Em busca do equilíbrio

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Em busca do equilíbrio

  1. 1. EM BUSCA DE EQUILÍBRIOA história da riqueza pernambucana, material ou não, costuma ser contadapelos seus conterrâneos com um tom de ufanismo que já virou marcaregistrada nesse pedaço do Brasil, quase “república independente”, tamanhaas diferenças culturais com seus vizinhos do Nordeste. Entre as joias da coroa,que quase virou colônia holandesa, a pujança de sua medicina é certamenteum dos capítulos mais exuberantes da saga de sua capital, Recife. Ao todo, opolo médico da cidade, considerado o segundo maior do país em termos deconcentração, possui cerca de quatro mil estabelecimentos de saúde, 12 milmédicos e mais de 67 mil empregos. A grandeza, no entanto, não poupa osempreendedores da área das dores do crescimento. Se, por um lado, oinvejável fortalecimento da economia do estado abre novas oportunidades denegócio no ramo, por outro, avolumam-se os desafios ligados principalmenteao atendimento dos usuários de planos de saúde.Criado há quase três décadas com base em dois marcos da medicinapernambucana – o Hospital Pedro II e o Real Hospital Português –, o polomédico do Recife concentra milhares de empresas independentes na capital eem seus arredores. Mas é na Ilha do Leite, bairro na região central, às margensdo Rio Capibaribe, que estão à origem e as principais referências do setor. Deacordo com o Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde eLaboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas de Pernambuco (Sindhospe), otítulo de vice-campeão – atrás apenas de São Paulo – entre os maioresconglomerados médicos do país é fruto de um levantamento da Confederação Av. Visconde de Albuquerque, 603 - Madalena - Recife - PE CEP: 50610-090 Fone: (81) 3227-1699 | www.berconsultoria.com.br
  2. 2. Nacional de Saúde (CNS), que levou em conta número de atendimentos,recursos tecnológicos e quantidade de leitos.A qualidade e a disponibilidade dos serviços fortalecem a referência dePernambuco na área médica, tanto que em Recife já existem empresasespecializadas em receber pessoas de outros estados e países que queremser tratadas na cidade. De acordo com a Secretaria de Turismo do estado, noano passado, cerca de 245 mil pessoas (7% dos visitantes) vieram em buscade serviços médicos. Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Ceará estãoentre os principais emissores. Os visitantes já somam 15% do total depacientes. Uma expertise que chega a ser explorada até mesmo pelo governode Pernambuco como argumento para atração de investimentos privados.Afinal, quem vai se mudar para o estado quer ter a certeza de que será bemcuidado.Com toda esta demanda, o polo médico do Recife hoje é o maior contribuintede Imposto Sobre Serviços (ISS) da cidade, correspondendo a R$ 11,5 milhõesno ano passado, 15,8% do total arrecadado pelo fisco municipal em 2011. Aolongo dos anos, o desenvolvimento se deu praticamente à margem do apoiogovernamental. Porém, diante do peso do mercado de saúde local, o governodo estado desonerou a importação de equipamentos, reduzindo o ImpostoSobre Circulação de Mercadorias (ICMS) de 17% para 5% – quando atransação é feita por uma importadora – e dando isenção nos casos em que acompra é feita diretamente pelo hospital. Já a Prefeitura Municipal do Recife dádesconto no ISS, cuja alíquota padrão é de 5%, para alguns serviços. É o casoda quimioterapia e da radioterapia, que têm alíquota de 4%, e dosprocedimentos vinculados a convênios com o Sistema Único de Saúde (SUS),com 2%. “Tivessem os poderes públicos um olhar voltado para este setor danossa economia, o nosso estado seria hoje uma referência continental”,lamenta o diretor-presidente do Hospital Memorial São José, primeiro doNordeste a ter o cobiçado selo JCI, José Aécio Fernandes Vieira.A participação mais importante do poder público talvez seja a presença na redeassistencial. Atualmente, são 3,6 mil leitos em hospitais públicos. Osatendimentos do SUS no estado representam