óbvia - o contexto à volta do versículo mostra claramente que a declaração, sem dúvida, refere-se ao Todo-Poderoso. Assim, os tradutores da Sociedade Torre de Vigia sentiram-se justificados a inserir - contra toda a evidência dos manuscritos antigos - o nome Jeová no lugar de Senhor [Kyrios]. Por outro lado, em Filipenses 2: 10, 11, a mesmíssima passagem de Isaías é aplicada a Cristo: "... a fim de que, no nome de Jesus, se dobre todo joelho dos no céu, e dos na terra, e dos debaixo do chão..." - TNM Tal texto não dá margem a controvérsia, pois o manuscrito grego contém o nome de Jesus, não a expressão Senhor. Contudo, é curioso que, nesta passagem, a comissão tradutora não avise o leitor, por meio de notas de rodapé, que o referido texto é uma alusão direta ao profeta Isaías - agora com referência a Cristo. Este texto prova, sem sombra de dúvida, que os escritores do Novo Testamento faziam adaptações de textos do Antigo Testamento e que, portanto, inserir Jeová no lugar de Senhor em tais citações é um proceder temerário. A Sociedade Torre de Vigia critica a maioria das versões hoje disponíveis da LXX por elas seguirem o costume de empregar o termo Senhor [Kyrios] em lugar do tetragrama. No entanto, dificilmente esta opinião foi compartilhada entre os escritores cristãos do primeiro século, pois eles citaram a LXX inúmeras vezes - inclusive em trechos que21 de 37 18-09-2012 22:44
  22. 22. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová continham o termo Senhor aplicado a Deus. Um exemplo clássico acha-se em Hebreus 1: 10, que, na TNM, diz: "Mas, com referência ao Filho:... Tu, ó Senhor, lançaste no princípio os alicerces da própria terra, e os céus são obras das tuas mãos..." (negrito acrescentado) Trata-se de uma citação da LXX, no Salmo 102: 25, cujo contexto - a exemplo de Isaías 45: 23 - refere-se diretamente a "IHVH". Curiosamente, o vocativo "ó Senhor" não está presente no texto hebraico - trata-se de uma inserção tardia, feita por algum copista. Talvez este tenha se equivocado ou, quem sabe, tenha agido propositadamente. Erro ou não, o fato é que o escritor cristão - supostamente sob inspiração divina - endossou tal alteração. Em outras palavras, ele aceitou a referência a Deus, no Antigo Testamento, por Senhor. Nesta passagem, é interessante que a comissão tradutora da TNM, fugindo à regra, não critique o copista da LXX por não incluir o tetragrama na inserção - preferindo o termo Kyrios - nem o apóstolo Paulo (supostamente o autor do texto) por concordar com o copista. A razão talvez se deva ao fato de este trecho particular da carta aos Hebreus aplicar-se diretamente a Cristo. A dubiedade da palavra "Senhor", providencialmente, permite o intercâmbio das pessoas a quem o texto se aplica - o que, neste caso, interessa aos unitaristas. Por outro lado, esta mesma ambigüidade é rejeitada quando ocorre em textos que parecem favorecer o trinitarismo (Romanos 10: 13, por ex.). A Sociedade Torre de Vigia tenta contornar a aparente discrepância por afirmar que a passagem é dirigível a Cristo por ele ter sido o mestre- de-obras da criação. Deixa, desta forma, implícito que concorda com o uso do termo Senhor nesta passagem do Novo Testamento. Todavia, esta opção inexoravelmente implica na aceitação do mesmo termo no Antigo Testamento, pois, como vimos, o texto em questão, ainda que alterado na LXX, origina-se dele (Salmo 102). Caso a comissão tradutora da TNM sugerisse que o copista deveria ter dado preferência ao tetragrama ou que o escritor de Hebreus deveria tê-lo restaurado ao citar uma declaração que, afinal, referia-se originalmente a "IHVH" - e isto seria viável, já que, como dissemos, os autores do Novo Testamento freqüentemente referiam-se ao Antigo Testamento de maneira informal -, mais uma vez, seria endossado o pensamento trinitarista. O texto ficaria assim: "Mas, com referência ao Filho:... Tu, ó Jeová, lançaste no princípio os alicerces da própria terra, e os céus são obras das tuas mãos..." - (negrito acrescentado) Evidentemente, a necessidade de negar a referida doutrina sobrepujou o princípio da fidelidade aos termos ou ao sentido original do antigo texto hebraico. Fica patente, neste caso, que a preferência teológica moldou a TNM, antes que os manuscritos gregos propriamente ditos. Desta forma, parece-nos óbvio que o tradutor mais conveniente à erudição gramatical é aquele que não se sente ideologicamente incomodado