J r ward_-_irmandade_da_adaga_negra_-_01_-_amante_escuro

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J r ward_-_irmandade_da_adaga_negra_-_01_-_amante_escuro

  1. 1. AMANTE ESCUROJ. R. WardIrmandade da Adaga NegraLivro 01
  2. 2. Resumo: Nas ruas do Cadwell em Nova Iorque se mantém uma sangrenta luta entre duasbandas, duas raças: A Irmandade e seus caçadores e assassinos. A Irmandade é compstapor seis vampiros e guerreiros que arriscam sua vida pelo amparo e sobrevivência de suaraça, perseguida e dizimada o que a colocou em uma perigosa situação, a população devampiros há diminuído alarmantemente. Warth, Rhage, Zsadist, Phury, Vishous eTohrment se submeteram a duros treinamentos para poder lutar e proteger a sua espécie.São vampiros, são guerreiros e cada um deles carrega uma maldição própria que osmantém isolados, sós... tão só um deles Tohr tem companheira, o resto vivem só semnenhuma companhia, só têm à Irmandade que os une em sua luta pela sobrevivência desua raça contra os assassinos de seu povo. Os Irmãos, embora não de sangue, sim devínculo, são selecionados por suas habilidades tanto físicas e mentais como por suashabilidades curadoras. Agressivos, auto-suficientes não se relacionam com outrosmembros a não ser que precisem alimentar-se. A sociedade de assassinos e caçadores devampiros são humanos que venderam sua alma, o que os despoja de vínculos, de idade ecom o tempo sua pele, cabelo e olhos empalidece visivelmente o que lhes outorga unstraços e aroma característicos da dita sociedade. Rhage é o melhor guerreiro do grupoalém disso o mais atraente, mas tem um lado escuro e violento, Zsadist foi torturado eescravizado, uma cicatriz lhe cruza o rosto, usa o cabelo praticamente raspado e váriospiercings em seu corpo, e o resto da Irmandade teme que esteja próximo à perda de suaalma, Phury é seu gêmeo, usa uma prótese em uma perna, cabelo multicolorido, e pordecisão própria se mantém celibatário, Vishous é o especialista em tecnologia e lusacavanhaque, uma boina vermelha e uma luva que oculta sua mão esquerda... e por últimoestá Tohrment. Warth é o rei dos vampiros, é o único de toda a irmandade que é um vampiro"puro", nascido de pai e mãe vampiros. É praticamente cego o que lhe faz ocultarpermanentemente seus olhos com uns óculos escuros. Como todos, veste-se de couro e éimponente, enorme, uma massa de músculos e tendões duramente treinados para a luta.É o líder da Irmandade além disso o rei dos vampiros. Pouco antes de sua morte Darius, o sétimo vampiro da Irmandade pede ao Warthque cuide de sua filha Beth, meio humana meio vampira que está a ponto de passar pelatransição, converter-se em vampira, mas é um processo perigoso pode significar suamorte ou a conversão o que implica uma mudança de vida, estilo e raça, abandonar suavida humana e passar a viver entre as sombras da noite. Warth se nega, mas depois damorte de seu "irmão" e amigo procura Beth para instrui-la e lhe advertir.... Beth desconhece suas orígens e procedência. Criou-se em orfanatos depois da mortede sua mãe após lhe dar a luz, nunca conheceu seu pai. É na atualidade uma jornalistaque vive como uma mais entre a multidão de Caldwell, em Nova Iorque. Mas depois dairrupção de Warth em sua vida esta, sofre um salto de 180 graus. A entrada em uma vidana escuridão, a conversão em vampira e… uma intensa e sensual relação com o líder daIrmandade, a pesar da inicial reticência por parte de ambos. Beth teme a esse enormedesconhecido, Warth não quer vínculos nem laços de nenhum tipo, tão só a ajudará apassar pela transição diz, pois seu sangue é poderoso, antigo e o mais forte... Mas osplanos são feitos para quebrar-se e o perigo lhes une em uma ardente e sensual relação
  3. 3. que os vincula irremediavelmente.
  4. 4. Glossário de termos e nomes próprios Ahvenge: Ato de retribuição mortal, executada tipicamente por uma pessoaquerida. A Tumba: Cripta sagrada da Irmandade da Adaga Negra. Usada como sedecerimoniosa e como armazém dos frascos dos restrictores. Entre as cerimônias alirealizadas se encontram as iniciações, funerais e ações disciplinadoras contra os irmãos.Ninguém pode acessar a ela, exceto os membros da Irmandade, a Virgem Escriba ou oscandidatos a uma iniciação. A Virgem Escriba: Força mística conselheira do rei, guardiã dos arquivosvampíricos e encarregada de outorgar privilégios. Existe em um reino intemporal e possuigrandes poderes. Capaz de um único ato de criação, que empregou para dar existênciaaos vampiros. As Escolhidas: Vampiresas destinadas a servir à Virgem Escriba. Consideram-semembros da aristocracia, embora de uma maneira mais espiritual que temporl. Têmpouca, ou nenhuma, relação com os machos, mas podem acasalar-se com guerreiros comobjeto de reproduzir sua espécie se assim o determina a Virgem Escriba. Têm acapacidade de predizer o futuro. No passado, eram utilizadas para satisfazer asnecessidades de sangue de membros solteiros da Irmandade, más tal prática foiabandonada pelos irmãos. Cohntehst: Conflito entre dois machos que competem para ter o direito de sercompanheiro de uma fêmea. Dhunhd: Inferno. Doggen: Membro da classe servil no mundo dos vampiros. Os doggens mantêm asantigas tradições de forma muito rigorosa, e são muito, conservadores em questõesrelacionadas com o serviço emprestado a seus superiores. Suas vestimentas ecomportamento são muito formais. Podem sair durante o dia, mas envelhecemrelativamente rápido. Sua esperança de vida é de quinhentos anos aproximadamente. Escravo de sangue: Vampiro fêmea ou macho que foi submetido para satisfazer asnecessidades de sangue de outros vampiros. A prática de manter escravos de sanguecaiu, em grande medida, em desuso, más não é ilegal. Ghardian: Guarda de um individuo. Existem graus variados de ghardians, o maispoderoso é de um sehcluded fêmea, conhecido como um whard. Glymera: O núcleo social da aristocracia, aproximadamente equivalente paratonelada da Regência a Inglaterra. Hellren: Vampiro que escolhe a uma fêmea como companheira. Os machos podemter mais de uma fêmea como companheira.
  5. 5. Irmandade da Adaga Negra: Guerreiros vampiros treinados para proteger a suaespécie contra a Sociedade Restritiva. Como resultado de uma cria seletiva no interior daraça, os membros da Irmandade possuem uma imensa força física e mental, assim comouma enorme capacidade para curar-se de suas feridas com rapidez. A maioria não sãopropriamente irmãos de sangue. Iniciam-se na Irmandade através da nominação de umde seus membros. Agressivos, auto-suficientes e reservados por natureza, vivemseparados dos humanos e têm pouco contato com membros de outras classes, excetoquando precisam alimentar-se. São objeto de lendas e muito respeitados dentro domundo dos vampiros. Só se pode acabar com eles se lhes fere gravemente com umdisparo ou uma punhalada no coração. Leahdyre: Uma pessoa de poder e influência. Lheage: Um termo de respeito usado por aqueles que estão sexualmente sereferindo a seu dominante. Leelan: Termo carinhoso, que se pode traduzir de maneira aproximada como «oque mais quero». Mahmen: Mãe. Usado ambos como um identificador e um termo de afeto. Mhis: Que parece um ambiente físico; A criação de um campo de ilusão. Nalla (F.) ou nallum (M.): Amado. Newling: Uma virgem. O Fade: Reino atemporal onde os mortos se reúnen com seus seres queridosdurante toda a eternidade. O Omega: Malévola figura mística que pretende a extinção dos vampiros por causade um ressentimento para a Virgem Escriba. Existe em um reino atemporal e possuigrandes poderes, embora não tem capacidade de criação. Período de Necessidade: Época fértil das vampiresas. Geralmente dura dois dias evai acompanhado de uns intensos desejos sexuais. Apresenta-se aproximadamente cincoanos depois da transição de uma fêmea, a partir daí, uma vez cada década. Todos osmachos respondem de algum modo se se encontrarem perto de uma fêmea em períodode necessidade. Pode ser uma época perigosa, com conflitos e lutas entre machos,especialmente se a fêmea não tem companheiro. Phearsom: O termo que se refere a potência de órgãos sexuais do macho.Tradução literal algo perto de "merecedor de entrar em uma fêmea." Primeira Família: O rei e a rainha dos vampiros, e os filhos nascidos de sua união. Princeps: Grau superior da aristocracia dos vampiros, só superado pelos membrosda Primeira Família ou a Escolhida da Virgem Escriba. O título é hereditário, não pode ser
  6. 6. outorgado. Pyrocant: refere-se a uma debilidade crítica em um indivíduo. Dita debilidade podeser interna, como um vício, ou externa, como um amante. Restrictor: Membro da Sociedade Restritiva. Trata-se de humanos sem alma queperseguem vampiros para exterminá-los. Aos restrictores lhes deve apunhalar no peitopara matá-los; do contrário, são eternos. Não comem nem bebem e são impotentes. Como tempo, seu cabelo, sua pele e a íris de seus olhos perdem pigmentação até converter-seem seres loiros, pálidos e de olhos incolores. Cheiram a talco para bebês. Depois de seriniciados na Sociedade pelo Omega, conservam um frasco de cerâmica dentro do qual foicolocado seu coração depois de ser extirpado. Rythe: Forma ritual de salvar à honra. Oferece-o alguém que tenha ofendido aoutro. Se é aceito, o ofendido escolhe uma arma e ataca ao ofensor, que se apresentaante ele desprotegido. Sehclusion: Condição conferido pelo rei em uma fêmea da aristocracia comoresultado de uma petição pela de família da fêmea. Põe as fêmeas debaixo da direçãoexclusiva de seu ghardian, tipicamente o macho primogênito em sua casa. Seu ghardianentão tem o direito legal de determinar toda maneira de sua vida, restringindo à vontadequalquer e todas as interações que ela tem com o mundo. Shellam: Vampiresa que se uniu a um macho tomando-o como companheiro. Emgeral, as fêmeas escolhem a um só companheiro devido à natureza fortemente territorialdos machos acasalados. Symphath: Sub-espécie vampírica caracterizada pela habilidade e desejo demanipular as emoções de outros (com a finalidade de troca de energia), entre outrascaracterísticas. Historicamente, eles foram discriminados e durante certas épocas, caçadospor vampiros. Eles são perto da extinção. Sociedade Restritiva: Ordem de caçavampiros convocados pelo Omega com opropósito de erradicar a espécie dos vampiros. Trahyner: Palavra usado entre machos de respeito e afeto mútuos. Traduzidoslivremente como "amigo amado." Transição: Momento crítico na vida dos vampiros, quando ele ou ela se convertemem adultos. A partir desse momento, devem beber o sangue do sexo oposto parasobreviver e não podem suportar a luz solar. Geralmente, acontece aos vinte e cinco anos.Alguns vampiros não sobrevivem a sua transição, sobre tudo os machos. Antes damudança, os vampiros são fisicamente frágeis, sexualmente ignorantes e indiferentes, eincapazes de desmaterializar-se. Vampiro: Membro de uma espécie separada do Homo sapiens. Os vampiros têmque beber sangue do sexo oposto para sobreviver. O sangue humano os mantém vivos,mas sua força não dura muito tempo. Depois de sua transição, que geralmente acontece
  7. 7. aos vinte e cinco anos, são incapazes de sair à luz do dia e devem alimentar-se da veiaregularmente. Os vampiros não podem «converter» aos humanos com uma dentada nemcom uma transfusão sangüínea, embora, em alguns casos, são capazes de procriar com aoutra espécie. Podem desmaterializar-se a vontade, mas têm que procurar tranqüilidade econcentração para consegui-lo, e não podem levar consigo nada pesado. São capazes deapagar as lembranças das pessoas, sempre que forem a curto prazo. Alguns vampiros sãocapazes de ler a mente. Sua esperança de vida é superior a mil anos, e em alguns casosinclusive mais. Wahlker: Um individuo que morreu e retornou a vida do Fade. A eles sãoconcedidos grande respeito e são venerados por suas tribulações. Whard: Guardião de uma fêmea sehcluded.
