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A opinião pública, a comunidade científica e a mídia manifestaram-se “calorosamente”após essas ocorrências e, entre outras...
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as mesmas condições culturais para reivindicar seus direitos com fizeram os europeus.3.3. RepercussõesAs críticas dos cien...
desconfiança e pânico, o despreparo do governo e das empresas para dialogar com apopulação, a indisponibilidade de recurso...
na sua imagem e segurança, justificando que a divulgação dos piores cenários poderiaalarmar as pessoas e facilitar eventua...
Organização Internacional do Trabalho (OIT). Visa fornecer informações científicas, emâmbito internacional, para que os pa...
Identificação dos principais problemas decomunicação existentes na empresa (aspectoshumanos e operacionais)Acionamento das...
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sobre as fichas de identificação de segurança dos produtos químicos manipulados pelaempresa (FISPQ), avaliação sobre os pr...
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- policial civil ou militar ou ainda representante de uma empresa concessionária derodovias e ferrovias;- representante de...
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como rádios e telefones, para transmissão de informações entre os técnicosenvolvidos nas operações de campo e entre eles e...
- Perguntar se houve vítimas, feridos e se áreas sensíveis foram impactadas;- Solicitar confirmação ao receber e emitir um...
- polícia rodoviária, estadual ou federal;- capitania ou delegacia dos portos (Marinha do Brasil);- defesa civil, municipa...
representante da administradora da rodovia, tratava-se apenas de mais um acidente detrânsito e não de uma ocorrência envol...
emergências químicas, sem qualquer embasamento técnico e (2) a importância dacredibilidade dos moradores nos órgãos envolv...
envolvida e a sensibilidade da área afetada (fornecimento de água potável à milhares depessoas, usos para recreação e pesc...
as informações fornecidas pelo corpo técnico, moldando-as tendenciosamente de acordocom seus interesses; ou mesmo pela ins...
- O que aconteceu?- O que vazou? É perigoso? Quanto vazou? Parou de vazar/Foi controlado?- O que está sendo feito para con...
As informações que podem ser fornecidas à comunidade seriam:­ esclarecer que houve o vazamento do produto “x” e que estão ...
retirada das pessoas e a segurança pública.Para saber mais sobre Comunicação de Riscos acesse:http://www.bvsde.paho.org/cu...
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Informação e comunicação bhopal

  1. 1. http://www.bvsde.paho.org/cursode/p/modulos/modulo_3.6.pdfINFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃODE RISCOS EM EMERGÊNCIAS QUÍMICASPor Iris Regina F. Poffo1. IntroduçãoOs graves acidentes ocorridos em vários países nas décadas de 1970 e 1980, ficouevidente que o vazamento de substâncias químicas perigosas pode resultar em mortes eprovocar lesões significativas nas pessoas. Weyne (1988apud Serpa e Prado-Monje,2000) comenta que a gravidade destes acidentes passou a ser preocupação permanentedas autoridades governamentais, da própria sociedade e da indústria, a qual vê suaimagem abalada nestes episódios perante a mídia.Diante destes fatos, a informação e a comunicação de riscos passaram a ser recursos deextrema importância em desastres químicos, na prevenção e no combate a situações deemergência. Quando bem empregadas, podem tanto otimizar as ações de resposta comominimizar os danos à população e ao meio ambiente.O processo de comunicação de riscos em emergências químicas é um assunto complexo,que começa entre poucas pessoas, mas na medida em que as ações de resposta vão sedesenvolvendo, muitos atores são envolvidos, direta e indiretamente, e muitos são osinteresses próprios e conflitos a serem administrados (POFFO, 2006).2. Conceitos e definiçõesComunicação de riscos:uma das definições mais adotadas, inclusive pelo Curso deAuto Aprendizagem em Comunicação de Riscos da OPAS, é a do NationalResearchCouncil dos Estados Unidos (1989):um processo interativo de intercâmbio deinformações e de opiniões entre indivíduos, grupos e instituições. É um diálogo no qual sediscutem múltiplas mensagens que expresam preocupações, opiniões ou reações àspróprias mensagens ou “arranjos” legais e institucionais da gestão de riscos…"Para efeito deste texto será entendido como o fluxo de mensagens entre os atores
  2. 2. envolvidos, direta e indiretamente, nas ações de prevenção e nas operações de respostaa emergências e desastres químicos.Informação de Riscos:informação, segundo Ferreira (1988), é o ato de passaresclarecimentos, informes, notícias sobre algo ou alguém; acontecimento ou fato deinteresse geral, tornado do conhecimento público ao ser divulgado pelos meios decomunicação.Para efeito deste texto será entendido como a divulgação de informes e fatosrelacionados às ações de prevenção e às operações de resposta, às emergências e aosdesastres químicos.De acordo com Rector e Neiva (1997), a diferença entre informação e comunicação é quea informação é um processo unidirecional praticamente estático, ou seja, a partir de umemissor (ex: indústria) o fato (acidente ambiental) é divulgado ao receptor (ex: órgãoambiental). A comunicação é um processo multidirecional, dinâmico, ou seja, ainformação ou o fato “vai e volta” entre o emissor e o receptor e tende a crescer a medidaque novos informes são incorporadas ao contexto. 2Risco: é a probabilidade ou freqüência esperada de ocorrência dos danos decorrentes daexposição às condições adversas ou a um evento indesejado (LIMA e SILVA, 1999). ParaCETESB (2003) é a medida de danos à vida humana, resultante da combinação entre afreqüência de ocorrência e a magnitude das perdas ou danos (conseqüências),entendendo-se por freqüência, o número de ocorrências de um evento por unidade detempo. Para a OPAS, seria a probabilidade de ocorrer um dano como resultado daexposição a um agente, seja este químico, físico ou biológico. Muitas vezes a palavrarisco é empregada como sinônimo de perigo.Shareder-Frechette (1994) entendem que o risco pode ser voluntariamente escolhido ouinvoluntariamente imposto. Por exemplo, tratando-se de uma indústria química, ovoluntário abrange os riscos assumidos pelos brigadistas quando exposto às ações decombate, enquanto que o involuntário abrange os perigos aos quais a comunidade
  3. 3. circunvizinha está exposta, por morar ou trabalhar próximo a um local perigoso.Risco objetivo e subjetivo: segundo Nardocci (2002) o objetivo é estimado a partir decálculos estatísticos e metodologias quantitativas, enquanto que o subjetivo é avaliadocom base em julgamentos intuitivos.3. Breve panorama histórico internacionalO processo de informação e de comunicação de riscos começou a ganhar importânciadepois dos desastres químicos ocorridos em vários países, principalmente entre 1970 e1990 dos quais se destacam os apresentados na Tabela 1.Tabela 1 – Exemplos de desastres químicos internacionais (1970-1985)Ano Local Ocorrência Consequencia1972Rio de Janeiro(Brasil)Explosões de tanques de armazenamentode gás liqüefeito de petróleo38 mortes e 53 feridos1974Flixoborough(Inglaterra)Explosão em indústria químicaliberando nuvem de vapor de ciclohexano28 mortes, 89 feridos1974Cartagena,(Colômbia)Explosão em fábrica de fertilizantesliberando vapores de amônia
  4. 4. 21 mortes e 53 feridos1976Seveso(Itália)Vazamento em indústria química liberandodioxina, formando nuvem tóxica700 pessoas contaminadas1984Cid. do México(MéxicoExplosão de esfera com gás liqüefeito depetróleo (GLP)500 mortes1984Bhopal(Índia)Acidente em indústria química comvazamento de isocianato de metila2.500 mortes e 200 milpessoas contaminadas1984Cubatão(Brasil)Rompimento de oleoduto com vazamentode gasolina seguido de incêndio93 óbitos, feridos e 500desabrigadosFonte: Freitas, Porto e Machado, 2000.
