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Escola E.B 2,3/S de Baião
Curso Profissional Técnico de Turismo Ambiental e Rural
Prova de Aptidão Profissional
Contributos para um Guia Turístico do Concelho de Baião
Daniela Pinto
Sónia Monteiro
Tatiana Marques
Baião/2010
Escola E.B 2,3/S de Baião
Curso Profissional Técnico de Turismo Ambiental e Rural
Prova de Aptidão Profissional
Contributos para um Guia Turístico do Concelho de Baião
Trabalho realizado para a Prova de Aptidão Profissional, orientado pelo professor Fernando Matos e
professor Rui Mendes, realizado pelas alunas Daniela Pinto, nº5, Sónia Monteiro, nº19 e Tatiana
Marques, nº21 do 12ºPA.
Baião/2010
Apresentação
Este trabalho realizado no âmbito do Curso Profissional Técnico de
Turismo Ambiental e Rural, na área de programação e gestão turística,
propomos à realização dum guia turístico que tem como principal objectivo
aprofundar e desenvolver conhecimentos, valores e atitudes que no âmbito da
sensibilização para a valorização do património ambiental e cultural do
concelho, bem como, o desenvolvimento de conhecimentos técnicos e
tecnológicos no âmbito da programação e de projectos turísticos.
Neste trabalho também queremos expressar os nossos
agradecimentos aos professores Fernando Matos Rodrigues, coordenador da
nossa Prova de Aptidão Profissional, pela coordenação e orientação
metodológica do trabalho, ao professor Rui Mendes, professor Pedro Paiva,
professora Gertrudes Cristina e professora Cristina Carvalho pela sua
disponibilidade e pelo apoio prestado ao longo do trabalho.
Índice
1. Introdução………………………………………………………………………1/2
2. Definição de um Guia turístico………………………………………………….3
3. Caracterização Territorial
3.1. Caracterização Geral………………………………………………..4/7
3.2. Ambiente………………………………………………………………..8
3.3. Enquadramento Geomorfológico…………………………………9/10
3.4. Enquadramento Geológico………………………………………10/11
3.5. Declives……………………………………………………………12/13
3.6. Formas alveolares……………………………………………………13
3.6.1. Vale Alveolar do Ovil……………………………………….14
3.6.2. Alvéolo do Gôve………………………………………...14/15
3.6.3. Alvéolo de Campelo………………………………………..15
3.7. Flora e Vegetação……………………………………………………16
3.8. Flora Autóctone…………………………………………………...17/18
3.8.1. Flora em Perigo…………………………………………18/19
3.9. Aves………………………………………………………………..20/22
3.10.Hidrografia do Concelho de Baião……………………..………23/24
3.10.1. Rio Ovil……………………………………………………..24
3.10.2. Rio Douro…………………………………………………..25
4. Património Arqueológico…………………………………………………...26/27
4.1. Monumentos Megalíticos………………………………………...27/28
4.2. Povoados da Idade do Bronze…………………………………..29/30
4.3. Idade do Ferro à Idade Média…………………………………...30/31
5. Património Arquitectónico
5.1. Coretos…………………………………………………………….31/32
5.1.1. Elementos estruturais dos Coretos…………………………...32/33
6. Património Cultural
6.1. Tradicional Doce da Teixeira…………………………………….34/35
6.2. Bengalas de Gestaçô…………………………………………….35/36
6.3. Folclore…………………………………………………………….37/38
6.3.1. Rancho Folclórico de Ancede……………………………..38
6.3.2. Rancho Folclórico de Baião……………………………39/40
6.3.3. Rancho Folclórico de Gestaçô………………………...40/41
6.3.4. Rancho Folclórico de Santa Cruz do Douro…………41/42
6.4. Bandas Marciais
6.4.1. Banda Marcial de Ancede…………………………………40
6.4.2. Banda Marcial de Santa Marinha do Zêzere…………….41
7. Pontos de Interesse
7.1.Carvalho………………………………………………………………..45
7.2.Canastro………………………………………………………………..45
7.3.Beiral e Eira……………………………………………………………46
7.4.Moinho………………………………………………………………….46
7.5.Miradouro…………………………………………………………..46/47
7.6.Paisagens………………………………………………………………47
7.7.Igreja de Tresouras……………………………………………………48
7.8. Igreja de Valadares…………………………………………………..48
7.9. Dólmen Chá da Parada…………………………………………..49/50
7.10. Estações e Apeadeiros
7.10.1. Estação do Marco de Canaveses…………………….51/52
7.10.2. Estação do Juncal………………………………………….53
7.10.3. Estação da Pala………………………………………….53
7.10.4. Estação de Mosteirô………………………………....54/55
7.10.5. Estação de Aregos…………………………………..55/56
7.10.6. Apeadeiro do Mirão……………………………………...56
7.10.7. Estação da Ermida...................................................57/58
7.10.8. Apeadeiro de Porto de Rei……………………………...58
7.10.9. Apeadeiro de Barqueiros…………………………………59
7.10.10. Estação da Rede……………………………………59/60
7.10.11. Apeadeiro de Caldas de Moledo………………………..60
7.10.12. Estação de Godim……………………………………...61
7.10.13. Estação de Régua………………………………….61/62
7.10.14. Mapa da Linha do Douro……………………………….63
7.11. Fundação Eça de Queiróz……………………………………..64/65
7.12. Mosteiro de Ancede…………………………………………….66/67
7.13. Convento de Ermelo…………………………………………….67/68
7.14. Museus
7.14.1. Museu Municipal Amadeo Souza Cardoso…………69/70
7.14.2. Museu Municipal de Baião…………………………...70/71
7.14.3. Museu do Douro……………………………………….71/72
7.14.4. Museu de Lamego………………………………........72/74
7.14.5. Museu de Resende…………………………………..74/75
7.14.6. Museu Serpa Pinto……………………………………….76
7.15. Pelourinho da Teixeira……………………………………………...77
8. Casas de Turismo de Habitação
8.1. Casa da Cochêca…………………………………………………78/79
8.2. Casa da Lavandeira………………………………………………….80
8.3. Quinta da Ermida……………………………………………………..81
8.4. Quinta do Ervedal…………………………………………………82/83
8.5. Quinta de Guimarães………………………………………………...83
8.6. Quinta das Quintãs…………………………………………….....84/85
9. Casas de Turismo Rural
9.1. Casa das Feitorias……………………………………………………86
9.2. Casa de Fundo de Vila………………………………………………87
9.3. Casa do Silvério………………………………………………………88
9.4. Casa de Viombra……………………………………………………..89
9.5. Casarão………………………………………………………………..90
9.6. Casa da Torre……………………………………………………..91/92
10. Casa de Campo
10.1. Casa dos Pousadouros…………………………………………………93/94
11. Hotel Douro Palace Resort & SPA……………………………………....95/96
12. Gastronomia………………………………………………………………...…97
121. Restauração…………………………………………………………98
12.2. Mapa 3- Restauração………………………………………………99
13. Vinhos…………………………………………………………………………100
13.1. Principais Produtores Vitivinícolas……………………...............101
13.2. Mapa 4- Principais Produtores Vitivinícolas….…………………102
14. Conclusão……………………………………………………………….103/106
15. Bibliografia………………………………………………………………107/108
16. Netgrafia ……………………………………………………………......109/111
1. Introdução
A proposta da realização de um guia turístico integra-se na formação
dos alunos do Curso Técnico de Turismo Ambiental e Rural, de forma a
desenvolver e a aprofundar conhecimentos técnicos, tecnológicos e cientifico-
culturais. Desta forma, promove-se uma estreita relação entre o Mundo da
formação, mais fechada e académica e o mundo cultural e profissional mais
dinâmico e interactivo.
Sem dúvida alguma esta actividade pretende desenvolver uma maior
sensibilidade e motivação para actividades e ofertas turísticas na Região do
Douro, dando a conhecer potencialidades, programas e infra-estruturas
turísticas que se conectam com a matriz ambiental, cultural e patrimonial do
Douro e Regiões limítrofes.
Localizado na NUT III do Baixo Tâmega, o concelho de Baião é um
território de enorme potencial turístico em virtude das condições naturais de
que usufrui. Território de transição entre o litoral e o interior de Portugal, Baião
é influenciado por uma mistura de climas que conferem uma identidade única
e uma variedade ao nível da flora e da fauna ímpares.
Neste território são inúmeras as marcas distintivas ao nível do seu
património natural. De facto, o seu principal património, e primeiro a ser
reconhecido pelos sentidos, é o relevo montanhoso. Aqui coexistem diversos
conjuntos montanhosos de formação e estrutura geológica variada, embora
predomine o granito, como sejam a Serra de Valadares, a Serra da
Aboboreira e a Serra do Marão.
Cobertas por uma vegetação pouco densa, características dos climas
de altitude, nas suas encostas podemos encontrar alguns carvalhais
centenários e, nos seus vales e encostas de menor altitude, encontramos
alguns exemplares de vegetação típica do clima mediterrânico, como sejam,
as oliveiras. Tal resulta de um microclima influenciado pelos seus vales de
vertente soalheira e, principalmente, pela acção do seu elemento natural mais
distintivo: o Rio Douro.
De facto, o Rio Douro condicionou o desenvolvimento humano da
região constituindo elemento essencial no futuro do concelho, em virtude das
inúmeras potencialidades que apresenta quando encarado como recurso
económico.
Se ao nível paisagístico o concelho apresenta grande diversidade e
riqueza, também ao nível do património humano Baião apresenta
potencialidades de grande valor. O seu património pré-histórico e histórico
disso são exemplo. Os inúmeros vestígios arqueológicos patentes pelos seus
castros, menires e mamoas atestam a antiguidade da ocupação humana mais
tarde vincada pelos monumentos como o Mosteiro de Ancede, as ruínas do
Castelo de Matos e várias igrejas e casas senhoriais seculares.
Em função de um output turístico de grande valor económico e
regional, a marca Douro, vai permitir compreender a importância da
programação, organização e gestão turística a partir de valores turisticamente
sustentáveis.
2.Definição de Guia turístico
Guia turístico é um manual de informações turísticas ou, ainda, a
publicação destinada à promoção e à divulgação do turismo. É, portanto, um
objecto, um livro, um catálogo ou uma publicação. Em compartida, guia de
turismo é o profissional, a pessoa que, além de prestar as informações
necessárias, também acompanhará o turista e irá orientá-la durante a viagem.
Devido à grande diversidade dos produtos turísticos e das diversas
facetas que a actividade apresenta na prática, é necessário que existam
diversos tipos de guia de turismo.
O Guia de turismo especializado em atractivos naturais ou culturais é o
profissional responsável pela recepção de visitantes em locais como usinas,
sítios históricos, museus, parques nacionais, entre outros, que necessite de
bastante conhecimento específico sobre o local visitado.
O Guia de Turismo regional tem como funções “o acompanhamento, o
translado, a prestação de informação e assistência a turistas, em itinerários
ou roteiros locais ou intermunicipais de uma determinada unidade da
federação, para visitas a seus atractivos turísticos”
O Guia de turismo de excursão nacional tem como funcionalidade
acompanhar grupos para fora do seu estado de origem, por todo o território
nacional e pela América do Sul. Por fim, o Guia de Turismo de Excursão
Internacional acompanha os grupos a países dos cinco continentes. Este guia
pode durante as viagens contratar guias locais para transmitir informações
específicas sobre as cidades visitadas 1
.
1
CHIMENTI, Silvia e TAVARES, Adriana “ Guia de Turismo” O PROFISSIONAL E A
PROFISSÃO (2007) Editora Senac São Paulo.
3.Caracterização Territorial
3.1. Caracterização Geral
Baião é um concelho do interior do Distrito
do Porto, com uma área de 175,71 hectares,
compreendendo 20 freguesias: Ancede, Campelo,
Covelas, Frende, Gestaçô, Gôve, Grilo, Loivos do
Monte, Loivos da Ribeira, Mesquinhata, São João
de Ovil, Ribadouro, Santa Cruz do Douro, Santa
Leocádia, Santa Marinha do Zêzere, Teixeira,
Teixeiró, Tresouras, Valadares e Viariz.
Circundado pela Serra do Marão, Aboboreira
e Castelo de Matos, e ainda banhado pelo Rio
Douro, a sua posição que confere a este concelho
um elevado potencial turístico. Está limitado pelos
concelhos de Amarante, Marco de Canaveses,
Cinfães, Resende, Mesão Frio, Régua e Santa
Marta de Penaguião, entroncando, desta forma,
com os distritos de Vila Real e Viseu.
O rio Douro, que nasce em Espanha,
apresenta um potencial turístico de grande valor,
banha a vertente sul do concelho de Baião. Aqui,
destaca-se Ribadouro, onde podemos desfrutar de
inúmeras sugestões de passeios e desportos
náuticos, como por exemplo, remo ou canoagem,
windsurf, vela, jet-ski ou motonáutica. Os passeios
fluviais podem ser realizados nos antigos barcos
rebelos ou em barcos-hotel. Quanto aos passeios
Fig.1- Vista da Vila de Baião
Fig.2- Vista da Freguesia de Valadares
Fig.3- Vista da Freguesia de
Tresouras
Fig.4- Vista da Freguesia de Santa
Leocádia para Ribadouro
pedestres podemos visitar o Castro de Porto
Manso, que se situa ao longo da Calçada Romana.
Este rio condiciona a vida e economia da
região. Um dos elementos de atracção turística é a
linha de caminho-de-ferro, a Linha do Douro, que
liga Porto e Pocinho (Concelho de Vila Nova de
Foz Côa, Distrito da Guarda). Grande parte do seu
percurso acompanha as margens do rio Douro,
contendo, a maior extensão de via-férrea ladeada
de água de Portugal.
A Serra da Aboboreira, um dos elementos
mais importantes e influentes no modo de vida do
concelho, tem alguns pontos característicos
assinaláveis como a aldeia de Almofrela, uma
aldeia tradicional, envelhecida e paisagisticamente
enquadrada pelo rio e vale do Ovil; encontramos
ainda importantes vestígios pré-históricos,
testemunho da antiguidade de ocupação da região,
de onde se destaca o dólmen de Chã de Parada.
Noutro conjunto montanhoso, encontramos Castelo
de Matos, que se localiza na Aldeia de Matos, um
pequeno lugar de montanha em forma de anfiteatro
e constituído por casas tradicionais construídas em
granito local onde outrora terá existido um castelo
em madeira que ardeu num forte incêndio.
É no museu municipal de Baião que se
encontram grande parte dos vestígios
arqueológicos, pontas de seta em cobre, vasos
decorados e espora em ferro do Castelo de Matos.
Em termos ambientais a paisagem
caracteriza-se pela diversidade e pela riqueza não
só das condições naturais dadas pela geologia
visíveis nos citados conjuntos montanhosas, fauna
(javalis, raposas, lobos, doninhas, bois, ovelhas,
Fig.5- Vista da Freguesia de Ribadouro
Fig.6- Vista sobre a Freguesia de
Ancede
Fig.7- Freguesia de Ribadouro
Fig.9- Vista da Freguesia de Ancede
sobre o Douro e o Concelho de
Cinfães
Fig.8- Vista da Freguesia de Teixeira
burros, cavalo…) e flora (sobreiros, carvalhos,
castanheiro, pinheiro manso…) numa imensa área
florestal enquadrada pelos granitos e xistos das
serras, mas também pela intervenção do homem
sendo marcadamente visíveis as transformações
provocadas na paisagem pela prática da agricultura
(socalcos) e da pecuária, constituindo um conjunto
de recursos que permite a sua exploração turística
e económica.
O clima local, apresenta algumas
características próprias que condicionam a
vegetação existente. A relativa proximidade ao
Atlântico confere um clima de cariz oceânico, com
temperaturas amenas, amplitudes térmicas e
precipitações abundantes (temperatura
caracterizada por elevadas amplitudes térmicas
anuais com verões quentes e secos e invernos frios
e chuvosos). No entanto, uma série de outros
microclimas são identificáveis: o mediterrânico,
com verões relativamente secos, junto aos vales do
Douro, e o de altitude, com invernos chuvosos, por
vezes de neve e temperaturas frias.
A formação de Baião está ligada ao
denominado Castelo de Matos, antigo castelo de
Penalva do séc. XI, e que foi reduzido a cinzas por
um incêndio que o destruiu. Baião é a origem da
família nobre dos Baiões descendentes de D.
Arnaldo (trisavô de Egas Moniz, aio de D. Afonso
Henriques) um guerreiro que veio combater os
Mouros na Península Ibérica, em 985.
As terras de Baião foram concedidas como
premio pela sua bravura pelo Rei de Castela.
Fig.10- Serra da Aboboreira
Fig.11- Freguesia de Santa Cruz do
Douro
Fig.12- Freguesia de Gôve
Fig.14- Freguesia de S. Tomé de
Covelas
Fig.13-Vista da aldeia de Mafómedes
Os historiadores pensavam, que D. Arnaldo seria
um guerreiro alemão que perdeu o seu ducado
numa guerra, outros pensavam que seria um
cavaleiro de Bayonne, filho de um rei de Itália e
neto de um rei de França dai a origem do nome de
Baião.
D. João I deu as terras de Baião a um
parente do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira.
No tempo de D. João II, Baião recebeu um foral de
D. Manuel I, em 1513. No séc. XX, a serra da
Aboboreira, foi lugar de várias aparições marianas
(a um pastor local), facto que originou a construção
da Capela de Nossa Senhora da Guia, onde
ocorrem muitos peregrinos atraídos pela beleza e
pela paz, que aqui encontravam.
Fig. 15- Mapa 1 Localização do
concelho de Baião no território
português.
Fonte: FERREIRA Marlene, (2007) “
Rancho Folclórico de Baião Diálogo
entre etnogrfia, memória e história, in
Prova de Aptidão tecnológica.
3.2. Ambiente
Os vales encaixados onde correm os Rios
Douro e Tâmega, constituem um factor de barreira
e simultaneamente de agregação entre o conjunto
de municípios envolvidos:
- O limite Oeste deste conjunto, define-se pelo
complexo montanhoso Alvão e Marão;
- O limite Norte é constituído pelas Serras da
Cabreira e do Barroso;
- O limite Sul é formado pelas Serras de
Montemuro e Bigorne.
A paisagem local é marcada pela
diversidade e pela riqueza resultante não só das
condições naturais hidro-geomorfológicas, mas
também pela existência de solos “artificiais” onde,
tradicionalmente, se têm praticado sistemas
agrícolas policulturais, com recurso á mão-de-obra
intensiva e á generalização da pecuária.
As unidades paisagísticas existentes podem
ser sintetizadas em:
- Paisagem de policultura, marcada pela presença
do vinho;
- Paisagem denominada pela presença da floresta;
- Paisagem denominada pela presença de
pastagem e culturas forrageiras, onde a presença
de animais surge ocasionalmente na forma de
rebanhos, manadas, etc. Para além disso, o
património natural inclui outros motivos de Fig.20 - Pastoreio
Fig 16– Serra do Marão
Fig 17– Campos de cultivo
Fig 19– Vinha
Fig 18– Campos destinados ao pastoreio
interesse como seja existência de vários locais de
caça, pesca e praias fluviais2
.
3.3. Enquadramento Geomorfológico
A morfologia da região em que se insere o
concelho de Baião é dominada pela serra do
Marão, pelo vale profundo do rio Douro e pelos
vales de alguns afluentes e subafluentes deste rio,
destacando-se o rio Tâmega.
A serra do Marão destaca-se na paisagem
pela sua extensão e pelas cristas imponentes, que
atingem uma altitude máxima de 1.415 metros. A
rocha predominante no Marão, são os xistos-
quartzíticos. A SE do alto do Marão encontra-se a
fraga da Ermida (1.397 m) e a SW a crista das
Seixinhas (1.277 m), a partir da qual se baixa para
o rio Teixeira, que se localiza entre Teixeira e
Teixeiró.
O rio Douro corre na região meridional, num
vale apertado e de vertentes acentuadas,
percorrendo 26 km de leito.
Na região a ocidente do Marco de
Canaveses, o relevo é essencialmente constituído
por rocha granítica, destacando-se as paredes
arredondadas e os blocos porfiroídes.
2
Cfr. Pacto para o desenvolvimento do entre Douro e Tâmega, RURALIDADE, LAZER E
CULTURA, Agência de Desenvolvimento Regional do Entre Douro e Tâmega, s.l. 2001.
Fig 21- Serra do Marão
Fig.22 - Rochas graníticas
Fig.23 – Rochas graníticas na Serra do
MArão
Fig.24 - Casa em xisto em Mafómedes
Os vales apertados da zona xistenta dão, em
geral, na zona granítica, lugar a vales mais abertos,
embora quase sempre sinuosos.
3.4. Enquadramento Geológico
No concelho de Baião, ao longo das
margens do rio Douro, é comum encontrar
depósitos do fundo de vale e de vertente
arrastados pelo rio no seu percurso ou
provenientes das montanhas que o ladeiam, assim
como por diversas e pequenas manchas de
formação de terraço e por areias e cascalheiras
actuais. Estes vestígios em época de cheia ficam
submersos.
A litologia característica de Baião é
representada pelo granito porfiróide de grão
grosseiro, havendo no entanto excepções, como o
caso de Viariz, Gestaçô e Santa Marinha do
Zêzere, onde se encontra uma faixa de granito
porfiróide de grão médio, que por vezes passa a
grão médio fino, essencialmente biotítico.
Os xistos encontrados junto das minas de
Teixeiró, prolongam em direcção a Mafómedes (S),
e datam do período da era paleozóica, fazendo a
separação entre os períodos Silúrico e Ordovícico.
Nas proximidades de Gestaçô, as rochas
estão metamorfizadas, devido à vizinhança do
granito. As rochas da faixa Ordovícico-Silúrico
sofreram metamorfismo de contacto, e deram
Fig.25 - Casas tradicionais em xisto
Fig.27- Rochas graníticas
Fig.26 - Rochas
Fig.28 – Rochas graníticas
Fig.29 - Xisto
Fig. 30 – Casa em xisto
origem a rochas corneanas e xistos. Este
fenómeno pode ser observado ao longo da estrada
da Teixeira.
Estruturas geológicas interessantes são as
manchas principais de formação de terraço que se
podem encontrar em Outoreça e Matos, que são
constituídos por uma rocha com grão fino, que se
torna mais grosseiro junto do granito porfiróide
envolvente, constituído por minerais principais,
como quartzo, oliogoclase-andesina, microclina,
biotite e moscovite, e secundários, como caulino,
sericite e clorite.
A riqueza litológica da região levou à sua
exploração económica, existindo uma série de
minas entretanto desactivadas. No Crasto situado a
sul de Amarelhe, encontra-se granito biotítico,
explorado para a construção civil e formado por
minerais essenciais, como quartzo, microlina,
albite, biotite e moscovite, e minerais secundários,
como apatite, zincão e minérios negros de ferro.
Em Viariz, Santa Marinha do Zêzere, Gôve, Grilo e
Mesquinhata foram explorados filões aplito-
pegmatitícos.
Fig.31 – Muro em xisto
Fig.32 - Xisto
Fig.33 - Rocha
Fig.34 – Casa em xisto na aldeia de
Mafómedes
3.5. Declives
As vertentes com forte declive localizam-se a
SW (Sudoeste), junto ao vale do Rio Douro,
prolongam-se pelos vales dos cursos de água
afluentes.
A vertente SE (Sudeste) é a que apresenta
maior declive, mergulhando abruptamente no vale
do Rio Douro. As vertentes ocidentais e orientais
do topo da Aboboreira também mostram um forte
declive, denunciando desde já a existência de
falhas e escarpas no sentido NE-SW, e que
parecem definir e desfrutar este topo.
A área definida como depressão mais
alongada é o vale alveolar do Gôve. Os alvéolos do
Ovil e Campelo, embora estes sejam dois alvéolos
completamente distintos.
Constata-se desde já que a topografia desta
área de Baião impõe sérias limitações à utilização
do solo, quer em termos de povoamento, devido à
altimetria e irregularidade do relevo, quer em
termos de uso agrícola, já que a orografia favorece
a compartimentação da exploração agrícola e
constituição geológica não favorável.
No vale do Rio Ovil, a agricultura foi
processando espaços onde o processo erosivo e o
uso de socalcos o permitiu.
A invasão do Pinheiro Bravo alterou a
primitiva floresta constituída pelo “Carvalho Roble”
e quase eliminou os vestígios da cobertura vegetal
primitiva e ainda subsiste, em regressão nas zonas
Fig.35 - Declive em Mafómedes
Fig.36 - Declive em Mafómedes
Fig. 37 - Declive em Mafómedes
Fig. 38 - Declive na Serra de
Castelo de Matos
Fig39 - Declive em Santa Leocádia
de altitude e planálticas onde se praticou desde
sempre o pastoreio na Serra da Aboboreira.
O Carvalho Roble é uma espécie de ampla
distribuição, dominante, sobretudo quando ocorre
vales e ladeiras com terrenos profundos, soltos,
frescos e siliciosos. Por outro lado, o Pinheiro
Bravo é uma espécie proveniente da região
Mediterrânea, que cresce em solos leves e
arenosos marítimos, além disso, o cultivo estende-
se pelas costas Atlânticas de Portugal, onde
constitui a principal espécie florestal.
