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Regicídio de 1908
    Morte de D. Carlos I de
            Portugal
Introdução
 Este trabalho vai ser realizado no âmbito da disciplina de História com o tema
   “Regicídio de 1908 – Morte de D. Carlos I de Portugal” .
Vamos falar nas Consequências do respectivo Atentado, no próprio Atentado e como
   tudo aconteceu, na imagem com que Lisboa ficou na Europa (depois do sucedido),
   no processo e vamos dar uma pequena noção de Carbonária.
Consequências do Atentado
      •      O atentado foi uma consequência do
          clima de crescente tensão que perturbava
          o aspecto politico português. Dois fatores
          foram primordiais: em primeiro lugar o
          caminho traçado desde cedo pelo Partido
          Republicano Português como solução para a
          erosão do sistema partidário vigente, e em
          segundo lugar a tentativa, por parte do rei
          D. Carlos como árbitro do sistema político,
          papel que lhe era atribuído
          pela Constituição, de solucionar os
          problemas desse mesmo sistema, apoiando
          o Partido Regenerador Liberal de João
          Franco (que viria a instaurar uma
          ditadura). O progressivo desgaste do
          sistema político português, vigente desde
          a Regeneração, em parte devido à erosão
          política originada pela alternância de
          dois partidos no Poder: o Progressista e
          o Regenerador, agravou-se nos primeiros
          anos do Século XX com o surgimento de
          novos partidos, saídos diretamente
          daqueles.
…Continuação
•   Em 1901 João Franco, apoiado por 25 deputados abandonou
    o Partido Regenerador, criando o Partido Regenerador Liberal.
    Em 1905 surge a da Dissidência Progressista, fundado
    por José Maria de Alpoim, que entrou em rutura com o partido
    Progressista, do qual se separou com mais seis deputados
    eleitos pelo mesmo partido. À intensa rivalidade entre os
    partidos, agravada por ódios pessoais, juntou-se a atitude e
    ações críticas do Partido Republicano, contribuindo para o
    descrédito do regime, já de si bastante desacreditado devido
    às dividas da Casa Real.
O Atentado
•   O Rei, a Rainha e o Príncipe Real encontravam-se então em Vila Viçosa,
    no Alentejo, onde costumavam passar uma temporada de caça no inverno. O
    infante D. Manuel havia regressado dias antes, por causa dos seus estudos como
    aspirante na marinha. Os acontecimentos acima descritos levaram D. Carlos a
    antecipar o regresso a Lisboa, tomando o comboio, na estação de Vila Viçosa, na
    manhã do dia 1 de Fevereiro. Com cuidado para que a sua já preocupada mãe
    não se aperceba, o Príncipe real arma-se com o seu revólver de oficial do
    exército. Durante o caminho o comboio sofre um ligeiro descarrilamento junto ao
    nó ferroviário de Casa Branca.
•   Isto provocou um atraso de quase uma hora. A comitiva régia chegou
    ao Barreiro ao final da tarde, onde tomou o vapor "D. Luís", com
    destino ao Terreiro do Paço, em Lisboa, onde desembarcaram, na
    Estação Fluvial Sul e Sueste, por volta das 5 horas da tarde, onde
    eram esperados por vários membros do governo, incluindo João
    Franco, além dos infantes D. Manuel e D. Afonso, o irmão do rei.
    Apesar do clima de grande tensão, o monarca optou por seguir em
    carruagem aberta, envergando o uniforme de Generalíssimo, para
    demonstrar normalidade. A escolta resumia-se aos batedores
    protocolares e a um oficial a cavalo, Francisco Figueira Freire, ao lado
    da carruagem do rei.
…Continuação
•   Há pouca gente no Terreiro do Paço. Quando a carruagem
    circula junto ao lado ocidental da praça ouve-se um tiro e
    desencadeia-se o tiroteio. Um homem de barbas, passada a
    carruagem, dirige-se para o meio da rua, leva à cara a
    carabina que tinha escondida sob a sua capa, põe o joelho no
    chão e faz pontaria. O tiro atravessou o pescoço do Rei,
    matando-o imediatamente. Começa a fuzilaria: outros
    atiradores, em diversos pontos da praça, atiram sobre a
    carruagem, que fica crivada de balas. Os poucos populares
    correm em pânico e gera-se a confusão.
…
•   Aproveitando isto, surge a correr de debaixo das arcadas um segundo
    regicida, Alfredo Costa, empregado do comércio e editor de obras de escândalo,
    que pondo o pé sobre o estribo da carruagem, se ergue à altura dos passageiros e
    dispara sobre o rei já tombado.