  8. 8. Capítulo 1 Darius olhou a seu redor no clube, e se deu conta, pela primeira vez, da multidão depessoas semidesnudas que se contorsionavan na pista de baile. Aquela noite, Screamersestava a transbordar, repleto de mulheres vestidas de couro e homens com aspecto de tercometido vários crimes violentos. Darius e seu acompanhante encaixavam à perfeição. Com a condição de que eleseram assassinos de verdade. - Realmente pensa fazer isso? - perguntou-lhe Tohrment.Darius dirigiu seu olhar para ele. Os olhos do outro vampiro se encontraram com os seus. - Sim. Assim é. Tohrment bebeu um sorvo de seu uísque escocês. Um sorriso lúgubre apareceu emseu rosto, deixando entrever, fugazmente, as pontas de suas presas. - Está louco, D. - Você deveria compreendê-lo. - Tohrment inclinou seu copo com elegância. - Mas está indo muito longe. Quer arrastar contigo a uma garota inocente, que nãotem nem idéia do que está acontecendo, para submetê-la a sua transição em mãos dealguém como Wrath. É uma loucura. - Ele não é mau..., apesar das aparências. - Darius terminou sua cerveja. - E deverialhe mostrar um pouco de respeito. - Respeito-o profundamente, mas não me parece boa idéia. - Necessito-o. - Está seguro disso? Uma mulher com uma minissaia diminuta, botas até as coxas e um corpeteconfeccionado com correntes passou junto a sua mesa. Sob as pestanas carregadas derímel, seus olhos brilharam com um incitante brilho, enquanto rebolava como se seusquadris tivessem uma dupla articulação. Darius não emprestou atenção. Não era sexo o que tinha em mente essa noite. - É minha filha, Tohr. - É uma mestiça, D. Já sabe o que ele pensa dos humanos. - Tohrment moveu acabeça. - Meu tatarabuela o era, não me vê precisamente alardeando disso ante ele. Darius levantou a mão para chamar à garçonete e assinalou sua garrafa vazia e ocopo do Tohrment. - Não deixarei que mora outro de meus filhos, E menos se houver uma possibilidadede salvá-la. De qualquer modo, nem sequer estamos seguros de que vá trocar. Poderiaacabar vivendo uma vida feliz, sem inteirar-se jamais de minha condição, Não seria aprimeira vez que acontece. Tinha a esperança de que sua filha se livrasse daquela experiência. Porque sepassava pela transição e sobrevivia convertida em vampiresa, perseguiriam-na para caçá-la, como a todos eles. - Darius, se ele se comprometer a fazê-lo, será porque está em dívida contigo. Nãoporque o deseje. - Convencerei-o. - E como pensa enfocar o problema? Pode te aproximar pelas boas a sua filha e lhedizer: «Ouça, vai sei que nunca me viu, mas sou seu pai. Ah, e sabe algo mais? ganhasteo prêmio gordo na loteria da evolução: é uma vampiresa. Vamos a Disneylandia! - Neste momento te odeio. Tohrment se inclinou para diante; seus grossos ombros se moveram sob a jaquetade couro negro.
  9. 9. - Sabe que te apóio, mas penso que deveria reconsiderá-lo. - Houve uma incômodapausa. - Talvez eu possa me encarregar disso. Darius lhe lançou um frio olhar. - E acredita que poderá retornar tranqüilamente a sua casa depois? Wellsie tecravaria uma estaca no coração, e te deixaria secar ao sol, meu amigo. Tohrment fez uma careta de desagrado. - Bom argumento. - E logo viria a mim. - Ambos os machos se estremeceram. - Além disso... - Darius setornou para trás quando a garçonete lhes serve as bebidas. Esperou a que partisse,embora o rap soava estruendosamente a seu redor, amortecendo qualquer conversação. -Além disso, são tempos difíceis. Se algo me acontecesse... - Eu cuidarei dela. Darius deu uma palmada no ombro a seu amigo. - Sei que o fará. - Mas Wrath é melhor. - Não havia nem um pingo de ciúmes em seu comentário.Simplesmente, era verdade. - Não há outro como ele. - Obrigado - a Deus - disse Tohrment, esboçando um meio sorriso. Os membros de sua Irmandade, um fechado círculo de guerreiros fortemente unidosque intercambiavam informação e lutavam juntos, eram da mesma opinião. Wrath erauma corrente de fúria em assuntos de vingança, e caçava a seus inimigos com umaobsessão que raiava na demência. Era o último de sua estirpe, o único vampiro de sanguepuro que ficava sobre o planeta, e embora sua raça o venerava como a um rei, eledesprezava sua condição. Era quase trágico que ele fora a melhor opção de sobrevivência que tinha a filhamestiça do Darius. O sangue do Wrath, tão forte, tão puro, aumentaria suasprobabilidades de superar a transição se esta lhe causava algum mal. Mas Tohrment nãose equivocava. Era como entregar uma virgem a uma besta. De repente, a multidão se deslocou, amontoando uns contra outros, deixando passoa alguém. Ou a algo. - Maldição. Aí vem - balbuciou Tohrment. Agarrou seu copo e bebeu de um gole atéa última gota de seu escocês - Não te ofenda, mas vou. Não quero participar destaconversação. Darius observou como aquela maré humana se dividia para se separar do caminhode uma imponente sombra escura que sobressaía por cima de todos eles. O instinto defugir era um bom reflexo de sobrevivência. Wrath media um metro noventa e cinco de puro terror vestido de couro. Seu cabelo,longo e negro, caía diretamente de uma mecha em forma de M sobre a frente. Unsgrandes óculos de sol ocultavam seus olhos, que ninguém tinha visto jamais. Seus ombrostinham o dobro do tamanho que os da maioria dos machos. Com um rosto tãoaristocrático como brutal, parecia o rei que em realidade era por direito próprio e oguerreiro em que o destino o tinha convertido. E a onda de perigo que lhe precedia era sua melhor carta de apresentação. Quando o gélido ódio chegou até o Darius, este agarrou sua cerveja e bebeu umlongo sorvo. Realmente esperava estar fazendo o correto. Beth Randall olhou para cima quando seu editor apoiou o quadril sobre o escritório.Seus olhos estavam cravados no decote do Beth. - Trabalhando até tarde outra vez? -murmurou.
  10. 10. - Olá, Dick. Não deveria estar já em casa com sua mulher e seus dois filhos? -adicionou mentalmente. - O que está fazendo? - Redigindo um artigo para o Tom - Sabe? Há outras formasde me impressionar. Sim, já imaginava. - Tem lido meu e-mail, Dick? Fui à delegacia de polícia esta tarde e falei com o Josée Ricky. Asseguraram-me que um traficante de armas mudou para esta cidade.Encontraram dois Mágnum manipuladas em mãos de uns traficantes de drogas. Dick estirou o braço para lhe dar um tapinha no ombro, acariciando-o antes deretirar a mão. - Você continue trabalhando nas coisas pequenas. Deixa que os meninos grandes sepreocupem dos crimes violentos. Não queremos que aconteça algo a essa face tão bonita. Sorriu, entrecerrando os olhos enquanto seu olhar se detinha nos lábios da garota. Essa rotina de olhá-la fixamente durava já três anos, pensou ela, desde que tinhacomeçado a trabalhar para ele. Uma bolsa de papel. O que precisava era uma bolsa de papel para ficar a sobre acabeça cada vez que falava com ele. Talvez com a fotografia da senhora Dick pega a ela. -Quer que te leve a sua casa? - perguntou. Só se caísse uma chuva de agulhas e pregos, pedaço de símio. - Não, obrigado. - Beth girou para a tela de seu computador com a esperança de queele entendesse a indireta. Ao fim, afastou-se, provavelmente em direção ao bar do outro lado da rua, aonde sereuniam a maioria dos repórteres antes de ir-se a sua casa. Caldwell, Nova Iorque, nãoera precisamente um foco de oportunidades para um jornalista, mas os «meninosgrandes» do Dick gostavam de aparentar que levavam uma vida social muito agitada.Desfrutavam reunindo-se no bar do Charlie a sonhar com os dias em que trabalhassemem jornais maiores e importantes. A maior parte deles eram como Dick: homens de médiaidade, do montão, competentes, mas o que faziam estava longe de ser extraordinário.Caldwell era o suficientemente grande e estava muito próxima à cidade de Nova Iorquepara contar com suficientes crimes violentos, jogadas a rede por drogas e prostituição queos mantiveram ocupados. Mas o Caldwell Courier Journal não era o Teme, e nenhum delesganharia jamais um Pulitzer. Era algo deprimente. Sim, bom, te olhe ao espelho, pensou Beth. Ela era só uma repórter de base. Nemsequer tinha trabalhado nunca em um jornal de tiragem nacional. Assim, quando tivessecinqüenta e tantos, ou as coisas trocavam muito ou teria que trabalhar para um jornalindependente redigindo anúncios por palavras e vangloriando-se de seus dias no CaldwellCourier Journal. Estirou a mão para alcançar o saco de M&M que tinha estado guardando. Aquelemaldito estava vazio. De novo. Talvez devesse ir para casa e comprar algo de comida chinesa para levar. Enquanto se dirigia à saída da redação, que era um espaço aberto dividido emcubículos por débeis tabiques cinzas, encontrou-se com o contrabando de barras dechocolate de seu amigo Tony. Tony comia todo o tempo. Para ele não existia café damanhã, comida e jantar. Consumir era uma proposição binária. Se estava acordado, tinhaque levar algo à boca, e para manter-se aprovisionado, sua mesa era um cofre do tesourode perversões com alto conteúdo em calorias. Tirou o papel e saboreou com fricção a barra de chocolate enquanto apagava asluzes e baixava a escada que conduzia à rua Trade. No exterior, o calor de julho parecia
  11. 11. comportar-se como uma barreira física entre ela e seu apartamento. Doze quarteirõescompletos de calor e umidade. Por fortuna, o restaurante chinês estava a meio caminhode sua casa e contava com um excelente ar condicionado. Com algo de sorte, estariammuito ocupados essa noite, e ela teria oportunidade de esperar um momento naqueleambiente fresco. Quando terminou o chocolate, abriu a tampa de seu telefone, pulsou a marcaçãorápida e fez um pedido de carne com brócolis. À medida que avançava, os lúgubres econhecidos lugares foram aparecendo ante ela. Ao longo desse lance da rua Trade, sóhavia bares, clubes de strip-tease e negócios de tatuagens. Os dois únicos restauranteseram o chinês e um mexicano. O resto dos edifícios, que tinham sido utilizados comoescritórios nos anos vinte quando o centro da cidade era uma zona próspera, estavamvazios. Conhecia cada fenda da calçada; sabia de cor a duração dos semáforos. E os sonsmisturados que se ouviam através das portas e janelas abertas tampouco lhe funcionavamsurpreendentes. No bar do McGrider soava música de blues; da porta de cristal do Zero Sum saíamgemidos de teto; e as máquinas de karaoke estavam a todo volume no RubenS. A maioriaeram lugares dignos de confiança, mas havia um par deles dos que preferia manter-seafastada, sobre tudo Screamers, que tinha uma clientela verdadeiramente tenebrosa.Aquela era uma porta que nunca cruzaria a menos que tivesse uma escolta policial. Enquanto calculava a distância até o restaurante chinês, sentiu uma onda deesgotamento. Deus, que umidade. O ar estava tão denso que lhe deu a impressão de queestava respirando através de água. Teve a sensação de que aquele cansaço não era devido unicamente ao tempo.Durante as últimas semanas não tinha dormido muito bem, e suspeitava que se achava àborda de uma depressão. Seu emprego não a levava a nenhuma parte, vivia em um lugarque lhe importava um nada, tinha poucos amigos, não tinha amante e nenhumaperspectiva romântica. Se pensava em seu futuro, imaginava dez anos mais tardeestancada no Caldwell com o Dick e os meninos grandes, sempre imersa na mesmarotina: levantar-se, ir ao trabalho, tentar fazer algo novo, fracassar e retornar a casa só. Talvez necessitasse uma mudança. Ir-se de Caldwell e do Caldwell Courier Journal.Afastar-se daquela espécie de família eletrônica conformada por seu despertador, otelefone de seu escritório e o televisor que mantinham afastados seus sonhos enquantodormia. Não havia nada que a retivesse na cidade salvo o hábito. Não tinha falado comnenhum de seus pais adotivos durante vários anos, assim não sentiriam falta dela. E osnovos amigos que tinha estavam ocupados com suas próprias famílias. Ao escutar um assobio lascivo detrás dela, entreabriu os olhos. Esse era o problemade trabalhar perto de uma zona como aquela. Às vezes, encontrava-se com algum queoutro perseguidor. Logo chegaram as cantadas, e a seguir, como era de esperar, dois sujeitos cruzarama rua para colocar-se detrás dela. Olhou a seu redor. Estava afastando-se dos bares emdireção ao longo lance de edifícios vazios que havia antes dos restaurantes. A noite eranublada e escura, mas pelo menos havia luzes e, de vez em quando, passava algum carro. - Eu gosto de seu cabelo negro - disse o maior enquanto adaptava seu passo aodela. - Importa-te se o toco? Beth sabia que não podia deter-se. Pareciam meninos de alguma fraternidadeuniversitária em férias do verão, mas não queria correr nenhum risco. Além disso, orestaurante chinês estava a só cinco quarteirões.