O relevo e a floresta que envolvem a
agricultura dos vales e das encostas em socalcos,
conferem uma paisagem aprazível. Contudo, tem
conduzido a uma grande dispersão da população
por implicar custos sucessivamente elevados e
pela fragmentação das explorações agrícolas,
limitando práticas de mecanização e de agricultura
extensiva3
.
3.6. Formas Alveolares
Os alvéolos são definidos como depressões,
ou seja, correspondem a um abaixamento de nível
nas grandes superfícies graníticas. É também
decretado pela percepção de um aprofundamento
3
Ver por ex. José Alberto (2000/2001) Estudo Geomorfológico da área de Baião. Porto,
Faculdade de letras da Universidade do Porto, [texto poli copiado], 82 págs.
de um sector aplanado limitado por formas
morfológicas de altitude.
3.6.1. Vale alveolar do Ovil
O alvéolo do Ovil é caracterizado pelas
grandes dimensões e pela sua localização num
provável vale de factura, convencionando designar
o vale alveolar de Ovil.
Este apresenta nitidamente grandes
dimensões que se prolongam longitudinalmente
pelo traçado do rio Ovil.
É possível constatar a existência de falhas
que provavelmente controlam o percurso do rio Ovil
e que poderão estar na origem desta forma
alveolar.
Distinguem-se também duas rechãs muito
nítidas, uma ao nível dos 500 metros e outro pelos
470 metros, testemunhos da fracturação NE-SW.
3.6.2. Alvéolo do Gôve
Este alvéolo apresenta forma irregular e
situa-se entre os lugares de Pedreda e Ingilde. Este
perfil define-se como uma área aplanada com uma
variação máxima de 50 metros de altitude.
Localiza-se numa área de cruzamento de
fracturas que dão origem a uma depressão e
considera-se um contacto litológico com o granito
porfiróide de grão fino, influenciando, assim, a sua
localização.
A escarpa de falha condiciona a vertente SW
(Sudoeste) do alvéolo, limitando-o e justificando
maior acentuação dos declives nessa secção.
3.6.3. Alvéolo de Campelo
O estrangulamento do vale do rio Ovil em
Ervins que corresponde a um dos limites do vale
alveolar de Ovil, prossegue para SW (Sudoeste)
com a abertura de uma área deprimida que segue
até Várzea. Esta depressão corresponde ao alvéolo
de Campelo, o mais pequeno desta área.
A proximidade deste alvéolo com o de Ovil
pode não ser casual.
Este alvéolo é classificado como sendo do
tipo elementar4
.
4
Ver por ex. José Alberto (2000/2001) Estudo Geomorfológico da área de Baião. Porto,
Faculdade de letras da Universidade do Porto, [texto poli copiado], 82 págs.
3.7. Flora e vegetação
A relativa proximidade ao Atlântico confere
um clima acentuado cariz oceânico, com
temperaturas amenas, amplitudes térmicas e
precipitações abundantes.
Os Verões são relativamente secos, o que
traduz (sub)mediterrânica característica e dos
climas ibéricos.
As áreas cultivadas concentram-se nos solos
profundos e frescos da base dos encantos, na
periferia da serra, constituindo um conjunto de
bosques e matagais, mosaicos de grande valor
económico.
As áreas mais elevadas encontram-se
actualmente colonizadas por grandes extensões de
matos rasteiros e prados com menor interesse
global para efeitos de conservação5
.
5
Cfr. NUNES, Manuel “A Terra, o Homem e os Lobos” in Serra da Aboboreira, p.p.71.
Fig.-
Fig 40 – Matos rasteiros na Serra da
Aboboreira
Fig.41 – Vegetação na Serra da
Aboboreira
Fig.42 – Mato rasteiro na Serra da
Aboboreira
3.8. Flora autóctone
Baião, possui uma flora autóctone rica e
diversificada, associada a uma variedade
paisagística, condicionada pelos microclimas
existentes no concelho.
Na região do vale do Douro, com maior
exposição solar, mais quente e abrigada,
encontramos espécies como sobreiros (Quercus
suber), pinheiro manso (Pinus pinea) e a Esteva
(Cistus ladanifer L.).
Próximo das linhas de água, as zonas de
baixa altitude e temperadas, surge o carvalho
alvarinho (Quercus robur), aumentando de altitude
e coexistindo com este, temos, o carvalho negral
(Quercus pyrenaíca), também medronheiros
(arbustus unedo L.), catapereiro (Pyrus
bourgaeana), pilriteiro (Crataegus monogyna), e
mais raramente, o Azevinho (Ilex aquifolium L.).
Nas encostas mais elevadas, frias e húmidas,
prevalece a autóctone, carvalho negral. Pode-se
considerar as espécies referidas, com excepção do
azevinho, surgem em algumas manchas.
Os cumes das serras, constituem locais
inóspitos pelo frio, vento intenso e solo pouco
profundos, surgem cobertos de flora
essencialmente arbustiva e herbácea, típica de
zonas mais elevadas
Sendo a mais representativa o Tojo (Ulex minor), a
Urze-branca (Erica arbórea), a Urze-roxa (Erica
cinerea), a Giesta-branca (Cytisus multiflorus) e
amarela (Cytisus scopariu), a Abrótea (Asphodelus
Fig.43 - Urze Roxa (Erica cinerea)
Fig.44 - Tojo (Ulex minor)
Fig.46- Carvalho Negral (Quercus
pyrenaica)
Fig.47 - Jacinto-dos-Campos
(Hyacinthoides triandrus)
Fig.45 - Sargaço (Cistus salvifolius)
ramosus), o Sargaço (Cistus salvifolius), o
Rosmaninho (Rosmarinus officinalis). Podemos
adicionar a esta lista algumas bolbosas como por
exemplo o Jacinto-dos-Campos (Hyacinthoides
triandrus). A Carqueja (tridentatum) domina
especificamente na encosta do Marão, também a
podemos encontrar nas freguesias situadas no vale
do Rio Teixeira. Esta flora, com o aproximar da
primavera e a respectiva floração, cobre todo o
concelho de um delicioso perfume e magníficos
tons coloridos67
.
3.8.1. Flora em Perigo
No concelho de Baião podem-se encontrar
várias espécies de flora em perigo.
O Azevinho (Ilex aquifolium L.) é conhecido
pela sua beleza e utilizações ornamentais, sobretudo
na quadra natalícia. Nos ramos, a folha apresenta
margens denteadas e pontiagudas e com frutos de
cor vermelha. O contraste das cores alegra qualquer
ambiente, são estas características que motivam a
procura que o torna rara.
O Carvalho-Negral (Quercus pyrenaica willd)
e o Carvalho Alvarinho (Quercus robur) são espécies
6
Cfr. Poster Flora Autóctone, Curso de Turismo Ambiental e Rural
(2008).
V. p. ex. LAWRENCE, Eleanor, FITZSIMONS, Cecilia, “Flores de Montanha”, Pequenos
Guias da Natureza, p.p. 111.
V. p. ex. FOREY, Pamela, FITZSIMONS, C., “Flores Silvestres”, Pequenos Guias da
Natureza, p.p 75, 97, 102 e 120.
Fig.48 - Sobreiro (Quercus suber)
Fig.49 - Azevinho (Ilex aquifolium
L.)
Fig.50 - Carvalho Negral (Quercus
pyrenaica willd)
classificadas como protegidas, não só por terem um
crescimento lento, mas, essencialmente, por causa
dos incêndios e aproveitamento intensivo.
O Sobreiro (Quercus suber), apesar da
existência de uma lei que o protege e penaliza quem
o corta, está a regredir, pois a pressão urbanística,
os incêndios e também a sua substituição por outras
espécies com maior viabilidade económica, fá-lo
desaparecer.
O trevo-de-quatro-folhas (Marsilea quadrifolia
L.) é uma espécie em perigo devido a aterro de
charcos, a regularização das margens fluviais, a
competição com espécies aquáticas invasoras, a
edificação de barragens e a poluição dos cursos de
água por afluentes domésticos e industriais.
O Teixo (Taxus baccata), finalmente, é uma
das espécies à extinção pelo corte que os pastores
faziam devido à toxidade para os seus animais. E,
actualmente, são as multinacionais farmacêuticas
pela procura do agente antitumoral, utilizado com
sucesso no tratamento do cancro, que se encontra
nas suas folhas8
.
8
Cfr. Poster Flora Autóctone, Curso de Turismo Ambiental e Rural (2008).
Fig.52 - Sobreiro (Quercus suber)
Fig.53 - Trevo-de-quatro-folhas
(Marsilea quadrifolia)
Fig.51 - Carvalho Alvarinho (Quercus
robur)
3.9. Aves
No Concelho de Baião, mais precisamente na
serra da Aboboreira, existem maioritariamente
espécies nidificantes de origem paleártica (ex: águia-
d’asa-redonda Buteo buteo), europeia (ex: cotovia-
dos-bosques Lullua arborea), holárctica (ex: carriça
Troglodytes troglodytes) e euro-turquestana (ex:
verdilhão Carduelis chloris).
Permanecem ainda, espécies consideradas
como vulneráveis (ex: águi-caçadeira Circus
pygargus e rola –brava Streptopelia turtur) ou raras
(ex: narceja Gallinago gallinago).
As espécies mais abundantes são a Águia –
Caçadeira Circus pygargus, a Galinhola Scolopax
rusticola, o Cuco Cuculus canorus, o Mocho-galego
Athene noctua mais frequente nas zonas de
Almofrela e Currais, o Noitibó – cinzento
Caprimulgus europaeus, a Andorinhão – preto Apus
apus, a Poupa Upupa apops, o Peto-real Picus
viridis, o Pica-pau-malhado Dendrocopos major é
possível observá-lo nos locais de Currais e
Aboboreira, a Cotovia – dos – bosques Lullula
arborea, a Andorinha-das-beiras Delichon urbica, a
Petinha-dos-prados Anthus pratensis, a Alvéolo-
cinzenta Motacilla cinerea, o Rabirruivo Phoenicurus
ochruros, o Cartaxo Saxicola torquata mais comum
nas zonas de Serrinha e Senhora da Guia, a Felosa-
poliglota Hippolais polyglota, a Toutinegra-dos-
valados Sylvia melanocephala, o Gaio Garrulus
glandarius, a Pega Pica pica, a Gralha-preta Corvus
corone, o Tentilhão Fringilla coelebs, a Milheirinha
Fig.54 - Andorinha dos beirais
Fig.55 - Andorinhão-preto
Fig.56 - Carriça
Fig.57 - Chapim-azul
Fig.58 - Chapim-real
Serinus serinus, o Verdilhão Carduelis chloris, o
Pintassilgo Carduelis carduelis, o Lugre Carduelis
spinus na proximidade da aldeia de Tolões, Águia-
d´asa-redonda Buteo buteo, o Peneireiro Falco
tinnunculus, a Perdiz Alectoris rufa, o Pombo-torcaz
Columba palumbus, a Rola-brava Streptopelia turtur,
a Carriça Troglodytes troglodytes, a Ferreirinha
Prunella modularis, o Pisco - de – peito – ruivo,
Erithacus rubecula, o Melro Turdus merula, a
Tordoveia Turdus viscivorus, a Toutinegra-de-barrete
Sylvia atricapilla, a Felosinha Phylloscopus collybita,
o Estorninho-preto Sturnus unicolor, o Pardal Passer
domesticus, o Pardal-montês Passer montanus mais
abundante nas zonas de Almofrela e Travanca do
Monte, o Pintarroxo Carduelis cannabina, a Alvéola-
branca Motacilla alba habita as áreas rurais, tais
como, a Aboboreira, Almofrela, Abogalheira
Travanca do Monte e Carvalho de Rei, a
Escrevedeira Emberiza cirlus nas zonas de Carvalho
de Rei e castelo, a Cia Emberiza cia mais frequente
nos locais de de Currais, Almofrela, Aldeia Nova,
Aldeia Velha e Tolões.
A Cordoniz Coturnix coturnix, o Guarda-rio
Alcedo atthis, a Andorinha – das – rochas
Ptynoprogne rupestris são espécies pouco comuns
na serra da Aboboreira.
As espécies mais escassas são o Milhafre-
preto Milnus migranse, o Gavião Accipiter nisus, a
Galinha-d´água Gallinula chloropus, o Papa-amoras
Sylvia communis, a Seixa Columba oenas, a
Andorinha-das-chaminés Hirundo rústica pode ser
vista na zona de Almofrela, a Estrelinha-real
Regulus ignicapillus, a Trepadeira Certhia
Fig.59 - Chapim rabilongo
Fig.60 - Coruja-das-Torres
Fig.61 - Ferreirinha
Fig.62 - Melro-Preto
Fig.63 - Pintassilgo
brachydactyla, o Açor Accipiter gentilis e o Mocho-
d´orelhas Otus scops.
Presente nas zonas altas estão a Narceja
Gallinago gallinago, a Coruja-do-mato Strix aluco, a
Petinha-dos-campos Anthus campestris, o Chasco-
cinzento Oenanthe oenanthe, o Picanço-real-
nortenho Lanius excubitor, e a Laverca Alauda
arvensis.
Nas áreas de cota inferior aos 800-900 metros
encontra-se o Chapim-de-poupa Parus cristatus, o
Chapim-rabilongo Aegithalos caudatus, o Rouxinol
Luscinia megarhynchos, o Chapim-carvoeiro Parus
ater, o Chapim-azul Parus caeruleus, o Corvo
Corvus corax, o Tordo-pinto Turdus viscivorus, o
Chapim – real Parus major e o Papa-Figos Oriolus
oriolus9
.
9
Ver por. ex. PIMENTA, Pedro (2002) “Aves da Serra da Aboboreira”.
Ver por ex. LAMBERT L., PEARSON A. “Aves Guia prático para conhecer as Aves da
Europa”
Fig.65 - Tentilhão
Fig.64 - Pardal
3.10. Hidrografia do Concelho de Baião
O concelho de Baião exibe uma rede
hidrográfica de superfície relativamente densa,
constituída por numerosos rios e ribeiras que
atravessam todo o concelho.
Os rios Ovil, Zêzere e Teixeira criam as
linhas de água e dão nome as principais bacias
hidrográficas do concelho, e que drenam
directamente para a grande maça de água que
constitui a albufeira da barragem de Carrapatelo no
Rio Douro.
Quanto ao caudal e ao declive dos seus
leitos é de referir que estes rios não são
navegáveis, e têm um regime irregular a
semelhança da maioria dos rios portugueses.
Durante uma parte do ano, as pressões
barométricas trazem chuva abundante, podendo
assistir ao aumento dos caudais dos rios,
transbordando para as suas margens e originando
as cheias.
Isto deve-se ao facto dos rios correram em
solos poucos premiáveis e declive acentuado.
É caso para referir um caso obvio em
relação a pesca e a existem de uma grande
quantidade de moinhos.
Quanto aos moinhos, estes foram e
continuam a ser uma grande referência para a
população, isto porque os moinhos tinham um
complemento e um suporte importante para a
sobrevivência.
Fig.66 - Rio Douro
Fig.67 - Rio Douro
Fig.69 - Rio Ovil
Fig.68 - Rio Ovil
Uma grande parte dos moinhos já está
desactivada. Os escombros de alguns e o
abandono de outros reflectem a desertificação
assim como o aparecimento de novas técnicas e de
outras soluções com melhores condições de vida.
Ainda há um ou outro moinho activado cujo
uso se destina exclusivamente para fins
domésticos.
3.10.1. Rio Ovil
A bacia hidrográfica do rio Ovil tem origem
no ribeiro dos Loureiros, em Loivos do Monte. É
delimitado pelas serras da Aboboreira e Castelo de
Matos de formação granítica. Tem foz no Rio
Douro, mais precisamente no lugar de Porto
manso, na freguesia de Ribadouro.
Ao longo desta bacia localizam-se as
freguesias de Loivos do Monte, Campelo, Grilo,
Govê, Santa Leocádia, Ancede e Ribadouro10
.
10
Cfr. Edição da Câmara Municipal de Baião, 2000.
Fig 71- Rio Ovil, Ancede
Fig.72 - Rio Ovil, Campelo
Fig.70- Rio Douro
3.10.2. Rio Douro
O Douro recebe grande parte das águas que
contribuem para o seu caudal de dois afluentes nos
montes cantábricos. Recebe também na sua
margem direita, o Sabor, Tua, Corgo, Tâmega e
Sousa, enquanto na margem esquerda recebe o
Águia, Côa, Tavôra, Paiva e Arda.
A bacia hidrográfica é constituída por cerca
de 18710 km². Nasce em Espanha, nos Picos da
Serra de Urbión, na Sória, a 280 metros de altitude,
na foz na costa Atlântica no Porto.
O seu curso tem comprimento de 850 km e
desenvolve-se ao longo de 112 km da fronteira
portuguesa e espanhola e de seguida 213 km em
território nacional. Tem altitude média de 700
metros.No inicio, o seu percurso é largo e pouco
caudaloso. De Zamora à sua foz, corre entre
fraguedos em canais profundos.
O forte declive do rio, as curvas apertadas,
as rochas salientes, os caudais violentos, as
múltiplas e irregularidades, os rápidos e os
inúmeros “saltos” ou “pontos” tornavam este rio
indomável. Aproveitando assim, o elevado
desnível, sobretudo na zona do Douro
internacional. Com a construção das barragens,
criaram-se grandes albufeiras de águas tranquilas,
que vieram incentivar a navegação turística e
recreativa, como por exemplo a pesca desportiva11
.
11
Edição da Câmara Municipal de Baião, 2000.
Fig.73 - Rio Douro, Ancede
Fig.74 - Rio Douro, Ribadouro
Fig.77 - Rio Douro, Santa Cruz do
Douro
Fig.. 75 - Rio Douro, Ribadouro
Fig.76 - Rio Douro e ponte de Mosteirô
4. Património arqueológico
O património arqueológico é definido como
um conjunto de vestígios materiais das sociedades
que nos antecedem, sejam elas móveis ou imóveis.
Os primeiros são todos eles constituídos por
objectos, utensílios, armas, ferramentas, adomos
ou peças de arte, destinados a ser manuseados,
exibidos, transportados e que de alguma forma nos
revela estilos de vida, gestos quotidianos ou
sentimentos estéticos do passado.
Os bens arqueológicos imóveis são aqueles
que corresponde a todas as construções ou
intervenções humanas, na paisagem, com carácter
duradouro e fixo. As tipologias dos imóveis são
difíceis de listar exaustivamente abrangendo todas
as construções de carácter habitacional, industrial,
militar ou simbólico, vias e pontes, sepulturas e
monumentos funerários, pedreiras e explorações
mineiras e depósitos estratificados.
O vestígio arqueológico trata-se de um
património essencialmente imprevisível e, ao
mesmo, finito e insubstituível
É uma ocorrência dos restos arqueológicos
são inerentes à sua própria natureza por mais
estudos se faça nunca se conseguira a total
inexistência e vestígios de actividade humana em
qualquer lugar, e assim são frequentes as
descobertas inesperadas que levam a intervenções
de emergência ou salvamento.
O património arqueológico é também
constituído por leis que são essencialmente finitos
Fig.78 - Pontas de seta
Fig.79 - Machados
Fig.80 - Utensílios
Fig.82 - Maquete
Fig.81 - Balança
e insubstituíveis. O crescimento dos vestígios
resulta do número crescente dos restos materiais
da sociedade, e serão também, a seu tempo,
valorados arqueologicamente.
O património nacional é constituído por bens
provenientes da realização de trabalhos
arqueológicos podendo-se estender-se os bens
móveis, estruturas, ruínas e outros vestígios
descobertos no âmbito das intervenções
arqueológicos12
.
4.1. Monumentos Megalíticos
Datadas do neolítico, com mais de cinco
anos, as mamoas, antas e dolméns existem em
grande número nas Serras da Aboboreira e de
Castelo, constituindo os vestígios mais antigos da
ocupação humana desta região.
Os monumentos funerários de
características colectivas estão ligadas á recolha
de mortos, não deixaram de ser um marco
importante e simbólico á memória colectiva, marca
de apropriação de território e catalização de
manifestações e rituais.
Estes monumentos, caracterização por
pedras de grandes dimensões na sua construção,
são compostos geralmente por uma câmara
12
Ver por ex., Campo arqueológico da Serra da Aboboreira, Edição do GEAP- Grupo de
Estudos Arqueológicos do Porto, Execução gráfica: Litografia AC-Braga, Outubro 1993.
Fig.83 - Dólmen Chã de Parada
Fig.84 - Anta
dolménica delimitada por várias lajes fincadas
verticalmente no solo e coberto por uma tampa.
Este espaço sepulcral apresentava-se
oculto, uma vez que era encoberto por um
montículo artificial de terra, revestido por pequenas
pedras imbricadas, as mamoas.
Outra característica deste fenómeno é o
polimorfismo, em que o interior das mamoas
alberga outros tipos de estruturas arquitectónicas.
O espólio, geralmente, é pobre e escasso,
constituído essencialmente de micrólitos, lâminas e
pequenos fragmentos de cerâmica.
A construção destes monumentos funerários
data dos meados de IV milénio a.c., e graças às
escavações realizadas, sabe-se que esta tradição
tumular terá perdurado por cerca de 1500 anos.
Apesar, que os estudos realizados na Aboboreira
permitiram aprofundar os conhecimentos sobre o
fenómeno megalitismo no Norte de Portugal que,
até então, permanecia desconhecido13
.
13
Ver por ex., Campo arqueológico da Serra da Aboboreira, Edição do GEAP- Grupo de
Estudos Arqueológicos do Porto, Execução gráfica: Litografia AC-Braga, Outubro 1993.
Fig.85 – Vestígios arqueológicos
Fig.86 – Vestígios arqueológicos
Fig.87 - Anta
4.2. Povoados da Idade do Bronze
Na Serra da Aboboreira, durante o Bronze
antigo, persistiu a tradição tumular das mamoas,
apesar das características diferenciadas. Estas são
os monumentos mais baixos e disfarçados ao longo
da paisagem, evidenciando uma maior
individualização do ritual funerário e onde
apareceram as primeiras jóias metálicas, com
espirais em prata.
A partir dos meados do IIº milénio a.c. dá-se
um claro rompimento à tradição tumular das
mamoas e surge as sepulturas nitidamente
individuais, como é o caso da necrópole da Tapada
da caldeira onde foram escavadas três sepulturas,
contendo cada um deles, um vaso.
Nesta época, também aparecem os
primeiros povoados, o que indica uma
intensificação e fixação do habitat.
As estruturas destes povoados são fossas
abertas no saibro, buracos de poste e lareiras,
enquanto a diversificação do habitat é maior,
coexistindo povoados em que as preocupações
defensivas são estabelecidas em zonas com
defesas naturais, como por exemplo, o Castelo de
Matos.
O espólio cerâmico existente nestes
povoados é bastante variado em relação aos
padrões decorativos.
No final da Idade do Bronze, esta região
conheceu uma ocupação mais intensiva das zonas
dos vales férteis e uma maior estabilidade do
habitat14
.
4.3. Idade do Ferro à Idade Média
O famoso “Tesouro de Baião”, atribuído á
idade do ferro antigo é constituído por um conjunto
de jóias em ouro de estilo orientalizante,
consideradas umas das mais belas peças da
joalharia arcaica do território português.
São vários os castros povoados e
fortificados com origem na Idade do Ferro e
desenvolvidos pela sua acessibilidade e pelo facto
intervencional arqueológico.
A ocupação romana fez-se sentir não só nos
castros, mas também nas ocupações de novas
áreas, na qual se destaca a estação de Frende,
que inclui uma fortaleza romana. Neste período
também se detectam as necrópoles, epigrafes,
marcos miliários e moedas.
Da Alta Idade Média destacam-se várias
estruturas paleocristãs em Frende e registam-se
reocupações visigóticas de certos castros. No caso
de Santa Marinha do Zêzere a época da
reconquista chegounaté aos nossos dias com um
14
Ver por ex, Campo arqueológico da Serra da Aboboreira, Edição do GEAP- Grupo de
Estudos Arqueológicos do Porto, Execução gráfica: Litografia AC-Braga, Outubro 1993.
conjunto significativo de sepulturas abertas na
rocha.
A passagem da Alta para a Baixa Idade
Média é caracterizada pela formação da Terra de
Baião, denominada pelo Castelo de Matos. Este é
um objecto de escavação arqueológica, situada no
topo de um cone granítico da serra, e que domina
toda esta área15
.
5. Património arquitectónico
5.1. Coretos
Os coretos definidos como uma tipologia
arquitectónica e elemento estruturante integrado na
paisagem rural, desenvolve-se de um imaginário
próprio e associado ás festas, música e ao convívio
entre a comunidade.
Estes elementos culturais e fundamentais ao
nossopatrimónio local, geralmente, localizam-se em
redor dos pequenos lugares de culto religioso, mais
precisamente nos adros e largos das capelas e
igrejas.
15
Cfr. Ver por ex, Campo arqueológico da Serra da Aboboreira, Edição do GEAP- Grupo de
Estudos Arqueológicos do Porto, Execução gráfica: Litografia AC-Braga, Outubro 1993.
