1 capitulo maria

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MARIA | ELIANA PORTELLA
384 páginas | 16 x 23 | 581 gramas | 1ª Edição | R$ 39,90
ISBN: 978-85-7855-156-8| EAN: 9788578551568
Assunto: Romances | Subcategoria: Literatura Brasileira

Publicada em: Educação
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1 capitulo maria

  1. 1. Todos os direitos reservados à editora. Publicado por Giz Editorial e Livraria Ltda.Rua Machado Pedrosa, 22 – Sala 5 – Jd. São Paulo São Paulo – SP – CEP: 02045-010 Website: www.gizeditorial.com.br E-mail: giz@gizeditorial.com.br Tel/Fax: (11) 2925-4129
  2. 2. el ia na p orte ll aMaria São Paulo, 2011
  3. 3. © 2011 de Eliana PortellaTítulo Original em Português: MariaCoordenação Editorial: Simone MateusAssistente Editorial: Taciani OdyRevisão: Sandra Garcia CortésCapa e projeto gráfico: Equipe Giz EditorialImpressão: Prol Editora Gráfica Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Portella, Eliana Maria / Eliana Portella. -- São Paulo : Giz Editorial, 2011. ISBN 978-85-7855-156-8 1. Ficção brasileira I. Título.11-08526 CDD-869.93 Índice para Catálogo Sistemático 1. Ficção : Literatura brasileira 869.93 É PROIBIDA A REPRODUÇÃONenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida, copiada, transcrita ou mesmo transmitida por meios eletrônicos ou gravações, assim como traduzida, sem apermissão, por escrito do autor. Os infratores serão punidos pela Lei nº 9.610/98 Impresso no Brasil / Printed in Brazil
  4. 4. Eu sei que vou te amar Por toda a minha vida eu vou te amar Em cada despedida eu vou te amar Desesperadamente, eu sei que vou te amar E cada verso meu será Pra te dizer que eu sei que vou te amar Por toda minha vida Eu sei que vou chorar A cada ausência tua eu vou chorar Mas cada volta tua há de apagar O que esta ausência tua me causouEu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver A espera de viver ao lado teu Por toda a minha vida (Tom & Vinícius)
  5. 5. Sumáriolivro i. Eva ..................................................................................... 9 capítulo i A primeira vista .................................................................... 11 capítulo ii Enamorados ......................................................................... 19 capítulo iii Comprometidos ................................................................. 31 capítulo iv Prometidos .......................................................................... 41 capítulo v Noivando .............................................................................. 51 capítulo vi Sr. e Sra. Martin .................................................................. 59 capítulo vii Família ................................................................................ 69 capítulo viii Aflições .............................................................................. 75 capítulo ix Esperança ............................................................................ 83 capítulo x Luzes que se acendem ......................................................... 87 capítulo xi Luz que se apaga ................................................................. 93 capítulo xii Luto ................................................................................... 101livro ii. Fernanda e Luiza .................................................... 109 capítulo xiiiRenascença...................................................................... 111 capítulo xiv Infância Perdida.............................................................. 121 capítulo xv Debutantes ........................................................................ 133 capítulo xvi O primeiro amor ............................................................ 145 capítulo xvii Voo Solo ......................................................................... 157 capítulo xviii Paixões de Luiza ........................................................... 167 capítulo xix A Carta............................................................................. 185 capítulo xx Triângulo .......................................................................... 191 capítulo xxi Formatura ........................................................................ 205
