Curso Ciência e Fé
Módulo VIII – Darwin e a Igreja Católica
© Bernardo Motta
bmotta@observit.pt
http://espectadores.blogsp...
Curso Ciência e Fé
I – Introdução
II – Filosofia Grega e Cosmologia Grega
III – Filosofia Medieval e Ciência Medieval
IV –...
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1. Introdução
2. Charles Darwin e o darwinismo
3. A Igreja Católica e a evolução
4. O processo evolutivo
5. Conclusão
Ín...
Introdução
Criacionismo?
Uma palavra ambígua
Em sentido lato: Deus criou o Universo
Em sentido estrito: Teoria da Terra jo...
Richard Dawkins (1941-), biólogo britânico, “evangelista” do “novo ateísmo”:
O darwinismo não oferece uma explicação cient...
Dawkins re-define assim a Biologia: «A Biologia é o estudo de coisas complicadas que
dão a aparência de terem sido project...
A dúvida de Darwin...
Introdução
Nevertheless you have expressed my inward conviction, though far
more vividly and clearly...
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1. Introdução
2. Charles Darwin e o darwinismo
3. A Igreja Católica e a evolução
4. O processo evolutivo
5. Conclusão
Ín...
Epicuro (341-270 a.C.)
Materialista e atomista, segundo o pensamento de Demócrito
Defende uma existência de felicidade des...
Lucrécio, um precursor de Darwin?
Do Livro V da sua obra De rerum natura:
Exceptuando diferenças na forma, esta é a propos...
A filosofia de Darwin vem de Demócrito, de Epicuro e de Lucrécio
Lucrécio, um precursor de Darwin?
Quatro factos fundament...
Charles Darwin e o darwinismo
O contexto intelectual: a tese do conflito entre religião cristã e Ciência
John William Drap...
Darwin, na sua Autobiografia (1876), cria a lenda da sua fé cristã
Teria sido a sua viagem no Beagle (1831-1836) a fazê-lo...
Charles Darwin e o darwinismo
Wallace e Darwin
Alfred Russell Wallace (1823-1913), brilhante antropólogo e biólogo britâni...
Charles Darwin e o darwinismo
Wallace e Darwin
Em 1864, Wallace publica o artigo “The Origin of Human Races and the Antiqu...
The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex (1871)
Darwin escreve esta obra como reacção à mudança de ideias de W...
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1. Introdução
2. Charles Darwin e o darwinismo
3. A Igreja Católica e a evolução
4. O processo evolutivo
5. Conclusão
Í...
A Igreja Católica e a evolução
Textos do Magistério
Humani Generis, Pio XII (12 de Agosto de 1950): «Por isso o magistério...
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1. Introdução
2. Charles Darwin e o darwinismo
3. A Igreja Católica e a evolução
4. O processo evolutivo
5. Conclusão
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Causa final
P: Para que é que foi feita a coisa?
R: Para retratar a a beleza feminina / divina
Causa formal
P: O que é a c...
O processo evolutivo
Síntese evolutiva neodarwiniana (neodarwinismo)
Mutação: variação introduzida num ou mais genes (no A...
O processo evolutivo
Algoritmos genéticos
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O processo evolutivo
Algoritmos genéticos
Aplicação computacional do neodarwinismo na resolução de problemas de optimizaçã...
Algoritmos genéticos: as causas do processo evolutivo
O processo evolutivo
Causa final
P: Para que tende o algoritmo (proc...
Interpretação aristotélico-tomista do processo evolutivo
As essências (das espécies) não são platónicas: não existem separ...
Interpretação aristotélico-tomista do processo evolutivo
Porfírio (234-c.305 d.C.), filósofo neoplatónico fenício (de Tiro...
Interpretação aristotélico-tomista do processo evolutivo
As árvores cladísticas são esquematizações filogenéticas (genealó...
Interpretação aristotélico-tomista do processo evolutivo
As árvores cladísticas são omnipresentes no evolucionismo contemp...
Interpretação aristotélico-tomista do processo evolutivo
Problemas filosóficos do evolucionismo materialista
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O processo evolutivo
E o “intelligent design”?
O conceito não é novo e data do século XIX, tendo sido usado por Darwin e W...
O processo evolutivo
E o “intelligent design”?
Aspectos positivos
Agita o debate científico, estagnado num evolucionismo m...