Fig.88 - Coreto de Ancede
Fig.89 - Coreto de Ribadouro
A sua construção dá-nos a conhecer os
materiais construtivos das épocas, as suas formas
e concepções remete-nos para as representações
estético–formais, etc. Todo um monuncial de
informação que utilizado com rigor e sensibilidade,
nos permite compreender e interpretar os códigos e
os símbolos representativos da nossa cultura local,
folclórica para alguns é considerada hoje de
antropológica. No Concelho de Baião, encontram-
se vários coretos distribuídos por freguesias e
lugares, como é o caso de Ancede, Anquião,
Gestaço, Govê, Ribadouro, Santa Cruz, Santa
Marinha e Valadares.
5.1.1. Elementos estruturais dos coretos
Os elementos que fazem parte da
constituição dos coretos, na maior parte é o
cimento e o betão, mas existem outros materiais
que também foram utilizados, tais como: o ferro, a
madeira, a chapa, a telha, a madeira, a pedra.
Quase que poderiam identificar na
construção dos coretos três elementos essenciais.
O primeiro é a base ou envasamento, quase
sempre em granito ou betão armado.
O segundo elemento, uma espécie de fuste,
que pode ser de colunas cilíndricas em betão
armado, colunas ortogonais em granito, ou também
em prumos de ferro estilizado.
Fig.90 - Coreto do Gôve
Fig.91 - Coreto de Santa Cruz do Douro*
Fig.92 - Coreto de Gestaçô*
Fig.93 - Coreto de Santa Cruz do Douro*
Este fuste em alguns casos pode ter uma
banda ou frizo como motivos decorativos,
geralmente geométricos, em estrutura de ferro.
O terceiro elemento, que poderiam
classificar de capitel, isto é, referenciado com a
cobertura, pode ter formação geométricas
estilizadas, ou ser uma simples cobertura em
chapa, sem qualquer preocupação estilística, como
é o coreto de Anquião.
Existem, também outros coretos que
apresentam grande carga poética, em termos de
forma arquitectónica, como é o coreto da Vila de
Santa Marinha. Estamos na presença de uma
peça escultórica, construída em betão, com dupla
cobertura, uma espécie de falsa platibanda, que
produz um efeito cénico de grande intensidade
estética e profundo sentido de movimento à peça.
Os elementos geométricos puros, neste caso, duas
esferas cilíndricas, sobrepostas e suspensas por
vários prumos de betão. Produzem um efeito de
grande modernidade e vanguarda.
Todos eles tem um elemento comum
associado á sua esplêndida localização quer em
termos de contexto sócio – prático quer também
em termos de contexto eco – topológico16
.
16
Ver por ex. QUEIRÓS, Diana, (2007) “Os Coretos de Baião” in Prova de Aptidão Tecnológica.
Fig.94 - Coreto de Santa Marinha do
Zêzere*
Fig.96 - Coreto de Anquião*
Fig.97 - Coreto de Ancede*
*Fonte: QUEIRÒS, Diana (2007)
“Os Coretos de Baião” in Prova de
Aptidão Tecnológica
Fig.95 - Coreto de Valadares
6. Património Cultural
6.1. Tradicional Doce da Teixeira
O biscoito da Teixeira, emblemático doce
que recebe o nome de uma das freguesias do
concelho de Baião e continua a ser fabricado por
gerações diferentes.
A sua receita tem ingredientes comuns, mas
apresenta algumas variações, ou seja, tanto pode
ser confeccionado com ou sem ovos.
O singelo doce tradicional, que faz parte do
património gastronómico e cultural do concelho de
Baião é da responsabilidade de Sónia Pereira,
natural da freguesia de Teixeira, e com 33 anos de
idade, que instalou na sua casa onde vive uma
pequena fábrica do Biscoito da Teixeira.
Durante várias décadas toda a freguesia de
Teixeira estava de algum modo envolvida no
fabrico ou na venda do Biscoito. Uns dedicavam-se
á recolha de lenha para aquecer o forno onde os
doces eram cozidos, outros ficavam sob a
responsabilidade de peneirar a farinha usada na
massa do biscoito, isto quando a freguesia ainda
não tinha electricidade.
Cada fornada, composta por 100 quilos,
demora cerca de 20 minutos a cozer. Durante a
época baixa, fazem-se biscoitos pelo menos duas
vezes por semana, enquanto no verão se coze
Fig.100 - Doce Teixeira
Fig.101 - Extrair os biscoitos do
forno
Fig.98 - Formas para os biscoitos
Fig.99 - Colocar os biscoitos no forno
praticamente todos os dias, isto porque a procura
aumenta substancialmente.
No entanto, para produzir o tradicional doce
da Teixeira é necessário passar por várias fases de
fabrico, como por exemplo, pesar devidamente os
ingredientes, farinha, ovos, açúcar, limão, fermento
e sal, depois deve-se amassar e por fim coloca-se
no forno a 300ºC17
.
6.2. Bengalas de Gestaçô
As bengalas surgiram na freguesia de
Gestaçô, concelho de Baião, nos finais do século
XIX, pelo impulsionador Alexandre Pinto Ribeiro,
que acabou por abrir a sua oficina em 1902.
Estas criativas e artesanais bengalas são
dignas e representativas de uma longa e antiga
linhagem de resistentes acessórios de toilette, que
ao longo do tempo fizeram disto um prol de
esclarecimento, argumentação, acerto de contas e
clarificação de ideias que contribuíram para a bela
pose e elegância da nossa História.
Para a perfeita elaboração destas bengalas,
o impulsionador Pedro Ribeiro, revolucionou todo
um processo de fabrico, composto por várias fases.
A primeira é a de preparar a madeira de
cerejeira, ou seja, desfiar a madeira à medida para
que essa possa ser desfiada e cozida durante cinco
17
Ver por ex, Repórter do Marão (Novembro 2009).
Fig.102 - Exposição do biscoito
Fig.103 - Tira de madeira para o fabrico
Fig.105 - Dobragem da madeira
Fig.104 - Aquecimento da madeira
para dobrar
Fonte: PINTO, Carlos (2007)
“Práticas Artesanais e
Desenvolvimento Local O exemplo
das Bengalas de Gestaçô/Doce da
Teixeira” in Prova de Aptidão
Tecnológica
minuto nu.m pote com água a ferver. Ultrapassada
esta fase, é necessário dobrar a madeira. Para
uma melhor dobragem esta é feita numas formas
de ferro, que como a madeira também estão
quentes/aquecidas.
Para vergar a bengala utilizam-se uns arcos,
para proteger a bengala para que esta não quebre,
depois de vergada deixa-se arrefecer durante uma
hora ou duas.
Após arrefecida, começa-se a trabalha-la, é
nesta fase que se fazem os feitios, neste processo
também se utilizam algumas ferramentas como:
incho, plaina, grosa ou lima e goivas.
Por último, lixa-se a madeira, pinta-se, dá-se
o acabamento e o verniz.
Mais tarde, com a técnica de dobragem, que
permitiu a obtenção de maior qualidade nas
bengalas, apareceu a criatividade e o surgimento
de vários desenhos e fundamentos para embelezar
as bengalas, como por exemplo, cabeças de
animais, cerejeira polida, incrustações de
madrepérola, prata e ouro18
.
18
Ver por ex. PINTO, Carlos (2007) “Práticas artesanais e Desenvolvimento Local, O exemplo das
Bengalas de Gêstaço/Doce da Teixeira” in Prova de Aptidão Tecnológica”.
Fig106- Dar os efeitos à bengala
Fig.107- Envernizar a bengala
Fig.108- Ferramentas do artesão
Fig.109- Fases das bengalas
Fonte: PINTO, Carlos (2007)
“Práticas Artesanais e
Desenvolvimento Local O exemplo
das Bengalas de Gestaçô/Doce da
Teixeira” in Prova de Aptidão
Tecnológica
6.3. Folclore
O folclore é uma demonstração cultural e
validada de um povo. É também um conjunto de
histórias populares, lendas, costumes, crenças,
conhecimentos, tradições e costumes que são
transmitidos de geração em geração, como cultura
popular, sendo uma eventualidade natural de um
povo.
O folclore como demonstração do povo
faz parte do seu património cultural e, assim sendo
está inserido na riqueza cultural. As histórias, os
costumes, as canções, a medicina popular, as
crendices, as lendas, as brincadeiras, as danças
regionais, o artesanato, são integrantes do folclore.
O folclore, como ciência, na antropologia, é o
conhecimento do Homem e da cultura, e o seu
campo resulta da informação que recebemos pela
fala dos nosso ascendentes, das tradições,
costumes e conceitos herdados dos antepassados.
A cultura popular, assim pensada, está
inteiramente relacionada ao estudo da cultura de
todos os elementos que constituem a nossa
nacionalidade. O folclore é por excelência um meio
de difusão de conhecimentos da cultura do povo. O
folclore deve ser estudado através das suas
consequências sociais, antropológicas,
psicológicas e estéticas, para a noção,
envolvimento e vinculação da cultura popular.
Quando o povo transmite os seus conhecimentos,
usa como fonte muitas vezes o folclore. É
comunicado de boca em boca pelos homens, de
natureza anónima, e não conhecendo o autor, não
de ninguém, diz respeito ao povo. Apreciando o
folclore podemos compreender o seu povo e a sua
história19
.
.
6.3.1. Rancho folclórico de Ancede
O rancho folclórico de Ancede foi fundado
em 2003 numa brincadeira de Carnaval.
Neste momento o grupo é constituído por 27
elementos, 11 músicos e 16 dançadores que
constituem os 8 pares de dança.
Estes elementos estão classificados num
nível etário entre os 15 e 70 anos.
Os instrumentos utilizados por este grupo
são a viola, ferrinhos, bombo, acordeão e
cavaquinho.
Uma vez que este rancho não é federado,
não tem tantas actuações como outros de nível
superior, pois normalmente, só actuam nos bailes
de verão da freguesia e do concelho.
Em alguns casos, poderá também actuar em
concelhos vizinhos, como é o caso de Cinfães e
Pinhão. São referidos estes exemplos porque em
anos anteriores já demonstraram as suas tradições.
Os trajes mais usados são os de lavadeira,
ceifeira, podador, traje de domingo e pescador20
.
19
Ver por ex. FERREIRA, Marlene (2007) “Rancho Folclórico de Baião, Diálogo entre
etnogarfia, memória e história”, in Prova de Aptidão Profissional.
20
Cfr. http://baiãovilacriativa.blogs.sapo.pt/9651.html
6.3.2. Rancho folclórico de Baião
O Rancho Folclórico de Baião é, constituído
por 56 elementos.
Estes 56 elementos são distribuídos pelas
seguintes áreas artísticas: 14 dançadores, 17
dançadeiras, 13 tocadores, 6 cantadores e 6
figurantes.
Esta entidade é constituída por 26 homens,
20 mulheres, 8 adolescentes e 1 criança variando
as idades entre os 5 anos e os 76 anos de idade.
O grupo Folclórico de Baião tem no seu
reportório um extenso e variado conjunto de
danças e cantares, tais como, malhão de cruz,
ladeira do castelo, verdegar, fado batido, vem cá
Maria, contradança, malhão roubado, Zé vai indo,
meu amor e um cravo, chula, cana verde, preirinha,
fado virado, rosa arredonda a saia, pombo
rollhador, malhão rodado, cantareos, cerandinha e
o grilo.
Os trajes mais usados por este grupo de
folclore são os de trabalho no campo, domingueiro,
trabalho (rico), fiadeira, pastor, noivos, lavrador,
jovens ricos, de nobreza do século XIX e viúva do
século XIX.
A parte musical é constituída por diversos
instrumentos, dos quais podemos destacar, a
concertina, cavaquinho, viola, bombos e ferrinhos,
Numa perspectiva de exposição e aparência,
o Rancho folclórico de Baião, possui vários
utensílios, como por exemplo, o ancinho,
dobadeira, cesto, sacho, tocha, cortiço para
espanar o linho, espadana, arado, rasas, roca,
Fig.110 - Traje de trabalho no
campo
Fig.111 - Rancho Folclórico de
Baião
Fig. 112 - Traje domingueiro
Fig.113 - Traje de trabalho (rico)
Fig.114 - Traje de Fiadeira e Pastor
semeador, foicinha, máquina de sapateiro, lampião,
cabaça, foice, pá de forno, tear, carro de bois, jugo,
máquina de sulfatar e máquina de cozinhar a
petróleo21
.
6.3.3. Rancho Folclórico de Gestaçô
O rancho folclórico da Associação Danças e
Cantares de Gestaçô é composto pelos elementos
que iniciaram as actividades ligadas ao folclore em
Gestaçô.
Desta forma foi possível reunir um grupo de
dançadores e cantadeiras para participar no cortejo
da Nossa Senhora da Graça em 1971.
Mais tarde, ocorreu a ligação formal deste
grupo, primeiro conhecido por Rancho de Quintela
á casa do povo e depois, com a casa do Povo.
Esta instituição não prestava todo o apoio
necessário ao grupo e por isso este mostrava-se
inevitável.
Os elementos que iniciaram esta actividade
relacionada com o folclore neste local não se
resignaram e reavivaram toda a freguesia de
Gestaçô, e hoje este grupo é composto por 50
elementos, sendo a tocata composta por
concertinas, bombo, ferrinhos, reque-reque, viola,
pandeireta e violino.
21
Ver por ex, Marlene Ferreira (2007) “Rancho Folclórico de Baião, Diálogo entre etnogarfia,
memória e história”, in Prova de Aptidão Profissional.
Fonte: Marlene Ferreira (2007)
“Rancho Folclórico de Baião” in
Prova de Aptidão Tecnológica
Fig.115 - Traje de saída
Os trajes demonstram a sua Região, situada
entre o Douro e Minho.
O rancho folclórico da Associação de danças
e Cantares de Gestaçô gravou recentemente as
primeiras músicas, que retratam toda a tradição,
riqueza humana e cultura do povo de Gestaçô22
.
6.3.4. Rancho Folclórico de Santa Cruz do
Douro
O Rancho folclórico de Santa cruz do Douro
surgiu através de um movimento de 16 cidadãos
que em 1974 se organizaram numa Comissão de
Moradores com o objectivo de promover algumas
iniciativas e actividades que contribuíssem para o
desenvolvimento da freguesia i do concelho.
Ainda, em 1974, constitui-se o rancho
folclórico de Santa Cruz. Nesta época esta
entidade era simplesmente um conjunto de boas
vontades para aqueles que gostavam de dançar,
tocar e cantar.
Em 1982 foi decidida a intervenção da
federação de folclore português, através do senhor
Augusto Gomes dos Santos que fez com que se
procedesse a uma viragem histórica com uma certa
autenticidade.
A pesquisa das danças, cantares de
tradições, usos e costumes desenvolveu-se por
22
Cfr. http://folclore-online.com/grupos/pt/adc_gestaço/index.html
várias freguesias, nomeadamente, santa Cruz do
Douro, S. Tomé de Covelas, Grilo e Mesquinhata,
que redigem um valor decisivo na formalização do
processo de federação do Rancho Folclórico na
federação do folclore português.
A partir de 1998 o Rancho Folclórico tem
cumprido as suas tarefas em relação ao
aprofundamento do ambiente que os rodeia, assim
como, na construção da sua sede que é um
autêntico espaço de cultura popular, a Casa do
Lavrador.
Os trajes mais simbólicos são os de
Domingueiro, Lavrador pobre e rico, Pastor, Moleiro
e Noivado.
A tocata é constituída por instrumentos de
cordas, concertinas, harmónios, instrumentos
musicais/tradicionais de precursão e gaita-de-
beiços.
As actividades do Rancho Folclórico da
Associação Cultural e Recreativa de Santa Cruz do
Douro têm sido promovidas num âmbito cultural,
destacando-se com a sua federação, escola de
música, construção do rural e etnográfico (Casa do
Lavrador), participação e promoção de feiras de
desenvolvimento rural, participação em diversos
certames de promoção artesanal e gastronómica,
nomeadamente em feiras tradicionais, cantar dos
Reis e Janeiras e comemoração das diversas datas
ao longo do ano23
.
23
Cfr.http://www.baixotamega.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=27524&catId=28291,32378&pId=351
70
6.4. Bandas Marciais
6.4.1. Banda Marcial de Ancede
A banda marcial é uma associação musical,
cultural, recreativa e desportiva localizada no lugar
de Lordelo, freguesia de Ancede no concelho de
Baião.
O seu principal fundamento é a banda de
música que já actuou por várias localidades
portuguesas.
A associação foi fundada em 1845 por D.
Miguel de Sotto Mayor.
A banda é composta por 50 elementos e é
dirigida pelo senhor Hermínio Fonseca.
Na Escola de Música da Banda pode-se
aprender a tocar diversos instrumentos, tais como,
clarinete, saxofone alto, saxofone tenor, saxofone
soprano, flauta e flautim (sopro de madeira),
trompetes, fliscornes, trombones, tubas.
Contrabaixo bombardinos (sopro de metal) bombo,
caixa, pratos, tímpanos, lira, pandeireta e Ferrinhos
(percussão)24
.
24
Cfr. http://www.eb1-convento-ancede.rcts.pt/Banda.htm
6.4.2. Banda Marcial de Santa Marinha do
Zêzere
Em 1937, com a fundação da Casa do Povo
de Santa Marinha do Zêzere, surgiu a Banda
Marcial da Casa do Povo de santa Marinha do
Zêzere, nome que chega á actualidade sem
qualquer interrupção na sua actividade.
Por aqui passaram muitos regentes e
músicos que deram os seus contributos para que
esta banda se afirmasse como uma das mais
importantes da região norte, principalmente na
região de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Nos meados do século XX houve uma onda
de rejuvenescimento, que ainda se continua a
verificar num processo de substituição natural.
Em resultado deste processo, o conjunto de
músicos actual apresenta uma média de idades
bastante baixa, apesar que também existe um
elevado número de elementos com mais de 15
anos de experiência.
Na sua composição actual, todos os
executantes são naturais do Concelho de Baião,
sendo que mais de 90% foram formados na escola
de música da própria associação25
.
25
Cfr. http://www.bandasfilarmonicas.net/site/bfid29.html
Fig.116 - Banda Marcial de Santa
Marinha do Zêzere
Fig.117 - Banda Marcial de Santa
Marinha do Zêzere
Fig.118 - Banda Marcial de Santa
Marinha do Zêzere
Fig.119 - Banda Marcial de Santa
Marinha do Zêzere
7. Pontos de Interesse
7.1. Carvalho
Carvalho secular localizado na freguesia do
Gôve.
A sua imponência destaca-se na paisagem e
no resto da vegetação.
Tem como pormenor o facto de ter sido
atingido por um relâmpago tendo ardido
parcialmente.
7.2. Canastro
Um dos inúmeros canastros do nosso
concelho, localiza-se na freguesia do Gôve.
É constituído, normalmente, por uma
estrutura de madeira e pedra e tem como principal
função secar o milho grosso através das suas
aberturas laterais.
Fig.120 - Carvalho
Fig.121 - Canastro
7.3. Beiral e eira
Beiral é o local onde tradicionalmente se
guarda a palha e o milho (substituindo, por vezes, o
canastro), sendo posteriormente batido ou posto a
secar na eira.
7.4. Moinho
Moinho localizado junto ao rio Ovil, no troço
do Gôve, sendo visível as pás e numa vista do seu
interior a mó, onde tradicionalmente se moía o
milho.
O moinho, pertença de um particular, ainda
se encontra em funcionamento.
Fig.122- Beiral
Fig.123 - Moinho
7.5. Miradouro
Os miradouros são uma outra zona turística
de onde se obtém bonitas paisagens, e entre os
diversos que se estendem pelo concelho,
destacamos o miradouro de Mosteirô, na freguesia
de Ribadouro. Deste local é possível desfrutar de
uma vista panorâmica sobre o Douro26
.
7.6. Paisagens
Entre as várias freguesias de Baião, Santa
Leocádia apresenta uma impressionante vista
panorâmica sobre o Rio Douro e encostas do Vale
do Douro, sendo visível socalcos destinados á
plantação de vinhos, de onde se produz o famoso
vinho verde de Baião.
É ainda visível em segundo plano um
interessante manto vegetal constituído por
carvalhos e eucaliptos.
26
Cfr. http://www.lifecooler.com/portugal/natureza/MiradourodeMosteiro
Fig.124 - Miradouro de Mosteirô
Fig.125 - Vista panorâmica da Quinta
de
Miradouro, Santa Leocádia
7.7. Igreja de Tresouras
A igreja matriz de Tresouras, apesar de ser
pequena, é uma das igrejas românicas de Baião,
restaurada em meados do século XVII.
Quanto ao seu interior é importante realçar a
emblemática tribuna de talha dourada e o invulgar
tecto de caixotões pintados, em que cada quadro é
diferente do quadro do lado27
.
7.8. Igreja de Valadares
Datada do séc. XI, é uma igreja românica e
um dos mais importantes monumentos, de todo o
concelho de Baião. Na posse da família Monteiro,
uma das famílias mais importantes do concelho e
que inclusive teve o quarto Mestre de Avis, a Igreja
de Valadares tem no seu interior elementos que
testemunham a sua idade: além do românico tem
também elementos do Renascimento (pinturas a
fresco, pedras sigladas e a porta principal) e do
Barroco (os altares)28
.
27
Cfr. http://www.1000imagens.com/foto.asp?idautor=576&idfoto=142&t=8&g=&p=
28
Cfr. http://www.geira.pt/Mbaiao/Tema1/direita.html
http://www.lifecooler.com/Portugal/patrimonio/IgrejaParoquialdeValadaresBaiao
Fig.126 - Igreja de Valadares
Fig.127 - Igreja de Valadares
Fig.128 - Igreja de Valadares
7.9.Dólmen Chá da Parada
O Dólmen chá da Parada, classificado como
monumento nacional, localiza-se num vasto terreno
aplanado da Serra da Aboboreira.
Este dólmen possui uma mamoa
parcialmente destruída, com cerca de 24 metros de
diâmetro. A câmara é constituída por 9 esteios de
granito e por uma laje de cobertura. Três dos
esteios apresentam insculturas. O corredor, de
planta rectangular, tem cerca de 4.5 metros de
comprimento e encontra-se virado para a nascente.
Actualmente, possui quatro e 4 esteios, dois de
cada lado.
Antigamente, existiam restos de pintura a
vermelho no esteio da cabeceira mas actualmente
são invisíveis á vista desarmada.
Em três das suas lajes encontram-se insculturas
(motivos artísticos gravados) radiantes ou
estiliformes, algumas das quais só podem ser
vistas claramente por decalque. Na parte central
superior da laje de cabeceira do dólmen,
encontram-se quatro representações de um motivo
em forma de jarra que também ocorre em
monumentos megalíticos. No segundo esteio do
lado direito, há uma figura radiada e no terceiro há
dois círculos, lado a lado, e uma pequena covinha
entre a base dos dois e mais acima, à esquerda,
uma figura que lembra vagamente um 8.
O dólmen estava outrora coberto por uma
colina artificial (a mamoa), que ainda se percebe e
Fig.130 - Dólmen Chã da Parada
Fig.129 - Dólmen Chã da Parada
Fig.131 - Dólmen Chã da Parada
Fig.132 - Vista panorâmica do
Dólmen Chã de Parada
que teria por função escondê-lo, protegendo-o, e,
por outro lado, poderá ter fornecido um plano
inclinado para o transporte da grande tampa da
câmara até à sua posição definitiva.
A mamoa, que está parcialmente destruída,
tem um formato ovóide (com um eixo maior de
cerca de 24m, no sentido W-E, e um eixo menor de
cerca de 20m, no sentido N-S).
A Anta da Aboboreira esteve durante anos (e
até Julho de 2006) parcialmente coberta por terra
para proteger o monumento. Nessa altura, foram
feitos trabalhos de preservação e restauro do
monumento e limpeza da vegetação e líquenes que
cobriam o monumento e a sua área envolvente,
tendo-se procedido à aplicação de herbicida. Foi
também introduzido um geo-dreno, colocada uma
manta geotextil na base do interior da câmara,
corredor e zona frontal do dólmen e construído um
sistema interno de contrafortagem dos esteios e um
anel de contenção29
.
29
Cfr.http://www.baiao-digital.com/turismo/patrimonio/dolmen-de-cha-de-parada/
7.10. Estações e Apeadeiros30
7.10.1. Estação do Marco de Canaveses
A estação do Marco de Canaveses situa-se
no concelho que lhe dá nome, mais precisamente
no Largo da Estação dos Caminhos de Ferro,
sendo este concelho banhado pelo Rio Tâmega e
dominado pelas serras da Aboboreira e
Montedeiras.
Dos 192 km existentes de linha do Douro,
esta estação localiza-se ao km 51,5.
A Estação tem disponíveis alguns acessos e
ligações, dos quais: a autocarros, serviço de táxis e
parque de estacionamento. Tem também outros
serviços, como, bilheteiras com venda de bilhetes
(Alfa Pendular, Intercidades, Regional e Urbanos) e
ainda serviços complementares, dos quais, WC,
Sala de Espera e Bar.
No raio de 5 km desta estação, existem
vários lugares de interesse, dos quais se destacam,
a Igreja de Santa Maria, a área arqueológica do
Freixo (Tongobriga), a Casa dos Arcos e a Casa
Inacabada de Vila Boa de Quires.
A igreja de Santa Maria foi construída no
século XX, desenhada pelo célebre arquitecto Siza
30
Ver por ex. SILVA, José, RIBEIRO, Manuel, “Os Comboios
em Portugal”, p.p. 56 a 59, Terramar, 2008.
