Fmm barcelos final bkz

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  1. 1. “Boluka Kua Zua” – O Nascer do Sol – Agosto a Dezembro 2010 - Moçambique“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (João 20:21).“Anunciar o evangelho é necessidade que se me impõe”. (I Coríntios 9:16). Viver a união com Deus e ser missionário, não é privilégio de determinadas pessoas,mas a essência de ser cristão. É um compromisso de toda a comunidade que envia aqueleque está disposto a ir onde há necessidade de alguém que ofereça seus dons e sua vida aoserviço dos mais necessitados. Esbater o sofrimento e necessidades dos mais carenciados,é cumprir a missão universal da Igreja, é ser a face de Jesus! Jesus chamou-nos a sair de nós mesmos, a partilhar com os nossos irmãos tudo oque temos, começando pelo bem mais bonito e sagrado que levamos: a nossa Fé! Ser o “outro”, é estar ao lado, escutar, reflectir, orar e partilhar! É ter presente ascircunstâncias específicas do país que nos acolhe, analisar profunda e sabiamente asnecessidades do povo e da Igreja, de modo a colaborar na reestruturação e solidez dasbases sociais que ainda fundamentam as situações de pobreza estrutural e social. Agradecer as atenções que Deus nos concede, felizes também com a nossa fé cristã,com a força e o consolo que se obtêm da amizade e oração que mantemos com Ele. Eagradecendo também a fé, cultura, educação e recursos materiais, desejamos partilhartudo com os nossos irmãos mais necessitados. Somos missionários quando olhamos e sentimos os problemas de quem clama,mesmo em silêncio, exigindo de cada um de nós, uma abertura constante, pessoal ecomunitária para responder a estes desafios, tomando a decisão radical de nosentregarmos totalmente ao reino de Deus em prol da promoção humana. Não levar, mas descobrir. Não só dar, mas receber. Não conquistar, mas partilhar eprocurar juntos. Não ser mestre, mas aprendiz da verdade. A missão permite-nos criarnovos laços, novas relações, uma nova forma de olhar a vida. "Porque, se anuncio o Evangelho, não tenho de que me gloriar pois que me éimposta essa obrigação... é um cargo que me está confiado" (1 Cor 9, 16-17). Só o amor 1
  2. 2. de Deus, capaz de irmanar os homens de qualquer raça e cultura, poderá fazerdesaparecer as dolorosas divisões, os contrastes ideológicos, as desigualdades económicase os constrangimentos que ainda oprimem a humanidade. Escutando a voz da consciência e da responsabilidade, informando-nos econhecendo os problemas, confiando na ajuda do Espírito Santo, chegamos pois a estepaís cheio de dificuldades, em que a sua grande maioria da população não só é pobre,mas absolutamente pobre. Em Moçambique procuramos os “pobres entre os mais pobres”, e com elesdesejamos desenvolver a nossa acção. Crianças órfãs, abandonadas e perdidas, osdeficientes e idosos, as vítimas de doença, sobretudo da Malária e do HIV/SIDA, e todosaqueles que não conseguem o sustento para ter uma boa saúde e realizarem as suasactividades normais, devem receber de nós um sinal de esperança e mais, uma ajudaeficaz que atenue este estado de coisas. “Levantai os olhos e olhai…” (Is 40,26). Levantar os olhos da mente e do coraçãopara esta realidade, para as pessoas que nos rodeiam, para o país que nos acolhe, sãodesafios que nos interpelam a actuar. Esse olhar deve ser de fé na obra do Espírito, quesempre nos precede e acompanha, de simpatia fraterna para esse povo que gostamos dechamar “nosso” e a este país que se esforça por sair de três décadas de indescritívelsofrimento e angústia. Chegámos à cidade da Beira, movidos e animados por esta alegria e, já avistandoas praias e as copas das palmeiras, enquanto o avião procedia a manobras de aterragem,colocávamos as pulseiras anti-mosquito nos nossos pulsos! É muito importante que onosso contributo e presença não fiquem diminuídos pelo risco de doença, pelo que éfundamental preservar uma boa saúde. A situação da malária em todo o território é grave,sendo a primeira causa de morte por doença em Moçambique. Um trabalho eficaz deprevenção é sempre preferível a qualquer remédio. Fomos recebidos pela Irmã Lúcia, das FMM (Franciscanas Missionárias deMaria) no Aeroporto da Beira, com alegria e percebendo a presença firme e amável dequem vive constantemente uma vida devotada ao serviço. Sentimos como o ar aindacarregado de chuva, misturado com a cor da vegetação que nos envolve, nos abraçavaneste primeiro encontro. Percebemos que iríamos partilhar com estas Irmãs FMM e viver as mesmasnecessidades e anseios, pois uma missão não é encomendada a ninguém de modoindividual. A referência comunitária não pode faltar nunca. Isto significa que a expressão 2
