Material de Ética e Deontologia Profissional

15.492 visualizações

Publicada em

0 comentários
7 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
15.492
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
6
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
0
Gostaram
7
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Material de Ética e Deontologia Profissional

  1. 1. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga1ÍndiceNoções …………………………………………………………………………………. 2As crises do Pensamento Racional e a Ética ……………………………………..…. 3Origem e Concepções ………………………………………………………………… 4Conceito-Ética Profissional ………………………………………………………….. 5Reflexões sobre a ética Profissional …………………………………………………. 6Relações Sociais e individualismo …………………………………………………… 6Vocação para o colectivo …………………………………………………………….. 7Classes Profissionais ………………………………………………………………… 8Actividade Voluntária ………………………………………………………............... 8Pontos para reflexão ………………………………………………………………….. 8Princípios, Valores e Virtudes ………………………………………………………. 9Virtudes Profissionais .……………………………………………………………… 11Virtudes Morais ……………………………………………………………………... 13Código de Ética Profissional ………………………………………………………... 15Como resolver dilemas ético-deontológicos (passos dos gestores para a tomada dedecisão) ……………………………………………………………………………..... 16Os principais erros que devem ser evitados no trabalho em grupo ……………… 16
  2. 2. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga2Conclusão ……………………………………………………………………………. 18Referências bibliográficas …………………………………………………………... 20Noções:A humanidade tem assistido muitas mudanças em quase todos os sentidos davida humana. O desenvolvimento tecnológico está atingindo dimensões jamais antesimaginadas ou mesmo concebidas pelo ser humano. As mudanças decorrentes daevolução e dos conhecimentos históricos são muito significativos e representam umexemplo do que pode acontecer com os esforços da criação da mente humana.Nos campos da descoberta da medicina da indústria, da tecnologia, jamais seassistiu tamanho desenvolvimento. Assistimos a um aumento de velocidade deprodução de informação nunca conhecido. Em face das conquistas tecnológicas actuaisa ética está mais do que nunca presente nos debates a respeito do comportamentohumano e o seu estudo é sempre necessário em decorrência da necessidade das pessoasorientarem seu comportamento de acordo com a nova realidade da vida social. Do grego“Ethké e do latim Éthica” surgiu a ética-Ciência relativa aos costumes.A ética é o domínio da filosofia que tem por objectivo o juízo de apreciação quedistingue o bem e o mal, o comportamento correcto e o incorrecto. Os princípios éticosconstituem-se enquanto directrizes, pelas quais o homem rege o seu comportamentotendo em vista uma filosofia moral dignificante. Os códigos de éticas são dificilmenteseparáveis da deontologia profissional, pelo que não é pouco frequente os termos ética edeontologia serem utilizadas indiferentemente.Assim, a ética é o conjunto de normas morais pelo qual o indivíduo deve orientarseu comportamento na profissão que exerce e é de fundamental importância em todas asprofissões e para todo ser humano para que possamos viver relativamente bem emsociedade com o crescimento desenfreado do mundo globalizado, muitas vezesdeixamo-nos levar pela pressão exercida em busca de produção pois o mercado detrabalho está cada vez mais competitivo e exigente as vezes não nos deixa e nem dátempo para reflectir sobre nossas atitudes.Temos que ter a consciência de que nossos actos podem influenciar na vida dosoutros e que nossa liberdade acarreta em responsabilidade. De forma ampla a ética édefinida como a explicitação do fundamento último do agir humano na busca do bemcomum e da realização individual.O termo deontologia surge das palavras gregas “deon, deontos” que signicadever e logós que se traduz por discurso ou tratado. Sendo assim, deontologia seria otratado do dever ou conjunto de deveres princípios e normas adoptadas por umdeterminado grupo de profissionais. Para além disso estes códigos propõem sanções,segundo princípios e procedimentos explícitos para os infractores do mesmo. Algunscódigos não apresentam funções normativas e vinculativas oferecendo apenas umafunção reguladora.A deontologia também se refere ao conjunto de princípios e regras de conduta-os deveres inerentes a uma determinada profissão. Assim cada profissão está sujeita auma deontologia própria a regular o exercício de sua profissão conforme o código deética de sua categoria. Neste caso é o conjunto codificado das obrigações impostas aos
  3. 3. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga3profissionais de uma determinada área no exercício da sua profissão. São normasestabelecidas pelos próprios profissionais, tendo em vista não exactamente a qualidademoral, mas a correcção de suas intenções e acções em relação a direitos, deveres ouprincípios nas relações entre profissão e a sociedade.O 1.º código de deontologia foi feito na área de medicina nos Estados Unidos deAmérica- EUA em meados do século passado.As Crises do Pensamento Racional e a ÉticaO pensamento ocidental revira-se e muda em função de crises, acarretando mudançascomportamentais e, como consequência, mudanças no modo de análise das morais,mudanças na ética. Sendo que a primeira grande crise enfrentada pelo mundo ocidentalaconteceu na passagem do pensamento mitológico para o pensamento filosófico entre osgregos. A partir dessa mudança surge um homem que abandona a explicação mitológicaou sobrenatural buscando uma explicação natural para si e seu mundo.Pode-se localizar uma exacerbação dessa primeira crise com Sócrates e sua visão sociale comunitária. O pensamento racional abandona as causas físicas e passa a preocupar-secom o destino humano; a ética enquanto estudo das relações entre os homens, enquantopensamento sobre as acções morais começa a aparecer a partir daí.Aristóteles, discípulo de Platão é uma das maiores mentes observadas pelo mundoocidental, entra no furacão da racionalidade e, embora se afastando da orientação de seumestre, pensa a ética no contexto da polis, sem desconsiderar as paixões, naturais no serhumano, o que influenciaria definitivamente qualquer ética, retirando a possibilidade deuma solução puramente lógica, pois o homem para chegar à perfeição, deve alcançarseu objectivo final – a felicidade.Outra crise ocorre, com a revolução trazida pelo pensamento cristão, a partir do ano I daEra Cristã. O novo pensamento se difunde; a herança filosófica grega instala-se no meiocristão. A nova crise racional tira o Homem do centro colocando Deus e a doutrinacristã da alma eterna. A desagregação e queda do Império Romano acarretaramdesorganização política e subsequente convulsão social, em face de seu montante. Odesaparecimento dos grandes centros culturais restringe a cultura aos Monastérios,ficando as preocupações filosóficas ligadas à problemática religiosa, entretanto, aspequenas seitas que proliferaram no mundo helenístico sucedendo à Filosofia GregaClássica, continuaram a existir assegurando a sobrevivência da herança antiga, pelomenos até Constantino declarar cristão o Império Romano.Do Século VIII ao Século XIV a Igreja Romana dominou a Europa, criando uma novamoral onde, coroou reis, organizou Cruzadas à Terra Santa, fundou as primeirasUniversidades. Nesse período a Filosofia Medieval ou Escolástica chega a umaexacerbação da lógica tentando provar a existência de Deus e da alma imortal.Do Século XIV ao XVI gesta-se a terceira crise, a ideia da liberdade política éreencontrada, colocando o ser humano como artífice do seu próprio destino, através doconhecimento, da política, das técnicas e das artes.Nicolau Maquiavel que nasce em 1469, percebe que o poder fundava-se apenas emactos de força, e pela força era deslocado onde nem religião, tradição, ou vontadepopular legitimavam o soberano.Com a crise gestada na Renascença, o mundo prepara-se para uma nova racionalidade, acrise do pensamento.O determinante maior do pensamento ocidental até o final do Séc. XIX e começo doSéc. XX foi a teorização da modernidade atribuído a Descartes, que inaugura o que se
