Monografia Georgea Pedagogia 2012

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Pedagogia 2012

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Monografia Georgea Pedagogia 2012

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII CURSO DE PEDAGOGIA GEORGEA LESSA CAIRESA INCLUSÃO DO DEFICIENTE NA ESCOLA REGULAR: UM OLHAR SOBRE A EXPECTATIVA DAS MÃES SENHOR DO BONFIM - BA 2012
  2. 2. GEORGEA LESSA CAIRESA INCLUSÃO DO DEFICIENTE NA ESCOLA REGULAR: UM OLHAR SOBRE A EXPECTATIVA DAS MÃES Monografia apresentada a Universidade do Estado da Bahia, como parte das exigências para a conclusão do curso de Pedagogia. Orientação: Prof. Pascoal Eron Santos de Souza SENHOR DO BONFIM - BA 2012
  3. 3. TERMO DE APROVAÇÃO A INCLUSÃO DO DEFICIENTE NA ESCOLA REGULAR: UM OLHAR SOBRE A EXPECTATIVA DAS MÃESMonografia apresentada à Universidade do Estado da Bahia comorequisito para a obtenção do título Pedagoga, sob a orientação do Prof.(a) Pascoal Eron Santos de Souza, aprovada em 29 de março de 2012. BANCA EXAMINADORAORIENTADOR: _______________________________Prof° Pascoal Eron Santos SilvaMEMBRO: ___________________________________Prof.ª Norma Leite Martins de CarvalhoMEMBRO: ___________________________________Prof.ª Luciana da Silva Fonseca Lucena
  4. 4. A meu pai e minha mãe, meus mais importantes mestres, razãodo meu viver.Como filha, a cada dia, tenho motivos de sobra para exultarpelas vitorias de meus irmãos, amigos, pais e colegas plenosde conquistas graças à beleza de caráter com que Deus osprivilegiou.Portanto a vocês, irmãos amados Wyliston Lessa e GeorgeLessa, a você meu amor Alan Jônatas, a minha queridíssimasogra Lucineide Silva, que puxou a minha orelha quandonecessário e me deu muitos e valiosos conselhos e a você meucunhado Everton Guirra, que me aturou durante todos essesanos. E muito especialmente a você Alan Jônatas, meu amor,realização dos meus sonhos, responsável maior pela minhafelicidade, força e pela vida que estamos construindo, o meueterno agradecimento.Ao meu Prof.º orientador, Pascoal Eron, pela preocupação econfiança depositadas em mim e às Professoras Norma Leite eLuciana Lucena pelas palavras de otimismo e pelo tempo gastoentre leitura e correção deste trabalho, meu eternoagradecimento e admiração.Por fim ao meu pequenino, príncipe da minha vida, razão deimenso amor que jamais imaginei sentir, meu filho JônatasArthur, que mesmo sem entender, soube compreender minhaausência, muitas vezes prolongadas.
  5. 5. Tudo se inicia com um sonho, um desejo, e se concretizarepleto de outros sonhos. Nesse caminho percorrido na estradada pedagogia, com certeza foi preciso muita esperança, força eluta. Nada é fácil de ser vencido, mas também não hámomento mais prazeroso do que saber que mais uma etapaimportante de nossas vidas foi alcançada, formar-nos comopedagogos e pedagogas.Começamos com a mesma intenção e nos formamos comdiferentes caminhos à nossa espera. Todavia, sabemos queoutras quimeras nos esperam, e é com a força de vontade,característica nossa, que construiremos no nosso eterno dever,pois pedagogo é ter a ciência de que nada é completo, tudo seconstrói. Julia Tiemi Sada.
  6. 6. A questão que se coloca ...O que é graveÉ sabermosQue atrás da ordem deste mundoExiste uma outraQue outra?Não sabemos.O número e ordem de suposiçõesPossíveisNeste campoÉ precisamenteO infinito! Artand
  7. 7. RESUMOA inclusão tem conquistado seu espaço em acalorados debates e pesquisas,para a mudança de paradigmas educacionais que envolvam pessoasdeficientes. Neste sentido, a família tem papel relevante em conjunto com osprofessores e a comunidade escolar. O presente trabalho teve como objetivosidentificar qual a expectativa que as mães têm a respeito da inclusão de seusfilhos na escola regular e através deste estudo verificar se esta inclusão jáacontece na pratica com os alunos do Instituto Psicopedagógico de Senhor doBonfim, Bahia, onde a pesquisa foi realizada. Para isto utilizamos o métodoqualitativo fundamentado nos autores, Bueno (1999), Gotti (2002), Mantoan(1997), Profeta (2007), entre outros. Foi realizada uma entrevista semi-estruturada com as mães, que foram os sujeitos deste trabalho pode-seconcluir que, a escola, assim como os professores devem, estar preparados eao mesmo tempo preparar seus alunos não-deficientes, em conjunto com asfamílias, para a aceitação e convívio com a diferença, acima de tudorespeitando o outro e a limitação de cada individuo.Palavras-chave: Educação Inclusiva. Escola Regular. Deficiente.
  8. 8. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 10CAPÍTULO II ............................................................................................................................. 182. QUADRO TEÓRICO .............................................................................................................. 182.1 Educação Inclusiva ............................................................................................................ 182.1.1 Pais x Inclusão ................................................................................................................ 212.2 Escola Regular ................................................................................................................... 232.3 Deficiente .......................................................................................................................... 25CAPITULO III ............................................................................................................................ 303. PERCURSO METODOLÓGICO .............................................................................................. 303.1 Abordagem utilizada ......................................................................................................... 303.2 Lócus e sujeitos da pesquisa ............................................................................................. 313.3 Instrumentos de coleta de dados ..................................................................................... 323.3.1 Entrevista semi-estruturada .......................................................................................... 323.3.2 Questionário fechado .................................................................................................... 33CAPITULO IV ........................................................................................................................... 354. Análise e interpretação de dados ....................................................................................... 354.1 Perfil dos sujeitos .............................................................................................................. 354.2 Análise e interpretação dos dados através da entrevista semi-estruturada................. 364.3 A perspectiva da inclusão ........................................................................ 384.4 Inclusão na prática ................................................................................... 41CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 44REFERÊNCIAS ............................................................................................. 46
  9. 9. INTRODUÇÃO A pesquisa parte do fato de as crianças ainda não terem sido incluídasna escola regular. Para, posteriormente, estabelecer a hipótese de que asmães agem como escudo protetor dos filhos deficientes para não expô-los aomundo exterior. Pretendemos aqui mais do que descrever palavras ecomportamento, o foco é o que as mães esperam da inclusão de seus filhos naescola regular. O capítulo primeiro procurou esclarecer os aspectos fundamentais quelevarão à investigação da temática, bem como o problema os questionamentose os objetivos, enfatizando a importância dos pais e da inclusão do deficientena escola regular. O capítulo segundo nos mostra as teorias que fundamentam asdiscussões através de autores como: Santos (2006), Sassaki (1997), Rodrigues(1992), Santos e Paulino (2006), entre outros. O capítulo terceiro traz esclarecimentos acerca do método, a finalidadeda pesquisa, os instrumentos utilizados, o lócus e os sujeitos. No quarto capítulo, buscamos esclarecer o foco do trabalho, através daanálise e interpretação dos dados coletados, tendo como ponto de partida afala das mães (sujeitos da pesquisa), suas opiniões e expectativas para o iniciodo processo de inclusão de seus filhos na escola. E por fim, a conclusão que apresenta os resultados obtidos com otrabalho, relatando assim esses resultados dando ênfase à expectativa dasmães no que concerne à inclusão de seus filhos na escola regular.
