UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB          DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII              BACHARELADO EM ENFERMAGEM...
PATRÍCIA MICHELA MACHADO SANTANA A VISÃO DA ENFERMAGEM SOBRE ACOLHIMENTO E VÍNCULO, PARA APRODUÇÃO DO CUIDADO HUMANIZADO N...
PATRÍCIA MICHELA MACHADO SANTANA A visão da enfermagem sobre acolhimento e vínculo, para a produção do cuidadohumanizado n...
Dedico a concretização de mais uma etapa daminha vida ao meu pai Djan, meus irmãosPatrick e Michael, meus tios e toda minh...
AGRADECIMENTOSÀ Deus e ao meu anjo da guarda, por me conceder força, sabedoria e coragem para superartodas as dificuldades...
“Jamais se desespere em meio as sombriasaflições de sua vida, pois das nuvens maisnegras cai água límpida e fecunda”.     ...
A VISÃO DA ENFERMAGEM SOBRE ACOLHIMENTO E VÍNCULO, PARA A PRODUÇÃO DO CUIDADO HUMANIZADO NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE,      ...
ABSTRACTThe host and the link are essential to quality care and humanized health services, as well asfor participation / a...
SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................
91 INTRODUÇÃOA Política Nacional da Atenção Básica no capítulo 1 da Portaria GM/MS nº 648/2006determina o acesso universal...
10acolhedor, ágil e resolutivo, comprometido em qualificar a ambiência e os serviços de saúde,garantindo acesso universal ...
112 REVISÃO DE LITERATURA2.1 ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE.A Política Nacional de Atenção Básica foi regulamentada em 2006, pela...
12O acolhimento pressupõe que o serviço de saúde se organize de forma a centralizar todas assuas ações no usuário, por mei...
13Dessa forma, o acolhimento não deve ser entendido necessariamente como uma atividade emsi, mas como parte de toda ativid...
14É função também da Política Nacional de Humanização contribuir para a construção demodos de fazer, para que o universo d...
15Segundo Franco, Bueno e Merhy (1999), o acolhimento propõe uma reorganização doprocesso de trabalho, partindo dos seguin...
16e a transformação de ações médico-centradas em usuário-centradas, com a responsabilizaçãode todos os setores pela assist...
17De acordo com o mesmo autor, o primeiro movimento está relacionado ao processo deprodução do acesso dos sujeitos à singu...
18ou qualificar os espaços coletivos de reunião no seu cotidiano de trabalho; tornando-seimportante legitimar na própria eq...
193 METODOLOGIAA elaboração deste trabalho advém de uma pesquisa de campo, descritiva e exploratória, deabordagem qualitat...
20do Comitê de ética em pesquisa Universidade do Estado da Bahia, processo nº0603110189741 (ANEXO A).
214 RESULTADOS E DISCUSSÕESA pesquisa foi realizada com todos os enfermeiros que atuam nas unidades básicas de saúdeda sed...
22Processo onde se dá a formação de vínculo com o paciente. Deve ocorrer de forma humanadesde o momento da chegada do paci...
23[...] o vínculo, trata-se da relação do profissional e paciente, promovendo a participação econhecimento durante a prest...
24Sim. Porém não ocorre de forma sistematizada, [...] pois acredito que para levar acolhimentoé necessário que todos, desd...
25Percebe-se aqui, a presença constante e essencial do diálogo como forma de acolher evincular. Segundo Teixeira (2003), p...
26Diante deste questionamento, as enfermeiras se pronunciaram otimistas com a reorganizaçãodo fluxo da atenção, a qual den...
27é necessário atuação integral, harmoniosa e contínua de todos, desde recepção até médica(Lírio).Deste modo, a integralid...
28demanda de atendimentos, falta de tempo ou pressa. Deveria haver mais capacitaçãoprofissional para que estes entendam a ...
29Profissionais desqualificados; falta de capacitação na equipe multiprofissional; falta deestrutura física; acúmulo de fu...
30Brasil (2010b) diz que no nosso país, ainda com grandes desigualdades socioeconômicas, oacesso com qualidade aos serviço...
315 CONCLUSÃOO estudo revelou que o acolhimento, como prática humanizante, deve incluir uma escutaqualificada, com respons...
32ainda não possui um núcleo de educação permanente para capacitação dos profissionais, nafigura do NASF.Ainda com relação...
33                                        SUGESTÕESFaz-se necessário, neste contexto, que o município de Senhor do Bonfim,...
34                                      REFERÊNCIASARANHA E SILVA, A. L.; FONSECA R. M. G. S. Processo de trabalho em saúd...
35______. Ministério da Saúde. Humanizasus: Formação de apoiadores para a políticanacional de humanização da gestão e da a...
36CECILIO, L.C.O. Inventando a mudança na saúde. 3 ed. São Paulo: Hucitec; 2006.CIB. Comissão Intergestores Bipartite, Bah...
37MERHY, E.E. Em busca da qualidade dos serviços de saúde: os serviços de porta aberta paraa saúde e o modelo tecnoassiste...
38e práticas em saúde. Rio de Janeiro: Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado doRio de Janeiro/ABRASCO, p. 4...
39                                            APÊNDICESAPÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)     ...
40APÊNDICE B - QUESTIONÁRIO APLICADO PARA COLETA DE DADOS.                    UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB      ...
413) Existe acolhimento na sua unidade? Como ocorre este processo?________________________________________________________...
42                    ANEXOSANEXO A – APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA
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  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII BACHARELADO EM ENFERMAGEM PATRÍCIA MICHELA MACHADO SANTANA A VISÃO DA ENFERMAGEM SOBRE ACOLHIMENTO E VÍNCULO, PARA APRODUÇÃO DO CUIDADO HUMANIZADO NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE, DO MUNICÍPIO DE SENHOR DO BONFIM - BAHIA. SENHOR DO BONFIM 2012
  2. 2. PATRÍCIA MICHELA MACHADO SANTANA A VISÃO DA ENFERMAGEM SOBRE ACOLHIMENTO E VÍNCULO, PARA APRODUÇÃO DO CUIDADO HUMANIZADO NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE, DO MUNICÍPIO DE SENHOR DO BONFIM - BAHIA. Monografia apresentada como pré-requisito para conclusão do curso de Bacharelado em Enfermagem, turma 2007.2 da Universidade do Estado da Bahia, Campus VII. Orientadora: Enfª. Esp. Eliana do Sacramento de Almeida. Coorientadora: Enfª. Esp. Juliana Alcântara Franco Barbosa. Senhor do Bonfim 2012
  3. 3. PATRÍCIA MICHELA MACHADO SANTANA A visão da enfermagem sobre acolhimento e vínculo, para a produção do cuidadohumanizado na atenção básica de Saúde, do município de Senhor do Bonfim - Bahia. Trabalho de Conclusão de Curso, para obtenção de grau de Bacharelado em Enfermagem pela Universidade do Estado da Bahia. ____/____/_____ Data da Aprovação Banca: _____________________________________________________ Eliana do Sacramento de Almeida Orientador (a) _____________________________________________________ Dra. Maria de Fátima Brazil dos Santos Souto Membro da Banca _____________________________________________________ Márcia Evangelista Vale Membro da Banca Senhor do Bonfim 2012
  4. 4. Dedico a concretização de mais uma etapa daminha vida ao meu pai Djan, meus irmãosPatrick e Michael, meus tios e toda minhafamília, especialmente a uma pessoa que meforneceu e vem fornecendo toda a estruturapara realizá-la, a minha guerreira mãe ReaSilvia! O mérito desta conquista é todo devocês, que tiveram que lidar com a distância ea saudade ao longo desses anos, e nuncadeixaram de acreditar no meu potencial.
  5. 5. AGRADECIMENTOSÀ Deus e ao meu anjo da guarda, por me conceder força, sabedoria e coragem para superartodas as dificuldades que surgiram ao longo desta jornada universitária. Agradeço aoincentivo e apoio da minha família, do meu noivo e amigos, especialmente a Elisângela, porme acolher fraternamente em seu lar assim que cheguei nesta cidade. Agradeço também acontribuição de toda equipe docente da UNEB, em especial a Fátima Brazil e a ElianaSacramento, bem como a todos os profissionais dos locais onde estagiei ao longo desses anosde academia.