•   A rainha, já de pé, fustiga-o com a única arma de que dispunha: um ramo de flores,
    gritando “Infames! Infames!” O criminoso volta-se para o príncipe D. Luís Filipe, que
    se levanta e saca do revólver do bolso do sobretudo, mas é atingido no peito. A
    bala, de pequeno calibre, não penetra o esterno (segundo outros relatos,
    atravessa-lhe um pulmão, mas não era uma ferida mortal) e o Príncipe, sem
    hesitar, aproveitando porventura a distração fornecida pela atuação inesperada da
    rainha sua mãe, desfecha quatro tiros rápidos sobre o atacante, que tomba da
    carruagem. Mas ao levantar-se D. Luís Filipe fica na linha de tiro e o assassino da
    carabina atira a matar: uma bala de grosso calibre atinge-o na face esquerda,
    saindo pela nuca. D. Manuel vê o seu irmão já tombado e tenta estancar-lhe o
    sangue com um lenço, que logo fica ensopado.
A imagem de Lisboa na Europa
•   A Europa ficou revoltada com o regicídio, uma vez que D. Carlos
    era estimado pelos restantes Chefes de Estado europeus, e
    ainda mais pelo facto de não se ter tratado de um ato isolado,
    mas sim uma organização metódica. Jornais de todo o mundo
    publicam imagens do atentado, baseadas nas descrições, com
    elementos mais ou menos fantasiosos, mas sendo sempre
    presente a imagem de Dª Amélia, de pé, indiferente ao perigo,
    fustigando os assassinos com um frágil ramo de flores. Em
    Londres, os jornais exibiam fotos das campas dos regicidas,
    cobertas de flores, com a legenda “Lisbon’s shame!”. É preciso
    não esquecer, para além do próprio carácter do ato, que se
    tratava de uma Europa à altura maioritariamente monárquica. No
    entanto, no próprio país, a reação não foi a esperada, valendo do
    rei de Inglaterra, Eduardo VII, amigo de D. Carlos e do Príncipe
    D. Luis Filipe, a frase: “Matam dois cavaleiros da Ordem da
    Jarreteira na rua como cães e lá no país deles ninguém se
    importa!”
O Processo
•   Lançou-se um rigoroso inquérito aos acontecimentos, primeiro
    presidido pelos juízes Alves Ferreira e depois por José da Silva
    Monteiro e Dr. Almeida de Azevedo que ao longo dos dois anos
    seguintes veio a apurar que o atentado, fora cometido por membros da
    Carbonária*, que pretendia enfraquecer a Monarquia. O processo de
    investigação estava concluído nas vésperas do 5 de Outubro, e o
    começo do processo judicial estava marcado para 25 do mesmo mês.
    Entretanto, tinham sido descobertos mais suspeitos do assassinato
    como Alberto Costa, Aquilino Ribeiro, Virgílio de Sá, Domingos
    Fernandes e outros. Alguns dos elementos estavam refugiados no
    Brasil e em França, e dois pelo menos foram mortos pela Carbonária.
…
•   Todo este esforço acabou por ser em vão: logo a seguir
    à Proclamação da República, o Juiz Almeida e Azevedo
    entregou o referido processo ao Dr. José Barbosa, membro do
    Governo provisório que o levou a Afonso Costa, Ministro da
    Justiça do Governo Provisório, e depois disso perdeu-se o
    rasto ao documento. Sabe-se que D. Manuel II, no exílio,
    recebeu uma cópia, facultada por um dos juízes, Almeida de
    Azevedo, mas essa também desapareceu em consequência de
    um roubo à sua residência ocorrido pouco tempo antes da sua
    morte, em 1932.
*Carbonária
•   A Carbonária era uma sociedade secreta e
    revolucionária que atuou na Itália,
    França, Portugal e Espanha nos séculos XIX e XX.
    Fundada na Itália por volta de1810, a sua ideologia
    assentava em valores libertacionais e fazia-se notar
    por um marcado anticlericalismo. Participou nas
    revoluções de 1820, 1830-1831 e1848. Embora não
    tendo unidade política, já que reunia monarquistas e
    republicanos, nem linha e ação definida, os
    carbonários (da italiano carbonaro, "carvoeiro")
    atuavam em toda a Itália. Reuniam-se secretamente
    nas cabanas dos carvoeiros, derivando daí o seu
    nome. Foi sugerido que o esparguete à carbonara foi
    por eles inventado. Inventaram uma escrita codificada,
    para uso em correspondência, utilizando um alfabeto
    carbonário.
Conclusão
     Ao realizarmos este trabalho, no âmbito da
disciplina de História e do respectivo tema, tivemos a
oportunidade de aprofundar o nosso conhecimento
em relação ao atentado a D. Carlos I e em relação ao
próprio.
