metodologia academica

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  1. 1. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 31 2 METODOLOGIA DO TRABALHO ACADÊMICO Nesta unidade trataremos das etapas de organização do trabalho científico que se constituem como atividades acadêmicas: a monografia, o relatório e o artigo, apontando fases, estrutura e elementos. Em seguida, a leitura, o esquema, o resumo, o fichamento e a resenha como instrumentos metodológicos que auxiliam o estudante no processo do ensino e da pesquisa. E finalmente, as formas de aplicação das Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, nos trabalhos científicos. Ao final desta unidade, você deve: descrever as etapas da organização do trabalho científico; identificar métodos e técnicas de estudo: a leitura, o esquema, o resumo, o fichamento e resenha; aplicar as Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT nos trabalhos científicos. 2.1 ETAPAS DA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO 2.1.1 Monografia A Monografia é um trabalho cientifico fruto de uma pesquisa sobre os mais variados temas existentes sejam eles já publicados ou não. Ela se constitui de um conjunto de atividades integradas: o problema e seus objetivos, a forma de abordagem teórica e metodológica e os resultados alcançados de modo bem definidos. É denominada monografia, pois aborda um determinado assunto ou problema – monos – um só; grafia – escrever, dissertar sobre algo, sobre um assunto, sobre o problema formulado. A NBR 6023 define monografia como “item não seriado, isto é, item completo, constituído de uma só parte, ou que se pretende completar em um número preestabelecido de partes separadas” (ABNT, 2002). Leitura... Esquema... Fichamento...
  2. 2. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 32 2.1.1.1 Etapas da elaboração da monografia a) Elaboração do projeto de pesquisa A monografia é precedida de um projeto que orienta o aluno pesquisador na realização da pesquisa. Nele constam os objetivos a alcançar, a justificativa, o problema e as hipóteses a serem investigadas, o referencial teórico que fornece os conceitos para análise e interpretação dos dados, a metodologia a ser utilizada, o cronograma de execução e as referências dos autores utilizados. Com mais detalhes trataremos do projeto de pesquisa na Unidade 4. b) Redação do texto A escrita do texto monográfico envolve três elementos textuais: introdução, parte em que o assunto é apresentado como um todo, sem detalhes. Desenvolvimento, parte mais extensa e visa a comunicar os resultados obtidos. Conclusão e resultados obtidos; trata-se da recapitulação sintética dos resultados obtidos, ressaltando o alcance e as conseqüências do estudo. Tais elementos serão apresentados de forma mais detalhada nos elementos textuais. c) Revisão e organização do texto Após a escrita do texto, o aluno pesquisador deve fazer uma revisão ortográfica e normativa no texto a fim de compor a monografia de acordo com a estrutura (pré-textual, textual e pós-textual), apresentada a seguir. 2.1.1.2 Estrutura da monografia Segundo a NBR 14724(ABNT, 2005), a monografia deve apresentar uma estrutura que compreende três partes: 1ª) pré-textual contém os seguintes elementos: capa, folha de rosto, ficha catalográfica, folha de aprovação, dedicatória (opcional), agradecimento (opcional), epígrafe (opcional), resumo, abstract, listas, sumário; 2ª) elementos textuais, constituída dos seguintes elementos: introdução, desenvolvimento e conclusão; 3ª) pós- textual, apresenta os seguintes elementos: referências, glossário (opcional), apêndice (opcional) e anexo (opcional). O ordenamento destas partes é visualizado a seguir:
  3. 3. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 33 a) Elementos pré-textuais da monografia, segundo a ABNT (NBR- 14724:2005). Estes elementos vêem antes do texto, os quais, apresentamos a seguir: Capa (obrigatório) Deve conter: nome da instituição responsável, com subordinação até o nível da autoria (cabeçalho centralizado); título (centralizado); subtítulo se houver (centralizado);local (rodapé centralizado); ano de publicação, em algarismo arábico(rodapé centralizado). Lombada (opcional) Deve conter informações externas do autor, título. Folha de rosto (obrigatório) É a fonte principal de identificação do relatório, devendo conter os seguintes elementos: nome da organização responsável, com subordinação até o nível de autoria; título; subtítulo, se houver; nome do responsável pela elaboração do relatório; indicação do tipo de trabalho (relatório parcial/final) apresentado por (nome dos autores); local;ano da publicação em algarismos arábicos. Ficha catalográfica (verso da folha de rosto) Contêm todas as informações da folha de rosto juntamente com nome da instituição, tipo de trabalho acadêmico, código de catalogação, etc. Errata (opcional) Elemento eventual, é uma lista das folhas e linhas, onde ocorreram erros seguidas das devidas correções Folha de aprovação (obrigatória) Contém os elementos da folha de rosto; data de aprovação e nome dos membros da banca examinadora. Dedicatória (opcional.) Contém o oferecimento do trabalho a determinada pessoa ou pessoas, a critério do autor. Agradecimentos (opcional.) O autor faz agradecimentos a pessoas e/ou instituições. Epígrafe (opcional.) O autor inclui uma citação ou pensamento, desde que seja relacionado com o texto. Resumo nacional (obrigatório.) É a apresentação concisa do texto, destacando os aspectos de maior importância e interesse. Resumo Estrangeiro (obrigatório) É a versão do resumo em português para um idioma internacional (inglês – abstracts, em francês – Resumée, ...)
  4. 4. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 34 Lista de ilustrações (opcional.) Recomenda-se a elaboração de lista própria para cada tipo de ilustração (quadros, fotografias, gráficos, etc.) Lista de Tabelas (opcional) Elaborado de acordo com a ordem apresentada no texto. Lista de abreviaturas e siglas (opcional) Consiste na relação alfabética das abreviaturas e siglas utilizadas no texto. Lista de símbolos (opcional) Elaborado de acordo com a ordem apresentada no texto, com o devido significado. Sumário (obrigatório) É a relação dos capítulos e seções no trabalho, na ordem em que aparecem. O conteúdo é descrito pôr títulos e subtítulos. Atenção! Sumário não é a mesma coisa que: Índice: “lista de palavras ou frases, ordenadas segundo determinado critério, que localiza e remete para as informações contidas no texto”, conforme a NBR 6023 (ABNT, 2002). Resumo: “elemento obrigatório, constituído de uma seqüência de frases concisas e objetivas e não de uma simples enumeração de tópicos, não ultrapassando 500 palavras, seguido, logo abaixo, das palavras chaves”, conforme a NBR 6028 (ABNT, 2005). Lista: “enumeração de elementos selecionados do texto, tais como datas, ilustrações, exemplos etc., na ordem de sua ocorrência” , conforme a NBR 6027 (ABNT, 2003). b) Elementos textuais Os elementos textuais constituem-se da redação do texto onde o assunto é apresentado e desenvolvido pelo autor. Conforme sua finalidade, o texto é estruturado de maneira distinta. Deve conter as partes a seguir: INTRODUÇÃO Parte em que o assunto é apresentado como um todo, sem detalhes. O aluno deverá apresentar as partes principais do trabalho: como surgiu o tema/assunto, os objetivos, os problemas da pesquisa, as hipóteses, as justificativas (relevância e contribuição do trabalho na área em que se insere) e os procedimentos metodológicos. E, por fim, apresentar,
  5. 5. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 35 sucintamente, o conteúdo de cada seção que consta na monografia. DESENVOLVIMENTO Parte mais extensa e visa a comunicar os resultados obtidos. Deve ser dividido, no mínimo, em três seções e em subseções (parte que se dividem as seções). Essas partes contêm: fundamentação teórica, descrição metodológica e apresentação, análise e interpretação dos resultados. RESULTADOS E CONCLUSÕES Consistem na recapitulação sintética dos resultados obtidos, ressaltando o alcance e as conseqüências do estudo. O aluno deve apresentar de forma clara, objetiva e concisa os resultados da discussão e das hipóteses do estudo. Na elaboração do texto atente para os detalhes a seguir: Qual o tema tratado na pesquisa? Quais os objetivos alcançados? Qual o problema pesquisado? Qual a hipótese comprovada? Qual relevância e contribuição da pesquisa na área estudada? Quais procedimentos metodológicos usados? Como está estruturado (seções)? a fundamentação teórica acerca do tema tratado; a descrição metodológica da pesquisa; a análise do problema pesquisado; a interpretação dos resultados da pesquisa. Para elaborar a introdução responda as seguintes perguntas: O desenvolvimento deve conter:
  6. 6. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 36 a recapitulação sintética dos resultados obtidos; clara, objetiva e concisa. c) Elementos pós-textuais Os elementos pós-textuais são apresentados após o texto, quais sejam: ANEXO (OU APÊNDICE): é a matéria suplementar, tal como leis, questionários, estatísticas, que se acrescenta a um relatório como esclarecimento ou documentação, sem dele constituir parte essencial. Os anexos são enumerados com algarismos arábicos, seguidos do título. REFERÊNCIAS: tratam-se da relação das fontes bibliográficas utilizadas pelo autor. Todas as obras citadas no texto deverão obrigatoriamente figurar nas referências. A padronização das referências é seguida de acordo com a NBR (6023:2002) da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. 2.1.1.3 Apresentação gráfica da monografia A apresentação gráfica é o modo de organização física e visual de um trabalho, levando-se em consideração: a estrutura, os formatos, o uso de tipos e a paginação, tais como: NEGRITO, GRIFO OU ITÁLICO, empregados para destacar: palavras e frases em língua estrangeira; títulos de livros e periódicos; expressões de referência como ver, vide; letras ou palavras que mereçam destaque ou ênfase, quando não seja possível dar esse realce pela redação; nomes de espécies em botânica, zoologia (nesse caso não se usa negrito); e os títulos de capítulos (nesse caso não se usa itálico). MEDIDAS DE FORMATAÇÃO: usadas para formatar as margens e o espaçamento entre linhas: A conclusão deve ser:
  7. 7. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 37 Margem superior 3 cm Margem inferior 2 cm Margem direita 2 cm Margem esquerda 3 cm Espaço entre linhas 1,5 para o texto, simples para as citações recuadas. Tipo de letra Time new roman ou Arial Tamanho de fonte 14 na capa e folha de rosto, 12 no texto, 10 nas citações recuadas e notas. Formato do papel A4(210 X 297 mm). 2.1.2 Relatório O Relatório é um trabalho que relata formalmente, de forma descritiva, os resultados obtidos em pesquisas científicas, em viagens, em estágios realizados, em visitas técnicas ou acadêmicas, em atividades administrativas e fins especiais. Segundo a NBR 10719, o relatório científico é um trabalho que relata formalmente os resultados obtidos em uma pesquisa ou a descrição de sua situação e desenvolvimento (ABNT, 2003). Em decorrência da diversidade de situações que vão além do técnico-científico e que podem exigir relatórios, especificamente, eles podem ser de variados tipos: técnico-científicos de viagem de estágio de visita administrativos fins especiais. Dependendo do tipo de trabalho realizado, o aluno deve adequar o relatório atendendo às especificidades exigidas em cada situação. Para tanto, será tratada aqui, a estrutura de um relatório técnico-científico, com suas etapas, que apresenta maior exigência e detalhes, para que seja adaptado segundo a situação em foco.
  8. 8. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 38 2.1.2.1 Etapas do relatório a) Planejamento Nesta fase o aluno estabelece a natureza do seu conteúdo que pode ser sigiloso, reservado, secreto e confidencial, e, ao mesmo tempo, prepara o roteiro de seu desenvolvimento, dentro de uma estrutura lógica: introdução, desenvolvimento e conclusão. b) Organização do material Na realização do trabalho, o aluno faz a ordenação do material empregado no desenvolvimento. c) Redação Nesta fase, o aluno apresenta o desenvolvimento das etapas seguindo o roteiro estruturado previamente. d) Revisão Após a elaboração do texto, a análise e revisão crítica do relatório são fundamentais, avaliando-se: conteúdo e sequência das informações. 2.1.2.2 Estrutura do relatório A estrutura do relatório segue o mesmo padrão usado na monografia: elementos pré- textuais, textuais e pós-textuais. 2.1.3 Artigo Segundo a NBR 6022, artigo pode ser assim definido como “texto com autoria declarada, que apresenta e discute idéias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento” (ABNT, 2003); e “são trabalhos científicos completos em si mesmos, mas de dimensão reduzida, já que não possuem matéria suficiente para um livro.” (SALVADOR,1997, p.24). Ou ainda, “é um texto escrito para ser publicado num período especializado e tem o objetivo de comunicar os dados de uma pesquisa, seja ela experimental, quase experimental ou documental” (AZEVEDO, 2001, p.82). De acordo com a NBR 6022, três definições são apresentadas para o artigo, quais sejam:
  9. 9. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 39 Artigo científico: parte de uma publicação com autoria declarada, que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento. Artigo de revisão: parte de uma publicação que resume, analisa e discute informações já publicadas. Artigo original: parte de uma publicação que apresenta temas ou abordagens originais. a) Algumas considerações para escrever um artigo: Antes de escrever um artigo, o autor deve ser capaz de responder às perguntas: Qual foi a questão que abordou em seu artigo? Qual a resposta que obteve para ela? Qual foi a pergunta que motivou a pesquisa? b) Estrutura de um artigo: TÍTULO. Deve expressar o conteúdo que o autor propõe-se a discutir. RESUMO. “elemento obrigatório, constituído de uma seqüência de frases concisas e objetivas e não de uma simples enumeração de tópicos, não ultrapassando 500 palavras, seguido, logo abaixo, das palavras chaves”, conforme a NBR 6028 (ABNT, 2005). Deve apresentar brevemente os principais assuntos abordados no texto, constituído de frases concisas e objetivas, a natureza do problema estudado, os objetivos pretendidos, metodologia utilizada, resultados alcançados e conclusões da pesquisa ou estudo realizado. PALAVRAS-CHAVE: relacionadas de 3 a 6 palavras-chave que expressem as idéias centrais do texto, podendo ser termos simples e compostos, ou expressões características. A preocupação do autor na escolha dos termos mais apropriados, deve-se ao fato dos leitores identificarem prontamente o tema principal do artigo lendo o resumo e palavras-chave, conforme NBR 6022 (ABNT, 2003). INTRODUÇÃO: apresentação do assunto e delimitação do tema, analisando a problemática pesquisada, definindo conceitos e especificando os termos adotados a fim de esclarecer o assunto. Devem constar os objetivos da pesquisa; o problema e as hipóteses de
  10. 10. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 40 trabalho ou as questões norteadoras (quando for o caso); a justificativa da sua escolha; e a metodologia utilizada, com base no referencial teórico pesquisado (GONÇALVES, 2004). DESENVOLVIMENTO. Aqui deve ser desenvolvida a ideia chave e o resultado, organizado de forma que o leitor seja convencido de sua significância e validade. Devem ser detalhados itens como: tipo de pesquisa, população e amostragem, instrumentação, técnica para coleta de dados, tratamento estatístico, análise dos resultados, entre outros, podendo ser enriquecido com gráficos, tabelas e figuras. Deve atentar para o título dessa seção, quando for utilizado, não deve estampar a palavra “desenvolvimento” nem “corpo do trabalho”, sendo escolhido um título geral que englobe todo o tema abordado na seção, e subdividido conforme a necessidade. CONCLUSÃO. Deve sumariar a contribuição do artigo e enfatizar o resultado principal. Ela pode também tratar da aplicação do resultado e de questões em aberto, e fornecer futuras direções de pesquisa. O autor deve limitar-se a explicar brevemente as ideias que predominaram no texto como um todo, sem muitas polêmicas ou controvérsias, incluindo, no caso das pesquisas de campo, as principais considerações decorrentes da análise dos resultados. c) Não esqueça, em um artigo de: escolher cuidadosamente a idéia chave; projetar um esquema para o artigo que melhor cubra a idéia; demonstrar o resultado; organizar o artigo em unidades adequadas de apresentação; escrever em um estilo que seja breve, ativo, preciso e simples; Ilustrá-lo, se necessário, com meios adequados. 2.2 MÉTODOS E TÉCNICAS DE ESTUDO: LEITURA, ESQUEMA, RESUMO, FICHAMENTO E RESENHA 2.2.1 Leitura A leitura é uma viagem que envolve o leitor e o autor pelas paisagens mentais – o texto. É uma viagem que exige do leitor atenção, concentração e reflexão acerca do tema abordado pelo autor. Essa viagem pode levar o leitor a novas descobertas ou respostas apresentadas pelo autor do texto. O filósofo francês Claude Lefort considera que uma obra
  11. 11. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 41 teórica é um “estatuto histórico” que tende a revelar as intenções do autor em seu tempo e em seu lugar. Portanto, há sempre uma intenção apresentada pelo autor do texto a qual deve ser revelada no ato da leitura. Para Furlan (1990), os textos teóricos oferecem ao estudante um universo de novas descobertas e conquistas no mundo do saber. Através dos textos, os autores fornecem conhecimentos em todas as áreas do saber, daí “aprender e compreendê-los se coloca como tarefa fundamental de todos aqueles que se dispõem a decifrar melhor o seu mundo” (p.133). a) Questões norteadoras da leitura Não se pode ler um texto teórico de qualquer jeito! Diferentemente do romance, da matéria jornalística, por exemplo, o texto teórico fornece conceitos e categorias analíticas que necessitam de maior cuidado e atenção do leitor. Portanto, algumas questões devem nortear o estudante no ato da leitura, dentre elas: qual o objetivo do tema proposto pelo autor? Quem é o autor do texto? Quando escreveu? Quais as características do texto? Qual a abordagem usada? Feitas estas questões, o estudante pode preparar um esquema de leitura que pode também ser norteado por questões, quais sejam: Qual o tema tratado pelo autor? Qual o problema levantado pelo autor? Como o autor responde a questão? Quais os argumentos usados pelo autor na resposta? Qual a conclusão do autor?