por essa ou aquela forma de verter um versículo. Lamentavelmente, não foi o caso da comissão tradutora da TNM. Na edição de 1/2/1988 de "A Sentinela" (p. 5, em inglês), a Sociedade reconhece um fato que mencionamos repetidas vezes neste trabalho - os autores cristãos tomavam um certo nível de liberdade com o texto hebraico antigo (especialmente ao referirem-se a Jesus). A revista menciona "ligeiras alterações", bem como "omissões" por parte dos escritores. Diante das evidências textuais e históricas, bem como de acordo com esta admissão, insistimos que o procedimento mais seguro e academicamente honesto seria ratificar o conteúdo dos milhares de manuscritos disponíveis, ao invés de alterá-los com base em presunções incertas. A esta altura, fica claro que uma aplicação generalizada e sistemática do princípio de restauração do nome divino nas escrituras cristãs, com base em citações do Antigo22 de 37 18-09-2012 22:44
  23. 23. Nome http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Jeová Testamento, é uma verdadeira faca de dois gumes - ora nega a doutrina trinitarista, ora a confirma. Isto é bem evidente pelo fato de a Sociedade Torre de Vigia ser obrigada, em um texto ou outro, a abrir mão dele. Deveras, uma corrente doutrinária prefere uma forma de traduzir certa passagem, ao passo que a corrente contrária prefere outra. Qual das duas está correta? No fim, constatamos que a configuração final do texto sofre inevitavelmente a restrição de escrúpulos teológicos. Isto nos conduz a um ponto crucial da questão - dificilmente uma tradução da Bíblia escapa da influência pessoal do tradutor. Embora as traduções bíblicas guardem uma semelhança geral entre si, elas diferem em certos pontos-chaves nos quais a permissividade da gramática concede aos tradutores liberdade para selecionar as palavras mais condizentes com suas convicções. Isso pode dar origem a traduções sectárias: versões para trinitaristas, versões para unitaristas, versões para adeptos do judaísmo e assim por diante. Com efeito, a história nos tem mostrado que algumas versões da Bíblia foram elaboradas, não em razão de mudanças de língua ou em nome da erudição acadêmica, mas para fazer crer que as escrituras apóiam esta ou aquela ideologia. Um exemplo alarmante é o do ex-padre Católico convertido ao espiritismo, Johannes Greber, mencionado em A Sentinela de 1/10/1956. De acordo com o artigo, o Sr. Greber considerava a Bíblia "o mais destacado livro espírita" e, ao elaborar um tradução do Novo Testamento, esforçou-se ao máximo para que este "soasse bem espírita"! Ora, em que se apoiaria o autor para dar esta roupagem às Escrituras Sagradas, senão nos interstícios da gramática - manipulada com um fim pré-concebido? Ainda assim, a própria Sociedade lançou mão, anos mais tarde, desta mesmíssima tradução, como fonte de apoio para sua forma de verter o texto de João 1: 1 (livro Ajuda, p. 1245). É um quadro, deveras, inquietante. Outro exemplo, a Emphatic Diaglott - uma versão recomendada pela Sociedade Torre de Vigia -, é da autoria de um Cristadelfiano, Benjamin Wilson. Os Cristadelfianos são um movimento religioso cujas crenças assemelham-se bastante às das Testemunhas de Jeová. Temos aqui aquilo que se chama preconceito positivo, ou seja, a tendência de se aceitar facilmente as idéias provenientes de uma fonte com a qual se tem afinidade ideológica. Por outro lado, os grupos evangélicos dificilmente endossariam a tradução das Testemunhas de Jeová, tendo escrúpulos até mesmo quanto a usá-la em sua leitura pessoal - no seu todo ou em parte. Neste caso, manifesta-se o preconceito negativo - rejeitam-se a priori as idéias oriundas de uma fonte considerada não idônea. Entretanto, a Bíblia é um único livro! Acrescentamos, ainda, um aspecto revelador. A Tradução Interlinear do Reino, de acordo com a Sociedade, serviu de base para a TNM. Todavia, os dois compêndios apresentam um notável contraste na diversidade de formas pela qual traduzir uma palavra específica - Kyrios. Ela acontece 714 vezes no Novo Testamento. Transportá-la para outra língua, no entanto, não parece uma tarefa simples. Eis um resumo das ocorrências da palavra Kyrios e de suas diversas traduções. * Tradução Interlinear - 651 vezes como "Senhor" - 62 vezes como "senhor" ou "senhores" - 1 vez como "Senhores" * TNM - 406 vezes como "Senhor"23 de 37 18-09-2012 22:44

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