  6. 6. “Jamais se desespere em meio as sombriasaflições de sua vida, pois das nuvens maisnegras cai água límpida e fecunda”. (Provérbio Chinês)
  7. 7. A VISÃO DA ENFERMAGEM SOBRE ACOLHIMENTO E VÍNCULO, PARA A PRODUÇÃO DO CUIDADO HUMANIZADO NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE, DO MUNICÍPIO DE SENHOR DO BONFIM - BAHIA. RESUMO O acolhimento e o vínculo são elementos indispensáveis para uma assistência dequalidade e humanizada nos serviços de saúde, bem como para a participação/autonomia dosseus usuários; constitui um dos grandes desafios na construção e efetivação do SUS comopolítica pública, com relação aos modos de operar o trabalho na atenção e na gestão em saúde.Baseado no contexto da saúde pública na atualidade, com relação às práticas de acolhimentona atenção básica, o estudo objetiva identificar a relevância do Acolhimento e Vínculo naprodução do cuidado humanizado, por parte dos enfermeiros que atuam na atenção básica desaúde. Para isso, realiza-se uma pesquisa de campo, descritiva e exploratória, de abordagemqualitativa, tendo um questionário aberto como instrumento de coleta de dados. As análisesdos discursos revelam os seguintes resultados: A respeito dos conceitos e importância doacolhimento e vínculo, referem como sendo contato essencial e que deve fazer uso de boareceptividade, escuta qualificada e formação de vínculo, a fim de tornar a assistênciaresolutiva e humanizada; além disso, devem ser praticados de modo a estimular a autonomiados sujeitos com o próprio cuidado. Quando questionados sobre a sua ocorrência, ospesquisados afirmam que ocorre, mesmo perante alguma dificuldade; que deve ser deresponsabilidade multiprofissional, e que todos devem estar qualificados para exercê-lo. Comrelação à forma como deve ser realizado o acolhimento, respondem que deve incluir práticasde escuta qualificada, como forma de reconhecer e atender as reais necessidades da clientela.No que diz respeito a reorganização dos processos de trabalho, os pesquisados se pronunciamotimistas com a descentralização da atenção do eixo médico-centrado; destacam a necessidadede capacitação e responsabilização de todos os profissionais enquanto equipemultiprofissional, além da promoção de assistência integral e contínua como forma de torná-lamais humanizada. Entre as dificuldades encontradas para efetivação do modelo de atençãoatravés do acolhimento, a maioria das pesquisadas identificam a desqualificação e a falta decompromisso dos profissionais, a estrutura física inadequada, a falta de recursos financeiros,rotatividade dos profissionais e acúmulo de funções, os determinantes sociais e o nívelcultural; apenas uma delas não referiu dificuldades, por considerar sua equipe compromissadae qualificada com as novas práticas. Conclui-se então, uma urgente necessidade de mudançase adesões para o modelo atual de atenção em saúde embasados em aspectos humanizantes,como acolher, e que, a implantação do mesmo só será possível quando houver total empenhoe compromisso da equipe de saúde com o intuito de consolidá-lo.Palavras-chave: Acolhimento. Vínculo. Humanização. Atenção básica. Processo de trabalho.
  8. 8. ABSTRACTThe host and the link are essential to quality care and humanized health services, as well asfor participation / autonomy of its users, consist of one of the major challenges in theconstruction and effectuation of SUS (single system of health) like public policy, in respect tothe ways the work is operated in primary care and in health care management. Based on thecontext of public health nowadays, in regards to practices in primary care, this study aims toidentify the relevance of the host and the link in production of humanized care on the part ofnurses working in primary health care. For this, we made a field survey, descriptive andexploratory, in a qualitative approach, having an open questionnaire as an instrument of datacollection. The speeches analyzed reveal the following results: In respect to the concepts andimportance of host and link, refer to as essential contact and should make use of goodreception, qualified listening and bonding in order to render a resolute and humanizedassistance, moreover, practices should be done in a way to encourage the autonomy ofindividuals with the proper care. When asked about their occurrence, respondents stated that itoccurs with some difficulties, it should be multi-professional responsibility, and that everyoneshould be qualified to exercise it. In regards to how the host should be done, responded that itmust include practices of qualified hearing as a way to recognize and meet the real needs ofcustomers. Regarding the reorganization of work processes, the respondents are optimisticabout the decentralization of the primary care of the centered physician, highlighted the needfor training and responsibility of all professionals as a multidisciplinary team, besides thepromotion of a continuous and comprehensive care as a way to make it morehumanized. Among the difficulties encountered in the effective model of care through thehost, most of the respondents identify the incompetence and the lack of commitment ofprofessionals, inadequate physical infrastructure, lack of financial resources, rotation ofpersonnel and the accumulation of functions, the social determinants and cultural level, onlyone of them reported difficulties, considering his team committed and qualified with the newpractices. Concluding, an urgent need for changes and accessions of the current model ofhealth care based on humanizing aspects such as host, and that the implantation of the samewill be possible only when there is full engagement and commitment of the health teamwith order to consolidate it.Keywords: Host, Link, Humanization, Primary care, working process.
  9. 9. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 92 REVISÃO DE LITERATURA ....................................................................................................... 112.1 ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE. ................................................................................................ 112.2 ACOLHIMENTO E VÍNCULO. .................................................................................................... 112.3 A POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO (PNH). ........................................................... 132.4 A REORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO EM SAÚDE. ................................... 143 METODOLOGIA ............................................................................................................................ 194 RESULTADOS E DISCUSSÕES ................................................................................................... 214.1 A CONCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS SOBRE ACOLHIMENTO E VÍNCULO, BEM COMOA SUA IMPORTÂNCIA NAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE. ................................................ 214.2 A OCORRÊNCIA DO ACOLHIMENTO E VÍNCULO NA PRÁTICA PROPRIAMENTEDITA. .................................................................................................................................................... 234.3 A REORGANIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE TRABALHO: SERÁ POSSÍVEL ABANDONARDEFINITIVAMENTE O MODELO MÉDICO-CENTRADO? ........................................................... 254.4 DIFICULDADES ENCONTRADAS PARA EFETIVAÇÃO DO MODO DE PRODUÇÃO DESAÚDE ATRAVÉS DO ACOLHIMENTO, PROPOSTO PELA PNH. .............................................. 285 CONCLUSÃO .................................................................................................................................. 31SUGESTÕES ....................................................................................................................................... 33REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 34APÊNDICES ........................................................................................................................................ 38APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) .................. 39APÊNDICE B - QUESTIONÁRIO APLICADO PARA COLETA DE DADOS. ............................... 40ANEXOS .............................................................................................................................................. 42ANEXO A – APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA ........................................... 42
  10. 10. 91 INTRODUÇÃOA Política Nacional da Atenção Básica no capítulo 1 da Portaria GM/MS nº 648/2006determina o acesso universal e contínuo para os seus usuários como um dos seus princípios; epara isto refere alguns elementos fundamentais: o Acolhimento, o Vínculo e a Humanização,já que a Atenção Básica é protagonista no papel de grande acolhedora, por ser o contatopreferencial dos usuários com os sistemas de saúde (BRASIL, 2006a).O acolhimento e o vínculo são elementos indispensáveis para uma assistência de qualidadenos serviços de saúde, bem como para a participação e controle dos seus usuários (CAMPOS1997).Para Bueno e Merhy (2012), o acolhimento na saúde deve construir uma nova ética, dadiversidade e da tolerância aos diferentes, da inclusão social, escuta clínica solidária eresponsabilização, abrangendo novos valores de solidariedade e compromisso com aconstrução da cidadania.O vínculo que se estabelece entre equipe e usuários elevam a eficácia dos serviços prestadosnas unidades de saúde e promove a autonomia do ser assistido, ao estimular a cidadania eincentivar a sua participação durante a assistência, promovendo o auto-cuidado (CAMPOS1997).“O Acolhimento é um dos grandes desafios na construção e efetivação do SUS como políticapública, com relação aos modos de operar o trabalho na atenção e na gestão em saúde”(BRASIL, 2010a).Para Brasil (2011), o acolhimento na atenção básica - uma estratégia da Política Nacional deHumanização (PNH) - ainda representa um grande desafio para a efetivação de umaassistência de qualidade e, por conseguinte, humanizada. Sua problemática é tamanha, que oMinistério da Saúde fez uso deste tema como eixo norteador da sua 14ª Conferência Nacionalde Saúde: “Acesso e acolhimento com qualidade - um desafio para o SUS”.O Sistema Único de Saúde (SUS) espera, por meio de uma boa acolhida e humanizaçãodurante a atenção em saúde, promover a autonomia dos sujeitos e dos coletivos envolvidos,bem como estabelecer vínculos solidários entre equipe e usuários, a fim de torná-lo mais
  11. 11. 10acolhedor, ágil e resolutivo, comprometido em qualificar a ambiência e os serviços de saúde,garantindo acesso universal e assistência integral (BRASIL, 2010b).Baseado no contexto da saúde pública nos dias atuais, e nas experiências vivenciadas nodecorrer da graduação em enfermagem, com relação às práticas de acolhimento na atençãobásica, propôs-se como objetivo geral identificar a relevância do Acolhimento e Vínculo naprodução do cuidado humanizado, por parte dos enfermeiros que atuam na atenção básica desaúde, na sede do município de Senhor do Bonfim- BA. Além deste, buscou-se tambémanalisar o significado do acolhimento como estratégia do PNH na assistência prestada pelosenfermeiros das unidades básicas; descrever a política de acolhimento (se) utilizada; e asdificuldades encontradas pelos enfermeiros na efetivação dessa política.O trabalho foi elaborado por meio de uma pesquisa de campo, descritiva e exploratória, deabordagem qualitativa, realizada nas unidades de atenção básica da sede do município deSenhor do Bonfim-BA. Teve como instrumento de coleta de dados um questionário aberto e,como sujeitos da pesquisa, os enfermeiros empregados nestas unidades, que incluem asEstratégias de Saúde da Família (ESF), Postos de Saúde (PS), Centros de Saúde e Estratégiade Agentes Comunitários de Saúde (EACS).Em seguida foi realizada uma análise dos discursos obtidos com a aplicação do questionário,de forma qualitativa, e as respostas com a mesma linha de pensamento foram agrupadas emsuas respectivas categorias.Os pesquisados receberam todas as informações referentes à pesquisa, e concordaram emassinar o Termo de Consentimento Informado Livre e Esclarecido (APÊNDICE A),atendendo às Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo SeresHumanos: Resolução CNS 196/96 (BRASIL, 1996).Como forma de manter assegurada a confidencialidade da pesquisa e preservada a identidadedos sujeitos da pesquisa, os mesmos foram identificados pelo uso de pseudônimos (nomes deflores). O presente projeto foi executado após a aprovação do processo nº 0603110189741pelo Comitê de ética em pesquisa da Universidade do Estado da Bahia.
