Bolha de carvão chinesa

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Bolha de carvão chinesa

  1. 1. Blog Qual Caminho Seguir? A Bolha de Carvão Chinesa… e como ela esvaziará os esforços americanos para produzir “carvão limpo” Por Richard Heinberg A ideia generalizada nos círculos ligados ao setor de energia e meio-ambiente é a de que a economia chinesa, que cresce à razão de oito por cento ou mais por ano, é hoje alimentada em sua maior parte pelo carvão e continuará assim durante as décadas que virão. O carvão é barato e abundante, e a China o utiliza muito mais do que qualquer outra nação. O país está tentando desenvolver rapidamente outras fontes de energia – incluindo a nuclear, a solar e a eólica – mas estas não serão suficientes para reduzir sua dependência do carvão. Isto é uma das razões pelas quais é importante que os EUA desenvolvam a tecnologia do “carvão limpo”, que a China poderá adotar para reduzir os terríveis impactos causados no clima pela energia gerada na maior parte pelo carvão. Essa ideia está correta em sua maior parte, mas há algo nela que está visivelmente errado – na verdade tão errado que os especialistas em políticas ambientais, econômicas e energéticas estão delineando cenários para o futuro dos Estados Unidos, da energia mundial, e da economia global, que apresentam pouca ou nenhuma semelhança com a realidade que se está revelando. Vamos ver se podemos separar o que está certo do que está errado e, também, ver se isto pode nos ajudar a ter uma noção mais exata de para onde a China e o resto do mundo estão realmente indo. Trem Descarrilhado É verdade, é claro, que o consumo de carvão da China é enorme e está em crescimento, e que o carvão é a base da economia chinesa, sendo responsável por mais de 80% da geração de eletricidade. A produção chinesa de carvão cresceu surpreendentemente 28,1 por cento entre o primeiro trimestre de 2.009 e o primeiro trimestre de 2.010, chegando a mais de 750 milhões de toneladas métricas consumidas apenas nos últimos três meses. Porém, isso é uma situação obviamente insustentável – não apenas por causa das emissões de carbono que acarreta, mas porque a China simplesmente não tem carvão suficiente para suportar por mais tempo o crescimento do consumo. Vamos começar pelas estatísticas e usar uma matemática simples. A China está atualmente extraindo e queimando mais de três bilhões de toneladas de carvão por ano. Se seu consumo de carvão crescer, digamos, a sete por cento ao ano, isto significa que dobrará em dez anos (a taxa anual de crescimento era na verdade de mais que nove por cento nos últimos um ou dois anos, acarretando uma duplicação a cada oito anos – mas vamos ser conservadores e imaginar um crescimento de sete por cento). Nesse caso, até 2.020, a China estaria usando cerca de seis bilhões de toneladas ao ano. É preciso refletir um pouco para aceitar a enormidade destes números. Em 2.000, o consumo de carvão pela China era apenas levemente maior que o dos EUA. Hoje, uma década depois, ele é três vezes o consumo dos Estados Unidos. (É preciso notar que os Estados Unidos têm o dobro das reservas
  2. 2. 2chinesas de carvão). Some agora níveis nunca vistos de consumo a taxas violentas de crescimento evocê chegará rapidamente ao absurdo e à impossibilidade. Não vai dar certo. As rodas do vagão sesoltarão antes.Há LimitesPara minerar e usar carvão é preciso ter infraestrutura. Trilhos e vagões, além de caminhões e estradas,são necessários para transportar o carvão das minas às usinas de energia. Depois, há as minas em si,assim como as câmaras de combustão e turbinas que realmente produzem a eletricidade. (Neste artigonão faremos maiores considerações sobre a importância vital do carvão para indústria de aço chinesa,nem sobre a necessidade do aço para a indústria e para o crescimento econômico em geral).A China está construindo tudo isto em um ritmo frenético – mas a matemática inexorável docrescimento exponencial está começando a funcionar. Em termos práticos, é relativamente fácil dobrarpequenos níveis de produção e consumo, mas, à medida que as quantidades aumentam, crescem asdificuldades. A China conseguiu, na década passada, realizar uma admirável façanha, adicionandoquase dois bilhões de toneladas por ano à produção, à capacidade de consumo e à infraestrutura detransporte de carvão. Adicionar