  12. 12. De todos os modos, procurou em sua bolsa seu spray de pimenta. - Quer que te levea alguma parte? - perguntou de novo o mesmo moço. - Meu carro não está longe. Sério,por que não vem conosco? Podemos montar todos. Sorriu abertamente e fez uma piscada a seu amigo, como se com aquele bate-papomeloso fora a levar a à cama instantaneamente. O cupincha riu e a rodeou, seu espaçadocabelo loiro saltava a cada passo que dava. - Sim, montemo-la! - disse o loiro. Maldição, onde estava o spray? O grande estirou a mão, lhe tocando o cabelo, e ela o olhou atentamente. Com seupólo e suas calças curtas de cor cáqui, era realmente de aparência agradável. Umverdadeiro produto americano. Quando lhe sorriu, ela acelerou o passo, concentrando-se no tênue brilho de néon dopôster do restaurante chinês. Rezou para que passasse algum transeunte, mas o calorhavia afugenta dou aos pedestres para os locais com ar condicionado. Não havia ninguémao redor. - Quer me dizer seu nome? - perguntou o produto americano. Seu coração começou a bater com torça. Tinha esquecido o spray na outra bolsa. - Vou escolher um nome para você. Me deixe pensar... O que te parece «gatinha»? O loiro soltou uma risada. Ela tragou saliva e tirou seu celular, se por acaso precisava chamar o 911. Conserva a calma. Mantenha o controle. Imaginou o bem que se sentiria quando entrasse no restaurante chinês e se visserodeada pela rajada de ar condicionado. Possivelmente devia esperar e chamar um táxi,só para estar segura de chegar a casa sem que a incomodassem. - Vamos, gatinha - sussurrou o produto americano. - Sei que vai gostar. Só três quarteirões mais... No instante em que baixou o meio-fio da calçada para cruzar a rua Dez, o homem asujeitou pela cintura. Seus pés ficaram pendurando no ar, e enquanto a arrastava paratrás, cobriu-lhe a boca com a palma da mão. Beth lutou como uma possessa, chutando elançando murros, e quando acertou a propinarle um bom golpe em um olho, conseguiuescapar. Tentou afastá-lo mais rapidamente possível, sapateando com força sobre opavimento, enquanto o fôlego se amontoava em sua garganta. Um carro passou pela ruaDez, e ela gritou assim que viu o brilho dos faróis. Mas então o homem a sujeitou de novo. - Vais rogar me, cadela - disse a seu ouvido, lhe tampando a boca com uma mão.Sacudiu-lhe o pescoço de um lado a outro, e a arrastou para uma zona mais escura. Podiacheirar seu suor e a colônia de universitário que usava, à medida que escutava asestridentes gargalhadas de seu amigo. Um beco. Estavam-na levando a um beco. Sentiu arcadas, a bílis lhe fazia cócegas na garganta. Sacudiu o corpo furiosamente,tratando de liberar-se. O pânico lhe dava forças, mas ele era mais forte. Empurrou-a detrás de um contêiner de lixo e pressionou seu corpo contra o dela.Esta lhe atirou outros quantos cotoveladas e chutes. - Maldita seja, sujeita os braços! Conseguiu lhe dar ao loiro uma boa patada no queixo antes de que lhe agarrasse ospunhos e as levantasse por cima de sua cabeça. - Vamos, cadela, isto te vai gostar - grunhiu o produto americano, tratando deintroduzir um joelho entre as pernas da garota. Colocou-lhe as costas contra a parede de tijolo do edifício, mantendo-a imóvel pela
  13. 13. garganta. Teve que usar a outra mão para lhe rasgar a blusa, e tão logo lhe deixou a bocalivre, começou a gritar. Esbofeteou-a com força, lhe quebrando o lábio. Sentiu o sabor dosangue na língua e, uma dor pungente. - Se fizer isso de novo, cortarei-te a língua. - Osolhos do homem ferviam de ódio e luxúria enquanto levantava a renda branca do sutiãpara deixar expostos seus seios - Diabos, acredito que o farei de todos os modos. - Ouça, são de verdade? - perguntou o loiro, como se ela fosse lhe responder. Seu companheiro lhe agarrou um dos mamilos e deu um puxão. Beth fez uma caretade dor, as lágrimas nublaram seus olhos. Ou talvez estava perdendo a vista porque estavaa ponto de desmaiar-se. O produto americano riu. - Acredito que são naturais. Mas poderá averiguá-lo você mesmo quando terminareu. Ao escutar ao loiro rir bobamente, algo no interior de seu cérebro entrou em ação ese negou a deixar que aquilo acontecesse. Obrigou-se a si mesmo a deixar de lutar erecorrer a seu treinamento de defesa pessoal. Exceto pela agitada respiração, seu corpoficou imóvel, e o produto americano demorou um minuto em notá-lo. - Quer jogar pelas boas? - disse, olhando-a com suspicacia. - Ela assentiulentamente. - Bem. - inclinou-se, aproximando o nariz à sua. Beth lutou para não seseparar-se, enojada pelo fétido aroma de cigarro rançoso e cerveja. - Mas se gritas outravez, vou te dar muitas facadas. Entende? - Ela assentiu de novo. - Solta-a. O loiro lhe soltou os punhos e riu, movendo-se ao redor de ambos como seprocurasse o melhor ângulo para observar. Seu companheiro lhe acariciou asperamente apele, e ela teve que fazer um enorme esforço para conservar a barra de chocolate doTony no estômago quando sentiu as náuseas subindo por sua garganta. Embora lherepugnavam aquelas mãos oprimindo seus seios, estirou a mão procurando sua braguilha.Ainda a sujeitava pelo pescoço, e ela tinha problemas para respirar, mas no momento emque tocou seus genitais, ele gemeu, afrouxando a presa. Com um enérgico apertão, Beth lhe agarrou os testículo, retorcendo-os tão fortecomo pôde, e o propinó um joelhada no nariz enquanto ele se derrubava. Uma correntede adrenalina atravessou seu corpo, e durante um décimo de segundo desejou que oamigo a atacasse em lugar de ficar olhando-a estupidamente. - Bastardos! - gritou-lhes. Beth saiu correndo do beco, sujeitando-a blusa, sem deter-se até chegar à porta deseu edifício de apartamentos. Suas mãos tremiam com tanta força que lhe custou trabalhointroduzir a chave na fechadura. E só quando se encontrou ante o espelho do banho seprecaveu de que rodavam lágrimas por suas bochechas. Butch Ou’Neal levantou a vista quando soou a rádio sob o painel de comandos deseu carro patrulha sem distintivos. Em um beco não longe de ali, um homem seencontrava atirado no chão, mas vivo. Butch olhou seu relógio. Eram pouco mais das dez, o que significava que a diversãoacabava de começar. Era uma sexta-feira de noite de começos de julho, e osuniversitários acabavam de começar suas férias e estavam ansiosos por competir nasOlimpíadas da Estupidez. Imaginou que o sujeito tinha sido assaltado ou que lhe tinhamdado uma lição. Esperava que fosse o segundo. Butch tomou o auricular e disse ao operador que iria à chamada, embora eradetetive de homicídios, não patrulheiro. Estava trabalhando em dois casos nessemomento, um afogado no Rio Hudson e uma pessoa enrolada por um condutor que se
  14. 14. deu à fuga, mas sempre havia sitio para alguma coisa mais. Quanto mais tempo passassefora de sua casa, melhor. Os pratos sujos na pia e os lençóis enrugados sobre a cama nãoforam jogar o de menos. Acendeu a sirene e pisou no acelerador enquanto pensava: Vejamos o que passouaos meninos do verão.