  4. 4. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga4pode chamar de racionalidade moderna caracterizando em primeiro lugar a separaçãoradical entre corpo e alma, valorizando a alma, que para Descartes equivale apensamento, espírito, raciocínio lógico: o corpo passa a segundo plano, como maisdifícil de conhecer do que a alma. No final do século XIX, onde a racionalização atingeseu ápice entrando na "crise da modernidade".Immanuel Kant, cujas ideias parecem ser ponto de convergência do pensamentofilosófico anterior, faz uma análise crítica do universo espiritual humano voltando suaspreocupações para duas questões: o problema do conhecimento, suas possibilidades,seus limites e sua esfera de aplicação e o problema da acção humana, ou seja, oproblema moral, o que fazer e como agir em relação ao semelhante, como alcançar afelicidade ou o bem supremo.O imperativo categórico kantiano é puramente racional e vazio e desvinculado dequalquer condição ou empiria: "Age de tal modo que a máxima de sua vontade possavaler-te sempre como princípio de uma legislação universal". (KANT, I. Coleção osPensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991).Nietzsche, em seu ético questionamento da moral, repensa radicalmente seusfundamentos e a transforma em um problema, embora seja tão duro ou mais do que opróprio Kant, quando se trata de moral.Em plena "crise da modernidade", surge Freud e a Psicanálise, num mundo ondecrenças e valores são questionados e Lacan que leva a Psicanálise às últimasconsequências, deixando no ar se o que teríamos depois de Lacan, seria então o fim daPsicanálise como vinha sendo profetizado há muito?Só o homem é capaz de ser mau, pois poderia escolher outros caminhos articulados aorespeito mútuo, mas escolhe a violência e o poder como protagonistas do desejo. [...] Aética da globalização da economia triunfa, tornando cada vez mais difícil a humanizaçãodas condições materiais, necessárias à construção de um novo homem solidário, íntegroou apenas obediente a uma nova ordem mais justa. [...] Os homens estão aí, na maioriadas vezes, bastante disponíveis às manipulações perversas que evidentementeachincalham a cidadania. (Aricó 2001)Origem e concepçõesHistoricamente, a ética sempre foi orientada pela religião e pela razão, sendoesta razão crítica em todas as sociedades. Podemos observar grandes filósofos comoSócrates, Plantão, Aristóteles, Santo Agostinho, Kant, cada um a seu modo, buscando oestabelecimento de códigos de ética validas universalmente.Tendo a ética como ciência da conduta, podemos observar duas concepções:“Ciências que trata do fim que deve orientar a conduta dos homens e dos meios paraatingir tal fim. É o ideal formulado e perseguido pelo homem por sua natureza eessência”“Ciência que trata do moral, da conduta humana e procura determinar esse móvelvisando dirigir a própria conduta. Liga-se ao desejo da sobrevivência”.Na 1.ª concepção vemos Sócrates como precursor da ética ocidental. Platão quetratou da ética das virtudes em sua obra “Republica”. Aristóteles que trata do propósitoda conduta humana de buscar a felicidade a partir da sua natureza racional. Hegel tratoudo objectivo da conduta humana destacando o estado como a realidade na qual aconduta encontra integração e perfeição, tratando a ética como a filosofia do direito.Em sua 2.ª concepção, vemos pródico que nos contempla com suas palavras:
  5. 5. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga5“Se desejares ser honrado por uma cidade deve útil a mesma”. Pregava orespeito mútuo e a justiça como condição necessária a sobrevivência do homem; Kantsituou a ética no mundo da razão pura na qual os seres racionais buscavam firmar essemundo evitando os interesses individualizados e perseguindo o bem.Benthan defendeu a conduta do homem como sendo determinado pelaexpectativa do prazer ou da dor, sendo esse o único motivo possível da acção.Ainda como ciência da conduta, vemos a ética no homem que exerce algumpoder sentindo-se o único sujeito real o eleito o melhor, o mais capaz, o maisinteligente, portanto merecendo privilegio.Neste sentido enfatiza-se que o significado ético deve estar sempre associado aooutro. Somente em relação ao outro pode existir o valor moral e a conduta pode ser umaacção da justiça.A única ética possível estrutura-se na relação do sujeito com o outro, em que éimportante ser preservado o complexo espaço para a inter subjectividade. Só nessarelação do sujeito com o outro podemos construir os valores éticos acerca do bem e domal. Representa também a relação do indivíduo com as instruções, com á sociedade.Conceito – Ética ProfissionalÉ extremamente importante saber diferenciar a ética do moral e do direito. Estas 3 áreasde conhecimento se distinguem, entretanto têm grandes vínculos e até mesmosobreposição.A moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa independentemente dasfronteiras geográficas e garante uma identidade entre pessoas que mesmo sem seconhecerem, utilizam este mesmo referencial moral comum.O direito estabelece o regulamento de uma sociedade delimitada pelas fronteirasdo Estado. As leis têm uma base territorial, pois elas valem apenas para aquela áreageográfica onde determinada população ou seus delegados vive. Alguns autoresafirmam que o direito é um subconjunto da moral. Esta perspectiva pode gerarconclusão de que a toda lei é moralmente aceitável.Inúmeras situações demonstram existência de conflitos entre o direito e a moral.Ex. Desobediência civil que ocorre quando argumentos morais impedem queuma pessoa acate determinada lei. Assim a moral e o direito apesar de referirem-se auma mesma sociedade, podem ter perspectivas discordantes.Define-se ética profissional como sendo um conjunto de normas de conduta quedeverão ser posta em pratica no exercício de qualquer profissão. Sendo assim, a acçãoreguladora da ética que age no desempenho das profissões, faz com que o profissionalrespeite seu semelhante quando no exercício da sua profissão.A ética profissional estuda e regula o relacionamento do profissional com a suaclientela, visando a dignidade humana e a construção do bem-estar no contexto sócio-cultural onde exerce sua profissão atingindo toda categoria profissional. Ao falarmos daética profissional, estamos nos referindo ao carácter normativo e até jurídico queregulamenta determinada profissão a partir de estatutos e códigos específicos. Assim,temos a ética médica, do advogado, do biólogo, do professor etc. relacionada em seusrespectivos códigos de ética. Em geral as profissões apresentam a ética firmada emquestões relevantes que ultrapassam o campo profissional em sí, como o aborto, a penade morte, sequestro e outros que são questões morais que se apresentam como
  6. 6. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga6problemas éticos, pois pedem uma reflexão profunda e assim um profissional, ao sedebruçar sobre elas, não o faz apenas como tal, mas, como um pensador, um filosofo daciência ou seja profissão que exerce. Desta forma, a reflexão ética entra na normalidadede qualquer actividade profissional humana.A ética inerente a vida humana é de suma importância na vida profissional,assim para o profissional a ética não é somente inerente, mas indispensável a este. Naacção humana o fazer e o agir estão interligados. O fazer diz respeito à competência, àeficácia que todo profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agirrefere-se à conduta do profissional, conjunto de atitudes que deve assumir nodesempenho da sua profissão.A ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e ofim de todo ser humano.O agir da pessoa humana está condicionada à duas premissas consideradasbásicas pela ética: “ o que é” o homem e para que vive”, logo toda capacidade cientificaou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da ética. (Motta 1984.p. 69) Constatamos assim o forte conteúdo ético presente no exercício profissional.Reflexões sobre a Ética ProfissionalAs reflexões realizadas no exercício de uma profissão devem ser iniciadas bemantes da prática profissional. A escolha por uma profissão é optiva, mas ao escolhe-la, oconjunto de deveres profissionais passa a ser obrigatório. Toda a fase de formação,abrangendo o aprendizado das competências e habilidades que se referem a práticaespecifica numa determinada área deve incluir a reflexão. Ao completar a graduação emnível superior, a pessoa faz um juramento, que significa sua adesão e compromisso coma categoria profissional onde formalmente ingressa, o que caracteriza o aspecto moralda chamada ética profissional. O facto de uma pessoa trabalhar numa área que nãoescolheu livremente como emprego por precisar de trabalhar, não o isenta daresponsabilidade de pertencer a uma classe, não a eximindo também dos deveres acumprir. Algumas perguntas podem guiar a reflexão, até esta tornar-se um hábitoincorporado ao dia-dia como por ex. Perguntar a sí mesmo se está sendo bomprofissional, está agindo adequadamente e ainda se está realizando correctamente suaactividade. É fundamental ter sempre em mente que há uma série de atitudes que nãoestão descritas nos códigos de todas as profissões, mas que são comuns a todas asactividades que uma pessoa pode exercer, gostando do que se faz, sem perder adimensão de que é preciso sempre continuar melhorando, aprendendo, experimentandonovas soluções, criando novas formas de exercer as actividades, estando aberto amudanças, mesmo nos pequenos detalhes, que podem fazer uma grande diferença na suarealização profissional e pessoal. Isto tudo pode acontecer com a reflexão éticaincorporada a seu viver. E isto é parte do que se chama empregabilidade, que nada maisé que a capacidade que você pode ter de ser um profissional eticamente bom. Ocomportamento adequado eticamente e o sucesso contínuo são indissociáveis.Relações sociais e individualismoAs leis de cada profissão são elaboradas com objectivo de proteger os profissionais, acategoria e as pessoas que dependem daquela profissão, mas há muitos aspectos não