mais três bilhões de toneladas de capacidade por ano durante a próximadécada seria, digamos, uma façanha duas vezes maior. Imagine construir uma infraestrutura paramineração e transporte três vezes maior que todas as indústrias americanas de ferrovia e de carvão emapenas dez anos. É isso o que a China terá que fazer para manter taxas de crescimento de sete porcento.Para consumir carvão é necessário dispor de outros recursos: a água é de importância crucial paramover usinas que usam carvão para gerar energia. Uma usina normal produzindo 500 megawatts apartir do carvão usa cerca de 2,2 bilhões de galões(*) de água por ano para produzir o vapor quemovimentará suas turbinas - água suficiente para sustentar uma cidade de 250.000 pessoas. Secasrecentes arruinaram grandes áreas na China, paralisando represas hidroelétricas e aumentando ademanda pelo carvão. Se as secas voltarem a ocorrer e piorarem (como sugere o cenário da mudançaclimática), em algum momento as usinas nucleares e hidroelétricas serão obrigadas a parar,ocasionando o mesmo tipo de problema de abastecimento de energia elétrica que já está atormentandoo Paquistão e dezenas de outras nações, onde as luzes ficam apagadas por horas diariamente, mesmonas grandes cidades.E assim, em parte por causa desses fatores, mas principalmente porque a maioria das estradas, shoppingcenters e equipamentos que o povo chinês provavelmente necessitará já foram construídos, a China estáentrando em um período caracterizado pelo que é chamado de “efeitos de saturação”, que trará umasignificativa desaceleração dos principais setores da economia consumidores de energia industrial. Aexpansão da infraestrutura chinesa, que tanto impulsionou o crescimento da demanda energética nadécada passada atingiu provavelmente seu pico, e o crescimento da demanda de cimento e açodiminuirá em breve. O pacote nacional de estímulos, representando 40% do PIB, prolongou a festa,mas estará esgotado ao redor do próximo ano e provavelmente não poderá ser repetido.Mas isto ainda deixa no ar uma questão latente: pode a indústria chinesa de carvão continuar a suprir ademanda doméstica mesmo com modestas taxas de crescimento, caindo talvez para algo como dois porcento ao ano?Se Não Está Aí, Você Não Pode Queimá-loDe acordo com o Instituto Mundial do Carvão, as reservas chinesas totalizam mais de 110 bilhões detoneladas. Isto é quase a quantidade necessária para 37 anos, mantidas as taxas atuais de consumo (isto
  3. 3. 3é, três bilhões de toneladas por ano). Porém, acreditar que a China não terá problemas de suprimento decarvão até que se passem 37 anos, é acreditar também em dois absurdos: que a demanda, produção econsumo de carvão da China permanecerá constante; e que, depois de manter uma taxa constante deextração e consumo por 37 anos, a China descobrirá um dia, repentinamente, que seu carvão acabou.Na realidade, acredita-se que a demanda por carvão chinesa cresça. Adicionando-se à previsão dez porcento de crescimento anual de consumo, teríamos como resultado apenas 16 anos de duração dasreservas. Embora uma taxa constante de crescimento dessa magnitude seja extremamente improvável,vale a pena não esquecer esse fato.Na realidade, curvas de produção mapeadas ao longo do tempo assumem a forma de um sinodistorcido, começando em zero e terminando em zero, apresentando um pico em algum lugar no meio.Sabemos que isto é verdade no caso da extração do carvão porque várias regiões no mundo já tiveramum pico e um declínio substancial nas taxas de extração e, até agora, nenhuma região conseguiu manterum ritmo alto e constante de produção (ou uma taxa de produção crescente) até o momento em que,subitamente, as reservas terminem. Isto significa que a produção chinesa de carvão atingirá o pico ecomeçará a declinar muito mais cedo do que as relações ente reservas e produção possam sugerir (37anos para taxas constantes ou 16 para taxas com dez por cento de crescimento anual).A China poderia aumentar suas reservas de carvão? Em princípio, sim. Reservas são definidas como aparte do total de carvão que os geólogos acreditam poder ser extraída economicamente. Novastecnologias de extração e preços mais altos para o carvão poderiam modificar estas estimativas.Contudo, a tendência global dominante é rebaixar reservas à categoria de meros recursos quando osgeólogos levam em consideração