REVISÃO / REVIEW




Uso do copo e da mamadeira e o                                                Cínthia Tiago Paes de A...
Pedras CTPA et al.




                        Introdução                                                     palavras-cha...
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Copo, mamadeira e aleitamento materno




No primeiro retorno ambulatorial (5-15 dias após a        mas são difíceis de se...
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                        de forma que o estudo não conseguiu avaliar a                       formal ...
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Uso Do Copo E Da Mamadeira E O

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Uso Do Copo E Da Mamadeira E O

  1. 1. REVISÃO / REVIEW Uso do copo e da mamadeira e o Cínthia Tiago Paes de Almeida Pedras 1 aleitamento materno em recém-nascidos Elizete Aparecida Lomazi da Costa Pinto 2 prematuros e a termo: uma revisão Maria Aparecida Mezzacappa 3 sistemática Departamento de Pediatria. Faculdade de Ciências Médicas. 1-3 Universidade Estadual de Campinas. Rua Tessália Vieira de Cup and bottle feeding and breastfeeding in Camargo, 126. Caixa Postal: 6111. Campinas, SP, Brasil. CEP: 13.081-970. E-mail: cinthia.pedras@yahoo.com.br premature and term infants: a systematic review Abstract Resumo Objectives: to review randomized clinical trials Objetivos: revisar ensaios clínicos randomizados that investigated breastfeeding prevalence and/or que avaliaram a prevalência e/ou duração do aleita- duration at maternity discharge and/or during first mento materno na alta hospitalar e/ou durante o year of life, in term or premature infants. The focus primeiro ano de vida, em recém-nascidos a termo ou was on studies that have included neonates fed by cup prematuros. Foram selecionados estudos que incluíram or by bottle during their hospital stay. neonatos e que receberam suplementação por copo ou Methods: authors examined articles published in por mamadeira, durante a estadia hospitalar. English or Portuguese between 1996 and 2006, and Métodos: foram pesquisados artigos publicados em included on the Medline, Lilacs and Scielo databases. português ou inglês, no período de 1966 a 2006, nas The following keywords were used: quot;breastfeeding + bases de dados Medline, Lilacs e Scielo. Os seguintes bottle feedingquot; plus quot;prevalencequot;, quot;feeding methodsquot;, termos foram utilizados: quot;amamentação + mamadeiraquot; quot;durationquot;, quot;low birth weightquot;, quot;prematurequot; and combinado com quot;prevalênciaquot;, quot;métodos de alimen- quot;neonatequot;. taçãoquot;, quot;duraçãoquot;, quot;baixo pesoquot;, quot;prematuroquot; e quot;recém- Results: five articles met the inclusion criteria. nascidoquot;. The number of subjects covered ranged from 14 to Resultados: cinco artigos preencheram os critérios 686, amounting to a total of 1552 infants. Cup- de inclusão, suas casuísticas variaram de 14 a 686 feeding for breastfeeding supplementation was related recém-nascidos, totalizando 1552 crianças. O uso do to increased breastfeeding prevalence only in term copo para a suplementação da amamentação foi asso- neonates delivered by cesarean, and in premature ciado a maior prevalência de aleitamento materno em neonates at discharge. neonatos a termo, nascidos de parto cesárea e em Conclusions: cup-feeding is likely to have a prematuros no momento da alta hospitalar. favorable influence on breastfeeding, however the Conclusões: parece haver uma influência favorável present revision is not conclusive and definitive. do uso do copo sobre o aleitamento materno, embora a Key words Infant newborn, Infant, premature, Breast presente revisão não seja conclusiva e definitiva. feeding, Wood, Feeding methods Palavras-chave Recém-nascido, Prematuro, Aleitamento materno, Mamadeira, Métodos de alimentação Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 8 (2): 163-169, abr. / jun., 2008 163