  7. 7. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga7previstos especificamente e que fazem parte do compromisso dos profissionais emserem eticamente correctos, ou seja, fazer coisa certa.Outra referencia que tem sido objecto de estudo de muitos estudiosos, parece ser atendência do ser humano de defender, em primeiro lugar, seus interesses próprios e,quando esses interesses são de natureza pouco recomendável, ocorrem seríssimosproblemas.O valor ético do esforço humano é variável em função do seu alcance, em face dacomunidade. Se o trabalho executado é só para auferir renda, tem em geral seu valorrestrito. Os serviços realizados, visando o benefício de terceiros com consciência dobem comum, passa a existir a expressão social do mesmo. Aquele que só se preocupacom os lucros, geralmente, tende a ter menor consciência de grupo e a ele poucoimporta o que ocorre com a sua comunidade e muito menos com a sociedade. O númerodos que trabalham visando primordialmente o rendimento é muito grande, fazendoassim com que as classes procurem defender-se contra a dilapidação de seus conceitos,tutelando o trabalho e zelando para que uma luta encarniçada não ocorra na disputa dosserviços, pois ficam vulneráveis ao individualismo.A consciência de grupo tem surgido mais por interesse de defesa do que por altruísmo,pois garantida a liberdade de trabalho, se não se regular e tutelar a conduta, oindividualismo pode transformar a vida dos profissionais em reciprocidade de agressão.Tal luta quase sempre se processa em virtude da ambição de uns em cima de outros, eque em nome dessas ambições, podem ser praticadas, por ex. quebras de sigilo.A tutela de trabalho processa-se pelo caminho da exigência de uma ética impostaatravés dos conselhos profissionais. As normas devem ser condizentes com as diversasformas de prestar o serviço de organizar o profissional para esse fim.A conduta profissional, muitas vezes, pode tornar-se agressiva e inconveniente e esta éuma das fortes razões pelas quais os códigos de ética quase sempre buscam maiorabrangência. Assim ao nos referirmos à classe, ao social, não nos reportamos apenas asituações isoladas ou modelos particulares, mas a situação geral. O egoísmodesenfreado de poucas pode atingir um número expressivo de pessoas e até mesmoinfluenciar o destino de nações, e partindo da ausência de conduta virtuosa de minoriaspoderosas preocupados apenas com os lucros. Sabemos que a conduta do ser humanopode tender ao egoísmo, mas, para os interesses de uma classe, de toda sociedade, épreciso que se acomode às normas, porque, estas devem estar apoiadas em princípios devirtude, assim a ética tem sido o caminho justo e adequado, para o beneficio comum,geral.Vocação para o ColectivoIngresso de uma vida inculta baseada apenas em instintos, o homem, sobre a terra, foi-se organizando, na busca de maior estabilidade vital, cedendo parcelas do referidoindividualismo para beneficiar da união, da divisão do trabalho e assim da protecção davida em comum. A organização social foi e continua a ser um progresso, na definiçãodas funções dos cidadãos e tal definição acentua gradativamente, o limite de acção dasclasses.A vocação para colectivo já não se encontra, nos dias actuais, com a mesma eficácia nosgrandes centros como ainda é encontrado em núcleos menores e poucas cidades demaior dimensão possuem o espírito comunitário, enfrentando com grandes dificuldadesas questões classistas.
  8. 8. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga8Parece-nos pouco entendido, que existe um bem comum a defender do qual um númeroexpressivo de pessoas depende para o bem-estar próprio e seus semelhantes, tendoassim uma inequívoca interacção. O progresso do individualismo, gera sempre o riscoda transgressão ética, assim é imperativa a necessidade de uma tutela sobre o trabalho,através de normas éticas.Classes ProfissionaisUma classe profissional caracteriza-se pela homogeneidade do trabalho executado, pelanatureza do conhecimento exigido para tal execução e pela identidade habilitação para,o exercício da mesma. A classe profissional é um grupo dentro da sociedade, especifico,definido por sua especialidade de desempenho de tarefas.A divisão do trabalho é antiga e está ligada a vocação de cada um para determinadastarefas e as circunstâncias que obrigam, muitas vezes, a assumir esse ou aquele trabalho:ficou prático para o homem em comunidade transferir tarefas e executar a sua. A uniãodos que realizam o mesmo trabalho foi uma evolução natural e hoje se acha não sóregulada por leis, mas consolidada em instituições fortíssimas de classe, como oscódigos de ética.Actividade VoluntáriaOutro conceito interessante que podemos examinar é o de profissional, que éregularmente remunerado ao executar a actividade que exerce, em oposição ao amador,que podemos conceituar sendo aquele que exerce actividade voluntária e que, nestaconceituação, este não seria profissional, sendo esta uma conceituação polémica.Voluntário é aquele que se dispõe a exercer a pratica profissional não remunerada, sejapara fins assistenciais, ou prestação de serviços por um período determinado ou não. Éfundamental observar que só é eticamente adequado, o profissional que age, naactividade voluntária, com o mesmo comprometimento que teria no exercícioprofissional se este fosse remunerado. Se a actividade é voluntária, sendo uma opçãorealiza-la, é eticamente adequado que esta seja realizada da mesma forma como faz tudoque é importante em sua vida.Pontos Para ReflexãoÉ imprescindível estar sempre bem informado, acompanhando não apenas as mudançasnos conhecimentos técnicos de sua área profissional, mas também nos aspectos legais enormativos. Vá e busque o conhecimento. Muitos processos ético-disciplinares nosconselhos profissionais acontecem por desconhecimento, negligência.Competência técnica, aprimoramento constante, respeito às pessoas, confidencialidade,privacidade, tolerância, flexibilidade, fidelidade, envolvimento, afectividade, correcçãoda conduta, boas maneiras, relações genuínas com aspessoas, responsabilidade, corresponder à confiança que é depositada em você, são asqualidades que devem estar incutidas na pessoa eticamente profissional
  9. 9. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga9Princípios, Valores E VirtudesExiste uma grande diferença entre princípios, valores e virtudes embora sua efetividadeseja válida apenas quando os conceitos estão alinhados. No mundo corporativo emgeral, noto que muitos profissionais são equivocados com relação aos conceitos e,apesar de defenderem o significado de um ou outro, a prática se revela diferente.Princípios são preceitos, leis ou pressupostos considerados universais que definem asregras pela qual uma sociedade civilizada deve se orientar. Em qualquer lugar domundo, princípios são incontestáveis, pois, quando adotados não oferecem resistênciaalguma. Entende-se que a adoção desses princípios está em consonância com opensamento da sociedade e vale tanto para a elaboração da constituição de um paísquanto para acordos políticos entre as nações ou estatutos de condomínio. Vale noâmbito pessoal e profissional.Amor, felicidade, liberdade, paz e plenitude são exemplos de princípios consideradosuniversais. Como cidadãos – pessoas e profissionais - esses princípios fazem parte danossa existência e durante uma vida estaremos lutando para torná-los inabaláveis.Temos direito a todos eles, contudo, por razões diversas, eles não surgem de graça. Abase dos nossos princípios é construída no seio da família e, em muitos casos, eles seperdem no meio do caminho.De maneira geral, os princípios regem a nossa existência e são comuns a todos ospovos, culturas, eras e religiões, queiramos ou não. Quem age diferente ou emdesacordo com os princípios universais acaba sendo punido pela sociedade e sofre todasas conseqüências. São as escolhas que fazemos com base em valores equivocados, nãoem princípios.Valores são normas ou padrões sociais geralmente aceitos ou mantidos por determinadoindivíduo, classe ou sociedade, portanto, em geral, dependem basicamente da culturarelacionada com o ambiente onde estamos inseridos. É comum existir certa confusãoentre valores e princípios, todavia, os conceitos e as aplicações são diferentes.Diferente dos princípios, os valores são pessoais, subjetivos e, acima de tudo,contestáveis. O que vale para você não vale necessariamente para os demais colegas detrabalho. Sua aplicação pode ou não ser ética e depende muito do caráter ou dapersonalidade da pessoa que os adopta.Pessoas de origem humilde definem valores de maneira diferente das pessoas de origemmais abastada. De um lado, a escassez pode gerar a idéia de que dinheiro não trazfelicidade, portanto, mesmo sem dinheiro, é possível ser feliz utilizando-se valorescomo amizade, por exemplo. Do outro, o apego ao dinheiro e a convivência harmoniosacom o conforto pode gerar a idéia de que sem dinheiro não é possível ser feliz, ou seja,o dinheiro traz felicidade, amizade, conforto e, se houver mais dinheiro do que onecessário, valores como filantropia e voluntariado podem ser praticados.Essa comparação não define o certo e o errado. Ela apenas levanta uma questãointeressante sobre o conceito de valores e depende do ponto de vista de cada cultura oude cada pessoa, em particular. Na prática, é muito mais simples ater-se aos valores doque aos princípios, pois este último exige muito de nós. Os valores completamente