  12. 12. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 42 b) Dicas para a leitura do texto Ao ler o texto, não marque na primeira leitura nenhuma palavra ou trecho que você julgue importante. Você pode estar sendo precipitado na sua avaliação. Na segunda leitura, destaque os conceitos importantes ou ideias-chaves que autor apresenta. Use um lápis para fazer anotações nas laterais do texto sobre impressões pessoais, concordância a partir de outras leituras. Use símbolos para expressar concordância (! ) ou falta de entendimento ( ? ). Tenha sempre à mão um dicionário para “decifrar” termos que você não conhece. 2.2.1.1 Esquema da leitura Para elaborar um esquema de leitura é necessário que o estudante tenha lido todo o texto, a fim de identificar os elementos que constituem a estrutura lógica do texto: introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução o autor apresenta com brevidade o tema, o problema levantado e a posição assumida na análise do problema. No desenvolvimento, o autor desenvolve os argumentos que justificam o problema levantado que ele se propõe explicar. Na conclusão o autor apresenta os resultados de sua análise acerca do problema proposto. Como o estudante deve proceder? Destacar as palavras-chave de cada parte do texto grifando-as; Destacar as ideias que exercem maior atração, que despertam maior interesse ao longo da exposição; Elaborar o esquema contendo os tópicos que revelam as ideias referentes a cada parte constitutiva do texto (introdução, desenvolvimento e conclusão) para a realização da síntese. Para efeito de exemplo, usaremos o texto de Gastón Bachelard intitulado “A noção de obstáculo epistemológico” contido na obra “A formação do espírito científico”, para a elaboração do esquema e do fichamento.
  13. 13. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 43 Exemplo de esquema: TEXTO: A NOÇÃO DE OBSTÁCULO EPISTEMOLÓGICO 1. INFLUÊNCIA FREUDIANA SOBRE BACHELARD, SUA CONCEPÇÃO DE CIÊNCIA E A FORMALIZAÇÃO DO REAL 2. CIÊNCIA E OPINIÃO 3. O ANTIPOSITIVISMO DE BACHELARD E A PEDAGOGIA DA CIÊNCIA 4. CONCLUSÕES 5. COMENTÁRIOS E NOVAS QUESTÕES Feito o esquema, o estudante está preparado para fazer o resumo, o fichamento, instrumentos acadêmicos que serão apresentados a seguir. 2.2.2 Resumo São inúmeras as concepções de resumo no meio acadêmico, tanto que, por vezes, gera confusão entre alunos e professores. É comum o aluno apresentar as seguintes questões: “resumo é a mesma coisa que fichamento?” Ou “fichamento é a mesma coisa que resenha?” Ou ainda: “O professor quer um resumo crítico, portanto, é um fichamento ou uma resenha? Qual a diferença entre o resumo e a resenha?” Diante de tais questões, apresentaremos aqui, algumas concepções a fim de eleger concepções mais claras acerca do que chamaremos aqui de resumo, fichamento e resenha. Evitaremos, aqui, aquelas definições que acentuam a confusão terminológica do resumo e elegeremos aquelas que melhor esclarecem os termos. Salvador (1978) considera resumo como “uma apresentação concisa e freqüentemente seletiva do texto de um artigo, obra ou outro documento, pondo em relevo os elementos de maior interesse e importância”(p.17-19). Baseado na ABNT, o autor apresenta três tipos: resumo crítico, resumo indicativo e resumo informativo. O autor apresenta mais um gênero textual denominado de resumo de assunto com a função de apresentar uma visão geral de pesquisas feitas sobre uma determinada questão, com o objetivo de reunir conhecimentos sobre o tema que deve ser exposto e também, ainda segundo o autor, “sem discussão ou julgamento” (p. 17). Segundo a NBR 6028, resumo e definido como "apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento" (ABNT, 2003). Ela distingue três tipos de resumo: Esquema (exemplo)
  14. 14. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 44 Resumo crítico: resumo redigido por especialistas com análise crítica de um documento. Também chamado de resenha. Quando analisa apenas uma determinada edição entre várias, denomina-se recensão. Resumo indicativo: indica apenas os pontos principais do documento, não apresentando dados qualitativos, quantitativos etc. De modo geral, não dispensa a consulta ao original. Resumo informativo: informa ao leitor finalidades, metodologia, resultados e conclusões do documento, de tal forma que este possa, inclusive, dispensar a consulta ao original. Severino (2003) e Salomon (2004) usam a mesma definição e classificação para o resumo. Medeiros (1991) apresenta um quarto tipo que conjuga dois já existentes: o resumo indicativo/informativo, que dispensa a leitura do texto-fonte quanto à conclusão, mas não quanto aos aspectos tratados. De acordo com essa classificação, podemos entender que o resumo informativo é também o que alguns autores chamam de resenha informativa. E o resumo crítico, como está explicitado por Salvador, a resenha crítica. O resumo indicativo é aquele que indica os pontos principais de um texto, sem detalhar aspectos mais amplos do estudo. São aqueles apresentados antes das monografias, dissertações e teses. São também aqueles apresentados em filmes quando publicados em jornais e revistas, denominados de sinopses. Matencio (2003) classifica o resumo a partir da função que exercem nas práticas acadêmicas, sendo de dois tipos: Resumos envolvidos no processo de elaboração de pesquisa que têm a função de mapear um campo de estudo, integrando a discussão do estado da arte; Resumos colocados geralmente antes de um texto científico (artigos, dissertações, teses), que têm a função de apresentar e descrever o modo de realização do trabalho ao qual se refere – são os résumés ou abstracts. Nessa classificação, o primeiro tipo parece enquadrar-se como resenha informativa ou crítica; o segundo tipo, como resumo indicativo. Diante dessa compreensão é possível então eleger uma classificação que possa distinguir os resumos segundo a finalidade acadêmica, ao mesmo tempo em que tenha uma aproximação compreensiva segundo a ABNT. Nesse sentido, usaremos aqui, para fins metodológicos e acadêmicos, a distinção entre resumo, fichamento e resenha. Portanto, fica definido aqui,