  6. 6. capítulo xxiiRompimento .................................................................. 217 capítulo xxiiiReencontros .................................................................. 227 capítulo xxiv Despedidas .................................................................... 237livro iii. Fernanda .................................................................. 263 capítulo xxv Lágrimas solitárias......................................................... 265 capítulo xxvi Matheus Filippo ............................................................ 271 capítulo xxvii Amigos .......................................................................... 283 capítulo xxviii Amantes....................................................................... 293 capítulo xxix Diversão ......................................................................... 301 capítulo xxx Luigi................................................................................. 319 capítulo xxxi Amigos para sempre .................................................... 325 capítulo xxxii Vida Nova ..................................................................... 343 capítulo xxxiii Saudades ...................................................................... 367 capítulo xxxiv “Nanda e Matheus... ................................................... 373 capítulo xxxiv Por toda a minha vida ................................................ 379
  7. 7. livro iEva
  8. 8. capítulo i A primeira vistaMARIA EVA DE ALBUQUERQUE RAMOS, A FILHA CAÇULA DEUMA tradicional família portuguesa, foi a quinta gestação de Lauraapós dar a luz cinco meninos. O nome, promessa e homenagem àsduas mulheres mais importantes da Bíblia, Maria e Eva; o ano, 1944. Laura sempre teve a cabeça à frente de seu tempo, e sonhoupara a única filha um futuro promissor, com uma carreira brilhante,muitas viagens, domínio de outros idiomas, amizades interessantes...E somente quando a maturidade chegasse, um amor verdadeiro, masque fosse escolhido por ela, e não um casamento arranjado. Mãe amorosa e determinada, Laura dedicava grande parte deseu tempo lendo e tocando piano para a filha, dividindo com a meni-na a paixão pela literatura e pela música. Mas, de tudo que Laura ambicionou, a única vontade atendi-da pela filha foi escolher, ela mesma, aquele que seria o dono de seucoração. Maria Eva conheceu e irremediavelmente se apaixonou porLuiz Augusto. E não houve quem removesse de seus pensamentos aideia de se casar com a maior urgência possível, por acreditar que adiferença de dez anos colocaria em risco a união ao exigir que ele aesperasse cursar a universidade, como almejava sua querida mãe. 11
  9. 9. Eliana Portella E com apenas dezessete anos caminhou para os braços de seugrande amor, com as bênçãos do pai, Fernando de Almeida Ramos, edos irmãos, que acreditavam ser o matrimônio o melhor futuro quea vida poderia reservar a uma mulher. Não havia, no entanto, para oalívio do coração apertado de Laura, como contestar. Maria Eva foia noiva mais linda e feliz que a tranquila cidade do interior de SãoPaulo já assistira. À Laura só restava rezar para que aquele amor arre-batador fizesse feliz sua única menina. Luiz Augusto Herrera Martin, advogado formado com honras namais bem conceituada universidade do país, vinha de família tradicional,recebeu excelente educação e frequentou as mais altas rodas da socieda-de. Administrava com êxito as fazendas da família que o pai lhe delega-ra de olhos fechados, confiando na competência e dedicação do filho. A primeira vez que seus olhos se encontraram fora num bailede máscaras promovido por Maria Dolores Prado, uma rica comer-ciante e amiga de ambas as famílias. Maria Eva trajava um vestidovermelho de renda que realçava maravilhosamente a pele alva e oscabelos ruivos, os olhos azuis percorriam ansiosamente todos os can-tos do salão, o peito arfava, tamanha a emoção de estrear na famo-sa e disputada noite paulistana... E de repente lá estava ele, elegante,misterioso e lindo, trajando um fraque de corte fino, bem ajustado aotronco musculoso, curto na frente e com longas abas atrás, o que odeixava ainda mais imponente. Os olhares enfeitiçados e atraídos pelo brilho entusiasmado querefletiam suas almas enamoradas fixaram-se sem um mínimo de pu-dor. Maria Eva sabia que deveria baixar os olhos em sinal de discri-ção, mas hipnotizada elevou ainda mais o pescoço longilíneo mesmoquando Luiz Augusto marchou em sua direção, encurtando apressa-damente o espaço entre eles. E quando a alcançou, ela se aproximou o suficiente para que elelhe percebesse a respiração acelerada e o arfar do colo translúcido quese movimentava ao rítmo do coração descompassado. Sem maiorescerimônias tomou-lhe a mão esquerda e a levou aos lábios antes mes-mo de se apresentar e convidá-la a dançar com ele no salão em frenteà orquestra. 12