  15. 15. Capítulo 2 À medida que atravessava Scramers, Wrath esboçou um depreciativo sorrisoenquanto a multidão tropeçava entre si para se separar-se de seu caminho. De seus porosemanava medo e uma curiosidade morbosa e luxuriosa. O vampiro inalou o fétido aroma. Ganho. Todos eles. Apesar de levar os óculos escuros, seus olhos não puderam suportar as tênues luzes,e teve que fechar as pálpebras. Sua vista era tão prejudicada que se encontrava muitomais cômodo em total escuridão. Concentrando-se em seu ouvido, esquivou os corposentre os compases da música, isolando o arrastar de pés, o sussurro de palavras, o somde algum copo estrelando-se contra o chão. Se tropeçava com algo, não lhe importava.Dava igual do que se tratasse: uma cadeira, uma mesa, um humano..., simplesmentepassava por cima do que fosse. Notou a presença do Darius claramente porque o seu era o único corpo daquelemaldito lugar que não empesteava a pânico. Embora o guerreiro estivesse ao limite essanoite. Wrath abriu os olhos quando esteve frente ao outro vampiro. Darius era um vultodisforme, sua cor escura e sua roupa negra eram quão único a vista do Wrath conseguiaapreciar. - Aonde foi Tohrment? - perguntou ao sentir um eflúvio de uísque escocês. Wrath se sentou em uma cadeira. Olhou fixamente à frente e observou à multidãoocupando de novo o espaço que ele tinha aberto entre eles. Esperou. Darius se distinguia por não enrolar e sabia que Wrath não suportava que lhefizessem perder tempo. Se guardava silêncio, era porque algo ocorria. Darius bebeu um sorvo de sua cerveja, logo respirou com força. - Obrigado por vir, meu senhor... - Se quiser algo de mim, não comece com isso - disse Wrath com voz lenta,advertindo que uma garçonete lhes aproximava. Pôde perceber uns seios grandes e umafranja de pele entre a ajustada blusa e a curta saia. - Querem algo de beber? - perguntou ela lentamente. Esteve tentado de sugerir quese deitasse sobre a mesa e lhe deixasse beber de seu jugular. O sangue humano não omanteria vivo muito tempo, mas com toda segurança teria melhor sabor que o álcoolaguado. - Agora não - disse. Seu hermético sorriso esporeou a ansiedade dela lhe causando, ao mesmo tempo,uma rajada de desejo. Ele pôde notar esse aroma nos pulmões. Não estou interessado, pensou. A garçonete assentiu, mas não se moveu. Ficou ali, olhando-o fixamente, com seucurto cabelo loiro formando um halo na escuridão ao redor de seu rosto. Encantada,parecia ter esquecido seu próprio nome e seu trabalho. E que incômodo lhe funcionava aquilo. Darius se revolveu impaciente. - Isso é tudo – murmurou. - Estamos bem. Quando a moça se afastou, perdendo-se entre a multidão, Wrath escutou ao Dariusaclarar a garganta. - Obrigado por vir. - Isso vai há ... nos conhecemos faz tempo. - Assim é. - Lutamos juntos muitas vezes. Eliminamos montões de restrictores. Wrath assentiu. A Irmandade da Adaga Negra tinha protegido a raça contra a
  16. 16. Sociedade Restritiva durante gerações. Estavam Darius, Tohrment e os outros quatro. Osirmãos eram superados em número pelos restrictores, humanos sem alma que serviam aum malvado amo, o Omega. Mas Wrath, seus guerreiros as arrumavam para proteger aosseus. Darius pigarreou de novo. - depois de todos estes anos... - D., vá ao ponto. Marissa me necessita para um pequeno assunto esta noite. - Quer utilizar minha casa outra vez? Sabe que não permito que ninguém mais fiquenela. - Darius deixou escapar uma risada incômoda. - Estou seguro de que seu irmãopreferiria que não aparecesse por sua casa. Wrath cruzou os braços sobre o peito, empurrando a mesa com uma bota para terum pouco mais de espaço. Importava-lhe nada que o irmão da Marissa fora muito sensível e se sentisseofendido pela vida que Wrath levava. Havers era um esnobe e um diletante cujainsensatez ultrapassava todos os limites. Era totalmente incapaz de entender a classe deinimigos que tinha a raça e o que custava defender a seus membros. E só porque o moçose sentia ofendido, Wrath não ia jogar cavalheiro enquanto assassinavam a civis. Ele tinhaque estar no campo de batalha com seus guerreiros, não ocupando um trono. Haverspodia ir-se a passeio. Embora Marissa não tinha por que suportar a atitude de seu irmão. - Talvez aceite sua oferta. - Bem. - Agora fala. - Tenho uma filha. - Wrath girou lentamente a cabeça. - Desde quando? - Há algum tempo. - Quem é a mãe? - Não a conhece. E ela..., ela morreu. A pena do Darius se espalhou a seu redor com um acre aroma de dor antiga que sesobrepôs ao fedor a suor humano, álcool e sexo do clube. - Que idade tem? - exigiu saber Wrath. Começava a pressentir para onde seencaminhava aquele assunto. - Vinte e cinco. Wrath sussurrou uma maldição. - Não me peça isso, Darius. Não me peça que o faça. - Tenho que lhe pedir isso Meu senhor, seu sangue é... - Me chame assim outra vez e terei que te fechar a boca para sempre. - Não o entende. Ela é... Wrath começou a levantar-se. A mão do Darius sujeitou seu antebraço e o soltourapidamente. - É meio humana. - Por Deus... - É possível que não sobreviva à transição. Escuta, se você a ajudasse, pelo menosterá uma oportunidade. Seu sangue é muito forte, aumentaria suas probabilidades desobreviver à mudança sendo uma mestiça. Não te estou pedindo que tome como shellan,nem que a proteja, porque, eu posso fazê-lo. Só estou tratando de... Por favor. Meusoutros filhos morreram. Ela é quão único ficará de mim. E eu... amei muito a sua mãe. Se tivesse sido qualquer outro, Wrath teria usado sua frase favorita: Vai-te à merda.Por isso a ele concernia, só havia duas boas posturas para um humano. Uma fêmea, sobre
  17. 17. suas costas. E um macho, de barriga para baixo e sem respirar. Mas Darius era quase um amigo. Ou o teria sido, se Wrath lhe tivesse permitidoaproximar-se. Quando se levantou, fechou os olhos com força. O ódio o embargava concentrando-se no centro de seu peito. Desprezou-se a si mesmo por partir dali, mas simplesmente nãoera a classe de macho que ajudasse a qualquer pobre mestiço a suportar um momentotão doloroso e perigoso. A cortesia e a piedade não eram palavras que formassem partede seu vocabulário. - Não posso fazê-lo. Nem sequer por você. A angústia do Darius o atingiu como uma grande onda, e Wrath se cambaleou ante aforça de semelhante emoção. Então, apertou o ombro do vampiro. - Se na verdade a amas, lhe faça um favor: peça a outro. - Wrath se deu a volta esaiu do local. De caminho à porta apagou a imagem de si mesmo da casca cerebral detodos quão humanos havia no lugar. Os mais fortes pensariam que o tinham sonhado. Osfracos nem sequer o recordariam. Ao sair à rua, dirigiu-se a um canto escuro detrás do Scramers para podermaterializar-se. Passou junto a uma mulher que o fazia uma mamada a um sujeito entreas sombras. A escassos metros, um vagabundo bêbado dormitava no chão e, umtraficante de drogas discutia pelo móvel o preço do crack. Wrath soube imediatamenteque o seguiam e quem era. O doce aroma de talco para bebês o delatava sem remédio. Sorriu amplamente, abriu sua jaqueta de couro e tirou um de seus fira shuriken. Aestrela arrojadiza de aço inoxidável se acomodava perfeitamente à palma de sua mão.Quase cem gramas de morte preparados para sair voando. Com a arma na mão, Wrath não alterou o passo, embora seu desejo era ocultar-serapidamente na escuridão. Estava ansioso por brigar depois de deixar plantado ao Darius,e aquele membro da Sociedade Restritiva tinha chegado no momento justo. Matar a um humano sem alma era precisamente o que necessitava para mitigar seumal-estar. À medida que atraía ao restrictor à densa escuridão, o corpo do Wrath se iapreparando para a luta, seu coração batia pausadamente, os músculos de seus braços ecoxas se contraíram. Percebeu o ruído de uma arma sendo martelada e calculou a direçãodo projétil. Apontava à parte traseira de sua cabeça. Com um rápido movimento, girou sobre si mesmo no momento em que a bala saíado canhão. Inclinou-se e lançou a estrela, que com um brilho prateado começou a traçarum arco mortífero. Acertou ao restrictor exatamente no pescoço, lhe cerceando agarganta antes de continuar seu caminho para a escuridão. A pistola caiu ao chão,chocando ruidosamente contra o pavimento. O restrictor se sujeitou o pescoço com ambas as mãos e caiu de joelhos. Wrath se aproximou dele, revisou-lhe os bolsos e guardou a carteira e o telefone quelevava. Logo tirou uma longa faca negra de uma capa que usava no peito. Sentia que a lutanão tivesse durado mais, mas a julgar pelo cabelo escuro e encaracolado e o ataquerelativamente torpe, tratava-se de um novato. Com um rápido empurrão, colocou aorestrictor de barriga para cima, arrojou a faca ao ar, e agarrou o punho com um rápidogiro de punho. A folha se afundou na carne, atravessou o osso e chegou até o negro vazioonde tinha estado o coração. Com um som apagado, o restrictor se desintegrou em um brilho de luz. Wrath limpou a folha em suas calças de couro, deslizou-a dentro da capa e ficou de
  18. 18. pé, olhando a seu redor. Ato seguido, se desmaterializou. Darius bebeu uma terceira cerveja. Uma parceira de fanáticos do estilo gótico seaproximou dele, procurando uma oportunidade de ajudá-lo a esquecer seus problemas.Ele rechaçou o convite. Saiu do bar e se encaminhou para seu BMW 6501 estacionado no beco de atrás doclube. Como qualquer vampiro que se aprecie, ele podia desmaterializar-se a vontade eatravessar grandes distancia, mas era um truque difícil de executar se se carregava comalgo pesado. E não era algo que alguém queria fazer em público. Além disso, um carroelegante sempre era digno de admiração. Subiu ao automóvel e fechou a porta. Do céu começaram a cair gotas de chuva,manchando o pára-brisa como grosas lágrimas. Não tinha esgotado suas opções. O bate-papo sobre o irmão da Marissa o tinhadeixado pensativo. Havers era um médico totalmente entregue à raça. Talvez ele pudesselhe ajudar. Certamente, valia a pena tentá-lo. Ensimesmado em seus pensamentos, Darius introduziu a chave no contato e a fezgirar. O aceso fez um som rouco. Girou a chave de novo, e no instante em que escutouum rítmico tictac, teve uma terrível premonição. A bomba, que tinha sido acoplada ao chassi do carro e conectada ao sistemaelétrico, explodiu. Enquanto seu corpo ardia com um estalo de calor branco, seu último pensamento foipara a filha que ainda não o conhecia. E que já nunca o faria.
  19. 19. Capítulo 3 Beth esteve sob a ducha quarenta e cinco minutos, utilizou meio pote de gel, equase derreteu o barato papel pintado das paredes do banho devido ao intenso calor daágua. Secou-se, ficou um roupão e tentou não olhar-se outra vez ao espelho. Seu lábiotinha um feio aspecto. Saiu ao único cômodo que possuía seu pequeno apartamento. O ar condicionado seestragou fazia um par de semanas, e o ambiente do salão era tão sufocante como o dobanho. Olhou por volta das duas janelas e a porta trilho que conduzia a um calorentopátio traseiro. Teve o impulso das abrir todas; entretanto, limitou-se a revisar osfechamentos. Embora seus nervos estavam destroçados, ao menos seu corpo estava recuperando-se rapidamente. Seu apetite havia retornado em busca de vingança, como se estivesseincômodo por não ter jantado, assim que se dirigiu diretamente à cozinha. Inclusive assobras de frango de fazia quatro noites pareciam apetitosas, mas quando quebrou o papelde alumínio, percebeu um eflúvio de fungos. Jogou no lixo todo o pacote e colocou umrecipiente de comida congelada no microondas. Comeu o macarrão com queijo de pé,sustentando a pequena bandeja de plástico na mão com uma luva de cozinha. Não foisuficiente, assim teve que preparar-se outra ração. A idéia de engordar dez quilos em uma sozinha noite era tremendamente atraente;vá se o era. Não podia fazer nada com o aspecto de seu rosto, mas estava disposta aapostar que seu misógino atacante neandertal preferia a suas vítimas finas e atléticas. Piscou, tratando de tirar-se da cabeça a imagem de seu próprio rosto. Deus, aindapodia sentir suas mãos, ásperas e desagradáveis, lhe manuseando os seios. Tinha que denunciá-lo. Aproximaria-se da delegacia de polícia. Embora não queriasair do apartamento. Pelo menos até que amanhecesse. Dirigiu-se até o futón que usava como sofá e cama e se colocou em posição fetal.Seu estômago tinha dificuldades para digerir o macarrão com queijo e uma onda denáusea seguida por uma sucessão de calafrios percorreu seu corpo. Um suave miado lhe fez levantar a cabeça. - Olá, Boo - disse, estalando os dedos com inapetência. O pobre animal tinha fugidoapavorado quando ela tinha entrado como uma tromba pela porta rasgando a roupa earrojando-a por toda a residência. Miando novamente, o gato negro se aproximou. Seus grandes olhos verdes pareciampreocupados enquanto saltava com elegância para seu colo. - Lamento todo este drama - murmurou ela, lhe fazendo sitio. O animal esfregou a cabeça contra seu ombro, ronronando. Seu corpo estava morno,quase não pesava. Não soube o tempo que permaneceu ali sentada acariciando sua suavepelagem, mas quando o telefone soou, teve um sobressalto. Enquanto tratava de alcançar o auricular, as arrumou para seguir acariciando a seumascote. Os anos de convivência tinham conseguido que sua coordenação gato/telefoneroçasse níveis de perfeição. - Olá? - disse, pensando em que era mais de meia-noite, o que descartava aosvendedores telefônicos e sugeria algum assunto de trabalho ou algum psicopata ansioso. - Olá, senhorita B. coloque seus sapatilhas de baile. O carro de um indivíduo saltoupelos ares ao lado do ScreamerS. Ele estava dentro. Beth fechou os olhos e quis soluçar. José da Cruz era um dos detetives da polícia dacidade, mas também um grande amigo.
