O Auto da Compadecida

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O Auto da Compadecida

  1. 1. O Auto da Compadecida Ariano Suassuna
  2. 2. Segundo o autor, a peça nasceu dafusão de três folhetos de cordel:O enterro do cachorroO cavalo que defecava dinheiroO castigo da soberba.
  3. 3. O texto propõe-se como resultado deuma pesquisa sobre a tradição oral,fixados ou não em termos de literaturade cordel. Propõe, portanto, um enfoqueregionalista ou, pelo menos, organizaum acervo regional com vistas a umacomunicação estética mais trabalhada.
  4. 4. O texto propõe-se como um auto.
  5. 5. PALHAÇO(…) Espero que todos os presente aproveitem osensinamentos desta peça e reformem suas vidas,se bem que eu tenho certeza de que todos os queestão aqui são uns verdadeiros santos, praticantesda virtude, do amor a Deus e ao próximo, semmaldade, sem mesquinhez, incapazes de julgar ede falar mal dos outros, generosos, sem avareza,ótimos patrões, excelentes empregados, sóbrios,castos e pacientes (p.137).
  6. 6. A síntese de um modelo medieval com um modeloregional resulta, na peça, como concebida pelo Autor. Severificar que as tendências mais importantes doModernismo definem-se no esforço por uma síntesenacional dos processos estáticos, pode-se concluir que otexto do Auto da Compadecida se insere naspreocupações gerais desse estilo de época, deflagrado apartir de 1922, com a Semana de Arte Moderna, em SãoPaulo. Um modelo característico dessa síntese seencontra em Macunaíma, de Mário de Andrade, de 1927,e em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa (1956),entre outros.
  7. 7. O Autor não propõe, nas indicaçõesque servem de base para arepresentação, nenhuma atitude delinguagem oral que seja regionalista.
  8. 8. O Autor busca encontrar umaexpressão uniforme para todas apersonagens, na presunção de que adiferença entre os atores estabeleça adiferença nos chamados registros dafala.
  9. 9. A composição da linguagem é a maispróxima possível da oralização, isto, é,o texto serve de caminho para uma viaoral de expressão.
  10. 10. Os únicos registros diferentes correm, com indicados no própriotexto, por conta:a) do Bispo, "personagem medíocre, profundamente enfatuado"(p.72), como se nota nesta passagem:"Deixemos isso, passons, como dizem os franceses" (p.74).b) de Manuel (Jesus Cristo) e da Compadecida (Nossa Senhora), figurasdesataviadas, embora divinas, porque são concebidas como encarnadasem pessoas comuns, como o próprio João Grilo:"MANUEL: Foi isso mesmo, João. Esse é um dos meus nomes, mas vocêpode me chamar de Jesus, de Senhor, de Deus... Ele / isto é, oEncourado, o Diabo / `gosta de me chamar Manuel ou Emanuel, porquepensa pode persuadir de que sou somente homem. Mas você, sequiser, pode me chamar de Jesus". (p.147)A COMPADECIDA: Não, João, por que iria eu me zangar? Aquele é oversinho que Canário Pardo escreveu para mim e que eu agradeço. Nãodeixa de ser uma oração, um invocação. Tem umas graças, mas isso até atorna alegre e foi coisa de que eu sempre gostei. Quem gosta de tristezaé o diabo (p.171).
  11. 11. Quatro denominações de personagensreferem-se a determinadoscondicionamentos regionais: João Grilo,Severino do Aracaju, o Encourado (o Diabo)e Chicó. Quanto ao Encourado, o Autor dáa seguinte explicação:Este é o diabo, que, segundo uma crençado sertão do Nordeste, é um homem muitomoreno, que se veste como um vaqueiro. (p.140)
  12. 12. A- A peça não se apresenta dividida em atos. Como o autor dá plenaliberdade ao encenador e ao diretor para definirem o estilo darepresentação, convém anotar que são por ele sugeridos três atos, cujadivisão ou não por conta dos responsáveis pela encenação:B- Do ponto de vista técnico, o Autor concebe a peça como umarepresentação dentro de outra representação./.../ o Autor gostaria de deixar claro que seu teatro é mais aproximadodos espetáculos de circo e da tradição popular do que do teatromoderno (p.22).
  13. 13. Oposição bem x mal =visão maniqueísta cristã
  14. 14. Como proposição estética, o Auto da Compadecida procuracorporificar as seguintes noções:1- a criação artística, o teatro em particular, devem levar o povo, acultura desse povo a ele mesmo. Daí o circo, seu picadeiro e arepresentação dentro da representação.2- menos do que essa realidade regional e cultural de um povo, o queimporta é criar um projeto que defina idéias e concepções universais (asda Igreja, no caso) com o fim de consciencializar o público. Por essemotivo a realidade regional nordestina é, no caso, instrumento de umaidéia e não fim em si nessa;3- criar um texto teatral é, antes de tudo, criá-lo para uma encenação,daí a absoluta liberdade que o autor da para qualquer modalidade deencenação. O próprio texto final da peça, como editado, é o resultadoda experiência colhida a representação pública.

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