cerca de 40 milhões deprocedimentos ambulatoriais, 600 mil internações e 150 mil partos. A referênciado polo também em pesquisa e formação é forte. Diretor de Ensino, Pesquisa eExtensão do Hospital das Clínicas da UFPE, José Ângelo Rizzo realça aparticipação da instituição com áreas em que é exclusiva, como a residênciamédica em alergia – a UFPE é a única no Nordeste com essa oferta. Eletambém lembra do respeito que a instituição usufrui pela liderança empesquisas que vão de biopolímeros para curativos e próteses a inovações nasáreas de fígado e de cirurgia. Rizzo espera que, no futuro, o HC possa estarmais presente no atendimento ambulatorial. Atualmente, a unidade é referênciaem procedimentos de alta complexidade.A formação de médicos também se amplia. Está prevista para 2013 a criaçãode 340 vagas de graduação em medicina em Pernambuco – 240 na redeparticular em Recife e Olinda (na Uninassau e na Faculdade de Medicina deOlinda (FMO), que está em criação) e 100 na rede pública do interior (no Av. Visconde de Albuquerque, 603 - Madalena - Recife - PE CEP: 50610-090 Fone: (81) 3227-1699 | www.berconsultoria.com.br
  3. 3. campus da UFPE de Caruaru e na unidade da Universidade de Pernambuco(UPE) de Serra Talhada).OPORTUNIDADES – A cadeia produtiva ligada ao polo é outro ponto quemerece atenção. Além de serviços relacionados ao usuário, a exemplo delaboratórios e clínica de diagnóstico por imagem, empresas ligadas aosegmento de saúde, como de higienização e tecnologia da informação,crescem ao lado das que já estão consolidadas. Fornecedores também veemno estado uma ótima oportunidade. Pernambuco é hoje um dos principaisimportadores de equipamentos de marcas como Toshiba e Philips MedicalSystems. A demanda por serviços direcionados às empresas do setor sócresce. Para os usuários, o movimento é o mesmo. “O serviço de home caretem ampla margem de evolução na capital pernambucana”, avalia o consultorBreno Santana, da B&R Consultoria. Ele explica que, apesar de o coração dopolo se manter na Ilha do Leite, muitas das empresas ligadas à área médica jáse irradiaram por outras regiões da cidade, a exemplo de bairros da zonanorte.Trata-se de uma descentralização que ocorre em escala maior fora da capital.Até 2016, Pernambuco terá seu polo farmacoquímico, que está sendo montadoem uma área de 345 hectares em Goiana, na divisa com a Paraíba. Lá serãoinstaladas empresas voltadas para a produção de medicamentos ebiotecnologia, como Hemobrás – primeira a se estabelecer, com previsão para2014 –, Novartis, Riff e Multilab.Goiana, aliás, é uma das cidades fora da Região Metropolitana do Recife quereceberão os maiores investimentos industriais de Pernambuco. A exemplo doque ocorre nos arredores de Cabo de Santo Agostinho (ao sul da capital), comas empresas do Complexo Portuário de Suape, Goiana terá um crescimentoexponencial de novos moradores, passageiros e permanentes, e todos vãorequerer cuidados médicos. Nos próximos anos, lá serão instalados a novafábrica da montadora Fiat – e toda uma cadeia produtiva estimada em pelomenos 50 empresas –, um complexo imobiliário e dois hotéis.DESAFIOS – Mesmo com esses horizontes em outros segmentos e cidades,no Recife, hospitais, clínicas, consultórios, laboratórios e outros serviços deatendimento ao usuário estão diante, talvez, de uma fase de ruptura.“Rearrumação” foi a palavra que o secretário executivo de Desenvolvimento deNegócios da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico dePernambuco, Roberto Abreu e Lima, usou para descrever a fase atual do polomédico. Um termo que permeia a avaliação de especialistas consultados pelaDiagnóstico.Nos últimos anos, novas empresas de pequeno e médio porte, fundadas emPernambuco e em outros estados, se agregaram ao polo. Porém, não foramcriados novos hospitais na rede privada, embora os existentes não tenhamparado de investir. Em julho, o Hospital Santa Joana aplicou R$ 12 milhões emnovos leitos de UTI e serviços clínicos cirúrgicos e esterilização. Em setembro,o Hospital Unimed Recife III dará início aos atendimentos na área deemergência, que está em fase final de preparação e na qual foram investidos Av. Visconde de Albuquerque, 603 - Madalena - Recife - PE CEP: 50610-090 Fone: (81) 3227-1699 | www.berconsultoria.com.br
