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11                                     CAPITULO I1. MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: ATORES E PRÁTICASEDUCATIVASA Educa...
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14Brown apud Capra (ano 2006 p.24) define que: “uma sociedade sustentável é aquelaque satisfaz suas necessidades sem dimin...
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18A Representação Social é vista como uma nova maneira de interpretar as relaçõescom a realidade e com as práticas do dia-...
19mundo compartilha atitudes naturais em relação ao mundo. Sobre isso Berger (1985,p.23) afirma:                     ...o ...
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21                     A Educação Ambiental como educação política está empenhada na                     formação de cidad...
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23Considerando a importância da escola na vida das crianças, e frente à necessidadede construção de uma nova visão de Meio...
24mútuo entre aluno e professor garantindo assim, um bom relacionamento que com opassar do tempo vai desenvolvendo a confi...
25Mizukami (1986, p.53) vem nos trazer uma abordagem humanista do professorcomo facilitador da aprendizagem, que está semp...
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27Como enfatiza Lüdke (1986, p.11) a pesquisa qualitativa                      (...) tem o ambiente natural como sua fonte...
28mapas mentais que são elaborações mentais construídas socialmente. A priori foientregue à direção da escola um ofício so...
29adquire as informações. Derdyk (1989) percebe o desenho como um importantemeio de comunicação e, por meio dele, a crianç...
30                                 CAPÍTULO IV4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOSMesmo sendo essa pesquisa de caráter qua...
31Escolhemos o desenho como instrumento para coletar os dados, pois consideramospertinentes e de grande riqueza, eles repr...
32Os pensamentos das crianças são representados aqui nesta pesquisa por meio dosdesenhos, por meio deles a criança express...
33desordenado do capitalismo, no qual os líderes políticos não fazem questão dereconhecer esse problema. Capra (2006, p. 2...
34impulsiona a refletir para uma convivência harmônica entre o social- cultural eambiental. Reigota (1994,p. 14) ressalta ...
35                       também os símbolos, conscientes ou inconscientemente desenhados,                       encontram ...
36Precisamos refletir melhor sobre como a Educação Ambiental é ministradas nasescolas. Reigota (1994) ressalta a necessida...
37                           CONSIDERAÇÕES FINAISA busca como compreender as Representações Sociais que os Alunos da Escol...
38Para que melhor entendamos a questão Ambiental de uma forma sistêmica, énecessário que a Educação Ambiental seja trabalh...
39                                REFERÊNCIASBAKHTIN,M. Marxismo e Filosofa da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1986.BECKER,...
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  1. 1. 0 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM-BA PEDAGOGIA 2004.1 ELOÁ SALGADO DE CARVALHO RELAÇÃO AMBIENTE-PESSOA, EU FAÇO PARTE?REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE MEIO AMBIENTE SENHOR DO BONFIM – BA 2010
  2. 2. 1 ELOÁ SALGADO DE CARVALHO RELAÇÃO AMBIENTE-PESSOA, EU FAÇO PARTE?REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE MEIO AMBIENTE Monografia apresentada como pré- requisito para conclusão do Curso de Pedagogia: Docência e Gestão de Processos Educativos, Departamento de Educação Campus VII da Universidade do Estado da Bahia. SENHOR DO BONFIM – BA 2010
  3. 3. 2 ELOÁ SALGADO DE CARVALHO RELAÇÃO AMBIENTE-PESSOA, EU FAÇO PARTE?REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE MEIO AMBIENTE Aprovada em _______ de ___________de 2010 BANCA EXAMINADORA _________________________________________________ Prof. Avaliador _________________________________________________ Prof . Avaliadora _________________________________________________ Profª. Zózina Maria Rocha de Almeida (Orientadora)
  4. 4. 3Dedico este trabalho a Deus por ter me dado força esabedoria para realizá-lo. Aos meus pais amadosque encorajou-me na tentativa de incentivar e dizerque não estou só. Dedico mais essa vitória a cadaum, pois se hoje sou vencedora é porque tive acompreensão, o apoio e o amor de vocês –presenças constantes em minha vida.
  5. 5. 4 AGRADECIMENTOSAos familiares:Que compartilharam meus ideais e me alimentaram, incentivando-me a prosseguir ajornada. A vocês mesmo que distantes, mantiveram-se sempre ao meu lado,agradeço por todo carinho dedicado.Aos mestres:Aqueles que transmitiram seus conhecimentos e experiências, profissionais e devida com dedicação e carinho, aqueles que guiaram para além das teorias, dasfilosofias e das técnicas, expresso o meu respeito diante do que foi oferecido.A minha orientadora, professora Zózina:Meu carinho e gratidão a você que soube, além do conhecimento, transmitir suaalegria, experiência e apoiar em minhas dificuldades. E ao profº Adson Bastos queiniciou esse trabalho comigo, mas que por vontade do destino não permitiu queconcluíssemos juntos. Obrigada por acreditarem e mim!As amigasSaibam meninas que vocês foram um apoio na conclusão dessa monografia.Agradeço pela palavra amiga, pelo silêncio que me confortou, pelo ombro que meconsolou e me fez perceber cada desafio de uma forma diferente. E de modoespecial a minha amiga-irmã Fabrise, que na reta final foi essencial, as tardes dedomingos em frete ao computador, as noites mal dormidas, obrigada por tudo!Aos amigos de trabalho
  6. 6. 5Obrigada a todos que várias vezes viram meu sofrimento na construção dessetrabalho, em especial ao meu gerente Rigoberto Gomes pela compreensão e pelasliberações sempre que necessária. Vocês são a minha segunda família!
  7. 7. 6“... A natureza é o corpo humano, isto é, a natureza,na medida que ela própria não é corpo humano. ‘Ohomem vive na natureza, significa que a natureza éo seu corpo’, com o qual ele vive deve permanecerem contínuo intercurso se não quiser morrer. Que avida física e espiritual do homem está vinculada ànatureza significa, simplesmente, que a naturezaestá vinculada a si mesma, pois o homem é parte danatureza”. Capra
  8. 8. 7 RESUMOA educação ambiental é de fundamental importância, principalmente para ascrianças, pois é na infância que a criança começa a elaborar “seu mundo”, elacomeça a construir seus valores e costumes. A escola é uma forte aliada parademonstrar e incentivar as crianças não somente nas aulas práticas, como tambémnas questões ambientais. O contato direto com o meio ambiente ajuda na formaçãodas crianças, pois coloca-as diante da situação. O presente trabalho foi realizado naEscola Montessoriano, localizada na cidade de Senhor do Bonfim – Ba e teve comoobjetivo, identificar as representações sociais que os alunos da 3ª e 4ª série daescola Montessoriano têm sobre meio ambiente. O trabalho foi desenvolvido comcrianças cuja faixa etária era de 8 a 10 anos. Para nortear nosso trabalho tivemoscomo referência alguns autores como: Reigota (1995), Machado (2007), Freire(1981), Gadotti (1999), Libâneo (2004), entre outros. Adotamos uma metodologiaqualitativa e nossos instrumentos de coletas de dados foram as observaçõesparticipantes e os mapas mentais. Por meio desses instrumentos e com os teóricosutilizados em nossa fundamentação, pudemos fazer as análises e interpretação dosdados. Os resultados do estudo apontam que do universo pesquisado 75% dascrianças têm uma visão holística do Meio Ambiente, isso significa dizer que aEducação Ambiental na escola pesquisada é trabalhada de uma formainterdisciplinar, na qual a visão de meio ambiente reducionista não se faz tãopresente. Nossa pretensão é que estudos dessa natureza despertem em todos quesão ligados a educação, uma reflexão voltada para a importância da EducaçãoAmbiental em nossas escolas. Que deve ser trabalhada em sua totalidade de formainterdisciplinar, e por meio de suas práticas pedagógicas promovam mudanças decomportamento em nossos alunos que apresentam potencial para intensificarmudanças em nossa sociedade ampliando a consciência de preservação com osvalores futuros.Palavras - chave: Representação Social, Meio Ambiente e Criança.