Fig.133 - Estação do Marco
Fig.136 - Bilheteira da estação
Fig.134 - Linha ferroviária em frente à
estação
Fig.135- Estação do Marco
Vieira. Esta igreja apresenta linhas modernas e
direitas de um branco puro.
A área arqueológica do Freixo, designada
por Tongobriga, uma cidade romana de onde
restam o fórum, as termas, a área habitacional, a
necrópole e a basílica paleocristã.
A Casa dos Arcos foi construída no século
XVI. Este solar divide-se em dois pisos, sendo a
sua planta em L. A fachada principal depara-se
rasgada por duas arcadas, separadas por friso. No
friso inferior encontra-se uma sequência de arcos
de volta perfeita e no superior uma arcada
constituída por arcos abatidos.
A Casa Inacabada de Vila boa de Quires foi
construída em 1734. Esta casa apresenta-se em
ruínas, sendo apenas constituída pela fachada
principal com grande abundância de detalhes
decorativos. A pessoa responsável pela obra, um
arquitecto espanhol, morreu precocemente antes
de deixar a obra concluída, daí o seu estado
actual31
.
31
Ver por ex.
http://www.cp.pt/cp/displayPage.do?contentId=0739495948306010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD&vg
nextoid=c37c23aabd984010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD
Fig.137 - Painel com os horários dos
comboios
7.10.2. Estação do Juncal
A estação do Juncal situa-se na freguesia do
Juncal, no Concelho de Marco de Canaveses,
localizando-se ao km 56,5.
Esta estação esteve em funcionamento,
usufruindo de alguns serviços, como, bilheteiras
com venda de bilhetes (Alfa Pendular, Intercidades
e Regional) e ainda serviços complementares, dos
quais, WC e Sala de Espera.
Actualmente a estação encontra-se em bom
estado, mas está desactivada. Ao km 56,8 localiza-
se o Túnel do Juncal com cerca de 1621 metros.
7.10.3. Estação da Pala
A estação da Pala situa-se na freguesia de
Ribadouro, Concelho de Baião, localizando-se ao
km 61,4. Desta estação é possível observar de
perto o rio Douro e usufruir de belas paisagens.
Alguns metros após esta estação existe uma ponte
ferroviária.
Presentemente, esta estação encontra-se
abandonada.
Fig.138 - Estação do Juncal
Fig.139 - Túnel do Juncal
Fig.140 - Estação da Pala
7.10.4.Estação de Mosteirô
A Estação de Mosteirô situa-se na margem
direita do Rio Douro, perto da freguesia de
Ribadouro no Concelho de Baião. Localiza-se ao
km 63,9.
Desta estação é possível observar
deslumbrantes panoramas sobre o Douro e sobre
os concelhos da margem esquerda (Cinfães e
Resende). Na freguesia de Ribadouro destaca-se
uma ponte de Caminhos-de-Ferro constituída por
seis arcos.
Esta estação dispõe de vários serviços, dos
quais, bilheteiras com venda de bilhetes (Alfa
Pendular, Intercidades e Regional), WC, Sala de
Espera e Telefones públicos. Para além destes
existe ainda ligação a autocarros, serviço de táxis e
parque de estacionamento.
Próximo desta estação existem pontos de
interesse, como, o Mosteiro de Santo André e a
Igreja de Ancede, na freguesia de Ancede. A Igreja
de Ancede tem traçado rectangular e uma torre
sineira quadrangular e é ainda constituída por três
naves e o Altar-Mor. No interior da igreja existe um
baptistério com dois medalhões pintados, alusivos
à vida de Cristo. Tem um total de 114 sepulturas.
Na sacristia existe um Altar Relicário do séc. XVIII,
que tem a configuração de um Altar-Mor e ainda
um Arco Cruzeiro com imagens de vários santos.
O Mosteiro de Santo André é datado de
1120. Ocupado em 1160 pelos cónegos Regrantes
Fig.141 - Estação de Mosteirô
Fig.144 - Bilheteira da estação
Fig.145 - Interior da estação
Fig.142 .- Vista panorâmica da
estação
Fig.143 – Linha férrea em frente à Estação
(Stº Agostinho) vindos do Mosteiro de Ermelo. Tem
como orago Stº André.
Nos séculos XVI e XVII sofreu alterações
(arte barroca) e restauros.
Durante vários séculos este mosteiro deteve
um considerável património fundiário ligado à
produção vinícola, que lhe permitiu beneficiar de
grande poder económico32
.
7.10.5.Estação de Aregos
A Estação de Aregos situa-se em Santa
Cruz do Douro, na margem direita do Rio Douro.
Localiza-se ao km 69,9.
Esta estação esteve em funcionamento,
usufruindo de alguns serviços, como, bilheteiras
com venda de bilhetes (Alfa Pendular, Intercidades
e Regional) e ainda serviços complementares, dos
quais, WC e Sala de Espera.
Actualmente, todos estes serviços deixaram
de funcionar.
Como pontos de interesse, destaca-se a
Fundação Eça de Queiróz, que tem princípios
culturais, educativos e artísticos que são
32
Ver por ex.
http://www.cp.pt/cp/displayPage.do?vgnextoid=c37c23aabd984010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD&co
ntentId=22a671328b6a6010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD
Fig. 146 - Linha em frente á Estação
Fig.148 – Estação de Aregos
Fig.147 - Vista lateral da estação
conhecidos pela perpetuação do escritor José
Maria Eça de Queiroz na divulgação e promoção
da sua obra em Portugal e no estrangeiro. A Casa
e a Quinta de Vila Nova têm vindo a ser objecto de
grandes intervenções arquitectónicas.
Com estas transformações arquitectónicas
criou-se um espaço museológico, uma biblioteca,
um arquivo, um mini auditório e um espaço para
serviços administrativos.
7.10.6.Apeadeiro do Mirão
O Apeadeiro do Mirão (actualmente
desactivado) situa-se na freguesia de S.Tomé de
Covelas, na margem direita do rio Douro. Esta
freguesia produz algum do vinho de Baião. Este é
um local privilegiado para se apreciar as belas e
surpreendentes paisagens do vale onde corre o rio
Douro, enquadrado pelas encostas das montanhas
ricas na flora local ao km 73,2.
Fig.149 - Interior da estação
Fig.150 - Apeadeiro do Mirão
7.10.7.Estação da Ermida
A Estação da Ermida situa-se no lugar da
Ermida, em Santa Marinha do Zêzere, localizando-
se ao km 75,2.
Esta estação serve a freguesia de Santa
Marinha do Zêzere e possui vários serviços, dos
quais, bilheteiras com venda de bilhetes (Alfa
Pendular, Intercidades e Regional), serviço de
táxis, parque de estacionamento, WC e Sala de
espera.
Para além da paisagem, esta estação
apresenta como principais motivos de interesse a
Igreja Matriz de Santa Marinha do Zêzere, o Solar
das Casas Novas e a Quinta da Ermida.
A Igreja Matriz de Santa Marinha do Zêzere
foi fundada no século XI e reconstruída no século
XVIII. No seu interior destaca-se o órgão de tubos.
O Solar das Casas Novas é datado do
século XVIII. É construído com uma interessante
fachada corrida e um movimento do telhado com
pináculos piramidais. Possui uma capela anexa.
A Quinta da Ermida foi construída no século
XIX, é cercada de jardins, terrenos de cultivo e
jardinagem, o que confere ao espaço um certo
dinamismo de beleza única. Esta casa disponibiliza
dez quartos e um diversificado conjunto de
serviços, dos quais se destacam, a piscina, bar,
Fig.152 - Estação da Ermida
Fig.151 - Vista panorâmica da
estação
Fig.153 - Vista da linha ferroviária
Fig.154 - Interior da estação
salão de jogos e cais para embarcações dos
clientes33
.
7.10.8.Apeadeiro de Porto de Rei
Primeira paragem do concelho de Mesão
Frio, ao km 79.2, (sentido Marco-Régua). Outrora
uma estação, hoje é um moderno apeadeiro. Dos
tempos antigos, provavelmente dos inícios dos
anos (19)20 temos o edifício da antiga estação,
edifício de características diferentes dos restantes
da linha do Douro, antes parecendo um sobrado
destacando-se uma escada de serviço à habitação
na fachada lateral. Actualmente o edifício da antigo
estação encontra-se abandonado e em estado de
acentuada degradação.
Este é um bom ponto de partida para alguns
passeios nas redondezas usufruindo da amena e
rica mancha verde que orla o rio, valorizado ainda
por um antigo e belo ancoradouro.
Para uma estadia mais prolongada é
possível optar por uma das três estruturas de
turismo de habitação nomeadamente da Quinta da
Boa Passagem, junto à linha e ao apeadeiro.
33
Cfr.http://www.cp.pt/cp/displayPage.do?vgnextoid=c37c23aabd984010VgnVCM1000007b01
a8c0RCRD&contentId=916671328b6a6010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD
7.10.9.Apeadeiro de Barqueiros
Localizado ao km 83, o apeadeiro de
Barqueiros encontra-se actualmente desactivado e
igualmente votado ao abandono com o edifício
degradado. A perda de importância deste
apeadeiro deve-se ao acentuado fluxo migratório
que levou ao abandono de inúmeros habitantes da
localidade.
7.10.10. Estação da Rede
Localizada ao km 86,2 a estação da Rede é
um exemplar da arquitectura padrão escolhido para
a construção das diversas estações da margem do
rio Douro. Edifício de dois pisos caiado de branco
com o primeiro piso coberto de azulejo de motivos
simples e discretos. O edifício, apesar da estação
se encontrar desactivada e ao contrário de outros
exemplos, encontra-se em bom estado de
conservação e é valorizado pelo enquadramento
paisagístico.
Este é um bom ponto de partida para um
passeio pelas redondezas. Nas proximidades
encontra-se uma bem cuidada praia fluvial que
permite ao viajante refrescar-se nas águas do rio
Douro em dias quentes de Verão. Também nas
Fig.156 - Estação da Rede
Fig.155 - Vista panorâmica da estação
proximidades é possível pernoitar na Pousada da
Rede.
7.10.11.Apeadeiro de Caldas de Moledo
Ao Km 89,6 encontramos a outrora a
estação de Caldas de Moledo, recentemente
convertida em apeadeiro entretanto desactivado. O
seu actual estado de degradação não esconde a
beleza do seu traço num edifício de dimensões
consideráveis onde é visível as funções de serviço
que fornecia.
Na linha dos restantes edifícios do Douro, a
estação tem dois acrescentos laterais,
provavelmente servindo de abrigo aos guarda
linhas e, a poucos metros, um edifício em
acentuado estado de degradação que,
provavelmente, serviria de poiso aos viajantes.
Relatos antigos narram a vida que a estação
teria cheia de passageiros e com pregões dos
vendedores de doces, passageiros esses por certo
buscando pelas outrora afamadas Caldas (Termas)
de Moledo.
Rico em pontos de interesse, o viajante além
das paisagens existentes poderá passear pela vila
protegendo-se do sol pela sombra das inúmeras
cerejeiras que se encontram e daqui partir para
uma visita ao património arqueológico e religioso
existente nas redondezas.
7.10.12.Estação de Godim
Localizada à entrada da cidade de Peso da
Régua ao Km 93,4. É uma pequena estação de
planta simples, apenas de um piso, caiada de
branco. Actualmente encontra-se desactivada
servindo de cartão-de-visita à cidade. A sua
envolvência tem assumido um crescente carácter
urbano que contrasta com a traça da estação.
Actualmente as necessidades dos habitantes
das redondezas não passam pelo uso do comboio
mas sim do automóvel o que tem levado à criação
de uma série de vias rodoviárias que remeteu a
estação de Godim a um papel crescentemente
secundário que culminou com o seu encerramento,
sendo hoje testemunha silenciosa de um passado
de grande actividade em redor do caminho-de-
ferro, outrora eixo central do desenvolvimento da
região.
7.10.13.Estação da Régua
A Estação da Régua, como todas as outras
estações, situa-se na margem direita do Rio Douro
na cidade da Régua. Localiza-se ao km 94,9.
Esta disponibiliza vários serviços, dos quais,
serviço de táxis, bilheteiras com venda de bilhetes
Fig.157 - Estação da Régua
(Alfa Pendular, Intercidades e Regional), WC, Sala
de espere, Telefones públicos, Bar e Restaurante.
Como locais de interesse destaca-se a Igreja
matriz do Peso da Régua.
Esta igreja é uma obra arquitectónica do
século XVII. A fachada da igreja é precedida pelo
arco de triunfo do campanário, de volta perfeita,
sobre o qual se evidencia uma arquitrave saliente,
repousando nela o remate onde estão rasgadas as
duas ventanas sineiras. O seu interior é constituído
por uma nave, a qual está coberta por
madeiramento abobadado com caixotões pintados.
A capela-mor da igreja expõe um esplendoroso
retábulo de talha dourada, destacando-se desta
composição barroca o seu desenvolvido trono
eucarístico34
. Outro local de interesse é o Museu do
Douro, inaugurado em 1997, na cidade da régua, o
qual constitui um património único, pela sua
história, diversidade e qualidade reconhecida dos
seus vinhos e por uma paisagem excepcional. Este
museu visa promover a região vitivinícola de
importância fundamental e classificada como
Património Mundial.
34
Cfr.http://www.cp.pt/cp/displayPage.do?vgnextoid=c37c23aabd984010VgnVCM1000007b01
a8c0RCRD&contentId=643457a4e63f5010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD
Fig.158 - Linha férrea da
Estação da Régua
Fig.159 - Linha Férrea
Fig.160 - Estação da Régua
Fig.161 - Comboio histórico na
Estação
Juncal
Pala
Mosteirô
Aregos
Mirão
Ermida
Porto de
Rei
Barqueiros
Rede
Caldas de
Moledo
Godim
Marco
Régua
Inicio/Fim
Estação
Estação desactivada
Apeadeiro desactivado
Povoações
7.10.14. Mapa 2- Linha do Douro
7.11. Fundação Eça de Queiroz
A fundação Eça de Queiroz é uma instituição
de utilidade pública administrativa, sem fins
lucrativos, que tem como cais de partida a
divulgação e promoção nacional e internacional da
obra do maior romance português.
A fundação é composta por um conselho
Fiscal, um Conselho Cultural e um Conselho
Fundadores.
A Fundação Eça de Queiroz tem princípios
culturais, educativos e artísticos que são
conhecidos pela perpetuação do escritor José
Maria Eça de Queiroz na divulgação e promoção
da sua obra em Portugal e no estrangeiro, pela
máxima organização em ampliar a biblioteca, o
arquivo e o museu queirosiano instalado na sua
sede, pela promoção da realização de
conferências, ciclos de estudo ou quaisquer outras
manifestações adequadas aos termos que assim
podem estabelecer prémios às obras, e contribuir
no desenvolvimento cultural da região.
A Casa e a Quinta de Vila Nova têm vindo a
ser objecto de grandes intervenções
arquitectónicas.
Com estas transformações arquitectónicas
criou-se um espaço museológico, uma biblioteca,
um arquivo, um mini auditório e um espaço para
serviços administrativos.
Também foram executados alguns arranjos
exteriores baseados na recuperação da eira e
beiral, construção do parque de estacionamento,
Fig.162 - Entrada para a Fundação
Fig.163 - Fundação Eça de Queiroz
Fig.164 - Vista traseira da Fundação Eça de
Queiroz
Fig.166 - Eira da Fundação
Fig.165 - Capela da Casa de Tormes
remodelação do estradão e salientação do
ajardinamento dos espaços e instalações da rede
de rega.
Foram, ainda, feitos investimentos agrícolas
de 4,5 hectares de vinha nova, construída e
equipada na adega.
Esta região exibe uma paisagem
profundamente humanizada. O percurso mais
alastrado do Douro, os vales encaixados, a difusa e
variada vegetação, o traçado tradicional da casa,
os caminhos e as estradas sinuosas contribuem
para uma paisagem bastante agradável.
Os terraços cultivados colaboraram para a
valorização desta paisagem, que lhe proporcionava
bastante cor e frescura ao longo dos tempos.
A Fundação Eça de Queiroz dedica-se,
ainda, à promoção de Percursos Turísticos e de
vinhos verdes (Tormes)35
.
35
Cfr. http://www.feq.pt
Fig.169 - Escritório
Fig.168 - Auditório
Fig.167 – Azenha da Casa
7.12.Mosteiro de Santo André de Ancede
O Mosteiro de Santo André de Ancede
remontam ao século XII, é respeitante à sua
ligação aos Cónegos Regrantes de Santo
Agostinho. Durante vários séculos este mosteiro
deteve um considerável património fundiário ligado
à produção vinícola, que lhe permitiu beneficiar de
grande poder económico. Todavia, em meados do
século XVI, pouco restava já dessa época áurea e
o mosteiro entrou num período de decadência, com
as dependências degradadas e um número muito
reduzido de religiosos. Em 1560 passou a
depender de São Domingos de Lisboa e, a partir de
então, foram executadas várias campanhas de
obras com o objectivo de recuperar o conjunto
arquitectónico.
A igreja foi reedificada, desenvolvendo-se,
então, em três naves separadas por arcaria de
volta perfeita, com tecto de madeira. Um amplo
arco triunfal, com dois altares colaterais, articula
este espaço com o da capela-mor, onde ganha
especial importância o retábulo-mor, em talha
dourada com tribuna de grandes dimensões.
Contemporâneos deste retábulo, de estilo nacional,
são certamente as sanefas que se encontram
sobre as janelas e o arco triunfal.
A fachada principal, em cantaria, que
corresponde à lateral da nave, apresenta portal de
verga recta encimado por nicho de frontão
triangular. A capela de Nossa Senhora do Bom
Fig.170 - Vista trazeira do Mosteiro
Fig.171 - Vista lateral do Mosteiro
Fig.173 - Vista lateral do Mosteiro
Fig.- Vista lateral do Mosteiro
Fig.174 - Cruzeiro
Fig.172 - Entrada do Mosteiro
Despacho, ao lado, foi erguida em 1731, e exibe,
no portal datado de 1735, o brasão dos
dominicanos. De linguagem rococó, apresenta, no
seu interior, altar-mor e seis laterais, com
representações de cenas da vida de Cristo.
Com a Extinção das Ordens Religiosas o mosteiro
foi vendido em hasta pública, ficando na posse do
Visconde de Vilarinho de São Romão. A capela e a
igreja passaram, em 1932, para a paróquia de
Ancede36
.
7.13. Convento de Ermelo
O convento de Ermelo, situa-se na freguesia
de Ancede. O convento continua a existir, apesar
de já so restar a fachada, devido aos incêndios que
consumiram o edifício. A igreja está flanqueada
pelas casas solarengas que se foram construindo
na sua proximidade, igualmente em situação de
abandono. Do templo, permanecem apenas os
muros. Trata-se de um corpo longitudinal de três
naves, separadas por arcos ogivais, com capela-
mor quadrada. A fachada principal é rasgada por
um arco ogival com decoração fitomórfica, de
tipologia românica, encimado por estreita fresta
rectangular. A empena é triangular e muito larga,
abrangendo as três naves. A cobertura era em
telhado de duas águas, com tecto de madeira,
tendo já desaparecido na totalidade. Quanto ao
espaço interior, encontra-se descoberto. Nas
36
Cfr. http://www.baiao-digital.com/turismo/patrimonio/convento-de-ancede/
Fig.175 - Capela da Sr.ª do Bom
Despacho
Fig. 176 – Convento de Ermelo
Fig. 177 – Convento de Ermelo
Fig. 178 – Convento de Ermelo
fachadas Norte e Sul abrem-se mais dois portais
ogivais, com decoração muito arcaica, estas
fachadas conservam ainda muitos cachorros. .
O interior é iluminado por várias frestas, três
das quais na capela-mor, estas conjugadas com
uma janela ogival. O arco triunfal é um largo vão
ogival, com uma arquivolta denteada. Na parede
fundeira. Destacam-se, ainda os vestígios do
retábulo do altar-mor, em talha, inteiramente
saqueado. Numa coluna da nave pode ver-se o
escudo das quinas, tendo como tenentes dois anjos
alados37
.
37
Cfr. http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_Ermelo
http://www.baiao-digital.com/turismo/patrimonio/igreja-de-ermelo/
Fig.180 – Convento de Ermelo
Fig.179 – Igreja do Convento de Ermelo
7.14. Museus
7.14.1. Museu Municipal Amadeo Souza
Cardoso38
O Museu Amadeo de Souza Cardoso,
instalado no Convento Dominicano de S.Gonçalo,
foi fundado em 1947, por Albano Sardoeira,
tendendo reunir materiais respeitantes à história
local.
Este tem como principal objectivo divulgar a
Arte dos séculos XIX e XX, exposições
temporárias, temáticas, ou monográficas, que se
servem de agregado ás colecções oficiais ou
mostram obras de artistas.
O Museu dispõe dos espaços da sala
polivalente/mini-galeria para pequenas exposições
(de desenho, fotografia, vídeo, design…) e da sala
de exposições temporárias.
Colecções
Uma vez que o Museu Amadeo de Sousa
quer manter uma lembrança do núcleo inicial e das
respectivas colecções tem que prosseguir com a
38
Morada: Museu Municipal Amadeo de Souza Cardoso Alamedo 4600 Amarante. Horário: De Terça a
Domingo das 10h às 12h30m e das 14h às 17h30m. Encerra às Segundas-feiras, Dias-Santos e
Feriados. Contactos: 255 43 20 06 E-mail: Cmasousacardoso@um.geira.pt
sua principal vocação, a Arte Portuguesa Moderna
e Contemporânea, nomeadamente a Pintura e a
Escultura, tendo como principais referências
António Carneiro e Amadeo de Souza Cardoso. É
certo que o Museu procura responder ao
encadeamento das gerações de pintores e
escultores portugueses que, numa prática ambígua
ou nas rupturas, assumiram ou tentam assumir
também um projecto de modernidade39
.
7.14.2. Museu Municipal de Baião
O Museu Municipal de Baião, localiza-se na
freguesia de Campelo, na Casa da Cultura. É
instituído por dois grupos, grupo de arqueologia e
grupo de etnografia, onde pretende expor de forma
metodológica os trabalhos arqueológicos realizados
nas Serras da Aboboreira e Castelo de Matos, que
abrangem o megalitismo, Sepulcros do Calcolítico
e da Idade do Bronze; Povoados do Neolítico à
Idade do Bronze; Idade do Ferro e Romanização;
Idade Média. Expõem-se, ainda os objectos mais
significantes destes tempos cronológicos, dirigindo-
se a informações gráficas que permitem
contextualizar esses objectos. Cada vitrina é
assistida de um painel onde figura sempre um
mapa e uma barra cronológica, para além de
39
Cfr.http://www.amarante.pt/museu/historia.php
imagens de sítios e de um pequeno texto
explicativo que criam um fio condutor ao longo da
exposição sobre a evolução da ocupação humana
deste espaço geográfico ao longo dos tempos.
Salienta-se, ainda a inclusão nesta exposição de
uma maqueta didáctica das fases de construção de
um dólmen com 120 figurinhas humanas e de uma
outra maqueta em relevo da carta arqueológica do
Campo, acompanhada por réplicas dos principais
monumentos arqueológicos e históricos do
Concelho de Baião. No Grupo de Etnografia está
visível um conjunto de objectos tradicionais
relacionados com os trabalhos agrícolas, o trabalho
do linho e a confecção do pão40
.
7.14.3Museu do Douro41
O museu do Douro está integrado na Região
do Douro que constitui, um património único, pela
sua história, diversidade e qualidade reconhecida
dos seus vinhos, por uma paisagem excepcional,
resultante de uma actividade humana secular na
criação e valorização económica da viticultura de
encosta.
40
Cfr. http://www.baiao-digital.com/turismo/patrimonio/
41
Morada: Rua da Alegria 39 2º Peso da Régua 5050-256 Peso da Régua. Contactos: 254324320
Horário: Encerrado às Segundas. Terça a Domingo das 10 às 18 horas. Preços: 5€ (bilhete único, que
dá acesso à exposição temporária e à exposição permanente do Museu do Douro); Seniores e
estudantes - 50% de desconto; Famílias 4 €; Crianças até aos 12 anos, Amigos do Museu e grupos
escolares - Grátis
Fig.181 - Museu do Douro
Este museu foi inaugurado em 1997 na
Régua, centro da região vinhateira.
O Museu do Douro visa promover a região
vitivinícola de importância fundamental e
classificada como Património Mundial. Para além
do edifício sede na Régua, o Museu do Douro inclui
também um Núcleo do Pão e do Vinho (Favaios),
Núcleo da Gastronomia (Lamego), Núcleo do
Caminho de Ferro (Barca de Alva), Núcleo da
Electricidade (Vila Real), Núcleo da Amêndoa (em
Vila Nova de Foz Côa), Núcleo do Arrais e da
Cereja (em Resende), Núcleo do Vinho (em São
João da Pesqueira), Núcleo da Seda (em Freixo de
Espada à Cinta), Núcleo do Somagre
(Muxagata,Vila Nova de Foz Côa), Núcleo de
Barqueiros (Mesão Frio) e Museu do Imaginário
(em Tabuaço)42
.
