Monografia Cione Pedagogia 2008

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Pedagogia 2008

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Monografia Cione Pedagogia 2008

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB PRÓ-REITORIA DE ENSINO EM GRADUAÇÃO – PROGRAD DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – DEDC CAMPUS VII CIONE BATISTA DOS SANTOS A IMPORTÂNCIA DA AFETIVIDADE NORELACIONAMENTO PROFESSOR-ALUNO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM NA ESCOLA MUL. CASTELO BRANCO Senhor do Bonfim
  2. 2. 2008 CIONE BATISTA DOS SANTOS A IMPORTÂNCIA DA AFETIVIDADE NORELACIONAMENTO PROFESSOR-ALUNO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM NA ESCOLA MUL. CASTELO BRANCO Monografia apresentada a Universidade do Estado da Bahia, como como requisito parcial para conclusão do Curso de Licenciatura em Pedagogia com habilitação em Educação infantil e séries iniciais. Orientadora: Profª Claúdia Maisa Antunes
  3. 3. Senhor do Bonfim 2008 CIONE BATISTA DOS SANTOS A IMPORTÂNCIA DA AFETIVIDADE NORELACIONAMENTO PROFESSOR-ALUNO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM NA ESCOLA MUL. CASTELO BRANCOMonografia aprovada, apresentado à UNEB - Universidade do Estado da Bahia,como requisito parcial para conclusão do Curso de Licenciatura em Pedagogiacom habilitação em Educação infantil e séries iniciais, com nota final igual a_______, conferida pela Banca Examinadora formada pelos professores: Claúdia Maisa Antunes Universidade do Estado da Bahia Professor Examinador Universidade do Estado da Bahia Professor Examinador Universidade do Estado da Bahia
  4. 4. Dedico este trabalho, in memória demeu pai (Elias), que partiu e medeixou muito cedo, mas sei que ondeele estiver estará feliz com aminha vitória; a minha mãe(Lourdes), que é uma guerreira; aminha irmã (Rosângela), que éminha segunda mãe; a meucompanheiro (Edson), que esteve aomeu lado nos momento difíceis; aminha filha ( Alanis), que é a minhavida; a meu cunhado (Ariston), queme ajudou muito; a meus sobrinhos(Marcos, Juliana e Ângela).Enfim a todos que direta ouindiretamente cooperaram para meu
  5. 5. sucesso. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, que todo dia renova minhasforças, permitindo que busque meus objetivos com vontade, determinação ecapacidade de superação. A minha mãe, responsável por minha formação moral e ética,muito importante durante o meu desenvolvimento. Aos professores da UNEB, com os quais tive a oportunidade deconviver e aprender seus ensinamentos. A orientadora Profª Claúdia Maisa, pela paciência, confiança eincentivo na elaboração deste trabalho. A todos os colegas do curso, pela amizade, respeito, troca deexperiências e os agradáveis momentos vividos.
  6. 6. “Ama teu próximo como a ti mesmo.” Jesus Cristo
  7. 7. RESUMOO tema abordado neste trabalho foi a importância da afetividade no relacionamentoprofessor-aluno no processo ensino-aprendizagem na Escola Mul. Castelo Branco.Tema esse de extrema importância para a Educação principalmente nos diasatuais. Educação essa que traz para dentro das Instituições de Ensino nada maisdo que o reflexo dos problemas sociais vivenciados por nossos educandos em seudia-a-dia, que revela um grau alto de violência e indiferença nas relações sociais.As Instituições de Ensino vêm buscando alternativas para saber como melhor lidarpedagogicamente com essa discrepância apresentada em nossas classes deensino. Sabemos que nosso papel enquanto membros atuantes desse sistemaeducacional que hoje vigora é muito mais complexo do que há algum tempo atrás,onde os educandos chegavam à escola com padrões mínimos de limites, poistraziam alguns conceitos já pré-estabelecidos por sua estrutura familiar e hoje essarealidade apresenta-se de uma forma diferente na qual a instituição famíliaapresenta paradigmas modificados, fazendo assim com que nossos jovensnecessitem de um apoio muito maior no aspecto mais amplo da palavra para aconstrução de seu caráter. Esse trabalho tem o intuito de conscientizar aoseducadores o quanto é importante a questão da afetividade na relação que eleconstrói no dia-a-dia com seu aluno e que levada em consideração, a afetividade éfator diferencial para que possamos atingir o sucesso junto a esse aluno, pois serealmente atuarmos com amor alcançaremos nosso maior objetivo que é o deformarmos indivíduos críticos e conscientes do seu papel na sociedade, ou seja,verdadeiros cidadãos. O caminho é árduo, mas a satisfação da vitória éfundamental.Palavras-chave: Educação. Afetividade. Ensino-aprendizagem.
  8. 8. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ............................................................................................................ 8CAPÍTULO I .............................................................................................................. 10 PROBLEMATIZAÇÃO .......................................................................................... 10CAPÍTULO II ............................................................................................................. 15 QUADRO CONCEITUAL ...................................................................................... 15 2.1 Educação e autonomia ............................................................................... 32CAPÍTULO III ............................................................................................................ 35 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .............................................................. 35 3.1 Delimitação do estudo................................................................................. 36 3.2 Caracterização da comunidade .................................................................. 37 3.3 Levantamento de dados .............................................................................. 37 3.4 Análise dos dados ....................................................................................... 38CAPÍTULO IV............................................................................................................ 39 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ................................................... 39CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 50REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 52APÊNDICES ............................................................................................................. 54 Apêndice A – Entrevista Crianças ......................................................................... 55 Apêndice B – Questionário Professor .................................................................... 56
  9. 9. INTRODUÇÃO O afeto é algo muito importante na vida das pessoas, desdeantes do nascimento. Durante a gestação a relação mãe e filho na maioria dasvezes vêm cercada por muitos sentimentos, sentimentos esses que os seresque nascem vão desenvolver relações de afeto, primeiramente com a família edepois vão se inserindo em outros grupos sociais, a escola é um desses. Durante a vida escolar sempre nos deparamos com diversosmétodos e técnicas de ensinar. Esses métodos e técnicas estão atrelados aconcepções de educação que vão desenvolver determinações pedagógicas.Essas ações pedagógicas atuarão em diferentes perspectivas. Podendo estaratenta ou não as relações afetuosas no contexto escolar. Pode-se então ter certeza de que a afetividade é essencial àaprendizagem, até porque, ao observarmos que quando uma criança está bemcom a sua turma e com os seus professores estuda com mais entusiasmo einteresse e aprende com mais facilidade. Este trabalho, que tem como objetivo principal mostrar que aafetividade é indispensável à aprendizagem. Vale lembrar que a afetividade aque nos referimos não é somente o ato de abraçar, beijar e fazer carinho, masa capacidade que um indivíduo tem de provocar mudanças no outro através daconvivência e da troca de conhecimento. No primeiro capítulo é apresentada a problemática o qual opresente estudo pretende responder à seguinte questão: Até que ponto aafetividade existente na relação professor-aluno da Escola Municipal CasteloBranco, situada em Catuni da Estrada, município de Jaguarari-Bahia interferena prática pedagógica do ensino aprendizagem? O objetivo do presente estudoé despertar a atenção dos profissionais da educação sobre a importância daafetividade no relacionamento professor-aluno, como aspecto valioso noprocesso ensino-aprendizagem.
  10. 10. No segundo capítulo falou-se sobre o conceito de afetividade.Onde o entendimento e embasamento teórico são em Wallon, Freire, Vygotskyentre outros, mostrando o significado de afetividade em suas concepções. O terceiro capítulo foi construído para determinar quais são osprocedimentos metodológicos adotados para o atingimento do problemaproposto. O quarto capítulo, feito a partir das observações realizadsatravés das entrevistas no decorrer da execução deste trabalho, discutindo eanalisando o que favorece o surgimento do afeto e promover a construção doconhecimento. Apresentamos no trabalho idéias discutidas em que aafetividade acompanha o ser humano desde o nascimento até a morte. Acapacidade de relação com os outros é vital para o crescimento eaprimoramento humano. Essa relação deverá ser cercada de afeto porque aafetividade é essencial para a superação das dificuldades da vida e ajudará nodesenvolvimento intelectual do indivíduo.
