A história da música (resumo)

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A história da música (resumo)

  1. 1. A História da Música “Assim como o coração produz o primeiro ritmo de vida, a música nos devolve o pulsar da vida.” Yehudi Menuhin A música é uma arte que carrega dentro de si uma quantidade enorme de referências e informações que falam das circunstâncias, dos antecedentes e dos conseqüentes históricos de uma determinada obra ou de um determinado compositor, levando a uma compreensão histórica de épocas, de acontecimentos e personagens. Portanto, falar sobre história da música é falar de idéias, de situações da vida real que foram transferidas para a música; por isso não é possível desvincular o conteúdo musical do acontecimento histórico vivido dentro de cada período histórico. Nesse artigo serão expostos portanto uma breve situação história de cada período considerado como distintos em música, suas principais características e os compositores com mais destaque em cada período. A separação dos períodos musicais segue a uma evolução histórica: Música Pré-histórica (2 milhões a 4000 a.C.); Música da Antiguidade (4000 a.C. a 500 d.C.); Música Medieval (500 a 1450); Música Renascentista (1450 a 1600); Música Barroca (1600 a 1750); Música Clássica (1750 a 1810); Música Romântica (1810 a 1910); Modernismo (1900 em diante). Serão abordados nesse artigo, os períodos Renascentista, Barroco, Clássico e Romântico. A data do início e fim de cada período sempre gerou grandes polêmicas, porém nos servem como fonte de simples referência, já que os períodos se entrelaçam no final de um e início de outro, atingindo seu ápice na cristalização do novo estilo. Os períodos musicais são importantes para, historicamente, situar a música e seus compositores(MIRANDA E JUSTUS, 2003, p. 16). O período do Renascimento ocorreu nos séculos XV e XVI, sendo caracterizado pelo renascimento do homem. Ocorreu um grande avanço das letras, ciências e artes. Foi também um período de grandes descobertas e explorações, como a de Cabral ao descobrir as terras que mais tarde chamaria de Brasil. O homem passou a ser considerado o centro e medida de todas as coisas, portanto a música desse período como já dito anteriormente, foi um reflexo desse novo olhar, dessa nova maneira de ver o mundo e o homem. “O Renascimento transformou a mentalidade européia, mudando radicalmente suas concepções. O centro do Universo deixara de pertencer à “Divindade”. Em seu lugar, agora estava o Homem. Reviveu-se os ideais artísticos da Antiguidade Clássica.” (Ibidem, p. 38) Otimismo, naturalismo, individualismo e humanismo eram algumas características marcantes da época. Os principais acontecimentos históricos que ocorreram nesse período foram: a Reforma Protestante; o crescimento das cidades; a Revolução comercial; Invenção da imprensa e a descoberta do Novo Mundo. Personagens como Lutero, Maquiavel, Shakespeare, Leonardo da Vinci, Galileu Galilei e Gutemberg foram contemporâneos dessa época. A principal característica da música Renascentista é a Polifonia – execução simultânea de duas ou mais melodias diferentes que combinam entre si. Nesse contexto histórico, a música ocorria praticamente em dois lugares bem distintos, nas Igrejas e fora dela – palácios e casas burguesas. A música dita sacra, a que ocorria dentro da Igreja, tinha uma ordem e ritual bem definidos, o Ordinário e o Próprio. O ordinário era a parte da missa que os textos litúrgicos nunca eram mudados, e portanto a música também seguia uma ordem rígida, o Kyrie, Glória, Credo, Sanctus e o Agnus Dei. Já no Próprio, os textos litúrgicos seguiam as festas do ano litúrgico vigente.