7.14.4. Museu de Lamego43
O museu de Lamego localiza-se no centro
histórico da cidade de Lamego, no antigo Paço
Episcopal. Este edifício foi construído na segunda
metade do século XVIII, por D. Manuel de
Vasconcelos Pereira, Bispo de Lamego. Hoje em
42
Cfr. http://www.lifecooler.com/Portugal/patrimonio/MuseudoDouro
43
Morada: Rua de Camões 5100 Lamego. Contactos: (+351) 254.600.230 Horário: Terça a domingo, 10
às 12.30 e 14 às 17 horas. Entrada: 2 euros.
Fig.182 - Interior do Museu
Fig.183 - Interior do Museu
Fig.184 - Bar no Museu
Fig.185 - Exterior do Museu de
Lamego
dia, o Museu de Lamego é uma importante
referência para as Artes e o Património no
panorama regional, nacional, e até mesmo
internacional, dado que a qualidade e a
singularidade de algumas das obras de arte de
exposição permanente, merecem especial
referência ás cinco tábuas de Vasco Fernandes
(Grão Vasco), que faziam parte do retábulo de vinte
tábuas da Sé de Lamego.
Colecções e Património
O património do museu é misto, incluindo um
espólio variado que assenta na colecção primitiva
de mobiliário, tapeçaria, escultura e pintura, que já
se encontrava no Paço. Após a constituição do
Museu foi complementado com ourivesaria,
paramentaria, capelas e respectivas esculturas
originárias do
extinto Convento das Chagas de Lamego, de rico
valor artístico e iconográfico. A Câmara Municipal e
diversos particulares acrescentaram-lhe o acervo
arqueológico.
As peças da colecção são na sua maioria do
século XVIII, embora abranjam um largo período
que vai do século I aos nossos dias, com destaque
para o período renascentista, sendo as tapeçarias
flamengas, os panos de armar e a pintura de Vasco
Fernandes os ex-líbris.
Um conjunto de dois panos de armar forma
uma tapeçaria intitulada «A Música», já requisitada
Fig.186 - Interior do Museu
Fig.187- Exterior do Museu
Fig.188 - Pátio exterior do Museu
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Contributos para um Guia Turístico do Concelho de Baião

  • 1. Escola E.B 2,3/S de Baião Curso Profissional Técnico de Turismo Ambiental e Rural Prova de Aptidão Profissional Contributos para um Guia Turístico do Concelho de Baião Daniela Pinto Sónia Monteiro Tatiana Marques Baião/2010 Escola E.B 2,3/S de Baião
  • 2. Curso Profissional Técnico de Turismo Ambiental e Rural Prova de Aptidão Profissional Contributos para um Guia Turístico do Concelho de Baião Trabalho realizado para a Prova de Aptidão Profissional, orientado pelo professor Fernando Matos e professor Rui Mendes, realizado pelas alunas Daniela Pinto, nº5, Sónia Monteiro, nº19 e Tatiana Marques, nº21 do 12ºPA. Baião/2010
  • 3. Apresentação Este trabalho realizado no âmbito do Curso Profissional Técnico de Turismo Ambiental e Rural, na área de programação e gestão turística, propomos à realização dum guia turístico que tem como principal objectivo aprofundar e desenvolver conhecimentos, valores e atitudes que no âmbito da sensibilização para a valorização do património ambiental e cultural do concelho, bem como, o desenvolvimento de conhecimentos técnicos e tecnológicos no âmbito da programação e de projectos turísticos. Neste trabalho também queremos expressar os nossos agradecimentos aos professores Fernando Matos Rodrigues, coordenador da nossa Prova de Aptidão Profissional, pela coordenação e orientação metodológica do trabalho, ao professor Rui Mendes, professor Pedro Paiva, professora Gertrudes Cristina e professora Cristina Carvalho pela sua disponibilidade e pelo apoio prestado ao longo do trabalho.
  • 4. Índice 1. Introdução………………………………………………………………………1/2 2. Definição de um Guia turístico………………………………………………….3 3. Caracterização Territorial 3.1. Caracterização Geral………………………………………………..4/7 3.2. Ambiente………………………………………………………………..8 3.3. Enquadramento Geomorfológico…………………………………9/10 3.4. Enquadramento Geológico………………………………………10/11 3.5. Declives……………………………………………………………12/13 3.6. Formas alveolares……………………………………………………13 3.6.1. Vale Alveolar do Ovil……………………………………….14 3.6.2. Alvéolo do Gôve………………………………………...14/15 3.6.3. Alvéolo de Campelo………………………………………..15 3.7. Flora e Vegetação……………………………………………………16 3.8. Flora Autóctone…………………………………………………...17/18 3.8.1. Flora em Perigo…………………………………………18/19 3.9. Aves………………………………………………………………..20/22 3.10.Hidrografia do Concelho de Baião……………………..………23/24 3.10.1. Rio Ovil……………………………………………………..24 3.10.2. Rio Douro…………………………………………………..25 4. Património Arqueológico…………………………………………………...26/27 4.1. Monumentos Megalíticos………………………………………...27/28 4.2. Povoados da Idade do Bronze…………………………………..29/30 4.3. Idade do Ferro à Idade Média…………………………………...30/31 5. Património Arquitectónico
  • 5. 5.1. Coretos…………………………………………………………….31/32 5.1.1. Elementos estruturais dos Coretos…………………………...32/33 6. Património Cultural 6.1. Tradicional Doce da Teixeira…………………………………….34/35 6.2. Bengalas de Gestaçô…………………………………………….35/36 6.3. Folclore…………………………………………………………….37/38 6.3.1. Rancho Folclórico de Ancede……………………………..38 6.3.2. Rancho Folclórico de Baião……………………………39/40 6.3.3. Rancho Folclórico de Gestaçô………………………...40/41 6.3.4. Rancho Folclórico de Santa Cruz do Douro…………41/42 6.4. Bandas Marciais 6.4.1. Banda Marcial de Ancede…………………………………40 6.4.2. Banda Marcial de Santa Marinha do Zêzere…………….41 7. Pontos de Interesse 7.1.Carvalho………………………………………………………………..45 7.2.Canastro………………………………………………………………..45 7.3.Beiral e Eira……………………………………………………………46 7.4.Moinho………………………………………………………………….46 7.5.Miradouro…………………………………………………………..46/47 7.6.Paisagens………………………………………………………………47 7.7.Igreja de Tresouras……………………………………………………48 7.8. Igreja de Valadares…………………………………………………..48 7.9. Dólmen Chá da Parada…………………………………………..49/50 7.10. Estações e Apeadeiros 7.10.1. Estação do Marco de Canaveses…………………….51/52 7.10.2. Estação do Juncal………………………………………….53 7.10.3. Estação da Pala………………………………………….53 7.10.4. Estação de Mosteirô………………………………....54/55 7.10.5. Estação de Aregos…………………………………..55/56 7.10.6. Apeadeiro do Mirão……………………………………...56
  • 6. 7.10.7. Estação da Ermida...................................................57/58 7.10.8. Apeadeiro de Porto de Rei……………………………...58 7.10.9. Apeadeiro de Barqueiros…………………………………59 7.10.10. Estação da Rede……………………………………59/60 7.10.11. Apeadeiro de Caldas de Moledo………………………..60 7.10.12. Estação de Godim……………………………………...61 7.10.13. Estação de Régua………………………………….61/62 7.10.14. Mapa da Linha do Douro……………………………….63 7.11. Fundação Eça de Queiróz……………………………………..64/65 7.12. Mosteiro de Ancede…………………………………………….66/67 7.13. Convento de Ermelo…………………………………………….67/68 7.14. Museus 7.14.1. Museu Municipal Amadeo Souza Cardoso…………69/70 7.14.2. Museu Municipal de Baião…………………………...70/71 7.14.3. Museu do Douro……………………………………….71/72 7.14.4. Museu de Lamego………………………………........72/74 7.14.5. Museu de Resende…………………………………..74/75 7.14.6. Museu Serpa Pinto……………………………………….76 7.15. Pelourinho da Teixeira……………………………………………...77 8. Casas de Turismo de Habitação 8.1. Casa da Cochêca…………………………………………………78/79 8.2. Casa da Lavandeira………………………………………………….80 8.3. Quinta da Ermida……………………………………………………..81 8.4. Quinta do Ervedal…………………………………………………82/83 8.5. Quinta de Guimarães………………………………………………...83 8.6. Quinta das Quintãs…………………………………………….....84/85 9. Casas de Turismo Rural 9.1. Casa das Feitorias……………………………………………………86 9.2. Casa de Fundo de Vila………………………………………………87
  • 7. 9.3. Casa do Silvério………………………………………………………88 9.4. Casa de Viombra……………………………………………………..89 9.5. Casarão………………………………………………………………..90 9.6. Casa da Torre……………………………………………………..91/92 10. Casa de Campo 10.1. Casa dos Pousadouros…………………………………………………93/94 11. Hotel Douro Palace Resort & SPA……………………………………....95/96 12. Gastronomia………………………………………………………………...…97 121. Restauração…………………………………………………………98 12.2. Mapa 3- Restauração………………………………………………99 13. Vinhos…………………………………………………………………………100 13.1. Principais Produtores Vitivinícolas……………………...............101 13.2. Mapa 4- Principais Produtores Vitivinícolas….…………………102 14. Conclusão……………………………………………………………….103/106 15. Bibliografia………………………………………………………………107/108 16. Netgrafia ……………………………………………………………......109/111
  • 8. 1. Introdução A proposta da realização de um guia turístico integra-se na formação dos alunos do Curso Técnico de Turismo Ambiental e Rural, de forma a desenvolver e a aprofundar conhecimentos técnicos, tecnológicos e cientifico- culturais. Desta forma, promove-se uma estreita relação entre o Mundo da formação, mais fechada e académica e o mundo cultural e profissional mais dinâmico e interactivo. Sem dúvida alguma esta actividade pretende desenvolver uma maior sensibilidade e motivação para actividades e ofertas turísticas na Região do Douro, dando a conhecer potencialidades, programas e infra-estruturas turísticas que se conectam com a matriz ambiental, cultural e patrimonial do Douro e Regiões limítrofes. Localizado na NUT III do Baixo Tâmega, o concelho de Baião é um território de enorme potencial turístico em virtude das condições naturais de que usufrui. Território de transição entre o litoral e o interior de Portugal, Baião é influenciado por uma mistura de climas que conferem uma identidade única e uma variedade ao nível da flora e da fauna ímpares. Neste território são inúmeras as marcas distintivas ao nível do seu património natural. De facto, o seu principal património, e primeiro a ser reconhecido pelos sentidos, é o relevo montanhoso. Aqui coexistem diversos conjuntos montanhosos de formação e estrutura geológica variada, embora predomine o granito, como sejam a Serra de Valadares, a Serra da Aboboreira e a Serra do Marão. Cobertas por uma vegetação pouco densa, características dos climas de altitude, nas suas encostas podemos encontrar alguns carvalhais centenários e, nos seus vales e encostas de menor altitude, encontramos alguns exemplares de vegetação típica do clima mediterrânico, como sejam, as oliveiras. Tal resulta de um microclima influenciado pelos seus vales de vertente soalheira e, principalmente, pela acção do seu elemento natural mais distintivo: o Rio Douro.
  • 9. De facto, o Rio Douro condicionou o desenvolvimento humano da região constituindo elemento essencial no futuro do concelho, em virtude das inúmeras potencialidades que apresenta quando encarado como recurso económico. Se ao nível paisagístico o concelho apresenta grande diversidade e riqueza, também ao nível do património humano Baião apresenta potencialidades de grande valor. O seu património pré-histórico e histórico disso são exemplo. Os inúmeros vestígios arqueológicos patentes pelos seus castros, menires e mamoas atestam a antiguidade da ocupação humana mais tarde vincada pelos monumentos como o Mosteiro de Ancede, as ruínas do Castelo de Matos e várias igrejas e casas senhoriais seculares. Em função de um output turístico de grande valor económico e regional, a marca Douro, vai permitir compreender a importância da programação, organização e gestão turística a partir de valores turisticamente sustentáveis.
  • 10. 2.Definição de Guia turístico Guia turístico é um manual de informações turísticas ou, ainda, a publicação destinada à promoção e à divulgação do turismo. É, portanto, um objecto, um livro, um catálogo ou uma publicação. Em compartida, guia de turismo é o profissional, a pessoa que, além de prestar as informações necessárias, também acompanhará o turista e irá orientá-la durante a viagem. Devido à grande diversidade dos produtos turísticos e das diversas facetas que a actividade apresenta na prática, é necessário que existam diversos tipos de guia de turismo. O Guia de turismo especializado em atractivos naturais ou culturais é o profissional responsável pela recepção de visitantes em locais como usinas, sítios históricos, museus, parques nacionais, entre outros, que necessite de bastante conhecimento específico sobre o local visitado. O Guia de Turismo regional tem como funções “o acompanhamento, o translado, a prestação de informação e assistência a turistas, em itinerários ou roteiros locais ou intermunicipais de uma determinada unidade da federação, para visitas a seus atractivos turísticos” O Guia de turismo de excursão nacional tem como funcionalidade acompanhar grupos para fora do seu estado de origem, por todo o território nacional e pela América do Sul. Por fim, o Guia de Turismo de Excursão Internacional acompanha os grupos a países dos cinco continentes. Este guia pode durante as viagens contratar guias locais para transmitir informações específicas sobre as cidades visitadas 1 . 1 CHIMENTI, Silvia e TAVARES, Adriana “ Guia de Turismo” O PROFISSIONAL E A PROFISSÃO (2007) Editora Senac São Paulo.
  • 11. 3.Caracterização Territorial 3.1. Caracterização Geral Baião é um concelho do interior do Distrito do Porto, com uma área de 175,71 hectares, compreendendo 20 freguesias: Ancede, Campelo, Covelas, Frende, Gestaçô, Gôve, Grilo, Loivos do Monte, Loivos da Ribeira, Mesquinhata, São João de Ovil, Ribadouro, Santa Cruz do Douro, Santa Leocádia, Santa Marinha do Zêzere, Teixeira, Teixeiró, Tresouras, Valadares e Viariz. Circundado pela Serra do Marão, Aboboreira e Castelo de Matos, e ainda banhado pelo Rio Douro, a sua posição que confere a este concelho um elevado potencial turístico. Está limitado pelos concelhos de Amarante, Marco de Canaveses, Cinfães, Resende, Mesão Frio, Régua e Santa Marta de Penaguião, entroncando, desta forma, com os distritos de Vila Real e Viseu. O rio Douro, que nasce em Espanha, apresenta um potencial turístico de grande valor, banha a vertente sul do concelho de Baião. Aqui, destaca-se Ribadouro, onde podemos desfrutar de inúmeras sugestões de passeios e desportos náuticos, como por exemplo, remo ou canoagem, windsurf, vela, jet-ski ou motonáutica. Os passeios fluviais podem ser realizados nos antigos barcos rebelos ou em barcos-hotel. Quanto aos passeios Fig.1- Vista da Vila de Baião Fig.2- Vista da Freguesia de Valadares Fig.3- Vista da Freguesia de Tresouras Fig.4- Vista da Freguesia de Santa Leocádia para Ribadouro
  • 12. pedestres podemos visitar o Castro de Porto Manso, que se situa ao longo da Calçada Romana. Este rio condiciona a vida e economia da região. Um dos elementos de atracção turística é a linha de caminho-de-ferro, a Linha do Douro, que liga Porto e Pocinho (Concelho de Vila Nova de Foz Côa, Distrito da Guarda). Grande parte do seu percurso acompanha as margens do rio Douro, contendo, a maior extensão de via-férrea ladeada de água de Portugal. A Serra da Aboboreira, um dos elementos mais importantes e influentes no modo de vida do concelho, tem alguns pontos característicos assinaláveis como a aldeia de Almofrela, uma aldeia tradicional, envelhecida e paisagisticamente enquadrada pelo rio e vale do Ovil; encontramos ainda importantes vestígios pré-históricos, testemunho da antiguidade de ocupação da região, de onde se destaca o dólmen de Chã de Parada. Noutro conjunto montanhoso, encontramos Castelo de Matos, que se localiza na Aldeia de Matos, um pequeno lugar de montanha em forma de anfiteatro e constituído por casas tradicionais construídas em granito local onde outrora terá existido um castelo em madeira que ardeu num forte incêndio. É no museu municipal de Baião que se encontram grande parte dos vestígios arqueológicos, pontas de seta em cobre, vasos decorados e espora em ferro do Castelo de Matos. Em termos ambientais a paisagem caracteriza-se pela diversidade e pela riqueza não só das condições naturais dadas pela geologia visíveis nos citados conjuntos montanhosas, fauna (javalis, raposas, lobos, doninhas, bois, ovelhas, Fig.5- Vista da Freguesia de Ribadouro Fig.6- Vista sobre a Freguesia de Ancede Fig.7- Freguesia de Ribadouro Fig.9- Vista da Freguesia de Ancede sobre o Douro e o Concelho de Cinfães Fig.8- Vista da Freguesia de Teixeira
  • 13. burros, cavalo…) e flora (sobreiros, carvalhos, castanheiro, pinheiro manso…) numa imensa área florestal enquadrada pelos granitos e xistos das serras, mas também pela intervenção do homem sendo marcadamente visíveis as transformações provocadas na paisagem pela prática da agricultura (socalcos) e da pecuária, constituindo um conjunto de recursos que permite a sua exploração turística e económica. O clima local, apresenta algumas características próprias que condicionam a vegetação existente. A relativa proximidade ao Atlântico confere um clima de cariz oceânico, com temperaturas amenas, amplitudes térmicas e precipitações abundantes (temperatura caracterizada por elevadas amplitudes térmicas anuais com verões quentes e secos e invernos frios e chuvosos). No entanto, uma série de outros microclimas são identificáveis: o mediterrânico, com verões relativamente secos, junto aos vales do Douro, e o de altitude, com invernos chuvosos, por vezes de neve e temperaturas frias. A formação de Baião está ligada ao denominado Castelo de Matos, antigo castelo de Penalva do séc. XI, e que foi reduzido a cinzas por um incêndio que o destruiu. Baião é a origem da família nobre dos Baiões descendentes de D. Arnaldo (trisavô de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques) um guerreiro que veio combater os Mouros na Península Ibérica, em 985. As terras de Baião foram concedidas como premio pela sua bravura pelo Rei de Castela. Fig.10- Serra da Aboboreira Fig.11- Freguesia de Santa Cruz do Douro Fig.12- Freguesia de Gôve Fig.14- Freguesia de S. Tomé de Covelas Fig.13-Vista da aldeia de Mafómedes
  • 14. Os historiadores pensavam, que D. Arnaldo seria um guerreiro alemão que perdeu o seu ducado numa guerra, outros pensavam que seria um cavaleiro de Bayonne, filho de um rei de Itália e neto de um rei de França dai a origem do nome de Baião. D. João I deu as terras de Baião a um parente do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira. No tempo de D. João II, Baião recebeu um foral de D. Manuel I, em 1513. No séc. XX, a serra da Aboboreira, foi lugar de várias aparições marianas (a um pastor local), facto que originou a construção da Capela de Nossa Senhora da Guia, onde ocorrem muitos peregrinos atraídos pela beleza e pela paz, que aqui encontravam. Fig. 15- Mapa 1 Localização do concelho de Baião no território português. Fonte: FERREIRA Marlene, (2007) “ Rancho Folclórico de Baião Diálogo entre etnogrfia, memória e história, in Prova de Aptidão tecnológica.
  • 15. 3.2. Ambiente Os vales encaixados onde correm os Rios Douro e Tâmega, constituem um factor de barreira e simultaneamente de agregação entre o conjunto de municípios envolvidos: - O limite Oeste deste conjunto, define-se pelo complexo montanhoso Alvão e Marão; - O limite Norte é constituído pelas Serras da Cabreira e do Barroso; - O limite Sul é formado pelas Serras de Montemuro e Bigorne. A paisagem local é marcada pela diversidade e pela riqueza resultante não só das condições naturais hidro-geomorfológicas, mas também pela existência de solos “artificiais” onde, tradicionalmente, se têm praticado sistemas agrícolas policulturais, com recurso á mão-de-obra intensiva e á generalização da pecuária. As unidades paisagísticas existentes podem ser sintetizadas em: - Paisagem de policultura, marcada pela presença do vinho; - Paisagem denominada pela presença da floresta; - Paisagem denominada pela presença de pastagem e culturas forrageiras, onde a presença de animais surge ocasionalmente na forma de rebanhos, manadas, etc. Para além disso, o património natural inclui outros motivos de Fig.20 - Pastoreio Fig 16– Serra do Marão Fig 17– Campos de cultivo Fig 19– Vinha Fig 18– Campos destinados ao pastoreio
  • 16. interesse como seja existência de vários locais de caça, pesca e praias fluviais2 . 3.3. Enquadramento Geomorfológico A morfologia da região em que se insere o concelho de Baião é dominada pela serra do Marão, pelo vale profundo do rio Douro e pelos vales de alguns afluentes e subafluentes deste rio, destacando-se o rio Tâmega. A serra do Marão destaca-se na paisagem pela sua extensão e pelas cristas imponentes, que atingem uma altitude máxima de 1.415 metros. A rocha predominante no Marão, são os xistos- quartzíticos. A SE do alto do Marão encontra-se a fraga da Ermida (1.397 m) e a SW a crista das Seixinhas (1.277 m), a partir da qual se baixa para o rio Teixeira, que se localiza entre Teixeira e Teixeiró. O rio Douro corre na região meridional, num vale apertado e de vertentes acentuadas, percorrendo 26 km de leito. Na região a ocidente do Marco de Canaveses, o relevo é essencialmente constituído por rocha granítica, destacando-se as paredes arredondadas e os blocos porfiroídes. 2 Cfr. Pacto para o desenvolvimento do entre Douro e Tâmega, RURALIDADE, LAZER E CULTURA, Agência de Desenvolvimento Regional do Entre Douro e Tâmega, s.l. 2001. Fig 21- Serra do Marão Fig.22 - Rochas graníticas Fig.23 – Rochas graníticas na Serra do MArão Fig.24 - Casa em xisto em Mafómedes
  • 17. Os vales apertados da zona xistenta dão, em geral, na zona granítica, lugar a vales mais abertos, embora quase sempre sinuosos. 3.4. Enquadramento Geológico No concelho de Baião, ao longo das margens do rio Douro, é comum encontrar depósitos do fundo de vale e de vertente arrastados pelo rio no seu percurso ou provenientes das montanhas que o ladeiam, assim como por diversas e pequenas manchas de formação de terraço e por areias e cascalheiras actuais. Estes vestígios em época de cheia ficam submersos. A litologia característica de Baião é representada pelo granito porfiróide de grão grosseiro, havendo no entanto excepções, como o caso de Viariz, Gestaçô e Santa Marinha do Zêzere, onde se encontra uma faixa de granito porfiróide de grão médio, que por vezes passa a grão médio fino, essencialmente biotítico. Os xistos encontrados junto das minas de Teixeiró, prolongam em direcção a Mafómedes (S), e datam do período da era paleozóica, fazendo a separação entre os períodos Silúrico e Ordovícico. Nas proximidades de Gestaçô, as rochas estão metamorfizadas, devido à vizinhança do granito. As rochas da faixa Ordovícico-Silúrico sofreram metamorfismo de contacto, e deram Fig.25 - Casas tradicionais em xisto Fig.27- Rochas graníticas Fig.26 - Rochas Fig.28 – Rochas graníticas Fig.29 - Xisto Fig. 30 – Casa em xisto
  • 18. origem a rochas corneanas e xistos. Este fenómeno pode ser observado ao longo da estrada da Teixeira. Estruturas geológicas interessantes são as manchas principais de formação de terraço que se podem encontrar em Outoreça e Matos, que são constituídos por uma rocha com grão fino, que se torna mais grosseiro junto do granito porfiróide envolvente, constituído por minerais principais, como quartzo, oliogoclase-andesina, microclina, biotite e moscovite, e secundários, como caulino, sericite e clorite. A riqueza litológica da região levou à sua exploração económica, existindo uma série de minas entretanto desactivadas. No Crasto situado a sul de Amarelhe, encontra-se granito biotítico, explorado para a construção civil e formado por minerais essenciais, como quartzo, microlina, albite, biotite e moscovite, e minerais secundários, como apatite, zincão e minérios negros de ferro. Em Viariz, Santa Marinha do Zêzere, Gôve, Grilo e Mesquinhata foram explorados filões aplito- pegmatitícos. Fig.31 – Muro em xisto Fig.32 - Xisto Fig.33 - Rocha Fig.34 – Casa em xisto na aldeia de Mafómedes
  • 19. 3.5. Declives As vertentes com forte declive localizam-se a SW (Sudoeste), junto ao vale do Rio Douro, prolongam-se pelos vales dos cursos de água afluentes. A vertente SE (Sudeste) é a que apresenta maior declive, mergulhando abruptamente no vale do Rio Douro. As vertentes ocidentais e orientais do topo da Aboboreira também mostram um forte declive, denunciando desde já a existência de falhas e escarpas no sentido NE-SW, e que parecem definir e desfrutar este topo. A área definida como depressão mais alongada é o vale alveolar do Gôve. Os alvéolos do Ovil e Campelo, embora estes sejam dois alvéolos completamente distintos. Constata-se desde já que a topografia desta área de Baião impõe sérias limitações à utilização do solo, quer em termos de povoamento, devido à altimetria e irregularidade do relevo, quer em termos de uso agrícola, já que a orografia favorece a compartimentação da exploração agrícola e constituição geológica não favorável. No vale do Rio Ovil, a agricultura foi processando espaços onde o processo erosivo e o uso de socalcos o permitiu. A invasão do Pinheiro Bravo alterou a primitiva floresta constituída pelo “Carvalho Roble” e quase eliminou os vestígios da cobertura vegetal primitiva e ainda subsiste, em regressão nas zonas Fig.35 - Declive em Mafómedes Fig.36 - Declive em Mafómedes Fig. 37 - Declive em Mafómedes Fig. 38 - Declive na Serra de Castelo de Matos Fig39 - Declive em Santa Leocádia
  • 20. de altitude e planálticas onde se praticou desde sempre o pastoreio na Serra da Aboboreira. O Carvalho Roble é uma espécie de ampla distribuição, dominante, sobretudo quando ocorre vales e ladeiras com terrenos profundos, soltos, frescos e siliciosos. Por outro lado, o Pinheiro Bravo é uma espécie proveniente da região Mediterrânea, que cresce em solos leves e arenosos marítimos, além disso, o cultivo estende- se pelas costas Atlânticas de Portugal, onde constitui a principal espécie florestal. O relevo e a floresta que envolvem a agricultura dos vales e das encostas em socalcos, conferem uma paisagem aprazível. Contudo, tem conduzido a uma grande dispersão da população por implicar custos sucessivamente elevados e pela fragmentação das explorações agrícolas, limitando práticas de mecanização e de agricultura extensiva3 . 3.6. Formas Alveolares Os alvéolos são definidos como depressões, ou seja, correspondem a um abaixamento de nível nas grandes superfícies graníticas. É também decretado pela percepção de um aprofundamento 3 Ver por ex. José Alberto (2000/2001) Estudo Geomorfológico da área de Baião. Porto, Faculdade de letras da Universidade do Porto, [texto poli copiado], 82 págs.