  5. 5. A opinião pública, a comunidade científica e a mídia manifestaram-se “calorosamente”após essas ocorrências e, entre outras críticas apresentadas estava a de que se asociedade tivesse sido previamente informada sobre os riscos aos quais estava exposta ese tivesse sido orientada previamente sobre como deveria proceder em situações deemergência, muitas mortes teriam sido evitadas. A esse respeito, dois casos serãocomentados, com ênfase nos aspectos de informação e comunicação de riscos: o deSeveso, na Itália e o de Bhopal, na Índia. 33.1. Acidente de SevesoEm 1976, em função de um acidente em indústria química na cidade de Meda (Itália),formou-se uma nuvem tóxica que se espalhou pelo raio de 6 km, afetando diretamentequatro municipalidades, sendo Seveso, a mais afetada. A pesquisadora Bruna de Marchi(2002), analisando este episódio, comenta que na ocasião ninguém (autoridades públicase sanitárias e as municipalidades circunvizinhas) sabia que estava em situação de perigodevido ao vazamento de dioxina (substância tóxica usada na composição do praguicidaconhecido como “agente laranja”, usado na guerra do Vietnã, nos anos 60).Como os animais domésticos começaram a morrer e as crianças passaram a apresentarproblemas de pele (cloroacne), as pessoas entraram em pânico e não sabiam o que fazer,pois havia total falta de informação sobre o cenário acidental dentro da indústria e sobreos efeitos tóxicos da dioxina aos seres humanos.A empresa só emitiu comunicado público oficial a respeito nove dias após o acidente, ouseja, nove dias depois das pessoas já terem sido expostas. Segundo Marchi (2002),mesmo já tendo ciência da gravidade do acidente e dos riscos que as pessoas poderiamsofrer, optou-se por reter estas informações, mesmo porque havia muito clamor público etanto as autoridades como os representantes da empresa não sabiam como proceder.As autoridades decidiram então retirar apenas os moradores mais próximos da indústria,obrigando-os a saírem de suas casas “às pressas” e removendo-os para um local compouca infraestrutura. O governo italiano chegou a permitir que mulheres grávidas
  6. 6. praticassem aborto caso desejassem. A situação acabou gerando mais pânico e revolta,considerando que os movimentos sindicalistas e feministas eram muito fortes na região.Directiva de SevesoDepois deste episódio, consciente dos perigos aos quais estava exposta, lembrandotambém do acidente ocorrido dois anos antes em Flixoborough (Inglaterra), a sociedadecriou um movimento popular exigindo medidas para prevenir estes acidentes ou paralimitar suas conseqüências. Assim a Comunidade Européia, atualmente União Européia,desenvolveu um documento legal, comum a todos os países europeus, o qual ficouconhecido como a Directiva de Seveso (Directiva 82/510/CEE de 24.06.1982). Estedocumento objetiva “a prevenção de acidentes graves que envolvam substânciasperigosas e a limitação das suas conseqüências para o homem e o meio ambiente, tendoem vista assegurar, de maneira coerente e eficaz, níveis de proteção elevados à todaComunidade Européia” (http://europa.eu/scadplus/leg/pt/lvb/l21215.htm).A versão original teve várias alterações segundo Marchi (2002). A primeira em 1988 e asegunda em 1996, depois do incêndio em uma indústria na cidade de Schweizerhalle(Suíça), cuja substância envolvida não era inicialmente considerada perigosa, e doacidente de Bhopal (Índia). A versão mais nova é de 2003 (Directiva 2003/105/CE),disponível em: (http://europa.eu/scadplus/leg/pt/lvb/l21215.htm).3.2. Acidente de BhopalAs conseqüências à saúde das pessoas no acidente de Bhopal foram piores do que emSeveso, principalmente porque a comunidade mais afetada era constituída por pessoaspobres, habitando moradias precárias (favela). O acidente ocorreu na Union Carbide, 4empresa dos EUA, envolvendo o vazamento de isocianato de metila, acarretou a morte de2.500 pessoas e a contaminação de aproximadamente 200 mil moradores (WEYNE, 1998apud SERPA e PRADO-MONJE, 2000). Segundo Marchi (2002), semelhante a outroscasos ocorridos na Europa, os moradores também não foram informados sobre os riscosaos quais estavam expostos por viverem perto desta fábrica. Por outro lado, não tinham
  7. 7. as mesmas condições culturais para reivindicar seus direitos com fizeram os europeus.3.3. RepercussõesAs críticas dos cientistas e da mídia na época consideraram que as autoridades e asempresas demoraram a tornar pública a notícia dos acidentes, tanto na Itália como naÍndia. Marchi comenta que se tanto os italianos como os indianos tivessem sidoinformados mais cedo sobre as nuvens tóxicas, sobre suas possíveis conseqüências ecomo deveriam ter procedido, os impactos sociais teriam sido menores. Cita queorientações simples como fechar janelas de suas casas, cobrir o rosto e o corpo comtoalhas e lençóis umedecidos poderiam ter sido fornecidas às pessoas e assim prevenidoproblemas respiratórios e de lesões na pele. No entanto, a pesquisadora lembra anecessidade de levar em consideração as diferenças socioeconômicas das duas regiões,ou seja, em Bhopal as pessoas não poderiam se fechar em casa porque não tinhamjanelas e não poderiam se cobrir porque possivelmente não teriam toalhas disponíveis.Baseado nestes fatos, a Directiva de Seveso incluiu um artigo específico sobrecomunicação preventiva de riscos, o qual rege que as pessoas sejam informadas sobre osriscos (perigos) aos quais estão expostos, sobre as medidas de segurança que a indústriatenha implementado e sobre como devem proceder no caso de um acidente. Ou seja, éuma combinação de dois princípios, como comenta Marchi (2002): “o direito de saber” aque riscos (perigos) estão expostos e o “da necessidade do saber”, considerando que,quando sabem, as pessoas podem se preparar para melhor agir em caso de um desastrequímico.Porém, esta não foi uma tarefa fácil. A pesquisadora cita que na época houve muitaresistência na Europa, porque tanto as autoridades como os representantes das indústriaspartiam da premissa de que as pessoas não deveriam ser informadas sobre os riscos aosquais estavam expostas, “pois não entenderiam”. Mas havia outros fatores implícitos: oreceio de que a imagem das indústrias pudesse ser comprometida com divulgação destainformação, a incerteza de que as informações transmitidas poderiam desenvolver
