APRESENTAÇÃO
CAPITÃO RISSOL
Certa manhã muito chuvosa e fria
Espalhou químicos o cientista poluidor,
Quis o destino com sua ironia
Que ...
O JOVEM ADOLESCENTE
QUE SE APAIXONOU POR
UM AZULEJO DE CASA-
DE-BANHO
Foi de facto um pouco estranho
Ver o jovem Ulisses a...
A VINGANÇA DA FOLHA
DE ACETATO
Era uma normal folha de acetato
Bastante limpa e até discreta,
Tinha apenas duas frases com...
BEATRIZ “A GILLETTE“
Em tempos fora jovem e saudável
E nada a conseguia parar,
Recorda como era então admirável
Sempre, se...
O ATAQUE DOS PICA-
MAMAS
Ela era jovem e até muito bonita
Mas o ego não estava ainda satisfeito,
Fez implantes numa clínic...
A VASSOURA
Sempre em busca de acção andava
Mesmo quando estava só,
Da vida não queria mais nada
A não ser o seu essencial ...
O BELO ROMANCE
Tudo começou por ser brincadeira
E ainda pouco havia por dizer,
Mas viveram uma vida inteira
Até um deles a...
A FORMIGA DE BABEL
Era pequena que todos a conheciam
Mas grandes eram as suas ambições
E dela até por vezes se riam
Quando...
A ELOQUENTE BARRIGA
Naquela grande barriga abastada,
Quando a fome se fazia notar,
Ouvia-se do estômago a voz irada
E eis ...
O COPO DE CRISTAL QUE
TOCAVA MÚSICAS DE
NATAL
Fora construído do mais no cristal,
Não era preciso ser sábio para o perceb...
O REFORMADO
DOURADO
Durante o dia ele lia o jornal,
Por nada mais ter que fazer,
Sem nunca dar nenhum sinal
Do plano que e...
O PÉRFIDO MEALHEIRO
Ele tinha um porquinho como mealheiro
A quem as suas poupanças conava,
Durante anos lá depositou algu...
O LOBO MAU
Um lobo mau sentia-se inútil e desfeito
O psicólogo diagnosticara-lhe uma depressão,
O xanax e o prosac já não ...
A INFLUÊNCIA DO TIO
BALTAZAR NO
DESENVOLVIMENTO DAS
CRIANÇAS
«Adivinhem quem acabou de chegar!»
- Disse a mãe ao Luís e à ...
MARIAZINHA E O PACOTE DE
BATATAS FRITAS
Uma elegante andorinha de nome Mariazinha
Era bastante cobiçada quando passava a v...
O SONHO DE SAMUEL
Samuel sonhava ser um grande marinheiro
E, para tal, construiu uma robusta jangada,
Despediu-se de todos...
O FEITIÇO
Começou por ser uma auspiciosa coincidência,
Quando no caminho um vulto lhe apareceu,
Ninguém previa que aquela ...
GINA
Gina era amiga dos seus amigos
Por mais que lhe pudesse custar,
Nunca lhes recusava quaisquer pedidos
E todos com ela...
SANITA DAS VERDADES
Chamavam-lhe sanita das verdades,
A qual ninguém ousava utilizar,
E sempre que estavam em diculdades
...
O SABONETE
O Sabonete Silvino tem a vida tramada
E amanhã irá ser ouvido em tribunal,
A senhora que com ele tanto se esfre...
PEDRA NO SAPATO
A pedra no sapato começava a incomodar,
Era essencial pensar em a remover,
Mas àquele sítio já ela se esta...
O CANDIDATO VINHO
Quando o vinho anunciou a candidatura
Muitos julgaram as suas ideias primitivas,
Mas a sua atitude não f...
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques

629 visualizações

Publicada em

“Histórias simples para pessoas complicadas” apresenta situações de forma simples, irónica, cómica e por vezes ridícula, acessíveis à compreensão de qualquer leitor...."