  12. 12. 112 REVISÃO DE LITERATURA2.1 ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE.A Política Nacional de Atenção Básica foi regulamentada em 2006, pela portaria MS nº 648;caracteriza-se por ações de saúde (individuais e coletivas) que abrangem a prevenção deagravos, a promoção, proteção e a reabilitação da saúde; por práticas gerenciais e sanitáriasdemocráticas e participativas, sob forma de trabalho em equipe; está orientada pelosprincípios da universalidade, da acessibilidade e da coordenação do cuidado, do vínculo econtinuidade, da integralidade, responsabilização, humanização, equidade e participaçãosocial; além de considerar o sujeito em sua singularidade, na complexidade, na integralidade ena inserção sócio-cultural (BRASIL, 2006a).A resolução discorre também sobre a composição da atenção básica, que deve ser realizadapor equipe multiprofissional, com presença de profissionais de nível superior na área de saúde(a de médicos e enfermeiros são mais constantes) e de agentes comunitários de saúde, quedevem estar vinculados a uma população de um determinado território (BRASIL, 2006a).O mesmo autor refere também alguns dos principais fundamentos da política, dos quais seusgestores e assistentes nunca devem perder de vista durante a organização e prestação dosserviços de saúde: acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade e resolutivos,de forma a permitir o planejamento e a programação descentralizada, e em consonância com oprincípio da eqüidade; efetivar a integralidade das ações programáticas e demandaespontânea, com trabalho de forma interdisciplinar e em equipe; desenvolver relações devínculo e responsabilização entre as equipes e a população garantindo a continuidade dasações de saúde e a longitudinalidade do cuidado; valorizar os profissionais de saúde porestímulos e acompanhamento constante de sua formação e capacitação; e estimular aparticipação popular e o controle social.2.2 ACOLHIMENTO E VÍNCULO.
  13. 13. 12O acolhimento pressupõe que o serviço de saúde se organize de forma a centralizar todas assuas ações no usuário, por meio de uma equipe multiprofissional que deve receber, escutar,orientar, atender, encaminhar e acompanhar; significa a base da humanização das relaçõesprofissional e usuário, além de caracterizar o primeiro ato de cuidado, contribuindo para oaumento da resolutividade dos serviços ofertados (BRASIL, 2004).Brasil (2010a, p. 03-04), em seu caderno de acolhimento nas práticas de produção de saúdefaz as seguintes considerações sobre o acolhimento: O acolhimento como postura e prática nas ações de atenção e gestão nas unidades de saúde, favorece a construção de uma relação de confiança e compromisso dos usuários com as equipes e os serviços, contribuindo para a promoção da cultura de solidariedade e para a legitimação do sistema público de saúde. Favorece, também, a possibilidade de avanços na aliança entre usuários, trabalhadores e gestores da saúde em defesa do SUS como uma política pública essencial da e para a população brasileira.Campos (1997) complementam essas considerações defendendo que o acolhimento devepropor plasticidade, ou seja, a capacidade de um serviço adaptar técnicas e atividades demodo a melhor respondê-los, adequando-os aos aspectos sociais, culturais e econômicos,presentes no cotidiano.Vínculo significa segundo o dicionário Aurélio, “1. tudo o que ata, liga ou aperta. 2. Nó,liame. 3. Fig. Ligação moral” (FERREIRA, 2004). Em outras palavras, pode ser definidocomo elemento essencial para a humanização da relação do profissional com o usuário, e suaconstrução requer o reconhecimento das responsabilidades de cada membro da equipe nastarefas necessárias ao atendimento, seja em atividades rotineiras ou imprevistas; o vínculo é oresultado das práticas do acolhimento e, principalmente, da qualidade da resposta recebidapelo usuário, seja ela clínica ou não (BRASIL, 2004).Para Merhy (1994) estabelecer vínculos traduz relações tão próximas e claras, que faz comque o profissional se sensibilize com toda a angústia e sofrimento do outro, aumentando aresponsabilidade para com o mesmo e possibilitando uma intervenção nem burocrática e nemimpessoal. Assim, só é possível construir vínculo, quando o usuário passa a ser reconhecidona condição de sujeito, que fala, julga e deseja (CAMPOS, 1997).É importante relembrar então, com relação ao acesso, que a atenção básica é a principal portade entrada dos usuários aos serviços de saúde (BRASIL, 2006a). Assim, a atividade derecepção em um serviço de saúde deve ser compreendida como um espaço que, ao acolher evincular permite o reconhecimento das necessidades do usuário, a investigação, elaboração enegociação de quais serão atendidas (TEIXEIRA, 2001).
  14. 14. 13Dessa forma, o acolhimento não deve ser entendido necessariamente como uma atividade emsi, mas como parte de toda atividade assistencial, que requer uma busca contínua doreconhecimento cada vez maior das necessidades de saúde dos usuários, e de todas as formaspossíveis para satisfazê-las, resultando então, em encaminhamentos, deslocamentos e trânsitospela rede assistencial, ou seja, em assistência integral (TEIXEIRA, 2003).2.3 A POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO (PNH).Pensando em superar a desumanização na atenção em saúde, o SUS criou em 2003 a PolíticaNacional de Humanização da Atenção e Gestão – HumanizaSUS , a fim de efetivar os seusprincípios no cotidiano das práticas de atenção e gestão. Esta faz uso do Acolhimento comosua principal estratégia na produção da saúde (BRASIL, 2010b).É validada aqui a definição da PNH a cerca do acolhimento: Recepção do usuário, desde sua chegada, responsabilizando-se integralmente por ele, ouvindo sua queixa, permitindo que ele expresse suas preocupações, angústias, e ao mesmo tempo, colocando os limites necessários, garantindo atenção resolutiva e a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência quando necessário. (BRASIL, 2006, p.24).A humanização é de um modo geral, um movimento que propõe a inclusão dos integrantes deum serviço para que possam reconstruir de forma mais compartilhada e coletiva modos degerir e de cuidar, considerando princípios e diretrizes, que são pressupostos éticos, clínicos epolíticos (BRASIL, 2010c).De acordo com a PNH, a Humanização deve ser entendida como forma de valorizar os maisdiversos sujeitos do processo do cuidado; produzir a autonomia dos usuários; estabelecervínculos solidários entre equipe e usuários; modificar os modelos de atenção e gestão em suaindissociabilidade, focando as necessidades dos usuários e a produção de saúde; propor umtrabalho coletivo, a fim de tornar o SUS mais acolhedor, ágil e resolutivo; comprometimentoem qualificar a ambiência, melhorando as condições de trabalho e atendimento; lutar parahumanizar o SUS, com a participação de todos, comprometido em qualificar os serviços desaúde, garantir acesso universal e assistência integral (BRASIL, 2010b).
  15. 15. 14É função também da Política Nacional de Humanização contribuir para a construção demodos de fazer, para que o universo do SUS, seus usuários, trabalhadores e gestores,passassem a experimentar novas possibilidades de manejo das tensões e alegrias do trabalhoem saúde, alterando modos de gerir e modos de cuidar (BRASIL, 2010c).A fim de implementar as ações de humanização na atenção básica, segundo Brasil (2010b,p.41-42) foram delineados os seguintes parâmetros a serem seguidos: Organização do acolhimento [...] eliminando as filas, organizando o atendimento com base em riscos/vulnerabilidade priorizados e buscando adequação da capacidade resolutiva; [...] Avançar na perspectivas do: a) exercício de uma clínica ampliada, capaz de aumentar a autonomia dos sujeitos, das famílias e da comunidade; [...]; Organização do trabalho, com base em equipes multiprofissionais e atuação transdisciplinar, incorporando metodologias de planejamento e gestão participativa, [...] na gestão compartilhada dos cuidados/atenção; Implementação de sistemas de escuta qualificada para usuários e trabalhadores, [...]; Garantia de participação dos trabalhadores em atividades de educação permanente em saúde; Promoção de atividades de valorização e de cuidados aos trabalhadores da saúde, [...].O mesmo autor espera, com a implantação e efetivação das ações propostas pela PNH, atingiros seguintes resultados: Redução de filas e tempo de espera, com ampliação do acesso, boa acolhida e atendimentoresolutivo baseado nas necessidades do usuário; Os usuários terão seus direitos garantidos, pelas conquistas já asseguradas em lei, comampliação de sua participação ativa, e de sua rede sócio-familiar, com relação ao planoterapêutico, acompanhamento e cuidados em geral; As unidades assegurarão gestão participativa para os trabalhadores e usuários, investindoem educação permanente em saúde dos trabalhadores; Adequação da ambiência, com espaço de trabalho acolhedor, aumentando a integraçãoentre equipe e usuários em diversos momentos; Implementar atividades para valorizar e cuidar dos trabalhadores da saúde.Entre outros importantes movimentos do SUS e que se entrelaçam com ele, a PNH se alicerçana defesa do direito à saúde, da vida e da democracia nas organizações, respondendo a umademanda social por humanização na atenção e na gestão (BRASIL, 2010c).2.4 A REORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO EM SAÚDE.