     Foi um rei com princípios, que tentou sempre não
deixar mal o país.
           Com a realização deste trabalho,
concluímos ainda o significado de “Carbonária” entre
muitas outras coisas.
     Para finalizar… esperamos ter superado as
vossas expectativas em relação a este trabalho. 
Anexo

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WoI

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Regicídio de 1908

  • 1. Regicídio de 1908 Morte de D. Carlos I de Portugal
  • 2. Introdução Este trabalho vai ser realizado no âmbito da disciplina de História com o tema “Regicídio de 1908 – Morte de D. Carlos I de Portugal” . Vamos falar nas Consequências do respectivo Atentado, no próprio Atentado e como tudo aconteceu, na imagem com que Lisboa ficou na Europa (depois do sucedido), no processo e vamos dar uma pequena noção de Carbonária.
  • 3. Consequências do Atentado • O atentado foi uma consequência do clima de crescente tensão que perturbava o aspecto politico português. Dois fatores foram primordiais: em primeiro lugar o caminho traçado desde cedo pelo Partido Republicano Português como solução para a erosão do sistema partidário vigente, e em segundo lugar a tentativa, por parte do rei D. Carlos como árbitro do sistema político, papel que lhe era atribuído pela Constituição, de solucionar os problemas desse mesmo sistema, apoiando o Partido Regenerador Liberal de João Franco (que viria a instaurar uma ditadura). O progressivo desgaste do sistema político português, vigente desde a Regeneração, em parte devido à erosão política originada pela alternância de dois partidos no Poder: o Progressista e o Regenerador, agravou-se nos primeiros anos do Século XX com o surgimento de novos partidos, saídos diretamente daqueles.
  • 4. …Continuação • Em 1901 João Franco, apoiado por 25 deputados abandonou o Partido Regenerador, criando o Partido Regenerador Liberal. Em 1905 surge a da Dissidência Progressista, fundado por José Maria de Alpoim, que entrou em rutura com o partido Progressista, do qual se separou com mais seis deputados eleitos pelo mesmo partido. À intensa rivalidade entre os partidos, agravada por ódios pessoais, juntou-se a atitude e ações críticas do Partido Republicano, contribuindo para o descrédito do regime, já de si bastante desacreditado devido às dividas da Casa Real.
  • 5. O Atentado • O Rei, a Rainha e o Príncipe Real encontravam-se então em Vila Viçosa, no Alentejo, onde costumavam passar uma temporada de caça no inverno. O infante D. Manuel havia regressado dias antes, por causa dos seus estudos como aspirante na marinha. Os acontecimentos acima descritos levaram D. Carlos a antecipar o regresso a Lisboa, tomando o comboio, na estação de Vila Viçosa, na manhã do dia 1 de Fevereiro. Com cuidado para que a sua já preocupada mãe não se aperceba, o Príncipe real arma-se com o seu revólver de oficial do exército. Durante o caminho o comboio sofre um ligeiro descarrilamento junto ao nó ferroviário de Casa Branca.
  • 6. Isto provocou um atraso de quase uma hora. A comitiva régia chegou ao Barreiro ao final da tarde, onde tomou o vapor "D. Luís", com destino ao Terreiro do Paço, em Lisboa, onde desembarcaram, na Estação Fluvial Sul e Sueste, por volta das 5 horas da tarde, onde eram esperados por vários membros do governo, incluindo João Franco, além dos infantes D. Manuel e D. Afonso, o irmão do rei. Apesar do clima de grande tensão, o monarca optou por seguir em carruagem aberta, envergando o uniforme de Generalíssimo, para demonstrar normalidade. A escolta resumia-se aos batedores protocolares e a um oficial a cavalo, Francisco Figueira Freire, ao lado da carruagem do rei.
  • 7. …Continuação • Há pouca gente no Terreiro do Paço. Quando a carruagem circula junto ao lado ocidental da praça ouve-se um tiro e desencadeia-se o tiroteio. Um homem de barbas, passada a carruagem, dirige-se para o meio da rua, leva à cara a carabina que tinha escondida sob a sua capa, põe o joelho no chão e faz pontaria. O tiro atravessou o pescoço do Rei, matando-o imediatamente. Começa a fuzilaria: outros atiradores, em diversos pontos da praça, atiram sobre a carruagem, que fica crivada de balas. Os poucos populares correm em pânico e gera-se a confusão.