mais restrições para determinar a quantidade de carvão que é possívelextrair - restrições como localização, profundidade, espessura dos estratos e qualidade do carvão. É estatendência global que faz com que alguns analistas duvidem dos números oficiais chineses, de 187bilhões de toneladas de reservas (quantidade notavelmente mais alta do que as estimativas publicadaspelo Conselho Mundial de Energia, pelo Instituto Mundial do Carvão e outros): o carvão certamenteestá lá, mas – como a maioria do carvão no mundo todo – a maior parte dele está provavelmentedestinada a permanecer no lugar em que está.Em meu livro de 2.009, Blackout: Coal, Climate and the Last Energy Crisis (Blecaute: Carvão, Climae a Última Crise de Energia), analisei quatros estudos que projetavam a data da ocorrência do pico daprodução de carvão na China. Em um dos extremos, um estudo de 2.006, do Grupo de Vigilância daEnergia da Alemanha, usou a estimativa de 62,2 bilhões de toneladas de reservas para projetar um picode produção em 2.015, com um rápido declínio da produção começando em 2020. No outro extremo,um estudo de 2.007, publicada no Energy Policy (Política Energética) pelos acadêmicos chineses Tao eLi, usando o número oficial do governo chinês de 187 bilhões de toneladas, chegou a um picoocorrendo entre 2.025 e 2.032.Nenhuma destas projeções previu o rápido crescimento da produção chinesa de carvão que de fatoocorreu nos últimos anos. Este erro de prognóstico poderia ser interpretado de duas maneiras,sugerindo que: ou as reservas chinesas são maiores do que foi anteriormente estimado, permitindoassim manter altas taxas sustentadas de extração, ou os funcionários governamentais chineses, parasustentar o crescimento econômico, forçaram os ritmos de extração ao nível máximo mais cedo do quese esperava, antecipando assim o pico de produção – que poderia, portanto, possivelmente ocorrerainda antes da data mais próxima prevista (2.015).
  4. 4. 4Sem AlternativasCrescimento econômico requer energia, e a China precisa do crescimento econômico para manter aestabilidade política nacional e a competitividade internacional. Se não houver suficiente carvão parasustentar o crescimento energético do país, outras opções precisam ser consideradas.A China está desenvolvendo fontes alternativas de energia; será que elas poderão entrar emfuncionamento em tempo para fazer uma diferença? Vamos trabalhar alguns números. O objetivo daChina é alcançar 100 gigawatts (GW) de capacidade de energia eólica até 2.020 e os líderes da naçãoplanejam expandir a capacidade instalada de energia solar para 20 GW no mesmo período. Sãoobjetivos verdadeiramente inacreditáveis, e se a China chegar pelo menos perto de atingi-los, terá setornado o líder mundial em energia renovável. Contudo, há um problema: a capacidade total chinesa degeração de eletricidade é atualmente de 900 GW; com um crescimento de sete por cento, a demandanacional de eletricidade em 2.020 será algo em torno de 1.800 GW. A energia eólica e solar juntasforneceriam menos que sete por cento desse total. A única coisa que poderia melhorar bastante estepercentual seria uma dramática redução no crescimento da demanda energética para, digamos, dois porcento anuais.A situação com a energia nuclear é semelhante: a China tem hoje 11 usinas nucleares e está noprocesso de construção de mais 20, com o objetivo de alcançar a capacidade de gerar 60 GW, oupossivelmente mais, até 2.010. Porém, isto fornecerá apenas de três a cinco por cento da demanda totalde eletricidade, dependendo das taxas de crescimento da demanda de energia.A conclusão é preocupante, mas inevitável: a dependência chinesa do carvão não pode ser reduzidasignificativamente enquanto a demanda pela energia elétrica continuar a crescer a taxas semelhantes àsatuais. E ainda que o crescimento da demanda energética diminua e fontes alternativas de energiacomecem a operar rapidamente, a capacidade do país para suprir a necessidade nacional de carvãocontinuará sendo posta à prova.Importações Não Podem Compensar a DiferençaAté recentemente, a China tem sido autossuficiente em carvão (importando carvão, mas exportando amesma quantidade ou até mais), mas problemas de suprimento nos últimos anos levaram aocrescimento das importações e à redução das exportações. Se as minas chinesas não podem maisatender a demanda nacional, por