  8. 8. desconfiança e pânico, o despreparo do governo e das empresas para dialogar com apopulação, a indisponibilidade de recursos financeiros e as divergências entre osespecialistas sobre os seguintes questionamentos:- Quais informações deveriam ser transmitidas à comunidade?- O que poderia ser abordado e o que não poderia?- Como deveriam ser transmitidas estas informações?- Qual tipo de acidente deveria ser abordado? O mais provável (menos perigoso) ou omenos provável (mais perigoso)?- A quem deveria ser transmitida estas informações (público alvo)?- Informar apenas bastaria ou precisaria haver acompanhamento?- Quais os meios a serem empregados neste processo de comunicação?- Como preparar a comunidade para agir em situações de emergência?- A comunidade também poderia colaborar comunicando um vazamento? 5Respostas a estas e outras perguntas são fundamentais para nortear e embasar oprocesso de informação e de comunicação de riscos até hoje.Também após Bhopal, o congresso dos EUA exigiu que se tornassem públicas todas asinformações sobre riscos industriais, acompanhando os planos de emergência. Em 1986veio o decreto CommunityRighttoKnowAct e depois, em 1990, a seção 112 do CleanAir Act (JOHNSON e CHESS, 2003). Assim, as indústrias químicas deveriam elaborarprogramas de gerenciamento de risco (PGR), contemplando os piores cenáriosacidentais, envolvendo a liberação de substâncias químicas tóxicas ou inflamáveis àcomunidade circunvizinha e divulgar publicamente. Pelo menos um “grupo ativista local”,ou seja, associação de moradores ou grupos ambientalistas deveriam trabalhar juntoscom a indústria para publicar o “Guia do Cidadão”, no qual constariam explicações sobreo PGR e sobre as possíveis conseqüências dos acidentes.A exemplo do que aconteceu na Europa, Johnson e Chess (2003) comentam que estaexigência gerou muita polêmica nos EUA. As indústrias ofereciam resistência pensando
  9. 9. na sua imagem e segurança, justificando que a divulgação dos piores cenários poderiaalarmar as pessoas e facilitar eventuais ataques terroristas. Os ambientalistas julgavamque o conhecimento dessas informações era importante como um meio de proteção àsaúde pública. A Agência Ambiental dos Estados Unidos (USEPA) por sua vez, tentavaconvencer a indústria sobre a utilidade deste processo. O governo decidiu então limitar apublicidade sobre os detalhes dos piores cenários. Por fim, foram publicados váriosfolhetos a respeito, os quais receberam críticas de sindicalistas e ambientalistas. Noentanto, o trabalho foi feito.3.4. Programas internacionais de apoioOs desastres químicos mencionados motivaram as instituições internacionais amobilizarem esforços para desenvolver programas de apoio, tanto nas ações deprevenção como de preparo para enfrentar ocorrências de grande porte, como tambémpara fornecer material de apoio visando embasar trabalhos de informação e decomunicação de riscos. Além da Directiva de Seveso, já comentada, destacam-se:CAER: Community Awareness and Emergency ResponsePrograma, criado em 1985, coordenado pela CMA (ChemicalManufacteursAssociation)ou Associação dos Fabricantes Químicos dos EUA. Objetiva desenvolver planos locais deresposta às emergências químicas, integrando os planos das indústrias, atendendo aosórgãos governamentais e a comunidade. Para saber mais: http://www.caer-mp.org;Prevenção de acidentes industriais maiores da OIT:Programa de recomendações para a prevençãode acidentes industriais ampliados daOrganização Internacional do Trabalho (OIT), que visa auxiliar os países no controle damanipulação de substâncias perigosas, a fim de proteger os trabalhadores, a população eo meio ambiente. Para saber mais: http://www.ilo.org/global/lang--en/index.htmIPCS – International Programme on Chemical SafetyPrograma desenvolvido a partir de 1980, conjunto pelo Programa das Nações Unidas parao Meio Ambiente (no inglês UNEP), pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela
  10. 10. Organização Internacional do Trabalho (OIT). Visa fornecer informações científicas, emâmbito internacional, para que os países possam desenvolver suas próprias ações desegurança química e também, para que mediante a cooperação internacional, possam 6fortalecer os meios de prevenir as emergências químicas e remediar suas conseqüências.Para saber mais acesse: http://www.who.int/ipcs/en.APELL - Awareness and Preparedness for Emergency at Local LevelO Processo de Preparação e Alerta para Emergência Local foi elaborado pelo Programadas Nações Unidas para o Meio Ambiente (no inglês UNEP) a partir de 1988. Tem porfinalidade preparar e orientar a comunidade para agir em situações de riscos abrangendoatividade industrial, rodoviária, portuária, de mineração e também desastres naturais.Baseia-se na cooperação entre instituições públicas, privadas e comunitárias. Esperapromover maior conscientização e desenvolver melhor capacidade de mobilização dacomunidade local, quanto aos perigos aos quais está exposta diante de um grandeacidente. Também visa preparar os serviços de atendimento em situações de emergência,com adequados sistemas de informação e de coordenação, minimizando a situação depânico e otimizando o atendimento às pessoas. Para saber mais:http://www.uneptie.org/pc/apell4. Processo de informação e comunicação de riscosO processo de informação e de comunicação se faz presente nas emergências químicas,tanto nas ações de prevenção como nas operações de resposta (quadro 1):Quadro 1: Processo de informação e comunicação de riscosem emergências químicasAções de prevençãoAções de respostaElaboração de estudos de análise de risco emuma empresa ou outra fonte potencialInformação do sinistro aos órgãoscompetentes
  11. 11. Identificação dos principais problemas decomunicação existentes na empresa (aspectoshumanos e operacionais)Acionamento das equipes de combateInformação dos resultados obtidos nos itensanteriores aos funcionários da empresaAvaliação do cenário acidental e tomada dedecisões no processo de atendimentoElaboração do plano de comunicação daempresa, internamente e com órgãos externosCoordenação da operação de emergênciaRealização de treinamentos e simulados sobrecomunicação e sobre ações de resposta naprópria empresa e com atores externosOrientação às equipes envolvidas nasfrentes de trabalhoDesenvolvimento de estudos de percepção deriscos com os funcionários da própria empresaAvaliação das conseqüências(danos àsaúde pública, à segurança, ao meioambiente)Identificação e caracterização da comunidadecircunvizinhaContato com a comunidadeDesenvolvimento de estudos de percepção deriscos com a comunidade circunvizinhaRepasse de informações técnicas à mídia
  12. 12. Preparação da comunidade para agir emsituações de emergênciaDivulgação de informações e imagens pelamídiaCapacitação de profissionais envolvidos nasemergências químicas para comunicaçãoDecisão para o encerramento dos trabalhose avaliação dos prós e contras da operação4.1. Ações de prevenção 7Para minimizar as consequencias negativas à sociedade e ao meio ambiente decorrentesdos desastres químicos, o processo de comunicação de riscos deveria constar do planode ação de emergência da empresa (este assunto será abordado no item 5.1.2).4.1.1. Plano de comunicação de riscos com a comunidadeTendo como base o Estudo de Análise de Risco, a empresa pode ter melhorconhecimento sobre os possíveis cenários acidentais e sobre os riscos individuais, sociaise ambientais associados a sua atividade e assim embasar o plano de comunicação com apopulação do entorno. Porém é preciso definir claramente se o cenário de pior descargaserá o enfoque principal ou não e qual será o público alvo.Beth Fernandes, da “Elabore Assessoria Estratégica em Meio Ambiente”, especialista emcomunicação de riscos, ressalta que antes da empresa estruturar o plano de comunicaçãocom a comunidade do entorno da empresa, é fundamental iniciar este processo em seuinterior, mesmo porque muitos dos seus funcionários podem residir nas imediações etransformarem-se em agentes facilitadores de contato com moradores dos bairros maispróximos (Ambiente Global, 2006).Entre os principais temas a serem abordados neste trabalho destacam-se: avaliação doscenários acidentais, elaboração dos critérios de tolerabilidade, identificação dos riscosobjetivos e subjetivos, avaliação dos impactos socioambientais previstos, conhecimento