  • 8. … • Aproveitando isto, surge a correr de debaixo das arcadas um segundo regicida, Alfredo Costa, empregado do comércio e editor de obras de escândalo, que pondo o pé sobre o estribo da carruagem, se ergue à altura dos passageiros e dispara sobre o rei já tombado. • A rainha, já de pé, fustiga-o com a única arma de que dispunha: um ramo de flores, gritando “Infames! Infames!” O criminoso volta-se para o príncipe D. Luís Filipe, que se levanta e saca do revólver do bolso do sobretudo, mas é atingido no peito. A bala, de pequeno calibre, não penetra o esterno (segundo outros relatos, atravessa-lhe um pulmão, mas não era uma ferida mortal) e o Príncipe, sem hesitar, aproveitando porventura a distração fornecida pela atuação inesperada da rainha sua mãe, desfecha quatro tiros rápidos sobre o atacante, que tomba da carruagem. Mas ao levantar-se D. Luís Filipe fica na linha de tiro e o assassino da carabina atira a matar: uma bala de grosso calibre atinge-o na face esquerda, saindo pela nuca. D. Manuel vê o seu irmão já tombado e tenta estancar-lhe o sangue com um lenço, que logo fica ensopado.
  • 9. A imagem de Lisboa na Europa • A Europa ficou revoltada com o regicídio, uma vez que D. Carlos era estimado pelos restantes Chefes de Estado europeus, e ainda mais pelo facto de não se ter tratado de um ato isolado, mas sim uma organização metódica. Jornais de todo o mundo publicam imagens do atentado, baseadas nas descrições, com elementos mais ou menos fantasiosos, mas sendo sempre presente a imagem de Dª Amélia, de pé, indiferente ao perigo, fustigando os assassinos com um frágil ramo de flores. Em Londres, os jornais exibiam fotos das campas dos regicidas, cobertas de flores, com a legenda “Lisbon’s shame!”. É preciso não esquecer, para além do próprio carácter do ato, que se tratava de uma Europa à altura maioritariamente monárquica. No entanto, no próprio país, a reação não foi a esperada, valendo do rei de Inglaterra, Eduardo VII, amigo de D. Carlos e do Príncipe D. Luis Filipe, a frase: “Matam dois cavaleiros da Ordem da Jarreteira na rua como cães e lá no país deles ninguém se importa!”
  • 10.
  • 11. O Processo • Lançou-se um rigoroso inquérito aos acontecimentos, primeiro presidido pelos juízes Alves Ferreira e depois por José da Silva Monteiro e Dr. Almeida de Azevedo que ao longo dos dois anos seguintes veio a apurar que o atentado, fora cometido por membros da Carbonária*, que pretendia enfraquecer a Monarquia. O processo de investigação estava concluído nas vésperas do 5 de Outubro, e o começo do processo judicial estava marcado para 25 do mesmo mês. Entretanto, tinham sido descobertos mais suspeitos do assassinato como Alberto Costa, Aquilino Ribeiro, Virgílio de Sá, Domingos Fernandes e outros. Alguns dos elementos estavam refugiados no Brasil e em França, e dois pelo menos foram mortos pela Carbonária.
  • 12. … • Todo este esforço acabou por ser em vão: logo a seguir à Proclamação da República, o Juiz Almeida e Azevedo entregou o referido processo ao Dr. José Barbosa, membro do Governo provisório que o levou a Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório, e depois disso perdeu-se o rasto ao documento. Sabe-se que D. Manuel II, no exílio, recebeu uma cópia, facultada por um dos juízes, Almeida de Azevedo, mas essa também desapareceu em consequência de um roubo à sua residência ocorrido pouco tempo antes da sua morte, em 1932.
  • 13. *Carbonária • A Carbonária era uma sociedade secreta e revolucionária que atuou na Itália, França, Portugal e Espanha nos séculos XIX e XX. Fundada na Itália por volta de1810, a sua ideologia assentava em valores libertacionais e fazia-se notar por um marcado anticlericalismo. Participou nas revoluções de 1820, 1830-1831 e1848. Embora não tendo unidade política, já que reunia monarquistas e republicanos, nem linha e ação definida, os carbonários (da italiano carbonaro, "carvoeiro") atuavam em toda a Itália. Reuniam-se secretamente nas cabanas dos carvoeiros, derivando daí o seu nome. Foi sugerido que o esparguete à carbonara foi por eles inventado. Inventaram uma escrita codificada, para uso em correspondência, utilizando um alfabeto carbonário.
  • 14. Conclusão Ao realizarmos este trabalho, no âmbito da disciplina de História e do respectivo tema, tivemos a oportunidade de aprofundar o nosso conhecimento em relação ao atentado a D. Carlos I e em relação ao próprio. Foi um rei com princípios, que tentou sempre não deixar mal o país. Com a realização deste trabalho, concluímos ainda o significado de “Carbonária” entre muitas outras coisas. Para finalizar… esperamos ter superado as vossas expectativas em relação a este trabalho. 