  9. 9. 8 SUMÁRIOINTRODUÇÃO .................................................................................................... 10CAPÍTULO I ........................................................................................................ 11 1 - Meio Ambiente e Educação Ambiental: atores e práticas educativas ........ 11CAPÍTULO II ....................................................................................................... 17 2 - Fundamentação Teórica .............................................................................. 17 2.1 – Representação Social: o que é? ............................................................ 17 2.1.1 – Representação Social: um meio de expressão .................................. 18 2.2 – Meio Ambiente: o que é? ....................................................................... 20 2.2.1 – Legislação, Educação e Meio Ambiente ............................................. 21 2.2.2 – As crianças e o meio Ambiente ........................................................... 22 2.3 – Alunos e Professores: uma relação necessária para odesenvolvimento ................................................................................................. 23CAPÍTULO III ...................................................................................................... 26 3 – Metodologia ................................................................................................ 26 3.1 – Definição da Linha Metodológica .......................................................... 26 3.2 – Lócus e Sujeitos da pesquisa ................................................................ 27 3.3 – Instrumentos de Coletas de Dados ....................................................... 27 3.3.1 – Mapas Mentais ................................................................................... 28CAPÍTULO IV ..................................................................................................... 30 4 – Análise e interpretação dos dados ............................................................. 30 4.1 – Análise e interpretação dos dados por meio das RepresentaçõesSociais de Meio Ambiente ................................................................................. 30 4.1.1 – O Meio Ambiente em uma perspectiva Holística ................................ 30 4.1.2 – O Meio Ambiente em uma perspectiva Conservacionista ................... 34 5 – Considerações Finais ................................................................................. 37REFERÊNCIAS .................................................................................................. 39
  10. 10. 9 LISTA DE FIGURASFIGURA 01: O Meio Ambiente em uma perspectiva Holística 1 ........................... 31FIGURA 02: O Meio Ambiente em uma perspectiva Holística 2 ........................... 31FIGURA 03: O Meio Ambiente em uma perspectiva Holística 3 ........................... 32FIGURA 04 O Meio Ambiente em uma perspectiva Holística 4 ............................ 32FIGURA 05: O Meio Ambiente em uma perspectiva Conservacionista 1 ............. 35FIGURA 06: O Meio Ambiente em uma perspectiva Conservacionista 2 ............. 35
  11. 11. 10 INTRODUÇÃOEste Trabalho de Conclusão de Curso é resultado de uma pesquisa realizada naescola Montessoriano, situada na cidade de Senhor do Bonfim – Ba, sendo nossoobjetivo identificar as representações sociais que os alunos da 3ª e 4ª série daescola Montessoriano têm sobre meio ambiente.Por meio das análises de dados fizemos reflexões embasadas nos teóricosutilizados na fundamentação sobre as representações de Meio Ambiente que ascrianças da escola em estudo têm sobre a questão.O trabalho foi dividido em quatro capítulos, são eles:No Capítulo I fizemos uma abordagem problematizando a questão ambiental.Ressaltando que a Educação Ambiental tem por objetivo formar sujeitos capazes decompreender o mundo e agir nele de uma forma crítica e consciente, formandoassim, sujeitos ecológicos.No Capítulo II encontra-se a fundamentação teórica, ou seja, o aprofundamento dasnossas palavras-chaves que orientou nosso trabalho: Meio Ambiente,Representação Social e Criança.No Capítulo III apresentamos nossa linha metodológica que norteou nossa pesquisa.A pesquisa tem uma abordagem qualitativa e os instrumentos de dados foram asobservações participantes e os mapas mentais.No Capítulo IV temos nossas reflexões sobre os dados coletados por meio dosinstrumentos citados acima. Trabalhamos nesse capítulo com duas categorias, umafoi a apresentação da tempestade de idéias e a outra a análise dos desenhos.Tendo como ponto de partida nosso objetivo de pesquisa, fundamentadas pelosautores escolhidos e norteadas pelas reflexões que o capítulo IV nos permitiu fazer,elaboramos algumas considerações sobre a dicotomia entre o homem e a natureza.
  12. 12. 11 CAPITULO I1. MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: ATORES E PRÁTICASEDUCATIVASA Educação é um processo social que acompanha as transformações da atualidade,ela acontece em vários espaços de diversas formas, pode ser institucionalizada ounão. O antropólogo Brandão (1995, p.7) destaca em seus estudos o seguinteconceito sobre o ato de educar: “ Ninguém escapa à educação. Em casa, na rua, naigreja ou na escola, de um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços davida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar”.Sendo assim, a Educação em seu sentido mais geral acontece fora dos muros daescola, é um fenômeno inerente à condição humana. Muitas pessoas quando falamem educação pensam logo na educação escolar. Entretanto, nesse mundocontemporâneo a educação é um processo bem mais amplo, ela acontece em todasas dimensões e prática social. É entendida também como um fenômenoplurifacetado e instrumento de formação/transmissão da cultura humana.Nessa perspectiva Brandão (1995, p.9) mostra quando nos diz que: Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar em que ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a única prática, e o professor profissional não é o seu único praticante.Diante do exposto, percebe-se que a Educação se desenvolve em diversoscontextos e isso se configura como processo complexo e multifacetado, no qualmodifica a vida das pessoas e interfere nas relações e processos sociais. A exemplotem-se: educação ambiental, educação rural, educação para o trânsito, educaçãoescolar, educação para o trabalho, entre outros.Franco (2002, p.9) vem nos dizer que a educação deve ser: ... o instrumento por excelência da humanização dos homens em sua convivência social, uma vez que os sujeitos, imersos em sua prática e
  13. 13. 12 impregnados das diversas influências educacionais, estão constantemente participando, interagindo, intervindo no seu próprio contexto cultural, requalificando a civilização, para condições que deveriam ser cada vez mais emancipatórias e humanizantes.Libâneo (2004, p.30) ressalta que Educação é: (...) o conjunto de ações, processos, influências, estruturas, que intervém no desenvolvimento humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio natural e social, num determinado contexto de relações entre grupos e classes sociais. É uma prática que atua na configuração da existência humana individual e grupal, para realizar nos sujeitos humanos as características de ‘ser humano’.Por sua vez, a Educação Ambiental mais do que um modismo revela-se umanecessidade imperiosa, não apenas para garantir a existência humana e da vida emseu conjunto, mas para construir uma sociedade mais harmônica e respeitosa comas demais espécies com o meio que o sustenta. Surge como respostas àpreocupação da sociedade com o futuro da vida.Segundo Carvalho (2004, p.45) A Educação Ambiental fomenta sensibilidades afetivas e capacidades cognitivas para uma leitura do mundo do ponto de vista ambiental. Dessa forma, estabelece-se como mediação para múltiplas compreensões da experiência do indivíduo e dos coletivos sociais em suas relações com o ambiente. Esse processo de aprendizagem, por via dessa perspectiva de leitura, dá-se particularmente pela ação do educador como intérprete dos nexos entre sociedade e ambiente e da Educação Ambiental como mediadora na construção social de novas sensibilidades e posturas éticas diante do mundo .Considerando o que nos disse Carvalho (2004), a Educação Ambiental tem comoproposta principal superar a oposição entre natureza e sociedade por meio de umaformação de atitudes ecológicas nas pessoas. Tem uma visão socioambiental, ouseja, o ambiente é um espaço de relações culturais, sociais e naturais. Dentro doprocesso educativo a Educação Ambiental tem por objetivo formar sujeitos capazesde compreender o mundo e agir nele de uma forma crítica e consciente, formandoassim, sujeitos ecológicos.Como condição para o processo de aprendizagem, Freire (1981, p.70), também sepreocupa com a compreensão natureza e cultura quando afirma:
  14. 14. 13 (...) a primeira dimensão desse novo conteúdo com que ajudaríamos o analfabeto, antes ainda de iniciar sua alfabetização (...) seria o conceito antropológico de cultura, isto é, a distinção entre estes dois mundos: o da natureza e o da cultura; o papel ativo do homem na sua realidade e com a sua realidade; o sentido de mediação que tem a natureza para as relações e a comunicação do homem; a cultura como o acréscimo que o homem faz ao mundo que não criou; a cultura como resultado de seu trabalho, de seu esforço criador e recriador.A formação/educação aqui expressa por Freire, pode por sua vez ser pensada comoparte da ação humana de transformar a natureza em cultura, dando-lhe sentido ecompreendendo o “estar no mundo” e o “participar da vida”. Nesse processo oeducador tem um papel fundamental, pois, ele é o mediador, envolvendo comatividades reflexivas, ou seja, provoca novas compreensões, outras leituras de vidae nos faz pensar também sobre nossa ação no mundo. Essa leitura como processode aprendizagem do mundo e de si mesmo, é uma produção de sentidos que temcomo base a interação entre o sujeito e o mundo.As preocupações com o meio ambiente, conforme Capra (2006) adquiriram grandeimportância. Desde o final do século passado defrontamo-nos com toda uma sériede problemas globais que estão danificando a biosfera e a vida humana de umamaneira alarmante e que pode logo se tornar irreversível. Essas preocupaçõesvoltam-se para a gravidade da questão ambiental estendendo-se pelos âmbitossócio-político e econômico.Observa-se que a sociedade capitalista apropriou-se dos recursos naturais de formainsustentável, com uma visão imediatista e fragmentada percebendo somente asvantagens que podem ser usufruídas momentaneamente e esquecendo-se quesomos parte da natureza. Sobre isso ressalta Capra (2006, p.24): O reconhecimento de que é necessária uma profunda mudança de percepção e de pensamento para garantir a nossa sobrevivência ainda não atingiu a maioria dos líderes das nossas corporações, nem os administradores e dos professores das nossas grandes universidades. Nossos líderes não só deixam de reconhecer como diferentes problemas estão interelacionados, eles também se recusam a reconhecer como as suas assim chamadas soluções afetam as gerações futuras.Entende-se que é a partir desse ponto de vista sistêmico que surgem as “soluçõessustentáveis” juntamente com o conceito de sustentabilidade, que segundo Lester
  15. 15. 14Brown apud Capra (ano 2006 p.24) define que: “uma sociedade sustentável é aquelaque satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras”.Diante disso, é que a Educação Ambiental, como tantas outras áreas deconhecimento pode-se tornar um processo intelectual a serviço da solução dosproblemas da comunidade, pois a forma como o ser humano se relaciona com omeio ambiente está diretamente ligada à sua percepção, ideologias econhecimentos prévios.Para Gonçalves (1990, p.14) a Educação Ambiental pode ser conceituada como: ... um processo de aprendizagem, longo e contínuo, que procura esclarecer conceitos e fomentar valores éticos de forma a desenvolver atitudes racionais, responsáveis e solidárias entre os homens. Tem por objetivo instrumentalizar os indivíduos, dotando-se de competência para agir consciente e responsavelmente sobre o meio ambiente, por meio da interpretação correta da complexidade que encerra a temática ambiental e da relação existente entre essa temática e os fatores políticos, econômicos e sociais.Nesse sentido a Educação Ambiental pode sensibilizar o indivíduo quanto a suacidadania, seus direitos e deveres para com a natureza, pois trata-se de umaprendizado social, no qual o diálogo, a criação de informação, conceito significativo,podem surgir da sala de aula ou de experiência pessoal.Observa-se o quanto o ser humano tem se ausentado dos atuais problemasambientais, como se não fosse do seu interesse o que acontece com o mundo aoseu redor. É cabível, que os educadores, possam preparar os educandos desdecedo, dando-lhes toda formação necessária para que assim ele exerça seu papel deagente transformador na sociedade (GONÇALVES, 1990).Para melhor refletir e compreender a relação do homem com a natureza, no que serefere a um processo de reconstrução interna dos indivíduos, faz-se urgente a buscado conhecimento em área específica. E foi com esse intuito de nortear a EducaçãoAmbiental que o Ministério do Meio Ambiente criou a Diretoria de EducaçãoAmbiental em 1999. A regulamentação da lei 9.795/99 define que a Coordenação daPolítica Nacional de Educação, ficará a cargo de um Órgão gestor, dirigido pelosMinistros de Estado do Meio Ambiente e da Educação.
  16. 16. 15Como preceitua o artigo 225 da Constituição Federal: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público: (...) VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente.Salienta-se que, cabe ao Poder Público proteger o meio ambiente e oferecer meiospara se implantar a Educação Ambiental em todo o Brasil independente de qual for onível de ensino, não esquecendo da responsabilidade que a sociedade também tempara com a natureza, preservando-a e protegendo-a. Atrelado a isso, surge anecessidade das escolas trabalharem em seus currículos a Educação Ambiental.Diante desse contexto, salientamos que durante a graduação, através daexperiência dos estágios, tivemos contatos com diversas escolas municipais eparticulares e percebemos que a formação dos alunos, no que diz respeito aeducação ambiental, ainda é trabalhada de forma tradiconal, onde priporiza em suamaioria os aspectos naturais sem levar em conta que a própia escola, as residênciasdos alunos, as pessoas e a cidade como um todo constituem o Meio Ambiente.Essas compreensões estereotipadas interferem muitas vezes, na relação ambientepessoa dos alunos e também de seus formadores. Por isso, acreditamos que épertinente e salutar estarmos propondo um redimensionamento de nossasrepresentações sobre meio ambiente. Percebe-se então o quanto se faz necessárioe urgente a compreensão dos alunos e a mudança de paradigmas da educação noque diz respeito à relação pessoa ambiente, principalmente nas escolas doMunicípio de Senhor do Bonfim – BA.Sendo assim, surgiu a motivação para o desenvolvimento deste trabalho que temcomo tema Educação Ambiental e sua relação ambiente-pessoa, principalmentecom as crianças da 3ª e 4ª série.Fundamentada em toda a problemática exposta, e no contexto das escolas locais,nos inquietamos na tentativa de responder a seguinte questão de pesquisa: Quais
  17. 17. 16as representações sociais que os alunos da 3ª e 4ª série da escola Montessorianotêm sobre meio ambiente?Estimulados a buscar respostas para esta questão surge o objetivo dessa pesquisaque é: identificar e analisar as representações sociais que os alunos da 3ª e 4ª sérieda escola Montessoriano têm sobre meio ambiente.
