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ESCOLA DE BIODANZA DO RIO DE JANEIRO
CAMILA CARLOS DA SILVA
EPIGENÉTICA E O MEIO-AMBIENTE- DESENVOLVIMENTO ATRAVÉS DA
BIODANZA
Rio de Janeiro
2015
CAMILA CARLOS DA SILVA
EPIGENÉTICA E O MEIO-AMBIENTE- DESENVOLVIMENTO ATRAVÉS DA
BIODANZA
Monografia apresentada em cumprimento às exigências da
Escola de Biodanza do Rio de Janeiro para obtenção de
Titulação em Facilitadora de Biodanza. Orientadora
Facilitadora Didata Danielle Tavares.
Rio de Janeiro
2015
CAMILA CARLOS DA SILVA
EPIGENÉTICA E O MEIO-AMBIENTE- DESENVOLVIMENTO ATRAVÉS DA
BIODANZA
Monografia apresentada em cumprimento às exigências da
Escola de Biodanza do Rio de Janeiro para obtenção de
Titulação em Facilitadora de Biodanza. Orientadora
Facilitadora Didata Danielle Tavares.
Aprovada em
Examinador
Facilitadora Didata Danielle Tavares-
Escola de Biodanza do Rio de Janeiro
EPIGENÉTICA E O MEIO-AMBIENTE- DESENVOLVIMENTO ATRAVÉS DA
BIODANZA
CAMILA CARLOS DA SILVA*
RESUMO
A monografia aqui proposta tem como objetivo abordar os fundamentos biológicos da
Biodanza, priorizando os conceitos de epigenética e meio ambiente como caminhos para o
desenvolvimento humano e saltos evolutivos.
Logo contará com a presença de uma gama diversificada de pesquisadores com seus
aportes teóricos que veem contribuindo ao longo da história da humanidade para entender a
relação entre o ser humano, o meio ambiente e o processo evolutivo. E mostrará como a
Biodanza favorece o desenvolvimento destes mecanismos através de seus fundamentos e
exercícios propostos.
A evolução é inerente à vida e a primeira teoria da evolução foi desenvolvida pelo
cientista Jean-Baptiste Lamarck, criador da palavra “biologia”, onde observando os animais,
percebeu que estes mudavam sob a influência ambiental, e que estas mudanças podiam ser
transmitidas a seus descendentes.
Para se entender a evolução no momento atual, é importante mudar a forma como
pensamos e deslocar a visão cartesiana, mecanicista e reducionista sobre as coisas e o mundo,
para uma visão holística e global da vida. Partindo da análise microscópica das unidades
fundamentais da vida, a “célula”, para a integração quântica macroscópica do Cosmos.
Palavras-chave: Epigenética. Meio ambiente. Biodanza.
* cami-carlos@hotmail.com
EPIGENETIC AND THE ENMVIROMENT- DEVELOPMENT BY BIODANZA
CAMILA CARLOS DA SILVA*
ABSTRACT
The monograph presented here has for goal, the approach of the biological bases of
Biodanza, appreciating the concepts about the epigenetic´s discover and the environment as a
healthy way for a human being development and the evolutions jumping’s.
Consequently the proposal will count with a large variety of valued scientists and
researchers that have been contributing for the knowledge of the relationship between the
human being, the genetic changes, their environment, and the evolution process. Therefore
will show how the Biodanza helps to develop those mechanisms through the methodological
concepts, exercises and dances.
The evolution belongs to the life and the first theory about this, was created by the
scientist Jean-Baptiste Lamarck, who invented the word “biology”, while he was observing
animals, when suddenly realized that they changed under the environment influence and that
these changes can be transmitted to their descendants.
To understand what is going on with the evolution at the present moment, it is really
important to change the way we think and dislocate the Cartesian , mechanist and reductionist
point of view over the stuffs and the world to a new, holistic and global point of view about
the life. Beginning at the microscopes analysis of the elementary units of life, the “cells”, to
the macroscopic quantum´s integration of the Cosmos.
KeyWords: Epigenetic. Environment. Biodanza.
* cami-carlos@hotmail.com
SUMÁRIO
I INTRODUÇÃO 07
2 AUTORES, TEORIAS, MUDANÇAS DE PARADIGMAS 14
2.1 A PRIMEIRA TEORIA DO SER VIVO 14
2.2 A ORIGEM DA VIDA E SUAS TEORIAS 17
2.3 COMPETÊNCIAS APLICADAS ÀS CÉLULAS 19
2.4 A FUNÇÃO APLICADA AO DNA E NOVAS DESCOBERTAS 24
2.5 CAMINHOS EOLUTIVOS 27
2.5.1 EVOLUÇÃO E COGNIÇÃO 28
3 MENTE, EPIGENÉTICA E O MEIO AMBIENTE 30
3.1 A MENTE E O MEIO AMBIENTE 31
3.3.1 O AMBIENTE PLÁSTICO E A PLASTICIDADE DA BIODANZA 35
4 BIODANZA E SEUS FUNDAMENTOS 38
4.1 ASPECTOS BIOLÓGICOS DA BIODANZA 40
5 AS DANÇAS BIOLÓGICAS DA VIDA 43
6 CONCLUSÃO 45
7 REFERÊNCIAS 48
ANEXO 1 49
“Mutação é a chave para a nossa evolução. Foi como
evoluímos de organismos celulares simples, para a espécie
dominante deste planeta. O processo é lento, leva
naturalmente milhões de anos. Mas a cada período de
tempo a evolução dá um salto”. (X-MEN 2).
1 INTRODUÇÃO
A epígrafe acima será a norteadora da pesquisa aqui desenvolvida, que tem como
proposta apresentar os aspectos biológicos que fundamentam a teoria da Biodanza,
destacando os conceitos de epigenética e meio ambiente e a importância da Biodanza para o
desenvolvimento evolutivo.
Primeiramente é importante esclarecer a diferença entre mutação e epigenética.
Mutação é o nome dado para indicar a ação de mudar, alterar ou transformar algo e
também pode ser utilizado para indicar uma metamorfose ou evolução.
No caso da biologia, mutação é um termo usado para definir o fenômeno da alteração
brusca e inesperada do material genético (DNA) de um ser vivo, podendo, a partir de então,
ser transmitido para os seus descendentes.
O conceito de mutação foi desenvolvido pelo biólogo Hugo de Vries, a partir do
estudo da hereditariedade de uma planta, onde observou o surgimento de novas características
que não estavam presentes em seus ancestrais e concluiu que essas modificações eram
causadas por alguma mudança brusca e casual no material genético e eram transmitidas aos
seus descendentes, desencadeando a variação genética nos organismos.
Vale ressaltar que a mutação ocorre em qualquer organismo vivo e que é induzida por
agentes físicos, químicos ou biológicos, e que sua alteração ocorre exclusivamente na
estrutura do DNA.
DNA é a sigla para ácido desoxirribonucleico, que é um composto orgânico cujas
moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento
de todos os seres vivos e de alguns vírus.
O principal papel do DNA é armazenar as informações necessárias para a construção
das proteínas e RNA.
O DNA se encontra no núcleo das células de um organismo, no interior dos
cromossomos, com exceção das hemácias (glóbulos vermelhos), por não possuírem núcleo.
8
Os seres humanos têm um genoma de 46 cromossomos, sendo 2 sexuais e 44
autossomos, que dão as características ao ser Humano.
Os segmentos de DNA que contêm a informação genética são denominados genes, o
resto da sequência tem importância estrutural ou está envolvido na regulação do uso da
informação genética.
Com exceção de gêmeos univitelinos, o DNA de cada indivíduo é exclusivo, cada ser
humano possui duas formas de cada gene, uma que recebe da mãe outra que recebe do pai.
Mesmo sendo a maioria dos genes iguais entre as pessoas, algumas sequências do DNA
variam de pessoa para pessoa. O que possibilita saber a paternidade de uma criança, através
do teste de DNA, que confirmará a sua origem genética.
A dupla hélice do DNA foi descoberta pelo norte-americano James Watson,
juntamente com o britânico Francis Crick em 1953, que nove anos depois foram agraciados
com o Prêmio Nobel de Medicina.
Num contexto geral, as mutações acontecem devido a um erro no processo e
duplicação do DNA, mas isto ocorre numa frequência muito baixa, devido à ação de correção
do gene p53, que evita a formação de tumores.
As mutações podem ser somáticas e germinativas. As mutações somáticas ocorrem nas
células somáticas (células da pele, do fígado, do coração etc.). E em termos evolutivos, elas
não são importantes, pois não são transmitidas aos descendentes.
Já as mutações que ocorrem nas células germinativas (espermatozoide ou óvulo) serão
transmitidas aos descendentes.
Existem dois tipos de mutações: gênicas e cromossômiais. Nas mutações gênicas as
mudanças ocorrem nos genes ocasionando uma mudança na sua estrutura que envolve adição,
eliminação ou substituição de um ou poucos nucleotídeos da fita de DNA. Se a mutação
ocorrer por adição ou subtração nas suas bases, o código genético será alterado o que poderá
alterar o tipo de aminoácido incluído na cadeia proteica, fazendo com que a proteína tenha
outra função ou até mesmo levar à inativação da expressão fenotípica.
Os conceitos fenótipo e genótipo foram desenvolvidos no início do século XX, pelo
pesquisador dinamarquês Wilhem L. Johannsen.
O termo “fenótipo” provém do grego “pheno,” evidente, brilhante, e “typos”,
característico. E é empregado para designar o conjunto de características físicas, morfológicas
e fisiológicas e comportamentais de um organismo. Também fazem parte do fenótipo
9
características microscópicas e de natureza bioquímica, que necessitam de testes especiais
para a sua identificação.
O fenótipo é a expressão do genótipo: as proteínas que o genótipo codifica, determina
as características fenotípicas. Ele resulta das atividades dos genes em conjunto com
o meio ambiente. E frequentemente pode ser alterado. Por exemplo: uma pessoa possui um
genótipo para pele clara, mas se expões frequentemente ao sol. Quando uma pessoa expõe sua
pele ao sol, ela ativa a produção de melanina pela pele, para protegê-la dos raios solares, e
dessa forma, sua pele fica mais escura, pigmentada. O genótipo dessa pessoa será sempre o
mesmo: pele clara. O que vai alterar é apenas seu fenótipo, o que é visível e perceptível.
Pessoas de pele muito clara normalmente são recessivas para muitos genes que
codificam essa característica, e, como os genes recessivos codificam proteínas defeituosas,
pessoas de pele muito clara ficam muito mais vermelhas do que morenas quando se expõem
ao sol, pois não conseguem produzir melanina, ou a produzem em muito pouca quantidade,
que é insuficiente para pigmentar. O vermelho que vemos é a irritação causada pelos raios
solares.
Cor da pele é apenas um exemplo, frente a um fenótipo inteiro. Uma pessoa pode
alterar seu fenótipo constantemente: pessoas magras podem fazer exercícios físicos e adquirir
mais massa muscular. Pessoas com cabelos loiros podem escurecê-los com tintas, e vice-
versa.
As características fenotípicas alteradas de uma pessoa não são passadas aos seus
descendentes, pois a eles são passadas apenas as características genotípicas.
Uma vez que por definição, o termo genótipo, também proveniente do grego, tem
como “genos”, originar, provir, e “typos”, característica. Logo, este conceito refere-se
à constituição genética do indivíduo, ou seja, aos genes que ele possui.
A identificação do fenótipo de um indivíduo pode ser feita, observando-se
diretamente, mesmo que seja através de instrumentos, no caso dos fenótipos de características
microscópicas e de natureza bioquímica. Já o genótipo tem que ser inferido através da
observação do fenótipo, da análise de seus pais, filhos e de outros parentes ou ainda pelo
sequenciamento do genoma humano.
10
Com a descoberta da estrutura física dos genes por Watson e Crick em 1950, surgiu o
conceito de estabilidade genética, compreendida como uma fiel auto-replicação da dupla
hélice do DNA. Por outro lado as mutações seriam concebidas como erros aleatórios
ocorridos durante o processo. Esta frequência de erros de cópia é mais ou menos de um em
dez bilhões.
Essa ideia fez com que o conceito de gene fosse uma unidade hereditária
perfeitamente distinta e estável. Formando uma imagem no inconsciente científico de que os
genes são os agentes causais da vida biológica.
Porém, a fidelidade que está na origem da estabilidade genética, não é somente
consequência da estrutura física do DNA, pelo fato de que ela por si só não é capaz de se
autorreplicar. Ela encontra-se no processo, cuja participação de certas enzimas faz-se
necessária para a realização de atividades distintas. Dentre estas atividades destacam-se o
controle, a verificação das bases acrescentadas aos novos filamentos, correção dos erros de
combinação e reparação de danos acidentais ocasionados nas estruturas de DNA. Evitando
drasticamente o número de mutações que poderiam ocorrer, aumentando a estimativa de dez,
para uma em cada cem bilhões.
Neste processo de reprodução celular, ocorre a transmissão de um conjunto completo
de enzimas, membranas e outras estruturas celulares às células-filhas. Essa rede celular inteira
que é transmitida permite que o metabolismo celular continue sem jamais romper seus
padrões autogeradores em rede.
A fidelidade da replicação do DNA nem sempre é levada ao máximo, indicando a
presença de mecanismos que geram ativamente erros de cópias através da mitigação de alguns
dos processos de controle, e aponta principalmente uma condição singular, para que a taxa de
mutação aumente, além da condição própria do organismo, que seria a condição na qual o
organismo está inserido.
Indicando que em todo organismo vivo, há um equilíbrio sutil entre a estabilidade
genética e a “mutabilidade”, quer dizer, a capacidade do organismo de produzir ativamente
mutação em si mesmo.
11
Estas descobertas permitiram identificar que a estabilidade genética não é uma
propriedade exclusiva do DNA, mas sim, uma propriedade resultante da dinâmica complexa
de toda uma rede de interações metabólicas celulares.
Logo, biólogos como Evelyn Fox Keller, passaram a enxergar os processos
metabólicos das enzimas como um agente paradigmático do processo de mutação para a
concepção da visão epigenética da vida e da compreensão da evolução como elemento
fundamental da auto-organização dos organismos vivos.
Consequentemente para efeito introdutório, pode-se definir epigenética como sendo
variações não genéticas, isto é, que não produzem mudanças no DNA, herdadas pelas
gerações posteriores, adquiridas durante a ontogênese de um organismo que sofreu influências
dos hábitos da vida e do seu ambiente social, e que acabaram por modificar o funcionamento
de seus genes.
E, portanto uma breve diferenciação entre os conceitos de mutação gênica e
epigenética, é que a mutação é qualquer mudança na sequência do DNA no genoma, enquanto
que na epigenética a sequencia do DNA não sofre alterações.
O genoma é o mesmo em todas as nossas células, o epigenoma é diferente em cada
uma dos 250 tipos de células diferentes que formam o ser humano e os outros animais.
Acredita-se que a Epigenética está fortemente relacionada com a evolução, e que as
mudanças epigenéticas são influenciadas pelas alterações do ambiente e isso envolve desde
ataques de patógenos, que são organismos capazes de produzir doenças, à mudanças
alimentares, principalmente com ingestão de substâncias que possam acarretar na mudança
química e física do DNA, sendo uma disseminadora de fenótipos.
Descobriram que fenômenos como a metilação do DNA, remodelagem de proteínas
associadas à cromatina e ação de RNAS não codificadores afetam diretamente os genes, mas
não afetam diretamente a sua sequência, porém variam a sua expressão genica.
Estas variações acabaram por constituir e identificar a rede epigenética da célula, que
deflagrou a nova visão no âmbito geneticista, a epigenética.
12
Definido em 1942 por Conrad H. Waddington, o termo “epigenética”, tem origem no
prefixo grego “epi” que significa “acima, perto, a seguir”. E estuda as interações causais entre
genes e seus produtos que são os responsáveis pela produção do fenótipo.
A epigenética explica que nem tudo está predestinado, mostrando que atos como
alimentação, exercícios físicos e comportamento podem influenciar na maneira como se
organizam nossos genes.
A compreensão da mudança do pensamento reducionista para o pensamento sistêmico
é responsável pela ótica epistemológica da vida.
O termo epigenética refere-se a todas as mudanças reversíveis e herdáveis no genoma
funcional que não alteram a sequência de nucleotídeos do DNA. Inclui o estudo de como os
padrões de expressão são passados para os descendentes; como ocorre a mudança de
expressão espaço temporal de genes durante a diferenciação de um tipo de célula e como
fatores ambientais podem mudar a maneira como os genes são expressos. A pesquisa na área
da epigenética alcança implicações na agricultura, na biologia e doenças humanas, incluindo o
entendimento sobre células tronco, câncer e envelhecimento. Existem três mecanismos
principais de alterações epigenéticas: metilação do DNA, modificações de histonas e ação de
RNAs não codificadores. Os padrões de metilação de DNA são os mais estudados e melhor
entendidos dentre estes mecanismos, embora modificações de histonas também sejam
bastante discutidas. A metilação do DNA está relacionada normalmente ao silenciamento de
genes. Ela ocorre em 70 a 80% nas ilhas CpG que estão associadas aos promotores gênicos. A
conformação da cromatina relaciona-se com a metilação, ou seja, regiões altamente metiladas
estão associadas à heterocromatização. As modificações de histonas melhor estudadas são as
acetilações, fosforilações e ubiquitinações, formando o que chamamos de código de histonas
determinando a conformação da cromatina. Já a ação de RNAs não codificadores está
relacionada ao silencimento póstranscricional de genes através do mecanismo de RNA de
interferência onde ocorre o bloqueio da tradução ou degradação do RNAm alvo. Além, da
ação bloqueadora da transcrição, os siRNA podem ser associados à metilação de sequências
de DNA.
Todos estes mecanismos parecem estar interligados para a organização estrutural da
cromatina tornando-a mais acessível ou não aos fatores de transcrição. As mudanças
epigenéticas são fortemente influenciadas pelo ambiente. Qualquer alteração ambiental,
13
ataques de patógenos, tipo de alimentação pode acarretar em mudanças epigenéticas. O
estresse ambiental, incluindo a hibridação e a poliploidização, que significa a existência de
mais de dois genomas no núcleo, cujo processo dinâmico e recorrente, provoca mudanças
genéticas e epigenéticas, levando a uma extensa reestruturação em todos os níveis do genoma,
como a repadronização cromossômica, o silenciamento gênico, a criação de novos padrões de
expressão gênica, ação de transposons, invasão intergenômica e evolução. Todos esses fatores
são determinantes na ocorrência de variações epigenéticas.
Sendo assim, a epigenética está intimamente relacionada com o aumento de
variabilidade fenotípica dos indivíduos resultando em relevante importância para a evolução
também.
Influências ambientais como a nutrição, o estresse e as emoções podem
influenciar os genes ainda que não causem modificações em sua estrutura.
Os epigeneticistas já descobriram que essas modificações podem ser passadas
para as gerações futuras da mesma maneira que o padrão de DNA é passado pela
dupla espiral.
No conceito de Epigênese o desenvolvimento biopsicossocial acontece a partir da
integração de influências ambientais e genéticas. O conceito de epigênese foi incorporado
pelo geneticista escocês Waddington na década de 40, e significa os processos ontogenéticos,
ou o desenvolvimento que ocorre em cima ou depois dos genes estabelecidos.
De acordo com a fórmula epigenética o fenótipo não se limita às características
somáticas, mas abarca todos os traços psicológicos, cognitivos, afetivos e comportamentais
que são expressos fenotipicamente.
A pergunta que surge entre os cientistas diante desta descoberta é como construir
modelos integrativos sobre os modos como as influências ambientais e genéticas interagem
umas com as outras para originar o fenotípico?
Diante desta pergunta, uma resposta de modelo integrativo é a Biodanza.
Logo a monografia aqui apresentada vai buscar identificar e interrelacionar os
elementos que compõem a teia da vida.
14
2 AUTORES, TEORIAS, MUDANÇAS DE PARADIGMAS
Qual a origem da vida? Esta é a pergunta que nos fazemos desde que o primeiro
Australopithecus afarensis, ficou de pé e começou a andar.
E na incansável busca para esta resposta, diversos filósofos, arqueólogos, religiosos,
pensadores, pesquisadores em geral, se tornaram os responsáveis pelo desenvolvimento de
muitas teorias e hipóteses, que até hoje contribuem para a compreensão e construção do
conhecimento sobre a vida e sua origem.
2.1 A PRIMEIRA TEORIA DO SER VIVO
A teoria da Geração Espontânea ou Abiogenese, defendida há mais de dois mil anos
tinha em Aristóteles seu maior defensor, que acreditava que a vida tem uma origem não
biológica, e tinha como base que coisas não vivas tinham um princípio vital, e era através
deste princípio que coisas vivas poderiam surgir. Por muitos anos acreditou-se nela, devido às
crenças fortemente enraizadas das pessoas, e pelo fato de não haver uma metodologia
científica. Exemplo disto era que os sapos surgiam através dos lodos dos rios e não de outros
sapos.
Até que surgiu o biólogo Francesco Redi, que através de seus experimentos com
pedaços de carne em potes, uns abertos e outros fechados, quis mostrar que eram as larvas das
moscas que faziam as carnes ficarem putrefadas e não o princípio vital para assim criar
simplesmente a, sem “A” Biogenese, que afirmava que todos os seres vivos surgem de outros
seres vivos. No entanto como compete à função das crenças, a proteção do pensamento egóico
e o atraso nas mudanças do modo de enxergar as coisas, os defensores da geração espontânea
enxergaram o que queriam, e neste caso falaram que no pote selado, não continha a matéria
bruta principal, o ar. Assim, disseram que apenas as larvas nasciam de seres pré-existentes.
De qualquer forma este biólogo com sua experiência, foi o responsável pelo abalo da
abiogênese e início de um novo modo de pensar a vida, que propiciou um novo caminho para
outros grandes pensadores.
Nesta mesma época estava sendo criado o microscópio, que permitia ver e estudar os
micro-organismos, mas ninguém acreditava que eles eram capazes de se reproduzir, e assim
eram gerados espontaneamente. Então se apegaram a esta crença para retardar o avanço.
15
Como acontece com todas as teorias, sempre surgem teóricos que buscam refutar as
teorias desenvolvidas e teóricos que continuam suas pesquisas com base nas que acreditam.
Logo, seguindo a história o cientista inglês John Needham, que defendia a geração
espontânea e o padre e pesquisador italiano Lazzaro Spallanzani, defensor da biogênese,
realizaram os mesmos experimentos com caldos nutritivos em tubos de ensaio, para indicar ou
não o surgimento de micro-organismos, e assim confirmar ou não suas teses.
No caso de Needham o experimento consistiu em colocar caldos nutritivos em frascos
de vidro, aquecer e fechar com rolhas de cortiça, em seguida voltar a aquecer. Depois de
algum tempo verificou a presença de micro-organismos nos caldos, afirmando terem surgido
por geração espontânea, já que devido ao aquecimento era pra ter matado todos os micro-
organismos, e como isso não aconteceu é porque houve a geração espontânea.