  10. 10. CAPÍTULO I1. REFLETINDO SOBRE A INCLUSÃO A partir da Constituição de 1988, a política educacional brasileira tempriorizado a inclusão social e a garantia dos direitos dos deficientes. A inclusãotem conquistado o seu espaço em acalorados debates e pesquisas, para amudança de paradigmas educacionais que envolvam pessoas deficientes. Coma discussão sobre essa mudança na inclusão, estabeleceu-se que a sociedadedeve se preparar para receber esses deficientes. Em especial na educação,rompe-se o paradigma de que são os alunos deficientes que tem que seadequar à escola, e sim a escola que deve se adequar a eles, dando-lhescondições no que se refere aos espaços físicos, à metodologia aplicada, aosrecursos materiais, aos professores entre outros. Mantoan (apud STAINBACK; STAINBACK 1999, p. 10) diz que“preconceitos, antigos valores, velhas verdades, atitudes e paradigmasconservadores da educação ainda ocultam o verdadeiro sentido dessainovação”. É nesse sentido que se faz necessária a convivência nas mesmassalas, pátios, bibliotecas, enfim conviver, com todos para que essespreconceitos e valores sejam vencidos. A inclusão prevê escolas que assegurem os direitos dos alunosdeficientes no sentido de as crianças aprenderem juntas, tanto em sua vidaescolar quanto na sociedade em que estão inseridas, valorizando adiversidade, criando mais oportunidade para o aprendizado coletivo eindividual. É a valorização da diversidade e a oportunidade de se fortalecer eexpandir o processo de inclusão, oportunizando uma aprendizagem dequalidade para todos. Para Profeta (2007, p. 212): Educar todos os alunos no ensino regular é propiciar a eles oportunidades iguais, ajudá-los em suas necessidades específicas são ações desafiadoras que nem todo pessoal envolvido com a
  11. 11. educação formal quer enfrentar, contudo, educação e escola inclusivas devem ir mais além. Nesse sentido, a educação inclusiva vem propor que todas as crianças,independente de suas necessidades, estejam em sala de aula no ensinoregular como afirmou Profeta (2007) e que sejam supridas suas necessidades,baseando-se no princípio da educação para todos. No entanto democratizar a escola, ou torná-la inclusiva não é umprocesso simples, pois a exclusão e a segregação fazem parte da história daeducação, assim como de toda a sociedade. Como explica Goffman (1988), aspessoas com deficiência foram estigmatizadas e tornaram-se desacreditados(quando a deficiência é clara) ou desacreditáveis (quando a deficiência nãoestá imediatamente aparente) na sociedade. E assim aconteceu também nasescolas. No Brasil a priori eram oferecidos serviços voltados para a integração depessoas com algum tipo de deficiência na sociedade com o intuito de ensinarcrianças com e sem deficiência. Segundo a Política Nacional de EducaçãoEspecial (1994), a integração escolar é um: Processo gradual e dinâmico que pode tomar distintas formas de acordo com as necessidades e habilidades dos alunos. A integração educativa-escolar refere-se ao processo de educar- ensinar, no mesmo grupo, a criança com e sem necessidades educativas especiais, durante uma parte ou na totalidade do tempo de permanência na escola (BRASIL, 1994, p. 18) O fato é que a proposta de integração se preocupou exclusivamentecom o apoio direto ao aluno deficiente, sem fazer intervenções no sistemaescolar como um todo. Nesse caso, o aluno era quem tinha que se adequar aosistema e não a escola mudar para atender às necessidades educativasespeciais ou do aluno. Portanto, a grande diferença entre integração e inclusão é que aintegração preocupou-se exaustivamente com a deficiência enquanto que ainclusão preocupou-se em mudar a escola como um todo, para suprir as
  12. 12. necessidades educativas especiais dos vários alunos, sejam eles deficientesou não. Conforme orientação da Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), aescola inclusiva, propagada na década de 90, propõe que deficientes ou não,devão ser educados em um mesmo ambiente, em uma mesma classe, e aescola, para isso, precisa se adaptar. O documento pontua que: • Toda criança tem direito fundamental à educação e deve ter a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem; • Toda criança possui características interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas; • Sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades, sendo que aqueles com necessidades educativas especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades. (UNESCO, 1994, p.9) A declaração conclui ainda que as crianças e jovens deficientes devamter acesso à escola regular e que a escola deve se adequar a elas, baseando-se numa pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer taisnecessidades, e aponta: [...] as escolas regulares, seguindo esta orientação inclusiva, constituem os meios mais capazes para combater as atitudes discriminatórias, criando comunidades abertas e solidárias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos. Além disso, tais escolas provêem uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimora a eficiência e, em última instância, o custo de todo o sistema educacional. (...). (UNESCO, 1994, p.9) Carvalho (2000, p. 59) afirma as necessidades que a escola precisasuprir para atender a diversidade e atender à perspectiva da educaçãoinclusiva e o atendimento às crianças deficientes: [...] o especial da educação traduz-se por meios para atender à diversidade, como por exemplo, propostas curriculares adaptadas, a partir das que são adotadas pela educação comum. Tais meios fazem parte de um conjunto de medidas que se reúnem como respostas educativas da escola, compatíveis com as necessidades dos alunos. O atendimento das mesmas exige, ainda, serviços de
  13. 13. apoio integrados por docentes e técnicos devidamente qualificados. [...] Tal perspectiva implica numa redefinição do papel da escola, a partir da mudança de atitude dos professores e da comunidade. Para Gotti (2002, p. 9), “incluir não significa simplesmente colocar oestudante junto com outros ditos normais, mas reestruturar o sistemaeducacional para que as crianças especiais sejam atendidas nas suasespecificidades e peculiaridades”. Assim a escola inclusiva dá respostas àsnecessidades de todos os alunos, educando-os sempre que possível nasclasses regulares e, portanto, acabando com o processo histórico e cultural deexclusão e segregação, devendo propor e realizar mudanças, como apontaCorreia (2001), “elaborar um conjunto de medidas que reflita os seus valores,permitindo dividir responsabilidades entre todos os envolvidos com o processoeducativo, sejam professores, família ou comunidade”. É necessário tambémque se repense o processo de formação de professores, que atuam nessasescolas inclusivas. Pois pensar em educação inclusiva é pensar na escola, alunos e suaparte física, bem como na formação desse professor, parte indispensável parao processo inclusivo na escola. É pensar na formação que ele deve ter, queestratégias metodológicas utilizar com os alunos deficientes de forma que nemeles e nem os alunos ditos não-deficientes sejam excluídos. González (2006,p.20), situa que com a educação inclusiva os professores tem a possibilidadede: - criar um clima adequado para a interação e a cooperação; - motivar os alunos, produzindo expectativas positivas e utilizando reforços de auto-estima e reconhecimento; - aceitar a diferença como componente da normalidade; - fomentar a convergência de todos os educadores por meio da atividade em equipe. Dessa forma, para atuar em uma escola inclusiva, o professor precisaser preparado para lidar com as diferenças e com a diversidade. Segundo aDeclaração de Salamanca (1994), em seu Artigo 40, “a preparação adequadade todos os profissionais da Educação é também um dos fatores-chave parapropiciar a mudança”.
