Estudos literários na era do digital - Sandra Boto

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Sandra Boto - Estudos Literários na era digital: Ordenar o caos
V Encontro Partilhar Leituras em Faro
Tema: Leitura Digital.
Universidade do Algarve - 10 de maio 2016

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  • Agradecimentos.
    Digital: debate faccioso; os que estão contra (preconceito) e os que estão a favor (sem visão diacrónica, como se o livro tivesse nascido hoje, sem passado)
    Esta palestra não dará respostas, mas formula questões; contribuir para o equilíbrio entre as facções
    Palestra mais sobre a reflexão sobre a textualidade e sobre a edição do que sobre os processos de criação literária em ambiente digital ou sobre questões teóricas
    Assuntos do interesse dos profissionais da leitura (bibliotecários e dinamizadores e promotores da leitura) e dos leitores profissionais (críticos literários, editores científicos, professors, investigadores nas diversas disciplinas que compõem os Estudos Literários, etc)

  • Do ponto de vista visual, imagético, material e funcional,da relação com o objecto, os novos suportes não constituem nada de novo, mas recuperam modelos muito antigos (a maior parte dos utilizadores é que não tem memória disto)
    A portabilidade, a forma de manipular e utilizar os suportes é idêntica à utilizada há milhares de anos, mas com uma capacidade de memória e de recursos infindavelmente superior; qual a quantidade de bibliotecas de Alexandria que estes pequenos suportes permitem guardar individualmente?
    O incunábulo digital: a era digital encontra-se ainda numa fase muito primitiva, colada à mimese dos formatos existentes
  • A chave da revolução digital está na interactividade do leitor: mas a interactividade não deverá ser devidamente sopesada e não absoluta?
    Segunda geração de leitores
    Proposta a pensar na renovação dos mercados editoriais e não numa revoluçaõ de novos modelos de textualidade, mas numa óptica do enriquecimento
    Visão positivista do livro

  • Este livro como resposta ao livro “Elogio del libro digital” de Lucía Megías, Elogio del texto digital, de 2012. No entanto, a pedra de toque deixou de ser a questão da textualidade para ser a do suporte

    Qual o caminho do livro de papel? Estará condenado face a esta revolução aparentemente imparável? O livro de papel deverá manter-se numa sociedade que prima pela velocidade da informação, na teia da transmissão do saber, se ele se tornar desadequado e obsoleto? Não estaremos a manter apenas uma forma arqueologicamente válida, saudosista mas inviável?
    O caso do livro académico
    O que implicaria substituir as bibliotecas de papel por bibliotecas digitais?
    O problema da resistência dos objetos digitais e da sua capacidade de sobrevivência face à velocidade com que as tecnologias se tornam obsoletas.
    O problema da falta de atitude crítica por parte dos utilizadores (já não são leitores)
    Informação e conhecimento
  • Plataformas de conhecimento ou de informação?
    Problema da interactividade do usuário e da sua capacidade para colocar livremente conteúdos na web : o exemplo wikisource
    O debate em torno do open source
    Gutenberg (1971): preocupação com as questões da iliteracia
    Google Books (2004): antes, Google Search e Google Print (apresentado na Feira do livro de Frankfurt); utiliza um sistema de reconhecimento óptico de caracteres (OCR) e disponibiliza livros em pdf.
    Europeana (2005): reúne colecções de mais de 2.300 instituições europeias (objectos digitais); impulsionada em 2005 por Jacques Chirac
    Wikisource: portal comunitário de edição de textos da Wikimedia Foundation; biblioteca literária de livre acesso, não aceitando textos não publicados ou inéditos: remete para a wikipedia
    A necessidade de questionamento da fidelidade e da qualidade dos conteúdos textuais pelos profissionais da leitura e pelos leitores profissionais

  • Diferença entre informação e produção de conhecimento era esbatida na Biblioteca de Alexandria