  15. 15. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 45 como resumo, a síntese que indica os pontos principais de um texto, sem detalhar aspectos mais amplos do estudo – o resumo indicativo. Fichamento, as sínteses mais detalhadas feitas de capítulos de livros e artigos. E a Resenha, as sínteses mais abrangentes, feitas acerca do conteúdo de um livro ou obra completa. Recapitulando temos: Resumo Síntese que indica os pontos principais de um texto, sem detalhar aspectos mais amplos do estudo – o resumo indicativo. Fichamento Sínteses mais detalhadas feitas de capítulos de livros e artigos. Resenha As sínteses mais abrangentes, feitas acerca do conteúdo de um livro ou obra completa. Resumo1 Há vinte anos, a invasão de organismos aquáticos exóticos, transportados pela água de lastro dos navios, vem causando preocupações em nível internacional. Neste artigo, destacamos três aspectos desse problema: a água de lastro, a bioinvasão e a resposta internacional, que pretende fornecer meios de se "gerenciar" devidamente a água de lastro utilizada pelas embarcações. O trabalho é dividido em três capítulos que tratam respectivamente de cada um dos aspectos acima destacados. O método utilizado foi o indutivo, com as técnicas do referente e da pesquisa bibliográfica, principalmente internet, por ter o assunto limitada bibliografia impressa. Todas as traduções foram feitas pelo autor. Palavras-chave: Água de lastro ; bioinvasão ; Globallast ; Convenção de Água de Lastro. 2.2.3 Fichamento O fichamento é um tipo de trabalho acadêmico fundamental no auxílio ao aluno. Em geral, ele é usado para capítulos de livros e artigos científicos. Nele o leitor apresenta o resumo por escrito acerca da compreensão do texto estudado. É um instrumento que não só possibilita a disciplina da leitura, mas ajuda na apreensão das ideias contidas no texto, pois no 1 COLLYER, Wesley. Água de lastro, bioinvasão e resposta internacional. Disponível em: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9435. Acesso: 06 de set. 2009. Resumo Indicativo (Modelo)
  16. 16. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 46 momento da realização do resumo, o leitor tem a possibilidade de reconstruir o texto a partir de sua compreensão. Hühne (2001) ao tratar desta técnica, apresenta-o desta forma: “É uma forma de investigação que se caracteriza pelo ato de fichar (registrar), todo o material necessário à compreensão de texto ou tema, para isso, é preciso usar fichas que facilitam e preparam a execução do trabalho” (p. 65). Com o advento do computador, as fichas manuscritas foram substituídas pela digitação que são guardadas em arquivos da memória do computador. Porém, as fichas não foram “descartadas”, pois nem todos têm acesso a essa tecnologia. Além do mais, elas podem ser guardadas em um fichário sem o risco do “pane” que, vez por outra, “ataca” os computadores. Ao começar o fichamento, as ideias do autor do texto devem ser apresentadas objetivamente – com resumo e citação – seguidas de comentários, destacando as idéias que surgirem durante a leitura reflexiva. A elaboração do fichamento facilita a apreensão e memorização do conteúdo textual, além de organizar as leituras de modo resumido para auxiliar o pesquisador na construção de seu referencial teórico. Apresentamos a seguir, os elementos de um fichamento completo de acordo com Hühne (2001). Elementos componentes de um fichamento: indicação bibliográfica, mostrando a fonte da leitura; resumo, sintetizando o conteúdo da obra; citações, entre aspas, apresentando as transcrições significativas da obra; comentários, expressando a compreensão crítica do texto, baseando-se ou não em outros autores e outras obras; ideação, colocando em destaque as novas idéias que surgiram durante a leitura reflexiva. Apresentamos a seguir um modelo de fichamento.
  17. 17. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 47 (Adaptado a partir do texto de HÜHNE, 2001:65-67) Inf. Bib.: A noção de obstáculo Epistemológico BACHELARD, Gaston. A noção de obstáculo epistemológico. In: A formação do espírito científico. Paris: L.F. J. Vrin, 1957. 1. INFLUÊNCIA FREUDIANA SOBRE BACHELARD, SUA CONCEPÇÃO DE CIÊNCIA E A FORMALIZAÇÃO DO REAL Neste texto o autor não apresenta os objetos externos como os empecilhos verdadeiros ao conhecimento científico, mas analisa principalmente aqueles obstáculos internos de caráter inconsciente, que surgem no próprio ato de conhecer “[....]é no interior do próprio ato de conhecer que aparecem, por uma espécie de necessidade funcional, retardos e perturbações” (p. 15). Para um cientista, o real não é aquilo que se manifesta de imediato, mas é aquilo que se “deveria ter pensado”. [...] o conhecimento do real é uma luz que sempre projeta sombras, em algum lugar. Ele nunca é imediatista e pleno. Ele só se objetiva à luz de um aparelho de razões, em retificações contínuas. O objeto de ciência não é apreendido na percepção, é um objeto teórico construído(p.21). 2. CIÊNCIA E OPINIÃO Ele encara a opinião como um entrave ao conhecimento científico, primeiro porque é um falso saber, que provoca a ilusão de um saber sobre algo que não se sabe nem formular problemas. Segundo, por não formular problemas, a opinião jamais alcança a verdade de uma questão. Só resta destruí-la por completo. “A opinião pensa mal; ela não pensa: ela traduz necessidades em conhecimentos. Ao designar os objetos por sua utilidade, ela se impede de conhecê-los” (p. 34). 3. O ANTIPOSITIVISMO DE BACHELARD E A PEDAGOGIA DA CIÊNCIA O autor critica a busca da unidade e universalidade do saber porque propõe não só uma concepção continuísta de história, como também exige a busca de um princípio unificador transcendental (Deus, Natureza, Lógica etc.), princípio que deságua numa ideologia.“Na verdade, tais fatores de unidade, ainda atuantes no pensamento pré- científico do séc. XVIII, não sejam invocados. Julgaríamos bastante pretensioso o sábio contemporâneo que quisesse reunir a cosmologia e a teologia” (p.43). Fichamento (modelo)
  18. 18. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 48 Bachelard mostra a sua perplexidade face aos professores que partem da tese de que o aluno quando aprende determinada matéria é uma “tabula rasa”, esquece que ele está condicionado a preconceitos e motivações diversas. Ele mostra não só a necessidade de se começar por fazer uma “catarse intelectual e afetiva”, como também de introduzir o aluno no campo da racionalização, campo que na verdade não é fácil, nem simples. “Eles não refletiram que o adolescente chega ás aulas de física com conhecimentos empíricos já constituídos, não se trata então de adquirir uma cultura experimental, e sim de mudar de cultura experimental pela vida cotidiana” (p. 57) 4. CONCLUSÕES 1) O autor estabelece diferenças fundamentais entre conhecimento empírico e científico, entre eles há uma ruptura; 2) Ele introduz novas categorias de ciência que modificam a concepção tradicional; e 3) Ele afirma progresso descontínuo de conhecimento do ponto de vista histórico. 5. COMENTÁRIOS E NOVAS QUESTÕES Aprendemos com Bachelard uma nova visão de ciência a partir de sua tese de que a atividade científica não é espontânea no homem. Ela exige uma ruptura com os conhecimentos do senso comum, corte que só se consegue a partir de uma autoanálise do conhecimento. Só à luz da psicanálise do conhecimento científico é possível elaborar uma ciência que é uma resposta a um problema bem colocado. Descobrimos também novas categorias de ciência que modificam a concepção tradicional: 1) a noção de obstáculo epistemológico; 2)corte epistemológico; 3) vigilância e lógica do erro; 4) recorrência e atualidade científica. O texto também aponta diversas questões: 1) O reexame da aprendizagem da ciência, geralmente baseado no autoritarismo do mestre; 2) A questão da impossibilidade de se estabelecer hoje um saber interdisciplinar; e 3) A necessidade de relacionar ciência e tecnologia a fim de aperfeiçoar o “aparelho das razões”.