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1. Introdução
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3. A Igreja Católica e a evolução
4. O processo evolutivo
5. Conclusão
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O processo evolutivo
Evolucionistas cristãos (e críticos do “intelligent design”)
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  1. 1. Curso Ciência e Fé Módulo VIII – Darwin e a Igreja Católica © Bernardo Motta bmotta@observit.pt http://espectadores.blogspot.com
  2. 2. Curso Ciência e Fé I – Introdução II – Filosofia Grega e Cosmologia Grega III – Filosofia Medieval e Ciência Medieval IV – Inquisição e Ciência V e VI – O Caso Galileu VII – A Revolução Científica VIII – Darwin e a Igreja Católica IX – Os Argumentos Cosmológico e Teleológico X – Filosofia da Mente e Inteligência Artificial XI – Milagres e Ciência XII – Concordância entre Cristianismo e Ciência
  3. 3. 3 1. Introdução 2. Charles Darwin e o darwinismo 3. A Igreja Católica e a evolução 4. O processo evolutivo 5. Conclusão Índice
  4. 4. Introdução Criacionismo? Uma palavra ambígua Em sentido lato: Deus criou o Universo Em sentido estrito: Teoria da Terra jovem e/ou da criação imediata das espécies por Deus Evolucionismo? Outra palavra ambígua Aplicada à teoria científica evolucionista (selecção natural + genética mendeliana) Aplicada à tese filosófica que nega propósito ou finalidade na evolução Aplicada à tese filosófica ou teológica que nega a Deus acção sobre o processo evolutivo Evolução? Origem etimológica: do Latim “evolutio”, “evolvere”, traduzível como “desenrolar” Etimologicamente, “evoluir” é o actualizar de potencialidades latentes Significado corrente, longe do original: quase sinónimo de “progresso”, “desenvolvimento”, no sentido de aumento de sofisticação, qualidade ou complexidade Problema filosófico deste significado corrente: do “menos” não pode sair o “mais”! Como é que a vida, com toda a sua complexidade, surge a partir da matéria inanimada? Como é que todos os seres vivos podem descender de um primeiro organismo primitivo? Problemas de terminologia… 4
  5. 5. Richard Dawkins (1941-), biólogo britânico, “evangelista” do “novo ateísmo”: O darwinismo não oferece uma explicação científica para a existência de vida O “propósito” (ou a finalidade) pertence ao domínio da filosofia e não da ciência Introdução «A selecção natural, o processo automático cego e inconsciente que Darwin descobriu, o que agora sabemos ser a explicação para a existência e aparente propósito de toda a vida, não tem qualquer propósito em mente. Não tem qualquer mente nem qualquer visão mental. Não planeia o futuro. Não tem visão, não tem previdência, não tem vista de todo. Se se pode dizer que desempenha o papel de um relojoeiro na natureza, é o relojoeiro cego (…) Darwin tornou possível ser-se um ateu intelectualmente realizado.» - O relojoeiro cego Um excelente exemplo de distorção da Ciência para fins alheios a ela! O darwinismo usado para legitimar o ateísmo 5
  6. 6. Dawkins re-define assim a Biologia: «A Biologia é o estudo de coisas complicadas que dão a aparência de terem sido projectadas com um propósito» Dawkins dedica a sua carreira ao objectivo de provar que não há objectivo no Universo Jaki, padre beneditino, doutorado em Teologia e em Física, e historiador de Ciência, considerava prioritário libertar o darwinismo de tudo o que não fosse estritamente Ciência Introdução «O maior problema com esta opinião é este: um processo evolutivo, supostamente sem finalidade, leva a um resultado que é um ser, o homem, que tudo faz com uma finalidade. Os próprios evolucionistas negam o fim com uma finalidade: o seu fim é promover o materialismo, o qual não é seguramente ciência, mas uma anti-metafísica» - Stanley L. Jaki (1924-2009) É fundamental distinguir a teoria científica evolucionista da filosofia materialista que costuma receber o mesmo nome 6
  7. 7. A dúvida de Darwin... Introdução Nevertheless you have expressed my inward conviction, though far more vividly and clearly than I could have done, that the Universe is not the result of chance. But then with me the horrid doubt always arises whether the convictions of man's mind, which has been developed from the mind of the lower animals, are of any value or at all trustworthy. Would any one trust in the convictions of a monkey's mind, if there are any convictions in such a mind?» - Charles Darwin, carta a William Graham, 3 de Julho de 1881 7