  2. 2. Pedras CTPA et al. Introdução palavras-chaves utilizadas foram: quot;amamentação + mamadeira + prevalênciaquot;; breastfeeding + preva- A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda lence + bottle feeding; quot;amamentação + mamadeira o aleitamento materno exclusivo, sob livre demanda, + métodos de alimentaçãoquot;; breastfeeding + bottle durante os seis primeiros meses, e a manutenção do feeding + feeding methods; quot;amamentação + aleitamento materno complementar até os dois anos mamadeira + duraçãoquot;; breastfeeding + bottle de vida da criança.1 feeding + duration; quot;amamentação + mamadeira + O aleitamento materno reduz a morbi-mortali- baixo pesoquot;; breastfeeding + bottle feeding + low dade infantil, fornece uma nutrição ideal ao lactente, birth weigth; quot;amamentação + mamadeira + favorecendo seu adequado crescimento, possibilita prematuroquot;; breastfeeding + bottle feeding + prema- valiosa economia de recursos, para as famílias, a ture; quot;amamentação + mamadeira + recém-nascidoquot;; sociedade,2,3 e propicia maior interação mãe-filho.4 e breastfeeding + bottle feeding + neonate. Essas vantagens são especialmente significativas nos Os critérios de inclusão foram artigos originais países em desenvolvimento, dada a escassez de do tipo ensaio clínico, publicados no período de recursos e a exposição freqüente a agentes infec- 1966 a 2006, nos idiomas português e inglês. Foram ciosos.5 Ademais, o aleitamento materno é apontado considerados os artigos cujos desfechos primários como um fator determinante para o desenvolvimento fossem a prevalência e/ou a duração da amamen- craniofacial adequado, por promover intenso exer- tação na alta hospitalar e/ou durante o primeiro ano cício da musculatura orofacial, estimulando favora- de vida, em recém-nascidos a termo ou prematuros velmente as funções da respiração, mastigação, que receberam suplementação por copo ou deglutição e fonação.6,7 mamadeira durante a estadia hospitalar, a saber, na Visando a promoção, a proteção e o apoio ao internação em UTI neonatal ou durante a estadia na aleitamento materno, a OMS propõe que as mater- maternidade após o nascimento. Os seguintes desfe- nidades utilizem os dez passos para o sucesso do chos secundários foram analisados: suplementação aleitamento materno. Entre eles, especificamente o por dextrino-maltose ou fórmula, padrão de sucção, passo nove refere-se ao uso de bicos artificiais, ou aderência aos passos seis e nove recomendados pela seja, as mamadeiras e as chupetas.8 Autores sugerem United Nations Children´s Fund (UNICEF),8 uso de que faltam evidências científicas consistentes sobre chupeta, quedas de saturação de hemoglobina, ganho o fenômeno de confusão de bicos.8-12 Desta forma, de peso, além da duração da internação hospitalar. o uso do copo é recomendado pela OMS nos casos de recém-nascidos que sabidamente serão amamen- tados ou na possibilidade de esterilização precária da Resultados mamadeira.9 Apesar das vantagens 13-15 e desvantagens 10,16 A pesquisa localizou 4100 artigos, sendo 3977 descritas na literatura sobre o uso do copo e da encontrados no MEDLINE, 123 no LILACS e mamadeira como métodos alternativos de alimen- nenhum no SciELO. Segundo os critérios definidos, tação, a associação entre o uso desses métodos e a foram incluídas apenas cinco publicações de estudos duração do aleitamento materno não está bem esta- randomizados prospectivos, todos encontrados no belecida. MEDLINE e que avaliaram um total de 1552 recém- O objetivo do presente estudo foi realizar uma nascidos. revisão sistemática de artigos do tipo ensaio clínico, Os principais aspectos da metodologia dos que avaliaram a prevalência e/ou duração do aleita- estudos foram destacados na Tabela 1: autores, mento materno na alta hospitalar e/ou durante o participantes (número, divisão de grupos do estudo), primeiro ano de vida, de recém-nascidos a termo ou idade gestacional e peso ao nascimento, critérios de prematuros que receberam suplementação por copo inclusão, desfechos avaliados, cálculo do tamanho ou mamadeira durante a estadia hospitalar. amostral, descrição da intervenção e resultados encontrados. No estudo de Collins et al.16 os recém-nascidos Métodos pré-termo (RNPT) alimentados por copo apresen- taram prevalência superior da amamentação exclu- As bases de dados pesquisadas foram MEDLINE siva no momento da alta. Não houve diferença aos (National Library of Medicine), LILACS (Literatura três e seis meses após a alta hospitalar. Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde) Rocha et al. 11 não detectaram diferença signi- e SciELO (Scientific Eletronic Library On Line). As ficativa entre os grupos copo e mamadeira na alta. 164 Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 8 (2): 163-169, abr. / jun., 2008
  3. 3. Tabela 1 Descrição sumária dos estudos. Variáveis Primeiro autor, ano de publicação Schubiger et al.; 1997. 18 Mosley et al.; 2001.19 Rocha et al.; 2002. 11 Howard et al.; 2003. 17 Collins et al.; 2004. 16 Sujeitos Total 471 RNT: Total 14 RNPT: Total 78 RNPT: Total 686 RNPT e RNT: Total 303 RNPT: Copo/colher n=180 Copo n=6 Copo n=44 Copo/chupeta precoce n=181 Copo/sem chupeta n=82 Mamadeira/chupeta n=291 Mamadeira n=8 Mamadeira n=34 Copo/chupeta tardia n=177 Copo/chupeta n=69 Mamadeira/chupeta precoce n=165 Mamadeira/sem chupeta n=70 Mamadeira/chupeta tardia n=163 Mamadeira/chupeta n=82 Idade gestacional >37 semanas 32-37 semanas 32-36 semanas 36-42 semanas 23-33 semanas Peso ao nascer 2750-4200 g Sem informação <1700 g >2200 g Pesos segundo os grupos: 1325 ± 453 g 1344 ± 488 g 1508 ± 463 g 1382 ± 469 g Critérios de inclusão Mães que planejaram RNPT admitidos na RNPT que as mães Mães que desejavam amamentar Mães que desejavam permanecer no hospital UTI Neonatal desejavam amamentar ao menos quatro semanas amamentar Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 8 (2): 163-169, abr. / jun., 2008 por cinco dias após o parto e amamentar Mães que desejavam Sem alguma condição Mães sem complicações IG <34 semanas ao menos três meses amamentar que pudesse evitar a amamentação Gestação única Gestação única ou gemelar IG >37 semanas IG entre 30 e 37 semanas Estável clinicamente Mães indecisas quanto ao uso Peso entre 2750-4200 g Sem uso prévio de de um método alternativo de Sem anormalidades nutrição parenteral alimentação congênitas Recebendo volume Copo, mamadeira e aleitamento materno Nenhuma preferência de alimentação de materna para o copo 150ml/kg/d via ou mamadeira sonda gástrica Nenhuma suplementação Sem malformações da alimentação via copo facial e do trato ou mamadeira antes digestivo, infecções da admissão congênitas, doenças neurológicas continua 165
  4. 4. 166 Pedras CTPA et al. Tabela 1 conclusão Descrição sumária dos estudos. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 8 (2): 163-169, abr. / jun., 2008 Variáveis Primeiro autor, ano de publicação Schubiger et al.; 1997. 18 Mosley et al.; 2001.19 Rocha et al.; 2002. 11 Howard et al.; 2003. 17 Collins et al.; 2004. 16 Desfechos Freqüência da amamentação Prevalência do Taxa de amamentação Duração da amamentação exclusiva, Prevalência da amamentação nos primeiros cinco dias aleitamento na alta aos três meses após mista e tempo total da amamentação aos três e seis meses após a alta de vida e aos dois, quatro e a alta segundo o uso de suplementação seis meses de vida Avaliar a influência Proporção de RNPT em do uso da chupeta, Ganho de peso Efeitos do uso de bico artificial, do amamentação exclusiva e mista Suplementação por solução da assistência ao parto, copo e da mamadeira, na duração de dextrino-maltose (DM) da experiência prévia Quedas na saturação da amamentação Efeitos de bicos artificiais