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AMANDA FEITOSA DE FREITAS SILVA OS CONTOS DE FADAS NA FORMAÇÃO DO LEITOR NAEDUCAÇÃO INFANTIL DA ESCOLA CENTRO DE EDUCAÇÃO ...
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Dedico este trabalho ao Autor da minha Fé, minhafonte de força durante toda esta trajetória. O meuamor maior é pra ti.Ao  ...
AGRADECIMENTOSÀ Universidade do Estado da Bahia pelo espaço de construção de conhecimento e àProfª. Suzzana Alice nossa ex...
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RESUMOO presente trabalho monográfico parte da importância que tem os Contos de Fadasna formação do ser humano, seja pesso...
LISTA DE GRÁFICOSGráfico 4.1.1 Percentual quanto ao gênero dos sujeitos.Gráfico 4.1.2 Percentual quanto ao nível de formaç...
SUMÁRIOINTRODUÇÃO............................................................................................................
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10                                   INTRODUÇÃOOs Contos de Fadas são uma mistura de lazer e aprendizado, a magia chegando...
11como instrumento em sala de aula e com isso chegamos então ao final dele nanossa questão de pesquisa e objetivos.O segun...
12                                      CAPÍTULO I1.1 Breve histórico da Literatura InfantilA sociedade contemporânea vem ...
13pedagógicos para serem utilizados com crianças, com isso também começa-se aperceber como um ser que necessita de uma ate...
14                     Os contos de fadas são os mais indicados para ajudar as crianças a                     encontrar um...
15É preciso resgatar o poder que a literatura infantil tem no processo de alfabetização,pois ela acontece durante toda a E...
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18                                         CAPÍTULO II2.1 Era uma vez... As Origens dos Contos de FadasO termo “Contos de ...
19A passagem dos Contos adultos para uma temática totalmente infantil foi a partir doséculo XVII quando Charles Perrault p...
20Eles também apresentam a constituição familiar convencionada pela sociedade, ouseja, pai, mãe, filhos, mesmo que em algu...
21                     elação emocional, concluindo de forma liberadora todo o processo de                     envolviment...
22A leitura desenvolve no indivíduo o senso crítico construtivo e criativo, dandocondições de interpretar e ampliar a visã...
23É necessário resgatar o poder da literatura infantil antes e durante o processo dealfabetização. A sala de aula precisa ...
24É importante ressaltar o quanto os alunos ficam maravilhados com as históriascontadas. As atividades de leitura precisam...
25educação, tratando a criança não mais como homem pequeno, mas que ela viva emum mundo próprio cabendo ao adulto compreen...
26                      A pré-escola serve para propiciar o desenvolvimento infantil, considerando                      os...
27                       [...] que ao professor cabe trabalhar com conteúdos de naturezas diversas                       q...
28                      profissional - as condições de trabalho, a estruturas hierárquicas etc. E isso                    ...
29                                   CAPITULO III                      PROCEDIMENTOS METODOLOGICOSA pesquisa é fruto de um...
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313.4 Instrumentos de Coleta de DadosNesta pesquisa será utilizada a observação participante, o questionário fechado e oqu...
32                     [...] consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou                     grupo, E...
33que devem ser respondidas por escrito e sem a presença de entrevistados”. Ecompleta GRESSLER (1989):                    ...
34                                    CAPITULO IV                   ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOSApresentaremos neste ...
35                    O gênero como constitutivo das relações sociais e apontando marcas de                    uma sociali...
36                     A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível                     superior...
37De acordo com o gráfico acima a faixa etária das professoras está em 60% entre 26a 35 anos, e 40% está entre 19 a 25 ano...
38Analisando o questionário aberto podemos perceber o significado que asprofessoras dão aos Contos de Fadas e o que eles r...
39“É a literatura voltada para a criança, com uma linguagem voltada para o públicoinfantil.” (P4)“É onde a criança interag...
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41Fadas já mostra que elas têm compreensão de que eles fazem parte do universoinfantil e que podem trazer benefícios na ed...
42As respostas mostram o interesse do aluno de Educação Infantil pelos Contos deFadas, e que o encantamento que essas hist...
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44Na observação participante podemos observar também essas afirmações, vimosprofessoras contando histórias dos Contos de F...
45“Não tenho dia específico, conto quando sinto vontade de contar. Não tenhoquantidade de vezes durante a semana.” (P1)“Nã...
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48Os resultados apontam que a forma com que elas trazem os Contos para a sala deaula, com estratégias diferentes para atra...
49                                     REFERENCIASABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil: gostosuras e bobices. São Paulo....
50DESLANDES, Suely Ferreira. Pesquisa Social: Teoria, Método e Criatividade/Suely Ferreira Deslandes, Otávio Cruz Neto, Ro...
51LUDKE, Menga e Marli E. D. A. André. Pesquisa em Educação: abordagensqualitativas. São Paulo. EPU, 1986.LUZURIAGA, L. Hi...
52SILVA, A. Arte e comunicação. Rio de Janeiro: Pongetti, 1985.SILVA, V. L. G. da. Profissão: professora. In: CAMPOS, M. C...
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  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO-CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM-BA PEDAGOGIA 2006.1 AMANDA FEITOSA DE FREITAS SILVA OS CONTOS DE FADAS NA FORMAÇÃO DO LEITOR NAEDUCAÇÃO INFANTIL DA ESCOLA CENTRO DE EDUCAÇÃO SEMENTINHA DO FUTURO SENHOR DO BONFIM - BA 2011
  2. 2. AMANDA FEITOSA DE FREITAS SILVA OS CONTOS DE FADAS NA FORMAÇÃO DO LEITOR NAEDUCAÇÃO INFANTIL DA ESCOLA CENTRO DE EDUCAÇÃO SEMENTINHA DO FUTURO Trabalho Monográfico apresentado à Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação, Campus VII como pré-requisito para a conclusão do Curso de Pedagogia: Gestão e Docência dos Processos Educativos. Orientadora Profª. Rita de Cássia Braz Conceição Melo. SENHOR DO BONFIM - BA 2011
  3. 3. AMANDA FEITOSA DE FREITAS SILVA OS CONTOS DE FADAS NA FORMAÇÃO DO LEITOR NAEDUCAÇÃO INFANTIL DA ESCOLA CENTRO DE EDUCAÇÃO SEMENTINHA DO FUTURO Aprovada em _____/_____/_____ ___________________________________ Orientador (a) ___________________________________ Avaliador (a) ___________________________________ Avaliador (a)
  4. 4. Dedico este trabalho ao Autor da minha Fé, minhafonte de força durante toda esta trajetória. O meuamor maior é pra ti.Ao meu amado esposo pela paciência ecompreensão, mesmo com toda a distância seuapoio foi fundamental.À minha família agradeço todo amor, carinho erespeito.À minha turma querida que sempre estará em meucoração. em especial ao querido amigo Erivaldo (Erí)pelas palavras sábias nos momentos oportunos.À Escola Centro de Educação Sementinha doFuturo, às professoras, em especial a AdrianaAraujo e Neila Ribeiro que sempre abriram as portasno momento em que precisei.Às minhas amigas e colegas: Aurelina, Eliciene,Jacira, Jeane, Valci, Viviane, Maísa, Jane, Robson eMayara pelo companheirismo e apoio durante todosestes anos.
  5. 5. AGRADECIMENTOSÀ Universidade do Estado da Bahia pelo espaço de construção de conhecimento e àProfª. Suzzana Alice nossa ex-coordenadora pelas palavras de apoio durante todaesta trajetória.Aos professores do curso de Pedagogia do Campus VII por contribuir com aformação.À professora orientadora Rita Braz pelo incentivo, paciência e colaboração nestetrabalho.A todos que de alguma forma fizeram parte da minha trajetória pessoal e acadêmicadurante esses quatro anos e cinco meses o meu eterno obrigada.
  6. 6. "ERA UMA VEZ uma criança que adorava ouvir histórias... ela nada mais esperava que viver cada momento, mas a cada passo dado neste seu mundo de sonhos e fantasia, pouco a pouco, sem o perceber, ia encontrando um sentido para a vida..." "E quanto àquela criança que adorava ouvir histórias? O mais importante que resta disso tudo é que nunca esqueçamos a lição...crianças, jovens ou adultos, no mundo das fadas todos seguimos encantados e... FELIZES PARA SEMPRE!" Paulo Urban Revista Planeta nº 345 / junho 2001
  7. 7. RESUMOO presente trabalho monográfico parte da importância que tem os Contos de Fadasna formação do ser humano, seja pessoal ou cognitiva e principalmente no incentivoa formação do leitor na Educação Infantil. Essa pesquisa tem como aporte teóricoautores como Zilberman (1985), Coelho (2000), Bettelheim (1980), Abramovich(1997), Silva (2005), Kramer (1994), entre outros. Utilizamos a pesquisa de caráterqualitativo e como instrumento de coleta de dados a observação participante, e osquestionários aberto e fechado, que nos oferecem elementos importantes para opropósito da pesquisa. A partir destes instrumentos é que foi possível notar queapesar de não utilizarem projetos direcionados a leitura os professores da EscolaCentro de Educação Sementinha do Futuro fazem uso dos Contos de Fadas na salade aula.Palavras-chave: Contos de Fadas, Leitura, Educação Infantil e prática Docente.
  8. 8. LISTA DE GRÁFICOSGráfico 4.1.1 Percentual quanto ao gênero dos sujeitos.Gráfico 4.1.2 Percentual quanto ao nível de formação dos sujeitos.Gráfico 4.1.3 Percentual quanto à carga-horária de trabalho.Gráfico 4.1.4 Percentual quanto à faixa etária.Gráfico 4.1.5 Percentual quanto à renda mensal dos sujeitos.