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
629
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
4
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

HISTÓRIAS SIMPLES PARA PESSOAS COMPLICADAS - Vol. I - Emanuel R. Marques

  1. 1. APRESENTAÇÃO
  2. 2. CAPITÃO RISSOL Certa manhã muito chuvosa e fria Espalhou químicos o cientista poluidor, Quis o destino com sua ironia Que fosse no mesmo sítio do cozinheiro amador. Deu-se então a fantástica transformação De um abandonado rissol banal E do contacto com a maléca poção, Nasceu assim o combatente do mal. A sua fama rapidamente correu Pela veemência da extrema dedicação, Muitos inimigos ele sozinho combateu, Por toda a parte se ouvia a canção: “ Faça chuva ou faça sol Não é rijo nem é mole Ele combate o mal Ele é fenomenal, É o capitão rissol! “ Mas curto foi o seu reinado Pois também trágico é o destino E aparecera outro herói mutado E todos clamavam pelo capitão pepino. “ Cante o galo ou toque o sino Não é grosso nem é no Ele combate o mal Ele é fenomenal, É o capitão pepino! “
  3. 3. O JOVEM ADOLESCENTE QUE SE APAIXONOU POR UM AZULEJO DE CASA- DE-BANHO Foi de facto um pouco estranho Ver o jovem Ulisses apaixonado Por um azulejo de casa de banho Que já era velho e riscado. Mas convicta foi a sua decisão Apesar de por todos ser gozado, Dos pais haver bastante repreensão E dos dias em que era apedrejado. Pelo menos não estava a ngir E cada vez era maior o sentimento, Era vê-los passear e sorrir Com longos beijos de contentamento. Veio a tragédia do carrossel distinto Numa manobra veloz e ousada, O azulejo esquecera-se de apertar o cinto Deixando a alma de Ulisses quebrada.
  4. 4. A VINGANÇA DA FOLHA DE ACETATO Era uma normal folha de acetato Bastante limpa e até discreta, Tinha apenas duas frases como fato Numa caligraa pouco concreta. Veio o senhor da caneta com exuberância Com a qual a tentou riscar, Foi o traço da sua arrogância Que a transformou e fez revoltar. Saltou com suas pernas nas Fazendo o rico senhor espantar, Colou-se-lhe rme às duas narinas Numa tentativa de o asxiar. Mas o senhor era conhecedor Que pela boca conseguia respirar E num gesto cauteloso e reprovador Lá a conseguiu arrancar.
  5. 5. BEATRIZ “A GILLETTE“ Em tempos fora jovem e saudável E nada a conseguia parar, Recorda como era então admirável Sempre, sempre, sempre, a cortar. Essa época nunca mais irá voltar, Inveja agora as colegas descartáveis E só pensa em se reformar, As suas lâminas estão lastimáveis. Sua sina é triste e penosa Junto a um branco tubo dentífrico, Vai tirando pêlos saudosa E sonha com uma ilha no pacíco.
  6. 6. O ATAQUE DOS PICA- MAMAS Ela era jovem e até muito bonita Mas o ego não estava ainda satisfeito, Fez implantes numa clínica algo esquisita Que lhe aumentou exageradamente o peito. Tal foi a mudança destas duas ampliações Que pareciam ter enchido dois balões E naquela noite estrelada de luar Veio uma ventania e ela foi-se pelo ar. No dia seguinte à sua subida Pairou assustada numa oresta desconhecida, Viu apenas umas aves voarem insanas, Eram estranhas criaturas – Os pica-mamas. Uma espécie que poucos conheciam Que habita debaixo das pontes, Recentemente observados enquanto comiam Por um cientista de Trás-os-Montes.
  7. 7. A VASSOURA Sempre em busca de acção andava Mesmo quando estava só, Da vida não queria mais nada A não ser o seu essencial pó. Mas certo dia limpou demais Por pouco não lhe foi fatal, Correu dezenas de hospitais Todos diagnosticavam o mesmo mal. Vários meses passou a pensar Se no pó deveria voltar a tocar, Finalmente sentiu-se libertada E hoje até está casada.
  8. 8. O BELO ROMANCE Tudo começou por ser brincadeira E ainda pouco havia por dizer, Mas viveram uma vida inteira Até um deles acabar por morrer.
