Guia de como elaborar um projeto para documentario

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Guia de como elaborar um projeto para documentario

  1. 1. Guia de como elaborar um Projeto de Documentário*Prof. Dr. Cássio TomaimDepartamento de Ciências da ComunicaçãoUniversidade Federal de Santa Maria (UFSM)/CesnorsEste guia foi pensado exclusivamente para atender às necessidades dadisciplina Laboratório de Telejornalismo III, do curso de Jornalismo daUniversidade Federal de Santa Maria (UFSM/Cesnors), que tem como objetivo arealização de um vídeo documentário.IntroduçãoQualquer projeto de documentário começa com uma boa e ampla pesquisasobre o assunto a ser abordado. As idéias para um documentário só começam aganhar corpo quando são colocadas no papel. Por isto a importância dodocumentarista elaborar com cuidado o seu projeto, pois é nele que toda aequipe irá se apoiar na hora da produção. É nele que estarão informaçõessobre a idéia do vídeo, como iremos usar a(s) câmera(s) e equipamentos emgeral, quem são nossos personagens sociais, o que eles têm a ver com ahistória que iremos contar, como pretendemos nos relacionar com estespersonagens etc. Por fim, são estas e outras tantas questões que irão nosajudar a formatar o nosso documentário.Projetando um documentárioEntão, um projeto de documentário deve conter os seguintes itens:1. SinopseDeve ser descrita a idéia original do vídeo, aquela que irá ser traduzida em umprojeto audiovisual. Do que se trata o documentário? O que será abordado?Veja que a preocupação é descrever do que se trata o documentário e nãocomo será abordado pelo diretor. Isto é em outro item. Por exemplo, o filmeTiros em Columbine , de Michael Moore, retrata o fascínio que os norte-americanos têm por armas de fogo, tendo como gancho o atentado no colégio* Este Guia foi inspirado nas orientações para submissão de projetos de documentários doseditais do DOCTV.
  2. 2. Columbine em que dois adolescentes assassinaram 14 estudantes e umprofessor. No máximo 6 linhas.2. ArgumentoÉ a apresentação da temática que será tratada no documentário. É o espaçoque o roteirista tem para apresentar os principais dados levantados pelapesquisa em relação ao tema proposto. É a hora de defender a idéia dodocumentário, dar argumentos (históricos, sociais, econômicos, culturais,políticos etc) que justifiquem a importância de transformar aquele tema em umproduto audiovisual. No máximo 1 página.3. A PropostaDescrever a proposta formal do vídeo. Que documentário estamos propondo?Veja que não se trata de apresentar o tema ou a sua importância, isto já foifeito nos itens anteriores, é preciso que agora o roteirista trabalhe a idéia dodocumentário. A quê este documentário se pretende? Quais os objetivos comeste documentário em relação à temática abordada? Mostrar, discutir, debater,focalizar, explorar, promover, questionar, etc. são algumas das palavras-chavesque nos ajudam na hora de escrever a proposta. Sempre existe um por quêem fazer um documentário. Qual é o seu? Em geral, o que motiva umdocumentarista é a oportunidade de conhecer, de ter um contato com umarealidade diferente da sua. É deste contato com o outro que nasce odocumentário. Então, cabe ao roteirista traduzir as intenções do diretor com arealização do documentário. No máximo 1 página.Para exemplificar podemos citar o filme Babilônia 2000, de Eduardo Coutinho. Odiretor e sua equipe sobem o morro Babilônia, no Rio de Janeiro, com aproposta de registrar o cotidiano de alguns moradores do local na véspera davirada do ano 1999/2000. O documentário procura mostrar que, apesardaquelas pessoas humildes se envolverem com o festejo da virada do século,este rito de passagem muda muito pouco a vida delas. O filme busca umaresposta a pergunta: o que estas pessoas podem esperar do novo século quese inicia?Neste item, o roteirista pode apontar documentários ou outras referências quese assemelham a proposta evidenciada.4. Descrição do(s) Objeto(s)Se fazer documentário é objetivar a realidade, isto nos leva a definir qual(is)o(s) nosso(s) objeto(s) que merece(m) ser retratado(s). Neste caso, os objetospara um documentário podem ser personagens sociais, materiais de arquivo,manifestações da natureza e etc. Entretanto, é preciso que fique claro ao