  9. 9. SUMÁRIOINTRODUÇÃO...........................................................................................................10CAPÍTULO I................................................................................................................12 1.1 Breve histórico da Literatura Infantil............................................................12 1.2 Literatura e Leitura.....................................................................................14CAPÍTULO II...............................................................................................................18 2.1 Era uma vez... As Origens dos Contos de Fadas........................................18 2.2 Características e personagens dos Contos de Fadas.................................19 2.3 Leitura e sua construção por meio da Literatura.........................................21 2.4 Educação Infantil: Alicerce do processo educativo......................................24 2.5 Prática docente na Educação Infantil..........................................................26CAPÍTULO III..............................................................................................................29 3.1 Tipo de pesquisa..........................................................................................29 3.2 Sujeitos da pesquisa....................................................................................30 3.3 Lócus da pesquisa.......................................................................................30 3.4 Instrumentos de coleta de dados.................................................................31 3.4.1 Observação participante..................................................................31 3.4.2 Questionário fechado.......................................................................32 3.4.3 Questionário aberto..........................................................................32CAPÍTULO IV.............................................................................................................34 4.1 Perfis dos sujeitos........................................................................................34 4.1.1 Gênero..............................................................................................34 4.1.2 Nível de formação............................................................................35 4.1.3 Carga horária de trabalho................................................................36 4.1.4 Faixa etária.......................................................................................36 4.1.5 Renda mensal..................................................................................37 4.2 Contando e analisando: o que dizem as professoras..................................37 4.2.1 O contato com os ouvintes...............................................................38 4.2.2 O que é Literatura Infantil?...............................................................38 4.2.3 Num lugar tão distante ainda existe o gosto pela leitura..................39 4.2.4 Quem conta um conto aumenta... muitos pontos.............................40 4.2.5 E quem quiser que conte outra (o)...................................................41 4.2.6 Pela estrada a fora encantando com um capuz vermelho...............42
  10. 10. 4.2.7 E pra formar leitores precisa de capuz vermelho?...........................42 4.2.8 Contando... qual a sua maneira?.....................................................43 4.2.9 O que precisa usar pra contar?........................................................44 4.2.10 Tem hora certa pra contar?............................................................44 4.2.11 Sobre projetos de leitura?..............................................................45CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................47REFERENCIAS..........................................................................................................49ANEXO.......................................................................................................................53
  11. 11. 10 INTRODUÇÃOOs Contos de Fadas são uma mistura de lazer e aprendizado, a magia chegandoperto da realidade através do imaginário infantil, uma ligação de mundos que podetrazer grandes benefícios e compreensões para a educação das criançasoferecendo novas dimensões a sua imaginação e mexendo com todos os tipos deconvívios na sociedade, seja em família, ou na escola... Trazendo para si todas asformas de emoções que as histórias permitem transmitir, além de auxiliar naresolução dos conflitos interiores normais nesta fase da vida.Trabalhar com Contos de Fadas na escola é sempre prazeroso tanto para oeducando quanto para o educador, pois é algo que agrada bastante as crianças,despertando encantamento e seu interesse e envolvimento na história. Por isso, oprofessor é o grande articulador que traz às crianças, diversas formas deinterpretação dos Contos e através deles é que podem ser trabalhados conflitos dodia-a-dia dos alunos, procurando também buscar soluções para os mesmos.A leitura do texto literário não é apenas uma atividade escolar mecânica edescontextualizada. É, porém uma atividade vital e significativa que deverá serestimulada na Educação Infantil, implicando na formação de um leitor espontâneo,capaz de perceber que a leitura é preciosa e essencial à sua própria vida.Ouvir histórias é importante para a formação de qualquer criança, são nestesmomentos, de contato com a literatura, que as crianças suscitarão o imaginário,despertando sua curiosidade, levantando questionamentos, idéias para solucionaros problemas dos personagens, enfim vivem a história.É necessário resgatar o poder da literatura infantil antes e durante o processo dealfabetização. A sala de aula precisa ser um ambiente de interação, capaz depromover de forma mais eficiente possível a aprendizagem da leitura.Assim, buscamos no primeiro capítulo fazer um histórico de como surgiu a LiteraturaInfantil e os Contos de Fadas, falamos um pouco sobre a importância da leitura
  12. 12. 11como instrumento em sala de aula e com isso chegamos então ao final dele nanossa questão de pesquisa e objetivos.O segundo capítulo trata-se do referencial teórico que é de fundamental importâncianesta análise, para compreensão da problemática que nos propomos investigar.O terceiro capítulo traça os caminhos da nossa pesquisa, abordando o tipo depesquisa, os sujeitos, o lócus e os instrumentos de coleta de dados.O quarto capítulo apresenta uma análise e interpretação dos dados obtidos atravésda observação e dos questionários respondidos pelas professoras.Por fim, nas considerações finais destacamos a importância dos resultadosabordando o objetivo da nossa pesquisa e construindo uma visão sobre a práticados sujeitos pesquisados.
  13. 13. 12 CAPÍTULO I1.1 Breve histórico da Literatura InfantilA sociedade contemporânea vem demonstrando o quanto é necessário se adentrarno mundo das letras. E é no encontro com as diferentes formas de Literatura quecrianças, jovens e adultos têm a oportunidade de enriquecer e ampliar suasexperiências de vida, pois não só tem o poder de facilitar a compreensão darealidade como também de desenvolver o encantamento, o incrível e o mágico“mundo da imaginação”, especialmente nas crianças.“A Literatura nasceu na Antiga Grécia. Chamava-se poesia e existia apenas paradivertir a nobreza (ZILBERMAN, 1990, p.12)”. As crianças viviam igualmente com osadultos, não havia separação, ou seja, não se tinha uma visão de infância, portantonão se escrevia para crianças. O que realmente acontecia, cita Áries (1978): Até o século XVII, a infância não era entendida da maneira como percebemos hoje. As crianças eram tratadas como mini-adultos, trabalhavam e viviam juntos aos adultos, vestiam-se como adultos e praticavam de tudo: da vida social, política e religiosa da comunidade, não havia propriamente dito, “um mundo infantil”, diferente e separado, ou uma visão especial sobre infância, não se escrevia para ela, pois não existia “infância” (p. 23).Com o passar do tempo, a criança foi vista de formas diferentes e os conceitosquanto à mesma sempre foram modificando-se. No século XVII, muitas mudançasocorreram na estrutura da sociedade, tanto no aspecto artístico, como no aspectosocial e com isso a Literatura foi constituindo-se como gênero. Como cita Zilberman(1993): “Esta faixa etária não era percebida como um tempo diferente, nem o mundoda criança como um espaço separado (p.13)”. Porém, ainda não existia a Literaturavoltada exclusivamente para o público infantil, pois essas conviviam em igualdadecom os adultos, por não existir até então uma visão sobre infância e o universoinfantil.Em meados do século XVIII, muita coisa mudou no contexto infantil. Elas, comocomenta Cunha (1995), começaram a ser tratadas de acordo com a sua faixa etária.A partir deste momento da história começou-se a criar formas e métodos
  14. 14. 13pedagógicos para serem utilizados com crianças, com isso também começa-se aperceber como um ser que necessita de uma atenção especial, e que a famíliadeveria reorganizar-se para que os filhos crescessem sobre cuidados especiais,tendo espaço também para sua formação intelectual.Essa diferenciação do mundo infantil foi que deu margem a surgir à escola paracrianças e acabou dando início a Literatura Infantil, pois as crianças necessitavamde uma linguagem que chegasse até ela de forma agradável. Com tudo isso, surgiuentão a literatura infantil com suas características próprias, educando e ajudando ascrianças a perceber e utilizar a sua imaginação.No Brasil, os primeiros textos infantis surgiram no final do século XIX e no início doséculo XX. Estes foram inicialmente conhecidos como: Estórias da Carochinha.Porém a produção nacional ganhou destaque com as famosas obras de MonteiroLobato. Cunha (1995) fala sobre o autor: Com Monteiro Lobato é que tem inicio a verdadeira Literatura Infantil Brasileira. Com uma obra diversificada quanto a gêneros e orientações, Cria esse autor, uma literatura centralizada em algumas personagens, que percorrem e unificam seu universo ficcional (p.24).A obra de Monteiro Lobato iniciou-se em 1921, com características de criar novasexpectativas de leitura na criança brasileira. As estórias de Lobato vêm cheias desonhos, magia, encantamento e formas prazerosas de leitura, procurando interessara criança, captar sua atenção e diverti-la.A Literatura é, portanto um conjunto de obras que auxiliam o desenvolvimento dacriança. Com todos esses enredos cheios de fantasia, temos também os Contos deFadas, que na sua maioria estão atreladas à realidade sócio-européia da EuropaMedieval, tratam sobre temas como medo, amor, vida, morte... E envolvempersonagens fantásticos como reis e rainhas, príncipes e princesas, bruxas e fadas,que são citados como elementos mágicos e que fazem parte da criatividade dascrianças.Segundo BETTELHEIM (1980):
