HISTÓRIA ANTIGAEra uma vez, lá na Judeia, um rei.Feio bicho, de resto:Uma cara de burro sem cabrestoE duas grandes tranças...
FALAVAM-ME DE AMORQuando um ramo de doze badaladasse espalhava nos móveis e tu vinhassolstício de mel pelas escadasde um s...
NATAL À BEIRA-RIOÉ o braço do abeto a bater na vidraça?E o ponteiro pequeno a caminho da meta!Cala-te, vento velho! É o Na...
NATALAcontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.Era gente a correr pela música acima.Uma onda uma festa. Palavras a saltar.E...
NATALSe considero o triste abatimentoEm que me faz jazer minha desgraça,A desesperação me despedaça,No mesmo instante, o f...
PRELÚDIO DE NATALTudo principiavapela cúmplice neblinaque vinha perfumadade lenha e tangerinasSó depois se rasgavaa primei...
CHOVE. É DIA DE NATALChove. É dia de Natal.Lá para o Norte é melhor:Há a neve que faz mal,E o frio que ainda é pior.E toda...
NatalNatal... Na província neva.Nos lares aconchegados,Um sentimento conservaOs sentimentos passados.Coração oposto ao mun...
Ó sino da minha aldeiaÓ sino da minha aldeia,Dolente na tarde calma,Cada tua badaladaSoa dentro da minha alma.E é tão lent...
NATAL                                                Os que em leilão a arrematamos                                       ...
A NOITE DE NATALEm a noite de NatalAlegram-se os pequenitos;Pois sabem que o bom JesusCostuma dar-lhes bonitos.Vão se deit...
NATAL CHIQUEPercorro o dia, que esmoreceNas ruas cheias de rumor;Minha alma vã desapareceNa muita pressa e pouco amor.Hoje...
ROSAS DE INVERNOCorolas, que floristesAo sol do Inverno, avaro,Tão glácido e tão claroPor estas manhãs tristes.Gloriosa fl...
FIM Autor: José A. Crespo de CarvalhoEmail: josecrespocarvalho@gmail.com
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Presépios e Poemas de Natal!

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Presépios e Poemas de Natal!