  20. 20. Embora tinha que dizer que lhe acontecia o mesmo com a maioria dos homens emulheres que levavam uniforme azul. Como passava tanto tempo na delegacia de polícia,tinha chegado a conhecê-los bastante bem, mas José era um de seus favoritos. - Olá, está aí? Conte o que aconteceu. Abre a boca. A vergonha e o horror do ocorrido lhe oprimiam as cordas vocais. - Aqui estou, José. - separou-se o escuro cabelo da face e pigarreou. - Não poderei iresta noite. - Sim, claro. Quando deixaste acontecer uma boa informação? - Riu alegremente. -Ah, mas tome o com calma. O Duro leva o caso. O Duro era o detetive de homicídios Brian OuNeal, mais conhecido como Butch. Ousimplesmente senhor. - Sério, não posso... ir aí esta noite. - Está ocupada com alguém? - A curiosidade fez que a voz fora premente. Joséestava felizmente casado, mas ela sabia que na delegacia de polícia todos especulavam asua costa. Uma mulher com um cuerpazo como o seu sem um homem? Algo tinha queocorrer. - E bem? Está-o? - Por Deus, não. Não. Houve um silêncio antes de que o sexto sentido de polícia de seu amigo ficassealerta. - O que acontece? - Estou bem. um pouco cansada. Irei à delegacia de polícia amanhã. Apresentaria a denúncia então. Ao dia seguinte se sentiria o suficientemente fortepara recordar o que tinha passado sem derrubar-se. - Necessita que vá verte? - Não, mas lhe agradeço isso. Estou bem, de verdade. - Pendurou o auricular. Quinze minutos depois se colocou um par de jeans recém lavados e uma amplacamisa que ocultava suas esplêndidas curvas. Chamou um táxi, mas antes de sair pinçouno armário até encontrar sua outra bolsa. Agarrou o spray de pimenta e o apertou comforça na mão enquanto se dirigia à rua. No trajeto entre sua casa e o lugar onde tinhaestalado a bomba, recuperaria a voz e o contaria todo ao José. Por muito que detestassea idéia de recordar a agressão, não ia permitir que aquele imbecil seguisse livre lhefazendo o mesmo a outra pessoa. E embora nunca o prendessem, ao menos teria feitotodo o possível para tratar de capturá-lo. Wrath se materializou no salão da casa do Darius. Maldição, já tinha esquecido quãobem vivia o vampiro. Embora D era um guerreiro, comportava-se como um aristocrata, epara falar a verdade, tinha uma certa lógica. Sua vida tinha começado como um princepsde alta linhagem, e ainda conservava o gosto pelo bom viver. Sua mansão do século XIXestava bem cuidada, cheia de antiguidades e obras de arte. Também era tão segura comoa câmara couraçada de um banco. Mas as paredes amarelo claro do salão feriram seus olhos. - Que agradável surpresa, meu senhor. Fritz, o mordomo, apareceu do vestíbulo e fez uma profunda reverência enquantoapagava as luzes para aliviar os olhos do Wrath. Como sempre, o velho macho ia vestidocom librea negra. Tinha estado com o Darius ao redor de cem anos, e era um doggen, oque significava que podia sair à luz do dia, mas envelhecia mais rápido que os vampiros.Sua subespécie tinha servido aos aristocratas e guerreiros durante muitos milênios. -
  21. 21. ficará conosco muito tempo, meu senhor? Wrath negou com a cabeça. Não se podia evitá-lo. - Umas horas. - Seu quarto está preparado. Se me necessitar, senhor, aqui estarei. Fritz se inclinou de novo e caminhou para trás para sair da habitação, fechando asportas duplas atrás dele. Wrath se dirigiu para um retrato de mais de dois metros de altura do que lhe haviamdito que tinha sido um rei francês. Colocou suas mãos sobre o lado direito do pesadomarco dourado. O tecido girou sobre seu eixo para revelar um escuro corredor de pedrailuminado com abajures de gás. Ao entrar, desceu por umas escadas até as profundidades da terra. Ao final dosdegraus havia duas portas. Uma ia aos suntuosos aposentos do Darius, a outra se abriuao que Wrath considerava um substituto de seu lar. A maioria dos dias dormia em umarmazém de Nova Iorque, em uma residência interior feita de aço com um sistema desegurança muito similar ao do Fort Knox. Mas ele nunca convidaria ali a Marissa. Nem a nenhum dos irmãos. Sua privacidadeera muito valiosa. Quando entrou, os abajures sujeitos às paredes se acenderam por toda a residênciaa vontade dela. Seu resplendor dourado iluminava só tenuemente o caminho naescuridão. Como deferência à escassa visão do Wrath, Darius tinha pintado de negro osmuros e o teto de seis metros de altura. Em uma esquina, destacava uma enorme camacom lençóis de cetim negro e um montão de travesseiros. Ao outro lado, havia umapoltrona de couro, um televisor de tela grande e uma porta que dava a um banheiro demármore negro. Também havia um armário cheio de armas roupa. Por alguma razão, Darius sempre insistia em que ficasse na mansão. Era um malditomistério. Não se tratava de que o defendesse, porque Darius podia proteger-se a simesmo. E a idéia de que um vampiro como D sofresse de solidão era absurda. Wrathrecebeu a Marissa antes que entrasse na habitação. O aroma do oceano, uma poda brisa,precedia-a. Terminemos com isto de uma vez, pensou. Estava ansioso por retornar àsruas. Só tinha saboreado um bocado de batalha, e essa noite queria abarrotar-se. Deu-se a volta. Enquanto Marissa inclinava seu miúdo corpo para ele, sentiu devoção e inquietaçãoflutuando no ar ao redor da fêmea. - Meu senhor - disse ela. Pelo pouco que podia ver, levava posta um objeto pequeno de gaze branca, e seulongo cabelo loiro lhe caía em cascata sobre os ombros e as costas. Sabia que se vestiupara comprazê-lo, e desejou no mais íntimo de seu ser que não se esforça-se tanto. Tirou-se a jaqueta de couro e a capa onde levava suas adagas. Malditos fossem seus pais. Por que lhe tinham dado uma fêmea como ela? Tão...frágil. Embora, pensando-o bem, considerando o estado em que se encontrava antes desua transição, talvez temeram que outra mais forte pudesse lhe causar mal. Wrath flexionou os braços, seus bíceps mostraram sua grossura, um de seus ombrosrangeu devido ao esforço. Se pudessem vê-lo agora. Seu esquálido corpo se transformou no de um frioassassino. Talvez seja melhor que estejam mortos, pensou. Não teriam aprovado no que seconverteu agora. Mas não pôde evitar pensar que se eles tivessem vivido até uma idade avançada, eleteria sido diferente.
  22. 22. Marissa trocou de lugar nervosamente. - Lamento te incomodar. Mas não posso esperar mais. - Wrath se dirigiu ao banho. - Necessita-me, e eu acudo. Abriu a torneira e subiu as mangas de sua camisa negra. Com o vapor elevando-se,lavou-se a sujeira, o suor e - a morte de suas mãos. Logo esfregou a barra de sabão pelosbraços, cobrindo de espuma as tatuagens rituais que adornavam seus antebraços.Enxaguou-se, secou-se e caminhou até a poltrona. Sentou-se e esperou, chiando osdentes. Durante quanto tempo tinham feito aquilo? Séculos. Mas Marissa sempre necessitavaalgum tempo para poder aproximar-se o Se tivesse sido outra, sua paciência se teriaesgotado imediatamente, mas com ela era um pouco mais tolerante. A verdade era que sentia pena por ela porque a tinham forçado a ser seu shellan.Lhe havia dito uma e outra vez que a liberava de seu compromisso para que encontrasseum verdadeiro companheiro, um que não somente matasse tudo o que lhe ameaçasse,mas sim também a amasse. O estranho era que Marissa não queria deixá-lo, por muito frágil que fora. Eleimaginava que ela provavelmente temia que nenhuma outra fêmea quereria estar comele, que nenhuma alimentaria à besta quando o necessitasse e sua raça perderia suaestirpe mais poderosa. Seu rei. Seu líder, que carecia da vontade de liderar. Sim, era ummaldito inconveniente. Permanecia afastado dela a menos que precisasse alimentar-se, oqual não acontecia com freqüência devido a sua linhagem. A fêmea nunca sabia ondeestava ele, ou o que estava fazendo. Passava os largos dias só na casa de seu irmão,sacrificando sua vida para manter vivo ao último vampiro de sangue puro, o único quenão tinha nenhuma sozinha gota de sangue humano em seu corpo. Francamente, não entendia como suportava isso... nem como o suportava a ele. De repente, sentiu vontades de amaldiçoar. Aquela noite parecia ser muitoapropriada para alimentar seu ego. Primeiro Darius e agora ela. Os olhos do Wrath a seguiram enquanto ela se movia pela residência, descrevendocírculos a seu redor, aproximando-se o obrigou-se a relaxar-se, a estabilizar suarespiração, a imobilizar seu corpo. Aquela era a pior parte do processo. Dava-lhe pâniconão ter liberdade de movimentos, e sabia que quando ela começasse a alimentar-se, asufocante sensação pioraria. - Estiveste ocupado, meu senhor? - disse suavemente. Ele assentiu, pensando que setinha sorte, ia estar mais ocupado antes do amanhecer. Marissa finalmente se ergueu frente a ele, e o vampiro pôde sentir sua fomeprevalecendo sobre sua inquietação. Também sentiu seu desejo. Ela o queria, mas elebloqueou esse sentimento da fêmea. Sob nenhum conceito teria relações sexuais com ela. Não podia imaginar submeter aMarissa às coisas que tinha feito com outros corpos femininos. E ele nunca a tinha queridodessa maneira. Nem sequer ao princípio. - Vêem aqui - disse, fazendo um gesto com a mão. E Deixo cair o antebraço sobre acoxa, com o punho para cima. - Está faminta. Não deveria esperar tanto para me chamar. Marissa descendeu até o chão perto de seus joelhos, seu vestido se formouredemoinhos ao redor de seu corpo e seus pés. Ele sentiu a tibieza dos dedos sobre suapele enquanto ela percorria suas tatuagens com as mãos, acariciando os negroscaracteres que detalhavam sua linhagem no antigo idioma. Estava o suficientemente pertopara captar os movimentos de sua boca abrindo-se, suas presas cintilaram antes deafundá-los na veia.
  23. 23. Wrath fechou os olhos, deixando cair a cabeça para trás enquanto ela bebia. Opânico o alagou rápida e fortemente. Dobrou o braço livre ao redor do borda da poltrona, tensionando os músculos aotempo que agarrava a esquina para manter o corpo em seu lugar. Calma, precisavaconservar a calma. Logo terminaria, e então seria livre. Quando Marissa levantou a cabeça dez minutos depois, ele se ergueu de um salto eaplacou a ansiedade caminhando, sentindo um alívio doentio porque não podia mover-se.Assim que se sossegou, aproximou-se da fêmea. Estava saciada, absorvendo a força que aembargava à medida que seu sangue se mesclava. Não lhe agradou vê-la no chão, demodo que a levantou, e estava pensando em chamar o Fritz para que a levasse a casa deseu irmão, quando uns rítmicos golpes soaram na porta. Wrath se voltou a olhar ao outro lado da residência, transladou-a à cama e ali arecostou. - Obrigado, meu senhor - murmurou ela. - Voltarei, a casa por meus próprios meios.Ele fez uma pausa, e logo colocou um lençol sobre as pernas da vampiresa antes de abrira porta de repente. Fritz estava muito agitado por algo. Wrath saiu, fechando a porta detrás de si. Estava a ponto de perguntar quedemônios podia justificar tal interrupção, quando o aroma do mordomo impregnou suairritação. Soube, sem perguntar, que a morte tinha feito outra visita. E Darius tinhadesaparecido. - Senhor... - Como foi? - grunhiu. Já se ocuparia da dor mais tarde. Primeiro necessitavadetalhes. - Ah, o carro... - Estava claro que o mordomo tinha problemas para conservar acalma, e sua voz era tão frágil e quebradiça como seu velho corpo. - Uma bomba, nãosenhor. O carro... Ao sair do clube. Tohrment chamou. Viu-o todo. Wrath pensou no restrictor que tinha eliminado. Desejou saber se tinha sido elequem tinha perpetrado o atentado. Aqueles bastardos já não tinham honra. Pelo menosseus precursores, desde fazia séculos, tinham lutado como guerreiros. Esta nova raçaestava composta por covardes que se escondiam detrás da tecnologia. - Chama à Irmandade - vociferou - Lhes diga que venham imediatamente. - Sim, é obvio. Senhor... Darius me pediu que lhe desse isto - o mordomo estendeualgo - se você não estava com ele quando morrera. Wrath agarrou o sobre e retornou ao aposento, sem poder oferecer compaixãoalguma nem ao Fritz nem a ninguém. Marissa se tinha partido, o qual era bom para ela. Colocou a última carta do Darius no bolso de sua calça de couro. E deu renda solta a sua ira. Os abajures explodiram e caíram feitas pedacinhos enquanto um torvelinho deferocidade girava a seu redor, cada vez mais forte, mais rápido, mais escuro, até que omobiliário se elevou do chão traçando círculos ao redor do vampiro. Jogou para trás acabeça e rugiu.