  2. 2. Já fora da Igreja, a música que ocorria foi denominada como Madrigal, que é caracterizada como uma canção vocal secular. No clima da Renascença, a polifonia católica passou das igrejas para os salões da aristocracia (MIRANDA E JUSTUS, 2003, p. 32). Os principais compositores da Renascença são: Josquin Des Prés; Palestrina; Victória; A. Grabrieli e Cláudio Monteverdi. O próximo período histórico abordado é o Barroco, que ocorreu nos séculos XVII e primeira metade do XVIII. Contando com a mudança de mentalidade iniciada no Renascimento, o Barroco segue a idéia de valorização do homem, a música barroca quer representar agora, os afetos e sentimentos desse homem que foi colocado como o centro de atenção e visão desse novo mundo. Esse cenário foi propício para o surgimento do músico “virtuosi”, que é aquele que é destacado dos outros pela sua capacidade técnica e interpretativa. Tornam-se comum as Orquestras de Câmara (conjunto de poucos instrumentos) e o Concerto Grosso (diversos instrumentos disputam a prevalência com a orquestra, em vez de um só como no concerto solista), que é considerado uma das principais atribuições musicais do período barroco. Alguns dos acontecimentos históricos são Newton com a descoberta da Lei da Gravidade; a Guerra dos trinta anos entre o catolicismo e o protestantismo; a fundação da Universidade de Harward e Yale entre outros. As características mais marcantes da música barroca são: a presença de adornos e arabescos; o desenvolvimento da música instrumental, com a formação de orquestras; o surgimento do solista, e o nascimento da melodia acompanhada, o que caracteriza a textura Homofônica. Duas formas musicais foram predominantes durante o período barroco, a vocal e a instrumental. As formas vocais são a Ópera e o Oratório. A primeira se resume como um espetáculo cantado, com acompanhamento de orquestra, inspirado em um texto dramático, com figurino e cenário. O Oratório é também uma composição vocal para ser para coro e orquestra, com tema religioso, porém sem figurino ou cenário. As formas instrumentais são várias: Suíte: sequência de danças contrastantes Sonata: peça musical para solista Prelúdio: peça destinada a preceder uma obra maior, ou um grupo de peças Fuga: composição em que várias melodias independentes se entrelaçam aparecendo separadamente no início Concerto para instrumento e orquestra: obra em que um instrumento solista contrasta com o conjunto orquestral Concerto grosso: composição barroca para um pequeno grupo de instrumentos solistas acompanhado por uma pequena orquestra Abertura ou Overture: peça instrumental que abre uma ópera ou outra obra longa Cantata: peça musical cantada
  3. 3. Tocata: peça para ser tocada em instrumentos de teclado, de forma livre, apropriada para demonstração de virtuosismo. (Ibidem, p. 39 e 40) Os principais compositores são: Monteverdi; Corelli; Vivaldi; Scarlatti; Couperin; Purcell; Bach e Haendel. O próximo período é o Classicismo. O período histórico em questão se situa entre o século XVIII e início do século XIX. Os compositores clássicos, não pretendiam que sua música expressasse ou fosse uma linguagem que dissesse sobre o amor, o trabalho ou qualquer outro fato. Sua aspiração era a música por ela mesma, a perfeição da forma era o seu ideal estético. Foi nesse período que as formas estritamente instrumentais foram mais desenvolvidas, que são a sonata, a sinfonia, o concerto e o quarteto de cordas. Alguns acontecimentos históricos foram importantes durante esse período, como a fundação do Conservatório de Música de Paris, o começo da Revolução Francesa, a Declaração de Independência dos Estados Unidos, a invenção da máquina a vapor e outros. Napoleão Bonaparte, Voltaire, Louis XV, foram figuras contemporâneas desse período. “A música desse período tem um estilo caracterizado por um refinado sentido de harmonia, equilíbrio de expressão e disciplina de espírito. É uma música que transmite claridade, repouso e lirismo”. (Ibidem, p. 54). Como já dito anteriormente, as formas musicais vigentes e de destaque do classicismo foram a Sonata, a Sinfonia, o Concerto e o Quarteto de cordas. A Sonata de caracteriza como forma instrumental de grandes dimensões, em 3 ou 4 movimentos e escrita para um ou dois solistas. A Sinfonia é uma composição extensa para orquestra, geralmente composta em 4 movimentos, e que conta com um número grande de músicos para executá-la. O Concerto