DFE8 biblia

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DFE8 biblia

  1. 1. A 'bíblia' do DFE 8 em combate Os quatro principios sagrados definidos pelo comandante do Destacamento de Fuzileiros Espe- ciais 8 eram: segurança; decisão; não subestimar o inimigomão bestializar a guerra. 1. ° princípio: a segurança “Consiste no conjunto de regras resultantes da te- oria e da prática adquirida que permitem a uma força ganhar superioridade no terreno (. ..) e pre- ver soluções para todas as situações de contacto com o inimigo (. ..) Servem para deslocamentos a pé ou em coluna motorizada ou em botes, e para estacionamentos curtos e prolongados (. ..) Estas regras devem ser repetidas constantemente: em reuniões que precedem as operações ou que se seguem a operações para analisar os erros cometidos (. ..) Apesar de tudo, e sabendo o pes- soal que anda em zonas perigosas, é frequente encontrar individuos desaten tos ou quebrando certas regras de segurança. Isto sucede, sobretu- do, devido ao cansaço, pois é dificil e muito can- sativo andar 3 ou 4 dias a respeitar em absoluto regras de silêncio, atenção, ligação e observação e falando por rádio ou em surdina (. ..) Uma força bem treinada na guerrilha deve saber usar todo o seu poder ofensivo com o máximo de segurança: nessa altura terá encontrado o equilibrio desejá- vel. Em nomadizações prolongadas (3 a 4 dias), ha' momentos em que o pessoa] descuida mais a segurança: "Aos primeiros alvores: Se passou uma noite es- tacionado, acontece que as primeiras luzes do dia significam a possibilidade de o pessoa] se volta: a ver e falar depois de várias horas de repouso -: - vigilância na escuridão (. ..) A fim de a segurança não diminuir nestes casos, deve fazer-se avança: os sentinelas (em relação ao círculo de estaciona- mento) logo que apareçam os primeiros alvores “Na montagem e desmontagem de estaciona- mentos: Após várias horas de nomadização, cor: ou sem combates, o estacionamento significa repouso, aligeiramen to de carga, relaxamen- to, possibilidade de diálogo. Nessa altura, deve avançar-se os sentinelas (só de dia) e manter uma segurança especial à rectaguarda (na direcção : ie onde se vinha). Na desmontagem do estaciona- mento faz-se o mesmo que aos primeiros alvores "Em deslocamentos prolongados: Quando um deslocamento se torna prolongado, o cansaço acaba por entorpecer os sentidos e a capaci- dade de reagir com prontidão (. ..) Terão que se fazer estacionamentos curtos, para relaxamento, intervalando as horas de marcha. Durante esses estacionamentos é preciso ter especial atenção aos sectores da vanguarda e da retaguarda da coluna (. ..) "No termo das operações: Quando se esta' a che- gar ao fim de uma operação (na última hora de marcha, após 3 ou 4 dias de mato), a segurança tende a afrouxar em face da sensação de alivio (. ..) É uma altura perigosa e utilizada muitas vezes pelo inimigo para atacar. É bom fazer um estacio- namento nessa altura para descontrair e retomar o equilibrio nervoso.
  2. 2. 2. ° principio: a decisão “Num destacamento de Fuzileiros Especiais é fundamental que cada elemento possua poder de decisão suficiente e ajustado ao seu grau de responsabili'dade. A decisão é uma regra de auto- confiança, auto-dominio e noção das realidades que permite que nos antecipemos ao inimigo quando o encontramos; permite que escolhemos a tempo a táctica adequada de combater ou de nos deslocarmos; permite que evitemos as acções de fogo quando são escusadas; permite, enfim, escolher sempre, de acordo com as circunstân- cias e no devido tempo (por vezes tão curto) a so- lução que pareça mais própria, embora possamos reconhecer mais tarde que não foi a melhor. "O poder de decisão é fruto da prática adquirida no seu exercicio e, portanto, é preciso habituar os oficiais, sargentos, chefes de equipa e finalmen- te cada um a possui-lo em grau elevado e a ter confiança em sie nos seus camaradas (. ..) Para melhor nos adaptarmos ao tipo de guerrilha e tirar o máximo rendimento de um destacamento de Fuzileiros Especiais, é frequente subdividir este ao nivel de grupo de assalto e, até, de equipa (em emboscadas) e portanto é forçoso delegar e confiar. "Um poder de decisão efectivo, delegado, con- fiado e ajustado às responsabilidades de cada combatente, é fundamental para fomentar o pleno desenvolvimento da auto-confiança, da confian- ça mútua e do espirito de corpo no seio de uma força combatente de guerrilha (. ..) A análise da operação, dissecada nas diversas acções que a compuseram, feita perante o pessoal da unidade, permite uma educação eficiente do poder de decisão individual e colectivo. 