Análise da cobertura da ratificação do Acordo de Paris

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Repercussão no dia da cerimônia e no dia seguinte. Pauta ingrata. Esforço de divulgação pra relevância e gravidade do assunto. O maior desafio que a humanidade tem que enfrentar precisa do jornalismo pautando clima, meio ambiente e sustentabilidade todo dia, o dia todo.
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Resumo ilustrado do artigo Qual o problema da imprensa com o clima? com análise da cobertura da imprensa para a ratificação pelo Brasil do Acordo de Paris, no período de 12 a 13 de setembro de 2016.
Autoria:
Beatriz Diniz
Criativa do Eco Lógico [conteúdo sem fins lucrativos, feito com amor desde 2009] e da Eii, Amoreco [comunicação de propósito]. Jornalista com Especialização em Gestão Ambiental, formação em Desenvolvimento Sustentável e Liderança em sustentabilidade nas cidades.
Marcia Pimenta
Fundadora do blog Pimenta no Meio. Produtora de conteúdo especializado. Craque em relacionar o cotidiano com meio ambiente e sustentabilidade. Jornalista com Especialização em Gestão Ambiental.

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Análise da cobertura da ratificação do Acordo de Paris

  1. 1. QUAL O PROBLEMA DA IMPRENSA COM O CLIMA? Beatriz Diniz e Marcia Pimenta
  2. 2. ANÁLISE DA COBERTURA DA RATIFICAÇÃO DO ACORDO DE PARIS PELO BRASIL PERÍODO: 12 E 13 DE SETEMBRO, 2016
  3. 3. O Brasil ratificar o Acordo de Paris foi bonito, mas, tem um abismo entre o assinado e a realidade, que o jornalismo ajudaria a diminuir.
  4. 4. O Brasil ratificar o Acordo de Paris foi bonito, mas, tem um abismo entre o assinado e a realidade, que o jornalismo ajudaria a diminuir. POR QUE?
  5. 5. A cada mês é registrado aumento recorde na temperatura global.
  6. 6. A cada mês é registrado aumento recorde na temperatura global. A cada ano o aumento da temperatura do planeta bate o recorde do anterior.
  7. 7. Por isso que a gente precisa falar mais, e repetidamente, sobre aquecimento global e mudanças climáticas.
  8. 8. Por isso que a gente precisa falar mais, e repetidamente, sobre aquecimento global e mudanças climáticas. É relevante, afeta a vida de geral e requer sociedades esclarecidas.
  9. 9. A gente checou ocorrências de divulgação no dia da ratificação e no dia seguinte à cerimônia. Bora conferir!
  10. 10. COBERTURA DA RATIFICAÇÃO A ratificação do Acordo de Paris pelo Brasil não foi pra capa dos principais jornais do país nem teve destaque em suas edições digitais e nos telejornais da TV aberta.
  11. 11. A cerimônia na segunda 12/9 até foi noticiada pelos meios de comunicação, só que timidamente.
  12. 12. A cerimônia na segunda 12/9 até foi noticiada pelos meios de comunicação, só que timidamente. O também chamado acordo do clima, importantão pra o mundo todo, tem pouco prestígio na imprensa brasileira.
  13. 13. A cobertura da imprensa pra ratificação do Acordo de Paris pelo Brasil foi desproporcional à relevância e gravidade do assunto.
  14. 14. A cobertura da imprensa pra ratificação do Acordo de Paris pelo Brasil foi desproporcional à relevância e gravidade do assunto. No dia seguinte, a natureza se encarregou de mostrar como se sente na pele o aquecimento global.
  15. 15. Aterça 13/9 foi o dia mais quente do inverno na cidade do rio de janeiro
  16. 16. Gancho perfeito para esquentar a pauta da ratificação e noticiar mais sobre clima, apresentando seu efeito no cotidiano e incluindo o dado fresquinho divulgado pela NASA de que o agosto de 2016 foi o mais quente em 136 anos.