  11. 11. 1 CAPÍTULO I PROBLEMATIZAÇÃO Problematizar a questão da afetividade no contexto escolar,implica pensarmos nas perspectivas apontadas a partir de diferentes tipos deações educativas. Para Libâneo: Através da ação educativa o meio social exerce influência sobre os individuos e estes, ao assimilarem e recriarem essas influências, tornam-se, capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social. Tais influências se manifestam através de conhecimentos, experiências, valores, crenças, modo de agir, técnicas e costumes acumulados por muitas gerações de individuos e grupos, transmitidos,assimilados e recriados pelas novas gerações. (LIBÂNEO, 1994, p. 17) Ressaltando a importância que o autor faz sobre as relaçõescitadas entre os grupos, provavelmente existirá significado na vida dosindividuos, fortalecendo os relacionamentos que se transformarão em raízes ecultura, enriquecidas pelo afeto. Onde cada ser contém suas individualidades eindiferenças a serem respeitadas e não homogeneizadas. Libâneo(1994) mostra ainda que a prática educativa, a vidacotidiana, as relações professor-aluno, os objetivos da educação, trabalhodocente, nossa percepção do aluno estão carregados de significados sociaisque se constituem na dinâmica das relações entre classes, raças, gruposreligiosos, homens e mulheres, jovens e adultos. São os seres humanos que,na diversidade das relações recíprocas que travam em vários contextos, dãosignificados às coisas, às pessoas, às idéias. Podemos perceber a importância da convivência entre os sereshumanos. As pessoas que compartilham os mesmos grupos sociais, moram namesma comunidade tendem a ter mais afinidade, cumplicidade, rodeadas deafetividade. Como por exemplo: um professor que conhece a realidade do seu
  12. 12. aluno, ele possui uma ótica mais complexa do desenvolvimento desteeducando e conseqüentemente ele não será um mero “transmissor doconhecimento”, pois estará envolvido com sua identidade regional e afetiva. Atualmente, o contexto sócio-político-econômico da sociedadevem interferindo significativamente nos comportamentos social e individual. Adesagregação nas relações entre as pessoas e a violência generalizada sãoexemplos que evidenciam essas interferências. Neste sentido, percebemos queas pessoas têm relegado valores essenciais à vida, como o afeto e o diálogo,em detrimento de valores materiais. Com isso, a sociedade vem formandoindivíduos carentes de afeto e individualistas. Goleman (1995) enfatiza que "as famílias enfrentam uma novarealidade na paternidade - mais tensos e pressionados pela economia e ritmoacelerado mais frenético da vida, precisam de mais apoio para orientar seusfilhos a dominar aptidões humanas essenciais" - autocontrole, zelo,persistência e capacidade de automotivação: aptidões descritas, por ele, comointeligência emocional. Em seu estudo, o autor relata sobre este mal-estarsocial, sobretudo entre adolescentes, e recomenda que se dê mais atenção àcompetência emocional e social de nossas crianças e de nós mesmos, tendoem vista que esse mal-estar, se não controlado, pode um dia levar a colapsosmais sérios na teia da sociedade, se é que já não está levando! Afirma Goleman (1995) ainda que uma das soluções contra aatual característica de comportamentos - solidão, agressividade, revolta,nervosismo - é uma nova postura que as instituições de ensino com a escola,por exemplo, poderia fazer, que vai numa perspectiva de compreender aspessoas como um todo, portanto educar o aluno todo, juntando mente, corpo eemoção na sala de aula. Segundo Duarte Júnior (2001), uma das características damodernidade é a separação entre o corpo e mente. Portanto, o autor defendeque: “(...) a dualidade mente/corpo, subjacente à divisão sujeito/objeto,fundamental à ciência, deve ser superada em direção a um saber mais
  13. 13. abrangente e integrado”. Assim sendo, verificamos que a escola, em seu papel de formare criar condições para uma plena apreensão de conceitos e habilidadesnecessários à inserção do indivíduo na sociedade, passa a adquirir um outrovalor social – o referencial "afetivo", calcado numa relação dialógica que"neutralizará os autoritarismos. E, conquanto a violência esteja no profundo denós, seres humanos em geral, como constitutivo primeiro sobrevive, a vontadede dialogar será a única coisa capaz de minimizá-la”. (MORAIS, 1995, p.76).Estas reflexões desenham, as possibilidades de mudanças nos papéis sociaisda escola, o que traz novas e urgentes reflexões acerca de novas posturaspedagógicas. As emoções e sentimentos influenciam toda a vida do serhumano, interferindo, na maioria das vezes, em sua capacidade criadora desolucionar problemas, seja no contexto escolar ou fora dele. A partir desteponto de vista, é preciso repensar o modelo educacional, valorizando, não sóos aspectos metodológicos e racionais, mas também a importância dosaspectos emocionais e afetivas envolvidos na relação professor-aluno. Acredita-se que um desempenho escolar não satisfatório devater como uma das causas a não-valorização da subjetividade humana, numaperspectiva de considerar as experiências e trajetórias do aluno, do professor,de todos que compõem o cenário escolar, suas necessidades emocionais -psicológicas durante o processo de ensino-aprendizado. O indivíduo é um todo, suas projeções na vida devem-se, comcerteza, à sua estrutura biopsico-emocional. Portanto, uma escola que busca amelhoria do processo ensino-aprendizagem, que questiona seus objetivos emprol dessa melhoria, não pode ficar alheia a esses novos papéis que lhe sãonecessários socialmente, dentre eles, o de referencial afetivo. Então, entende-se que uma escola pautada numa educaçãoabrangente, que valoriza o aluno como um todo (integral), necessita encontrar
  14. 14. caminhos que tornem seu ambiente favorável ao prazer e à busca doconhecimento, que propiciem a metodologias de ensino participativas, quefacilitem maior interação professor-aluno- permitindo plenos aproveitamentospara o exercício da cidadania. Torna-se fundamental aprofundarmos estasreflexões, pois sabemos dos diversos fatores que interferem no processoeducador. O objetivo do presente estudo é despertar a atenção dosprofissionais da educação sobre a importância da afetividade norelacionamento professor-aluno, como aspecto valioso no processo ensino-aprendizagem. A inquietação iniciou-se a partir do momento que foi realizadoum trabalho da faculdade na Escola Mul. Castelo Branco, com o ensinofundamental I e II, onde constava uma avaliação direcionada à comunidadeescolar envolvendo a direção, coordenação, agentes de portaria, professores ealunos. Aplicada esta avaliação, o que mais chamou a atenção foramos relatos de vários alunos diante das dificuldades com algumas disciplinas, e,por incrível que pareça, eram as disciplinas pelos os quais tambémreclamavam da falta de paciência e afeto por parte dos professores. A relevância do tema aparecem na medida em queobservamos as atuais práticas pedagógicas, voltadas mais para o aspectocognitivo, valorizando a transmissão do conhecimento, do que para o aspectoemocional, que valoriza as necessidades emocionais do aluno. Consideramosestes aspectos importantes, mas destacamos que se faz necessário terconsciência de que a educação, por ser uma prática essencialmente humana,não deva estar desvinculada dos aspectos afetivos, sob pena de tornar-se umaexperiência fria e técnica, onde os sentimentos e as emoções passam a serreprimidos. Freire (1996) comenta que a afetividade na relação professor-alunoé uma abertura ao querer bem e que essa abertura não o impede de selar seucompromisso com os educandos numa prática especificamente humana, desde
  15. 15. que não interfira no cumprimento ético de seu dever. Considerando a educação sob este ponto de vista, não cabe ao educador posicionar-se como detentor de saberes, utilizando seu aluno como mero depósito de conhecimentos, numa prática de educação bancária (FREIRE, 1996, p.66). Verificamos, em nossa prática educativa, temos, até pela nossaprópria formação com base na racionalidade, dificuldades de considerar oaspecto afetivo e emocional, com isso não conseguimos conciliar o cognitivocom o afetivo. Caso tais profissionais acreditassem que sua função, enquantoeducadores é a de “formar cidadãos”, talvez percebessem a importância darelação afetiva na estrutura da personalidade do indivíduo. Por encontrarmos, hoje, uma escola fria, alunosdesinteressados e corpo docente desesperançoso, devemos lembrar que, noambiente de sala de aula, passam emoções, expectativas e fantasias quepodem ajudar a abrir ou fechar os caminhos que levam ao conhecimento. Daí anecessidade de se estabelecer uma relação afetiva, calcada na confiança erespeito às emoções do educando e dos educadores, pois acreditamos que oambiente escolar deva ser aquele em que haja produção de conhecimentoaliada às relações de afeto. Portanto, na medida em que exista motivaçãodecorrente de sentimentos, de emoções, de prazer no que se realiza, é que asconquistas vão surgindo. Desta forma, o clima afetuoso torna-se uminstrumento valioso no processo ensino-aprendizagem, possibilitando areversão do modelo autoritário que nos faz manter atitudes de resistência àsmudanças, ao novo, em detrimento do uso da sensibilidade de ser e formarindivíduos mais sensíveis, amorosos e felizes. O presente estudo pretende responder à seguinte questão: Atéque ponto a afetividade existente na relação professor-aluno da EscolaMunicipal Castelo Branco, situada em Catuni da Estrada, município deJaguarari-Bahia interfere na prática pedagógica do ensino-apredizagem?