que não expandir as importações ainda mais para compensar adiferença?A China importará 150 milhões de toneladas (Mt) de carvão neste ano, o dobro do que importou no anopassado. Não é muito, se pensarmos neste valor como um percentual do total de consumo nacional decarvão. Mas, esses 150 milhões de toneladas representam mais de 60 por cento da exportação total daAustrália, maior exportador mundial de carvão. Isto significa que se a China dobrar novamente asimportações no próximo ano – o que não é impossível - ela terá necessidade de importar mais carvãodo que a Austrália pode atualmente fornecer. Com uma duplicação a mais na demanda por importação,a China vai precisar de 600 milhões de toneladas ao ano, o que se aproxima da quantidade total decarvão que foi exportada por todas as nações exportadoras no ano passado.A Austrália pode aumentar a produção de carvão? Sim, pode e sem dúvida o fará. Da mesma forma quea Indonésia e a África do Sul. Mas haverá capacidade, em algum desses países ou em todos eles juntos,para aumentar as exportações com a rapidez necessária para fazer frente à demanda chinesa? Mais umavez, a expansão será limitada pelas necessidades de infraestrutura – navios, portos, trens e linhasferroviárias. Leva tempo para construir tudo isso. Nas últimas décadas do século XXI a Austrália
  5. 5. 5poderia chegar a ser o maior produtor mundial de carvão, ainda que suas reservas sejam menores doque as dos Estados Unidos, da China ou da Índia. (Como isso seria possível? Isso poderia simplesmenteacontecer se as citadas nações engolirem rápida e imediatamente suas próprias reservas; a Austrália, atéesse momento, tem sido um produtor um pouco menos importante). Mas isto trará pouco benefício àChina na próxima década, caso sua produção de carvão doméstica atinja o pico e entre em um declínioacentuado.A crescente dependência chinesa da importação de carvão não é uma boa notícia para a Índia, a Europae outros importadores de carvão. A Índia queima 500 milhões de toneladas por ano e está enfrentandoproblemas crescentes em sua indústria mineradora. A solução parece ser, evidentemente, importar maiscarvão. A Índia quer que sua economia cresça sete por cento anualmente, exatamente como a Chinaestá fazendo, e a economia da Índia é exatamente tão dependente do carvão quanto a chinesa.Até recentemente, o carvão era um recurso usado na maior parte das vezes no próprio país de origem.O carvão comercializado internacionalmente era uma pequena percentagem do total do consumomundial – uma situação bem diferente da do petróleo, do qual a metade é exportada pelo país deorigem. Entretanto, há uma tendência crescente para o desenvolvimento de um mercado integradomundial de carvão – e parece que essa tendência está prestes a entrar em marcha acelerada.Isto significa que, se a demanda por carvão importado da China e da Índia empurrar os preços domercado exportador de carvão para cima (como é quase certo que venha a acontecer e, provavelmente,com uma força considerável), o preço do carvão subirá em todos os lugares – inclusive nos países quesão autossuficientes neste recurso. Afinal, se uma empresa mineradora americana puder conseguir odobro do preço para seu produto vendendo-o no exterior, em vez de vendê-lo dentro do próprio país,ela não vai optar por exportá-lo? A menos que os governos estabeleçam restrições às exportação oulimites para os preços nacionais, o preço internacional do carvão exportado acabará sendo o preçointerno praticado por todos os países.Se os preços do carvão subirem muito, causarão queda na demanda, pois os potenciais compradores decarvão escolherão outras fontes de energia ou simplesmente não comprarão nada. Como resultado,teremos nos preços do carvão a mesma espécie de volatibilidade que vimos acontecer com os preços dopetróleo nos últimos anos. Esta volatibilidade nos preços minará os mercados de energia em geral, e asnações mais pobres que se utilizam do carvão não terão recursos para acompanhar o mercado.Consequências para os Estados Unidos: Esqueçam o “Carvão Limpo”O que tem isso tudo a ver com a tecnologia do “carvão limpo”?Também conhecido como Captura e Armazenamento de Carbono (CAC), o “carvão limpo” éconsiderado como a solução para um dos maiores quebra-cabeças que a civilização industrial estáenfrentando no século XXI: como reduzir a emissão de gases