  17. 17. Gancho perfeito para esquentar a pauta da ratificação e noticiar mais sobre clima, apresentando seu efeito no cotidiano e incluindo o dado fresquinho divulgado pela NASA de que o agosto de 2016 foi o mais quente em 136 anos. SÓ QUE NÃO
  18. 18. Comparando com o fluxo de fatos desimportantes tornados notícia pela imprensa, a cobertura da ratificação do acordo do clima por aqui foi bem mixuruca.
  19. 19. Comparando com o fluxo de fatos desimportantes tornados notícia pela imprensa, a cobertura da ratificação do acordo do clima por aqui foi bem mixuruca. UMA TRISTEZA
  20. 20. Dá ainda mais tristeza se a gente levar em consideração que não falta espaço editorial pras notícias do futebol e pras boçalidades sobre celebridades [o que sequer é notícia, jornalisticamente falando, é só marketing mesmo, negócios].
  21. 21. E isso faz diferença? Ô, e como!
  22. 22. Informação é imprescindível para a sociedade alavancar atitudes e compromissos dos governantes! Sem a sociedade pressionando ninguém sai do lugar. Sem informação, a sociedade fica na ignorância sobre o que está em jogo.
  23. 23. Um planeta saudável que tenha capacidade de dar suporte pra vida da gente.
  24. 24. REPERCUSSÃO NO DIA No UOL Notícias foi publicada matéria na editoria Ciência às 11h23 [clica aqui para ler]. Vale destacar que a fonte consultada e citada é o Observatório do Clima, a fonte mais especializada em clima no país. Fica a dica pra jornalistas: consultem o pessoal do OC na próxima pauta sobre clima.
  25. 25. REPERCUSSÃO NO DIA Também vale botar reparo no detalhe da foto na matéria do UOL [renderia uns memes]: Rodrigo Maia, presidente da Câmara, ajeitando a calça indo ladear a assinatura com o ministro do meio ambiente, Zequinha Sarney. A edição Brasil da Deutsche Welle noticiou às 11h55 e já no título deu um ótimo apelo de atração para o conteúdo: entenda o que está em jogo [olha aqui a notícia]. Obteve mais interação no Twitter que o UOl.
  26. 26. REPERCUSSÃO NO DIA O Globo on line soltou às 11h55 matéria de Eduardo Barretto e Catarina Alencastro [atualizada à noite, vê aqui], publicada na editoria Sociedade/Sustentabilidade, e aproveitou a pauta da ratificação no mesmo dia às 12h02 [com atualização às 14h59] pra gerar conteúdo com o apelo de explicar o acordo [acessa aqui], com SOS Mata Atlântica e Greenpeace como fontes especializadas.
  27. 27. REPERCUSSÃO NO DIA Outra ocorrência de notícia sobre a ratificação é do G1, publicada na editoria política às 11h31 [atualizada às 13h27 às 13h27] e também distribuída pela editoria Globo Natureza [vê aqui], relatando a cerimônia, sem mencionar a participação do Observatório do Clima e sem consultar fontes especializadas.
  28. 28. REPERCUSSÃO NO DIA SEGUINTE Nada na edição digital do Estadão. Nada na capa do UOl, nem em Ciência e Saúde. Na capa do UOL Notícias estava publicado um artigo do NYT sobre os perigos do aquecimento global, no entanto, sem uma chamadinha mais pra ratificação brasileira. Nada no site do El País edição Brasil.
  29. 29. REPERCUSSÃO NO DIA SEGUINTE Nadica de nada na capa de O Globo sobre a ratificação do Acordo de Paris pelo Brasil. Nada na capa da Folha de São Paulo também [na edição São Paulo e na nacional coube publicidade pra vender um ícone de poluição e não espaço pra uma notícia relevante]. Uma passada na banca para checar outros jornais do Rio e....nada! Nada em O Dia, nada no Extra, apesar de serem jornais de uma cidade litorânea [mais vulnerável às mudanças climáticas].
  30. 30. Ô PAUTA INGRATA... As notícias publicadas pela imprensa são também divulgadas nas redes sociais dos meios, nas quais são impulsionadas na medida da repetição e não só da força do conteúdo.