e do ou fórmula de amamentação e dos de O2 copo dias prévios à primeira Associação entre amamentação e Padrão de sucção mamada, na amamentação problemas maternos e neonatais Duração da internação hospitalar segundo o método Avaliar a aderência aos de suplementação passos seis e nove Cálculo tamanho Sim Não Não Sim Sim amostral Intervenção Sim. Início da suplementação Não. Início da alimentação Sim. Início da Sim. Início da suplementação via oral Não. Início da suplementação a randomizada nos primeiros dias de vida alimentação ou da amamentação e ocorreu segundo solicitação materna critério da enfermeira ou do suplementação a critério suplementação, quando (51%) ou indicação médica médico e ocorreu pela médico esta fosse requisitada, indisponibilidade da mãe ou após o RN atingir 1600 g quando a suplementação era necessária após a mamada Resultados Sem diferença entre os Não houve diferença Não houve diferença Independente do método a Não houve diferença estatisti- grupos na freqüência de significativa entre os entre os grupos. Dos suplementação reduz a duração da camente significativa entre os amamentação grupos em nenhum dos RNPT que estavam amamentação grupos desfechos sendo amamentados Nos dois grupos, a maior na primeira visita após Não houve diferença no que se refere O uso do copo aumentou parte dos RN recebeu uma a alta, um número ao uso do copo e da mamadeira significativamente a prevalência ou mais suplementações maior do grupo copo da amamentação exclusiva no de DM. Nos primeiros cinco continuou a ser A chupeta diminuiu a probabilidade momento da alta, mas não teve dias de vida, a suplemen- amamentado por três de amamentação exclusiva e a efeito na duração da tação por DM foi menor meses duração da amamentação no amamentação mista. Grupos no grupo copo/colher primeiro mês. A introdução precoce sem chupeta não apresentaram O ganho de peso não da chupeta apresentou um impacto efeito significativo na Não houve diferença entre diferiu entre os grupos negativo na duração da amamentação amamentação exclusiva os grupos no padrão de Não houve associação entre ou parcial na alta hospitalar sucção Menor freqüência de amamentação e problemas maternos quedas de saturação no e neonatais A duração da internação foi Alta taxa de violação de grupo copo maior no grupo alimentado por protocolo no grupo copo/colher copo RNT=Recém-nascido a termo; RNPT=recém-nascido pré-termo; IG=idade gestacional.
  5. 5. Copo, mamadeira e aleitamento materno No primeiro retorno ambulatorial (5-15 dias após a mas são difíceis de serem controladas e podem alta), 56 % dos RN, de ambos os grupos, estavam contribuir como fatores de risco ou proteção.23 desmamados. Entre aqueles que estavam sendo Embora as mães manifestassem intenção de amamentados na primeira consulta após a alta, um amamentar, Howard et al. 17 incluíram no estudo número maior de RN do grupo copo manteve a RNT e próximos ao termo cuja principal causa para amamentação aos três meses. Howard et al., 17 suplementação foi a decisão materna (51% dos Schubiger et al., 18 e Mosley et al., 19 incluíram casos). Pode-se admitir que aquelas mães que solici- recém-nascidos a termo e pré-termos tardios, e taram a suplementação tenham apresentado menor também não encontraram diferença na prevalência disponibilidade ou elevado grau de ansiedade para a ou duração da amamentação mista ou exclusiva até o amamentação. Esses fatos representam uma fonte sexto mês de vida. potencial de vícios. Foram selecionados casos de gestação única nos estudos de Collins et al., 16 e Howard et al., 17 Discussão provavelmente pelo fato de gestações múltiplas requisitarem maior dedicação da mãe, da família e Poucos estudos conduzidos em populações da equipe de profissionais da saúde.24 heterogêneas de RNT e RNPT, expostos a distintos O termo amamentação foi usado genericamente riscos de desmame, avaliaram a influência do uso nos estudos