  13. 13. sobre as fichas de identificação de segurança dos produtos químicos manipulados pelaempresa (FISPQ), avaliação sobre os procedimentos de segurança e divulgação doconteúdo do plano de ação de emergência da empresa, procedimentos de abandono erotas de fuga. Estes temas também podem compor o processo de comunicação com acomunidade, o qual poderia ser norteado pelos seguintes procedimentos, elaborados combase nas metodologias que vêm sendo empregadas para implantação do programaAPELLA. Identificação do público alvo: com base nos estudos de análise de risco é possívelidentificar quais seriam os bairros ou áreas mais vulneráveis em caso de cenário acidentalde pior caso (situados na zona quente e morna);B. Caracterização do público alvo: por meio da aplicação de questionários e entrevistasaos moradores dos bairros escolhidos é possível obter as seguintes informaçõesfundamentais para subsidiar a estrutura do plano de evacuação: faixa etária, deficiênciasde mobilidades (pessoas com muletas ou em cadeira de rodas), deficiências visuais eauditivas, presença de animais domésticos, disponibilidade de meios de locomoçãopróprio, meios de comunicação mais utilizados (rádio, televisão), possíveis rotas de fuga.Também nesta fase pode-se identificar pessoas que apresentem perfil de liderança;C. Pontos de encontro social: identificação de locais mais freqüentadospelacomunidade tais como clubes, centros religiosos, escolas, entre outros. Este levantamentotambém ajudará a encontrar locais que poderiam ser eventualmente utilizados comoponto de encontro e de abrigo em caso de emergência, sendo importante avaliar se estásituado na zona fria, isto é, fora de perigo.D. Elaborar estratégias de aproximação da empresa com a comunidade, visandotransmutar medos e incertezas quanto às atividades perigosas desenvolvidas pelainstalação, mostrando investimentos na área de segurança, saúde e meio ambiente. Estafase pode contemplar a organização de visitas monitoradas ao interior da própria 8empresa; a aplicação de pesquisa sobre percepção de riscos, a visita de representantes
  14. 14. da empresa às escolas, a organização de concursos literários e/ou desenhos sobre temasrelacionados com percepção de riscos; utilização de pontos de encontro social paraapresentação de filmes famosos juntamente com filmes institucionais; a promoção deeventos culturais preparados pela própria comunidade (feira de ciências, apresentaçõesteatrais ou musicais), a divulgação de material informativo por meio de folhetos, cartazes,jornais da cidade e informes nos programas das rádios locais.Marchi (2002) considera também importante desenvolver estes tipos de atividades paraque as pessoas possam ouvir, compreender e confiar nas informações recebidas e depoisassimilá-las e implementá-las no seu dia-a-dia. Ela acredita que não basta que ainformação seja disponibilizada às pessoas, é preciso criar mecanismos de aprendizadopara fixar estes conceitos, partindo do pressuposto que as pessoas esquecem ainformação recebida e que, em função de alterações nas atividades da empresa, é precisoque sejam atualizadas.E. Estruturar o plano de ação de emergência junto com a comunidade: organizar umgrupo de trabalho participativo, com lideranças dos moradores e pessoas de confiança dacomunidade tais como representantes de associações de moradores, de escolas, decentros religiosos e de clubes como também de instituições oficiais com as quais tenhambastante credibilidade, a exemplo do corpo de bombeiros e da defesa civil, entre outras.Apresentar, de maneira simples, didática e interativa, o resultado da pesquisa sobrepercepção de riscos, caso tenha sido realizada, os principais objetivos do plano, oscenários acidentais, os perigos aos quais a comunidade poderá estar exposta, as açõesde prevenção e de resposta previstas. Elaborar, em conjunto, procedimentos de alerta, demobilização e evacuação (caso seja necessário) dos moradores e dos animais deestimação; a definição das rotas de fuga, dos meios de transporte a serem utilizados, dospontos de encontro e das áreas de abrigo. Esta etapa é bastante trabalhosa, pois podeser necessário gerenciar vários tipos de conflitos.Nardocci (2002) comenta que as pessoas tendem a perceber riscos menores se elas
  15. 15. percebem benefícios maiores, ou seja, se perceberem que há algum tipo decompensação. No entanto alerta que esta associação nem sempre é diretamenteproporcional, isto é, nem sempre a população estará disposta a trocar um risco por umbenefício e nem todos os riscos poderão ser compensados. Johnson e Chess (2003)identificaram que as pessoas que são de alguma forma dependentes da indústria(funcionários ou parente de funcionários) tendem a apresentar uma visão mais positiva dainstalação do que as que não possuem nenhum vínculo.F. Colocar em prática o plano de preparação e alerta: organizar treinamentos teóricose práticos com a comunidade tais como de primeiros-socorros, de combate a incêndio,atividades recreativas envolvendo a evacuação pelas rotas de fuga até os pontos deencontro e, por fim, organizar simulados abertos, os quais poderiam ser encerrados comalguma apresentação musical e/ou “festividade” gastronômica, de acordo com oscostumes e tradições culturais do local.5. Comunicação de riscos nas ações de combateA imediata informação sobre o início da ocorrência aos órgãos competentes é defundamental importância para minimizar as conseqüências das emergências químicas. 95.1. Informação e comunicação no início da ocorrênciaA informação imediata do acidente ambiental aos órgãos competentes, pela empresaavariada, deve ser feita logo após a constatação do vazamento. Esta atitude éfundamental para otimizar toda a operação de resposta e para minimizar asconseqüências socioambientais.No Brasil, este procedimento é obrigatório pelas Leis Federais n° 9.605/1998 - Art. 14(BRASIL,1998) e n° 9.966/2000 - Art. 22 (BRASIL, 2000).5.1.1 Atores envolvidosO acidente ambiental poderá ser constatado e informado pelos seguintes atores:- operador ou vigilante, no caso de tratar-se de uma instalação industrial, portuária, deum terminal químico ou petroquímico, por exemplo;