Já para Spallanzani, que repetiu a experiência, tendo o cuidado de ferver e não
simplesmente aquecer os frascos, e depois de fervido lacravas os frascos para ter certeza de
que nenhum micro-organismo entrasse. Com isso observou que os frascos continuavam
intactos. Mas ainda assim os defensores da abiogênese diziam que através da fervura ele havia
destruído o princípio vital do caldo, que era o fundamental para o surgimento espontâneo da
vida. O acusando de fazer o experimento de forma errada.
De qualquer forma, entre “mortos o feridos”, o que importa, foi o fato de que toda esta
“disputa” permitiu ao cientista francês Louis Pasteur, através da teoria de Spallanzani,
derrotar de vez a teoria da Abiogenese.
Pasteur mostrou com experimento parecido ao de Spallanzani, denominado frasco
pescoço de cisne, que os micro-organismos vinham de fora através do ar e não surgiam
espontaneamente nos caldos nutritivos. Desta forma ele conseguiu comprovar a biogênese,
que significa dizer que todo ser vivo tem uma origem biológica.
Trazendo à tona uma enorme variedade do mundo orgânico a nível micro,
estabelecendo o papel das bactérias em certos processos químicos, como no caso da
fermentação, dessa forma ajudando a lançar a base da bioquímica.
16
Depois de duas décadas dedicadas ao estudo das bactérias, Pasteur voltou-se para o
estudo das doenças em animais de categoria superior e contribuiu com um grande avanço para
a medicina ao relacionar os germes com as doenças, desenvolvendo a teoria microbiana da
doença, que devido ao padrão de pensamento de sua época era de forma reducionista e
simplista e por isso os cientistas inclinaram-se a associar as bactérias a causa única das
doenças, ficando fissurados em identificar os micróbios e com o foco em desenvolver as
drogas para destruí-los sem prejudicar o organismo.
Esta visão cartesiana da época trouxe à luz a teoria do médico Claude Bernard,
fundador da fisiologia moderna que, embora considerando que o corpo humano equivale à
“uma máquina que funciona necessariamente em virtude das propriedades físico-químicas de
seus elementos constituintes”, foi o primeiro que apontou a existência de um milieu intérieur,
o que significa, um meio ambiente interno no qual vivem os órgãos e tecidos do organismo.
Ele percebeu que num organismo saudável este milieu intérieur, permanece constante, mesmo
quando o meio ambiente externo oscila consideravelmente, o que o levou a criar a célebre
frase: “A constância do meio ambiente interno é a condição essencial da vida independente”.
Esse conceito culminou com a noção de homeostase, criado pelo neurologista Walter Cannon
para explicar a tendência que os organismos vivos têm de manter um estado de equilíbrio
interno.
Contudo, como toda hipótese surge a partir de uma pergunta, a pergunta que se seguiu
foi: Quem foi o primeiro ser vivo?
Buscando responder esta pergunta surgiram teorias de todos os lugares, inclusive
teorias que afirmavam que a vida vinha de fora da terra e foi denominada de Panspermia
Cósmica, também conhecida como exogenesis, é uma das teorias para a origem da vida
surgida por volta do século XIX e que causa fascínio e intriga os que decidem estudá-la até
hoje. Esta teoria busca explicações para o surgimento da vida em nosso planeta, de forma
singular, afirmando que a vida teve origem segundo a povoação da Terra por seres vivos ou
elementos vindos de outros planetas que chegaram aqui através de poeira cósmica, além dos
meteoritos contendo o que seria o fóssil de uma bactéria que fora encontrado na região da
Antártica por volta da década de 80.
17
Para completar a teoria de 1920 de Aleksander I. Oparin (1894-1980) e do cientista
inglês John Burdon S. Haldane (1892 – 1964) sobre a origem dos primeiros seres vivos, o
pesquisador japonês Yoshihiro Furukawa e sua equipe realizaram um experimento onde
utilizaram um simulador de impacto de meteorito sobre uma superfície aquosa que imita as
condições dos oceanos primitivos, esta experiência gerou uma mistura de moléculas orgânicas
e alguns aminoácidos simples e graxos e a partir disto propôs que os impactos de meteoritos
nos oceanos primitivos da Terra podem também ter sido os causadores da formação de
complexas moléculas orgânicas, que mais tarde originaram a vida.
2.2 A ORIGEM DA VIDA E SUAS TEORIAS
Na tentativa de montar uma linha de raciocínio linear, a primeira teoria que podemos
citar é a Teoria de Oparim e Haldane.
O bioquímico russo Aleksander I. Oparin e o biólogo inglês Haldane, sem saber que
ambos estavam trabalhando em cima de uma mesma teoria, a teria da evolução química (ou
molecular) desenvolvida pelo biólogo inglês Huxley, apresentaram ao universo científico na
década de 1920, suas teorias com apenas cinco anos de diferença, mas que coincidentemente
levaram o mesmo nome A Origem da Vida.
Suas teorias foram baseadas nas condições da Terra que antes do surgimento dos
primeiros seres vivos eram muito diferentes das atuais. Na atmosfera havia grande quantidade
de gases e de partículas provenientes das erupções vulcânicas que eram muito frequentes.
Esses gases e partículas ficaram retidos por ação da força da gravidade e passaram a compor a
atmosfera primitiva.
Onde provavelmente, esta atmosfera primitiva era composta por compostos
inorgânicos, como: metano (CH4), amônia (NH3), gás hidrogênio (H2) e vapor d’água (H2O).
Não havia gás oxigênio (O2) ou ele estava presente em baixíssima concentração; por isso se
fala em ambiente redutor, isto é, não oxidante. Nessa época, a Terra estava passando por um
processo de resfriamento, que permitiu o acúmulo de água nas depressões da sua costa,
formando os mares primitivos.
Ocorriam muitas descargas elétricas e radiações eram intensas, que supostamente
teriam fornecido energia para que algumas moléculas presentes na atmosfera se unissem,
18
dando origem a moléculas maiores e mais complexas: as primeiras moléculas orgânicas. É
importante lembrar que na atmosfera daquela época, diferentemente do que ocorre hoje, não
havia o escudo de ozônio (O3) contra as radiações, especialmente a ultravioleta, que, assim,
atingiam a Terra com grande intensidade.
Logo essas reações teriam formado compostos orgânicos que foram gerados sem a
ação de um organismo vivo. Estes compostos foram importantes, pois eles começaram a se
juntar e a daí formar compostos maiores. Primeiro formaram os aminoácidos, que se
combinavam pra formar proteínas e assim uma variedade de compostas orgânicos.
As moléculas orgânicas formadas eram arrastadas pelas águas das chuvas e passavam a se
acumular nos mares primitivos, que eram quentes e rasos. Esse processo, repetindo-se ao
longo de muitos anos, teria transformado os mares primitivos em verdadeiras “caldos
nutritivos”, ricas em matéria orgânica.
Essas moléculas orgânicas poderiam ter-se agregado, formando coacervados, nome
derivado do latim coacervare, que significa formar grupos. No caso, o sentido de coacervados
é o de conjunto de moléculas orgânicas reunidas em grupos envoltos por moléculas de água.
Esses coacervados não eram seres vivos, mas uma primitiva organização das
substâncias orgânicas em um sistema semi-isolado do meio, podendo trocar substâncias com
o meio externo e havendo possibilidade de ocorrerem inúmeras reações químicas em seu
interior.
Não se sabe como a primeira célula surgiu, mas pode-se supor que, se foi possível o
surgimento de um sistema organizado como os coacervados, podem ter surgido sistemas
equivalentes, envoltos por uma membrana formada por lipídios e proteínas e contendo em seu
interior a molécula de ácido nucléico. Com a presença do ácido nucléico, essas formas teriam
adquirido a capacidade de reprodução e regulação das reações internas.
Nesse momento teriam surgido os primeiros seres vivos que, apesar de muito
primitivos, eram capazes de se reproduzir, dando origem a outros seres semelhantes a eles.
Esta teoria foi comprovada por Stanley Miller, estudante da Universidade de Chicago,
que simulou em laboratório, através de um dispositivo, as condições primitivas da Terra,
conseguindo “criar” compostos orgânicos a partir deste.
19
Apesar de ser uma estrutura menos complexa, foi possível demonstrar a formação de
compostos orgânicos a partir de determinadas condições ambientais, reforçando assim as
ideias de Oparin e Haldane.
Estes compostos podem ter formado as primeiras células a partir de duas hipóteses.
A primeira hipótese é chamada de Autotrófica, que são denominados os organismos
que produzem seu próprio alimento, como uma planta, através da fotossíntese. Mas de acordo
cm a teoria em vigor, devido às condições do planeta não era possível fazer a fotossíntese,
pois não tinha gás carbônico na atmosfera terrestre, mas estes organismos podiam ser
quimiolitotróficos, ou seja, organismos que tiram a energia através das rochas, que são
materiais inorgânicos. Porém para tal, o primeiro organismo vivo do planeta que ter um
metabolismo bastante complexo, porém o primeiro organismo era bem simples, o que indica
que ele era um heterótrofo, que são seres vivos que não produzem seu próprio alimento, ou
seja, precisa se alimentar de outro ser vivo. Por isto o primeiro ser vivo, fazia a fermentação,
para se alimentar dos compostos do ambiente e com este processo, começou a liberação de
gás carbônico que passou a se acumular na atmosfera.
Com o decorrer do tempo as células da Terra primitiva, passavam por processos de
“tentativa” e “erro” de cópia de reprodução e durante este processo em algum momento
surgiu um microorganismo capaz de pegar o gás carbônico do ambiente e produzir seu
próprio alimento, ou seja, capaz de fazer a fotossíntese. Este processo é o responsável pela
liberação de oxigênio na atmosfera e devido à presença deste composto no ar, surgiram
microorganismos que eram capazes de metabolizá-lo e utilizá-lo no seu metabolismo fazendo
a respiração celular, que é o processo que usamos no nosso metabolismo. E dessa forma surge
a base para toda a vida que existe hoje no planeta Terra.
2.3 COMPETÊNCIAS APLICADAS ÀS CÉLULAS
Tendo em vista todo o “espetáculo narrado” para explicar o surgimento das primeiras
células e da origem da vida, o que sucedeu a partir daí foi uma busca incessante pela
identificação das suas características, das suas funções e de tudo o mais que possa se
relacionar à célula e à identificação de vida, dentro do contexto biológica.
De acordo com Fritjof Capra, toda a vida biológica é constituída por células. Sendo a
célula bacteriana a mais simples de todo o sistema vivo. Dela desenvolveram-se todas as
formas superiores de vida.
20
A célula bacteriana mais simples é a micoplasma, medindo apenas 1 (um) milésimo de
milímetro de diâmetro. E seu genoma é constituído por apenas um único anel feito de dois
filamentos de DNA. As cianobactérias, as antepassadas das algas azuis, são um exemplo
destas bactérias simples.
Um fato interessante é que mesmo sendo uma célula bem simples, acontece uma
complexa rede de processos metabólicos, que opera ininterruptamente, transportando
nutrientes para dentro da célula e dejetos para fora dela, e usando continuamente as moléculas
de alimento para produzir proteínas e outros componentes celulares, e embora sejam
compotas por células mínimas em relação à sua simplicidade estrutural, só são capazes de
viver num ambiente químico específico e com certa complexidade.
Na visão do biólogo Harold Morowitz, significa dizer que a simplicidade interna,
indica que a bioquímica do organismo é simples, porém a simplicidade ecológica indica que o
organismo impõe poucas exigências químicas ao ambiente externo. Para ele a vida contínua
não é propriedade de um único organismo ou espécie, mas sim de um sistema ecológico
inteiro. Portanto a vida deveria ser analisada sob o ponto de vista do continuum biológico e
não como um acontecimento singular, de algo que surge e se destaca dentro de um meio
contextual.
Logo, sob a perspectiva ecológica, a vida deveria ser analisada através de ciclos proto-
ecológicos e seus sistemas químicos que surgiram e se desenvolveram enquanto surgiam
objetos próximos a organismos. Pois não existe nenhum organismo individual que viva em
isolamento.
No livro “Beginnings of Cellular Life”, de Morowitz, identifica os princípios básicos
da bioquímica e da biologia molecular, que são comuns a todas as células vivas, a partir da
evolução pré-biótica e da origem da vida. E consequentemente encontra nas células
bacterianas o princípio da formação da proto-células e seu legado para a formação das
primeiras células.
Na hipótese Gaia, James Lovelock e Lynn Margulis, defendem que a evolução dos
primeiros organismos vivos aconteceu acompanhada com a transformação da superfície do
planeta de uma condição inorgânica para uma biosfera auto-reguladora. E sob este ponto de
21
vista, Morowitz concluiu que “a vida é uma propriedade dos planetas, e não dos organismos
individuais”.
Gaia foi um nome sugerido pelo romancista William Golding, à hipótese de James
Lovelock, pois era assim que os gregos chamavam a Terra em sua época.
Esta hipótese tem como características principais duas categorias, sendo a primeira a
presença de uma termodinâmica em conexão com a coexistência de gases redutores e
oxidantes em total sintonia, onde essa interação é responsável pela regulação do clima e sua
composição química, demonstrando dessa forma que a Terra é uma construção biológica,
onde todas as camadas da superfície são mantidas numa condição estável através do dispêndio
de energia da biosfera. E a segunda refere-se à cibernética, onde baseado nas conclusões de
Robert Garrels, “o ambiente da superfície da terra pode ser visto como um sistema dinâmico,
protegido contra perturbações por mecanismos eficazes de realimentação”. O que resulta na
afirmação de que cada estágio evolutivo de um componente da biosfera tem a capacidade de
alterar o ambiente, e por sua vez quando o ambiente é alterado pela formação de uma nova
espécie, várias outras são forçadas à adaptação, e assim segue a mudança.
Lynn Margulis através de seus estudos sobre o desenvolvimento evolutivo da vida
apresenta o conhecimento em detalhe da estrutura da célula. Parte da explicação de que as
células de maior porte, como as células de plantas e animais sempre contêm organelas, que
são órgãos intracelulares distintos que diferem reconhecidamente de seu ambiente na célula.
Uma organela que sempre está presente é o núcleo, que é separado do resto da célula por uma
membrana e é este núcleo que contém o material genético, que são: o ácido
desoxirribonucleico (DNA), o ácido ribonucleico (RNA), e molécula de grande teor proteico.
Definindo as células entre células eucariontes e procariontes. As células eucariontes são
aquelas que contem seu DNA envolto por uma membrana, constituindo o universo das formas
de vida maiores e mais elaboradas, e células procariontes, as células bacterianas e
microbianas, compostas por uma única molécula circular que flutua no interior da célula.
As células bacterianas têm o seu papal evolutivo explicado pela velocidade com que
podem se dividir e de espalhar pelo ambiente seu DNA, trocando livremente entre si suas
características hereditárias numa espécie de rede global de intercâmbio e por terem este poder
22
de intercambiar suas características, e adaptarem-se às mudanças ambientais, elas são
classificadas numa mesma linhagem, formando uma única teia vital microscópica.
Esta identificação dos tipos de células foi responsável pela compreensão dos processos
ocorridos durante milhões de anos e que deram origem à teoria da simbiose, definida de
acordo com Margulis “como uma vida íntima em conjunto com dois ou mais organismos de
espécies diferentes denominados simbiontes”, que formam parcerias estáveis para
alimentação, para a higiene e também para a proteção. Este seria um dos caminhos para a
evolução, pois conforme acredita Lynn Margulis, as simbioses prolongadas, envolvendo
bactérias e outros microrganismos que viviam dentro de células maiores, teriam criado e ainda
continuam a criar novas formas de vida, o que ficou conhecido por simbiogênese.
Outra característica significativa do processo evolutivo presente nos genomas
eucariontes e procariontes são os “transponsos”, ou os denominados “genomas saltadores”,
responsáveis pela remodelagem dos genomas, por introduzir informações genéticas novas,
alterar a expressão gênica, produzir mutações, criar novos genes e em silêncio produzir seus
próprios produtos genéticos ou alterar a atividade dos genes vizinhos. Este equilíbrio entre a
estabilidade e a “criatividade” genômica ajudam a moldar a variedade de vida na Terra. Estes
genes são muitas vezes os culpados pelas mutações causadoras de tumor e também implicam
em várias doenças neurológicas. Apesar disso, os “genes saltadores” também compõem quase
metade do sequenciamento do genoma humano atual, o que sugere que os seres humanos
devem muito da sua identidade aos seus saltos audaciosos.
Em especial um dos tipos mais comuns de “genes saltadores”, são os chamados L1,
encontrados em abundancia nas células-tronco humana do cérebro, diferenciam-se em
neurônios e desempenham um papel importante na regulação do desenvolvimento neuronal e
na sua proliferação. Ele é capaz codificar seu próprio maquinário para espalhar cópias de si
mesmo por todo o genoma celular. Porém quando um gene fragmentado é transcrito para um
filamento de RNA, a cópia tem de ser processada para iniciar a síntese de proteína. E assim
entra em cena enzimas que retiram do filamento os segmentos não-codificadores e
recombinam os segmentos codificadores restantes para fazer uma transcrição mais apropriada.
Neste processo o RNA mensageiro, sofre uma edição no caminho para a síntese proteica e
como esse processo de edição nunca é igual, as sequências codificadoras podem ser
recombinadas de diversas formas e cada recombinação aleatória resulta numa proteína
23
diferente, o que implica dizer que muitas proteínas diferentes podem ser produzidas a partir da
mesma sequência genética originária.
Este fato leva ao abandono do princípio de que cada gene gera uma proteína ou enzima
específica, ou seja, ao abandono do Dogma Central, e apresenta uma nova visão, que é a
dinâmica celular, onde entra em ação o funcionamento dos genes, sua programação, suas
atividades e comportamentos, suas expressões estruturais e reguladoras, que residem na rede
epigenética e no seu ambiente.
Esta rede celular no qual o genoma está inserido é não linear e contém múltiplos anéis de
realimentação que mudam os padrões de atividade genética constantemente em face das
circunstâncias mutáveis.
Evidências recentes comprovam que, pela indução de variabilidade nas células do
cérebro, eles podem impregnar organismos com flexibilidade para se adaptar rapidamente à
evolução das circunstâncias.
Em pesquisa recente feita pelo neurocientista Fred Gage e sua equipe da Universidade
da Califórnia (UC), em San Diego, foi descoberto que o aumento da L1 está associado a
transtornos mentais, como síndrome de Rett, uma forma de autismo, e uma doença motora
neurológica chamada síndrome de Louis-Bar, e assim percebeu-se um caminho para
investigar a esquizofrenia, feito alcançado pelo neurocientista Kazuya Iwamoto e seus colegas
que revelaram que tais mutações genéticas no cérebro podem ser prevenidas se a exposição à
fatores ambientais negativos, como um vírus por exemplo, forem evitadas pois podem
desencadear ou impedir alterações genéticas envolvidas na doença ajudando a remover parte
do seu estigma .
Esses derivados de DNA em todo o genoma de células do cérebro humano ajudam a criar uma
diversidade cognitiva vibrante que ajuda os seres humanos a responder às mudanças das
condições ambientais, e produz extraordinários "outliers", incluindo inovadores e gênios tais
como Picasso, no entanto o preço desta rica diversidade implica nas mutações que contribuem
para os transtornos mentais, como a esquizofrenia. Portanto, descobrir o que esses “genes
saltadores” realmente fazem no cérebro humano é a "próxima fronteira" para a compreensão
de distúrbios mentais mais complexos.
Isto indica que o DNA não é o único agente causal das formas e funções biológicas, embora
seja uma parte importante da rede epigenética.
2.4 FUNÇÃO APLICADA AO DNA E NOVAS DESCOBERTAS
É sabido que o DNA é o responsável pelo processo de auto-replicação da célula, o que
é uma característica essencial da vida, pois sem ela todas as estruturas que foram formadas
teriam desaparecido ou se degenerado e portanto a vida nunca teria evoluído.
24
Os processos metabólicos dependem tanto dos ácidos nucléicos (DNA e RNA) como
de proteínas. Nas células bacterianas encontram-se dois tipos de proteínas: as enzimas e as
proteínas. As enzimas funcionam como catalisadoras das atividades metabólicas e as
proteínas são responsáveis pelas estruturas das células entre outras funções específicas, como
no caso de células de organismos superiores, onde funcionam como anticorpos do sistema
imunológico ou endócrino.
A maioria dos processos metabólicos são catalisados por enzimas , que por sua vez são
especificadas pelos genes, logo este processo é controlado geneticamente e por sua vez é
bastante estável. Como as moléculas de RNA são as mensageiras, que a partir do DNA
transmitem as informações em código para a síntese de enzimas, estabelece-se dessa forma o
vínculo entre os aspectos genéticos e metabólicos da célula.
O destaque para o metabolismo celular é de fundamental importância, uma vez que a
simples presença de DNA numa célula não basta para definir uma vida, pois este mesmo se
encontra em células mortas. Logo é a presença da atividade metabólica que conjuga uma
característica essencial da vida.
A membrana celular é o limite entre o “eu” da célula e seu meio ambiente. No interior
do “eu” é que ocorrem todas as reações químicas, ou seja o metabolismo celular, sustentando
e conservando o sistema.
Embora tenham outros elementos que atuem como estruturas que funcionem como
barreiras entre o interior da célula e seu ambiente, as membranas são um traço universal da
vida celular. A sua importância é devida ao fato de tanto os processos que ocorrem em seu
interior, quanto o meio ao qual está inserido desde os primórdios, ser um meio aquoso, fluido
e por esta perspectiva, se torna uma condição essencial da vida celular, permitindo a difusão
entre os meios.
As membranas celulares, na verdade, são um único sistema membranoso interligado,
denominado “sistema endomembranoso”, que está em constante movimento e envolve as
organelas, chegando até o limite das células, sendo initerruptamente produzida, decomposta e
produzida novamente.
25
Elas trazem em si registros importantíssimos da origem da vida. E distinguem-se de
uma parede celular, no que diz respeito à sua rigidez, pois as membranas estão
constantemente ativas, controlando a passagem das substâncias num eterno movimento de
abrir e fechar-se. Estas atividades conservam as células e as protegem das entidades nocivas
presentes no meio ambiente, resguardando assim a sua identidade. É por este motivo, que
quando uma bactéria é atacada ela imediatamente produz membranas.
Outra característica que define a vida, na opinião de Capra, é a natureza do
metabolismo que ocorre dentro dos limites das células. Capra identificou a presença de um
padrão de redes, onde quer que haja vida, através da observação da concepção dos organismos
como redes de células, órgãos e sistemas orgânicos, e das células como rede de moléculas.
As atividades da rede metabólica da célula envolve uma dinâmica singular. Ela é
capaz de assimilar nutrientes do mundo exterior para sustentar a rede de reações químicas que
acontecem dentro de seus limites e assim produzir todos os componentes, incluindo os que
constituem o seu próprio limite.