  10. 10. maria — Senhorita, permita apresentar-me, Luiz Augusto HerreraMartin, encantado! Me daria o prazer desta dança? A formalidade um tanto quanto exagerada deixou-a ainda maisdesejosa. — Aceito! — respondeu sem ao menos apresentar-se. E seguiram de braços dados ao encontro dos outros casais quegiravam no espaço reservado ao baile. — Ainda não sei o nome da jovem. — Maria Eva... de Albuquerque Ramos. Ele a encarou por um breve instante, avaliando o rosto femini-no e de traços perfeitos por trás da máscara vermelha enfeitada compequeninos paetês. — Hum... peculiar! — Não sei se agradeço, pois não me parece bem um elogio... — Um nome inesquecível, assim como seus olhos! — Ah! Agora sim... obrigada! — mas ainda havia reticênciasem sua voz — O que foi? Minhas palavras não a agradaram? Eva baixou levemente os olhos, fingindo contrariedade antes decontestar. — Talvez... mas refiro-me às palavras ainda não ditas... Essa atitude arrancou de Luiz Augusto, fervorosa gargalhada. — Vejo que a jovem é mimada, acostumada a elogios. Eva estancou diante de tamanha grosseria, livrando-se com ve-emência dos braços que a envolviam. — Com quem pensa que está falando? Convida-me a dançarpara ofender-me? Saiba que não necessito de tão desagradável com-panhia... Agora, com sua licença... Mas, antes que fugisse, Luiz Augusto tomou-a novamente nosbraços com firmeza para que não mais escapasse. — Perdoa-me, senhorita, por favor! Estava brincando... Ele aplicou a maior suavidade que pôde na voz e nos olhos, em con-traste com as mãos e braços que enrijeciam ao redor da cintura fina de Eva. Com os olhos marejados, ela se recompôs e dedicou enormeesforço ao oferecer-lhe um sorriso. 13
  11. 11. Eliana Portella Luiz Augusto notou de imediato o quanto a havia magoado portão pouco, os lábios trêmulos e as maçãs do rosto ruborizadas revela-vam a sensibilidade que habitava a jovem que o fascinara em curtíssi-mo espaço de tempo e convivência. Ele a conduziou novamente a acompanhar o ritmo da melodia e,abraçando-a um pouco mais, ofereceu-lhe o peito, onde ela gentilmenterepousou o rosto, para não mais vislumbrar a tristeza daqueles olhos queminutos antes ofuscavam tudo ao seu redor brilhando mais que estrelas. Esperou que ela se acalmasse e então com a ponta dos dedoselevou com delicadeza o queixo pequenino para que pudesse admi-rar-lhe o belo rosto. — Posso me desculpar novamente? — Gentileza nunca é demais. — Então me permita dizer que, após viajar pelos mais distanteslugares do Brasil e do mundo, sinto que finalmente encontrei aquelaque me roubou todos os olhares e atenção. — Acredita em amor à primeira vista? — perguntou desconfiada. — E por que não? Não seria o coração um ser independentecom alma própria? Ela sorria novamente e ele dispendeu esforço sobre-humanopara não roubar-lhe um beijo. Parecia enfeitiçado. Ainda o contemplava sem dizer uma única sílaba. E no olhartrazia a desconfiança. — Se veio acompanhada por seus pais, gostaria de conhecê-los.Verás que não estou exagerando. — E por que acha que não estou acreditando na veracidade desuas confissões? — Por que sorri zombeteira. — Interpreta mal, muito mal os gestos de uma mulher. — E o que me diz, então? — Digo que vou apresentá-lo com a maior urgência. — Urgência? — questionou já desconfiando da resposta. — Sim... afinal, quanto antes conhecerem meu pretendente... Ouvi-la pronunciar o título a que o elegia fez com que perdessea compostura e a puxasse imeditamente ao encontro de seus lábios. 14
  12. 12. mariaEva, apesar de insegura, retribuiu o beijo com paixão. Aquela semdúvida era uma noite de estreias, e ela não deixaria escapar nenhumaque fizesse tão bem ao seu coração. — Se sou seu pretendente, tenho direito de beijá-la. — afirmouorgulhoso. Depois, oferecendo-lhe o braço, pediu que o conduzisse ao lo-cal onde conheceria os futuros sogros. Percebeu que ela tremia enquanto caminhavam com os braçosentrelaçados e parou para tentar acalmá-la. Nesse momento percebeuque ainda usavam as máscaras sobre os olhos. — Espere... precisamos tirar nossas máscaras. Eva suspirou antes de responder: — Mas por quê? Estou adorando usar a minha, e todos estãousando máscaras... — Qual o problema? Teme que eu veja seu lindo rosto? — Talvez... — Preste