  9. 9. A FORMIGA DE BABEL Era pequena que todos a conheciam Mas grandes eram as suas ambições E dela até por vezes se riam Quando começava com divagações. Maior foi o espanto local No dia em que a viram trabalhar, Pois a sua azafama era tal Que nem parava para falar. Com paus de fósforo queria construir Uma torre que chegasse aos céus, Pois o seu sonho nunca iria conseguir Que era visitar os Pirinéus. Dia e noite sem nunca parar E a obra já começava a nascer, Mas o vento começou a soprar Fazendo a torre desaparecer. A formiguinha está hoje internada Nenhum pau de fósforo é mais preciso, Dizem que já não se lembra de nada E até já está a apanhar juízo.
  10. 10. A ELOQUENTE BARRIGA Naquela grande barriga abastada, Quando a fome se fazia notar, Ouvia-se do estômago a voz irada E eis que começava a discursar. Não existia para o fenómeno explicação Mas a sua eloquência era já mítica, Aquela barriga tinha uma vocação, Um jeito especial para a política. Houve mesmo quem lançasse louvores Para que ela se pudesse candidatar, Mas logo correram rumores Do seu hábito em se embebedar. E certa vez perante uma assembleia Que de tão espantada a queria ouvir, Embriagara-se tanto a noite inteira Que os vómitos começaram a surgir.
  11. 11. O COPO DE CRISTAL QUE TOCAVA MÚSICAS DE NATAL Fora construído do mais no cristal, Não era preciso ser sábio para o perceber, Mas este era um copo muito especial Pelo qual todos queriam beber. Sua particularidade era deveras excepcional, Quando com um dedo húmido lhe passavam Entoava conhecidas músicas de Natal, E todos o aplaudiam e admiravam. Tal era a fama que lhe dedicavam Que percebeu a dimensão do seu poder, As inúmeras vezes que agora o agarravam Eram a fonte do seu altivo envaidecer. E foram tais as geradas discussões Que nem o seu dono lhe resistiu, Mas o destino teve das suas lições, O copo caiu ao chão e partiu.
  12. 12. O REFORMADO DOURADO Durante o dia ele lia o jornal, Por nada mais ter que fazer, Sem nunca dar nenhum sinal Do plano que estava a conceber. Quando o dia começou a escurecer Ele desapareceu para um canto isolado, Era, então, chegada a hora de aparecer O justiceiro reformado dourado. Uma ofuscante capa e um fato a luzir E tudo parecia estar controlado, Mas os bandidos desataram a rir E o pobre homem foi ignorado. A realidade era dura e crua, Foi tal o asco da situação Que agora pouco sai à rua Ficando em casa a ver televisão.
  13. 13. O PÉRFIDO MEALHEIRO Ele tinha um porquinho como mealheiro A quem as suas poupanças conava, Durante anos lá depositou algum dinheiro, E a quantia tornava-se já elevada. Mas certo dia, por mera distracção, Não fechou bem a porta quando saiu, O porquinho comprou um bilhete de avião E, desde então, nunca mais alguém o viu.
  14. 14. O LOBO MAU Um lobo mau sentia-se inútil e desfeito O psicólogo diagnosticara-lhe uma depressão, O xanax e o prosac já não faziam efeito E foi por isso em busca da verdadeira vocação. Encontrou um rebanho bem alinhado, Mas só uma ovelha ele não queria comer, Pois, se fosse o pastor a ser eliminado Ele tornar-se-ia dono e senhor do poder. O rebanho, ao ver o seu pastor destronado, Ficou intrigado e sem alguma coisa perceber, Mas a necessidade em ser comandado Fê-lo facilmente ao astuto lobo obedecer. Uma fábrica de lãs e manteigas abriu E o rebanho venera todos os seus conselhos, Dizem que depois que a sua vida subiu Até já engatou duas capuchinhos vermelhos.
  15. 15. A INFLUÊNCIA DO TIO BALTAZAR NO DESENVOLVIMENTO DAS CRIANÇAS «Adivinhem quem acabou de chegar!» - Disse a mãe ao Luís e à Inês - «É o vosso querido tio Baltazar E trouxe presentes para vocês!» E o menino que esperava entusiasmado Recebeu apenas uma embalagem de pilhas, A menina que olhava atenta a seu lado Foi ofertada com um par de palmilhas. As crianças estavam traumatizadas E não mais teriam uma infância normal, O destino deixava-os bem marcados Por uma situação aparentemente normal. Mas os presentes viriam ainda a signicar, Apesar de tudo na vida lhes correr mal, Quando com eles vieram a ganhar O grande prémio de arte conceptual.