  8. 8. 8 1. Introdução 2. Charles Darwin e o darwinismo 3. A Igreja Católica e a evolução 4. O processo evolutivo 5. Conclusão Índice 8
  9. 9. Epicuro (341-270 a.C.) Materialista e atomista, segundo o pensamento de Demócrito Defende uma existência de felicidade despreocupada e busca do prazer Aristóteles (384-322 a.C.) Fundou a Filosofia Natural É o “pai” do hilemorfismo (“hyle”+”morphos”) Tito Lucrécio Caro (c. 99 a.C. – c. 55 a.C.), filósofo romano Escreveu De rerum natura (“Da natureza das coisas”) A obra é uma defesa do epicurismo, do atomismo e da aleatoriedade (“fortuna”) Quer libertar o Homem do temor dos deuses, com uma explicação “naturalista” para tudo Para salvaguardar o livre arbítrio, propõe o indeterminismo do movimento dos átomos (“clinamen”) São Tomás de Aquino (1225-1274) Herdou de Aristóteles o hilemorfismo William Paley (1743-1805) Metáfora do “relógio” e do “relojoeiro”: precursor do actual “intelligent design” Charles Darwin (1809-1882) O darwinismo tem raízes antigas.... Charles Darwin e o darwinismo 9
  10. 10. Lucrécio, um precursor de Darwin? Do Livro V da sua obra De rerum natura: Exceptuando diferenças na forma, esta é a proposta do evolucionismo materialista Charles Darwin e o darwinismo O darwinismo tem raízes antigas… «Porque não foi certamente por reflexão, nem sob o império de um pensamento inteligente, que os átomos ocuparam o seu lugar; eles não concertaram entre si os seus movimentos. Mas como eles são inumeráveis e se movem de mil maneiras, submetidos durante [toda] a eternidade a impulsos [que lhes são] estranhos, e que movidos pelo seu próprio peso eles se aproximam e se unem de todas as formas, para incessantemente tentarem tudo o que pode ser gerado pelas suas combinações, sucedeu que depois de terem vagueado durante séculos, tentado infinitamente uniões e movimentos, chegaram por fim às súbitas formações maciças que estão na origem destes grandes aspectos da vida: a terra, o mar, o céu, e as espécies animais.» 10
  11. 11. A filosofia de Darwin vem de Demócrito, de Epicuro e de Lucrécio Lucrécio, um precursor de Darwin? Quatro factos fundamentais: 1. Darwin não “descobriu” a evolução porque a ideia vem de Lucrécio 2. Lucrécio dava uma explicação materialista de toda a realidade, através do movimento aleatório de átomos desde tempos imemoriais 3. Os primeiros cristãos conheceram esta visão de Lucrécio e rejeitaram-na 4. A partir do século XV, a Europa redescobriu Lucrécio e a sua visão evolutiva (fonte: Benjamin Wiker, “The Catholic Church and Science”, pp. 63-64) O materialismo de Lucrécio também lhe permitiu ser um ateu intelectualmente realizado! O materialismo de Lucrécio nasce do seu ateísmo e não de conhecimento científico O cristianismo rejeitou esta visão materialista muito antes de Darwin Isso explica porque é que a Igreja Católica nunca aceitará um darwinismo materialista Charles Darwin e o darwinismo O darwinismo tem raízes antigas… 11
  12. 12. Charles Darwin e o darwinismo O contexto intelectual: a tese do conflito entre religião cristã e Ciência John William Draper (1811-1882) “History of the Conflict between Religion and Science” (1875) Cientista, médico e professor universitário (NYU) Presidente da American Chemical Society Fundador da NY University School of Medicine Obra escrita num tom anticatólico Andrew Dickinson White (1832-1918) “A History of the Warfare of Science with Theology in Christendom“ (1896, 2 vols.) Fundador (com Ezra Cornell) e primeiro Presidente da Universidade Cornell (EUA) White pretendia combater a “teologia” e não a “religião”: a Ciência vista como purificadora da religião organizada 1212