  18. 18. 17 CAPÍTULOII2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICABuscando entender melhor a questão de pesquisa que é identificar quais asrepresentações que os alunos da 3ª e 4ª série da Escola Motessoriana têm sobreMeio Ambiente, foi necessário fundamentar-nos em alguns teóricos para que assim,pudéssemos ter embasamento a respeito da questão a ser estudada.2.1 Representação Social: o que é?Durkheim foi o primeiro a trabalhar com o conceito de representação social usado nomesmo sentido de representações coletivas. É através destas representações que asociedade elabora e expressa por meio de pensamentos a realidade na qual estainserida. Na concepção de Durkheim (1978, p.79): As Representações coletivas traduzem a maneira como o grupo se pensa nas suas relações com os objetos que o afetam. Para compreender como a sociedade se representa a si própria e ao mundo que a rodeia, precisamos considerar a natureza da sociedade e não a dos indivíduos. Os símbolos com que ela se pensa mudam de acordo com sua natureza.Do ponto de vista do autor as representações respondem de diferentes formas acondições dadas da existência humana, dessa forma, “não existe representaçõesfalsas, são símbolos através dos quais é preciso saber atingir a realidade que elesfiguram e que lhes dá sua verdadeira significação” (idem, p.88).Em contra partida para Minayo (2008, p. 89) Representação Social é definida como: ...um termo filosófico que significa a reprodução de uma concepção retida na lembrança ou do conteúdo do pensamento. Nas Ciências Socais são definidas com categorias de pensamentos que expressam a realidade, explicam-na, justificando-a ou questionando-a. Enquanto material de estudo, essas percepções são consideradas consensualmente importantes, atravessando a história e as mais diferentes correntes de pensamento sobre o social.
  19. 19. 18A Representação Social é vista como uma nova maneira de interpretar as relaçõescom a realidade e com as práticas do dia-a-dia; e explicar os pensamentos dedeterminados grupos de pessoas sobre um determinado assunto. Jodelet (2001, p.17) ressalta: Frente a esse mundo de objetos, pessoas, acontecimentos ou idéias, não somos (apenas) automatismos, nem estamos isolados num vazio social: partilhamos esse mundo com os outros, que nos servem de apoio, às vezes de forma convergente, outras pelo conflito, para compreendê-lo, administrá- lo ou enfrentá-lo. Eis por que as representações são sociais e tão importantes na vida cotidiana. Elas nos guiam no modo de nomear e definir conjuntamente os diferentes aspectos da realidade diária, no modo de interpretar esses aspectos, tomar decisões e, eventualmente, posicionar-se frente a eles de forma defensiva.É através dos discursos, falas, saberes e opiniões dos alunos que asRepresentações Sociais de Meio Ambiente será expressa.2.1.1 Representações Sociais: um meio de expressãoPara compreender como as escolas vêem trabalhando o Meio Ambiente e suasdefinições no tocante a construção da cidadania e como as crianças pensam e agemsobre esta temática que vem se firmando cada dia mais em nossa sociedade,utilizamos as Representações Sociais, pois segundo Forgas (1981, p.2): ... nosso conhecimento é socialmente estruturado e transmitido desde o primeiro dia de nossas vidas, é colorido por valores, motivações e normas de nosso ambiente social na fase adulta e as idéias, conhecimentos e representações são criadas e recriadas tanto ao nível social quanto individual.Dessa forma o autor nos faz compreender que a dimensão social considera oconhecimento como algo inevitavelmente e profundamente social. Assim, não é todoe qualquer tipo de conhecimento que pode ser considerando como representaçãosocial, é considerado somente aquele que faz parte do cotidiano das pessoas, comopor exemplo, o senso comum que é uma elaboração social, é uma forma deinterpretação, uma forma de pensar e agir sobre determinada realidade.A vida cotidiana é um mundo intersubjetivo, pois o mundo de cada indivíduoparticipa junto com a dos outros indivíduos, essa participação se dá na medida que o
  20. 20. 19mundo compartilha atitudes naturais em relação ao mundo. Sobre isso Berger (1985,p.23) afirma: ...o mundo cultural não é só produzido pelo coletivamente, como também permanece real em virtude do conhecimento coletivo. Estar na cultura significa compartilhar com os outros de um mundo particular de objetividades.É por meio da sociedade, da interação e das realizações pessoais que o indivíduoexpressa sua subjetividade. Ao compartilhar sua intersubjetividade ele passa a tercerteza da realidade vivida, e diferencia essa realidade vivida com outros tipos derealidades na qual ele tem consciência.A partir disso é que as representações sociais vêm surgindo, elas são construídaspor processos sócio-cognitivos, pois está diretamente ligada com a vida cotidianainfluenciando os comportamentos e a comunicação. Por isso ela é consideradacomo um sistema de interpretações da realidade, na qual organiza as relações dosindivíduos com o mundo e orienta as condutas e o comportamento no meio social.Assim vem nos dizer Moscovici (2003, p. 251) que a “representação social écompreendida como a elaboração de um objeto social pela comunidade com opropósito de conduzir-se e comunicar-se”.As representações sociais são elementos simbólicos, sendo expressa pelos homensatravés de palavras e de gestos. No caso da primeira é utilizado a linguagem oral ouescrita, os indivíduos explicitam suas idéias, o que pensam, suas opiniões, suasexpectativas. É importante analisar o contexto no qual o indivíduo está inserido, poisas representações sociais são construídas historicamente e tem uma ligação com osdiferentes grupos socioeconômicos, culturais e étnicos que são refletidas naspráticas sociais. Completando Mazzotti (2002, p.7) afirma: Sujeito e objeto não são funcionalmente distintos, eles formam um conjunto indissociável. Isso quer dizer que um objeto não existe por si mesmo, mas apenas em relação a um sujeito (indivíduo ou grupo); é a relação sujeito- objeto que determina o próprio objeto. Ao formar sua representação de um objeto, o sujeito, de certa forma, o constitui, o reconstrói em seu sistema cognitivo, de modo a adequá-lo a seus sistemas de valores, o qual por sua vez, depende de sua história e do contexto social e ideológico no qual está inserido.