  16. 16. 15Segundo Franco, Bueno e Merhy (1999), o acolhimento propõe uma reorganização doprocesso de trabalho, partindo dos seguintes princípios: atender a todos os usuários,garantindo acesso universal; reorganizar o processo de trabalho, deslocando o eixo medico-centrado para o multiprofissional; e qualificar a relação entre profissional e usuário a partir defundamentos humanitários de solidariedade e cidadania.Além disso, esta reorganização prevê a construção pactuada de diretrizes e metas para aorientação do trabalho das equipes, a fim de garantir a produção de consensos sobre a novaorganização, considerando as seguintes premissas:• Vínculo com produção de co-responsabilização entre trabalhadores/equipes e usuário-redesócio-familiar e comunidade;• Acolhimento como diretriz ético-política do trabalho em saúde;• Trabalho em rede intra e inter-equipes com co-responsabilização; e• Articulação entre ações de promoção e prevenção, com as de cura e reabilitação (BRASIL,2006b).Pires (1999, p.32) faz a seguinte consideração sobre o processo de trabalho: [...] processo de trabalho dos profissionais de saúde tem como finalidade a ação terapêutica de saúde; como objeto - o indivíduo ou grupos doentes, sadios ou expostos a risco, necessitando medidas curativas, preservar a saúde ou prevenir doenças; como instrumental de trabalho - os instrumentos e as condutas que representam o nível técnico do conhecimento que é o saber de saúde e o produto final é a própria prestação da assistência à saúde que é produzida no mesmo momento que é consumida.Assim, o novo modelo de atuação deve estar centrado no usuário, onde o acolhimento, oacesso e a relação profissional-usuário estejam embasados em fundamentos humanitários(FRANCO, BUENO e MERHY, 1999).Entre as diversas estratégias criadas pela atenção básica a fim de se efetivar o novo modo deprodução de saúde estão:  O ACOLHIMENTO PEDAGÓGICOPensando na reestruturação dos serviços na saúde, a Resolução CIB 239/2010 da ComissãoIntergestores Bipartite da Bahia (CIB, 2010) criou como estratégia para a adoção do novoprocesso de trabalho, o Acolhimento Pedagógico com fins a capacitação dos seusprofissionais, que inclui todos os integrantes da equipe de saúde (desde o vigia até o médico)
  17. 17. 16e a transformação de ações médico-centradas em usuário-centradas, com a responsabilizaçãode todos os setores pela assistência.Segundo esta resolução, o acolhimento está baseado na necessidade da qualificação dosprofissionais da ESF, representando um primeiro momento educativo no Processo deEducação Permanente e que não se encerra como ação pontual; deve estar articulado com asações de Gestão e de Transformação das Práticas de Cuidado e dos Serviços, formando umaagenda sinérgica entre educação, gestão e mudança das práticas de cuidado.A mesma resolução traça ainda os seguintes objetivos principais do Acolhimento Pedagógicodas ESF e Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF): Acolher os seus profissionais,permitindo que reflitam sobre o processo de trabalho e as ações de cuidado na atenção básica;articular momentos de aprendizagem e formação a partir da reflexão da prática do cotidianode trabalho como dispositivo para estruturação da Educação Permanente junto às equipes deSaúde da Família.  O PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR (PTS)O conceito de projeto terapêutico está em construção, desde o início dos anos noventa, e vemse modificando com a história do SUS; pode ser definido como um movimento de co-produção e de co-gestão do processo terapêutico de indivíduos ou coletivos, em situação devulnerabilidade (BRASIL, 2010c). Para Ayres et al., (2003) deve-se entender porvulnerabilidade, as possibilidades políticas, sociais e individuais/singulares expressas pelaspessoas e pelo coletivo, em suas relações com o mundo, nos seus contextos de vida. Estasingularidade, segundo Aranha e Silva (2005) é a razão e base do projeto terapêutico, pois emfunção de um sujeito singular e junto com ele, são determinadas as ações para alcançar oobjetivo de produzir saúde.Para Brasil, (2010c) o PTS deve ser um processo de construção coletiva envolvendo,necessariamente, os componentes da equipe de saúde e os usuários em torno de uma situaçãode interesse comum, com formação de compromisso como modo de responsabilização entreos sujeitos; deve ser entendido como tecnologia da lógica do trabalho em equipeinterdisciplinar, tendo como referência prática, as equipes de saúde na Atenção Básica; assim,para se formular e operar um PTS faz-se necessário a realização de três movimentos, quedevem estar necessariamente sobrepostos e articulados: A co-produção da problematização;Co-produção de projeto e a Co-gestão/avaliação do processo.
  18. 18. 17De acordo com o mesmo autor, o primeiro movimento está relacionado ao processo deprodução do acesso dos sujeitos à singularidade do caso em discussão; para isso, será precisoque a equipe além de passar a reconhecer a capacidade dos indivíduos interferirem na suaprópria relação com a saúde e a doença, coloque também em análise seus próprios saberes; omovimento de co-produção pressupõe a busca de resoluções com e não para o outro, visandoa construção de um novo Ethos para profissionais de saúde e usuários, no sentido da produçãode cidadania e liberdade; acrescenta-se a isso, a necessidade de práticas de aproximação entreequipe e usuário como, ofertar encontros e momentos de conversa, seja no serviço, na rua ouno domicílio das pessoas, pois, além favorecer a criação do vínculo, se constitui comoestratégia para facilitar a coleta de informações, bem como a co-produção de problematizaçãona formação e composição de olhares sobre a situação-problema, suas hipóteses explicativase, até de imediato, algumas possíveis soluções.O segundo movimento, a Co-produção de Projeto, ainda para o referido autor, traz consigo odesafio de conciliar as práticas de planejamento, com o sentido de projetualidade, ao mesmotempo em que produza estímulo para participação ativa dos indivíduos envolvidos; assim, nocotidiano dos serviços de saúde, as atividades de planejamento voltam-se muito mais para aresolução pragmática de problemas, do que na produção de novos contextos com fins aprodução de saúde; diante disso, surge como proposta a dinâmica de planejamento no PTSque deve partir do princípio de que tudo que se mobiliza em termos de conhecimento e defluxos afetivos com relação ao caso é motivo para análise (a Co-produção deProblematização), a qual deve buscar um entendimento profundo do caso (semreducionismos), por parte da equipe e do próprio usuário implicado, como passo essencialpara a discussão e o planejamento das ações.Uma equipe na qual os profissionais não trabalham de forma interdisciplinar na avaliação deuma mesma problemática, produz um conjunto de ações muitas vezes incoerente e atécontraditório, diminuindo a resolutividade no seu conjunto e aumentando as chances deintervenções danosas ao usuário; no PTS, a forma mais coerente de trabalho em equipe seriaaquela na qual o espaço coletivo de discussão busca articular no seu Campo, através dediversos Núcleos profissionais com saberes e práticas específicas, diferentes formas de ver aproblemática em questão, compondo estratégias conjuntas de intervenção, que aumentam aschances de sucesso e reduzem as possibilidades de danos (BRASIL, 2010c).O terceiro movimento do PTS, a Cogestão-Avaliação do processo, surge desde o momentoem que a equipe, antes mesmo de definir o caso, sente a necessidade ou é estimulada a criar
  19. 19. 18ou qualificar os espaços coletivos de reunião no seu cotidiano de trabalho; tornando-seimportante legitimar na própria equipe e com outras equipes, com a gestão e com a população,o PTS como dispositivo importante para se ampliar a capacidade resolutiva da equipe e doserviço; para tanto, é fundamental que equipe e gestão se convençam e convençam os outrossujeitos da importância de uma pausa para discutir um caso, mesmo com todo o “excesso dedemanda” que chega aos serviços diariamente (BRASIL, 2010c).Segundo Brasil (2010c), a garantia de continuidade, de avaliação e de reavaliação do processoterapêutico sem que, no entanto, isso implique em burocratização do cuidado, do acesso e daorganização do serviço representam grandes dificuldades e desafios para os serviços e para asequipes de saúde que se propõem a fazer PTS; uma estratégia que procura favorecer essaarticulação entre formulação, ações e reavaliações e promover uma dinâmica de continuidadedo PTS é a escolha de um profissional de referência; aquele que articula e acompanha oprocesso; aquele que a família procura quando sente necessidade; que aciona a equipe casoaconteça um evento muito importante; podendo ser qualquer componente da equipe,independente de formação (BRASIL, 2010c). Geralmente é escolhido o que possui modo devinculação mais estratégico no caso em discussão (OLIVEIRA, 2008). Vale ressaltar que otempo de reavaliação do caso deve ser o mínimo possível, para que as ações planejadasproduzam o efeito esperado; uma sugestão é que as equipes se organizem e incluam umarotina de discussões de casos no serviço.O PTS se configura então, como um potente instrumento de incentivo aos processos demudanças nas práticas de saúde, contribuindo para a diversificação das ofertas nos serviços desaúde, que deve estar alinhada com um projeto maior de saúde e de cidadania (BRASIL,2010c).Diante do discorrido sobre as estratégias para o redirecionamento do processo de trabalho naassistência em saúde, destaca-se como um dos seus fundamentos o trabalho em equipe, emharmonia com o universo dos usuários; que deve fazer uso da intersetorialidade, que por seuimenso potencial de resolutividade, permite a criação de laços de confiança e vínculo,extremamente necessários para a melhoria da qualidade dos serviços prestados na saúde, bemcomo para aperfeiçoar a humanização das práticas assistenciais (BRASIL, 2004).
  20. 20. 193 METODOLOGIAA elaboração deste trabalho advém de uma pesquisa de campo, descritiva e exploratória, deabordagem qualitativa, realizada nas unidades de atenção básica da sede do município deSenhor do Bonfim-BA. Este possui uma população de 74.419 mil habitantes, sendo que57.566 habitam na sede e 16.853 na zona rural; situada no Piemonte da Chapada Diamantina(IBGE, 2010). Segundo o portal da prefeitura do município, possui como principais atividadesdo setor econômico, o comércio, a pecuária, a extração mineral e a agricultura (SENHOR DOBONFIM, 2012).Teve como sujeitos da pesquisa, os enfermeiros empregados nestas unidades, que incluem asESF, PS, CS e EACS. Não fizeram parte da pesquisa as unidades que ficam situadas nosdistritos da cidade/zona rural, e os demais profissionais de enfermagem (técnicos e auxiliares)que não de nível superior.Os enfermeiros empregados nestas unidades foram abordados em ambiente de trabalho, epreencheram um questionário aberto (APÊNDICE B). Assim, participaram efetivamente dapesquisa 02 enfermeiras do I Centro de Saúde, 01 enfermeira da ESF Novo Horizonte, 01enfermeira do II Centro de Saúde, 01 enfermeira da ESF Bonfim III, 01 enfermeira da ESFSantos Dumont, 01 enfermeira da ESF Alto da Maravilha I, 01 enfermeira da ESF Alto daMaravilha II, 01enfermeira do PS São Jorge e 01enfermeira da EACS São Jorge.Em seguida foi realizada uma análise dos discursos obtidos com a aplicação do questionário,de forma qualitativa, e as respostas com a mesma linha de pensamento foram agrupadas emsuas respectivas categorias. Vergara (2005) defende que a análise de discurso deve serentendida como um método que não visa somente entender como uma mensagem étransmitida, mas também explorar o seu sentido.Os pesquisados receberam todas as informações referentes à pesquisa, e concordaram emassinar o Termo de Consentimento Informado Livre e Esclarecido (APÊNDICE A),atendendo às Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo SeresHumanos: Resolução CNS 196/96 (BRASIL, 1996). Como forma de manter assegurada aconfidencialidade da pesquisa e preservada a identidade dos seus sujeitos, os mesmos foramidentificados pelo uso de pseudônimos (nomes de flores). O presente estudo teve a aprovação
  21. 21. 20do Comitê de ética em pesquisa Universidade do Estado da Bahia, processo nº0603110189741 (ANEXO A).