  3. 3. documentarista que nem sempre ao lidar com seus objetos implica em um grauzero de subjetividade, pelo contrário, pois o próprio fazer cinematográficoimplica na existência de um sujeito-da-câmera, em um olhar subjetivo diante darealidade. Até mesmo lidando apenas com materiais de arquivo, na hora daseleção e montagem o olhar subjetivo prevalece, uma vez que o documentárioé uma obra criativa, inventiva e interpretativa da realidade que sempre irápressupor um sujeito.Neste sentido, é preciso que o roteirista descreva o(s) seu(s) objeto(s).Procurar evidenciar quem são, qual a importância destes para o filme, qual arelação destes com a temática. No máximo 5 linhas para cada objetoapontado.No entanto, é preciso que se saiba que os personagens apontados devem seraqueles que aceitaram participar do filme em um acordo firmado com a equipede produção do documentário na época da pesquisa. Se caso o documentáriofor baseado em “povo-fala” não haverá como descrever cada personagem, cabeao roteirista apenas apontar o lugar onde será realizado o “povo-fala” e quetipos de personagens sociais serão priorizados.5. AbordagemTrata-se de apresentar o como do documentário. Escolhido(s) o(s) objeto(s) épreciso agora definir de maneira clara, dentro da proposta fílmica, como odocumentarista irá se relacionar com cada um deles. É ideal que se comeceesclarecendo que tipo de documentário será realizado: objetivo, poético,participativo, observativo etc. Isto diz muito em relação à postura que irá seradotada pelo documentarista e sua equipe. Por exemplo, se o filme terá umaabordagem observativa, aos moldes do cinema direto, implica que o diretor esua equipe (em geral, reduzida) irão procurar observar os personagens seminterferirem na realidade; com uma “câmera na mão” (ou no ombro) osrealizadores buscarão ser incorporados no cotidiano dos personagens para queeste seja capturado com mais naturalidade.É aqui o espaço para o roteirista descrever sobre as modalidades deentrevistas, as modalidades de comportamento da câmera com os personagenssociais, as intervenções do diretor (se houver), como se dará as reconstituiçõesficcionais (com uso de personagens sociais ou atores profissionais?), se fará usode voz-over (ou OFF), como serão utilizados os materiais de arquivos (sonoros,iconográficos ou audiovisuais).Para cada estratégia de abordagem do documentário é necessário umajustificativa coerente com a proposta apresentada. Por exemplo, se for utilizarum determinado depoimento de um dos personagens sociais em um estúdiopara distingui-lo dos demais que foram captados em externas (ruas, praças etc)é preciso que fique claro os motivos disto, quais as intenções desta escolha.
  4. 4. Para cada apresentação e justificativa das abordagens no máximo 15linhas.6. EstruturaQuando se produz um documentário, depois de superadas as fases de pesquisae planejamento, é preciso que o diretor e a equipe sejam capazes de visualizaro filme. Que todos tenham em mente o documentário decupado em suasdiversas sequências. Para tal, se faz necessário que no projeto sejaapresentado uma estrutura do filme. Não se trata do roteiro finalizado, isto éuma outra etapa. O que se pretende é que, a partir das estratégias deabordagem do documentário, o roteirista seja capaz de criar uma linhaestrutural para o filme. Por exemplo: a nossa história começa com cenas deuma câmera de vigilância que registra a entrada de uma equipe de filmagem noprédio; corta para cenas desta equipe entrando em um elevador; cena daprodutora batendo em uma porta de um dos apartamentos; corta para cenasde depoimentos de alguns moradores que falam sobre o passado do EdifícioMaster. É mais ou menos assim a estrutura inicial do documentário EdifícioMaster de Eduardo Coutinho.7. Cronograma de ProduçãoPor fim, todo projeto de documentário necessita de um cronograma deprodução para que seja garantido que todas as etapas serão cumpridas. Istodemonstra que o planejamento é uma tarefa imprescindível na realização deum produto audiovisual. Deve-se incluir neste cronograma (quando houver):captação de internas e externas, captação de depoimentos, gravação delocução, edição, confecção de arte final (desenhos, animações, vinhetas) etrilhas sonoras ou músicas, etc.No caso dos projetos de documentários da disciplina Laboratório deTelejornalismo III, a finalização do vídeo e a entrega em suporte DVD devemestar condicionadas ao cronograma da disciplina, apresentado pelo professor.

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