  21. 21. 20É por meio das Representações Sociais das crianças em estudo, compreendermoscomo vem acontecendo a formação desses sujeitos em relação a educaçãoambiental. Assim, podemos parafrasear Leontiev (1978) ao afirmar que asrepresentações sociais nada mais são do que comportamentos em miniatura,indicando os reflexos das práticas cotidianas.2.2 Meio Ambiente: o que é?Meio Ambiente é o conjunto de condições naturais que atuam sobre seres vivos.Conjunto de elementos naturais e sociais que se inter-relacionam em lugar e tempodeterminados. Considerando-se que a Biosfera possui apenas duas organizaçõesfundamentais (os ecossistemas da natureza e os sistemas culturais das sociedadeshumanas) que se comportam de modo diferente, o Ambiente é o resultado dasrelações entre essas duas organizações.Vivemos nos últimos anos os problemas ligados a relação sociedade e MeioAmbiente. Para Lima (1999, p. 1): A questão ambiental, neste sentido, define, justamente, o conjunto de contradições resultantes das interações internas ao sistema social e deste com o meio envolvente. São situações marcadas pelo conflito, esgotamento e destrutividade que se expressam: nos limites materiais ao crescimento econômico exponencial; na expansão urbana e demográfica;[...];no crescimento acentuado das desigualdades sócio-econômicas intra e internacionais, que alimentam e tornam crônicos os processos de exclusão social; no avanço do desemprego estrutural; na perda da biodiversidade e na contaminação crescente dos ecossistemas terrestres, entre outros.Percebemos que o Ambiente compõe-se na diversidade e nas relações que seproduzem em diversos espaços, ele se faz e se refaz a cada instante. É necessárioum debate sobre a relação do meio ambiente e educação, sendo norteada pelasanalises críticas das propostas educacionais relacionadas ao Meio Ambiente. Pois,todos nós somos responsáveis pela produção da vida no planeta.Estabelecer uma Educação Ambiental que seja crítica e inovadora não é fácil, poisela deve ser um ato político diretamente ligado as transformações sociais. Reigota(2002, p. 62) ressalta:
  22. 22. 21 A Educação Ambiental como educação política está empenhada na formação de cidadão nacional, continental e planetário, baseando-se no diálogo de cultura e de conhecimento entre povos, geração e gênero.Sorrentino (1995, p.87) acredita que: O objetivo da Educação Ambiental é o de contribuir para a conservação da biodiversidade, para a auto-realização individual e a comunitária e para a autogestão política e econômica, através de processos educativos que promovam a melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida.Assim, é preciso se ter muita atenção às questões relevantes que estão sendodiscutidas no contexto educacional e em especial, no da Educação Ambiental,porque é preciso refletir criticamente sobre as soluções acerca dos problemasambientais, pois poderá fortalecer as desigualdades sociais.2.2.1 Legislação, Educação e Meio AmbienteComo foi explicitado no primeiro capítulo deste trabalho de pesquisa sobre o que aConstituição Federal estabelece em relação a Educação Ambiental em seu artigo225 quando institui a Política Nacional do Meio Ambiente delegando ao PoderPúblico: “promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e aconscientização pública para a preservação do meio ambiente”. Diante dessecontexto a Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB) de nº 9394/96, conhecidatambém como Carta Magna da Educação, em seu artigo 32 nos traz a importânciada Educação Ambiental no Ensino Fundamental: Art. 32 - O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos, obrigatório gratuito na escola pública terá por objetivo a formação básica do cidadão. Mediante: I – O desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno do mínimo da leitura da escrita do cálculo: II – A compreensão do ambiente natural e social, do sistema político da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade: III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
  23. 23. 22Norteada pelo artigo 32 da LDB 9394/96, o Ministério da Educação (MEC)determinou a inclusão do tema Meio Ambiente como tema transversal, pois atemática ambiental deve está em todas as disciplinas escolares e devem congregarnas diferentes áreas do conhecimento, realizando assim a interdisciplinaridade.Sobre isso a LDB 9394/96 afirma: A Educação Ambiental será considerada na concepção dos conteúdos curriculares de todos os níveis de ensino, sem constituir disciplina específica, implicando desenvolvimento de hábitos e atitudes sadias de conservação ambiental e respeito à natureza, a partir do cotidiano da vida, da escola e da sociedade.Em 27 de abril de 1999 o Congresso Nacional decreta e sanciona a Lei de nº 9795,que institui a Política Nacional de Educação Ambiental e define em seu capítulo I noArt. 1º que: Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.Em seu Art. 2º, ressalta que: “A educação ambiental é um componente essencial epermanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, emtodos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.” Desta forma, é necessário práticas pedagógicas associadas e duráveis emtodos os níveis da educação.2.2.2 As crianças e o Meio AmbienteA educação infantil é uma etapa muito importante para a formação humana, pois éna infância que acontecem os primeiros contatos sociais, formando o sujeitohistórico e social, construindo e transformando a sua realidade. Dessa forma Kramer(2005, p. 33) relata: Estudos contemporâneos sobre infância enfatizam que a criança é um sujeito social, que possui historia e que, além disso, é produtora e reprodutora do meio no qual está inserida, atuando, portanto como produtora de história e cultura.
  24. 24. 23Considerando a importância da escola na vida das crianças, e frente à necessidadede construção de uma nova visão de Meio Ambiente, percebemos a escola comomeio de produção social realizada por sujeitos que fazem e refazem sua história devida e cultura. Levando em conta suas diversidades , seu contexto social, cultural eecológico.O desafio, agora, é educar as crianças nesta nova perspectiva. É preciso que elasaprendam a preservá-lo. Isto implica em rever as concepções de conhecimento quesão adquiridas em alguns meios escolares sobre o cuidado com o Meio Ambiente.Talamoni & Sampaio (2003, p. 11) afirma: A educação ambiental não se restringe ao ensino de ecologia e ao ensino de ciências, e também não se caracteriza como um “doutrinamento” para modificar comportamentos ambientais predatórios. O que temos hoje, por parte daqueles que têm uma concepção mais crítica de educação ambiental é a idéia de que ela é um processo de construção da relação humana com o ambiente onde os princípios da responsabilidade, da autonomia, da democracia, entre outros, estejam sempre presentes.Para Guimarães (2004) as práticas pedagógicas de Educação Ambiental devemsuperar a simples transmissão de conhecimentos. Nessa perspectiva a educaçãoescolar tem um sentido mais amplo, está comprometida em abranger outrasdimensões humanas, busca novos valores, assegura a qualidade de vida e perpassao compromisso somente com a transmissão de conhecimentos técnicos.2.3 Aluno e Professor: uma relação necessária para o desenvolvimentoO fenômeno educativo é complexo e abrange diversas características que quandointerelacionadas colaboram para a construção do processo ensino aprendizagem.Para o sucesso do aluno na vida estudantil é de fundamental importância a relaçãoaluno-professor. Assim, Hilal (1995, p.19) nos diz que: “O primeiro professor de umacriança tem muito grande importância na atitude futura desse educando, não sódurante a sua fase de aprendizagem, mas na sua relação com os sucessivosprofessores”.É dentro da escola que ocorre um maior contato humano entre pessoas quepensam, agem e têm sentimentos. Por isso é necessário que haja um respeito
  25. 25. 24mútuo entre aluno e professor garantindo assim, um bom relacionamento que com opassar do tempo vai desenvolvendo a confiança.É por meio dos conhecimentos trocados, do respeito, que aluno e professordesenvolvem a curiosidade, a criatividade e a ética. Dessa forma, conhecendo o dia-a-dia do aluno, as dificuldades enfrentadas por eles, os conhecimentos prévios queeles trazem consigo permitem que o professor aprimore sua prática. E Libâneo(1994, p.250) vem ressaltar que: O professor não apenas transmite uma informação ou faz perguntas, mas também ouve os alunos. Deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressar-se, a expor opiniões e dar respostas. O trabalho docente nunca é unidirecional. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor, às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos. Servem também para diagnosticar as causas que dão origem a essas dificuldades.Essa relação estabelecida entre professores e alunos é o centro do processopedagógico. Não se pode separar a realidade escolar da realidade de mundovivenciada pelos alunos, essa relação é uma "rua de mão dupla", pois professores ealunos podem ensinar e aprender através de suas experiências.A educação é uma das fontes mais importantes do desenvolvimento comportamentale agregação de valores numa pessoa. Mas é preciso não limitar o estudo em relaçãocomportamento do professor com resultados dos alunos. É preciso apresentar osprocessos construtivos como mediadores para superar as limitações do paradigmaprocesso-produto. Sobre isso Gadotti (1999, p.2) nos afirma: O educador para por em prática o diálogo, não deve colocar-se na posição de detentor do saber, deve antes, colocar-se na posição de quem não sabe tudo; reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida.Na medida em que o aluno sente-se responsável pelas suas atitudes e motivaçãoem sala de aula, para ele, o “aprender” torna-se prazeroso. Aprender é aprendercom alguém. Esse alguém precisa ter uma importância especial para despertar noaluno prazer e desejo de pensar e aprender. Compete ao professor compreender erespeitar o aluno como um ser capaz de criar e recriar.