  13. 13. Darwin, na sua Autobiografia (1876), cria a lenda da sua fé cristã Teria sido a sua viagem no Beagle (1831-1836) a fazê-lo perder essa fé Essa lenda reforçava a ideia de um conflito entre fé cristã e Ciência Darwin já era evolucionista (e materialista) antes de embarcar no Beagle O seu avô Erasmus Darwin (1731-1802), um deísta do Iluminismo, escreveu três obras evolucionistas (falando da “transmutação”): Botanic Garden (1791), obra de poesia Zoönomia (1794-96), obra científica The Temple of Nature (1803), obra de poesia O seu pai Robert Darwin (1766-1848), era médico e ateu Enquanto aluno de medicina em Edimburgo, Charles entra para a Plinian Society, um grupo de debate onde se discutia o materialismo Darwin foi assistente do médico e biólogo Robert Grant (1793-1874) Grant, figura de proa da Plinian Society, era materialista e evolucionista Charles Darwin e o darwinismo O darwinismo tem raízes antigas… «(…) os animais mais fortes e activos devem propagar a espécie, que assim se torna melhorada.» - Zoönomia 13
  14. 14. Charles Darwin e o darwinismo Wallace e Darwin Alfred Russell Wallace (1823-1913), brilhante antropólogo e biólogo britânico Em 1858, com base na sua extensa pesquisa biogeográfica no Arquipélago Malaio, Wallace fica convencido da realidade da evolução Num ensaio escrito em Fevereiro de 1858, e enviado para Charles Darwin, Wallace propõe uma teoria de evolução por selecção natural, tal como Darwin A 1 de Julho, Darwin apresenta o ensaio de Wallace, juntamente com textos seus anteriores (para proteger a sua prioridade) à Linnean Society de Londres No seu ensaio, Wallace apresenta a selecção natural (sem usar essa expressão de Darwin) como um processo auto-regulado pelo qual a pressão ambiental garante a extinção de indivíduos com eventuais deficiências Enquanto que Darwin dava maior ênfase à competição entre indivíduos, Wallace destacava a pressão ambiental que levava à selecção natural 24 de Novembro de 1859: “On the Origin of Species”, de Darwin Wallace saiu várias vezes em defesa de Darwin e do seu livro Em 1863, Wallace refuta um artigo que Samuel Haughton, professor de Geologia no Trinity College, tinha escrito contra Darwin, alegando que os favos hexagonais das colmeias não podiam surgir por selecção natural Em 1867, Wallace escreve o artigo “Creation by Law”, em defesa de Darwin, contra a obra “Reign of Law”, do Duque de Argyll 14
  15. 15. Charles Darwin e o darwinismo Wallace e Darwin Em 1864, Wallace publica o artigo “The Origin of Human Races and the Antiquity of Man Deduced from the Theory of 'Natural Selection'“, louvado por Darwin No Verão de 1865, sempre atraído por ideias novas, Wallace adere ao espiritismo Na sociedade vitoriana, o espiritismo era considerado por muitos como científico e visto como alternativa atractiva ao cristianismo para quem rejeitava o materialismo Para Wallace, a selecção natural não explicava o surgimento da vida, a consciência e a razão humana A partir de 1869, Wallace torna públicas as suas dúvidas sobre o poder explicativo do evolucionismo: «Nem a selecção natural nem a mais geral teoria da evolução podem explicar o que quer que seja acerca da origem da vida sensitiva ou consciente. [Elas] podem ensinar-nos como, através de leis naturais químicas, eléctricas ou superiores, o corpo organizado se pode construir, crescer, e reproduzir o seu semelhante; mas essas leis e esse crescimento não podem sequer ser concebidos como dotando os recém-organizados átomos com consciência. Mas a moral e a superior natureza intelectual do homem é um fenómeno tão único como foi o da vida consciente aquando da sua primeira aparição no mundo, e aquelas são quase tão difíceis de conceber como originando por uma qualquer lei da evolução como esta. Podemos ir mais longe, e defender que há certas características puramente físicas da raça humana que não são explicáveis com a teoria da variação e da sobrevivência dos mais aptos.» - Alfred Wallace, num comentário a dois artigos de Charles Lyell 15
  16. 16. The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex (1871) Darwin escreve esta obra como reacção à mudança de ideias de Wallace Nesta obra, Darwin defende a eugenia, o apuramento da espécie humana: Francis Galton (1822-1911), primo de Darwin, é o “pai” do eugenismo Charles Darwin e o darwinismo Os perigos morais do darwinismo «Nós, os homens civilizados, por outro lado, fazemos o nosso melhor para deter o processo de eliminação [darwiniana, por selecção natural]; construímos asilos para os imbecis, os mutilados, e os doentes; instituímos leis para a pobreza; e os nossos médicos exercem a sua máxima perícia para salvar a vida de cada um até ao último momento. Há razões para acreditar que a vacinação preservou milhares, que devido à sua fraca constituição teriam sucumbido à varíola. Assim, os membros fracos das sociedades civilizadas propagam a sua variedade. Ninguém que tenha tomado parte na criação de animais domésticos duvidará que isto deve ser altamente prejudicial para a raça do homem. É surpreendente quão cedo um desejo de cuidar, ou de um cuidar mal direccionado, leva à degeneração de uma raça doméstica; mas exceptuando o caso do próprio homem, dificilmente alguém é tão ignorante ao ponto de permitir que os seus piores animais procriem.» 16