  14. 14. Bueno (1999) destaca a necessidade de uma melhor formação ecapacitação não só dos professores do ensino regular, mas também do ensinoespecial. (...) à medida que, por um lado, os professores do ensino regular não possuem preparo mínimo para trabalharem com crianças que apresentem deficiências evidentes e, por outro, grande parte dos professores do ensino especial tem muito pouco a contribuir com o trabalho pedagógico desenvolvido no ensino regular, à medida que têm calcado e construído sua competência nas dificuldades específicas do alunado que atende, porque o que tem caracterizado a atuação de professores de surdos, de cegos, de deficientes mentais, com raras e honrosas exceções, é a centralização quase que absoluta de suas atividades na minimização dos efeitos específicos das mais variadas deficiências (p. 15) Mas, o exercício e o sucesso de escolas inclusivas dependem tanto daformação e do esforço do professor quanto de um conjunto de condições quepermitirão que a maioria de alunos deficientes sejam educados em escolasregulares. É necessário que haja uma transformação nas escolas, um maiorempenho dos professores, articulação entre eles e os projetos a seremdesenvolvidos. Nessa perspectiva de mudanças e empenho é necessário também quese analise a importância que os pais têm no processo de inclusão. Por décadaspais de deficientes preferiram educar seus filhos em casa para impedir que elespudessem ser excluídos e segregados pela sociedade em que viviam. A família tem papel irrelevante nesse processo de inclusão em conjuntocom os professores e a comunidade escolar, na Declaração de Salamanca éreafirmada essa importância, tanto no processo de inclusão escolar como napartilha das tarefas entre pais e professores. Assim Siaulys (2007 apud Brasil 2001) reafirma a importância da famíliaenfatizando as Diretrizes Nacionais de Educação Especial na Educação Básicaque: recomendam a parceria entre instituições especializadas, escolas efamílias para a educação das crianças deficiente:
  15. 15. Os pais e o entorno familiar desempenham importante papel de mediadores do desenvolvimento, da aprendizagem e da inclusão da criança no ambiente familiar, escolar e comunitário. Os pais devem participar ativamente das avaliações, da elaboração de Programa de Intervenção Precoce e do Plano de Inclusão Escolar de seu filho. Participam com informações a respeito das possibilidades, necessidades e dificuldades enfrentadas pela criança. Partilham interesses, conquistas, metas, objetivos e traçam prioridades para seus filhos em conjunto com a escola e com especialistas (p. 117). Nesse sentido é importante que os pais além de incluir seus filhos naescola também participem da sua vida escolar de maneira a ajudar a instituiçãoescolar e apoiarem seus filhos rompendo os preconceitos e deixando que seusfilhos deficientes vivam a instituição escolar sem restrições. No entanto paraque essa inclusão aconteça é necessário que os pais permitam a seus filhosessa inclusão, pois por medo da exclusão e da segregação muitos paispreferem educar seus filhos em casa, privando-os da convivência social. As mães têm o papel de criar, educar, socializar e acima de tudoincentivar os filhos deficientes a enfrentar angústias e medos inerentes àdeficiência dos filhos, esse papel se dá a elas por demonstrarem amorincondicional, abdicando de sua vida para dar vida a um ser tão amado, queneste caso é o filho deficiente, na esperança de ver seus filhos amadosconvivendo como iguais, numa sociedade sem preconceitos. Diante do exposto, esta pesquisa discutirá a expectativa que as mães dealunos deficientes têm sobre a inclusão de seus filhos na escola regular,buscando entender o que as mães esperam da inclusão e da escola como umtodo. A escolha do tema “A inclusão do deficiente na escola regular: um olharsobre a expectativa das mães” justifica-se pelo fato de que muitas criançasdeficientes não chegam a frequentar a escola pelo medo que os pais têm deeles serem agredidos e humilhados nas instituições escolares, apesar de todosos trabalhos, propagandas em meios de comunicação, panfletagens ecampanhas realizados pela sociedade e pelo governo brasileiro, muitos
  16. 16. familiares não se deram por vencidos e continuam mantendo seus filhosdeficientes em casa, num mundo que é somente seu, sem convivência com omundo exterior. Portanto a pergunta que norteia esta pesquisa é: Qual a expectativa dasmães em relação à inclusão dos filhos deficientes, na escola regular? Este estudo é relevante no sentido de abrir um diálogo entre osfamiliares sobre a importância de incluir e manter seus filhos deficientes naescola regular para que eles possam conviver em sociedade aprendendo eensinando valores diferentes, aprimorando seu aprendizado. Ele contribuirápara as discussões sobre a inclusão e poderá nos levar à criação de novasestratégias para trabalhar com os pais e mães a aceitação e inclusão de seusfilhos deficientes na escola, proporcionando um novo entendimento à cerca dotema.
  17. 17. CAPÍTULO II2. QUADRO TEÓRICO A educação inclusiva traz consigo historicamente, a discriminação e asegregação das pessoas deficientes, por não corresponderem física oupsicologicamente ao padrão de “normalidade” cultural considerada pelasociedade. Nesse sentido, é importante que os avanços da inclusão cheguemaos lares das crianças deficientes para que pais e familiares possam ajudar aescola nesse processo, rompendo o preconceito, ajudando seus filhos aparticiparem ativamente da vida em sociedade. Diante disso, buscaremos identificar qual a expectativa dos pais emrelação à inclusão de seus filhos na escola regular. Assim, ressaltamos que asdiscussões se nortearão pelas seguintes palavras-chave: Educação Inclusiva,Escola Regular e Deficiente.2.1 Educação inclusiva O conceito de educação inclusiva surgiu a partir de 1994, com aDeclaração de Salamanca. O intuito era que as crianças deficientes fossemincluídas em escolas regulares de ensino. Com a Declaração, surgiu o termonecessidades educativas especiais, que veio substituir o termo “criançaespecial”, termo anteriormente utilizado para designar uma criança comdeficiência. Porém, hoje esse termo também já caiu em desuso, substituídopelo termo “deficiente”, dando ênfase à deficiência. O objetivo da educação inclusiva é atender aos estudantes deficientesem suas necessidades, proporcionando a eles uma inclusão na escola regularde ensino com todas as crianças juntas, deficientes e não deficientes. Salgado(apud SANTOS, 2006), define a inclusão em educação como: (...) a efetivação de uma educação para todos e expressa, dentro de um contexto educacional amplo, a realização de um trabalho pedagógico consciente para alcançar metas e objetivos
  18. 18. educacionais que maximizem a participação e minimizem as barreiras à aprendizagem experienciadas por todos os alunos, independentemente de origem étnica, racial, socioeconômica e características pessoais aceitas ou não pelo grupo de convivência. (p. 59) Portanto a inclusão significa modificar a forma que a sociedade vê odeficiente, é a modificação dessa sociedade e de seus conceitos, para que osdeficientes possam buscar seu desenvolvimento e exercer sua cidadania. Uma das propostas da inclusão é a valorização do ponto de vista dospais e mães de alunos deficientes, dos professores dos alunos não deficientes,enfim de todas as pessoas envolvidas no processo de inclusão, atendendo econsiderando as necessidades e limitações de cada um. Esse processo de inclusão há muito tempo vem sendo discutido, mas naprática tornou-se relativamente novo, para aqueles que enfrentam uma sala deaula diversificada a cada ano, por isso mesmo causa muitos medos eresistências entre os educadores. Oferecendo por sua vez extrema resistênciaa essa nova prática pedagógica, sendo que a principal resistência tem origemno preconceito, na falta de informação, na intolerância de perceber e analisarque os modelos educacionais estão em constante mudança e ai surge o medodo novo, do desconhecido. Os professores não estão preparados paratrabalhar com a diversidade. Sassaki (1997), afirma nesse sentido que: A prática da inclusão social repousa em princípios até então considerados incomuns, tais como: aceitação a diferenças individuais, a valorização de cada pessoa, à convivência dentro da diversidade humana, a aprendizagem através da cooperação (p. 41). E é nesse sentido que a educação inclusiva no ensino regular é um dosmaiores desafios da escola, por esperar que as famílias ensinem seus filhosainda em suas casas a respeitar o próximo e a aceitar e conviver com adiferença. Desde o momento em que se reconhece a educação como umdireito de todos, é necessário mais do que receber o aluno deficiente noespaço escolar. É necessário também que a escola mude tanto em relação aoseu espaço físico como em relação ao tempo, refletindo sobre esse novo
  19. 19. contexto, buscando estratégias para o pleno desenvolvimento do potencialdesses alunos deficientes que estão sendo recebidos na escola regular. No entanto, a inclusão em educação não somente significa receber emanter o aluno deficiente em sala de aula, dessa forma ela se tornaria apenasum serviço e os alunos continuariam a ser segregados. Serra (2006, p. 33)esclarece que ainda hoje são freqüentes as denuncias de segregação em salasde aula supostamente inclusivas. O entendimento de classe inclusiva é aquelaque promova o desenvolvimento tanto do deficiente quanto dos demais alunos,dando-lhes a oportunidade de convivência social, aprendizagem e troca deexperiências. A política de inclusão que estabelece a permanência dos alunosdeficientes na escola regular, não visa somente a permanência, ela representatambém uma revisão de paradigmas, uma quebra de preconceitos em relaçãoà inclusão. Conforme Mantoan (1997), [...] inclusão institui a inserção de uma forma radical, completa e sistemática. [...] o objetivo é incluir um aluno ou um grupo de alunos que já foram anteriormente excluídos; a meta primordial da inclusão é a de não deixar ninguém no exterior do ensino regular, desde o começo. As escolas inclusivas propõem um modo de se constituir o sistema educacional que considera as necessidades. A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apóia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educacional geral (apud SASSAKI, 1997, p. 114) As escolas inclusivas propõem um modo de organização do sistemaeducacional que considera as necessidades de todos os alunos e que éestruturado em função dessas necessidades. E essa inclusão em educaçãocausa uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita a ajudarsomente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apóia a todos:professores, alunos e família, para que obtenham sucesso na correnteeducativa geral.