  15. 15. 14 Os contos de fadas são os mais indicados para ajudar as crianças a encontrar um significado na vida, pois ao estimular a imaginação, desenvolve o intelecto, harmonizar-se com suas ansiedades e torna clara suas emoções, são enriquecedores, satisfatórios e ajudam a auxiliar no raciocínio das pessoas (p. 83).CASHDAN (2000, p. 291), por sua vez, considera que “os contos de fadasrepresentam uma janela especial que se abre para a vida emocional das crianças, eque o impacto que estes têm sobre os adultos, vem da influência que tiveramquando eram crianças”. Podemos perceber que para ele, os contos são mais do queaventuras mágicas que exercitam a imaginação.1.2 Literatura e LeituraA leitura é considerada uma das conquistas da humanidade. É pela leitura, que o serhumano absorve e transforma o conhecimento em um processo de aperfeiçoamentocontínuo. A aquisição da leitura possibilitará a emancipação da criança e aassimilação dos valores da sociedade.Como instrumento transformador, ela desenvolve um senso crítico construtivo ecriativo, e dá ao indivíduo condições de ampliar sua visão de mundo, permitindo aoaluno construir conhecimentos, como mostra Garcia: É através da leitura que o educando ampliará sua visão de mundo e suas interpretações da história ficará mais bem capacitado para o desempenho específico da parte que lhe cabe no coletivo da escola. Deve ser o educador o primeiro a buscar na leitura os caminhos para as soluções de muitos problemas existentes na escola... (1992, p.77)Ler não é um ato de decodificar palavras, mas converte-se num processocompreensivo que deve chegar às idéias centrais, as inferências, à descoberta dospormenores, as conclusões. (Zilberman, 1993)A Literatura faz a criança entrar no texto e viajar num mundo de imaginação efantasia. E é por isso que a leitura pode ser contada, ouvida, vista e vivida. “Daí oatual renascimento da fantasia, do imaginário, da magia, do ocultismo... Na literaturapara crianças e adultos, o mágico e o absurdo irrompem na rotina cotidiana e fazemdesaparecer os limites entre o real e o imaginário.” (COELHO. 2000. P. 26)
  16. 16. 15É preciso resgatar o poder que a literatura infantil tem no processo de alfabetização,pois ela acontece durante toda a Educação Infantil e com isso vem transformando asala de aula num ambiente capaz de promover uma aprendizagem da leitura muitomais eficiente, afirma Coelho (2000): (...) como objeto que provoca emoções, dá prazer ou diverte e, acima de tudo, modifica a consciência de mundo de seu leitor, a literatura infantil é arte. Sobre outro aspecto, como instrumento manipulado por uma intenção educativa, ela se inscreve na Pedagogia (p. 46)Esta é a Literatura que nos garante o prazer da leitura, ou seja, a leitura por prazer.Como afirma Cunha (1995, p. 47): (...) a leitura é uma forma altamente ativa de lazer. Em vez de propiciar, sobretudo repouso e alienação (daí, a massificação), como ocorre com formas passivas de lazer, a leitura exige um grau maior de consciência e atenção, uma participação efetiva de recebedor-leitor.A dimensão de Literatura Infantil é muito mais importante e grandiosa nos dias dehoje, pois ela traz para a criança possibilidades e formas de desenvolvimento social,cognitivo e emocional. Como afirma Abramovich em seu livro Gostosuras e Bobices(1997), dizendo que ao ouvir histórias as crianças visualizam mais claramentesentimentos que tem sobre o mundo em que estão envolvidas, pois as históriastrabalham temas como medo, carinho, curiosidade, perda, dor, entre outros assuntose ainda completa: É através de uma história que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras regras, outra ética, outra ótica... É ficar sabendo história, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc. sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula (ABRAMOVICH, 1997, p. 17)Quanto mais cedo a criança entrar em contato com os livros e ter a leitura comoforma de lazer e prazer maior será a possibilidade dela se tornar um adulto leitor, daía importância de ouvir histórias na Educação Infantil.Trabalhar com Contos de Fadas fazem os alunos construir significados para ashistórias desenvolvendo o prazer pela leitura. A literatura e a escola têm umarelação em comum que é estarem voltadas para a formação das crianças, elas
  17. 17. 16devem ser estimuladas desde o início da vida escolar, pois a alfabetização é umprocesso lento que abrange toda a Educação Infantil.Durante a aquisição da leitura e da escrita os Contos podem oferecer mais que odespertar do imaginário, ao ouvir as histórias a criança constrói o seu conhecimentode linguagem com todas as formas e recursos lingüísticos. Não é necessário esperara criança ser alfabetizada para envolvê-las com as histórias infantis, é necessárioque elas sejam associadas à alfabetização e isso traz melhores resultados naformação do leitor. De acordo com os Referenciais Curriculares Nacionais para aEducação Infantil: [...] as instituições e profissionais de educação infantil deverão organizar sua prática de forma a promover as seguintes capacidades nas crianças: (...) interessar-se pela leitura de histórias; familiarizar-se aos poucos com a escrita por meio da participação em situações nas quais ela se faz necessária e do contato cotidiano com livros, revistas, histórias em quadrinhos, etc. (Brasil/MEC, 1998, v.3, p. 122 e 131).Na opinião dos autores citados, as contribuições da Literatura Infantil e dos Contosde Fadas no desenvolvimento das crianças; pode-se ressaltar a relevância destapesquisa em evidenciar o que os contos de fadas têm, para colaborar no processode formação do leitor na Educação Infantil da escola Centro de EducaçãoSementinha do Futuro. Sendo assim, propõe-se fornecer subsídios teóricos emetodológicos, tendo o Conto de Fadas como um dos instrumentos essenciais nodesenvolvimento da prática docente e da formação dos educandos, capacitando-osa viverem ativamente em uma sociedade.No contato com crianças de Educação Infantil de diversas instituições que foi nosproporcionado pela universidade, não podemos deixar de observar o encantamentodas crianças pelas histórias e contos infantis e o quanto elas inserem isso nas suasvidas, porém observamos também que nem sempre o professor tem a sensibilidadede saber que para elas, essas histórias vão além do simples divertimento. Emmuitos lugares por onde passamos no decorrer da nossa vida acadêmica vimos queessas histórias tornam-se apenas um instrumento para cobrir horas vagas, semcaráter pedagógico nenhum. Isso nos fez questionar sobre a forma como o professor
  18. 18. 17traz as histórias e contos para o cotidiano da sala de aula e como elas podem serum instrumento de aprendizagem da leitura.Portanto, esta pesquisa tem como questão de pesquisa: Os professores têm osContos de Fadas como instrumento pedagógico no processo de formação do leitorna Educação Infantil da Escola Centro de Educação Sementinha do Futuro? Tendocomo principal objetivo identificar se os professores da referida escola fazem uso doConto de fadas como instrumento capaz de incentivar os alunos no processo deformação do leitor na Educação Infantil.A relevância social e acadêmica do nosso estudo é que esta pesquisa trazcontribuições e subsídios teóricos tornando-se fonte de pesquisa sobre o Conto deFadas, prática pedagógica e suas contribuições, compreensão do professor, sobre aescola em questão e sobre o perfil do sujeito. O resultado da pesquisa pode ser degrande importância para a escola, onde poderá perceber e melhorar a sua práticaquanto às histórias infantis.
  19. 19. 18 CAPÍTULO II2.1 Era uma vez... As Origens dos Contos de FadasO termo “Contos de Fadas” por si só nos remete quase invariavelmente a paisagensda Europa Medieval, com florestas e castelos, príncipes e princesas encantadas.Não se tem ao certo uma data específica para a sua origem, podemos dizer quesurgiram do imaginário humano provavelmente antes da Idade Média,aparentemente com finalidade de ensinar valores, regras, atitudes, comportamentos,possibilidades que fizessem parte do mundo onde viviam. Eram histórias passadasde geração pra geração, através da tradução oral, desde os tempos mais remotos. Éimpossível datar o início de tudo, ou o primeiro conto que surgiu. “Era uma vez, numlugar muito distante daqui...”, assim começavam suas histórias, e é assim quepoderia ser contada a história dos Contos, de forma imprecisa do mesmo modo quesuas histórias iniciam.O Conto de Fadas tem origem Celta, surgiram de lendas e histórias contadas porpovos antigos, eram as histórias fabulosas. Era costume desses povos adultosreunirem-se para contar e ouvir histórias, e foram destes contos populares quesurgiram os Contos de Fadas e os Contos maravilhosos. Esses durante os séculosvêm evoluindo e sendo adaptados, fazendo com que cada vez mais despertem oimaginário infantil.BETTELHEIM (1980), afirma: “Através dos séculos (quando não dos milênios)durante os quais os contos de fadas, sendo recontados, foram-se tornando cada vezmais refinados, e passaram a transmitir ao mesmo tempo significados manifestos eencobertos... (p.14)”.E completa JUNG (apud GIGLIO, 1991): Os contos de fadas constituíram através dos séculos instrumentos para a expressão do pensamento mítico, perpetuando-se no tempo por desempenharem uma função psíquica importante relacionada ao processo da individualização: através deles toma-se consciência e vivenciam-se arquétipos do inconsciente coletivo (p. 15).
  20. 20. 19A passagem dos Contos adultos para uma temática totalmente infantil foi a partir doséculo XVII quando Charles Perrault publicou seus Contos em versões suavizadaspara crianças trazendo o novo ponto de vista da educação, a qual necessitava demateriais literários que transmitissem um modelo de comportamento para ascrianças, ou seja, lições morais. Pois a Pedagogia trazia os valores da burguesiasobre a imagem da família e da sociedade bem definidas com grande valorização docasamento. Como afirma Bettelheim “todos os conflitos humanos são encontrados eresolvidos através da fantasia.” (BETTELHEIM, 1980, p.7).2.2 Características e personagens dos Contos de FadasA principal característica dos Contos de Fadas é a presença das fadas, nome esteque provém do latim fatum que significa destino, fatalidade, isso quer dizer que afada é um espírito da natureza que interfere no destino dos personagens principaisda história. É um ser fantástico que se apresenta em forma feminina com grandebeleza e sempre dotada de poderes sobrenaturais e mágicos. Porém a presençadas fadas não é uma regra nos contos como afirma Abramovich (1997): Daí que haver numa história fadinhas atrapalhadas, bruxinhas que são boas ou gigantes comilões não significa – nem remotamente – que ela seja um conto de fadas... Muito pelo contrário. Tomar emprestado o nome das personagens-chave desses contos não faz com que essas histórias adquiram sua dimensão simbólica... A magia não está no fato de haver uma fada anunciada já no título, mas na sua forma de ação, de aparição, de comportamento, de abertura de portas... (p. 121).Os clássicos Contos de Fadas iniciavam sempre com uma marca de temporalidade:“Era uma vez...”, são narrativas desenvolvidas dentro de uma magia feérica, repletosde personagens como reis, rainhas, príncipes, princesas, bruxas, fadas, ogros,gigantes, objetos mágicos... Com presença ou não das fadas, geralmente tratam deheróis e heroínas que devem superar obstáculos até atingir a realização pessoal quemuitas vezes terminam em uma união entre homem e mulher. Para RADINO (2001): Todo conto inicia em um outro tempo e em outro lugar, e a criança sabe disso. Ao iniciar um “era uma vez”, a criança sabe que partirá em uma viagem fantástica e que dela retornará com um “e viveram felizes para sempre” ou expressões semelhantes. Esses rituais mostram que vamos tratar de fantasia e isso faz com que embarquem nessa viagem e se identifiquem com os personagens (p.135).