  1. 1. HISTÓRIA ANTIGAEra uma vez, lá na Judeia, um rei.Feio bicho, de resto:Uma cara de burro sem cabrestoE duas grandes tranças.A gente olhava, reparava, e viaQue naquela figura não haviaOlhos de quem gosta de crianças.E, na verdade, assim acontecia.Porque um dia,O malvado,Só por ter o poder de quem é reiPor não ter coração,Sem mais nem menos,Mandou matar quantos eram pequenosNas cidades e aldeias da Nação.Mas,Por acaso ou milagre, aconteceuQue, num burrinho pela areia fora,FugiuDaquelas mãos de sangue um pequenitoQue o vivo sol da vida acarinhou;E bastouEsse palmo de sonhoPara encher este mundo de alegria;Para crescer, ser Deus;E meter no inferno o tal das tranças,Só porque ele não gostava de crianças.Miguel Torga
  2. 2. FALAVAM-ME DE AMORQuando um ramo de doze badaladasse espalhava nos móveis e tu vinhassolstício de mel pelas escadasde um sentimento com nozes e com pinhas,menino eras de lenha e crepitavasporque do fogo o nome antigo tinhase em sua eternidade colocavaso que a infância pedia às andorinhas.Depois nas folhas secas te envolviasde trezentos e muitos lerdos diase eras um sol na sombra flagelado.O fel que por nós bebes te libertae no manso natal que te consertasó tu ficaste a ti acostumado.Natália Correia
  3. 3. NATAL À BEIRA-RIOÉ o braço do abeto a bater na vidraça?E o ponteiro pequeno a caminho da meta!Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,A trazer-me da água a infância ressurrecta.Da casa onde nasci via-se perto o rio.Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!E o Menino nascia a bordo de um navioQue ficava, no cais, à noite iluminado...Ó noite de Natal, que travo a maresia!Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.E quanto mais na terra a terra me envolviaE quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-meÀ beira desse cais onde Jesus nascia...Serei dos que afinal, errando em terra firme,Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?David Mourão-Ferreira
  4. 4. NATALAcontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.Era gente a correr pela música acima.Uma onda uma festa. Palavras a saltar.Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.Guitarras guitarras. Ou talvez mar.E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.No teu ritmo nos teus ritos.No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.No teu sol acontecia.Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).Todo o tempo num só tempo: andamentode poesia. Era um susto. Ou sobressalto. Eacontecia.Na cidade lavada pela chuva. Em cada curvaacontecia. E em cada acaso. Como um pouco deágua turvana cidade agitada pelo vento.Natal Natal (diziam). E acontecia.Como se fosse na palavra a rosa bravaacontecia. E era Dezembro que floria.Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.E era na lava a rosa e a palavra.Todo o tempo num só tempo: nascimento depoesia.Manuel Alegre
  5. 5. NATALSe considero o triste abatimentoEm que me faz jazer minha desgraça,A desesperação me despedaça,No mesmo instante, o frágil sofrimento.Mas súbito me diz o pensamento,Para aplacar-me a dor que me trespassa,Que Este que trouxe ao mundo a Lei da Graça,Teve num vil presente o nascimento.Vejo na palha o Redentor chorando,Ao lado a Mãe, prostrados os pastores,A milagrosa estrela os reis guiando.Vejo-O morrer depois, ó pecadores,Por nós, e fecho os olhos, adorandoOs castigos do Céu como favores.Manuel Maria Barbosa du Bocage
  6. 6. PRELÚDIO DE NATALTudo principiavapela cúmplice neblinaque vinha perfumadade lenha e tangerinasSó depois se rasgavaa primeira cortinaE dispersa e douradano palco das vitrinasa festa começavaentre odor a resinae gosto a noz-moscadae vozes femininasA cidade ficavasob a luz vespertinapelas montras cercadade paisagens alpinasDavid Mourão-Ferreira
  7. 7. CHOVE. É DIA DE NATALChove. É dia de Natal.Lá para o Norte é melhor:Há a neve que faz mal,E o frio que ainda é pior.E toda a gente é contentePorque é dia de o ficar.Chove no Natal presente.Antes isso que nevar.Pois apesar de ser esseO Natal da convenção,Quando o corpo me arrefeceTenho o frio e Natal não.Deixo sentir a quem quadraE o Natal a quem o fez,Pois se escrevo ainda outra quadraFico gelado dos pés.Fernando Pessoa
  8. 8. NatalNatal... Na província neva.Nos lares aconchegados,Um sentimento conservaOs sentimentos passados.Coração oposto ao mundo,Como a família é verdade!Meu pensamento éprofundo,Estou só e sonho saudade.E como é branca de graçaA paisagem que não sei,Vista de trás da vidraçaDo lar que nunca terei!Fernando Pessoa
  9. 9. Ó sino da minha aldeiaÓ sino da minha aldeia,Dolente na tarde calma,Cada tua badaladaSoa dentro da minha alma.E é tão lento o teu soar,Tão triste da vida,Que já a primeira pancadaTem o som de repetida.Por mais que me tanjas pertoQuando passo, sempre errante,És para mim como um sonho,Soa-me na alma distante.A cada pancada tua,Vibrante no céu aberto,Sinto mais longe o passado,Sinto a saudade mais perto.Fernando Pessoa
  10. 10. NATAL Os que em leilão a arrematamos Como sagrada peça única,Mais uma vez, cá vimos Somos os que jogamos,Festejar o teu novo nascimento, Para comércio, a tua túnica.Nós, que, parece, nos desiludimos Tais somos, os que, por costume,Do teu advento! Vimos, mais uma vez,Cada vez o teu Reino é menos deste mundo! Aquecer-nos ao lumeMas vimos, com as mãos cheias dos nossos pomos, Que do teu frio e solidão nos dês.Festejar-te, ─ do fundo Como é que ainda tens a infinita paciênciaDa miséria que somos. De voltar, ─ e te esquecesOs que à chegada De que a nossa indigênciaTe vimos esperar com palmas, frutos, hinos, Recusa Tudo que lhe ofereces?Somos ─ não uma vez, mas cada ─ Mas, se um ano tu deixas de nascer,Teus assassinos. Se de vez se nos cala a tua voz,À tua mesa nos sentamos: Se enfim por nós desistes de morrer,Teu sangue e corpo é que nos mata a sede e a fome; Jesus recém-nascido!, o que será de nós?!Mas por trinta moedas te entregamos;E por temor, negamos o teu nome. José RégioSob escárnios e ultrajes,Ao vulgo te exibimos, que te aclame;Te rojamos nas lajes;Te cravejamos numa cruz infame.Depois, a mesma cruz, a erguemos,Como um farol de salvação,Sobre as cidades em que ferve extremosA nossa corrupção.
  11. 11. A NOITE DE NATALEm a noite de NatalAlegram-se os pequenitos;Pois sabem que o bom JesusCostuma dar-lhes bonitos.Vão se deitar os lindinhosMas nem dormem de contentesE somente às dez horasAdormecem inocentes.Perguntam logo à criadaQuando acorde de manhãSe Jesus lhes não deu nada.– Deu-lhes sim, muitos bonitos.– Queremo-nos já levantarRespondem os pequenitos.Mário de Sá-Carneiro
  12. 12. NATAL CHIQUEPercorro o dia, que esmoreceNas ruas cheias de rumor;Minha alma vã desapareceNa muita pressa e pouco amor.Hoje é Natal. Comprei um anjo,Dos que anunciam no jornal;Mas houve um etéreo desarranjoE o efeito em casa saiu mal.Valeu-me um príncipe esfarrapadoA quem dão coroas no meio disto,Um moço doente, desanimado…Só esse pobre me pareceu Cristo.Vitorino Nemésio
  13. 13. ROSAS DE INVERNOCorolas, que floristesAo sol do Inverno, avaro,Tão glácido e tão claroPor estas manhãs tristes.Gloriosa floração,Surdida, por engano,No agonizar do ano,Tão fora da estação!Sorrindo-vos amigas,Nos ásperos caminhos,Aos olhos dos velhinhos,Às almas das mendigas!Desse Natal de inválidosTransmito-vos a bênção,Com que vos recompensamOs seus sorrisos pálidos.Camilo Pessanha
  14. 14. FIM Autor: José A. Crespo de CarvalhoEmail: josecrespocarvalho@gmail.com

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