  10. 10. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga10equivocados da nossa sociedade – dinheiro, sucesso, luxo e riqueza - estão na ordem dodia, infelizmente. Todos os dias somos convidados a negligenciar os princípios e adotaros valores ditados pela sociedade.Virtudes, segundo o Aurélio, são disposições constantes do espírito, as quais, por umesforço da vontade, inclinam à prática do bem. Aristóteles afirmava que há duasespécies de virtudes: a intelectual e a moral. A primeira deve, em grande parte, suageração e crescimento ao ensino, e por isso requer experiência e tempo; ao passo que avirtude moral é adquirida com o resultado do hábito.Segundo Aristóteles, nenhuma das virtudes morais surge em nós por natureza, visto quenada que existe por natureza pode ser alterado pela força do hábito, portanto, virtudesnada mais são do que hábitos profundamente arraigados que se originam do meio ondesomos criados e condicionados através de exemplos e comportamentos semelhantes.Uma pessoa pode ter valores e não ter princípios. Hitler, por exemplo, conhecia osprincípios, mas preferiu ignorá-los e adotar valores como a supremacia da raça ariana, aaniquilação da oposição e a dominação pela força. Significa que também não dispunhade virtudes, pois as virtudes são decorrentes dos princípios e o seu legado foi um dosmais nefastos da história. Sua ambição desmedida o tornou obcecado por valores quecontrastam com os princípios universais.Diferente de Hitler, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce e Mahatma Gandhi tinhamprincípios, valores e virtudes integralmente alinhados com a sua concepção de vida.Todos lutavam por causas nobres e tinham um ponto comum: a dignidade humana.Enquanto Hitler, Milosevic e Karadzic entraram para o rol das figuras mais odiadas dahumanidade, Madre Teresa, Irmã Dulce da Bahia e Gandhi são personalidadessingulares que inspiram exemplos para a humanidade.Existem pessoas que nunca seguiram princípio algum e, apesar de tudo, continuamenriquecendo, fazendo sucesso na televisão, conquistando cargos importantes nasempresas e assumindo papéis relevantes na sociedade. Entretanto, riqueza material nãoé a única medida de sucesso. Avalie, por si mesmo, quais os exemplos deixados porelas, a sua contribuição para o mundo e o seu triste legado para os descendentes.No mundo corporativo não é diferente. Embora a convivência seja, por vezes,insuportável, deparamo-nos com profissionais que atropelam os princípios, como se issofosse algo natural, um meio de sobrevivência, e adotam valores que nada tem a ver comduas grandes necessidades corporativas: a convivência pacífica e o espírito de equipe.Nesse caso, virtude é uma palavra que não faz parte do seu vocabulário e, apesar dafalta de escrúpulo, leva tempo para destituí-los do poder.Valores e virtudes baseados em princípios universais são inegociáveis e, assim como aética e a lealdade, ou você tem, ou não tem. Entretanto, conceitos como liberdade,felicidade ou riqueza não podem ser definidos com exatidão. Cada pessoa temrecordações, experiências, imagens internas e sentimentos que dão um sentido especiale particular a esses conceitos.O importante é que você não perca de vista esses conceitos e tenha em mente que a suacontribuição, no universo pessoal e profissional, depende da aplicação mais próximapossível do senso de justiça. E a justiça é uma virtude tão difícil, e tão negligenciada,
  11. 11. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga11que a própria justiça sente dificuldades em aplicá-la, portanto, lute pelos princípios queos valores e as virtudes fluirão naturalmente. O que vale em casa vale no trabalho. Nãoexiste paz de espírito nem crescimento interior sem o triunfo dos princípios. Pense nissoe seja feliz!Virtudes ProfissionaisNão obstante os deveres de um profissional, os quais são obrigatórios, devem serlevadas em conta as qualidades pessoais que também concorrem para o enriquecimentode sua atuação profissional, algumas delas facilitando o exercício da profissão.Muitas destas qualidades poderão ser adquiridas com esforço e boa vontade,aumentando neste caso o mérito do profissional que, no decorrer de sua atividadeprofissional, consegue incorporá-las à sua personalidade, procurando vivenciá-las aolado dos deveres profissionais.Honestidade: é a primeira virtude no campo profissional. É um princípio que nãoadmite relatividade, tolerância ou interpretações circunstanciais.Sigilo: o respeito aos segredos das pessoas, deve ser desenvolvido na formação defuturos profissionais, pois trata-se de algo muito importante. Uma informação sigilosa éalgo que nos é confiado e cuja preservação de silêncio é obrigatória.Competência: o conhecimento da ciência, da tecnologia, das técnicas e práticasprofissionais é pré-requisito para a prestação de serviços de boa qualidade.Prudência: todo trabalho, para ser executado, exige muita segurança. A prudênciacontribui para a maior segurança, principalmente das decisões a serem tomadas; éindispensável nos casos de decisões sérias e graves, pois evita os julgamentosapressados e as lutas ou discussões inúteis.Coragem: A coragem nos ajuda a reagir às críticas, quando injustas, e a nos defenderdignamente quando estamos cônscios de nosso dever. Nos ajuda a não ter medo dedefender a verdade e a justiça, principalmente quando estas forem de real interesse paraoutrem ou para o bem comum.Perseverança: qualidade difícil de ser encontrada, mas necessária, pois todo trabalhoestá sujeito a incompreensões, insucessos e fracassos que precisam ser superados,prosseguindo o profissional em seu trabalho, sem entregar-se a decepções ou mágoasCompreensão: qualidade que ajuda muito um profissional, porque é bem aceito pelosque dele dependem, em termos de trabalho, facilitando a aproximação e o diálogo, tãoimportante no relacionamento profissional.Humildade: o profissional precisa ter humildade suficiente para admitir que não é odono da verdade e que o bom senso e a inteligência são propriedade de um grandenúmero de pessoas.Imparcialidade: é uma qualidade tão importante que assume as características dodever, pois se destina a se contrapor aos preconceitos, a reagir contra os mitos, adefender os verdadeiros valores sociais e éticos, assumindo principalmente uma posiçãojusta nas situações que terá que enfrentar. Para ser justo é preciso ser imparcial, logo ajustiça depende muito da imparcialidade.Otimismo: em face das perspectivas das sociedades modernas, o profissional precisa edeve ser otimista, para acreditar na capacidade de realização da pessoa humana, nopoder do desenvolvimento, enfrentando o futuro com energia e bom-humor.
  12. 12. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga12Ouvir: é a maior virtude das relações humanas.Perceber, reconhecer, entender, compreender, valorizar, dar atenção, respeitar...São vários nomes diferentes para um processo tão simples, mas ao mesmo tempo tãodifícil de ser praticado: ouvir, de fato, o outro.Ouvir não significa simplesmente escutar os sons da voz ou acompanhar oraciocínio do interlocutor. Significa, antes de tudo, ter paciência e tolerância para aceitara outra pessoa como ela é, com suas qualidades e seus defeitos, crenças e emoções, comsua aparência, quer nos seja agradável ou desagradável, sem pré-julgamentos. Concordocom quem disse que esse não é um processo fácil, embora pareça tão elementar.Vamos analisar um pouco as causas dessas dificuldades. É muito comumcompararmos o mundo ao nosso próprio referencial de vida, de como percebemos omundo, que passa a ser o “nosso mundo”. Incluem-se aí os nossos valores, conceitos epreconceitos.Além disso, as pessoas aproximam-se pelas semelhanças e não pelas diferenças,desmistificando a crença popular de que os opostos se atraem. Se observarmos bem,antes da diferença há muita convergência, situações comuns, similaridades que actuamcomo facilitadoras de um processo de entendimento e consideração e a partir daíeventuais diferenças de carácter, atitudes ou comportamentos passam a configurar umarelação afectiva.Se observarmos bem, quando admiramos uma pessoa dizemos: “Que pessoaextraordinária! Que pessoa agradável! Que pessoa simpática!” Enquanto isso, lá nofundo, um outro comentário quase imperceptível complementa... “tão parecidacomigo!” Também fica fácil entender tal atitude por outra simples razão, só percebemosqualidades e defeitos nos outros quando nos chamam a atenção porque em potencialessas características existem em nós mesmos.Se precisamos falar com o outro de verdade, primeiro é necessário querer e essequerer precisa ser um desejo, uma vontade inquebrantável que não nos fará desistirdiante da primeira adversidade. Depois, devemos ter e exercitar a flexibilidade,colocando-nos no lugar do outro, empaticamente.Aliás, empatia é isso mesmo: ajustar-se ao estilo, momento psicológico, crençase valores do mesmo interlocutor e nessa projecção conseguir melhor entendimento.Algumas sugestões importantes para quem, de facto, deseja ouvir de verdadeoutra pessoa e, a partir daí, abrir uma porta de entrada para o relacionamento: amizade,vendas, negociações, lideranças, amor etc.:Olhe nos olhos da outra pessoa e perceba-a nos seus detalhes, esteja com aatenção focada e envolvida com ela. Procure manter a calma, evite deixar se dominar por algum preconceito ou algoda outra pessoa que desagrada. Tenha paciência, saiba aceitar o silêncio da outra pessoa. Evite contradizer o outro, evitando as palavras “mas”, “todavia”, “entretanto”,“contudo”. Procure, antes de qualquer discordância, algum ponto com o qualvocês concordem. Valorize e respeite as opiniões de seu interlocutor. Demonstre respeito pelo outro como o outro é, e não como gostaria que fosse. Crie condições favoráveis para o outro expressar livremente suas ideias eopiniões, saiba ter tacto para lidar com a discordância.
