Intenções simbólicas

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Intenções simbólicas

  1. 1. INTENÇÕES SIMBÓLICAS Alguns aspetos simbólicos da obra:µ os sonhos das personagens, que projetam os desejos, mais ou menos claros, medos, ansiedades e inquietações,dando conta da importância de que se reveste o onírico na caracterização das personagens e daquilo que elaspossuem de mais íntimo, sobretudo de Baltasar: - p. 106 parágrafo «Nessa noite Baltasar sonhou…»; - p. 121 parágrafo «Foi Blimunda quem veio abrir…»; - p. 123 parágrafo «Dormiu cada qual…»; - p. 207 parágrafo «Depois de terem comido…»; etc…;µ os sonhos do Rei: - p. 18 parágrafo «Também D. João sonhara…»;µ os sonhos da Rainha: - p. 31 parágrafo «D. Maria Ana deitou-se muito cedo…»;µ os sonhos de Bartolomeu Lourenço: - p. 121 parágrafo «Foi Blimunda quem veio abrir…»);µ os sonhos de Blimunda: - p. 121 parágrafo «Foi Blimunda quem veio abrir…»; p. 207 parágrafo «Depois de terem comido…»;etc…)µ o nome das personagens principais assume, por um lado, uma relação de complementaridade – Sóis/Luas – e deperfeição, dada pela referência ao número sete. O casamento de duas ideias – Sol e Lua – simboliza a união doprincípio masculino com o princípio feminino sob a totalidade do espaço e do tempo, associados ao número sete,como se vê quando, depois do baptismo de Blimunda, o narrador conta «dormiram nessa noite os sóis e as luasabraçados enquanto as estrelas giravam devagar no céu» (p.92 parágrafo «Uma vez por outra, Blimunda…»)µ os números sete (sete narrativas encaixadas; repetição do número associado à data e hora da sagração doconvento; anos de permanência do músico Scarlatti em Portugal; vezes que Blimunda passa por Lisboa à procura deBaltasar; igrejas visitadas por altura da Páscoa; bispos que baptizaram a infanta Maria Xavier Francisca; sóis de ouroe prata nos degraus do altar-mor; nome das personagens principais) e também o nove (anos da busca de Blimunda)podem ser sujeitos a uma interpretação simbólica. O sete está associado à ideia de totalidade do universo emmovimento (somatório dos quatro pontos cardeais com a trindade divina) e de perfeição completa em todos ossentidos e o nove, por um lado, à insistência e determinação de Blimunda em procurar o homem amado, por outro, aintemporalidade do tempo da busca (Deméter também percorre o mundo inteiro durante nove dias em busca da filhaPerséfone; nove são os meses da gestação; símbolo das buscas frutíferas e do coroamento dos esforços, darenovação e do renascimento). Ao fim de nove anos, Blimunda reencontra finalmente Baltasar, tratando-se agoranão de um encontro físico, mas de uma comunhão mística, e, por isso, total e completa; 1
  2. 2. µ o trio formado por Blimunda, Baltasar e Bartolomeu Lourenço unidos pelo mesmo sonho. Três - número daperfeiçãoµ a mutilação sofrida por Baltasar deve ser entendida como a luta para obter a sua reintegração no tempo por umanova utilização das mãos, aliás os mutilados desempenham um papel importante na construção do convento, o quepermite a reflexão acerca da utilização deste tipo de personagens que foge ao conceito tradicional de herói (cf. p.244 «De quantos pertencem ao alfabeto da amostra… vontade veria em cada um, a de ser outra coisa.» - fraseanterior ao parágrafo da p. 245 que inicia «Mal o sol nasceu…»);µ a pedra que iria ficar sobre o pórtico é descrita como «a mãe da pedra», o que lhe confere uma simbologiaandrógina e a ideia de que as pedras não são massas inertes;µ as duas mil vontades necessárias para fazer erguer a passarola – são as vontades humanas que, ao longo dosséculos, coincidiram e fizeram o progresso do mundo. O facto das mesmas servirem para elevar a passarola estátambém conotado com a ideia do “alto”, ou seja, de atingir o inatingível, de aspirar ao etéreo;µ o olhar de Blimunda em jejum permite-lhe conhecer eficazmente a alma, o interior e o invisível. O olhar possui umpoder mágico e é o instrumento de ordens interiores: mata, fascina, fulmina, seduz do mesmo modo que exprime;µ o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão representa um ser fragmentário, dividido entre a religião e a alquimia,uma vez que sofre um conflito interior motivado pela constante demanda de um saber que o conduzirá à subversãodos dogmas religiosos e, posteriormente, à morte;µ o músico Scarlatti representa simbolicamente o transcendente que advém da música e que, ligado à clarividênciade Blimunda, instaura o domínio do maravilhoso na obra. A música surge como a ascensão do homem, numa claraunião ação e pensamento. A destruição do seu cravo, aquando do voo da passarola, representa, metaforicamente, asua morte;µ a Passarola simboliza o elo de ligação entre o céu e a terra, sendo, desta forma, um símbolo dual. A Passarola éconstruída, tendo por base dois conceitos que, aparentemente, se opõem: a barca e a ave, contudo se a primeiraremete para viagem e a segunda para liberdade, o movimento ascensional da Passarola representa,metaforicamente, a alma humana que ascende aos céus, numa ânsia de realização que a liberta do universocanónico e dogmático dos homens. A Passarola simboliza a libertação do espírito e a passagem a um outro estadode existência. 2
  3. 3. µ o final da obra, em que António José da Silva é queimado na fogueira, simbolicamente representará aperseguição relativamente à qual os escritores são vítimas, uma vez que os contextos político-sociais não osrespeitam nem compreendem (será talvez o sentimento do próprio autor). 3

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