  3. 3. máxima das possibilidades individuais é cabalmente aproveitada num espírito de projectocomunitário, no diálogo e formação permanente, para que fermentem na renovação dopovo que nos recebe. Estar com Moçambique é percebermos a sua cultura, sentir o seu respirar, demodo a evangelizar com profundidade e em perfeita sintonia com o seu povo e de mãodada com a dignidade humana. A nossa passagem por Moçambique ligou-se também à Congregação dos SagradosCorações de Jesus e Maria. Esta congregação está intimamente ligada, pela sua própriahistória, a uma atitude de "faz-de-tudo" que perdura até hoje. Destacam-se os trabalhoseducativos, de formação de seminaristas, missionários em áreas de fronteira de Igreja,mesmo nas paróquias. A primeira missão “ad gentes” aceite pelo seu Fundador foi a deHonololú e ilhas Cook, em 1827. Daí o primeiro Beato da Congregação ter morrido“leproso entre os leprosos” em Molokai, ilha daquele arquipélago. Na Beira foram incumbidos da gestão do Instituto de Deficientes Visuais, que acolhe pessoas cegas de todos os cantos de Moçambique. O Instituto dá resposta a crianças e jovens invisuais, muitos deles vítimas dos problemas gravíssimos na área da saúde oftalmológica. Verificam-se ainda muitos casos de cegueira evitáveis por faltade condições adequadas de diagnóstico e tratamento. Ainda se fica cego para toda a vidapor simples cataratas ou por uma intervenção inadequada da medicina tradicional. Cabe referir que muitas das crianças que o instituto acolhe são uma amostrabastante fiel do ambiente sócio económico cultural da família moçambicana, que lutaainda tenazmente por melhores condições de vida. A nossa acção foi detectar alguns aspectos que de um modo relativamente fácilpoderíamos controlar, aspectos que se prendem com alguma dificuldade em ajustar deum modo personalizado os instrumentos pedagógicos para garantir o sucesso nocurrículo escolar do aluno invisual. 3
  4. 4. Esta missão faz parte do nosso projecto de vida, assim, apesar do regresso a Portugal de dois de nós (Miguel e Ana), a ligação a Moçambique e a tudo o que vivemos e sentimos continua lá. Num forte abraço de unidade, em terras portuguesas estamos a fazer a divulgação do trabalho missionário em várias paróquias doAlgarve, levando esta missão para que também outros irmãos se juntem a esta causa. ADaniela estará em Moçambique até Dezembro e lá as sementes começam a brotar asprimeiras flores e é com imensa alegria que vamos partilhando todo esse amor. A Daniela relata-nos todas as emoções vividas até ao momento presente; é comela que ouvimos e sentimos as seguintes linhas carregadas de emoção: “Caminhar descalço, andar ao lado... chamamento divino sentido no coração paradar de nós nesta missão... Um verdadeiro VIVER a realidade. Se é assim mesmo, porquenão conhecer, aprofundar, crescer, amar, sentir os clamores e as dores deste povo, viveroutras formas de ser feliz, dar de nós e aprender com o tanto que têm para nosensinar?... um enriquecimento para ambas as partes! Moçambique assim me apaixonou, mesmo antes de o conhecer… Natureza pura,fascinante, um povo extremamente acolhedor, que sabe sorrir, que se alegra com ascoisas mais simples e sabe procurar a beleza... ai como aprendi e estou a aprender comtoda esta experiencia. Em articulação com a boa vontade e hospitalidade das Irmãs FranciscanasMissionarias de Maria de Odiáxere, Lisboa, Maputo e da Beira Alto da Manga ondeestamos alojados), vamos pouco a pouco prestando uma pequena ajuda a quem maisprecisa na comunidade do Alto da Manga. Sempre sonhadores, querendo dar sempremais e mais... mas este dar não se trata de um dar material, mas sim de dar a ferramentaprincipal O AMOR... mostrar-lhes que nós ocidentais não somos melhores, nem piores,promovendo um intercâmbio. Não viemos para impor novas estratégias, mas sim, para deacordo com o que este povo necessita, e de acordo com as suas potencialidades emotivações prestar-lhes instrumentos, como que se fosse um motor de arranque, paraque eles próprios se autonomizem e contribuam para o seu desenvolvimento. 4