  • 21. de um sector aplanado limitado por formas morfológicas de altitude. 3.6.1. Vale alveolar do Ovil O alvéolo do Ovil é caracterizado pelas grandes dimensões e pela sua localização num provável vale de factura, convencionando designar o vale alveolar de Ovil. Este apresenta nitidamente grandes dimensões que se prolongam longitudinalmente pelo traçado do rio Ovil. É possível constatar a existência de falhas que provavelmente controlam o percurso do rio Ovil e que poderão estar na origem desta forma alveolar. Distinguem-se também duas rechãs muito nítidas, uma ao nível dos 500 metros e outro pelos 470 metros, testemunhos da fracturação NE-SW. 3.6.2. Alvéolo do Gôve Este alvéolo apresenta forma irregular e situa-se entre os lugares de Pedreda e Ingilde. Este
  • 22. perfil define-se como uma área aplanada com uma variação máxima de 50 metros de altitude. Localiza-se numa área de cruzamento de fracturas que dão origem a uma depressão e considera-se um contacto litológico com o granito porfiróide de grão fino, influenciando, assim, a sua localização. A escarpa de falha condiciona a vertente SW (Sudoeste) do alvéolo, limitando-o e justificando maior acentuação dos declives nessa secção. 3.6.3. Alvéolo de Campelo O estrangulamento do vale do rio Ovil em Ervins que corresponde a um dos limites do vale alveolar de Ovil, prossegue para SW (Sudoeste) com a abertura de uma área deprimida que segue até Várzea. Esta depressão corresponde ao alvéolo de Campelo, o mais pequeno desta área. A proximidade deste alvéolo com o de Ovil pode não ser casual. Este alvéolo é classificado como sendo do tipo elementar4 . 4 Ver por ex. José Alberto (2000/2001) Estudo Geomorfológico da área de Baião. Porto, Faculdade de letras da Universidade do Porto, [texto poli copiado], 82 págs.
  • 23. 3.7. Flora e vegetação A relativa proximidade ao Atlântico confere um clima acentuado cariz oceânico, com temperaturas amenas, amplitudes térmicas e precipitações abundantes. Os Verões são relativamente secos, o que traduz (sub)mediterrânica característica e dos climas ibéricos. As áreas cultivadas concentram-se nos solos profundos e frescos da base dos encantos, na periferia da serra, constituindo um conjunto de bosques e matagais, mosaicos de grande valor económico. As áreas mais elevadas encontram-se actualmente colonizadas por grandes extensões de matos rasteiros e prados com menor interesse global para efeitos de conservação5 . 5 Cfr. NUNES, Manuel “A Terra, o Homem e os Lobos” in Serra da Aboboreira, p.p.71. Fig.- Fig 40 – Matos rasteiros na Serra da Aboboreira Fig.41 – Vegetação na Serra da Aboboreira Fig.42 – Mato rasteiro na Serra da Aboboreira
  • 24. 3.8. Flora autóctone Baião, possui uma flora autóctone rica e diversificada, associada a uma variedade paisagística, condicionada pelos microclimas existentes no concelho. Na região do vale do Douro, com maior exposição solar, mais quente e abrigada, encontramos espécies como sobreiros (Quercus suber), pinheiro manso (Pinus pinea) e a Esteva (Cistus ladanifer L.). Próximo das linhas de água, as zonas de baixa altitude e temperadas, surge o carvalho alvarinho (Quercus robur), aumentando de altitude e coexistindo com este, temos, o carvalho negral (Quercus pyrenaíca), também medronheiros (arbustus unedo L.), catapereiro (Pyrus bourgaeana), pilriteiro (Crataegus monogyna), e mais raramente, o Azevinho (Ilex aquifolium L.). Nas encostas mais elevadas, frias e húmidas, prevalece a autóctone, carvalho negral. Pode-se considerar as espécies referidas, com excepção do azevinho, surgem em algumas manchas. Os cumes das serras, constituem locais inóspitos pelo frio, vento intenso e solo pouco profundos, surgem cobertos de flora essencialmente arbustiva e herbácea, típica de zonas mais elevadas Sendo a mais representativa o Tojo (Ulex minor), a Urze-branca (Erica arbórea), a Urze-roxa (Erica cinerea), a Giesta-branca (Cytisus multiflorus) e amarela (Cytisus scopariu), a Abrótea (Asphodelus Fig.43 - Urze Roxa (Erica cinerea) Fig.44 - Tojo (Ulex minor) Fig.46- Carvalho Negral (Quercus pyrenaica) Fig.47 - Jacinto-dos-Campos (Hyacinthoides triandrus) Fig.45 - Sargaço (Cistus salvifolius)
  • 25. ramosus), o Sargaço (Cistus salvifolius), o Rosmaninho (Rosmarinus officinalis). Podemos adicionar a esta lista algumas bolbosas como por exemplo o Jacinto-dos-Campos (Hyacinthoides triandrus). A Carqueja (tridentatum) domina especificamente na encosta do Marão, também a podemos encontrar nas freguesias situadas no vale do Rio Teixeira. Esta flora, com o aproximar da primavera e a respectiva floração, cobre todo o concelho de um delicioso perfume e magníficos tons coloridos67 . 3.8.1. Flora em Perigo No concelho de Baião podem-se encontrar várias espécies de flora em perigo. O Azevinho (Ilex aquifolium L.) é conhecido pela sua beleza e utilizações ornamentais, sobretudo na quadra natalícia. Nos ramos, a folha apresenta margens denteadas e pontiagudas e com frutos de cor vermelha. O contraste das cores alegra qualquer ambiente, são estas características que motivam a procura que o torna rara. O Carvalho-Negral (Quercus pyrenaica willd) e o Carvalho Alvarinho (Quercus robur) são espécies 6 Cfr. Poster Flora Autóctone, Curso de Turismo Ambiental e Rural (2008). V. p. ex. LAWRENCE, Eleanor, FITZSIMONS, Cecilia, “Flores de Montanha”, Pequenos Guias da Natureza, p.p. 111. V. p. ex. FOREY, Pamela, FITZSIMONS, C., “Flores Silvestres”, Pequenos Guias da Natureza, p.p 75, 97, 102 e 120. Fig.48 - Sobreiro (Quercus suber) Fig.49 - Azevinho (Ilex aquifolium L.) Fig.50 - Carvalho Negral (Quercus pyrenaica willd)
  • 26. classificadas como protegidas, não só por terem um crescimento lento, mas, essencialmente, por causa dos incêndios e aproveitamento intensivo. O Sobreiro (Quercus suber), apesar da existência de uma lei que o protege e penaliza quem o corta, está a regredir, pois a pressão urbanística, os incêndios e também a sua substituição por outras espécies com maior viabilidade económica, fá-lo desaparecer. O trevo-de-quatro-folhas (Marsilea quadrifolia L.) é uma espécie em perigo devido a aterro de charcos, a regularização das margens fluviais, a competição com espécies aquáticas invasoras, a edificação de barragens e a poluição dos cursos de água por afluentes domésticos e industriais. O Teixo (Taxus baccata), finalmente, é uma das espécies à extinção pelo corte que os pastores faziam devido à toxidade para os seus animais. E, actualmente, são as multinacionais farmacêuticas pela procura do agente antitumoral, utilizado com sucesso no tratamento do cancro, que se encontra nas suas folhas8 . 8 Cfr. Poster Flora Autóctone, Curso de Turismo Ambiental e Rural (2008). Fig.52 - Sobreiro (Quercus suber) Fig.53 - Trevo-de-quatro-folhas (Marsilea quadrifolia) Fig.51 - Carvalho Alvarinho (Quercus robur)
  • 27. 3.9. Aves No Concelho de Baião, mais precisamente na serra da Aboboreira, existem maioritariamente espécies nidificantes de origem paleártica (ex: águia- d’asa-redonda Buteo buteo), europeia (ex: cotovia- dos-bosques Lullua arborea), holárctica (ex: carriça Troglodytes troglodytes) e euro-turquestana (ex: verdilhão Carduelis chloris). Permanecem ainda, espécies consideradas como vulneráveis (ex: águi-caçadeira Circus pygargus e rola –brava Streptopelia turtur) ou raras (ex: narceja Gallinago gallinago). As espécies mais abundantes são a Águia – Caçadeira Circus pygargus, a Galinhola Scolopax rusticola, o Cuco Cuculus canorus, o Mocho-galego Athene noctua mais frequente nas zonas de Almofrela e Currais, o Noitibó – cinzento Caprimulgus europaeus, a Andorinhão – preto Apus apus, a Poupa Upupa apops, o Peto-real Picus viridis, o Pica-pau-malhado Dendrocopos major é possível observá-lo nos locais de Currais e Aboboreira, a Cotovia – dos – bosques Lullula arborea, a Andorinha-das-beiras Delichon urbica, a Petinha-dos-prados Anthus pratensis, a Alvéolo- cinzenta Motacilla cinerea, o Rabirruivo Phoenicurus ochruros, o Cartaxo Saxicola torquata mais comum nas zonas de Serrinha e Senhora da Guia, a Felosa- poliglota Hippolais polyglota, a Toutinegra-dos- valados Sylvia melanocephala, o Gaio Garrulus glandarius, a Pega Pica pica, a Gralha-preta Corvus corone, o Tentilhão Fringilla coelebs, a Milheirinha Fig.54 - Andorinha dos beirais Fig.55 - Andorinhão-preto Fig.56 - Carriça Fig.57 - Chapim-azul Fig.58 - Chapim-real
  • 28. Serinus serinus, o Verdilhão Carduelis chloris, o Pintassilgo Carduelis carduelis, o Lugre Carduelis spinus na proximidade da aldeia de Tolões, Águia- d´asa-redonda Buteo buteo, o Peneireiro Falco tinnunculus, a Perdiz Alectoris rufa, o Pombo-torcaz Columba palumbus, a Rola-brava Streptopelia turtur, a Carriça Troglodytes troglodytes, a Ferreirinha Prunella modularis, o Pisco - de – peito – ruivo, Erithacus rubecula, o Melro Turdus merula, a Tordoveia Turdus viscivorus, a Toutinegra-de-barrete Sylvia atricapilla, a Felosinha Phylloscopus collybita, o Estorninho-preto Sturnus unicolor, o Pardal Passer domesticus, o Pardal-montês Passer montanus mais abundante nas zonas de Almofrela e Travanca do Monte, o Pintarroxo Carduelis cannabina, a Alvéola- branca Motacilla alba habita as áreas rurais, tais como, a Aboboreira, Almofrela, Abogalheira Travanca do Monte e Carvalho de Rei, a Escrevedeira Emberiza cirlus nas zonas de Carvalho de Rei e castelo, a Cia Emberiza cia mais frequente nos locais de de Currais, Almofrela, Aldeia Nova, Aldeia Velha e Tolões. A Cordoniz Coturnix coturnix, o Guarda-rio Alcedo atthis, a Andorinha – das – rochas Ptynoprogne rupestris são espécies pouco comuns na serra da Aboboreira. As espécies mais escassas são o Milhafre- preto Milnus migranse, o Gavião Accipiter nisus, a Galinha-d´água Gallinula chloropus, o Papa-amoras Sylvia communis, a Seixa Columba oenas, a Andorinha-das-chaminés Hirundo rústica pode ser vista na zona de Almofrela, a Estrelinha-real Regulus ignicapillus, a Trepadeira Certhia Fig.59 - Chapim rabilongo Fig.60 - Coruja-das-Torres Fig.61 - Ferreirinha Fig.62 - Melro-Preto Fig.63 - Pintassilgo
  • 29. brachydactyla, o Açor Accipiter gentilis e o Mocho- d´orelhas Otus scops. Presente nas zonas altas estão a Narceja Gallinago gallinago, a Coruja-do-mato Strix aluco, a Petinha-dos-campos Anthus campestris, o Chasco- cinzento Oenanthe oenanthe, o Picanço-real- nortenho Lanius excubitor, e a Laverca Alauda arvensis. Nas áreas de cota inferior aos 800-900 metros encontra-se o Chapim-de-poupa Parus cristatus, o Chapim-rabilongo Aegithalos caudatus, o Rouxinol Luscinia megarhynchos, o Chapim-carvoeiro Parus ater, o Chapim-azul Parus caeruleus, o Corvo Corvus corax, o Tordo-pinto Turdus viscivorus, o Chapim – real Parus major e o Papa-Figos Oriolus oriolus9 . 9 Ver por. ex. PIMENTA, Pedro (2002) “Aves da Serra da Aboboreira”. Ver por ex. LAMBERT L., PEARSON A. “Aves Guia prático para conhecer as Aves da Europa” Fig.65 - Tentilhão Fig.64 - Pardal
  • 30. 3.10. Hidrografia do Concelho de Baião O concelho de Baião exibe uma rede hidrográfica de superfície relativamente densa, constituída por numerosos rios e ribeiras que atravessam todo o concelho. Os rios Ovil, Zêzere e Teixeira criam as linhas de água e dão nome as principais bacias hidrográficas do concelho, e que drenam directamente para a grande maça de água que constitui a albufeira da barragem de Carrapatelo no Rio Douro. Quanto ao caudal e ao declive dos seus leitos é de referir que estes rios não são navegáveis, e têm um regime irregular a semelhança da maioria dos rios portugueses. Durante uma parte do ano, as pressões barométricas trazem chuva abundante, podendo assistir ao aumento dos caudais dos rios, transbordando para as suas margens e originando as cheias. Isto deve-se ao facto dos rios correram em solos poucos premiáveis e declive acentuado. É caso para referir um caso obvio em relação a pesca e a existem de uma grande quantidade de moinhos. Quanto aos moinhos, estes foram e continuam a ser uma grande referência para a população, isto porque os moinhos tinham um complemento e um suporte importante para a sobrevivência. Fig.66 - Rio Douro Fig.67 - Rio Douro Fig.69 - Rio Ovil Fig.68 - Rio Ovil
  • 31. Uma grande parte dos moinhos já está desactivada. Os escombros de alguns e o abandono de outros reflectem a desertificação assim como o aparecimento de novas técnicas e de outras soluções com melhores condições de vida. Ainda há um ou outro moinho activado cujo uso se destina exclusivamente para fins domésticos. 3.10.1. Rio Ovil A bacia hidrográfica do rio Ovil tem origem no ribeiro dos Loureiros, em Loivos do Monte. É delimitado pelas serras da Aboboreira e Castelo de Matos de formação granítica. Tem foz no Rio Douro, mais precisamente no lugar de Porto manso, na freguesia de Ribadouro. Ao longo desta bacia localizam-se as freguesias de Loivos do Monte, Campelo, Grilo, Govê, Santa Leocádia, Ancede e Ribadouro10 . 10 Cfr. Edição da Câmara Municipal de Baião, 2000. Fig 71- Rio Ovil, Ancede Fig.72 - Rio Ovil, Campelo Fig.70- Rio Douro
  • 32. 3.10.2. Rio Douro O Douro recebe grande parte das águas que contribuem para o seu caudal de dois afluentes nos montes cantábricos. Recebe também na sua margem direita, o Sabor, Tua, Corgo, Tâmega e Sousa, enquanto na margem esquerda recebe o Águia, Côa, Tavôra, Paiva e Arda. A bacia hidrográfica é constituída por cerca de 18710 km². Nasce em Espanha, nos Picos da Serra de Urbión, na Sória, a 280 metros de altitude, na foz na costa Atlântica no Porto. O seu curso tem comprimento de 850 km e desenvolve-se ao longo de 112 km da fronteira portuguesa e espanhola e de seguida 213 km em território nacional. Tem altitude média de 700 metros.No inicio, o seu percurso é largo e pouco caudaloso. De Zamora à sua foz, corre entre fraguedos em canais profundos. O forte declive do rio, as curvas apertadas, as rochas salientes, os caudais violentos, as múltiplas e irregularidades, os rápidos e os inúmeros “saltos” ou “pontos” tornavam este rio indomável. Aproveitando assim, o elevado desnível, sobretudo na zona do Douro internacional. Com a construção das barragens, criaram-se grandes albufeiras de águas tranquilas, que vieram incentivar a navegação turística e recreativa, como por exemplo a pesca desportiva11 . 11 Edição da Câmara Municipal de Baião, 2000. Fig.73 - Rio Douro, Ancede Fig.74 - Rio Douro, Ribadouro Fig.77 - Rio Douro, Santa Cruz do Douro Fig.. 75 - Rio Douro, Ribadouro Fig.76 - Rio Douro e ponte de Mosteirô
  • 33. 4. Património arqueológico O património arqueológico é definido como um conjunto de vestígios materiais das sociedades que nos antecedem, sejam elas móveis ou imóveis. Os primeiros são todos eles constituídos por objectos, utensílios, armas, ferramentas, adomos ou peças de arte, destinados a ser manuseados, exibidos, transportados e que de alguma forma nos revela estilos de vida, gestos quotidianos ou sentimentos estéticos do passado. Os bens arqueológicos imóveis são aqueles que corresponde a todas as construções ou intervenções humanas, na paisagem, com carácter duradouro e fixo. As tipologias dos imóveis são difíceis de listar exaustivamente abrangendo todas as construções de carácter habitacional, industrial, militar ou simbólico, vias e pontes, sepulturas e monumentos funerários, pedreiras e explorações mineiras e depósitos estratificados. O vestígio arqueológico trata-se de um património essencialmente imprevisível e, ao mesmo, finito e insubstituível É uma ocorrência dos restos arqueológicos são inerentes à sua própria natureza por mais estudos se faça nunca se conseguira a total inexistência e vestígios de actividade humana em qualquer lugar, e assim são frequentes as descobertas inesperadas que levam a intervenções de emergência ou salvamento. O património arqueológico é também constituído por leis que são essencialmente finitos Fig.78 - Pontas de seta Fig.79 - Machados Fig.80 - Utensílios Fig.82 - Maquete Fig.81 - Balança
  • 34. e insubstituíveis. O crescimento dos vestígios resulta do número crescente dos restos materiais da sociedade, e serão também, a seu tempo, valorados arqueologicamente. O património nacional é constituído por bens provenientes da realização de trabalhos arqueológicos podendo-se estender-se os bens móveis, estruturas, ruínas e outros vestígios descobertos no âmbito das intervenções arqueológicos12 . 4.1. Monumentos Megalíticos Datadas do neolítico, com mais de cinco anos, as mamoas, antas e dolméns existem em grande número nas Serras da Aboboreira e de Castelo, constituindo os vestígios mais antigos da ocupação humana desta região. Os monumentos funerários de características colectivas estão ligadas á recolha de mortos, não deixaram de ser um marco importante e simbólico á memória colectiva, marca de apropriação de território e catalização de manifestações e rituais. Estes monumentos, caracterização por pedras de grandes dimensões na sua construção, são compostos geralmente por uma câmara 12 Ver por ex., Campo arqueológico da Serra da Aboboreira, Edição do GEAP- Grupo de Estudos Arqueológicos do Porto, Execução gráfica: Litografia AC-Braga, Outubro 1993. Fig.83 - Dólmen Chã de Parada Fig.84 - Anta
  • 35. dolménica delimitada por várias lajes fincadas verticalmente no solo e coberto por uma tampa. Este espaço sepulcral apresentava-se oculto, uma vez que era encoberto por um montículo artificial de terra, revestido por pequenas pedras imbricadas, as mamoas. Outra característica deste fenómeno é o polimorfismo, em que o interior das mamoas alberga outros tipos de estruturas arquitectónicas. O espólio, geralmente, é pobre e escasso, constituído essencialmente de micrólitos, lâminas e pequenos fragmentos de cerâmica. A construção destes monumentos funerários data dos meados de IV milénio a.c., e graças às escavações realizadas, sabe-se que esta tradição tumular terá perdurado por cerca de 1500 anos. Apesar, que os estudos realizados na Aboboreira permitiram aprofundar os conhecimentos sobre o fenómeno megalitismo no Norte de Portugal que, até então, permanecia desconhecido13 . 13 Ver por ex., Campo arqueológico da Serra da Aboboreira, Edição do GEAP- Grupo de Estudos Arqueológicos do Porto, Execução gráfica: Litografia AC-Braga, Outubro 1993. Fig.85 – Vestígios arqueológicos Fig.86 – Vestígios arqueológicos Fig.87 - Anta
  • 36. 4.2. Povoados da Idade do Bronze Na Serra da Aboboreira, durante o Bronze antigo, persistiu a tradição tumular das mamoas, apesar das características diferenciadas. Estas são os monumentos mais baixos e disfarçados ao longo da paisagem, evidenciando uma maior individualização do ritual funerário e onde apareceram as primeiras jóias metálicas, com espirais em prata. A partir dos meados do IIº milénio a.c. dá-se um claro rompimento à tradição tumular das mamoas e surge as sepulturas nitidamente individuais, como é o caso da necrópole da Tapada da caldeira onde foram escavadas três sepulturas, contendo cada um deles, um vaso. Nesta época, também aparecem os primeiros povoados, o que indica uma intensificação e fixação do habitat. As estruturas destes povoados são fossas abertas no saibro, buracos de poste e lareiras, enquanto a diversificação do habitat é maior, coexistindo povoados em que as preocupações defensivas são estabelecidas em zonas com defesas naturais, como por exemplo, o Castelo de Matos. O espólio cerâmico existente nestes povoados é bastante variado em relação aos padrões decorativos. No final da Idade do Bronze, esta região conheceu uma ocupação mais intensiva das zonas
  • 37. dos vales férteis e uma maior estabilidade do habitat14 . 4.3. Idade do Ferro à Idade Média O famoso “Tesouro de Baião”, atribuído á idade do ferro antigo é constituído por um conjunto de jóias em ouro de estilo orientalizante, consideradas umas das mais belas peças da joalharia arcaica do território português. São vários os castros povoados e fortificados com origem na Idade do Ferro e desenvolvidos pela sua acessibilidade e pelo facto intervencional arqueológico. A ocupação romana fez-se sentir não só nos castros, mas também nas ocupações de novas áreas, na qual se destaca a estação de Frende, que inclui uma fortaleza romana. Neste período também se detectam as necrópoles, epigrafes, marcos miliários e moedas. Da Alta Idade Média destacam-se várias estruturas paleocristãs em Frende e registam-se reocupações visigóticas de certos castros. No caso de Santa Marinha do Zêzere a época da reconquista chegounaté aos nossos dias com um 14 Ver por ex, Campo arqueológico da Serra da Aboboreira, Edição do GEAP- Grupo de Estudos Arqueológicos do Porto, Execução gráfica: Litografia AC-Braga, Outubro 1993.