  16. 16. 2 CAPÍTULO II QUADRO CONCEITUAL Nos dias atribulados pelo qual passa a nossa sociedade, ondevem se perdendo o cuidado com o outro onde as relações passam por ummomento histórico que revela indiferenças e níveis altos de violência causandoum distanciamento entre as pessoas. Diante deste contexto percebemos naeducação um caminho para se pensar e promover outras relações, através daeducação das crianças. De acordo com Demo (2003) através da educação poderá surgirum ser humano renovado para viver no século XXI. Mas, educar não constituiapenas transmitir padrões sócio-culturais, nem seguir o desenvolvimento físico-intelectual da criança ou passar uma série de informações pela instruçãoformal. Hoje a violência se dissemina por todos os lados e produz adesgraça, num mundo onde o ser humano vem perdendo o senso defraternidade, de solidariedade, devido aos conflitos de opiniões, às imposiçõesdo intelecto sobre o sentimento, à robotização que transforma o ser humanoem máquina, a repetir atividades que lhe destroem a capacidade de criar, deenriquecer-se de novos valores espirituais. (DEMO, 2003) Educar, no sentido que o termo exige, é desenvolver, cultivar, fazer brotar, elevar, fazer crescer, não de maneira unilateral, mas de forma integral, para que o educando possa ser o cidadão honrado que todos desejamos encontrar na sociedade da qual fazemos parte. (DEMO, 2003, p. 69) E para que se alcance esse objetivo será necessário, antes detudo, duas premissas básicas: amor e auto-educação. Para Maturana (2004) “o amor é a emoção que constitui o
  17. 17. domínio de condutas em que se dá a operacionalidade da aceitação do outrocomo legítimo outro na convivência[...]”. De acordo com Almeida (2001) amar para educar e auto-educar-se para amar. Esse binômio: amor e auto-educação deverá ser odenominador comum para pais e mestres. Aos pais não basta amar, é precisoque seu amor seja firme, sem tirania, e terno, sem pieguice. Aos mestres não basta instruir, transmitir informações áridas,sem o real enriquecimento do conteúdo com o tempero do afeto. Considerar aimportância da afetividade nas relações passa pela compreensão do serhumano não como um punhado de ossos e músculos numa breve experiênciaespiritual, e sim, percebê-lo em uma composição que envolve tambémhistoricidade, sensibilidade e sentimento. De acordo com Maturana (2004) nosso fluxo emocional(desejos,preferências, medos, ambições...) determina o que fazemos oudeixamos de fazer. Nesse sentido é importante destacar que o campo daafetividade está entrelaçada ao cenário das emoções. Maturana nos faz refletirque: (...) se levarmos em conta os fundamentos emocionais de nossa cultura – seja ela qual for -, poderemos entender melhor o que fazemos ou não fazemos como seus membros. E, ao perceber os fundamentos emocionais do nosso ser cultural, talvez possamos também deixar que o entendimento e a percepção influenciam nossas ações, ao mudar nosso emocional em relação ao nosso ser cultural. (MATURANA, 2004, p. 31) É preciso que haja uma união de forças entre pais e mestrespara que se consiga o êxito na “reforma” da humanidade. (ALMEIDA, 2001) Segundo Almeida (2001) se pais e professores, que na maioriadas vezes também são pais, amassem para bem educar e se auto-educassem
  18. 18. para amar, o cenário do mundo se transformaria em pouquíssimo tempo, paramelhor. Valores como o respeito ao semelhante, a honradez, adignidade, a liberdade intelectual, o respeito assim mesmo ao próximo, que nocontexto de realidade capitalista tornou muitas vezes esquecidos. Temosdificuldades de lidar com nossas emoções de valorizações no processo deensino-aprendizagem. Maturana (2004) fundamenta a importância das emoções navida do ser humano. Hoje o que mais se vê é o medo de demonstrar quetambém somos frágeis, que choramos, que sentimos, que queremos atenção ecuidado. Ao falar de emoção o autor não se refere ao que convencionalmentetratamos como sentimento. Emoção, neste caso, “são disposições corporaisdinâmicas que definem os diferentes domínios de ação em que nos movemos”.Assim entendida, a emoção fundante do social - o amor - é elemento estruturalda fisiologia humana. Maturana afirma que o amor é a emoção fundante dosocial porque: De acordo com Maturana (2004) o amor é a emoção queconstitui o domínio de condutas em que se dá a operacionalidade da aceitaçãodo outro como legítimo outro na convivência, e é esse modo de convivênciaque conotamos quando falamos do social. Aí está o nosso papel enquanto formadores, que não constróiprédios, mas que auxilia o homem a crescer a si mesmo, dar forma à sua açãoe erguer seu edifício intelectual, moral e emocional. A partir do momento em que a criança entra na escola, seudesenvolvimento adquire um novo rumo. Sua vida deixa de ser apenas dirigidapelo meio familiar passando, assim, fazer parte de um novo ambiente, tendocontato com diferentes amigos, convivendo em um outro grupo e sentindoemoções novas. Muitos estados afetivos no homem, como o amor, o respeito,a admiração, os sentimentos de justiça e de moral são, em grande proporção,
  19. 19. fruto da realidade familiar e da educação escolar, bem como de outro gruposocial que fazemos parte. A escola é um dos meios de influência externa, é um espaçolegítimo para a construção da afetividade, uma vez que está centrada naintervenção sobre a inteligência, de cuja evolução depende a evolução daafetividade. Na teoria de Wallon, a afetividade ocupa lugar central, tanto naconstrução da pessoa quanto na construção do conhecimento. Para ele, aconstrução da pessoa e a construção do conhecimento se iniciam num períododenominado impulsivo-emocional, se estendendo ao longo do primeiro ano devida. Nesta fase a afetividade se dá, basicamente, nas reações biológicas. Senão fosse pela sua capacidade de chamar a atenção, no que se refere aoatendimento de suas necessidades, o bebê humano não sobreviveria. O chorodo bebê atua sobre a sua mãe, sendo esta função biológica que dará origem aum dos traços característicos da expressão emocional: o seu poder decontagiar, sensibilizando o seu ambiente. Essa expressão fornece o primeiroforte vínculo entre os indivíduos. Este autor considera que a atividade emocional é,simultaneamente, biológica e social, pois realiza a transição entre o estadoorgânico do ser e a sua etapa cognitiva, racional, que só pode ser atingidaatravés da mediação cultural. A consciência afetiva é a forma pelo qual opsiquismo emerge da vida orgânica: correspondendo à sua primeiramanifestação. Pelo vínculo imediato que estabelece com o ambiente social, acriança garante o acesso ao universo simbólico da cultura, elaborado eacumulado pelos homens ao longo de sua história. Essa posição da emoção reafirma o significado do que dizWallon a respeito do psiquismo: que ele é a síntese entre o orgânico e o social. A questão da emoção não pode ser resolvida fora daperspectiva genética. Para Wallon, é preciso considerar o fato de que, em sua
  20. 20. origem, a conduta emocional depende de controles cerebrais, portanto, podeser instigada ou reduzida por agentes que atuem sobre ela. A função basicamente social da emoção explica seu caráter contagioso. Entretanto, é freqüentemente negligenciado, já que pertence ao campo obscuro em que se situam os limites entre a vida somática (orgânica) e a vida representativa (simbólica), o que resulta em prejuízo para a compreensão dos processos interpessoais, especialmente das interações entre crianças e adultos. Sendo as crianças seres essencialmente emotivos, resulta daí que os adultos, no convívio com elas, estão permanentemente expostos ao contágio emocional. A ansiedade infantil, por exemplo, pode produzir no adulto próximo a mesma ansiedade ou angústia. (WALLON, 1986, p. 124) Segundo Wallon (1986) a qualidade final do comportamento doqual a emoção está inserida, dependerá da capacidade das funções cerebraispara retomar o controle da situação. Se ele for bem sucedido, soluçõesinteligentes serão mais facilmente encontradas, e, nesse caso, embora aemoção não desapareça completamente, se reduzirá. Podemos, dessa forma, descrever a emoção como anárquica eexplosiva, e talvez seja por esta razão que raramente é enfrentada nasdiscussões pedagógicas, ou seja, procurar entender as emoções do alunoimplicaria também enfrentar suas atitudes, às vezes, explosivas e anárquicas, oque requereria um estudo mais detalhado deste aspecto psicológico. Paratanto, exigiria uma formação profissional que instrumentalizasse osprofissionais da educação de forma adequada, quer pelas informações dessecampo, quer pelo atento `a importância do aspecto afetivo para o processo deaprendizagem. De acordo com Wallon (1986) a afetividade é uma fase dodesenvolvimento, a mais arcaica. Para ele, o ser humano foi, logo que saiu desua vida puramente orgânica, um ser afetivo. O desenvolvimento dainteligência está, dessa forma, misturado com a afetividade. A afetividade como mediadora do ensinar e do aprenderpossibilita ao docente uma melhora na qualidade de seu trabalho, pois
  21. 21. estabelece uma relação de troca entre dicente e docente. A partir daí, a históriada construção da pessoa será constituída por uma sucessão de momentosafetivos e cognitivos, sendo que de forma integrada. Isto significa que aafetividade depende, para evoluir, de conquistas realizadas no plano dainteligência e vice-versa (Wallon, 1986). Entendemos, desta forma que, na teoria walloniana, o sujeitose constrói pela interação. Interação dialética e contraditória. Para Wallon: O sujeito individual é precedido por um organismo estruturado de maneira a lhe abrir possibilidades e a lhe impor limites, e igualmente antecedido por um acúmulo cultural que estrutura sua consciência, pois começa lhe impondo formas de sua língua. Ele será sempre um sujeito datado, preso às determinações de sua estrutura biológica e de sua cultura histórica. (WALLON, 1986, p.107). Para Wallon, a infância é classicamente considerada comouma "obra em construção", apresentando, segundo as idades, diferentes níveisde realização e dá relevante importância aos meios da criança no seudesenvolvimento. A relação biológica fundamental é uma relação de seres vivos com outros seres vivos; é primordial a relação entre o ser vivo e o meio, concebido como conjunto de forças físicas. O primeiro meio no qual vive um organismo é um meio de seres vivos que são, para ele, inimigos ou aliados, presas ou rapinas. Entre os seres vivos estabelecem-se relações de utilização, de destruição, de defesa (WALLON, 1986 p.12). De acordo com esta teoria, a relação do sujeito com outrossujeitos é conflituosa e repletas de negociações permanentes. E é nessaoposição que o sujeito se liberta, construindo sua autonomia. Daí a importânciado meio escolar se construir como espaço democrático e de libertação combase nas relações entre as pessoas que compõem tal contexto, essesprocessos contribuirão para o desenvolvimento da criança. Wallon acredita que a criança não deve receberexclusivamente a ação do meio familiar, esta tem necessidade de freqüentar