do efeito estufa, evitando assimmudanças catastróficas no clima, mantendo ao mesmo tempo o crescimento dos suprimentos de energiae, portanto, da atividade econômica. Já que nenhuma autoridade pode aparentemente imaginar comomanter o crescimento econômico deixando o carvão fora da equação energética mundial, e já que quasetodos imaginam que o carvão continuará barato e abundante por um longo tempo dentro do futuroprevisível, a resposta óbvia para o dilema é encontrar uma maneira de continuar a queimar quantidadescrescentes de carvão evitando que o CO2 resultante vá para a atmosfera.Sabemos que isso pode ser feito – em uma pequena escala. Todos os componentes da tecnologia jáestão operando em vários projetos-piloto. Companhias petrolíferas já injetam dióxido de carbono nos
  6. 6. 6poços de petróleo para aumentar a produção. Oleodutos, compressores e bombas – nenhum destesequipamentos requer física quântica.Há dois empecilhos: dificuldade para ampliar esse projeto e seu impacto no preço da eletricidade.Como muitos analistas comentaram, o simples tamanho da operação proposta - se colocada em práticaapenas nos EUA, sem incluir o mundo inteiro – será estonteante. E os custos de todos esses oleodutos,bombas, compressores e novas usinas de gaseificação do carvão (que são necessárias porque érealmente difícil e caro adicionar o CAC às termelétricas atuais que queimam carvão pulverizado)seriam acrescentados rápida e abruptamente. Todos os especialistas em energia concordam que issoelevará o preço da eletricidade.Mesmo assim, o esquema pode funcionar razoavelmente bem – enquanto o preço do carvão permanecerconstante.Entretanto, adicione preços do carvão muito mais altos à equação e o resultado obtido serão custos deeletricidade que reduzirão o crescimento econômico, tornarão outras fontes de energiacomparativamente mais viáveis economicamente – ou ambas as coisas. Conclusão: a hora do “carvãolimpo” não chegará nunca.Há outras razões para acreditar que o preço do carvão nos Estados Unidos aumentará daqui a mais oumenos uma década. As estimativas oficiais das reservas americanas de carvão estão provavelmenteinfladas e problemas no suprimento doméstico poderiam começar a aparecer mais cedo do que amaioria dos analistas de energia está disposta a admitir. Além disso, se a produção mundial de petróleocomeçar logo a declinar (de acordo com as previsões de um número cada vez maior de analistas), ainfraestrutura do transporte de carvão americana poderia começar a claudicar por causa dos preços maisaltos do diesel, uma vez que os custos com o transporte com frequência correspondem à parte do leãono preço do carvão entregue. Mas mesmo se ignorarmos esses limites sistêmicos assustadores econsiderarmos somente as implicações do crescimento da demanda chinesa por carvão importado, éclaro que o preço do carvão nos Estados Unidos não fará outra coisa senão subir. A única probabilidadede evitar isso seria um colapso econômico na China – e no mundo.China: Levando a Economia Global… para o FossoAlguns analistas estão preocupados com a economia chinesa por razões que nada têm a ver com ocarvão. O melhor exemplo: parece que Pequim está tendo um problema com uma excessivadependência da expansão imobiliária como motor do crescimento econômico nacional. Uma daspessoas que está alertando para o problema é o administrador de fundos de cobertura James Chanos,fundador da empresa Kynikos Associates Ltd.; segundo ele, a China está “à beira do abismo” ecorresponde a “mil vezes Dubai”. Ele também foi citado dizendo que “eles não podem se dar ao luxode se livrar do vício da expansão imobiliária. É a única coisa que mantém os dados ... econômicos emcrescimento”.Se bolha imobiliária da China estourar, pode fazer com que sua economia entre em colapso rápida eimediatamente. Mas isso é essencialmente um problema de dinheiro, e o dinheiro é uma criação damente humana. Moedas nacionais podem ser reformadas; sistemas bancários podem ser reorganizados.Estas coisas são dolorosas e levam tempo, mas são certamente possíveis – e os exemplos históricos sãoinúmeros.Com a energia o assunto é diferente. Sem energia, nada acontece. Os sistemas de transporte sãointerrompidos, a construção civil e a indústria param. As luzes são apagadas. Não é possível obterenergia do nada, nem criá-la usando as teclas do computador, como os banqueiros podem fazer com o