  4. 4. R$ 15 milhões. “Objetivamos, através do aperfeiçoamento, nos equiparar nãoapenas a hospitais do Sudeste do país, como também buscar referenciais dequalidade em instituições internacionais”, comenta José Aécio FernandesVieira, do Memorial.Com especialização na Inglaterra, ele explica que a evolução da medicinapernambucana fez o estado conquistar um paralelo importante com o queexiste de mais avançado no mundo em termos de conhecimento e tecnologia.“O estudante de medicina não precisa mais sair do Brasil para ser um grandemédico”, afirma o empresário, cirurgião de formação. “E ainda temos muito aevoluir”.Essa expansão tem penalizado justamente os hospitais, que vêm sofrendo comas dores do crescimento e da pujança pernambucana. O ritmo dedesenvolvimento econômico do estado é acelerado: em 2011, Pernambucoregistrou incremento de 4,5% no Produto Interno Bruto (PIB), enquanto no paísesse percentual foi de 2,7%. Um dinamismo que vem principalmente dosinvestimentos nos arredores do Complexo Portuário de Suape, a 60km doRecife. São indústrias e empresas de diversos portes e segmentos que, porsua vez, agregam muitas pessoas em seus quadros funcionais. Aliado a isso,há o avanço geral do país, que aparece principalmente no ganho de renda daclasse C.Todos esses atores formam um cenário de aumento cada vez mais acentuadode usuários de planos de saúde. Somente na Região Metropolitana do Recife,entre março de 2011 e março de 2012, a quantidade de clientes dasoperadoras saltou 80,6% , chegando a 1,19 milhão de vidas – 30,6% dapopulação do conjunto de 17 municípios vizinhos à capital. E a procura porserviços de saúde só tende a crescer. “Em pouco espaço de tempo, oshospitais não terão mais estrutura física para atender os usuários dasoperadoras de planos de saúde”, opina o gerente de Informações doSindhospe, Iberê Monteiro. O pesquisador Policarpo Lima, professor daUniversidade Federal de Pernambuco e coautor dos artigos Um cluster emconstrução e Desafios do polo médico do Recife, ressalta que estecrescimento do número de usuários se dá em famílias de renda mais baixa eque usam planos básicos: “Trata-se de um momento favorável para algunssegmentos, a exemplo de diagnóstico por imagem e laboratórios”, afirma. “Masé necessário que hajam investimentos para atender a esta demanda”.Todo esse mar de novos usuários gera ondas de inchaço na rede hospitalar, oque acaba refletindo no aumento do tempo de atendimento e na qualidade dosserviços. Crescimento de demanda, no entanto, nunca foi um fator dedificuldade no mundo dos negócios. Ao contrário, é o que todo empresáriodeseja. O problema é que, no caso dos serviços médicos, ele não éproporcional à atratividade da remuneração. O embate entre unidadesmédicas, médicos e operadoras de planos de saúde é uma discussão pública eque se arrasta há anos. Com mais de 90% de seus clientes ligados a essasempresas, os prestadores de serviços da área de medicina se veem refénsdesse sistema, com recursos para investimentos limitados devido aoestreitamento das margens de lucro. Av. Visconde de Albuquerque, 603 - Madalena - Recife - PE CEP: 50610-090 Fone: (81) 3227-1699 | www.berconsultoria.com.br
  5. 5. Soma-se a isso a dificuldade de recebimento dos pagamentos, como lembra odiretor-presidente do Hospital Santa Joana, Eustácio Vieira: “Começa desdequando o paciente se interna, com as dificuldades impostas pelas operadorasao longo deste processo”, enumera. “As consequências são pagamentosretardados, penalizantes para o fluxo de caixa da instituição”. Esse é umimpasse que, claramente, não afeta apenas o polo médico do Recife, mas suasolução é considerada da maior importância estratégica para o trade de saúdede Pernambuco. “É preciso que seja feita uma reflexão um pouco mais maduranesse aspecto”, aconselha