se caracteriza como uma obra escrita para um instrumento solista, acompanhado de orquestra, mais comumente escrito em 3 movimentos. Já o Quarteto de cordas, é uma composição para 4 instrumentos de cordas solistas, sendo 2 violinos, 1 viola e 1 cello. Os principais compositores desse período são Haydn, Mozart, Beethoven, apesar desse ser considerado mais um compositor romântico do que clássico, devido à sua forma de produção, e Gluck. Ao contrário do classicismo, onde a forma musical era a questão mais importante, o romantismo é um movimento musical em que a liberdade da forma musical é a busca dos compositores. O período romântico está entre os anos de 1810 a 1910. De início, esse termo dito Romantismo, é por vezes confundido como algo levado para o lado amoroso, e isso não é o correto quando se diz respeito ao movimento musical ou mesmo histórico. Romantismo foi um momento histórico que se desenvolveu na Alemanha, atingindo outros países. Esse movimento propunha uma luta contra o absolutismo, a arbitrariedade e o luxo dos nobres. O termo Romantismo portanto, surgiu para designar as novas idéias que começaram a surgir na literatura e na pintura, sendo também apropriado pelos músicos para designar o novo estilo musical que estava sendo desenvolvido. Esse estilo possuía maior liberdade de forma, ele transmitia emoção e de uma forma geral sentimentos sempre exacerbados e apaixonados. Os gêneros musicais mais importantes desse período foram as composições para orquestra, peças para piano, as óperas que ainda continuavam a ser compostas, e as canções solo acompanhadas pelo piano, além dos poemas sinfônicos que serviam muito bem ao propósito de expressar grandes emoções, contar histórias; e por fim as grandes sinfonias.
  4. 4. Alguns acontecimentos importantes foram: Napoleão se torna Imperador; Guerra entre Estados Unidos e Inglaterra; Beethoven termina a nona Sinfonia; Thomas Édison inventa o fonógrafo, entre outros. Alguns personagens marcantes desse período histórico foram: Friederich Nietzshe, Karl Marx e Abraham Lincoln. A música romântica foi uma música de confessa os seus sentimentos e expressa sua nostalgia. Os românticos eram grande entusiastas da expressão e da emoção subjetiva. “O romantismo na música aplica-se a obras em que a fantasia e a imaginação são por si mesmas mais importantes do que os aspectos clássicos como o equilíbrio e a moderação” (Ibidem, p. 71). O movimento romântico na musica, se iniciou em Paris pós-revolução nos novos tipos de ópera e na produção de música patriótica, que foi uma característica também importante do romantismo, o traduzir o amor ao seu país em obras musicais. Nesse tempo, a imagem do artista começa a ser mais valorizada, e não somente o do compositor. O intérprete ganha mais valorização com a presença dos “virtuosi” (artistas que detinham um grande domínio do instrumento). Várias formas musicais foram abordadas pelos compositores dessa época, entre eles o Poema Sinfônico, que se caracteriza como uma obra orquestral que narra uma história, ou possui um fundo literário). As pequenas peças, principalmente compostas para o piano, ganharam várias denominações entre elas: Baladas, Scherzos, Estudos, Prelúdios, Valsas, Polonaises, Noturnos, Mazurcas, Improvisos e Fantasias. Os compositores são divididos em 3 períodos dentro do romantismo, pela época que compunham e também pela afinidade de estilo de composição, já que a produção romântica foi bem variada devido à liberdade da forma. Os principais compositores da primeira fase foram: Weber, Paganini, Rossini, Schubert, Mendelssohn e Chopin. Os colocados na segunda fase romântica são: Shumann, Liszt, Verdi, Wagner, Gounod, Borodin, Strauss, Brahms, Bizet, Moussorgsky, Tchaikovsky, Dvórak e Grieg. Já na terceira fase estão: Korsakov, Puccini, Mahler, Debussy e Satie como principais representantes. Eis portanto um breve histórico sobre esses 4 períodos musicais, o Renascentismo, Barroco, Clássico e Romântico. Esses períodos têm seu período de início e termino delimitados, mas todos eles se entrelaçam no final e começo de cada novo período. Uma grande prova disso é Beethoven, que é classificado como compositor Clássico, porém compôs grande parte de sua obra também no período romântico. As mudanças ocorriam progressivamente de um período para o outro, e iam tomando formas mais definidas com o passar dos anos.

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