  16. 16. - policial civil ou militar ou ainda representante de uma empresa concessionária derodovias e ferrovias;- representante de postos de gasolina (posto retalhista e de revenda de combustíveisautomotivos);- representante da sociedade.Posteriormente, outros personagens vão sendo envolvidos, tais como: o coordenador daoperação; as equipes de campo, responsáveis pelas atividades de contenção,recolhimento e transferência da substância química liberada; os representante do poluidore do órgão ambiental; os profissionais de defesa civil, corpo de bombeiros, socorromédico e segurança; e as pessoas encarregadas de prestar suporte logístico necessário(fornecimento de energia, de equipamentos, de alimentação e de transporte).Parafraseando Rector e Neiva (1997), o Sistema de Comunicação de Riscos emEmergências Químicas é um processo dinâmico e adaptativo porque começa de maneirasingela, basicamente entre a pessoa que informa o vazamento de uma substânciaquímica e o receptor desta mensagem, que é quem começa a adotar providências paracontrolar a situação. Gradativamente, este sistema passa por um processo dealimentação, a medida em que engloba novos personagens e inúmeras seqüências demensagens. Fatos e opiniões vão e voltam (feedback e feedforward), em situações muitasvezes inusitadas, as quais exigem muito esforço de todos para se fazerem entendidos,principalmente na coordenação da emergência.5.1.2. Plano de comunicação da empresaPara otimizar as ações de resposta a emergências químicas é fundamental dispor de umplano de comunicação interno (da empresa) e externo.O plano de comunicação da empresa contempla a elaboração de listagem contendonomes e meios de contato (numerais telefônicos e freqüência de rádio) a serem utilizadosem caso de emergência e a disponibilização desta listagem em local de fácil visualização.Feito isto, deve-se criar o hábito de promover testes de comunicação entre os operadores
  17. 17. e os gerentes (em horário comercial e fora do expediente) e avaliar pontos de melhoria:linguagem utilizada, quantidade e qualidade dos aparelhos empregados e identificação depontos neutros onde rádios ou telefones móveis não funcionam. 10Além do plano de comunicação interno, a empresa deve elaborar e manter atualizado oplano de comunicação externo, abrangendo nomes e meios de contato com todas asinstituições que podem ser envolvidas em caso de emergência. Para ser validado tambémé fundamental organizar simulados freqüentes e em horários alternados, do dia e da noite.Igualmente importante é verificar se os rádios comunicadores de uma empresaconseguem sintonia com os rádios comunicadores de outras instituições, como porexemplo, do corpo de bombeiros e da defesa civil. Deve-se também identificar pontosneutros.Após a realização de um exercício simulado ou de uma operação de emergência, érecomendável que a gerência da empresa se reúna com as equipes envolvidas nas açõesde combate para avaliar a qualidade da comunicação no evento e apontar asnecessidades de melhoria.5.1.3. Qualidade da comunicação nas emergências químicasSegundo Henderson (2004), assume-se freqüentemente que as causas primárias dosacidentes, por exemplo nas indústrias e nos terminais químicos, estão relacionadas comdeficiências por parte dos indivíduos envolvidos, tais como falhas em cumprircompletamente o seu trabalho, imprudência nos procedimentos operacionais, falta decompetência entre outros motivos. Pouca importância é atribuída a outros tipos de causacomo deficiências no treinamento, deficiência nas instruções por parte dos supervisores,falta de acompanhamento gerencial, erros nos procedimentos operacionais e falhas nomodelo de comunicação, que podem criar pré-condições para os acidentes. Para ele, aqualidade da comunicação é fundamental.A eficiência e a clareza das informações e das instruções entre a sala de controle e osoperadores que estão na área externa da instalação, bem como entre a sala de controle e
  18. 18. todos os demais setores da empresa é muito importante para evitar falhas decomunicação e erros operacionais. Além destes fatores, a qualidade da comunicaçãotambém depende do bom funcionamento dos rádios comunicadores e dos aparelhostelefônicos disponíveis. Caso contrário, em caso de uma emergência química, a eficiênciadas ações de combate poderá ser comprometida e os impactos socioambientais poderãoser amplificados.Exemplos de falhas simples na qualidade da informação:- A sala de controle de um órgão que atende emergências químicas é informado dovazamento de uma industria, mas a pessoa que recebeu a ligação não se atentousobre o endereço correto da instalação e repassou uma informação equivocada para aequipe de plantão, a qual teve dificuldade para chegar ao local do acidente;- Um caminhão-tanque carregado com produto químico colidiu com outro caminhãotanqueque estava vazio. As primeiras informações que chegaram sobre o número daONU do produto vazado foram do caminhão vazio, ou seja, de um produto inflamávele tóxico, quando na verdade se tratava apenas de um produto inflamável.Exemplo de uma falha mais complexa:11O acidente da Baía da Guanabara, Rio de Janeiro (Brasil), ocorrido em 2000, ilustra aimportância da qualidade da comunicação, principalmente no início de uma ocorrência.Devido ao rompimento de um oleoduto houve o vazamento de 1.300 m³ de óleocombustível marítimo (MF 380), o qual causou grave impacto ecológico e socioeconômicona região. O bombeamento do produto, da refinaria para o terminal de armazenamento,foi iniciado a uma hora da manhã. A suspeita do vazamento começou por volta das 05hs,quando operadores do terminal observaram a diferença entre volumes bombeado erecebido, havendo divergência de opiniões entre os operadores de ambas as instalações.Durante a inspeção às 05h25, nenhuma anormalidade foi encontrada na linha, mas adiferença de volume continuava. Isto indica que, mesmo na dúvida de um eventualvazamento, o bombeamento não foi interrompido. O gerente da refinaria foi informado às6h50. O vazamento só foi realmente constatado às 09h45, quando uma grande mancha
  19. 19. de óleo foi avistada por sobrevôo (MILANELLI et alli, 2000). Estas falhas de comunicaçãoretardaram as ações de combate.Portanto, Henderson (2004) estava correto ao afirmar que a “qualidade da comunicação éfundamental”.Assim, para evitar a amplificação dos riscos e das suas conseqüências é fundamental queas fontes potenciais de acidentes ambientais como indústrias, terminais químicos epetroquímicos, empresas responsáveis pelo transporte de cargas perigosas entre outras,possuam um bom plano de comunicação, contendo procedimentos que devem seradotados internamente, acionando as pessoas responsáveis dentro da empresa, mesmoem caso de dúvida de uma ocorrência real. Adicionalmente também é prioritário conterprocedimentos para acionamento das instituições que devem ser informadas a respeitodas emergências químicas, como órgãos ambientais e da saúde, corpo de bombeiros,defesa civil, empresas especializadas em ações de combate, hospitais entre outros.5.2 Processos de comunicação nas operações de respostaConsiderando que o porte da ocorrência varia conforme o volume liberado como tambémcom o tipo da substância química envolvida e a sensibilidade da área atingida, entende-seque há dois processos diferentes de comunicação em emergências químicas: umenvolvendo ocorrências de pequeno porte e outro envolvendo ocorrências de médio a degrande porte, tendo em comum apenas os procedimentos iniciais.O primeiro caso abrange mensagens sobre a detecção e a interrupção da fonte dovazamento, o tipo de produto envolvido, as ações de combate pertinentes e asconseqüências geradas as quais espera-se que sejam reduzidas, pois são poucas aschances de causar danos ecológico e social. Já, nos casos de médio e de grande porte, adinâmica é maior. No segundo caso, o processo de comunicação inicial é idêntico aoanterior, porém, como o volume liberado é superior e trata-se de uma substânciaperigosa, maiores serão as dificuldades para a sua contenção e remoção na fonte dovazamento nas primeiras horas, sendo necessário empregar e orientar mais trabalhadores