  17. 17. 17 1. Introdução 2. Charles Darwin e o darwinismo 3. A Igreja Católica e a evolução 4. O processo evolutivo 5. Conclusão Índice 17
  18. 18. A Igreja Católica e a evolução Textos do Magistério Humani Generis, Pio XII (12 de Agosto de 1950): «Por isso o magistério da Igreja não proíbe que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente (pois a fé nos obriga a reter que as almas são directamente criadas por Deus)» Mensagem à Academia Pontifícia das Ciências, João Paulo II (22 de Outubro de 1996): «Hoje, cerca de meio século após a publicação da Encíclica [Humani Generis de Pio XII], novos conhecimentos levam a não considerar mais a teoria da evolução como uma mera hipótese» Mas, mais adiante…: «se o corpo humano tem a sua origem na matéria viva que existia antes dele, a alma espiritual é imediatamente criada por Deus (…) as teorias da evolução que, em função das filosofias que as inspiram, consideram o espírito como emergente das forças da matéria viva ou como um simples epifenómeno desta matéria, são incompatíveis com a verdade do Homem» Comunhão e Serviço – A pessoa humana criada à imagem de Deus, Comissão Teológica Internacional, 23 de Julho de 2004: «Uma vez que foi demonstrado que todos os organismos vivos da Terra são geneticamente relacionados entre si, é praticamente certo que estes descendem todos desse primeiro organismo.» 18
  19. 19. 19 1. Introdução 2. Charles Darwin e o darwinismo 3. A Igreja Católica e a evolução 4. O processo evolutivo 5. Conclusão Índice 19
  20. 20. Causa final P: Para que é que foi feita a coisa? R: Para retratar a a beleza feminina / divina Causa formal P: O que é a coisa? R: Uma estátua de mármore da Vénus de Milo Causa eficiente P: Como surgiu (ou como foi feita) a coisa? R: A técnica do escultor no manusear do martelo e escopo Causa material P: De que é feita a coisa? R: De mármore Os quatro tipos de causas das coisas naturais O processo evolutivo Por vezes, as causas coincidem na mesma coisa: p.ex.: a alma, que para Aristóteles é a forma dos seres vivos, pode ser causa final, formal e eficiente. 20
  21. 21. O processo evolutivo Síntese evolutiva neodarwiniana (neodarwinismo) Mutação: variação introduzida num ou mais genes (no ADN) de uma célula reprodutora Selecção natural: Certas variações no ADN de uma célula reprodutora podem aumentar a aptidão (“fitness”) do novo ser vivo (quer por reprodução sexuada ou assexuada) Esse ser vivo mais apto tem maior probabilidade de transmitir o seu ADN para a sua descendência 21
  22. 22. O processo evolutivo Algoritmos genéticos 22
  23. 23. O processo evolutivo Algoritmos genéticos Aplicação computacional do neodarwinismo na resolução de problemas de optimização Parte de um conjunto (“população”) de possíveis soluções para o problema que são geradas aleatoriamente (chama-se a esse passo inicial a “inicialização da população”) Cada solução é codificada com um “cromossoma” e considerada membro da “população” A1-A2-B2-C2… A1-B1-C1-C2… …. Em cada “geração” do algoritmo, altera-se uma parte da “população”: Através de “mutações” : o “cromossoma” A1-A2-B2-C2 passa a A1-A2-B2-A2… Através de “cruzamentos” : A1-A2-C1-C2, A1-B1-B2-C2 Em cada “geração”, todos os “cromossomas” são pontuados por critérios de optimização: Pontuação baixa para os que não resolvem o problema Pontuação alta para os que resolvem o problema Pontuação mais alta para os que resolvem o problema de forma mais eficiente Ao longo das “gerações”, os melhores “cromossomas” (soluções) “sobrevivem” e multiplicam-se Ao final de algum tempo, o Algoritmo Genético pode chegar a uma solução óptima 23