de Rocha et al. 11 e Mosley et al. 19 copo e da mamadeira sobre a amamentação. Os Howard et al. 17 seguiram a definição proposta por estudos selecionados para essa revisão foram Labbok e Krasovec25 para amamentação exclusiva. conduzidos em diferentes países, nos diferentes Collins et al.16 utilizaram definições propostas pela continentes - Brasil,11 Austrália,16 Estados Unidos,17 WHO26 e por Hill et al.,27 para amamentação mista. Suíça 18 e Inglaterra 19 - mostrando a relevância e Da mesma maneira, Schubiger et al.18 utilizaram as universalidade do problema. recomendações da WHO, 26 para amamentação Os resultados indicam que o possível efeito do exclusiva. Diferenças no significado do termo copo sobre as taxas de amamentação ficou restrito a podem dificultar a comparação dos resultados.28 um pequeno número de sujeitos nascidos por parto No estudo de Howard et al.17 diversas variáveis cesária, 17 e em prematuros apenas na alta associadas ao desmame tiveram distribuição seme- hospitalar.16 Esses resultados são pouco expressivos lhante entre os grupos. Entretanto, uma série de e devem ser analisados com cautela, dado que outros fatores associados à duração do aleitamento análises de subgrupos de uma amostra não permitem não foi comparada entre os grupos, como freqüência uma conclusão segura. 20 Em um dos estudos 11 de RNPT e de RN pequenos e grandes para a idade chama atenção a alta freqüência de desmame, de gestacional, assim como a presença de mães ambos os grupos, entre a alta e o primeiro retorno diabéticas e hipertensas. Tais fatores são fortemente ambulatorial, sugerindo que outros fatores devem ter relacionados à taxa de desmame e à predisposição maior importância na prevalência da amamentação para a confusão do bico.10 do que a técnica de alimentação. Nos estudos de Collins et al.,16 Howard et al.17 e Em relação à constituição dos grupos, Rocha et Schubiger et al.18 houve pouca aderência ao método al., 11 Howard et al., 17 e Schubiger et al. 18 fizeram de alimentação previamente randomizado. Ocorreu, alocação aleatória dos sujeitos nos grupos. Nos ainda, preferência pelo uso da chupeta, no grupo demais estudos o início da utilização do copo e da alimentado por copo, em 23% dos sujeitos. 18 Em mamadeira ocorreu por indicação do serviço. 16,19 dois desses estudos, foi utilizado o princípio de Esse fato pode comprometer a comparabilidade dos análise de intenção de tratar.16,17 grupos, dado que a decisão por uma ou por outra Segundo Collins et al. 16 a aderência também técnica é baseada em aspectos não mensuráveis, diferiu entre os hospitais recrutados. No hospital em determinando viéses. que a aderência foi superior, o copo já tinha sido Em todas as casuísticas analisadas foram sele- utilizado previamente ao início do estudo. Desta cionadas mães que desejavam amamentar. O desejo forma, os autores referem que não podem determinar de amamentar aumenta a probabilidade do sucesso se a falta de benefícios significativos da alimentação do aleitamento materno 21 e, uma vez tomada tal por copo no aleitamento foi devido à baixa aderência decisão, diferentes fatores sociais influenciam a ou à menor eficácia do uso do copo. duração e a exclusividade do aleitamento materno.22 Dada a baixa aderência e violação de protocolo, As variáveis psicossociais têm importância no a freqüência de RN suplementados foi extremamente sucesso da transição alimentar em recém-nascidos, alta nos grupos copo (91,7%) e mamadeira (96,6%), Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 8 (2): 163-169, abr. / jun., 2008 167