Como a função de cada um dos componentes dessa rede é a de transformar ou
substituir outros componentes, este processo desenha uma rede que se regenera
continuamente, o que transformou-se na ponte para a definição sistêmica da vida,
desenvolvida pelos biólogos Humberto Maturana e Francisco Varela.
A definição sistêmica da vida consiste em “redes vivas que criam ou recriam a si
mesmas continuamente mediante a transformação ou a substituição dos seus componentes”.
Isto permite que ocorram mudanças contínuas em suas estruturas enquanto preservam seus
padrões de organização, que sempre se assemelham a teias.
Esta dinâmica de autogeração, observada por Maturana e Varela, levou à criação do
conceito de “Autopoiese”, que designa a capacidade dos seres vivos de produzirem a si
próprios. Segundo este conceito, um ser vivo é um sistema autopoiético, caracterizado como
uma rede fechada de processos moleculares, onde as moléculas produzidas geram com suas
interações a mesma rede de moléculas que as produziu. Associando o limite físico e a rede
metabólica. Onde o limite de um sistema autopoiético é quimicamente diferente do restante
26
do sistema, e atua nos processos metabólicos por constituir a si mesmo e por filtrar
seletivamente as moléculas que transitam pelo sistema.
A conservação da autopoiese e da adaptação de um ser vivo ao seu meio são
condições sistêmicas para a vida. Por tanto um sistema vivo, como sistema autônomo está
constantemente se auto-produzindo, auto-regulando, e sempre mantendo interações com o
meio, onde este apenas desencadeia no ser vivo mudanças determinadas em sua própria
estrutura, e não por um agente externo.
A partir desta nova concepção da vida organizada em função de redes, surgem dois
tipos de processos de produção entre duas redes distintas dentro da célula. A primeira onde os
processos metabólicos são facilitados pelas ações das enzimas, uma complexa teia de
interligações e elos de realimentação, os chamados “feedback loops” que se formam dentro
das células, é a denominada rede “metabólica”, onde os “metabólitos”, os alimentos, que
circulam pela membrana celular, vão construir as macromoléculas.
E a segunda rede que é a responsável pela produção destas macromoléculas e que
inclui e perpassa o nível genético, é a intitulada rede “epigenética”.
Embora essas duas redes tenham recebido nomes distintos, elas estão intimamente
conectadas e juntas constituem a rede celular autopoiética.
Esta nova e singular visão sobre a origem da vida identifica e revela que as formas e as
funções biológicas não são apenas determinadas pela “matriz genética”, ou seja, pelo seu
DNA, mas revela ao mundo, que de fato são originadas espontaneamente através de uma rede
epigenética inteira. Isto se dá pela simples razão de que ao se duplicar uma célula transmite à
outra geração o prolongamento de sua rede autopoiética inteira, com as suas membranas,
enzimas e orgânulos, ou seja, toda a sua rede biológica celular e não o DNA sozinho, uma vez
que os genes só conseguem atuar dentro do contexto da rede epigenética. Portanto as novas
mutações são geradas e controladas ativamente pela rede epigenética da célula, tornando a
evolução um elemento vital da auto-organização dos organismos vivos.
Analisando estas descobertas percebe-se que os sistemas vivos, no que concerne às
redes autopoiéticas, são fechados em relação à sua organização, mas abertos sob a perspectiva
27
material e energética. Como para manterem-se vivos precisam alimentar-se de um fluxo
contínuo de matéria e de energia capturadas do ambiente e excretar o material resultante do
processo metabólico de volta pro ambiente, foi onde a cientista Ilya Prigogine juntamente
com sua equipe, através da observação da dinâmica não-linear da troca do constante fluxo de
matéria e energia nos sistemas complexos, corroborou para a criação da teoria das estruturas
dissipativas, que caracteriza-se pelo surgimento espontâneo de novas estruturas e novas
formas de ordem, pois no processo de metabolismo, algumas estruturas são mantidas e novas
são desenvolvidas mediante a decomposição de outras estruturas, criando entropia-desordem-
subsequentemente dissipada na forma de produtos residuais decompostos.
Este fenômeno pode ser denominado de “criatividade”, pois trata da dinâmica do
desenvolvimento espontâneo, do aprendizado e da evolução. E é uma propriedade de todos os
sistemas vivos, e dessa forma conclui-se que a vida em geral expande-se em direção ao novo.
2.5 CAMINHOS EVOLUTIVOS
Até o presente momento pode-se dizer que houve três grandes caminhos no processo
evolutivo da vida. E é justamente o conceito de epigenética que vem mudando a visão
paradigmática da vida, trocando a visão reducionista das estruturas das sequencias genéticas
para a visão sistêmica da vida.
O primeiro diz respeito aos processos de mutações genéticas aleatórias, decorrente da
teoria neodarwiniana, acompanhado pelo processo de seleção natural, que explica a mutação
genética como sendo um erro casual causado no DNA durante o ato da auto-replicação, no
momento em que as duas cadeias da dupla hélice do DNA separam-se e cada uma delas se
torna o modelo para a formação de uma nova cadeia complementar. Como as células
bacterianas dividem-se rapidamente gerando bilhões a partir de uma única célula em apenas
poucos dias, uma única mutação benéfica pode se dispersar pelo ambiente repentinamente.
O segundo caminho de criatividade evolutiva das células bacterianas é a recombinação
do DNA, descoberta pela bióloga Lynn Margulis. No qual as trocas aleatórias de suas
características hereditárias, chega a cerca de 15% de seu material genético, acontecem
diariamente e livremente entre si, como que numa rede global de intercâmbio, formando uma
única teia vital microscópica.
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Na evolução as bactérias são capazes de acumular repentinamente suas mutações
ocasionais, assim como grandes porções de DNA, através das trocas de genes. O que as
tornam capazes de uma extraordinária capacidade de adaptação às mudanças ambientais.
O terceiro caminho também proposto por Margulis diz respeito a sua teoria da
“simbiogênese”, que presume a criação de novas formas de vida através de arranjos
simbióticos permanentes como a via responsável pelo surgimento de organismos superiores e
também devido à sua faculdade de reprodução sexuada, que permitiu a geração e perpetuação
de macro células, como as vegetais e animais, que transformaram-se nos organismos vivos
encontrados no nosso meio ambiente.
2.5.1 EVOLUÇÃO E COGNIÇÃO
Nas palavras de Gregory Bateson, “a evolução e a cognição são na realidade verso e reverso
da mesma moeda conceitual”.
A concepção sistêmica da vida foi responsável pela mudança da visão cartesiana da
mente como uma coisa, para a percepção da mente e consciência como processos. Esta nova
ótica levou Bateson a cunhar o termo “processo mental”, como um novo conceito da mente,
no âmbito da biologia.
Independentemente, Humberto Maturana, também percebendo a mente como um
processo, concentrou seus estudos no processo de conhecimento, na cognição, ao lado de
Francisco Varela, eleboraram a teoria da cognição de Santiago. A ideia central desta teoria é a
identificação da cognição, ou seja, do processo de conhecimento, com o processo de viver.
Segundo eles a cognição é a atividade que garante a autogeração e a autoperpetuação das
redes vivas. O que significa dizer o mesmo que a próprio processo da vida. De acordo com
suas observações a atividade organizadora em todos os níveis dos sistemas vivos é uma
atividade mental. E as interações que ocorrem entre os organismos vivos – vegetal, animal,
humano- com seu ambiente são interações cognitivas, tornando a atividade mental inerente à
matéria em todos os níveis de vida, inclusive em relação á percepção, as emoções e
comportamentos, mesmo na ausência de um cérebro ou sistema nervoso.
Nesta teoria a cognição está intimamente ligada à autopoiese, a autogeração das redes
vivas, uma vez que o sistema autopoiético é definido pelo fato de sofrer mudanças nas suas
29
estruturas enquanto conserva seu padrão de organização em teia. A auto-renovação das
estruturas se dá através da divisão das células que geram novas estruturas renovando os
tecidos e órgãos num ciclo contínuo, e mantendo seu padrão, ou seja, sua identidade global.
Segundo Paul Weis a célula “retém sua identidade de um modo muito mais
conservador e permanece muito mais semelhante a si mesma de momento para momento,
assim como a qualquer outra célula da mesma estirpe, do que jamais poderíamos prever pelo
conhecimento exclusivo do seu inventário de moléculas, macromoléculas e organelas, o qual
está sujeito a uma incessante mudança, recombinação e fragmentação de sua população”.
O segundo tipo de mudança estrutural relaciona-se com a criação de novas estruturas.
O que significa dizer que o sistema vivo se liga estruturalmente ao seu ambiente, através de
interações regulares, ocasionando mudanças estruturais no sistema. Como os sistemas vivos
são autônomos, o ambiente só desencadeia mudanças estruturais e não as especifica e nem as
dirige. No entanto, ao passo que o organismo vivo vai respondendo às influências ambientais
com mudanças estruturais, essas mudanças, vão alterar o seu comportamento futuro. E dessa
forma pode –se dizer que o sistema que se liga ao ambiente através de um elo estrutural, ele é
considerado um sistema que passa por um processo de adaptação, um aprendizado e um
desenvolvimento contínuo , salvaguardando os registros das etapas anteriores de
desenvolvimento, que culmina no registro de sua história.
O destaque nesta teoria vai para a mudança da concepção da visão cartesiana de René
Descartes, entre mente, a “coisa pensante” (res cogitans) e a matéria, “ a coisa extensa” (res
extensa), para uma nova ótica da vida, onde a mente e a matéria, são concebidas
inseparavelmente como dois aspectos integrantes do fenômeno da vida, que são processo e
estrutura, uma vez que toda a estrutura participa do processo cognitivo do organismo.
A Teoria de Santiago gerou precedentes para os estudos da consciência, levando ao
surgimento de diversas teorias, entre elas a teoria da complexidade e dos relatos em primeira
pessoa, que junto com a fenomenologia, que é um ramo importante da filosofia moderna
fundada por Edmund Husserl e mais tarde desenvolvida pelos renomados filósofos europeus
Martin Heidegger e Maurice Merleau-Ponty, permitiu que o biólogo Francisco Varela, criasse
a “neurofenomenologia”.
30
Como a fenomenologia consiste na investigação profunda das experiências subjetivas,
a neurofenomenologia, tornou-se o método de estudo da consciência que combina em si a
função da fenomenologia com a análise dos padrões e processos neurais correspondentes.
Logo os neurofenomenologistas buscam explorar os diversos domínios da experiência
subjetiva e buscam compreender como elas surgem espontaneamente a partir das complexas
atividades neurais. Essa busca tem como objetivo a criação de uma nova ciência; a ciência das
experiências subjetivas. Este caminho também proposto por Fritjof Capra anos antes, encontra
na Biodanza a sua prática.
3 MENTE, EPIGENÉTICA E O MEIO AMBIENTE
Definir Meio Ambiente implica em abordar várias características identificadas por
seus componentes assim como adotar uma nova perspectiva sob a visão do mundo, ou seja,
adotar uma mudança de paradigma.
Basicamente, a primeira ideia compreende recursos e fenômenos físicos como ar,
água, clima, energia, radiação, descarga elétrica, e magnetismo, envolvendo todas as coisas
vivas e não vivas que ocorrem na Terra e afetam suas regiões, seus ecossistemas e a vida
dos humanos.
Outra característica é um conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um
sistema natural, e incluem desde microorganismos, vegetação, animais, solo, rochas,
atmosfera até fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites.
Contudo a melhor definição para meio Ambiente está forma como o mundo é visto,
onde a visão Holística que concebe o mundo como um todo integrado, e não como a soma
de várias partes separadas, conduz à compreensão do Meio Ambiente de maneira
Ecológica, que reconhece a interdependência dos fenômenos, pois enquanto indivíduos e
sociedade estamos submetidos aos mesmos processos cíclicos da natureza. E esta visão
tem como pano de fundo estudar a relação entre os organismos e o ambiente envolvente
onde a presença de fatores externos exerce uma enorme influência, caracterizando a
abordagem sistêmica da vida, sob o ponto de vista ecológico.
A solução da equação da interação entre espécie e ambiente, o que sobrevive é: o
organismo-em-seu-meio-ambiente.
O que corrobora com o ponto de vista psicológico, no qual a relação entre genótipo e ambiente
é mediada pela esfera representacional e reguladora denominada self. Onde a partir da formação de
uma raiz biológica, corporal e social, o indivíduo constrói uma visão de si mesmo baseado na sua
percepção corporal, nos seus sentimentos e no aprendizado da interação com o outro. O processo
epigenético envolve uma interação direta entre os genes e o ambiente antes da formação do self, após
esta formação é o próprio self, quem irá mediar a interação entre as influências genéticas e ambientais.
Este self surge no momento em que é capaz de se auto-reconhecer num espelho. Logo o self é
uma estrutura representacional e auto-reguladora que emerge quando o sistema cerebral-mental atinge
um certo grau de complexidade.
31
Pela ótica filogenética, o auto-reconhecimento só ocorre em grandes primatas, exceto nos
macacos.
A construção de um self depende das diversas estruturas cerebrais. Entre elas estão o córtex
pré-frontal dorsolateral, que envolve a representação cognitiva dos valores, do raciocínio lógico,
planejamento e organização seqüencial do comportamento e sua regulação por metas e projetos para o
futuro; o córtex pré-frontal medial que monitora os estados mentais próprios e alheios; o córtex
orbitofrontal que junto com o sistema límbico auxilia na adaptação do comportamento a contextos
altamente variáveis e o sistema hipocampal responsável pela estrutura narrativa do self, pois este
também é formado por suas histórias que com a ajuda da memória episódica consegue construir uma
linha do tempo onde a sucessão de eventos e o contexto de suas ocorrências são registradas e
acessadas.
As influências biológico-genéticas e as socioambientais atuam na construção do self. Porém,
no instante, em que o self passa funcionar ele mesmo se torna uma fonte de influência, pois passa a
regular a interação com o meio e a tomar decisões. O que pela perspectiva psicológica, pode - se dizer
que a fórmula epigenética pode então ser reescrita.
O processo de desenvolvimento pode ser considerado dinâmico e interativo devido à genômica
comportamental.
3.1 A MENTE E O AMBIENTE
No processo de evolução consecutivo da vida duas etapas são fundamentais. A
primeira diz respeito à reprodução sexual, responsável pela introdução de uma diversidade
genética surpreendente. E a segunda é o surgimento da consciência, que possibilitou a
substituição dos mecanismos genéticos pelos sociais, baseados no pensamento conceitual e na
linguagem simbólica.
Gregory Bateson (apud CAPRA, 2006, p.283) aventou que a mente é um fenômeno
sistêmico característico de organismos vivos, sociedades e ecossistemas. Com isso foi
possível identificar que a mente é uma consequência natural da complexidade que acontece
antes mesmo dos organismos desenvolverem um cérebro e um sistema nervoso superior,
tornando-se, com efeito, uma propriedade dos sistemas vivos baseados na concepção
sistêmica da vida, onde vida e mente são definidos como processos que tendem à um conjunto
de relações dinâmicas, à auto-organização.
Bateson concluiu que além do corpo, a mente também está presente nos caminhos e
nas mensagens fora do corpo, e a cima de tudo revela que o meio ambiente possui uma mente,
32
como uma única rede mental, onde as mentes humanas individuais estariam inseridas nas
mentes mais ampla dos sistemas sociais, seguida dos sistemas ecológicos que por sua vez
estão integrados no sistema mental planetário, na mente Gaia, que por sua vez deve participar
da mente universal, da mente cósmica.
Assim sendo é possível metaforizar “Deus”, como a dinâmica auto-organizadora do
cosmo todo.
Seguindo a visão da sequência holística hierárquica da mente, surge Rupert Sheldrake
com a criação da teoria da ressonância mórfica e dos campos morfogenéticos, onde
brilhantemente revela o sistema holístico de organização.
O conceito dos campos mórficos, ou morfogenéticos surgiu a partir da seguinte
observação; um organismo têm órgãos que por sua vez possuem tecidos, os quais possuem
células, e que ao mesmo tempo pertence a uma sociedade que faz parte de um ecossistema, ou
seja, percebeu a presença de níveis, dentro de níveis, onde em cada nível o todo é maior que a
soma de suas partes e a esta hierarquia de o nome de campo morfogenético, que é um campo
que organiza todo o sistema. De acordo com sua análise, estes campos são invisíveis, dão
forma e padrão aos sistemas que organizam e mantêm juntas as diferentes partes do sistema.
Já o conceito de ressonância mórfica refere-se à ideia de que estes campos possuem
uma espécie de memória. Onde sua forma e sua estrutura dependem de sistemas semelhantes
anteriores. Isto significa dizer que todo o universo tem uma história na qual sistemas do
passado influenciam o sistema presente, que é a influência do semelhante sobre o semelhante.
A ressonância mórfica é uma ação à distância que contém transferência de informação
e não de energia. O interessante dessa descoberta é o fato de que os campos mórficos estão
dentro e ao redor dos sistemas que organizam, mas a ressonância mórfica ocorre a grandes
distâncias e espaços de tempo, porém somente a partir do passado. E compreende desde os
cristais até os humanos e suas cadeias sociais. Logo, quanto mais vezes alguma coisa
acontece, maior é a probabilidade de ela ocorrer.
Calcado nas descobertas da física quântica e na filosofia oriental, Sheldrake afirma
que a ressonância mórfica envolve as intenções e pode se relacionar com os campos mórficos,
33
pois os campos mórficos subjacentes à atividade mental não estão confinados no cérebro, mas
encontram-se espalhados pelo ambiente.
3.2 AMBIENTE ECOLÓGICO
Em Biodanza existem fatores ambientais responsáveis pela expressão do potencial
genético denominados de "ecofatores”. Estes ecofatores estimulam as linhas de vivência
permitindo a vida humana evolua mental, afetiva e organicamente durante toda a sua
existência. Estes ecofatores podem ser positivos, permitindo, ou negativos, bloqueando, a
expressão de potenciais. A evolução individual depende do desenvolvimento dos cinco
caminhos de expressão dos potenciais genéticos, denominadas linhas de vivência, que são a:
vitalidade, sexualidade, criatividade, afetividade e transcendência. E a integração de todas
essas linhas, permite o indivíduo alcançar um estado de plenitude, que conduz à
transcendência de sua programação filogenética.
Os exercícios e as danças propostos em Biodanza geram espaços repletos de
ecofatores positivos, propícios para a estimulação dos potenciais genéticos, que vão atuar
diretamente sobre a função integradora-adaptativa-límbico-hipotalâmica.
3.3 EPIGENÉTICA, MEIO AMBIENTE E PLASTICIDADE DO DESENVOLVIMENTO
“Na evolução como um todo, podemos encontrar uma
tendência da vida para expandir-se, para abarcar todos os
espaços disponíveis nos ambientes habitáveis, inclusive
naqueles criados pelo próprio processo de expansão.”
(SIMPSON,1949, apud TOMO, p.30)
Pensou-se que a capacidade de expansão e a diversificação da vida poderiam ser
critérios apropriados de progresso biológico, e que este estaria em função da capacidade de
obter e processar informações sobre o meio ambiente devido aos critérios de dominação,
invasão de novos ambientes, substituição, aperfeiçoamento na adaptação, adaptabilidade e
possibilidade de progresso futuro, aumento da especialização, controle sobre o ambiente,
crescente complexidade estrutural, aumento na energia geral ou manutenção do nível dos
processos vitais e aumento no âmbito e na variedade de ajustamento ao ambiente investigados
por Simpson.
34
No entanto sabe-se que a evolução acontece com base nas novas funções incorporadas às já
existentes, e não através da modificação das funções vitais essenciais. Sendo assim ela não
significa progresso, mas sim, transformação, desenvolvimento e uma sucessão de
manifestações. Todavia, pode existir progresso sem mudança evolutiva. Há mudanças que
representam progresso e outras que só significam transformações direcionais. Segundo
Thoday, os componentes que permitem a sobrevivência são: adaptação, estabilidade genética,
flexibilidade genética, flexibilidade fenotípica e a estabilidade do ambiente.
Porém os critérios propostos para definir a noção de progresso biológico se caracterizam
por serem excessivamente redutivos e diversificados a ponto de impossibilitar o
estabelecimento de um parâmetro unificador. Logo, Toro propõe o conceito de Nível de
Autonomia, como agente unificador, onde o termo autonomia significa a organização de um
sistema independente dentro de um sistema maior, capaz de realizar ações diferenciadas
conservando uma perfeita integração com o sistema maior. Onde primeiro, haja a existência
de um sistema sensório-motor eficaz, detentor de circuitos de retroalimentação de
extraordinária plasticidade e precisão que visa permitir a independência dos padrões de
resposta frente ao meio. Segundo a presença de um complexo sistema imunológico, destinado
a preservar a identidade biológica, diminuindo o risco frente aos perigos do meio ambiente. E
por fim seria a consciência do semelhante, através de um mecanismo de identidade. Este
processo é o que dá ao ser humano sua força expressiva, autônoma e criativa.
Estes fatores estão presentes na metodologia da Biodanza e com respaldo nas pesquisas
feitas nas áreas das neurociências, verifica-se sua contribuição no desenvolvimento dos seres
humanos frente às adversidades ambientais, possa lograr a reabilitação existencial, a
otimização do estilo de vida.
HEBB (HEBB, 2004, APUD TORO, P.267) previu que a estimulação ambiental produz
mudanças nas conexões estabelecidas pelos neurônios podendo criar novas sinapses, o que
significa enriquecer as atividades neurais gerando plasticidade nas funções do cérebro,
permitindo a renovação do sistema nervoso e formação de vias alternativas mediante as
variações dos sistemas bioquímicos, do desenvolvimento das células Glia, da neurogenesis, e
da melhora da memória e do aprendizado.
Os critérios de progresso evolutivo investigados por Simpson incluem: dominação, invasão de
novos ambientes, substituição, aperfeiçoamento na adaptação, adaptabilidade e possibilidade
35
de progresso futuro, aumento da especialização, controle sobre o ambiente, crescente
complexidade estrutural, aumento na energia geral ou manutenção do nível dos processos
vitais e aumento no âmbito e na variedade de ajustamento ao ambiente.
Foi também proposto que o progresso biológico estaria em função da capacidade de
obter e processar informações sobre o meio ambiente.
3.3.1 O AMBIENTE PLÁSTICO E A PLASTICIDADE DA BIODANZA
Donald Hebb, neurofisiologista canadense foi o primeiro a articular o conceito de
plasticidade sináptica (neural). Ele propôs que é a interação, o principal fator para o
surgimento de um ambiente enriquecido. E foi quem identificou que num espaço sináptico, o
contato entre o axônio pré-sináptico e o neurônio pós-sináptico se reforçam quando o axônio
pré-sináptico está ativo ao mesmo tempo que o neurônio pós-sináptico é ativado por outros
imputs, o que induz a reorganização dos circuitos neurais pré- existentes, sendo este processo
denominado de plasticidade neural. Em seguida ele propôs que essas trocas sinápticas
constituem a base da memória, que é o resultado da representação interna de um objeto no
cérebro. Onde a memória estaria constituída por todas as células cerebrais que são ativadas
por estímulos externo.