  21. 21. 20Eles também apresentam a constituição familiar convencionada pela sociedade, ouseja, pai, mãe, filhos, mesmo que em algumas ocasiões haja substituição porpadrasto e madrasta, como no caso de “Cinderela”, onde seu pai era viúvo e casou-se com uma viúva. Neste conto aparece uma menina frágil, submissa, que resiste aosofrimento calada e ao final é premiada através de um casamento com um jovem ebelo príncipe.O modo com que os contos resolvem os conflitos é que oferecem à criança umespaço que elas podem representar seus próprios conflitos interiores. Quando elatem o contato com essas histórias elas se projetam nos personagens, como dizCASHDAN (2000), “usando-os como repositórios psicológicos para elementoscontraditórios do eu” (p. 31).O prazer que temos quando nos permitimos ser aptos a um conto, e o encantamentoque sentimos vem das suas qualidades literárias. Eles não teriam impactopsicológico sobre as crianças se antes de tudo não fossem uma obra de arte.Os personagens principais na maior parte dos Contos de Fadas são: o protagonista,geralmente representado pela sua bondade que o leva a riqueza, poder e felicidade,o antagonista que é o vilão na maioria das vezes é uma madrasta ou bruxa e omediador mágico que são fadas, magos, anões que vivem em bosques, florestas eque interagem naturalmente e não envelhecem nunca.Não são personagens simplificados das histórias de hoje que despertam grandesidentificações entre eles e as crianças. Os personagens dos Contos têmcaracterísticas que provocam diversos sentimentos, pois não tem nome próprio,seus nomes estão ligados às características físicas e emocionais como: Branca deNeve (“por que sua pele é branca como a neve”), seus familiares não tem idadedefinida... Entre outras características que fazem com que qualquer pessoa dequalquer faixa etária se identifique com a história. Sobre este processo deidentificação AMARILHA (1997) diz-nos que: Através do processo de identificação com os personagens, a criança passa a viver o jogo ficcional projetando-se na trama da narrativa. Acrescenta-se à experiência o momento catártico, em que a identificação atinge o grau de
  22. 22. 21 elação emocional, concluindo de forma liberadora todo o processo de envolvimento. Portanto, o próprio jogo de ficção pode ser responsabilizado, parcialmente, pelo fascínio que (o conto de fadas) exerce sobre o receptor (p. 18).São uma mistura de lazer e aprendizado, a magia chegando perto da realidadeatravés do imaginário infantil, uma ligação de mundos que pode trazer grandesbenefícios e compreensões para a educação das crianças oferecendo novasdimensões a sua imaginação e mexendo com todos os tipos de convívios nasociedade, seja em família, ou na escola... Trazendo para si todas as formas deemoções que as histórias permitem transmitir. Considera-se “maravilhoso” todas assituações que ocorreram fora do nosso entendimento, é um dos elementos maisimportantes da literatura e, portanto também, dos Contos de Fadas.Os Contos de Fadas são eternos. Passam de geração pra geração, e se tornaramgrandes meios de transmissão de valores éticos e morais, mesmo nos tempos quevivemos com a degradação da família e a proliferação da violência eles continuamresistindo ao tempo, pois fazem parte da infância contribuindo bastante para aformação das crianças.Quando as histórias são trabalhadas em sala de aula as crianças vão seidentificando com os personagens e passam todos os conflitos, alegrias, medos etristezas para aqueles que vivem na história, passam então a se envolver de talforma e a viver e agir como se fossem um dos personagens.O professor tem em suas mãos o grande papel de propor ao aluno situações deaprendizagem para (re) construção do conhecimento, e é nessas aulas que acriança pode perceber que seus conflitos e medos passam a ser amenizadosquando a professora a faz refletir sobre eles. Isso pode fazer com que as suasrelações sociais se tornem melhores e menos conflitantes, além de incentivar oaluno ao aprendizado da leitura.2.3 Leitura e sua construção por meio da Literatura
  23. 23. 22A leitura desenvolve no indivíduo o senso crítico construtivo e criativo, dandocondições de interpretar e ampliar a visão de mundo. Permite assim, ao alunoconstruir seus conhecimentos sobre diferentes gêneros, como mostra Garcia: É através da leitura que o educando ampliará sua visão de mundo e suas interpretações da história ficará mais bem capacitado para o desempenho específico da parte que lhe cabe no coletivo da escola. Deve ser o educador o primeiro a buscar na leitura os caminhos para as soluções de muitos problemas existentes na escola... (1992, p.77)Vivemos numa sociedade gafocentrica, assim à leitura é dado um valor positivo, poisa mesma é considerada como portal de entrada no mundo do conhecimento parapossibilitar a ascensão social.No século XVIII, os mediadores do texto literário, sacerdotes e críticos, cederamespaço à figura do leitor - interprete, foram abertas infinitas possibilidades emsentido à leitura. A partir de essa premissa ler é sempre interpretar, e a leitura temuma dimensão social. Provoca, enriquece e encaminha à reflexão.A leitura dos Contos de Fadas incentiva a busca da identidade e sua interação coma realidade. Daí porque Bettelheim (1980) define o gênero como aquele que,enquanto diverte o pequeno, oferece esclarecimentos sobre ele mesmo,favorecendo o desenvolvimento da sua personalidade.O ensino da leitura está historicamente vinculado à escola. Para Coelho, “A literaturainfantil é, antes de tudo, literatura; ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade querepresenta o mundo, o homem, a vida, através da palavra. Funde os sonhos e a vidaprática, o imaginário e o real, os ideais e a sua possível/impossível realização”...(2000, p.27).A Literatura tem o poder de fazer a criança entrar no texto e viajar no mundo dafantasia. Nesse sentido a leitura pode ser vista, vivida, sentida, falada, ouvida econtada. “Daí o atual renascimento da fantasia, do imaginário, da magia, doocultismo... Na literatura para crianças e adultos, o mágico e o absurdo irrompem narotina cotidiana e fazem desaparecer os limites entre o real e o imaginário.”(COELHO. 2000. P. 26).
  24. 24. 23É necessário resgatar o poder da literatura infantil antes e durante o processo dealfabetização. A sala de aula precisa se transformar em uma ambiente dinâmico, ecapaz de promover de forma mais eficiente possível a aprendizagem da leitura.A leitura se constitui num instrumento enriquecedor de conhecimentos para o aluno,assim nos diz Silva (1981): Leitura é uma atividade essencial a qualquer área do conhecimento e mais essencial ainda à própria vida do ser humano. (O patrimônio simbólico do homem contém uma herança cultural registrada pela escrita. Estar com e no mundo pressupõe, então, atos de criação e re-criação direcionados a essa herança. A leitura, por ser uma via de acesso a essa herança, é uma das formas do homem se situar com o mundo de forma a dinamizá-lo.) (p. 42)Portanto, transpor esse abismo construindo uma nova forma de lidar com essaspráticas, aproximando-as das práticas sociais é o desafio de qualquer instituição,pois essa atitude exige renovação, persistência e mudanças.Assim, Silva (1985) nos afirma: “A leitura, se levada a efeito crítico e reflexivamente,levanta-se com um trabalho de combate à alienação (não-racionalidade), capaz defacilitar ao gênero humano a realização de sua plenitude (libertação)” (p. 22,23).Desse modo o momento da leitura não é apenas lazer, mas trás consigo um amplograu de informações. O incentivo da leitura as crianças ajuda no desenvolvimento daescrita e na compreensão do mundo, possibilitando uma formação pessoal e social.É preciso induzir as crianças a lerem por prazer. É através da leitura de obrasliterárias infantis que a criança aprende brincando em um mundo de emoções queirá despertar a curiosidade e produzir novas experiências. De acordo comAbramovich (1997): É ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranqüilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente tudo que as narrativas provocam em quem as ouve - com toda a amplitude, significância e verdade que cada uma delas faz (ou não) brotar... Pois é ouvir, sentir e enxergar com os olhos do imaginário (p. 17).