  6. 6. Pedras CTPA et al. de forma que o estudo não conseguiu avaliar a formal do termo confusão de bicos, até então influência da suplementação no desmame, não existente na literatura e, além de apresentar restringindo-se ao objetivo relativo à técnica.18 quatro hipóteses para explicar essa entidade, Foram descritas dificuldades com o uso do discriminaram fatores de risco maternos e neonatais copo. 16,18 Entre 9,5 18 e 39% 16 das mães não gos- que contribuiriam para a sua ocorrência. No entanto, taram ou tiveram dificuldades na alimentação por assim como em outros estudos, 8,9,11,12 Neifert intermédio do copo, tais como tempo prolongado na et al. 10 referem que não há evidências científicas administração do leite, desperdício de volume e consistentes que comprovem a existência desse fenô- baixa saciedade. Ainda, cerca de 12% dos profis- meno. sionais da equipe de enfermagem se recusaram a usar o copo.16 O grupo alimentado por copo apresentou maior Conclusões duração da internação hospitalar, o que implica em aumento dos custos 16 e ingeriu menor volume de A presente revisão permitiu concluir que existem leite.17 Esse último dado pode ser interpretado como poucos estudos controlados que avaliaram a prejudicial, quando se analisa o aspecto nutricional; prevalência e a duração do aleitamento materno em entretanto, Neifert et al.10 consideram como uma das RNT e RNPT, que receberam suplementação ou possíveis hipóteses para a confusão de bicos a obser- realizaram a transição da sonda gástrica para o seio vação de que RN previamente alimentados por materno usando copo ou mamadeira. Apesar das mamadeira, portanto com um maior volume e fluxo limitações aventadas, os estudos revisados sugerem de leite que ao seio, podem ter limitações para se que a influência favorável do uso do copo no aleita- adaptar às várias configurações orais ou ao um mento materno ficou restrita aos casos de RNT menor fluxo de leite, gerando a confusão do bico e nascidos de parto cesárea e aos prematuros no possível desmame. Por esse prisma, o menor volume momento da alta. Os três estudos com maior número de leite ingerido pelo grupo copo poderia trazer me- de sujeitos não apontaram diferença estatisticamente nor prejuízo à manutenção do aleitamento ao seio. significativa no aleitamento materno no pós-alta. Acredita-se que a exposição precoce aos bicos Possivelmente outros fatores, que não o método artificiais contribua para o desmame precoce,10,11,17 alternativo de transição, interferiram nesse resultado. pois pode ocasionar o fenômeno de confusão de bicos. Esse fenômeno refere-se à dificuldade do RN em obter uma configuração oral correta, pega e Agradecimentos padrão de sucção adequados para o sucesso do aleitamento materno após a alimentação por mama- Os autores agradecem ao CNPq pelo auxílio finan- deira ou exposição a um bico artificial.10 ceiro concedido: Bolsa de Mestrado, processo nº Neifert et al. 10 introduziram uma definição 133424/2005-7. Referências 1. Neifert MR. Clinical aspects of lactation. Clin Perinatol. 6. Baldrigui SEZM, Pinzan A, Zwicker CV, Michelini CRS, 1999; 26: 281-306. Barros DR, Elias F. A importância do aleitamento natural 2. Duncan B, EY J, Holberg CJ, Wright AL, Martinez FD, na prevenção de alterações miofaciais e ortodônticas. Rev Taussig LM. Exclusive breast-feeding for at least four Dent Press Ortod Ortop Facial. 2001; 6: 111-21. months protects against otitis media. Pediatrics. 1993; 91: 7. Carrascoza KC, Possobon RF, Tomita LM, de Moraes AB. 867-72. Consequences of bottle-feeding to the orofacial develop- 3. Popkin BM, Adair L, Akin JS. Breastfeeding and diarrhea ment of initially breastfed children. J Pediatr (Rio J). 2006; morbidity. Pediatrics. 1990; 86: 874-82. 82: 395-7. 4. Uauy R, Andraca I. Human milk and breast feeding for 8. WHO (World Health Organization), UNICEF (United optimal mental development. J Nutr. 1995; 125 (Suppl): Nations Children's Fund). Protecting, promoting and 2278S-80S. supporting breastfeeding: the special role of maternity services (a joint WHO/UNICEF statement). Int J Gynecol 5. Valdés V, Pérez Sánchez A, Labbok M. Manejo clínico da Obstet. 1990; 31 (Suppl 1): 171-83. lactação: assistência à nutriz e ao lactente. Rio de Janeiro: Revinter; 1996. 9. WHO (World Health Organization). Evidence for the ten steps to successful breastfeeding. ed. revised Geneva; 1998. (WHO/CHD/98.9). 168 Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 8 (2): 163-169, abr. / jun., 2008