  16. 16. MARIAZINHA E O PACOTE DE BATATAS FRITAS Uma elegante andorinha de nome Mariazinha Era bastante cobiçada quando passava a voar, Mas, numa quente tarde em que voava sozinha, Deixou-se por um pacote de batatas fritas apaixonar. Cantou bem alto para o tentar conquistar, Mas o canto do pacote de batatas era nada, Apesar de claramente a estar a ignorar A pobre andorinha estava ainda mais fascinada. Passou meses nesta inocente e cega ilusão E por algumas vezes o conseguiu debicar, Chegou então a inevitável temida situação Em que para o sul foi obrigada a voar. Regressou, tempos depois, muito entusiasmada Piando já casamento e outras coisas esquisitas, Mas o que viu foi como uma punhalada, Alguém comia o seu pacote de batatas fritas.
  17. 17. O SONHO DE SAMUEL Samuel sonhava ser um grande marinheiro E, para tal, construiu uma robusta jangada, Despediu-se de todos e rumou ligeiro Em direcção à sua fabulosa empreitada. Lançou a sua jangada ao revoltado mar E conrmou o dinheiro que tinha na carteira, Mas, por mais que tentasse remar, Não conseguia ultrapassar a zona costeira. Percebia assim como a vida é desilusão Para aqueles que não possuem um motor, Não chega ter vontade e dedicação, Também é preciso ter o vento a favor. Como não alcançou a sua grande ambição Conformou-se com uma menor ideia, Passa as noites inteiras a fazer pão E os dias a construir castelos de areia.
  18. 18. O FEITIÇO Começou por ser uma auspiciosa coincidência, Quando no caminho um vulto lhe apareceu, Ninguém previa que aquela simples ocorrência Fosse culminar no que depois sucedeu. Deparou-se com uma ambígua bruxa malvada De poderes reconhecidos em todo o lado, Substimou-a, incrédulo, por a julgar uma fada E ela transformou-o em interruptor de luz desligado. E hoje, lá está exilado em constante apatia, Um botão apagado sem qualquer sentimento, Espera, enm, que alguém o prima um dia E o liberte do terrível encantamento.
  19. 19. GINA Gina era amiga dos seus amigos Por mais que lhe pudesse custar, Nunca lhes recusava quaisquer pedidos E todos com ela queriam estar. Tinha o dom de construir amizades Com grande entusiasmo e facilidade, Conhecia pessoas em todas as cidades E vivia em constante ansiedade. Mas mesmo assim sentia-se solitária Até conhecer um ilustre rebuçado de S. Bráz, Infelizmente ele chamou-lhe ordinária E ela não tinha como voltar atrás.
  20. 20. SANITA DAS VERDADES Chamavam-lhe sanita das verdades, A qual ninguém ousava utilizar, E sempre que estavam em diculdades Somente com ela se iam aconselhar. Inúmeras situações ajudou a resolver, Todos a tinham em grande consideração; De onde lhe vinha tanto saber Ainda hoje não há explicação. Mas por descuido ou cinismo Houve um homem que a utilizou, E após ter puxado o autoclismo Para sempre a sanita se calou.
  21. 21. O SABONETE O Sabonete Silvino tem a vida tramada E amanhã irá ser ouvido em tribunal, A senhora que com ele tanto se esfregava Decidiu processá-lo por assédio sexual.
  22. 22. PEDRA NO SAPATO A pedra no sapato começava a incomodar, Era essencial pensar em a remover, Mas àquele sítio já ela se estava a habituar E seria quase inevitável fazê-la sofrer. Um hábil plano devia ser encontrado, De forma a tentar atenuar a situação, O sapato estava já desesperado, Mas também tinha um bom coração. E sem mais como poder ngir Conseguiu reunir toda a sua coragem, Disse-lhe que seria melhor sair, Pois chegara ao m aquela viagem.
  23. 23. O CANDIDATO VINHO Quando o vinho anunciou a candidatura Muitos julgaram as suas ideias primitivas, Mas a sua atitude não foi loucura E os votos excederam as expectativas. Ergueram várias garrafas para comemorar A sua grandiosa chegada ao poder, Mas quando o vinho começou a discursar Estavam demasiado ébrios para o compreender.

×