  13. 13. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga13 Concentre as diferenças no campo das ideias e não permita que sejam levadaspara o lado pessoal. Certifique-se de que você compreendeu de fato o que o outro queria transmitir;repita, questione, pergunte, evite ao máximo interpretações infundadas. Por último, faça bom uso do grande amor que você tem em seu coração paraaceitar incondicionalmente as outras pessoas como são: cheias de defeitos,limites, preconceitos e, também, repleta de virtudes, sonhos, conhecimentos, desentimento. Assim como você.Virtudes Morais"1- Coragem: Bem, coragem é mais que uma Virtude, é um principio. Dela se deriva oValor, o Auto - Sacrifício , a Honra e a Verdadeira Espiritualidade. Se você nãoprocurar ter coragem, não enfrentara nem conhecera seus próprios limites. ComCoragem e força, não só você conhecera realmente seus limites, mas com o tempo vocêpoderá rompe-los e conhecer limites ainda maiores e poder caminhar para a perfeição eo Infinito. O Pior inimigo a se enfrentar não é externo, ele esta dentro de você. É maisfácil você enfrentar mil soldados inimigos do que enfrentar Seu próprio lado obscuro econfrontar sua Verdadeira Natureza.Portanto Coragem é algo a se praticar externamente e internamente. Você só deveretroceder em uma batalha, seja ela de que natureza for, quando sua morte ou derrotanão for construtiva para nada. Afinal "um Homem morto não é útil para ninguém." e"um sábio sabe as batalhas que realmente valem a pena ser disputadas." Ou seja,Coragem sim, mesmo que para enfrentar a Morte, mas Coragem sempre com Sabedoria.2- Verdade: A Verdade aqui também não é apenas uma Virtude, mas um Princípio. Emsua natureza Absoluta, Ela é o Principio de Tudo. Ela pode ser entendida comoHonestidade, mas não é apenas isto. Dela se deriva a Honestidade, Justiça, Honra eEspiritualidade. Um Homem não deve procurar ser Honesto e Honrado para agradar aDeus, e sim para melhorar seu padrão e modo de Vida, e com isto, conquistar o respeitodas pessoas a sua volta. Se você não for honesto, as pessoas tenderão a não confiar emsua palavra, não importa o quão gostem de você. Você não teria credito em nenhumaparte, afora que muitos não perderiam seu tempo em respeita-lo.3- Honra:Existe um provérbio Japonês muito usado pelos Samurais que diz. "Honranão é Orgulho. É Consciência do que se Tem." Muitas pessoas confundem honra comorgulho ou dignidade pessoal. Quanto ao orgulho, ele em si não é Honra, mas você podeter Orgulho de Sua Honra de uma maneira positiva, sem que isso pareça arrogância.Dignidade pessoal? Honra também não é isto diretamente, embora ações honradasgerem por si só a Dignidade pessoal. Se você não age com Honra, você é indigno eobviamente (por uma questão de semântica) você não possui dignidade pessoal. Honra éjogar limpo (Fair-Play). A Virtude da Honra é formada pêlos Princípios de Verdade eCoragem. Verdade para admitir suas verdadeiras responsabilidades e Coragem paraassumi-las.4- Fidelidade: Ou Lealdade, se preferirem. Fidelidade não é apenas dar exclusividadesexual ao seu parceiro amoroso como assim já foi especulado. Você pode não darexclusividade e ainda por cima ser fiel. Se você seguir todos estes princípios, você
  14. 14. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga14estará sendo fiel a eles. Você pode ser fiel a uma causa, pátria, pessoa ou religião. OOcidente tem a mania de rotular tipos de amor. Você ama seu pai? Você ama sua Mãe?Você ama a flor a qual aspiras o seu perfume? Você ama seu namorado ou namorada?Se a resposta for sim para todas, e a resposta for correta, saiba que o amor que vocêsente por todos estes itens citados é do mesmo tipo. Quando você ama, você quer o bemdo que você ama, mesmo que em detrimento do seu. Se você ama um garoto ou garota,você quer que ele seja feliz contigo, sem você ou não só com você. Se você ama umarosa, como você agiria? Você aspiraria seu perfume, se deliciaria com ele, regaria aroseira e adubaria seu solo ou você limitaria seu tempo de vida ainda mais cortando apelo caule e colocando a em um vaso para enfeitar a sua sala para só você e quem vocêquiser, aspirar seu perfume e apreciar sua beleza até que ela definhe e morra? Porém, seo acordo do relacionamento foi de exclusividade, ai sim você não estaria sendo fiel aalgo se você não desse exclusividade ao seu parceiro ou parceira. Agir corretamente deacordo com os princípios, sem se desviar deles é fidelidade, portanto, se você agir comcoragem, verdade, honra e disciplina, você estaria sendo Fiel.5- Disciplina: (Justiça) O Universo provém do caos, portanto o caos é o elementogerador da existência. Entretanto, se só houvesse o caos, o universo seria apenas umelemento em constante mudança, sem nada a ser criado ou estabilizado. Para tanto, parase contrapor ao caos, existe a Ordem que é o elemento estabilizador. Porém, se houverOrdem demais, acaba se gerando outro problema que é a estagnação. Para tanto,também há o principio da Entropia ou destruição, que elimina os excessos dos dois e"destroi o velho para que o novo possa nascer". É claro que destruição em excessotambém não é nada interessante. Nem preciso explicar o porque, não? Equilibrar estastrês forças seria Disciplina em uma visão cósmica, mas o que interessa e a Disciplinaem um plano mais relativo e terreno. No nosso caso, Liberdade (caos) é interessante,liberdade absoluta, ainda mais, mas não podemos esquecer que vivemos em sociedade epara uma convivência salutar, é necessário limitar a liberdade de um aonde começa aliberdade de outro. Para tanto, é preciso se estabelecer regras ou Lei (Ordem). E quandoestas são quebradas, é necessário usar de uma força disciplinar, destrutiva, quandopreciso, para voltar a estabelecer a harmonia e a Justiça.6- Hospitalidade; "Fogo é preciso para o recém - chegado, para aqueles joelhos queestão congelados até as juntas; Comida e roupas limpas um homem (aqui entenda setambém as mulheres) que cruzou as colinas necessita." Assim, Você estará praticandoVerdade, Coragem, fidelidade (pois você convidou, senão ele(a) não seria seu hospede),Justiça (igualmente, porque você o convidou e ele(a) cruzou colinas para te ver.) e comona virtude da Disciplina, para acrescentar algo que de a esta virtude sua individualidade,eu acrescentaria Compaixão que é baseada no Princípio do Amor. Mas Hospitalidadenão é apenas Compaixão. Existem certas regras de hospitalidade as quais devem serseguidas.7- Laboriosidade: Esta em si já gera as duas próximas Virtudes. Trabalhar com Laborsignifica produzir. O oposto desta Virtude justamente com a próxima seria oParasitismo que é viver as custas dos outros, sem ao menos tentar colaborar com algo.Você trabalhar duro para ganhar o seu pão e poder assim, usufruir dele e dos seus frutos.Para tanto é necessário Coragem, Perseverança e Sabedoria, pois com tantosaproveitadores neste mundo, a Sabedoria é necessária para se atingir a prosperidade.