  7. 7. Copo, mamadeira e aleitamento materno 10. Neifert M, Lawrence R, Seacat J. Nipple confusion: toward 19. Mosley C, Whittle C, Hicks C. A pilot study to assess the a formal definition. J Pediatr. 1995; 126: 125-9. viability of a randomised controlled trial of methods of 11. Rocha NM, Martinez FE, Jorge SM. Cup or bottle for supplementary feeding of breast-fed pre-term babies. preterm infants: effects on oxygen saturation, weight gain, Midwifery. 2001; 17: 150-7. and breastfeeding. J Hum Lact. 2002; 18: 132-8. 20. Fletcher RH, Fletcher SW, Wagner EH. Tratamento. In: 12. WHO (World Health Organization), UNICEF (United Fletcher RH, Fletcher SW, Wagner EH, editores. Nations Children's Fund). Innocenti declaration on the Epidemiologia clínica: bases científicas da conduta médica. protection, promotion and support of breastfeeding. In: 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas; 1989. p. 172-206. Meeting Breastfeeding in the 1990s: a global initiative; 21. Heath AL, Tuttle CR, Simons MS, Cleghorn CL, Parnell 1990 July 30-August 1; Florence, Italy. Geneve: 1990. WR. A longitudinal study of breastfeeding and weaning 13. Lang S, Lawrence CJ, Orme RLE. Cup feeding: an alterna- pratices during the first year of life in Dunedin, New tive method of infant feeding. Arch Dis Child. 1994; 71: Zealand. J Am Diet Assoc. 2002; 102: 937-43. 365-9. 22. Dubois L, Girard M. Social determinants of initiation, dura- 14. Howard CR, Blieck EA, Hoopen CB, Howard FM, tion and exclusivity of the breastfeeding at the population Lanphear BP, Lawrence RA. Physiologic stability of level: the results of the Longitudinal Study of Child newborns during cup and bottle-feeding. Pediatrics. 1999; Development in Quebec (ELDEO 1998-2002). Can J Public 104: 1204-7. Health. 2003; 94: 300-5. 15. Marinelli KA, Burke GS, Dodd VL. A comparison of the 23. de Monleon JV. Breastfeeding and culture. Arch Pediatr. safety of cupfeedings and bottlefeedings in premature 2002; 9: 320-7. infants whose mothers intend to breastfeed. J Perinatol. 24. Flidel-Rimon O, Shinwell ES. Breast feeding twins and 2001; 21: 350-5. high multiples. Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2006; 91: 16. Collins CT, Ryan P, Crowther CA, Mcphee AJ, Paterson S, 377-80. Hiller JE. Effect of bottles, cups, and dummies on breast 25. Labbok M, Krasovec K. Toward consistency in breast- feeding in preterm infants: a randomised controlled trial. feeding definitions. Stud Fam Plann. 1990; 21: 226-30. BMJ. 2004; 329: 193-8. 26. WHO (World Health Organization). Indicators for assessing 17. Howard CR, Howard FM, Lanphear B, Eberly S, Deblieck breast-feeding practices. Geneve; 1991. EA, Oakes D, Lawrence RA. Randomized clinical trial of 27. Hill PD, Hanson KS, Mefford AL. Mothers of low birth- pacifier use and bottle-feeding or cupfeeding and their weight infants: breastfeeding patterns and problems. J effect on breastfeeding. Pediatrics. 2003; 111: 511-8. Human Lact. 1994; 10: 169-76. 18. Schubiger G, Schwarz U, Tönz O. UNICEF/WHO baby- 28. Callen J, Pinelli J. A review of the literature examining the friendly hospital initiative: does the use of bottles and paci- benefits and challenges, incidence and duration, and fiers in the neonatal nursery prevent successful breast- barriers to breastfeeding in preterm infants. Adv Neonatal feeding? Eur J Pediatr. 1997; 156: 874-7. Care. 2005; 5: 72-88. Recebido em 25 de janeiro de 2007 Versão final apresentada em 27 de dezembro de 2007 Aprovado para publicação em 16 de janeiro de 2008 Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 8 (2): 163-169, abr. / jun., 2008 169

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