Esta é a razão, da existência dos ecofatores positivos na Biodanza, onde mediante
vivências nas categorias de vitalidade e homeostase, sexualidade e prazer, criatividade e
inovação afetividade e vínculo amoroso, transcendência e expansão e consciência, geram um
ambiento rico e em perfeita interação promovendo a autorregularão e potencialização dos
genes.
O ecofator principal no processo de desenvolvimento da plasticidade neural e da
expressão gênica é o ser humano. É por isto que Biodanza só pode ser feita em grupo.
Rita Levi Montalcini descobriu um fator de crescimento de algumas células nervosas,
o que permitiu uma mudança de paradigma na compreensão acerca do cérebro, onde antes se
pensava que era composto por um número determinado de células nervosas em cada indivíduo
e acreditava-se que era incapaz de se renovar ao longo da trajetória de vida, agora é fato o
sistema nervoso se renova em contato com um ambiente enriquecido.
Outra linha de investigação que contribui para a Biodanza é a genômica psicossocial,
elaborada por Ernest Rossi, onde estuda o relacionamento entre as experiências humanas e a
36
expressão genética e como o ambiente pode variar a expressão desses genes influenciando na
tradução da informação entre as sequencias dos genes, as estruturas das proteínas, suas
funções e as experiências mente-corpo, denominando este processo de “ciclo
psicobioinformático do genoma psicossocial”, integrando em sua teoria a tríplice mente,
corpo e espiritualidade. Onde o espiritual refere-se ao ambiente enriquecido pelos processos
de ação criativa, dos rituais culturais, das artes, música, dança, literatura, exercícios e
movimentos que influem na expressão dos genes. Se não ocorrem mudanças o corpo adoece.
Num mundo em constante mudança e evolução como qualquer sistema é necessário
reconhecer as mudanças e fluir com elas, se isto não acontece não ocorrem mudanças
sinápticas. Portanto é importante que a pessoa consiga fluir diante das mudanças e se
preocupe em estar num ambiente enriquecido, onde há a plasticidade neural e estabelecem-se
novos circuitos sinápticos e há um diferencial de expressões genéticas, que propicia um novo
estado cerebral, diferente da depressão por exemplo.
Por isso que em Biodanza, estas mudanças acontecem com rapidez, pois o ambiente
rico que ela oferece, deflagra emoções e leva a estados de regressão através das danças
integrativas e encontros em grupo.
Seguindo os estudos referentes à plasticidade neural, encontramos em Eric Kandel o
maior expoente desta ciência. Na busca incessante pela localização do ego no cérebro, Kandel
foi orientado por seu mentor, Harry Grundfest, (KANDEL, 2006, P.69), a estudar uma célula
por vez. O que o levou a se tornar um dos maiores fisiologistas na área do funcionamento da
memória e da aprendizagem, rendendo-lhe o prêmio Nobel de Medicina no ano de 2000.
Kandel propôs que a influência social pode ser armazenada no cérebro, afetando a
produção de proteínas, enzimas que participam do metabolismo, hormônios,
neurotransmissores, fatores de crescimento, fatores que participam do sistema autoimune e
principalmente, criam novas sinapses e neurônios que participam do processo de
aprendizagem, memória e comportamento. Onde essas alterações socialmente influenciadas,
são transmitidas culturalmente pela interação do ambiente e não geneticamente.
A mente não está localizada especificamente no cérebro, ela faz parte do corpo, seu
ambiente inclui o organismo inteiro. Assim como o meio ambiente e o ser vivo que estão
intimamente conectados através de seus sistemas corporais e sensoriais.
37
Portanto como Biodanza é conexão com si mesmo, com os outros, com a natureza,
com o contato e a vivência é por si só um modelo de ambiente enriquecido para o ser humano.
Voltando à Kandel, este afirma que as vivências despertam genes que conduzem ao
remodelamento cerebral, à produção de novas proteínas, à influência na memória, através de
mudanças funcionais nas memórias de curto prazo e mudanças estruturais nas de longo prazo
e na aprendizagem, o que torna a Biodanza um mecanismo de intervenção a nível adaptativo-
genético-psicossocial.
O ambiente enriquecido que a Biodanza oferece é construído por exercícios e músicas
que propiciam mudanças profundas, onde os ecofatores presentes despertam vivências, cujos
efeitos transformam a expressão genética no sentido de integração orgânica com o ambiente,
permitindo mudanças nos fenótipos, o que caracteriza o ambiente da Biodanza, como um
ambiente epigenético.
O potencial genético desenvolvido num ambiente enriquecido é uma força ativa que
pertence ao presente e possui a capacidade de induzir expressões de neurotransmissores e
mudar as conexões neurais existentes, de forma a criar uma rede de interações que
potencializam a identidade.
As linhas de vivência desenvolvidas na Biodanza induzem mudanças funcionais nos
âmbitos orgânicos e existenciais, onde os hormônios liberados através das músicas, e dos
exercícios de carícias onde o contato é seu instrumento mais importante, influenciam no nosso
estar no mundo. Na linha da sexualidade os exercícios desenvolvem a plasticidade afetiva,
estimulando a criação e reformulação de redes sinápticas resignificando nossas experiências.
Baseado na investigação de Rossi acerca da repetição das experiências positivas,
Rolando Toro acreditava que ao evocar o “luminoso” que há em cada um de nós, através dos
exercícios, milhares de neurônios responsáveis pela síntese de proteínas do estresse e de
outras doenças seriam gerados, aumentando assim a nossa saúde basal.
38
As condições das vivências da Biodanza são as mesmas reveladas pelos
neurocientistas e pesquisadores dos últimos tempos, onde ocorre a neurogênese, onde há a
concentração de neurotransmissores, hormônios e receptores, onde acontecem remodelações
sinápticas e onde surgem expressões genéticas diferenciais que dentro do ambiente
enriquecido, abrilhantam nossa existência, fazendo-nos transcender o nosso ego, gerando a
sensação de pertencimento e vinculando-nos não só a todas as espécies, mas também ao
Universo.
4 BIODANZA E SEUS FUNDAMENTOS
Os conceitos fundamentais desenvolvidos na Biodanza carregam em si uma poética
evolucionista. Suas bases metodológicas tem origem no movimento de conexão com o Todo.
E é na dança que este resgate é feito, pois através dela a expressão da unidade básica da vida,
as células, entra em sinergia com o Universo, refazendo o caminho da criação. As danças de
caráter integrativo pelo movimento são muito remotas. Entre elas destacam-se as danças
órficas, as cerimônias tântricas ou as danças giratórias do Sufismo, reveladas nas palavras a
baixo do poeta sufista.
“Oh dia, levanta-te!... os átomos dançam, as almas,
arrebatadas de êxtase, dançam, a abóbada celeste, por
causa desse Ser, dança. Te direi ao ouvido até aonde
conduz sua dança: Todos os átomos que existem no ar e no
deserto  compreenda-o bem  estão enamorados como nós
e cada um deles, feliz ou desgraçado, se encontra
deslumbrado pelo sol da alma incondicionada.” (Jalal-od-
Din Rumi .Séc. XIII)
Todo o processo evolutivo é acompanhado por transformações, e na Biodanza essa
transformação inicia-se em cada um de nós, no mais íntimo do nosso ser, transpondo os
limites de nossas membranas, levando a uma reaprendizagem no nível afetivo, seguido por
uma modificação límbico-hipotalâmica que irá gerar o desenvolvimento do vínculo, essencial
à espécie como totalidade biológica mediante o encontro do ritmo interno de cada ser vivente.
Esta dança é ritmo, é movimento pleno de sentido na busca da adaptação ao movimento
cósmico, reciclando a energia geradora da vida. É uma dança orgânica, pois mediante
movimentos que captam os padrões geradores, incorporam a harmonia musical entre os seres
vivos, conecta de maneira profunda o micro e o macrocosmo.
Os passos desta dança levam ao vínculo, que é essencial para a saúde vital. O vínculo é
a coreografia que vai resgatar o estar, o ser presente, através do ato de olhar, do toque, da
escuta, revelando nossa identidade sutil, verdadeira.
39
A dança na Biodanza ensina a vivenciar qualidades, vivenciar palavras, gestos, que no
contexto social vão se rompendo, vão ficando esquecidos, meio ao caos que se instalou
devido à transposição dos valores realmente importantes, que são os valores humanos, a
cooperação, para o valor monetário, que desencadeou patógenos egóicos que como um vírus,
encontrou vida no ambiente coletivo.
Portanto a proposta em Biodanza de retomar a conexão com si mesmo, despertar os
padrões genéticos vitais de resposta ao ambiente, desenvolvendo os potenciais anestesiados
pela luta da sobrevivência, despertando comportamentos mais altruístas que produz saltos
evolutivos conduzindo à evolução conjunta de uma nova consciência, uma consciência
cósmica, mais ecológica no sentido de membros de uma mesma espécie, a espécie vivente,
sagrada e integrarem-se entre si e ao mesmo tempo com o Universo, que é o Organismo
Maior, O Todo.
As estruturas cognitivas que levaram ao desenvolvimento de estruturas culturais foram
responsáveis pela disseminação da patologia social, fazendo com que o homem atrofiasse seus
instintos vitais, minimizando ao máximo sua conexão com a vida, fazendo-o perder sua
capacidade de estabelecer “bio-feedbacks” com tudo o que está vivo no ambiente.
Portanto, o despertar das funções de conexão com a vida é um objetivo desesperado das
psicoterapias, que na Biodanza, dá-se em três níveis. Sendo o primeiro deles a Conexão
Consigo Mesmo, conexão a vida na unidade primordial, apresentado pela posição geratriz de
intimidade, de abraço a si mesmo, de se estar em íntimo recolhimento, dando continente à sua
própria identidade. Esta vivência intensifica a consciência de estar vivo e de ser “único”.
A segunda é a Conexão com o Semelhante (com a Espécie), onde o fluxo e refluxo de
energia vital se estabelecem através dos olhares que se conectam em profunda intimidade, da
respiração que se funde num único processo metabólico até que os dois corpos formem um só
corpo, devido à sincronização total. Onde acontece uma eutonia, uma fluidez e gera um único
ritmo unificador.
E a terceira é a Conexão com o Universo, que é a conexão com a vida, formada por uma
energia nova que nasce no momento em que as identidades separadas formam uma identidade
maior.
No cristianismo, esta fase corresponde ao mistério do Espírito Santo, que é o estado de
transe, a fusão na totalidade, no princípio e no fim, de onde a vida se renova e se
retroalimenta.
Nesta dança de conexão com a vida originária, a vida anterior ao nascimento do eu, o
grupo dissolve suas identidades particulares e conecta a cada um com todos e com tudo.
Vivenciando um sentimento de fluir em uma totalidade cósmica, sem rosto, sem limites, sem
tempo.
4.1 ASPECTOS BIOLÓGICOS DA BIODANZA
A Biologia é um ponto de partida universal e referência básica para a compreensão do
ser humano, mas na visão de Rolando Toro as descobertas biológicas têm que ir ao encontro
das grandes intuições sobre os aspectos ainda não revelados e misteriosos da vida humana.
A Biologia precisa se desvencilhar das barreiras filosóficas e das ideologias ingênuas
que têm acompanhado o ser humano ao longo da história, para não cair nas armadilhas
reducionistas criadas pelo um falso objetivismo biologista ou da pobreza dogmática das
40
religiões.
Para Rolando a vida é Sagrada e crê que a expressão da vida através das criaturas é a
maior de todas hierofanias, porém considera que a cegueira frente à percepção da condição
sagrada da vida, perturbou as formas de vinculação com o cósmico. E denuncia as religiões
por serem as responsáveis pela dissociação entre o sagrado e o profano.
Em Biodanza as pessoas, ao vincularem-se numa Dança de Amor, despertam os
magnetismos da dança que geram campos biológicos, criativos e eróticos que transcendem os
limites temporais, levando para uma experiência única e atemporal, num momento mítico e
eterno, que é o momento do “aqui e agora” da Biodanza.
Toro desenvolveu o Pricípio Biocêntrico baseado na noção de que se o indivíduo está
vinculado de centro a centro com o Princípio da Vida, experimenta a vinculação
cosmobiológica, reconhecendo a sacralidade da vida presente desde os menores seres, como
uma simples alga até os macros elementos como as estrelas e os astros, incluindo o ser
humano. Onde as relações de transformação matéria-energia são graus de integração de vida e
o conhecimento se faz a partir da vivência da vida e da certeza que apresenta essa vivência
como dado inicial. No qual o universo é organizado em função da vida. E este delineamento é
biocosmológico e não antrópico, cosmológico ou teológico. E por isto as pessoas são
consideradas o meio ambiente mais poderoso, expressando o princípio biológico na formação
do par ecológico, da família ecológica, a comunidade ecológica, na consciência ecológica.
O princípio Biocêntrico, considera que a vida não surgiu como resultado de processos
metabólicos químicos e físicos, mas é a estrutura guia para a construção do universo. E afirma
que a evolução do universo é, na realidade, a evolução da vida. A entropia, como
deslocamento dos níveis energéticos para o estado térmico, é a função catabólica de qualquer
sistema vivo.
A partir do Princípio Biocêntrico inicia-se uma transformação existencial. No qual os
parâmetros do estilo de vida são os parâmetros da vida cósmica. Assim as danças se
organizam como expressões de vida e não como meios para alcançar fins antropológicos,
sociais ou político-econômicos. Pois os movimentos se espelham no sentido evolutivo para
criar mais vida dentro da vida, que é o que acontece no processo simbiótico, com o objetivo
de resgatar a vida onde quer que esta se encontre oprimida.
O Princípio Biocêntrico concentra seu interesse no universo concebido como sistema
vivo, onde em seu interior a vida se expressa em infinitos ensaios, onde o “por que” perde
sentido, para dar lugar ao “como”, para que o “Ser” possa ser no âmbito vivencial
expressando suas emoções através da dança, reconectando e resignificando suas experiências.
O que demonstra a capacidade do organismo vivo de renovar-se e estabelecer novos
equilíbrios a partir de certos estados de desordem. Esta renovação biológica é observável nos
casos de remissão espontânea de câncer, na renovação do equilíbrio funcional após certas
doenças, na função da homeostase do organismo, entre tantos outros. Este processo auto-
organizativo ocorre através do pensamento sistêmico.
Pensar holisticamente o organismo e adotar uma visão em rede é o caminho derivado do
pensamento sistêmico que adentrou na biologia e psicologia humana e que ao lançar um novo
olhar sobre a vida, permitiu saltar para outro nível e dançar a evolução.
Dentre os princípios universais dos seres vivos apoiados nas descobertas da Biologia
Genética, na Ciência da Evolução entre outros que a Biodanza abarca, encontram-se a filiação
41
Bioquímica Comum dos Seres Vivos, que identificou que os constituintes químicos de todos
os seres vivos são invariantes e de número limitado, sendo 20 aminoácidos (para as proteínas)
e 4 tipos de nucleotídeos (para os ácidos nucléicos) que são os mesmos, tanto para uma ameba
como para um ser humano revelando a vinculação dos os seres humanos com todos os seres
vivos.
O segundo princípio é o da Invariância Reprodutiva, definida por Jacques Monod,
como a capacidade dos seres vivos de transmitir o conteúdo de informação genética de cada
espécie de geração em geração, garantindo a conservação das estruturas orgânicas dessa
espécie, para que cumpram suas performances.
A terceira característica é a Teleonomia, onde as proteínas estruturadas pelo DNA são
responsáveis por quase todas as estruturas e atuações teleonômicas, enquanto que os ácidos
nucléicos são responsáveis pela invariância genética. Explica que os diversos órgãos e
sistemas do organismo cumprem projetos particulares que formam parte de um projeto
primitivo único: a conservação da espécie e sua multiplicação.
Já o princípio da Evolução Seletiva explica que os organismos vivos cumprem linhas
evolutivas diferentes, de acordo com as condições ambientais e ao passo que algumas
espécies se mantêm durante milhões de anos dentro do mesmo padrão estrutural, como os
insetos ou as ostras, outras se modificam e aperfeiçoam suas performances biológicas, e até
mesmo fracassam em seu processo adaptativo e se extinguem. A “estrutura seletiva”
individual conecta com o ambiente através de mecanismos de afinidade e rechaço, numa
dupla pulsação orgânica. Esta estrutura seletiva é bastante estável e em parte é gerada pela
aprendizagem, determinada pelas relações do indivíduo com seu meio. Logo o amor, a
autodoação, o êxtase cósmico, a atividade poética, entre outros, são as interações biológicas que
levam a uma biossíntese evolutiva.
No princípio de Diferenciação Evolutiva, encontram-se as os impulsos do potencial
humano. Esta diferenciação cria sistemas homeostáticos eficazes e gera vivências de plenitude
e harmônia. Cada indivíduo da mesma espécie apresenta fortes características morfológicas
específicas que o torna um indivíduo único e singular. As variações individuais dentro de cada
espécie ocorrem pela recombinação resultante do “fluxo genético” promovido pela
sexualidade. Os casos de mutação são frequentes, mas são poucos os que se perpetuam e
assimilam, devido à forte coerência e estabilidade teleonômica.
42
A ontogenia, ou seja, o processo de diferenciação individual está diretamente
relacionado com as possibilidades de desenvolvimento oferecidas pelo seu meio ambiente e
pela seleção ocorrida nas estruturas. .
Um dos princípios mais fenomenais dos organismos vivos é o processo cognitivo, que
abarca os processos de codificação, decodificação, armazenamento e evocação das
informações. Estas informações se estruturam quimicamente através do ácido ribonucléico.
Toda aprendizagem é seguida de uma modificação bioquímica do organismo. Existe
aprendizagem cognitivo-operacional, emocional-afetiva e visceral. Em Biodanza o instinto
pode ser considerado a memória da espécie, uma expressão teleonômica destinada a preservar
a vida. Logo pela perspectiva biológica, o chamado “instinto de morte” é inaceitável.
Os princípios da auto-regulação, do impulso a integrar unidades cada vez maiores, da
ressonância permanente com a origem, do aparecimento da identidade e da Simbiose,
constituem a base conceitual da Biodanza, onde através de exercícios e danças integradoras,
conservam e reorganizam as atividades intraorgânicas, desenvolve o sentimento de conexão
com o Cosmos, através dos estados de fusão com a totalidade, da transcendência dos limites
delimitados pelo seu ambiente, da expansão dos movimentos, devido à capacidade
autoplástica, que permite a adaptação e a modificação dos organismos integrando identidades
superiores, além de possibilitar uma reparentalização, levando a estados de regressão para
reciclar e renovar a energia vital e assim integrar-se cognitivamente, afetivamente e
visceralmente com o Todo. Este processo cria uma ressonância empática com a ancestralidade
e revela a relação íntima com a matriz cósmica e a rede biológica entre os seres vivos,
despertando o sentimento de comunhão humana no caminho evolutivo.
5 AS DANÇAS BIOLÓGICAS DA VIDA
O modelo teórico da Biodanza (SANTOS, 2009, P. 35) é evolutivo e pulsante e tem
como objetivo principal facilitar a expressão da identidade. Dividida por um eixo vertical,
composto pelas cinco linhas de vivência e outro horizontal, que oscila entre os polos da
consciência da identidade, de um lado, e a regressão aos dados genéticos primordiais no outro.
O eixo vertical marca o desenvolvimento humano, que parte do potencial genético e se
expressa de forma espiralada através da hélice formada pelas cinco linhas de vivência rumo à
integração existencial. Percorrendo o longo e complexo caminho desde a filogenia, passando
pela ontogenia até culminar na integração da identidade.
43
Como o modelo teórico de Biodanza (ANEXO 1) acompanha as descobertas do
mundo científico, novas leituras vão sendo introduzidas, como os conceitos de anabasis e
catabasis, porém sempre conservando o ser humano como parte do universo.
A presença do conhecimento biológico da vida encontra-se praticamente em todos os
termos criados por Rolando Toro, onde através da dança, da música e dos encontros em grupo
induz vivências integradoras.
No termo identidade o conjunto das características psicobiológicas surge através da
integração afetiva com o outro e da percepção de si mesmo.
Já na regressão, ocorre a ativação parassimpática, renovação orgânica e inibição
simpático-adrenérgica, ou seja, ocorre uma regressão biológica mediante a ativação dos
modelos filogenéticos primitivos. Este estado nos reconecta com a nossa parte sadia,
desprovida de patologias derivadas das questões sociais e culturais do nosso meio,
harmonizando e integrando nosso organismo.
O Transe é o mecanismo de passagem do estado de consciência ampliada de si à
regressão dentro das cinco linhas de vivência e também é um dos termos mais importantes no
que se refere à memória biológica, pois reestrutura permanentemente o desenvolvimento e
criam condições primordiais para um novo processo biológico.
A Reprogressão é a capacidade de evoluir, após uma regressão a etapas fetais o que
gera uma maior consciência da identidade. Neste processo ocorre uma reativação de padrões
primitivos de desenvolvimento e uma reorganização dos impulsos vitais bloqueados ou
reprimidos pela aprendizagem.
O Potencial Genético é o termo que contempla a ontogênese. Define-se pelo conjunto
de potencialidades de cada indivíduo, herdadas geneticamente e que contém os cromossomos
humanos, que se expressam meio à condições providas de ecofatores positivos.
As Protovivências são as raízes das linhas de vivência, são as respostas aos estímulos
externos e internos às experiências dos primeiros seis meses de vida do recém-chegado.
As Linhas de Vivência estão conectadas a princípios de vida e são uma expressão do
potencial genético. São elas: Vitalidade, que refere-se à homeostase, ao equilíbrio, à harmonia
biológica ao ímpeto vital. Afetividade, que é a capacidade de dar continente afetivo, proteger,
amar e aceitar a diversidade humana. Sexualidade, que está relacionada à capacidade de sentir
44
prazer, desejo sexual e está ligada à fecundação. Criatividade, que é a capacidade de
renovação diante do novo, das mudanças. E Transcendência que é a capacidade de ultrapassar
a fronteira do ego e expandir-se a ponto de comungar com o universo.
Ecofatores são estímulos que podem ser internos ou externos tanto organicamente
quanto subjetivamente e que compõem o ambiente e suas relações.
Integração é a união entre as funções orgânicas e psíquicas, realizada através da
estimulação da função primordial de conexão com a vida, com si mesmo, com o outro e com
o cosmo.
O Inconsciente Vital diz respeito à memória cósmica inscrita nas células, é uma
memória cognição celular que produz regularidades e tende a controlar as funções orgânicas.
Em seu sentido amplo significa a autoconservação. Origina a criação de tecidos, o aumento
da defesa imunológica e a solidariedade com o intuito de promover a saúde do sistema
vivente.