  24. 24. Algoritmos genéticos: as causas do processo evolutivo O processo evolutivo Causa final P: Para que tende o algoritmo (processo)? R: Maximizar a aptidão (“fitness”) dos elementos da população… … em termos da sua “sobrevivência” e da sua “reprodução” Ambas relacionadas com a optimização dos objectivos do algoritmo Sem um bom critério de optimização, o algoritmo (processo) não converge para resultados óptimos (ou sub-óptimos)! Causa formal P: O que é o algoritmo (processo)? R: “População” de vectores “cromossomáticos” que representam possíveis soluções (“cromossomas”) para o problema de optimização são avaliadas iterativamente Sem uma boa codificação dos “genes” o algoritmo (processo) também não converge: a solução óptima tem que ser codificável num “cromossoma” Causa eficiente P: Como surge e como se desenrola o algoritmo (processo)? R: Intervenção do programador; execução do “software” do algoritmo genético, simulando mutações, cruzamentos (reprodução) e selecção natural Causa material P: De que é feito o algoritmo (processo)? R: De correntes e cargas eléctricas dentro de um computador 24
  25. 25. Interpretação aristotélico-tomista do processo evolutivo As essências (das espécies) não são platónicas: não existem separadamente dos seres vivos Tal como diz o darwinismo, não há transmutação de essências ou espécies Tal como diz o darwinismo, não há transmutação de indivíduos Nada impede, em princípio, mudanças substanciais nos seres vivos Em Física e em Química, mudanças substanciais ocorrem frequentemente No entanto, a variação biológica não parece surgir por mudanças substanciais num ser vivo mas por mutação, cruzamento, deriva genética, entre outros mecanismos biológicos Como diz o darwinismo, um indivíduo de uma espécie pode gerar, por reprodução com introdução de variação nos gâmetas, um indivíduo cuja essência já não é idêntica à sua Assim, o aristotelismo-tomismo é compatível com os dados científicos acerca da evolução É compatível com a extinção de espécies: a essência de uma espécie é o que ela é, ou o que ela era, caso se tenha extinto O aristotelismo-tomismo, com a sua defesa das essências, dá sentido ao termo “espécie” De outro modo, a interpretação filosófica do processo evolutivo é a de um fluxo heraclitiano Vista estritamente do ponto de vista genealógico, a “árvore da vida” não oferece uma base para a definição rigorosa de “espécie” nem para a classificação das espécies (taxonomia) O processo evolutivo 25
  26. 26. Interpretação aristotélico-tomista do processo evolutivo Porfírio (234-c.305 d.C.), filósofo neoplatónico fenício (de Tiro), comentou as Categorias A árvore de Porfírio é uma esquematização da categoria aristotélica “Substância” O processo evolutivo 26
  27. 27. Interpretação aristotélico-tomista do processo evolutivo As árvores cladísticas são esquematizações filogenéticas (genealógicas) dos seres vivos Reflectem, pela genealogia, as causas eficientes (transientes) dos seres vivos Ao contrário da árvore de Porfório, as árvores cladísticas não têm em conta às causas formais (imanentes) dos seres vivos, e não servem como base consistente para a taxonomia O processo evolutivo 27
  28. 28. Interpretação aristotélico-tomista do processo evolutivo As árvores cladísticas são omnipresentes no evolucionismo contemporâneo e são muito úteis No entanto, impedem uma correcta classificação dos seres vivos pelas suas causas formais Por exemplo, as bactérias e as arqueas móveis são animais (sentientes e locomotores) Apesar de serem animais, estão num ramo diferente do dos animais (no domínio “Eukarya”) O processo evolutivo Saber como surgiu um ser vivo não é o mesmo que saber o que ele é! 28