  22. 22. 214 RESULTADOS E DISCUSSÕESA pesquisa foi realizada com todos os enfermeiros que atuam nas unidades básicas de saúdeda sede do município de Senhor do Bonfim, Bahia, totalizando 10 (dez) entrevistados. Ossujeitos da pesquisa responderam um questionário aberto que lhes foram entregues a cerca doacolhimento, vínculo, processo de trabalho e humanização da assistência. Todos osparticipantes da pesquisa foram do sexo feminino; e apenas 03 (três) das 10 (dez) possuíammenos de quatro anos de experiência.4.1 A CONCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS SOBRE ACOLHIMENTO E VÍNCULO, BEM COMO A SUA IMPORTÂNCIA NAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE.A maioria das pesquisadas relacionam o acolhimento como primeiro contato essencial, que aofazer uso de uma boa receptividade e escuta qualificada permite identificar e atender asnecessidades do usuário, tornar a assistência mais resolutiva, além de conceber uma relaçãode confiança, ou seja, estabelecer vínculos. Assim, destacam-se as seguintes concepções sobreacolhimento e vínculo:É a resposta as necessidades dos cidadãos que procuram o serviço de saúde, através de umaboa receptividade, de escuta qualificada possibilitada também com maior proximidade entreusuário e trabalhador de saúde (Girassol).Primeiro contato com o cliente. É a entrevista com a coleta de dados para elaborar respostasàs necessidades da clientela que nos procura nos serviços de saúde. É nesta escuta queclassificamos aqueles usuários que precisam de atendimento com prioridade e não por ordemde chegada. [...] construindo com esta comunidade uma relação de confiança e identidade,reconhecendo assim todas as suas necessidades, traçando projetos e executando atividadespara a manutenção do bem estar geral (Violeta).Corroborando com esses pensamentos, Schimith e Lima (2004) afirmam que o acolhimentopermite regular o acesso quando passa a ofertar os serviços mais adequados de acordo com anecessidade do cliente, contribuindo para a otimização da assistência e a satisfação do mesmo.
  23. 23. 22Processo onde se dá a formação de vínculo com o paciente. Deve ocorrer de forma humanadesde o momento da chegada do paciente na unidade; processo de escuta ativa do paciente,dando atenção as suas queixas, angustias, preocupações, conquistando sua confiança. [...]Garantir a confiança do usuário no profissional e seu retorno ao estabelecimento de saúde,para continuidade do cuidado (Jasmim).Segundo Leitão (1995), a escuta acolhedora durante o atendimento em saúde permiteinterpretar o sentir, o pensar e agir do cliente, bem como a realidade onde está inserido; E namesma direção, está a importância da compreensão da realidade vivida pelos usuários comoforma de fortalecer o vínculo e ampliar a resolutividade, garantindo assim a implantação deplanos terapêuticos mais direcionados ao cliente.A visão das enfermeiras pesquisadas condiz com a linha de pensamento de Silva Júnior eMascarenhas (2004) que defendem que o acolhimento requer durante o encontro entreprofissionais da saúde e usuários, a ocorrência da disponibilidade em receber, ouvir e tratarhumanamente, considerando as reais necessidades da clientela, contribuindo dessa forma coma criação do vínculo ao estabelecer uma relação de interesse, confiança e apoio mútuo.O acolhimento favorece a construção de uma relação de confiança e compromisso para como outro; juntamente com o vínculo podem ser as principais ferramentas de troca deconhecimentos, favorecendo a promoção, prevenção e reabilitação (Cravo).Também para Boareto (2004) a interação que geralmente deve ocorrer entre profissional dasaúde e usuário durante a assistência revela-se como importante ferramenta influente notratamento, cabendo à equipe preparar-se para lidar com a dimensão subjetiva e social daqueleindivíduo, dando-lhe o suporte emocional necessário; neste sentido, a escuta é tida como umvalioso instrumento terapêutico que pode contribuir com a redução dos medos e ansiedadesque acabam dificultando o processo de cura.Além destas concepções, o acolhimento e o vínculo são ainda percebidos como instrumentosdos profissionais da saúde para estimular a produção da autonomia da clientela, ao incentivara sua participação no cuidado:[...] pois é através deste acolhimento que o paciente decidirá se irá retornar ou não àunidade de saúde. O vínculo de uma instituição de saúde com os seus usuários ampliam aeficácia das ações de saúde, favorecendo assim a participação dos usuários durante aprestação do serviço (Rosa).
  24. 24. 23[...] o vínculo, trata-se da relação do profissional e paciente, promovendo a participação econhecimento durante a prestação de serviço, tornando-os meramente reconhecido como umSER especial (Tulipa).O vínculo entre equipe e usuários cria referências seguras durante o processo deaprendizagem sobre auto-cuidado, fazendo com que os usuários se sintam capazes e aptos a secuidarem (FRANCO e MERHY, 2005).Segundo Campos (1994, p.50): [...] curar alguém seria sempre lutar para a ampliação do coeficiente de autonomia dessa própria pessoa. Neste sentido, faria parte fundamental de qualquer processo terapêutico todo esforço voltado para aumentar a capacidade de autonomia do usuário.Surge diante deste contexto, uma necessidade dos trabalhadores da saúde em passar por umacapacitação de suas técnicas pedagógicas, a fim de incentivar o auto-cuidado, ampliando acapacidade de intervenção dos clientes sobre suas vidas (CAMPOS, 2003).4.2 A OCORRÊNCIA DO ACOLHIMENTO E VÍNCULO NA PRÁTICA PROPRIAMENTE DITA.Quando questionados se o acolhimento faz parte do modo de produção de trabalho em suasrespectivas unidades e como este ocorre, todos os participantes afirmaram que sim, mesmoperante a alguma(s) dificuldade(s).Com relação a co-responsabilização pelas práticas assistenciais e acolhedoras, a maioria delasreferiram que o acolhimento deve ser de responsabilidade de toda a equipe de saúde e quetodos devem estar qualificados para exercê-lo:Sim. O processo de trabalho é acordado entre os membros da equipe, definindo-se campo enúcleo de competência de cada profissional, com o objetivo de acolher e produzir vínculocom os usuários. A atividade de acolhimento deve ser de responsabilidade de toda a equipe(Margarida).Existe. Se inicia pelo vigilante, recepção, dando seguimento pela triagem, enfermeiro emédico. Este acolhimento é de extrema importância e vem ganhando uma atenção crescente,requalificando a discussão a respeito deste problema (Rosa).
  25. 25. 24Sim. Porém não ocorre de forma sistematizada, [...] pois acredito que para levar acolhimentoé necessário que todos, desde vigilante, recepção, técnicos, enfim, toda equipe deve estácapacitada e incorporar atitudes no dia-a-dia na unidade. Trabalhamos com posturaacolhedora (Lírio).[...] muitas vezes este acolhimento fica sob responsabilidade unicamente do enfermeiro daunidade de saúde, como é o nosso caso. [...] (Violeta).De acordo com Oliveira, Fiorin, Ferreira et al., (2010), todos os profissionais devem estardispostos a ajudar e receber toda a demanda; e que, para se realizar um bom atendimento éessencial o envolvimento e o comprometimento de toda a equipe. Cecílio (2006) reafirmaOliveira, defendendo que para um atendimento eficaz, é essencial a participaçãomultiprofissional para compreender e assimilar inseguranças e intervir no sentido de garantiruma solução diante das queixas do usuário.No que diz respeito a capacitação profissional, Brasil (2008) afirma uma necessidade emampliar a qualificação técnica de toda a equipe em atributos e habilidades relacionais deescuta qualificada, de modo constituir vínculos, ou seja, a estabelecer interação humanizada,cidadã e solidária com usuários, familiares e comunidade, bem como reconhecer e atuar nosproblemas de saúde de natureza aguda ou relevantes para a saúde pública.Já com relação à forma como era realizada o acolhimento nas unidades, as pesquisadasresponderam que o mesmo incluía a escuta qualificada, como forma de reconhecer e atenderas reais necessidades da clientela:Sim. Fazemos o possível para facilitar o acesso e conquistar o usuário, ao ouvir suas queixase atender suas necessidades. Vejo que na maioria das unidades o enfermeiro e os agentescomunitários são os membros da equipe que mais possuem vínculos com os usuários. [...](Tulipa).Existe. [...] São acolhidos desde o vigilante até o médico e todos que formam a equipemultiprofissional, de forma humanizada, onde escutamos e tentamos sermos capazes deresolver os problemas dos mesmos [...] (Orquídea).Sim, apesar dos dias de muita demanda na unidade, busca-se oferecer um atendimentohumanizado, dando atenção as principais queixas do paciente, seus medos e anseios (escutaativa do paciente), dando assim aconselhamentos e buscando resolução dos seus problemasna medida do possível (Jasmim).