Inconsciente Coletivo é a memória da espécie, corroborado por Jung através de seus
arquétipos estabelece a relação entre o pessoal e o coletivo. Permitindo o entendimento dos
padrões de comportamento individual.
Inconsciente Pessoal provém do encontro das forças instintivas com os fatores
epigenéticos. É a memória dos fatos vivenciados e não das lembranças, principalmente
aqueles dos primeiros anos de vida, conforme sugerido por Freud. É fundamental para a
catarse das forças integradoras do Eu.
Transtase é a ascensão a um nível mais alto de integração na escala evolutiva. É a
expressão intensificada dos potenciais genéticos através da influência dos genes saltadores.
Possibilitando a ocorrência dos saltos quânticos na Biodanza.
Fusão é o efeito subjetivo da experiência da identidade pessoal que se amplia e se
torna uma só em comunhão com a unidade ontocosmológica.
Filogenia é a história do desenvolvimento evolutivo do indivíduo desde sua origem até
os dias atuais. Representa a herança genética das espécies vivas e o contexto natural da
espécie humana na Biodanza.
EPIGENÉTICA E O MEIO-AMBIENTE- DESENVOLVIMENTO ATRAVÉS DA BIODANZA | CAMILA CARLOS DA SILVA
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EPIGENÉTICA E O MEIO-AMBIENTE- DESENVOLVIMENTO ATRAVÉS DA BIODANZA | CAMILA CARLOS DA SILVA

  • 1. ESCOLA DE BIODANZA DO RIO DE JANEIRO CAMILA CARLOS DA SILVA EPIGENÉTICA E O MEIO-AMBIENTE- DESENVOLVIMENTO ATRAVÉS DA BIODANZA Rio de Janeiro 2015
  • 2. CAMILA CARLOS DA SILVA EPIGENÉTICA E O MEIO-AMBIENTE- DESENVOLVIMENTO ATRAVÉS DA BIODANZA Monografia apresentada em cumprimento às exigências da Escola de Biodanza do Rio de Janeiro para obtenção de Titulação em Facilitadora de Biodanza. Orientadora Facilitadora Didata Danielle Tavares. Rio de Janeiro 2015
  • 3. CAMILA CARLOS DA SILVA EPIGENÉTICA E O MEIO-AMBIENTE- DESENVOLVIMENTO ATRAVÉS DA BIODANZA Monografia apresentada em cumprimento às exigências da Escola de Biodanza do Rio de Janeiro para obtenção de Titulação em Facilitadora de Biodanza. Orientadora Facilitadora Didata Danielle Tavares. Aprovada em Examinador Facilitadora Didata Danielle Tavares- Escola de Biodanza do Rio de Janeiro
  • 4. EPIGENÉTICA E O MEIO-AMBIENTE- DESENVOLVIMENTO ATRAVÉS DA BIODANZA CAMILA CARLOS DA SILVA* RESUMO A monografia aqui proposta tem como objetivo abordar os fundamentos biológicos da Biodanza, priorizando os conceitos de epigenética e meio ambiente como caminhos para o desenvolvimento humano e saltos evolutivos. Logo contará com a presença de uma gama diversificada de pesquisadores com seus aportes teóricos que veem contribuindo ao longo da história da humanidade para entender a relação entre o ser humano, o meio ambiente e o processo evolutivo. E mostrará como a Biodanza favorece o desenvolvimento destes mecanismos através de seus fundamentos e exercícios propostos. A evolução é inerente à vida e a primeira teoria da evolução foi desenvolvida pelo cientista Jean-Baptiste Lamarck, criador da palavra “biologia”, onde observando os animais, percebeu que estes mudavam sob a influência ambiental, e que estas mudanças podiam ser transmitidas a seus descendentes. Para se entender a evolução no momento atual, é importante mudar a forma como pensamos e deslocar a visão cartesiana, mecanicista e reducionista sobre as coisas e o mundo, para uma visão holística e global da vida. Partindo da análise microscópica das unidades fundamentais da vida, a “célula”, para a integração quântica macroscópica do Cosmos. Palavras-chave: Epigenética. Meio ambiente. Biodanza. * cami-carlos@hotmail.com
  • 5. EPIGENETIC AND THE ENMVIROMENT- DEVELOPMENT BY BIODANZA CAMILA CARLOS DA SILVA* ABSTRACT The monograph presented here has for goal, the approach of the biological bases of Biodanza, appreciating the concepts about the epigenetic´s discover and the environment as a healthy way for a human being development and the evolutions jumping’s. Consequently the proposal will count with a large variety of valued scientists and researchers that have been contributing for the knowledge of the relationship between the human being, the genetic changes, their environment, and the evolution process. Therefore will show how the Biodanza helps to develop those mechanisms through the methodological concepts, exercises and dances. The evolution belongs to the life and the first theory about this, was created by the scientist Jean-Baptiste Lamarck, who invented the word “biology”, while he was observing animals, when suddenly realized that they changed under the environment influence and that these changes can be transmitted to their descendants. To understand what is going on with the evolution at the present moment, it is really important to change the way we think and dislocate the Cartesian , mechanist and reductionist point of view over the stuffs and the world to a new, holistic and global point of view about the life. Beginning at the microscopes analysis of the elementary units of life, the “cells”, to the macroscopic quantum´s integration of the Cosmos. KeyWords: Epigenetic. Environment. Biodanza. * cami-carlos@hotmail.com
  • 6. SUMÁRIO I INTRODUÇÃO 07 2 AUTORES, TEORIAS, MUDANÇAS DE PARADIGMAS 14 2.1 A PRIMEIRA TEORIA DO SER VIVO 14 2.2 A ORIGEM DA VIDA E SUAS TEORIAS 17 2.3 COMPETÊNCIAS APLICADAS ÀS CÉLULAS 19 2.4 A FUNÇÃO APLICADA AO DNA E NOVAS DESCOBERTAS 24 2.5 CAMINHOS EOLUTIVOS 27 2.5.1 EVOLUÇÃO E COGNIÇÃO 28 3 MENTE, EPIGENÉTICA E O MEIO AMBIENTE 30 3.1 A MENTE E O MEIO AMBIENTE 31 3.3.1 O AMBIENTE PLÁSTICO E A PLASTICIDADE DA BIODANZA 35 4 BIODANZA E SEUS FUNDAMENTOS 38 4.1 ASPECTOS BIOLÓGICOS DA BIODANZA 40 5 AS DANÇAS BIOLÓGICAS DA VIDA 43 6 CONCLUSÃO 45 7 REFERÊNCIAS 48 ANEXO 1 49
  • 7. “Mutação é a chave para a nossa evolução. Foi como evoluímos de organismos celulares simples, para a espécie dominante deste planeta. O processo é lento, leva naturalmente milhões de anos. Mas a cada período de tempo a evolução dá um salto”. (X-MEN 2). 1 INTRODUÇÃO A epígrafe acima será a norteadora da pesquisa aqui desenvolvida, que tem como proposta apresentar os aspectos biológicos que fundamentam a teoria da Biodanza, destacando os conceitos de epigenética e meio ambiente e a importância da Biodanza para o desenvolvimento evolutivo. Primeiramente é importante esclarecer a diferença entre mutação e epigenética. Mutação é o nome dado para indicar a ação de mudar, alterar ou transformar algo e também pode ser utilizado para indicar uma metamorfose ou evolução. No caso da biologia, mutação é um termo usado para definir o fenômeno da alteração brusca e inesperada do material genético (DNA) de um ser vivo, podendo, a partir de então, ser transmitido para os seus descendentes. O conceito de mutação foi desenvolvido pelo biólogo Hugo de Vries, a partir do estudo da hereditariedade de uma planta, onde observou o surgimento de novas características que não estavam presentes em seus ancestrais e concluiu que essas modificações eram causadas por alguma mudança brusca e casual no material genético e eram transmitidas aos seus descendentes, desencadeando a variação genética nos organismos. Vale ressaltar que a mutação ocorre em qualquer organismo vivo e que é induzida por agentes físicos, químicos ou biológicos, e que sua alteração ocorre exclusivamente na estrutura do DNA. DNA é a sigla para ácido desoxirribonucleico, que é um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e de alguns vírus. O principal papel do DNA é armazenar as informações necessárias para a construção das proteínas e RNA. O DNA se encontra no núcleo das células de um organismo, no interior dos cromossomos, com exceção das hemácias (glóbulos vermelhos), por não possuírem núcleo.
  • 8. 8 Os seres humanos têm um genoma de 46 cromossomos, sendo 2 sexuais e 44 autossomos, que dão as características ao ser Humano. Os segmentos de DNA que contêm a informação genética são denominados genes, o resto da sequência tem importância estrutural ou está envolvido na regulação do uso da informação genética. Com exceção de gêmeos univitelinos, o DNA de cada indivíduo é exclusivo, cada ser humano possui duas formas de cada gene, uma que recebe da mãe outra que recebe do pai. Mesmo sendo a maioria dos genes iguais entre as pessoas, algumas sequências do DNA variam de pessoa para pessoa. O que possibilita saber a paternidade de uma criança, através do teste de DNA, que confirmará a sua origem genética. A dupla hélice do DNA foi descoberta pelo norte-americano James Watson, juntamente com o britânico Francis Crick em 1953, que nove anos depois foram agraciados com o Prêmio Nobel de Medicina. Num contexto geral, as mutações acontecem devido a um erro no processo e duplicação do DNA, mas isto ocorre numa frequência muito baixa, devido à ação de correção do gene p53, que evita a formação de tumores. As mutações podem ser somáticas e germinativas. As mutações somáticas ocorrem nas células somáticas (células da pele, do fígado, do coração etc.). E em termos evolutivos, elas não são importantes, pois não são transmitidas aos descendentes. Já as mutações que ocorrem nas células germinativas (espermatozoide ou óvulo) serão transmitidas aos descendentes. Existem dois tipos de mutações: gênicas e cromossômiais. Nas mutações gênicas as mudanças ocorrem nos genes ocasionando uma mudança na sua estrutura que envolve adição, eliminação ou substituição de um ou poucos nucleotídeos da fita de DNA. Se a mutação ocorrer por adição ou subtração nas suas bases, o código genético será alterado o que poderá alterar o tipo de aminoácido incluído na cadeia proteica, fazendo com que a proteína tenha outra função ou até mesmo levar à inativação da expressão fenotípica. Os conceitos fenótipo e genótipo foram desenvolvidos no início do século XX, pelo pesquisador dinamarquês Wilhem L. Johannsen. O termo “fenótipo” provém do grego “pheno,” evidente, brilhante, e “typos”, característico. E é empregado para designar o conjunto de características físicas, morfológicas e fisiológicas e comportamentais de um organismo. Também fazem parte do fenótipo
  • 9. 9 características microscópicas e de natureza bioquímica, que necessitam de testes especiais para a sua identificação. O fenótipo é a expressão do genótipo: as proteínas que o genótipo codifica, determina as características fenotípicas. Ele resulta das atividades dos genes em conjunto com o meio ambiente. E frequentemente pode ser alterado. Por exemplo: uma pessoa possui um genótipo para pele clara, mas se expões frequentemente ao sol. Quando uma pessoa expõe sua pele ao sol, ela ativa a produção de melanina pela pele, para protegê-la dos raios solares, e dessa forma, sua pele fica mais escura, pigmentada. O genótipo dessa pessoa será sempre o mesmo: pele clara. O que vai alterar é apenas seu fenótipo, o que é visível e perceptível. Pessoas de pele muito clara normalmente são recessivas para muitos genes que codificam essa característica, e, como os genes recessivos codificam proteínas defeituosas, pessoas de pele muito clara ficam muito mais vermelhas do que morenas quando se expõem ao sol, pois não conseguem produzir melanina, ou a produzem em muito pouca quantidade, que é insuficiente para pigmentar. O vermelho que vemos é a irritação causada pelos raios solares. Cor da pele é apenas um exemplo, frente a um fenótipo inteiro. Uma pessoa pode alterar seu fenótipo constantemente: pessoas magras podem fazer exercícios físicos e adquirir mais massa muscular. Pessoas com cabelos loiros podem escurecê-los com tintas, e vice- versa. As características fenotípicas alteradas de uma pessoa não são passadas aos seus descendentes, pois a eles são passadas apenas as características genotípicas. Uma vez que por definição, o termo genótipo, também proveniente do grego, tem como “genos”, originar, provir, e “typos”, característica. Logo, este conceito refere-se à constituição genética do indivíduo, ou seja, aos genes que ele possui. A identificação do fenótipo de um indivíduo pode ser feita, observando-se diretamente, mesmo que seja através de instrumentos, no caso dos fenótipos de características microscópicas e de natureza bioquímica. Já o genótipo tem que ser inferido através da observação do fenótipo, da análise de seus pais, filhos e de outros parentes ou ainda pelo sequenciamento do genoma humano.
  • 10. 10 Com a descoberta da estrutura física dos genes por Watson e Crick em 1950, surgiu o conceito de estabilidade genética, compreendida como uma fiel auto-replicação da dupla hélice do DNA. Por outro lado as mutações seriam concebidas como erros aleatórios ocorridos durante o processo. Esta frequência de erros de cópia é mais ou menos de um em dez bilhões. Essa ideia fez com que o conceito de gene fosse uma unidade hereditária perfeitamente distinta e estável. Formando uma imagem no inconsciente científico de que os genes são os agentes causais da vida biológica. Porém, a fidelidade que está na origem da estabilidade genética, não é somente consequência da estrutura física do DNA, pelo fato de que ela por si só não é capaz de se autorreplicar. Ela encontra-se no processo, cuja participação de certas enzimas faz-se necessária para a realização de atividades distintas. Dentre estas atividades destacam-se o controle, a verificação das bases acrescentadas aos novos filamentos, correção dos erros de combinação e reparação de danos acidentais ocasionados nas estruturas de DNA. Evitando drasticamente o número de mutações que poderiam ocorrer, aumentando a estimativa de dez, para uma em cada cem bilhões. Neste processo de reprodução celular, ocorre a transmissão de um conjunto completo de enzimas, membranas e outras estruturas celulares às células-filhas. Essa rede celular inteira que é transmitida permite que o metabolismo celular continue sem jamais romper seus padrões autogeradores em rede. A fidelidade da replicação do DNA nem sempre é levada ao máximo, indicando a presença de mecanismos que geram ativamente erros de cópias através da mitigação de alguns dos processos de controle, e aponta principalmente uma condição singular, para que a taxa de mutação aumente, além da condição própria do organismo, que seria a condição na qual o organismo está inserido. Indicando que em todo organismo vivo, há um equilíbrio sutil entre a estabilidade genética e a “mutabilidade”, quer dizer, a capacidade do organismo de produzir ativamente mutação em si mesmo.
  • 11. 11 Estas descobertas permitiram identificar que a estabilidade genética não é uma propriedade exclusiva do DNA, mas sim, uma propriedade resultante da dinâmica complexa de toda uma rede de interações metabólicas celulares. Logo, biólogos como Evelyn Fox Keller, passaram a enxergar os processos metabólicos das enzimas como um agente paradigmático do processo de mutação para a concepção da visão epigenética da vida e da compreensão da evolução como elemento fundamental da auto-organização dos organismos vivos. Consequentemente para efeito introdutório, pode-se definir epigenética como sendo variações não genéticas, isto é, que não produzem mudanças no DNA, herdadas pelas gerações posteriores, adquiridas durante a ontogênese de um organismo que sofreu influências dos hábitos da vida e do seu ambiente social, e que acabaram por modificar o funcionamento de seus genes. E, portanto uma breve diferenciação entre os conceitos de mutação gênica e epigenética, é que a mutação é qualquer mudança na sequência do DNA no genoma, enquanto que na epigenética a sequencia do DNA não sofre alterações. O genoma é o mesmo em todas as nossas células, o epigenoma é diferente em cada uma dos 250 tipos de células diferentes que formam o ser humano e os outros animais. Acredita-se que a Epigenética está fortemente relacionada com a evolução, e que as mudanças epigenéticas são influenciadas pelas alterações do ambiente e isso envolve desde ataques de patógenos, que são organismos capazes de produzir doenças, à mudanças alimentares, principalmente com ingestão de substâncias que possam acarretar na mudança química e física do DNA, sendo uma disseminadora de fenótipos. Descobriram que fenômenos como a metilação do DNA, remodelagem de proteínas associadas à cromatina e ação de RNAS não codificadores afetam diretamente os genes, mas não afetam diretamente a sua sequência, porém variam a sua expressão genica. Estas variações acabaram por constituir e identificar a rede epigenética da célula, que deflagrou a nova visão no âmbito geneticista, a epigenética.
  • 12. 12 Definido em 1942 por Conrad H. Waddington, o termo “epigenética”, tem origem no prefixo grego “epi” que significa “acima, perto, a seguir”. E estuda as interações causais entre genes e seus produtos que são os responsáveis pela produção do fenótipo. A epigenética explica que nem tudo está predestinado, mostrando que atos como alimentação, exercícios físicos e comportamento podem influenciar na maneira como se organizam nossos genes. A compreensão da mudança do pensamento reducionista para o pensamento sistêmico é responsável pela ótica epistemológica da vida. O termo epigenética refere-se a todas as mudanças reversíveis e herdáveis no genoma funcional que não alteram a sequência de nucleotídeos do DNA. Inclui o estudo de como os padrões de expressão são passados para os descendentes; como ocorre a mudança de expressão espaço temporal de genes durante a diferenciação de um tipo de célula e como fatores ambientais podem mudar a maneira como os genes são expressos. A pesquisa na área da epigenética alcança implicações na agricultura, na biologia e doenças humanas, incluindo o entendimento sobre células tronco, câncer e envelhecimento. Existem três mecanismos principais de alterações epigenéticas: metilação do DNA, modificações de histonas e ação de RNAs não codificadores. Os padrões de metilação de DNA são os mais estudados e melhor entendidos dentre estes mecanismos, embora modificações de histonas também sejam bastante discutidas. A metilação do DNA está relacionada normalmente ao silenciamento de genes. Ela ocorre em 70 a 80% nas ilhas CpG que estão associadas aos promotores gênicos. A conformação da cromatina relaciona-se com a metilação, ou seja, regiões altamente metiladas estão associadas à heterocromatização. As modificações de histonas melhor estudadas são as acetilações, fosforilações e ubiquitinações, formando o que chamamos de código de histonas determinando a conformação da cromatina. Já a ação de RNAs não codificadores está relacionada ao silencimento póstranscricional de genes através do mecanismo de RNA de interferência onde ocorre o bloqueio da tradução ou degradação do RNAm alvo. Além, da ação bloqueadora da transcrição, os siRNA podem ser associados à metilação de sequências de DNA. Todos estes mecanismos parecem estar interligados para a organização estrutural da cromatina tornando-a mais acessível ou não aos fatores de transcrição. As mudanças epigenéticas são fortemente influenciadas pelo ambiente. Qualquer alteração ambiental,
  • 13. 13 ataques de patógenos, tipo de alimentação pode acarretar em mudanças epigenéticas. O estresse ambiental, incluindo a hibridação e a poliploidização, que significa a existência de mais de dois genomas no núcleo, cujo processo dinâmico e recorrente, provoca mudanças genéticas e epigenéticas, levando a uma extensa reestruturação em todos os níveis do genoma, como a repadronização cromossômica, o silenciamento gênico, a criação de novos padrões de expressão gênica, ação de transposons, invasão intergenômica e evolução. Todos esses fatores são determinantes na ocorrência de variações epigenéticas. Sendo assim, a epigenética está intimamente relacionada com o aumento de variabilidade fenotípica dos indivíduos resultando em relevante importância para a evolução também. Influências ambientais como a nutrição, o estresse e as emoções podem influenciar os genes ainda que não causem modificações em sua estrutura. Os epigeneticistas já descobriram que essas modificações podem ser passadas para as gerações futuras da mesma maneira que o padrão de DNA é passado pela dupla espiral. No conceito de Epigênese o desenvolvimento biopsicossocial acontece a partir da integração de influências ambientais e genéticas. O conceito de epigênese foi incorporado pelo geneticista escocês Waddington na década de 40, e significa os processos ontogenéticos, ou o desenvolvimento que ocorre em cima ou depois dos genes estabelecidos. De acordo com a fórmula epigenética o fenótipo não se limita às características somáticas, mas abarca todos os traços psicológicos, cognitivos, afetivos e comportamentais que são expressos fenotipicamente. A pergunta que surge entre os cientistas diante desta descoberta é como construir modelos integrativos sobre os modos como as influências ambientais e genéticas interagem umas com as outras para originar o fenotípico? Diante desta pergunta, uma resposta de modelo integrativo é a Biodanza. Logo a monografia aqui apresentada vai buscar identificar e interrelacionar os elementos que compõem a teia da vida.
  • 14. 14 2 AUTORES, TEORIAS, MUDANÇAS DE PARADIGMAS Qual a origem da vida? Esta é a pergunta que nos fazemos desde que o primeiro Australopithecus afarensis, ficou de pé e começou a andar. E na incansável busca para esta resposta, diversos filósofos, arqueólogos, religiosos, pensadores, pesquisadores em geral, se tornaram os responsáveis pelo desenvolvimento de muitas teorias e hipóteses, que até hoje contribuem para a compreensão e construção do conhecimento sobre a vida e sua origem. 2.1 A PRIMEIRA TEORIA DO SER VIVO A teoria da Geração Espontânea ou Abiogenese, defendida há mais de dois mil anos tinha em Aristóteles seu maior defensor, que acreditava que a vida tem uma origem não biológica, e tinha como base que coisas não vivas tinham um princípio vital, e era através deste princípio que coisas vivas poderiam surgir. Por muitos anos acreditou-se nela, devido às crenças fortemente enraizadas das pessoas, e pelo fato de não haver uma metodologia científica. Exemplo disto era que os sapos surgiam através dos lodos dos rios e não de outros sapos. Até que surgiu o biólogo Francesco Redi, que através de seus experimentos com pedaços de carne em potes, uns abertos e outros fechados, quis mostrar que eram as larvas das moscas que faziam as carnes ficarem putrefadas e não o princípio vital para assim criar simplesmente a, sem “A” Biogenese, que afirmava que todos os seres vivos surgem de outros seres vivos. No entanto como compete à função das crenças, a proteção do pensamento egóico e o atraso nas mudanças do modo de enxergar as coisas, os defensores da geração espontânea enxergaram o que queriam, e neste caso falaram que no pote selado, não continha a matéria bruta principal, o ar. Assim, disseram que apenas as larvas nasciam de seres pré-existentes. De qualquer forma este biólogo com sua experiência, foi o responsável pelo abalo da abiogênese e início de um novo modo de pensar a vida, que propiciou um novo caminho para outros grandes pensadores. Nesta mesma época estava sendo criado o microscópio, que permitia ver e estudar os micro-organismos, mas ninguém acreditava que eles eram capazes de se reproduzir, e assim eram gerados espontaneamente. Então se apegaram a esta crença para retardar o avanço.