  20. 20. O número crescente de estudos referentes à inclusão escolar e oemprego generalizado do termo têm levado a muita confusão a respeito dasidéias que cada caso encerra. Nesse sentido Rodrigues (1992), também fazuma análise do espaço escolar e da sala de aula como: Lugar de encontros e desencontros, lugar de encantos e desencantos. Sob este panorama configura-se o espaço da sala de aula. Este espaço - em que atualmente as atenções estão voltadas para questões de acessibilidade a todos e permanência – tem a responsabilidade de não trabalhar apenas com o modelo ideal de aluno – quieto, passivo e de “aspecto saudável” – mas também com aqueles que não seguem esta linearidade de aluno ideal, ou seja, alunos provindos de diferenças étnicas, sociais, físicas, sexuais e intelectuais(p. 98). Porém é necessário esclarecer que não somente a escola, mas asociedade como um todo não está preparada para lidar com essa diferença,em conseqüência disso convivemos com a exclusão e a segregação emdiferentes segmentos da sociedade. Santos e Paulino (2006, p. 11) afirmam que “nos dias de hoje asdesigualdades sociais e o desrespeito às diferenças são banalizados em nossocotidiano, e a escola, sem dúvida, reflete e reproduz estas relações”, assim osautores vêm reafirmar o que Rodrigues (1992) havia colocado acima, tudo giraem torno da sociedade e seus preconceitos em relação às diferenças. 2.1.1 Pais x Inclusão O processo de inclusão é uma tarefa social, que não dependeexclusivamente do professor e da escola, mas sim dos pais e da família comoum todo buscando a responsabilidade de transformar a educação que vivemoshoje em uma educação capaz de superar os desafios cotidianos, aumentandoa sua qualidade. Os pais têm um papel relevante e ao mesmo tempodeterminante, no comportamento e desenvolvimento da personalidade dosfilhos, ao tempo que lhes educam para serem mais humanos, a respeitar e aconviver com as diferenças.
  21. 21. A sociedade sempre teve dificuldades em conviver com as diferenças emesmo com tantas mudanças ainda hoje prevalece essa dificuldade, que serátambém enfrentada pela família de uma criança com deficiência. A formação deuma família é sempre algo incerto, cheio de expectativas, planos, com o tempovêm o sonho de ser pai, mãe, o que vai transformar a vida cotidiana do casalprovocando muitas modificações na estrutura familiar, principalmenteemocional. E essa expectativa muitas vezes esbarra no nascimento de umacriança deficiente, que traz medo e insegurança aos pais, medo de nãosaberem lidar com o novo e com a diferença. No entanto, atitudes tomadas pelos pais em relação a inclusão de seusfilhos na escola regular depende muito do seu convívio com a família e com asociedade em que esse deficiente está inserido, e da forma com que ele foiaceito e amado no seio familiar. Um dos comportamentos dos pais que impedem a inclusão de seusfilhos na escola regular é o fato da superproteção, os pais revelampreocupação obsessiva e compulsiva em cuidar do seu filho. Eles cuidam demaneira insistente e acabam sufocando a criança em relação a si mesmo e aosoutros, impedindo que ele se torne uma criança autônoma. Os sentimentosacabam sendo reprimidos inconscientemente, em sua deficiência. Essa superproteção faz com que a criança deficiente se sinta frágil,insegura e sem condições de assumir sozinha qualquer responsabilidade. Oprocesso de inclusão se torna mais distante quando o cuidado excessivo dospais chega ao ponto de isolá-los em casa, apenas no convívio familiar,privando-os do convívio em sociedade, por medo da discriminação e exclusãode seus filhos, achando que assim estarão diminuindo os problemas, asdificuldades. Os pais são a base do desenvolvimento de seus filhos, principalmentequando a deficiência é encarada com clareza, os limites deverão ser expostoscomo são para qualquer criança. Assim os pais que incluem seus filhosdeficientes desde o seu nascimento em todas as atividades tendo a
  22. 22. consciência de que apesar das diferenças, as crianças têm necessidadescomuns, e precisam ser cuidadas, sentir-se valorizadas pelo que são e peloque fazem, demonstrando sempre que é considerada parte importante dafamília, assim como todos os membros, o pai, a mãe, os irmãos, sendotratados todos da mesma maneira, assim a criança irá se tornar mais segurapara enfrentar o desafio do processo educacional e da vida cotidiana. Esseprocesso educacional e o sucesso dele não somente depende da instituiçãoescolar, mas também dos pais que tem papel decisivo no sucesso de inclusão.2.2 Escola Regular A escola aqui chamada de regular é um conceito para diferenciá-la dasescolas especiais e instituições de educação especial. Atualmente essasescolas vêm se mobilizando frente ao novo modelo de inclusão de alunos comalgum tipo de deficiência nas salas de aula do ensino regular, ela vem sendoobrigada a refletir sobre esse novo paradigma e os princípios que norteiam aeducação, que vai desde a convivência dos alunos deficientes num espaçocomum à reestruturação do trabalho pedagógico da escola como um todo e amudança na infra-estrutura, com investimentos para a acessibilidade dessesalunos, para que eles possam se sentir realmente incluídos neste ambienteescolar. A escola regular deve oferecer a todos os alunos uma estrutura mínimanecessária e que garanta aos alunos deficientes as suas necessidades básicascomo: carteira escolar, rampas de acesso, adaptações pedagógicas, apoiomultidisciplinar, treinamento dos professores e demais funcionários. Porém a escola regular não está completamente nesse nível deadaptação para receber os alunos deficientes, é necessário que ela garanta,aos pais, ter condições mínimas para a inclusão dos deficientes, com recursosutilizados pelas escolas especiais e até mesmo alguns profissionaisespecializados na área, psicólogos, psicopedagogos entre outros. Desta formaa escola regular cumprirá o seu papel de escola “inclusiva” tornando-se umaalternativa às escolas especiais, pois além de oferecer pessoal qualificado e
  23. 23. um conjunto de recurso material equivalente ao das escolas especiais, dáacesso a uma experiência única de convivência inclusiva e integrada entrealunos deficientes e não-deficientes em um ambiente diversificado. Essa inclusão na escola regular deve ser entendida como uma forma deatender às dificuldades de aprendizagem de todos os alunos, assegurando quetodos tenham os mesmos direitos. De acordo com Mazzota (1996) A implementação da inclusão tem como pressuposto um modelo no qual cada criança é importante para garantir a riqueza do conjunto, sendo desejável que na classe regular estejam presentes todos os alunos, de tal forma que a escola seja criativa no sentido de buscar soluções e manter os diversos alunos no espaço escolar, levando-os a obtenção de resultados satisfatórios em seu desempenho acadêmico e social. Do processo de inclusão na escola regular e seu sucesso depende,portanto o progresso dos alunos deficientes, tanto na escolaridade quanto noconvívio social e na comunidade escolar, por meio da adequação das práticaspedagógicas à diversidade dos aprendizes. Os temores acerca da inclusão se tornaram naturais por se tratar de umassunto relativamente novo na escola regular. Segundo Carvalho (2010) “onovo assusta e a mudança é um processo lento e sofrido”. Paulo Freire por suavez, em Pedagogia da Autonomia, afirma, “ensinar exige risco, aceitação donovo e rejeição de qualquer forma de discriminação”, afinal um dos principaispilares da educação é o professor, principalmente em se tratando de umaescola inclusiva, onde o perfil do aluno que entra na sala de aula precisa suaatenção, sem discriminação, assim como os demais alunos. A Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), defende o compromissoque a escola deve assumir de educar cada estudante, contemplando apedagogia da diversidade, pois todos os alunos deverão estar inseridos naescola regular, independente de sua origem social, étnica ou lingüística.2.3 Deficiente