  26. 26. 25Percebe-se aqui, a presença constante e essencial do diálogo como forma de acolher evincular. Segundo Teixeira (2003), primeiramente, o acolhimento requer, antes de tudo, ocaráter de um acolhimento “moral” do usuário do serviço e de suas demandas (clínica ounão); esse gesto receptivo se faz acompanhar de um diálogo, que é o segundo traço descritivodeste dispositivo. Esse diálogo se orienta pela busca de um maior conhecimento dasnecessidades do usuário e dos modos de satisfazê-las, pautando-se todas as práticas deconhecimento que se dão no serviço (todas as formas de conversa, individuais ou em grupo,em que, de alguma forma, se “pesquisa” alguma coisa), não se esquecendo de que as nossasnecessidades não nos são sempre imediatamente transparentes e nem jamais definitivamentedefinidas.O autor insere então, o termo “acolhimento-diálogo” como prática assistencial humanizada,que corresponde a uma espécie de protocolo geral de comunicação entre todos os integrantesda rede, que não se trata necessariamente de uma atividade em particular, mas de umconteúdo de qualquer atividade assistencial; é dessa forma, então, que o acolhimento-diálogodesempenha papel fundamental na dinâmica organizacional, redundando emencaminhamentos, trânsitos pela rede assistencial, que são, em última instância, o resultadodo que se passa e das decisões tomadas num encontro pautado nas disposições “morais” e“cognitivas”; trata-se rigorosamente de uma técnica de conversa, um diálogo orientado pelabusca de uma maior “ciência” das necessidades de que o usuário se faz portador, e daspossibilidades e dos modos de satisfazê-las.Lopes, Silveira e Ferreira (1999), complementam dizendo que por meio da escuta ativa, oprofissional mostra ao outro que o compreende; através da aceitação, aceita o outro de formacompreensiva; por meio da empatia, compreende os sentimentos dos outros e não apenas suasidéias; através da confiança, possibilita a tomada de consciência das próprias emoções e domanejo adequado; e com a conduta de ausência de julgamento negativo, que desencadeiacondutas inadequadas, e frequentemente a não adesão a terapêutica.4.3 A REORGANIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE TRABALHO: SERÁ POSSÍVEL ABANDONAR DEFINITIVAMENTE O MODELO MÉDICO-CENTRADO?
  27. 27. 26Diante deste questionamento, as enfermeiras se pronunciaram otimistas com a reorganizaçãodo fluxo da atenção, a qual denota a descentralização deste, ao passar do eixo médico-centrado para o multiprofissional.Para Cecílio (2001), o atendimento as necessidades dos usuários durante a consulta é tidocomo eixo estruturante para o sistema de saúde, pois possibilita aos trabalhadores do serviçofazerem uso de uma melhor escuta da sua clientela, tomando as necessidades desta, comocentro de suas intervenções e práticas.Algumas participantes da pesquisa destacaram a necessidade da responsabilização de todos osprofissionais, enquanto equipe multiprofissional, para com o cuidado com o usuário:Sim. Analisando o processo de trabalho da equipe, descrevendo o conjunto de atividadesdesenvolvidas e identificando as responsabilidades de cada trabalhador, [...] (Margarida).Sim. Desde que os profissionais se reorganizem, deslocando o eixo central do médicoe passe a se responsabilizar enquanto um membro de uma equipe multiprofissional, capaz deacolher, escutar e ter compromisso em resolver os problemas de saúde existentes (Orquídea).Com relação a esta responsabilização, Campos (1997) apud Schimith e Lima (2004), aodiscutir a reorganização dos modos de trabalho nas equipes de saúde, propõem o modelocampo e núcleo de conhecimento para se trabalhar; estando voltados para o campo, os saberese responsabilidades comuns a várias profissões e especialidades e, já para o núcleo, somenteos específicos. Para o autor este modelo contribuiria para acabar com um problema bemcorriqueiro, a desumanização com relação ao longo tempo de espera, contando é claro, com oempenho dos profissionais que compõe a equipe de saúde.Segundo Franco, Bueno e Merhy (1999) o acolhimento deve ser percebido enquantoferramenta de análise dos processos que edificam as relações nas práticas de saúde, visando aprodução da responsabilização clínica e sanitária, bem como uma intervenção resolutiva,reconhecendo principalmente, que só haverá produção da responsabilização diante de umaboa acolhida e vinculação ao usuário.Além do compartilhamento de responsabilidades, uma das pesquisadas abordou ainda ainclusão da atenção integral e contínua por parte da equipe na produção de trabalho, comoforma de tornar a assistência mais humanizada:Sim. A partir do momento que toda equipe seja entendida, respeitada (pela mesma e pelainstituição) e integrada. E que todos percebam que para a realização de ações humanizadas
  28. 28. 27é necessário atuação integral, harmoniosa e contínua de todos, desde recepção até médica(Lírio).Deste modo, a integralidade existe em ato e pode ser disponibilizada na organização deserviços e renovação das ações de saúde, sendo reconhecida nas práticas que valorizam ocuidado e que tem em suas concepções a forte idéia de considerar o usuário como sujeito a seratendido e respeitado em suas necessidades (PINHEIRO e MATTOS, 2005).Para Mattos (2001, p.57): A integralidade emerge como um princípio de organização contínua do processo de trabalho nos serviços de saúde, que se caracteriza pela busca também continua de ampliar as possibilidades de apreensão das necessidades de saúde de um grupo populacional.Com relação às necessidades de saúde, Cecílio (2001) define uma taxonomia para essas,descrevendo-as como uma forma do serviço construir a integralidade da assistência; e asnecessidades são classificadas em quatro grupos, sendo o primeiro, ter boas condições devida; o segundo, ter acesso e poder consumir toda tecnologia de saúde capaz de melhorar eprolongar a vida; o terceiro, a insubstituível criação de vínculos efetivos entre usuário eequipe e/ou profissional; e o quarto, à necessidade de cada pessoa ter graus crescentes deautonomia no seu modo de levar a vida.A garantia da integralidade na assistência constitui para Nery (2006) um dos desafios paraefetivação do novo modelo de atenção em saúde, bem como o compromisso da equipe emfazer uso da escuta, atendendo e compreendendo da melhor forma possível as necessidades desaúde apresentadas pelo usuário.Outros informantes incluíram em suas concepções, a necessidade de qualificação ecapacitação para todos os profissionais que atuam nos serviços de saúde da atenção básica,incentivando a criação de vínculos através de uma postura acolhedora:Esta proposta só será possível quando reconhecermos a importância da ampliação equalificação técnica dos profissionais e das equipes de saúde para proporcionar essa escutaqualificada dos usuários com intenção humanizada, cidadã e solidária da equipe, usuário,família e comunidade (Violeta).Sim, e a depender do profissional, já se encontra em prática, pois na maioria das vezes oprimeiro contato do paciente ocorre com o profissional de enfermagem, ficando esteresponsável pelo acolhimento em si, já que na maioria das vezes o profissional médico sóatende a patologia do paciente, não realizando um acolhimento qualificado, seja pela alta
  29. 29. 28demanda de atendimentos, falta de tempo ou pressa. Deveria haver mais capacitaçãoprofissional para que estes entendam a importância do devido acolhimento e formação devínculo na atenção básica para se ter uma atenção mais qualificada e devida promoção asaúde (Jasmim).Sim. Através de uma capacitação da equipe multiprofissional, que foque a redistribuição e ocompartilhamento de responsabilidades; [...] (Girassol).Insere-se aqui a necessidade do Acolhimento Pedagógico, como forma de capacitar osprofissionais de saúde com relação ao novo fluxo de atenção, esclarecendo e incentivando aresponsabilização de toda a equipe pelo cuidado com o usuário (CIB, 2010).Foram abordados também pelos pesquisados, a importância em orientar a comunidade comrelação ao novo modelo de trabalho/atenção, de modo a conscientizá-la sobre os benefícios deuma assistência descentralizada, como por exemplo, torná-la mais resolutiva e qualificada:Sem dúvidas as ações nas unidades ainda é o médico-centrado, e com certeza e com maisinsistência e reorganização dos processos de trabalho, em um futuro próximo conseguiremosessa descentralização, através de conscientização dos usuários de que a unidade de saúde écomposta por uma equipe multiprofissional, capazes e preparados para prestação de serviçocom qualidade (Rosa).[...] bem como uma orientação aos usuários para que possa compreender a importância dareorganização dos serviços como forma de aperfeiçoar, qualificar e humanizar a assistência(Girassol).4.4 DIFICULDADES ENCONTRADAS PARA EFETIVAÇÃO DO MODO DE PRODUÇÃO DE SAÚDE ATRAVÉS DO ACOLHIMENTO, PROPOSTO PELA PNH.Diante da análise dos dados, a maioria das pesquisadas identificaram como principaisdificuldades a desqualificação e a falta de compromisso dos profissionais, a estrutura físicainadequada, a falta de recursos financeiros, rotatividade dos profissionais e acúmulo defunções:
  30. 30. 29Profissionais desqualificados; falta de capacitação na equipe multiprofissional; falta deestrutura física; acúmulo de funções; falta de compromisso/responsabilização dosprofissionais; Rotatividade de alguns membros da equipe (Girassol).A rotatividade freqüente dos profissionais das unidades de saúde (Violeta).Descaso dos profissionais; Falta de preparo dos profissionais; Espaço físico inadequado(Cravo).Por parte dos profissionais o acolhimento ocorre da melhor maneira possível, porém às vezeso vínculo acaba sendo enfraquecido devido a descrença dos usuários quanto a marcação dealguns exames e encaminhamento à atenção secundária, que acabam demorando meses paraagendamento por não ter no município ou pela demanda ser muita e o número de vagaspequeno. Então o que acaba dificultando é a falta de financiamento para maior quantidadede vagas para estes serviços, pois esta é uma das principais queixas dos pacientes (namaioria das vezes quando feita busca destes) que acabam desacreditando na atençãoqualificada (Jasmim).Alguns destacaram os determinantes sociais e o nível cultural como principais dificuldades noque diz respeito ao esclarecimento sobre a assistência descentralizada, em detrimento damédico-centrada e dos cuidados com a própria saúde:Um dos fatores que mais influencia é a cultura e o nível de escolaridade dos usuários,tornando difícil a nossa tentativa de descentralização destes serviços, pois estes dois fatorescriam uma resistência a mudança (Rosa).O que dificulta a efetivação são os determinantes sociais, como o nível de escolaridade, acultura, etc (Tulipa).Supervalorização do médico; Conceito de saúde da própria população; Imediatismo - noatendimento de necessidades; [...] (Lírio).Percebe-se nestes recortes que, diante dos níveis culturais e de escolaridade (geralmentebaixos na rede pública), ocorrem dificuldades em compreender a dinâmica da assistênciadescentralizada e noções de auto-cuidado. Este quadro evidencia a necessidade de intensificaras orientações, através da educação em saúde a estes indivíduos, afim de que passem aentender as práticas adotadas na assistência e tornem-se sujeitos autônomos com relação aopróprio cuidado.