  25. 25. 24É importante ressaltar o quanto os alunos ficam maravilhados com as históriascontadas. As atividades de leitura precisam ser planejadas onde o professor atravésde uma ação significativa proporcione o encontro dos educandos com o mundo daleitura e escrita de forma lúdica e consciente levando-os a perceber e questionar omundo em que estão inseridos. Garcia (2003) nos diz que: Organizar o ensino da leitura e escrita procurando criar condições para a apropriação da linguagem escrita como instrumento de compreensão e intervenção da realidade implica... possibilitar vivencias com a leitura e a escrita que tenha relevância e significado para ávida da criança algo que se torne uma necessidade para ela e que lhe permita refletir sobre sua realidade e compreende-la (p. 94).Assim, é preciso que o professor esteja preparado para desenvolver atividades deleitura, que esteja dedicado e comprometido com a educação. O ato de ensinar deveser algo transformador que possibilite aos educandos não apenas o ler e o escrevercorretamente, mas torná-los críticos e criativos, capazes de questionar a realidadeinteragindo ativamente em seu meio social.2.4 Educação Infantil: Alicerce do processo educativoA Educação Infantil representa hoje o alicerce no desenvolvimento ao processoeducativo e o seu papel vai além do assistencialismo para trabalhar as estruturascognitivas da criança que desde a primeira infância deve ser estimulada a viverexperiências diversas voltadas às aprendizagens que ocorrem por meio de umaintervenção direta exercendo grande influência no desenvolvimento da criança. E étambém o espaço em que a criança entra em contato propriamente dito com aLiteratura como instrumento auxiliador no processo de aprendizagem, como reforçaAGUIAR (2001): “(...) devemos admitir que o primeiro encontro da criança brasileiracom a produção literária é quase sempre, na esfera escolar, por isso preocuparmosem oferecer subsídios aos educadores que atentam para a singularidade desseproduto cultural” (p. 158).A educação Infantil recebeu uma grande contribuição de ROUSSEAU (1712-1772),com suas idéias que muito influenciaram na educação da modernidade. SegundoLUZURIAGA (1990) foi ROUSSEAU quem centralizou a questão da infância na
  26. 26. 25educação, tratando a criança não mais como homem pequeno, mas que ela viva emum mundo próprio cabendo ao adulto compreendê-la: Procuram sempre o homem no menino, sem cuidar no que ele é antes de ser homem. Cumpre, pois estudar o menino. “Não se conhece a infância; com as falsas idéias que se tem dela, quanto mais longe vão mais se extraviam”. “A infância tem maneiras de ver de pensar de sentir, que lhes são próprias”. (RAUSSEAU apud LUZURIAGA, 1990. p. 106).Essa forma de ver a infância teve no século XX, houve interesses psicológicos epreocupações morais em prol das crianças como seres destinados à escola.KRAMER (1992), diz que: “Foi criada a primeira creche popular para filhos deoperários; 1909, inaugurando o jardim de infância campos Salles no Rio de Janeiro.Em 1919, o departamento da criança do Brasil e 1920 foi reconhecido como utilidadepública” (p. 49).Conforme KRAMER (1992) começa então a surgir educadores que com suas ideaispassam a interferir e acrescentar nestas instituições. São eles: FROEBEL,MONTESSORI, DEWEY, PIAGET e outros. Com o passar do tempo alguns jardinsde infância passam a ver a criança não mais como um “adulto em miniatura”, mascomo um ser em desenvolvimento.TUNES (2006) fala sobre a LDB: Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em 1996, a educação até os 6 anos ficou definida como a primeira etapa da Educação Básica. A Educação Infantil passou a ser dividida assim: creche – para crianças até 3 anos – e pré-escola de 4 a 6 anos. Essa divisão foi alterada em maio passado, com a sanção presidencial à Lei federal nº. 11.114, que define que as crianças com 6 anos completos devem ser matriculadas no 1º ano do Ensino Fundamental. Dessa forma a Educação Infantil passou a atender crianças até 5 anos de idade (p. 06).A Educação Infantil é a primeira etapa do processo de escolarização da criança, erequer uma atenção especial de todos os que estão envolvidos nesta fase que acriança faz as primeiras descobertas e vive experiências que contribuem para o seudesenvolvimento psicossocial. Este período é ideal para a criança adquirir a maiorquantidade possível de experiências nessas áreas para seu completodesenvolvimento. Segundo a afirmação:
  27. 27. 26 A pré-escola serve para propiciar o desenvolvimento infantil, considerando os conhecimentos e valores culturais que as crianças já têm e progressivamente, garantindo a ampliação dos conhecimentos, de forma a possibilitar a construção da autonomia (...). Contribuindo, portanto, para a formação da cidadania (KRAMER, 1994).A escola e professores devem levar em conta que as crianças estão expostas aexperiências interessantes quanto à literatura em seu cotidiano, isso resulta numamelhor compreensão do mundo natural e social no qual estão inseridas, para queisso seja possível elas devem ser induzidas a desenvolver o gosto pela leitura, tendocomo principal função propiciar o encontro entre criança e livro de forma prazerosa.É nesta fase de Educação Infantil que a criança passa pelo seu processo dealfabetização que se inicia desde o primeiro ano na escola até o fim da EducaçãoInfantil, e é nesta fase que a Literatura Infantil pode ser inserida neste processo. Aoentrar em contato com esse mundo cheio de fantasia, a criança sente a necessidadede não apenas manusear os livros e ver suas figuras, pois percebe que desvendaraquilo que está escrito é muito mais fantástico e real, essa curiosidade faz com queessas histórias tornem-se um importante instrumento pedagógico.2.5 Prática Docente na Educação InfantilConsidera-se necessário que a prática educativa do professor seja criativa, capaz decompreender e desenvolver sua ação dentro de um contexto social, buscando açõesconscientes e significativas.A prática docente é uma atividade orientada com o objetivo de aplicar situações deensino aprendizagem, e garantir aos sujeitos além de conteúdos programáticos,bens históricos, culturais e sociais, uma postura reflexiva, crítica e criadora no seumeio social. A escola é, portanto, o espaço social com a função de possibilitar aoeducando a apropriação desses conhecimentos e reflexões.O trabalho dos professores de Educação Infantil exige conhecimentos específicosque estão entre cuidados e educação, inseridos em sua prática pedagógica docenteressaltando o desenvolvimento cognitivo e social da criança, podemos perceber issono Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (1998):
  28. 28. 27 [...] que ao professor cabe trabalhar com conteúdos de naturezas diversas que abrangem desde cuidados básicos essenciais até conhecimentos específicos provenientes das diversas áreas do conhecimento. Este caráter polivalente demanda, por sua vez, uma formação bastante ampla do profissional que deve tornar-se, ele também, um aprendiz, refletindo constantemente sobre sua prática, debatendo com seus pares, dialogando com as famílias e a comunidade e buscando informações necessárias para o trabalho que desenvolve. São instrumentos essenciais para a reflexão sobre a prática direta com as crianças a observação, o registro, o planejamento e a avaliação (p. 41).É preciso ter a prática docente como elemento norteador da escola, pois é uma açãodesempenhada utilizando além de conteúdos programáticos, um conhecimentoprévio do aluno e a realidade em que está inserido. Dando relevância a seu modo devida e estrutura familiar.O professor hoje atua como mediador e não como depositante como em temposanteriores, e com isso ele precisa antes de tudo, de ter um pensamento crítico dosconhecimentos que adquire para que possa passá-lo adiante, em palavras deOstetto (2001): O agir pedagógico deve atender as reais necessidades das crianças, deve ser criativo, flexível, atendendo a individualidade e ao coletivo. Será o eixo organizador da aquisição e da construção do conhecimento, a fim de que a criança passe de um patamar a outro na construção de sua aprendizagem. (p. 26)É preciso perceber a carga que os alunos já trazem para sala de aula como umponto inicial do planejamento de ensino, apesar de essa prática muitas vezes serignorada por professores e muitas vezes por não ser compreendida. Como dizBasso (1998): "[...] o trabalho alienado descaracteriza toda e qualquer práticapedagógica exercida por esse professor na escola." (p.27).Em palavras de Zabala (1998) podemos concluir que significado de prática docentemudou bastante e deixou de ser uma mera ação que vem da experiência prática doexercício do magistério, hoje é desenvolvida como uma prática consciente querequer habilidades, saberes e formação docente. A formação também servirá de estímulo crítico ao constatar as enormes contradições da profissão e ao tentar trazer elementos para superar as situações perpetuadoras que se arrastam há tanto tempo: a alienação profissional – por estar sujeitos a pessoas que não participam da ação
  29. 29. 28 profissional - as condições de trabalho, a estruturas hierárquicas etc. E isso implica mediante a ruptura de tradições, inércia e ideologias impostas, formar o professor na mudança e para a mudança por meio do desenvolvimento de capacidades reflexivas em grupo, e abrir caminho para uma verdadeira autonomia profissional compartilhada, já que a profissão docente deve compartilhar o conhecimento com o contexto. (Imbernòn, 2002, p. 15)Assim também Severino (2002) confirma que a universidade tem percebido a práticadocente e criado e conceituado os conteúdos, fazendo então necessário acapacitação do docente, para que em sua prática saiba compreender o universosocial e cultural dos seus educandos desvendando os desafios de produzir saber emsala de aula.Sabemos que a prática ligada a Literatura de modo geral tem um papel importanteno desenvolvimento da leitura, por meio dela é que os educandos entram emcontato com os Contos de Fadas e com todas as outras formas de Literatura. Pormeio desta prática na Educação Infantil é que as crianças vão iniciar o contato comas histórias e com o livro. A prática da leitura e contação são incorporadas à rotinaescolar com facilidade principalmente nesta fase escolar, pois ela mistura lazer comaprendizado, podemos perceber isso no Referencial Curricular Nacional EducaçãoInfantil (1998): (...) os professores deverão organizar a sua prática de forma a promover em seus alunos: o interesse pela leitura de histórias; a familiaridade com a escrita por meio da participação em situações de contato cotidiano com livros, revistas, histórias em quadrinhos; escutar textos lidos, apreciando a leitura feita pelo professor; escolher os livros para ler e apreciar. Isto se fará possível trabalhando conteúdos que privilegiem a participação dos alunos em situações de leitura de diferentes gêneros feita pelos adultos, como contos, poemas, parlendas, trava-línguas, etc. propiciar momentos de reconto de histórias conhecidas com aproximação às características da história original no que se refere à descrição de personagens, cenários e objetos, com ou sem a ajuda do professor. (p. 117-159)É importante que o educador dê o devido valor à Literatura Infantil, pois como afirmaMeireles (1990, p. 31): “a Literatura Infantil não é como tantos supõem umpassatempo. É uma nutrição.” Portanto, a prática da leitura em sala de aula éimportante, pois a criança vai descobrir o prazer de ler inicialmente depois que tivero prazer de ouvir estas histórias.