  24. 24. Na busca por tentar identificar grupos ou sujeitos com diferentescaracterísticas, sem criar rótulos negativos ou estigmas, acaba-se quasesempre usando expressões pejorativas e até negativas, relacionada àincapacidade ou determinada patologia. No entanto, muitos outros termos foram utilizados ao longo de décadas,para caracterizar os deficientes, expressões como: deformados, paralíticos,aleijados, monstros, cochos, mancos, cegos, inválidos, surdos-mudos,imperfeitos, idiotas, débeis mentais, eram comumente utilizadas segregando ediscriminando os deficientes. Outras expressões muito utilizadas eram “pessoa portadora dedeficiência e/ou pessoa portadora de necessidades especiais”, utilizadas aindahoje, até mesmo por autores especializados no assunto. Cabe, portantoesclarecer que uma necessidade especial ou deficiência não é algo que seporta simplesmente como um objeto. Nós utilizamos por anos, a expressão“portador de deficiência”, no entanto ela tem sido evitada atualmente, dandolugar a expressão “deficiente”. Segundo Ferreira (1999, p. 614) o termo deficiente remete à idéias defalta, falha, carência, imperfeição, defeito, insuficiência. Visto que nenhum serhumano é perfeito nos damos conta de que todos somos deficientes. Sassaki (1999) afirma portanto, que jamais houve ou haverá um únicotermo correto para ser utilizado, que seja válido definitivamente em todos ostempos e espaços. O que se pretende é parar definitivamente de utilizar apalavra “portador”, no sentido de a pessoa deficiente não portar e sim ter umadeficiência. A Organização Mundial de Saúde (1993 apud MOREIRA e CASTRO,2004, p. 43) propõe uma conceituação de deficiência que pode ser aplicada avários aspectos da saúde e da doença, definindo deficiência como:
  25. 25. Perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão. Passamos, portanto a definir algumas deficiências, para maiorentendimento: A Deficiência Mental: segundo Moreira e Castro (2004), a deficiênciamental é definida como: [...] um distúrbio global do desenvolvimento que atinge 3 a 4% da população mundial e cerca de 10% dos brasileiros. [...] de acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID – 10 10ª Revisão), a deficiência mental (F70-F79) é definida como uma parada do desenvolvimento ou desenvolvimento incompleto do funcionamento intelectual, caracterizados essencialmente por um comprometimento, durante o período de desenvolvimento, das faculdades que determinam o nível global de inteligência, isto é, das funções cognitivas da linguagem, da motricidade, e do comportamento social (p. 41). A deficiência mental pode ocorrer isoladamente ou associada a outrostipos de comprometimento mental, físico ou intelectual. A conceituação ecaracterização desta deficiência adotada no Brasil pelo Ministério da Educação(MEC) segue o modelo proposto pela Associação Americana de DeficiênciaMental (AAMR), divulgado em 1992, como: [...] funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, oriundo do período de desenvolvimento, concomitante com limitações associadas a duas ou mais áreas da conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da sociedade, nos seguintes aspectos: comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, desempenho na família e comunidade, independência na locomoção, saúde e segurança, desempenho escolar, lazer e trabalho. (MEC, 1997, p. 27) Conceito que serve como ponto de partida para a implementação depolíticas públicas, visando um atendimento especializado ao deficiente mental. Deficiência Visual: Moreira, Castro e Sant Ana (2004) conceituam como: [...] redução ou perda total da capacidade visual, decorrente de imperfeição no órgão ou funcionamento do sistema da visão. Por
  26. 26. outro lado, a redução da capacidade visual pode ser classificada, de acordo com a intensidade, em deficiência visual leve, moderada, profunda, severa. Os portadores de deficiência visual são geralmente classificados como portadores de visão subnormal ou de cegueira (p. 44). Deficiência visual é a perda ou redução da capacidade visual em ambosos olhos, em caráter definitivo, não sendo possível melhorar ou corrigir com autilização de lentes, tratamentos clínicos e/ou cirúrgico.Dentre os deficientes visuais, podemos ainda distinguir os cegos e pessoascom visão subnormal. Telford e Sawrey (1988), afirmam que existem definições quantitativas efuncionais dos deficientes visuais, Quando se requer definições quantitativas para fins legais e administrativos a cegueira é usualmente definida como “acuidade visual de 20/200 ou menos no olho menor, com correção adequada, ou uma limitação de tal ordem nos campos da visão que o diâmetro máximo do campo visual subentende uma distancia angular não superior a 20 graus” (American Foundation for the Blind [Fundação Norte Americana para os cegos], 1961). Diz-se que uma pessoa tem acuidade visual de 20/200 se ela precisa ficar a uma distancia de 20 pés para ler o tipo-padrão que uma pessoa e visão normal pode ler a 200 pés (p. 469). A deficiência visual é definida como a perda total ou parcial, congênitaou adquirida, da visão. O nível de acuidade visual pode variar, determinandodois grupos de deficiência: A cegueira, perda total da visão ou pouquíssimacapacidade de enxergar, o que leva a pessoa a necessitar do Sistema Braillecomo meio de leitura e escrita e a Baixa visão ou visão subnormal,caracterizada pelo comprometimento do funcionamento visual dos olhos,mesmo após tratamento ou correção. As pessoas com baixa visão podem lertextos impressos ampliados ou com uso de recursos óticos especiais. Deficiência Auditiva: é considerada como a diferença existente entre odesempenho do indivíduo e a habilidade normal para a detecção sonora deacordo com padrões estabelecidos pela American National Standards Institute(ANSI - 1989). A audição normal corresponde à habilidade para detecção desons até 20 dB N.A (decibéis, nível de audição).
  27. 27. A audição desempenha um papel principal no desenvolvimento e namanutenção da comunicação por meio da linguagem falada, além de funcionarcomo um mecanismo de defesa e alerta contra muitos perigos além de nãodescansar nem quando dormimos. Caracterizaremos os graus de severidade da deficiência auditiva, quepodem ter algumas variações entre diferentes autores.• Audição Normal - Limiares entre 0 a 24 dB nível de audição.• Deficiência Auditiva Leve - Limiares entre 25 a 40 dB nível de audição.• Deficiência Auditiva Moderna - Limiares entre 41 e 70 dB nível de audição.• Deficiência Auditiva Severa - Limiares entre 71 e 90 dB nível de audição.• Deficiência Auditiva Profunda - Limiares acima de 90 dB. Pessoas com níveis de perda auditiva leve, moderada e severa são maisfreqüentemente chamados de deficientes auditivos, enquanto os indivíduoscom níveis de perda auditiva profunda são chamados surdos. Deficiência física: refere-se ao comprometimento do aparelho locomotor,as doenças ou lesões que afetam esse sistemas, podem produzir quadros delimitações físicas de grau e gravidade variáveis, segundo o(s) segmento(s)corporais afetados e o tipo de lesão ocorrida. A Deficiência Física pode serdefinida ainda, como: Diferentes condições motoras que acometem as pessoas comprometendo a mobilidade, a coordenação motora geral e da fala, em conseqüência de lesões neurológicas, neuromusculares, ortopédicas, ou más formações congênitas ou adquiridas (BRASIL, 1994). Podemos, portanto citar alguns tipos de deficiência física: • Lesão cerebral (paralisia cerebral, hemiplegias) • Lesão medular (tetraplegias, paraplegias) • Miopatias (distrofias musculares)
  28. 28. • Patologias degenerativas do sistema nervoso central (esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica) • Lesões nervosas periféricas • Amputações • Seqüelas de politraumatismos • Malformações congênitas • Distúrbios posturais da coluna • Seqüelas de patologias da coluna • Distúrbios dolorosos da coluna vertebral e das articulações dos membros • Artropatias • Reumatismos inflamatórios da coluna e das articulações • Lesões por esforços repetitivos (L.E.R.) • Seqüelas de queimaduras A OMS (Organização Mundial da Saúde, 1995) estima que, 20% dapopulação seja de deficientes físicos. Considerando-se o total de qualquerdeficiência, apenas 2% deles recebem atendimento especializado, público ouprivado.