  26. 26. 25Mizukami (1986, p.53) vem nos trazer uma abordagem humanista do professorcomo facilitador da aprendizagem, que está sempre aberto às novas experiências,quando nos diz que: “ As qualidades do professor (facilitador) podem sersistematizadas em autenticidade, compreensão empática – compreensão daconduta do outro a partir do referencial desse outro – e o apreço (aceitação econfiança em relação ao aluno).Isso nos faz perceber que a responsabilidade do “aprender” está ligada também aoaluno, pois aquilo que for mais significativo é absorvido melhor por ele.Conseqüentemente, o processo de ensino depende da capacidade individual decada professor, de sua aceitação e compreensão e do relacionamento com seusalunos.
  27. 27. 26 CAPÍTULO III3. METODOLOGIAAbordaremos aqui neste capítulo a metodologia utilizada para a realização dapresente pesquisa, que tem como objetivo identificar como os alunos da 3ª e 4ª sérierepresentam o Meio Ambiente, analisando a maneira como esta temática estáabordada no ambiente escolar. Como também, o lócus de pesquisa, os sujeitos e oprocedimento de coleta de dados.Severino (2002, p.82) nos fala que: “qualquer pesquisa em qualquer nível exige dopesquisador um envolvimento tal, que seu objetivo de investigação passa a fazerparte de sua vida”. Esta afirmação nos leva a entender que a pesquisa qualitativa épessoal, mostra o perfil do pesquisador, a relação que ele tem com o objeto deestudo, isso porque trabalha com valores, atitudes, representações sociais, crenças,opiniões.3.1 Definição da Linha MetodológicaOs procedimentos aqui utilizados foram orientados à luz da pesquisa qualitativa,uma vez que propõe identificar como os alunos do Ensino Fundamental representamo Meio Ambiente. E os sujeitos investigados respondem conforme sua perspectivapessoal e expressam-se livremente.Compreendemos a pesquisa qualitativa que segundo Bogdan e Biklen (1982), apudLüdke (1986, p.13): Pesquisa qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatiza mais o processo do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes.Compreende-se que a pesquisa qualitativa está diretamente ligada comprocedimentos como observações, entrevistas, questionários e interpretações,permitindo uma interferência subjetiva e confrontando a teoria com a realidade quefoi observada.
  28. 28. 27Como enfatiza Lüdke (1986, p.11) a pesquisa qualitativa (...) tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. [...] a pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada, via de regra através do trabalho intensivo de campo.É neste tipo de pesquisa que o significado é uma das preocupações essenciais dopesquisador.3.2 Lócus e sujeitos da pesquisaA pesquisa foi realizada na Escola Montessoriana da rede particular de ensino domunicípio de Senhor do Bonfim – BA. A escola recebe crianças da Educação Infantila 4ª série do ensino Fundamental, o turno de funcionamento é o vespertino, ométodo de trabalho é o agrupamento, ou seja, 3ª e 4ª série juntas totalizando 12alunos.A escolha da Escola Montessoriana foi devido a alguns princípios fundamentais quenorteiam o Sistema Montessori, que são: a atividade, a individualidade e a liberdade.Enfatiza os aspectos biológicos, pois considera que a vida é desenvolvimento.Acredita que estímulos externos formam o espírito da criança, precisando, portantoser determinados. Na sala de aula a criança é livre para agir sobre os objetossujeitos à sua ação, mas estes já estão preestabelecidos como conjuntos de jogos eoutros tipos de materiais.O nosso lócus apresenta uma quantidade pequena de alunos. Este foi um aspectoque nos conduziu a optar por 12 alunos dos agrupamentos I e II (3ª e 4ª série) daescola em questão, sendo 8 na 3ª série e 4 da 4ª série com faixa etária é de 8 a 10anos.3.3 Instrumentos de coleta de dadosPara que o objetivo de estudo fosse alcançado, principalmente por se tratar de umaabordagem qualitativa, foram utilizados como instrumento de coleta de dados os
  29. 29. 28mapas mentais que são elaborações mentais construídas socialmente. A priori foientregue à direção da escola um ofício solicitando a liberação para a pesquisa, foifeito também um acordo com os professores para a execução das observações,aplicação dos mapas mentais.3.3.1 Mapas mentaisOutro instrumento utilizado para identificar as representações sociais que ascrianças têm sobre Meio Ambiente foi o mapa mental. Instrumento este, que permiteexpressar parcialmente através da linguagem pictográfica e escrita suasrepresentações de Meio Ambiente. Para Petchenik (1995, p.27): “[...] o termo mapamental parece oferecer muito mais, soa como se tivesse referência com a soma totalde todo conhecimento espacial que qualquer indivíduo carrega consigo na forma deconhecimento tácito e imagens espaciais potenciais”.Assim, o mapa mental tem o objetivo de avaliar o nível da consciência espacial dosalunos buscando entender a compreensão do lugar em que vivem. É a partir desteinstrumento de coleta de dados que podemos perceber valores que são “pré-desenvolvidos” pelos alunos considerando a imagem que eles têm do seu lugar.Di Leo (1985) acredita que a interpretação do desenho infantil não foge da realidadee do contexto da criança, pois o desenho como símbolo depende da cultura em quea criança está inserido como também de sua própria história pessoal. SegundoFrémont (1999), apud Machado (2007, p.69): O espaço vivido parece assim construído de uma compactação de estratos sucessivos que acumulam, se espremem, se esmigalham, se esquecem mais ou menos... Esta estratificação comporta evidentemente componentes pessoais, próprio a cada indivíduo, as suas qualidades e virtualidades específicas, mas ela se insere também em um sistema de contingências em que o casamento, o trabalho, o serviço militar, as migrações revelam bastante as referências, tanto de ordem econômica como social.Para Morin (2001) essas experiências criam significados no pensamento objetivo esubjetivo do indivíduo. Percebemos então que o processo de desenvolvimento metalé realizado por etapas, está associado com as etapas do desenvolvimento mental dohomem. A percepção de cada indivíduo é reflexo das experiências e do meio onde
  30. 30. 29adquire as informações. Derdyk (1989) percebe o desenho como um importantemeio de comunicação e, por meio dele, a criança representa a qualidade doambiente em que vive.Durante a aplicação dos mapas mentais entregamos uma folha de oficio e lápis decor para as crianças e solicitamos que os sujeitos expressassem por meio dedesenhos imagens que representassem Meio Ambiente.