  24. 24. Capítulo 4 Quando o táxi deixou Beth frente a Scramers, a cena do crime se encontrava emplena atividade. Brilhos de luzes azuis e brancas saíam dos carros patrulha quebloqueavam o acesso ao beco. O quadrado veículo blindado dos artífices tinha chegado. Olugar estava lotado de agentes tanto de uniforme como vestidos de civil. E a habitualmultidão de curiosos ébrios, apropriou-se da periferia do cenário fumando e conversando.Em todos os anos que levava como repórter, tinha descoberto que um homicídio era umacontecimento social no Caldwell. Evidentemente para todos menos para o homem oumulher que tinha morrido. Para a vítima, imaginava, a morte era um assunto bastantesolitário, embora tivesse visto frente a frente a face de seu assassino. Algumas pontesterá que cruzá-los sós, sem importar quem nos empurre pela borda. Beth cobriu a boca com a manga. O aroma de metal queimado, um pungente fedorquímico, invadiu seu nariz. - Ouça, Beth! - Um dos agentes lhe fez senas. - Se quer te aproximar mais, entra noScreamers e sai pela porta traseira. Há um corredor... - De fato, vim a ver o José. Está por aqui? O agente estirou o pescoço, procurando entre a multidão. - Estava aqui faz umminuto. Talvez tenha voltado para a delegacia de polícia. Ricky! Viu ao José? Butch OuNeal parou frente a ela, silenciando ao outro policial com um sombrio olhar. - Que surpresa. Beth deu um passo atrás. O Duro era um bom espécime de homem. Corpo grande,voz grave, presença avassaladora. Supunha que muitas mulheres se sentiriam atraídas porele, porque não podia negar que era de aparência agradável, de uma maneira tosca,arruda. Mas Beth nunca havia sentido saltar uma faísca. Não é que os homens não lhe fizessem sentir nada, mas aquele homem, emconcreto, não lhe interessava. - E bem, Randall, o que te traz por aqui? - levou uma parte de chiclete à boca eenrugou o papel formando uma bolinha. Seu queixo ficou a trabalhar como se estivessefrustrado; não mastigava, amassava. - Estou aqui pelo José. Não pelo crime. - Claro que sim. - Entrecerrou os olhos. Com suas sobrancelhas de cor castanha eseus olhos profundos, parecia sempre um pouco zangado, mas, bruscamente, suaexpressão piorou. - Pode vir comigo um segundo? - Em realidade preciso ver o José... Ele lhe sujeitou o braço com um forte apertão. - Só vêm aqui. - Butch a levou a um canto isolado do beco, longe da balburdia. - Quediabos te passou na face? Ela elevou a mão e cobriu o lábio ferido. Ainda devia estar abalada, porque tinhaesquecido de tudo. - Repetirei a pergunta - disse - Que diabos te passou? - Eu, né... - A garganta lhe fechou. - Estava... - Não ia chorar. Não diante do Duro -Preciso ver, José. - Não está aqui, assim não poderá contar com ele. Agora fala. Butch lhe imobilizou os braços aos lados, como se pressentisse que podia saircorrendo. Ele media só uns poucos centímetros mais que ela, mas a retinha com 30 quilosde músculo pelo menos. O medo se instalou em seu peito corno se queria perfurá-la, mas já estava farta deser maltratada fisicamente essa noite.
  25. 25. - Te retire, OuNeal - Colocou a palma da mão no peito do homem e empurrou. Elese moveu um pouco. - Beth, me diga... - Se não me soltar... - seu olhar sustentou a dele - vou publicar um artigo sobre suastécnicas de interrogatório. Já sabe, as que necessitam raios X e estuque quandoterminaste. Os olhos de OuNeal se entrecerraram de novo. Separou-se os braços de seu corpo elevantou as mãos como se se estivesse rendendo. - Está bem. - Deixou-a e retornou à cena do crime. Beth apoiou as costas contra oedifício, e sentiu que suas pernas fraquejavam. Olhou para baixo, tratando de reunirforças, e viu algo metálico. Dobrou os joelhos e se inclinou. Era uma estrela arrojadiza deartes marciais. - Ouça, Ricky! - chamou. O policial se aproximou, e ela assinalou ao chão - Provas. Deixou-lhe fazer seu trabalho e se dirigiu a toda pressa à rua Trade para agarrar umtáxi. Simplesmente, já não podia suportá-lo mais. Ao dia seguinte apresentaria uma denúncia oficial com o José. A primeira hora damanhã. Quando Wrath reapareceu no salão, tinha recuperado o controle. Suas armasestavam em suas respectivas capas e sua jaqueta pesava na mão, cheia das estrelasarrojadizas e facas que gostava de utilizar. Tohrment foi o primeiro da Irmandade em chegar. Tinha os olhos acesos, a dor e avingança faziam que o azul escuro brilhasse de maneira tão vívida que inclusive Wrathpôde captar o brilho de cor. Enquanto Tohr se recostava contra uma das paredes amarelas de Darius, Vishousentrou na residência. A cavanhaque que se deixou crescer fazia pouco lhe dava umaspecto mais sinistro do que o habitual, embora era a tatuagem ao redor de seu olhoesquerdo o que realmente o situava no campo do assustador. Essa noite tinha bem imersaa boina dos Rede Sox e as complexas marcas das têmporas quase não se viam. Comosempre, sua luva negra de condutor, que usava para que sua mão esquerda não entrasseem contato com ninguém inadvertidamente, estava em seu lugar. O qual era algo bom. Um maldito serviço público. Seguiu-lhe Rhage. Tinha suavizado sua atitude arrogante como deferência ao motivoda convocatória daquela reunião. Rhage era um macho muito alto, enorme, poderoso,mais forte que o resto dos guerreiros. Também era uma lenda sexual no mundo dosvampiros, arrumado como um galã de cinema e com um vigor capaz de rivalizar com umrebanho de garanhões. As fêmeas, tanto vampiresas como humanas, pisoteariam a suaspróprias crias para chegar a ele. Pelo menos até que vislumbrassem seu lado escuro. Quando a besta do Rhage saía àsuperfície, todos, irmãos incluídos, procuravam refúgio e começavam a rezar. Phury era o último. Sua claudicação funcionava quase imperceptível. Sua pernaortopédica tinha sido substituída fazia pouco, e agora estava composta por uma liga detitânio e carbono de última tecnologia. A combinação de barras, articulações e pernosestava atarraxada à base da coxa direita. Com sua fantástica juba de cabelos multicoloridos, Phury poderia estar acompanhadode atrizes e modelos, mas se tinha mantido fiel a seu voto de castidade. Só havia lugarpara um único amor em sua vida, E este o tinha estado matando lentamente duranteanos.
  26. 26. - Onde está seu gêmeo? - perguntou Wrath. - Z está de caminho. Que Zsadist chegasse por último não era nenhuma surpresa. Z era um gigantesco eviolento perigo para o mundo. Um maldito bastardo que blasfemava a todas as horas eque levava o ódio, especialmente para as fêmeas, a novos níveis. Por fortuna, entre suaface coberta de cicatrizes e, seu cabelo talhado ao corte de barba, tinha um aspecto tãoaterrador como realmente era, de modo que a gente estava acostumada a separar-se deseu caminho. Raptado de sua família quando era um criança, tinha acabado como escravo desangue, e o mau trato a mãos de sua ama tinha sido brutal em todos os sentidos. AoPhury havia levado quase um século encontrar a seu gêmeo, e Z tinha sido torturado atéo ponto de que foi dado por morto antes de ser resgatado. Uma caída no salgado oceano tinha agravado as feridas na pele do Zsadist, e alémdisso do labirinto de cicatrizes, ainda exibia as tatuagens de escravo, assim como váriospiercings que ele mesmo tinha acrescentado, só porque gostava da sensação de dor. Com toda certeza, Z era o mais perigoso dos membros da Irmandade. Depois do quetinha suportado, não lhe importava nada nem ninguém. Nem sequer seu irmão. Inclusive Wrath protegia suas costas em presença daquele guerreiro. Sim, a Irmandade da Adaga Negra era um grupo diabólico. O único que seinterpunha entre a população de vampiros civis e os restrictores. Cruzando os braços, Wrath passeou o olhar pela residência, observando a cada umdos guerreiros, pensando em suas forças, mas também em suas maldições. Com a morte do Darius, recordou que, embora seus guerreiros estavam propinandoduros golpes às legiões de assassinos da Sociedade, havia muito poucos irmãos lutandocontra uma inesgotável e autogeradora reserva de restrictores. Porque Deus era testemunha de que havia muitos humanos com interesse e aptidõespara o assassinato. A balança simplesmente não se inclinava a favor da raça. Ele não podia evitar o fatode que os vampiros não viviam eternamente, que os irmãos podiam ser assassinados eque o equilíbrio podia quebrar-se em um instante a favor de seus inimigos. Demônios, a mudanza ja tinha começado. Desde que o Omega tinha criado aSociedade Restritiva fazia uma eternidade, o número de vampiros tinha diminuído de talmaneira que só ficavam uns quantos enclaves de população. Sua espécie roçava aextinção. Embora os irmãos fossem mortalmente bons no que faziam. Se Wrath tivesse sido outra classe de rei, como seu pai, que desejava ser o adoradoe reverenciado por parte das famílias da espécie, talvez o futuro tivesse sido maisprometedor. Mas ele não era como seu pai. Wrath era um lutador, não um líder, e atuavamelhor com uma adaga na mão que sentado, sendo objeto de adoração. Concentrou-se de novo nos irmãos. Quando os guerreiros lhe devolveram o olhar,notava-se que esperavam suas instruções. E aquela consideração o colocou nervoso. - Tomei a morte do Darius como um ataque pessoal - disse. Houve um surdo grunhido de aprovação entre seus companheiros. Wrath tirou a carteira e o celular do membro da Sociedade Restritiva que tinhamatado. - Isto levava um restrictor que tropeçou comigo esta mesma noite detrás doScreamerS. Quem quer fazer as honras? Lançou-os ao ar. Phury prendeu ambos os objetos e passou o telefone ao Vishous. Wrath começou a caminhar de um lado a outro. - Temos que sair de caçada de
  27. 27. novo. - Tem toda a razão - grunhiu Rhage. Houve um movimento metálico e logo o som deuma faca ao cravar-se em uma mesa. - Temos que prendê-los onde treinam, onde vivem. O qual significava que os irmãos teriam que fazer um reconhecimento do terreno. Osmembros da Sociedade Restritiva não eram estúpidos. Trocavam seu centro de operaçõescom regularidade, mudando constantemente suas instalações de recrutamento etreinamento de um lugar a outro. Por este motivo, os guerreiros vampiros consideravamque era mais eficaz agir como chamarizes e lutar contra todo aquele que fosse a atacá-los. Ocasionalmente, a Irmandade tinha realizado algumas incursões, matando a dúziasde restrictores em uma só noite. Mas essa classe de tática ofensiva era rara. Os ataques agrande escala eram eficazes, mas também tinham aparelhadas algumas dificuldades. Osgrandes combates atraíam à polícia, e tratar de passar inadvertidos era vital para todos. - Aqui há uma carteira de motorista - murmurou Phury - Investigarei a direção. Élocal. - Que nome figura? - perguntou Wrath. - Robert Strauss. Vishous soltou uma maldição enquanto examinava o telefone. - Aqui não há muito. Só alguma coisa na memória de chamadas, umas marcaçõesautomáticas. Averiguarei no computador quem chamou e que números se marcaram. Wrath chiou os dentes. A impaciência e a ira eram um coquetel difícil de digerir. - Não preciso te dizer que trabalhe o mais rápido possível. Não há maneira de saberse o restrictor que eliminei esta noite foi o autor da morte do Darius, assim penso quetemos que limpar completamente toda a zona. Terá que matá-los a todos, sem nosimportar os problemas que possa nos expor. A porta principal se abriu de repente, e Zsadist entrou na casa. Wrath o olhou sardônico. - Obrigado por vir, Z. estiveste muito ocupado com as fêmeas? - Que tal se me deixasse em paz? Zsadist se dirigiu a um canto e permaneceu afastado do resto. - Onde vais estar você, meu senhor? - perguntou Tohrment suavemente. O bom Tohr. Sempre tratando de manter a paz, já foi trocando de tema, intervindodiretamente ou, simplesmente, pela força. - Aqui. Permanecerei aqui. Se o restrictor que matou ao Darius está vivo einteressado em jogar um pouco mais, quero estar disponível e fácil de encontrar. Quando os guerreiros se foram, Wrath colocou a jaqueta. Deu-se conta então de queainda não tinha aberto o envelope do Darius, e o tirou do bolso. Havia uma franja de tintaescrita nele. Wrath imaginou que se tratava de seu nome. Abriu a lapela. Enquanto tiravauma folha de papel cor creme, uma fotografia caiu revoando ao chão. Recolheu-a e teve avaga impressão de que a imagem possuía um cabelo longo e negro. Uma fêmea. Wrath olhou fixamente o papel. Era uma caligrafia contínua, um rabisco ininteligívele impreciso que não tinha esperança de decifrar, por muito que entreabrisse os olhos. - Fritz! - chamou. O mordomo chegou correndo. - Lê isto. Fritz tomou a folha e dobrou a cabeça. Leu em silêncio. - Em voz alta! - rugiu Wrath. - OH. Mil perdões, amo. - Fritz se esclareceu garganta. - Se não ter tido tempo defalar contigo, Tohrment te proporcionará todos os detalhes. Avenida Redd, número 11 88,apartamento 1 - B. Seu nome é Elizabeth Randall. Pós-escrito: A casa e Fritz são teus seela não sobreviver à idade adulta. Lamento que o final tenha chegado tão logo D.
