Senhor,	eu	vivo	coitada	
vida	des	quando	vos	nom	vi;	
mais	pois	vós	queredes	assi,	
por	Deus,	senhor	bem	talhada,	
							...
Senhor,	eu	vivo	coitada	
vida	des	quando	vos	nom	vi;	
mais	pois	vós	queredes	assi,	
por	Deus,	senhor	bem	talhada,	
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Senhor,	eu	vivo	coitada	
vida	des	quando	vos	nom	vi;	
mais	pois	vós	queredes	assi,	
por	Deus,	senhor	bem	talhada,	
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Senhor,	eu	vivo	coitada	
vida	des	quando	vos	nom	vi;	
mais	pois	vós	queredes	assi,	
por	Deus,	senhor	bem	talhada,	
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Senhor,	eu	vivo	coitada	
vida	des	quando	vos	nom	vi;	
mais	pois	vós	queredes	assi,	
por	Deus,	senhor	bem	talhada,	
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Senhor,	eu	vivo	coitada	
vida	des	quando	vos	nom	vi;	
mais	pois	vós	queredes	assi,	
por	Deus,	senhor	bem	talhada,	
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Senhor,	eu	vivo	coitada	
vida	des	quando	vos	nom	vi;	
mais	pois	vós	queredes	assi,	
por	Deus,	senhor	bem	talhada,	
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Análise da cantiga de amor "Senhor, eu vivo coitada" de D. Dinis

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Análise da cantiga de amor "Senhor, eu vivo coitada" de D. Dinis