  31. 31. 30 CAPÍTULO IV4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOSMesmo sendo essa pesquisa de caráter qualitativo, todas as identidades dossujeitos foram preservadas. Identificamos por meio de desenhos e palavras asrepresentações sociais dos alunos sobre Meio Ambiente. Para avaliar as relaçõesentre os dados obtidos e a questão de pesquisa apresentaremos aqui neste capítuloas análises e interpretações, tomando como norte a fundamentação teórica.Para que os dados fossem coletados foram distribuídas duas folhas de ofício paracada aluno e solicitado que em uma das fosse feito um desenho e na outra folha queescrevessem quatro palavras que pra eles representavam o Meio Ambiente. Estesdados foram elementos indispensáveis para nossa análise e discussão a cerca dasrepresentações sociais do meio ambiente.Os resultados são apresentados por categorias, primeiro o perfil dos sujeitos esegundo as Representações Sociais dos alunos a respeito do meio ambiente.4.1 Análise e interpretação dos dados por meio das representações sociais deMeio AmbienteSendo nossos sujeitos os 12 alunos, é importante destacar que no dia da coleta dedados encontravam-se somente 8 alunos.4.1.1 O Meio Ambiente em uma perspectiva HolísticaCompreender a realidade e a dimensão de como as crianças representam o MeioAmbiente, foi o objetivo central desta pesquisa. Escolhemos o mapa mental comoum instrumento metodológico, porque acreditamos que ele é capaz de nos dásubsídios para interpretar as representações dos alunos por meio dos desenhos.
  32. 32. 31Escolhemos o desenho como instrumento para coletar os dados, pois consideramospertinentes e de grande riqueza, eles representam uma influência do seupensamento simbólico, traz uma relação de identidade com o que representaconcretamente, ou seja, expressa de uma forma significativa o seu cotidiano, suasvivências e sua realidade ambiental. Para Morin (2001, p.173) essa presençaconcreta “tece uma teia de significados do pensamento objetivo e subjetivo”.Identificamos que dentro do universo pesquisado 75% dos mapas mentais ilustradospelos sujeitos expressam uma representação holística do Meio Ambiente conformefiguras a seguir. FIGURA 01: O Meio Ambiente em uma FIGURA 02: O Meio Ambiente em uma perspectiva Holística 1 perspectiva Holística 2 FONTE: Mapas mentais aplicados aos FONTE: Mapas mentais aplicados aos sujeitos sujeitosEssas imagens demonstram representações sociais que trazem visões completas deMeio Ambiente, reafirmam uma representação de ser e fazer parte desse meioecológico. O homem é percebido como parte dos elementos que compõem oPlaneta Terra.
  33. 33. 32Os pensamentos das crianças são representados aqui nesta pesquisa por meio dosdesenhos, por meio deles a criança expressa sua visão de mundo, seus valores esua cultura. É através destes desenhos, que nós educadores precisamos interpretaras preocupações e sentimentos dos alunos que muitas vezes se expressam maispelos desenhos do que com as palavras. Derdyk (1989) nos diz que, o desenho éum importante meio de comunicação e representação da criança sobre a qualidadedo ambiente em que vive e interage, apresentando-se como uma atividadefundamental para compartilhar experiências infantis.As crianças demonstram por meio de suas representações sociais que o homemalém de esta contido no Meio Ambiente, de ser um dos elementos que compõem oPlaneta Terra ele é um ser atuante nesse meio e capaz de refletir sobre suaspróprias ações. Eis as imagens: FIGURA 03: O Meio Ambiente em uma perspectiva Holística 3 FONTE: Mapas mentais aplicados aos sujeitos FIGURA 01: O Meio Ambiente em uma perspectiva Holística 1 FONTE: Mapas mentais aplicados aos sujeitosAs crianças representam reflexões sobre a convivência agressiva do homem com oMeio Ambiente a partir do momento que ela expressa a frase: “A Terra pedeSocorro”. Essas agressões estão cada vez mais intensa devido ao crescimento
  34. 34. 33desordenado do capitalismo, no qual os líderes políticos não fazem questão dereconhecer esse problema. Capra (2006, p. 24) afirma que “nossos líderes políticosnão só deixaram de reconhecer como diferentes problemas estão inter-relacionados;eles também se recusam a reconhecer como as suas chamadas soluções afetam asgerações futuras”.Existem também reflexões sobre a convivência harmônica com o Meio Ambiente. Ocuidado que devemos ter em “jogar o lixo no lixo”, de preservar o ambiente limpo.Isso é imagem dos conhecimentos adquiridos pelos alunos na sociedade como umtodo (sala de aula, família, igreja). O aluno é um ser que busca constantemente oconhecimento em vários momentos de sua vida para poder utilizá-los em suaprática. Sendo assim Becker (1993, p. 52) ressalta que: O conhecimento é a capacidade de aprender algo e usar depois; é quando o aluno incorpora o conteúdo e consegue manipular os dados. O conhecimento ou conteúdo é, num primeiro momento, incorporado e, e num segundo momento, vivenciado. Ora, o conhecimento especificamente os conceitos que constituem a própria arquitetura do pensamento, é vivenciado ao ser construído; construção e vivência são duas faces do mesmo evento.As representações sociais das crianças no permite inferir que elas já conseguemperceber o homem como alguém que age sobre este meio e que para cada ação dohomem corresponde sempre uma reação do ambiente. A criança consegueperceber-se enquanto Meio Ambiente e como sujeito integrante desta teia.O papel do professor é muito importante para despertar na criança esta visãoholística do Meio Ambiente. A compreensão que os professores têm a cerca de MeioAmbiente é fundamental para que suas práticas pedagógicas sejam pautadas noseu conhecimento e no que acredita de forma a adequá-las aos conhecimentos játrazidos pelos alunos . Partindo dessa premissa os conhecimentos transmitidos paraas crianças devem ter uma linguagem adequada para que haja uma compreensãode como conviver com a sociedade e o Meio Ambiente de forma harmônica.É imperativo que a Educação Ambiental seja abordada de uma forma holística, vistaem sua totalidade, percebendo-nos como integrante desse processo. Hoje diantedas catástrofes mundiais que é resultado da irresponsabilidade do pensamentohegemônico predominante, sofremos conseqüências talvez irreversíveis. O que nos
  35. 35. 34impulsiona a refletir para uma convivência harmônica entre o social- cultural eambiental. Reigota (1994,p. 14) ressalta que: Educação ambiental é uma proposta que altera profundamente a educação como a conhecemos, não sendo necessariamente uma prática pedagógica voltada para a transmissão de conhecimentos sobre ecologia. Trata-se de uma educação que visa não só à utilização racional dos recursos naturais, mas basicamente à participação dos cidadãos nas discussões e decisões sobre a questão ambiental.“A Educação Ambiental aponta para propostas pedagógicas centradas naconscientização, mudanças de comportamento, desenvolvimento de competência,capacidade de avaliação e participação dos educandos” (REIGOTA, 1994). Por isso,percebemos a importância de desenvolver essa pesquisa com as crianças, poisacreditamos que elas são sujeitos capazes de desenvolver seu potencial críticopautado numa visão global, se percebendo parte essencial desse meio ambiente.4.2.2 O Meio Ambiente em uma perspectiva ConservacionistaConstatamos também que 25% das representações sociais das crianças tinhamuma visão conservacionista de Meio Ambiente, ou seja, é voltado apenas para oambiente natural. Há uma dicotomia entre homem e natureza, as crianças nãodemonstram nenhum traço social de ser parte integrante da natureza.O desenho espontâneo é uma comunicação visual tornando-se uma fonte de dadosimportantes para validar o estudo em questão. As representações de vida nessacategoria foi representada por meio de desenhos como água, floresta, as flores, aárvore, frutos, terra, as nuvens. A visão que a criança tem é de que o homem é umelemento à parte do Meio Ambiente, reafirma assim, a dicotomia entre homem enatureza.Di Leo (1985, p.18) acredita que a interpretação do desenho infantil não foge darealidade e do contexto da criança, pois o desenho como símbolo depende dacultura em que a criança está inserido como também de sua própria história pessoal: Assim como o conteúdo manifesto em um sonho torna-se significativo, quando relacionado com as associações pessoais de quem sonha, assim