  22. 22. meios menos estruturados e menos carregados afetivamente. As relações quea criança mantêm no ambiente familiar são obrigatórias. O grupo familiar lhe éimposto e ela tem dificuldade para libertar-se e abstrair-se dentro dele. "Acriança pertence à constelação familiar tanto quanto pertence a si mesma”,observou Wallon. A escola, pela diversidade social e individual que normalmentea caracteriza, tende a ser um espaço/tempo favorável à interações diferentesdas oportunizadas pela família, o que pode ampliar as experiências afetivas esociais dos educandos. As relações com pares, na escola, são também mais livres emais facultativas do que as mantidas na família. Até certo ponto, cada criançapode escolher seus amiguinhos, os grupos que lhe interessam e pode,também, romper estas ligações quando desejar. Na família essas relaçõestambém podem ocorrer (e o cotidiano nos mostra muitos casos). No entanto,na escola as conseqüências podem ter repercussões afetivas diferenciadas emprofundidade. Com os coleguinhas, a criança vai viver a experiência de umasolidariedade que lhe permitirá, progressivamente, "defender-se" contra aspressões e repressões da educação. Os grupos infantis, organizados dentro oufora da escola, preenchem, freqüentemente, esta função de "defesa" e"oposição" ao mundo adulto. O grupo infantil é indispensável à criança não somente para sua aprendizagem social, mas também para o desenvolvimento da tomada de consciência de sua própria personalidade. A confrontação com os companheiros permite-lhe constatar que é uma entre outras e que, ao mesmo tempo, é igual e diferente delas. (WALLON, 1986, p. 154) As relações sociais no ambiente escolar não acontecem semconflitos - gerados pela competição, pela rivalidade e rejeições - embora nãotenham a mesma conotação afetiva que a dos conflitos existentes no meiofamiliar, dos quais, às vezes, constituem um prolongamento. Porém,
  23. 23. acreditamos que os educadores podem intervir de forma positiva, sobre aorganização da vida social escolar. Dentro do contexto da teoria walloniana do desenvolvimentosócio pessoal da criança, podemos analisar as relações entre a criança e oadulto, e, assim, entre aluno e professor. As relações afetivas entre as pessoasé que, desde o início da vida, começam a interferir no comportamento. Acriança depende desse meio não apenas para sobreviver, mas também pararealizar seu desenvolvimento afetivo, social e intelectual. Essas relaçõesinterpessoais fornecem ao indivíduo os meios (conhecimentos, técnicas,instrumentos) e os motivos para suas ações e a escola é justamente ainstituição que tem, dentre as suas funções, prover os alunos dos meios quelhe são necessários para o desenvolvimento afetivo, social e intelectual. As referências acima descritas ilustram nossa intenção nosentido de esclarecer teoricamente a relação entre afetividade e a construçãodo ser, com o fim de buscarmos respostas à questão inicial deste estudo. A seguir, traçaremos um breve panorama dessa mesmarelação, agora sob a ótica de Vygotsky. Na teoria vygotskiana, os aspectosmais explorados são aqueles referentes ao funcionamento cognitivo. Vygotskcoloca que o pensamento tem sua origem na esfera da motivação, a qual incluiinclinações, necessidades, interesses, impulsos, afeto e emoção. Nesta esferaestaria a razão única do pensamento e, assim, uma compreensão completa dopensamento humano só é possível quando se compreende sua base afetivo-volitiva. Vygotsky ainda propõe a consideração da unidade entre os aspectosintelectuais e os afetivos. A separação do intelecto e do afeto, diz ele, citadopor La Taille (1992): Enquanto objetos de estudo, é uma das principais deficiências da psicologia tradicional, uma vez que esta apresenta o processo de pensamento como um fluxo autônomo de pensamentos que pensam a si próprios, dissociados da plenitude da vida, das necessidades e dos interesses pessoais, das inclinações e dos impulsos daquele que pensa. Esse pensamento dissociado deve ser considerado tanto um epifenômeno sem significado, incapaz de modificar qualquer coisa na vida ou na conduta de uma pessoa, como alguma espécie de força
  24. 24. primeva a exercer influência sobre a vida pessoal, de um modo misterioso e inexplicável. Assim fecham-se as porta à questão da causa e origem de nossos pensamentos, uma vez que a análise determinista exigiria o esclarecimento das forças motrizes que dirigem o pensamento para esse ou aquele canal. Justamente por isso a antiga abordagem impede qualquer estudo fecundo do processo inverso, ou seja, a influência do pensamento sobre o afeto e a volição. (LA TAILLE, 1992, p.76) De acordo com os pressupostos de sua teoria, é possívelpermitir uma aproximação da dimensão afetiva com o funcionamentopsicológico. Vygotsky considera a existência de um sistema dinâmico designificados em que o afetivo e o intelectual se unem, mostrando que cadaidéia contém uma atitude afetiva transformada de acordo com o que recebe darealidade ao qual se refere. Embora a questão do significado demonstrepertencer exclusivamente ao estudo dos aspectos cognitivos, já que se refereao processo de organização de conceitos, abordado na psicologia tradicional,na concepção de vygotskiana sobre o significado da palavra, podemosencontrar uma clara relação entre aspectos cognitivos e afetivos nofuncionamento psicológico. Vygotsky trabalha com conceito de mediação na relação dohomem com o mundo. Sendo o homem – todo e qualquer indivíduo – nãoexiste dissociado da cultura. Estabelece que o indivíduo interioriza formas defuncionamento psicológico dado culturalmente, mas, ao tomar posse delas,torna-as suas e as utiliza como instrumentos pessoais de pensamento e açãono mundo. Neste processo sócio-histórico, o homem, enquanto sujeito deconhecimento, não tem acesso direto ao objeto, e sim um acesso mediado,feito através de dados da realidade, operados pelos sistemas simbólicos deque dispõe. Com base nas reflexões acima, percebemos que se tornaessencial uma análise reflexiva e atenta à questão da construção do sujeito,por parte dos educadores, no sentido de conscientizarem-se de seucompromisso, enquanto mediadores e "instigadores”, na construção doconhecimento de seus alunos.
  25. 25. A relação professor-aluno na perspectivia de Paulo Freire temque ser comentada no contexto em que se encontra a sociedade atual -individualista e contagiada pela "neurose" capitalista - parece-nos de vitalimportância se considerarmos, ainda, o atual quadro da educação. Acreditamosque os conflitos existentes nos espaços escolares, bem como suas implicaçõespedagógicas, possam ser, se não resolvidos, pelo menos amenizados a partirda consideração da importância dos vínculos sociais e afetivos na relaçãoprofessor-aluno. Se a escola desconsidera tal importância, tende a levar emconta apenas o produto do trabalho, tornando as relações humanas emdesumanas. . Pela experiência, nós professores sabemos o quanto é difícilescapar de uma expectativa negativa que, às vezes, criamos com relação auma pessoa, o que vale não somente para professores, mas para alunos,família, diretores. Se o professor acredita na potencialidade de seus alunos eem si mesmo, estarão presentes condições favoráveis para a construção dosaber na escola. Os preconceitos que, ainda, existem na sala de aula, ferem aauto-estima dos alunos, por isso, na tentativa de superar a "violência" darejeição e da indiferença de que são alvos, alguns se valem decomportamentos ditos como desvio de conduta, outros se "fecham" para dentrode si mesmos, nos comportamentos ditos como apático. Observamos, em muitas relações pedagógicas, um clima emque se privilegiam apenas os aspectos cognitivos, intelectuais, deixando-se delado o vínculo afetivo que se estabelece entre professor, aluno e toda acomunidade escolar. Se pararmos para pensar em nossa vida escolar, nasdisciplinas que estudamos, nos conteúdos, no espaço escolar, nos colegas eprofessores, não será difícil identificar o que mais nos encantou, que marcounossa história como estudante e como pessoa. Com relação ao citado, Freire(1986) comenta, lembrando de um episódio em sua vida como aluno: Às vezes, mal se imagina o que pode passar a representar na vida de um aluno um simples gesto do professor. O que pode um gesto
  26. 26. aparentemente insignificante valer como força geradora ou como contribuição à do educando por si mesmo. (FREIRE, 1986, p. 47). Percebemos que a questão afetiva na relação professor-alunopode apresentar-se com uma forma de sedução. No entanto, esta seduçãopode ser benéfica desde que não se estabeleça de modo a criar barreiras àconstrução do saber do aluno, nem tão pouco como máscara à éticaprofissional. Morgado (1995) mostra como se dão as relações de seduçãoentre professor e aluno e suas implicações nos resultados do ensino e daaprendizagem. Para a autora, romper o processo de sedução é removê-laenquanto obstáculo, neutralizar seu efeito manipulatório e substituí-la pelaautoridade pedagógica competente é uma das muitas tarefas do professor.Desta forma, ela estabelece limites entre autoridade pedagógica e sedução, demodo a garantir para a relação professor-aluno, uma qualidade que promova osucesso no processo ensino-aprendizagem. Segundo a autora, existe uma assimetria que caracteriza adistribuição de saber e de poder na relação, no entanto, ela precisa serassumida inicialmente para que mais tarde e gradualmente possa serdissolvida em função de uma relação bem sucedida. Para tratar destas questões, Morgado (1995) percorreu oscaminhos da psicanálise, conceituando os termos identificação, transferência econtratransferência para assinalar a questão da sedução no contextopedagógico. Essas dimensões inconscientes incidem nos processos de ensino-aprendizagem, ora abrindo, ora fechando os movimentos de crescimento elibertação, ora esterilizando a relação pedagógica. Morgado (1995) diz acreditar que a autoridade seja elementochave para o mediador entre o conhecimento e o aluno. Entretanto elaquestiona o caracterizaria o abuso da autoridade pedagógica. Segundo ela,observa-se, nas tendências educacionais que caracterizam a escola brasileira,
  27. 27. o uso inconsciente do autoritarismo em detrimento da autoridade pedagógicapropriamente dita, exemplificando que, na Pedagogia Nova, o autoritarismoestá dissimulado na prática docente. Até mesmo alunos de cursos universitários não se dão conta que aquele professor amável, simpático e democrata, embora extremamente compreensivo, não lhes ensina absolutamente nada que não possam aprender fora da escola. É na manipulação que esse professor oculta o seu autoritarismo, ou a sua ignorância. (MORGADO, 1995). Talvez o elemento chave dessa manipulação seja algumaforma de sedução: seduzindo o aluno, ele consegue ocultar a sutil recusa desocializar o conhecimento. Para a autora, a Pedagogia crítico-social dosconteúdos é a que parece assumir uma postura pedagógica democrática. Ainda segundo Morgado (1995) a sedução provém dadependência total da criança em relação aos pais nos primeiros anos de vida.Na sala de aula, a sedução se constitui porque o aluno depende do professor,seja consciente (reconhecimento social), seja inconsciente (reconhecimentoafetivo) e pelas mesmas razões o professor depende do aluno, estabelecendo,assim, as condições para a sedução recíproca. O processo de sedução,enquanto determinante psicológico inconsciente do autoritarismo impede asocialização do conhecimento. Nas primeiras relações da criança com seusgenitores ela ocupa o pólo mais passivo tendo sua primeira relação deautoridade. No desenrolar da relação pedagógica a questão da autoridade vaidepender de como as relações originais foram elaboradas e superadas, já que,nesse caso, elas foram reeditadas. Citando palavras de Marilena Chauí, Morgado (1995) reitera: Uma pedagogia crítica deveria interrogar esse risco cotidiano: de onde vem e porque vem a sedução de tornar-se guru? De onde vem e por que vem em nós e nos alunos o desejo de que haja um Mestre, o apelo à figura da autoridade?