  31. 31. A matéria do UOl Notícias publicada no Twitter só teve 1 retwite. Taí uma indicação do porquê da imprensa convencional não investir na cobertura especializada nem na distribuição do conteúdo produzido além do básico [como a assinatura de um acordo] e das tragédias [que rendem muitos cliques].
  32. 32. A importância diminuída da mudança climática pela imprensa brasileira também reflete como a pauta é oferecida.
  33. 33. A importância diminuída da mudança climática pela imprensa brasileira também reflete como a pauta é oferecida. O aviso de pauta do Ministério do Meio ambiente [MMA] foi publicado 1 vez em 9/9 no Twitter e teve só 2 retuítes. Devia ter sido repetido até 11/9, diversas vezes a cada dia, com variações de chamada, pra obter maior alcance conforme a relevância da pauta.
  34. 34. A análise da cobertura da ratificação demonstra que o Ministério do Meio Ambiente poderia diminuir a distância entre a pauta e a imprensa com outros esforços de relacionamento e influência qualificada e qualificadora.
  35. 35. Uma distribuição tímida vai ter uma cobertura tímida.
  36. 36. Uma distribuição tímida vai ter uma cobertura tímida. Ainda mais a pauta que já não é tratada com a devida importância, por não ser atrativa nem contar com predominância de profissionais nas redações com interesse e conhecimento atualizado em clima, meio ambiente e sustentabilidade.
  37. 37. A cerimônia foi transmitida ao vivo pela TV NBR e pelo Facebook do Palácio do Planalto. Teve cobertura on line do Observatório do Clima e do Instituto Socioambiental pelas redes sociais, com fontes especializadas acessíveis.
  38. 38. A cerimônia foi transmitida ao vivo pela TV NBR e pelo Facebook do Palácio do Planalto. Teve cobertura on line do Observatório do Clima e do Instituto Socioambiental pelas redes sociais, com fontes especializadas acessíveis. Tava fácil para a imprensa cobrir.
  39. 39. A participação do Observatório do Clima deu o conteúdo explicativo do assunto pra consulta direta em tempo real, sem que a produção precisasse dar um telefonema ou mandar um zap sequer pra rechear suas matérias com informações técnicas.
  40. 40. A participação do Observatório do Clima deu o conteúdo explicativo do assunto pra consulta direta em tempo real, sem que a produção precisasse dar um telefonema ou mandar um zap sequer pra rechear suas matérias com informações técnicas. Detalhe que devia ter sido explorado na divulgação por qualificar a cobertura e facilitar o entendimento da relevância da pauta para jornalistas e editores leigos.
  41. 41. EUA, CHINA E É NÓIS NA HISTÓRIA Por ser um dos maiores emissores de gases do efeito estufa, o Brasil ratificar do Acordo de Paris teve repercussão em jornais estrangeiros e na mídia especializada internacional, inclusive influenciadores.
  42. 42. A repercussão lá fora não foi repercutida aqui. Se nem o Ministério do Meio Ambiente bota valor nisso, quem vai destacar?
  43. 43. A repercussão lá fora não foi repercutida aqui. Se nem o Ministério do Meio Ambiente bota valor nisso, quem vai destacar? E aí é só mais do mesmo. Processo padrão, reprodução do tratamento de diminuição que a imprensa já dá pra pauta clima [e meio ambiente e sustentabilidade], desperdício de oportunidade de ajudar a imprensa a ampliar a cobertura.
  44. 44. POUCO ESFORÇO PRA RELEVÂNCIA Na busca no Google por “Brasil ratifica acordo de Paris” há somente 11 ocorrências de notícias na primeira página [em seguida 6 relacionadas ao tema, de datas anteriores]. Entre elas, uma é da ONU, uma do Portal Brasil e duas do Blog do Planalto.
  45. 45. O resultado indica que o assunto não bombou, ou melhor, foi noticiado sem ser bombado na internet pela imprensa, mesmo com sua enorme relevância pra a vida da gente.