o consultor Breno Santana. “Se nada for feito, daquia três ou quatro anos poderá haver um estrangulamento do sistema”. Naopinião de Aécio Vieira, do Memorial, todos os que atuam neste mercadodevem estar envolvidos: “Um dos principais desafios dos empreendedores é arevisão do modelo de relacionamento entre os prestadores de serviços(profissionais, serviços diagnósticos, hospitais) e operadoras de saúde”.Assim como em setores em expansão no país, na área médica do Recife oaumento da demanda também afeta diretamente a busca por profissionaisqualificados. De médicos especializados a gestores. Para o pesquisadorPolicarpo Lima, universidades e institutos de pesquisa precisam estar maisarticulados com o mercado. “Essa interação continua não existindo. Teria queter alguma entidade pública para fazer essa ponte, marcando presença noshospitais universitários, aumentando as vagas de residência”, salienta. “Mascontinua havendo limitações nesse sentido”, avalia o pesquisador.A tendência de operadoras de saúde criarem suas próprias clínicas e hospitaisé outro ponto preocupante, na opinião de Eustácio Vieira, do Santa Joana.“Creio que seremos cada vez mais dependentes de uma excelente capacidadegerencial de todas as áreas que fazem o complexo sistema e de confiáveisparcerias com as operadoras, em especial aquelas que não adotam o sistemade verticalização dos seus serviços”. Alexandre Loback, diretor executivo doHospital Esperança, diz que pontos como segurança e qualidade naassistência, ações com base em sustentabilidade e, principalmente, umatendimento cada vez mais humanizado não podem ser colocados em segundoplano. “Cada vez menos a tecnologia será um diferencial neste mercado, quepassa por um momento de reavaliação de conceitos, em que a segurança docliente se torna cada vez mais importante”. Os desafios não são poucos. Mas aconfiança na qualidade e no poder de superação do polo médico do Recife semostra bem mais robusta. ***Novos players diversificam o mercadoUma das grandes apostas do polo de saúde pernambucano vai além de suasfronteiras. Depois de iniciativas pontuais de hospitais e pequenos serviços desaúde, o turismo médico vem se profissionalizando, inclusive com apoio formaldo governo. Alberto Cherpak, sócio-diretor da TourismedBrazil, especializadaem turismo médico, explica que o polo médico do Recife tem atraído pacientesde outros países pela sua diversidade, qualidade e preços competitivos. Av. Visconde de Albuquerque, 603 - Madalena - Recife - PE CEP: 50610-090 Fone: (81) 3227-1699 | www.berconsultoria.com.br
  6. 6. Interessada também pela facilidade de falar a mesma língua, a maioria dospacientes internacionais que procuram a cidade é de países lusófonos,especialmente do continente africano. Nesse segmento, atualmente, o Recifeconcorre com Colômbia, Costa Rica, México e alguns países da América doSul. “O objetivo é fazer com que o destino Recife possa ser reconhecido nomercado internacional como um local com facilidade no acesso ao sistema desaúde”, comenta Cherpak.Para o gerente médico do Real Hospital Português, Guilherme Robalinho, apreferência dos pacientes estrangeiros pelo segmento médico-hospitalarpernambucano se deve à completa estrutura do mercado local. “Ao lado darede pública de saúde e de centros de pesquisas universitários, existe umarede de hospitais privados, equipados com tecnologia de ponta e capacitadospara o diagnóstico e o tratamento clínico ou cirúrgico das mais variadaspatologias médicas”, salienta o executivo. Uma das instituições de saúde maistradicionais de Pernambuco, com 156 anos de história, o Real Português estáentre os destinos preferidos dos turistas que buscam o estado para tratamentomédico.As ferramentas de gestão também estão na lista dos produtos e serviços cujaoferta está em ampliação. Fundada no Rio Grande do Sul e instalada no Recifeem meados da década de 1990, a MV Sistemas hoje atende a mais de 500instituições, 80 mil médicos e 100 mil profissionais no Brasil, na África eAmérica Latina. Hoje, mais da