  31. 31. 30Brasil (2010b) diz que no nosso país, ainda com grandes desigualdades socioeconômicas, oacesso com qualidade aos serviços e aos bens de saúde, bem como a ampliação do processode co-responsabilização entre profissionais e usuários nos processos de gerenciamento ecuidado continuam com graves lacunas.O autor relata ainda alguns problemas que representam grandes desafios na saúde e, quecondizem com as dificuldades encontradas pelas pesquisadas em suas respectivas unidades: aprecariedade das relações interpessoais de trabalho; a desvalorização dos profissionais dasaúde; investimento insuficiente nos processos de educação permanente em saúde dostrabalhadores; a reduzida participação na gestão dos serviços e a fragilidade do vínculo comos usuários; a falta de preparo dos profissionais como um todo, para lidar com a dimensãosubjetiva que toda prática de saúde requer; a existência de modelos de gestão centralizados everticalizados, desapropriando o trabalhador de seu próprio processo de trabalho.Apenas a seguinte pesquisada não referiu dificuldades neste modo de produção embasado noacolhimento, pois considera sua equipe compromissada e qualificada com relação às práticasvinculantes e humanizadas entre profissional e usuário:Nada dificulta na unidade de trabalho, pois todos já acolhemos e temos uma equipemultiprofissional compromissada. Temos que escutar os usuários, solicitar dos gestoresqualificações entre a relação trabalhador e usuário, que deve dar-sepor parâmetros humanitários, de solidariedade e cidadania (Orquídea).Nesta fala fica clara a importância que a enfermeira exerce na unidade, ao evidenciar quetodos os objetivos só serão alcançados mediante compromisso e responsabilidade doprofissional; ao serem identificadas falhas no modo de atenção, houve da mesma a atitude decobrar dos gestores uma capacitação para sua equipe, a fim de que sua unidade de saúde passea oferecer uma assistência de qualidade, resolutiva e humanizada.Diante de tais dificuldades, Brasil (2010b) ressalta uma urgente necessidade de mudanças,tanto nos modelos de atenção como nos modelos de gestão.Campos (1994) apud Schimith e Lima (2004), consideram praticamente impossível aimplantação de um modelo de atenção em saúde sem que haja o empenho da maioria dostrabalhadores com o intuito de consolidá-lo.
  32. 32. 315 CONCLUSÃOO estudo revelou que o acolhimento, como prática humanizante, deve incluir uma escutaqualificada, com responsabilização de todos os profissionais da unidade, desde a porta deentrada, com o vigia, recepção até o médico, a fim de que sejam estabelecidos vínculos. Estaaproximação favorece o reconhecimento das reais necessidades do usuário, de modo a tornaras práticas assistências mais direcionadas e resolutivas. Além disso, a equipe não deveesquecer que esta seja talvez a principal ferramenta para a adesão do seu cliente ao tratamentoe conseguintemente, para o seu retorno a unidade de saúde.Fica evidente também, uma preocupação com a promoção da autonomia dos usuários, emtransformá-los em sujeitos ativos, participantes no processo do cuidado. Os profissionaisprecisam entender o homem-usuário dos serviços de saúde como um ser pensante, subjetivo,com crenças, cultura e valores, para assim incentivá-lo a abandonar o papel de merotelespectador do seu processo saúde-doença, cabendo ao mesmo a decisão de ser ou não o atorprincipal com o próprio cuidado. Além disso, o tratamento humanizado não deve serexcludente, deve respeitar as individualidades/particularidades do cliente, dialogando sobre omelhor tratamento a ser adotado e considerando a realidade onde o mesmo está inserido.A promoção da autonomia requer, além da relação de confiança com o profissional através dovínculo, a prática da educação em saúde com a população assistida, como instrumento quedeve estar continuamente presente no meio de trabalho, a fim de torná-los co-responsáveispelo cuidado com a sua saúde.Alguns participantes destacaram a necessidade de reorganizar o fluxo interno, pois, na prática,o médico continua sendo o eixo central. Neste sentido, a garantia da integralidade daassistência, bem como a falta de qualificação dos profissionais, como forma de adotar o novomodo de produção de trabalho e atender as necessidades de saúde, ainda representa um dosdesafios para a efetivação do atual modelo nas unidades deste município. Esta reorientaçãobusca uma atenção descentralizada, interdisciplinar, com responsabilização de toda a equipe,guardada as devidas proporções, de modo a atender as necessidades do indivíduo assistido.Para que seja melhor compreendida e efetivamente utilizada, a atenção básica criou oAcolhimento Pedagógico e o Projeto Terapêutico como estratégias para qualificar e capacitaros profissionais com relação as novas práticas assistenciais, mas o município pesquisado
  33. 33. 32ainda não possui um núcleo de educação permanente para capacitação dos profissionais, nafigura do NASF.Ainda com relação a reorganização do novo modo de trabalho, foi percebida uma premênciaem orientar a comunidade, através de educação em saúde, sobre o novo modelo de atenção,descentralizado, com responsabilização de toda a equipe pela atenção aos usuários, a fim defazê-los compreender que assim como o médico, outros profissionais da unidade também sãocapacitados, dentro das suas especificidades, para atender as suas necessidades. Isso acabariacom o longo tempo de espera no atendimento e melhoraria a qualidade da assistência,tornando-a mais humanizada e resolutiva devido a redução da demanda, antes centrada nomédico.Conclui-se então, que o acolhimento e o vínculo, bem como a integralidade e o atendimentoas necessidades do usuário (também em sua subjetividade) só será possível diante dacapacitação e qualificação dos profissionais, principalmente do compromisso eresponsabilidade de cada um deles, em reorientar as práticas assistenciais, a fim de torná-lasmais qualificadas, eficazes e humanizadas. Devendo o enfermeiro ser o protagonista destareorganização, e não o único, por seu papel gerencial e assistencial nos serviços de saúde;servindo como exemplo e como incentivador das novas práticas, que incluem principalmenteacolher, ouvir, vincular, identificar as necessidades, direcionar a assistência, torná-la maiseficiente, eficaz, qualificada e, por conseguinte humanizada.
  34. 34. 33 SUGESTÕESFaz-se necessário, neste contexto, que o município de Senhor do Bonfim, uma cidade demédio porte, com quase oitenta mil habitantes, passe a contar com pelo menos uma equipe doNASF, a qual tem como uma de suas funções a capacitação das equipes de saúde ao fazer usoda Educação Permanente, através do Acolhimento Pedagógico e incentivo ao ProjetoTerapêutico (com discussão de problemáticas com fins a uma intervenção mais adequada),reforçando diretrizes essenciais, como a interdisciplinaridade, a intersetorialidade, a educaçãopopular, a integralidade, a promoção da saúde e a humanização.
  35. 35. 34 REFERÊNCIASARANHA E SILVA, A. L.; FONSECA R. M. G. S. Processo de trabalho em saúde mental e ocampo psicossocial. Rev. Latino-am. Enfermagem. Ribeirão Preto, v. 13, n. 3, p. 441-449,maio/jun. 2005.AYRES, J. R. C. M et al. O conceito de vulnerabilidade e as práticas de saúde: novasperspectivas e desafios. In: CZERESNIA, D. e FREITAS, C. M. (Org.). Promoção da saúde:conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Fiocruz, p.117-140, 2003.BRASIL (a). Ministério da Saúde. Acolhimento nas práticas de produção de saúde.Secretaria de Atenção à Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. 2. ed.Brasília: Editora do Ministério da Saúde, p 03,04, 2010.______ (a). Ministério da Saúde. Portaria nº 648, de 28 de março de 2006. Brasília:Ministério da Saúde; 2006. Disponível em:<http://dab.saude.gov.br/docs/legislacao/portaria_648_28_03_2006.pdf>. Acesso em: 11 dez.2011.______ (b). Ministério da Saúde. HumanizaSUS: Documento base para gestores etrabalhadores do SUS. Secretaria de Atenção à Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacionalde Humanização. 4. ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, p. 41, 42, 2010.______ (c). Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Cadernos Humanizasus.Política Nacional de Humanização. Secretaria de Atenção à Saúde. Série B – Brasília:Editora do Ministério da Saúde, 2010.______. Ministério da Saúde. Acolhimento nas práticas de produção de saúde. Secretariade Atenção à Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. 2. ed. Brasília:Editora do Ministério da Saúde, 2008.______. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Decreto que convoca a 14ªConferência Nacional de Saúde. Brasília. Disponível em:<http://conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2011/04_mar_14cns.html>. Acesso em: 08ago. 2011.______. Ministério da Saúde. Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal. Secretaria deatenção à saúde; Departamento de Atenção básica; Coordenação Nacional de Saúde Bucal.Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2004.