  30. 30. 29 CAPITULO III PROCEDIMENTOS METODOLOGICOSA pesquisa é fruto de uma inquietação, dúvida, incerteza, decorrente da busca dopesquisador em delimitar um problema, em descobrir algo. Segundo JAPIASSU(1983): “nosso conhecimento nasce na dúvida e se alimenta das incertezas” (p. 14).Em todo ato de pesquisa faz-se necessário contextualizar a realidade na qual estáinserida a população alvo da pesquisa, o que nos permitirá uma visão maisabrangente da problemática e das relações múltiplas que se estabelecem sobredeterminada realidade. Na perspectiva de DEMO (1999), pesquisa significa: “(...)diálogo crítico e criativo com a realidade, culminando na elaboração própria e nacapacidade de interação. Em tese a pesquisa é atitude do “aprender a apreender” ecomo tal faz parte de todo processo educativo” (p. 128).Na busca de conhecer o trabalho dos professores de Educação Infantil da escolaCentro de Educação Sementinha do Futuro adotamos a seguinte metodologia.3.1 Tipo de PesquisaUtilizaremos a abordagem de pesquisa qualitativa por ser o melhor caminho a seseguir nesse processo de descoberta, justificada pelo fato de que ela responde deforma discreta a liberdade do pesquisando permitindo envolvimento ou inserçãopessoal, intelectual ou social e também por compreender que a mesma utiliza umaabordagem sociológica para discutir tanto o comportamento como valores,expectativas e concepções. Este tipo de pesquisa permite o contato direto entre opesquisador, o ambiente e a situação investigada, através do trabalho de campo,proporcionando um relacionamento mais longo e flexível entre o pesquisador e oobjeto pesquisado, criando um vínculo entre o mundo objetivo e a subjetividade dosujeito. Assim LUDKE (1986), “(...) a pesquisa qualitativa supõe o contato direto eprolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que sendo investigada, viade regra através do trabalho intenso de campo.” (p.11).E DESLANDES (1994) completa:
  31. 31. 30 A pesquisa qualitativa responde a questões particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser o universo de significados, motivos aspirações, crenças, valores e atitudes que correspondem a um espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos a operacionalização de variáveis (p. 21).A pesquisa qualitativa é importante para este trabalho, pois permite um contato maisdireto e prolongado com os sujeitos e o ambiente pesquisados e, portanto nos dáoportunidade de investigar os relatos dados pelos sujeitos obtendo dados descritivosno contato direto com os mesmos.3.2 Sujeitos da PesquisaOs sujeitos envolvidos na investigação são as cinco professoras de EducaçãoInfantil da Escola Centro de Educação Sementinha do Futuro. Escolhi as cincoprofessoras por optar trabalhar apenas com o turno vespertino.3.3 Lócus da PesquisaO lócus tem fundamental importância para a pesquisa, pois leva o pesquisador arefletir sobre o seu problema, interações e questionamentos dessa experiência,abrindo espaço para a investigação. Diante disso TRIVIÑOS (1987) nos diz que:“Ambos os tipos de pesquisa, a com base fenomenológica e a com fundamentosmaterialistas e dialéticos, ressaltam a importância do ambiente na configuração dapersonalidade, problemas e situações de existência do sujeito (p. 128).Portanto a instituição onde o projeto será desenvolvido é a escola Centro deEducação Sementinha do Futuro, situada à Rua Acesso 04, 01, no bairro de CasasPopulares, na cidade de Senhor do Bonfim-BA. A referida escola é particular efunciona nos turnos matutino e vespertino, atualmente tem um corpo docenteformado por nove professores, oferecendo cursos de Maternalzinho, Maternal, Pré-escola I e Pré-escola II, com 40 alunos no turno matutino e Maternalzinho, Maternal,1º ano (3º período) e 2º ano do Ensino Fundamental, com 43 alunos no turnovespertino.
  32. 32. 313.4 Instrumentos de Coleta de DadosNesta pesquisa será utilizada a observação participante, o questionário fechado e oquestionário aberto com o intuito de envolver os alunos na investigação. Como dizDESLANDES (1994): “Esse questionamento é que nos permite ultrapassar a simplesdescoberta para através da criatividade produzir conhecimentos” (p. 52).3.4.1 Observação ParticipanteA observação participante é uma fase exploratória e essencial para odesenvolvimento da pesquisa. É um dos instrumentos de pesquisa mais utilizados,pois nos permite chegar mais perto dos sujeitos, a partir dessa análise do espaço,dos alunos, dos professores e com a proximidade dos mesmos é que podemosperceber a fundo o contato do sujeito com a questão que está sendo pesquisada.Como afirma Ludke e André (1986): O pesquisador pode ter acesso a uma gama variada de informações, até mesmo confidências, pedindo cooperação ao grupo. Contudo terá em geral que aceitar o controle do grupo sobre o que será ou não tornado público pela pesquisa (p. 29).A observação participante também tem vantagens em relação a outros instrumentos,pois propõe a interação com o grupo e as respostas às suas indagaçõesdependerão muito do seu comportamento e da sua relação com o grupo, que podeser melhor se o pesquisador mostrar-se diferente dos mesmos, na perspectiva deLudke e André (1986): Nesse papel ele pode desenvolver a sua atividade deobservação sem ser visto, ficando por detrás de uma parede espelhada, ou podeestar na presença do grupo sem estabelecer relações interpessoais (p. 29).Este instrumento traz um contato maior com o sujeito de pesquisa permitindo que opesquisador participe do grupo, o que o torna muito importante para a pesquisa. Aobservação participante traz o pesquisador ao convívio com o sujeito possibilitandoa vivência de experiências onde o ele poderá acompanhar e compreender o dia-a-dia do sujeito, permitindo então uma visão maior do real, segundo a afirmação deMarconi e Lakatos (1996):
  33. 33. 32 [...] consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo, Ele se incorpora ao grupo, confunde-se com ele. Fica tão próximo quanto um membro do grupo que está estudando e participa das agrupo, fazer os indivíduos compreenderam a importância da investigação, sem ocultar o seu objetivo ou sua missão (p. 68).A observação é um instrumento importante na nossa pesquisa por nos permitir umcontato pessoal com os sujeitos e o lócus pesquisados, nos proporcionandoacompanhar o dia-a-dia dos sujeitos e com isso comparar experiências com osrelatos obtidos nos questionários.3.4.2 Questionário FechadoO questionário fechado é o método mais adequado para traçarmos o perfil sócioeconômico dos sujeitos pesquisados. Marconi e Lakatos (1996, p.88) definem oquestionário como “... um instrumento de coleta de dados, constituído por uma sérieordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presençade entrevistados”.O questionário deve ser direto e fácil de responder, ou seja, as questões devem serde fácil compreensão, assegurando que assim eles devem ser respondidosrapidamente e sem dificuldades, assegurando também o anonimato do sujeitopesquisado.Portanto o questionário fechado é o meio mais rápido para obter informações sobreo sujeito, traçando então o seu perfil de forma organizada e objetiva. O questionáriofechado é um instrumento relevante para a nossa pesquisa pela rapidez e facilidadedas repostas, podendo então traçar um perfil detalhado do sujeito.3.4.3 Questionário AbertoOutro instrumento a ser utilizado é o questionário-aberto, por enriquecer asinformações, pois possibilita que o sujeito exponha suas idéias de forma evidente.MARCONI e LAKATOS (1996, p.88) definem o questionário como “... uminstrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas,
  34. 34. 33que devem ser respondidas por escrito e sem a presença de entrevistados”. Ecompleta GRESSLER (1989): [...] uma série de perguntas organizadas, com o objetivo de levantar dados para uma pesquisa, cujas respostas são formuladas pelo informante ou pesquisadas sem a assistência direta ou orientação do investigador. Todas as questões do questionário são pré-elaboradas e as respostas são dadas por escrito (p.58).O questionário dá maior liberdade ao sujeito ao expressar suas opiniões sobre otema em questão, permite que ele tenha tempo para refletir sobre o que vairesponder, além de dar maior liberdade de resposta devido ao anonimato exigido.O questionário aberto é um instrumento muito importante para a nossa pesquisa porrecolher informações com facilidade, relatos mais precisos e reais, permitindo que ossujeitos expressem suas idéias de forma livre e com isso podemos construirreflexões sobre a questão de estudo.
  35. 35. 34 CAPITULO IV ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOSApresentaremos neste capítulo a análise e interpretação de dados com o intuito dealcançarmos o objetivo principal desta pesquisa que é perceber a opinião daseducadoras sobre a utilização dos Contos na sala de aula e se elas reconhecem seos Contos podem colaborar na formação do educando como leitor.Portanto, este capítulo constitui uma leitura dos dados: observação e questionários.É preciso ressaltar que estas análises aqui apresentadas representam nossasinterpretações e não uma realidade única e imutável.4.1 Perfis dos sujeitosOs sujeitos envolvidos na investigação são cinco professoras de Educação Infantilda escola Centro de Educação Sementinha do Futuro que lecionam no turnovespertino. Para traçar o perfil dos sujeitos utilizaremos gráficos com porcentagens.4.1.1 GêneroGráfico 4.1.1 Percentual quanto ao gênero dos sujeitos.Conforme o gráfico acima com a análise dos sujeitos observados, percebemos que100% dos educadores são do sexo feminino, o que mostra que a presença femininatem grande espaço na área educacional como aponta Kramer (1992):
  36. 36. 35 O gênero como constitutivo das relações sociais e apontando marcas de uma socialização orientada por modelos de papéis sexuais dicotomizados e diferenciados, em que a socialização feminina tem como eixos o trabalho doméstico e a maternagem (p. 125).E completa Silva (2002): “A feminilização do magistério ocorreu com a luta dasmulheres, para se estabelecerem profissionalmente, configurando um nicho nomercado de trabalho ocupado por mulheres” (p. 45). Essa predominância do sexofeminino na educação e principalmente na Educação Infantil vem ao longo do tempoperpetuando-se essa concepção de que as mulheres seriam as responsáveis pelaformação das crianças.4.1.2 Nível de formaçãoGráfico 4.1.2 Percentual quanto ao nível de formação dos sujeitos.Quanto ao nível de formação podemos observar no gráfico acima que 20% dasprofessoras possuem Ensino Médio completo entre elas uma possui o curso deMagistério e a outra o Ensino Médio básico, 20% delas possuem Ensino Superiorcompleto o qual corresponde ao curso de Geografia e 60% das professoraspossuem Ensino Superior Incompleto as quais cursam graduação em Pedagogia.Percebemos que a maior parte dos professores de Educação Infantil vem buscandoaperfeiçoamento na profissão buscando conhecimentos numa formação adequadapara a função exercida, procurando se adequar às exigências legais da lei deDiretrizes e Bases – LDB, portanto conforme o artigo 62 assim fica determinado:
  37. 37. 36 A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. (BRASIL, 1996)4.1.3 Carga horária de trabalhoGráfico 4.1.3 Percentual quanto à carga-horária de trabalho.A partir da análise deste gráfico, podemos perceber que a carga-horária de trabalhodos sujeitos está entre 20 e 40 horas semanal. Apenas uma das que trabalham 20horas tem outro trabalho no turno matutino. Entendemos que a carga horária menorde trabalho faz com que este profissional desempenhe melhor o seu trabalho, poispossibilita tempo para planejar suas atividades, porém a precarização do trabalhodocente faz com que eles tenham necessidade de ter outras atividades paracomplementar sua remuneração.4.1.4 Faixa etáriaGráfico 4.1.4 Percentual quanto à faixa etária.