  29. 29. CAPÍTULO III PERCURSO METODOLÓGICO A pesquisa tem por objetivo fundamental, contribuir para a evolução doconhecimento humano, ela é classificada como científica quando satisfaz adeterminadas condições. O objeto da pesquisa científica deve serperfeitamente definido de forma que possa ser reconhecível e identificável portodos. O estudo deve acrescentar algo novo ao que já se sabe sobre o assuntoe ser útil como fonte de pesquisa, fornecendo elementos que permitam averificação e a contestação das hipóteses apresentadas, tendo em vista a suacontinuidade. Segundo Severino (2002), “qualquer pesquisa em qualquer nível exigedo pesquisador um envolvimento tal, que seu objetivo de investigação passa afazer parte de sua vida.” Esse envolvimento permite acompanhar asexperiências diárias e apreender o significado que atribuem à realidade e àssuas ações (LUDKE e ANDRÉ, 1986, p. 25). As afirmações confirmam a idéiade que a pesquisa qualitativa auxilia nos estudos mais complexos comoemoção e atitudes individuais.3.1 Abordagem utilizada A pesquisa deu-se no campo de investigação qualitativa, pelanecessidade de ouvir o que as mães poderiam dizer sobre a inclusão de seusfilhos na escola regular. Uma das vantagens da pesquisa qualitativa é que, àmedida que os dados vão sendo colhidos, eles interferem no processo deconstrução do estudo, podendo, inclusive, trazer novos questionamentos. Mas,para que a pesquisa ocorra é necessário que o pesquisador interaja com opesquisado criando um circulo de confiança, a esse respeito, Martins, (2004),comenta que: Em qualquer tipo de pesquisa, seja em que modalidade ocorrer, é sempre necessário que o pesquisador seja aceito pelo outro, por um grupo, pela comunidade, para que se coloque na condição ora
  30. 30. de partícipe, ora de observador. E é preciso que esse outro se disponha a falar da sua vida. (...) Esse mergulho na vida do grupo e em culturas às quais o pesquisador não pertence depende de que ele convença o outro da necessidade de sua presença e da importância de sua pesquisa. Para que a pesquisa se realize é necessário que o pesquisado aceite o pesquisador, disponha-se a falar sobre a sua vida, introduza o pesquisador no seu grupo e dê- lhe liberdade de observação. (p.5) Essa aceitação foi acontecendo na medida em que as mães se sentiaminstigadas com um dálogo sobre a inclusão, dialogo esse utilizado paradescontrair e fazer com que as mães ficassem mais a vontade para contarsuas experiências e tratar das expectativas em relação à inclusão.3.2 Lócus e sujeitos da pesquisa A pesquisa foi realizada no Instituto Psicopedagógico de Senhor doBonfim, que funciona nos turnos matutino e vespertino. Situado na cidade deSenhor do Bonfim – Bahia, o IPPB atende crianças e adultos deficientes, entredeficientes físicos, mentais, autistas, visuais, entre outras. Os sujeitos foram 6 (seis) mães oriundas do interior do município ecidades circunvizinhas. Em uma etapa preliminar as mães responderam a umquestionário fechado, para que pudéssemos conhecê-las melhor, saber ondemoram como se deslocam até o instituto e o seu dia-a-dia na instituição. Apartir daí as mães foram informadas do propósito do trabalho e se dispuserama falar sobre questões envolvendo seus filhos e a inclusão, permitindo oaprofundamento na coleta dos dados, buscando o máximo de informações eesclarecimentos sobre a sua expectativa acerca da inclusão na escola regular. Dessa forma, ao trabalhar sob a ótica da inclusão na escola regular esua importância para a vida do aluno deficiente, dos pais e da sociedade comoum todo, fez-se opção por uma pesquisa, que trate com a realidade de cadauma das mães observando suas angustias e frustrações, com flexibilidade eabertura.3.3 Instrumentos de coleta de dados
  31. 31. Os instrumentos de coleta de dados utilizados para a construção dapesquisa foram, a entrevista informal que possibilita ouvir relatos das mães euma maior análise das respostas e dos sentimentos transmitidos por elas,possibilitando a manifestação das idéias espontaneamente; A entrevista semi-estruturada, que traz uma relação fixa de perguntas, garantindo que cadaentrevistada responda as mesmas perguntas, otimizando o tempo disponível; eo questionário fechado por seguir uma ordem de perguntas a seremrespondidas pelas entrevistadas, visando também adquirir informações ligadasà idade, profissão, trabalho, estado civil entre outras.3.3.1 Entrevista semi-estruturada Para desenvolver esse estudo optou-se por uma entrevista semi-estruturada montada a partir das dúvidas e anseios em relação ao tema, com odesejo de que novos questionamentos surjam durante a investigação. Aentrevista semi-estruturada permite ao entrevistado discorrer sobre o temasugerido sem que o entrevistador fixe determinadas respostas ou condições. Neste sentido Triviños (1992, p. 175), destaca que este tipo de técnicareúne características importantes que consideram a participação do sujeitocomo um dos elementos de seu fazer científico. Este tipo de entrevista deveser usado em estudos que enfatizam as percepções, atitudes, motivações daspessoas com relação ao assunto, contribuindo para que se revelem osaspectos afetivos das respostas, bem como para verificar a significaçãopessoal de suas atitudes. Ele aponta ainda que a entrevista semi-estruturadatem como característica questionamentos básicos que são apoiados em teoriase hipóteses que se relacionam ao tema da pesquisa. Gil (1993) aponta que a entrevista semi-estruturada é guiada por umarelação de questões de interesse, tal como um roteiro, que o investigador vaiexplorando ao longo de seu desenvolvimento. Triviños (1987, p. 174) contribui ainda com o tema apontando que aentrevista semi-estruturada
  32. 32. [...] é aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, junto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que recebem as respostas do informante. Desta maneira o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa. Num primeiro contato foi explicado para as entrevistadas o tema e opropósito da pesquisa daí iniciando uma conversa informal para quebrar oclima de tensão ao falar sobre o assunto logo numa entrevista formal. Um novoencontro foi marcado para que fosse feita a entrevista semi-estruturada. Oquestionário fechado foi aplicado num segundo momento com o intuito deidentificar cada mãe, sua idade, onde trabalha, onde mora entre outras, essequestionário ajudou traçar um perfil de cada mãe facilitando assim a análise e otratamento dos dados coletados. A entrevista semi-estruturada foi realizada num terceiro encontromediante a utilização de um roteiro com questões abertas que nortearam todoo desenvolvimento da entrevista. A entrevista individual com perguntas abertaspermitiu o acúmulo de um rico material, referente às vivências de cada umadas mães entrevistadas, dos sofrimentos vividos, das angústias e dasesperanças no processo de inclusão. Desse modo, a entrevista semi-estruturada valorizou a presença do entrevistador e também ofereceu toda aliberdade e a espontaneidade necessárias para que as mães se expressassem,enriquecendo a entrevista.3.3.2 Questionário fechado Este questionário tem uma seqüência de perguntas a seremrespondidas; Esse instrumento de coleta de dados nos ajuda a traçar o perfildos sujeitos da pesquisa. Em se tratando de questionário Marconi e Lakatos(1996, p. 88) a definem como:
  33. 33. [...] instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador. Essa técnica ajuda também o sujeito a se doar mais à pesquisa, fazendocom que não se sinta pressionado a responder verbalmente às perguntas, atémesmo por estarem respondendo em um ambiente mais calmo e sem pressãodo entrevistador que acaba, muitas vezes, inibindo o entrevistado.