  19. 19. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 49 2.2.4 Resenha A resenha também é um instrumento auxiliar no processo de leitura. Tanto quanto o fichamento, sua finalidade é registras as idéias principais do autor. Porém, ela tem uma abrangência maior, visto que a resenha é feita de uma obra completa e requer do resenhista, um domínio acerca do conteúdo do livro e do tema a ser discutido e uma capacidade de síntese maior. No processo de pesquisa teórica, nem sempre todos os capítulos do livro servirão de referencial teórico para o pesquisador. Nesse sentido ele utiliza o fichamento. Em outros casos, o conteúdo inteiro do livro é importante para o pesquisador. Neste caso, a resenha é o instrumento mais adequado para registrar as idéias principais do autor. A resenha pode ter um caráter puramente informativo ou ela pode ser acompanhada de uma avaliação crítica do resenhista. Para Lakatos (1986, p. 217) “É uma descrição minuciosa que compreende certo número de fatos”. Para Andrade (1999) é: Tipo de resumo crítico, contudo, mais abrangente: permite comentários e opiniões, inclui julgamento de valor, comparações com outras obras da mesma área e avaliação da relevância da obra com relação às outras do mesmo gênero. (p.78). a) Tipos de resenha A resenha tem como principal objetivo elaborar comentários sobre uma obra para publicação ou divulgação. Existem determinados livros ou teses que demoram um certo tempo para serem traduzidas em outros idiomas. A fim de que os resultados da obra sejam divulgados no meio acadêmico, cabe ao resenhista publicar ou divulgar o resultado de sua leitura. Além desse objetivo, ela tem uma finalidade instrumental: possibilitar ao estudante ou pesquisador a familiarização com a análise dos argumentos utilizados para se demonstrar, provar, descrever um determinado tema, pressupondo portanto, uma leitura rigorosa da obra. Segundo Severino (1985:181), “uma resenha pode ser puramente informativa limitando-se a expor o conteúdo do texto resenhado com a maior objetividade possível”. Para Johann (1997: 52), “a resenha crítica é, pois, a apresentação do conteúdo de uma obra, acompanhada de uma avaliação crítica. Expõe-se claramente e com certos detalhes o conteúdo da obra, faz-se uma análise e uma apreciação crítica de todo conteúdo”.
  20. 20. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 50 b) Finalidade da resenha A resenha pode ter finalidade puramente informativa. Porém as mais úteis são as que, além de informativas, realizam comentários críticos”. (SEVERINO, 1986, p. 181) A resenha deve “Resumir as idéias da obra, avaliar as informações nela contidas e a forma como foram expostas e justificar a avaliação realizada”( ANDRADE, 1999, p.77). c) Exigências para a elaboração da resenha Segundo Johann (op.cit.) a resenha requer exigências de quem a elabora, tais como: competência na matéria exposta no livro, bem como do método empregado; capacidade de juízo crítico para distinguir claramente o essencial do supérfluo; conhecimento completo da obra. d) Elementos da resenha crítica Deve ter início com referências bibliográficas da obra; no corpo do trabalho, o resenhista deve responder às seguintes indagações: De que trata o livro? Tem ele alguma característica especial? De que modo o assunto é abordado? Que conhecimentos prévios são exigidos para entendê-lo? A que tipo de leitor se dirige o autor? O tratamento dado ao tema é compreensivo? O livro foi escrito de modo interessante e agradável? As ilustrações foram bem escolhidas? O livro foi bem organizado? O leitor, que é a quem o livro se destina, irá achá-lo útil? Que resulta da comparação dessa obra com outras similares (caso existam) e com outros trabalhos do mesmo autor?
  21. 21. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 51 e) Estrutura da Resenha Referência bibliográfica Autor (es) Título (subtítulos) Imprensa (local da edição, editora, data) Número de páginas Ilustrações (tabelas, gráficos, fotos, etc) Credenciais do autor Informações gerais sobre o autor Autoridade no campo científico Quem fez o estudo? Como exemplos, apresentamos, a seguir, modelos de Resenha Informativa e Resenha Crítica. O MITO DA CAVERNA PLATÃO. O mito da caverna. In: A República. S. Paulo: Martin Claret, 2000. 320 pag. Livro VII – pág.210-238. Filósofo grego, viveu entre 428-348 a . C., nascido em Atenas, autor de vasta obra filosófica, dentre as quais, destaca-se A República, um tratado político-filosófico, uma de suas obras-primas, escrita em forma de diálogos. Resenhista: Rúbia Pimentel “O Mito da caverna” trata-se do Livro VII, no qual Platão revela, de modo metafórico, o papel do conhecimento, cuja busca se dá através da filosofia. Para tanto usa a alegoria de uma caverna subterrânea, onde lá estão acorrentados homens desde a sua infância. Eles acreditam que a única realidade é as sombras de objetos variados projetadas na parede. Platão usa dois personagens que dialogam entre si: Sócrates e Glauco, seu discípulo, que passa a imaginar as abstrações sugeridas por Sócrates, as quais apresentamos a seguir. Resenha informativa (modelo)
  22. 22. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 52 Imagine uma caverna subterrânea; lá, estão homens prisioneiros, acorrentados pelas pernas e pescoço. Por esta razão, devem permanecer imóveis, olhando só para a frente. A caverna é levemente iluminada por uma clareira. Do lado de fora, titeriteiros manipulam objetos variados que projetam nas paredes da caverna, sombras de bonecos de homens, figuras de animais feitos de pedra e outros objetos de madeira e outros materiais variados. Ao longo de sua vida, os prisioneiros só puderam contemplar sombras projetadas nas paredes da caverna, seus companheiros e as vozes emitidas de fora, dos homens que conversam entre si. É dada a oportunidade para que um dos prisioneiros seja libertado das correntes. Inicialmente ele sente dores no pescoço e tem que subir a longa escarpada da caverna para chegar ao lado de fora. Ao chegar do lado de fora, o primeiro impacto que o prisioneiro tem é com a luminosidade do sol que cega temporariamente seus olhos. Aos poucos, seus olhos se habituam à claridade e ele pode contemplar, mais próximo da realidade, objetos mais reais, com uma visão mais verdadeira, tendo dificuldade em nomear os objetos, pois se encontra perplexo diante da contemplação mais reveladora da realidade. Se vigorasse um prêmio entre os prisioneiros por se distinguirem em fazer as melhores conjecturas acerca das sombras projetadas nas paredes da caverna, certamente o homem desacorrentado abriria mão desse prêmio e diria, como Homero: “é preferível lavrar a terra a serviço de um homem de patrimônio ou sofrer qualquer outro destino a viver no mundo das sombras”(p.228). E se tivesse que voltar ao mundo da caverna e contar aos prisioneiros o que vira, certamente seria considerado um louco e tentariam matá-lo. Platão mostra a Glauco sua concepção acerca da existência do mundo inteligível: [...] é este pelo menos o meu modo de pensar, que só a divindade pode saber se é verdadeiro. Quanto a mim, a coisa é como passo a dizer-te. Nas últimas fronteiras do mundo inteligível está a idéia do bem, criadora da luz e do sol no mundo visível, autora da Inteligência e da Verdade no mundo invisível e, sobre a qual, por isso mesmo, cumpre ter os olhos levantados para agir com sabedoria nos negócios individuais e públicos (p.238). Platão conclui: a caverna subterrânea é o mundo visível aparente. A clareira que ilumina a caverna é a luz do sol. O acorrentado que se eleva à região superior e a contempla, é a alma que se eleva ao mundo inteligível.