  20. 20. nesta operação, as vezes devidamente equipados.As possibilidades de impacto ecológico e social também serão maiores, devido àiminência de que áreas sensíveis sejam atingidas, tais como residências, mananciais,estações de captação de água, praias, manguezais e unidades de conservação, entreoutras. Assim sendo, as chances de haver vítima e mortandade de aves e peixes sãoamplas, sendo então necessário criar mais frentes de trabalho e requisitar a presença deespecialistas. Voluntários poderão ser chamados para auxiliar e, para tanto, necessitarão 12ser instruídos a respeito de como devem agir. Com certeza, esses acidentes atrairão aatenção da mídia, de curiosos, de oportunistas e das autoridades.O fluxo de comunicação em uma operação de emergência envolve, assim, vários atores,sendo que cada um deles tem sua visão particular dos fatos, seus interesses a defender esua própria percepção de risco ambiental. Esses atores apresentam conjuntos específicosde comportamento, ditados pelas regras de convivência ou por imposições dos sistemasdos quais participam. Esses comportamentosrecebem diversos tipos de influências,provenientes da própria situação tensa de gerenciar um evento indesejado e inesperado,como também das pressões que surgem de todos os lados, ansiando para que tudo sejaminimizado o mais breve possível (POFFO, 2006).Os “entrechoques dessas influências”, como cita Amaral e Silva (2004), podem ocasionarsituações conflitantes, muitas vezes “incontornáveis” entre os envolvidos e, inclusive,influenciar o bom andamento dos trabalhos em campo. Depois, com o passar dos dias, asfrentes de trabalho diminuem, a operação de emergência chega ao fim e todos voltam àsatividades rotineiras.5.2.1 Recursos de comunicação empregados nas emergências químicasMuitos são os recursos empregados pelos técnicos envolvidos nas emergências químicas,entre eles mesmos e entre eles e os outros atores. Adaptando-se o modelo proposto porRuesch e Bateson (apud BERLO, 1989), podem ser citados:- comunicação falada: uso da voz por intermédio de aparelhos de comunicação tais
  21. 21. como rádios e telefones, para transmissão de informações entre os técnicosenvolvidos nas operações de campo e entre eles e a coordenação geral;- comunicação escrita: transmissão de informes e relatos sobre a ocorrência e sobre oandamento das atividades entre os técnicos envolvidos na operação e entre ocoordenador e as autoridades, realizada por fax símile ou por correio eletrônico;- comunicação gestual: uso de sinais com as mãos, basicamente entre os técnicos queestão em campo, nas várias frentes de trabalho;- comunicação impressa: divulgação de notícias sobre o evento pela mídia, em jornaislocais, regionais, nacionais e internacionais;- comunicação por símbolos: uso de linguagem simbólica por meio de placas, tais comoos símbolos usados no transporte de produtos perigosos e placas de advertênciautilizadas em áreas industriais, portuárias e em rodovias entre outros locais;- comunicação individual: ocorre quando os profissionais envolvidos praticam o diálogointerno, refletindo sobre fatos ocorridos e opiniões dos colegas;- comunicação grupal: ocorre entre os membros das diversas frentes de trabalho, bemcomo nas reuniões de avaliação das tarefas desenvolvidas;- comunicação em massa: ocorre quando os informes sobre as operações deemergência são transmitidas pelo rádio, pela televisão ou pela internet;- comunicação não verbal: manifestada pelas diversas formas de expressão facial, taiscomo cansaço, irritabilidade, descontentamento, alegria e satisfação, entre outras.5.2.2 Algumas recomendaçõesHá algumas recomendações que podem ajudar a evitar situações conflitantes nogerenciamento das emergências químicas, por exemplo: 13- Perguntar o nome da pessoa com quem está falando, seu telefone e o endereço dolocal onde ocorreu o acidente, com alguma referência nas proximidades;- Perguntar qual é o produto vazado e o número da ONU;- Confirmar se houve vazamento e se já foi controlado;
  22. 22. - Perguntar se houve vítimas, feridos e se áreas sensíveis foram impactadas;- Solicitar confirmação ao receber e emitir uma informação;- Conferir se os rádios comunicadores estão todos na mesma frequencia;- Combinar alguns sinais que poderão ser usados pelos técnicos quando estiveremusando máscaras de proteção respiratória, as quais dificultam a comunicação oral;- Acordar reunião prévia entre equipes, antes de passar informações ao coordenador.Por exemplo, quando um cenário acidental abranger locais distantes do ponto dovazamento e for necessário dividir as equipes técnicas para vistorias por via terrestre,aérea e/ou aquaviária. Os técnicos devem levar mapas ou croquis da região, câmarafotográfica, aparelhos de GPS e tomar nota do que foi observado, incluindo ascoordenadas geográficas. Ao retornar das vistorias, devem se reunir, compartilhar ecomparar os dados obtidos e então passar as informações unificadas ao coordenadorda operação;- Evitar empregar termos muito técnicos e de língua estrangeira quando estiverpassando orientações para pessoas simples que estiverem trabalhando na operação.5.3 Ruídos de comunicação e percepção de riscos nas operações de emergênciaOs ruídos de comunicação ou interferências no processo de comunicação podem afetar odesempenho satisfatório da missão de gerenciar as emergências químicas. Por ocasiãodesses acidentes, vários atores interagem no sentido de realizar o atendimentoemergencial, sempre com a finalidade de preservar à saúde e a segurança dacomunidade, bem como minimizar os efeitos negativos aos ecossistemas.Dependendo do tipo e local da ocorrência, podem estar presentes os seguintes atores:- técnicos do órgão ambiental, municipal, estadual e/ou federal;- representantes da prefeitura municipal;- representantes de indústrias;- representantes de empresas de transporte;- corpo de bombeiros;
  23. 23. - polícia rodoviária, estadual ou federal;- capitania ou delegacia dos portos (Marinha do Brasil);- defesa civil, municipal ou estadual;- autoridades diversas, dependendo do porte do evento e do momento político;- representantes de universidades;- jornalistas;- pescadores, agricultores, membros da comunidade;- representantes de organizações não governamentais;- empresas diversas, prestadoras de serviço;- equipes técnicas, especializadas em emergências químicas.Todos possuem distintas formações, profissionais e culturais, funções e atribuiçõespróprias, bem como interesses diversos e apresentam diferentes percepções dos riscosque os acidentes ambientais podem causar à segurança, à saúde das pessoas, à 14segurança do patrimônio público e privado e aos recursos naturais (POFFO, GOUVEIA eHADDAD, 2005).Alguns casos reais, citados por estes autores, ilustram exemplos de ruídos decomunicação envolvendo emergências químicas:- Acidente rodoviário com produto químicoDurante o atendimento a uma carreta-tanque que transportava estireno (substânciainflamável), tombada em uma rodovia de grande movimento, os técnicos do órgãoambiental solicitaram por telefone, a interdição total da pista ao representante daadministradora da rodovia, devido à iminência de incêndio e explosão enquanto rumavampara o local. Eles foram informados que somente poderia haver a interrupção parcial dotráfego e, para tanto, seria providenciada a sinalização de segurança. Quando láchegaram, os técnicos constataram que o entorno da carreta avariada estava sinalizadocom diversas latas contendo óleo combustível em chamas no seu interior, sem quetivesse atentado para a simbologia de produto inflamável, afixada no veículo. Para o