  28. 28. Dessa maneira, colocar-se como guru significa colocar-se nolugar do conhecimento. A sedução do professor e o desejo do aluno de ser seduzidoremontam às primeiras seduções de suas vidas e às relações de autoridadeque se configuraram nesse processo. A sedução se reatualiza na relaçãopedagógica porque, dada a assimetria existente entre professor e aluno,remete à polaridade inicial entre um que sabe mais - um suposto saber dogenitor - e um que não sabe - a criança. A Identificação é conhecida pela psicanálise como a maisremota expressão de um laço emocional com outra pessoa. Ela desempenhaum papel na história do Complexo de Édipo. Por transferência, Morgadoexplica como sendo uma nova edição dos impulsos e fantasias que são criadose se formam conscientes durante o andamento da análise, é pela transferênciaque se substitui uma figura anterior por outra. Em outras palavras, é renovadatoda uma série de experiências psicológicas, não como pertencentes aopassado, mas aplicadas à pessoa atual. Quando o indivíduo transfere para outro os seus impulsos efantasias e o outro aceita essa transferência, está se praticando acontratransferência. No entanto, é preciso que não se perca de vista, que estatransferência se origina do passado. Ao passarmos esses dados para o plano pedagógico, podemosrefletir no ensamento freudiano: É difícil dizer se o que exerceu mais influência sobre nós e eve importância maior foi nossa preocupação pelas ciências que nos eram ensinadas, ou pela personalidade de nossos mestres. É verdade, no mínimo, que esta segunda preocupação constituía uma corrente oculta e constante em todos nós, e, para muitos, os caminhos das ciências passavam apenas através de nossos professores. Alguns se detiveram a meio caminho dessa estrada, e para uns poucos - porque não admitir outros tantos? - ela foi, por causa disso, definitivamente bloqueada. (FREUD, 1914)
  29. 29. Morgado (1995) explica que, na verdade, a transferência deprotótipos decorre dos caminhos e descaminhos do processo de organizaçãopulsional; da fixação da libido em estágios psicossexuais infantis, quando umaparte da demanda pulsional não pôde ser satisfeita. Impedida de expressão edesenvolvimento, parte das pulsões retornou ao inconsciente, que desconhecea lógica e a temporalidade dos processos conscientes: a qualquer momento eem qualquer lugar elas podem retornar, clamando pela satisfação adiada. Porisso, os mecanismos psicológicos que determinam a transferência do aluno,são os mesmos no primeiro, segundo e terceiro graus. Mas, nesse último, amanifestação da transferência costuma ser mais sutil, menos direta que nosegundo e, principalmente, no primeiro grau, onde a vida escolar ainda é umaextensão da vida familiar. Quanto às implicações da sedução na relação pedagógica,Morgado (1995) atenta para o fato dessa transferência do aluno para oprofessor acarreta duas importantes conseqüências para os objetivos darelação pedagógica. Por um lado, a reedição da relação original é o elo queinaugura a relação, assim como as demais relações sociais, a relaçãopedagógica instaura-se a partir da herança emocional da antiga relação. Nãofosse esse modelo, essa base emocional de relação, o aluno sequer teriaelementos psicológicos para se identificar com o professor. Por outro lado,essa mesma base psicológica pode dificultar a concretização dos objetivospropostos: ao reviver a relação passada, o aluno não vê o professor real. Para que a relação se desenvolva, é necessário que esseprimeiro momento seja superado: o aluno deverá caminhar da paixãotransferencial pelo professor para a paixão pelo conhecimento. A sensualidadee hostilidade devem transformar-se em curiosidade. A reação inconsciente do professor à transferência do aluno -contratransferência - completa o quadro do campo que possibilita o surgimentoda relação de sedução. Desse modo, ele não é imune à transferência do aluno,ou seja, à sua ternura, ao amor e ao ódio transferenciais. Pode retribuir ou nãoesses afetos, pode fingir não percebê-los pode tomar várias atitudes - das mais
  30. 30. às menos adequadas. Seja qual for seu procedimento, terá como ponto departida os afetos transferenciais do aluno. A contratransferência fundamenta-se no seguinte: assim comoseu aluno, ele também tem fixações em etapas psicossexuais infantis. Tambémse identificou com seus genitores, transformando-os no seu primeiro modelo deser. Também passou pelo conflito edipiano que o obrigou a retornar à primeiraidentificação. Na relação pedagógica, o professor reedita seus protótiposreagindo contratransferencialmente à transferência do aluno. Retorna aosmomentos conflitivos de seu passado, procedendo como se os transferenciaisdo aluno se devessem exclusivamente à sua pessoa. Abre-se campo decomunicação entre inconscientes. Morgado (1995) acredita que, para cumprirsua função de mediador entre o aluno e o conhecimento, o professor não devecorresponder aos intensos sentimentos transferenciais. Para ela, acontratransferência do professor apenas reforçaria a transferência do aluno,instalando-se aí um círculo vicioso em que a relação pedagógica serviria depretexto para o reviver mútuo das fixações libidinais. Sendo assim, para que o saber ocupe o centro da relação, oamor e o ódio devem ser substituídos pelo desejo de ensinar e pelo desejo deaprender. Morgado (1995) não pretende, com seu estudo, transformar a escolanum consultório analítico para trabalhar terapia com os alunos, pois temconsciência de que sua função é, essencialmente, pedagógica. Contudo, torna-se necessário que se perceba a influência dessas relações num contextoeducacional escolar. A partir da conotação psicanalítica dada à relação pedagógica,acreditamos poder, agora, analisar a postura do professor, enquanto serprivilegiado na hierarquia pedagógica - tendo em vista seu preparo intelectualque o coloca em melhores condições de reverter os conflitos existentes noespaço escolar. Morais (1995) endossando a abordagem sociocultural de PauloFreire enfatiza que a relação profesor-aluno deve ser horizontal e não imposta,
  31. 31. havendo necessidade que o educador se torne educando e o educando, porsua vez, se torne educador, porque num processo de ensino-aprendizagem napesrpectiva Freriana o processo educativo precisa fazer com que o homemassuma a posição de sujeito de sua própria educação, portanto, precisa estarconsciente do processo. Um professor que esteja engajado numa práticatransformadora – aqui entendida como aquela em que propõe transformaçãoda sociedade, levando o indivíduo a superar a submissão, buscando aconsciência reflexiva da cultura em busca da reconstrução crítica do mundo,desmitificar e questionar com o aluno a cultura dominante, valorizando alinguagem e cultura deste, criando condições para que cada um deles analiseseu contexto e produza cultura. Freire (1986) trata a questão da formação docente juntamentecom a reflexão sobre a prática em favor da autonomia do ser dos educandos.Segundo ele, a reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência darelação teoria/prática. Freire (1986) comenta que: Só, na verdade, quem pensa certo, mesmo que, às vezes, pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo. E uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos certos de nossas certezas. O professor que pensa certo deixa transparecer aos educandos que uma das bonitezas de nossa maneira de estar no e com o mundo, como seres históricos, é a capacidade de intervindo no mundo, conhecer o mundo. ( FREIRE, 1986, p.30). Segundo Freire (1986) “ensinar exige risco, aceitação do novoe rejeição a qualquer forma de discriminação: é próprio do pensar certo adisponibilidade ao risco, a aceitação do novo que não pode ser negado ouacolhido só porque é novo”. Desta forma percebemos a importância de uma posturaautêntica por parte do professor, onde o diálogo deve ocupar posição emdestaque, ou seja, é preciso coerência entre o que o professor faz com o que
  32. 32. ele diz. É esta autenticidade que lhe traz segurança. O professor que realmente pretende desenvolver com seusalunos uma prática pautada na afetividade e no diálogo com o fim detransformar a relação com os alunos numa relação humana, que promova aaprendizagem do aluno ao mesmo tempo em que trabalha suas própriasemoções e as dos educandos, precisa discutir sobre as qualidadesindispensáveis ao exercício de uma prática, reconhecendo o afeto comoinstrumento pedagógico importante no processo da educação. Nas palavras de Freire (1986): É preciso que saibamos que, sem certas qualidades ou virtudes como amorosidade, respeito aos outros, tolerância, humildade, gosto pela alegria, gosto pela vida, abertura ao novo, disponibilidade à mudança, persistência na luta, recusa aos fatalismos, identificação com esperança, abertura à justiça, não é possível a prática pedagógico progressista, que não se faz apenas com ciência e técnica. (FREIRE, p. 136). Com base no pensamento de Freire, destacamos algunsimportantes requisitos para o exercício desta prática carregada de afeto: Gostardo que faz – o que requer, também, ter as condições básicas para o exercíciocompetente da profissão, como salários dignos; Respeitar os saberes do aluno– procurando compreender sua lógica sem ter a sua como referência; Escutarseus alunos mantendo com eles uma linguagem dialógica – e, sobretudo,fazendo do diálogo uma ponte para a abertura de possibilidades e não somenteum “bate-papo” improdutivo displicente; Gostar dos alunos e aprender aconhecê-los e respeitá-los – valorizando seus sentimentos e sua cultura. Moreira (1981), ao discutir sobre a abordagem rogerianaaplicada ao ensino e a aprendizagem, coloca que, para Rogers, aaprendizagem é mais duradoura e abrangente quando envolve a pessoa doaprendiz como um todo – sentimentos e intelecto – e enumera três atitudes quecaracterizam o facilitador da aprendizagem, desta forma:
  33. 33. 1. Autenticidade; 2. Prezar, aceitar e confiar; 3. Compreensão empática (colocar-se no lugar do outro). Dentre as qualidades até aqui apresentadas, não podemosdesconsiderar a importância do estudo, da pesquisa, da atualização ecompetência profissional. “O professor que não leve a sério sua formação, quenão estuda, que não se esforce para estar à altura de sua tarefa não temconsistência para coordenar as atividades de sua classe (...) a incompetênciaprofissional desqualifica a autoridade do professor”. (FREIRE, 1998, p. 103). Além destes requisitos é necessário que o professor atinja umamaturidade emocional, ou seja, que saiba lidar com suas emoções esentimentos, que se conheça bem, que se disponha a rever valores dos quaisele próprio já foi produto, que esteja aberto a sentimentos ternos, cumprindosua profissão com dignidade. Cabe-nos, ainda, finalizando esta seção, registrar opensamento de Freire (1996): O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mau-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum desses passa pelos alunos sem deixar sua marca. Daí a importância do exemplo que o professor ofereça de sua lucidez e de seu engajamento na peleja em defesa de seus direitos, bem como na exigência das condições para o exercício de seus deveres. (FREIRE, 1996, p. 73)2.1 EDUCAÇÃO E AUTONOMIA A educação tem sido alvo de muitas discussõesgovernamentais, dada a sua importância para a formação de indivíduos. Nestesentido, cabe comentar os últimos documentos elaborados por instituiçõesgovernamentais brasileiras, dos quais podemos citar os ParâmetrosCurriculares Nacionais e o documento norteador da Secretaria Municipal de
  34. 34. Educação do município do Rio de Janeiro – Multieducação. De acordo com este último, hoje não há mais espaço paraverdades estereotipadas, que distanciam a escola do que se espera dela:ensinar os alunos a aprenderem com competência e prazer. Acredita-se,segundo esses documentos, que a construção de relações afetuosas e maishumanas, seja o esforço coletivo de alunos, professores e toda a comunidadeescolar. As dificuldades só podem ser vencidas com alianças e cumplicidadede todos os envolvidos no ambiente escolar que, como todo ambiente vivo, nãodeve se constituir em lugar de imobilismo, nem descrença. Todos somosdiferentes uns dos outros. Todos temos nossas opiniões, desejos próprios,gostos, que se manifestam através de palavras, atitudes e, sobretudo, por tudoo que não é dito, mas sentido e “lido” pelo coração. Um olhar reprovador, umsorriso irônico, o desprezo ou o silêncio provocador incomoda a todos e nãofazem bem a ninguém. A melhor forma dos seres humanos se entenderem é ado diálogo aberto e franco, sincero e verdadeiro. Segundo Wallon (1995): É preciso que a educação deixe de ser um instrumento de poder e de alienação do homem, para que se aperceba do caráter histórico da natureza humana e coloque condição humana acima de qualquer interesse particular. Uma educação que queira respeitar a totalidade personalidade e a integridade dos processos realizados, não poderá dispensar-se de ser orientada para o desenvolvimento da análise intelectual e da decisão autônoma. (WALLON, 1995, p. 134) A educação deve se fazer prazerosa, ser um instrumento desatisfação e levar a criança, desde cedo, a reinventar o seu espaço. Oaprender deve ser uma escolha voluntária do indivíduo, algo que o enriquecepela alegria de sua prática, pelo contato que se oferece para a trocaparticipativa e comunitária e oportunidade de recriar o mundo. É recriando omundo (se re-criando) que a criança passa a ter novos interesses, a partir dodesenvolvimento de suas potencialidade, na auto-expressão de suapersonalidade.