3. ° princípio: não subestimar o inimigo "O facto de uma força adquirir confiança na acção, por se sentir bem preparada, ter uma série de êxitos operacionais e ter a sorte de não contar baixas nas suas fileiras, pode levar o seu pessoal a subestimar o valor do inimigo (. ..) O que é facto é que o nosso adversário nesta guerrilha tem provado que possui valor, sob todos os aspectos, e desfere frequentemente golpes que nos descon- certam (. ..) Quando se subestima um adversário, por ignorância, orgulho ou loucura, não só esta- mos a contribuir para um provável fracasso nosso, como estamos a alimentar o ódio na luta. 4. ° princípio: não bestializar a guerra "Em todas as guerras é comum subestimar os va- lores humanos, vindo ao de cima a lei da sobrevi- vência do dia-a-dia (. ..) Sobretudo as tropas d v »
  3. 3. » especiais, e por vezes também as outras, gene- ralizaram procedimentos de atirar a matar sobre gente desarmada -população sob controlo inimi- go - quando esta aparece pela frente e sobretudo quando foge. Mesmo depois de os conseguirem apanhar é vulgar liquidarem-nos (com o pretexto de que reduzem segurança e a mobilidade na acção) ou simplesmente molestá-los fisica e psi- cologicamente para deles obter informações (as quais não possuem muitas vezes). "Este procedimento desumano, que transforma em genocídio o que deveria ser legitima defesa, é muitas vezes ignorado por quem não acompanha as operações e processa-se segundo uma escala de valores que classifica como boas unidades aquelas que apresentam um número elevado de mortos feitos ao adversário, independentemente da idade, sexo e grau de colaboração na guerri- lha. " (. ..) Não bestializar a guerra, procurar cumprir as missões com um minimo de dispêndio de vidas e de degradação moral, esse deve ser um objec- tivo (. ..) Uma arma posta nas mãos de alguém, sobretudo se esse alguém é jovem e se não lhe derem uma formação moral proporcional à da arte de combater, é um instrumento susceptível de se transformar em algo de perigosamente fratricida (. ) "O pessoal combatente não deve, em caso algum, atirar sobre pessoal adversário que tenha a certeza estar desarmada. Esta certeza é possivel em muitos casos. Em caso de dúvida e emergên- cia não se deve evitar em atirar, pois a segurança deve prevalecer. Deve-se tentar capturar vivos os adversários desarmados (. .. ) "O pessoal combatente deve estar consciente que, para além do factor humano, um adversár: : vivo pode vir a ser muito útil ao prosseguimen: : das operações do que se for aniquilado. "O pessoal combatente deve estar consciente que constitui crime o aniquilamento de vidas de adversários depois de aprisionados e reduzidos 5 impotência (. ..) “O pessoal combatente deve estar consciente : .- que usar de processos violentos para fazer fala: um adversário é estar a violentar a integridade humana de seres humanos, de seres que muitas vezes não dispõem dos conhecimentos que se lhes exige; e que é possivel muitas vezes obter essas informações por processos que não atente: contra a integridade dos prisioneiros, conforme e prática já nos mostrou, desde que os interrogató- rios sejam orientados com ciência, inteligência paciência. "O pessoal combatente deve estar ciente que a recuperação ideológica de adversários aprisioxa- dos é possivel e quase sempre de uma utilidade futura enorme. "Sempre que um adversário (guerrilheiro ou elemento da população) seja ferido em comba- te e depois aprisionado deve ser assistido com todos os meios possiveis (desde que os meios nã: façam falta evidente e de momento aos elementcs da força) e em seguida deve tentar-se a sua eva- cuação do local (geralmente por helicóptero). Se a evacuação não for possivel, o que pode sucede: por impossibilidade de meios ou inconveniência táctica para a força, os adversários assim captu- rados devem ser abandonados no local depois de desarmados. Pode reduzir-se a sua capaci- dade de movimentos ate' a força se afastar pelo amordaçamento, amarramento ou injectando-lhe morfina para o adormecer (. ..) " III

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