  23. 23. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 53 O MITO DA CAVERNA PLATÃO. O mito da caverna. In: A República. S. Paulo: Martin Claret, 2000. 320 pag. Livro VII – pág.210-238. Filósofo grego, viveu entre 428-348 a . C., nascido em Atenas, autor de vasta obra filosófica, dentre as quais, destaca-se A República, um tratado político-filosófico, uma de suas obras-primas, escrita em forma de diálogos. Resenhista: Rúbia Pimentel “O Mito da caverna” trata-se do Livro VII, no qual Platão revela, de modo metafórico, o papel do conhecimento, cuja busca se dá através da filosofia. Para tanto usa a alegoria de uma caverna subterrânea, onde lá estão acorrentados homens desde a sua infância. Eles acreditam que a única realidade é as sombras de objetos variados projetadas na parede. Platão usa dois personagens que dialogam entre si: Sócrates e Glauco, seu discípulo, que passa a imaginar as abstrações sugeridas por Sócrates, as quais apresentamos a seguir. Imagine uma caverna subterrânea; lá, estão homens prisioneiros, acorrentados pelas pernas e pescoço. Por esta razão, devem permanecer imóveis, olhando só para a frente. A caverna é levemente iluminada por uma clareira. Do lado de fora, titeriteiros manipulam objetos variados que projetam nas paredes da caverna, sombras de bonecos de homens, figuras de animais feitos de pedra e outros objetos de madeira e outros materiais variados. Ao longo de sua vida, os prisioneiros só puderam contemplar sombras projetadas nas paredes da caverna, seus companheiros e as vozes emitidas de fora, dos homens que conversam entre si. A metáfora apresentada pelo autor mostra-nos que, quando somos cerceados do conhecimento, tornamo-nos “prisioneiros” das “verdades” imputadas a nós. A representação distorcida da realidade é absorvida pelos nossos sentidos como única realidade. A separação do homem em relação ao mundo real representa para Marx a “alienação social” – um modo de estranhamento entre os homens e entre as coisas. Através dela, apenas a representação da realidade prevalece sobre a sua verdadeira realidade. Isso nos leva a Resenha crítica (modelo)
  24. 24. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 54 refletir que o homem que vive das representações sociais e materiais – da ideologia – é um “prisioneiro” de uma classe manipulatória que projeta “imagens” (idéias, concepções de mundo em geral) que atendam aos seus interesses. É dada a oportunidade para que um dos prisioneiros seja libertado das correntes. Inicialmente ele sente dores no pescoço e tem que subir a longa escarpada da caverna para chegar ao lado de fora. Ao chegar do lado de fora, o primeiro impacto que o prisioneiro tem é com a luminosidade do sol que cega temporariamente seus olhos. Aos poucos, seus olhos se habituam com a claridade do sol e ele pode contemplar mais próximo da realidade, objetos mais reais, com uma visão mais verdadeira, tendo dificuldade em nomear os objetos, pois se encontra perplexo diante da contemplação mais verdadeira da realidade. A impressão dada pelo autor sugere-nos que a conquista do conhecimento impõe- nos um sacrifício. Gramsci em sua obra “Os intelectuais e a organização da cultura”, afirma que “estudar é um ato enfadonho, mas é o único ato que leva o homem a sua libertação”. Isso significa dizer que o conhecimento impõe-nos um sacrifício que, no entanto, representa a liberdade. É através do conhecimento de sua realidade e de seu mundo, que o homem faz a história, revoluciona o mundo – é sujeito da práxis. Se vigorasse um prêmio entre os prisioneiros por se distinguirem em fazer as melhores conjecturas acerca das sombras projetadas nas paredes da caverna, certamente o homem desacorrentado abriria mão desse prêmio e diria, como Homero: “é preferível lavrar a terra a serviço de um homem de patrimônio ou sofrer qualquer outro destino a viver no mundo das sombras”. E se tivesse que voltar ao mundo da caverna e contar aos prisioneiros o que vira, certamente seria considerado um louco e tentariam matá-lo. Percebe-se aqui, a exaltação que Platão faz ao conhecimento: na medida em que o homem depara-se com a possibilidade do conhecimento, não há como retroceder ao mundo da “ignorância”. Conhecer é um ato permanente de descobertas, que impõe ao homem um sacrifício necessário: o trabalho. Por outro lado, a descoberta feita pelo sujeito do conhecimento é considerada loucura diante das “verdades instituídas”. O instituinte é transformador, o instituído é conservador. Platão mostra a Glauco sua concepção acerca da existência do mundo inteligível: [...] é este pelo menos o meu modo de pensar, que só a divindade pode saber se é verdadeiro. Quanto a mim, a coisa é como passo a dizer-te. Nas últimas fronteiras do mundo inteligível está a idéia do bem, criadora da luz e do sol no mundo visível, autora da Inteligência e da Verdade no mundo invisível e, sobre a qual, por isso mesmo, cumpre ter os olhos levantados para agir com sabedoria nos
  25. 25. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 55 negócios individuais e públicos (p.238). Platão conclui: a caverna subterrânea é o mundo visível aparente. A clareira que ilumina a caverna é a luz do sol. O acorrentado que se eleva à região superior e a contempla, é a alma que se eleva ao mundo inteligível. Existe nesta metáfora, a idéia de conhecimento de um mundo aparente, limitado por circunstâncias materiais e sensoriais. Existe um mundo real a ser conhecido que dependerá da libertação do homem dessas circunstâncias a fim de que ele possa indagar, refletir a realidade e construir conhecimentos. Existe também um mundo inalcançável pelo homem, a essência da coisa que está na idéia e não pertence ao mundo sensível. Aqui, Platão revela o seu idealismo acerca da realidade do mundo. 2.3 TRABALHOS CIENTÍFICOS E AS NORMAS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT Todo trabalho científico deve ser elaborado seguindo os critérios metodológicos (adequação de métodos e técnicas) e normativos (adequação de normas técnicas segundo a ABNT). A ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - é o órgão responsável pela normalização técnica no país, contribuindo para o desenvolvimento da pesquisa científica. Tem como objetivo promover a elaboração de documentos normativos mantendo-os atualizados; colaborar nas atividades relativas à normalização, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro; incentivar e promover a participação das comunidades técnicas na pesquisa, desenvolvimento e difusão da normalização técnica do País. Através da ABNT, os documentos científicos ganham um padrão nacional, facilitando não só a análise dos mesmos, mas o modo de sua estruturação. Por isso, o estudante pesquisador não pode ser relapso a tais padrões, visto que, a análise e publicação de um trabalho científico considera tais padrões. Isto posto, apresentamos a seguir, seguida de exemplos, uma síntese com as principais regras usadas nos trabalhos acadêmicos e científicos.
  26. 26. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 56 2.3.1 Apresentação gráfica do texto segundo a ABNT(NBR 14724:2006) a) Formato do papel Os textos devem ser apresentados em papel branco, com formato A4 (21cm x 29,7cm), digitados no anverso das folhas, com exceção da folha de rosto cujo verso deve conter a Ficha Catalográfica. A cor da impressão deve ser preta, podendo utilizar cores somente em ilustrações. b) Tamanho da fonte e tipo de letra O texto deve ter a fonte de tamanho 12. Nas citações de mais de três linhas usa-se o tamanho 10, nas notas de rodapé, paginação e legendas das ilustrações e tabelas. O tipo de letra é Times New Roman ou Arial. c) Espaçamento O espaçamento entre linhas deve ser de preferência 1,5. O fim de uma seção e o cabeçalho da próxima são separados por 2 espaços de 1,5 entrelinhas. As citações de mais de 3 linhas, as notas de rodapé, as referências, as legendas das ilustrações e tabelas, a ficha catalográfica, a natureza do trabalho, o objetivo, o nome da instituição a que é submetida a área de concentração devem ser digitadas em espaço simples. As referências, que ficam no final do trabalho, devem ser separadas entre si por dois espaços simples. d) Margem e paginação A configuração do texto deve ter margem superior e esquerda 3 cm, e inferior e direita 2 cm. As páginas são contadas a partir da folha de rosto, mas não são numeradas. As numerações começam a partir do inicio do texto. Os números da paginação ficam no canto superior do lado direito da folha em algarismos arábicos. As referências, anexos, apêndices, glossário e índice devem ser incluídos na numeração sequencial das páginas do texto principal.