  7. 7. 7dinheiro. Para gerar eletricidade são necessários recursos físicos, infraestrutura e trabalho. Portanto,existem limites naturais para a quantidade de energia que podemos mobilizar a qualquer momento paraatender nossos objetivos.A China tornou-se uma grande força industrial principalmente por ter sido capaz de aumentar seufornecimento de energia de maneira rápida e barata. Portanto, a contribuição chinesa à economiamundial é, neste contexto, uma função da contribuição chinesa à energia mundial. Um sinal importantedesta ligação é o fato de que a produção de carvão chinesa representa mais do que o dobro daquantidade de energia com a qual a produção de petróleo da Arábia Saudita contribui para a economiamundial (1.100 milhões de toneladas de equivalentes de petróleo contra 540 toneladas de equivalentesde petróleo).Se a China enfrenta sérios limites de energia, isto significa que sua economia está vivendo umasituação precária. Isto também significa que o mundo, como um todo, está enfrentando restriçõesenergéticas e econômicas que são mais rigorosas e estão mais próximas do que se diz.Criando Bolhas Para Sempre?Carvão com preços altos e “carvão limpo” não se misturam. A insaciável fome chinesa por mais carvãofará o preço do carvão subir pelo mundo todo. A China não pode manter sua expansão industrialmovida a carvão por muito mais tempo, e a economia mundial não pode acelerar sem o motor chinês. Aevidência destes fatos não poderia ser mais clara: os números que analisamos não são discutíveis e amatemática do crescimento composto constante é fácil. Entretanto, nenhuma destas realidades entrouem nosso discurso público. O fato em si é realmente peculiar e perturbador. Estamos participando deum acidente de trem em câmera lenta, e só conseguimos discutir sobre a qualidade da refeição no carrorestaurante.Talvez isto aconteça porque, para reconhecer o desastre do trem, precisaríamos enfrentar uma série decontradições no núcleo do projeto industrial moderno todo. Sem carvão limpo, não há solução para acrise climática – a menos que estejamos dispostos a desistir do crescimento econômico. Porém, ocrescimento futuro pode ser inatingível em todo caso, uma vez que o mundo aproxima-se do limite dosrecursos fundamentais. Ninguém quer pensar sobre essas coisas, e muito menos falar sobre elas. Nemos líderes chineses, nem os economistas de outros países, nem muitos ambientalistas, nem políticos enem jornalistas.Mas não podemos desejar que esses limites desapareçam por mágica. Coisas impossíveis (comocrescimento econômico infinito) não acontecem só porque as pessoas querem que elas aconteçam. Ecoisas terríveis (como o desastre do trem chinês), não serão evitadas só porque reconhecer que elasexistem nos causa mal-estar.Há, evidentemente, medidas que poderiam ser tomadas pelo governo chinês – e, na verdade, por todosnós – para melhorar a situação. Deveríamos desenvolver e empregar energia renovável o maisrapidamente possível, dando-lhe a mesma prioridade e dedicação dos tempos de guerra. E deveríamosfazer planos para o fim do crescimento, na verdade para a retração econômica. Estas coisas serãodifíceis, mas não há como evitá-las. Porém, em princípio, são possíveis. Mas, certamente fracassaremosse continuarmos a nos negar a reconhecer a realidade e sem pelo menos nos esforçarmos.A bolha econômica da China, de certa maneira, representa um microcosmo de todo o período industrial– ele próprio uma era relativamente breve de urbanização, expansão movida à combustão de fósseis,inovação tecnológica, e explosão de consumo jamais vista. A China precisou de apenas três décadas
  8. 8. 8para realizar o que outras nações fizeram ao longo de alguns séculos. Isto sugere que, no caso dessepaís, a implosão virá igualmente de maneira rápida.Tudo isso é um espetáculo notável. Sente confortavelmente, assista e maravilhe-se se você quiser. Massaiba de uma coisa: a menos que todos acordem, puxem os freios deste trem descarrilhado (e aqui nãoestou falando somente da China), e comecem a discutir como iremos nos ajustar ao fim do crescimentoeconômico, como o conhecemos e da maneira como o definimos, nada disto terminará bem.(*) Um galão americano corresponde a aproximadamente 3.79 litros. Tradução R. Seelaender Blog Qual Caminho Seguir?

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