  28. 28. - Filho de cadela - murmurou Wrath.
  29. 29. Capítulo 5 Beth tinha colocado seu traje noturno, consistente em um short e uma camiseta semmangas, e estava abrindo o futón quando Boo começou a miar na porta trilho de cristal. Ogato dava voltas em um estreito círculo, com os olhos fixos em algo que havia no exterior. - Quer brigar outra vez com o bichano da senhora Gio? Já o temos feito uma vez e oresultado não foi muito bom, recorda? Uns golpes na porta principal lhe fizeram girar a cabeça com um sobressalto. Dirigiu-se ali e aproximou um olho à mira. Quando viu quem estava ao outro lado,deu-se a volta e apoiou as costas contra a madeira. Os golpes voltaram a ouvir-se. - Sei que está aí - disse o Duro. - E não penso partir. Beth abriu o ferrolho, N. abriu a porta de repente. Antes que pudesse lhe dizer quese fora ao diabo, passou a seu lado e entrou. Boo arqueou o lombo e murmurou. - Eu também tenho prazer em conhecê-lo, pantera negra. - O vozeirão ensurdecedordo Butch parecia totalmente desconjurado em seu apartamento. - Como entraste no edifício? - perguntou ela enquanto fechava a porta. - Forcei a fechadura. - Há alguma razão em particular para que tenha decidido irromper neste edifício,detetive? Ele encolheu de ombros e se sentou em uma andrajosa poltrona. - Pensei que podiavisitar uma amiga. - Então por que me incomoda? - Tem um bonito apartamento - disse ele, olhando suas coisas. - Tá mentiroso. - Ouça, pelo menos está limpo. Que é mais do que posso dizer de meu própriochiqueiro. - Seus escuros olhos castanhos a olharam diretamente à face. - Agora, falemosdo que aconteceu quando saiu do trabalho esta noite, quer? Ela cruzou os braços sobre o peito. Ele riu entre dentes. - Deus, o que tem José que não eu tenha? - Quer lápis e papel? A lista é comprida. - Auch. É fria, sabia? - Seu tom era divertido - Me diga, só gosta dos que não estãodisponíveis? - Escuta, estou esgotada... - Sim, saiu tarde do trabalho. Às nove e quarenta e cinco, mais ou menos. Falei comseu chefe. Dick me disse que ainda estava em sua mesa quando ele partiu ao CharlieS.Veio a sua casa caminhando, não? Pela rua Trade certamente, presumo, como faz todasas noites. E durante um bom momento, foi só. Beth tragou saliva quando um leve ruído fez que desviasse o olhar para a porta trilhode cristal. Boo tinha começado de novo a ir de um lado a outro e a miar, esquadrinhandoalgo na escuridão. - Agora, contará-me o que ocorreu quando chegou ao cruzamento do Trade e a Dez?- Seu olhar se suavizou. - Como sabe...? - Me diga o que aconteceu, e te prometo que me certificarei de que esse filho decadela tenha o que se merece.
  30. 30. Wrath permaneceu imóvel, submerso nas sombras da serena noite, olhandofixamente a silhueta da filha do Darius. Era alta para uma fêmea humana, e seu cabeloera negro, mas isso era tudo o que podia perceber com seus pobres olhos. Respirou o arda noite, mas não pôde captar seu aroma. Suas portas e janelas estavam fechadas, e ovento que soprava do oeste trazia o aroma afrutado do lixo putrefato. Mas podia escutar o murmúrio de sua voz através da porta fechada. Estava falandocom alguém. Um homem em quem ela, aparentemente, não confiava, ou não lheagradava, porque só pronunciava monossílabos. - Procurarei que isto te funcione o mais fácil possível - dizia o homem. Wrath viu como a moça se aproximava e olhava para fora através da porta de cristal.Seus olhos estavam fixos nele, mas sabia que não podia vê-lo. A escuridão o envolvia porcompleto. Beth abriu a porta e apareceu a cabeça, impedindo com o pé que o gato saísse aoexterior. Wrath sentiu que sua respiração se fazia mais lenta ao perceber o aroma da mulher.Cheirava verdadeiramente bem. Como uma flor deliciosa. Talvez como essas rosas queflorescem de noite. Introduziu mais ar em seus pulmões e fechou os olhos ao tempo queseu corpo reagia e seu sangue se agitava. Darius estava certo; aproximava-se de suatransição. Podia farejá-lo nela. Mestiça ou não, ia produzir-se sua transformação. Beth deslizou a porta enquanto girava para o Homem. Sua voz era muito mais claracom a porta aberta, e Wrath gostou de seu rouco som. - Me acercaram do outro lado da rua. Eram dois. O mais alto me arrastou para obeco e... - O vampiro prestou atenção imediatamente - Tratei de me defender com todasminhas forças, mas ele era mais corpulento que eu, e além seu amigo me sujeitou osbraços. - Começou a soluçar - Disse-me que me cortaria a língua se gritava. Pensei que iamatar-me, sério. Logo me rasgou a blusa e tirou o sutiã para cima. Estive muito perto deque me... Mas consegui me liberar e corri. Tinha os olhos azuis, cabelo castanho e umbrinco na orelha esquerda. Usava uma pólo azul escura e short de cor cáqui. Não pude verbem seus sapatos. Seu amigo era loiro, cabelo curto, sem brincos, vestido com umacamiseta branca com o nome dessa banda local, os Comedores de Tomates. O homem se levantou e lhe aproximou. Rodeou-a com um braço, tratando de atrai-lacontra seu peito, mas ela retrocedeu separando-se dele. - De verdade pensa que poderá prendê-lo? - perguntou. O homem assentiu. - Sim, é obvio que sim. Butch saiu do apartamento de Beth Randall de mau humor. Ver uma mulher quetinha sido atingida na face não era uma parte de seu trabalho que gostasse. E no caso doBeth o encontrava particularmente perturbador, porque a conhecia desde fazia bastantetempo e se sentia algo atraído por ela. O fato de que fosse uma mulherextraordinariamente formosa não fazia as coisas mais fáceis. Mas o lábio inchado e oshematomas ao redor da garganta eram danos evidentes frente à perfeição de suasfeições. Beth Randall era absolutamente preciosa. Tinha o negro cabelo longo eabundante, uns olhos azuis com um brilho impossível, uma pele cor creme e uma bocafeita exatamente para o beijo de um homem. E vá corpo: pernas largas, cintura estreita eseios perfeitamente proporcionados. Todos os homens de 1a delegacia de polícia estavam apaixonados por ela, e Butchteve que reconhecer que tinha um enorme mérito: nunca usava seu atrativo para obterinformação confidencial dos moços. Dirigia-o todo a um nível muito profissional. Nuncatinha tido uma encontro com nenhum deles, embora a maioria teria renunciado a seu
  31. 31. testículo esquerdo por só agarrar-lhe a mão. De uma coisa sim estava seguro: seu atacante tinha cometido um tremendo enganoao escolhê-la. Toda a força policial sairia em perseguição daquele imbecil assim queaveriguassem sua identidade. E Butch tinha uma boca muito grande. Subiu a seu carro e conduziu até as instalações do Hospital Saint Francis, ao outrolado da cidade. Estacionou sobre o meio-fio da calçada frente à sala de emergências eentrou. O guarda da porta giratória lhe sorriu. - Dirige-se ao depósito, detetive? - Não, venho visitar a um amigo. - O homem assentiu e se afastou. Butch atravessou a sala de espera de emergências com suas plantas de plástico,revista com as páginas arrancadas e pessoas com face de preocupação. Empurrou umasportas duplas e se dirigiu ao estéril e branco entorno clínico. Saudou com uma pequenainclinação de cabeça às enfermeiras e médicos que conhecia e se aproximou do controle. -Olá, Doug, recorda ao tipo que trouxemos com o nariz quebrado? O empregado levantou a vista de um gráfico que estava olhando. - Sim, estão a ponto de lhe dar o alta. Encontra-se atrás, quarto vinte e oito. - Ointerno soltou um risinho. - O do nariz era o menor de seus problemas. Não cantará notasbaixas durante algum tempo. - Obrigado, amigo. A propósito, como vai sua esposa? - Bem. Dará a luz em uma semana. - Me avise quando nascer a criança. Butch se dirigiu à parte detrás. Antes de entrar no quarto vinte e oito, revisou ocorredor com o olhar em ambas as direções. Tudo tranqüilo. Não havia pessoal médico àvista, nem visitantes, nem pacientes. Abriu a porta e colocou a cabeça. Billy Riddle levantou o olhar da cama. Uma vendagem branca lhe subia pelo nariz,como se estivesse evitando que lhe saísse o cérebro. - O que acontece, oficial? Já encontrou ao indivíduo que me atingiu? Vão me dar dealta e me sentiria melhor sabendo que o tem sob custódia. Butch fechou a porta e correu o ferrolho silenciosamente. Sorriu enquanto cruzava aresidência fixando-se no pendente de diamantes quadrado que o sujeito luzia no lóbuloesquerdo. - Como vai esse nariz, Billy? - Bem. Mas a enfermeira se comportou como uma bruxa... Butch agarrou seu pólo e o jogou em seus pés. Logo lançou ao atacante do Bethcontra a parede, com tanta força que a maquinaria localizada detrás da cama sebamboleou. Butch aproximou tanto sua face a do jovem que podiam haver-se beijado. - Divertiu-te ontem à noite? Os grandes olhos azuis se encontraram com os seus. - Do que está falam...? Butch o estrelou de novo contra a parede. - Alguém te identificou. A mulher a que tratou de violar. - Não fui eu! - Claro que foi você. E se tiver em conta seu pequena ameaça sobre sua língua comsua faca, poderia ser suficiente para te enviar a Dannemora. Alguma vez tivestenamorado, Billy? Arrumado a que será muito popular. Um bonito menino branco comovocê.