  1. 1. Senhor, eu vivo coitada vida des quando vos nom vi; mais pois vós queredes assi, por Deus, senhor bem talhada, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Vós sodes tam poderosa de mim que meu mal e meu bem em vós é todo; [ e ] por em, por Deus, mia senhor fremosa, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Eu vivo por vós tal vida que nunca estes olhos meus dormem, mia senhor; e por Deus, que vos fez de bem comprida, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Ca, senhor, todo m’é prazer quant’i vós quiserdes fazer. SenEmentos do sujeito poéEco - Amor profundo pela “Senhor”; . aEtude suplicante - subserviente - desespero – por não ver a sua amada O sujeito poéEco expressa os seus senEmentos ao longo da canEga de amor “Senhor, eu vivo coitada”. Assim, revela o seu amor profundo por esta mulher, mostrando o desespero que sente por não a ver. O seu senEmento é tão forte que assume uma aEtude suplicante perante ela, prestando-lhe total vassalagem. Em suma, o eu lírico declara, nesta canEga, a sua total submissão a este amor.
  2. 2. Senhor, eu vivo coitada vida des quando vos nom vi; mais pois vós queredes assi, por Deus, senhor bem talhada, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Vós sodes tam poderosa de mim que meu mal e meu bem em vós é todo; [ e ] por em, por Deus, mia senhor fremosa, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Eu vivo por vós tal vida que nunca estes olhos meus dormem, mia senhor; e por Deus, que vos fez de bem comprida, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Ca, senhor, todo m’é prazer quant’i vós quiserdes fazer. Caracterização da “Senhor” − «bem talhada» (v. 4), isto é, esbelta, revelando um corpo bonito; − «tam poderosa / de mim» (vv. 7-8), ou seja, idolatrada e, portanto, exercendo poder sobre o «eu»; − «fremosa» (v. 10), com bela figura, graciosa; − «de bem comprida» (v. 16), ou seja, dotada de muitos dons. A «Senhor» descrita nesta canEga obedece às leis do código cortês da Lírica Trovadoresca. Esta é uma mulher «bem talhada», isto é, esbelta, «fremosa», revelando um corpo bonito e muita graciosidade. Estas qualidades não se resumem ao aspeto asico, já que o sujeito poéEco refere que ela é «de bem comprida», ou seja, dotada de valores morais, fazendo dela uma mulher perfeita. É ainda explícito o poder que esta «Senhor» exerce sobre o eu, o que comprova a idolatria que ele sente por ela. Concluindo, a mulher nesta canEga de amor, assim como em todas as outras, é completamente deificada pelo eu-lírico.
  3. 3. Senhor, eu vivo coitada vida des quando vos nom vi; mais pois vós queredes assi, por Deus, senhor bem talhada, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Vós sodes tam poderosa de mim que meu mal e meu bem em vós é todo; [ e ] por em, por Deus, mia senhor fremosa, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Eu vivo por vós tal vida que nunca estes olhos meus dormem, mia senhor; e por Deus, que vos fez de bem comprida, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Ca, senhor, todo m’é prazer quant’i vós quiserdes fazer. MoEvos da súplica conEda no refrão •  Súplica assente: - na infelicidade que sente, desde que, por decisão da dama, deixou de a ver; - na dificuldade de viver sem a amada, dado o amor absoluto que sente por ela; − na vivência de um intenso sofrimento amoroso que provoca um estado de vigília constante. O refrão presente em “Senhor, eu vivo coitada” revela o tom suplicante da canEga, devido a três aspetos principais. O sujeito poéEco revela toda a infelicidade em que vive desde que, por decisão da dama, deixou de a ver, admiEndo que é diacil viver sem ela, visto que o amor que sente é avassalador. Exatamente por isso, vive em constante estado de vigília, sendo que “nunca [os seus] olhos [...] dormem”. Posto isto, e tendo em conta a sua tão grande coita amorosa, o eu lírico suplica à “Senhor” para o “leixade [...] morrer”.
  4. 4. Senhor, eu vivo coitada vida des quando vos nom vi; mais pois vós queredes assi, por Deus, senhor bem talhada, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Vós sodes tam poderosa de mim que meu mal e meu bem em vós é todo; [ e ] por em, por Deus, mia senhor fremosa, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Eu vivo por vós tal vida que nunca estes olhos meus dormem, mia senhor; e por Deus, que vos fez de bem comprida, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Ca, senhor, todo m’é prazer quant’i vós quiserdes fazer. Expressividade da oração subordinada adverbial consecuEva − a consequência de viver uma vida desgraçada é nunca dormir, nunca descansar, estar sempre vigilante. - reforça a magnitude do seu amor A oração subordinada adverbial consecuEva comprova a intranquilidade em que o sujeito poéEco vive. A oração presente em “que nunca estes olhos meus/dormem” procura reforçar a magnitude dos senEmentos do “eu” lírico, na medida em que as suas insónias são provocadas pelo desespero amoroso que este sente. Em suma, esta oração torna-se crucial para o entendimento global da canEga.
  5. 5. Senhor, eu vivo coitada vida des quando vos nom vi; mais pois vós queredes assi, por Deus, senhor bem talhada, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Vós sodes tam poderosa de mim que meu mal e meu bem em vós é todo; [ e ] por em, por Deus, mia senhor fremosa, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Eu vivo por vós tal vida que nunca estes olhos meus dormem, mia senhor; e por Deus, que vos fez de bem comprida, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Ca, senhor, todo m’é prazer quant’i vós quiserdes fazer. Relação existente entre o eu lírico e a “Senhor” − indiferença e superioridade da “Senhor” em relação ao eu poéEco - subserviência do sujeito poéEco face à “Senhor” A relação que se estabelece entre o sujeito poéEco e a “Senhor” é perfeitamente desigual. A mulher amada revela indiferença e superioridade em relação ao eu lírico, na medida em que é ela quem o impede de a ver, dominando toda a situação. Em contraparEda, este manifesta total submissão e subserviência em relação à dona da sua vida que pode fazer o que quiser, pois tudo será bem aceite por ele. Em conclusão, poder-se-á afirmar que esta é uma relação que espelha as leis da vassalagem da época medieval.
  6. 6. Senhor, eu vivo coitada vida des quando vos nom vi; mais pois vós queredes assi, por Deus, senhor bem talhada, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Vós sodes tam poderosa de mim que meu mal e meu bem em vós é todo; [ e ] por em, por Deus, mia senhor fremosa, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Eu vivo por vós tal vida que nunca estes olhos meus dormem, mia senhor; e por Deus, que vos fez de bem comprida, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Ca, senhor, todo m’é prazer quant’i vós quiserdes fazer. Expressividade do úlEmo dísEco na construção de senEdos da canEga − total submissão à vontade da dama ; − devoção amorosa, presente no comprazimento senEdo perante a decisão da «senhor», qualquer que ela seja; − afirmação de que a expressão do amor está totalmente dependente da sua dama; − esperança de que a súplica seja ouvida. A úlEma estrofe da canEga encerra em si toda a submissão à qual o eu lírico se sujeita. Ao longo da canEga, é visível a devoção amorosa presente no comprazimento senEdo perante a decisão da “Senhor” (qualquer que ela seja), por isso, o amor que o sujeito sente caracteriza-se por uma dependência total pela dama, restando-lhe apenas que a sua súplica seja ouvida. Em suma, em “Senhor, eu vivo coitada”, a aEtude do sujeito é de completa subserviência à “Senhor”.
  7. 7. Senhor, eu vivo coitada vida des quando vos nom vi; mais pois vós queredes assi, por Deus, senhor bem talhada, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Vós sodes tam poderosa de mim que meu mal e meu bem em vós é todo; [ e ] por em, por Deus, mia senhor fremosa, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Eu vivo por vós tal vida que nunca estes olhos meus dormem, mia senhor; e por Deus, que vos fez de bem comprida, querede-vos de mim doer ou ar leixade-m’ir morrer. Ca, senhor, todo m’é prazer quant’i vós quiserdes fazer. Análise formal da canEga Esta é uma canEga de refrão com três estrofes, de quatro versos, seguidos de refrão dísEco, e uma úlEma estrofe de dois versos que funciona como conclusão da canEga. O seu esquema rimáEco é abbaCC, ou seja, a rima é interpolada em A e emparelhada em B e C, sendo maioritariamente pobre no que respeita às classes de palavras. Quanto à acentuação, a rima é equitaEvamente aguda (como em “vi”/”assi”) e grave (como em “coitada”/”talhada”) nas estrofes e aguda no refrão (“doer”/”morrer”). Quanto à fonia a rima é maioritariamente consoante, exisEndo apenas um exemplo de toante no segundo e terceiro versos da primeira estrofe. No que diz respeito à métrica, existem versos heptassilábicos (“Se/nhor/eu/vi/vo/coi/ta) e octossilábicos (“vi/da/des/quan/do/vos/nom/ vi”).

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