  24. 24. representante da administradora da rodovia, tratava-se apenas de mais um acidente detrânsito e não de uma ocorrência envolvendo uma substância química perigosa.Felizmente, nada grave ocorreu.Lições a serem aprendidas: (1) houve ruído de comunicação, pois o receptor damensagem ou não ouviu por completo as recomendações do órgão ambiental ou nãocompreendeu que se tratava de um produto inflamável e, portanto não informoucorretamente a pessoa encarregada de providenciar a sinalização da pista; (2) falha nacomunicação por símbolos, pois a placa de identificação de produto inflamável docaminhão não foi percebida (ou seu significado era desconhecido) e (3) baixa percepçãoda possibilidade de explosão, expondo a segurança de muitas vidas.- Contaminação de poços dágua por solventeNa Região Metropolitana de São Paulo poços dágua de diversas residências foramcontaminados por solvente, proveniente de descarte clandestino. Os moradores estavamincomodados com o mal cheiro e receosos com a possibilidade de um incêndio.Representantes do órgão ambiental e do corpo de bombeiros monitoraram a área eavaliaram que não havia perigo. A imprensa estava no local também, fornecendo imagensao vivo para importante telejornal de alcance nacional. O apresentador, ao tomarconhecimento da situação e do receio dos moradores, aconselhou as pessoas a deixaremsuas residências, deliberadamente, alertando sobre a possibilidade de ocorrer incêndio eexplosão. Mesmo após informações prestadas ao telejornal pelos representantes doórgão ambiental, dos bombeiros e da defesa civil, esclarecendo que a situação estava sobcontrole e que não havia perigo de incêndio, o apresentador permanecia questionando acondução dos trabalhos destas autoridades e continuou a orientar aos moradores,segundo o seu entendimento, gerando muito mal estar emocional. A comunidade somentenão entrou em pânico porque confiou no órgãos presentes no local.Lições a serem aprendidas: (1) a desastrosa interferência que a mídia pode proporcionarà uma ocorrência, colocando em dúvida o trabalho de equipes experientes em lidar com
  25. 25. emergências químicas, sem qualquer embasamento técnico e (2) a importância dacredibilidade dos moradores nos órgãos envolvidos. 15A credibilidade é essencial para comunicação de riscos, principalmente para que asorientações fornecidas pelas autoridades sejam seguidas pela população. Se for afetadapor um simples lapso de comunicação toda a conduta ética da operação poderá serquestionada o que agravará o cenário. Há instituições que possuem maior credibilidadejunto à sociedade do que outras. A boa imagem pública deve ser cultivada antes dasemergências ocorrerem.- Vazamento de óleo por transporte marítimoPor ocasião do vazamento de óleo durante o abastecimento de um navio em áreaportuária, o repórter de importante jornal local perguntou a um dos técnicos do órgãoambiental sobre qual seria o volume vazado e qual seria a dimensão dos danosambientais. O técnico, que havia acabado de chegar ao local, respondeu que ainda nãoera possível calcular o volume vazado, pois necessitava avaliar o cenário e obter maioresinformações sobre a situação. No dia seguinte, este jornal trouxe em primeira páginamanchete intitulada: “quantidade incalculável de óleo é lançada ao mar”.Lições a serem aprendidas: (1) ruído de comunicação, pois a mensagem emitida pelotécnico não foi claramente recebida pelo repórter; (2) o tempo da mídia é o imediatismo,pois precisam obter informações rápidas e depois deixar o local em busca de outrasnotícias ou direcionar-se até o órgão de imprensa; (3) a tendência da mídia em divulgarnotícias tendenciosas e magnificar o acidente ambiental, o que muitas vezes podeprejudicar o trabalho técnico e gerar reações adversas da população e das autoridades.- Contaminação de manancial por transporte rodoviárioEm 1997, em decorrência do tombamento de uma carreta-tanque às margens de umarepresa, ocorreu o vazamento de 29.000 L de BTEX (mistura de benzeno, toluenoetilbenzen e xileno), seguido de incêndio. O vazamento contaminou o solo, a represa ecausou mortandade de peixes e aves. Considerando a periculosidade da substância
  26. 26. envolvida e a sensibilidade da área afetada (fornecimento de água potável à milhares depessoas, usos para recreação e pesca), o órgão ambiental sugeriu à defesa civil queafixasse faixas informativas (comunicação visual) e distribuísse folhetos à comunidade(comunicação impressa), informando o ocorrido e orientando-a para não utilizar a represanas proximidades do local do acidente, até a sua liberação. Nos dias subseqüentespodiaseobservar pessoas pescando.Lições a serem aprendidas: (1) a iniciativa de alertar à comunidade foi correta e (2) acomunicação não foi totalmente eficaz, pois não atingiu plenamente seu objetivo, porquea comunidade “não soube ler e interpretar” os informes ou porque os meios empregadosnão foram muito didáticos ou ainda porque a mensagem foi negligenciada por eles.6. Comunicação com a mídiaAristóteles definiu o estudo da retórica (comunicação) como a procura de “todos os meiosdisponíveis de persuasão”, isto é a tentativa de levar outras pessoas a adotarem o pontode vista de quem fala (Roberts, 1946 apud BERLO, 1989). Esta forma de ver o objetivo dacomunicação continuou até o final do século XVIII, embora a ênfase tivesse alterada umpouco para a tendência de procurar perceber o que houvesse “de bom” em quem falava.Em pleno século XXI, mesmo com os avanços tecnológicos nos meios de comunicação, aênfase persuasiva da intenção comunicativa não desapareceu. 166.1 Dicas para melhorar o relacionamento com os meios de comunicaçãoCom base nas experiências práticas vivenciadas no atendimento às emergênciasquímicas, são elencadas algumas sugestões para otimizar o processo de informação e decomunicação de riscos entre os técnicos envolvidos nas ações de combate e osprofissionais dos meios de comunicação ou da mídia.6.1.1 Trabalhando pontos de conflitoMuitas vezes, o jornalista é percebido como uma pessoa causadora de problemas e quepoderá prejudicar os trabalhos que estão sendo realizados. Isto pode ser devido alembrança de experiências desagradáveis já vivenciadas pelos próprios técnicos ou porseus colegas diante da mídia; pela tendência dos jornalistas em “deturpar” ou “distorcer”