  27. 27. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 57 2.3.2 Citações, notas de rodapé, referências 2.3.2.1 Citações Citação é a forma de fazer menção em um texto de uma informação colhida em outra fonte (livro, periódicos, jornais, vídeos etc.). Os dados da publicação citada devem identificar a obra de modo a facilitar sua localização. As citações diretas são transcrições extraídas do texto consultado, respeitando-se as características formais. As citações indiretas são textos baseados na obra do autor consultado, reproduzindo-se idéias e informações do documento, sem, entretanto, transcrever as próprias palavras do autor. De acordo com a NBR 10520:2002, as citações, notas de rodapé e elaboração das Referências devem seguir as seguintes orientações: a) Sistema de chamada autor- data Deve-se iniciar pelo sobrenome ou nome da entidade, seguidos da data, ou pela primeira palavra do título seguida de reticências, no caso das obras sem indicação de autoria, seguida da data. Exemplo: Fazenda (1994) refere que a pesquisa é um meio e não um fim em si mesma. Assim, precisamos estimular a formação continuada nas escolas para manter acesa a chama do conhecimento entre os professores (GOMES, 2000). Na sala... (1994, p.64 – 5) afirma-se que “[...] a pesquisa deve ser estimulada desde a pré- escola”. De modo que se faz necessário uma nova organização curricular que: [...] efetiva-se cada vez que constatamos práticas como aulas-passeio, possibilitando a crianças e aos educadores que vivenciem a investigação da realidade como sendo mais rica que o conhecimento que se supõe ter dela, a partir da confrontação dos diversos saberes e da reconstrução que esta ação possibilita (ESCOLA CABANA..., 2001, p.46). b) Regras gerais Usar letras maiúsculas e minúsculas quando a citação estiver incluída na sentença. Exemplo: O Ministério da Educação (2000).................... Para Barroso (1999, p.34)...............................
  28. 28. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 58 Em Os alunos...(2001)...................... Usar letras maiúsculas quando a citação estiver entre parênteses. Exemplo: Saúde para todos no ano 2000 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1998). Não há como evitar a erosão do solo (BARROS, 1997). As universidades estão em crise (ENSINO..., 1995) Usar aspas duplas nas transcrições de até 3 linhas. Para Silva e Alves (1986, p.45-6) “a violência entrou nas escolas pela porta da frente [...]”. Usar letra menor que a do texto e sem aspas com recuo de 4cm da margem esquerda nas transcrições com mais de 3 linhas [...] atividade básica da Ciência na sua indagação e construção da realidade. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e atualiza frente à realidade do mundo. Portanto, embora seja uma prática teórica, a pesquisa vincula pensamento e ação (MINAYO, 1994:17). c) Regras específicas Dados obtidos de informação verbal: O novo milênio começa uma nova era (informação verbal) 1 . Dados obtidos de obra em fase de elaboração: Os alunos não gostam de redação (em fase de elaboração) 2 Para enfatizar trechos de uma transcrição: “[...] para o sucesso do ensino com pesquisa deve-se ensinar [...] “ (PINTO FILHO, 1988, p.8, grifo nosso). 1 Informe fornecido por Paulo Renato no Congresso Brasileiro do Futuro, em Santos, em maio de 2000. 2 A escola hoje, de autoria de Sílvia Mendes, a ser editado pela Editora da UNAMA em 2002.
  29. 29. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 59 “O planeta sofre como um organismo vivo.” (NERY; CHAVES, 1983, p.3, grifo dos autores). Para enfatizar trechos traduzidos: “O sistema universitário pode ser reformado.” (BARBOSA, 1999, p.9,tradução nossa). Quando houver coincidência de sobrenomes ou de data: (BARBOSA, E.,1989) , (BARBOSA, M.,1978) Para Teixeira (2001 a)........., Segundo Teixeira (2001 b)..... Quando houver várias obras: Para o autor...... (NUNES, 1987, 1993,1999). Diversos autores concordam que..... (SÁ, 1988; LEITE, 1999; FREIRE,1999). d) Sistema de chamada numérico Deve ser realizada por uma numeração única e consecutiva, em algarismos arábicos, remetendo à nota de rodapé ou lista de referências ao final. Não deve ser utilizado quando há notas de rodapé. A universidade precisa de metodologias que estimulem o pesquisar. (1) A pesquisa precisa ser exercitada no cotidiano das universidades e das salas de aula. Precisamos “[...] de docentes investigadores e também de docentes que ministrem boas aulas.” 3 e) Citação de citação Citação de citação é a transcrição direta ou indireta de um texto em que não se teve acesso ao original, ou seja, retirada de fonte citada pelo autor da obra consultada. É preciso indicar o autor da citação, seguido da data e página da obra original, a expressão latina “apud”, o nome do autor consultado, a data e página da obra onde consta a citação. 3 FERREIRA SOBRINHO, Paulo. A escola do futuro. 5ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000, p.87.
  30. 30. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 60 Exemplo: Signo é qualquer coisa de qualquer espécie que represente uma outra coisa, chamada de objeto do signo, e que produz um efeito interpretativo em uma mente real ou potencial, efeito este que é chamado de interpretante do signo. (MAGNO, 1998, p. 45 apud SANTAELLA, 2004, p. 8). f)) Citação enfatizando trechos Para enfatizar trechos da citação, deve-se destacá-los indicando esta alteração com a expressão “grifo nosso” entre parênteses após a chamada da citação, ou “grifo do autor”, caso o destaque já faça parte da obra consultada. Exemplo: Todas as etapas que constituem o projeto de pesquisa devem estar vinculadas ao “espírito científico” do pesquisador a fim de que ele não desperdice trabalho em vão, visto que o projeto conduz à cientificidade (FACHIN, 2003, grifo nosso). O projeto de pesquisa é uma sequência de etapas estabelecidas pelo pesquisador, que direciona a metodologia aplicada no desenvolvimento da pesquisa”. No campo das ciências, não se trabalha com pesquisa por casualidade; o resultado é fruto de um projeto elaborado, que tem em vista conduzir à cientificidade (FACHIN, 2003,p.105, grifo do autor). 2.3.2.2 Notas de rodapé a) Notas de rodapé de referência bibliográfica Primeira referência de uma obra 1 FARIAS, Neyla. Direitos humanos. 4ed. São Paulo: Atlas, 1999. Referências subseqüentes 2 Ibidem. ou Ibid. (significa a mesma obra da autora anterior) 3 FARIAS, 1999 ou FARIAS op.cit. (significa mesma obra em folha anterior).