  15. 15. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga158- Indepêndencia: (Auto Confiança) O termo original em inglês é "Self - Reliance" equer dizer ambas as coisas. Mas a essência desta Virtude é a Liberdade e o desejo porela de uma forma honrada. Se você age com liberdade mas parasita alguém sem sequercolaborar com nada para esta pessoa, você não estará praticando esta virtude. Nosentido de Auto Confiança, se você confiar em deus e não confiar em si próprio, nãoserás capaz de nada. Vivemos em um pais de predominância Cristã e estamosacostumados a ver muitas pessoas viver a mediocridade de confiar em um suposto deusabsoluto e responsabiliza-lo por tudo que da certo nas suas vidas se esquecendo de todasas ações acertadas que tomaram, esquecem que são um elemento de mudança do mundode muita importância. Também responsabilizam um suposto diabo por suas atitudeserrôneas fazendo assim o ato de lavar as mãos ou se omitindo de suas responsabilidadesconsigo próprios, com suas famílias e a sociedade. Esta virtude é justamente o opostodisso. Você e mais ninguém, é responsável por suas ações. E se você é independente,tens todo direito a sua Liberdade, portanto podemos interpretar essa virtude comoLiberdade com um senso de auto responsabilidade por seus atos.9- Perseverança: (Paciência) O que comentar sobre essa virtude que não foi comentadona nota sobre a Virtude e Principio da Coragem? Praticar perseverança é ter a coragempara enfrentar seus próprios limites e ir até o fim para se estabelecer e realizar suasmetas. De certo não se pode atingir o topo de uma montanha com apenas um salto. Maspasso a passo, e um de cada vez, você pode atingir o topo da montanha, e quando atingi-lo, deve se lembrar que cada um dos pequenos passos dentre as centenas deles que vocêprecisou dar para atingir este topo, foi igualmente importante, com exceção do primeiropasso. O primeiro foi o mais importante de todos, pois foi sua iniciativa e perseverançaque o levara até lá."Código de Ética ProfissionalSempre, quando se fala em virtudes profissionais, é preciso mencionar a existência doscódigos de ética profissional.As relações de valor que existem entre o ideal, moral traçado e os diversos campos daconduta humana podem ser reunidos em um instrumento regulador. Assim o código deética é uma espécie de contrato de classe em que os órgãos de fiscalização do exercícioda profissão passam a controlar a execução de tal peça magna. Tudo deriva, pois decritérios de conduta de um individuo perante seu grupo social. Tem como base asvirtudes que devem ser exigíveis e respeitadas no exercício da profissão abrangendo orelacionamento com usuários, colegas de profissão, classe e sociedade. O interesse nocumprimento do referido código deve ser de todos. O exercício de uma virtudeobrigatória torna-se exigível para cada profissional como se uma lei fosse, uma vez quetoda comunidade possui elementos qualificados e alguns que transgridem a prática dasvirtudes: seria utópico admitir uniformidade de conduta.A disciplina, entretanto, é um contrato de atitudes, de deveres, de estados deconsciência, e que deve formar um código de ética, tem sido a solução, notadamente nasclasses profissionais que são ingressas de cursos universitários (contadores, médicos,advogados, psicólogos, etc.).Uma ordem deve existir para que se consiga eliminar conflitos e especialmente evitarque se macule o bom nome e o conceito social de uma categoria.
  16. 16. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga16Como resolver dilemas ético-deontologicosPassos dos gestores para a tomada de decisãoInformação:Tenho informação relevante e suficiente para tomar decisão no caso concreto?Envolvimento:Considerei e envolvi todas as pessoas com interesse relevante para a decisão em causa?Consequências:Analisei todas as consequências previsíveis e ponderei-as face ao resultado final dadecisão?Justiça:Se as consequências mais graves da decisão se refletissem em mim, mesmo assimconsideraria a solução justa, tendo em consideração todas as circunstâncias?Valores:A solução encontrada mantém a integridade dos valores que considero essências?Universalidade (solução universal):Considero que a decisão que pretendo tomar se deve tornar uma norma universalaplicável a todas as situações semelhantes?Publicidade (reputação):Como me sentiria e como seria considerado pelas pessoas com quem me relaciono, seos detalhes do processo de tomada de decisão e a solução encontrada fossem revelados?Os principais erros que devem ser evitados no trabalho em grupoCada vez mais o mercado de trabalho exige dos profissionais excelência emcomunicação e facilidade para trabalhar em equipe. Ocorre que em boa parte dos casoso sucesso no desempenho dessas tarefas esbarra na falta de bom-senso e de limites entreo que pode ou não, ser feito e dito para os colegas da empresa. O “Universia” conversoucom especialistas de carreira que listaram algumas atitudes imperdoáveis norelacionamento diário de uma equipe. Elas poderão ajudá-lo a não sofrer asconsequências de uma piada fora de hora ou do mau-humor de um membro da EquipaFalar de colegas ausentes"Falar dos outros é sempre delicado. Portanto, se você tem algo a dizer ao seu colegadiga directamente a ele. Desta forma, evita que o comentário seja mal interpretado eretransmitido por outros. Ao fazer uma crítica directamente ao colega em questão vocêevita que seu comentário chegue distorcido aos ouvidos dele, o que pode gerar conflitos.Além disso, falar pelas costas e comentar sobre a vida alheia é uma atitude mal vista".Rejeitar o trabalho em equipe"Hoje, independentemente do seu cargo, é preciso saber trabalhar em equipe, já quebons resultados dificilmente nascem de acções individuais. No ambiente corporativo,uns dependem dos outros. Se o funcionário não estiver disposto a colaborar com oscolegas, certamente será um elo quebrado. Com isso, o grupo/equipe não chegará aoresultado desejado. Ser resistente ao trabalho em equipe é um revés grave. Sem essaabertura, dificilmente o colaborador conseguirá obter sucesso".Ser antipático (a)"A empatia é muito útil no ambiente de trabalho. Você deve ser leal, cortês, amigo ehumilde. Falar «bom dia» e cumprimentar os outros são atitudes que demonstrameducação e respeito pelos demais. O fato do trabalho exigir concentração do
  17. 17. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga17colaborador não significa que ele não possa ser cordial e abrir um espaço na agendapara ajudar os companheiros de equipa".Deixar conflitos pendentes"Conflitos acumulados podem agravar-se. Qualquer tipo de problema referente aotrabalho, dúvida sobre decisões, responsabilidades que não foram bem entendidas,alguém que ficou magoado com outro por algum motivo, enfim, qualquer tipo dedesconforto deve ser esclarecido para evitar a discórdia no ambiente de trabalho. Ocolaborador deve conversar para resolver o assunto, caso contrário, isso poderá gerarantipatia, conversa de corredores com outros colaboradores e um clima péssimo paratoda a equipa".Ficar de cara fechada"Ter um companheiro de equipa com bom humor anima o ambiente de trabalho,enquanto que um colega mal-humorado causa desconforto do início ao fim doexpediente. Esta postura gera desgastes desnecessários, pois além de deixar toda umaequipa desmotivada ainda atrapalha a produtividade. Pessoas mal-humoradasgeralmente não toleram brincadeiras. Com isso, automaticamente são excluídas daequipa, o que não é saudável. Por essa razão, manter o bom humor no trabalho éfundamental para cultivar bons relacionamentos".Deixar de cultivar relacionamentos"Os melhores empregos não estão nos jornais e nem nos classificados. A partir do seurelacionamento interpessoal no trabalho conseguirá construir a sua oportunidade ". éimportante mostrar dinamismo, ser cooperativo no trabalho, um bom trabalho é aqueleonde você está e só depende de si torná-lo no trabalho que deseja. porque o melhortrabalho é aquele onde você se empenha, onde constrói a sua carreira.Não ouvir os colegas"É importante escutar a todos, mesmo aqueles que têm menos experiência. Isso estimulaa participação e a receptividade de novas ideias e soluções. Questionar com um ar desuperioridade as opiniões colocadas numa reunião não só intimida quem está expondo aideia, como passa uma imagem de que você é hostil. É necessário reflectir sobre o queestá sendo dito, não apenas ouvir e descartar a ideia de antemão por considerá-la inútil".Não respeitar a diversidade"Todas as diferenças devem ser respeitadas entre os membros de uma equipe. Não éaceitável na nossa sociedade alguém que não queira contacto com outro indivíduoapenas por ele ser diferente. Ao passo que o funcionário aceita a diversidade, ele ampliaas possibilidades de actuação, seja dentro da organização ou com um novo cliente.Além disso, o respeito e o tratamento justo são valores do mundo globalizado quedeveriam estar no DNA de todos. Sem eles, o colaborador atrapalha o relacionamentodas equipas, invade limites dos colegas e a natureza do outro".Apontar o erro do outro"A perfeição não é virtude de ninguém. Antes de apontar o erro de outro, devemosanalisar a nossa própria conduta e a nossa responsabilidade para o insucesso de umtrabalho ou projecto. É melhor ajudar a solucionar um problema do que criar outromaior em cima de algo que já deu errado. Lembre-se: errar é humano e o julgamentonão cabe no ambiente de trabalho. No futuro, o erro apontado pode ser o seu".Ficar nervoso (a) com a equipe"Atritos acontecem no ambiente de trabalho, mas a empatia deve ser colocada emprática nos momentos de tensão entre a equipa para evitar que o problema chegue aogestor e se torne ainda pior. Cada um tem um tipo de aprendizagem e um ritmo detrabalho, o que não quer dizer que a qualidade da actividade seja melhor ou pior que asua. O respeito e a maturidade profissional devem falar mais alto do que o nervosismo.