metade dos 800 colaboradores sãopernambucanos. “Estamos conectados ao polo e sempre avançando com ele”,pontua Paulo Magnus, fundador da MV Sistemas, que hoje é líder no mercadode sistemas de gestão de saúde e a sexta maior empresa brasileira desoftware.Outra empresa que está diretamente ligada à administração hospitalar no polomédico do Recife é a Síntese, que faz gestão de compras online para asunidades de saúde. De origem francesa, o sócio-diretor Bertrand Gourgue veiopara o Brasil para trabalhar com compras online em Brasília, onde o foco era osegmento de entidades filantrópicas. Foi quando representantes de hospitaislocais e de grupos europeus o convidaram para criar uma empresa na mesmaárea no Recife, há 12 anos. “Quando cheguei me impressionei com a pujançado polo”, conta Bertrand. Em 2009, a empresa passou a atuar também comcotações eletrônicas. Atualmente, a Síntese tem uma carteira de mais de 100hospitais atendidos. ***Origens no século 19Inaugurados com poucos anos de diferença, em meados do século 19, e commenos de dois quilômetros de distância entre si, o Real Hospital Português e oHospital Dom Pedro II podem ser considerados as raízes do que hoje é o polomédico do Recife. Rapidamente as instituições viraram referências da medicinanordestina. E as novas unidades de saúde da região tinham preferência de se Av. Visconde de Albuquerque, 603 - Madalena - Recife - PE CEP: 50610-090 Fone: (81) 3227-1699 | www.berconsultoria.com.br
  7. 7. instalar próximas a eles, tanto pela riqueza de pessoal capacitado e atualizadosempre por perto, quanto pela atração de pacientes.Erguido em 1855, o RHP hoje é hospital líder do Recife e de todo o Nordeste,com 117 mil metros quadrados de área construída e mais de 160 leitos de UTI,tendo realizado em 2011 mais de 230 mil atendimentos de urgência. Já o DomPedro II passou 28 anos fechado, depois de sair da administração daUniversidade Federal de Pernambuco. A instituição havia assumido o DomPedro II em 1920, mas na década de 1980 transferiu seu pessoal para oHospital das Clínicas, em seu campus na zona oeste da capital. Enquantoesteve com o primeiro hospital, porém, a UFPE manteve o Dom Pedro II comoum centro de excelência e de vanguarda na medicina nordestina. Foi lá, porexemplo, que se realizou a primeira cirurgia cardíaca com circulaçãoextracorpórea do Norte-Nordeste. Desde 2006 a unidade está sobadministração do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira(Imip), que o restaurou e reinaugurou em 2010.Formado de modo espontâneo e por longos anos sem qualquer atenção“econômica” por parte do poder público, o polo médico do Recife teve suaépoca de ouro entre as décadas de 1980 e 1990. Vários segmentos foramsendo ampliados e muitos profissionais da área buscaram aperfeiçoamento emcentros mais desenvolvidos do país ou do exterior, voltando depois paraconstituir equipes médicas e formar grupos econômicos com base emassociações. Em suas pesquisas sobre o polo, o professor da UFPE PolicarpoLima ressalta que até 1998 o polo apresentou expansão considerável, com“novos hospitais, laboratórios, centros de diagnóstico por imagem e clínicasmédicas, ao lado da ampliação de fornecedores de insumos e serviços e até dosurgimento de algumas empresas produtoras de equipamentos específicos”.Segundo Policarpo, após esse período, o setor passou a enfrentar algumasdificuldades, devido à conjuntura de crise na economia, caracterizada pelaestagnação do crescimento, a elevação do desemprego e a redução desalários reais, bem como as sucessivas desvalorizações do real. Os anosseguintes, até então, foram pontuados por capacidade ociosa e crescimentonulo ou muito baixo. Agora, o polo cresce principalmente entre as empresas demicro e pequeno porte, enquanto os hospitais têm como sua principal receitaos usuários de planos de saúde, também sua principal ameaça. Av. Visconde de Albuquerque, 603 - Madalena - Recife - PE CEP: 50610-090 Fone: (81) 3227-1699 | www.berconsultoria.com.br

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