  38. 38. 37De acordo com o gráfico acima a faixa etária das professoras está em 60% entre 26a 35 anos, e 40% está entre 19 a 25 anos. Este resultado mostra que a maior partedos professores é jovem e isso estabelece uma ligação com o nível de formaçãouma vez que 60% estão cursando o nível superior.4.1.5 Renda mensalGráfico 4.1.5 Percentual quanto à renda mensal dos sujeitos.De acordo com as informações obtidas e representadas no gráfico, identificamosque 100% das professoras têm renda mensal de um salário mínimo. A renda mensaldas professoras é muito baixa principalmente por ser uma escola de pequeno porte.Segundo Libâneo (2004): O professorado diante das novas realidades e da complexidade de saberes envolvidos presentemente na sua formação profissional, precisaria de formação teórica mais aprofundada (...) além, obviamente, da indispensável correção dos salários, nas condições de trabalho e de exercício profissional (p. 77).Embora exista um piso salarial determinado pelo Ministério da Educação muitasescolas não o seguem, e a escola pesquisada justifica-se por ser uma escola depequeno porte, o valor arrecadado pelas mensalidades não é suficiente para cobrir osalário determinado. Percebemos então a importância da busca por capacitação doprofissional em educação e com isso podendo então desempenhar um papelsignificativo no desenvolvimento dos educandos.4.2 Contando e analisando: o que dizem as professoras
  39. 39. 38Analisando o questionário aberto podemos perceber o significado que asprofessoras dão aos Contos de Fadas e o que eles representam na formação doaluno quanto leitor. Para que preservemos a identidade do professor utilizaremoscódigos de identificação dos sujeitos como: P1, P2 (...) P5.4.2.1 O contato com os ouvintesPor se tratarem de professoras de Educação Infantil e por trabalhar com cincoprofessoras o primeiro passo foi identificar em que turma, ou com qual faixa etáriacada uma delas trabalha.Entre as professoras estão uma professora de Maternal, que trabalha com criançasentre dois e três anos, duas professoras de Pré-escola I, que são crianças comquatro anos e duas professoras de Pré-escola II, que trabalha com crianças de cincoanos.4.2.2 O que é Literatura Infantil?Perguntamos às professoras o que é Literatura Infantil para elas, a maioria foramrespostas simplificadas, sem muitos significados. Ao analisarmos suas respostascompreendemos o significado que elas dão à Literatura Infantil e com isso jábuscamos perceber um pouco da importância que tem para cada uma delas.“São histórias para crianças.” (P1)“É literatura para crianças.” (P2)Percebemos nas respostas acima uma simplificação grande do que é LiteraturaInfantil, podemos também comparar nos questionários que uma das professoras fazparte dos 20% das professoras que possuem Ensino Médio e a outra faz parte dos20% que possuem Ensino Superior completo o qual corresponde ao curso deGeografia. É provável que a resposta seja referente à falta de conhecimento(formação adequada) sobre o assunto.
  40. 40. 39“É a literatura voltada para a criança, com uma linguagem voltada para o públicoinfantil.” (P4)“É onde a criança interage, cria, imagina, compreende o mundo, são estimuladas acriar e até mesmo se colocar no lugar dos personagens das histórias dos contos.”(P5)Podemos perceber nas respostas de P3, P4 e P5 um aprofundamento e váriossignificados e finalidades atribuídos à Literatura Infantil como afirma Dinorah (1995):“O livro é aquele brinquedo, por incrível que pareça que, entre um mistério e umsegredo, põe idéias na cabeça” (p. 15). Portanto a Literatura Infantil é mais quehistórias contadas para crianças, ela pode ser um mundo de imaginação e prazer nocotidiano infantil despertando o gosto pela leitura, acreditamos que a simplificaçãodas respostas vem da falta de formação das educadoras, percebemos ao analisar ográfico 4.1.2 que 60% delas ainda estão em processo de formação no curso dePedagogia.4.2.3 Num lugar tão distante ainda existe o gosto pela LeituraNos relatos sobre a questão: Você gosta de ler? Percebemos que o gostar de leituraabrange 100% das professoras todas gostam de ler, mas algumas justificam a faltade leitura pela fatal de oportunidade, de tempo e afirmam que não costumam lerhabitualmente.“Gosto, mas não leio muito.” (P1)“Às vezes, não tenho muito tempo.” (P2)“Gosto.” (P5)As opiniões expressas em cada discurso mostram, de várias formas, que a chamadaa leitura por prazer no cotidiano do professor fora da sala de aula quase não ocorre.“Sim, a leitura para mim abre portas, mundos... e com isso podemos viajar evivenciar situações apenas com uma boa leitura”. (P4)Neste sentido Coelho (2000) afirma:
  41. 41. 40 Chega-se à conclusão de que o professor precisa estar “sintonizado” com as transformações do momento presente e reorganizar seu próprio conhecimento ou consciência de mundo, orientado em três direções principais: da literatura (como leitor atento), da realidade social que o cerca... e da docência (como profissional competente)”. (p. 18)A resposta de P4 mostra uma leitura por prazer, com isso percebemos que aprofessora tem um hábito de ler sempre e essa forma de gostar de ler possivelmenteé transmitida em sala de aula.4.2.4 Quem conta um conto aumenta... muitos pontosDe modo geral ler e contar histórias na sala de aula é fundamental para muitasquestões, a Literatura Infantil, além de fazer viajar, se emocionar, se encontrar...forma e informa. E neste sentido, para Abramovich (1997): [...] é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias... Escutá-las é o início de aprendizagem para ser um leitor, e ser um leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo... (p. 16)As idéias expressas pelas professoras e a observação que foi feita nas salas de aulamostram que a Literatura Infantil está presente no cotidiano escolar das turmas emque lecionam.“Sim, eles gostam muito de ouvir histórias.” (P1)“Sim, as histórias prendem a atenção deles.” (P2)“Sim, eles adoram ouvir histórias”. (P4)“Leio, sempre, na hora das atividades.” (P5)Notamos que o motivo maior das professoras contarem histórias na sala de aula é ofator das crianças gostarem de ouvi-las, isso mostra que em meio a um mundotecnológico e extremamente informatizado, o gosto por ouvir histórias, contos aindasobrevive a tais mudanças no contexto humano e principalmente infantil.Em palavras de Garcia (1992) vimos anteriormente que é o professor que devebuscar caminhos para o aprendizado da leitura desenvolvendo senso crítico ecriativo. O fato dessas professoras já fazerem o uso das histórias e dos Contos de
  42. 42. 41Fadas já mostra que elas têm compreensão de que eles fazem parte do universoinfantil e que podem trazer benefícios na educação dos seus alunos.4.2.5 E quem quiser que conte outra (o)...Acerca do tipo de Literatura Infantil que elas utilizam com maior freqüência na salade aula as respostas foram em 100% a mesma:“Conto de Fadas” (P1)“Contos Clássicos, modernos e fábulas” (P3)“Os Contos de Fadas” (P5)Os contos estão envolvidos na magia, na fantasia e misturam o lazer e oaprendizado. Em palavras de Abramovich (1997): Por quê? Porque os contos de fadas estão envolvidos no maravilhoso, um universo que denota fantasia, partindo sempre duma situação real, concreta, lidando com emoções que qualquer criança já viveu... Porque se passam num lugar que é apenas esboçado, fora dos limites do tempo e do espaço, mas onde qualquer um pode caminhar... (...) Porque todo esse processo é vivido através da fantasia, do imaginário, com intervenção de entidades fantásticas (bruxas, fadas, duendes, animais falantes, plantas sábias...). (p. 120)A forma com que os Contos desenrolam os seus conflitos é que mostra à criança umespaço para que elas representem e encontrem formas de resolver seus conflitosinteriores. Respondendo a pergunta se elas trabalham com Contos Clássicos temosas seguintes respostas:“Sim, porque elas gostam.” (P1)“Sim, porque são histórias que elas mais gostam.” (P2)“Também. Por que meus alunos gostam e eu também além de despertar a fantasiae imaginação.” (P3)“Sim, porque é a literatura que mais encanta.” (P4)“Sim, acho que é o momento de interação das crianças, onde elas vivem no seumundo imaginário.” (P5)
  43. 43. 42As respostas mostram o interesse do aluno de Educação Infantil pelos Contos deFadas, e que o encantamento que essas histórias proporcionam é que faz elasquererem sempre ouvir mais histórias, podemos perceber esta realidade nomomento da observação participante, observamos a euforia das crianças nomomento das histórias e vimos que alguns até mesmo pedem que a históriapreferida seja contada, mesmo que seja pela 5ª vez.4.2.6 Pela estrada a fora encantando com um capuz vermelhoPerguntamos às professoras qual a história que prende mais a atenção dos seusalunos e a resposta foi única:“Chapeuzinho Vermelho” (P1)“Chapeuzinho Vermelho e Os três porquinhos” (P2)“Festa no céu e os três porquinhos” (P3)“Chapeuzinho Vermelho” (P5)Vimos durante a observação direta também, que elas pedem as histórias que maisgostam e percebemos que estão entre os Contos de Fadas e geralmente pedem amesma história por várias vezes. Preferem histórias em que o professor faça umsuspense e que algo de misterioso aconteça.As crianças gostam do que é mágico e irreal, como quando a vovó da Chapeuzinhoé engolida pelo Lobo e no final ressurge saindo então da barriga dele, com isso elaacredita que ao final de situações difíceis tudo acaba bem. Essa característica dosContos de Fadas em que tudo no final tem uma solução boa e fácil para quem é “dobem”, é que traz o encantamento fazendo com que elas se identifiquem com ahistória e com isso buscar o conhecimento de forma lúdica e prazerosa.4.2.7 E pra formar leitores precisa de capuz vermelho?Quando perguntamos se elas acreditam que os contos de fadas podem ajudar noprocesso de formação do leitor na Educação Infantil, as respostas foram positivas:
  44. 44. 43“Os livros fazem elas terem curiosidade de ler.” (P1)“Acho que sim, por que o livro, as figuras coloridas, e a forma com que se lê, fazemelas terem a curiosidade de aprender a ler.” (P2)“Sim, por que através das histórias a criança vai sendo despertada para o gosto pelaleitura e pela curiosidade de ler outras histórias.” (P3)“Sim, por que o conto é a primeira forma de literatura que as crianças têm contato epor ser prazerosa faz com que a criança tenha vontade de aprender a ler.” (P4)“Acredito. As histórias também ajudam a formar a personalidade das pessoas.” (P5)A Literatura é o que garante o prazer da leitura, ou seja, a leitura por prazer.Segundo Cunha (1995, p. 47): “(...) a leitura é uma forma altamente ativa de lazer”.Como diz a professora P4 os Contos estão presentes na vida da criança, muitasvezes, desde o berço, e o poder que eles têm de encantar junto com a mediação doprofessor, pode incentivar o aluno ao aprendizado da leitura.As professoras em questão afirmam que os Contos podem sim incentivar os seusalunos a aprenderem a ler, isso revela que elas acreditam no poder das históriasinfantis, em que o despertar de emoções pode trazer a leitura, a linguagem paramais perto da criança e que isso pode influenciar na formação do seu aluno quantoleitor.4.2.8 Contando... qual a sua maneira?Ao analisarmos as respostas sobre de que maneira elas utilizam os contos na salade aula, percebemos que a contação é o modo mais utilizado pelas professoras:“Utilizo contando as histórias ou lendo nos próprios livros.” (P1)“Contando as histórias da minha maneira ou leio nos livrinhos.” (P2)“É utilizada com as atividades, dependendo do conteúdo.” (P3)“Contando as histórias, lendo livrinhos. Às vezes eu escolho a história, mas às vezesmesmo já tendo escolhido, tenho que contar outra, pois eles pedem alguma históriaque mais gostam.” (P4)
  45. 45. 44Na observação participante podemos observar também essas afirmações, vimosprofessoras contando histórias dos Contos de Fadas, principalmente, contando comsuas palavras, com seu jeito, da sua maneira, muitas vezes com a participação dosalunos, percebemos a ansiedade quando a professora dizia que ia contar umahistória e como diz a P4, também ouvimos os pedidos que eles fazem acerca dahistória que querem ouvir muitas vezes uma história que já foi contada outras vezes,mas que mesmo assim ainda traz emoções.4.2.9 O que precisa usar pra contar?Acerca de materiais ou recursos que podem ser utilizados para contar essashistórias perguntamos: Você utiliza algum recurso para contar as histórias? Qual?Notamos que a escola possui alguns recursos para ajudar as professoras como oslivros, os fantoches e muito material para criar seus próprios recursos.“Às vezes, utilizo fantoches ou livros.” (P1)“Sim, fantoches, objetos, livros.” (P2)“Fantoche, avental, dramatização. Rodinha.” (P3)“Sim. Utilizo objetos, fantoches, fantoches confeccionados, brinquedos...” (P4)Com a nossa observação participante podemos ver várias situações de leitura econtação de histórias, achamos muito interessante a forma de contar de cada uma,com os fantoches, em algumas situações confeccionando material, assim comotambém improvisando com brinquedos e até mesmo com materiais do uso dacriança, como, por exemplo, as borrachas como João e Maria e a cola como bruxamá, momentos de lazer e aprendizado andando juntos.4.2.10 Tem hora certa pra contar?Ouvimos muito falar sobre “a hora do conto”, muitas escolas adotam esteprocedimento determinando na rotina semanal o dia e a hora certa para contarhistórias. Então perguntamos se as professoras têm dia e hora específica paracontar histórias e quantas vezes na semana elas o fazem.
  46. 46. 45“Não tenho dia específico, conto quando sinto vontade de contar. Não tenhoquantidade de vezes durante a semana.” (P1)“Não, às vezes 1, 2 ou 3 vezes na semana.” (P2)“Sim, todos os dias após o recreio e na rotina com o conteúdo.” (P3)“Toda sexta-feira eu conto uma história, mas às vezes conto outros dias da semana,quando tem tempo livre.” (P4)“Não, acho que uma vez na semana.” (P5)Percebemos nos relatos que a maioria delas não tem um tempo determinado paracontar histórias, o momento é aquele que elas julgam ser oportunos para a utilizaçãodas histórias na sala de aula e quanto à quantidade de vezes em que contamhistórias percebemos que na maioria dos relatos as professoras dizem quetrabalham regularmente (mais de uma vez na semana), “Ao ler uma história acriança também desenvolve todo o potencial crítico. (...) Mas fazendo parte da rotinaescolar, sendo sistemático, sempre presente... (ABRAMOVICH, 1997, p. 173),percebemos também na observação direta os momentos de contação e leitura dehistórias, além da alegria, euforia e encanto das crianças.4.2.11 Sobre Projetos de leituraNão temos dúvida quanto à importância de que a Literatura Infantil e os Contos deFadas têm relevância no processo de formação da criança, ampliandoconhecimentos e estimulando o processo de formação de leitores.O educador deve saber o quanto é importante sua prática e ação em sala de aula,sua mediação motivará ou não a criança à prática da leitura. Segundo ZILBERMAN,“(...) Para se alcançar o estímulo à leitura, é preciso que esta disciplina estabeleçaquais metas didáticas são válidas para utilização ao livro infantil na escola” (1993, p.29). E quanto a Educação Infantil Radino (2003): “O ato de ouvir histórias auxilia acriança no seu processo de alfabetização, pois quanto mais histórias ouvir mais elaaguçará sua capacidade de imaginação...”
  47. 47. 46Questionamos às professoras se na escola elas trabalham com algum projetoespecífico de literatura com incentivo a leitura. Percebemos uma contradição nasfalas da professora P2, quando diz:“Não. Nunca pensei nessa hipótese de já influenciar nisso.” (P2)Podemos observar que em questões anteriores ela afirmou que acredita sim que oscontos de Fadas podem ajudar no processo de formação do leitor.“Não, não temos projetos de leitura ou literatura na Educação Infantil.” (P1)“Não fiz projeto de leitura com eles, pois são muito pequeninos.” (P4)“Não apenas conto as histórias.” (P5)Nos relatos acima podemos perceber que elas não trabalham com nenhum projetoespecífico de Literatura ou Leitura, a professora P4 afirma inclusive que acham ascrianças muito pequeninas para já serem influenciadas a ler.
  48. 48. 47 CONSIDERAÇÕES FINAISOs Contos de Fadas, apesar de trazerem contextos sociais e econômicos que estãoligados à realidade da Europa Medieval, que se encontram muito distantes do nossocontexto social, tem seu grande espaço na vida das crianças de casa à escola porapresentarem problemas muitas vezes envolvendo um meio familiar comsentimentos de amor, medo, vida, morte, resolvendo os conflitos sempre de formasimples e objetiva.Não há projeto de Literatura Infantil com incentivo à leitura, mas, a prática docenteutilizando-se da literatura Infantil pode colaborar com a formação do leitor, visto queo processo de alfabetização acontece de um modo contínuo durante toda aEducação Infantil. Sabemos que os Contos de Fadas e a Literatura Infantil de modogeral são instrumentos significativos neste processo de construção de conhecimentoe formação de leitores.A leitura de histórias na sala de aula e a forma como o educador conduz éfundamental para formar leitores críticos e reflexivos, com essa prática ajuda adesenvolver também o prazer e o hábito da leitura.Diante de todas as questões que foram levantadas às professoras, percebemos queapesar de não serem leitores em sua essência, em sala de aula elas admitem que aleitura e contação dos Contos de Fadas são importantes, e que elas fazem o usodelas em sala de aula.Com as observações também percebemos que as professoras permitem o contatoda criança com o livro e que reconhecem que os Contos podem influenciar naformação do leitor, mas afirmam que não fazem uso das mesmas com a intenção deincentivá-los a aprender ou querer aprender a ler, vimos que o conto faz parte docotidiano escolar, mais como uma forma de lazer e divertimento, e algumas vezestambém atrelado a algum assunto específico, como trabalhar sobre o a órgãos dosentido contando a história de Chapeuzinho Vermelho, enfatizando a parte em que amenina pergunta a avó (lobo) sobre as partes exageradas do seu rosto.
  49. 49. 48Os resultados apontam que a forma com que elas trazem os Contos para a sala deaula, com estratégias diferentes para atrair a atenção do aluno nos revela quemesmo inconsciente, as professoras vem incentivando e atraindo os alunos àshistórias e não só ao imaginário e maravilhoso, mas também vem despertando osalunos a gostarem do que está no livro. Notamos pela forma com que alguns alunosque ainda não sabem ler, até mesmo de maternal, por exemplo, pegam nos livrosfingem que estão lendo, imitam o jeito das professoras contarem e até mesmodesvendam a história pelas figuras fazendo leitura de imagem.Constatamos que as educadoras, por meio da sua prática, mesmo sem intenção,incentivam as crianças à leitura e se elas investissem em projetos com Contos deFadas como instrumento em sala de aula poderia ter estratégias mais definidas paraincentivar os alunos a se tornarem futuros leitores.Notamos a diferença entre as ações dos professores, que nos momentos que nãotem o que fazer em sala de aula apenas pegam um livro e lêem a história, e asprofessoras questionadas durante a pesquisa onde durante a observaçãoparticipamos de várias ações de leitura e contação de forma dinâmica, fazendo comque os alunos queiram interagir neste momento.Assim, todas as discussões acerca dessas ações docentes envolvem profissionais evimos que a maioria deles já estão em formação no curso de Pedagogia, isso mostraque esses profissionais vêm buscando capacitação e isso os possibilitará aelaboração de projetos de leitura e com isso no futuro teremos mais leitores “felizespara sempre”.
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