  31. 31. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 61 2.3.2.3 Elaboração de referências (NBR 6023:2002) As Referências são as indicações dos documentos efetivamente citados no trabalho. Fixa a ordem dos elementos das referências e estabelece convenções para transcrição e apresentação da informação originada do documento e de outras fontes de informação. Segundo a NBR 6023:2002, elas devem seguir os seguintes critérios: devem ser alinhadas somente à margem esquerda do texto, em espaço simples e separadas entre si por espaço duplo; destaque gráfico poderá ser em negrito, itálico e grifo; se for usado o sistema de chamada autor-data, as referências devem ser reunidas no final do trabalho, em ordem alfabética; se for usado o sistema de chamada numérico, as referências devem seguir a mesma ordem numérica crescente. E obedecer aos modelos abaixo: 1) Monografia no todo: livro e/ou folheto (manual, guia, catálogo, enciclopédia, dicionário etc.) e trabalhos acadêmicos (teses, dissertações, entre outros) BRITO, L. M. Paz e amor. 6ed. Belém: EDUEPA, 1999. UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ. Catálogo de teses: curso de enfermagem. Belém, 2000. BRASIL. Ministério da Saúde. Relatório técnico. Brasília, DF, 1999. MUSEU DA IMIGRAÇÃO. Museu da Imigração - São Paulo: catálogo. São Paulo, 1998. 2) Monografia no todo em meio eletrônico(cd-rom, online, disquetes) VASQUES, R. Encontros religiosos. São Paulo: Delta, 2000. CD-ROM. ALVES, G. Flores e frutos. [Sl]: Virtual Books, 2000. Disponível em:http://www.terra.com.br/virtualbooks.htm. Acesso em: 10 jan. 2002, 16:30:30. 3) Parte de monografia: capítulo, volume, fragmento com autor e/ou título próprios ROMANO, U. D. Imagens e paisagens. In: LEVI, J.;FONTES, I. de. Memórias. 7ed. Recife: Atlas, 2001. p. 12-34. 4) Parte de monografia em meio eletrônico
  32. 32. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 62 MORFOLOGIA das aranhas. In: ENCICLOPEDIA multimídia dos seres vivos. São Paulo: Planeta, 1998. CD-ROM 9. 5) Publicação periódica como um todo REVISTA TRILHAS. Belém: UNAMA, 2000-1. 6) Partes de revista, boletim etc. VEJA. São Paulo: Ed. Abril, n.234, jun. 2000. 7) Artigo e/ou matéria de revista, boletim etc. COSTA, S. da. O salário em debate. Exame, Rio de Janeiro, v.4, n.6, p.34-9, set. 1998. 8) Artigo e/ou matéria de revista, boletim etc. em meio eletrônico VIEIRA, F. S. O amor de mãe. Revista neo interativa, Rio de Janeiro, n.5, nov. 2000. Seção Opinião. CD-ROM. 9) Artigo e/ou matéria de jornal NEVES JUNIOR, E. Ecos da Eco +10. Folha de São Paulo, São Paulo, 16 set. 2002. Folha Internacional, Caderno 5, p.12. 10) Artigo e/ou matéria de jornal em meio eletrônico LEIS tributárias. O Norte, Manaus, 27 ago. 2002.Disponível em:http://www.onorte.com.br. Acesso em: 26 set. 2002. 11) Evento como um todo REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA, IV, 1999, SÃO LUÍS. QUÍMICA: AVANÇOS E DESAFIOS: LIVRO DE RESUMOS. SÃO LUÍS, 1999. 12) Evento como um todo em meio eletrônico ______. Disponível em:http://www.quimica.com.br. Acesso em: 21 jan. 2000. 13) Trabalho apresentado em evento TEIXEIRA, E. Medos e ousadias. In: JORNADA NORTE DE PESQUISA, 3.,1999, Rio Branco. Resumos...Rio Branco:UFAC, 1999. p.56-64.
  33. 33. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 63 14) Trabalho apresentado em evento em meio eletrônico ______. Anais eletrônico...Rio Branco:UFAC, 1999. 1 CD-ROM. 15)Patente EMBRAPA. Unidade de Pesquisa (Belém, PA). Sílvio Romero. Medidor de pluviosidade. BR n.PI 89765490, 27 jun. 1994, 30 mai. 1998. LEGISLAÇÃO: consultar NBR para referências de jurisprudência (decisões judiciais), doutrina e documento jurídico em meio eletrônico) BRASIL. Medida provisória no. 1.786, de 11 de setembro de 2001. Diário [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 12 set. 2001. Seção 1, p.456. 16)Imagem em movimento (filmes, videocassetes, DVD etc.) PONTO DE MUTAÇÃO. DIREÇÃO DE BERNDT CAPRA. PRODUÇÃO DE LINTSCHINGER/COHEN.MANAUS: VIDEOLAR DA AMAZÔNIA, 1990. 1 VIDEOCASSETE. 17) Documento iconográfico (pintura, gravura, ilustração, fotografia, desenho técnico, diapositivo, diafilme, material estereográfico, transparência, cartaz etc.). HORTA, G. da. Doença dos índios. 1987. 1 fotografia, color.,16cmx57cm. 18) Documento iconográfico em meio eletrônico ______. Disponível em: http://www.indios.com.br. Acesso em: 23 jul. 2002. 19) Documento cartográfico (Atlas, mapa, globo, fotografia aérea etc.). Em meio eletrônico, acrescentar o tipo (CD-ROM, online, disquete etc). Consultar NBR para outros tipos de documentos como: documento sonoro no todo (disco, CD, cassete, rolo etc); documento sonoro em parte; partitura; documento tridimensional. INSTITUTO GEOGRÁFICO (São Paulo, SP). Regiões do Brasil. São Paulo, 1995. 1atlas. Escala 1:2.000. 20) Documentos de acesso exclusivo em meio eletrônico (bases de dados, listas de discussão, BBS (site), arquivos em disco rígido, programas, conjuntos de programas e mensagens eletrônicas) TEIXEIRA, E. A ciência e os paradigmas. Disponível em: http://www.astresmetodologias.com.br. Acesso em: 29 jan. 2002.
  34. 34. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 64 ALMEIDA, H. G. de. As três preocupações com os trabalhos acadêmicos [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por etfelipe.bel@terra.com.br. Em 12 out. 2002. 21) Textos recebidos por e-mail MUNIZ, Solange J. Cliente satisfeito. [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <MSN_NewslettersBR@hotmail.com> em 20 fev. 2006. Observações com relação a transcrição dos elementos essenciais: 1 Autor Pessoal: ALVES, Roque de Brito. 2 Autores Pessoais: DAMIÃO, Paulo; TOLEDO, Sérgio. 3 Autores Pessoais: SÁ, Ana; PAZ, Rui da; GOMES, Vera. + de 3 autores: URANI, A. et al. Organizador: FAZENDA, I. (Org.). Coordenador: SOUSA, Paulo. (Coord.). Editor: LIMA, A. (Ed.). Compilador: BRÁS, E. (Comp.). Desconhecida: A PESQUISA em educação. (1ª palavra do título em cx alta) Entidade: UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA. Denominação genérica: BRASIL. Ministério da Justiça. (antecedido de órgão superior) Autoria Denominação dupla: ARQUIVO PÚBLICO (Belém) ARQUIVO PÚBLICO (Amapá) Sem subtítulo SÁ, Elza. A ética. Com subtítulo curto GOMES, S. Vida pública: estudo de caso. Título Com subtítulo longo ROCO, B. Ofício de aluno: competências transversais... A partir da 2ª 2.ed. Revisada 3.ed. rev. Aumentada 4.ed. aum. Edição Revisada e ampliada 5.ed. rev. e amp. Como na fonte Belém Homônimos Viçosa, MG Local Desconhecida [S.l.] Sine loco Como na fonte Atlas + de uma Belém: Grapel; São Paulo: Cultural Editora Desconhecida [s.n.] Sine nomine Como na fonte 1999Data Desconhecida no todo ou em parte s/d [sem data] [1971 ou 1972] [2000?] = provável [197_ ] = década certa [197 ?] = década provável 1970 (impressão 1994) Observações com relação a transcrição dos elementos complementares: Descrição Física 205p. ou p.127 – 42. Ilustrações 308p.,il. Dimensões 408p.,il., 16cm x 23 cm. Séries e Coleções 208p., il., 23 cm.
  35. 35. METODOLOGIA DA PESQUISA RÚBIA MONTEIRO PIMENTEL 65 (Primeiros Passos, n. 3) Notas Complementares Mimeografada. No prelo. ISBN 38-7164-341. Bula de Remédio. Microfichas. Apostilado. Não publicado. Tabelas, gráficos e ilustrações ABREVIATURAS e SIGLAS Quando aparecem pela primeira vez, por extenso, depois em abreviatura ou sigla entre parênteses. ILUSTRAÇÕES FIGURAS: identificação na parte inferior seguida de seu número arábico e seu título. TABELAS / GRÁFICOS: Identificação na parte superior seguida de seu número arábico e seu título. Devem ser inseridas o mais próximo possível do trecho a que se referem.

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