  • 38. conjunto significativo de sepulturas abertas na rocha. A passagem da Alta para a Baixa Idade Média é caracterizada pela formação da Terra de Baião, denominada pelo Castelo de Matos. Este é um objecto de escavação arqueológica, situada no topo de um cone granítico da serra, e que domina toda esta área15 . 5. Património arquitectónico 5.1. Coretos Os coretos definidos como uma tipologia arquitectónica e elemento estruturante integrado na paisagem rural, desenvolve-se de um imaginário próprio e associado ás festas, música e ao convívio entre a comunidade. Estes elementos culturais e fundamentais ao nossopatrimónio local, geralmente, localizam-se em redor dos pequenos lugares de culto religioso, mais precisamente nos adros e largos das capelas e igrejas. 15 Cfr. Ver por ex, Campo arqueológico da Serra da Aboboreira, Edição do GEAP- Grupo de Estudos Arqueológicos do Porto, Execução gráfica: Litografia AC-Braga, Outubro 1993. Fig.88 - Coreto de Ancede Fig.89 - Coreto de Ribadouro
  • 39. A sua construção dá-nos a conhecer os materiais construtivos das épocas, as suas formas e concepções remete-nos para as representações estético–formais, etc. Todo um monuncial de informação que utilizado com rigor e sensibilidade, nos permite compreender e interpretar os códigos e os símbolos representativos da nossa cultura local, folclórica para alguns é considerada hoje de antropológica. No Concelho de Baião, encontram- se vários coretos distribuídos por freguesias e lugares, como é o caso de Ancede, Anquião, Gestaço, Govê, Ribadouro, Santa Cruz, Santa Marinha e Valadares. 5.1.1. Elementos estruturais dos coretos Os elementos que fazem parte da constituição dos coretos, na maior parte é o cimento e o betão, mas existem outros materiais que também foram utilizados, tais como: o ferro, a madeira, a chapa, a telha, a madeira, a pedra. Quase que poderiam identificar na construção dos coretos três elementos essenciais. O primeiro é a base ou envasamento, quase sempre em granito ou betão armado. O segundo elemento, uma espécie de fuste, que pode ser de colunas cilíndricas em betão armado, colunas ortogonais em granito, ou também em prumos de ferro estilizado. Fig.90 - Coreto do Gôve Fig.91 - Coreto de Santa Cruz do Douro* Fig.92 - Coreto de Gestaçô* Fig.93 - Coreto de Santa Cruz do Douro*
  • 40. Este fuste em alguns casos pode ter uma banda ou frizo como motivos decorativos, geralmente geométricos, em estrutura de ferro. O terceiro elemento, que poderiam classificar de capitel, isto é, referenciado com a cobertura, pode ter formação geométricas estilizadas, ou ser uma simples cobertura em chapa, sem qualquer preocupação estilística, como é o coreto de Anquião. Existem, também outros coretos que apresentam grande carga poética, em termos de forma arquitectónica, como é o coreto da Vila de Santa Marinha. Estamos na presença de uma peça escultórica, construída em betão, com dupla cobertura, uma espécie de falsa platibanda, que produz um efeito cénico de grande intensidade estética e profundo sentido de movimento à peça. Os elementos geométricos puros, neste caso, duas esferas cilíndricas, sobrepostas e suspensas por vários prumos de betão. Produzem um efeito de grande modernidade e vanguarda. Todos eles tem um elemento comum associado á sua esplêndida localização quer em termos de contexto sócio – prático quer também em termos de contexto eco – topológico16 . 16 Ver por ex. QUEIRÓS, Diana, (2007) “Os Coretos de Baião” in Prova de Aptidão Tecnológica. Fig.94 - Coreto de Santa Marinha do Zêzere* Fig.96 - Coreto de Anquião* Fig.97 - Coreto de Ancede* *Fonte: QUEIRÒS, Diana (2007) “Os Coretos de Baião” in Prova de Aptidão Tecnológica Fig.95 - Coreto de Valadares
  • 41. 6. Património Cultural 6.1. Tradicional Doce da Teixeira O biscoito da Teixeira, emblemático doce que recebe o nome de uma das freguesias do concelho de Baião e continua a ser fabricado por gerações diferentes. A sua receita tem ingredientes comuns, mas apresenta algumas variações, ou seja, tanto pode ser confeccionado com ou sem ovos. O singelo doce tradicional, que faz parte do património gastronómico e cultural do concelho de Baião é da responsabilidade de Sónia Pereira, natural da freguesia de Teixeira, e com 33 anos de idade, que instalou na sua casa onde vive uma pequena fábrica do Biscoito da Teixeira. Durante várias décadas toda a freguesia de Teixeira estava de algum modo envolvida no fabrico ou na venda do Biscoito. Uns dedicavam-se á recolha de lenha para aquecer o forno onde os doces eram cozidos, outros ficavam sob a responsabilidade de peneirar a farinha usada na massa do biscoito, isto quando a freguesia ainda não tinha electricidade. Cada fornada, composta por 100 quilos, demora cerca de 20 minutos a cozer. Durante a época baixa, fazem-se biscoitos pelo menos duas vezes por semana, enquanto no verão se coze Fig.100 - Doce Teixeira Fig.101 - Extrair os biscoitos do forno Fig.98 - Formas para os biscoitos Fig.99 - Colocar os biscoitos no forno
  • 42. praticamente todos os dias, isto porque a procura aumenta substancialmente. No entanto, para produzir o tradicional doce da Teixeira é necessário passar por várias fases de fabrico, como por exemplo, pesar devidamente os ingredientes, farinha, ovos, açúcar, limão, fermento e sal, depois deve-se amassar e por fim coloca-se no forno a 300ºC17 . 6.2. Bengalas de Gestaçô As bengalas surgiram na freguesia de Gestaçô, concelho de Baião, nos finais do século XIX, pelo impulsionador Alexandre Pinto Ribeiro, que acabou por abrir a sua oficina em 1902. Estas criativas e artesanais bengalas são dignas e representativas de uma longa e antiga linhagem de resistentes acessórios de toilette, que ao longo do tempo fizeram disto um prol de esclarecimento, argumentação, acerto de contas e clarificação de ideias que contribuíram para a bela pose e elegância da nossa História. Para a perfeita elaboração destas bengalas, o impulsionador Pedro Ribeiro, revolucionou todo um processo de fabrico, composto por várias fases. A primeira é a de preparar a madeira de cerejeira, ou seja, desfiar a madeira à medida para que essa possa ser desfiada e cozida durante cinco 17 Ver por ex, Repórter do Marão (Novembro 2009). Fig.102 - Exposição do biscoito Fig.103 - Tira de madeira para o fabrico Fig.105 - Dobragem da madeira Fig.104 - Aquecimento da madeira para dobrar Fonte: PINTO, Carlos (2007) “Práticas Artesanais e Desenvolvimento Local O exemplo das Bengalas de Gestaçô/Doce da Teixeira” in Prova de Aptidão Tecnológica
  • 43. minuto nu.m pote com água a ferver. Ultrapassada esta fase, é necessário dobrar a madeira. Para uma melhor dobragem esta é feita numas formas de ferro, que como a madeira também estão quentes/aquecidas. Para vergar a bengala utilizam-se uns arcos, para proteger a bengala para que esta não quebre, depois de vergada deixa-se arrefecer durante uma hora ou duas. Após arrefecida, começa-se a trabalha-la, é nesta fase que se fazem os feitios, neste processo também se utilizam algumas ferramentas como: incho, plaina, grosa ou lima e goivas. Por último, lixa-se a madeira, pinta-se, dá-se o acabamento e o verniz. Mais tarde, com a técnica de dobragem, que permitiu a obtenção de maior qualidade nas bengalas, apareceu a criatividade e o surgimento de vários desenhos e fundamentos para embelezar as bengalas, como por exemplo, cabeças de animais, cerejeira polida, incrustações de madrepérola, prata e ouro18 . 18 Ver por ex. PINTO, Carlos (2007) “Práticas artesanais e Desenvolvimento Local, O exemplo das Bengalas de Gêstaço/Doce da Teixeira” in Prova de Aptidão Tecnológica”. Fig106- Dar os efeitos à bengala Fig.107- Envernizar a bengala Fig.108- Ferramentas do artesão Fig.109- Fases das bengalas Fonte: PINTO, Carlos (2007) “Práticas Artesanais e Desenvolvimento Local O exemplo das Bengalas de Gestaçô/Doce da Teixeira” in Prova de Aptidão Tecnológica
  • 44. 6.3. Folclore O folclore é uma demonstração cultural e validada de um povo. É também um conjunto de histórias populares, lendas, costumes, crenças, conhecimentos, tradições e costumes que são transmitidos de geração em geração, como cultura popular, sendo uma eventualidade natural de um povo. O folclore como demonstração do povo faz parte do seu património cultural e, assim sendo está inserido na riqueza cultural. As histórias, os costumes, as canções, a medicina popular, as crendices, as lendas, as brincadeiras, as danças regionais, o artesanato, são integrantes do folclore. O folclore, como ciência, na antropologia, é o conhecimento do Homem e da cultura, e o seu campo resulta da informação que recebemos pela fala dos nosso ascendentes, das tradições, costumes e conceitos herdados dos antepassados. A cultura popular, assim pensada, está inteiramente relacionada ao estudo da cultura de todos os elementos que constituem a nossa nacionalidade. O folclore é por excelência um meio de difusão de conhecimentos da cultura do povo. O folclore deve ser estudado através das suas consequências sociais, antropológicas, psicológicas e estéticas, para a noção, envolvimento e vinculação da cultura popular. Quando o povo transmite os seus conhecimentos, usa como fonte muitas vezes o folclore. É comunicado de boca em boca pelos homens, de
  • 45. natureza anónima, e não conhecendo o autor, não de ninguém, diz respeito ao povo. Apreciando o folclore podemos compreender o seu povo e a sua história19 . . 6.3.1. Rancho folclórico de Ancede O rancho folclórico de Ancede foi fundado em 2003 numa brincadeira de Carnaval. Neste momento o grupo é constituído por 27 elementos, 11 músicos e 16 dançadores que constituem os 8 pares de dança. Estes elementos estão classificados num nível etário entre os 15 e 70 anos. Os instrumentos utilizados por este grupo são a viola, ferrinhos, bombo, acordeão e cavaquinho. Uma vez que este rancho não é federado, não tem tantas actuações como outros de nível superior, pois normalmente, só actuam nos bailes de verão da freguesia e do concelho. Em alguns casos, poderá também actuar em concelhos vizinhos, como é o caso de Cinfães e Pinhão. São referidos estes exemplos porque em anos anteriores já demonstraram as suas tradições. Os trajes mais usados são os de lavadeira, ceifeira, podador, traje de domingo e pescador20 . 19 Ver por ex. FERREIRA, Marlene (2007) “Rancho Folclórico de Baião, Diálogo entre etnogarfia, memória e história”, in Prova de Aptidão Profissional. 20 Cfr. http://baiãovilacriativa.blogs.sapo.pt/9651.html
  • 46. 6.3.2. Rancho folclórico de Baião O Rancho Folclórico de Baião é, constituído por 56 elementos. Estes 56 elementos são distribuídos pelas seguintes áreas artísticas: 14 dançadores, 17 dançadeiras, 13 tocadores, 6 cantadores e 6 figurantes. Esta entidade é constituída por 26 homens, 20 mulheres, 8 adolescentes e 1 criança variando as idades entre os 5 anos e os 76 anos de idade. O grupo Folclórico de Baião tem no seu reportório um extenso e variado conjunto de danças e cantares, tais como, malhão de cruz, ladeira do castelo, verdegar, fado batido, vem cá Maria, contradança, malhão roubado, Zé vai indo, meu amor e um cravo, chula, cana verde, preirinha, fado virado, rosa arredonda a saia, pombo rollhador, malhão rodado, cantareos, cerandinha e o grilo. Os trajes mais usados por este grupo de folclore são os de trabalho no campo, domingueiro, trabalho (rico), fiadeira, pastor, noivos, lavrador, jovens ricos, de nobreza do século XIX e viúva do século XIX. A parte musical é constituída por diversos instrumentos, dos quais podemos destacar, a concertina, cavaquinho, viola, bombos e ferrinhos, Numa perspectiva de exposição e aparência, o Rancho folclórico de Baião, possui vários utensílios, como por exemplo, o ancinho, dobadeira, cesto, sacho, tocha, cortiço para espanar o linho, espadana, arado, rasas, roca, Fig.110 - Traje de trabalho no campo Fig.111 - Rancho Folclórico de Baião Fig. 112 - Traje domingueiro Fig.113 - Traje de trabalho (rico) Fig.114 - Traje de Fiadeira e Pastor
  • 47. semeador, foicinha, máquina de sapateiro, lampião, cabaça, foice, pá de forno, tear, carro de bois, jugo, máquina de sulfatar e máquina de cozinhar a petróleo21 . 6.3.3. Rancho Folclórico de Gestaçô O rancho folclórico da Associação Danças e Cantares de Gestaçô é composto pelos elementos que iniciaram as actividades ligadas ao folclore em Gestaçô. Desta forma foi possível reunir um grupo de dançadores e cantadeiras para participar no cortejo da Nossa Senhora da Graça em 1971. Mais tarde, ocorreu a ligação formal deste grupo, primeiro conhecido por Rancho de Quintela á casa do povo e depois, com a casa do Povo. Esta instituição não prestava todo o apoio necessário ao grupo e por isso este mostrava-se inevitável. Os elementos que iniciaram esta actividade relacionada com o folclore neste local não se resignaram e reavivaram toda a freguesia de Gestaçô, e hoje este grupo é composto por 50 elementos, sendo a tocata composta por concertinas, bombo, ferrinhos, reque-reque, viola, pandeireta e violino. 21 Ver por ex, Marlene Ferreira (2007) “Rancho Folclórico de Baião, Diálogo entre etnogarfia, memória e história”, in Prova de Aptidão Profissional. Fonte: Marlene Ferreira (2007) “Rancho Folclórico de Baião” in Prova de Aptidão Tecnológica Fig.115 - Traje de saída
  • 48. Os trajes demonstram a sua Região, situada entre o Douro e Minho. O rancho folclórico da Associação de danças e Cantares de Gestaçô gravou recentemente as primeiras músicas, que retratam toda a tradição, riqueza humana e cultura do povo de Gestaçô22 . 6.3.4. Rancho Folclórico de Santa Cruz do Douro O Rancho folclórico de Santa cruz do Douro surgiu através de um movimento de 16 cidadãos que em 1974 se organizaram numa Comissão de Moradores com o objectivo de promover algumas iniciativas e actividades que contribuíssem para o desenvolvimento da freguesia i do concelho. Ainda, em 1974, constitui-se o rancho folclórico de Santa Cruz. Nesta época esta entidade era simplesmente um conjunto de boas vontades para aqueles que gostavam de dançar, tocar e cantar. Em 1982 foi decidida a intervenção da federação de folclore português, através do senhor Augusto Gomes dos Santos que fez com que se procedesse a uma viragem histórica com uma certa autenticidade. A pesquisa das danças, cantares de tradições, usos e costumes desenvolveu-se por 22 Cfr. http://folclore-online.com/grupos/pt/adc_gestaço/index.html
  • 49. várias freguesias, nomeadamente, santa Cruz do Douro, S. Tomé de Covelas, Grilo e Mesquinhata, que redigem um valor decisivo na formalização do processo de federação do Rancho Folclórico na federação do folclore português. A partir de 1998 o Rancho Folclórico tem cumprido as suas tarefas em relação ao aprofundamento do ambiente que os rodeia, assim como, na construção da sua sede que é um autêntico espaço de cultura popular, a Casa do Lavrador. Os trajes mais simbólicos são os de Domingueiro, Lavrador pobre e rico, Pastor, Moleiro e Noivado. A tocata é constituída por instrumentos de cordas, concertinas, harmónios, instrumentos musicais/tradicionais de precursão e gaita-de- beiços. As actividades do Rancho Folclórico da Associação Cultural e Recreativa de Santa Cruz do Douro têm sido promovidas num âmbito cultural, destacando-se com a sua federação, escola de música, construção do rural e etnográfico (Casa do Lavrador), participação e promoção de feiras de desenvolvimento rural, participação em diversos certames de promoção artesanal e gastronómica, nomeadamente em feiras tradicionais, cantar dos Reis e Janeiras e comemoração das diversas datas ao longo do ano23 . 23 Cfr.http://www.baixotamega.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=27524&catId=28291,32378&pId=351 70
  • 50. 6.4. Bandas Marciais 6.4.1. Banda Marcial de Ancede A banda marcial é uma associação musical, cultural, recreativa e desportiva localizada no lugar de Lordelo, freguesia de Ancede no concelho de Baião. O seu principal fundamento é a banda de música que já actuou por várias localidades portuguesas. A associação foi fundada em 1845 por D. Miguel de Sotto Mayor. A banda é composta por 50 elementos e é dirigida pelo senhor Hermínio Fonseca. Na Escola de Música da Banda pode-se aprender a tocar diversos instrumentos, tais como, clarinete, saxofone alto, saxofone tenor, saxofone soprano, flauta e flautim (sopro de madeira), trompetes, fliscornes, trombones, tubas. Contrabaixo bombardinos (sopro de metal) bombo, caixa, pratos, tímpanos, lira, pandeireta e Ferrinhos (percussão)24 . 24 Cfr. http://www.eb1-convento-ancede.rcts.pt/Banda.htm
  • 51. 6.4.2. Banda Marcial de Santa Marinha do Zêzere Em 1937, com a fundação da Casa do Povo de Santa Marinha do Zêzere, surgiu a Banda Marcial da Casa do Povo de santa Marinha do Zêzere, nome que chega á actualidade sem qualquer interrupção na sua actividade. Por aqui passaram muitos regentes e músicos que deram os seus contributos para que esta banda se afirmasse como uma das mais importantes da região norte, principalmente na região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Nos meados do século XX houve uma onda de rejuvenescimento, que ainda se continua a verificar num processo de substituição natural. Em resultado deste processo, o conjunto de músicos actual apresenta uma média de idades bastante baixa, apesar que também existe um elevado número de elementos com mais de 15 anos de experiência. Na sua composição actual, todos os executantes são naturais do Concelho de Baião, sendo que mais de 90% foram formados na escola de música da própria associação25 . 25 Cfr. http://www.bandasfilarmonicas.net/site/bfid29.html Fig.116 - Banda Marcial de Santa Marinha do Zêzere Fig.117 - Banda Marcial de Santa Marinha do Zêzere Fig.118 - Banda Marcial de Santa Marinha do Zêzere Fig.119 - Banda Marcial de Santa Marinha do Zêzere
  • 52. 7. Pontos de Interesse 7.1. Carvalho Carvalho secular localizado na freguesia do Gôve. A sua imponência destaca-se na paisagem e no resto da vegetação. Tem como pormenor o facto de ter sido atingido por um relâmpago tendo ardido parcialmente. 7.2. Canastro Um dos inúmeros canastros do nosso concelho, localiza-se na freguesia do Gôve. É constituído, normalmente, por uma estrutura de madeira e pedra e tem como principal função secar o milho grosso através das suas aberturas laterais. Fig.120 - Carvalho Fig.121 - Canastro
  • 53. 7.3. Beiral e eira Beiral é o local onde tradicionalmente se guarda a palha e o milho (substituindo, por vezes, o canastro), sendo posteriormente batido ou posto a secar na eira. 7.4. Moinho Moinho localizado junto ao rio Ovil, no troço do Gôve, sendo visível as pás e numa vista do seu interior a mó, onde tradicionalmente se moía o milho. O moinho, pertença de um particular, ainda se encontra em funcionamento. Fig.122- Beiral Fig.123 - Moinho
  • 54. 7.5. Miradouro Os miradouros são uma outra zona turística de onde se obtém bonitas paisagens, e entre os diversos que se estendem pelo concelho, destacamos o miradouro de Mosteirô, na freguesia de Ribadouro. Deste local é possível desfrutar de uma vista panorâmica sobre o Douro26 . 7.6. Paisagens Entre as várias freguesias de Baião, Santa Leocádia apresenta uma impressionante vista panorâmica sobre o Rio Douro e encostas do Vale do Douro, sendo visível socalcos destinados á plantação de vinhos, de onde se produz o famoso vinho verde de Baião. É ainda visível em segundo plano um interessante manto vegetal constituído por carvalhos e eucaliptos. 26 Cfr. http://www.lifecooler.com/portugal/natureza/MiradourodeMosteiro Fig.124 - Miradouro de Mosteirô Fig.125 - Vista panorâmica da Quinta de Miradouro, Santa Leocádia
  • 55. 7.7. Igreja de Tresouras A igreja matriz de Tresouras, apesar de ser pequena, é uma das igrejas românicas de Baião, restaurada em meados do século XVII. Quanto ao seu interior é importante realçar a emblemática tribuna de talha dourada e o invulgar tecto de caixotões pintados, em que cada quadro é diferente do quadro do lado27 . 7.8. Igreja de Valadares Datada do séc. XI, é uma igreja românica e um dos mais importantes monumentos, de todo o concelho de Baião. Na posse da família Monteiro, uma das famílias mais importantes do concelho e que inclusive teve o quarto Mestre de Avis, a Igreja de Valadares tem no seu interior elementos que testemunham a sua idade: além do românico tem também elementos do Renascimento (pinturas a fresco, pedras sigladas e a porta principal) e do Barroco (os altares)28 . 27 Cfr. http://www.1000imagens.com/foto.asp?idautor=576&idfoto=142&t=8&g=&p= 28 Cfr. http://www.geira.pt/Mbaiao/Tema1/direita.html http://www.lifecooler.com/Portugal/patrimonio/IgrejaParoquialdeValadaresBaiao Fig.126 - Igreja de Valadares Fig.127 - Igreja de Valadares Fig.128 - Igreja de Valadares
  • 56. 7.9.Dólmen Chá da Parada O Dólmen chá da Parada, classificado como monumento nacional, localiza-se num vasto terreno aplanado da Serra da Aboboreira. Este dólmen possui uma mamoa parcialmente destruída, com cerca de 24 metros de diâmetro. A câmara é constituída por 9 esteios de granito e por uma laje de cobertura. Três dos esteios apresentam insculturas. O corredor, de planta rectangular, tem cerca de 4.5 metros de comprimento e encontra-se virado para a nascente. Actualmente, possui quatro e 4 esteios, dois de cada lado. Antigamente, existiam restos de pintura a vermelho no esteio da cabeceira mas actualmente são invisíveis á vista desarmada. Em três das suas lajes encontram-se insculturas (motivos artísticos gravados) radiantes ou estiliformes, algumas das quais só podem ser vistas claramente por decalque. Na parte central superior da laje de cabeceira do dólmen, encontram-se quatro representações de um motivo em forma de jarra que também ocorre em monumentos megalíticos. No segundo esteio do lado direito, há uma figura radiada e no terceiro há dois círculos, lado a lado, e uma pequena covinha entre a base dos dois e mais acima, à esquerda, uma figura que lembra vagamente um 8. O dólmen estava outrora coberto por uma colina artificial (a mamoa), que ainda se percebe e Fig.130 - Dólmen Chã da Parada Fig.129 - Dólmen Chã da Parada Fig.131 - Dólmen Chã da Parada Fig.132 - Vista panorâmica do Dólmen Chã de Parada
  • 57. que teria por função escondê-lo, protegendo-o, e, por outro lado, poderá ter fornecido um plano inclinado para o transporte da grande tampa da câmara até à sua posição definitiva. A mamoa, que está parcialmente destruída, tem um formato ovóide (com um eixo maior de cerca de 24m, no sentido W-E, e um eixo menor de cerca de 20m, no sentido N-S). A Anta da Aboboreira esteve durante anos (e até Julho de 2006) parcialmente coberta por terra para proteger o monumento. Nessa altura, foram feitos trabalhos de preservação e restauro do monumento e limpeza da vegetação e líquenes que cobriam o monumento e a sua área envolvente, tendo-se procedido à aplicação de herbicida. Foi também introduzido um geo-dreno, colocada uma manta geotextil na base do interior da câmara, corredor e zona frontal do dólmen e construído um sistema interno de contrafortagem dos esteios e um anel de contenção29 . 29 Cfr.http://www.baiao-digital.com/turismo/patrimonio/dolmen-de-cha-de-parada/
  • 58. 7.10. Estações e Apeadeiros30 7.10.1. Estação do Marco de Canaveses A estação do Marco de Canaveses situa-se no concelho que lhe dá nome, mais precisamente no Largo da Estação dos Caminhos de Ferro, sendo este concelho banhado pelo Rio Tâmega e dominado pelas serras da Aboboreira e Montedeiras. Dos 192 km existentes de linha do Douro, esta estação localiza-se ao km 51,5. A Estação tem disponíveis alguns acessos e ligações, dos quais: a autocarros, serviço de táxis e parque de estacionamento. Tem também outros serviços, como, bilheteiras com venda de bilhetes (Alfa Pendular, Intercidades, Regional e Urbanos) e ainda serviços complementares, dos quais, WC, Sala de Espera e Bar. No raio de 5 km desta estação, existem vários lugares de interesse, dos quais se destacam, a Igreja de Santa Maria, a área arqueológica do Freixo (Tongobriga), a Casa dos Arcos e a Casa Inacabada de Vila Boa de Quires. A igreja de Santa Maria foi construída no século XX, desenhada pelo célebre arquitecto Siza 30 Ver por ex. SILVA, José, RIBEIRO, Manuel, “Os Comboios em Portugal”, p.p. 56 a 59, Terramar, 2008. Fig.133 - Estação do Marco Fig.136 - Bilheteira da estação Fig.134 - Linha ferroviária em frente à estação Fig.135- Estação do Marco