  34. 34. CAPÍTULO IV4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS Para a análise dos dados foram considerados os relatórios de campo, asconversas informais, o questionário fechado e a entrevista semi-estruturada.Com todo o material devidamente organizado, utilizou-se a análise deconteúdo, técnica comumente recorrida pelas ciências humanas e sociais empesquisas de cunho qualitativo (ANDRÉ, 2003). Essa técnica possibilita análisedas formas de comunicação verbal e não-verbal determinante na relação entreos indivíduos pesquisados. Os dados e informações foram coletados no Instituto Psicopedagógicode Senhor do Bonfim, situada na cidade de Senhor do Bonfim – Bahia. Estesdados coletados e interpretados procuram identificar quais as perspectivas dasmães dos alunos deficientes sobre a inclusão de seus filhos na escola regularde ensino. A instituição pesquisada será aqui representada pela sua sigla original“IPPB” (Instituto Psicopedagógico de Senhor do Bonfim). Para denominar asmães pesquisadas utilizaremos a letra “M” (Mãe) seguido dos números de 1 a 6para especificar cada uma delas.4.1 Perfil dos sujeitos Trataremos aqui como sujeitos, as “mães” por serem elas asacompanhantes dos filhos ao instituto. Durante o período de observação,entrevistas e execução deste trabalho não foi observada a presença denenhum pai ou outro familiar na instituição. Das mães entrevistadas nestaamostragem, há um equilíbrio entre as que dividem seu tempo entre oacompanhamento dos filhos ao IPPB e o seu trabalho, sendo que 50%trabalham e 50% não trabalham. Os 50% das mães que não trabalham,fizeram essa opção por não terem a quem confiar os cuidados com seus filhos
  35. 35. deficientes. Com o crescimento deles, essas mães iniciaram uma verdadeiraperegrinação para o IPPB, no intuito de ver seus filhos se socializando. Essedesejo fez com que essas mães largassem até mesmo seus afazeresdomésticos, por terem que viajar com seus filhos diariamente para Senhor doBonfim e a distância não permitir que elas voltassem para realizar taisafazeres. Telford e Sawrey (1988) afirmam a importância do papel da família e damãe em especial, no processo de desenvolvimento dos filhos deficientes, As famílias, como a maioria dos outros grupos sociais, desenvolvem padrões internos de alinhamento e relacionamentos. Dado que, historicamente, a mãe tem sido a figura central na família, ela é tipicamente considerada o foco dos alinhamentos familiares mais significativos. Quando se torna necessário estender as investigações sobre a criança-problema para além da própria criança, o foco de atenção no aconselhamento e psicoterapia infantil usualmente se desloca para a relação mãe-filho (p. 169). Essas mães, foco de atenção nesse processo, passam aqui por umanecessidade de permanecer no instituto durante o turno de atividades de seusfilhos, passam o tempo conversando, fazendo bordado, crochê entre outrasatividades manuais e trocando experiências. Nos horários de intervalo dasatividades percebemos nos olhos dessas mães a felicidade de ver seus filhosse divertindo e interagindo com os outros colegas, como elas dizem “aqui elessão todos iguais”. Os 50% das mães que trabalham dividem seu tempo entreacompanhar seus filhos no instituto e a rotina do trabalho em horário oposto. As mães entrevistadas têm idade entre 30 e 65 anos de idade, sendo50% com idade entre 30 e 40 anos; 30% com idade entre 40 e 50 anos e 20%com idade entre 50 e 65 anos.4.2 Análise e interpretação dos dados a partir da entrevista semi-estruturada Com o perfil das entrevistadas traçado através do questionário fechado,faremos uma análise e interpretação dos dados colhidos ao longo do processo
  36. 36. de investigação a partir da entrevista semi-estruturada, diante das falas dasentrevistadas procurando compreender a questão de pesquisa. Nesta etapa as mães responderam as perguntas com serenidade emuita propriedade, elas esclareceram questões como o transporte que asdeslocam todos os dias até o instituto. Na entrevista a mãe M5 que se mostroua mais comunicativa e uma batalhadora pelos direitos da sua filha, nos contoua sua luta juntamente com a mãe M4, ambas moradoras da sede e zona ruraldo município de Antônio Gonçalves. Antes de tomarem a iniciativa de procurar o gestor municipal, as mãespagavam passagem todos os dias nos ônibus que fazem transporteintermunicipal até o município de Senhor do Bonfim, iniciativa tomada e aí seiniciou uma longa batalha por um transporte gratuito, foram várias caminhadaspara a prefeitura do município e a secretaria de transporte até conseguir seratendidas, diminuindo assim os gastos com transporte, elas afirmam que nãofoi fácil, muito desgaste, tanto físico como emocional, mas nem por issodesistiram. Após muito esforço o gestor daquele município resolveu fornecer-lhes um transporte, que mais tarde viria a beneficiar outras mães que tambémtrazem seus filhos até o IPPB. Mas, o município de Antônio Gonçalves não é o único a deslocar umcarro para trazer as mães até Senhor do Bonfim. O instituto recebe tambémdeficientes vindos do município de Itiúba, também com o auxilio transporteoferecido pela prefeitura daquele município As mães, ao iniciarem essa verdadeira peregrinação com seus filhosacabaram tendo que abdicar de suas atividades para darem atenção àsnecessidades dos filhos deficientes, com isso algumas deixaram até mesmo detrabalhar para cuidar exclusivamente de seus filhos. A mãe M1 é a única quetrabalha fora e divide o tempo entre cuidar da filha, vindo para o instituto, oretorno para sua casa no município de Antônio Gonçalves onde moram, asatividades domésticas que segundo ela nem sempre dá tempo para realizar
  37. 37. diariamente e a rotina do trabalho como merendeira numa escola municipal noturno vespertino. Ela desabafa: M1: “tem dia que não dá nem para forrar as camas e limpar em baixo das camas só de oito em oito dias!” Mesmo com essa rotina tão corrida percebemos o amor dessas mães eo cuidado que elas têm com os filhos deficientes, deixando seus outros filhosnão deficientes e esposos em casa. A mãe M2 residente no centro Senhor doBonfim além de ser viúva e aposentada, leva sua filha até o instituto todas asmanhãs e volta para sua casa no intuito de fazer salgados a fim de aumentar arenda da família. As demais mães abdicaram de seus empregos para cuidaremexclusivamente de seus filhos. Assim com o perfil das entrevistadas traçado e a entrevista realizadafaremos a análise e interpretação dos dados colhidos diante das falas dasmães, buscando compreender a questão de pesquisa deste trabalho.4.3 A perspectiva da Inclusão Iniciamos nossas análises direcionando nossos olhares sobre aexpectativa das mães em relação à inclusão de seus filhos na escola regular.Conhecer essas expectativas é importante, para que possamos, através delas,perceber o que realmente as mães entendem e esperam da inclusão. Para Sassaki (1997), inclusão é “um processo pelo qual a sociedade seadapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas comnecessidades especiais e, simultaneamente, estas se preparam para assumirseus papéis na sociedade” (p.41). Das mães pesquisadas, a perspectiva de inclusão que se pôde perceberfoi a de permanência de seus filhos no IPPB, pelo tratamento igualitário que setem com os alunos, quando perguntados sobre a provável inclusão de seusfilhos na escola regular elas respondem como observado nas seguintes falas:
  38. 38. M1: “Não sei mais se isso acontecer prefiro levar minha filha para casa e educá-la sozinha. M2: “Eu não vou levar não, ela vai ficar aqui.” Observa-se nas falas das mães a negação pela inclusão de seus filhos,esse fato se dá na maior parte por experiências já vividas e que essas mãesnão gostariam de repetir. Elas relataram algumas frustrações na tentativa deinclusão: M2: “ela lá é maltratada e os colegas dizem para a professora que ela bate neles sendo que ela é quem apanha deles!” M3: “a professora foi levar ela na minha casa e disse que com ela não dava mais para ficar!” Em contrapartida a mãe M3, concorda em colocar sua filha na escolaregular, até por sua deficiência ser leve, no entanto ela acredita que a filhaprecise primeiro se socializar no instituto, como afirma abaixo: M3: “Eu vou colocá-la na escola depois que ela se socializar aqui.” A mãe M5, no entanto discorda das demais quando o assunto é ainclusão posto que seu filho já está matriculado na escola regular e freqüenta oinstituto para ser melhor socializado, no tocante à inclusão e permanência delena instituição, ela se manifesta dizendo: M5: “Ele já esta na escola mais eu gosto daqui.” Com a afirmação da mãe fica evidente o desejo de ver seu filho inclusona escola regular bem como continuar a socializá-lo no IPPB, para uma maiorfacilidade de adaptação ao mundo exterior, visando também uma melhorpreparação para enfrentar as dificuldades do cotidiano escolar e o convíviosocial. Segundo Rocher (apud LAKATOS,1992),
  39. 39. A socialização é o processo pelo qual ao longo da vida a pessoa aprende e interioriza os elementos socioculturais do seu meio, integrando-os na estrutura de sua personalidade sob influência da experiência de agentes sociais significativos, adaptando-se ao ambiente social em que vive. (p.217), Observa-se, portanto, no tocante às experiências anteriores que osalunos deficientes incluídos aqui referidos, sofriam de alguma forma na escolae as mães temem novamente exporem seus filhos à discriminação e aexclusão. A mãe M6 ainda muito magoada pelas tentativas de deixar seu filhona escola regular desabafa: M6: “Não boto porque não vale a pena, eles vão pra lá só serem humilhados.” Como observado, esses são relatos de mães que viveram experiênciasde inclusão desagradáveis para si e para seus filhos, casos onde o despreparodos profissionais e a descriminação ficam claros. Assim, percebemos mais uma vez que não somente a escola, como suaestrutura física, os professores e os alunos, não estão preparados para lidarcom a diferença. Acreditamos, portanto que essa preparação deva partir dospais e da família em geral, ainda com as crianças bem pequenas, ensinar-lhesa conviver com as diferenças, que elas existem e devem ser respeitadas. A partir daí as mães foram indagadas sobre a atuação do professor e emque elas achavam que eles deveriam melhorar, para poderem trabalhar emescolas inclusivas e elas responderam: M1: “respeito pela minha filha e que elas tratassem ela como as outras crianças, como é aqui!” M2: “paciência!” M3: “elas deveriam ser mais preparadas porque elas mesmas têm preconceito com eles!” M4: “paciência!” M5: “atenção e respeito pelos outros!”