  36. 36. 35 também os símbolos, conscientes ou inconscientemente desenhados, encontram significado apenas quando vistos no contexto da história pessoal do desenhista.Vejamos alguns desenhos: FIGURA 05: O Meio Ambiente em uma perspectiva Conservacionista 2 FONTE: Mapas mentais aplicados aos sujeitos FIGURA 05: O Meio Ambiente em uma perspectiva Conservacionista 1 FONTE: Mapas mentais aplicados aos sujeitosA harmonia entre as árvores, os frutos, os bichos, a água que é representada pelorio, o Sol não inclui o homem, o que por sua vez, nos permiti inferir que o mesmoestá longe de pertencer a este ambiente.Acreditamos que estes alunos ainda tenham uma visão basicamente naturalista, narelação natureza – homem, o ser humano não esta incluído. Segundo Guimarães(2004) a formação básica dos educadores, em sua maioria, é pautada nesta visãodesarmônica entre, sociedade, homem e natureza. Sobre o objetivo da EducaçãoAmbiental, Sorrentino (1995, p. 87) afirma: O objetivo da Educação Ambiental é o de contribuir para a conservação da biodiversidade, para a auto-realização individual e a comunitária e para a autogestão política e econômica, através de processos educativos que promovam a melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida.
  37. 37. 36Precisamos refletir melhor sobre como a Educação Ambiental é ministradas nasescolas. Reigota (1994) ressalta a necessidade de se conhecer as percepções daspessoas envolvidas nas atividades.Para Guimarães (2004) as práticas pedagógicas de Educação Ambiental devemsuperar a mera transmissão de conhecimentos ecologicamente corretos e as açõesde sensibilização, ou seja, devem oferecer meios para que os alunos compreendamos fenômenos naturais, as ações de cada indivíduo e suas conseqüências.
  38. 38. 37 CONSIDERAÇÕES FINAISA busca como compreender as Representações Sociais que os Alunos da EscolaMontessoriana do Município de Senhor do Bonfim têm sobre Meio Ambiente, foi oobjetivo que norteou este trabalho.Buscamos esta compreensão de uma forma holística, envolvendo o social,econômico, político e cultural. Constatamos que 25% dos alunos ainda apresentamesta concepção reduzida, mas em sua grande maioria (75%), as crianças jádemonstram a percepção de que fazem parte desse ambiente. E que são pessoascapazes de agir sobre o mesmo.Sabemos que o processo de desenvolvimento mental é realizado por etapas, dessaforma, cada criança representou por meio de desenhos e palavras os significados desuas experiências e dos conhecimentos adquiridos no cotidiano. Isto nos permiteinferir que a responsabilidade de preocupação com o Meio Ambiente não é somenteda escola, mas da sociedade em geral. Sendo assim, a culturanaturalista/conservacionista de Meio Ambiente precisa ser trabalhada de uma formamais intensa, não somente em sala de aula, pois a criança e envolvida por cultura evalores que são adquiridos, em sua maior parte, fora da escola.A questão ambiental perpassa a relação do homem com o Meio Ambiente, pois paraque termos uma qualidade de vida hoje e as gerações futuras sejam contempladas épreciso refletir também sobre nossos costumes e hábitos para com o MeioAmbiente.Ao acreditar que nós, sujeitos do processo educativo, somos conscientes einacabados percebemos que o ato de ensinar e aprender é inacabado. Foi notória apreocupação que a educadora tem sobre a questão Ambiental, pois percebemosque a maioria dos alunos percebe-se como Meio Ambiente e não limitando-sesomente ao natural.
  39. 39. 38Para que melhor entendamos a questão Ambiental de uma forma sistêmica, énecessário que a Educação Ambiental seja trabalhada de uma forma interdisciplinar,para que possamos acabar com a visão de Meio Ambiente reducionista, conhecendoque o papel da Educação Ambiental é de suma importância para o crescimento deuma nova mentalidade, de um novo paradigma de desenvolvimento social,econômico e político, segundo o que estabelece o artigo 225 da ConstituiçãoFederal.Queremos que este trabalho seja mais um instrumento que desperte em todos, quesão ligados a educação, uma reflexão voltada para a importância da EducaçãoAmbiental em nossas escolas. Recomendamos que a Educação Ambiental sejatrabalhada em sua totalidade de forma interdisciplinar, e que através de suaspráticas pedagógicas promovam mudanças de comportamento em nossos alunos,uma vez que acreditamos que os educandos de hoje representam potencialmenteum poder para refletir e modificar as políticas públicas do nosso país.
  40. 40. 39 REFERÊNCIASBAKHTIN,M. Marxismo e Filosofa da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1986.BECKER, Fernando. A epistemologia do professor: o cotidiano da escola.Petrópolis. RJ: Vozes, 1993.BERGER, P. L. O dossel sagrado: elementos para uma teoria sociológica dareligião. São Paulo: Edições Paulinas, 1985, p. 23.BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. 33.ª ed. São Paulo: Brasiliense,1995. (Coleção primeiros passos).BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto, Lei nº. 9.795 de 27 de abril de1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de EducaçãoAmbiental e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa doBrasil, Brasília, n. 79, 28 abr. 1999.BRASIL. Secretaria de Educação Ambiental. Parâmetros Curriculares nacionais:meio ambiente e saúde. Brasília. 1997. v 9.BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curricularesnacionais: arte / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC / SEF,1998.CAPRA, Fritjof. . A teia da vida: uma nova compreensão cientifica dos sistemasvivos. São Paulo: Cultrix, 2006.CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação dosujeito ecológico. São Paulo: 2004.DERDYK, E. Formas de pensar o desenho: desenvolvimento do grafismoinfantil. São Paulo: Scipione, 1989.Di LEO, J. H. A interpretação do desenho infantil. Porto Alegre: Artes Médicas,1985DURKHEIM, E. “As Regras do Método Sociológico”. Pensadores. São Paulo:Abril, 1978FORGAS, J. P. What is social about social cognition. In: FORGAS, J. P. (ed.). Socialcognition. London: Academic Press, 1981FRANCO, Maria Amélia Santoro. A Pedagogia para além dos confrontos. Sínteseda Conferência proferida no Fórum de Educação Pedagogo, que profissional éesse? Belo Horizonte, setembro de 2002. [on-line] Disponível na internet:<http://www.educacaoonline.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=
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