Sindromes colestaticas

17.540 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
0 comentários
3 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
17.540
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
6
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
157
Comentários
0
Gostaram
3
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Sindromes colestaticas

  1. 1. 1 SÍNDROMES COLESTÁTICAS Prof. Dra. Ana LC Martinelli Dra. Fernanda Fernandes Souza Dra. Andreza Corrêa Teixeira Colestase é definida como a interrupção ou redução do fluxo biliar, comconseqüente diminuição da quantidade de bile que alcança o duodeno. Acolestase pode ser conseqüente a distúrbios na produção da bile ou no seufluxo até o intestino. Portanto, o local acometido pode englobar desde ohepatócito até a ampola de Vater. A colestase pode ser classificada em intra ou extra-hepática de acordocom o local acometido. Na colestase extra-hepática há uma obstrução físicados ductos biliares, enquanto que na colestase intra-hepática não se visualizaobstrução dos ductos biliares maiores. As causas de colestase intra e extra-hepática são mostradas nas tabelas1 e 2, respectivamente. Dentre as causas de colestase intra-hepática,destacam-se as virais, drogas, autoimunes e infecciosas; já a colestase extra-hepática tem como principal etiologia os cálculos nas vias biliares. As manifestações clínicas da colestase são conseqüentes à retençãosérica de substâncias normalmente excretadas no sangue, bem como a ausênciaou redução de bile no intestino. Assim, os principais sinais e sintomas incluemicterícia, prurido cutâneo, colúria, hipocolia ou acolia fecal e má absorçãointestinal. A colúria precede o aparecimento da icterícia. Salienta-se que essasmanifestações nem sempre estão presentes; podem não ser concomitantes oumesmo ter flutuações durante a evolução do quadro.
  2. 2. 2 A colestase pode ser aguda ou crônica. Na colestase crônica pode havermá absorção de vitaminas lipossolúveis (A,D,E,K), cujo curso pode serassintomático ou responsável por manifestações como osteodistrofia (doresósseas, fraturas), distúrbios visuais ou da coagulação. Esteatorreia devido àfalta de sais biliares pode ser observada. Depósitos de colesterol na pele(xantomas e xantelasmas) também podem estar presentes. Em fasesavançadas, os pacientes podem apresentar manifestações de hipertensãoportal e cirrose. A distinção clínica entre colestase intrahepática e extrahepática émuitas vezes difícil. Alguns achados podem auxiliar favorecendo o diagnósticode colestase extra-hepática, como a palpação da vesícula biliar aumentada detamanho, ou a história de cólicas intensas no hipocôndrio direito sugerindocálculos de vias biliares. Os exames laboratoriais em pacientes com colestase revelam aumentosérico das enzimas canaliculares (Gamaglutamiltransferase - GGT e fosfatasealcalina) em graus variáveis, elevação das bilirrubinas predominantemente dafração conjugada (bilirrubina direta) e elevação dos níveis de colesterol.Hipoalbuminemia pode ser observada em fases avançadas com cirroseestabelecida. Entretanto, esses exames não permitem o diagnóstico da causada colestase ou mesmo diferenciar entre colestase intra e extra-hepática. Um exame muito importante nessa distinção é a ultra-sonografia (US),que pode detectar dilatação das vias biliares com alto grau de sensibilidade eespecificidade. A ausência de dilatação das vias biliares extra-hepáticas a USnão afasta o diagnóstico de colestase extra-hepática. Isso pode ocorrer emobstruções parciais, ou em portadores de cirrose, ou ainda, na colangiteesclerosante primária e em fases precoces da colestase. Entretanto, nem
  3. 3. 3sempre a US detecta o local ou a causa da obstrução, uma vez que o ductobiliar comum distal é de difícil visualização devido a superposição de alçasintestinas ou a presença de gases. A tomografia computadorizada, aressonância magnética (colangioressonância) e a colangiografia retrógradaendoscópica podem ser usadas nessa situação. Essas técnicas são melhorespara avaliar o pâncreas e para a identificação de cálculos nas porções distaisdo ducto biliar comum. O diagnóstico de colestase intra-hepática é feito com base nos dados dahistória clínica (abuso de álcool, uso de drogas hepatotóxicas, contacto comvírus das hepatites, gravidez, infecções, nutrição parenteral total etransplantes) e resultados de exames laboratoriais, como sorologias, técnicasde biologia molecular e biópsia hepática. A biópsia hepática é particularmenteútil nos casos de colestase intra-hepática, pois a mesma auxilia no diagnósticode várias entidades como colestase pura, hepatites virais, hepatite alcoólica,lesão medicamentosa, cirrose biliar primária, ductopenias, rejeições, doençaveno-oclusiva, além de permitir a avaliação do grau de comprometimentohepático. O tratamento da colestase deve ser dirigido ao fator causal. Nos casosde obstrução de vias biliares, o tratamento deve ser cirúrgico ou endoscópico.Nas colestases intra-hepáticas, o tratamento é clínico e dirigido à doença debase causadora da colestase. Drogas suspeitas de causar colestase devem serimediatamente retiradas. As vitaminas lipossolúveis devem ser repostas nos casos de colestasecrônica após avaliação das suas conseqüências. Dosagens de vitamina A,densitometria óssea, testes para avaliar a coagulação e alterações visuaisdevem ser feitos antes da administração das vitaminas. Nos casos de
  4. 4. 4alterações ósseas recomenda-se também o uso de cálcio. Quando háprolongamento do tempo de protrombina pode ser feita reposição de vitaminaK por via parenteral. O prurido muitas vezes é sintoma incapacitante e pode ser tratado comquelantes de sais biliares (colestiramina 4-16g/dia, via oral, antes dasrefeições), ácido ursodeoxicólico (13-15mg/kg/dia, via oral) ou anti-histamínicos. Outras drogas incluem o fenobarbital e a rifampicina. O prognóstico da colestase é variável e depende fundamentalmente dofator etiológico do quadro.
  5. 5. 5Tabela 1. Causas de colestase intra-hepáticaHepatites Virais Hepatites A, B e C Vírus Epstein Barr, citomegalovirusHepatite AlcoólicaDrogas Colestase pura (esteróides anabólicos e contraceptivos orais) Hepatite colestática (clorpromazina, eritromicina) Colestase crônica (clorpromazina)Cirrose Biliar PrimáriaColangite Esclerosante primáriaSíndrome de desaparecimento dos ductos biliares Rejeição crônica do transplante hepático Sarcoidose DrogasHereditária Colestase benigna recorrenteColestase da GravidezNutrição parenteral TotalSepsisDoença do enxerto-versus hospedeiroDoença veno-oclusiva
  6. 6. 6Tabela 2. Causas de Colestase extra-hepáticaObstrução por causas benignas Coledocolitíase Colangite Esclerosante Primária Pancreatite crônica Colangiopatia associada à AIDS Linfonodos (blastomicose)Tumores malignos Colangiocarcinoma Pâncreas Vesícula biliar Ampola de Vater linfonodos envolvendo porta hepatisBibliografia recomendada: o Prat DS & Kaplan MM. Jaundice. In: Harrisson´s. Principles of Internal Medicine. 16th ed. McGraw –Hill, London, p. 238-243, 2005. o Sherlock S & Dooley J. Diseases of the Liver and biliary System. 11st ed., Blackwell Science, London. P. 217-137, 2004

×