Deus como mercadoria na era digital

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Deus como mercadoria na era digital

  1. 1. Comunicação, Mercado e Religião Pe. Leomar Antônio Brustolin (PUCRS) Brasil
  2. 2. <ul><li>Até que ponto a comunicação religiosa veiculada na mídia, não reduz o anúncio da fé em marketing religioso? </li></ul>
  3. 3. <ul><li>mídia brasileira atual </li></ul><ul><li>a relação entre comunicação, mercado e religião, Teologia cristã contemporânea. </li></ul><ul><li>discutir os desafios e possibilidades que a mídia apresenta para a vivência da fé, especialmente a cristã. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>investigar a relação do sagrado experimentado, tradicionalmente, no espaço presencial com o sagrado reconstruído pela mídia moderna. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>A partir dos anos 1980 emerge a cultura das mídias, onde se associa tecnologias, equipamentos e as linguagens que permitem a escolha e o consumo mais personalizado e individualizado possível das mensagens, em oposição ao consumo massivo. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>é o ambiente natural das novas gerações. </li></ul><ul><li>interatividade, que possibilita superar uma relação de simples espectador ou ouvinte </li></ul><ul><li>profundo impacto sobre a vida das pessoas e da sociedade </li></ul>
  7. 7. <ul><li>inovação </li></ul><ul><li>transformação </li></ul><ul><li>interação </li></ul><ul><li>pluralidade de engajamentos </li></ul>
  8. 8. <ul><li>enfrenta a crise de suas estruturas de plausibilidade </li></ul><ul><li>foi tirada da religião a função de sustentar e explicar a realidade. </li></ul><ul><li>deixou de ser ordenadora do cosmos, vive-se num pluralismo no qual muitas instituições passam a explicar a realidade </li></ul>
  9. 9. <ul><li>A pluralidade marca o indivíduo em sua consciência. </li></ul><ul><li>A questão religiosa passa a ser opcional, de acordo com a preferência do indivíduo. </li></ul><ul><li>evidencia-se o desaparecimento das verdades de fé e o crescimento da emergência da subjetividade para normatizar a experiência religiosa que passa a ser privatizada. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>[...] o império do consumo e da comunicação gerou um indivíduo desinstitucionalizado e operacional, disposto, em todos os planos, a ter o direito de dirigir a si mesmo. [...] Os lugares tradicionais de sociabilidade (trabalho, Igreja, sindicatos, cafés) cedem, por toda parte, terreno ao universo privatizado do consumo de objetos, de imagens e de sons. </li></ul><ul><li>LIPOVETSKY, G. Metamorfoses da cultura liberal , p. 71. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>A procura da religião por: </li></ul><ul><li>cura, </li></ul><ul><li>conquista no amor, </li></ul><ul><li>negócios, </li></ul><ul><li>segurança, </li></ul><ul><li>ideal de viver sem angústia, </li></ul><ul><li>realização do seu ser profundo, </li></ul><ul><li>O fim último. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>A fé passou a ser transmitida e experimentada através das multimídias. </li></ul><ul><li>Não dá para subestimar e nem supervalorizar tais experiências. </li></ul><ul><li>Estamos diante de uma nova forma de vivência religiosa. </li></ul>
  13. 13. <ul><li>Os ritos religiosos são polissêmicos </li></ul><ul><li>linguagem simbólica não é linguagem literal </li></ul><ul><li>não está associada ao significado conceitual claro. </li></ul><ul><li>ritos e símbolos apelam para a experiência da pessoa como um todo: inteligência, vontade, emoção, valores e imaginação. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>A abertura dos ritos para a pluralidade de interpretações possibilita a vulnerabilidade. </li></ul><ul><li>Eles podem ser mal interpretados, reduzidos em seus significados e sujeitos a influências degeneradoras, manipuladas por ideologias. </li></ul><ul><li>Eles possibilitam, ou não ,o reconhecimento do mistério de forma existencial e experiencial. </li></ul>
  15. 15. <ul><li>É complexa, pois se afrontam fenômenos inapreensíveis, cuja conciliação não pode ser simplificada, pois correria numa redução medíocre, seja do sentido teológico do rito, seja pelo significado da comunicação. </li></ul>
  16. 16. <ul><li>Essas propõem novos modelos comunicativos que não se limitam à informação ou à argumentação, elas permitem uma performance quase ritual. </li></ul><ul><li>Há uma política de expansão fundada na idéia de que “nada, em nenhuma parte, deve permanecer secreto”. </li></ul>