  27. 27. as informações fornecidas pelo corpo técnico, moldando-as tendenciosamente de acordocom seus interesses; ou mesmo pela insegurança em dar uma entrevista.No entanto é preciso levar em consideração que o jornalista é uma pessoa exercendo suaatividade profissional com a incumbência de fazer essa reportagem. É bem verdade quehá despreparo, tanto dos entrevistados como dos entrevistadores, em transmitir fatos eopiniões pertinentes às emergências químicas. Este problema poderia ser solucionadocom cursos de capacitação para ambas as partes.Outro ponto de conflito se deve ao fato de que nem sempre os técnicos dispõem deinformações precisas quando entrevistados, por exemplo, por estarem na dependência dereceber retorno das equipes que estão avaliando a área afetada. Por outro lado, a mídianecessita de respostas imediatas para rapidamente elaborar a matéria e divulgá-la e,nessa ansiedade de obter fatos e imagens inéditas, podem muitas vezes colocar tanto àsua própria segurança em perigo como prejudicar o trabalho em campo.6.1.2 Otimizando as entrevistasO problema das entrevistas poderia ser solucionado combinando locais e horáriosadequados para as ambas as partes, talvez até duas vezes ao dia, dependendo do porteda ocorrência, considerando inclusive a hipótese de promover entrevistas coletivas,reunindo tanto representantes das várias instituições envolvidas nas ações de respostacomo representantes dos vários meios de comunicação (local regional ou até nacional).Os jornalistas poderiam ser convidados a visitar as frentes de trabalho, desde queconcordem em seguir procedimentos básicos de segurança, por exemplo, evitando aaproximação de áreas extremamente perigosas e, até se for o caso, utilizar equipamentosde proteção individual. Como necessitam de boas imagens, pode-se sugerir pontos defilmagens e fotografias a eles em áreas seguras, preferencialmente acompanhados detécnicos para prestar esclarecimentos necessários.Sugere-se também às pessoas que darão entrevistas que disponham, previamente, deinformações básicas, para responder às perguntas normalmente mais requisitadas:
  28. 28. - O que aconteceu?- O que vazou? É perigoso? Quanto vazou? Parou de vazar/Foi controlado?- O que está sendo feito para controlar a situação? 17- Há mortos e feridos? Quantos? Para onde foram/estão sendo levados?- Há animais mortos ou moribundos? Quantos? Há centro de resgate? Onde?- Quais áreas foram atingidas? A população será evacuada? Onde será levada?- Há áreas de importância socioeconômica afetada? O prejuízo já foi calculado?- Há áreas de importância ecológica afetadas? O que está sendo feito?- As praias estão impróprias? - caso de vazamentos de óleo.- Qual valor da multa?Estas são apenas algumas das perguntas que podem ser elaboradas pelos repórteres.Cada instituição, dentro das suas competências legais, deveria preparar-seadequadamente para responder ao que for lhe for mais pertinente, evitado inclusiveconflitos entre os demais órgãos envolvidos.7. Comunicação com a comunidade durante as emergências químicasQuando acontece uma emergência química em regiões urbanas, às margens de rodoviase ferrovias e mesmo em indústrias ou terminais químicos onde há residências nasimediações, entre outros casos semelhantes, a coordenação da operação deve se atentarpara a necessidade de desenvolver um trabalho de comunicação de riscos com acomunidade.Para tanto, deveria ser acionado um grupo de profissionais, de diferentes formações, paraatuar em conjunto com a coordenação da operação, por exemplo com comunicólogos,psicólogos, sociólogos e biólogos entre outros, capacitados para atuar em situações deemergência. Na ausência deste grupo multidisciplinar, poderiam ser mobilizadas pessoasque tenham conhecimento básico de emergências químicas e que tenham facilidade parase comunicar com a comunidade. Deve ser indicado quem será o “porta-voz” daoperação.
  29. 29. As informações que podem ser fornecidas à comunidade seriam:­ esclarecer que houve o vazamento do produto “x” e que estão sendo adotadasmedidas necessárias para controlar a situação;- divulgar algumas características do produto vazado, visando a adoção de medidas deproteção como manter distância do local do vazamento para evitar contaminação, nãobeber água ou pescar caso um manancial tenha sido atingido, fechar janelas e colocarpanos molhados se houver possibilidade de dispersão aérea do produto em direção àsresidências;- fornecer um telefone de contato para maiores esclarecimentos, telefone este queestaria sob orientação da coordenação da operação de emergência;- orientar para que procurem socorro médico em caso de mal estar.Entre os recursos que podem ser utilizados para comunicação com a comunidadedestacam-se:- divulgação de informes nos meios de comunicação como rádio, televisão e jornais;- distribuição de folhetos informativos;- colocação de faixas ou placas em locais onde seja proibida a pesca, o consumo deágua, o banho e o acesso à areas contaminadas até que a situação esteja fora deperigo; 18- disponibilizar uma página na internet onde mais informações poderão ser obtidascomo do órgão ambiental, da Defesa Civil e da OPAS.Um fato importante que deve ser considerado nesta situação, é que muitas pessoastendem a se aproximar do local do acidente, seja por curiosidade, seja com a intenção deajudar ou mesmo de avaliar se poderá levar alguma vantagem pessoal, por exemplo“furtando” gasolina. Portanto, é necessário reforçar certos cuidados de segurança paraevitar a aproximação de pessoas não autorizadas.Em certas situações, quando houver necessidade de evacuar residências e quandoocorrer incêndio e/ou explosão, é recomendável solicitar apoio policial para garantir a
  30. 30. retirada das pessoas e a segurança pública.Para saber mais sobre Comunicação de Riscos acesse:http://www.bvsde.paho.org/cursocr/e/index.php8. Considerações finaisOs casos citados ilustram a necessidade de haver maior preparo dos técnicos envolvidosnas emergências químicas para saber se comunicar com a população e com mídia, sejanas ações de prevenção seja nas ações de combate. Por outro lado, é preciso que osprofissionais de mídia sejam melhor preparados para atuarem em situações deemergência, principalmente com o intuito de informar e não de alertar.Nos acidentes químicos ampliados, a qualidade das informações e a clareza dacomunicação pode ser afetada por fatores operacionais, pela qualidade dosequipamentos utilizados e também por fatores emocionais. Emissores e receptoresacabam por confundir fatos com opiniões e com sentimentos pessoais, principalmente nassituações de crise, quando estão cansados e estressados. O cenário tende a ficar maiscomplexo quando resulta em óbitos, pessoas intoxicadas, água potável contaminada,morte de animais domésticos e carismáticos, por exemplo, golfinhos (POFFO, 2006).A comunicação de riscos nas emergências química, dentro das instituições, entre asinstituições, com a comunidade e com a mídia, é uma ferramenta de extrema importânciae é decisiva para o sucesso da operação (POFFO, GOUVEIA e HADDAD, 2005). Portantomerece ser constantemente aperfeiçoada.9. Bibliografia

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