  35. 35. Na apresentação dos temas transversais dos ParâmetrosCurriculares Nacionais, temos nítida a preocupação da escola com a formaçãomoral dos indivíduos, dando ênfase à tendência democrática, donde pretende-se democratizar as relações entre os membros da escola. Essas relações,quando vivenciadas, experimentadas, são os melhores e mais poderosos“mestres” em questão de moralidade. Segundo os autores, uma pessoa possuium valor e legitima as normas dele decorrentes, quando pauta sua conduta porelas, de forma democrática. Verificamos, daí, que a afirmação moral se dá nainter-relação, atrelada tanto ao nível afetivo quanto ao racional e ao social.Afetivo para que as regras apareçam como desejáveis, tocando a sensibilidadedo indivíduo e possa permitir a promoção do auto-respeito por si e pelos outros.A racionalidade, porque pressupõe a responsabilidade de se fazer uma escolhaa partir da reflexão. Quanto ao aspecto social, porque a moral se desenvolvesempre num contexto social. Os indivíduos se apropriam de regras e valoresconstruídos socialmente, ou seja, as relações sociais são vividas,experimentadas e têm influência decisiva no processo de legitimação devalores, da formação ética. A partir desta concepção, percebemos que a ética não podeser ensinada. Deve-se promover uma educação pautada em valores,desenvolvendo-se um trabalho pedagógico que auxilie o aluno a tomarconsciência de valores em seu comportamento e em sua relação com osoutros, participando do processo de construção e problematização dessesvalores num movimento de afirmação da autonomia. Em vez de a escola imporvalores, ela deve torná-los visíveis e compreensível seu significado, na vidaindividual e coletiva. Portanto, para que o professor realize um trabalho educativoque tenha como finalidade a contribuição da cidadania, é necessário queinstaure em sua sala de aula um ambiente favorável, uma prática dialógica, demodo a alcançar seus reais objetivos educacionais, com autenticidade, prazere respeito ao próximo.
  36. 36. 3 CAPÍTULO III PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Esta pesquisa foi construída com base numa propostametodológica construtiva, reflexiva, baseada no contexto escolar, buscandoinvestigar até que ponto a afetividade existente na relação professor-aluno daEscola Municipal Castelo Branco, situada em Catuni da Estrada, município deJaguarari-Bahia interfere no processo ensino-aprendizagem. Constitui-se assim, em um estudo de caso, investigando oproblema a partir de entrevistas, onde os registros das informações foramorganizados e avaliados criticamente, levantando sugestões para minimizar osproblemas detectados. Foram ouvidos seis alunos do ensino fundamental I efundamental II e seis professores da Escola Municipal Castelo Branco. Desta forma, foi utilizado na pesquisa o método qualitativo parapossibilitar melhor colher os dados e compreender porque os mesmos ocorrem,considerando os envolvidos e significados os quais serão obtidos por meio dasobservações. Os métodos qualitativos de investigação são aqueles queutilizam informações relativas a aspectos internos do comportamento humano.Estes métodos de estudo se realizam em função do conhecimento ouexperiência que as pessoas têm sobre um produto, serviço, ou umadeterminada situação. Buscam obter dados a respeito da realidade, vivência,percepção, atitude, crença e motivação da pessoa humana. A pesquisa qualitativa ou naturalista, envolve a obtenção de dados escritos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatiza mais o processo do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes. (LUDKE e ANDRÉ, 1986, p. 62)
  37. 37. Ludke e André (1986) destacam que os significados os quaisserão obtidos por meio da palavra observação junto ao sujeito pesquisado alémde mostrar outras características da pesquisa qualitativa as quais descrevoabaixo. a) Ambiente natural - ambiente e situações investigadas são naturais para a investigação que tem contato direto e prolongado com a situação onde os fenômenos ocorrem; b) Dados descritivos - os dados obtidos por meio de entrevistas de documentos fotográficos e extratos de vários tipos de documentos são ricos em descrição de pessoas, situações e acontecimentos. O pesquisador é o responsável por selecionar os fatos durante a observação; c) O processo - sendo este o mais importante que o produto. Nessa o interesse maior é explicar como as pessoas compreendem e dirigem ações diárias em contextos determinados; d) O processo indutivo - A preocupação não advém de comprovar hipóteses, mas formar abstrações que se consolidam a partir da verificação dos dados. Segundo Gil (2000) a técnica de entrevista é bastanteadequada para a obtenção de informações acerca do que as pessoas sabem,crêem, esperam, sentem ou desejam, e também expressa o que elaspretendem fazer a cerca do assunto investigado.3.1 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO O trabalho foi realizado com seis alunos do ensinofundamental I e fundamental II e seis professores da Escola Municipal CasteloBranco. A escola está situada no distrito de Catuni da Estrada, município deJaguarari – Bahia. A delimitaçao desse estudo, seu recorte nos possibilitou com aanalise sobre as relações afetivas no contexto escolar.
  38. 38. 3.2 CARACTERIZAÇÃO DA COMUNIDADE A comunidade onde está situada a Escola, que foi o meucampo de pesquisa está localizada na Zona Rural, município de Jaguarari, compoucos habitantes , rica em sua vegetação verdejante e com lindas montanhas. A Escola Municipal Castelo Branco, possui uma boa estruturafísica com salas amplas, ventiladas e com boa iluminação. Possui umaBiblioteca de pequeno porte, DVD, TV, som, computador, são cinco salas deaula, possui banheiros masculino e feminino, sala dos professores, sala dadireção e um pátio.3.3 LEVANTAMENTO DE DADOS Através da bibliografia pesquisada foi realizada uma revisão deliteratura para comentar o que já foi escrito sobre o tema proposto, foramdefinidos procedimentos e técnicas que permitem facilidade na coleta de dadose informações. Através de um planejamento antecipado de trabalho focado naotimização do tempo e outros recursos envolvidos. Os dados foram levantados através de entrevistas, conversasinformais e principalmente observando o comportamento do grupo, bem comonos posicionamentos. Por se tratar de uma pesquisa qualitativa caracterizadaessencialmente pela interpretação de fenômenos e concepções de sujeitosdeterminados pela historicidade e experiência pessoal dos mesmos, fez-senecessário traçar uma “ponte” entre o conteúdo apresentado e objetivo dasposições reveladas através da entrevista e dos comportamentos peculiares esubjetivos percebidos no educador ao longo do período de coleta de dados. Talposicionamento é claramente defendido por Trivinõs (1996): Os comportamentos, as ações, atitudes, as palavras etc. envolvem significados, representam valores, pressupostos etc.próprios dos
  39. 39. sujeitos e do ambiente sócio-cultural e econômico ao qual esse pertence sob cada comportamento, atitude que não podemos ignorar. Se quisermos descrever o mais exatamente possível um fenômeno.3.4 ANÁLISE DOS DADOS Obtidos as entrevistas respondidas pelos alunos e professores,passou-se à tarefa de transcrição dos dados coletados, questão por questão, oque se convencionou chamar de mapeamento. Este procedimento permitiuobter informações, esclarecer dúvidas e identificar casos particulares . A classifificação e organização dos dados prepara uma fase mais complexa da análise, que ocorre à medida que o pesquisador vai reportar seus achados. Para apresentar dados de forma clara e coerente, ele provavelmente terá que rever as suas idéias iniciais, repensá-las, reavaliá-las, e novas idéias podem então surgir nesse processo. (LUDKE e ANDRÉ, 1986, p. 49) Gil (2000) destaca que nos estudos de caso não se pode falarnum esquema rígido de análise e interpretação. O autor acredita que emfunção do estudo de caso se valer de procedimentos variados de coleta dedados, a análise e a interpretação provavelmente são procedidas da mesmaforma, ou seja, sem uma sistematização rigorosa. Os dados colhidos na pesquisa, possibilitou um olhar a cercada importância da afetividade no processo de ensino-aprendizagem, para issofoi importante ouvir vozes de diferentes “lugares” que compõe o cenárioescolar, principalmente professores e alunos.