  • 15. 15 Como acontece com todas as teorias, sempre surgem teóricos que buscam refutar as teorias desenvolvidas e teóricos que continuam suas pesquisas com base nas que acreditam. Logo, seguindo a história o cientista inglês John Needham, que defendia a geração espontânea e o padre e pesquisador italiano Lazzaro Spallanzani, defensor da biogênese, realizaram os mesmos experimentos com caldos nutritivos em tubos de ensaio, para indicar ou não o surgimento de micro-organismos, e assim confirmar ou não suas teses. No caso de Needham o experimento consistiu em colocar caldos nutritivos em frascos de vidro, aquecer e fechar com rolhas de cortiça, em seguida voltar a aquecer. Depois de algum tempo verificou a presença de micro-organismos nos caldos, afirmando terem surgido por geração espontânea, já que devido ao aquecimento era pra ter matado todos os micro- organismos, e como isso não aconteceu é porque houve a geração espontânea. Já para Spallanzani, que repetiu a experiência, tendo o cuidado de ferver e não simplesmente aquecer os frascos, e depois de fervido lacravas os frascos para ter certeza de que nenhum micro-organismo entrasse. Com isso observou que os frascos continuavam intactos. Mas ainda assim os defensores da abiogênese diziam que através da fervura ele havia destruído o princípio vital do caldo, que era o fundamental para o surgimento espontâneo da vida. O acusando de fazer o experimento de forma errada. De qualquer forma, entre “mortos o feridos”, o que importa, foi o fato de que toda esta “disputa” permitiu ao cientista francês Louis Pasteur, através da teoria de Spallanzani, derrotar de vez a teoria da Abiogenese. Pasteur mostrou com experimento parecido ao de Spallanzani, denominado frasco pescoço de cisne, que os micro-organismos vinham de fora através do ar e não surgiam espontaneamente nos caldos nutritivos. Desta forma ele conseguiu comprovar a biogênese, que significa dizer que todo ser vivo tem uma origem biológica. Trazendo à tona uma enorme variedade do mundo orgânico a nível micro, estabelecendo o papel das bactérias em certos processos químicos, como no caso da fermentação, dessa forma ajudando a lançar a base da bioquímica.
  • 16. 16 Depois de duas décadas dedicadas ao estudo das bactérias, Pasteur voltou-se para o estudo das doenças em animais de categoria superior e contribuiu com um grande avanço para a medicina ao relacionar os germes com as doenças, desenvolvendo a teoria microbiana da doença, que devido ao padrão de pensamento de sua época era de forma reducionista e simplista e por isso os cientistas inclinaram-se a associar as bactérias a causa única das doenças, ficando fissurados em identificar os micróbios e com o foco em desenvolver as drogas para destruí-los sem prejudicar o organismo. Esta visão cartesiana da época trouxe à luz a teoria do médico Claude Bernard, fundador da fisiologia moderna que, embora considerando que o corpo humano equivale à “uma máquina que funciona necessariamente em virtude das propriedades físico-químicas de seus elementos constituintes”, foi o primeiro que apontou a existência de um milieu intérieur, o que significa, um meio ambiente interno no qual vivem os órgãos e tecidos do organismo. Ele percebeu que num organismo saudável este milieu intérieur, permanece constante, mesmo quando o meio ambiente externo oscila consideravelmente, o que o levou a criar a célebre frase: “A constância do meio ambiente interno é a condição essencial da vida independente”. Esse conceito culminou com a noção de homeostase, criado pelo neurologista Walter Cannon para explicar a tendência que os organismos vivos têm de manter um estado de equilíbrio interno. Contudo, como toda hipótese surge a partir de uma pergunta, a pergunta que se seguiu foi: Quem foi o primeiro ser vivo? Buscando responder esta pergunta surgiram teorias de todos os lugares, inclusive teorias que afirmavam que a vida vinha de fora da terra e foi denominada de Panspermia Cósmica, também conhecida como exogenesis, é uma das teorias para a origem da vida surgida por volta do século XIX e que causa fascínio e intriga os que decidem estudá-la até hoje. Esta teoria busca explicações para o surgimento da vida em nosso planeta, de forma singular, afirmando que a vida teve origem segundo a povoação da Terra por seres vivos ou elementos vindos de outros planetas que chegaram aqui através de poeira cósmica, além dos meteoritos contendo o que seria o fóssil de uma bactéria que fora encontrado na região da Antártica por volta da década de 80.
  • 17. 17 Para completar a teoria de 1920 de Aleksander I. Oparin (1894-1980) e do cientista inglês John Burdon S. Haldane (1892 – 1964) sobre a origem dos primeiros seres vivos, o pesquisador japonês Yoshihiro Furukawa e sua equipe realizaram um experimento onde utilizaram um simulador de impacto de meteorito sobre uma superfície aquosa que imita as condições dos oceanos primitivos, esta experiência gerou uma mistura de moléculas orgânicas e alguns aminoácidos simples e graxos e a partir disto propôs que os impactos de meteoritos nos oceanos primitivos da Terra podem também ter sido os causadores da formação de complexas moléculas orgânicas, que mais tarde originaram a vida. 2.2 A ORIGEM DA VIDA E SUAS TEORIAS Na tentativa de montar uma linha de raciocínio linear, a primeira teoria que podemos citar é a Teoria de Oparim e Haldane. O bioquímico russo Aleksander I. Oparin e o biólogo inglês Haldane, sem saber que ambos estavam trabalhando em cima de uma mesma teoria, a teria da evolução química (ou molecular) desenvolvida pelo biólogo inglês Huxley, apresentaram ao universo científico na década de 1920, suas teorias com apenas cinco anos de diferença, mas que coincidentemente levaram o mesmo nome A Origem da Vida. Suas teorias foram baseadas nas condições da Terra que antes do surgimento dos primeiros seres vivos eram muito diferentes das atuais. Na atmosfera havia grande quantidade de gases e de partículas provenientes das erupções vulcânicas que eram muito frequentes. Esses gases e partículas ficaram retidos por ação da força da gravidade e passaram a compor a atmosfera primitiva. Onde provavelmente, esta atmosfera primitiva era composta por compostos inorgânicos, como: metano (CH4), amônia (NH3), gás hidrogênio (H2) e vapor d’água (H2O). Não havia gás oxigênio (O2) ou ele estava presente em baixíssima concentração; por isso se fala em ambiente redutor, isto é, não oxidante. Nessa época, a Terra estava passando por um processo de resfriamento, que permitiu o acúmulo de água nas depressões da sua costa, formando os mares primitivos. Ocorriam muitas descargas elétricas e radiações eram intensas, que supostamente teriam fornecido energia para que algumas moléculas presentes na atmosfera se unissem,
  • 18. 18 dando origem a moléculas maiores e mais complexas: as primeiras moléculas orgânicas. É importante lembrar que na atmosfera daquela época, diferentemente do que ocorre hoje, não havia o escudo de ozônio (O3) contra as radiações, especialmente a ultravioleta, que, assim, atingiam a Terra com grande intensidade. Logo essas reações teriam formado compostos orgânicos que foram gerados sem a ação de um organismo vivo. Estes compostos foram importantes, pois eles começaram a se juntar e a daí formar compostos maiores. Primeiro formaram os aminoácidos, que se combinavam pra formar proteínas e assim uma variedade de compostas orgânicos. As moléculas orgânicas formadas eram arrastadas pelas águas das chuvas e passavam a se acumular nos mares primitivos, que eram quentes e rasos. Esse processo, repetindo-se ao longo de muitos anos, teria transformado os mares primitivos em verdadeiras “caldos nutritivos”, ricas em matéria orgânica. Essas moléculas orgânicas poderiam ter-se agregado, formando coacervados, nome derivado do latim coacervare, que significa formar grupos. No caso, o sentido de coacervados é o de conjunto de moléculas orgânicas reunidas em grupos envoltos por moléculas de água. Esses coacervados não eram seres vivos, mas uma primitiva organização das substâncias orgânicas em um sistema semi-isolado do meio, podendo trocar substâncias com o meio externo e havendo possibilidade de ocorrerem inúmeras reações químicas em seu interior. Não se sabe como a primeira célula surgiu, mas pode-se supor que, se foi possível o surgimento de um sistema organizado como os coacervados, podem ter surgido sistemas equivalentes, envoltos por uma membrana formada por lipídios e proteínas e contendo em seu interior a molécula de ácido nucléico. Com a presença do ácido nucléico, essas formas teriam adquirido a capacidade de reprodução e regulação das reações internas. Nesse momento teriam surgido os primeiros seres vivos que, apesar de muito primitivos, eram capazes de se reproduzir, dando origem a outros seres semelhantes a eles. Esta teoria foi comprovada por Stanley Miller, estudante da Universidade de Chicago, que simulou em laboratório, através de um dispositivo, as condições primitivas da Terra, conseguindo “criar” compostos orgânicos a partir deste.
  • 19. 19 Apesar de ser uma estrutura menos complexa, foi possível demonstrar a formação de compostos orgânicos a partir de determinadas condições ambientais, reforçando assim as ideias de Oparin e Haldane. Estes compostos podem ter formado as primeiras células a partir de duas hipóteses. A primeira hipótese é chamada de Autotrófica, que são denominados os organismos que produzem seu próprio alimento, como uma planta, através da fotossíntese. Mas de acordo cm a teoria em vigor, devido às condições do planeta não era possível fazer a fotossíntese, pois não tinha gás carbônico na atmosfera terrestre, mas estes organismos podiam ser quimiolitotróficos, ou seja, organismos que tiram a energia através das rochas, que são materiais inorgânicos. Porém para tal, o primeiro organismo vivo do planeta que ter um metabolismo bastante complexo, porém o primeiro organismo era bem simples, o que indica que ele era um heterótrofo, que são seres vivos que não produzem seu próprio alimento, ou seja, precisa se alimentar de outro ser vivo. Por isto o primeiro ser vivo, fazia a fermentação, para se alimentar dos compostos do ambiente e com este processo, começou a liberação de gás carbônico que passou a se acumular na atmosfera. Com o decorrer do tempo as células da Terra primitiva, passavam por processos de “tentativa” e “erro” de cópia de reprodução e durante este processo em algum momento surgiu um microorganismo capaz de pegar o gás carbônico do ambiente e produzir seu próprio alimento, ou seja, capaz de fazer a fotossíntese. Este processo é o responsável pela liberação de oxigênio na atmosfera e devido à presença deste composto no ar, surgiram microorganismos que eram capazes de metabolizá-lo e utilizá-lo no seu metabolismo fazendo a respiração celular, que é o processo que usamos no nosso metabolismo. E dessa forma surge a base para toda a vida que existe hoje no planeta Terra. 2.3 COMPETÊNCIAS APLICADAS ÀS CÉLULAS Tendo em vista todo o “espetáculo narrado” para explicar o surgimento das primeiras células e da origem da vida, o que sucedeu a partir daí foi uma busca incessante pela identificação das suas características, das suas funções e de tudo o mais que possa se relacionar à célula e à identificação de vida, dentro do contexto biológica. De acordo com Fritjof Capra, toda a vida biológica é constituída por células. Sendo a célula bacteriana a mais simples de todo o sistema vivo. Dela desenvolveram-se todas as formas superiores de vida.
  • 20. 20 A célula bacteriana mais simples é a micoplasma, medindo apenas 1 (um) milésimo de milímetro de diâmetro. E seu genoma é constituído por apenas um único anel feito de dois filamentos de DNA. As cianobactérias, as antepassadas das algas azuis, são um exemplo destas bactérias simples. Um fato interessante é que mesmo sendo uma célula bem simples, acontece uma complexa rede de processos metabólicos, que opera ininterruptamente, transportando nutrientes para dentro da célula e dejetos para fora dela, e usando continuamente as moléculas de alimento para produzir proteínas e outros componentes celulares, e embora sejam compotas por células mínimas em relação à sua simplicidade estrutural, só são capazes de viver num ambiente químico específico e com certa complexidade. Na visão do biólogo Harold Morowitz, significa dizer que a simplicidade interna, indica que a bioquímica do organismo é simples, porém a simplicidade ecológica indica que o organismo impõe poucas exigências químicas ao ambiente externo. Para ele a vida contínua não é propriedade de um único organismo ou espécie, mas sim de um sistema ecológico inteiro. Portanto a vida deveria ser analisada sob o ponto de vista do continuum biológico e não como um acontecimento singular, de algo que surge e se destaca dentro de um meio contextual. Logo, sob a perspectiva ecológica, a vida deveria ser analisada através de ciclos proto- ecológicos e seus sistemas químicos que surgiram e se desenvolveram enquanto surgiam objetos próximos a organismos. Pois não existe nenhum organismo individual que viva em isolamento. No livro “Beginnings of Cellular Life”, de Morowitz, identifica os princípios básicos da bioquímica e da biologia molecular, que são comuns a todas as células vivas, a partir da evolução pré-biótica e da origem da vida. E consequentemente encontra nas células bacterianas o princípio da formação da proto-células e seu legado para a formação das primeiras células. Na hipótese Gaia, James Lovelock e Lynn Margulis, defendem que a evolução dos primeiros organismos vivos aconteceu acompanhada com a transformação da superfície do planeta de uma condição inorgânica para uma biosfera auto-reguladora. E sob este ponto de
  • 21. 21 vista, Morowitz concluiu que “a vida é uma propriedade dos planetas, e não dos organismos individuais”. Gaia foi um nome sugerido pelo romancista William Golding, à hipótese de James Lovelock, pois era assim que os gregos chamavam a Terra em sua época. Esta hipótese tem como características principais duas categorias, sendo a primeira a presença de uma termodinâmica em conexão com a coexistência de gases redutores e oxidantes em total sintonia, onde essa interação é responsável pela regulação do clima e sua composição química, demonstrando dessa forma que a Terra é uma construção biológica, onde todas as camadas da superfície são mantidas numa condição estável através do dispêndio de energia da biosfera. E a segunda refere-se à cibernética, onde baseado nas conclusões de Robert Garrels, “o ambiente da superfície da terra pode ser visto como um sistema dinâmico, protegido contra perturbações por mecanismos eficazes de realimentação”. O que resulta na afirmação de que cada estágio evolutivo de um componente da biosfera tem a capacidade de alterar o ambiente, e por sua vez quando o ambiente é alterado pela formação de uma nova espécie, várias outras são forçadas à adaptação, e assim segue a mudança. Lynn Margulis através de seus estudos sobre o desenvolvimento evolutivo da vida apresenta o conhecimento em detalhe da estrutura da célula. Parte da explicação de que as células de maior porte, como as células de plantas e animais sempre contêm organelas, que são órgãos intracelulares distintos que diferem reconhecidamente de seu ambiente na célula. Uma organela que sempre está presente é o núcleo, que é separado do resto da célula por uma membrana e é este núcleo que contém o material genético, que são: o ácido desoxirribonucleico (DNA), o ácido ribonucleico (RNA), e molécula de grande teor proteico. Definindo as células entre células eucariontes e procariontes. As células eucariontes são aquelas que contem seu DNA envolto por uma membrana, constituindo o universo das formas de vida maiores e mais elaboradas, e células procariontes, as células bacterianas e microbianas, compostas por uma única molécula circular que flutua no interior da célula. As células bacterianas têm o seu papal evolutivo explicado pela velocidade com que podem se dividir e de espalhar pelo ambiente seu DNA, trocando livremente entre si suas características hereditárias numa espécie de rede global de intercâmbio e por terem este poder
  • 22. 22 de intercambiar suas características, e adaptarem-se às mudanças ambientais, elas são classificadas numa mesma linhagem, formando uma única teia vital microscópica. Esta identificação dos tipos de células foi responsável pela compreensão dos processos ocorridos durante milhões de anos e que deram origem à teoria da simbiose, definida de acordo com Margulis “como uma vida íntima em conjunto com dois ou mais organismos de espécies diferentes denominados simbiontes”, que formam parcerias estáveis para alimentação, para a higiene e também para a proteção. Este seria um dos caminhos para a evolução, pois conforme acredita Lynn Margulis, as simbioses prolongadas, envolvendo bactérias e outros microrganismos que viviam dentro de células maiores, teriam criado e ainda continuam a criar novas formas de vida, o que ficou conhecido por simbiogênese. Outra característica significativa do processo evolutivo presente nos genomas eucariontes e procariontes são os “transponsos”, ou os denominados “genomas saltadores”, responsáveis pela remodelagem dos genomas, por introduzir informações genéticas novas, alterar a expressão gênica, produzir mutações, criar novos genes e em silêncio produzir seus próprios produtos genéticos ou alterar a atividade dos genes vizinhos. Este equilíbrio entre a estabilidade e a “criatividade” genômica ajudam a moldar a variedade de vida na Terra. Estes genes são muitas vezes os culpados pelas mutações causadoras de tumor e também implicam em várias doenças neurológicas. Apesar disso, os “genes saltadores” também compõem quase metade do sequenciamento do genoma humano atual, o que sugere que os seres humanos devem muito da sua identidade aos seus saltos audaciosos. Em especial um dos tipos mais comuns de “genes saltadores”, são os chamados L1, encontrados em abundancia nas células-tronco humana do cérebro, diferenciam-se em neurônios e desempenham um papel importante na regulação do desenvolvimento neuronal e na sua proliferação. Ele é capaz codificar seu próprio maquinário para espalhar cópias de si mesmo por todo o genoma celular. Porém quando um gene fragmentado é transcrito para um filamento de RNA, a cópia tem de ser processada para iniciar a síntese de proteína. E assim entra em cena enzimas que retiram do filamento os segmentos não-codificadores e recombinam os segmentos codificadores restantes para fazer uma transcrição mais apropriada. Neste processo o RNA mensageiro, sofre uma edição no caminho para a síntese proteica e como esse processo de edição nunca é igual, as sequências codificadoras podem ser recombinadas de diversas formas e cada recombinação aleatória resulta numa proteína
  • 23. 23 diferente, o que implica dizer que muitas proteínas diferentes podem ser produzidas a partir da mesma sequência genética originária. Este fato leva ao abandono do princípio de que cada gene gera uma proteína ou enzima específica, ou seja, ao abandono do Dogma Central, e apresenta uma nova visão, que é a dinâmica celular, onde entra em ação o funcionamento dos genes, sua programação, suas atividades e comportamentos, suas expressões estruturais e reguladoras, que residem na rede epigenética e no seu ambiente. Esta rede celular no qual o genoma está inserido é não linear e contém múltiplos anéis de realimentação que mudam os padrões de atividade genética constantemente em face das circunstâncias mutáveis. Evidências recentes comprovam que, pela indução de variabilidade nas células do cérebro, eles podem impregnar organismos com flexibilidade para se adaptar rapidamente à evolução das circunstâncias. Em pesquisa recente feita pelo neurocientista Fred Gage e sua equipe da Universidade da Califórnia (UC), em San Diego, foi descoberto que o aumento da L1 está associado a transtornos mentais, como síndrome de Rett, uma forma de autismo, e uma doença motora neurológica chamada síndrome de Louis-Bar, e assim percebeu-se um caminho para investigar a esquizofrenia, feito alcançado pelo neurocientista Kazuya Iwamoto e seus colegas que revelaram que tais mutações genéticas no cérebro podem ser prevenidas se a exposição à fatores ambientais negativos, como um vírus por exemplo, forem evitadas pois podem desencadear ou impedir alterações genéticas envolvidas na doença ajudando a remover parte do seu estigma . Esses derivados de DNA em todo o genoma de células do cérebro humano ajudam a criar uma diversidade cognitiva vibrante que ajuda os seres humanos a responder às mudanças das condições ambientais, e produz extraordinários "outliers", incluindo inovadores e gênios tais como Picasso, no entanto o preço desta rica diversidade implica nas mutações que contribuem para os transtornos mentais, como a esquizofrenia. Portanto, descobrir o que esses “genes saltadores” realmente fazem no cérebro humano é a "próxima fronteira" para a compreensão de distúrbios mentais mais complexos. Isto indica que o DNA não é o único agente causal das formas e funções biológicas, embora seja uma parte importante da rede epigenética. 2.4 FUNÇÃO APLICADA AO DNA E NOVAS DESCOBERTAS É sabido que o DNA é o responsável pelo processo de auto-replicação da célula, o que é uma característica essencial da vida, pois sem ela todas as estruturas que foram formadas teriam desaparecido ou se degenerado e portanto a vida nunca teria evoluído.
  • 24. 24 Os processos metabólicos dependem tanto dos ácidos nucléicos (DNA e RNA) como de proteínas. Nas células bacterianas encontram-se dois tipos de proteínas: as enzimas e as proteínas. As enzimas funcionam como catalisadoras das atividades metabólicas e as proteínas são responsáveis pelas estruturas das células entre outras funções específicas, como no caso de células de organismos superiores, onde funcionam como anticorpos do sistema imunológico ou endócrino. A maioria dos processos metabólicos são catalisados por enzimas , que por sua vez são especificadas pelos genes, logo este processo é controlado geneticamente e por sua vez é bastante estável. Como as moléculas de RNA são as mensageiras, que a partir do DNA transmitem as informações em código para a síntese de enzimas, estabelece-se dessa forma o vínculo entre os aspectos genéticos e metabólicos da célula. O destaque para o metabolismo celular é de fundamental importância, uma vez que a simples presença de DNA numa célula não basta para definir uma vida, pois este mesmo se encontra em células mortas. Logo é a presença da atividade metabólica que conjuga uma característica essencial da vida. A membrana celular é o limite entre o “eu” da célula e seu meio ambiente. No interior do “eu” é que ocorrem todas as reações químicas, ou seja o metabolismo celular, sustentando e conservando o sistema. Embora tenham outros elementos que atuem como estruturas que funcionem como barreiras entre o interior da célula e seu ambiente, as membranas são um traço universal da vida celular. A sua importância é devida ao fato de tanto os processos que ocorrem em seu interior, quanto o meio ao qual está inserido desde os primórdios, ser um meio aquoso, fluido e por esta perspectiva, se torna uma condição essencial da vida celular, permitindo a difusão entre os meios. As membranas celulares, na verdade, são um único sistema membranoso interligado, denominado “sistema endomembranoso”, que está em constante movimento e envolve as organelas, chegando até o limite das células, sendo initerruptamente produzida, decomposta e produzida novamente.