atenção, eu não posso ser apresentado aos seus paissem mostrar totalmente o rosto. Acabamos de nos conhecer e princi-palmente seu pai precisa saber das minhas intenções. — Está bem — ela concordou a contragosto e ainda inseguraelevou sua máscara até o ponto mais alto da testa na altura da raiz doscabelos. A expressão que se formou no rosto de Luiz Augusto aliviouinstantaneamente o coração de Maria Eva. Ele desmonstrou estar ma-ravilhado com a descoberta. E de fato estava. Os olhos azuis erammoldados por longos e espessos cílios e as sobrancelhas perfeitamen-te bem delineadas contornavam em total harmonia o semblante an-gelical da menina. — Linda! Ela, que minutos antes exigia elogios, agora baixava os olhosruborizada. — Agora é a sua vez... — falou com timidez. Luiz Augusto, deliciando-se com a nova atitude da linda jovem,suspendeu sem cerimônia e com total segurança a máscara negra queescondia parte de seu rosto. 15
  13. 13. Eliana Portella Então foi a vez de Maria Eva confirmar a beleza e os encantosdo homem à sua frente, a pele morena clara, os olhos de um verdeprofundo, os cílios e as sobrancelhas cheias na mesma cor castanhaescura quase preta, os cabelos lisos e brilhantes, o queixo quadradoe as covinhas que surgiam davam-lhe a masculidade na dose certa.Encarou-o com os lábios entreabertos e ele novamente pensou embeijá-la, mas poupou-a da exposição temendo que possíveis conheci-dos interpretassem mal a postura daquela que tomou a posse de seucoração de conquistador. Novamente estendeu-lhe o braço e seguiram ansiosos ao localonde os Ramos conversavam animadamente com a anfitriã. Laura foi a primeira a identificar o casal e imediatamente perce-beu o clima que os envolvia. Em princípio aprovou a escolha da filha:“Que belo rapaz Eva escolhera para ser seu par em seu primeiro bai-le!”, mas seus pensamentos logo se encheram de preocupação quandose deu conta de que eles vinham ter com a família. Maria Eva tomou a frente e limpou a garganta antes de se dirigirao pai: — Papai, preciso lhe apresentar meu novo... conhecido. E com total confiança Luiz Augusto estendeu a mão: — Muito prazer senhor Ramos, Luiz Augusto Herrera Martin. — O prazer é todo nosso, senhor... Herrera Martin! — respon-deu Fernando enquanto buscava na memória a lembrança do sobre-nome. — Agora quero que conheça minha mãe, a Sra. Laura de Albu-querque Almeida e os meus irmãos e cunhadas. Luiz Augusto assustou-se com a família tão numerosa, masprocurou dissimular: — Encantado Dona Laura, que bela família a senhora possui! — Muito obrigada, senhor Luiz Augusto! Mas responda-me...está só, ou seus pais também estão presentes? — Infelizmente não poderei apresentá-los hoje, pois estão naEuropa visitando parentes. Mas não faltará oportunidade, prometo. Nesse momento Maria Dolores entrou no assunto: — Meus caros, deixem-me informá-los, Augusto é uma joia 16
  14. 14. mariarara, formado com êxito na melhor faculdade de direito, também es-tudou na Europa, onde aprendeu o francês e o inglês, além da exten-são de seu curso superior. — Por favor Dona Dolores, assim me constrange. Ao que a senhora anfitriã deu de ombros e continuou: — Que nada! O que é sucesso deve ser comemorado. Os pais deAugusto têm motivos de sobra para orgulhar-se de seu primogênito.O menino é prodígio, esperamos que o irmão Luiz Gustavo tenhaherdado a mesma aptidão para os estudos e negócios. — Dona Dolores, por favor! — Está bem, está bem... A expressão antes desconfiada de Fernando agora assumira umtom de simpatia explícita. — E como se chamam seus pais? — perguntou com real inte-resse. — Diego e Carmem. — Diego Herrera Martin... sabia que havia reconhecido o so-brenome. — Apresente ao seu conhecido o restante da família como sedeve, minha filha — interrompeu a mãe Maria Eva, que acompanhava tudo em silêncio, procurandoaprovação em todos os rostos, virou-se para os irmãos começandopelo mais velho e sua esposa: — Vamos começar pelo mais velho; Pedro e Aurora, Paulo eAna, Thiago e Tânia, Felipe e Fernandinho. São todos meus irmãos.Sou a única menina. — Então eu estava certo quando afirmei que era mimada... aúnica menina — brincou Luiz Augusto enquanto lhe tocava levemen-te a ponta arrebitada do delicado nariz com a ponta do indicador. Todos perceberam naquele momento que eles seriam, em bre-ve, mais que simples conhecidos. Era transparente como o cristal apaixão que os arrebatara. 17

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