  40. 40. 4 CAPÍTULO IV ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O universo da sala de aula está cada vez mais complicado edesafiador, atitudes e ações como o excesso de seriedade, de severidade e dedistância emocional entre aluno e professor servem entre outras coisas paraafastar o aluno do meio escolar, pois este se sente desmotivado. E não temcoisa pior para um professor que um aluno sem motivação, gerando-se umciclo vicioso que não se sabe bem as causas, mas têm conseqüênciasdesagradáveis. Analisaremos as respostas do questionário (APÊNDICE B)aplicado aos professores da escola Mul. Castelo Branco.Figura 1 – Sexo 0% 100% Masculino Feminino Fonte: Pesquisa realizada (2008) Com relação ao sexo, 100% dos entrevistado são do sexofeminino.
  41. 41. Figura 2 – Idade 0% 25% 25% 50% 18 a 25 anos 26 a 30 anos 31 a 35 anos 36 a 40 anos Superior a 41 anos Fonte: Pesquisa realizada (2008) Indagados quanto à idade, 25% possuem 18 e 25 anos, 25%tem 31 a 35 anos e 50% têm idade entre 26 a 30 anos.Figura 3 – Estado civil 100,00% 100,00% 90,00% 80,00% 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 0,00% 10,00% 0,00% Solteiro (a) Casado (a) Solteiro (a) Casado (a) Fonte: Pesquisa realizada (2008)
  42. 42. Quanto ao estado cvil, todos os entrevistados são casados(as).Figura 4 – escolaridade 0% 25% 75% Magistério Superior incompleto Superior completo Especialização Fonte: Pesquisa realizada (2008) No quesito escolaridade, 25% possuem somente o magistério,50% possuem superior incompleto e nenhum possuem curso superior completoou especialização.Figura 5 – Renda mensal 120,00% 100,00% 100,00% 80,00% 60,00% 40,00% 20,00% 0,00% 0,00% 0,00% 01 a 02 salários 02 a 04 salário Superior a 04 salários minímos minímos minímos 01 a 02 salários minímos 02 a 04 salário minímos Superior a 04 salários minímos Fonte: Pesquisa realizada (2008)
  43. 43. Indagados quanto à renda mensal, todos os entrevistadospossuem renda mensal entre 01 a 02 salários minímos, o que mostra a falta devalorização do profissional da educação. Responsáveis pela educação de 57,7milhões de brasileiros (IBGE, 2008), grande parte dos professores no país temuma média salarial bem abaixo de outras profissões, leciona em escolas cominfra-estrutura precária e cumpre jornada acima de 30 horas semanais. A decisão de ser professor também não tem se mostradoatrativa tanto em relação ao mercado como em relação às condições detrabalho. O resultado é que podem faltar docentes nos próximos dez anos,caso não sejam adotadas medidas para valorizar a categoria e incentivar oingresso de novos profissionais. (CONSTANTINO, 2008) Na pergunta como o professor se sente dando aulas nessaescola, notamos a satisfação de todos os entrevistados, excetuando apenasum, observe os relatos: Nesta escola sinto-me realizada. Porque trabalho com dedicação, em um ambiente agradável, onde todos colaboram. (PROFESSOR 1) Não me sinto muito bem, pois não tenho aptidão para trabalhar com ensino fundamental II (PROFESSOR 6) Dando aulas nessa escola, me sinto muito bem e muito a vontade para realizar o meu trabalho, pois tenho uma relação de amizade e parceria com os alunos. (PROFESSOR 4) Me sinto muito bem, pois sou bem trata por meus alunos e pela direção da escola. (PROFESSOR 5) A aula é, sobretudo, convívio. Que esse convívio seja sempreprazeroso, pois em sala de aula harmoniosa e franca, os trabalhos se tornammais produtivos na medida em que há a liberação de energias estimuladoras eedificantes. Nos dias atuais, fica difícil compreender que alguém possaimaginar que não haja relação entre aprendizagem e afetividade. Os dois estãointerligados e muitas vezes um depende do outro.
  44. 44. Sinto-me feliz porque faço o que gosto, sou da minha comunidade, desejo contribuir com o sucesso educativo e social dos meus alunos. (PROFESSOR 3) Entende-se que pelo professor ser da comunidade local, existeum comprometimento maior, por motivo do mesmo conhecer os alunos dacomunidade, há uma relaçao mais envolvente, no sentido de que professor ealunos estão num contexto local ligados e afetados pelos seus acontecimentos. Na pergunta em que estabelece relação com a perguntaanterior, o que faz o professor se sentir de tal forma descrita por ele, notamosum clima de sentimento, de pertencimento a um contexto. A felicidade dos meus alunos quando conseguem vencer um obstáculo, a alegria de presenciar uma posição crítica dentro da sociedade, o companheirismo e a relação amigável deles e todos se conhecem e se preocupam uns com os outros até fora da escola. (PROFESSOR 2) O que faz me sentir assim tão bem é o desejo de que todos os alunos que trabalho se tornem cidadão de bem e sendo numa escola organizada é melhor ainda e nosso conhecimento com todos os alunos e familiares, tornado-se uma grande família. (PROFESSOR 1) Me sinto muito bem também pelo fato de conhecer cada um dos meus alunos e suas famílias possibilitando um diálogo aberto. (PROFESSOR 4) Por trabalhar muitos anos com cursinhos e alunos do ensino médio. (PROFESSOR 6) O afetivo possui influência sobre o desenvolvimento intelectual,o que pode acelerar ou diminuir o ritmo de desenvolvimento do educando. E àsvezes pode determinar de que forma a atividade intelectual se concentrarásobre os conteúdos. As maiorias dos problemas encontrados nas salas de aulas,estão ligadas a situações sócio-afetiva que não foram resolvidas, causandomuitas vezes conseqüências irreversíveis. De acordo com Golemam (2001):
  45. 45. “[....] a infância e a adolescência são ótimas oportunidades para determinar oshábitos emocionais básicos que irão governar nossas vidas”. A afetividade não deve estar centralizada somente norelacionamento professor/aluno nas séries iniciais, ele tem que estar tambémno Ensino Médio e nas salas das Universidades, pois quando sentamos nacadeira de alunos (independente de idade), procuramos no professor a“afetividade”, que tanto nos impulsiona para continuarmos em frente. SegundoAlmeida (2001) muitos professores acham que com o passar do tempo aafetividade entre professor/aluno é coisa do passado, por que os valores e orespeito estao se perdendo ilimitadamente. Quando questionados sobre vivências no processo de ensino-aprendizagem com as crianças, veja alguns dos depoimentos. Um adolescente vai para a escola pela primeira vez e como já estava em uma idade avançada para a 1ª série, ela não acreditava que aprenderia a escrever seu nome. E em uma manhã de chuva, ela consegue e com muita alegria festejamos. (PROFESSOR 1) Trabalhar em educação nos dá vários momentos que nos faz refletir, uma delas foi trabalhar em uma sala de alfabetização com grande parte de alunos reprovados e com grave problemas de disciplina e coincidentemente todos sem exceção possuiam famílias desistruturadas e esses alunos tinham uma enorme carência afetiva e isso afetava diretamente não só o seu relacionamento em sala de aula, mas também com o seu aprendizado, o que nos leva a reforçar a idéia que a afetividade é algo fundamental para o desenvolvimento dos alunos. (PROFESSOR 3) O professor precisa estar comprometido com o aluno,respeitando a sua individualidade enquanto ser humano e criando um vínculoafetivo, estimulando e motivando esse educando para a aprendizagem. Todo o profissional da escola, seja qual for à função queexerce, deveria atuar consciente da importância da afetividade, numa relaçãode respeito sem excluir o prazer de socializar-se, de brincar, de sentir-seaceito, e principalmente o prazer de aprender, pois cada vez mais se percebe o
  46. 46. desinteresse do aluno em estar na escola e principalmente em sala de aula. Em alguns momentos nos esquecemos, de olhar comsentimentos positivos para os nossos alunos, de conversar, dizer o quantogostamos deles, apesar dele ter tido alguma atitude que desaprovamos, temosque cumprir com um currículo que nos é dado e cobrado por um sistema quepouco se importa com a emoção e o prazer do aluno. Na entrevista (APÊNDICE A) aplicada a alunos ficoudemonstrada que existem uma relação de cumplicidade entre alunos eprofessores. Quando indagados como os alunos se sentem na escola, todos osalunos disseram que se sentiam bem, conforme relatos dos alunos. Me sinto bem, porquê é o meio de aprendizagem e tenho os meus amigos que são todos legais e os professores também. (ALUNO 1) Muito bem, porque minha relação com os professores é de grande carisma, respeito, sinceridade. Fato que ajuda na educação de boa qualidade para nós alunos. (ALUNO 2) Me sinto muito bem, porque é um local que todos são organizados, todos os professores tratam os alunos bem. (ALUNO 3) Numa sala de aula onde há afetividade, professor e alunoconversam, brincam e aprendem juntos, e não existem barreiras entre eles. Aaprendizagem acontece a todo o momento e em todas as atividades. Na pergunta: O que o aluno gosta da escola e o que o menosgosta, novamente a maioria respondeu que gosta da organização da escola,dos professores e também dos funcionários. Eu adoro a escola porque é onde aprendo as coisas, os prfessores, colegas, funcionários e todos. O que menos gosto é quando algum colega faz alguma coisa e recebe reclamação de algum professor. (ALUNO 6)
  47. 47. A melhor parte é quanbdo eu estudo e a pior é quando a professora briga com a gente por termos feito alguma coisa. (ALUNO 1) Gosto da humildade dos funcionários porque tratam todos com igualdade e o que menos gosto é a falta de recursos para o professor trabalhar as matérias. (ALUNO 4) Na vida em sociedade, os seres humanos estão sempre serelacionando e trocando experiências, informações e valores. O mesmoacontece na escola; Os alunos interagem o tempo todo, em todas asatividades, entre si e com os demais membros da comunidade escolar. Como em qualquer relacionamento interpessoal, os alunostambém têm mais afinidades com uns colegas do que com outros, fazendo comque haja mais afinidades de alguns em relação a outros. A criança costuma teruma relação de carinho e confiança com quem gosta, envolvendo a troca desegredos, lembranças e o oferecimento de ajuda e cooperação. É muitocomum observarmos as crianças (independente do sexo) brincando,conversando, contando segredos e ajudando aqueles de quem gostam mais. Quando perguntados se gostam do professor, a maioriaabsoluta respondeu que gostam muito de seu professor. Sim, ela tem muito carisma (ALUNO 1) Sim, ela é muito bonita e simpática (ALUNO 2) Gosto porque ela tem muita calma na hora de explicar (ALUNO 3) Sim, porque ela explica e a gente entende (ALUNO 5) Em todos os momentos da prática pedagógica é possívelperceber se a afetividade está presente ou ausente na relação entreprofessores e alunos. O jeito de falar, ensinar, avaliar, explicar e até mesmoimpor limites denuncia o tipo de relacionamento existente entre eles.