    Fundada no século III a.C. por Ptolomeu; reunir todo o conhecimento do Mediterrâneo; albergava não só a informação, mas era um centro de estudo, de ciência; Biblioteca como lugar vivo, centrado no conhecimento do texto: para tal, os sábios dividiam-se em “filólogos” e “filósofos”; só os rolos que serviam para fixar o melhor texto entrava na biblioteca; copiavam-se diferentes rolos do mesmo texto com o objetivo de oferecer um texto de qualidade, aquele se aproximava mais da versão que o seu autor podia ter composto, depois de ter passado pelos olhos dos críticos, dos humanistas;

    2. A Filologia inaugura, com o Humanismo, a Idade Moderna dos Estudos Literários: só formamos bons leitores se dermos a ler bons textos

    A questão da edição: entendida enquanto estabelecimento de um texto

    3. Qual o papel da filologia no presente, perante este quadro?

    1)Conceito de texto digital é diferente do de livro electrónico, que replica a organização das bibliotecas analógicas e os formatos textuais convencionais; permite a relação entre conteúdos, entre leitor, autor, editor – segunda textualidade Capas de informação: a hipertextualidade. A criação de um ficheiro de imagem de um texto torna-o digital?
    2)O que significa editar? A noção de edição: entendida enquanto estabelecimento de um texto: levanta questões de materialidade (os suportes) e de textualidade (no caso dos textos literários, o digital pode contribuir com novas potencialidades para o estudo do texto)



  • a) Área científica transdisciplinar que tem vindo a consolidar-se nas últimas décadas, sobretudo em ambiente académico: para além de associações como a Associação das Hunanidades Digitais, congressos, cursos de doutoramento e mestrado como o master en letras digitales ou o doutoramento em materialidades da literatura, departamentos de humanidades digitais como o do King’s College of London;

    b) Promove investigação em torno da produção de ferramentas digitais adaptadas às necessidades do trabalho em diferentes campos das Humanidades; promove investigação em torno das textualidades e das materialidades do livro digital; por outro, disponibiliza plataformas textuais, bases de dados, etc.
  • Discutir as diversas características destas plataformas: hipermedia, hipertexto, critérios de edição (mais ou menos cuidada); ver o exemplo Pessoa, em que se assume apenas como facilitador do acesso aos textos, sem preocupações editoriais; há plataformas que nem essa ressalva apresentam
    A questão dos interfaces mais ou menos apelativos,mais ou menos user friendly; o perigo da dispersão ameaça as plataformas, de um modo geral
  • Estudos literários na era do digital - Sandra Boto