  18. 18. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga18Equilíbrio emocional e uma conduta educada são importantes tanto para a empresacomo para o profissional".ConclusãoA definição de ética e moral leva a insinuação de que ambas assumem a mesmaidentidade. Neste caso a ética seria a teoria dos costumes, ou a ciência dos costumes,enquanto moral seria tomada como ciência, haja vista ser objecto da mesma.O positivismo propõe que a ética enquanto conhecimento científico deva aspirar àracionalidade e objectividade mais completas e, ao mesmo tempo, deva proporcionarconhecimentos sistemáticos, metódicos e, no limite do possível, comprováveis(Vázques.1995. Monte, 2002).Construir a nação abstracta de conceitos como justiça, liberdade, igualdade e outroscomo a ética é também invocar à semântica - suas conotações e múltiplos sentidosatribuídos. Estas expressões imbuem o sujeito que as assimila de forte e evidente cargaemocional. Nalini.1999) afirma que é ainda utilizar-se de expressões que transbordam osentimento e enceram a complexidade característica às questões filosóficas. Contudo, aaplicabilidade pragmática da ética reside na crise de sustentação que civilizaçõesmodernas passam, de modo que se encontram imbricadas questões filosóficas, políticas,sociais e culturais, estéticas e sem excluir, questões religiosas, dentre tantas outras. Acrise da humanidade é uma crise moral, afirma Nalini (1999). Partindo desta premissa éque não se pode desfocar da preservação da dignidade humana, quando se pauta naconduta pessoal.Indistintamente, ética “é a ciência do comportamento moral dos homens emsociedade”(Engelhardt.1998:72). Desta forma é concebida como uma ciência, e comotal, tem objecto próprio, leis próprias e métodos próprios. Assim, o objecto da ética é amoral que se torna reconhecida como um dos aspectos do comportamento humano. Aexpressão deriva da palavra romana mores, que assume o sentido de costumes, ou sejaconjunto de normas adquiridas pelo hábito reiterado de sua prática.Toda via, não se trata apenas da concepção teórico-epistemológico de moral comoproduto ou essência do comportamento humano, mas a moral como produto da ética,vista através da moralidade positiva. Isto porque a ética abriga-se na ideia do “conjuntode regras de comportamento e formas de vida através das quais tende o homem arealizar o valor do bem”(Maynez Apud Nalini 199:35).A ética é uma disciplina normativa, não por criar normas, mas por descobri-las eelucidá-las. Mostrando ás pessoas os valores e princípios que devem nortear suaexistência, a ética aprimora e desenvolve seu sentido moral e influencia a conduta.assume-se como epicentro na tomada de decisões, reconhecimento de sí como objectode um sujeito, isto justifica a necessidade de normas avançadas que compreendam adimensionalidade assumida pelo homem e ainda questões que contemplem a ética docomportamento, sobre a vida e os “novos” mecanismos de relação estabelecidos para agarantia e manutenção desta.A sustentação da ética profissional nas disciplinas como campo de assistência quetrabalha com a subjectividade e o psiquismo humano, como por ex. a psicologia, abreindagações longínquas que contornam a ética profissional e suas actuações.Mesmo a filosofia da ética através do seu estudo histórico sobre o comportamentohumano, bem como o reflexo da ética da vida, por trás de sua manutenção ou não, e porsua normalização e positivação das condutas que vislumbram a transformação da
  19. 19. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga19profissão e da ciência, frente ao ser humano, as condições para que encerrem asdiscussões sobre a ciência do bem e do mal ainda estão a quem de um meio e, por fim,de conclusões cristalizadas sobre o comportamento humano, ou seria o humanocomportamento?O ser humano, como sabemos, é dotado de matéria e pensamento, de água e espírito.A ética para a psicologia é uma forma específica do comportamento humano. Ela serelaciona com outras ciências humanas com intuito de se alcançar um comportamentomoral.Segundo Vázques, 1977. ”ainda que o comportamento moral responda á necessidadesocial de regular as relações dos indivíduos numa certa direcção, a actividade é semprevivida interna ou intimamente pelo sujeito em um processo subjectivo cuja elucidaçãocontribui muito para a psicologia. Como ciência do psíquico, a psicologia vem em ajudada ética quando põe em evidência as leis que regem as motivações internas docomportamento do individuo, assim como quando mostra a estrutura do carácter e dapersonalidade. Dá a sua ajuda também quando examina os actos voluntários, a formaçãodos hábitos, a génese da consciência moral e dos juízos morais.Em poucas palavras, a psicologia presta uma importante contribuição à ética quandoesclarece as condições internas subjectivas dos actos dos indivíduos e deste modo,contribuindo para a compreensão da sua dimensão moral.Devemos conhecer e aplicar nossos códigos de ética, mas também fazer brotar nacategoria a (com) paixão e o compromisso com a área e com a sociedade á qualservimos.A indiferença“Primeiro, levaram os comunistas. Mas eu não me importei com isso.Não sou comunista.Em seguida, levaram alguns operários. Mas eu não me importei com isso.Eu também não sou operário.Depois prenderam os sindicalistas. Mas eu não me importei com isso.Eu não sou sindicalista.Depois agarraram os sacerdotes, mas como eu não sou religioso, também não meimportei.Agora estão me levando.Mas já é tarde.”Bertold Brecht
  20. 20. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga20Referências BibliográficasABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia 4ª edição. São Paulo: Martins Fontes,2000.AQUINO, C.P. Administração de recursos humanos: uma introdução. São Paulo: Atlas,1996.ARICÓ, Carlos Roberto. Reflexões sobre a loucura. São Paulo: Ícone, 1986.ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Martin Claret, 2003.ARISTÓTELES. Colecção “ Os pensadores”. Rio de Janeiro: Nova cultural, 2000.BOFF, Leonardo. Graça e Experiência Humana – A graça libertadora no mundo,Petrópolis: Vozes, 2003.DINIZ. M. H. O Estado actual do Biodireito. 3ª ed. São Paulo:Editora Saraiva,2006.ENGELHARDT. J. R. T. Fundamentos da Bioética. São Paulo: Lyola, 1998.FRANCISCONI, Carlos F.M.& GOLDIM, José R. Ética Aplicada à Pesquisa. In:BRAZIL, 2006GOMES. Henriette Ferreira (Coord.). Treinamento sobre Ética Profissional 14ªGestão,Brazilia, mar: 2007.GLOCK, R. S. GOLDIM J. R. Ética Profissional é compromisso social. Porto Alegre:Mundo Jovem (PUCRS) 2003.KANT, Immanuel Critica da Razão Pura.Vl I. Trad. Valério Rhden e Udo Baldur-4ªedColecção os pensadores. São Paulo: Nova Cultural1991.MONTE, Fernando. A ética na prática médica. Rv. Bioética, Vol.10. n.º 02, Brazília,2002.MOTTA, Nair de Sousa. Ética e vida profissional. R.J: Âmbito Cultural Edições, 1984.NALINI, José R. Ética geral e profissional 2ª Ed. São Paulo: RT Didacticos, 1999.OUTOMURO. D. Manual de fundamentos de Bioética. Buenos Aires: Magister Eos,2004.SÁ. A. L. de. Ética Profissional, 4ª Ed. São Paulo: Atlas, 2001.VÁZQUEZ, Adolfo S. Ética 18ª ed. R.J: Civilização Brasileira, 1977.Pauta deontológica do serviço público AngolanoA Administração pública, no desempenho da sua insubstituivel função social, deve,através dos seus trabalhadores, pautar a sua conduta por principios, valores e regrasalicerçados na justiça, na transparência e na ética profissional, como primeiro passopara o estabelecimento da necessaria relação de confiança entre serviços públicos e aoscidadãos.Assim, para além das obrigações estabelecidas no estatuto disciplinar dostrabalhadores da função pública, reconhece-se útil juntar-se-lhes os imperativosintrisencamente entranhados no âmago da coisa pública, ditames que transformam aobrigação em devoção e que enobrecem o sentido e a utilidade da actuação dos orgãos eserviços da administração pública.Para tanto tem de haver uma disciplina integral que procure contemplar deveresexternos e internos na qual se interligam os comandos legal e moral e em que ospoderes funcionais são acompanhados do conhecimento e prática dos usos exemplaresda sociedade, com relevâcia para os que se referem às relações entre servidores público,trabalhador da Administração pública e o cidadão utente, beneficiário e garante dosserviços públicos.