  17. 17. <ul><li>Uma comunicação sem resíduos e nem segredos, totalmente transparente, acaba eliminando as diversificações, homologando tudo sob um critério único. </li></ul><ul><li>É justamente esse critério único da transparência que não tem consistência na comunicação religiosa. </li></ul><ul><li>O rito religioso tem um valor testemunhal que jamais é totalmente captado no processo comunicativo. </li></ul><ul><li>Há uma irredutibilidade que reflete o caráter inalienável do mistério que fundamenta o rito. </li></ul><ul><li>A comunicação ritual testemunha o que permanece escondido quando se discursa sobre o mistério. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Manipula-se o aspecto simbólico em vista do consumo e para fins próprios. </li></ul><ul><li>O problema: a mídia da era digital pode distorcer e manipular os conteúdos religiosos. </li></ul>
  19. 19. <ul><li>A linguagem religiosa muitas vezes assume a linguagem do espetáculo, para fazer aparecer o aspecto fantástico e capturar a atenção </li></ul><ul><li>Manipulam-se símbolos, pessoas e realidades religiosas de acordo com a expectativa do público. </li></ul><ul><li>Na relação com o mercado, o espetáculo é acentuado em detrimento da ética e dos princípios religiosos. </li></ul>
  20. 20. <ul><li>O marketing está relacionado com a ciência do vender, e para vender, o mercado procura seduzir, encantar, manipular os seus clientes. </li></ul><ul><li>a mídia da era digital pode distorcer e manipular os conteúdos religiosos. </li></ul>
  21. 21. <ul><li>O consumo evidencia a nossa incompletude, conforme Baudrillard, isso ocorre porque “o consumo se firma sobre uma falta que lhe é irreprimível” . </li></ul><ul><li>BAUDRILLARD, J. A Sociedade de Consumo, p. 42. </li></ul>
  22. 22. <ul><li>o desejo de consumo está relacionado à busca de completude no ser humano. </li></ul><ul><li>Numa sociedade que acabou com utopias e sonhos e transformou o desejo das pessoas em “sonhos de consumo”, como não associar consumo e religião? </li></ul>
  23. 23. <ul><li>Embora aparentemente ambíguos, o ser humano religioso e o consumista buscam a mesma realidade: a plenitude. </li></ul><ul><li>Quando se deseja o ilimitado não interessam os outros, a partilha e a ética. Nunca sobra nada para partilhar, sempre falta. </li></ul>
  24. 24. <ul><li>O religioso caminha em direção a um horizonte que dê sentido à existência apesar da dor e da morte. </li></ul><ul><li>O consumidor vive numa sociedade que mascara a morte e refuta a dor, por isso tende a preencher seus vazios comprando sua satisfação: carro, casa, tênis da moda, viagem... . </li></ul><ul><li>“ Na tradição religiosa a esperança vem acompanhada da fé, que é o fundamento da esperança. A esperança no mercado para solução dos nossos problemas exige, como seu fundamento, a fé no mercado ” . </li></ul><ul><li>Jung Mo Sung. Deus numa economia sem coração. , p.57. </li></ul>
  25. 25. <ul><li>Para atrair fiéis-clientes, muitos grupos religiosos passam a usar a lógica da economia de mercado. É bom recordar que o pluralismo é uma situação de mercado. </li></ul><ul><li>No cenário de pluralismo algumas tradições religiosas se transformam em empresas prestadoras de serviços religiosos, agências de mercado, e sofrem até a pressão por resultados que provoca a racionalização das estruturas que visam minimizar gastos, tempo e dinheiro. </li></ul>
  26. 26. <ul><li>pela demanda de mercado, pela preferência dos consumidores. </li></ul><ul><li>adaptados às diversas situações demandantes. </li></ul><ul><li>camuflagem das questões doutrinais da religião para ressaltar os aspectos pragmáticos. </li></ul><ul><li>Questões de moral e de dogma ficam quase diluídas em vantagens que o fiel-cliente recebe ao participar dos processos de troca (comércio) de bens simbólicos propostos. </li></ul>
  27. 27. <ul><li>A comunicação midiática e a tecnologia que lhe dá suporte nunca são neutras, mesmo que assim sejam consideradas. </li></ul><ul><li>A Mídia pode dirigir a opinião pública, convencer sobre verdades inexistentes, e fazer passar como um bem para todos o que na realidade é interesse pessoal ou de um grupo de poder. </li></ul><ul><li>A verdade fica sempre mais dependente do consenso ou do grau de visibilidade que os meios de comunicação imprimem. </li></ul>
  28. 28. <ul><li>(...) os meios realmente não são simples instrumentos neutros; eles são, ao mesmo tempo, meio e mensagem, portadores de uma nova cultura, que nasce antes mesmo dos conteúdos, do próprio fato de existir novos modos de comunicar, com novas linguagens, novas técnicas, novas atitudes psicológicas. </li></ul><ul><li>CONFERENZA EPISCOPALE ITALIANA. Comunicazione e Missione. Direttorio sulle Comunicazioni Sociali nella Missione della Chiesa, n. 4. </li></ul>