  • 25. 25 Elas trazem em si registros importantíssimos da origem da vida. E distinguem-se de uma parede celular, no que diz respeito à sua rigidez, pois as membranas estão constantemente ativas, controlando a passagem das substâncias num eterno movimento de abrir e fechar-se. Estas atividades conservam as células e as protegem das entidades nocivas presentes no meio ambiente, resguardando assim a sua identidade. É por este motivo, que quando uma bactéria é atacada ela imediatamente produz membranas. Outra característica que define a vida, na opinião de Capra, é a natureza do metabolismo que ocorre dentro dos limites das células. Capra identificou a presença de um padrão de redes, onde quer que haja vida, através da observação da concepção dos organismos como redes de células, órgãos e sistemas orgânicos, e das células como rede de moléculas. As atividades da rede metabólica da célula envolve uma dinâmica singular. Ela é capaz de assimilar nutrientes do mundo exterior para sustentar a rede de reações químicas que acontecem dentro de seus limites e assim produzir todos os componentes, incluindo os que constituem o seu próprio limite. Como a função de cada um dos componentes dessa rede é a de transformar ou substituir outros componentes, este processo desenha uma rede que se regenera continuamente, o que transformou-se na ponte para a definição sistêmica da vida, desenvolvida pelos biólogos Humberto Maturana e Francisco Varela. A definição sistêmica da vida consiste em “redes vivas que criam ou recriam a si mesmas continuamente mediante a transformação ou a substituição dos seus componentes”. Isto permite que ocorram mudanças contínuas em suas estruturas enquanto preservam seus padrões de organização, que sempre se assemelham a teias. Esta dinâmica de autogeração, observada por Maturana e Varela, levou à criação do conceito de “Autopoiese”, que designa a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios. Segundo este conceito, um ser vivo é um sistema autopoiético, caracterizado como uma rede fechada de processos moleculares, onde as moléculas produzidas geram com suas interações a mesma rede de moléculas que as produziu. Associando o limite físico e a rede metabólica. Onde o limite de um sistema autopoiético é quimicamente diferente do restante
  • 26. 26 do sistema, e atua nos processos metabólicos por constituir a si mesmo e por filtrar seletivamente as moléculas que transitam pelo sistema. A conservação da autopoiese e da adaptação de um ser vivo ao seu meio são condições sistêmicas para a vida. Por tanto um sistema vivo, como sistema autônomo está constantemente se auto-produzindo, auto-regulando, e sempre mantendo interações com o meio, onde este apenas desencadeia no ser vivo mudanças determinadas em sua própria estrutura, e não por um agente externo. A partir desta nova concepção da vida organizada em função de redes, surgem dois tipos de processos de produção entre duas redes distintas dentro da célula. A primeira onde os processos metabólicos são facilitados pelas ações das enzimas, uma complexa teia de interligações e elos de realimentação, os chamados “feedback loops” que se formam dentro das células, é a denominada rede “metabólica”, onde os “metabólitos”, os alimentos, que circulam pela membrana celular, vão construir as macromoléculas. E a segunda rede que é a responsável pela produção destas macromoléculas e que inclui e perpassa o nível genético, é a intitulada rede “epigenética”. Embora essas duas redes tenham recebido nomes distintos, elas estão intimamente conectadas e juntas constituem a rede celular autopoiética. Esta nova e singular visão sobre a origem da vida identifica e revela que as formas e as funções biológicas não são apenas determinadas pela “matriz genética”, ou seja, pelo seu DNA, mas revela ao mundo, que de fato são originadas espontaneamente através de uma rede epigenética inteira. Isto se dá pela simples razão de que ao se duplicar uma célula transmite à outra geração o prolongamento de sua rede autopoiética inteira, com as suas membranas, enzimas e orgânulos, ou seja, toda a sua rede biológica celular e não o DNA sozinho, uma vez que os genes só conseguem atuar dentro do contexto da rede epigenética. Portanto as novas mutações são geradas e controladas ativamente pela rede epigenética da célula, tornando a evolução um elemento vital da auto-organização dos organismos vivos. Analisando estas descobertas percebe-se que os sistemas vivos, no que concerne às redes autopoiéticas, são fechados em relação à sua organização, mas abertos sob a perspectiva
  • 27. 27 material e energética. Como para manterem-se vivos precisam alimentar-se de um fluxo contínuo de matéria e de energia capturadas do ambiente e excretar o material resultante do processo metabólico de volta pro ambiente, foi onde a cientista Ilya Prigogine juntamente com sua equipe, através da observação da dinâmica não-linear da troca do constante fluxo de matéria e energia nos sistemas complexos, corroborou para a criação da teoria das estruturas dissipativas, que caracteriza-se pelo surgimento espontâneo de novas estruturas e novas formas de ordem, pois no processo de metabolismo, algumas estruturas são mantidas e novas são desenvolvidas mediante a decomposição de outras estruturas, criando entropia-desordem- subsequentemente dissipada na forma de produtos residuais decompostos. Este fenômeno pode ser denominado de “criatividade”, pois trata da dinâmica do desenvolvimento espontâneo, do aprendizado e da evolução. E é uma propriedade de todos os sistemas vivos, e dessa forma conclui-se que a vida em geral expande-se em direção ao novo. 2.5 CAMINHOS EVOLUTIVOS Até o presente momento pode-se dizer que houve três grandes caminhos no processo evolutivo da vida. E é justamente o conceito de epigenética que vem mudando a visão paradigmática da vida, trocando a visão reducionista das estruturas das sequencias genéticas para a visão sistêmica da vida. O primeiro diz respeito aos processos de mutações genéticas aleatórias, decorrente da teoria neodarwiniana, acompanhado pelo processo de seleção natural, que explica a mutação genética como sendo um erro casual causado no DNA durante o ato da auto-replicação, no momento em que as duas cadeias da dupla hélice do DNA separam-se e cada uma delas se torna o modelo para a formação de uma nova cadeia complementar. Como as células bacterianas dividem-se rapidamente gerando bilhões a partir de uma única célula em apenas poucos dias, uma única mutação benéfica pode se dispersar pelo ambiente repentinamente. O segundo caminho de criatividade evolutiva das células bacterianas é a recombinação do DNA, descoberta pela bióloga Lynn Margulis. No qual as trocas aleatórias de suas características hereditárias, chega a cerca de 15% de seu material genético, acontecem diariamente e livremente entre si, como que numa rede global de intercâmbio, formando uma única teia vital microscópica.
  • 28. 28 Na evolução as bactérias são capazes de acumular repentinamente suas mutações ocasionais, assim como grandes porções de DNA, através das trocas de genes. O que as tornam capazes de uma extraordinária capacidade de adaptação às mudanças ambientais. O terceiro caminho também proposto por Margulis diz respeito a sua teoria da “simbiogênese”, que presume a criação de novas formas de vida através de arranjos simbióticos permanentes como a via responsável pelo surgimento de organismos superiores e também devido à sua faculdade de reprodução sexuada, que permitiu a geração e perpetuação de macro células, como as vegetais e animais, que transformaram-se nos organismos vivos encontrados no nosso meio ambiente. 2.5.1 EVOLUÇÃO E COGNIÇÃO Nas palavras de Gregory Bateson, “a evolução e a cognição são na realidade verso e reverso da mesma moeda conceitual”. A concepção sistêmica da vida foi responsável pela mudança da visão cartesiana da mente como uma coisa, para a percepção da mente e consciência como processos. Esta nova ótica levou Bateson a cunhar o termo “processo mental”, como um novo conceito da mente, no âmbito da biologia. Independentemente, Humberto Maturana, também percebendo a mente como um processo, concentrou seus estudos no processo de conhecimento, na cognição, ao lado de Francisco Varela, eleboraram a teoria da cognição de Santiago. A ideia central desta teoria é a identificação da cognição, ou seja, do processo de conhecimento, com o processo de viver. Segundo eles a cognição é a atividade que garante a autogeração e a autoperpetuação das redes vivas. O que significa dizer o mesmo que a próprio processo da vida. De acordo com suas observações a atividade organizadora em todos os níveis dos sistemas vivos é uma atividade mental. E as interações que ocorrem entre os organismos vivos – vegetal, animal, humano- com seu ambiente são interações cognitivas, tornando a atividade mental inerente à matéria em todos os níveis de vida, inclusive em relação á percepção, as emoções e comportamentos, mesmo na ausência de um cérebro ou sistema nervoso. Nesta teoria a cognição está intimamente ligada à autopoiese, a autogeração das redes vivas, uma vez que o sistema autopoiético é definido pelo fato de sofrer mudanças nas suas
  • 29. 29 estruturas enquanto conserva seu padrão de organização em teia. A auto-renovação das estruturas se dá através da divisão das células que geram novas estruturas renovando os tecidos e órgãos num ciclo contínuo, e mantendo seu padrão, ou seja, sua identidade global. Segundo Paul Weis a célula “retém sua identidade de um modo muito mais conservador e permanece muito mais semelhante a si mesma de momento para momento, assim como a qualquer outra célula da mesma estirpe, do que jamais poderíamos prever pelo conhecimento exclusivo do seu inventário de moléculas, macromoléculas e organelas, o qual está sujeito a uma incessante mudança, recombinação e fragmentação de sua população”. O segundo tipo de mudança estrutural relaciona-se com a criação de novas estruturas. O que significa dizer que o sistema vivo se liga estruturalmente ao seu ambiente, através de interações regulares, ocasionando mudanças estruturais no sistema. Como os sistemas vivos são autônomos, o ambiente só desencadeia mudanças estruturais e não as especifica e nem as dirige. No entanto, ao passo que o organismo vivo vai respondendo às influências ambientais com mudanças estruturais, essas mudanças, vão alterar o seu comportamento futuro. E dessa forma pode –se dizer que o sistema que se liga ao ambiente através de um elo estrutural, ele é considerado um sistema que passa por um processo de adaptação, um aprendizado e um desenvolvimento contínuo , salvaguardando os registros das etapas anteriores de desenvolvimento, que culmina no registro de sua história. O destaque nesta teoria vai para a mudança da concepção da visão cartesiana de René Descartes, entre mente, a “coisa pensante” (res cogitans) e a matéria, “ a coisa extensa” (res extensa), para uma nova ótica da vida, onde a mente e a matéria, são concebidas inseparavelmente como dois aspectos integrantes do fenômeno da vida, que são processo e estrutura, uma vez que toda a estrutura participa do processo cognitivo do organismo. A Teoria de Santiago gerou precedentes para os estudos da consciência, levando ao surgimento de diversas teorias, entre elas a teoria da complexidade e dos relatos em primeira pessoa, que junto com a fenomenologia, que é um ramo importante da filosofia moderna fundada por Edmund Husserl e mais tarde desenvolvida pelos renomados filósofos europeus Martin Heidegger e Maurice Merleau-Ponty, permitiu que o biólogo Francisco Varela, criasse a “neurofenomenologia”.
  • 30. 30 Como a fenomenologia consiste na investigação profunda das experiências subjetivas, a neurofenomenologia, tornou-se o método de estudo da consciência que combina em si a função da fenomenologia com a análise dos padrões e processos neurais correspondentes. Logo os neurofenomenologistas buscam explorar os diversos domínios da experiência subjetiva e buscam compreender como elas surgem espontaneamente a partir das complexas atividades neurais. Essa busca tem como objetivo a criação de uma nova ciência; a ciência das experiências subjetivas. Este caminho também proposto por Fritjof Capra anos antes, encontra na Biodanza a sua prática. 3 MENTE, EPIGENÉTICA E O MEIO AMBIENTE Definir Meio Ambiente implica em abordar várias características identificadas por seus componentes assim como adotar uma nova perspectiva sob a visão do mundo, ou seja, adotar uma mudança de paradigma. Basicamente, a primeira ideia compreende recursos e fenômenos físicos como ar, água, clima, energia, radiação, descarga elétrica, e magnetismo, envolvendo todas as coisas vivas e não vivas que ocorrem na Terra e afetam suas regiões, seus ecossistemas e a vida dos humanos. Outra característica é um conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um sistema natural, e incluem desde microorganismos, vegetação, animais, solo, rochas, atmosfera até fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites. Contudo a melhor definição para meio Ambiente está forma como o mundo é visto, onde a visão Holística que concebe o mundo como um todo integrado, e não como a soma de várias partes separadas, conduz à compreensão do Meio Ambiente de maneira Ecológica, que reconhece a interdependência dos fenômenos, pois enquanto indivíduos e sociedade estamos submetidos aos mesmos processos cíclicos da natureza. E esta visão tem como pano de fundo estudar a relação entre os organismos e o ambiente envolvente onde a presença de fatores externos exerce uma enorme influência, caracterizando a abordagem sistêmica da vida, sob o ponto de vista ecológico. A solução da equação da interação entre espécie e ambiente, o que sobrevive é: o organismo-em-seu-meio-ambiente. O que corrobora com o ponto de vista psicológico, no qual a relação entre genótipo e ambiente é mediada pela esfera representacional e reguladora denominada self. Onde a partir da formação de uma raiz biológica, corporal e social, o indivíduo constrói uma visão de si mesmo baseado na sua percepção corporal, nos seus sentimentos e no aprendizado da interação com o outro. O processo epigenético envolve uma interação direta entre os genes e o ambiente antes da formação do self, após esta formação é o próprio self, quem irá mediar a interação entre as influências genéticas e ambientais. Este self surge no momento em que é capaz de se auto-reconhecer num espelho. Logo o self é uma estrutura representacional e auto-reguladora que emerge quando o sistema cerebral-mental atinge um certo grau de complexidade.
  • 31. 31 Pela ótica filogenética, o auto-reconhecimento só ocorre em grandes primatas, exceto nos macacos. A construção de um self depende das diversas estruturas cerebrais. Entre elas estão o córtex pré-frontal dorsolateral, que envolve a representação cognitiva dos valores, do raciocínio lógico, planejamento e organização seqüencial do comportamento e sua regulação por metas e projetos para o futuro; o córtex pré-frontal medial que monitora os estados mentais próprios e alheios; o córtex orbitofrontal que junto com o sistema límbico auxilia na adaptação do comportamento a contextos altamente variáveis e o sistema hipocampal responsável pela estrutura narrativa do self, pois este também é formado por suas histórias que com a ajuda da memória episódica consegue construir uma linha do tempo onde a sucessão de eventos e o contexto de suas ocorrências são registradas e acessadas. As influências biológico-genéticas e as socioambientais atuam na construção do self. Porém, no instante, em que o self passa funcionar ele mesmo se torna uma fonte de influência, pois passa a regular a interação com o meio e a tomar decisões. O que pela perspectiva psicológica, pode - se dizer que a fórmula epigenética pode então ser reescrita. O processo de desenvolvimento pode ser considerado dinâmico e interativo devido à genômica comportamental. 3.1 A MENTE E O AMBIENTE No processo de evolução consecutivo da vida duas etapas são fundamentais. A primeira diz respeito à reprodução sexual, responsável pela introdução de uma diversidade genética surpreendente. E a segunda é o surgimento da consciência, que possibilitou a substituição dos mecanismos genéticos pelos sociais, baseados no pensamento conceitual e na linguagem simbólica. Gregory Bateson (apud CAPRA, 2006, p.283) aventou que a mente é um fenômeno sistêmico característico de organismos vivos, sociedades e ecossistemas. Com isso foi possível identificar que a mente é uma consequência natural da complexidade que acontece antes mesmo dos organismos desenvolverem um cérebro e um sistema nervoso superior, tornando-se, com efeito, uma propriedade dos sistemas vivos baseados na concepção sistêmica da vida, onde vida e mente são definidos como processos que tendem à um conjunto de relações dinâmicas, à auto-organização. Bateson concluiu que além do corpo, a mente também está presente nos caminhos e nas mensagens fora do corpo, e a cima de tudo revela que o meio ambiente possui uma mente,
  • 32. 32 como uma única rede mental, onde as mentes humanas individuais estariam inseridas nas mentes mais ampla dos sistemas sociais, seguida dos sistemas ecológicos que por sua vez estão integrados no sistema mental planetário, na mente Gaia, que por sua vez deve participar da mente universal, da mente cósmica. Assim sendo é possível metaforizar “Deus”, como a dinâmica auto-organizadora do cosmo todo. Seguindo a visão da sequência holística hierárquica da mente, surge Rupert Sheldrake com a criação da teoria da ressonância mórfica e dos campos morfogenéticos, onde brilhantemente revela o sistema holístico de organização. O conceito dos campos mórficos, ou morfogenéticos surgiu a partir da seguinte observação; um organismo têm órgãos que por sua vez possuem tecidos, os quais possuem células, e que ao mesmo tempo pertence a uma sociedade que faz parte de um ecossistema, ou seja, percebeu a presença de níveis, dentro de níveis, onde em cada nível o todo é maior que a soma de suas partes e a esta hierarquia de o nome de campo morfogenético, que é um campo que organiza todo o sistema. De acordo com sua análise, estes campos são invisíveis, dão forma e padrão aos sistemas que organizam e mantêm juntas as diferentes partes do sistema. Já o conceito de ressonância mórfica refere-se à ideia de que estes campos possuem uma espécie de memória. Onde sua forma e sua estrutura dependem de sistemas semelhantes anteriores. Isto significa dizer que todo o universo tem uma história na qual sistemas do passado influenciam o sistema presente, que é a influência do semelhante sobre o semelhante. A ressonância mórfica é uma ação à distância que contém transferência de informação e não de energia. O interessante dessa descoberta é o fato de que os campos mórficos estão dentro e ao redor dos sistemas que organizam, mas a ressonância mórfica ocorre a grandes distâncias e espaços de tempo, porém somente a partir do passado. E compreende desde os cristais até os humanos e suas cadeias sociais. Logo, quanto mais vezes alguma coisa acontece, maior é a probabilidade de ela ocorrer. Calcado nas descobertas da física quântica e na filosofia oriental, Sheldrake afirma que a ressonância mórfica envolve as intenções e pode se relacionar com os campos mórficos,
  • 33. 33 pois os campos mórficos subjacentes à atividade mental não estão confinados no cérebro, mas encontram-se espalhados pelo ambiente. 3.2 AMBIENTE ECOLÓGICO Em Biodanza existem fatores ambientais responsáveis pela expressão do potencial genético denominados de "ecofatores”. Estes ecofatores estimulam as linhas de vivência permitindo a vida humana evolua mental, afetiva e organicamente durante toda a sua existência. Estes ecofatores podem ser positivos, permitindo, ou negativos, bloqueando, a expressão de potenciais. A evolução individual depende do desenvolvimento dos cinco caminhos de expressão dos potenciais genéticos, denominadas linhas de vivência, que são a: vitalidade, sexualidade, criatividade, afetividade e transcendência. E a integração de todas essas linhas, permite o indivíduo alcançar um estado de plenitude, que conduz à transcendência de sua programação filogenética. Os exercícios e as danças propostos em Biodanza geram espaços repletos de ecofatores positivos, propícios para a estimulação dos potenciais genéticos, que vão atuar diretamente sobre a função integradora-adaptativa-límbico-hipotalâmica. 3.3 EPIGENÉTICA, MEIO AMBIENTE E PLASTICIDADE DO DESENVOLVIMENTO “Na evolução como um todo, podemos encontrar uma tendência da vida para expandir-se, para abarcar todos os espaços disponíveis nos ambientes habitáveis, inclusive naqueles criados pelo próprio processo de expansão.” (SIMPSON,1949, apud TOMO, p.30) Pensou-se que a capacidade de expansão e a diversificação da vida poderiam ser critérios apropriados de progresso biológico, e que este estaria em função da capacidade de obter e processar informações sobre o meio ambiente devido aos critérios de dominação, invasão de novos ambientes, substituição, aperfeiçoamento na adaptação, adaptabilidade e possibilidade de progresso futuro, aumento da especialização, controle sobre o ambiente, crescente complexidade estrutural, aumento na energia geral ou manutenção do nível dos processos vitais e aumento no âmbito e na variedade de ajustamento ao ambiente investigados por Simpson.
  • 34. 34 No entanto sabe-se que a evolução acontece com base nas novas funções incorporadas às já existentes, e não através da modificação das funções vitais essenciais. Sendo assim ela não significa progresso, mas sim, transformação, desenvolvimento e uma sucessão de manifestações. Todavia, pode existir progresso sem mudança evolutiva. Há mudanças que representam progresso e outras que só significam transformações direcionais. Segundo Thoday, os componentes que permitem a sobrevivência são: adaptação, estabilidade genética, flexibilidade genética, flexibilidade fenotípica e a estabilidade do ambiente. Porém os critérios propostos para definir a noção de progresso biológico se caracterizam por serem excessivamente redutivos e diversificados a ponto de impossibilitar o estabelecimento de um parâmetro unificador. Logo, Toro propõe o conceito de Nível de Autonomia, como agente unificador, onde o termo autonomia significa a organização de um sistema independente dentro de um sistema maior, capaz de realizar ações diferenciadas conservando uma perfeita integração com o sistema maior. Onde primeiro, haja a existência de um sistema sensório-motor eficaz, detentor de circuitos de retroalimentação de extraordinária plasticidade e precisão que visa permitir a independência dos padrões de resposta frente ao meio. Segundo a presença de um complexo sistema imunológico, destinado a preservar a identidade biológica, diminuindo o risco frente aos perigos do meio ambiente. E por fim seria a consciência do semelhante, através de um mecanismo de identidade. Este processo é o que dá ao ser humano sua força expressiva, autônoma e criativa. Estes fatores estão presentes na metodologia da Biodanza e com respaldo nas pesquisas feitas nas áreas das neurociências, verifica-se sua contribuição no desenvolvimento dos seres humanos frente às adversidades ambientais, possa lograr a reabilitação existencial, a otimização do estilo de vida. HEBB (HEBB, 2004, APUD TORO, P.267) previu que a estimulação ambiental produz mudanças nas conexões estabelecidas pelos neurônios podendo criar novas sinapses, o que significa enriquecer as atividades neurais gerando plasticidade nas funções do cérebro, permitindo a renovação do sistema nervoso e formação de vias alternativas mediante as variações dos sistemas bioquímicos, do desenvolvimento das células Glia, da neurogenesis, e da melhora da memória e do aprendizado. Os critérios de progresso evolutivo investigados por Simpson incluem: dominação, invasão de novos ambientes, substituição, aperfeiçoamento na adaptação, adaptabilidade e possibilidade
  • 35. 35 de progresso futuro, aumento da especialização, controle sobre o ambiente, crescente complexidade estrutural, aumento na energia geral ou manutenção do nível dos processos vitais e aumento no âmbito e na variedade de ajustamento ao ambiente. Foi também proposto que o progresso biológico estaria em função da capacidade de obter e processar informações sobre o meio ambiente. 3.3.1 O AMBIENTE PLÁSTICO E A PLASTICIDADE DA BIODANZA Donald Hebb, neurofisiologista canadense foi o primeiro a articular o conceito de plasticidade sináptica (neural). Ele propôs que é a interação, o principal fator para o surgimento de um ambiente enriquecido. E foi quem identificou que num espaço sináptico, o contato entre o axônio pré-sináptico e o neurônio pós-sináptico se reforçam quando o axônio pré-sináptico está ativo ao mesmo tempo que o neurônio pós-sináptico é ativado por outros imputs, o que induz a reorganização dos circuitos neurais pré- existentes, sendo este processo denominado de plasticidade neural. Em seguida ele propôs que essas trocas sinápticas constituem a base da memória, que é o resultado da representação interna de um objeto no cérebro. Onde a memória estaria constituída por todas as células cerebrais que são ativadas por estímulos externo. Esta é a razão, da existência dos ecofatores positivos na Biodanza, onde mediante vivências nas categorias de vitalidade e homeostase, sexualidade e prazer, criatividade e inovação afetividade e vínculo amoroso, transcendência e expansão e consciência, geram um ambiento rico e em perfeita interação promovendo a autorregularão e potencialização dos genes. O ecofator principal no processo de desenvolvimento da plasticidade neural e da expressão gênica é o ser humano. É por isto que Biodanza só pode ser feita em grupo. Rita Levi Montalcini descobriu um fator de crescimento de algumas células nervosas, o que permitiu uma mudança de paradigma na compreensão acerca do cérebro, onde antes se pensava que era composto por um número determinado de células nervosas em cada indivíduo e acreditava-se que era incapaz de se renovar ao longo da trajetória de vida, agora é fato o sistema nervoso se renova em contato com um ambiente enriquecido. Outra linha de investigação que contribui para a Biodanza é a genômica psicossocial, elaborada por Ernest Rossi, onde estuda o relacionamento entre as experiências humanas e a
  • 36. 36 expressão genética e como o ambiente pode variar a expressão desses genes influenciando na tradução da informação entre as sequencias dos genes, as estruturas das proteínas, suas funções e as experiências mente-corpo, denominando este processo de “ciclo psicobioinformático do genoma psicossocial”, integrando em sua teoria a tríplice mente, corpo e espiritualidade. Onde o espiritual refere-se ao ambiente enriquecido pelos processos de ação criativa, dos rituais culturais, das artes, música, dança, literatura, exercícios e movimentos que influem na expressão dos genes. Se não ocorrem mudanças o corpo adoece. Num mundo em constante mudança e evolução como qualquer sistema é necessário reconhecer as mudanças e fluir com elas, se isto não acontece não ocorrem mudanças sinápticas. Portanto é importante que a pessoa consiga fluir diante das mudanças e se preocupe em estar num ambiente enriquecido, onde há a plasticidade neural e estabelecem-se novos circuitos sinápticos e há um diferencial de expressões genéticas, que propicia um novo estado cerebral, diferente da depressão por exemplo. Por isso que em Biodanza, estas mudanças acontecem com rapidez, pois o ambiente rico que ela oferece, deflagra emoções e leva a estados de regressão através das danças integrativas e encontros em grupo. Seguindo os estudos referentes à plasticidade neural, encontramos em Eric Kandel o maior expoente desta ciência. Na busca incessante pela localização do ego no cérebro, Kandel foi orientado por seu mentor, Harry Grundfest, (KANDEL, 2006, P.69), a estudar uma célula por vez. O que o levou a se tornar um dos maiores fisiologistas na área do funcionamento da memória e da aprendizagem, rendendo-lhe o prêmio Nobel de Medicina no ano de 2000. Kandel propôs que a influência social pode ser armazenada no cérebro, afetando a produção de proteínas, enzimas que participam do metabolismo, hormônios, neurotransmissores, fatores de crescimento, fatores que participam do sistema autoimune e principalmente, criam novas sinapses e neurônios que participam do processo de aprendizagem, memória e comportamento. Onde essas alterações socialmente influenciadas, são transmitidas culturalmente pela interação do ambiente e não geneticamente. A mente não está localizada especificamente no cérebro, ela faz parte do corpo, seu ambiente inclui o organismo inteiro. Assim como o meio ambiente e o ser vivo que estão intimamente conectados através de seus sistemas corporais e sensoriais.