  36. 36. 35______. Ministério da Saúde. Humanizasus: Formação de apoiadores para a políticanacional de humanização da gestão e da atenção à saúde. / Organizado por EduardoPassos e Regina Benevides. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, p.24, 2006.______. Ministério da Saúde. Resolução 196/96: Aprova as diretrizes e normasregulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília. 1996. Disponível em:<http://conselho.saude.gov.br/resolucoes/reso_96.htm>. Acesso em: 18 ago. 2011.BOARETTO, C. Humanização da assistência hospitalar: o dia-a-dia da prática dos serviços.Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v. 9, n.1, p. 20-22, 2004.BUENO, W.S.; MERHY E.E. Os equívocos da NOB 96: uma proposta em sintonia com osprojetos neoliberalizantes? Disponível em: <http://www.datasus.gov.br/cns/temas/NOB96/NOB96crit.htm>. Acessado em: 15 dez. 2011.CAMPOS, G.W.S. A saúde pública e a defesa da vida. 2a Ed. São Paulo: Editora Hucitec,1994 apud SCHIMIT, M.D.; LIMA, M.A.D.S. Acolhimento e vínculo em uma equipe doPrograma Saúde da Família. Cad. Saúde Pública. Rio de Janeiro, 20(6):1487-1494, nov-dez,2004.CAMPOS, G. W. S. Considerações sobre a arte e a ciência da mudança: revolução das coisase reforma das pessoas. O caso da saúde. In: CECÍLIO, L. C. O. (Org.). Inventando amudança na saúde. São Paulo: Hucitec, p. 29-87, 1994.CAMPOS, G.W.S. Considerações sobre a arte e a ciência da mudança: revolução das coisas ereforma das pessoas. O caso da saúde. In: CECÍLIO, L. C. O. (Org.). Inventando a mudançana saúde. 2. ed. São Paulo: Editora Hucitec; 1997.CAMPOS, G. W. S. et al. Saúde paidéia. São Paulo: Hucitec, 2003.CAMPOS, G.W.S. Subjetividade e administração de pessoal: considerações sobre modos degerenciar o trabalho em equipes de saúde. In: MERHY, E.E.; ONOCKO, R. (orgs). Agir emsaúde: um desafio para o público São Paulo: Editora Hucitec; 1997. p. 229-66.apud SCHIMITH, M.D.; LIMA, M.A.D.S. Acolhimento e vínculo em uma equipe doPrograma Saúde da Família. Cad. Saúde Pública. Rio de Janeiro, 20(6):1487-1494, nov-dez,2004.CECILIO, L. C. O. As necessidades de saúde como conceito estruturante na luta pelaintegralidade e eqüidade na atenção na saúde. In: PINHEIRO, R.; MATTOS, R.A. (Orgs.). Ossentidos da integralidade na atenção e no cuidado à saúde. Rio de Janeiro: UERJ: IMS:ABRASCO, p.113-125, 2001.
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  38. 38. 37MERHY, E.E. Em busca da qualidade dos serviços de saúde: os serviços de porta aberta paraa saúde e o modelo tecnoassistencial em defesa da vida (ou como aproveitar os ruídos docotidiano dos serviços de saúde e colegiadamente reorganizar o processo de trabalho na buscada qualidade das ações de saúde). In: CECÍLIO, L.C.O. (Org.) Inventando a mudança emsaúde. São Paulo: Hucitec, p.116-60, 1994.NERY, S.R. O Acolhimento no Cotidiano dos Profissionais das Unidades de Saúde daFamília em Londrina- Paraná. Dissertação. (Mestrado em Saúde Coletiva) – UniversidadeEstadual de Londrina. 2006.OLIVEIRA, E.R.A; FIORIN, B.R.; SANTOS, M.V.F. et al. Acolhimento em saúde e desafiosem sua implementação: percepção do acadêmico de enfermagem. Revista Brasileira dePesquisa em Saúde. 12(2) : 46-51, 2010.OLIVEIRA, G. N. O projeto terapêutico singular. In: GUERREIRO, A. P.; CAMPOS, G. W.S. (Org.). Manual de práticas de atenção básica à saúde ampliada e compartilhada. 1. ed.São Paulo: Aderaldo e Rothschild (Hucitec), v. 1, p. 283-297, 2008.PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. in GOMES, M.C.P.A.; PINHEIRO, R. Acolhimento evínculo: práticas de integralidade na gestão do cuidado em saúde em grandes centrosurbanos. Interface , Botucatu, v.9, n.17. mar./ago. 2005.SCHIMITH, M. D; LIMA, M.A.D.S. Acolhimento e vínculo em uma equipe do ProgramaSaúde da Família. Cad Saúde Pública, v.20, n.6. Rio de Janeiro. 2004. p.1487-94.Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/csp/v20n6/05.pdf>. Acesso em: 27 jul 2011.SENHOR DO BONFIM. Prefeitura Municipal de Senhor do Bonfim. Bahia. Disponível em:<http://www.senhordobonfim.ba.gov.br/wp/cidade/economi/> Acesso: 06 dez. 2011.SILVA JÚNIOR, A. G.; MASCARENHAS, M. T. M. Avaliação da atenção básica em saúdesob a ótica da integralidade: aspectos conceituais e metodológicos. In: PINHEIRO, R.;MATTOS, R. A. (Orgs.). Cuidado: as fronteiras da integralidade. São Paulo: Hucitec, p.241-257, 2004.TEIXEIRA RR. Agenciamentos tecnosemiológicos e produção de subjetividade: contribuiçãopara o debate sobre a trans-formação do sujeito na saúde. Ciênc Saúde Coletiva, 6:49-61,2001;TEIXEIRA RR. O acolhimento num serviço de saúde entendido como uma rede deconversações. In: Pinheiro R, Mattos RA. Construção da integralidade: cotidiano, saberes
  39. 39. 38e práticas em saúde. Rio de Janeiro: Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado doRio de Janeiro/ABRASCO, p. 49-61, 2003.VASCONCELOS, E. M. Educação popular e a atenção à saúde da família. São Paulo:HUCITEC,1999.VERGARA, Sylvia Constant. Métodos de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas,2005.
  40. 40. 39 APÊNDICESAPÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII - SENHOR DO BONFIM – BA PESQUISADORA: Eliana do Sacramento de Almeida GRADUANDA ORIENTADA: Patrícia Michela Machado Santana TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) A VISÃO DA ENFERMAGEM SOBRE ACOLHIMENTO E VÍNCULO, PARA A PRODUÇÃO DO CUIDADO HUMANIZADO NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE, DO MUNICÍPIO DE SENHOR DO BONFIM - BAHIA. O(A) Sr. (ª) está sendo convidado(a) a participar do projeto de pesquisa “A visão da enfermagemsobre Acolhimento e Vínculo, para a produção do cuidado humanizado na Atenção básica de saúde, domunicípio de Senhor do Bonfim- Bahia”, de responsabilidade da pesquisadora Eliana do Sacramento deAlmeida. Segundo o Ministério da Saúde, “o padrão de acolhida aos cidadãos usuários e aoscidadãos trabalhadores da saúde, nos serviços de saúde, é um dos grandes desafios do SUS naatualidade”. Diante de tal preocupação, o presente projeto visa identificar a relevância do Acolhimentoe Vínculo na produção do cuidado humanizado, por parte dos profissionais de enfermagem que atuamna atenção básica. A fim de conhecer o seu olhar a cerca desta problemática, lhe será aplicado um questionárioaberto e estruturado, que cumpre a Resolução CNS 196/96, sobre as Diretrizes e NormasRegulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos. Desde já, esclareço que a pesquisa não traz risco nenhum ao participante, e que este pode terseus dados retirados da pesquisa a qualquer momento sem aplicação de pena ou punição. Da mesmaforma, garanto o sigilo dos dados confidenciais e a preservação da identidade do participante. Informotambém que não haverá nenhum tipo de gratificação ou bonificação pela participação no estudo, e queos dados obtidos poderão ser utilizados em trabalhos, pôsteres e apresentações em congressos.Eu,_________________________________________________________________________,declaro ter sido informado e concordo em participar, como voluntário, do projeto de pesquisa acimadescrito. Senhor do Bonfim - Bahia, _____ de ____________ de _______. Eliana do Sacramento de Almeida (pesquisadora)
  41. 41. 40APÊNDICE B - QUESTIONÁRIO APLICADO PARA COLETA DE DADOS. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII - SENHOR DO BONFIM – BA PESQUISADORA: Eliana do Sacramento de Almeida GRADUANDA ORIENTADA: Patrícia Michela Machado Santana A VISÃO DA ENFERMAGEM SOBRE ACOLHIMENTO E VÍNCULO, PARA A PRODUÇÃO DO CUIDADO HUMANIZADO NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE, DO MUNICÍPIO DE SENHOR DO BONFIM - BAHIA. QUESTIONÁRIO1) Defina: A- ACOLHIMENTO____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ B- VÍNCULO__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________2) Qual a importância do ACOLHIMENTO e VÍNCULO na produção do cuidado?__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  42. 42. 413) Existe acolhimento na sua unidade? Como ocorre este processo?__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4) Sabe-se que o atual fluxo de ações nas unidades de saúde é o Médico-centrado. Para um acolhimentoeficaz e mais humanizado, a proposta é a reorganização dos processos de trabalho. Será esta umaproposta possível de ser realizada? De que forma?______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5) O que dificulta a efetivação dessa política (uma proposta do programa Humaniza SUS) na Unidadeonde trabalha?__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  43. 43. 42 ANEXOSANEXO A – APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA

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