  29. 29. Interpretação aristotélico-tomista do processo evolutivo Problemas filosóficos do evolucionismo materialista Surgimento da vida: o evolucionismo pressupõe o ADN para haver selecção natural Surgimento de seres sentientes a partir de seres não sentientes (vegetais) Surgimento de seres racionais a partir de seres irracionais Será que a selecção natural se aplica à matéria inanimada? Como? Como é que a finalidade poderia surgir da ausência de finalidade? Se houver uma explicação evolutiva para o início da vida, não estará ela “ancorada” na “afinação” das condições iniciais do Universo, também elas altamente específicas? O aristotelismo-tomismo resolve alguns destes problemas, sendo uma boa moldura filosófica: A “plasticidade” da molécula de ADN, que está na base da variedade morfológica de todos os seres vivos, pode resolver o dilema filosófico do evolucionismo: o “mais” não evolui a partir do “menos”, porque a molécula de ADN já permite, em potência, toda essa variedade Se a molécula de ADN já permite, em potência, todos os seres vivos adaptados à Terra, então o processo evolutivo apenas actualiza essas potências inerentes ao ADN A causa formal de um ser vivo inclui (mas não se reduz a) a informação presente num genoma específico feito de um aglomerado de cadeias de ADN A causa final de um ser vivo inclui (mas não se reduz a) a adaptação desse ser vivo a um determinado conjunto de condições ambientais, e no planeta Terra (e talvez algures no Universo) há uma variedade enorme desses ambientes propícios à vida O processo evolutivo 29
  30. 30. O processo evolutivo E o “intelligent design”? O conceito não é novo e data do século XIX, tendo sido usado por Darwin e Wallace Como movimento, surge nos anos 80 do século XX entre os defensores da “creation science” A “creation science” visa conciliar a leitura literal da Bíblia (sobretudo do Génesis) com Ciência 1987: o Supremo Tribunal (E.U.A.), caso Edwars vs. Aguillard, considerou inconstitucional o ensino da “creation science”, revogando uma lei do Louisiana que decretava o seu ensino a par do evolucionismo nas escolas públicas Esta decisão leva os defensores da “creation science” a adoptar o termo “intelligent design” 1990: Fundação do Discovery Institute, dedicado à defesa do “intelligent design” 1996: O livro “Darwin’s Black Box” de Michael Behe: Defende o conceito de “complexidade irredutível” como indicativo de “intelligent design” Um sistema exibe complexidade irredutível quando é “composto de várias partes bem adaptadas e interactivas entre si que contribuem para uma função básica, sendo que a remoção de qualquer das partes causa a perda de funcionamento do sistema” 1998: O livro “The Design Inference” de William Dembski: Defende o conceito de “complexidade especificada” como indicativo de “intelligent design” Baseia-se num limitar probabilístico para um determinado evento abaixo do qual não se pode atribuir esse evento ao acaso 30
  31. 31. O processo evolutivo E o “intelligent design”? Aspectos positivos Agita o debate científico, estagnado num evolucionismo materialista que se tornou dogma Relembra o facto de que há finalidade em Biologia, que os organismos exibem finalidade Combate a excessiva secularização do ensino público Ajuda a combater a excessiva exclusão do cristianismo da esfera pública Aspectos negativos As propostas do ID são filosóficas, mas são defendidas como se fossem científicas “Propósito”, “finalidade”, e até a genuína “inteligência”, são termos exteriores à Ciência O ID não assume uma clara confissão cristã que o motiva; o ID não diz quem é o “designer” A filosofia por detrás do ID não é boa: descende de um deísmo iluminista que vê o Universo como uma “máquina”, e de certa teologia protestante que vê Deus como um “relojoeiro” O argumento de “complexidade irredutível” de Michael Behe é uma versão moderna do argumento do “relojoeiro” de William Paley e sofre dos mesmos problemas filosóficos Em suma, o “Intelligent Design” nem é boa ciência nem é boa filosofia O aristotelismo-tomismo, como filosofia verdadeira, permite uma boa conciliação com a Ciência 31
  32. 32. 32 1. Introdução 2. Charles Darwin e o darwinismo 3. A Igreja Católica e a evolução 4. O processo evolutivo 5. Conclusão Índice 32
  33. 33. O processo evolutivo Evolucionistas cristãos (e críticos do “intelligent design”) Francis Collins, médico e geneticista norte-americano, dirigiu o Projecto do Genoma Humano; desde 2008 é o director dos National Institutes of Health (E.U.A.) Simon Conway Morris, paleontólogo britânico, membro da Royal Society, Univ. de Cambridge Martin Nowak, matemático e bioquímico austríaco, Professor de Biologia e Matemática em Oxford, Princeton e Harvard e Director do Programa de Dinâmica Evolutiva em Harvard Evangélico Anglicano Católico 33

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