  5. 5. Centro de Saúde de Nhaconjo, Centro Nutricional, Gabinete Psicossocial de Acompanhamento de portadores de HIV, Jardim Infantil, Internato Pio X, Instituto de Deficientes Visuais da Beira... Toda uma vasta experiencia,repleta de histórias para contar... onde nos viemos ENTREGAR! Estou cá desde Agosto e regressarei na época de Natal. Cheguei bemacompanhada com dois amigos que se tornaram meus irmãos nesta missão. Apesar deterem estado presentes fisicamente apenas no primeiro mês, continuamos fortementeligados pelo amor gerado entre nós e pelo amor ao povo moçambicano. Continuamos os3 em missão, é como se estivessem connosco. Muitos sonhos, muitos quereres, muitas pessoas por ajudar, muita ansiedade emver resultados... mas tal como diz o provérbio moçambicano A Lua anda devagar, mas dáa volta ao Mundo. Criação de um projecto de raiz, um projecto que abarque todas estasinstituições acima referidas. Ao longo deste tempo que cá estou, tenho também aprendido a esperar. Aospoucos começam-se a ver pequenos resultados que para nós são grandes conquistas, asportas começam-se a abrir. Começamos a entrar no ritmo moçambicano, a percebermelhor as expressões, formas de estar, costumes e tradições, certos aspectos que no inicionos soavam estranhos passam a ser vistos com naturalidade, as relações começam-se aaprofundar... este povo já não nos vê como inicialmente nos via, hóspedes, mas já noschamam de amigos e isso sente-se! Duras vidas... olhares sofridos! Mas o quepessoalmente me custa, é o enorme contraste social e a INDIFERENCA que dai advém.A Injustiça a olhos nus, a corrupção mesmo à nossa frente... Sentimento de impotência...Mas estou cá para com o nosso pequeno gesto contrariar esta indiferença, aqui, emPortugal, ou seja lá onde estiver, pois acredito que o mundo se pode tornar melhor setodos dermos o nosso contributo. A sensação que tenho é que parece que já estou cá há muito mais tempo e emsimultâneo sinto que tudo está a passar tão rápido... tão rápido que já me faz sentirsaudades! 5
  6. 6. Neste momento, eu cá e os meus irmãos Miguel e Ana em Portugal, andamosempenhados com a criação de um subprojecto de Apadrinhamento de CriançasNecessitadas. Como posso partilhar esta experiência. Fui, em colaboração com um trabalhador do Centro Nutricional, conhecer ascasas e as condições e situações reais em que habitam as crianças que frequentam oCentro. Grande vontade em ajudar estas famílias, que vivem no limiar da pobreza, cominúmeras doenças, desde HIV, tuberculose, subnutrição e para agravar fome, muitascrianças a viver com avós devido ao falecimento dos pais. Apenas conseguem algumalimento e reforços no Centro Nutrição. Mas e quando receberem alta do Centro, comoserá? Então, através deste projecto pretendemos angariar padrinhos para dar umpequeno contributo nos bens de primeira necessidade destas crianças... Em que o Centroirá receber o dinheiro e irá comprar alimento para entrega mensal às famílias. Temosmuita esperança que estas crianças consigam ter as condições mínimas de dignidade! Por aqui, está cada vez mais calor, mas gosto disto... parece que já faz parte demim! As descobertas pelos verdadeiros sabores das frutas da época adoçam a minha vidapor cá, bem como todos estes meninos que com simples palavras e gestos me iluminam aalma!De Moçambique com amor... “E nestas palavras sentidas e espontâneas da Daniela, de quem vive profundamente aentrega e o desejo de que os seus irmãos possam viver de um modo mais digno eamoroso, com a esperança robustecida em Deus para “agarrar” o futuro, nos revemos eunimos. Nele, somos UM!Ana, Daniela e MiguelBOLUKA KUA ZUADiocese de Faro - Franciscanas Missionárias de Maria – OdiáxereEstá disponível o nosso blog, onde poderá acompanhar em pormenor o trabalhorealizado e as perspectivas futuras de acção.http://bolukakuazua.blogspot.com 6

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