  46. 46. O resultado indica que o assunto não bombou, ou melhor, foi noticiado sem ser bombado na internet pela imprensa, mesmo com sua enorme relevância pra a vida da gente. O fato do Brasil ratificar o acordo do clima teve cobertura, foi produzido conteúdo noticioso sobre o assunto, só que as notícias tiveram pouco esforço de distribuição pra que pudessem obter alto alcance e intensa circulação.
  47. 47. Esse esforço vai da força criativa no título à quantidade de vezes que se publica nas redes sociais e ao período de validade conferida ao conteúdo pela importância e/ou potencial de render interação e/ou gerar cliques em links [e levar pra publicidade que financia os serviços de jornalismo].
  48. 48. O alcance seria maior se os meios tivessem publicado suas notícias 10 vezes ao longo do dia em suas redes sociais, como é feito com notícias sobre futebol e boçalidades de celebridades.
  49. 49. Publicar mais 10 ou 20 vezes é dar a chance a um número muito maior de brasileiros de saber mais sobre o maior desafio que a humanidade tem que enfrentar: o aquecimento global e as mudanças climáticas.
  50. 50. Publicar mais 10 ou 20 vezes é dar a chance a um número muito maior de brasileiros de saber mais sobre o maior desafio que a humanidade tem que enfrentar: o aquecimento global e as mudanças climáticas. E enfrentar hoje, não é conversa pra amanhã, é pra gente chegar num amanhã melhorzinho.
  51. 51. Tocando a real, repetir dois dias, 20 vezes, é pouco. Até porque nem é lá tão custoso o esforço operacional para isso: crtl c/crtl v, hashtags e programa os horários pra publicar automaticamente.
  52. 52. Tocando a real, repetir dois dias, 20 vezes, é pouco. Até porque nem é lá tão custoso o esforço operacional para isso: crtl c/crtl v, hashtags e programa os horários pra publicar automaticamente. O assunto nada atrativo tem que chegar em mais e mais pessoas.
  53. 53. A função do jornalismo nessa empreita é estratégica. As próximas gerações vão colher o que a gente semear no presente.
  54. 54. Veja mais da análise da cobertura da ratificação no artigo publicado no Portal Envolverde e no Portal EcoDebate. E, por gentileza, compartilhe.
  55. 55. QUAL O PROBLEMA DA IMPRENSA COM O CLIMA? ANÁLISE DA COBERTURA DA RATIFICAÇÃO DO ACORDO DE PARIS PELO BRASIL
  56. 56. Beatriz Diniz Criativa do Eco Lógico [conteúdo sem fins lucrativos, feito com amor desde 2009] e da Eii, Amoreco [comunicação de propósito]. Jornalista com Especialização em Gestão Ambiental, formação em Desenvolvimento Sustentável e Liderança em sustentabilidade nas cidades. @beatrizdiniz
  57. 57. Marcia Pimenta Fundadora do blog Pimenta no Meio. Produtora de conteúdo especializado. Craque em relacionar o cotidiano com meio ambiente e sustentabilidade. Jornalista com Especialização em Gestão Ambiental. @pimentamarcia Gratas pela sua audiência e validação!
  58. 58. Sobre a análise da cobertura da imprensa para a ratificação do Acordo de Paris . Observação sobre jornais impressos e sites de notícias nos dias 12/9 e 13/9. Não inclui rádios. . Pesquisa por apenas uma máquina de busca [Google] e uma combinação de palavras chave [link]. Em outras máquinas de busca e com outras combinações de palavras deve ter resultados diferentes, inclusive com as ocorrências dos meios especializados. . Pesquisa no Google pela frase “brazil ratifies” [link]. . Pesquisa no Google pela frase “Brazil is now the next major country to move forward” [link]. . Monitoramento de impulso em apenas uma rede social, o Twitter. Consulta de registros no Twitter e em outras redes sociais abrangeria, além de postagens, tagueamentos, compartilhamentos, curtidas, comentários. . Acompanhamento da transmissão pelo Facebook do Planalto. Observação sobre comentários, majoritariamente polarizados e sem nenhuma relação com o assunto. . Observação sobre telejornais da tv aberta. Repercussão protocolar nos nacionais. Sem repercussão nos do Rio.

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