  29. 29. <ul><li>Para as promoções do mercado, o símbolo deve transmitir confiança, tornando o homo videns em homo consumericus . </li></ul><ul><li>Desta forma o símbolo publicitário relaciona um valor com um produto que, por sua vez, passa a adquirir uma valorização especial. </li></ul><ul><li>Não é uma ação simbólica, mas diabólica, pois divide o sujeito de si mesmo, porque de um lado lhe confere uma identidade fictícia, mas de outro lado lhe subtrai a identidade real. </li></ul><ul><li>Quanto mais consumidor, mais o sujeito se torna refém da linguagem simbólico-diabólica, e, portanto, perde sempre mais suas raízes e suas tradições. </li></ul><ul><li>O uso dos símbolos no marketing da fé destrói a transcendência de cada raiz e tradição, para reduzir tudo na perspectiva do consumo. </li></ul>
  30. 30. <ul><li>Será preciso vencer dois desafios que se impõem: a insuficiência do significante e a dissociação entre significante e significado. </li></ul><ul><li>No significante o ser humano não encontra a realidade concreta, sólida e consistente para apoiar sua contemplação e dirigir-se ao invisível. </li></ul><ul><li>A percepção muitas vezes fica reduzida a um mecanismo racional que vincula, necessariamente, um objeto e um conceito. </li></ul>
  31. 31. <ul><li>Em cada nova etapa da história, a Igreja, impulsionada pelo desejo de evangelizar, não tem senão uma preocupação: quem enviar para anunciar o mistério de Jesus? Em que linguagem anunciar esse mistério? Como conseguir que ressoe e chegue a todos os que devem escutar? </li></ul><ul><li>PAULO VI. Evangelii Nuntiandi , 22. </li></ul>
  32. 32. <ul><li>A grande questão que se impõe hoje não é como dizer as coisas, mas o que dizer! </li></ul><ul><li>Para o apóstolo Paulo a dificuldade era como chegar às pessoas e aos povos, porque ele sabia o que dizer. </li></ul><ul><li>Atualmente, o problema não é mais como chegar às pessoas, mas o que dizer para elas, porque se multiplicam os canais de comunicação e fragmentam-se os conteúdos. </li></ul><ul><li>Num mundo sempre mais rápido e sedento de imediatismo o conteúdo da comunicação também fica afetado. </li></ul>
  33. 33. <ul><li>Apesar da intensa visibilidade midiática da religião, associada ao marketing da fé, o resultado final do processo é um secularismo crescente, que consome utopias e transforma o sonho de um mundo melhor num paraíso a ser consumido. </li></ul><ul><li>A transcendência é experimentada mais como um produto de mercado. </li></ul><ul><li>Apropria-se da linguagem religiosa mas vive-se como se Deus não existisse. </li></ul><ul><li>Há um descompasso entre a estética religiosa e a ética no cotidiano, para a maioria dos crentes. </li></ul>
  34. 34. <ul><li>BAUDRILLARD, J. A Sociedade de Consumo. Rio de Janeiro: Elfos; Lisboa: Ed. Setenta, 1995. </li></ul><ul><li>BERGER, P. L. O Dossel Sagrado : elementos para uma teoria sociológica da religião . São Paulo: Paulus. 1985. </li></ul><ul><li>BRETON, Ph. L’utopia della comunicazzione: il mito del villaggio planetario . Torino: UTET, 1995. </li></ul><ul><li>CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra, 2000, p.436. </li></ul><ul><li>__________. Liturgia e Comunicação Social . São Paulo: Paulinas, 1988. </li></ul><ul><li>CONFERENZA EPISCOPALE ITALIANA. Comunicazione e Missione. Direttorio sulle Comunicazioni Sociali nella Missione della Chiesa. Città Del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2004. </li></ul><ul><li>LIPOVETSKY, Giles. Metamorfoses da cultura liberal: ética, mídia e empresa . Porto Alegre: Sulina, 2004. </li></ul><ul><li>__________. A felicidade Paradoxal . Ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo. Lisboa: Edições 2007. </li></ul><ul><li>MAZZA, Giuseppe, PEREGO, Giacomo. Bibbia e Comunicazione. Cinisello Balsamo: San Paolo, 2008. </li></ul><ul><li>MONDIN, Battista, A linguagem teológica: como falar de Deus hoje? São Paulo: Paulinas. </li></ul><ul><li>PAULO VI. Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi. Sobre a evangelização no mundo contemporâneo. São Paulo: Paulinas, 2001. </li></ul><ul><li>RAHNER, Karl. Messa e televisione in Missione e Grazia. Saggi di Teologia Pastorale. Roma: Paoline, 1964. </li></ul><ul><li>__________. Curso Fundamental da fé. Introdução ao conceito de cristianismo. SÃO Paulo: Paulus, 1989. </li></ul><ul><li>RICOEUR, Paul. La simbólica del mal . Madrid: Taurus, 1974. </li></ul><ul><li>RIFKIN, Jeremy. A era do acesso . São Paulo: Makron Books, 2001. </li></ul><ul><li>SANTAELLA, Lúcia. Linguagens Líquidas na era da mobilidade . São Paulo: Paulus, 2007. </li></ul><ul><li>SUNG, Jung Mo. Deus numa economia sem coração. Paulus, 3ª edição, 1992. </li></ul><ul><li>__________. Desejo, mercado e religião. Petrópolis: Vozes, 1998. </li></ul>
  35. 35. [email_address]

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