  40. 40. Em todas as respostas expressadas aqui percebemos o sentimento detristeza por não terem conseguido avançar com seus filhos na escola regular,esse sentimento se transformou quando essas mães conheceram o InstitutoPsicopedagógico de Senhor do Bonfim, onde vêem realmente seus filhos sedivertirem e serem tratados com igualdade e carinho.4.4 A inclusão na prática Quando partimos para o assunto central da pesquisa que é a “inclusão”,no seu sentido mais amplo, as mães passaram a se fazer várias perguntas,que surgiram no momento em que colocamos para elas que seus filhosestariam ali no instituto para serem socializados e posteriormenteencaminhados para uma instituição inclusiva de ensino regular. Essa novidadesurgiu durante uma conversa com a psicopedagoga da instituição que noscolocou que essa era a intenção do IPPB, a partir daí passamos a perguntar asmães o que elas achavam dessa novidade. Perguntando, portanto qual a expectativa delas em relação a essainclusão na escola regular ficou um clima de indignação no ar e elas logoresponderam sem meias palavra: M1: “eu não aceito, já fiz a experiência e não gostei agora ela vai ficar aqui e quando não puder mais vamos embora!” M2: “eu não sei, será que ela tem que sair daqui?” M3: “prefiro deixar ela em casa porque a professora não vai saber lidar com ela e nem vai se preocupar com ela!” M4: “não sei ó!” M5: “não boto porque a humilhação é grande e não vale a pena!” Após o desabafo procuramos novamente saber se elas tinham algumaexpectativa em relação a inclusão e qual o desejo delas caso seus filhosfossem mesmo encaminhados para a escola regular, elas responderam combrilho nos olhos, de quem no fundo sente não ter seus filhos tratados comoiguais:
  41. 41. M1: “eu sei que minha filha não aprende igual aos outros, mas eu gostaria que ela tivesse sido ensinada e bem tratada na experiência que fiz, como não foi, eu não farei outra tentativa, ou é aqui ou ela vai ficar em casa!” M2: “eu espero que ela seja bem cuidada, mais a professora não vai ficar ensinando ela, se ela não aprende!” M3: “eu quero que as professoras sejam mais atenciosas e não levem seus problemas de casa para descontar nas crianças!” M4: “Vou ficar com ela em casa!” M5: “vou falar a verdade, lá não é como aqui, aqui eles são iguais e ela ama esse lugar!” Mas nem todas as mães concordam que os professores ou a escolapossa mudar em algum aspecto, a M6 nos surpreende dizendo: “se ela (a escola regular) tivesse uma sala especial como todos iguais e um professor só para eles aí era bom!” Deixando clara a sua vontade de ver seu filho permanentemente emuma classe especial seja na escola regular ou no próprio IPPB. Acreditamosassim que as mães entrevistadas se sentem mais seguras quando seus filhosestão em um meio onde todos são iguais “deficientes” e não exista preconceito,como é o caso do instituto. Finalizamos então essa análise reafirmando através das falas das mãesa negação pela inclusão dos seus filhos na escola regular, não somente peloespaço físico, mas principalmente pela atuação de professores despreparadose pelo preconceito dos demais alunos que também não estão preparados paralidar com as diferenças. A escola, assim como os professores, devem, estar preparados e aomesmo tempo preparar seus alunos, em conjunto com as famílias, para aaceitação e convívio com a diferença acima de tudo, respeitando o outro e alimitação de cada indivíduo.
  42. 42. CONSIDERAÇÕES FINAIS No entanto a questão “inclusão” deve ser discutida também com os paise alunos não deficientes para que ensinem seus filhos desde cedo a lidar comas diferenças, o que ajudaria consideravelmente nesse processo por não ficartão somente a responsabilidade por conta do professor/educador. A educaçãoinclusiva é um tema para se discutir em casa, rompendo as barreiras dopreconceito, buscando para cada um a responsabilidade na melhoria de vidadesses deficientes. Observamos na entrevista, o desejo das mães, em ver seus filhosvivendo na tão cultuada “sociedade”, posto que até aqui elas se sentem foradessa dela, por seus filhos serem tidos como loucos, um desejo de tê-los comoiguais, e bem recebidos por onde quer que andem. Na observação do ambiente em que estas mães inseriram seus filhos, oIPPB, se percebeu um mundo onde as “diferenças não são negadas”, todossão iguais, aprendem, brincam, riem e choram juntos, sem nenhuma distinção,e é esse o motivo da paixão que eles têm pelo IPPB de Bonfim. Desenvolver um modelo de educação inclusiva pode ter sido fácil paraalguns, mas é difícil para muitos aceitarem a inclusão como verdade, em salade aula por diversos motivos. A inclusão do deficiente falado ou no papel setorna poesia, mas a realidade é trazida a tona quando partimos para as escolase passamos a observar o número reduzido de alunos deficientes incluídos emcada instituição. Em algum momento passamos a nos perguntar: “será porque que asescolas incluem tão poucos deficientes? Será que é a escola que não os incluiou é a família que os protege em suas casas com medo da discriminação e dasegregação?” Foi justamente dentro desse contexto que pudemos perceber arelevância da discussão sobre inclusão em todos os âmbitos da sociedade.Pois a escola deve estar munida de espaço físico, profissionais capacitados ede muita dedicação para que a inclusão de fato aconteça em nossa sociedade.
  43. 43. Acreditamos que conseguimos com esse trabalho despertar em todosnós, profissionais em educação, uma reflexão a respeito da importância dainclusão do deficiente na escola regular de ensino.
  44. 44. REFERÊNCIASBRASIL, Ministerio da Educação. Secretaria de Educação Especial. PoliticaNacional de Educação Especial. Brasilia: MEC/SEESP, 1994.BUENO, J. G. Crianças com necessidades educativas especiais, políticaeducacional e a formação de professores: generalistas ou especialistas.Revista Brasileira de Educação Especial. Vol. 3. n.5, 7-25, 1999.CARVALHO, Rosita Edler. A Nova LDB e a Educação Especial. Rio deJaneiro: WVA, 1997.FLESCH, Seli. A inclusão do portador de deficiência visual no sistema deensino regular: desafios e perspectivas. – Santa Cruz do Sul: EDUNISC,2003. 82p. – (Série conhecimentos. Teses e Dissertações; 21)FERREIRA, Maria Elisa Caputo; GUIMARÃES, Marly. Educação inclusiva.Rio de Janeiro: DP&A, 2003.GOFFMAN, Erving Estigma. Notas sobre a manipulação da identidadedeteriorada. Rio de Janeiro: LTC. 1988.GONZÁLEZ, José Antônio Torres. Educação e diversidades: Basesdidáticas e organizativas. Porto Alegre: Artmed, 2002GOTTI, M. O. Fórum: Surdos e ouvintes juntos. In: Revista Nova Escola, anoXVII, nº 152, p. 09, maio/2002.JOVER,Ana, Preparando a escola inclusiva. In: Revista Nova Escola. Editora Abril, nº123,1999.KOCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia cientifica: teoria daciência e iniciação à pesquisa. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.MANTOAN, Maria Teresa Eglér. A Integração de pessoas com deficiência:contribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo: Memnon. EditoraSENAC, 1997.MASINI EFS, Gasparetto MERF, organizador. Visão subnormal: um enfoqueeducacional. São Paulo: Vetor; 2007.
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