  • 59. Vieira. Esta igreja apresenta linhas modernas e direitas de um branco puro. A área arqueológica do Freixo, designada por Tongobriga, uma cidade romana de onde restam o fórum, as termas, a área habitacional, a necrópole e a basílica paleocristã. A Casa dos Arcos foi construída no século XVI. Este solar divide-se em dois pisos, sendo a sua planta em L. A fachada principal depara-se rasgada por duas arcadas, separadas por friso. No friso inferior encontra-se uma sequência de arcos de volta perfeita e no superior uma arcada constituída por arcos abatidos. A Casa Inacabada de Vila boa de Quires foi construída em 1734. Esta casa apresenta-se em ruínas, sendo apenas constituída pela fachada principal com grande abundância de detalhes decorativos. A pessoa responsável pela obra, um arquitecto espanhol, morreu precocemente antes de deixar a obra concluída, daí o seu estado actual31 . 31 Ver por ex. http://www.cp.pt/cp/displayPage.do?contentId=0739495948306010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD&vg nextoid=c37c23aabd984010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD Fig.137 - Painel com os horários dos comboios
  • 60. 7.10.2. Estação do Juncal A estação do Juncal situa-se na freguesia do Juncal, no Concelho de Marco de Canaveses, localizando-se ao km 56,5. Esta estação esteve em funcionamento, usufruindo de alguns serviços, como, bilheteiras com venda de bilhetes (Alfa Pendular, Intercidades e Regional) e ainda serviços complementares, dos quais, WC e Sala de Espera. Actualmente a estação encontra-se em bom estado, mas está desactivada. Ao km 56,8 localiza- se o Túnel do Juncal com cerca de 1621 metros. 7.10.3. Estação da Pala A estação da Pala situa-se na freguesia de Ribadouro, Concelho de Baião, localizando-se ao km 61,4. Desta estação é possível observar de perto o rio Douro e usufruir de belas paisagens. Alguns metros após esta estação existe uma ponte ferroviária. Presentemente, esta estação encontra-se abandonada. Fig.138 - Estação do Juncal Fig.139 - Túnel do Juncal Fig.140 - Estação da Pala
  • 61. 7.10.4.Estação de Mosteirô A Estação de Mosteirô situa-se na margem direita do Rio Douro, perto da freguesia de Ribadouro no Concelho de Baião. Localiza-se ao km 63,9. Desta estação é possível observar deslumbrantes panoramas sobre o Douro e sobre os concelhos da margem esquerda (Cinfães e Resende). Na freguesia de Ribadouro destaca-se uma ponte de Caminhos-de-Ferro constituída por seis arcos. Esta estação dispõe de vários serviços, dos quais, bilheteiras com venda de bilhetes (Alfa Pendular, Intercidades e Regional), WC, Sala de Espera e Telefones públicos. Para além destes existe ainda ligação a autocarros, serviço de táxis e parque de estacionamento. Próximo desta estação existem pontos de interesse, como, o Mosteiro de Santo André e a Igreja de Ancede, na freguesia de Ancede. A Igreja de Ancede tem traçado rectangular e uma torre sineira quadrangular e é ainda constituída por três naves e o Altar-Mor. No interior da igreja existe um baptistério com dois medalhões pintados, alusivos à vida de Cristo. Tem um total de 114 sepulturas. Na sacristia existe um Altar Relicário do séc. XVIII, que tem a configuração de um Altar-Mor e ainda um Arco Cruzeiro com imagens de vários santos. O Mosteiro de Santo André é datado de 1120. Ocupado em 1160 pelos cónegos Regrantes Fig.141 - Estação de Mosteirô Fig.144 - Bilheteira da estação Fig.145 - Interior da estação Fig.142 .- Vista panorâmica da estação Fig.143 – Linha férrea em frente à Estação
  • 62. (Stº Agostinho) vindos do Mosteiro de Ermelo. Tem como orago Stº André. Nos séculos XVI e XVII sofreu alterações (arte barroca) e restauros. Durante vários séculos este mosteiro deteve um considerável património fundiário ligado à produção vinícola, que lhe permitiu beneficiar de grande poder económico32 . 7.10.5.Estação de Aregos A Estação de Aregos situa-se em Santa Cruz do Douro, na margem direita do Rio Douro. Localiza-se ao km 69,9. Esta estação esteve em funcionamento, usufruindo de alguns serviços, como, bilheteiras com venda de bilhetes (Alfa Pendular, Intercidades e Regional) e ainda serviços complementares, dos quais, WC e Sala de Espera. Actualmente, todos estes serviços deixaram de funcionar. Como pontos de interesse, destaca-se a Fundação Eça de Queiróz, que tem princípios culturais, educativos e artísticos que são 32 Ver por ex. http://www.cp.pt/cp/displayPage.do?vgnextoid=c37c23aabd984010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD&co ntentId=22a671328b6a6010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD Fig. 146 - Linha em frente á Estação Fig.148 – Estação de Aregos Fig.147 - Vista lateral da estação
  • 63. conhecidos pela perpetuação do escritor José Maria Eça de Queiroz na divulgação e promoção da sua obra em Portugal e no estrangeiro. A Casa e a Quinta de Vila Nova têm vindo a ser objecto de grandes intervenções arquitectónicas. Com estas transformações arquitectónicas criou-se um espaço museológico, uma biblioteca, um arquivo, um mini auditório e um espaço para serviços administrativos. 7.10.6.Apeadeiro do Mirão O Apeadeiro do Mirão (actualmente desactivado) situa-se na freguesia de S.Tomé de Covelas, na margem direita do rio Douro. Esta freguesia produz algum do vinho de Baião. Este é um local privilegiado para se apreciar as belas e surpreendentes paisagens do vale onde corre o rio Douro, enquadrado pelas encostas das montanhas ricas na flora local ao km 73,2. Fig.149 - Interior da estação Fig.150 - Apeadeiro do Mirão
  • 64. 7.10.7.Estação da Ermida A Estação da Ermida situa-se no lugar da Ermida, em Santa Marinha do Zêzere, localizando- se ao km 75,2. Esta estação serve a freguesia de Santa Marinha do Zêzere e possui vários serviços, dos quais, bilheteiras com venda de bilhetes (Alfa Pendular, Intercidades e Regional), serviço de táxis, parque de estacionamento, WC e Sala de espera. Para além da paisagem, esta estação apresenta como principais motivos de interesse a Igreja Matriz de Santa Marinha do Zêzere, o Solar das Casas Novas e a Quinta da Ermida. A Igreja Matriz de Santa Marinha do Zêzere foi fundada no século XI e reconstruída no século XVIII. No seu interior destaca-se o órgão de tubos. O Solar das Casas Novas é datado do século XVIII. É construído com uma interessante fachada corrida e um movimento do telhado com pináculos piramidais. Possui uma capela anexa. A Quinta da Ermida foi construída no século XIX, é cercada de jardins, terrenos de cultivo e jardinagem, o que confere ao espaço um certo dinamismo de beleza única. Esta casa disponibiliza dez quartos e um diversificado conjunto de serviços, dos quais se destacam, a piscina, bar, Fig.152 - Estação da Ermida Fig.151 - Vista panorâmica da estação Fig.153 - Vista da linha ferroviária Fig.154 - Interior da estação
  • 65. salão de jogos e cais para embarcações dos clientes33 . 7.10.8.Apeadeiro de Porto de Rei Primeira paragem do concelho de Mesão Frio, ao km 79.2, (sentido Marco-Régua). Outrora uma estação, hoje é um moderno apeadeiro. Dos tempos antigos, provavelmente dos inícios dos anos (19)20 temos o edifício da antiga estação, edifício de características diferentes dos restantes da linha do Douro, antes parecendo um sobrado destacando-se uma escada de serviço à habitação na fachada lateral. Actualmente o edifício da antigo estação encontra-se abandonado e em estado de acentuada degradação. Este é um bom ponto de partida para alguns passeios nas redondezas usufruindo da amena e rica mancha verde que orla o rio, valorizado ainda por um antigo e belo ancoradouro. Para uma estadia mais prolongada é possível optar por uma das três estruturas de turismo de habitação nomeadamente da Quinta da Boa Passagem, junto à linha e ao apeadeiro. 33 Cfr.http://www.cp.pt/cp/displayPage.do?vgnextoid=c37c23aabd984010VgnVCM1000007b01 a8c0RCRD&contentId=916671328b6a6010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD
  • 66. 7.10.9.Apeadeiro de Barqueiros Localizado ao km 83, o apeadeiro de Barqueiros encontra-se actualmente desactivado e igualmente votado ao abandono com o edifício degradado. A perda de importância deste apeadeiro deve-se ao acentuado fluxo migratório que levou ao abandono de inúmeros habitantes da localidade. 7.10.10. Estação da Rede Localizada ao km 86,2 a estação da Rede é um exemplar da arquitectura padrão escolhido para a construção das diversas estações da margem do rio Douro. Edifício de dois pisos caiado de branco com o primeiro piso coberto de azulejo de motivos simples e discretos. O edifício, apesar da estação se encontrar desactivada e ao contrário de outros exemplos, encontra-se em bom estado de conservação e é valorizado pelo enquadramento paisagístico. Este é um bom ponto de partida para um passeio pelas redondezas. Nas proximidades encontra-se uma bem cuidada praia fluvial que permite ao viajante refrescar-se nas águas do rio Douro em dias quentes de Verão. Também nas Fig.156 - Estação da Rede Fig.155 - Vista panorâmica da estação
  • 67. proximidades é possível pernoitar na Pousada da Rede. 7.10.11.Apeadeiro de Caldas de Moledo Ao Km 89,6 encontramos a outrora a estação de Caldas de Moledo, recentemente convertida em apeadeiro entretanto desactivado. O seu actual estado de degradação não esconde a beleza do seu traço num edifício de dimensões consideráveis onde é visível as funções de serviço que fornecia. Na linha dos restantes edifícios do Douro, a estação tem dois acrescentos laterais, provavelmente servindo de abrigo aos guarda linhas e, a poucos metros, um edifício em acentuado estado de degradação que, provavelmente, serviria de poiso aos viajantes. Relatos antigos narram a vida que a estação teria cheia de passageiros e com pregões dos vendedores de doces, passageiros esses por certo buscando pelas outrora afamadas Caldas (Termas) de Moledo. Rico em pontos de interesse, o viajante além das paisagens existentes poderá passear pela vila protegendo-se do sol pela sombra das inúmeras cerejeiras que se encontram e daqui partir para uma visita ao património arqueológico e religioso existente nas redondezas.
  • 68. 7.10.12.Estação de Godim Localizada à entrada da cidade de Peso da Régua ao Km 93,4. É uma pequena estação de planta simples, apenas de um piso, caiada de branco. Actualmente encontra-se desactivada servindo de cartão-de-visita à cidade. A sua envolvência tem assumido um crescente carácter urbano que contrasta com a traça da estação. Actualmente as necessidades dos habitantes das redondezas não passam pelo uso do comboio mas sim do automóvel o que tem levado à criação de uma série de vias rodoviárias que remeteu a estação de Godim a um papel crescentemente secundário que culminou com o seu encerramento, sendo hoje testemunha silenciosa de um passado de grande actividade em redor do caminho-de- ferro, outrora eixo central do desenvolvimento da região. 7.10.13.Estação da Régua A Estação da Régua, como todas as outras estações, situa-se na margem direita do Rio Douro na cidade da Régua. Localiza-se ao km 94,9. Esta disponibiliza vários serviços, dos quais, serviço de táxis, bilheteiras com venda de bilhetes Fig.157 - Estação da Régua
  • 69. (Alfa Pendular, Intercidades e Regional), WC, Sala de espere, Telefones públicos, Bar e Restaurante. Como locais de interesse destaca-se a Igreja matriz do Peso da Régua. Esta igreja é uma obra arquitectónica do século XVII. A fachada da igreja é precedida pelo arco de triunfo do campanário, de volta perfeita, sobre o qual se evidencia uma arquitrave saliente, repousando nela o remate onde estão rasgadas as duas ventanas sineiras. O seu interior é constituído por uma nave, a qual está coberta por madeiramento abobadado com caixotões pintados. A capela-mor da igreja expõe um esplendoroso retábulo de talha dourada, destacando-se desta composição barroca o seu desenvolvido trono eucarístico34 . Outro local de interesse é o Museu do Douro, inaugurado em 1997, na cidade da régua, o qual constitui um património único, pela sua história, diversidade e qualidade reconhecida dos seus vinhos e por uma paisagem excepcional. Este museu visa promover a região vitivinícola de importância fundamental e classificada como Património Mundial. 34 Cfr.http://www.cp.pt/cp/displayPage.do?vgnextoid=c37c23aabd984010VgnVCM1000007b01 a8c0RCRD&contentId=643457a4e63f5010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD Fig.158 - Linha férrea da Estação da Régua Fig.159 - Linha Férrea Fig.160 - Estação da Régua Fig.161 - Comboio histórico na Estação
  • 71. 7.11. Fundação Eça de Queiroz A fundação Eça de Queiroz é uma instituição de utilidade pública administrativa, sem fins lucrativos, que tem como cais de partida a divulgação e promoção nacional e internacional da obra do maior romance português. A fundação é composta por um conselho Fiscal, um Conselho Cultural e um Conselho Fundadores. A Fundação Eça de Queiroz tem princípios culturais, educativos e artísticos que são conhecidos pela perpetuação do escritor José Maria Eça de Queiroz na divulgação e promoção da sua obra em Portugal e no estrangeiro, pela máxima organização em ampliar a biblioteca, o arquivo e o museu queirosiano instalado na sua sede, pela promoção da realização de conferências, ciclos de estudo ou quaisquer outras manifestações adequadas aos termos que assim podem estabelecer prémios às obras, e contribuir no desenvolvimento cultural da região. A Casa e a Quinta de Vila Nova têm vindo a ser objecto de grandes intervenções arquitectónicas. Com estas transformações arquitectónicas criou-se um espaço museológico, uma biblioteca, um arquivo, um mini auditório e um espaço para serviços administrativos. Também foram executados alguns arranjos exteriores baseados na recuperação da eira e beiral, construção do parque de estacionamento, Fig.162 - Entrada para a Fundação Fig.163 - Fundação Eça de Queiroz Fig.164 - Vista traseira da Fundação Eça de Queiroz Fig.166 - Eira da Fundação Fig.165 - Capela da Casa de Tormes
  • 72. remodelação do estradão e salientação do ajardinamento dos espaços e instalações da rede de rega. Foram, ainda, feitos investimentos agrícolas de 4,5 hectares de vinha nova, construída e equipada na adega. Esta região exibe uma paisagem profundamente humanizada. O percurso mais alastrado do Douro, os vales encaixados, a difusa e variada vegetação, o traçado tradicional da casa, os caminhos e as estradas sinuosas contribuem para uma paisagem bastante agradável. Os terraços cultivados colaboraram para a valorização desta paisagem, que lhe proporcionava bastante cor e frescura ao longo dos tempos. A Fundação Eça de Queiroz dedica-se, ainda, à promoção de Percursos Turísticos e de vinhos verdes (Tormes)35 . 35 Cfr. http://www.feq.pt Fig.169 - Escritório Fig.168 - Auditório Fig.167 – Azenha da Casa
  • 73. 7.12.Mosteiro de Santo André de Ancede O Mosteiro de Santo André de Ancede remontam ao século XII, é respeitante à sua ligação aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Durante vários séculos este mosteiro deteve um considerável património fundiário ligado à produção vinícola, que lhe permitiu beneficiar de grande poder económico. Todavia, em meados do século XVI, pouco restava já dessa época áurea e o mosteiro entrou num período de decadência, com as dependências degradadas e um número muito reduzido de religiosos. Em 1560 passou a depender de São Domingos de Lisboa e, a partir de então, foram executadas várias campanhas de obras com o objectivo de recuperar o conjunto arquitectónico. A igreja foi reedificada, desenvolvendo-se, então, em três naves separadas por arcaria de volta perfeita, com tecto de madeira. Um amplo arco triunfal, com dois altares colaterais, articula este espaço com o da capela-mor, onde ganha especial importância o retábulo-mor, em talha dourada com tribuna de grandes dimensões. Contemporâneos deste retábulo, de estilo nacional, são certamente as sanefas que se encontram sobre as janelas e o arco triunfal. A fachada principal, em cantaria, que corresponde à lateral da nave, apresenta portal de verga recta encimado por nicho de frontão triangular. A capela de Nossa Senhora do Bom Fig.170 - Vista trazeira do Mosteiro Fig.171 - Vista lateral do Mosteiro Fig.173 - Vista lateral do Mosteiro Fig.- Vista lateral do Mosteiro Fig.174 - Cruzeiro Fig.172 - Entrada do Mosteiro
  • 74. Despacho, ao lado, foi erguida em 1731, e exibe, no portal datado de 1735, o brasão dos dominicanos. De linguagem rococó, apresenta, no seu interior, altar-mor e seis laterais, com representações de cenas da vida de Cristo. Com a Extinção das Ordens Religiosas o mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Visconde de Vilarinho de São Romão. A capela e a igreja passaram, em 1932, para a paróquia de Ancede36 . 7.13. Convento de Ermelo O convento de Ermelo, situa-se na freguesia de Ancede. O convento continua a existir, apesar de já so restar a fachada, devido aos incêndios que consumiram o edifício. A igreja está flanqueada pelas casas solarengas que se foram construindo na sua proximidade, igualmente em situação de abandono. Do templo, permanecem apenas os muros. Trata-se de um corpo longitudinal de três naves, separadas por arcos ogivais, com capela- mor quadrada. A fachada principal é rasgada por um arco ogival com decoração fitomórfica, de tipologia românica, encimado por estreita fresta rectangular. A empena é triangular e muito larga, abrangendo as três naves. A cobertura era em telhado de duas águas, com tecto de madeira, tendo já desaparecido na totalidade. Quanto ao espaço interior, encontra-se descoberto. Nas 36 Cfr. http://www.baiao-digital.com/turismo/patrimonio/convento-de-ancede/ Fig.175 - Capela da Sr.ª do Bom Despacho Fig. 176 – Convento de Ermelo Fig. 177 – Convento de Ermelo Fig. 178 – Convento de Ermelo
  • 75. fachadas Norte e Sul abrem-se mais dois portais ogivais, com decoração muito arcaica, estas fachadas conservam ainda muitos cachorros. . O interior é iluminado por várias frestas, três das quais na capela-mor, estas conjugadas com uma janela ogival. O arco triunfal é um largo vão ogival, com uma arquivolta denteada. Na parede fundeira. Destacam-se, ainda os vestígios do retábulo do altar-mor, em talha, inteiramente saqueado. Numa coluna da nave pode ver-se o escudo das quinas, tendo como tenentes dois anjos alados37 . 37 Cfr. http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_Ermelo http://www.baiao-digital.com/turismo/patrimonio/igreja-de-ermelo/ Fig.180 – Convento de Ermelo Fig.179 – Igreja do Convento de Ermelo
  • 76. 7.14. Museus 7.14.1. Museu Municipal Amadeo Souza Cardoso38 O Museu Amadeo de Souza Cardoso, instalado no Convento Dominicano de S.Gonçalo, foi fundado em 1947, por Albano Sardoeira, tendendo reunir materiais respeitantes à história local. Este tem como principal objectivo divulgar a Arte dos séculos XIX e XX, exposições temporárias, temáticas, ou monográficas, que se servem de agregado ás colecções oficiais ou mostram obras de artistas. O Museu dispõe dos espaços da sala polivalente/mini-galeria para pequenas exposições (de desenho, fotografia, vídeo, design…) e da sala de exposições temporárias. Colecções Uma vez que o Museu Amadeo de Sousa quer manter uma lembrança do núcleo inicial e das respectivas colecções tem que prosseguir com a 38 Morada: Museu Municipal Amadeo de Souza Cardoso Alamedo 4600 Amarante. Horário: De Terça a Domingo das 10h às 12h30m e das 14h às 17h30m. Encerra às Segundas-feiras, Dias-Santos e Feriados. Contactos: 255 43 20 06 E-mail: Cmasousacardoso@um.geira.pt
  • 77. sua principal vocação, a Arte Portuguesa Moderna e Contemporânea, nomeadamente a Pintura e a Escultura, tendo como principais referências António Carneiro e Amadeo de Souza Cardoso. É certo que o Museu procura responder ao encadeamento das gerações de pintores e escultores portugueses que, numa prática ambígua ou nas rupturas, assumiram ou tentam assumir também um projecto de modernidade39 . 7.14.2. Museu Municipal de Baião O Museu Municipal de Baião, localiza-se na freguesia de Campelo, na Casa da Cultura. É instituído por dois grupos, grupo de arqueologia e grupo de etnografia, onde pretende expor de forma metodológica os trabalhos arqueológicos realizados nas Serras da Aboboreira e Castelo de Matos, que abrangem o megalitismo, Sepulcros do Calcolítico e da Idade do Bronze; Povoados do Neolítico à Idade do Bronze; Idade do Ferro e Romanização; Idade Média. Expõem-se, ainda os objectos mais significantes destes tempos cronológicos, dirigindo- se a informações gráficas que permitem contextualizar esses objectos. Cada vitrina é assistida de um painel onde figura sempre um mapa e uma barra cronológica, para além de 39 Cfr.http://www.amarante.pt/museu/historia.php
  • 78. imagens de sítios e de um pequeno texto explicativo que criam um fio condutor ao longo da exposição sobre a evolução da ocupação humana deste espaço geográfico ao longo dos tempos. Salienta-se, ainda a inclusão nesta exposição de uma maqueta didáctica das fases de construção de um dólmen com 120 figurinhas humanas e de uma outra maqueta em relevo da carta arqueológica do Campo, acompanhada por réplicas dos principais monumentos arqueológicos e históricos do Concelho de Baião. No Grupo de Etnografia está visível um conjunto de objectos tradicionais relacionados com os trabalhos agrícolas, o trabalho do linho e a confecção do pão40 . 7.14.3Museu do Douro41 O museu do Douro está integrado na Região do Douro que constitui, um património único, pela sua história, diversidade e qualidade reconhecida dos seus vinhos, por uma paisagem excepcional, resultante de uma actividade humana secular na criação e valorização económica da viticultura de encosta. 40 Cfr. http://www.baiao-digital.com/turismo/patrimonio/ 41 Morada: Rua da Alegria 39 2º Peso da Régua 5050-256 Peso da Régua. Contactos: 254324320 Horário: Encerrado às Segundas. Terça a Domingo das 10 às 18 horas. Preços: 5€ (bilhete único, que dá acesso à exposição temporária e à exposição permanente do Museu do Douro); Seniores e estudantes - 50% de desconto; Famílias 4 €; Crianças até aos 12 anos, Amigos do Museu e grupos escolares - Grátis Fig.181 - Museu do Douro
  • 79. Este museu foi inaugurado em 1997 na Régua, centro da região vinhateira. O Museu do Douro visa promover a região vitivinícola de importância fundamental e classificada como Património Mundial. Para além do edifício sede na Régua, o Museu do Douro inclui também um Núcleo do Pão e do Vinho (Favaios), Núcleo da Gastronomia (Lamego), Núcleo do Caminho de Ferro (Barca de Alva), Núcleo da Electricidade (Vila Real), Núcleo da Amêndoa (em Vila Nova de Foz Côa), Núcleo do Arrais e da Cereja (em Resende), Núcleo do Vinho (em São João da Pesqueira), Núcleo da Seda (em Freixo de Espada à Cinta), Núcleo do Somagre (Muxagata,Vila Nova de Foz Côa), Núcleo de Barqueiros (Mesão Frio) e Museu do Imaginário (em Tabuaço)42 . 7.14.4. Museu de Lamego43 O museu de Lamego localiza-se no centro histórico da cidade de Lamego, no antigo Paço Episcopal. Este edifício foi construído na segunda metade do século XVIII, por D. Manuel de Vasconcelos Pereira, Bispo de Lamego. Hoje em 42 Cfr. http://www.lifecooler.com/Portugal/patrimonio/MuseudoDouro 43 Morada: Rua de Camões 5100 Lamego. Contactos: (+351) 254.600.230 Horário: Terça a domingo, 10 às 12.30 e 14 às 17 horas. Entrada: 2 euros. Fig.182 - Interior do Museu Fig.183 - Interior do Museu Fig.184 - Bar no Museu Fig.185 - Exterior do Museu de Lamego
  • 80. dia, o Museu de Lamego é uma importante referência para as Artes e o Património no panorama regional, nacional, e até mesmo internacional, dado que a qualidade e a singularidade de algumas das obras de arte de exposição permanente, merecem especial referência ás cinco tábuas de Vasco Fernandes (Grão Vasco), que faziam parte do retábulo de vinte tábuas da Sé de Lamego. Colecções e Património O património do museu é misto, incluindo um espólio variado que assenta na colecção primitiva de mobiliário, tapeçaria, escultura e pintura, que já se encontrava no Paço. Após a constituição do Museu foi complementado com ourivesaria, paramentaria, capelas e respectivas esculturas originárias do extinto Convento das Chagas de Lamego, de rico valor artístico e iconográfico. A Câmara Municipal e diversos particulares acrescentaram-lhe o acervo arqueológico. As peças da colecção são na sua maioria do século XVIII, embora abranjam um largo período que vai do século I aos nossos dias, com destaque para o período renascentista, sendo as tapeçarias flamengas, os panos de armar e a pintura de Vasco Fernandes os ex-líbris. Um conjunto de dois panos de armar forma uma tapeçaria intitulada «A Música», já requisitada Fig.186 - Interior do Museu Fig.187- Exterior do Museu Fig.188 - Pátio exterior do Museu