    1. 1. Ordenar o caos Sandra Boto 10/05/2016
    2. 2. * “Y esta posibilidad de abrir nuevos modelos comerciales tendrá que ir de la mano de propuestas de nuevas modalidades textuales: frente al texto, a ese complejo universo tan sólo formado por la escritura, que ha impuesto como modelo de transmisión el libro impreso (desde el siglo XVI, no se olvide), donde el lector no puede interactuar con el mismo, ahora es necesario seguir indagando y ofreciendo nuevos productos textuales en formato digital. Y no nos referimos tanto al desarrollo de nuevos modelos de textualidad, todavía en una primera fase de experimentación, como a los materiales con que se pueden enriquecer las novedades editoriales que quieren ofrecerse en el nuevo mercado editorial que posibilita la tecnología digital, donde se fomenten otros modelos de comunicación entre el autor, el texto y el lector, donde se potencie la interactividad del lector y su posible comunicación con el autor, etc.” (José Manuel Lucía Megías, Elogio del texto digital, 2012, p. 74)
    3. 3. * *“Todos queremos saber que decía Aristóteles, pero el saber es arduo y ocupa lugar. Sería un error suprimir el libro de papel: objeto acabado con una forma tan específica como significativa, y de un autor por lo común identificado. La red de redes debe convivir con los otros formatos textuales. La forma es parte del mensaje, y su eliminación conduce a lo informe, lo deforme o la desinformación”. (António Barnés, Elogio del libro de papel, 2014, p.22) *“Las posibilidades que abre Internet al saber humano son enormes. Pero las posibilidades por sí solas no son suficientes. Internet ofrece un universo cognoscible, pero el ser humano es el que conoce, el cognoscente.” (Op. cit, p. 55)
    4. 4. * Projecto Gutenberg http://www.gutenberg.org/wiki/PT_Principal * Google Books * http://books.google.com/ * Europeana http://www.europeana.eu/ * Wikisource * http://wikisource.org/wiki/Main_Page * Bibliotecas Digitais e repositórios, exs: * Les Bibliotèques Virtuelles Humanistes: http://www.bvh.univ-tours.fr/ * BND: http://purl.pt/index/geral/PT/index.html * Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes: * http://www.cervantesvirtual.com/ * Repositório Científico de Acesso Aberto Nacional: http://www.rcaap.pt/
    5. 5. Philos (amor, carinho) + logos (palavra, razão)
    6. 6. *“Digital Humanities is a quickly evolving interdisciplinar activity that not only transfers to digital media but also radically extends the potential uses and impacts on texts, cultural objects and other data.” (Paris O’Donnel, apud Maria Filomena Gonçalves e Ana Paula Banza, “In Limine”, In Património Textual e Humanidades Digitais. Da Antiga à Nova Filologia, p.5) *“Cada vez mais especializado e menos tangível, o livro, no universo hoje conhecido como Digital Humanities – DH (Humanidades Digitais – HD), perde a sua materialidade física para adquirir uma dimensão virtual, e o texto, por sua vez, passa a ser objecto de novas práticas não só na reprodução mas também em termos de leitura e, ainda, de investigação.” (Maria Filomena Gonçalves e Ana Paula Banza, “In Limine”, In Património Textual e Humanidades Digitais. Da Antiga à Nova Filologia , p. 4)
    7. 7. * * “The Rossetti Archive”: http://www.rossettiarchive.org/index.html * “Arquivo Pessoa”: http://arquivopessoa.net/textos * “The Blake Archive”: http://www.blakearchive.org/ * “Arxiu de Folklore”: http://arxiufolk.arxiudefolklore.cat/ * “The Waste Land”, T. S. Eliot (aplicação para iPad à venda na Apple Store) * “Projeto LdoD”: https://projetoldod.wordpress.com/ * “Escritoras: Women writers in portuguese before 1900”: http://escritoras-em-portugues.eu/1446822572-HOMEPT * “Romanceiro.pt”: http://www.romanceiro.pt
    8. 8. * Filologia digital *Voyant: http://voyant-tools.org/ *CATMA: http://www.catma.de/ *Juxta: http://juxtacommons.org/ *TextGrid: https://textgrid.de/ *TEI: http://www.tei-c.org/index.xml
    9. 9. * . A materialidade em questão: “(…) it is precisely because these [electronic] technologies transcend the material limitations of the book that they will have trouble assuming its role. A book doesn’t simply contain the inscription of a text, it is the inscription.” (Nunberg, apud Kathryn Sutherland, “Being critical: paper-based editing and the digital environment”, Text Editing, Print and the Digital World, Farnham, England, 2009, p. 21) . A interactividade do digital e os seus limites na edição de texto (o papel do editor na organização da informação): “Can we really go forward into an age of digital editing with a model that suggests that each user is (or wants to be) her own editor?” (Sutherland, op. cit., p. 19) . A carência de teoria do texto digital: “Leaving aside the operations on texts performed by computational stylisticians and linguists, it is true to say that, in the main, digital texts are still serving only as surrogates for printed texts and indeed are often delivered, by preference, in that form. Existing methods of research are tacitly assumed. This is partly because the inherited consensus on what texts are and how they function has not changed with the technology.” (Paul Eggert apud Sutherland, op. cit., p. 22) . Servirá o texto literário digital o propósito de angariar mais leitores ou promover o interesse pelo seu estudo?
    10. 10. *

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