  21. 21. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga21Sendo os serviços públicos criados para servir a comunidade e o indivíduo, pesa sobreo servidor público, sem prejuizo da autoridade de que também está imbuído, o dever deacatamento e respeito para com os deveres fundamentais da sociedade, da ordemconstituicional, dos cidadãos e da própria Administrção Pública quer Central comolocal.Impõe-se assim a formulação de regras deontológicas com as quais o funcionáriopúblico e agente administrativo deverão pautar a sua conduta no desempenho da suaactividade profissional, em homenagem e observância aos valores mais elevados em quese fundamenta a missão para qual estão investidos;Assim nos termos da alínea e) do artigo 112º da lei constituicional o governo deliberao seguinte:Aprovar e divulgar a pauta deontologica do serviço público anexa à resolução 27/94de Agosto.1- Âmbito, conteúdo e Aplicação1. A pauta Deontológica do serviço público Angolano abrange todos os trabalhadores daAdministração Pública, independentemente do seu cargo, nível ou local de actividade,incluindo, os que exercem funções de direcçõa e chefia.2. O conteúdo de Pauta Deontologica do serviço público compreende um conjunto dedeveres de índole ético profissional se social que impendem sobre os trabalhadorespúblicos no exercicio das actividades, nas relações destes com os cidadãos e demaisentidades particulares bem como, com diferentes órgãos de Estado em especial aAdministração Pública.3. Aplicação – A aplicação da presente Pauta Deontólogica não prejudica aobservância simultânea das regras deontólogicas que existam em algumas instituiçõesou organismo público.II – Valores Essenciais4. Interesse Público – Os trabalhadores da Administração Pública devem exercer assuas funções exclusivamente ao serviço do interesse público. Os interesses geraissustentadores da estabilidade, convivência e tranquilidade sociais e garantes dasatisfação das necessidades fundamentais da colectividade são razão de ser última daactuação dos trabalhadores públicos.5. Legalidade – os trabalhadores da Administração Pública devem proceder noexercicio das suas funções sempre em conformidade com a lei, devendo para efeitoconhecer e estudar as leis, regulamentos e demais actos jurídicos em vigor bem comocontribuir para a ampla divulgação e conhecimento da lei e o aumento da consciênciajurídica dos cidadãos.6. Neutralidade – Os trabalhadores da Administração Pública têm o dever de adoptaruma postura e conduta profissionais ditadas pelos crit´rios da imparcialidade eobjectividade no tratamento e resolução das matérias sob sua responsabilidade,observando sempre com justeza, ponderação e respeito do princípio da igualidadejurídica de todos os cidadãos perante a lei e isentando-se de quaisquer considerações ouinteresses subjectivos de natureza política, económica, religioza ou outra.7. Integridade e responsabilidade – Os trabalhadores da Administração Pública devemno exercicio das suas funções pugnar pelo aumento da confiança dos cidadãos nasinstituições públicas bem como da eficácia e prestígio dos seus serviços. Averticalidade, a discrição, a lealidade e a transparência funcionais devem caracterizar aactividade de todos quantos vinculados jurídicamente à Administração Públicacomprometem-se em servi-la para bem dos interesses gerais da comunidade.8. Competência – os trabalhadores da Administração Pública assumir o mérito, o brioe a eficiência como critérios mais elevados de profissionalismo no desempenho das
  22. 22. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga22funções públicas. A qualidade dos serviços públicos em melhor servir depende,decisivamente, do aumento constante da capacidade t´rcnica e proficional dos agentes efuncionários públicos.III – Deveres para com os Cidadãos9. Qualidade na prestação do serviço público – A consciência e a postura de bemservir, com eficiência e rigor, devem constituir uma referência obrigatória na actividadedos trabalhadores da Administração pública nas suas relações com os cidadãos.Qualidade nas prestações que se proporcionam aos cidadãos e á sociedade em geraldeve significar também uma forma mais humana de actuação, de participação e derxigencia reciprocas entre os trabalhadores públicos e os utentes dos serviços públicos.10. Isenção e Imparcialidade – Os trabalhadores da Administração Pública devem tersempre presente que todos os cidadãos são iguais perante a lei, devendo merecer omesmo tratamento no atendimento, encaminhamento e resolução das suas pretensões ouinteresses legitímos, salvaguardando, no respeito à lei a igualidade de acesso e deoportunidades de cada um.11. Competência e Proporcionalidade – Os trabalhadores da Administração Públicadevem exercer as suas actividades com observância dos imperativos de ordem técnica eciêntifica requeridos pela efectividade e celeridade das funções. Devem igualmentesaber aguardar, em função dos objectivos a alcançar, os meios mais idóneos eproporcionais a empregar para aquele fim.12. Cortesia e Informação – Os trabalhadores da Administação Pública devem sercorteses no seu relacionamento com os cidadãos e estabelecer com eles uma relação quecontribua para o desenvolvimento da civilidade e correcção dos servidores e dos utentesdos serviços públicos. Devem os trabalhadores de Administração Pública, igualmente,serem prestáveis no aseguramento aos cidadãos das informações e esclarecimentos deque carecam.13. Proibidade – Os servidores da Administração Pública não podem solicitar ouaceitar, para sí ou para terceiros, directo ou indirectamente quaisquer presentes,empréstimos, facilidade ou em geral, quaisquer ofertas que possam pôr em causa aliberdade da sua acção, a independência do seu juizo e a credibilidade e autoridade daAdministração Pública, dos seus órgão e serviços.IV - Deveres Especiais para com a Administração14. Serviço Público – Os trabalhadores da Administração Pública ao vincularem-secom os entes públicos para contribuirem para a prossecução dos interesses gerais dasociedade, devem colocar sempre a prevalência destes acima de quaisquer outros.Igualmente não devem usar para fins e interesses particulares a posição dos seus cargose seus poderes funcionais.15. Dedicação – Os trabalhadores da Administração Pública devem desenhar as suafunções co profundo espiríto de missão, cumprindo as tarefas que lhe sejam confiadas,com prontidão, racionalidade e eficácia. O respeito pelos superiores hierarquicos,colegas e subordinados bem como a destreza e criatividade na análise dos problemas ebusca de soluções deverão ser atributos de relevo na actuação dos trabalhadorespúblicos.16. Autoformação, Aperfeçoamento e Actualização – Os trabalhadores daAdministração Pública devem assegurar-se do conhecimento das leis, regulamentos einstruções em vigor e desenvolver um esforço permanente e sistemático de actualizaçãodos seus conhecimentos, bem com de influência neste sentido em relação aos colegas esubordinados. Em especial os titulares de cargos de direcção e chefia devem serexemplo e o elemento dinamizador dessa acção.
  23. 23. ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL (E.D.P) – MSc.Econ. Pedro Batumenga2317. Reserva e discrição – Os trabalhadores da Administração Pública devem usar damaior reserva e discrição de modo a evitar a divulgação do facto e informações de quetenham conhecimento no exercicio de funções sendo-lhes vedado o uso dessasinformações em proveito próprio ou de terceiros.18. Parcimónia – Os trabalhadores da Administração Pública devem fazer umacriteriosa utilização dos bens que lhe são facultados e evitar desperdícios, não devendoutilizar directa ou indirectamente quaisquer bens públicos em proveito pessoal, nempermitir que qualquer outra pessoa deles se aproveite à margem da sua utilização.19. Solidariedade e Cooperação – Os trabalhadores da Administração Pública devem,estabelecer e fomentar um relacionamento correcto e cordial entre sí de modo adesenvolver o espírito de equipa e uma forte atitude de colaboração e entre ajuda,procurando auxílio dos superiores e colegas no aperfeiçoamento do nível e qualidadedo trabalho a prestar.V – Deveres para com os Órgãos de soberania20. Zelo e Dedicação – Os trabalhadores da Administração Pública, devemindependentemente das suas convicções politícas ou ideológicas, agir com eficiência eobjectividade e esforçar-se por dar resposta às solicitações e exigencias dos órgãos daAdministração a que estão afectos, em especial respeitando e fazendo respeitar osdireitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos previstos na constituição enas leis assim como contribuindo para o cumprimento rigoroso dos deveresestabelecidos no ordenamento jurídico.21. Lealdade – Os trabalhadores da Administração Pública devem esforçar-se por nasua esfera de acção exercer com lealdade os programas e missões definidassuperiormente, no respeito escrupoloso à lei e às ordens legítimas dos seus superioreshierarquicos.O Primeiro Ministro, Marcolino José Carlos Moco.

×