  • 37. 37 Portanto como Biodanza é conexão com si mesmo, com os outros, com a natureza, com o contato e a vivência é por si só um modelo de ambiente enriquecido para o ser humano. Voltando à Kandel, este afirma que as vivências despertam genes que conduzem ao remodelamento cerebral, à produção de novas proteínas, à influência na memória, através de mudanças funcionais nas memórias de curto prazo e mudanças estruturais nas de longo prazo e na aprendizagem, o que torna a Biodanza um mecanismo de intervenção a nível adaptativo- genético-psicossocial. O ambiente enriquecido que a Biodanza oferece é construído por exercícios e músicas que propiciam mudanças profundas, onde os ecofatores presentes despertam vivências, cujos efeitos transformam a expressão genética no sentido de integração orgânica com o ambiente, permitindo mudanças nos fenótipos, o que caracteriza o ambiente da Biodanza, como um ambiente epigenético. O potencial genético desenvolvido num ambiente enriquecido é uma força ativa que pertence ao presente e possui a capacidade de induzir expressões de neurotransmissores e mudar as conexões neurais existentes, de forma a criar uma rede de interações que potencializam a identidade. As linhas de vivência desenvolvidas na Biodanza induzem mudanças funcionais nos âmbitos orgânicos e existenciais, onde os hormônios liberados através das músicas, e dos exercícios de carícias onde o contato é seu instrumento mais importante, influenciam no nosso estar no mundo. Na linha da sexualidade os exercícios desenvolvem a plasticidade afetiva, estimulando a criação e reformulação de redes sinápticas resignificando nossas experiências. Baseado na investigação de Rossi acerca da repetição das experiências positivas, Rolando Toro acreditava que ao evocar o “luminoso” que há em cada um de nós, através dos exercícios, milhares de neurônios responsáveis pela síntese de proteínas do estresse e de outras doenças seriam gerados, aumentando assim a nossa saúde basal.
  • 38. 38 As condições das vivências da Biodanza são as mesmas reveladas pelos neurocientistas e pesquisadores dos últimos tempos, onde ocorre a neurogênese, onde há a concentração de neurotransmissores, hormônios e receptores, onde acontecem remodelações sinápticas e onde surgem expressões genéticas diferenciais que dentro do ambiente enriquecido, abrilhantam nossa existência, fazendo-nos transcender o nosso ego, gerando a sensação de pertencimento e vinculando-nos não só a todas as espécies, mas também ao Universo. 4 BIODANZA E SEUS FUNDAMENTOS Os conceitos fundamentais desenvolvidos na Biodanza carregam em si uma poética evolucionista. Suas bases metodológicas tem origem no movimento de conexão com o Todo. E é na dança que este resgate é feito, pois através dela a expressão da unidade básica da vida, as células, entra em sinergia com o Universo, refazendo o caminho da criação. As danças de caráter integrativo pelo movimento são muito remotas. Entre elas destacam-se as danças órficas, as cerimônias tântricas ou as danças giratórias do Sufismo, reveladas nas palavras a baixo do poeta sufista. “Oh dia, levanta-te!... os átomos dançam, as almas, arrebatadas de êxtase, dançam, a abóbada celeste, por causa desse Ser, dança. Te direi ao ouvido até aonde conduz sua dança: Todos os átomos que existem no ar e no deserto  compreenda-o bem  estão enamorados como nós e cada um deles, feliz ou desgraçado, se encontra deslumbrado pelo sol da alma incondicionada.” (Jalal-od- Din Rumi .Séc. XIII) Todo o processo evolutivo é acompanhado por transformações, e na Biodanza essa transformação inicia-se em cada um de nós, no mais íntimo do nosso ser, transpondo os limites de nossas membranas, levando a uma reaprendizagem no nível afetivo, seguido por uma modificação límbico-hipotalâmica que irá gerar o desenvolvimento do vínculo, essencial à espécie como totalidade biológica mediante o encontro do ritmo interno de cada ser vivente. Esta dança é ritmo, é movimento pleno de sentido na busca da adaptação ao movimento cósmico, reciclando a energia geradora da vida. É uma dança orgânica, pois mediante movimentos que captam os padrões geradores, incorporam a harmonia musical entre os seres vivos, conecta de maneira profunda o micro e o macrocosmo. Os passos desta dança levam ao vínculo, que é essencial para a saúde vital. O vínculo é a coreografia que vai resgatar o estar, o ser presente, através do ato de olhar, do toque, da escuta, revelando nossa identidade sutil, verdadeira.
  • 39. 39 A dança na Biodanza ensina a vivenciar qualidades, vivenciar palavras, gestos, que no contexto social vão se rompendo, vão ficando esquecidos, meio ao caos que se instalou devido à transposição dos valores realmente importantes, que são os valores humanos, a cooperação, para o valor monetário, que desencadeou patógenos egóicos que como um vírus, encontrou vida no ambiente coletivo. Portanto a proposta em Biodanza de retomar a conexão com si mesmo, despertar os padrões genéticos vitais de resposta ao ambiente, desenvolvendo os potenciais anestesiados pela luta da sobrevivência, despertando comportamentos mais altruístas que produz saltos evolutivos conduzindo à evolução conjunta de uma nova consciência, uma consciência cósmica, mais ecológica no sentido de membros de uma mesma espécie, a espécie vivente, sagrada e integrarem-se entre si e ao mesmo tempo com o Universo, que é o Organismo Maior, O Todo. As estruturas cognitivas que levaram ao desenvolvimento de estruturas culturais foram responsáveis pela disseminação da patologia social, fazendo com que o homem atrofiasse seus instintos vitais, minimizando ao máximo sua conexão com a vida, fazendo-o perder sua capacidade de estabelecer “bio-feedbacks” com tudo o que está vivo no ambiente. Portanto, o despertar das funções de conexão com a vida é um objetivo desesperado das psicoterapias, que na Biodanza, dá-se em três níveis. Sendo o primeiro deles a Conexão Consigo Mesmo, conexão a vida na unidade primordial, apresentado pela posição geratriz de intimidade, de abraço a si mesmo, de se estar em íntimo recolhimento, dando continente à sua própria identidade. Esta vivência intensifica a consciência de estar vivo e de ser “único”. A segunda é a Conexão com o Semelhante (com a Espécie), onde o fluxo e refluxo de energia vital se estabelecem através dos olhares que se conectam em profunda intimidade, da respiração que se funde num único processo metabólico até que os dois corpos formem um só corpo, devido à sincronização total. Onde acontece uma eutonia, uma fluidez e gera um único ritmo unificador. E a terceira é a Conexão com o Universo, que é a conexão com a vida, formada por uma energia nova que nasce no momento em que as identidades separadas formam uma identidade maior. No cristianismo, esta fase corresponde ao mistério do Espírito Santo, que é o estado de transe, a fusão na totalidade, no princípio e no fim, de onde a vida se renova e se retroalimenta. Nesta dança de conexão com a vida originária, a vida anterior ao nascimento do eu, o grupo dissolve suas identidades particulares e conecta a cada um com todos e com tudo. Vivenciando um sentimento de fluir em uma totalidade cósmica, sem rosto, sem limites, sem tempo. 4.1 ASPECTOS BIOLÓGICOS DA BIODANZA A Biologia é um ponto de partida universal e referência básica para a compreensão do ser humano, mas na visão de Rolando Toro as descobertas biológicas têm que ir ao encontro das grandes intuições sobre os aspectos ainda não revelados e misteriosos da vida humana. A Biologia precisa se desvencilhar das barreiras filosóficas e das ideologias ingênuas que têm acompanhado o ser humano ao longo da história, para não cair nas armadilhas reducionistas criadas pelo um falso objetivismo biologista ou da pobreza dogmática das
  • 40. 40 religiões. Para Rolando a vida é Sagrada e crê que a expressão da vida através das criaturas é a maior de todas hierofanias, porém considera que a cegueira frente à percepção da condição sagrada da vida, perturbou as formas de vinculação com o cósmico. E denuncia as religiões por serem as responsáveis pela dissociação entre o sagrado e o profano. Em Biodanza as pessoas, ao vincularem-se numa Dança de Amor, despertam os magnetismos da dança que geram campos biológicos, criativos e eróticos que transcendem os limites temporais, levando para uma experiência única e atemporal, num momento mítico e eterno, que é o momento do “aqui e agora” da Biodanza. Toro desenvolveu o Pricípio Biocêntrico baseado na noção de que se o indivíduo está vinculado de centro a centro com o Princípio da Vida, experimenta a vinculação cosmobiológica, reconhecendo a sacralidade da vida presente desde os menores seres, como uma simples alga até os macros elementos como as estrelas e os astros, incluindo o ser humano. Onde as relações de transformação matéria-energia são graus de integração de vida e o conhecimento se faz a partir da vivência da vida e da certeza que apresenta essa vivência como dado inicial. No qual o universo é organizado em função da vida. E este delineamento é biocosmológico e não antrópico, cosmológico ou teológico. E por isto as pessoas são consideradas o meio ambiente mais poderoso, expressando o princípio biológico na formação do par ecológico, da família ecológica, a comunidade ecológica, na consciência ecológica. O princípio Biocêntrico, considera que a vida não surgiu como resultado de processos metabólicos químicos e físicos, mas é a estrutura guia para a construção do universo. E afirma que a evolução do universo é, na realidade, a evolução da vida. A entropia, como deslocamento dos níveis energéticos para o estado térmico, é a função catabólica de qualquer sistema vivo. A partir do Princípio Biocêntrico inicia-se uma transformação existencial. No qual os parâmetros do estilo de vida são os parâmetros da vida cósmica. Assim as danças se organizam como expressões de vida e não como meios para alcançar fins antropológicos, sociais ou político-econômicos. Pois os movimentos se espelham no sentido evolutivo para criar mais vida dentro da vida, que é o que acontece no processo simbiótico, com o objetivo de resgatar a vida onde quer que esta se encontre oprimida. O Princípio Biocêntrico concentra seu interesse no universo concebido como sistema vivo, onde em seu interior a vida se expressa em infinitos ensaios, onde o “por que” perde sentido, para dar lugar ao “como”, para que o “Ser” possa ser no âmbito vivencial expressando suas emoções através da dança, reconectando e resignificando suas experiências. O que demonstra a capacidade do organismo vivo de renovar-se e estabelecer novos equilíbrios a partir de certos estados de desordem. Esta renovação biológica é observável nos casos de remissão espontânea de câncer, na renovação do equilíbrio funcional após certas doenças, na função da homeostase do organismo, entre tantos outros. Este processo auto- organizativo ocorre através do pensamento sistêmico. Pensar holisticamente o organismo e adotar uma visão em rede é o caminho derivado do pensamento sistêmico que adentrou na biologia e psicologia humana e que ao lançar um novo olhar sobre a vida, permitiu saltar para outro nível e dançar a evolução. Dentre os princípios universais dos seres vivos apoiados nas descobertas da Biologia Genética, na Ciência da Evolução entre outros que a Biodanza abarca, encontram-se a filiação
  • 41. 41 Bioquímica Comum dos Seres Vivos, que identificou que os constituintes químicos de todos os seres vivos são invariantes e de número limitado, sendo 20 aminoácidos (para as proteínas) e 4 tipos de nucleotídeos (para os ácidos nucléicos) que são os mesmos, tanto para uma ameba como para um ser humano revelando a vinculação dos os seres humanos com todos os seres vivos. O segundo princípio é o da Invariância Reprodutiva, definida por Jacques Monod, como a capacidade dos seres vivos de transmitir o conteúdo de informação genética de cada espécie de geração em geração, garantindo a conservação das estruturas orgânicas dessa espécie, para que cumpram suas performances. A terceira característica é a Teleonomia, onde as proteínas estruturadas pelo DNA são responsáveis por quase todas as estruturas e atuações teleonômicas, enquanto que os ácidos nucléicos são responsáveis pela invariância genética. Explica que os diversos órgãos e sistemas do organismo cumprem projetos particulares que formam parte de um projeto primitivo único: a conservação da espécie e sua multiplicação. Já o princípio da Evolução Seletiva explica que os organismos vivos cumprem linhas evolutivas diferentes, de acordo com as condições ambientais e ao passo que algumas espécies se mantêm durante milhões de anos dentro do mesmo padrão estrutural, como os insetos ou as ostras, outras se modificam e aperfeiçoam suas performances biológicas, e até mesmo fracassam em seu processo adaptativo e se extinguem. A “estrutura seletiva” individual conecta com o ambiente através de mecanismos de afinidade e rechaço, numa dupla pulsação orgânica. Esta estrutura seletiva é bastante estável e em parte é gerada pela aprendizagem, determinada pelas relações do indivíduo com seu meio. Logo o amor, a autodoação, o êxtase cósmico, a atividade poética, entre outros, são as interações biológicas que levam a uma biossíntese evolutiva. No princípio de Diferenciação Evolutiva, encontram-se as os impulsos do potencial humano. Esta diferenciação cria sistemas homeostáticos eficazes e gera vivências de plenitude e harmônia. Cada indivíduo da mesma espécie apresenta fortes características morfológicas específicas que o torna um indivíduo único e singular. As variações individuais dentro de cada espécie ocorrem pela recombinação resultante do “fluxo genético” promovido pela sexualidade. Os casos de mutação são frequentes, mas são poucos os que se perpetuam e assimilam, devido à forte coerência e estabilidade teleonômica.
  • 42. 42 A ontogenia, ou seja, o processo de diferenciação individual está diretamente relacionado com as possibilidades de desenvolvimento oferecidas pelo seu meio ambiente e pela seleção ocorrida nas estruturas. . Um dos princípios mais fenomenais dos organismos vivos é o processo cognitivo, que abarca os processos de codificação, decodificação, armazenamento e evocação das informações. Estas informações se estruturam quimicamente através do ácido ribonucléico. Toda aprendizagem é seguida de uma modificação bioquímica do organismo. Existe aprendizagem cognitivo-operacional, emocional-afetiva e visceral. Em Biodanza o instinto pode ser considerado a memória da espécie, uma expressão teleonômica destinada a preservar a vida. Logo pela perspectiva biológica, o chamado “instinto de morte” é inaceitável. Os princípios da auto-regulação, do impulso a integrar unidades cada vez maiores, da ressonância permanente com a origem, do aparecimento da identidade e da Simbiose, constituem a base conceitual da Biodanza, onde através de exercícios e danças integradoras, conservam e reorganizam as atividades intraorgânicas, desenvolve o sentimento de conexão com o Cosmos, através dos estados de fusão com a totalidade, da transcendência dos limites delimitados pelo seu ambiente, da expansão dos movimentos, devido à capacidade autoplástica, que permite a adaptação e a modificação dos organismos integrando identidades superiores, além de possibilitar uma reparentalização, levando a estados de regressão para reciclar e renovar a energia vital e assim integrar-se cognitivamente, afetivamente e visceralmente com o Todo. Este processo cria uma ressonância empática com a ancestralidade e revela a relação íntima com a matriz cósmica e a rede biológica entre os seres vivos, despertando o sentimento de comunhão humana no caminho evolutivo. 5 AS DANÇAS BIOLÓGICAS DA VIDA O modelo teórico da Biodanza (SANTOS, 2009, P. 35) é evolutivo e pulsante e tem como objetivo principal facilitar a expressão da identidade. Dividida por um eixo vertical, composto pelas cinco linhas de vivência e outro horizontal, que oscila entre os polos da consciência da identidade, de um lado, e a regressão aos dados genéticos primordiais no outro. O eixo vertical marca o desenvolvimento humano, que parte do potencial genético e se expressa de forma espiralada através da hélice formada pelas cinco linhas de vivência rumo à integração existencial. Percorrendo o longo e complexo caminho desde a filogenia, passando pela ontogenia até culminar na integração da identidade.
  • 43. 43 Como o modelo teórico de Biodanza (ANEXO 1) acompanha as descobertas do mundo científico, novas leituras vão sendo introduzidas, como os conceitos de anabasis e catabasis, porém sempre conservando o ser humano como parte do universo. A presença do conhecimento biológico da vida encontra-se praticamente em todos os termos criados por Rolando Toro, onde através da dança, da música e dos encontros em grupo induz vivências integradoras. No termo identidade o conjunto das características psicobiológicas surge através da integração afetiva com o outro e da percepção de si mesmo. Já na regressão, ocorre a ativação parassimpática, renovação orgânica e inibição simpático-adrenérgica, ou seja, ocorre uma regressão biológica mediante a ativação dos modelos filogenéticos primitivos. Este estado nos reconecta com a nossa parte sadia, desprovida de patologias derivadas das questões sociais e culturais do nosso meio, harmonizando e integrando nosso organismo. O Transe é o mecanismo de passagem do estado de consciência ampliada de si à regressão dentro das cinco linhas de vivência e também é um dos termos mais importantes no que se refere à memória biológica, pois reestrutura permanentemente o desenvolvimento e criam condições primordiais para um novo processo biológico. A Reprogressão é a capacidade de evoluir, após uma regressão a etapas fetais o que gera uma maior consciência da identidade. Neste processo ocorre uma reativação de padrões primitivos de desenvolvimento e uma reorganização dos impulsos vitais bloqueados ou reprimidos pela aprendizagem. O Potencial Genético é o termo que contempla a ontogênese. Define-se pelo conjunto de potencialidades de cada indivíduo, herdadas geneticamente e que contém os cromossomos humanos, que se expressam meio à condições providas de ecofatores positivos. As Protovivências são as raízes das linhas de vivência, são as respostas aos estímulos externos e internos às experiências dos primeiros seis meses de vida do recém-chegado. As Linhas de Vivência estão conectadas a princípios de vida e são uma expressão do potencial genético. São elas: Vitalidade, que refere-se à homeostase, ao equilíbrio, à harmonia biológica ao ímpeto vital. Afetividade, que é a capacidade de dar continente afetivo, proteger, amar e aceitar a diversidade humana. Sexualidade, que está relacionada à capacidade de sentir
  • 44. 44 prazer, desejo sexual e está ligada à fecundação. Criatividade, que é a capacidade de renovação diante do novo, das mudanças. E Transcendência que é a capacidade de ultrapassar a fronteira do ego e expandir-se a ponto de comungar com o universo. Ecofatores são estímulos que podem ser internos ou externos tanto organicamente quanto subjetivamente e que compõem o ambiente e suas relações. Integração é a união entre as funções orgânicas e psíquicas, realizada através da estimulação da função primordial de conexão com a vida, com si mesmo, com o outro e com o cosmo. O Inconsciente Vital diz respeito à memória cósmica inscrita nas células, é uma memória cognição celular que produz regularidades e tende a controlar as funções orgânicas. Em seu sentido amplo significa a autoconservação. Origina a criação de tecidos, o aumento da defesa imunológica e a solidariedade com o intuito de promover a saúde do sistema vivente. Inconsciente Coletivo é a memória da espécie, corroborado por Jung através de seus arquétipos estabelece a relação entre o pessoal e o coletivo. Permitindo o entendimento dos padrões de comportamento individual. Inconsciente Pessoal provém do encontro das forças instintivas com os fatores epigenéticos. É a memória dos fatos vivenciados e não das lembranças, principalmente aqueles dos primeiros anos de vida, conforme sugerido por Freud. É fundamental para a catarse das forças integradoras do Eu. Transtase é a ascensão a um nível mais alto de integração na escala evolutiva. É a expressão intensificada dos potenciais genéticos através da influência dos genes saltadores. Possibilitando a ocorrência dos saltos quânticos na Biodanza. Fusão é o efeito subjetivo da experiência da identidade pessoal que se amplia e se torna uma só em comunhão com a unidade ontocosmológica. Filogenia é a história do desenvolvimento evolutivo do indivíduo desde sua origem até os dias atuais. Representa a herança genética das espécies vivas e o contexto natural da espécie humana na Biodanza.