  32. 32. O sujeito ficou tão pálido como as paredes. - Não a toquei! - Direi-te uma coisa, Billy. Se for sincero e me disser onde está seu amigo, é possívelque saia caminhando daqui. Do contrário, levarei-te a delegacia de polícia em uma maca. Billy pareceu considerar o trato uns instantes, e logo as palavras saíram de sua bocacom extraordinária rapidez: - Ela o desejava! Rogou-me... Butch levantou o joelho e a pressionou contra a entreperna do Billy. Um chiado saiude sua garganta. - Por isso terá que urinar sentado toda esta semana? Quando o valentão começou a balbuciar, Butch o soltou e observou como sedeslizava lentamente até o chão. Ao ver reluzir as algemas, sua choramingação cobrouintensidade. Butch lhe deu volta bruscamente e sem maiores considerações lhe colocou asalgemas. - Está detido. Tudo que diga pode, e será, usado contra você em um tribunal. Temdireito a um advogado... - Sabe quem é meu pai? - gritou Billy como se tivesse conseguido tomar ar duranteum segundo. - Ele fará que lhe despeçam! - Se não poder pagá-lo, te proporcionará um. Entende estes direitos que te indiquei? - À merda! Billy gemeu e assentiu com a cabeça, deixando uma mancha de sangue fresca sobreo chão. - Bem. Agora vamos arrumar a papelada. Detestaria não seguir o procedimentoapropriado.
  33. 33. Capítulo 6 - Boo! Pode deixar de fazer isso? - Beth lhe deu um golpe ao travesseiro e girousobre si mesmo para poder ver o gato. O animal a olhou e miou. Com o resplendor da luz da cozinha, que tinha deixadoacesa, viu-o dando patadas em direção à porta de cristal. - Nem o sonhe, Boo. É um gato doméstico. Confia em mim, o ar livre não é tão bomcomo parece. Fechou os olhos, e quando ouviu o seguinte miado lastimero, soltou uma maldição earrojou os lençóis a um lado. Dirigiu-se até a porta e esquadrinhou o exterior. Foi então quando viu o homem. Estava de pé junto ao muro traseiro do pátio, umasilhueta escura muito maior que as outras sombras, já familiares, que projetavam oscubos de lixo e a mesa de picnic coberta de musgo. Com mãos trementes revisou o ferrolho da porta e logo passou às janelas. Ambasestavam asseguradas também. Baixou as persianas, agarrou o telefone sem fio e retornouao lado do Boo. O homem se moveu. Merda! Vinha para ela. Revisou de novo o ferrolho e, retrocedeu, tropeçando na borda dofutón. Ao cair, o telefone se soltou de sua mão, saltando longe. Atingiu-se fortementecontra o colchão, o que fez que sua cabeça ricocheteasse devido ao impacto.Incrivelmente, a porta trilho se abriu como se nunca tivesse tido o ferrolho colocado,como se ela nunca tivesse fechado o passador. Ainda jazendo sobre suas costas, agitou as pernas violentamente, enredando oslençóis ao tratar de empurrar seu corpo para afastar-se dele. Era enorme, seus ombroslargos como vigas, suas pernas tão grosas como o torso da moça. Não podia ver sua face,mas o perigo que emanava dele era como uma pistola apontando para seu peito. Rodou ao chão entre gemidos e engatinhou para afastar-se, arranhando os joelhos eas mãos contra o duro chão de madeira. As pisada do homem detrás dela ressonavamcomo trovões, cada vez mais perto. Encolhida como um animal, cegada pelo medo,chocou-se contra a mesa do corredor e não sentiu dor alguma. As lágrimas começaram a rodar por suas bochechas enquanto implorava piedade,tratando de chegar à porta principal... Beth despertou. Tinha a boca aberta e um alaridoterrível quebrava o silêncio do amanhecer. Era ela. Estava gritando com toda a torça de seus pulmões. Fechou firmemente oslábios, e imediatamente os ouvidos deixaram de lhe doer. Saltou da cama, foi até a portado pátio e, saudou os primeiros raios do sol com um alívio tão doce que quase se enjoa.Enquanto os batimentos de seu coração diminuíam, respirou profundamente e revisou aporta. O ferrolho estava em seu lugar. O pátio vazio. Tudo estava em ordem. Riu baixo. Não era estranho que tivesse pesadelos depois do que tinha acontecido anoite anterior. Certamente ia sentir calafrios durante algum tempo. Deu-se a volta e se dirigiu à ducha. Estava esgotada, mas não queria ficar só em seuapartamento. Desejava a balburdia do jornal, queria estar junto a todos seuscompanheiros, telefones e papéis. Ali se sentiria mais segura. Estava a ponto de entrar no banheiro quando sentiu uma pontada de dor no pé.Levantou a perna e extraiu um pedaço de cerâmica da áspera pele do calcanhar. Aoinclinar-se, encontrou o vaso que tinha sobre a mesa feito pedacinhos no chão. Franzindo o cenho, recolheu as partes.
  34. 34. O mais provável era que o tivesse derrubado quando entrou a primeira vez, depoisde ter sido atacada. Quando Wrath descendeu às profundidades da terra sob a mansão do Darius, sentia-se esgotado. Fechou a porta com chave atrás dele, desarmou-se, e tirou um estragadobaú do armário. Abriu a tampa, grunhindo enquanto levantava uma laje de mármorenegro. Media quase um metro quadrado e tinha dez centímetros de grossura. Colocou-aem meio da residência, voltou para baú e recolheu uma bolsa de veludo, que jogou sobrea cama. Despiu-se, tomou banho e se barbeou e logo voltou nu a habitação. Agarrou a bolsa,soltou a fita de cetim que a fechava, e tirou uns diamantes sem esculpir, do tamanho depedras, sobre a laje. A bolsa vazia escorregou de sua mão ao chão. Inclinou a cabeça e pronunciou as palavras em sua língua materna, fazendo subir ebaixar as sílabas com a respiração, rendendo tributo a seus mortos. Quando terminou defalar, ajoelhou-se sobre a laje, sentindo as pedras lhe cortando a carne. Deslocou o pesode seu corpo aos calcanhares, colocou as Palmas das mãos sobre as coxas e fechou osolhos. O ritual de morte requeria que passasse o dia sem mover-se, suportando a dor,sangrando em memória de seu amigo. Mentalmente, viu a filha do Darius. Não devia ter entrado em sua casa dessa forma. Tinha-lhe dado um susto de morte,quando o único que queria era apresentar-se e lhe explicar por que ia necessitá-lo logo.Também tinha planejado lhe dizer que ia perseguir a esse macho humano que se excedeucom ela. Sim, tinha dirigido a situação maravilhosamente. Com a delicadeza de um elefanteem uma loja de louças. No instante em que entrou, ela enlouqueceu de terror. Tinha tido que despoja-la desuas lembranças e inundá-la em um ligeiro transe para acalmá-la. Quando a tevedepositado sobre a cama, sua intenção tinha sido partir imediatamente, mas não pôdefazê-lo. Permaneceu perto dela, avaliando o difuso contraste entre seu cabelo negro e abranca capa do travesseiro, inalando seu aroma. Sentindo um comichão sexual nas vísceras. Antes de ir-se, certificou-se de que as portas e janelas ficassem asseguradas. E logose tornou a olhá-la uma vez mais, pensando em seu pai. Wrath se concentrou na dor que estava se apropriando de suas coxas. Enquanto seu sangue tingia de vermelho o mármore, viu o rosto de seu guerreiromorto e sentiu o vínculo que tinham compartilhado em vida. Tinha que fazer honra à última vontade de seu irmão. Era o menos que devia aaquele macho por todos os anos que tinham servido juntos à raça. Mestiça ou não, a filha do Darius nunca mais voltaria a caminhar de noitedesprotegida. E não passaria só por sua transição. Que Deus a ajudasse. Butch terminou de fichar ao Billy Riddle ao redor das seis da manhã. O indivíduo semostrou muito ofendido porque o tinha colocado na cela com traficantes de drogas e,delinqüentes, assim Butch tomou muito cuidado em cometer tantos enganos tipográficoscomo foi possível em seus informe. E para sua surpresa, a central de processamento dedados se confundia continuamente sobre a classe de formulários que deviam ser cobertoscom exatidão.
  35. 35. E depois, todas as impressoras se estragaram. As vinte e três que havia. Apesar de tudo, Riddle não passaria muito tempo na delegacia de polícia. Seu pai erana verdade um homem poderoso, um senador. Assim que um elegante advogado lhetiraria dali em um abrir e fechar de olhos. Não acreditava que pudesse lhe reter mais deuma hora. Porque assim agia o sistema judicial para alguns. O dinheiro manda, permitindoaos canalhas sair em liberdade. Ao Butch não restou mais remedeio que reconhecer com amargura que essa era arealidade. Ao sair ao vestíbulo, encontrou-se com uma das habituais visitantes noturnas dadelegacia de polícia. Cherry Pie acabava de ser liberada dos calabouços femininos. Seuverdadeiro nome era Mary Mulcahy, e pelo que Butch tinha ouvido, trabalhava nas ruasfazia dois anos. - Olá, detetive - ronronou. O batom vermelho se concentrou nas cantos de sua boca,e o rimel negro formava uma mancha ao redor de seus olhos. Certamente seu aspectomelhoraria e seria bonita, pensou ele, se deixava a pipa de crack e dormia durante todoum mês. - Vai a sua casa só? - Como sempre. - Sustentou a porta aberta para ela ao sair. - Não lhe cansa a mão esquerda depois de um tempo? Butch riu enquanto ambos se detinham e levantou a vista para as estrelas. - Como vai, Cherry? - Sempre bem. Fincou um cigarro entre os lábios e o acendeu enquanto o olhava. - Se lhe saírem muitos cabelos na palma da mão, pode me chamar. O farei grátis,porque você é um filho de cadela de aparência muito agradável. Mas não diga a meugigolo que lhe hei dito isso. Soltou uma nuvem de fumaça e, com expressão ausente, tocou-se com o dedo suaorelha esquerda rasgada. Faltava-lhe a metade superior. Deus, esse alcoviteiro era todo um cão raivoso. Começaram a baixar os degraus. - Já consultaste esse programa do que te falei? - perguntou Butch quando chegaramà calçada. Estava ajudando a um amigo a colocar em marcha um grupo de apoio paraprostitutas que queriam liberar-se de seus alcoviteiros e levar outra vida. - Ah, sim, claro. Boa coisa. - Lançou-lhe um sorriso. - Verei-o depois. - Te cuide. Lhe deu as costas, dando-se uma palmada na nádega direita. - Pense, isto pode ser seu. Butch a observou rebolar rua abaixo durante um momento. Logo se dirigiu a seucarro, e seguindo um impulso, conduziu até o outro lado da cidade, voltando para bairrodo ScreamerS. Estacionou frente a McGriderS. Uns quinze minutos depois uma mulherembainhada em uns ajustados jeans e um corpete negro saiu do chiqueiro. Piscou comose fosse míope ante a brilhante luz. Quando viu o carro, sacudiu sua cabeleira castanha efoi caminhando para ele. Butch abriu o guichê e ela se inclinou, beijando-o nos lábios. - Quanto tempo sem verte. Sente-se solitário, Butch? - disse ela apertada contra suaboca. Cheirava a cerveja rançosa e a licor de cerejas, o perfume de todo dono de cantinaao final de uma larga noite. - Entra - disse ele. A mulher rodeou o carro pelo fronte e se deslizou junto a ele. Falou de como lhetinha ido durante a noite enquanto ele conduzia até a borda do rio, lhe contando quão
  36. 36. decepcionada estava porque as gorjetas outra vez tinham sido escassas e que os pés aestavam matando de tanto ir de um lado a outro do balcão. Estacionou baixo um dosarcos da ponte que cruzava o rio Hudson e unia as duas metades de Caldwell,certificando-se de ficar a suficiente distancia dos indigentes deitados sobre suasimprovisadas camas de papelões. Não havia necessidade de ter público. E terei que reconhecer que Abby era rápida. Já lhe tinha desabotoado as calças emanipulava seu membro ereto com embates firmes antes de que ele tivesse apagado omotor. Enquanto empurrava para trás o assento, ela subiu escarranchado e lhe acariciou opescoço com a boca. Ele olhou a água, além de seu sensual cabelo encaracolado. A luz do amanhecer era formosa, pensou quando esta alagou a superfície do rio. - Ama-me, carinho? - sussurrou ela a seu ouvido. - Sim, claro. Alisou-lhe o cabelo para trás e a olhou aos olhos. Estavam vazios. Podia ter sidoqualquer homem, por isso sua relação funcionava. Seu coração estava tão vazio como aquele olhar.

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