  48. 48. Quando existe afetividade, professores e alunos são uma sópessoa; Eles brincam, tomam decisões, planejam e aprendem juntos. Oprofessor é o mediador do conhecimento e o aluno é sujeito e objeto doprocesso ensinoaprendizagem. A relação entre educando e educador é de amizade econfiança e a aprendizagem se dá de forma prazerosa, já que a educação nãoé vista, pensada como uma obrigação , um trabalho. O respeito surge daadmiração e não do medo e é executado por ambas as partes. Nesse tipo de relacionamento, o professor conhece cada alunoe tem sensibilidade para identificar as suas necessidades, não só cognitivasmas também afetivas. Ele sabe reconhecer, por exemplo, quando o aluno estátriste, magoado e o que pode fazer para que a criança sinta-se melhor. A criança necessita de atenção, de sentir-se amada, e issopode (e deve) acontecer na sala de aula; Basta que o educador permita que elademonstre o que pensa e sente e valorize e respeite seus pensamentos esentimentos. Como em qualquer outro relacionamento, o professor tambémse identifica mais com uns alunos do que com outros e, muitas vezes, acabadando tratamento diferenciado aos preferidos. Mas, ao contrário do queacontece no relacionamento entre alunos, essa preferência não pode serpercebida pela turma, pois os demais poderiam sentir-se rejeitados, o quedificultaria o convívio entre eles e a aprendizagem. A partir da análise da construção do sujeito e da afetividadedescritas por Wallon e Vygotsky, no capítulo II, percebemos a importância, parao educador, em conhecer os caminhos psicológico–afetivos. Na teoriavygotskyiniana a ênfase é dada nos mecanismos internos que são estruturadosna mediação do sujeito com o meio. Já, sob a ótica de Wallon, é justamente omeio social quem estrutura os mecanismos internos do indivíduo. Daí, nossapreferência por seus pressupostos teóricos. E é neste sentido que Freire nos
  49. 49. orienta, colocando-nos como problematizadores, instigadores das condiçõesmiseráveis em que oprimidos são colocados. Segundo ele, não devemos, enão podemos, nos limitar aos fatalismos a que somos expostos. Isto tudo exigede nós, educadores, pesquisa, ética, tolerância, risco, comprometimento eideologia. Sendo o meio um fator preponderante na construção do saber,cabe-nos, aqui, reiterar as afirmações descritas no corpo deste estudo nosentido de alertar aos professores em sua tarefa de educar, apontando para ascaracterísticas básicas que todo educador deve apresentar. Sabemos que osmeios de comunicação de massa, como formadores de opinião - ou ao menos,precisavam sê-lo - são agentes educacionais. É verdade que até aqui taismeios vêm sendo, em muitos aspectos, fatores de deseducação, que impõemnos indivíduos, em especial nos escolares, a força alienante das classesdominantes; mas sempre competirá à escola protestar contra uso irresponsáveldesses agentes. Nem todo o conhecimento científico pode dar conta destaárdua tarefa que é educar, se considerarmos os fatores intervenientes de quesomos alvo constantemente Em nossa preocupação de recuperar e considerar ossentimentos de afeto e respeito na esfera escolar estamos convencidos de quea escola desempenha papel fundamental, desde que queiramos mudar ascoisas para melhor, desde que. assumamos compromissos para enfrentar osconflitos que surgem no processo escolar. Quanto a essa questão Morais (1995) explica: Ora, nesse grande movimento de recuperação ética do país, estou absolutamente convicto de que a educação pode e deve desempenhar papel da maior importância, desde que todos os agentes educacionais – entre os quais as escolas – queiram mudar as coisas para melhor, assumam atitudes sadias (apesar das dificuldades) para enfrentar as toneladas de lixo mental que a sociedade produtivista e consumista lança sobre nós. Não, não posso admitir que estejamos no cadafalso da história, vivendo uma hora terminal. Para mudar nossa realidade, precisamos, em primeiro lugar, querer muda-la. (MORAIS, 1995)
  50. 50. Este estudo permitiu mostrar as discussões e defesas comrelação à questão das emoções e sentimentos na vida das pessoas e noprocesso educativo, envolvendo o processo ensino aprendizagem e asrelações entre os envolvidos no mesmo. É importante reiterar que as condições desfavoráveis que oprofessor vivencia hoje, não podem ser ignoradas e que estas tendem a limitarsua capacidade de criar, de ousar e até mesmo de demonstrar afeto.Felizmente, encontramos profissionais que procuram, de alguma forma,“driblar” os obstáculos em função de uma prática amorosa. Freire (1996) assimanalisa: Mas é preciso, sublinho, que permanecendo e amorosamente cumprindo seu dever, não deixe de lutar politicamente, por seus direitos e pelo respeito à dignidade de sua tarefa, assim como pelo zelo devido ao espaço pedagógico em que atua com seus alunos. (FREIRE, 1996) Atentamos para o fato de que o educador precisa praticar aética, respeitando as individualidades ao mesmo tempo que fizer de sua práticacotidiana como educador um exercício de comprometimento político-social,possibilitando a si próprio e aos educandos uma educação prazerosa e feliz,mas sem perder de vista caráter político e transformador da educação, quedeve estar voltado para a construção de um futuro melhor e para a obtenção deuma vida digna a todos os indivíduos, independente de crença, cultura, raça oucondição social.
  51. 51. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS “O ser humano é o mais complexo, o mais variado e o mais inesperado entre todos os seres do universo. Relacionar-se com ele, lidar com ele, haver-se com ele é, por isso, a mais emocionante das aventuras. Em nenhuma outra, assumimos tanto o risco de nos envolver, de nos deixar seduzir, arrastar, dominar, encantar...”. J. A. Gaiarsa. A afetividade acompanha o ser humano desde o nascimentoaté a morte. Ela está em nós como uma fonte geradora de potência, deenergia. A ligação afetiva é que dará base, desde o nascimento, às relaçõessociais da criança. Se acontecer a separação afetiva, como a separaçãoconjugal, a tendência é que este rompimento principalmente os litigiosos, causaseqüelas emocionais na criança, que irão afetá-la, se não forem corretamenteadministradas, formando indivíduos problemáticos. Devemos estar atentos aos sinais dos diferentes tipos decomportamento. Por trás dessas conturbações na maneira de agir há umpedido de ajuda, que muitas vezes eles não conseguem expressar claramente,até porque não tem domínio sobre elas: perturbações e ações. A capacidade de relação com os outros é vital para ocrescimento e aprimoramento humano. Essa relação deverá ser cercada deafeto porque a afetividade é essencial para a superação das dificuldades davida e ajudará no desenvolvimento intelectual do indivíduo. O professor deverá ter consciência do seu papel comoeducador, reconhecendo e considerando os diferentes níveis dodesenvolvimento do educando em sua parte afetiva cognitiva, para que possaestimular e dirigir adequadamente a ação educativa através de suas emoçõescomo facilitadoras da aprendizagem.
  52. 52. Só haverá um trabalho com liberdade se ele for carregado deemoção, com autoridade, mas, sem autoritarismo. O professor deve construir com seus alunos normas e éticas.Através dessas normas ele deverá ajudá-los a praticar o respeito mútuo, noque tange a clareza de comportamento, de noções de hierarquia, deautoridade, de afeto e de cumplicidade. As relações afetivas, o amor e o desamor, os afetos e osdesafetos, estão presentes nas experiências educacionais, lidar com essasrelações de forma consciente, ajudará no processo de formação das crianças eadolescentes, tornando-os mais críticos, autônomos, criativos e responsáveisdentro de um contexto relacional. A reflexão que as teorias fundamentadas nos revela e nosfortalece é para que tenhamos uma educação fundada no respeito e no amor ena compreensão das relações, um educador competente e sensível,humanamente preparado, seja um profissional com autonomia para tomardecisões baseadas em uma consciência intelectual e emotiva; que seja sujeitode sua história pessoal e que compreenda a necessidade de sua participaçãoefetiva e afetiva na transformação de nossa sociedade para que esta se tornecada vez mais humana, mais justa e feliz, com pessoas felizes. Quando a afetividade entrar na sala de aula, juntamente comoutros fatores, a situação da criança vai melhorar a olho nu. Todos conseguemperceber as mudanças que ocorrem com as crianças quando o professor astrata com carinho e respeito. Crianças felizes terão mais possibilidades de seremfuturamente adultos realizados e também felizes.

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